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PCDT DOENÇA DE ALZHEIMER Prof. Lígia Carvalheiro DOENÇA DE ALZHEIMER Art. 1º Fica aprovado o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas – Doença de Alzheimer. Art. 2º É obrigatória a cientificação do paciente, ou de seu responsável legal, dos potenciais riscos e efeitos colaterais relacionados ao uso de procedimento ou medicamento preconizados para o tratamento da doença de Alzheimer. DOENÇA DE ALZHEIMER Art. 3º Os gestores estaduais, distrital e municipais do SUS, conforme a sua competência e pactuações, deverão estruturar a rede assistencial, definir os serviços referenciais e estabelecer os fluxos para o atendimento dos indivíduos com a doença em todas as etapas descritas no Anexo desta Portaria. Art. 4º Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação. DEFINIÇÃO E FISIOPATOLOGIA Transtorno neurodegenerativo progressivo e fatal que se manifesta por: deterioração cognitiva e da memória comprometimento progressivo das atividades de vida diária e uma variedade de sintomas neuropsiquiátricos e de alterações comportamentais FISIOPATOLOGIA A. Mudanças Estruturais ● Enovelados neurofibrilares: ● Placas neuríticas (ou senis): ● Perdas sinápticas e morte neuronal: FISIOPATOLOGIA B. Alterações nos Neurotransmissores ● A perda de neurotransmissores não é uniforme em todo o cérebro; afeta certos "sistemas" em algumas áreas, mas não em outras. FISIOPATOLOGIA B. Alterações nos Neurotransmissores ● Sistema Colinérgico (Acetilcolina): ● Sistema Noradrenérgico: ● Sistema Glutaminérgico (Glutamato): FISIOPATOLOGIA Os fatores de risco bem estabelecidos para DA são idade e história familiar da doença. Já a etiologia de DA permanece indefinida, embora progresso considerável tenha sido alcançado na compreensão de seus mecanismos bioquímicos e genéticos. DIAGNÓSTICO Devem ser observados os critérios de inclusão e exclusão de doentes neste Protocolo, a duração e a monitorização do tratamento, bem como a verificação periódica das doses prescritas e dispensadas e a adequação de uso dos medicamentos. DIAGNÓSTICO Demência é diagnosticada quando há sintomas cognitivos ou comportamentais (neuropsiquiátricos) que: (a) interferem com a habilidade no trabalho ou em atividades usuais; (b) representam declínio em relação a níveis prévios de funcionamento e desempenho; (c) não são explicáveis por delirium (estado confusional agudo) ou doença psiquiátrica maior. DIAGNÓSTICO O processo COMPLETO de investigação diagnóstica para preencher os critérios inclui: ● história completa (com paciente e familiar ou cuidador), ● avaliação clínica; ● exames laboratoriais; ● imagem cerebral. DIAGNÓSTICO Os comprometimentos cognitivos ou comportamentais devem afetar no mínimo dois dos seguintes campos: - memória, - funções executivas, - habilidades vísuo-espaciais, - linguagem - personalidade ou comportamento, DIAGNÓSTICO Critérios do National Institute on Aging and Alzheimer's Association Disease and Related Disorders Association (NIA/AA): A. início insidioso (meses a anos); B. clara história de perda cognitiva referida pelo informante; C. o déficit cognitivo mais proeminente e inicial é evidente na história e exame em uma das seguintes categorias: DIAGNÓSTICO D. Esse diagnóstico ❌ não se aplica quando existe evidência de: - DCV concomitante substancial, definida por (a) história de AVC temporalmente relacionada ao início da perda cognitiva ou (b) presença de múltiplos e extensos infartos, (c) extensa hiperintensidade de substância branca; Diagnóstico diferencial Observar quadro de possível: ● depressão, ● deficiência de B12, ● hipotireoidismo Um exame de imagem cerebral - tomografia computadorizada (TC) ou ressonância magnética (RM) – útil para excluir lesões estruturais que podem contribuir para a demência, como infarto cerebral, neoplasia e coleções de líquido extracerebral. Critérios de inclusão ➔ PARA INIBIDORES DA ACETILCOLINESTERASE (DONEPEZILA, GALANTAMINA, RIVASTIGMINA): Serão incluídos os pacientes que preencherem todos os critérios abaixo: ● Diagnóstico de DA provável, segundo os critérios do NIA-AA e ABN; . Critérios de inclusão ➔ PARA INIBIDORES DA ACETILCOLINESTERASE (DONEPEZILA, GALANTAMINA, RIVASTIGMINA): ● MEEM com escore entre 12 e 24 para pacientes com mais de 4 anos de escolaridade ou entre 8 e 21 para pacientes com até 4 anos de escolaridade; Critérios de inclusão ➔ PARA INIBIDORES DA ACETILCOLINESTERASE (DONEPEZILA, GALANTAMINA, RIVASTIGMINA): ● Escala CDR >Clinical Dementia Rating = 1 ou 2 (demência leve ou moderada); Critérios de inclusão ➔ PARA INIBIDORES DA ACETILCOLINESTERASE (DONEPEZILA, GALANTAMINA, RIVASTIGMINA): ● TC ou RM do encéfalo e exames laboratoriais que afastem outras doenças frequentes nos idosos que possam provocar disfunção cognitiva: hemograma completo(anemia, sangramento por plaquetopenia), avaliação bioquímica (dosagem alterada de sódio, potássio, cálcio, glicose, ALT/AST, creatinina), avaliação de disfunção tiroidiana (dosagem de TSH), sorologia para lues (VDRL)e HIV (em pacientes com menos de 60 anos) e nível sérico de vitamina B12 e ácido fólico. Exame Objetivo (Doença a ser Excluída) TC (Tomografia Computadorizada) ou RM (Ressonância Magnética) do Encéfalo Estrutural: Afastar causas tratáveis ou reversíveis de demência e lesões focais, como: tumores cerebrais, hematomas subdurais, hidrocefalia de pressão normal e acidente vascular cerebral (AVC/isquemia). Em casos de DA, a imagem pode mostrar atrofia (encolhimento) do hipocampo e outras regiões corticais. Hemograma Completo Anemia (pode causar fadiga e confusão), sangramento por plaquetopenia (pode causar sangramento cerebral). Exame Objetivo (Doença a ser Excluída) Avaliação Bioquímica (Sódio, Potássio, Cálcio, Glicose, ALT/AST, Creatinina) Excluir disfunções orgânicas que afetam o cérebro: Distúrbios eletrolíticos (hipo/hipernatremia), insuficiência renal (creatinina) ou hepática (ALT/AST), e diabetes (glicose). Avaliação de Disfunção Tireoidiana (TSH) Excluir o Hipotireoidismo, uma causa comum e reversível de declínio cognitivo e lentidão. Exame Objetivo (Doença a ser Excluída) Sorologia para Lues (VDRL) e HIV Excluir infecções crônicas que podem causar demência (ex: neurosífilis ou encefalopatia associada ao HIV). O HIV é geralmente testado em pacientes mais jovens (abaixo de 60 anos). Nível Sérico de Vitamina B12 e Ácido Fólico Excluir a deficiência de Vitamina B12 , outra causa comum e reversível de disfunção cognitiva e sintomas neuropsiquiátricos. Critérios de inclusão ➔ PARA MEMANTINA A Memantina é usada para tratar a Doença de Alzheimer moderada a grave, e seu mecanismo de ação visa um neurotransmissor diferente: o Glutamato. PARA MEMANTINA Memantina combinada aos inibidores da acetilcolinesterase: Serão incluídos os pacientes que preencherem todos os critérios abaixo: Diagnóstico de DA provável, segundo os critérios do NIA-AA, ABN; TC ou RM do encéfalo e exames laboratoriais que afastem outras doenças frequentes nos idosos que possam provocar disfunção cognitiva: hemograma completo (anemia, sangramento por plaquetopenia), avaliação bioquímica (dosagem alterada de sódio, potássio, cálcio, glicose, creatinina e transferases hepáticas - ALT/TGP e AST/TGO), avaliação de disfunção tiroidiana (dosagem de TSH), sorologia para lues (VDRL) e HIV (em pacientes com menos de 60 anos) e nível sérico de vitamina B12 e ácido fólico. PARA MEMANTINA Memantina combinada aos inibidores da acetilcolinesterase: Escore na escala CDR= 2 (demência moderada); Escores no MEEM entre 12 e 19, se escolaridade maior que 4 anos, ou entre 8 e 15, se escolaridade menor ou igual a 4 anos. ➔ PARA MEMANTINA Memantina em monoterapia Serão incluídos os pacientes que preencherem todos os critérios abaixo: Diagnóstico de DA provável, segundo os critérios