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FILOSOFIA SEMANA 05: PERÍODO CLÁSSICO – SOFISTAS E SÓCRATES 1. SUMÁRIO • Os sofistas • Principais sofistas • Sócrates e suas circunstâncias • Sócrates e suas ideias 2. OS SOFISTAS • Antes de falarmos de Sócrates, é preciso lembrar que em sua época, desenvolveu-se uma escola de filosofia que teve por base o discurso. Era a escola dos sofistas. • Esses pensadores desenvolveram a oratória e a capacidade de argumentação a tal ponto que se profissionalizaram: passaram a exigir remuneração para ensinar, bem como para defender causas e pontos de vista. Foram, por esse motivo, os primeiros advogados de que se tem notícia. • Com os sofistas, a dialética, estabelecida anteriormente por Zenon, ultrapassou as fronteiras da metafísica, tornando-se universal. (CASTILHO, P.23, 2021) • Entendiam que a natureza não bastava para explicar o mundo. Mas não tinham como intenção buscar a verdade, como os pré-socráticos pretendiam (até porque pregavam a inexistência de verdades absolutas). Ao contrário, utilizavam-se da dialética e do conhecimento como recursos de ascensão social. • Protágoras, o idealizador da sofística, dizia que uma ideia só ganhava força quando era compartilhada. Justamente por isso pregava a necessidade de um discurso forte e convincente. • Os sofistas, considerados mestres da sabedoria, tinham como meta humanizar a cultura, ou seja, mostrar de que modo, na prática, o homem pode se beneficiar dos achados filosóficos. • Enquanto os pré-socráticos queriam entender a natureza das coisas, os sofistas discutiam as convenções que o homem, em sociedade, havia estabelecido. (CASTILHO, P.24, 2021) 3. PRINCIPAIS SOFISTAS Protagóras (492 a.c – 422 a.c) • Protágoras foi o primeiro a cobrar para dar aulas. Foi o idealizador da sofística – afirmava que, como seu objetivo era formar cidadãos, por meio da educação política, merecia ser chamado sofista (mestre da sabedoria). Sua teoria baseava-se na premissa de que o homem é a referência de tudo. Dizia: “O homem é a medida de todas as coisas, das coisas que são, enquanto são, das coisas que não são, enquanto não são”. Górgias de Leontini (483 a.c – 484 a.c) • Foi escolhido para viajar a Atenas, no ano de 427 a.C., para pedir aos gregos que socorressem sua cidade natal, Leontinos, sob ameaça de invasão dos habitantes da italiana Siracusa. Como sofista, defendeu com tamanha eloquência a causa diante da Assembleia do Povo que foi contratado como professor de filhos de aristocratas. (CASTILHO, P.24, 2021) 4. SÓCRATES E SUAS CIRCUNSTÂNCIAS • A cidade-Estado de Atenas experimentava grande pujança. Vitoriosa sobre os persas, tornara-se o centro militar da época. Dirigida pelo iluminado Péricles, tinha comércio poderoso, boas escolas, incentivo às artes, e estava organizada sob um sistema político inovador e inclusivo, a democracia idealizada por Sólon – um dos sete sábios da Grécia antiga. • A principal criação da democracia de Sólon era a eclésia, como era chamada a assembleia popular. Nessas assembleias os cidadãos podiam falar livremente, defendendo pontos de vista sobre a administração da cidade e projetos de desenvolvimento. • Não havia líderes eleitos para falar em nome do povo, como na democracia atual. A palavra podia ser tomada por qualquer pessoa que reunisse as condições então necessárias para ser considerada cidadã: ser homem, ser livre, ser natural de Atenas e estar em idade produtiva (por isso estavam excluídos os velhos e as crianças). (CASTILHO, P.26, 2021) 5. SÓCRATES E SUAS IDEIAS (470 a.C – 399 a.C) • Sócrates dizia que, quando o homem alcança conhecer a verdade, necessariamente passa a agir bem, porque o bem está indissociavelmente ligado à verdade. Quem agisse mal, segundo ele, fazia-o por ignorância. Seus alunos mais destacados foram Platão e Aristóteles, que registraram os seus ensinamentos, já que não deixou nada escrito. • Sócrates percorria a cidade de Atenas, praticando a sua técnica do diálogo com os jovens, sempre em lugares públicos. Essa técnica, chamada maiêutica, ou parto de ideias, consistia em manter um diálogo irônico que conduzia o interlocutor a aprender e a atingir conclusões (CASTILHO, P.26, 2021) • Seu pensamento tinha uma sólida base ética. Achava que o homem chegava a ser virtuoso quando alcançava o conhecimento (“Conhece-te a ti mesmo”, dizia ele), e em decorrência do conhecimento inclinava-se à obediência da lei – para Sócrates, a obediência à lei era o que diferenciava o homem civilizado do bárbaro. • Sócrates filosofa por meio de perguntas abrangentes, do tipo “O que é a coragem? ”, “O que é a amizade? ”, “O que é o amor? ” etc., e muitos dizem que seu método é a “maiêutica”, um modo de, ao questionar os outros, tirar deles a resposta correta – uma forma de “parir” as ideias (GHIRALDELLI Jr., p.15, 2003). • Talvez a maior das divergências entre Sócrates e os sofistas consistisse no seguinte: enquanto os sofistas acreditavam que a justiça – e até própria verdade – era apenas uma convenção dos homens, Sócrates achava necessário buscar o fundamento de todas as coisas, porque só assim seria possível encontrar a verdade e assim chegar ao bem, na vida em sociedade. • Em 399 a.C. foi chamado diante do conselho de justiça (em honra à deusa da justiça, Dike, os membros desse conselho eram chamados dikastas) e formalmente acusado de impiedade, por desrespeito aos deuses. Tão fiel foi Sócrates ao seu pensamento que, considerando o conselho a expressão da lei, obedeceu, recusando-se a desmentir seus ideais. Ingeriu cicuta e morreu no cárcere. (CASTILHO, P.26, 2021) 6. REFERÊNCIAS • CASTILHO, Ricardo. Filosofia geral e jurídica. 7ª ed. São Paulo: Saraiva Educação, 2021. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.Com.br/reader/books/9786555595000/epubcfi/ 6/4[%3Bvnd.vst.idref%3Dcopyright.xhtml]!/4/14/4/1:11[sof%2Cia%20]. Acesso em 29/12/2022. • GHIRALDELLI JÚNIOR, Paulo. Introdução à filosofia. Barueri, SP: Manole, 2003. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.Com.br/reader/books/9788520448168/pageid/ 4. Acesso em: 29/12/2022. Elaborador: Profº Thiago Brasil