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Farmacocinética
Leandro Delevatti
SILVA, Penildon. Farmacologia, 8ª edição
Farmacocinética:
Em 1953, Dost propôs o termo farmacocinética para descrever o movimento da droga
através do organismo.
A farmacocinética estuda quantitativamente a cronologia dos processos de
administração, absorção, distribuição, biotransformação e eliminalção das
drogas. 
Utiliza metodologia matemática para descrever as variações no tempo dos
processos 
DEFINIÇÃO 
SILVA, Penildon. Farmacologia, 8ª edição
Farmacocinética:
A variável básica desses estudos é a concentração das drogas e dos seus
metabólitos nos diferentes fluidos e tecidos e excreções do organismo. 
Esta concentração está correlacionada com a via de administração, com a dose
empregada, com a eliminação, e varia com o tempo da observação. 
A partir dos estudos de farmacocinética e farmacodinamica é definido a posologia
ideal
O regime posológico ideal mantém a concentração plasmática da droga dentro da
janela terapêutica. 
DEFINIÇÃO 
SILVA, Penildon. Farmacologia, 8ª edição
QUAL A FUNÇÃO DA FARMACOCINÉTICA?
Determinação adequada da posologia e via de administração.
Reajuste da posologia, quando necessário, de acordo com a resposta clínica;
Interpretação de resposta inesperada ao medicamento, como, por exemplo, ausência
de efeito terapêutico ou presença de efeitos colaterais pronunciados; 
Melhor compreensão da ação das drogas, pois a intensidade e a duração dos efeitos
terapêuticos e tóxicos; 
Posologia em situações especiais, como, por exemplo, em pacientes com insuficiência
renal, em hemodiálise ou em diálise peritoneal;
 
Pesquisa de aspectos da farmacocinética clínica de medicamentos novos
Vias e Sistemas de Administração das Drogas
CRITÉRIOS PARA ESCOLHA?
Efeito local ou sistêmico da droga; 
Propriedades da droga e da forma farmacêutica administrada; 
Idade do paciente;
Conveniência; 
Tempo necessário para o início do tratamento; 
Duração do tratamento; 
Obediência do paciente ao regime terapêutico. 
Principais Vias e Sistemas de Administração das
Drogas
l. oral 
2. sublingual ou bucal 
3. parenteral:
 • intravenosa • intra-arterial • intramuscular • intra-articular •
intraóssea • intracardíaca • intradérmica • intraperitoneal • subcutânea •
peridural ou epidural ou extradural • intratecal ou subaracnóidea 
4. tópica 
5. transdérmica 
Principais Vias e Sistemas de Administração das
Drogas
6. intraocular 
7. intrarrespiratória 
8. retal
9. intravaginal 
lO. intrauterina 
11. uretral e peniana 
Principais Vias e Sistemas de Administração das
Drogas
12. Novos sistemas de administração de drogas :
• bioadesivos 
• pró-drogas 
• transportadores macromoleculares de drogas 
• transportadores celulares de drogas sistemas de administração de
drogas em micropartículas e nanopartículas 
• dispositivos para liberação controlada de drogas 
• proteínas e peptídeos 
• anticorpos monoclonais
• administração de genes . 
ADMINISTRAÇÃO ORAL 
É a mais utilizada ; 
Chamada tradicionalmente de uso interno ou também enteral; 
Podem exercer um efeito local no trato gastrointestinal ou ser absorvidas pela
mucosa gastrointestinal, atingindo o sangue ou a linfa e exercendo efeitos
sistêmicos.; 
Absorção das drogas, por via oral, pode ocorrer na boca (mucosa bucal e sublingual),
no intestino ,delgado, no estômago, no intestino grosso e no reto; 
As preparações sólidas são representadas, principalmente, por comprimidos e
cápsulas que proporcionam maior estabilidade e melhor controle da posologia.
ADMINISTRAÇÃO ORAL 
A maioria dos comprimidos e cápsulas deve ser ingerida com muita água; 
As preparações líquidas são preferidas para crianças e idosos; 
As formulações especiais como comprimidos sublinguais, bucais e mastigáveis
exigem instruções especiais aos pacientes;
Os pacientes devem ser instruídos quanto ao ritmo de tomada do medicamento, com
particular referência às refeições e à administração noturna. 
VIAS PARENTERAIS
O QUE É VIA PARENTAL:
É aquela realizada fora do trato gastrointestinal e é representada pelas vias
endovenosa, intramuscular, subcutânea e intradérmica.
As mais comuns são:
 Intravenosa ou endovenosa, 
Intramuscular e a subcutânea.
Além dessas, ainda são usadas as seguintes vias parenterais: intra-arterial, intra-
articular, intracardíaca, intradérmica, epidural, intraóssea, intrassinovial, intratecal. 
