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MODULO 7
Dos Bens - Classificação
Dos bens considerados em si mesmos
1. Bens imóveis e móveis: é a mais importante classificação, fundada na efetiva natureza dos bens.
1.1. Bens imóveis
a) Conceito: são as coisas que não se pode transportar de um lugar para outro sem destruição da sua substância.
b) Categorias - O Código Civil de 2002 em seu artigo 79 dispõe: São bens imóveis o solo e tudo quanto se lhe incorporar natural ou artificialmente. Logo, os bens imóveis classificam-se em:
b.1.) Bens imóveis por natureza – A rigor, somente o solo, com sua superfície, subsolo e espaço aéreo é imóvel por natureza. Tudo o mais que a ele adere é imóvel por acessão natural.
b.2.) Bens imóveis por acessão natural – Árvores e os frutos pendentes, bem como todos os acessórios e adjacências naturais.
* Limitações ao uso da propriedade imóvel
O art. 1226, CC dispõe que a propriedade do solo abrange a do espaço aéreo e subsolo correspondente, em altura e profundidade, úteis ao seu exercício, não podendo o proprietário opor-se a atividades que sejam realizadas, por terceiros, a uma altura ou profundidade tais, que não tenha ele interesse legítimo algum em impedi-las.
Desta forma, a construção de um metrô não pode ser impedida pelo proprietário, considerando ser feito a uma profundidade que não prejudica a utilização do subsolo acima.
Quanto ao espaço aéreo (Código do Ar), os proprietários de terrenos próximos a aeroportos não podem edificar prédios superiores à altura estabelecida na lei.
As jazidas encontradas no subsolo, as minas, recursos minerais e potenciais de energia hidráulica pertencem à União e não ao proprietário (ver art. 176, § § 1º a 4º, da Constituição Federal).
b.3.) Bens imóveis por acessão artificial, industrial ou física – art.1253 ao 1259, CC Considerando que acessão significa justaposição ou aderência de uma coisa a outra, acessão artificial é aquela produzida pelo trabalho do homem, ou seja, tudo o que for incorporado permanentemente ao solo, como a semente lançada a terra, os edifícios e as construções, de modo que não se possa retirar sem destruição, modificação, fratura ou dano.
b.4.) Bens imóveis por acessão intelectual ou por destinação do proprietário. No art. 79 não há referência aos bens imóveis por acessão intelectual (art. 43, II, CC/16). Tais bens referem-se a tudo quanto no imóvel o proprietário mantiver intencionalmente empregado em sua exploração industrial, aformoseamento ou comodidade.
O Código Civil de 2002 acolheu, conforme a doutrina moderna, o conceito de pertença, que se encontra no art. 93: São pertenças os bens que, não constituindo partes integrantes, se destinam de modo duradouro, ao uso, ao serviço ou ao aformoseamento de outro.
Pertença: É toda coisa acessória, que por lei ou destinação da vontade humana, se liga a outra, e que se presta, de modo duradouro, a conservar ou facilitar o uso, prestar serviço, ou, ainda, servir de adorno da coisa principal, sem ser parte integrante.
Natureza Jurídica: bem imóvel por acessão intelectual.
Exemplos: ventiladores de teto, ar-condicionado, máquinas industriais (torno, operadora de furadeira vertical, máquina de solda...), órgão de uma igreja, aparelho de som em uma discoteca, etc.
É fácil perceber que a pertença é coisa acessória que, apesar de estar a serviço da coisa principal, tem existência independente. Nesse sentido, estabelece o art. 94: Os negócios jurídicos que dizem respeito ao bem principal não abrangem as pertenças, salvo se o contrário resultar da lei, da manifestação da vontade, ou das circunstâncias.
Partes integrantes: São acessórios que, unidos à coisa principal, forma com ela um todo, sendo desprovidos de existência material própria, embora mantenham sua identidade.
Natureza Jurídica: bens imóveis por acessão artificial.
Exemplo: material alheio usado na construção pelo proprietário do solo, etc.
