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9° Ano - revisão A Proclamação da República e a Questão Negra A Proclamação da República, em 15 de novembro de 1889, costuma ser ensinada como um "golpe militar" ou um desfile de fardas. Mas, para entender por que a Monarquia caiu, precisamos olhar para o que aconteceu um ano antes: a Abolição da Escravidão (1888). 1. Os "Republicanos de Última Hora" Até 1888, muitos grandes fazendeiros apoiavam o Imperador D. Pedro II. No entanto, com a assinatura da Lei Áurea sem o pagamento de indenizações aos antigos donos de escravizados, esses fazendeiros ficaram furiosos. Eles se tornaram republicanos apenas por vingança, sendo apelidados de "republicanos de última hora". Sem o apoio da elite agrária, o Império perdeu sua base de sustentação. 2. O Protagonismo Negro no Movimento Abolicionista Não se enganem: a República não foi um "presente" dos militares, e a Abolição não foi um "presente" da Princesa Isabel. O movimento que enfraqueceu o Império foi movido por intelectuais e ativistas negros que já pregavam ideais de liberdade e cidadania muito antes de 1889. ● José do Patrocínio: Conhecido como "O Tigre da Abolição", foi um jornalista negro e uma das vozes mais potentes contra a Monarquia. Ele fundou a Guarda Negra para proteger a liberdade recém-conquistada. ● Luís Gama: Advogado autodidata que libertou centenas de pessoas legalmente. Ele era um republicano convicto, pois acreditava que a República traria a igualdade de direitos que a Monarquia negava. 3. A Guarda Negra e a Resistência Um ponto pouco falado é a Guarda Negra. Muitos negros recém-libertos temiam que a República fosse um movimento das elites para retomar o controle sobre eles (o que, de certa forma, aconteceu com as leis de vadiagem posteriores). Eles formaram grupos para defender o legado da abolição e, muitas vezes, entraram em conflito com os republicanos de elite nas ruas. 4. O "Esquecimento" Pós-Proclamação Quando a República finalmente foi proclamada, o projeto que venceu foi o dos militares e da elite cafeeira. Para a população negra, a transição trouxe desafios amargos: ● A ausência de políticas de inclusão (terra, educação ou emprego). ● A criminalização de práticas culturais africanas (como a capoeira e o candomblé) pela nova Constituição Republicana. Resumo: ● Crise do Império: Questão Militar, Questão Religiosa e Questão Abolicionista. ● Elite vs. Império: Fazendeiros "indenizados" retiram apoio a D. Pedro II. ● Vozes Negras: José do Patrocínio e Luís Gama conectam Abolição à República. ● A Realidade: A República nasce sem incluir o povo, mantendo a desigualdade social e o racismo estrutural. A Proclamação da República e a Questão Negra 1. Os "Republicanos de Última Hora" 2. O Protagonismo Negro no Movimento Abolicionista 3. A Guarda Negra e a Resistência 4. O "Esquecimento" Pós-Proclamação