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Discutir aspectos microbiológicos, epidemiologia, etiologia, período de incubação, fisiopatologia, vias de transmissão, manifestações clínicas, diagnóstico, tratamento e prevenção das hepatites virais. Aspectos Microbiológicos Vírus da Hepatite A (HAV) Taxonomia e Estrutura: O HAV é um vírus de RNA pertencente à família Picornaviridae, sendo o representante único do gênero Hepatovirus. Sua partícula viral madura consiste em um capsídeo icosaédrico não envelopado, com diâmetro aproximado de 27 a 28 nm. O capsídeo é composto por três proteínas estruturais principais de superfície (VP1, VP2 e VP3) e uma quarta proteína interna, a VP4, que é essencial para a formação do vírion, mas não é detectada nas partículas maduras. É digno de nota que as partículas virais podem circular na corrente sanguínea acopladas a vesículas membranosas derivadas do hospedeiro, assumindo uma forma "quase envelopada". O vírus exibe altíssima estabilidade ambiental, sendo resistente ao calor, pH ácido e éter, necessitando de exposição à radiação ultravioleta, autoclave, formalina, iodo, fervura (1 minuto) ou cloro para sua inativação. Genoma e Replicação: O genoma é constituído por uma molécula de RNA de fita simples, de polaridade (senso) positiva, medindo aproximadamente 7,5 quilobases (kb). Este RNA atua diretamente como RNA mensageiro e possui uma única fase de leitura aberta (ORF - open reading frame), ladeada por regiões não traduzidas nas extremidades 3' e 5' (3'NT e 5'NT). A ORF é traduzida em uma poliproteína precursora de cerca de 2.225 aminoácidos, clivada simultaneamente pela protease viral 3Cpro em regiões P1 (proteínas estruturais), e P2 e P3 (proteínas não estruturais, como 2A, 2B, 2C, 3A, 3B, 3Cpro, e a RNA polimerase 3Dpol). A replicação ocorre estritamente no citoplasma: após internalização por vesículas e desnudamento, o RNA sintetiza uma fita molde de polaridade negativa (intermediário replicativo) no retículo endoplasmático liso, que servirá de molde para novas fitas positivas, culminando na montagem icosaédrica de 60 cópias de cada proteína capsídica. Variabilidade Genética: O HAV é imunologicamente indistinguível e apresenta um único sorotipo global. Geneticamente, divide-se em genótipos, havendo divergência na literatura fornecida: algumas fontes citam seis genótipos (I, II e III humanos; IV, V e VI símios), enquanto outras reportam quatro genótipos humanos (I, II, III e VII) ou até sete genótipos no total. O genótipo I tem distribuição global, sendo que na América do Sul e no Brasil cocirculam os subgenótipos IA e IB. Vírus da Hepatite B (HBV) Taxonomia e Estrutura: O HBV pertence à família Hepadnaviridae, gênero Orthohepadnavirus. O vírion completo e infeccioso, classicamente denominado partícula de Dane, possui cerca de 42 a 47 nm de diâmetro e é composto por um envelope lipoproteico externo e um nucleocapsídeo proteico icosaédrico interno medindo 27 nm. Além do vírion completo, o HBV produz um excesso de partículas subvirais não infecciosas (esféricas de 17-25 nm e filamentosas de cerca de 20 nm) que circulam no plasma e são compostas exclusivamente por proteínas do envelope. Organização Genômica: O genoma do HBV é singular: consiste em uma molécula de DNA circular parcialmente de fita dupla e parcialmente de fita simples, extremamente compacta, com aproximadamente 3.200 pares de bases (3,2 kb). Para otimizar a economia genômica, o DNA possui quatro ORFs superpostas: 1. Gene S/Pré-S: Codifica as proteínas do envelope, originando o Antígeno de Superfície (HBsAg). A depender do códon de iniciação, gera as proteínas pequena (S), média (Pré-S2 + S) e grande (Pré-S1 + Pré-S2 + S). 2. Gene C/Pré-C: A região do core codifica a proteína estrutural do nucleocapsídeo (HBcAg). Se a tradução inicia na região pré-core, gera uma proteína que é processada e secretada na corrente sanguínea, o Antígeno "e" (HBeAg), um marcador de replicação viral e tolerância imunológica. 3. Gene P: O maior gene, que codifica a enzima DNA polimerase viral, a qual possui atividades tanto de DNA polimerase dependente de DNA quanto de transcriptase reversa (RNAse H). 