O art. 1254 do Código Civil de 2002, que repete a regra do art. 546 do Código Civil de 1916, determina: Aquele que semeia, planta ou edifica em terreno próprio com sementes, plantas ou materiais alheios, adquire a propriedade destes; mas fica obrigado a pagar-lhes o valor, além de responder por perdas e danos, se agiu de má-fé.
A interpretação da aludida regra indica que o proprietário do solo (coisa principal) adquire a propriedade das coisas acessórias (sementes, plantas ou materiais), mesmo que alheiros, uma vez que se tornam partes integrantes do terreno. Entretanto duas situações podem ocorrer: Se agir de boa-fé (desconhecia que o material era alheio), fica somente obrigado a pagar o respectivo valor do material. Entretanto, presente a má-fé, deverá pagar ao proprietário do material o seu respectivo valor e mais perdas e danos.
b.5.) Bens imóveis por determinação legal – art. 80, I e II
· Direitos reais sobre os imóveis e as ações que os asseguram (hipoteca, usufruto, superfície, servidão, etc.).
· Direito à sucessão aberta. Se alguém morre, abre-se a sucessão e o direito à sucessão aberta é bem imóvel, ainda que os bens deixados pelo de cujus sejam todos móveis. Se um herdeiro quiser renunciar à herança, esta deve ser feita por meio de escritura pública ou termo nos autos (se casado, mediante autorização do cônjuge), devendo, ainda recolher a sisa – art. 1806.
· Importante: Materiais de construção – combinação dos artigos 79, 81 e 84.
· Materiais ainda não empregados = móveis – art. 84, 1ª parte
· Materiais empregados na construção = imóveis por acessão física ou artificial – art. 79
· Materiais separados transitoriamente (ex. para reforma do imóvel) = imóveis – art. 81, II
· Materiais que separados do solo, conservam a sua unidade e são removidos para outro local = imóveis - art. 81, I
· Materiais não mais utilizados (demolição) = móveis – art. 84, parte final.
1.2. Bens móveis
a) Conceito: são os que, sem deterioração na substância ou na forma, podem ser transferidos de um lugar para outro, por força própria (semoventes – animais) ou por força de outrem (objetos inanimados) – art. 82.
b) Categorias:
b.1.) Bens móveis por natureza – art. 82, CC: são os bens suscetíveis de movimento próprio, ou de remoção por força alheia. Os navios e as aeronaves são bens móveis, mas que são imobilizados somente para fins de hipoteca (art. 1473, VI e VII).
b.2.) Bens móveis por determinação legal – art. 83, CC:
· as energias que tenham valor econômico
· os direitos reais sobre objetos móveis e as ações correspondentes (penhor, usufruto, etc.).
· os direitos pessoais de caráter patrimonial (obrigações) e as ações correspondentes (incluem-se aqui os direitos autorais – Lei 9610/98). Os créditos em geral podem ser cedidos independentemente de outorga uxória ou marital.
b.3.) Bens móveis por antecipação legal – art. 95 são aqueles bens que se encontram naturalmente ou por acessão física incorporados ao imóvel e, portanto, imóveis, mas que se destinam à aproximadamente serem destacados e mobilizados.
Ex.: árvores destinadas ao corte são consideradas bens móveis por antecipação legal. Outro exemplo: Laranjas de uma plantação de laranjeiras destinadas à usina são bens móveis por antecipação legal.
1.3. Importância da distinção entre bens imóveis e móveis
a) Forma de aquisição: Os imóveis são adquiridos, nos termos do art. 1245, pela transcrição do título de transferência (escritura pública) no Registro de Imóveis; pela acessão – art. 1248; pelo usucapião – art. 1238 a 1228, § 4º, e pelo direito hereditário. Os bens móveis, por sua vez, são adquiridos pela tradição – art. 1267, pela ocupação – art. 1263 (descoberta -art. 1233), achado de tesouro – art. 1264, especificação – art. 1269 a 1271, pela confusão, adjunção, comissão – art. 1272 a 1274, e, assim como os imóveis, também, pelo usucapião – art. 1260 a 1262, e pela sucessão hereditária. 622 CC.