Quais as vantagens:
Podem ser administradas em pacientes que não cooperam, inconscientes ou que
apresentam náuseas e vômitos; 
Algumas drogas são ineficazes, fracamente absorvidas ou inativas por via oral
 A via intravenosa proporciona início imediato da ação da droga, em situações de
emergência; 
 Podem ser usadas outras vias parenterais quando se deseja retardar o início de ação
da droga e/ou prolongar a ação da droga;
 Podem ser produzidos efeitos localizados e sistêmicos
VIAS PARENTERAIS
VIAS PARENTERAIS
Quais as vantagens:
Problemas da obediência do paciente ao regime terapêutico são quase totalmente
evitados;
Pode ser usada para corrigir desequilíbrio fluido e eletrolítico e proporcionar a
alimentação (soro)
VIAS PARENTERAIS
Quais as desvantagens:
Exige pessoal adequadamente treinado; 
Necessidade de observação estrita de processos assépticos; 
 Dor ou incomodo; 
Efeitos das drogas são difíceis de reverter, em casos de hipersensibilidade,
intolerância ou toxicidade; 
Pode ser inconveniente quando as aplicações se tomam muito frequentes.
Absorção das Drogas 
É o processo de travessia que leva a droga após administração até o sangue
Absorção das Drogas 
A absorção tem por finalidade transferir a droga do lugar onde é
administrada para fluidos circulantes
No estudo da absorção das drogas, os seguintes itens devem ser analisados:
 Membranas biológicas; 
Propriedades físico-químicas das moléculas das drogas;
Forças responsáveis pela passagem das drogas através das membranas; 
Modalidades de absorção das drogas; 
Locais de absorção das drogas; 
Vias e sistemas de administração das drogas.
Absorção das Drogas 
Lipossolúvel: solúvel em gorduras.
Hidrossolúvel: solúvel em líquidos.
Hidrofóbico: aversão aos líquidos.
Hidrofílico: afinidade a líquidos.
Do que é feito a membrana celular?
Absorção das Drogas 
O QUE INTERFERE NA ABSORÇÃO:
Lipossolubilidade - solubilidade da droga na bicamada lipídica das
membranas biológicas, permitindo fácil travessia dessas por difusão
passiva; 
Hidrossolubilidade, que só permite absorção quando existem nas
membranas sistemas transportadores específicos ou canais e poros
hidrofílicos;
Estabilidade química da molécula da droga; 
Absorção das Drogas 
Absorção das Drogas 
O QUE INTERFEREM NA ABSORÇÃO:
Peso molecular, tamanho e volume da molécula da droga; 
Carga elétrica da molécula da droga (polaridade, ionização; pH do meio);
 (comprimidos, cápsulas, soluções etc.); 
Velocidade de dissolução da droga e, quando administrada por via oral,
compatibilidade com as secreções gastrointestinais; 
Concentração da droga no local de absorção;
Absorção das Drogas 
LOCAIS DE ABSORÇÃO DAS DROGAS:
Pele;
Regiões subcutânea e intramuscular;
Mucosa geniturinária:
 Mucosa vaginal
 Mucosa uretra
 Mucosa vesical (BEXIGA)
 Mucosa conjuntiva;
 Peritônio
 Medula óssea
Absorção das Drogas 
VIA INTRAVENOSA E INTRA ARTERIAL NÃO HÁ ABSORÇÃO POIS JÁ SÃO
ADMINISTRADAS NO SANGUE.
NESSE CASO A ADMINISTRAÇÃO É IGUAL A ABSORÇÃO
Absorção das Drogas 
Absorção das Drogas 
MUCOSA BUCAL:
Indicadas para drogas que são alteradas pelo suco gástrico
A circulação venosa desemboca na veia jugular, e, desse modo, as drogas aí
absorvidas fogem à ação do fígado, que poderia inativá-las;
Absorção das Drogas 
MUCOSA DO INTESTINO DELGADO:
A principal e mais extensa superfície de absorção
O pH varia de acordo com o lugar, mais próximo ao estomago o pH é mais
ácido 
Trato respiratório:
MUCOSA NASAL : Rápida absorção e muito utilizada para absorver drogas
ilicitas como cocaína e heroína;
Regiões subcutânea e intramuscular:
A absorção das drogas é efetuada pelos capilaressanguíneos e, em menor
escala, pelos linfáticos.
Absorção das Drogas 
 Biodisponibilidade 
Indica a velocidade e a extensão de absorção de um princípio ativo em uma forma de
dosagem, a partir de sua curva concentração/tempo na circulação sistêmica ou sua
excreção na urina
Lei nº 9.787, de 10/02/1999. 