4. Gene X: Codifica a proteína HBxAg, um transativador transcripcional que atua em genes virais e celulares, libera cálcio citoplasmático e está intimamente implicado na oncogênese do carcinoma hepatocelular ao se ligar à p53 e modular vias proliferativas. Ciclo Replicativo: O HBV entra no hepatócito ligando-se ao receptor polipeptídico cotransportador de taurocolato de sódio (NTCP). Após a endocitose e desnudamento, o nucleocapsídeo migra ao poro nuclear e libera o DNA. O DNA é reparado em um DNA circular covalentemente fechado (cccDNA), que permanece epissomal e atua como molde vitalício para a transcrição dos RNAs virais pela RNA polimerase II do hospedeiro. Um RNA pré-genômico é exportado ao citoplasma, encapsidado junto com a polimerase, e sofre transcrição reversa para formar o novo DNA genômico. A partícula é envelopada no retículo endoplasmático/complexo de Golgi e exocitada. Variabilidade Genética e Mutações: O HBV possui alta diversidade devido à ausência de atividade revisora da sua polimerase, classificando-se em 8 a 10 genótipos principais (A a J), divergindo em mais de 8% em suas sequências nucleotídicas. Apresenta quatro subtipos antigênicos (adw, ayw, adr, ayr) determinados por um antígeno comum a. Mutações clínicas críticas incluem a mutação pré-core (substituição G por A no nucleotídeo 1896, gerando o códon de parada TAG e impedindo a síntese de HBeAg) e as mutações de escape no determinante a (substituição de glicina por arginina na posição 145), que evadem a neutralização por anticorpos anti-HBs induzidos por vacinas. Vírus da Hepatite C (HCV) Taxonomia e Estrutura: Único membro do gênero Hepacivirus na família Flaviviridae. O HCV é um vírus envelopado com capsídeo icosaédrico. Há divergência na literatura sobre o diâmetro da partícula: as fontes indicam 38-50 nm, 50-80 nm, 55 nm, ou especificamente cerca de 65 nm. O envelope lipoproteico contém as glicoproteínas virais E1 e E2. O vírus circula no sangue sob a forma de "lipoviropartículas", mascarado e associado a lipoproteínas de baixa e muito baixa densidade (LDL e VLDL), o que facilita a evasão do sistema imune. Genoma e Proteínas: O genoma é uma molécula de RNA de fita simples, linear, de polaridade positiva, contendo aproximadamente 9.600 bases (9,6 kb). A extremidade 5' não traduzida (5'NTR) contém um sítio interno de entrada do ribossomo (IRES), que direciona a tradução de uma única ORF. Esta poliproteína de cerca de 3.000 aminoácidos é clivada por peptidases do hospedeiro e proteases virais (NS2 e NS3) em 10 proteínas: três estruturais (Core, E1, E2) e sete não estruturais (p7, NS2, NS3, NS4A, NS4B, NS5A, NS5B). Destacam-se a NS3 (serino-protease/helicase), NS5A (fosfoproteína regulatória ancorada à membrana) e NS5B (RNA polimerase dependente de RNA). Ciclo Replicativo: A entrada é altamente complexa, exigindo ação coordenada de múltiplos receptores e correceptores do hospedeiro: CD81, receptor scavenger SR-BI, claudina-1 (CLDN1), ocludina (OCLN), receptor de fator de crescimento epidérmico (EGFR) e receptor de efrina A2 (EphA2). A internalização ocorre por endocitose mediada por clatrina e desencapsidamento em endossomos acidificados. A tradução ocorre via IRES na membrana do retículo endoplasmático rugoso. A replicação catalisada pela NS5B ocorre em um complexo de compartimentalização chamado "teia membranosa" (membranous web), cujo rearranjo é induzido pela NS4B. A montagem do vírion é dependente da síntese lipídica celular de VLDL, ocorrendo em gotículas de lipídios no lúmen do retículo endoplasmático. A taxa de replicação é altíssima (10^12 vírions/dia), com meia-vida viral curta (2,7 horas). Variabilidade Genética: A RNA polimerase NS5B é desprovida de atividade de revisão, gerandouma imensa diversidade genética e o fenômeno de "quasiespécies", que são genomas mutantes coexistindo em um mesmo hospedeiro. O HCV é classicamente dividido em sete genótipos (1 a 7) que divergem em 30% a 35% de sua sequência nucleotídica, e mais de 67 subtipos (a, b, c...) que divergem entre 15% e 25%. Vírus da Hepatite D (HDV) Taxonomia e Estrutura: O HDV é o único membro do gênero Deltavirus, família Deltaviridae, possuindo semelhanças estruturais com viroides de plantas. Trata-se de um vírus defectivo (satélite), uma partícula esférica de 35 a 43 nm, cujo envelope bilipídico externo é obrigatoriamente derivado do HBsAg do vírus da hepatite B, do qual depende absolutamente para egressão e infecciosidade. Genoma e Replicação: O nucleocapsídeo contém um genoma de RNA de fita simples, circular e de polaridade negativa, excepcionalmente pequeno (aproximadamente 1.700 nucleotídeos). Devido à alta complementaridade interna (cerca de 70%), o RNA dobra-se sobre si mesmo assumindo uma forma de "rodo" ou bastonete, o qual abriga uma ribozima intrínseca com capacidade de autoclivagem. O genoma codifica uma única