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Antonio do Passo Cabral e Victória Franco Pasqualotto
PROCESSO E 
CONSTITUIÇÃO: 
SISTEMA FUNDAMENTAL 
CONSTITUCIONAL
Roberto Zeller Branchi
Independente de metas e da forma de 
constituição, sempre vão haver interesses 
divergentes.
2
c-Conheça o livro da disciplina
CONHEÇA SEUS PROFESSORES 3
Conheça os professores da disciplina. 
EMENTA DA DISCIPLINA 4
Veja a descrição da ementa da disciplina. 
BIBLIOGRAFIA DA DISCIPLINA 5
Veja as referências principais de leitura da disciplina. 
O QUE COMPÕE O MAPA DA AULA? 6
Confira como funciona o mapa da aula.
MAPA DA AULA 7
Veja as principais ideias e ensinamentos vistos ao longo da aula.
RESUMO DA DISCIPLINA 38
Relembre os principais conceitos da disciplina. 
AVALIAÇÃO 39
Veja as informações sobre o teste da disciplina. 
3
 Graduação em Direito pela Universidade Federal do Rio Grande 
do Sul (UFRGS, 2019). Láurea Acadêmica (UFRGS, 2019). Tem 
trabalhos jurídicos publicados na área do direito (como autora e 
tradutora). 
VICTÓRIA FRANCO PASQUALOTTO 
Professora PUCRS
 Professor Titular de Direito Processual Civil da Universidade 
do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Procurador da República 
no Rio de Janeiro e ex-Juiz Federal. Livre-Docente pela 
Universidade de São Paulo (USP). Doutor em Direito Processual 
pela UERJ, em cooperação com a Universidade de Munique, 
Alemanha. Mestre em Direito Público pela UERJ. Pós-doutorado 
na Universidade de Paris I (Sorbonne). Professor Visitante nas 
Universidades de Passau (2015) e Kiel (2016, 2017), Alemanha, 
na Universidade Ritsumeikan, Japão (2018) e na Universidade 
de Pequim, China (2019 e 2021).
ANTONIO DO PASSO CABRAL 
Professor Convidado
c-Conheça seus professores
4
Ementa da Disciplina
Existência ou não de uma teoria processual ligada à matriz constitucional. 
Aprofundamento sobre processo e constituição.
5
Bibliografia da Disciplina
As publicações destacadas têm acesso gratuito. 
Bibliografia básica
SARLET, Ingo; MARINONI, Luiz Guilherme; MITIDIERO, Daniel. Curso de Direito 
Constitucional. 10. ed. São Paulo: Saraiva, 2021.
ZANETI JÚNIOR, Hermes. A contitucionalização do processo: o modelo 
constitucional da justiça brasileira e as relações entre Processo e Constituição. 2. ed. 
São Paulo: Atlas, 2014.
NUNES, Dierle José Coleho. Processo jurisdicional democrático: uma análise crítica das 
reformas processuais. Curitiba: Juruá, 2008.
Bibliografia complementar
CAPPELLETTI, Mauro e GARTH, Brian. Acesso à Justiça. trad. Ellen Gracie Northfleet. 
Porto Alegre: Sérgio Fabbris, 1988.
JOBIM, Marco Félix. Medidas estruturantes: da Suprema Corte estadunidense ao 
Supremo Tribunal Federal. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 2013.
NERY JUNIOR, Nelson. Princípios do processo na Constituição Federal: processo civil, 
penal e administrativo. 9. ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2009.
PORTO, Sérgio Gilberto e USTARROZ, Daniel. Lições sobre Direitos Fundamentais no 
Processo Civil (O conteúdo Processual da Constituição Federal). Porto Alegre: Livraria 
do Advogado Editora. 2009.
SARLET, Ingo Wolgang. Eficácia dos direitos fundamentais. 12. ed. Porto Alegre: 
Livraria do Advogado, 2014.
https://primo-pmtna01.hosted.exlibrisgroup.com/permalink/f/19q7g4d/TN_cdi_crossref_primary_10_22456_2317_8558_51179
https://primo-pmtna01.hosted.exlibrisgroup.com/permalink/f/19q7g4d/TN_cdi_crossref_primary_10_22456_2317_8558_51179
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6
O que compõe o 
Mapa da Aula?
so
MAPA DA AULA
São os capítulos da aula, demarcam 
momentos importantes da disciplina, 
servindo como o norte para o seu 
aprendizado.
Frases dos professores que resumem 
sua visão sobre um assunto ou situação. 
DESTAQUES
Conteúdos essenciais sem os quais você 
pode ter dificuldade em compreender a 
matéria. Especialmente importante para 
alunos de outras áreas, ou que precisam 
relembrar assuntos e conceitos. Se você 
estiver por dentro dos conceitos básicos 
dessa disciplina, pode tranquilamente 
pular os fundamentos.
FUNDAMENTOS
Questões objetivas que buscam 
reforçar pontos centrais da disciplina, 
aproximando você do conteúdo de 
forma prática e exercitando a reflexão 
sobre os temas discutidos. Na versão 
online, você pode clicar nas alternativas.
EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO
Fatos e informações que dizem 
respeito a conteúdos da disciplina.
CURIOSIDADES
Conceituação de termos técnicos, 
expressões, siglas e palavras específicas 
do campo da disciplina citados durante 
a videoaula. 
PALAVRAS-CHAVE
Assista novamente aos conteúdos 
expostos pelos professores em vídeo. 
Aqui você também poderá encontrar 
vídeos mencionados em sala de aula. 
VÍDEOS
Inserções de conteúdos para tornar 
a sua experiência mais agradável e 
significar o conhecimento da aula. 
ENTRETENIMENTO
Apresentação de figuras públicas 
e profissionais de referência 
mencionados pelo(a) professor(a).
PERSONALIDADES
Neste item, você relembra o case 
analisado em aula pelo professor. 
CASE
A jornada de aprendizagem não 
termina ao fim de uma disciplina. Ela 
segue até onde a sua curiosidade 
alcança. Aqui você encontra uma lista 
de indicações de leitura. São artigos e 
livros sobre temas abordados em aula. 
LEITURAS INDICADAS
Aqui você encontra a descrição detalhada 
da dinâmica realizada pelo professor. 
MOMENTO DINÂMICA
7
Mapa da Aula
Os tempos marcam os principais momentos das videoaulas.
AULA 1 • PARTE 1
Constituição e processo I
O Direito Constitucional no ordenamento 
jurídico nacional ganha mais força e 
expressão à partir da década de 1990, 
justamente, após a promulgação da 
Constituição. 
Quando aproximamos o processo e a 
Constituição temos dois fenômenos 
que são inerentes a essa união: a 
constitucionalização do processo e 
a processualização do Direito. Ao 
considerarmos o primeiro, temos uma 
série de institutos que o representam, 
como as garantias fundamentais 
com status constitucional; as ações 
constitucionais que vão além do controle 
de constitucionalidade, como ações 
mandamentais e o Código de Processo 
Civil, de 2015. 
Já, na processualização do Direito, 
temos a compreensão do fenômeno 
jurídico como algo que possa seguir uma 
determinada sistematização, por meio 
da instituição do processo. Ou seja, o 
processo se torna o instituto onde existe 
uma interação entre os atores envolvidos 
nele, assim como as ferramentas dispostas 
para que eles possam operar e chegar a 
efeitos práticos dentro dessa lógica.
01:58
PERSONALIDADE
Doutor em ciência do Direito, Comunicação 
e Semiótica, Filosofia e Psicologia Social, 
atua como professor no do Programa de 
Estudos Pós-Graduados em Direito da 
Pontifícia Universidade Católica de São Paulo 
e Professor Titular da Universidade Federal 
do Estado do Rio de Janeiro. É também 
autor, com mais de cem obras publicadas, 
com destaque a temas como princípios 
constitucionais e filosofia e teoria do Direito. 
Willis Santiago Guerra Filho
04:31
06:12 A própria constituição abre 
vias para o judiciário. Ela regula 
essas vias.
10:10A melhor lei de processo que 
tínhamos, até 2015, é a Lei 
de Processo Administrativo 
Federal, a Lei 9.784.
8
13:18 Toda a vez que as normas 
incidem e produzem efeitos 
jurídicos, isso só pode ser 
reconhecido através de um 
processo.14:06
PERSONALIDADE
Professor da Universidade Federal do Rio 
Grande do Sul, foi coordenador do curso de 
Pós-Graduação da instituição. Especializado 
em direto material e processual também 
atuou na atividade docente nas 
Universidades de Paris, Florença e Bogotá. 