b) Outorga: Os bens imóveis não podem ser alienados, hipotecados ou gravados de ônus real pela pessoa casada, sem anuência do outro cônjuge, exceto no regime de separação absoluta – art. 1647, I. Se o cônjuge denega a anuência sem motivo justo, ou lhe seja impossível concedê-la (ausente),cabe ao juiz suprir-lhe a outorga – art. 1648.
c) Forma: Para a aquisição dos bens móveis vigora, em regra, a liberdade de forma, ou seja, pode-se comprar algo móvel através de contrato verbal. Entretanto, em relação aos imóveis a aquisição será, em regra, meio de escritura pública (art. 108), salvo se o imóvel tiver valor inferior a 30 vezes o salário mínimo vigente no país.
d) Usucapião: É forma de aquisição comum dos bens imóveis e dos móveis. No entanto, para os imóveis o prazo prescricional (prescrição aquisitiva) é superior (15, 10 ou 5 anos) ao prazo dos móveis (3 e 5 anos).
Saliente-se, ainda, que somente em relação aos bens imóveis pode haver o usucapião constitucional (art. 183, CF – Usucapião pro moradia ou urbano e art. 191, CF – Usucapião pro labores ou rural - agora tipificados nos art. 1239 e 1240, CC) e o Usucapião Coletivo, tipificado no art. 1228, § 4º, CC.
e) Direitos reais de garantia: para os imóveis – hipoteca; para os móveis – penhor.
f) No caso dos ausentes (art. 26, CC), pode ser aberta a sucessão provisória. Com a abertura da mesma, os bens móveis podem ser alienados sem qualquer restrição. Em relação aos imóveis, somente por desapropriação ou por ordem judicial, para evitar a ruína – art. 31.
MODULO 8
Dos Bens - Classificação
Dos bens considerados em si mesmos - continuação
2. Bens fungíveis e infungíveis – art. 85
2.1. Bens fungíveis
Conceito: a fungibilidade é uma característica dos bens móveis e indica a possibilidade de substituição de uma coisa por outra, sem prejuízo do credor (ex. contrato de mútuo, que se trata de empréstimo de coisa fungível).
2.2. Bens infungíveis
Conceito: a coisa infungível é aquela que não pode ser substituída por outra da mesma espécie, qualidade e quantidade (ex. contrato de comodato, que se trata de empréstimo de coisa infungível)
2.3. Importância da distinção entre bens fungíveis e infungíveis
a) Mútuo – art. 586: empréstimo de coisas fungíveis. Comodato - art. 579, CC: empréstimo de coisas infungíveis. O mútuo pode ser gratuito e oneroso (mútuo feneratício – empréstimo bancário, cobram-se juros). O comodato é sempre gratuito.
b) Compensação – art. 369: efetua-se entre dívidas líquidas, vencidas e de coisas fungíveis.
c) Art. 313, CC – o credor de coisa certa (infungível) não poderá ser obrigado a receber outra, ainda que mais valiosa.
e) O contrato de locação de coisa visa o uso e gozo de coisa infungível – art. 565.
.3. Bens consumíveis e não consumíveis – art. 86 , CC
Conceito: consumíveis são os bens móveis cujo uso importa na destruição imediata da própria substância, sendo também considerados como tais, os destinados à alienação. Por sua vez, os inconsumíveis são aqueles cujo uso não importa a sua destruição imediata.
Os bens consumíveis podem ser de fato (ex.: alimentos) e de direito (ex.: dinheiro).
Exemplo:
O livro é um bem móvel, corpóreo, fungível e consumível para o dono da livraria.
O livro é um bem móvel, corpóreo, fungível e inconsumível para o proprietário, podendo até ser infungível se tiver uma dedicatória do autor.
A roupa é consumível para a dona da boutique e inconsumível para a compradora que a adquire.