proteína, o antígeno Delta (HDV-Ag ou HDAg), que existe nas isoformas pequena (195 aminoácidos, facilita a replicação) e grande (214 aminoácidos, suprime a replicação e requer farnesilação celular para ancorar a ribonucleoproteína ao HBsAg). A replicação exige o redirecionamento da enzima RNA polimerase II e I do hospedeiro para o núcleo, seguindo um mecanismo de "círculo rolante" ou rotação circulante, produzindo um RNA antigenômico que serve de molde. Variabilidade Genética: São descritos oito genótipos do HDV (1 a 8), com divergências de até 16% dentro do genótipo e entre 20% a 40% entre genótipos distintos. O genótipo 1 é global; o genótipo 2 (Ásia) associa-se a doença menos agressiva; e o genótipo 3 (endêmico da bacia Amazônica no Brasil e América do Sul) está associado a formas severas e insuficiência hepática aguda. Vírus da Hepatite E (HEV) Taxonomia e Estrutura: Classificado na família Hepeviridae, gênero Orthohepevirus (anteriormente associado aos Caliciviridae na literatura mais antiga). É um vírus pequeno, icosaédrico e primariamente não envelopado, com cerca de 27 a 34 nm de diâmetro. No entanto, sabe-se que no sangue (mas não nas fezes) o HEV existe em uma forma "quase envelopada", camuflado por membranas derivadas da célula hospedeira. Genoma e Replicação: O genoma é uma molécula de RNA de fita simples, linear, de polaridade positiva, medindo em média 7.200 a 7.600 nucleotídeos. Este RNA apresenta três fases de leitura aberta (ORFs) descontínuas e parcialmente sobrepostas: a ORF1 codifica proteínas não estruturais (replicase, helicase, polimerase dependente de RNA e proteases); a ORF2 codifica a proteína estrutural do capsídeo (pORF2, rica em epítopos imunodominantes); e a ORF3 codifica uma fosfoproteína (pORF3) que se liga ao citoesqueleto e facilita a secreção viral. A replicação ocorre no citoplasma celular, com o RNA positivo produzindo um intermediário negativo que serve de molde para RNA genômico e subgenômico. Variabilidade Genética: Apresenta um único sorotipo global, mas exibe heterogeneidade genômica que o divide em oito genótipos principais, dos quais os genótipos 1, 2, 3 e 4 acometem humanos. Há forte dicotomia ecológica: os genótipos 1 (Ásia/África) e 2 (México/África) causam doença epidêmica de transmissão hídrica exclusivamente humana (antroponose); enquanto os genótipos 3 (Américas/Europa) e 4 (Ásia) são tipicamente atenuados, mas causam doença esporádica e infecções zoonóticas, mantendo reservatórios em suínos, cervos, coelhos e camelos. Outros Agentes Virais Hepatotrópicos Menores Os documentos fornecidos também citam brevemente viroses menores que apresentam hepatotropismo secundário ou cuja patogenicidade hepática é discutível: • Vírus da Hepatite G (GBV-C / HGV): Pertencente à família Flaviviridae, é um RNA-vírus que compartilha 29% de homologia com o HCV. Sua detecção requer PCR da proteína E2. Apesar de isolado em humanos e implicado em raras formas agudas, sua capacidade de induzir dano crônico e atuar como um patógeno verdadeiramente hepatotrópico direto permanece nebulosa e objeto de dúvida técnica. • Vírus TT (TTV - Torque Teno Virus): Inicialmente associado aos parvovírus, foi reclassificado na família Circoviridae. É um vírus de DNA de fita simples, circular, de sentido negativo, com 3.739 pares de base. Embora detectado em alta concentração tecidual hepática e com transmissão possível por via parenteral e oral-fecal, a esmagadora maioria das infecções cursa de forma assintomática, questionando-se a sua real capacidade patogênica para promover doenças crônicas ou lesões severas. • Vírus Sistêmicos: Outros vírus como Epstein-Barr, Citomegalovírus (CMV), Herpes simples, vírus da Febre Amarela e Dengue podem causar inflamação e necrose hepática secundária como parte do curso de uma infecção sistêmica, mas o fígado não atua primariamente como foco de replicação alvo e essas entidades não são classificadas como hepatites virais clássicas. Epidemiologia Etiologia Agentes Etiológicos Primários (Vírus Hepatotrópicos) Etiologia por Vírus da Hepatite A (HAV) O HAV é classificado etiologicamente como um vírus de RNA de fita simples, de sentido (polaridade) positivo, pertencente ao gênero Hepatovirus da família Picornaviridae. O genoma viral abrange aproximadamente 7,48 a 7,5 quilobases (kb) de comprimento. A partícula viral (vírion) exibe simetria icosaédrica, não possui envelope lipoproteico, mede entre 27 e 28 nm de diâmetro e é notavelmente resistente à inativação por calor, ácido e éter. A