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Vídeo como Prova na Justiça

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JU!iTIÇA DO TRABALHO 
ANO 32- No 375- MARÇO DE 2015 
ISSN-0103-5487 
Repositório Autorizado de Jurisprudência TST: 08/95 
DIRETORES 
Henrique Francisco Schlossmacher 
Simone Maria Schlossmacher 
CONSELHO EDITORIAL 
Benedito Calheiros Bomfim 
Carlos Henrique Bezerra Leite 
Daisson Portanova 
Eugênio Hainzenreder Júnior 
Francisco Rossal de Araújo 
Gilberto Stürmer 
Gustavo Filipe Barbosa Garcia 
Jorge Luiz Souto Maior 
Maria Cristina Irigoyen Peduzzi 
Mariângela Guerreiro Milhoranza 
Maurício de Carvalho Góes 
Renato Kliemann Paese 
Ricardo Carvalho Fraga 
Rodrigo Coimbra Santos 
Rúbia Zanotelli de Alvarenga 
Sergio Pinto Martins 
Rua Almirante Barroso, 735 conj . 302 
90220-021 - Porto Alegre - RS 
Fone/Fax: (51) 3346.9222 
e-mail : hseditora@hseditora.com.br 
Internet: http:/ /www .hseditora.com. br 
Doutrina 
VÍDEO COMO PROVA E PROCESSO 
ELETRÔNICO NA JUSTIÇA DO TRABALHO: 
TECNOLOGIAS EM CONFLITO 
DENISE PIRES FINCAT01 
LUCIANA PESSOA NUNES SANTOS2 
RESUMO: O presente artigo versa sobre o conflito de tecnologias que se instaura 
no momento em que se pretenda utilizar vídeos como prova no processo do 
trabalho, em razão de o processo eletrônico não possuir ferramenta capaz de 
anexá-lo. Para essa discussão, serão abordadas as tecnologias utilizadas para a 
produção e veiculação de vídeos e para implementação e funcionamento do 
processo eletrônico. O primeiro está inserto, como tecnologia acessível, no 
cotidiano das pessoas, assim como no de patrões, empregados e clientes, 
tornando-o instrumento hábil para comprovar diversos elementos relacionados 
com ambiente, jornada e relações interpessoais. Já o processo eletrônico (PJe) 
é um recurso tecnológico que busca conferir maior celeridade e acesso aos 
processos que tramitam virtualmente, sem o processo físico. Na seara trabalhista, 
o Conselho Superior da Justiça do Trabalho, juntamente com o Tribunal Superior 
do Trabalho regulamentaram o PJe, estabelecendo os parâmetros para seu 
manejo, dentre os quais consta a exigência de que os documentos anexados 
devem ser de extensão pdf (Portable Document Format). Em vista disso, surge 
um grande limitador para a instrução processual, em razão de ser inviável 
a anexação de vídeo, que não pode ser produzido na extensão pdf. Diante 
dessa realidade, é preciso refletir acerca das novas tecnologias no ambiente 
jurisdicional , haja vista que se o processo eletrônico apresenta a preocupação de 
manter-se atualizado e coerente com os avanços da sociedade é imperioso 
investir em melhoramentos capazes de modernizar as ferramentas e torná-las 
compatíveis com os recursos existentes para conferir maior eficiência à tutela 
jurisdicional. 
PALAVRAS-CHAVE: Vídeo; Processo Eletrônico; Conflito de Tecnologias. 
SUMÁRIO: Introdução; 1. A tecnologia do vídeo; 2. A tecnologia do processo 
eletrônico; 3. Conflito de tecnologias; Conclusão; Referências. 
1 Doutora em Direito pela Universidad de Burgos - Espana. Mestre em Direito pela Unisinos/RS. 
Professora do PPGD da PUCRS. Advogada Trabalhista. 
2 Mestranda em Direito pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul. Especialista 
em Direito Público pela Universidade Cândido Mendes. Especialista em Comunicação Institucional 
pela Universidade Federal do Piauí. Especialista em Docência do Ensino Superior pela Faculdade 
Santo Agostinho. Advogada. Professora. 
JUSTIÇA DO TRABALHO - 375/HS 7 
INTRODUÇÃO 
A captação de imagens, em vídeos ou fotografias, faz parte da rotina da 
modernidade. Crianças em mais tenra idade já manuseiam tablets e aparelhos 
celulares com a destreza e a habilidade necessárias para registrar seu 
cotidiano. As redes sociais divulgam os acontecimentos, sincronizadas com a 
ocorrência dos fatos, inviabilizando o controle da circulação das imagens que 
ocorre de modo imediato e célere, algumas vezes sem o conhecimento de 
quem está sendo registrado. 