A consutibilidade não decorre da natureza do bem, mas de sua destinação econômica jurídica, sendo que a vontade humana pode influenciar sobre a consutibilidade, uma vez que pode tornar inconsumível coisa consumível.
Certos direitos não podem recair sobre bens consumíveis. Ex.: o usufruto. Entretanto, existe a figura do usufruto impróprio ou quase usufruto, que tem por objeto bens consumíveis. Findo o usufruto, o usufrutuário é obrigado a restituir os que ainda existirem e dos consumidos, o equivalente em gênero, qualidade e quantidade. Não sendo possível, será restituído o seu valor estimado ao tempo da restituição – at. 1392, § 1º.
4. Bens divisíveis e indivisíveis
Conceito: são divisíveis as coisas que se podem fracionar em porções reais e distintas, formando cada qual um todo perfeito. Indivisíveis são as coisas que não podem ser divididas.
A indivisibilidade decorre da natureza da própria coisa, da vontade das partes ou da vontade da lei.
Importância da classificação entre bens divisíveis e indivisíveis
a) As obrigações são divisíveis ou indivisíveis conforme a natureza das respectivas prestações, dependendo do fato de poderem ou não ser cumpridas parcialmente. Nas obrigações indivisíveis, as prestações devem ser cumpridas integralmente, de modo que cada codevedor será obrigado pela dívida toda – Art. 259, CC.
b) Extinção do condomínio
· Coisa divisível – ela é dividida e cada condômino recebe o seu quinhão.
· Coisa indivisível – se os condôminos se recusarem a adjudicar a coisa a um só condômino, indenizando os demais, ela será vendida e o preço repartido entre os condôminos. Na venda, em condições iguais de oferta, prefere-se a oferta do condômino em relação à de estranho, entre os condôminos, aquele que tiver feito benfeitorias mais valiosas na coisa e, não havendo benfeitorias, terá preferência o condômino que tiver maior quinhão – art. 1322
c) Contrato de compra e venda - venda de coisa indivisível em condomínio - art. 504, CC
O condômino de coisa indivisível não poderá vendê-lo a estranho se o outro comunheiro a quiser, tanto por tanto. Caso o condômino venda a coisa a 3ª pessoa e o condômino não consultado deposite o preço e requeira rescisão dentro do prazo de 6 meses, a venda efetuada à 3ª pessoa ficará resolvida.
.5. Bens singulares e coletivos
O artigo 89 declara que são singulares os bens que, embora reunidos, se consideram de per si, independentemente dos demais (ex.: um livro). Entretanto, se o livro estiver agregado a outros formando um todo, configura-se uma biblioteca – universalidade de fato.
UNIVERSALIDADES - Coisas coletivas são chamadas de universalidades. As universalidades podem ser de fato (rebanho, biblioteca, cardume) e de direito (herança, patrimônio, que constituem um complexo de direitos ou relações jurídicas).
Dos Bens - Classificação
Bens reciprocamente considerados
Conceito: Principal é a coisa que existe sobre si, abstrata ou concretamente. Coisa acessória é aquela cuja existência supõe a existência da principal. O carro é coisa principal e o som do carro é coisa acessória. O terreno é coisa principal e a casa é coisa acessória em relação ao terreno.
Consequências da relação entre coisa principal e acessória
1. Presume-se que o dono da coisa principal seja dono da coisa acessória. Tal presunção é juris tantum (relativa), uma vez que admite prova em contrário.
2. O acessório segue a sorte do principal. Para que tal não ocorra é necessário que tenha sido convencionado o contrário (venda de veículo, convencionando-se a retirada dos acessórios), ou ainda, por disposição legal: art. 1284 – os frutos pertencem ao do dono do solo onde caírem – direitos de vizinhança; art. 1269 a 1271 – especificação.
3. A coisa acessória terá a mesma natureza jurídica que a coisa principal. Se a coisa principal for imóvel também o será a coisa acessória (casa em relação ao terreno).