Atuou no Anteprojeto do Novo Código Civil 
Brasileiro, como responsável pelo tema do 
Direito da Família.
Clóvis do Couto e Silva
16:11 Se a norma é o resultado não há 
interpretação que não seja um 
processo também.
Constituição e processo II
A partir da processualização do Direito, 
temos uma nova forma de interpretar 
o que está disposto, também, no texto 
constitucional. Ele passa a ser interpretado 
como um organismoem desenvolvimento 
e não mais algo imutável. Em última 
análise, o que acontece aqui é uma 
processualização da constituição. O texto 
constitucional passa a ser compreendido 
como se estivesse em constante 
desenvolvimento, atualizando suas 
concepções para acompanhar a evolução 
social e legislativa em constante curso. 
Antônio destaca a importância da 
Filosofia do Direito na percepção da 
processualização do Direito, criando 
paradigmas procedimentais de teorias da 
justiça. Por mais que tenhamos diferentes 
formas de perceber o que é justo quando 
estamos tratando de diferentes culturas, 
costumes e comportamentos sociais, 
ainda assim, é possível desenvolvermos 
procedimentos específicos para que 
possamos deliberar e concordar 
sobre o conceito de justiça. Em um 
Estado Democrático de Direito essa 
processualização assume um caráter onde 
os indivíduos da sociedade se tornam 
agentes ativos na construção e discussão 
das normas e procedimentos jurídicos.
 16:45
A distinção entre a lei formal e a lei 
material está na presença ou não do 
seguinte elemento:
EXERCÍCIO DE FIXAÇÃO
R
es
p
o
st
a 
d
es
ta
 p
ág
in
a:
 a
lt
e
rn
a
ti
v
a
 2
.
24:58Os indivíduos, hoje, no 
Estado de Direito, têm 
direito fundamental à essa 
processualização.
9
AULA 1 • PARTE 2
O processo
Antes da propagação do conceito de 
constitucionalização do processo, ele 
era visto como um instrumento capaz de 
impedir a arbitrariedade do Estado, isto 
é, como um mecanismo reativo, onde o 
cidadão poderia se proteger das decisões 
tomadas pelo poder legislativo em relação 
a sua vida e existência. Atualmente, por 
meio do instrumento do devido processo 
legal, também passamos a interpretar o 
processo como sendo um instrumento 
garantidor da concretização dos direitos 
dos indivíduos perante o Estado. 
Antônio faz um breve apanhado de 
como esse instituto se desenvolveu 
no ordenamento jurídico nacional, 
demonstrando que ele não é algo 
proveniente da promulgação da 
Constituição de 1988. Agora, sob a égide 
do texto constitucional, o devido processo 
legal passa a ter duas vertentes sob as 
quais ele é caracterizado: 
1) Procedimental - é onde temos a 
distinção das formalidades processuais 
que antecedem os fatos. Ou seja, diz 
respeito a formalização de normas que 
farão parte do processo ao longo de sua 
realização e; 
2) Substantivo - trata do controle sobre 
a razoabilidade das leis em si, sito é, 
na análise do conteúdo das normas e 
como elas devem ser aplicadas de forma 
razoável e equânime, o que impede ações 
arbitrárias por parte do legislador.
00:25
02:10 Já temos uma tradição, 
muito longa, de buscar a 
procedimentalização como uma 
métrica das nossas legislações 
processuais.
02:10 A ideia de devido processo 
legal nos é antiga. Ela não é 
nova. Não é um produto da 
Constituição de 1988.
EXERCÍCIO DE FIXAÇÃO
O processo legislativo compreende 
a elaboração de Emendas à 
Constituição, Leis Complementares,
R
es
p
o
st
a 
d
es
ta
 p
ág
in
a:
 a
lt
e
rn
a
ti
v
a
 4
.
07:56Se você aumenta o acesso à 
justiça ao ponto de reduzir a 
zero os custos judiciários, você 
vai pressionar o judiciário em 
termos de eficiência.
10
Pilares constitucionais I
Um dos pilares do constitucionalismo 
moderno é o Estado de Direito. É por 
meio dele que conseguimos organizar 
a aplicação do Direito por parte dos 
legisladores, limitando suas decisões 
baseadas em um conjunto de leis. 
Existem diversos modelos de Estado de 
Direito que se consagraram ao longo 
de nossa história. Entre eles, o modelo 
dos países que promovem a ‘Common 
Law’, onde o Direito se constrói a partir 
das decisões judiciais e a ênfase da 
produção normativa é judiciária. O Estado 
Legal, também conhecido como modelo 
francês, tem a lei como fonte de sua 
normatividade. Aqui, a ênfase está no 
legislativo, o que acabava desprestigiando 
o poder judiciário. 
O Estado de Direito Contemporâneo, 
ou modelo alemão, é desenvolvido a 
partir da doutrina. Ou seja, não temos 
uma centralidade estatal na criação e 
organização das normas jurídicas. Essa 
normatividade vai ser encontrada no 
sistema, mas não exatamente em uma 
lei específica. Atualmente, no Brasil, 
temos uma combinação entre o modelo 
alemão e algumas características do 
modelo advindo dos países que adotam a 
‘Common Law’. Essa hibridização faz com 
que o sistema jurídico consegue operar 
em sua complexidade de forma muito 
eficiente.
 11:30
12:28
PERSONALIDADE
Doutor em Direito pela Universidade Federal 
do Rio Grande do Sul é professor adjunto 
de Direito Processual Civil dos Cursos de 
Graduação, Especialização, Mestrado e 
Doutorado na mesma instituição. Autor e 
advogado, também é sócio na Marinoni 
Advocacia.
Daniel Mitidiero
14:35Historicamente, no 
constitucionalismo, o poder 
legislativo sempre era o mais 
importante.
16:49
PERSONALIDADE
Desembargador, jurista, professor 
universitário e autor é o criador da tese do 
Formalismo-Valorativo, no processo civil. 
Foi membro da International Association of 
Procedural Law, do Instituto Iberoamericano 
de Direito Processual e do Instituto Brasileiro 
de Direito Processual.
Carlos Alberto Alvaro de 
Oliveira
11
Pilares constitucionais II
É preciso que exista uma harmonia dentro 
do ordenamento jurídico, impedindo que 
um determinado poder seja superior a 
todos os demais. Ou seja, é fundamental 
estabelecer um sistema de pesos e 
contrabalanço para que haja uma 
separação de poderes sem privilegiá-los 
ou preteri-los. A ideia desse equilíbrio 
é proteger minorias e seus direitos de 
eventuais maiorias episódicas, garantir a 
aplicação das leis sem que haja distorções 
hierárquicas, impedir o legislativo de ser 
exercido contra a Constituição e objetivar 
uma eficácia horizontal em termos de 
direitos fundamentais. 
Antônio acredita que esse desenho levou 
a adoção de um modelo de supremacia 
judicial, no qual o Poder Judiciário, em 
especial o Supremo Tribunal Federal, tem 
a prerrogativa de dar a última palavra 
sobre a atribuição de sentido às normas 
constitucionais. Essa supremacia pode 
levar a outras questões que o professor 
pontua como problemas, incluindo a 
ubiquidade constitucional, quando as 
constituições sejam federais ou estaduais 
tratam de matérias que, em teoria, não 
competem; o desgaste da força normativa 
constitucional e o ativismo judicial.
 19:03
22:45Se permitíssemos que todas as 
normas fossem alteradas, de 
uma legislatura para a outra, 
poderíamos ver um massacre 
de certas minorias.
26:09
Judicial Review: Anglicismo que 
define o controle judicial das leis 
no Estados Unidos. É originário da 
decisão proferida por John Marshall, 
no caso Marbury x Madison, julgada 
pela Corte norte-americana em 1803. 
A ideia do conceito é estabelecer 
um diálogo entre os poderes, não 
onerando ou excluindo a participação 
de todos no processo.
PALAVRA-CHAVE
30:16
PERSONALIDADE
Professor Titular de Direito Constitucional da 
Universidade do Estado do Rio de Janeiro 
é sócio do escritório DS&AB Advogados, 
autor e atuou ativamente em casos de 
relevante impacto social no STF, como o das 
uniões homo afetivas e do financiamento de 
campanhas eleitorais por empresas.