do NIA-AA, ABN; TC ou RMdo encéfalo e exames laboratoriais que afastem outras doenças frequentes nos idosos que possam provocar disfunção cognitiva: hemograma completo (anemia, sangramento por plaquetopenia), avaliação bioquímica (dosagem alterada de sódio, potássio, cálcio, glicose, creatinina e transferases hepáticas - ALT/TGP e AST/TGO), avaliação de disfunção tiroidiana (dosagem de TSH), sorologia para lues (VDRL)e HIV (em pacientes com menos de 60 anos) e nível sérico de vitamina B12 e ácido fólico. Critérios de inclusão ➔ PARA MEMANTINA Escore na escala CDR = 3 (demência grave); MEEM com escore entre 5 e 11, para escolaridade maior que 4 anos, ou entre 3 e 7, quando escolaridade menor ou igual a 4 anos. Critérios de EXCLUSÃO ➔ PARA INIBIDORES DA ACETILCOLINESTERASE (DONEPEZILA, GALANTAMINA, RIVASTIGMINA): ● Identificação de incapacidade de adesão ao tratamento; ● Evidência de lesão cerebral orgânica ou metabólica simultânea não compensada (conforme exames do item Critérios de Inclusão); ● Insuficiência ou arritmia cardíaca graves; ● Hipersensibilidade ou intolerância aos medicamentos; ● Demência de Alzheimer grave (CDR = 3); ● Escores no MEEM 4 anos de estudo. Critérios de EXCLUSÃO PARA MEMANTINA ● Serão excluídos os pacientes que apresentarem pelo menos uma das condições abaixo: ● Demência de Alzheimer de gravidade leve (CDR = 1); ● Escores no MEEM 4 anos de estudo; ● Incapacidade de adesão ao tratamento; ou ● Hipersensibilidade ao fármaco ou a componente da fórmula. TRATAMENTO ● O tratamento da DA deve ser multidisciplinar, contemplando os diversos sinais e sintomas da doença e suas peculiaridades de condutas. ● O objetivo do tratamento medicamentoso é propiciar a estabilização do comprometimento cognitivo, do comportamento e da realização das atividades da vida diária (ou modificar as manifestações da doença), com um mínimo de efeitos adversos. TRATAMENTO ● Os inibidores da acetilcolinesterase, donepezila, galantamina e rivastigmina, são recomendados para o tratamento da DA leve a moderada. O fundamento para o uso de fármacos colinérgicos recai no aumento da secreção ou no prolongamento da meia-vida da acetilcolina na fenda sináptica em áreas relevantes do cérebro. TRATAMENTO ● Uma das limitações do uso desses medicamentos é sua tolerância, particularmente relacionada ao trato digestório, dado que náusea e vômitos são muitas vezes intoleráveis. ● A DA está também associada ao aumento da perda dos neurônios glutaminérgicos, com distúrbios nos receptores N-metil-D-aspartato (NMDA – receptor glutaminérgico) e na expressão do receptor do ácido α-amino-3-hidroxi-5-metil-4- isoxazolepropionico no córtex cerebral e hipocampo. TRATAMENTO ● Em relação a intervenções não farmacológicas, o exercício físico de qualquer modalidade demonstrou efeito benéfico sobre a cognição de pacientes com demência devido a DA, embora o número de estudos incluídos na meta-análise tenha sido pequeno e a heterogeneidade tenha sido muito grande entre eles, impedindo recomendações sobre qual tipo de exercício deveria ser feito. Medicamento Forma de Apresentação Como Começar (Fase de Adaptação) Dose de Manutenção (Dose Ideal) Dicas Importantes Donepezila Comprimidos (5 mg e 10 mg) Iniciar com 5 mg por dia. Aumentar para 10 mg/dia somente após 4 a 6 semanas (mais de um mês). 10 mg por dia (dose máxima). Tomar ao deitar (à noite). Isso ajuda a reduzir efeitos colaterais como náuseas. Pode ser tomado com ou sem alimentos. Medicamento Forma de Apresentação Como Começar (Fase de Adaptação) Dose de Manutenção (Dose Ideal) Dicas Importantes Galantamina Cápsulas de Liberação Prolongada (8, 16, 24 mg) Iniciar com 8 mg por dia, mantendo essa dose por 4 semanas (um mês). 