Classes de Acessórios
1. Produtos 2. Frutos 3. Rendimentos (frutos civis) 4. Benfeitorias.
Produtos são as utilidades que se retiram da coisa diminuindo-lhe a quantidade, porque não se reproduzem periodicamente (ex.: mina de carvão). Não há renovação, ou seja, a sua utilização pode representar o seu esgotamento.
Frutos são as utilidades que uma coisa produz periodicamente (ex. laranja)
Tanto o produto quanto o fruto representam utilidades (semelhança). O que os diferencia é a possibilidade ou não de renovação periódica.
Frutos quanto à natureza
· fruto natural (leite)
· fruto industrial (queijo)
· fruto civil (juros)
Frutos civis ou rendimentos são utilidades que a coisa frutífera produz quando utilizada por alguém que não seu proprietário (ex. alugueres, juros)
Frutos quanto ao estado
· pendentes (laranjas no pé)
· percebidos (laranjas já colhidas ou separadas do pé)
· estantes (laranjas armazenadas para venda)
· percipiendos (laranjas que deviam ser colhidas (percebidas) mas não o foram
· consumidos (laranjas que já nãomais existem)
Benfeitorias
Benfeitorias são as obras ou despesas que se fazem em bem móvel ou imóvel para conservá-lo, melhorá-lo ou embelezá-lo. Benfeitorias são espécies de acessórios levados a efeito pelo homem, ou seja, decorrem da ação humana com o objetivo de tornarem a coisa principal mais agradável, mais útil (facilitar a sua utilização) ou para conservá-la ou evitar que se deteriore.
Espécies de benfeitorias:
· Voluptuárias – art. 96, § 1º - Ex. anãozinhos de jardim com a branca de neve, piscinas de fibra (as de alvenaria são partes integrantes – art. 93).
· Úteis – art.96, § 2º - Ex.: portão eletrônico.
· Necessárias – art. 96, § 3º - Ex. reforma das fundações de um prédio, colocação de cerca de arame para proteger a agricultura, troca do encanamento deteriorado pela ferrugem.
Não são benfeitorias:
· os acréscimos na coisa principal decorrente das acessões naturais (aluvião, avulsão – art. 1250 e 1251, CC)
· os acréscimos na coisa principal decorrentes de acessões artificiais (art. 79 cc 1253 a 1259), que são as construções e plantações, consideradas obras que criam coisa nova, que se adere à propriedade já existente.
· As especificações - art. 1269 a 1271, CC
Importância da distinção entre benfeitorias necessária, úteis e voluptuárias.
· Posse (Ambiente do Direito das Coisas) – art. 1219, CC.
Benfeitorias úteis e necessárias são indenizáveis, caso o possuidor esteja de boa-fé. Em relação às voluptuárias tem direito de levantá-las, se não lhe forem pagas. Tem ainda direito de retenção pelas úteis e necessárias.
· Condomínio – art. 1322, CC. Se o condomínio for de coisa indivisível e os comunheiros não quiserem adjudicá-la a um só, indenizando os outros, a coisa será vendida e o seu preço repartido. Na venda, o condômino prefere aos estranhos. Entre os condôminos prefere aquele que tiver as benfeitorias mais valiosas e, não as havendo, o condômino que tiver o maior quinhão.
· Obrigações – parte especial – contrato de locação - art. 578, CC – salvo disposição em contrário, o locatário goza do direito de retenção, no caso de benfeitorias necessárias, ou no de benfeitorias úteis, se estas houverem sido feitas com expresso consentimento do locador.
Recorde-se: O Código atual considera os frutos, produtos e benfeitorias como partes integrantes da coisa principal, sendo que os bens imóveis por acessão intelectual são qualificados como pertenças – art. 93, CC.
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Dos Bens - Classificação
Bens considerados em relação ao titular de domínio
Bens públicos x Bens particulares
Os bens públicos são aqueles pertencentes à União, aos Estados ou aos Municípios. Todos os demais são particulares, ou seja, pertencem às pessoas naturais ou jurídicas de direito privado. Relembre-se que existem coisas que não pertencem a ninguém (res nullius) e coisas que foram abandonadas pelo titular (res derelicta).