Além dos registros particulares, realizados por amadores utilizando seus 
equipamentos individuais, existem ainda sistemas mais sofisticados de gravação 
de imagens que são utilizados para vigilância e segurança de residências 
e empresas, para registrar o dia a dia das salas de aula e disponibilizar o 
acompanhamento dos filhos pela internet, bem como para fiscalizar as infrações 
de trânsito e a segurança nas vias públicas. 
A popularização dessa tecnologia traduz-se na inevitável -e de certa forma 
já assimilada - perda de privacidade. Consumidores, funcionários, professores 
e estudantes já sabem que estão sendo filmados e, assim, acostumam-se 
com a presença das câmeras. A utilização da imagem captada, todavia, deve 
atentar para os limites constitucionalmente impostos de respeito à intimidade 
da pessoa e da vedação ao dano moral. Dessa forma, a autorização para se 
veicular filmagens, fotografias e gravações telefônicas é o requisito mais eficaz 
para inibir ofensas a direitos da personalidade como imagem, honra e nome. 
Na hipótese de a gravação ser utilizada como prova processual, entretanto, 
a prévia autorização do sujeito filmado ou fotografado representaria a produção 
de prova contra si mesmo, violando o princípio da não auto-incriminação. 
Quanto ao direito à privacidade, a veiculação desses registros no ambiente 
restrito de um processo judicial, não configuraria exposição da imagem capaz 
de acarretar dano moral, em especial pela possibilidade de se conferir o 
segredo de justiça para tais casos. 
Na Justiça do Trabalho, onde o processo é eletrônico, a utilização de 
vídeos como prova encontra óbice na tecnologia utilizada para a virtualização 
do processo. Se, por um lado, promoveu um grande avanço na prestação 
jurisdicional no que tange à celeridade e publicidade, por outro, falta a adequação 
do processo virtual às tecnologias disponíveis para a parte e o próprio juízo. 
O conflito de tecnologias se instaura no momento em que se pretenda 
utilizar vídeos como prova no processo do trabalho, em razão de o processo 
eletrônico não possuir ferramenta capaz de anexá-lo, haja vista que pela 
tecnologia até o momento adotada somente é possível inserir documentos 
com extensão "pdf'. O vídeo, então, segue nos moldes do processo físico, 
ficando arquivado em secretaria, o que de certa forma inibe seu manuseio 
pelos protagonistas processuais. 
Diante dessa realidade, é preciso refletir acerca das novas tecnologias 
no ambiente jurisdicional. A atuação do Judiciário não pode olvidar que o 
8 JUSTIÇA DO TRABALHO- 375/HS 
desenvolvimento tecnológico expande-se em todos os setores da vida, inclusive 
criando, alterando e remodelando as relações de trabalho. Se o processo 
eletrônico representa essa preocupação em manter-se atualizado e coerente 
com os avanços da sociedade é imperioso investir em melhoramentos capazes 
de modernizar as ferramentas e torná-las compatíveis com os recursos 
existentes para conferir maior eficiência à tutela jurisdicional. 
1. A TECNOLOGIA DO VÍDEO 
O registro de imagem por meio de vídeos movimenta as redes sociais. 
É a transmissão - muitas vezes simultânea - do fato para expectadores que se 
mantêm à distância. O vídeo mostra o acontecimento, a expressão dos atores, 
eterniza momentos e pessoas com suas reais expressões e falas. Sobrepuja, 
por isso, o registro fotográfico que apresenta um recorte da realidade segundo 
o olhar do fotógrafo; tem movimento e som, ao passo que a fotografia permanece 
inerte, ofertando a possibilidade de múltiplas e contraditórias interpretações. 
A ampla utilização e veiculação do vídeo ocorrem em razão de avanços 
tecnológicos que o torna disponível aos equipamentos mais simples, bem 
como pelo fato de ser de fácil manuseio. É uma ferramenta de todo celular ou 
tablet, manejado até mesmo por crianças em tenra idade, como pré-dito. 
Filmar amadoristicamente é uma atividade simples e acessível , o que 
difere sobremaneira da tarefa de fazer e armazenar um vídeo com qualidade, 
aproveitando todos os recursos tecnológicos disponíveis para garantir uma 
boa imagem, pois, para tanto,é preciso observar em que equipamentos será 
produzido e visualizado. 
Os leitores de mídia, que são os programas para abrir o vídeo, possuem 
desempenho diferenciado e compatibilidades distintas, por isso, é imprescindível 
que o equipamento possua programa adequado para abri-lo, de acordo com 
a extensão em que foi configurado o arquivo. Dependendo do tamanho da 
gravação e do tipo de imagem que se pretenda produzir, é que se define a 
extensão mais adequada. 