literatura aponta a existência de apenas um sorotipo e múltiplos genótipos (com discordância numérica entre as fontes, citando quatro genótipos humanos em algumas e até sete genótipos totais em outras). Etiologicamente, a transmissão ocorre quase que exclusivamente pela rota fecal-oral, de forma esporádica ou endêmica, mediada pela ingestão de água ou alimentos contaminados e por contato interpessoal. A transmissão parenteral é considerada rara devido à curta duração da viremia. Este agente etiológico causa infecção aguda autolimitada e nunca evolui para cronicidade, embora formas colestáticas ou recidivantes prolongadas sejam descritas. Etiologia por Vírus da Hepatite B (HBV) O HBV é o único representante entre os vírus de hepatite humana clássicos que possui genoma de DNA, pertencendo ao gênero Orthohepadnavirus da família Hepadnaviridae. Seu genoma é singular: consiste em uma molécula de DNA circular, parcialmente de fita dupla e parcialmente de fita simples, com cerca de 3.200 pares de bases (3,2 kb), que codifica seus produtos a partir de quatro fases de leitura aberta superpostas (S, C, P e X). A partícula infectante completa, denominada partícula de Dane, é esférica, mede entre 42 e 47 nm de diâmetro e possui duplo envelope (superfície e core). Em sua via replicativa, o HBV exibe comportamento retroviral, utilizando a enzima transcriptase reversa a partir de um RNA pré-genômico. O contágio etiológico se dá de forma estritamente parenteral, por meio da inoculação percutânea de sangue contaminado, via contato sexual ou transmissão vertical (perinatal da mãe para o recém-nascido). O agente é classificado em genótipos de A a J e pode culminar em lesão hepática aguda grave, bem como infecção crônica, cirrose e possui ação oncogênica direta e indireta na etiologia do carcinoma hepatocelular. Etiologia por Vírus da Hepatite C (HCV) O HCV é um vírus de RNA linear de fita simples, de sentido positivo, com aproximadamente 9.400 a 10.000 nucleotídeos (9,4 a 10 kb), sendo classificado etiologicamente como o único membro do gênero Hepacivirus da família Flaviviridae. A partícula viral possui envelope lipoproteico (onde se inserem as glicoproteínas E1 e E2) com tamanhovariando entre 38 a 50 nm, 55 nm, ou especificamente cerca de 65 nm, dependendo da fonte técnica avaliada. A enzima RNA polimerase dependente de RNA do HCV não possui atividade de revisão, o que confere extrema plasticidade genômica, resultando em pelo menos sete genótipos e mais de 50 subtipos, além da formação de múltiplas "quasiespécies" que favorecem a evasão imunológica e a persistência viral. A via de contaminação etiológica primária é a parenteral, preponderantemente associada ao uso de drogas intravenosas, hemotransfusões (historicamente) e procedimentos invasivos inseguros; a transmissão sexual e a perinatal são consideradas infrequentes em relação ao HBV. Cronicidade ocorre em expressiva maioria dos casos, caracterizando a etiologia mais prevalente de cirrose e indicação de transplantes hepáticos no mundo ocidental. Etiologia por Vírus da Hepatite D (HDV / Agente Delta) O HDV possui uma etiologia ímpar: trata-se de um vírus defectivo (ou vírus-satélite) de RNA que obrigatoriamente depende da função auxiliar e das proteínas de envelope (HBsAg) do vírus da hepatite B (HBV) para sua montagem, egressão e infecciosidade. É o único membro do gênero Deltavirus, pertencente à família Deltaviridae, apresentando semelhanças estruturais exclusivas com viroides de plantas. Seu genoma é formado por uma fita simples de RNA circular, de polaridade negativa, excepcionalmente pequena, com aproximadamente 1.700 nucleotídeos, que abriga uma ribozima com capacidade de autoclivagem. A partícula viral é híbrida, esférica, envelopada e as fontes divergem levemente em seu diâmetro, citando 35 a 37 nm ou 43 nm. A transmissão obedece rigorosamente às mesmas rotas do HBV (parenteral e sexual), acometendo pacientes sob a forma de coinfecção (exposição simultânea ao HBV e HDV) ou superinfecção (inoculação do HDV em portador crônico de HBV). A infecção delta é etiológica para as formas mais graves e rapidamente progressivas de hepatite viral. Etiologia por Vírus da Hepatite E (HEV) O HEV é um vírus de RNA de fita simples, com sentido positivo, linear, contendo entre 7.200 e 7.800 nucleotídeos. Previamente associado à família dos calicivírus ou togavírus, foi reclassificado etiologicamente no gênero Orthohepevirus (ou Hepevirus), sendo o representante da família Hepeviridae. A partícula viral