Daniel Sarmento
41:18
Accountability: Anglicismo 
comumente traduzido no sentido de 
prestação de contas. Englobando os 
significados de transparência, ética 
e responsabilidade de empresas, 
órgãos administrativos, pessoas 
físicas ou outras instâncias e 
instituições.
PALAVRA-CHAVE
35:54 Há uma tentativa, sempre, de 
jogar os atos políticos para 
o judiciário. Tirar da arena 
parlamentar ou executiva 
e trazer para uma arena 
burocrata.
12
AULA 1 • PARTE 3
Separação de poderes
Uma das questões do constitucionalismo 
contemporâneo é como ele interpreta 
a separação de poderes nas esferas 
legislativas, executivas, judiciárias e 
administrativas. Estamos acostumados 
com um modelo de Estado onde as 
funções são altamente segregadas e, em 
grande medida não delegáveis. 
Antônio acredita que umEstado moderno 
não pode atingir seu máximo, em termos 
de eficiência, quando opera sob esse 
modelo. Ainda que, em determinados 
casos e efeitos, a Constituição expresse 
claramente que determinada ação ou ato 
seja realizado por agentes específicos, 
quando ela não o faz, tal ação ou ato pode 
ser delegada ou compartilhada por outros 
agentes que tenham competência, meios, 
ferramentas e subsídios para tanto. 
Quando a delegação é feita de forma 
consciente e justificada, temos um 
melhor aproveitamento da máquina 
pública, criando um sistema mais 
eficaz em termos de atuação e menos 
suscetível a problemas políticos, 
no sentido de capturar ou cooptar 
determinados serviços e servidores a 
desfavor da administração. Em seguida, 
o professor apresenta o conceito de 
decisão administrativa coordenada, 
que pode combinar as ações de órgãos 
e instituições nas esferas municipais, 
estaduais e federais, objetivando 
assertividade na tomada de decisão.
00:25
01:42 A regra é que se a Constituição 
não for clara, acerca da 
exclusividade de uma função, 
que ela não precise ser 
exclusiva.
04:54 O judiciário não é o poder que 
tem exclusividade de julgar. Mas, 
é aquele para qual a função de 
julgar é mais afeta.
06:45 Haver órgãos que tenham 
competências concorrentes, 
concomitantes não é ruim, 
no sistema. Cumpre uma 
função.
12:10 Pensar as capacidades 
institucionais, em um cenário 
onde temos múltiplos órgãos 
decisórios com competências 
secantes, tangentes, fricções 
de competência, é pensar em 
instituições da vida real.
18:12Será que o judiciário é 
aquele que tem que ter 
sempre a última palavra, no 
mundo contemporâneo?
13
Antônio comenta que nem sempre o 
judiciário vai ser o poder que tomará uma 
decisão definitiva e irrevogável sobre um 
tema. Inclusive, a Constituição brasileira 
não determina que uma decisão tomada 
pela Suprema Corte não possa ser 
alterada por uma manobra constitucional. 
Automaticamente, isso cria um ambiente 
de diálogo entre instituições e poderes 
tirando, em boa medida, a supremacia da 
decisão ao poder judiciário. 
O poder judiciário acaba sendo afetado 
justamente pelo legislativo, dentro 
dos limites legais de seus poderes e 
atribuições, criando ou alterando leis 
que desfaçam ou desvirtuem as decisões 
tomadas por aquela instância. 
Ademais, nem sempre os juízes terão 
a capacidade necessária para tomar a 
decisão mais acertada, quando os temas 
perpassam os dilemas das estruturas 
jurídicas. Nesse sentido, é possível que o 
judiciário crie espaços de não-decisão, se 
eximindo de intervir em decisões muito 
recentes ou incertas.
 18:47
20:32Se a constituição 
é um processo em 
desenvolvimento, em 
permanente inacabamento, 
sempre se pode retomar 
o debate sobre uma 
determinada questão.
Supremacia judiciária
A sistematização das leis mais 
complexas deve obedecer a uma 
hierarquia de subdivisões. Nesse 
sentido, assinale a alternativa que 
representa o esquema básico de 
composição de uma lei, na sequência 
correta:
EXERCÍCIO DE FIXAÇÃO
R
es
p
o
st
a 
d
es
ta
 p
ág
in
a:
 a
lt
e
rn
a
ti
v
a
 1
.
24:13 A ideia de maturação, 
amadurecimento da 
discussão no judiciário, 
como um pressuposto 
para as decisões de mérito, 
parece um caminho muito 
interessante.
28:47Faz sentido fixar uma 
tese em um quadro de 
incerteza?
14
AULA 1 • PARTE 4
Assim como abordamos em outras 
questões, quando pensamos na segurança 
jurídica é também preciso manter tal 
conceito em constante evolução. Na 
contemporaneidade, em muitos casos, 
o Estado não consegue dar as melhores 
respostas nas demandas de seus cidadãos 
e o judiciário tampouco consegue fornecer 
um sistema ágil capaz de normatizar 
novas e constantes transformações sociais. 
Sendo assim, é preciso repensar o conceito 
de segurança jurídica na busca de alinhá-
lo com uma realidade mais volátil e em 
constante evolução, objetivando atender 
as necessidades de uma sociedade onde 
expectativa de direito e direito adquirido 
regulavam essa relação. 
O professor apresenta conceito de 
segurança como continuidade jurídica, 
que apesar de preferir a permanência 
dos efeitos e das normas, considera sua 
possibilidade de alteração, porém, cria 
regras de transição para permitir tal 
mudança, aliada a uma boa argumentação 
sobre a mesma, equilibrando os diretos 
aos beneficiários de direitos adquiridos 
com a mudança proposta. Antônio explora 
alguns itens para ilustrar a importância do 
regime transicional , incluindo seu prazo, 
regras e capacidade de reavaliação de sua 
execução e efeitos.
 00:25 Segurança jurídica
01:10Tudo o que aconteceu no 
passado você não mexe mais 
e o que está para o futuro, 
está sempre em aberto. Essa 
era a lógica da segurança 
jurídica tradicional.
03:34A mudança é constante e 
ela acontece em um ritmo 
acelerado. Em um ritmo em 
que a produção normativa 
legislativa não consegue 
acompanhar.
06:45A alterabilidade do conteúdo 
de atos jurídicos passa a 
ser normal ao sistema e não 
excepcional.
08:18O aplicador da norma, 
ao operar a segurança-
continuidade, será 
responsável por estabelecer 
regras de transição.
11:03 Em tese, a coisa julgada 
deveria proteger os 
indivíduos contra alterações 
supervenientes no direito 
objetivo, inclusive, na lei.
15
18:05A regra de transição é 
necessariamente temporária. 
Ela não vai existir para viger 
para sempre, não vai ter um 
tempo de eficácia perene.
23:11 O que a LINDB nos mostra 
é que modulação de efeitos 
é apenas uma das várias 
modalidades de regra de 
transição.Função jurisdicional I
Antônio traz o conceito de escopos da 
jurisdição desenvolvido pelo professor 
Cândido Rangel Dinamarco para pontuar 
quais seriam algumas das principais 
funções do poder judiciário, em uma 
sociedade moderna. 
Entre eles, podemos listar a pacificação 
de conflitos entre cidadãos, instituições 
e o Estado; a função pedagógica social 
que a legislação desempenha, no sentido 
de instruir determinados padrões de 
comportamento e atitudes resultando 
na convivência harmoniosa entre os 
indivíduos; a afirmação do próprio poder 
estatal, por meio das legislações que 
ele cria e aplica. O professor também 
destaca a relevância do processo como 
um instrumento estatal e como, por meio 
dele, conseguimos atingir os objetivos 
propostos respeitando cerimônias e regras 
que se dão de forma equânime para as 
partes envolvidas em litígios. 
Em seguida, o professor discorre sobre 
outros paradigmas metodológicos que 
contrapõem o instrumentalismo proposto 
por Dinamarco, como o processualismo 
democrático; o modelo constitucional 
de processo; o neoprocessualismo 
e o processo como garantia contra 
jurisdicional. Em cada tópico, Antônio 
destaca as principais características 
dessas metodologias frente ao 
constitucionalismo, a formatação de 
operar o direito e garantir uma forma mais 
atual de executá-lo.
24:22
PERSONALIDADE
Professor titular aposentado da Universidade 
de São Paulo, autor e advogado é uma 
das referências na temática processualista 
nacional. Ex-procurador de Justiça, ex-
juiz do Primeiro Tribunal de Alçada Civil e 
Desembargador aposentado do Tribunal 
de Justiça do Estado de São Paulo é um 
dos sócios do escritório Dinamarco, Rossi, 
Beraldo & Bedaque.