Indica a porção da droga que atinge a circulação;
Indica a velocidade com que a droga atinge o sangue;
É o primeiro dos muitos fatores que determinam a relação entre a dose da
droga e a intensidade de sua ação.
Biodisponibilidade das Drogas
Propriedades físico-químicas, processos de sua industrialização, sua forma
farmacêutica da droga;
As características do paciente;
O que pode variar a Biodisponibilidade das Drogas?
Meia-vida das Drogas
Em farmacocinética, a meia-vida se refere ao tempo que determinada concentração
da droga leva para reduzir-se à sua metade.
Exemplo:
Medicamento 50mg/ml intravenoso tem meia vida de 1 hora.
após 1 horas terá a concentração de 25mg/ml
após 2 horas terá a concentração de 12,5mg/ml
após 3 horas terá a concentração de ?
Meia-vida das Drogas
IMPLICAÇÕES CLÍNICAS:
O efeito farmacológico e, consequentemente, o efeito terapêutico estão mais
relacionados à concentração plasmática da droga do que à dose administrada.
Definir posologia
Ajustar posologia
Janela Terapêutica
Subdose
Dose Letal ou Dose Tóxica
Janela Terapêutica
Dose Mínima
Dose Máxima
Co
nc
en
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aç
ão
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o 
fá
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o 
no
sa
ng
ue
Tempo
Distribuição das Drogas
Transportar pelo sangue e outros fluidos até tecidos do corpo
Distribuição das Drogas
No plasma a droga é divida em duas partes:
Livre;
Ligadas a proteínas plasmáticas 
Principais proteínas que se ligam às drogas:
Albumina
Globulinas 
Hemoglobina
Distribuição das Drogas
Apesar da relativa facilidade com que as drogas se distribuem em todos os tecidos do
corpo, existem certas áreas que são de mais difícil penetração, cujos principais
representantes são:
Barreira hematoencefálica;
Barreira placentária
Barreira hematoencefálica
Cérebro é
inacessível para a
maioria dos
fármacos.
Barreira hematoencefálica
Fatores que favorecem a travessia dos fármacos:
Propriedades físico-químicas da molécula da droga; 
Drogas apoiaras;
Lipossolúveis;
Tamanho molecular reduzido,
Ex: anestésicos tem fácil acesso ao SNC pois são lipossolúveis e não ionizados
Barreira placentária
Pode facilitar ou restringir a passagem de drogas da circulação materna para a fetal.
Drogas que atravessam essa barreira biológica são: 
Lipofílicas 
Não polares 
Peso molecular inferior a 1.000
Barreira placentária
Exemplos de drogas que atravessam essa barreira:
Anestésicos;
Álcool;
Antibióticos;
Morfina;
Heroína
Não é apenas uma barreira inerte, mas também um tecido metabolizador que
pode transformar drogas, produzindo metabólitos ativos ou inativo
Teratogênico
Qualquer agente, incluindo fatores ambientais, que causa um anormal
desenvolvimento do feto.
O primeiro trimestre é o mais delicado porque nesse período há maior chance de
ocorrerem não apenas as más-formações, como também os abortos espontâneos.
Teratogênico
Principais agentes teratogênicos:
Medicamentos (talidomida, misoprostol, ácido retinóico, entre outros)
Doenças Maternas (diabetes, epilepsia, hipotireoidismo, entre outras)
Infecções Congênitas (sífilis, toxoplasmose, rubéola, citomegalovirus, entre outras)
Radiações (radioterapia)
Substâncias Químicas (mercúrio, chumbo, por exemplo)
Outras Drogas (álcool, fumo, cocaína e outras)
BIOTRANSFORMAÇÃO
Metabolismo das Drogas
É o processo de metabolização de fármacos que ocorrem dentro do organismo, com
transformação dos fármacos originais em outras identidades químicas (metabólitos)
que podem possuir, ou não, atividade farmacológica ou tóxica.
BIOTRANSFORMAÇÃO
Metabólito
Qualquer substância (alimentar, intermediária, residual) produzida pelo metabolismo.
Metabólito é o produto do metabolismo de uma determinada molécula ou substância:
Inativos: não mantêm nenhuma atividade relacionada à substância original.
Ativos: mantêm atividade relacionada à substância original.
BIOTRANSFORMAÇÃO
Metabólito
Inativação:
As drogas, na sua maioria, e seus metabólitos são inativados ou transformados em
produtos menos ativos. 
Exemplos:
morfina, cloranfenicol, propranolol.
BIOTRANSFORMAÇÃO
Metabólito
Metabólito ativo de droga ativa:
Muitas drogas são parcialmente transformadas em um ou mais metabólitos ativos.