exibe simetria icosaédrica, não possui envelope externo clássico (embora circule em forma quase envelopada no hospedeiro), sendo reportada com tamanho de 27 a 34 nm ou 32 nm. Semelhante ao HAV, a sua etiologia de transmissão é primordialmente entérica (fecal-oral), associada à ingestão de água contaminada ou de alimentos crus/malcozidos. Evidências genômicas descrevem pelo menos oito genótipos, sendo que os genótipos 1 e 2 são antroponoses (estritamente humanos) prevalentes em regiões em desenvolvimento, enquanto os genótipos 3 e 4 configuram uma doença enzoótica e zoonótica, com reservatórios comprovados em suínos, cervos e ratos nas nações industrializadas. Período de incubação Hepatite A (HAV) • Como se pega (Transmissão): Via fecal-oral, ou seja, pelo consumo de água ou alimentos contaminados. • Tempo de Incubação: 15 a 45 dias (média de 30 dias). • Evolução: É uma doença aguda e passageira. Não se torna crônica. 2. Hepatite B (HBV) • Como se pega (Transmissão): Contato com sangue contaminado, relações sexuais desprotegidas e da mãe infectada para o bebê durante a gestação ou parto. • Tempo de Incubação: 30 a 180 dias (média de 60 a 90 dias). • Evolução: Pode se tornar crônica (1% a 10% dos casos em adultos) e, com o tempo, levar à cirrose ou câncer de fígado. 3. Hepatite C (HCV) • Como se pega (Transmissão): Principalmente pelo contato percutâneo com sangue contaminado (como o compartilhamento de agulhas e seringas). As transmissões sexual e da mãe para o bebê são possíveis, mas menos comuns. • Tempo de Incubação: 15 a 160 dias (média de 50 dias). • Evolução: Tem altíssima chance de virar uma doença crônica (cerca de 85% dos casos). 4. Hepatite D (HDV) • Como se pega (Transmissão): Contato com sangue contaminado e via sexual. • Tempo de Incubação: 30 a 180 dias (média de 60 a 90 dias). • Evolução: O vírus D é "defeituoso" e só consegue infectar pessoas que já têm o vírus da Hepatite B no organismo. A infecção crônica é comum e costuma agravar a doença do fígado. 5. Hepatite E (HEV) • Como se pega (Transmissão): Via fecal-oral (água e alimentos contaminados), de forma muito parecida com a Hepatite A. • Tempo de Incubação: 14 a 60 dias (média de 40 dias). • Evolução: Geralmente não se torna crônica, mas pode ser muito grave (fulminante) e fatal, especialmente em mulheres grávidas. Fisiopatologia O principal mecanismo de agressão envolve o reconhecimento de antígenos virais apresentados via MHC de classe I na membrana do hepatócito pelos linfócitos T citotóxicos (CD8+). Estes induzem a morte celular por lise e apoptose. Além disso, células Natural Killer (NK) e citocinas pró-inflamatórias ajudam a modular e intensificar essa resposta inflamatória. Abaixo, os mecanismos específicos de cada vírus: Fisiopatologia da Hepatite A (HAV) O HAV entra no organismo pela via enteral e chega ao fígado pela circulação mesentérica. Sua replicação ocorre no citoplasma, onde o RNA viral serve de molde para a tradução de uma poliproteína. As partículas virais formadas são então eliminadas pela bile. A lesão celular não ocorre pelo acúmulo de vírus no interior da célula. Prova disso é que o pico da replicação viral e da eliminação fecal ocorre antes dos sintomas clínicos e da elevação das enzimas hepáticas. O dano é causado exclusivamente pela ação dos linfócitos T CD8+ contra os hepatócitos infectados. Casos raros de hepatite fulminante são atribuídos a uma resposta imune adaptativa excessiva e desproporcional. Fisiopatologia da Hepatite B (HBV) A agressão pelo HBV depende do equilíbrio entre a replicação do vírus e a resposta imune do paciente. O vírus entra na célula pelo receptor NTCP e seu genoma é transportado ao núcleo, onde é convertido em DNA circular covalentemente fechado (cccDNA). Este cccDNA funciona como um reservatório persistente (epissomo) para a produção de novos vírus. Como o HBV não é citopático, o dano depende dos linfócitos T sensibilizados contra antígenos do nucleocapsídeo (como o HBcAg). A evolução da doença ocorre em fases: • Fase de Imunotolerância: Alta carga viral e presença de HBeAg, mas com pouca inflamação, pois o sistema imune não ataca as células (comum em infecções neonatais). • Fase Imunorreativa: Ocorre quando o sistema imune começa a atacar os hepatócitos, gerando necroinflamação e ativando as células estreladas, o que inicia o processo de fibrose e pode levar à cirrose. A imunidade inata também participa: citocinas como IL-10 e TGF-beta podem levar à "exaustão" dos linfócitos T, impedindo a cura da infecção. Além