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Unidade I – A Sociedade e o Direito Internacional
1.1. A importância do DIP (Direito Internacional Público) nos dias atuais
O termo “direito internacional (international law)” foi usado primeiramente por Jeremy Bentham em 1789 em seu livro “Introduction to the Principles of Morals and Legislation”, provavelmente procurou o autor precisar o termo “Law of nations” usado até então. Desde aproximadamente 1840, este termo tem substituído a antiga terminologia popularmente usada “law of nations” ou “droit de gens” cujas origens remontam até o conceito Romano de ius gentium. Tal expressão foi utilizada por Samuel Pufendorf (séc. XVII) como sendo um direito natural dos “Elementorum jurisprudentiae universalis”. Entretanto, as línguas alemã, escandinava, dentre outras, empregam ainda a terminologia antiga, Völkerrecht, Volkenrecht, etc.
Segundo Hee Moon Jo: “Antes da Primeira Guerra Mundial não havia grande problema em definir o direito internacional, já que à época o direito internacional era considerado sinônimo do direito internacional público (public international law) que rege as relações públicas entre os países.
Durante o século XIX e até a Segunda Grande Guerra, a doutrina positivista tradicional (positivist doctrine) dominou a teoria do DI. Consequentemente, os Estados foram entendidos como único sujeito do DI no sentido de gozar de personalidade legal internacional (international legal personality), de ser capaz de possuir direitos e deveres internacionais, e também de deter o direito de interpor ações internacionais (international claims).”
Segundo Michael Akehurst:
"O direito internacional (também conhecido como direito internacional público ou direito das nações) é o sistema de direito que rege as relações entre os Estados."
Para Celso Melo, “considerando os sujeitos da ordem jurídica internacional teríamos a seguinte definição “é o conjunto de regras que determinam os direitos e os deveres respectivos do Estado nas suas relações mútuas (Fauchille) ”. Ainda, para este mesmo autor, outro critério que pode ser considerado é o modo de formação das normas jurídicas, “O Direito Internacional se reduz às relações dos Estados e é o produto da vontade desses mesmos Estados (Bourquin). (...) Jean Touscouz define o DI como “o conjunto de regras e de instituições jurídicas que regem a sociedade internacional e que visam estabelecer a paz e a justiça e a promover o desenvolvimento.”
1.2. A Sociedade Internacional
James Leslie Brierly: “O Direito só existe em uma sociedade, não podendo haver nenhuma sociedade sem um sistema jurídico que regule as relações entre seus membros.”
Sociedade Internacional (SI): Meio onde se aplicam as regras do DIP.
1.2.1 Comunidade X Sociedade
Freyer: “Comunidade é a coletividade extra-histórica, em que não haveria poder de dominação, ou seja, de aspecto eminentemente natural, enquanto a sociedade teria formação histórica, sendo possível determinar o momento em que foi criada.”
1.2.2 Conceito
James Leslie Brierly: “o problema de ‘comunidade mundial’ é essencialmente moral e, em parte, diplomático, enquanto a SI urge por instituições pelas quais os seus sujeitos possam aprender a trabalhar conjuntamente em prol dos fins sociais comuns.”
1.2.3 – Sujeitos da SI
Entidades às quais as normas internacionais atribuem direitos e impõem obrigações
a) Estados (membros originários e principais sujeitos)
b) Organizações Internacionais: Associação voluntária de sujeitos de DIP, criadas para desenvolver da melhor maneira possível as relações entre os Estados.
c) Pessoa Humana (em regra com exercício limitado: Devem recorrer aos seus Estados) Cortes de Direitos Humanos
Empresas Transnacionais e ONG´s são pessoas de Direito Interno
1.2.4. Concepções que fundamentam a SI
a) Concepção positivista – voluntarista de Cavaglieri e Jellinek: “A Sociedade Internacional fundamenta-se num acordo de vontade dos Estados Soberanos”. O DIP seria mera fusão da pluralidade de vontades estatais em uma vontade comum.
Crítica: não explica porque determinada coletividade com características próprias se insere como ente, independentemente de aceitar as normas préexistentes e sem ter participado de sua criação.
b) Concepção lógico-jurídica de Kelsen: “A SI se consubstanciaria numa ordem superior que tornaria possível os Estados se relacionarem.”
Crítica: Como surge tal ordem superior?
c) Concepção jusnaturalista de Del Vechhio: “O homem somente se realizaria em Sociedade e nela estaria o fundamento da SI”. É da natureza humana. Teoria mais aceita.
1.2.5. Características da SI
a) Universal (todo planeta)
b) Paritária (em tese teria igualdade jurídica)
c) Aberta (todo aquele que reúne as características que o qualificam entrar para a SI, independente de aceitação)
d) Não tem organização institucional: Não é um “Superestado” (com Legislativo, Executivo e Judiciário próprio)
e) O direito que emana é originário (não se embasa em nenhum outro).
ALGUNS AUTORES AFIRMAM QUE É COMPOSTA DE POUCOS MEMBROS: Errado no momento em que se inclui a Pessoa Humana.
1.3 O Direito Internacional Público
1.3.1. Conceito
Hildebrando Accioly (Manual de DIP): “O Direito Internacional é o conjunto de regras e princípios que regem as relações jurídicas internacionais tanto dos Estados e outras entidades internacionais quanto do homem.”
1.3.2 Características específicas
(bases sociológicas): Guggenheim
a)Pluralidade de Estados Soberanos
b)Existência de Comércio Internacional
c) Existência de princípios universais
Bentham (fim do século XVIII): Internacional Law; Dumont traduziu para Droit International (Relação entre Estados, não entre Nações).
DIP: Law of Nations. Droit des Gens; Völkerrecht
Direito Internacional Privado: Conflicts of Law, Privat Internationales Recht
1.3.4 Histórico
Sua origem é eminentemente européia, não atendendo de forma igualitária todos os membros da SI:
1. Geográfico (Europa)
2. Religioso (cristão)
3. Mercantilista
4. Imperialista

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