Cândido Rangel Dinamarco
25:25
29:41 O processo é um instrumento. 
Um instrumento do Estado. 
Ele não pertence as partes. As 
partes não podem fazer o que 
quiserem.
16
34:43Se você não consegue dizer 
qual é o sentido da norma 
senão diante dos fatos, 
se a norma é produto da 
interpretação e não objeto 
dela, tudo joga para o lado do 
concreto e não do abstrato.
EXERCÍCIO DE FIXAÇÃO
O direito adquirido, a coisa julgada 
e o ato jurídico perfeito constituem 
princípios constitucionais de 
segurança e estabilidade das 
relações jurídicas, podendo ser, 
contudo, algum deles modificado:
R
es
p
o
st
a 
d
es
ta
 p
ág
in
a:
 a
lt
e
rn
a
ti
v
a
 4
.
40:07Se essas interações estão 
acontecendo fora do 
judiciário, como pensar o 
processo apenascomo algo 
contra jurisdicional.
17
AULA 2 • PARTE 1
Função jurisdicional II
Ainda tratando do tema dos paradigmas 
metodológicos que contrapõem a ideia do 
professor Dinamarco que vê o processo 
como um instrumento estatal, Antônio 
apresenta os conceitos de tutela dos 
direitos e técnica processual. 
A ideia de seus criadores é pontuar que 
a tutela dos direitos está em um plano 
diferente do da jurisdição. Isso traz a 
possibilidade de que o judiciário tenha 
uma abordagem mais humanizada 
e se distancie do instrumentalismo 
que transformava o processo em uma 
ferramenta estatal, demonstrando que 
nem toda a proteção que se dá aos 
direitos é jurisdicional. 
Antônio também traz uma tese sua, a 
qual ele denomina materialização do 
processo. Aqui, a o objetivo é reaproximar 
o processo do direito material, fazendo 
com que a norma processual se torne, 
também, um instrumento de regulação 
de comportamentos sociais. Outro 
fenômeno presente nesse contexto é o 
ressurgimento da autotutela e o avanço 
das técnicas processuais moldando o 
procedimento.
02:48
03:45 Pensar que nem toda a tutela 
dos direitos é jurisdicional é um 
passo muito importante para 
mudar o foco.
07:08 Hoje, norma processual regula 
comportamento. Norma 
processual é norma primária 
e regula comportamento. 
Incentiva e estimula 
comportamento.
09:31
Smart Enforcement: Refere-se 
ao desenvolvimento e aplicação 
de regulamentos considerando 
uma série de estratégias para 
regulamentação eficaz e uma 
combinação de medidas de execução. 
Considera as motivações e restrições 
de todas as partes interessadas, 
identificando formas de tornar mais 
fácil seu cumprimento, em vez de 
necessariamente aplicar medidas 
punitivas estritas como primeira 
respostas, quando não há seu 
cumprimento.
PALAVRA-CHAVE
14:20Entender o raciocínio em 
torno dos fatos que estão 
sendo discutidos é atribuir 
racionalidade à aplicação 
das normas.
18
Sistema multiportas
Ainda pensando em um judiciário 
mais contemporâneo e adaptado a 
sua realidade, uma das questões que 
precisamos trabalhar é a do acesso à 
justiça e a eficiência na resolução de 
problemas. 
Atualmente, tem se tornado cada vez 
mais comum o uso de ferramentas 
que pretendem atingir tal fim que 
não necessariamente dependerão das 
estruturas e formalidades de um processo 
tradicional. Essas ferramentas consistem 
em métodos alternativos para solução de 
conflitos. A ideia não é apenas desafogar 
o sistema jurídico de sua carga, mas 
encontrar métodos e soluções adequadas 
que garantam acesso democrático à 
justiça, buscando uma solução adequada, 
célere dentro das possibilidades e com 
todas as garantias constitucionais do 
processo, ainda que executadas via 
extrajudicial. 
O professor navega por uma série 
de tendências em se tratando de 
métodos alternativos para solução de 
conflitos e destaca como a tecnologia 
e a conectividade podem ser grandes 
aliados no processo e como esses 
métodos alternativos podem ser soluções 
interessantes de acordo com a dimensão e 
complexidade de cada conflito. 
 18:26
18:52
PERSONALIDADE
Professor emérito da Harvard Law School 
é considerado o pioneiro no campo das 
metodologias alternativas para solução 
de conflitos, no Direito norte-americano. 
Tornou-se uma das principais referências em 
arbitragem trabalhista, atuando por mais de 
quarenta e cinco anos na área.
Frank Sander
23:01
Baseball: Conhecida, no Brasil, como 
arbitragem de oferta final acontece 
quando cada parte submete uma 
proposta ao árbitro e esse deve optar 
por uma delas. Essa modalidade reduz 
o campo de atuação do árbitro e faz 
com que as partes busquem meios 
termos em suas expectativas de 
solução.
PALAVRA-CHAVE
24:38 Pensar em acesso à justiça 
é pensar em formas équas à 
solução de conflitos e essas 
formas podem ser judiciárias ou 
não.
19
26:53
CEJUSC: Os Centros Judiciários de 
Solução de Conflitos e Cidadania 
são unidades judiciárias que apoiam 
o desenvolvimento de práticas que 
estimulam a pacificação social, 
responsáveis pela tomada de 
decisão de conciliação em demandas 
processuais e pré-processuais 
para aplicação das metodologias 
autocompositivas mais apropriadas.
PALAVRA-CHAVE
31:50 A ideia de instrumentos 
alternativos ao judiciário partia 
de uma pressuposição de que a 
forma padrão, ideal de solução 
de disputas era o processo 
judiciário.
O processo legislativo guarda 
relação com o processo judicial, 
em especial, no que se refere a 
princípios aplicáveis a ambos, do 
qual é exemplo:
EXERCÍCIO DE FIXAÇÃO
R
es
p
o
st
a 
d
es
ta
 p
ág
in
a:
 a
lt
e
rn
a
ti
v
a
 2
.
36:41 Será que o poder judiciário 
promover essa autocomposição 
ou estimular as partes a isso é 
uma função jurisdicional?
41:29 Como é que se pode 
dizer que a arbitragem é 
inconstitucional?
44:25O TST era muito refratário 
à arbitragem em matéria 
trabalhista, mesmo que 
o trabalhador não fosse 
vulnerável.
20
AULA 2 • PARTE 2
Função jurisdicional III
Outra questão que o professor levanta 
relativa às funções jurisdicionais está 
atrelada a sua capacidade ou não de 
produtor de normas. 
Para Antônio, não faz sentido que o poder 
judiciário não possa criar e editar suas 
normas. Da mesma forma, a atividade de 
interpretação das normas é fundamental 
para que tenhamos formas de adequar 
e guiar a melhor tomada de decisão, 
objetivando um olhar mais atual e não tão 
enraizado ao texto normativo em si. 
Toda a vez que o legislador ou o juiz 
interpretam uma norma, indiretamente, 
eles estão realizando um processo criativo 
sobre ela, sem alterá-la expressamente, 
mas, adequando sua aplicação. Para 
ilustrar essa função o professor traz o tema 
dos precedentes e como eles podem servir 
como base para normas jurídicas podendo 
ser aplicados em novos casos.
 00:25
01:09A atividade de 
interpretação atribui 
sentido a norma e não 
descreve um sentido que 
existe antes dela.
02:56Existe uma margem maior 
ou menor, a depender do 
tipo de norma que só se 
consegue perceber ou 
revelar com a atividade do 
juiz.
06:07O precedente é formado 
a partir de um caso, a 
luz de determinadas 
hipóteses e dali se extraem 
fundamentos que podem 
ser universalizáveis.
EXERCÍCIO DE FIXAÇÃO
Assinale a opção correta a respeito 
das ações constitucionais:
R
es
p
o
st
a 
d
es
ta
 p
ág
in
a:
 a
lt
e
rn
a
ti
v
a
 2
.
09:41O juiz, em um estado de 
direito, tem que aplicar as 
normas. E tem que aplicar as 
normas tal como interpretadas 
nos precedentes porque 
há uma necessidade de 
segurança jurídica, coerência.
21
13:05 Na lógica do sistema, se 
teve um julgamento em 
embargo de divergência, 
deveria acabar a 
divergência.Função jurisdicional IV
Antônio acredita que uma ferramenta 
de grande utilidade no sistema jurídico 
contemporâneo é a consulta jurisdicional. 