disso, a proteína X (HBxAg) do vírus interfere na sinalização celular e na apoptose, sendo um fator chave no desenvolvimento do carcinoma hepatocelular (CHC). Observação: Em casos de imunossupressão profunda, o HBV pode se tornar diretamente citopático (hepatite colestática fibrosante) devido ao acúmulo massivo de HBsAg que "sufoca" a célula. Fisiopatologia da Hepatite C (HCV) O diferencial do HCV é sua capacidade de evasão imune. Ele utiliza diversos receptores (CD81, claudina-1, ocludina) para entrar na célula e circula no sangue "escondido" em lipoproteínas (lipoviropartícula), o que dificulta o reconhecimento pelos anticorpos. A enzima que replica o RNA viral (NS5B) comete muitos erros propositais, criando variações genéticas constantes (quasiespécies) dentro do mesmo paciente, o que torna os linfócitos T ineficazes. O HCV também bloqueia a sinalização interna de interferons tipo 1, anulando a defesa antiviral inata. Fatores genéticos do hospedeiro, como o polimorfismodo gene IL28B (que codifica o interferon lambda-3), determinam se o paciente conseguirá eliminar o vírus ou se evoluirá para a cronificação. No genótipo 3, o vírus ainda interfere no metabolismo lipídico, causando esteatose, o que acelera a fibrose. Fisiopatologia da Hepatite D (HDV) O vírus Delta é um vírus defectivo: ele precisa do HBsAg do HBV para formar seu envelope e sair da célula. No núcleo, ele subverte a RNA polimerase II da própria célula hospedeira para se replicar através de um mecanismo de "círculo rolante". A inflamação grave na hepatite D é mediada por uma resposta imune muito agressiva (CD8+, IFN-gama e TNF-alfa). O HDV geralmente domina o ambiente intracelular, suprimindo a replicação do HBV. Na superinfecção (HDV em quem já tem HBV crônico), o risco de necrose fulminante é alto, podendo apresentar histologicamente os hepatócitos em mórula (alterações citoplasmáticas e esteatose). Fisiopatologia da Hepatite E (HEV) Com transmissão fecal-oral e replicação citoplasmática, o HEV assemelha-se ao HAV por não ser diretamente citopático. O dano tecidual é causado pelos linfócitos T CD8+ e mediado por citocinas como o interferon-gama. Embora o HEV geralmente cause uma doença autolimitada em pessoas saudáveis, os genótipos 3 e 4 podem causar hepatite crônica em pacientes imunodeprimidos (como transplantados), levando à cirrose. Em gestantes, alterações hormonais e imunológicas específicas da gravidez favorecem uma inflamação maciça, explicando a alta taxa de hepatite fulminante nesse grupo. Vias de Transmissão Vias de Transmissão do Vírus da Hepatite A (HAV) A principal via de transmissão do HAV é a fecal-oral. A infecção ocorre majoritariamente pelo contato interpessoal direto ou pelo consumo de água e alimentos contaminados por fezes de pessoas infectadas. A disseminação é facilitada pela alta estabilidade do vírus no ambiente e pela grande carga viral excretada nas fezes, estando diretamente relacionada a deficiências no saneamento básico e na higiene pessoal. Na literatura, destaca-se a contaminação pelo consumo de frutos do mar (especialmente moluscos bivalves crus, como em sushis), além de vegetais (morangos, framboesas congeladas e cebolinha) e leite não pasteurizado. O contágio interpessoal é comum em ambientes domiciliares e institucionais, como creches, onde a fase oral das crianças e o uso de fraldas facilitam a propagação do vírus. Embora o HAV seja tipicamente entérico, existem rotas secundárias: • Transmissão Parenteral: É rara, pois a fase de viremia é curta e geralmente coincide com o início dos sintomas, o que impede que o indivíduo doe sangue nesse período. • Transmissão Sexual: Relevante em surtos entre homens que fazem sexo com homens (HSH) e pessoas com múltiplos parceiros. • Transmissão Vertical (Perinatal): Existem relatos isolados, mas sem relevância estatística significativa. Vias de Transmissão do Vírus da Hepatite B (HBV) A transmissão do HBV ocorre pela exposição a fluidos corporais infectantes, principalmente sangue, sêmen e secreções vaginais. Saliva e leite materno apresentam baixa infectividade. As vias principais são a parenteral (percutânea), sexual e vertical (perinatal). • Via Percutânea/Parenteral: Ocorre pelo compartilhamento de seringas e agulhas (uso de drogas injetáveis ou inaláveis), além de acidentes ocupacionais com material perfurocortante, hemodiálise e procedimentos cirúrgicos ou odontológicos com falhas de biossegurança. O risco em transfusões de sangue é quase nulo devido à triagem rigorosa