16 mg por dia (dose de manutenção mínima). A dose máxima é de 24 mg por dia. Tomar pela manhã, com alimentos. Por ser de liberação prolongada, toma-se apenas uma vez ao dia. Medicamento Forma de Apresentação Como Começar (Fase de Adaptação) Dose de Manutenção (Dose Ideal) Dicas Importantes Rivastigmina (Oral) Cápsulas (1,5 a 6 mg) e Solução Oral Iniciar com 3 mg por dia. Aumentar a dose em 3 mg a cada 2 semanas (ex: 3 mg → 6 mg → 9 mg...). 12 mg por dia (dose máxima). Aumentar a dose lentamente é crucial para evitar enjoo. Deve ser tomada com alimentos. Medicamento Forma de Apresentação Como Começar (Fase de Adaptação) Dose de Manutenção (Dose Ideal) Dicas Importantes Rivastigmina (Adesivo) Adesivos Transdérmicos (4,6 mg/dia e 9,5 mg/dia) Iniciar com o adesivo menor (4,6 mg/24h), por no mínimo 4 semanas (um mês). Adesivo maior (9,5 mg/24h). Aplicar 1 adesivo a cada 24 horas. Mudar o local da aplicação a cada dia (braço, peito, costas) para evitar irritação na pele. Medicamento Forma de Apresentação Como Começar (Fase de Adaptação) Dose de Manutenção (Dose Ideal) Dicas Importantes Memantina Comprimidos Revestidos (10 mg) A dose é aumentada gradualmente a cada semana: Semana 1: 5 mg/dia (21 comprimido). Semana 2: 10 mg/dia (1 comprimido). Semana 3: 15 mg/dia (21 comprimido e 1 inteiro). 20 mg por dia (geralmente 10 mg duas vezes ao dia) a partir da quarta semana. O aumento gradual (titulação) é essencial para o organismo se acostumar e reduzir tonturas. Pode ser tomado com ou sem alimentos. Medicamento Efeitos Adversos Mais Comuns Donepezila, Galantamina, Rivastigmina (Inibidores da AChE) Gastrointestinais: Náusea, Vômito, Diarreia, Anorexia (perda de apetite), Dor Abdominal, Dispepsia (indigestão). Neurológicos/Outros: Tontura, Cefaleia (dor de cabeça), Insônia, Sonolência, Cãibras Musculares e Fadiga. Memantina (Antagonista NMDA) Cefaleia (dor de cabeça), Cansaço/Fadiga e Tontura. TRATAMENTO MONITORIZAÇÃO Etapa Período Objetivo Ferramentas Reavaliação Inicial Após 3 a 4 meses do início do tratamento. Estimar o benefício imediato e decidir sobre a continuidade do fármaco. Avaliação Clínica, MEEM (Mini Exame do Estado Mental), CDR (Clinical Dementia Rating). Reavaliação Contínua A cada 6 meses após a reavaliação inicial. Monitorar a eficácia a longo prazo, a necessidade de manter o tratamento e detectar deterioração. Avaliação Clínica, MEEM, CDR. PCDT DOENÇA DE PARKINSON Prof. Lígia Carvalheiro DOENÇA DE PARKINSON Art. 1º Ficam aprovados o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas – Doença de Parkinson. Art. 2º É obrigatória a cientificação do paciente ou de seu responsável legal, dos potenciais riscos e efeitos colaterais relacionados ao uso de procedimento ou medicamento preconizados para o tratamento da doença de Parkinson. DOENÇA DE PARKINSON Art. 3º Os gestores estaduais, distrital e municipais do SUS, conforme a sua competência e pactuações, deverão estruturar a rede assistencial, definir os serviços referenciais e estabelecer os fluxos para o atendimento dos indivíduos com a doença em todas as etapas descritas no Anexo desta Portaria. Art. 4º Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação. INTRODUÇÃO E SINTOMAS A doença de Parkinson (DP), descrita por James Parkinson em 1817, é uma das doenças neurológicas mais comuns e intrigantes dos dias de hoje. Tem distribuição universal e atinge todos os grupos étnicos e classes sócio-econômicas. Do ponto de vista patológico, a DP é uma doença degenerativa cujas alterações motoras decorrem principalmente da morte de neurônios dopaminérgicos da substância nigra que apresentam inclusões intracitoplasmáticas conhecidas como corpúsculos de Lewy. MANIFESTAÇÕES MOTORAS Sintoma Motor Descrição Simples Tremor de Repouso Tremor que ocorre quando o membro está relaxadoe que tende a diminuir ou desaparecer durante o movimento. É um dos sinais mais característicos. Bradicinesia Lentidão e pobreza de movimentos. Isso afeta a execução de tarefas simples, tornando-as lentas e trabalhosas (ex: dificuldade para abotoar uma camisa, marcha arrastada). Rigidez com