Logo Passei Direto
Buscar

Esse resumo é do material:

ASPECTOS CLÍNICOS E FISIOPATOLÓGICOS DE OSTEOSSARCOMA EM CÃES
18 pág.

Patologia Veterinária Universidade Castelo BrancoUniversidade Castelo Branco

Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Prévia do material em texto

## Resumo sobre Aspectos Clínicos e Fisiopatológicos do Osteossarcoma em CãesO osteossarcoma (OSA) é um tumor ósseo maligno primário caracterizado pela rápida e invasiva formação de tecido ósseo neoplásico, originado da proliferação de células mesenquimais primitivas malignas que produzem matriz osteóide. É o tumor ósseo mais comum em cães, representando cerca de 80-85% dos tumores ósseos e 5-6% de todos os tumores neoplásicos em cães, com maior incidência em animais de grande porte, especialmente aqueles com peso superior a 36 kg e idade entre cinco e oito anos. O OSA apresenta predileção por ossos longos, principalmente na região metafisária, com maior acometimento dos membros torácicos em relação aos pélvicos na proporção de 2:1, destacando-se a extremidade distal do rádio e a proximal do úmero como locais mais frequentes. Raças como Pastor Alemão, Rottweiler, Dogue Alemão, Dobermann, São Bernardo, Setter Irlandês, Golden Retriever e Fila Brasileiro são as mais afetadas, com maior incidência em machos, embora no esqueleto axial as fêmeas sejam mais acometidas.### Etiologia e FisiopatologiaA etiologia do OSA ainda é desconhecida, mas diversos fatores estão associados ao seu desenvolvimento. Mutações genéticas, especialmente no gene supressor de tumor p53, são fundamentais para a gênese do tumor, pois comprometem o controle do crescimento celular e a apoptose. O tumor tende a se desenvolver em locais de maior atividade mitótica, como as regiões metafisárias dos ossos longos que suportam maior peso corporal, onde pequenos traumas repetitivos podem sensibilizar as células, induzindo mutações. Outros fatores associados incluem implantes metálicos ortopédicos, radiações ionizantes, infecções virais (ainda não isoladas), displasia fibrosa, osteomielite crônica e doenças ósseas pré-existentes. Hormônios e citocinas também podem estimular excessivamente células-tronco ósseas, favorecendo a neoplasia.Macroscopicamente, o OSA pode variar entre tumores duros e esclerosantes, quando há intensa produção de tecido ósseo, e tumores moles e osteolíticos, com áreas císticas e hemorragias. O tumor pode invadir o córtex ósseo, cavidade medular, periósteo e partes moles adjacentes, frequentemente causando lise cortical e fraturas patológicas. Radiograficamente, observa-se destruição óssea, elevação do periósteo com formação do triângulo de Codman e padrão em "raio-de-sol". Histologicamente, o OSA é um tumor mesenquimal maligno que produz matriz osteóide, podendo apresentar subtipos osteoblástico, condroblástico, fibroblástico, pouco diferenciado, talangiectásico e do tipo células gigantes, sem diferenças significativas no comportamento biológico entre eles. A presença de células malignas com pleomorfismo, hipercromatismo e figuras mitóticas é comum, assim como a infiltração vascular e invasão de tecidos adjacentes.### Manifestações Clínicas, Diagnóstico e TratamentoClinicamente, o OSA manifesta-se inicialmente por dor leve ou intermitente, aumento progressivo de volume e limitação dos movimentos na região afetada. Em estágios avançados, a dor torna-se intensa, com edema, sensibilidade à palpação e possível fratura óssea súbita. Pode haver aumento da temperatura local e sinais sistêmicos como hipercalcemia secundária à secreção de proteínas semelhantes ao paratormônio, além de manifestações neurológicas quando o tumor acomete a coluna vertebral, incluindo debilidade, tremores, atrofia muscular, déficit esfincteriano e paraplegia rápida.O diagnóstico baseia-se na história clínica, exame físico, radiografias simples e torácicas para avaliação de metástases, cintilografia óssea, tomografia computadorizada, ressonância magnética e, quando necessário, biópsia óssea para confirmação histopatológica. A citologia aspirativa com agulha fina (CAAF) é uma técnica menos invasiva e de baixo custo que pode auxiliar no diagnóstico, embora a biópsia seja o padrão-ouro, especialmente em lesões únicas ou quando o diagnóstico citológico é inconclusivo. A escolha do local para biópsia deve ser cuidadosa para evitar complicações como fraturas patológicas e disseminação tumoral.O tratamento tradicionalmente consistia em amputação ou desarticulação do membro afetado, proporcionando alívio da dor e ressecção completa do tumor primário, porém com alta taxa de recidiva sistêmica e mortalidade em menos de seis meses. Atualmente, a combinação de cirurgia com quimioterapia adjuvante ou neoadjuvante tem melhorado significativamente o prognóstico, aumentando a sobrevida dos pacientes. Protocolos quimioterápicos incluem cisplatina, doxorrubicina e agentes encapsulados, com a resposta avaliada pela necrose tumoral pós-cirúrgica. Bifosfonatos são utilizados para inibir a reabsorção óssea e controlar a hipercalcemia, além de radioterapia para alívio da dor e redução tumoral em tecidos moles. Cirurgias conservadoras com preservação do membro são indicadas quando possível, desde que se obtenha margens cirúrgicas amplas e o paciente responda bem à quimioterapia.No Brasil, a recusa frequente dos proprietários em autorizar amputações limita o tratamento ideal, reduzindo a qualidade de vida e a sobrevida dos cães. Em casos avançados com múltiplas metástases e baixa qualidade de vida, a eutanásia é recomendada para evitar sofrimento.### ConclusãoOsteossarcoma em cães é uma neoplasia agressiva, altamente metastática e com predileção por cães de grande porte e machos, afetando principalmente ossos longos dos membros torácicos. O diagnóstico precoce, baseado em exames clínicos, radiológicos e histopatológicos, é fundamental para o sucesso do tratamento. A combinação de cirurgia e quimioterapia tem proporcionado avanços no prognóstico, embora desafios persistam, especialmente em tumores localizados em regiões como mandíbula e maxila, que carecem de protocolos padronizados. A pesquisa em OSA canino é relevante não apenas para a medicina veterinária, mas também para a oncologia humana, devido às semelhanças biológicas e histopatológicas entre as espécies, contribuindo para o desenvolvimento de terapias mais eficazes.---## Destaques- O osteossarcoma é o tumor ósseo maligno mais comum em cães, especialmente em raças de grande porte e machos.- A etiologia envolve mutações genéticas, traumas repetitivos, implantes metálicos, radiação e possíveis agentes virais.- O diagnóstico combina história clínica, exames de imagem, citologia e biópsia para confirmação histopatológica.- O tratamento evoluiu da amputação isolada para abordagens combinadas com quimioterapia e cirurgias conservadoras, melhorando a sobrevida.- A pesquisa em osteossarcoma canino contribui para avanços na oncologia comparativa entre cães e humanos.