pós-1993. Tatuagens, piercings e procedimentos de manicure sem esterilização adequada também são vias de risco. • Transmissão Horizontal: Ocorre pelo compartilhamento de itens de higiene pessoal (lâminas, escovas de dente, alicates) que causam microlesões. É a principal forma de contágio na infância em regiões endêmicas (como a África Subsaariana), ocorrendo por meio de feridas ou mordeduras. • Via Sexual: É a principal forma de contágio em países desenvolvidos, afetando tanto heterossexuais quanto HSH em relações desprotegidas. • Via Vertical: É o principal mecanismo de manutenção da endemicidade na Ásia. A maioria das infecções ocorre no momento do parto ou no pós-natal imediato pelo contato com sangue e fluidos maternos; apenas 10% são intrauterinas. O risco de transmissão chega a 90% se a mãe for HBeAg reagente ou tiver carga viral de DNA superior a 200.000 UI/mL. O aleitamento materno é seguro, exceto se houver fissuras mamárias sangrantes ou coinfecção pelo HIV. Vias de Transmissão do Vírus da Hepatite C (HCV) A transmissão do HCV é predominantemente parenteral. Atualmente, a principal rota em países desenvolvidos é o uso de drogas injetáveis (60% a 80% dos casos). Historicamente, antes de 1993, as transfusões de sangue e transplantes eram vias comuns, mas hoje o risco é ínfimo. • Risco Iatrogênico: Persiste em locais com reutilização insegura de seringas e má higiene das mãos por profissionais de saúde. O risco após acidente com agulha contaminada é de aproximadamente 3%. • Outras Vias Parenterais: Tatuagens, piercings e compartilhamento de itens cortantes domiciliares. • Vias Sexual e Vertical: São muito menos eficientes que no HBV. A transmissão sexual é rara em casais monogâmicos (inferior a 1%), mas o risco aumenta em casos de ISTs com úlceras, práticas sexuais traumáticas ou coinfecção pelo HIV (especialmente em HSH). • Transmissão Vertical: Ocorre em cerca de 5% dos casos, dependendo da carga viral materna. O parto cesáreo não previne a transmissão e a amamentação é permitida. Fatores como ruptura prematura de membranas e uso de drogas pela gestante aumentam o risco. • Casos Criptogênicos: Cerca de 10% a 30% dos pacientes não apresentam um fator de risco identificável. Vias de Transmissão do Vírus da Hepatite D (HDV / Agente Delta) O HDV é um vírus defectivo que depende obrigatoriamente do HBsAg do vírus B para infectar novas células. Por isso, suas vias de transmissão são idênticas às do HBV: parenteral, percutânea e sexual. • Países Não Endêmicos: A transmissão é restrita a grupos com alta exposição ao sangue, como usuários de drogas injetáveis. • Regiões Endêmicas (Amazônia, Bacia do Mediterrâneo, África): A transmissão ocorre principalmente por contato pessoal íntimo e compartilhamento domiciliar de objetos (transmissão percutânea inaparente), muitas vezes associada a condições precárias de higiene. • Transmissão Vertical: Diferente do HBV, a transmissão de mãe para filho no HDV é considerada rara. Vias de Transmissão do Vírus da Hepatite E (HEV) Assim como o HAV, o HEV é transmitido principalmente pela via fecal-oral. Em áreas de alta endemicidade (Ásia e África), a causa principal são surtos por água contaminada, geralmente associados aos genótipos 1 e 2 (exclusivos de humanos). • Zoonose (Países Desenvolvidos): Nos EUA e Europa, predominam os genótipos 3 e 4. A transmissão é alimentar, pelo consumo de carne ou vísceras cruas/mal cozidas de animais que servem de reservatório, especialmente suínos, javalis e cervos. • Outras Vias: Existem registros de transmissão parenteral (transfusão de sangue em fase de viremia) e transmissão vertical. Diferente do HAV, a transmissão interpessoal direta (pessoa a pessoa) é extremamente rara na hepatite E. Manifestações Clínicas Manifestações Clínicas Gerais As hepatites virais agudas costumam seguir um roteiro clássico dividido em três fases: 1. Fase Prodrômica (ou Pré-ictérica): Caracterizada por sintomas inespecíficos como astenia, anorexia, náuseas, mal-estar e dor no hipocôndrio direito. 2. Fase Ictérica: Quando surgem a icterícia, colúria (urina escura) e acolia fecal (fezes claras), frequentemente acompanhadas de hepatomegalia. 