Por meio dela, é possível garantir um 
acesso mais amplo à justiça sem a 
necessidade de movimentar toda a 
máquina, criando ainda um maior volume 
processual e, consequentemente, mais 
onerosidade. Além disso, quando o 
Estado fornece esse tipo de ferramenta, 
a resposta à consulta não se caracteriza 
como sendo uma decisão. Ela serve como 
um guia para os interessados naquele 
tema, sobre qual pode ser a posição do 
sistema judiciário sobre ela, de um ponto 
de vista não enviesado. Logo, o Estado 
assume uma postura que vai além de 
sanções ou imposição de força. 
De certa forma, essa também é uma 
maneira de fazer com que os cidadãos 
adotem determinados comportamentos 
que possam ser, de alguma forma, 
recompensados por parte do Estado, 
por meio de benefícios ou isenções, por 
exemplo. O professor apresenta alguns 
dos mecanismos que podem representar 
formas de atuação não impositiva do 
poder judiciário.
16:37
19:57 Isso pode acontecer quando 
as pessoas têm dúvida sobre 
quais as normas específicas 
vão incidir na sua esfera de 
direitos e qual a interpretação 
que o judiciário daria para 
aquelas normas diante da sua 
situação.
23:05 A resposta à consulta nãoé impositiva. Ela não é uma 
decisão. Não é executável.
PERSONALIDADE
Advogado e professor na Escola de Direito 
da Universidade Georgetown, atuou como 
Advogado-Geral dos Estados Unidos na 
administração Obama, entre 2010 e 2011. 
Ainda que visto como um dos principais 
advogados dos Estados Unidos foi criticado 
no meio por suas posturas contrárias a 
direitos humanos e trabalhistas em sua 
atuação.
Neal Katyal
24:11
22
Função jurisdicional V
Outra função jurisdicional que tem 
grande impacto no sistema em termos 
de desoneração está ligada a prevenção 
de conflitos. Em um sistema moderno 
precisamos pensar em não sobrecarregar 
ainda mais, algo que já trabalha com 
um enorme déficit e uma morosidade 
considerável. Antônio destaca a 
importância da tecnologia nesse quesito. 
Ao trabalharmos com bancos de 
dados e algoritmos capazes de realizar 
funções preditivas conseguimos 
diminuir substancialmente a assimetria 
informacional que existe entre as 
partes. Essa assimetria faz com que 
conflitos e disputas que poderiam ser 
resolvidos de forma muito mais efetiva, se 
prolonguem dentro do sistema, levando 
muito tempo para atingir o mesmo fim. 
Esses algoritmos ainda precisam ser 
desenvolvidos de forma que sejam mais 
funcionais e não tenham consigo vieses 
capazes de prejudicar os resultados.
29:39
33:21 A aplicação da tecnologia 
na moldagem de 
comportamento vai 
estimulando você a reduzir 
sua conflituosidade ou a 
tentar resolver aquilo fora 
do judiciário.
36:48 A partir do momento que 
a tecnologia for muito 
acelerada, uma certa parte 
da advocacia vai se tornar 
prescindível.
42:03
Marketplace: São plataformas 
mediadas por empresas que 
conectam a oferta e a demanda 
de produtos e serviços, reunindo 
diversos vendedores ou prestadores 
em um mesmo ambiente virtual.
PALAVRA-CHAVE
23
AULA 2 • PARTE 3
Função jurisdicional VI
Ainda no que tange a questão da 
prevenção de conflitos, Antônio apresenta 
mais algumas ferramentas que podem 
ser utilizadas para potencializar e 
normalizar esse instituto no dia a dia do 
poder judiciário. Entre elas, o uso da ação 
declaratória de fato com delimitação de 
seus efeitos pretendidos. 
Atualmente, já existe uma ampliação do 
cabimento da tutela declaratória, incluindo 
o modo de ser de uma declaração jurídica. 
O objeto da ação declaratória é sempre 
uma relação jurídica, sendo que a lei 
exclui do seu escopo os fatos, puramente 
fatos, ainda que juridicamente relevantes. 
Ainda assim, quando tais fatos servem 
de base para a formação dessa, havendo 
divergência sobre a existência e a validade 
destes, caberá ação declaratória, para 
dirimir as dúvidas sobre a relação jurídica, 
em relação ao seu modo de ser. 
Em seguida, o professor comenta a 
importância do instituto da produção de 
prova antes do processo. No ordenamento 
atual, o direito à prova é autônomo em 
relação a outros direitos. Essa prática 
também tem entre seus propósitos evitar 
conflitos, uma vez que a constatação das 
provas pode determinar se, de fato, é 
vantajoso ingressar com um processo para 
decidir tal conflito.
00:34
01:11 Vivemos um dogma de pensar 
que só pode ser objeto da ação 
declaratória a relação jurídica e 
não um fato.
PERSONALIDADE
Pós-Doutor pela Università degli Studi 
di Firenze. Doutor e Mestre em Direito, é 
professor adjunto de Direito Processual 
Civil nos cursos de graduação, mestrado 
e doutorado da Faculdade de Direito da 
Universidade Federal do Paraná. Atuou como 
Juiz Federal e atualmente é Procurador 
Regional da República na 4.ª Região.
Sérgio Cruz Arenhart
04:13
09:07O que é função 
jurisdicional? Garantia 
e expectativa de 
aplicabilidade e incidência 
de normas e assegurar 
constatabilidade fática.
13:20 A constatação do fato e a 
produção da prova antes do 
ajuizamento da pretensão 
cognitiva se tornou uma 
estratégia muito útil na prática 
do Direito.
24
18:18Já passou do tempo de 
pensarmos o sistema 
de justiça a partir 
da perspectiva do 
jurisdicionado.
Garantias fundamentais I
Alguns mecanismos inerentes ao processo 
são dados como garantias constitucionais. 
Entre eles, temos o instituto do 
contraditório. 
Antônio traça um paralelo entre o que 
era o conceito de contraditório, visto 
como uma contraposição de teses e o 
que ele descreve como o modelo mais 
contemporâneo, onde ele é visto como 
o direito de ser ouvido, para ambas as 
partes. Esse modelo cria uma forma mais 
interativa entre o legislador e o usuário do 
sistema de justiça, tornando esse em um 
agente coprodutor da norma. 
Uma vez atuando como coprodutores da 
norma temos o surgimento da influência 
que esses agentes exercem no processo. 
Isto é, os envolvidos em um processo, 
por meio de sua atuação, são capazes de 
determinar comportamentos do judiciário, 
baseados na interpretação que seus 
argumentos recebem e como eles são 
julgados pelo legislador. 
 19:47
É assegurado a todos os cidadãos 
o direito de petição aos Poderes 
Públicos. Esse direito consiste no (a):
EXERCÍCIO DE FIXAÇÃO
R
es
p
o
st
a 
d
es
ta
 p
ág
in
a:
 a
lt
e
rn
a
ti
v
a
 3
.
24:06O raciocínio judicial e as 
interações entre os sujeitos 
são muito mais complexas 
do que tese, antítese e 
síntese. 27:01 A ideia de um direito ser ouvido, 
por ser mais ampla do que 
o contraditório tradicional, 
ampliou as possibilidades de 
participação no processo.32:37As consequências 
processuais do exercício 
das prerrogativas do 
contraditório são diferentes, 
a depender da máscara 
que alguém vai vestir para 
participar desse debate.
38:00 Tem que haver alguma forma 
de assegurar que aquela 
manifestação seja considerada 
pelo órgão julgador. E que 
a decisão final seja produto 
daquela influência que foi, 
concretamente, exercida 
naquele caso.
25
AULA 2 • PARTE 4
Garantias constitucionais II
Outra garantia fundamental do processo é 
a boa-fé, prevista no artigo 5º do Código 
de Processo Civil. Aqui, o conceito de 
boa-fé é interpretado de forma objetiva, 
determinando um dever de conduta, que 
se espera de todas as partes envolvidas 
em uma relação jurídica. Isto é, torna-se 
fundamental que ao longo do processo 
sejam respeitados princípios como 
a lealdade, a dignidade humana e a 
igualdade. 
A boa-fé processual objetiva a limitação 
do exercício de direitos assim como cria 
deveres para os atores envolvidos no 
processo. Ou seja, ela tanto impulsiona a 
garantia do devido processo legal, como 
busca equilibrar os direitos, deveres e 
ônus processuais das partes litigantes. A 
boa-fé objetiva também tem uma função 
interpretativa no que tange tanto aos 
atos das partes e da sentença, na qual o 
juiz deve se basear na moral e na ética 
coletiva, considerando os fins sociais a 
qual cada norma se destina.