Roda Denteada Aumento da resistência ao movimento passivo de uma articulação (como o cotovelo), que ocorre de forma intermitente, dando a sensação de pequenos "engasgos" ou "catracas" (roda denteada) ao longo do movimento. Anormalidades Posturais Problemas com o equilíbrio e a postura, resultando em flexão do tronco e dificuldade para manter-se ereto, o que aumenta o risco de quedas. PROCESSO DEGENERATIVO Sintoma Não Motor Exemplos Citados Causa Provável Sensorial/Autonômico Alterações do olfato (anosmia), Constipação, Hipotensão postural (queda da pressão ao levantar). Degeneração em núcleos do tronco cerebral (vago) e neurônios periféricos (plexo mioentérico). Psiquiátrico/Emocional Depressão, Ansiedade, Mudanças emocionais, Sintomas psicóticos. Envolvimento de núcleos no tronco cerebral e áreas do córtex. Cognitivo Prejuízos cognitivos e Demência. Envolvimento do córtex cerebral por Corpúsculos de Lewy (processo de Lewy Body Dementia, se for a causa primária da demência). DOENÇA DE PARKINSON A introdução da levodopa representou o maior avanço terapêutico da DP, produzindo benefícios clínicos para praticamente todos os pacientes e reduzindo a mortalidade pela doença. No entanto, logo após a introdução do medicamento, tornou-se evidente que o tratamento por um longo prazo era complicado pelo desenvolvimento de efeitos adversos, como flutuações motoras, discinesias e complicações neuropsiquiátricas. DOENÇA DE PARKINSON Complicação O que é Impacto no Paciente Flutuações Motoras Variações na resposta ao medicamento ao longo do dia. O paciente passa a ter períodos de "ON" (boa resposta, com movimentos controlados) e "OFF" (o medicamento para de fazer efeito, voltando a rigidez e a lentidão). Imprevisibilidade da capacidade de movimento, limitando as atividades diárias. Discinesias Movimentos involuntários e anormais, geralmente coreiformes (dançantes) ou distônicos (contorções musculares). Estes são movimentos em excesso, paradoxalmente causados pelo excesso de dopamina disponível de forma flutuante no cérebro. Complicações Neuropsiquiátricas Podem incluir alucinações, delírios, confusão mental, e outros distúrbios de humor e comportamento. Podem ser mais angustiantes e difíceis de controlar do que os próprios sintomas motores. DOENÇA DE PARKINSON Com a progressão da doença, os pacientes passam a apresentar manifestações que não respondem adequadamente à terapia com levodopa, tais como episódios de congelamento, instabilidade postural, disfunções autonômicas e demência. DOENÇA DE PARKINSON Manifestação Descrição e Por Que a Levodopa Falha Episódios de Congelamento (Freezing of Gait) Momentos súbitos e breves em que o paciente sente os pés "colados" no chão, impedindo-o de andar. É comum ao iniciar a marcha, virar ou passar por portas. Instabilidade Postural Dificuldade crescente em manter o equilíbrio, levando a tropeços e quedas frequentes (especialmente ao ser empurrado ou virar-se). Disfunções Autonômicas Problemas no sistema nervoso autônomo, que controla funções involuntárias. Exemplos incluem Hipotensão Postural (pressão que cai ao levantar, causando tontura) e Constipação. Demência Declínio cognitivo significativo e progressivo. DOENÇA DE PARKINSON Existem atualmente vários modos de intervenção medicamentosa para o controle dos sintomas: - levodopa standard ou com formulações de liberação controlada, em associação com inibidor da levodopa descarboxilase; - agonistas dopaminérgicos; (Ex: Pramipexol, Ropinirol, Rotigotina) - inibidores da monoamino-oxidase B (MAO-B); (Ex: Selegilina, Rasagilina) - inibidores da catecol-O-metiltransferase (COMT); (Ex: Entacapona, Tolcapona) - anticolinérgicos; e (Ex: Triexifenidil) - antiglutamatérgicos (Ex: Amantadina) DIAGNÓSTICO A evolução, a gravidade e a progressão dos sintomas da DP variam enormemente de um paciente para outro. Até o momento não se dispõe de exame ou teste diagnóstico