3. Fase de Convalescença: Período de recuperação, com o desaparecimento da icterícia e retorno do bem-estar. Contudo, cada vírusapresenta particularidades importantes na sua evolução: Hepatite A (HAV) Com um período de incubação de 15 a 45 dias, a infecção costuma ter início abrupto. A gravidade dos sintomas é diretamente proporcional à idade: crianças menores de seis anos são, em grande parte, assintomáticas ou anictéricas. Já nos adultos, 70% a 80% desenvolvem icterícia franca, febre e náuseas intensas. O HAV pode apresentar formas atípicas, como a hepatite colestática prolongada (com muito prurido) e formas recidivantes que duram meses, mas nunca evolui para cronicidade. A hepatite fulminante é rara (As opções de tratamento para o vírus Delta ainda são limitadas. No Brasil, o protocolo padrão é o uso de Alfapeginterferon 2a por longos períodos (48 a 96 semanas), sempre associado a um análogo de nucleosídeo (TDF, TAF ou ETV) para controlar o HBV que "ajuda" o vírus Delta. A eficácia é moderada e o risco de a carga viral voltar a subir após o tratamento é alto. Novas drogas, como o Lonafarnibe (inibidor da prenilação) e a Bulevirtida (bloqueador de entrada no hepatócito), estão sendo estudadas em ensaios clínicos. Hepatite E (HEV) A forma aguda em pacientes imunocompetentes exige apenas suporte clínico. Nos casos raros de cronificação em pacientes imunossuprimidos (como transplantados), a primeira medida é reduzir a carga das drogas imunossupressoras ou trocar a classe do medicamento (ex: mudar tacrolimo para ciclosporina). Se isso não funcionar, utiliza-se a Ribavirina oral por 3 meses, que apresenta boa eficácia. É importante lembrar que a Ribavirina é estritamente contraindicada na gestação devido ao seu alto risco teratogênico (causa malformações fetais). Prevenção As estratégias de prevenção das hepatites virais baseiam-se em três pilares principais: saneamento ambiental, bloqueio das vias de transmissão biológicas e imunoprofilaxia (ativa com vacinas e passiva com imunoglobulinas). Hepatite A (HAV) O controle do HAV depende diretamente do saneamento básico e do tratamento de fontes de água. A imunização ativa é feita com a vacina de vírus inativado (esquema de duas doses), sendo recomendada universalmente na infância e para adultos em grupos de risco (viajantes para áreas endêmicas, HSH e portadores de outras hepatopatias crônicas). Em caso de exposição, a profilaxia pós-contato deve ser feita idealmente em até duas semanas. A prioridade é o uso da vacina, reservando-se a imunoglobulina (Ig) humana inespecífica para situações específicas: lactentes menores de 1 ano, imunossuprimidos graves ou pessoas com contraindicação formal à vacina. Hepatite B (HBV) A prevenção foca na triagem rigorosa de doadores de sangue e órgãos, além do incentivo ao sexo seguro. A vacina recombinante (anti-HBsAg) é a principal ferramenta e deve ser iniciada preferencialmente nas primeiras horas de vida. Para a Prevenção da Transmissão Vertical (PTV), o recém-nascido de mãe portadora deve receber a vacina combinada à Imunoglobulina Humana Anti-Hepatite B (IGHAHB) nas primeiras 12 a 24 horas após o parto. Se a gestante apresentar alta replicação viral (DNA-HBV > 200.000 UI/mL ou HBeAg reagente), recomenda-se o uso profilático de Tenofovir (TDF) a partir do terceiro trimestre (entre a 24ª e 28ª semana). A IGHAHB também é utilizada na profilaxia pós- exposição sexual ou ocupacional (acidentes com perfurocortantes). Hepatite C (HCV) Diferente das hepatites A e B, não existe vacina nem imunoglobulina eficaz para a hepatite C. Por isso, a prevenção depende exclusivamente do bloqueio das vias parenterais. Isso inclui o uso de materiais médicos e cirúrgicos estéreis ou descartáveis, triagem universal em bancos de sangue (via PCR e sorologia), programas de redução de danos para usuários de drogas (como a troca de seringas) e o uso de preservativos, especialmente em populações com maior risco, como portadores de HIV ou pessoas com múltiplos parceiros. Hepatite D (HDV) A prevenção primária da hepatite D é feita de forma indireta através da vacinação contra o HBV, já que o vírus Delta só consegue infectar quem já possui o vírus B. Para pacientes que já são portadores crônicos do HBsAg (prevenção secundária), não existem vacinas ou imunoglobulinas específicas; a orientação deve focar na redução de comportamentos de risco que facilitem a superinfecção pelas vias sexual ou percutânea. Hepatite E (HEV) A prevenção do HEV envolve medidas de saúde pública semelhantes às do HAV: saneamento, fervura da água e higiene rigorosa dos alimentos. Em regiões onde os genótipos zoonóticos são comuns, deve-se evitar o consumo de carne de porco ou de animais silvestres (como javalis e cervos) crua ou mal cozida. Embora exista uma vacina recombinante eficaz (Hecolin), seu uso atual é restrito quase totalmente à China.