Os formatos de vídeo mais populares, ou seja, os tipos de arquivos mais 
comuns são os que apresentam as extensões RMVB (Real Media Variable 
Bitrate), AVI (Audio Video lnterleave), MP4 (MPEG-4 part 14) e MKV (Matroska 
Video). As extensões possuem características que as tornam melhores para 
funções específicas, veja-se: 
RMVB {Real Media Variable Bitrate): desenvolvido pela Real Networks 
para o ReaiPiayer, possui uma taxa variável de bits. Embora seja capaz 
de gerar um arquivo menor do que o ReaiMedia original, a qualidade é a 
mesma, mas está longe de ser boa. Recomendado para usuários que 
possuem uma conexão de internet de baixa velocidade. 
AVI {Audio Video lnterleave): desenvolvido pela Microsoft e atualmente 
suportado por uma variedade de dispositivos, desde leitores de DVD até 
smartphones. Utiliza codificação DivX ou XviD (alta compactação com 
JUSTIÇA DO TRABALHO- 375/HS 9 
perdas) para vídeo e normalmente MP3 para áudio, o que traz uma 
experiência razoável de vídeo, mas não possui suporte nativo a legendas. 
MP4 (MPEG-4 part 14): em muitos aspectos bastante parecido com o 
AVI, o MP4 traz a vantagem de ter suporte nativo a legendas (ou seja, 
nada de legendas em arquivos separados), codecs Xvid, DivX e ao 
poderoso H.264 para vídeos e ACC para áudio. Usuários que querem o 
equilíbrio entre qualidade e compactação geralmente preferem o MP4. 
MKV (Matroska Video): formato relativamente novo de código aberto 
preferido pelos usuários que querem seus filmes com a máxima qualidade 
possível sem se importar com o tamanho de download. Nele é possível 
codificar todos os elementos praticamente em qualquer formato, desde a 
taxa de trames por segundo e qualidade de cada imagem até utilizar 
diferentes codificadores de vídeo (DivX, XviD, H.264) e áudio (ACC, DTS, 
Dolby Digital), onde filmes em Full HD (1080p) raramente são menores 
do que 1 O GB, chegando até quase 70 GB com qualidade Remux. 3 
Assim, dependendo da finalidade a que se destina a gravação, é possível 
eleger o formato mais eficiente, considerando o equipamento que se tem 
para realizar a gravação e para armazenar e visualizar o vídeo. É necessário 
compatibilizar o seu tamanho com a qualidade que se pretende obter, pois as 
imagens ocupam espaço medido em bits, que é a menor unidade de medida da 
informação, embora seja mais comum a referência a bytes que representam um 
conjunto de 8 bits. Diversas unidades de medidas são usualmente utilizadas: 
Existem diferentes formas de representar o tamanho de um arquivo. 
Uma música MP3, por exemplo, pode ter 5 megabytes, 5.120 kilobytes 
ou 5.242.880 bytes. Esses números representam a mesma coisa, sendo 
que o único ponto que realmente se altera é a forma de expressar a 
grandeza. O "kilo" representa 1.024 bytes, e o "mega" representa 1.024 
kilobytes.4 
O tamanho de um arquivo de vídeo é medido dessa forma, sendo 
proporcional à duração do registro, ou seja, quanto mais longa for a gravação, 
mais espaço ocupa para seu armazenamento. Em face disso, há programas 
para compactar e descompactar arquivos, a fim de otimizar o desempenho das 
máquinas, propiciando que mais vídeos sejam arquivados em menos espaço. 
Um vídeo de alta qualidade requer uma elevada taxa de bits para preservar 
todo o conteúdo e garantir a maior definição da imagem. Em face disso, 
exigem também, para sua transmissão, uma conexão rápida de internet, 
pois o carregamento do vídeo requer velocidade adequada, que é medida pela 
3 Disponível em: http://canaltech.eom.br/o-que-e/software/Quais-sao-as-diferencas-entre-AVI-RMVB­
M KV -e-M P4-E -como-roda-los/#ixzz38U FzOpCc. 
4 Disponível em: http://www.tecmundo.eom.br/banda-larga/32749-megabit-x-megabyte-qual-a-real­
velocidade-da-minha-conexao-.htm. Acesso em: 19 ago. 2014. 
10 JUSTIÇA DO TRABALHO- 375/HS 
quantidade de bits por segundo em que é realizado o download. Desse modo, 
quanto maior o vídeo, mais rápida deve ser a conexão para permitir acessá-lo 
corretamente em menos tempo, caso contrário, o vídeo pode "travar", ou seja, 
pode paralisar a imagem, perdendo-se seu conteúdo. 
A transmissão desses arquivos, portanto, exige tecnologia apropriada e, 
por isso, nem todo sistema é capaz de veicular um vídeo com qualidade 
suficiente. Não se justifica, então, produzir um vídeo de alta definição e 
assisti-lo em qualidade inferior. A finalidade da captação das imagens é, em 
regra, a divulgação, seja ela restrita a grupos de familiares e amigos mais 
íntimos, ou então, destinada à veiculação pública, razão por que é conveniente 
que as pessoas que tenham acesso ao vídeo sejam capazes de compreender 
seu conteúdo, sem deixar dúvidas quanto a quem e o que foi filmado. 