00:25
02:54 A repressão às condutas de 
má-fé é apenas um aspecto da 
boa-fé, mas ela não é o único.
EXERCÍCIO DE FIXAÇÃO
Constitui remédio constitucional 
previsto na Constituição da 
República:
R
es
p
o
st
a 
d
es
ta
 p
ág
in
a:
 a
lt
e
rn
a
ti
v
a
 4
.
08:37 Esses deveres anexos ou 
laterais são percebidos 
como decorrências da boa-
fé e podem ser exigidos 
como comportamentos 
devidos.
05:49Compreender a boa 
fé e a cooperação a 
partir do contraditório é 
importante porque você 
remete a uma norma 
constitucional.
26
Garantias constitucionais III
Como estamos tratando de litígio, em 
boa medida, temos um ambiente belicoso 
atrelado ao processo. Isso se dá, porque 
ambas as partes envolvidas estão 
objetivando a vitória em sua contestação. 
Ainda assim, nesse ambiente mais 
moderno onde o poder judiciário está 
se reconstruindo, a cooperação entre as 
partes no processo pode ser um caminho 
interessante a ser trilhado. Por mais que 
as partes tenham objetivos distintos em 
um processo, elas podem concordar em 
determinados aspectos. É justamente aqui 
que surgem os espaços de diálogo entre 
as partes e os legisladores. 
Existem alguns modelos de cooperação 
em vigência no ordenamento nacional 
e uma das característicasque mais se 
destaca neles é a posição na qual o 
legislador se coloca. Não temos mais a 
figura de um ente que está acima das 
partes envolvidas no processo. O juiz 
se torna uma figura mais acessível e 
linear no processo, assumindo alguns 
deveres que facilitam a compreensão e 
o desenvolvimento do mesmo, incluindo: 
esclarecer as partes de forma livre e 
informal; prevenir que os processos sejam 
desconsiderados por falhas técnicas; 
consultar os objetivos reais dos litigantes 
na disputa e auxiliá-los na questão 
procedimental.
10:22
12:03 O processo era sempre 
pensado na lógica da 
guerra. Tanto que ao estudar 
igualdade se fala em paridade 
de armas.
14:07 Pensar em cooperação 
significa que, embora 
divirjam, as partes podem 
ter espaços de consenso no 
processo.
18:14 Esse diálogo cooperativo é 
algo que muda um pouco 
nossa forma de enxergar 
certas prerrogativas que estão 
previstas no código, mas que 
têm que ser interpretadas, 
hoje, a luz desses princípios 
que mudaram a interação dos 
sujeitos.
24:31Em um sistema que 
pressiona para o diálogo, 
melhor que interpretar 
é dialogar. Melhor que 
interpretar é cooperar.
27
AULA 3 • PARTE 1
02:00 A processualização do direito 
seria compreender todo o 
fenômeno jurídico como um 
processo.03:46
PERSONALIDADE
Jurista alemão atuou como juiz do Tribunal 
Constitucional Federal e foi uma das grandes 
influências para o Direito Constitucional 
brasileiro. Sua principal obra, “A Força 
Normativa da Constituição”, desponta 
entre uma das principais referências na 
jurisprudência do STF e STJ.
Konrad Hesse
PERSONALIDADE
Mestre e Doutor em Direito pela 
Universidade Federal do Paraná, é professor 
da Universidade Estadual do Norte do 
Paraná e desembargador do Tribunal de 
Justiça do Estado do Paraná. Também 
atuou no Gabinete da Procuradoria-Geral 
de Justiça e na Subprocuradoria-Geral de 
Justiça para Assuntos Jurídicos. 
Eduardo Augusto Salomão 
Cambi
07:14
13:20
Obra da jurista e professora portuguesa Paula 
Costa e Silva, publicada em sua primeira 
edição em português brasileiro, em 2019, 
explora atos postulatórios tratando-os com 
ênfase especial na questão da boa-fé e como 
eles se dão a partir do Código de Processo 
Civil de 2015.
Livro: Acto e Processo
LEITURA INDICADA
PERSONALIDADE
Advogado, autor e professor universitário é 
uma das principais referências modernas do 
Direto Processual Civil, tendo atuado como 
autor, coautor e organizador de mais de 
trinta obras que versam sobre o tema. Foi 
um dos processualistas revisores do Código 
Civil, de 2015.
Fredie Souza Didier Júnior
15:09
28
15:56Sobre quem recai o ônus 
do tempo do processo? 
Geralmente, quem 
tem razão sofre com o 
decurso do tempo do 
processo. 17:48
Escrito pelo professor Daniel Mitidiero e 
publicado pela editora Revista dos Tribunais, 
em 2022, aborda a evolução do controle de 
constitucionalidade, a história da disciplina 
e como ela se dá no ordenamento nacional 
para o processo constitucional.
Livro: Processo Constitucional
LEITURA INDICADA
O processo constitucional
Victória inicia sua apresentação fazendo 
uma distinção entre os conceitos de 
constitucionalização do processo e 
processo constitucional. 
Esse discernimento é bastante 
referenciado tanto na doutrina quanto na 
prática jurídica dos tribunais, atualmente. 
O direito constitucional processual 
se concentra nos meios típicos da 
ordem constitucional e como normas e 
princípios embasam sua aplicabilidade 
no sistema jurídico nacional. O direito 
processual constitucional está atrelado à 
própria jurisdição constitucional e seus 
instrumentos jurídicos voltados à tutela 
dos direitos fundamentais presentes na 
própria constituição. 
Em seguida, a professora faz uma 
trajetória da relação entre controle 
de constitucionalidade e o processo, 
descrevendo a atuação de juristas como 
Hans Kelsen, Niceto Alcalá-Zamora 
y Castillo e Eduardo Couture e a sua 
participação nesse processo.
19:38
EXERCÍCIO DE FIXAÇÃO
Sobre os processos formais de 
alteração do texto constitucional, é 
correto afirmar:
R
es
p
o
st
a 
d
es
ta
 p
ág
in
a:
 a
lt
e
rn
a
ti
v
a
 1
.
20:50As relações entre 
processo e constituição 
são as mais variadas 
possíveis.
29
23:23 A definição de 
processo constitucional 
passa do controle de 
constitucionalidade até a ideia 
de processo constitucional.27:11
PERSONALIDADE
Doutor pela Universidade de Navarra, na 
Espanha é especialista em Direitos Humanos. 
Juiz na Corte Interamericana de Direitos 
Humanos desde 2013, onde atuou como 
vice-presidente, entre 2016 e 2017 e como 
presidente entre 2018 e 2019. É, também, 
membro do Instituto de Investigações 
Jurídicas da Universidade Autônoma do 
México.
Eduardo Ferrer Mac-Gregor
35:46 Uma característica muito forte 
dos estudos do processo civil, 
da segunda metade do século 
XX até hoje, é a aproximação 
entre os sistemas de ‘Civil 
Law’ e ‘Common Law’.
AULA 3 • PARTE 2
O processo constitucional II
Victória apresenta outros autores como 
Piero Calamandrei, Mauro Cappelletti e 
Héctor Fix-Zamudio, apresentando suas 
contribuições na construção do conceito 
de processo constitucional, estabelecendo 
uma relação entre direito e constituição. 
A professora demonstra como os juristas 
envolvidos nas discussões que surgem nos 
pós Segunda Guerra Mundial, utilizam-
se de uma perspectiva mais focada 
nos usuários dos sistemas jurídicos 
e não apenas nas formalidades neles 
consagradas. 
Outro aspecto que passa a emergir 
nesse período diz respeito ao acesso à 
justiça e como precisamos pensar de 
forma mais sistematizada ações objetivas 
para solucionar eventuais conflitos que 
envolvam questões abarcadas pela 
constituição.
00:25
03:09 O processo serve a 
determinados fins e 
tem que ter atenção ao 
cidadão, ao jurisdicionado, 
seus direitos e suas 
garantias.
30
06:12
Publicado em português brasileiro pela 
primeira vez, em 1984, pela editora Sergio 
Antonio Fabris (SAFE) foi traduzido por 
Aroldo Plínio Gonçalves. 