para essa doença. CRITÉRIOS DE INCLUSÃO a) Critérios necessários para diagnóstico de DP: - bradicinesia e pelo menos um dos seguintes sintomas: - rigidez muscular; - tremor de repouso (4-6 Hz) avaliado clinicamente; CRITÉRIOS DE INCLUSÃO b) Critérios negativos para DP - história de acidente vascular cerebral (AVC) de repetição; - história de trauma craniano grave; - história definida de encefalite; - crises oculogíricas; - tratamento prévio com neurolépticos; 4 - remissão espontânea dos sintomas; - quadro clínico estritamente unilateral após 3 anos; CRITÉRIOS DE INCLUSÃO b) Critérios negativos para DP - paralisia supranuclear do olhar; - sinais cerebelares; - sinais autonômicos precoces; - demência precoce; - liberação piramidal com sinal de Babinski; - presença de tumor cerebral ou hidrocefalia comunicante; - resposta negativa a altas doses de levodopa; - exposição ao metilfeniltetrapiridínio (MPTP). CRITÉRIOS DE INCLUSÃO c) Critérios de suporte positivo para o diagnóstico de DP (três ou mais são necessários para o diagnóstico): - início unilateral; - presença do tremor de repouso; - doença progressiva; - persistência da assimetria dos sintomas; - boa resposta a levodopa; - presença de discinesias induzidas por levodopa; - resposta a levodopa por 5 anos ou mais; - evolução clínica de 10 anos ou mais. CRITÉRIOS DE INCLUSÃO Cirurgia de implante: Requisito Detalhamento 1. Diagnóstico e Resposta à L-Dopa Diagnóstico estabelecido da DP (confirmado). Sintomas responsivos à Levodopa (melhora com o medicamento). Exceção de Tremor Pacientes cujo sintoma principal é o tremor podem ser candidatos à cirurgia, mesmo que o tremor não tenha respondido bem à Levodopa. CRITÉRIOS DE INCLUSÃO Cirurgia de implante: Requisito Detalhamento 2. Falha Terapêutica Controle insatisfatório de sintomas motores após otimização máxima do tratamento medicamentoso. Candidatos são aqueles que apresentam flutuações motoras, discinesias ou tremor não controlados com medicamentos OU que têm intolerância ao tratamento medicamentoso. 3. Estabilidade da Doença Evolução de cinco anos de doença. Este critério visa garantir que não se trate de um parkinsonismo atípico, cuja evolução clínica é diferente e que não se beneficia da cirurgia. 4. Benefício Esperado Expectativa de melhora de sintomas motores que respondem à L-Dopa, como tremor, bradicinesia e rigidez. CRITÉRIOS DE EXCLUSÃO Categoria de Exclusão Situação Específica Justificativa Principal Comorbidades de Alto Risco Doenças cardiovasculares. Doenças cerebrovasculares. Infecções ativas. Doenças oncológicas de mau prognóstico (câncer avançado). Aumentam o risco cirúrgico, anestésico e de recuperação pós-operatória. CRITÉRIOS DE EXCLUSÃO Categoria de Exclusão Situação Específica Justificativa Principal Diagnóstico Inadequado Parkinsonismo-plus (Parkinsonismos Atípicos). A cirurgia não demonstrou eficácia nessas condições. Estágio Inicial da Doença Tempo de início dos sintomas menor que cinco anos. Reduz a chance de tratar parkinsonismo atípico (que evolui mais rapidamente) e garante que o paciente tenha complicações motoras estabelecidas. CRITÉRIOS DE EXCLUSÃO Categoria de Exclusão Situação Específica Justificativa Principal Integridade Cerebral Significativa atrofia cerebral (encolhimento). Doença microangiopática significativa (danos nos pequenos vasos sanguíneos do cérebro). Essas condições comprometem a precisão do implante dos eletrodos, aumentam o risco de sangramento/complicações cirúrgicas e podem limitar a eficácia do estimulador. CRITÉRIOS DE EXCLUSÃO Categoria de Exclusão SituaçãoEspecífica Justificativa Principal Função Cognitiva e Mental Déficits cognitivos relevantes ou Demência. Depressão maior. Doença psiquiátrica grave não controlada. A cirurgia não melhora o declínio cognitivo e pode, em alguns casos, piorar sintomas psiquiátricos preexistentes. O paciente deve estar mentalmente apto para lidar