Os efeitos observados são causados pela droga original e pelos seus metabólitos. 
Exemplos de drogas ativas com metabólitos ativos (esses entre parênteses):
hidrato de cloral (tricloroetanol), fenacetina (paracetamol), fenilbutazona
(oxifenilbutazona), primidona (fenobarbital).
BIOTRANSFORMAÇÃO
Metabólito
Ativação de droga inativa:
 Algumas drogas, chamadas pró-drogas ou pró-fármacos, são inativas e necessitam
ser metabolizadas para se tomarem ativas.
As pró-drogas podem apresentar certas vantagens em comparação com as drogas
ativas: maior estabilidade, melhor biodisponibilidade, menos efeitos adversos e menor
toxicidade.
Exemplos de pró-drogas com os seus metabólitos ativos (esses entre parênteses):
levodopa (dopamina), prednisona (prednisolona)...
BIOTRANSFORMAÇÃO
Metabólito
Ausência de metabolismo:
Certas drogas, como penicilinas e anestésicos gerais inalatórios, são excretadas em
forma inalterada, sem sofrer metabolismo, devido às suas propriedades físico-
químicas peculiares.
BIOTRANSFORMAÇÃO
O metabolismo de fármacos ocorre predominantemente no fígado, especialmente pela
CYP 450.
BIOTRANSFORMAÇÃO
O que é isoenzima?
São enzimas que diferem na sequência de aminoácidos, mas que catalisam a mesma
reação química.
Isoenzima
Droga Metabólito
METABOLISMO DE PRIMEIRA
PASSAGEM OU PRÉ-SISTÊMICO
É o metabolismo de uma droga durante sua passagem do local de absorção para o
interior da circulação sistêmica.
Todas as drogas administradas por via oral estão sujeitas a enzimas metabolizadoras
situadas na parede intestinal e no fígado.
Também pode ocorrer na pele (drogas administradas por via transdérmica) e nos
pulmões (para drogas que alcançam o sangue venoso através de qualquer via).
TIPOS DE REAÇÕES
As reações que metabolizam as drogas são classificadas em dois grupos:
Reações não sintéticas ou catabólicas ou de fase I;
Reações sintéticas ou anabólicas ou de conjugação ou de fase 2.
Reação Fase 1
As reações da fase I são representadas por oxidação, redução, hidrólise, ciclização e
desciclização.
Convertem o fármaco original em um metabólito mais polar através de oxidação,
redução ou hidrólise. O metabólito resultante pode ser farmacologicamente inativo,
menos ativo ou, às vezes, mais ativo que a molécula original. Algumas drogas polares
são conjugadas na sua forma original sem passarem por reações da Fase I.
CYP450 OU P450
É uma importante família de ENZIMAS envolvida no metabolismo de medicamentos.
INDUÇÃO ENZIMÁTICA
A indução provoca aceleração do metabolismo do substrato e, usualmente,
decréscimo da ação farmacológica do indutor e das drogas coadministradas.
Indução enzimática pode exacerbar a toxicidade provocada pelos metabólitos.
INDUÇÃO ENZIMÁTICA
INIBIÇÃO ENZIMÁTICA
Certas drogas que funcionam como substratos podem inibir a atividade enzimática do
citocromo P450.
Se for fármaco ativo-> Aumenta o tempo de ação do fármaco (pode causar toxicidade
ou letalidade).
Se for fármaco inativo (Pró Fármaco) -> Diminui a ativação do fármaco, diminuindo a
ação
GENÉTICA E METABOLISMO DAS DROGAS
Os fatores genéticos influenciam os níveis enzimáticos.
Dentro da mesma população, podem-se observar variações de níveis de concentração
plasmática de 30 vezes no metabolismo de uma droga.
ELIMINAÇÃO
A maior parte dos fármacos deixa o organismo pela urina, inalterados ou na forma de
metabólitos polares.
Alguns fármacos são secretados na bile através do fígado, mas a maioria deles é
reabsorvida no intestino. 
ELIMINAÇÃO
A eliminação pelos pulmões ocorre apenas com agentesaltamente voláteis ou
gasosos (p. ex., anestésicos gerais).
Alguns fármacos também são eliminados em pequenas quantidades em secreções
como o leite ou o suor.
Depuração (“Clearance”)
Indica a remoção completa de determinado soluto ou substância de um volume
específico de sangue na unidade de tempo.
O clearance normal da creatinina, por exemplo, é de 120 mL por minuto.
O clearance renal, portanto, é a taxa de excreção dividida pela concentração
plasmática média da substância em estudo
 É extremamente relevante para estabelecer a dose da droga em tratamento de longo
prazo.

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