Livro: Controle Judicial de 
Constitucionalidade das Leis no 
Direito Comparado
LEITURA INDICADA
PERSONALIDADE
Advogado e professor universitário na 
Faculdade Paulista de Direito da Pontifícia 
Universidade Católica de São Paulo, atuou 
como Procurador de prefeituras no interior 
paulista. Em seguida, foi juiz substituto 
e titular, sendo promovido ao posto de 
Desembargador, também pelo Estado de São 
Paulo. 
José Frederico Marques
07:54
O controle judicial I
O modelo de ‘Judicial Review’ cria uma 
competência atribuída ao poder judiciário 
que permite com que ele possa rever os 
atos dos demais poderes, permitindo que 
ele possa revisitar as ações de outros 
poderes e até mesmo invalidá-los. A 
ideia não é tornar o poder judiciário mais 
forte do que os demais, sendo assim, 
para que haja uma interação equilibrada 
entre todos os poderes, em paralelo, 
se desenvolve um sistema de freios e 
contrapesos. 
Victória demonstra como esse conceito 
vem se desenvolvendo ao longo da 
história, trazendo casos que ficaram 
marcados como os precursores do tema. 
Para além do caso consagrado como 
ponto de partida do ‘Judicial Review’, 
Marbury v. Madison, no direito norte-
americano, no século XVII, a professora 
utiliza como exemplo, decisões anteriores, 
como o caso do Dr. Bonham, no direito 
inglês, do século XV. O que está posto 
aqui é como podemos ter formas de 
controle difuso do poder, ainda que os 
magistrados detenham a posição final em 
cada caso.
12:54
18:55 Ninguém pode ser juiz em 
causa própria.
25:07 Não é possível que um 
direito não seja passível 
de tutela por meio do 
judiciário.
31
29:57Dependendo da 
conformação de maiorias 
conservadoras ou 
progressistas acabamos 
tendo orientações que 
desenvolvem os direitos 
mais a partir da constituição 
e orientações mais 
originalistas.
O controle judicial II
Finalizando este trecho de sua 
apresentação, Victória apresenta um outro 
paradigma relativo ao constitucionalismo. 
Aqui, temos uma posiçãode controle 
concentrado, baseado na constituição. 
A professora destaca a importância do 
Tribunal Constitucional instituído pela 
Áustria, em 1920 e como ele detinha a 
competência concentrada no domínio da 
constitucionalidade e na fiscalização da 
mesma. 
A Constituição austríaca reflete as ideias 
de Hans Kelsen e as coloca em prática 
em um modelo, onde a Corte Suprema 
se torna responsável pelo controle da 
inconstitucionalidade. Além da iniciativa 
austríaca, outras jurisdições também 
utilizaram-se de iniciativas semelhantes, 
inclusive, antes da Áustria, como na 
Venezuela, Suíça e Alemanha.
 31:51
Um indivíduo pretende proteger 
direito líquido e certo, não amparado 
por habeas corpus ou habeas 
data, diante de ato praticado por 
abuso de poder de autoridade 
pública. Assinale a alternativa 
que indica o instrumento correto, 
constitucionalmente previsto no 
Art. 5º da Constituição Federal de 
1988, apropriado para tutelar sua 
pretensão:
EXERCÍCIO DE FIXAÇÃO
R
es
p
o
st
a 
d
es
ta
 p
ág
in
a:
 a
lt
e
rn
a
ti
v
a
 1
.
34:42 O movimento do 
constitucionalismo, das 
constituições escritas é um 
movimento muito próprio 
da tradição romano-
germânica, da Europa 
continental. 
32
AULA 3 • PARTE 3
01:38
Pirâmide de Kelsen: É uma forma 
de representar graficamente um 
sistema de hierarquia de um Estado. 
A proposta de Kelsen divide o sistema 
jurídico em três níveis distintos: as leis 
constitucionais, no topo da pirâmide; 
as leis ordinárias, complementares, 
mediadas provisórias, no centro, 
estabelecidas pelo poder legislativo e 
os costumes, no sopé, formados pela 
reprodução dos comportamentos 
propostos.
PALAVRA-CHAVE
05:21 Uma Constituição, também, 
só vai ser verdadeiramente 
uma garantia quando 
a anulação dos atos 
inconstitucionais for 
possível.
O modelo brasileiro I
Segundo Victória, o modelo de 
constitucionalismo nacional é uma mistura 
entre as duas vertentes previamente 
apresentadas. Nosso controle de 
constitucionalidade recebe influências 
tanto do modelo do ‘Judicial Review’, 
quanto do Tribunal Constitucional 
Austríaco. Os princípios que compõem o 
constitucionalismo brasileiro são baseados 
nas seguintes características do ‘Judicial 
Review’: caráter repressivo, concreto, 
difuso, incidental, interpartes, declaratório 
e com efeitos retroativos. 
A professora faz um apanhado histórico 
relacionando as diversas constituições 
propostas no país, após 1891 e o advento 
da República, demonstrando como 
ferramentas e institutos foram inseridos 
e adequados a seu contexto temporal, no 
sentido de criar mecanismos de proteção 
a regras constitucionais.
 06:14
08:13
PERSONALIDADE
Advogado, jornalista, político, diplomata e 
escritor foi um dos idealizadores e coautor 
da Primeira República, atuando na defesa 
do federalismo, do abolicionismo e da 
promoção de direitos e garantias individuais. 
Atuou como Senador pelo estado da Bahia, 
Ministro da Fazenda e foi um dos membros 
fundadores da Academia Brasileira de Letras.
Rui Barbosa
11:15
Full Bench: Conhecida, no Brasil, 
como cláusula de reserva de plenário, 
determina que para uma lei ou 
ato normativo do Poder Público 
ser considerado inconstitucional, 
precisa receber o voto da maioria 
dos membros do tribunal. A regra 
pode ser encontrada no artigo 97 da 
Constituição.
PALAVRA-CHAVE
33
15:10No direito brasileiro temos 
métodos muito sofisticados 
e variados para o controle 
de constitucionalidade.
O modelo brasileiro II
Em se tratando de inconstitucionalidade 
temos os seguintes tipos caracterizados: 
1) Formal X Material - a 
inconstitucionalidade material se dá 
quando temos uma violação direta e 
clara ao conteúdo da Constituição. Já a 
formal se caracteriza quando um requisito 
procedimental da elaboração normativa é 
desrespeitado; 
2) Total X Parcial - A inconstitucionalidade 
total acontece quando a integralidade da 
norma é atingida e a parcial, quando um 
trecho artigo ou mesmo expressão é mal 
utilizada gerando vícios; 
3) Ação X Omissão - quando uma conduta 
positiva do Poder Público é configurada, 
temos a inconstitucionalidade por ação, 
já, no caso da omissão ela é caracterizada 
quando o Poder Público deveria agir, mas 
não o faz; 
4) Inicial X Superveniente - aqui é preciso 
considerar a norma constitucional e a 
infraconstitucional. Na inicial, temos a 
inconstitucionalidade quando a norma 
é criada de forma inconstitucional ao 
parâmetro vigente. A superveniente, 
quando uma nova ordem constitucional 
se destaca, tornando a infraconstitucional 
anterior em uma norma inconstitucional. 
 18:34
21:14Na declaração parcial de 
nulidade o Supremo vai 
declarar qual é o significado 
que não está abrangido pela 
constituição.
Existem diversas formas de controle de 
constitucionalidade e elas podem ser 
classificadas por critérios distintos. Entre 
eles, Victória relaciona os tipos que ela 
considera mais relevantes dentro do 
ordenamento nacional, sendo eles: 
1) Preventivo ou Repressivo - quando 
exercido antes do ato ou edição de uma 
lei considerada inconstitucional e no caso 
repressivo, após sua edição e ou vigência; 
2) Concreto ou Abstrato - quando tem 
origem em casos reais ou quando está 
atrelado diretamente a norma jurídica e 
sua redação; 
3) Incidental ou Principal - quando 
questiona um processo em curso ou 
quando se dá por meio de um processo 
autônomo; 
4) Difuso ou Concentrado - quando 
pode ser exercido por todo e qualquer 
magistrado ou concentrado quando um 
órgão específico tem a competência para 
declarar a inconstitucionalidade; 
5) Político ou Judicial - quando exercida 
por órgãos que não fazem parte do 
Poder Judiciário ou quando exercida 
por órgãos que fazem parte dele. A 
eficácia das sentenças no controle de 
constitucionalidade pode ser declaratórias 
ou constitutivas produzindo efeitos 
retroativos ou não.
24:56O modelo brasileiro III
29:23 Na prática, a 
fundamentação das ações 
de controle abstrato 
prescinde de uma 
controvérsia concreta.