com o procedimento e as complexidades dos ajustes do estimulador. TRATAMENTO ➔ PREVENÇÃO DA PROGRESSÃO DA DOENÇA O desenvolvimento de medicamentos com finalidade de neuroproteção ou modificação do curso clínico na DP é uma meta ainda não atingida até o momento, e nenhum medicamento possui recomendação na prática clínica para esses propósitos. TRATAMENTO ➔Sintomas iniciais leves sem prejuízo funcional A decisão de utilizar ou não algum medicamento nessa situação depende mais do próprio paciente. O tratamento inicial com esse fármaco visa a obter benefícios sintomáticos em pacientes com sintomas leves (sem prejuízo para atividades de vida diária). Da mesma forma, a amantadina tem efeito sintomático modesto e é bem tolerada, podendo ser utilizada nessa situação. TRATAMENTO ➔Sintomas iniciais com prejuízo funcional Se os sintomas produzirem graus de incapacidade e o tratamento dopaminérgico for necessário, tanto a levodopa quanto os agonistas dopaminérgicos podem ser utilizados. A levodopa é o medicamento mais efetivo no controle dos sintomas da DP, especialmente a rigidez e a bradicinesia. TRATAMENTO ➔ Sintomas avançados A levodopa é o medicamento mais eficaz nas fases avançadas da doença. ➔Tratamento das complicações motoras Alguns anos após o tratamento com levodopa, as complicações motoras tornam-se frequentes e acarretam pioras funcionais aos pacientes. Elas compreendem as flutuações motoras, conhecidas como fenômenos de wearing-off e on-off, e as discinesias ou movimentos involuntários. TRATAMENTO ➔ Cirurgia Cirurgia na DP Para um grupo selecionado de pacientes cujo tratamento medicamentoso não trouxe controle adequado dos sintomas, a cirurgia de implante de estimulador cerebral profundo (deep brain stimulation – DBS) no núcleo subtalâmico (STN) ou no globo pálido interno (GPi) deve ser considerado. TRATAMENTO ➔ Tratamento dos sintomas psicóticos Medicamentos como anticolinérgicos, inibidores da MAO, amantadina, agonistas dopaminérgicos e inibidores da COMT devem ser retirados ou reduzidos, nessa sequência, na tentativa de melhorar o estado mental. Quando os sintomas forem persistentes ou graves, medicamentos antipsicóticos devem ser utilizados. Fármacos e administração ● Levodopa/carbidopa: comprimidos de 200/50 mg e 250/25 mg: a dose inicial recomendada é de 250/25 mg por dia, dividida em pelo menos duas administrações. A dose máxima recomendada de levodopa é de 2.000 mg/dia. ● Levodopa/benserazida: comprimidos ou cápsulas de 100/25 mg ou comprimido de 200/50 mg: a dose recomendada é de 200/50 mg por dia, dividida em pelo menos duas administrações. A dose média eficaz para a maioria dos pacientes é de 600-750 mg/dia de levodopa. Fármacos e administração ● Bromocriptina: comprimidos de 2,5 mg: a dose recomendada é de 7,5 mg/dia a 70 mg/dia e deve ser aumentada conforme resposta clínica e tolerabilidade. ● Pramipexol: comprimidos de 0,125, 0,25 e 1 mg: a dose recomendada é 2 mg/dia a 4,5 mg/dia, dividida em três administrações diárias. Recomenda-se o aumento gradual da dose. ● Amantadina: comprimidos de 100 mg: a dose inicial recomendada é de 100 mg, duas vezes/dia; aumentar, se necessário, até 400 mg/dia. Não suspender abruptamente. ● Biperideno: comprimidos de 2 mg e comprimidos de liberação controlada de 4 mg: a dose terapêutica situa-se entre 2 mg/dia e 8 mg/dia, iniciando com 1 mg, duas vezes/dia. Fármacos e administração ● Triexifenidil: comprimidos de 5 mg: a dose inicial recomendada é de 0,5 mg a 1 mg, 2 vezes/dia, com incrementos a cada 3-5 dias até atingir 2 mg, três vezes/dia ● Selegilina: comprimidos de 5 mg:: a dose recomendada é de 5 mg. ● Entacapona: comprimidos de 200 mg: a dose recomendada é de 200 mg, quatro a dez vezes/dia. ● Clozapina: comprimidos de 25 mg e 100 mg: dose inicial é de 12,5 mg/dia e pode ser aumentada em 12,5 mg por vez, devendo ocorrer no máximo dois aumentos em uma semana, sem ultrapassar