Espécies de bens públicos
· Bens e uso comum do povo – art. 99, I - Pertencem a alguma pessoa jurídica de direito público interno, mas podem ser utilizados sem restrição, desde que cumpra os regulamentos administrativos. Ex.: mar, ruas, praças, jardins, etc.
· Bens de uso especial – art. 99, II - São utilizados pelo Poder Público, constituindo-se por imóveis aplicados ao serviço ou estabelecimento federal, estadual ou municipal. Ex.: prédios onde funcionam os tribunais, as prefeituras, secretarias, etc., Tais bens têm destinação especial.
· Bens dominicais – art. 99, III - São aqueles que formam o patrimônio da pessoa jurídica de direito público, como objeto de direito real (propriedade) ou pessoal (locação). Ex.: terras devolutas, títulos da dívida pública, terrenos da marinha etc.
Características dos bens públicos:
· Inalienáveis – art. 99, I e II, CC - estão fora do comércio, salvo se forem desafetados. Os dominicais – art. 99, III, podem ser alienados, desde que por meio do processo de licitação.
· Imprescritíveis – não podem ser atingidos pela usucapião – art. 191, par. único da Constituição Federal.
· Impenhoráveis – não podem passar do patrimônio do devedor (Estado) ao do credor por força de execução judicial.
· Não sujeitos a ônus reais (hipoteca, penhor)
Bens quanto à suscetibilidade de alienação
Bens alienáveis X Bens inalienáveis
O Código Civil de 2002 não dedicou um capítulo aos bens que estão fora do comércio (art. 69, CC/1916). Entretanto, em vários dispositivos preceitua a inalienabilidade de determinados bens. A rigor, todos os bens são alienáveis, ou seja, estão disponíveis no comércio. Os bens alienáveis são os que se encontram livres de quaisquer restrições que impossibilitem a sua transferência ou apropriação. Os bens que estão no comércio podem ser vendidos e comprados, trocados, doados, alugados, emprestados. Entretanto, existem bens que não apresentam possibilidade de alienação. Tais bens são considerados bens inalienáveis ou fora do comércio.
Espécies de bens inalienáveis
· Pela própria natureza - mar, luz solar, os direitos da personalidade (salvo a exceção dos casos previstos em lei – art. 11 ao 21).
· Legalmente inalienáveis- - são suscetíveis de apropriação pelo homem, mas em função dos interesses econômicos sociais e também em atendimento da defesa social e da proteção de determinadas pessoas, a lei retira a possibilidade de alienação. Entretanto, mediante certas circunstâncias e através de determinadas formalidades a LEI (autorização legal), excepcionalmente permite a alienação dos referidos bens.
Os bens legalmente inalienáveis são:
- bens públicos de uso comum do povo e de uso especial (art. 100) Os bens dominicais podem ser alienados, observadas as exigências legais (licitação). A inalienabilidade não é absoluta, a não ser em relação aos bens que pela própria natureza são insuscetíveis de valoração patrimonial (mares, rios navegáveis, praias). Os suscetíveis de valoração patrimonial podem perder a inalienabilidade que lhes é peculiar pela desafetação (art. 101, CC). A alienabilidade, característica dos bens dominicais também não é absoluta, pois podem perdê-la pelo instituto da afetação.
- bens dos menores (art. 1691, CC), com a finalidade de proteger os incapazes. Saliente-se que os bens dos menores só poderão ser alienados, mediante autorização judicial, se trouxer benefício aos menores.
- o bem de família – 1717
- os bens móveis ou imóveis tombados, cuja conservação seja de interesse público (valores históricos, arqueológicos, etnográficos, artísticos, etc.). Art. 216, V, § § 1º, 4º, CF
- as terras ocupadas pelos índios - art. 231, § 4º, CF
· Inalienáveis pela vontade humana: em atos causa mortis (testamento) ou inter vivos (doação), a vontade humana pode impor cláusula de inalienabilidade temporária ou vitalícia (ver art. 1848 cc art. 1911, CC).
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