34
Segundo a doutrina, norma 
constitucional superveniente editada 
pelo poder constituinte originário 
sem qualquer ressalva tem eficácia:
EXERCÍCIO DE FIXAÇÃO
R
es
p
o
st
a 
d
es
ta
 p
ág
in
a:
 a
lt
e
rn
a
ti
v
a
 3
.
O modelo brasileiro IV
Victória explora o tema das diferenças 
entre a modulação de efeitos e a 
superação para frente dos precedentes no 
ordenamento jurídico nacional. 
No sistema brasileiro, temos como 
principal fonte a materialização do direito 
pela aplicação da lei, assistida pela 
jurisprudência. Ao mesmo tempo, também 
se utiliza de uma forma de interpretação 
que não considera a norma abstrata, 
portanto, se baseia em casos anteriores 
para definir os direitos aplicáveis. Logo, 
temos decisões diferentes em situações 
jurídicas semelhantes, evidenciando 
insegurança jurídica. 
É nesse sentido que precisamos modular 
os efeitos dos precedentes, uma vez que 
eles não são imutáveis e sua tendência é 
a de evoluir de acordo com as mudanças 
sociais e suas relações. A ideia da 
modulação é resguardar a segurança 
jurídica, uma vez que a alteração posterior 
do precedente não trará consigo um 
imprevisto injusto, tampouco tratamento 
distinto para jurisdicionados em situações 
similares.
 32:42
38:58A decisão sobre a 
modulação de efeitos é uma 
decisão muito importante 
que está vinculada a outras 
razões para além da tese, 
que são as razões de 
segurança jurídica.
42:20
Dissenting Opinion: Anglicismo 
que, em livre tradução pode ser 
interpretado como voto contrário ou 
voto vencido.
PALAVRA-CHAVE
35
AULA 3 • PARTE 4
Processo civil comparado I
A professora faz uma introdução sobre 
o tema do processo civil comparado. A 
professora destaca a evolução do tema 
ao longo do tempo e a importância de se 
estabelecer critérios e métricas que vão 
além da simples equivalência de normas 
entre sistemas. 
A abordagem se dá, justamente, sobre 
as funções que cada sistema dispõe e 
as semelhanças que existem sobre sua 
aplicação em termosde efeitos práticos. 
Para tanto, é importante consultar não só 
a lei daquele ordenamento específico, mas, 
também as decisões e como as cortes se 
posicionam sobre um determinado conflito 
ou disputa. 
Victória destaca como o sistema, no 
Brasil assume um caráter híbrido e 
como é relevante pensar a comparação 
entre outros sistemas a partir de 
um olhar que perpasse as tradições 
romano-germânicas, pensando na 
modernização do processo. Em seguida, 
a professora apresenta os principais 
objetivos, metodologias e iniciativas 
para uniformização e harmonização da 
pesquisa e desenvolvimento do direito civil 
comparado.
 00:25
02:16Essa ideia de 
comparação, em um 
primeiro momento, 
também estava muito 
ligada a comparar 
dispositivos.
05:22
CURIOSIDADE
A International Association of Procedural 
Law iniciou suas atividades na década 
de 1950. Atualmente, conta com mais de 
350 associados espalhados pelo mundo. 
Oferece programas de ensino e qualificação, 
programas de associação, além de organizar 
painéis, congressos e eventos. A edição de 
2023 será realizada em Lima, no Peru.
IAPL
08:55 Não podemos compreender 
e reduzir toda a 
complexidade do nosso 
fenômeno jurídico a uma 
origem remota na tradição 
romano-germânica.
36
11:01
PERSONALIDADE
Professor da Università degli Studi di 
Pavia, Cornell, Pensilvânia e Califórnia, o 
processualista italiano é uma das principais 
referências do Direito Comparado e Direito 
Processual Civil moderno. Autor de “Um 
Simples Verdade: O Juiz e a Construção dos 
Fatos”, deixa grande contribuição científica 
dos temas.
Michele Taruffo
13:29 O método sempre se dá em 
função do objetivo. Antes 
de fazer uma comparação 
é muito importante ter 
presente qual é o seu 
objetivo.
Processo civil comparado II
Os institutos de Civil e Common Law 
continuam tendo sua presença em 
destaque quando tratamos de comparar 
o processo civil sistemas jurídicos 
distintos. Victória pontua como ainda 
persistem percepções equivocadas na 
comparação desses modelos reduzindo 
o Common Law ao sistema adversarial 
e a Civil Law ao sistema inquisitorial. A 
professora comenta quais são os principais 
temas que costumam ser postos a prova 
quando se realiza a comparação entre 
os dois modelos, incluindo: os poderes 
do juiz e das partes envolvidas no litígio, 
precedentes, as fontes de direito, os 
deveres probatórios, além dos métodos 
alternativos de resolução de disputa e 
arbitragem. 
Victória salienta como os sistemas mistos, 
como temos no Brasil, se tornam fontes 
ricas para estudiosos e suas teorias 
de processo civil comparado atuais. A 
professora também aponta algumas das 
características que os sistemas jurídicos 
da América Latina compartilham e como 
elas são reflexos de uma história que prima 
pela garantia dos direitos fundamentais 
após uma série de episódios que os 
colocaram em xeque, como a colonização 
e o advento de ditaduras militares em 
períodos distintos. 
 17:27
19:53
ADR: Acrônimo para o anglicismo 
Alternative Dispute Resolution, 
conhecidos no Brasil como meios 
alternativos de resolução de conflitos 
ou controvérsias” ou ainda MESCs, 
que seriam os meios extrajudiciais de 
resolução de controvérsias.
PALAVRA-CHAVE
23:42
PERSONALIDADE
Professor universitário e diretor do programa 
de Mestrado em Direito Processual na 
Universidade de La Plata, atuou como 
presidente do Instituto Americano de Direito 
Processual e como membro do suplemento 
comissão de arbitragem na Corte Suprema 
de Justiça da Nação da Argentina.
Eduardo Oteíza
37
PERSONALIDADE
Processualista, juiz e professor de Direito 
Processual Civil, foi professor titular na 
Universidade Federal do Rio Grande do 
Sul. Uma de suas obras mais populares é 
“Despacho Saneador”, de 1953. Lacerda foi 
distinguido pela Universidade de Coimbra, 
em Portugal, com a láurea Doutor Honoris 
Causa. 
Galeno Lacerda
27:32
A alteração do significado e sentido 
das normas constitucionais, sem 
necessidade de alteração de seu 
texto, caracteriza o fenômeno da:
EXERCÍCIO DE FIXAÇÃO
R
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d
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ág
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a:
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 1
.
38
Resumo da disciplina
Veja, nesta página, um resumo dos principais conceitos vistos ao longo da disciplina. 
AULA 1
AULA 2
AULA 3
Na prática, a fundamentação das ações 
de controle abstrato prescinde de uma 
controvérsia concreta.
Pensar que nem toda a tutela dos 
direitos é jurisdicional é um passo 
muito importante para mudar o 
foco.
A definição de processo 
constitucional passa do controle de 
constitucionalidade até a ideia de 
processo constitucional.
O movimento do 
constitucionalismo, das 
constituições escritas é um 
movimento muito próprio da 
tradição romano-germânica, da 
Europa continental. 
Se você aumenta o acesso à 
justiça ao ponto de reduzir a zero 
os custos judiciários, você vai 
pressionar o judiciário em termos 
de eficiência.
Se permitíssemos que todas as 
normas fossem alteradas, de uma 
legislatura para a outra, poderíamos 
ver um massacre de certas minorias.
Toda a vez que as normas incidem e 
produzem efeitos jurídicos, isso só pode 
ser reconhecido através de um processo.
A atividade de interpretação atribui 
sentido a norma e não descreve um 
sentido que existe antes dela.
Vivemos um dogma de pensar 
que só pode ser objeto da ação 
declaratória a relação jurídica e não 
um fato.
39
Veja as instruções para realizar a avaliação da disciplina.
Já está disponível o teste online da disciplina. O prazo para realização 
é de dois meses a partir da data de lançamento das aulas. 
Lembre-se que cada disciplina possui uma avaliação online. 
A nota mínima para aprovação é 6. 
Fique tranquilo! Caso você perca o prazo do teste online, ficará aberto 
o teste de recuperação, que pode ser realizado até o final do seu curso. 
A única diferença é que a nota máxima atribuída na recuperação é 8. 
Avaliaçãoca--
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