a dose de 50 mg/dia. ● Rasagilina: comprimidos de 1mg: a dose recomendada é de 1 mg, uma vez/dia. ● Monitorização A monitorização dos efeitos adversos deve ser feita por meio de anamnese. Em caso de aparecimento de efeitos adversos significativos que comprometam a qualidade de vida dos pacientes, deve ser feito ajuste de dose, interrupção de tratamento ou troca de medicamento. Classe de Medicamento Medicamento(s) Efeitos Adversos Mais Comuns (Curto Prazo) Efeitos Adversos Graves / Preocupantes (Longo Prazo) Precauções e Monitoramento Precursor Dopaminérgico Levodopa Náusea, Vômito, Anorexia, Sonolência, Hipotensão Postural, Insônia, Agitação. Flutuações Motoras (wearing-off, on-off) e Discinesias (movimentos involuntários). O manejo a longo prazo é focado em controlar Flutuações e Discinesias. Agonista Dopaminérgico Pramipexol Náusea, Vômito, Anorexia, Hipotensão Postural, Edema, Tontura, Alucinações, Sonolência excessiva diurna. Transtornos do Impulso (Jogo Patológico, Hipersexualidade, Compulsão), Alucinações, Delírios. Reduzir a dose ou retirar o medicamento em casos graves de alucinações, sonolência e transtornos do impulso. Classe de Medicamento Medicamento(s) Efeitos Adversos Mais Comuns (Curto Prazo) Efeitos Adversos Graves / Preocupantes (Longo Prazo) Precauções e Monitoramento Agonista Dopaminérgico Ergolínico Bromocriptina Cefaleia, Tontura, Náusea, Vômito, Hipotensão Ortostática, Fadiga, Congestão Nasal. Fibrose de Válvulas Cardíacas, Fibrose pleuropulmonar e peritoneal, Psicoses, Alucinações, Sonolência diurna incontrolável. Monitoramento cardíaco obrigatório, com Ecocardiograma anual (devido ao risco de fibrose valvar). Antiglutamatérgico Amantadina Alucinações Visuais, Confusão Mental, Insônia, Pesadelos, Livedo Reticular (manchas na pele), Edema dos Membros Inferiores. Alterações do sono, Risco de toxicidade. Cautela em pacientes com função renal alterada (a excreção é 90% pela urina). Classe de Medicamento Medicamento(s) Efeitos Adversos Mais Comuns (Curto Prazo) Efeitos Adversos Graves / Preocupantes (Longo Prazo) Precauções e Monitoramento Anticolinérgicos Biperideno, Triexifenidil Perifeˊricos: Secura da Boca, Turvação Visual, Retenção Urinária. Centrais: Alteração de Memória, Confusão Mental, Alucinações. Confusão mental e Alucinações. Uso evitado em pacientes idosos (pelo risco de confusão e alterações de memória). Classe de Medicamento Medicamento(s) Efeitos Adversos Mais Comuns (Curto Prazo) Efeitos Adversos Graves / Preocupantes (Longo Prazo) Precauções e Monitoramento Inibidor da MAO-B Selegilina Fraqueza, Náusea, Dor Abdominal, Boca Seca, Hipotensão Ortostática, Insônia. Hipertensão, Palpitações, Arritmias, Alucinações, Confusão, Síndrome Serotoninérgica (raro). Evitar associação com Inibidores Seletivos de Recaptação de Serotonina (ISRS) e Antidepressivos Tricíclicos (risco de Síndrome Serotoninérgica). Classe de Medicamento Medicamento(s) Efeitos Adversos Mais Comuns (Curto Prazo) Efeitos Adversos Graves / Preocupantes (Longo Prazo) Precauções e Monitoramento Inibidor da MAO-B Rasagilina Dor de Cabeça, Sintomas Gripais, Mal Estar, Dor Cervical, Dispepsia, Boca Seca, Discinesias exacerbadas. Hipotensão Postural, Erupção Cutânea, Síndrome Serotoninérgica (raro). Contraindicação de bula com Fluoxetina e Fluvoxamina. Monitorar a associação com outros ISRS. Classe de Medicamento Medicamento(s) Efeitos Adversos Mais Comuns (Curto Prazo) Efeitos Adversos Graves / Preocupantes(Longo Prazo) Precauções e Monitoramento Antipsicótico Atípico Clozapina Taquicardia, Hipotensão Postural, Constipação, Hipertermia, Sonolência, Sialorreia (salivação excessiva), Aumento de Peso. Leucopenia (redução de glóbulos brancos), Agranulocitose, Alterações no ECG, Convulsões. Contraindicada em casos de Leucopenia (≤3.500 ceˊlulas/mm3). Requer controle periódico de Hemograma (semanal nas primeiras 18 semanas e mensal depois).