Um bom vídeo garante a preservação de momentos da vida que não se 
repetem. Ademais, o vídeo é hoje uma realidade inafastável no que tange a 
equipamentos de segurança, monitoramento de vias públicas e registro da 
vida particular (inclusive laboral). Nas residências, o acesso, muitas vezes, 
depende da identificação por interfones que dispõem de câmeras, nos prédios 
comerciais há monitoramento eletrônico em todo espaço de circulação e, 
apesar de serem utilizadas primordialmente com o fim específico de impedir a 
prática de delitos, acabam por registrar toda a movimentação e comportamento 
das pessoas. 
Nesse sentido, a qualidade do vídeo é importante porquanto uma filmagem 
pode servir para identificar criminosos ou esclarecer as circunstâncias de um 
acidente e, no ambiente de trabalho, pode registrar condutas inadequadas de 
patrões e empregados, fiscalizar o uso de equipamentos, acompanhar entrada 
e saída de empregados, esclarecer infortúnios e avaliar graus de insalubridade 
do serviço. 
Assim, o vídeo, dependendo da qualidade, torna-se um instrumento de 
elevado potencial probatório em um processo judicial. Para tanto, mister se 
faz atender a requisitos que assegurem a licitude da obtenção das imagens, 
bem como a veracidade de seu conteúdo. O juiz para admiti-lo como meio 
válido de prova precisa, ainda, certificar-se de que o mesmo não foi adulterado, 
o que pode ser alegado pela parte a quem o vídeo prejudicar, o que ensejaria 
seu periciamento. 
A perícia em vídeo, no Brasil, conta com recursos de alta tecnologia, 
oriundos da Agência Espacial Americana (NASA), capazes de aperfeiçoar 
imagem e obter informações não identificáveis numa análise superficial. Esse 
sistema de super-resolução permite uma análise mais criteriosa e profunda 
das imagens captadas, com a finalidade de evitar possíveis adulterações 
e equívocos nos registros. O Instituto Brasileiro de Peritos (IBP Brasil) utiliza o 
sistema VISAR (Video lmage Stabilization and Registration), desenvolvido 
para estudo das explosões solares, no Marshall Space Flight Center para 
periciar imagens de vídeo, pois esse sistema: 
JUSTIÇA DO TRABALHO- 375/HS 11 
( ... ]estabiliza os movimentos horizontal e vertical de uma câmera, corrige 
suas rotações e efeitos de zoom e reduz os efeitos de flutuação das 
imagens. 
Mais ainda, o sistema possibilita adicionar trames individuais, distintos 
entre si em vídeo clips, e com esse recurso de super-resolução possibilita 
encontrar detalhes que originalmente não são visíveis, por exemplo em 
regiões subexpostas. 
Outros estudos e produtos incorporaram essa tecnologia para apoiar a 
realização de exames periciais. Super-resolução é, em síntese, uma técnica 
que amplia fortemente a resolução de imagens mediante o tratamento 
adequado de informações limitadas existentes em imagens originais, mas 
requer o desenvolvimentoe aplicação de complexos algoritmos, trabalho 
realizado também nas principais universidades e centros de pesquisa, como 
na Carnegie Mellon e nas universidades brasileiras como USP e Unicamp. 5 
Diante da certeza quanto à autenticidade das gravações é possível inferir 
que a utilização da tecnologia do vídeo para esclarecer fatos é um recurso 
que assevera os fundamentos de um julgamento, tanto da opinião pública 
quanto de um magistrado. A credibilidade quanto ao tempo, as circunstâncias 
e pessoas envolvidas nos acontecimentos é confirmada pelas imagens 
que, frequentemente, reúnem maior grau de certeza que o depoimento de 
testemunhas, por exemplo. Além disso, os vídeos trazem em si entonações e 
alterações de voz, gestos e expressões faciais que empatizam o expectador de 
forma mais eficiente e contundente que outros suportes midiáticos, estáticos6
. 
Assim é que as gravações de câmeras de segurança são cada vez mais 
insertas no rol de equipamentos analisados em inquéritos policiais e perícias 
em geral. Recentemente, imagens dessa natureza foram utilizadas para 
averiguar as condições de acidente aéreo ocorrido em área residencial no 
município de Santos-SP. 
Quanto a câmeras de celular e tablet, a mesma garantia de fidedignidade 
é constatada. Se não houver violação de direitos fundamentais, como à 
privacidade, e se for assegurada a originalidade das imagens, com certificado 
de que se encontram sem edição, não há por que impedir seu uso. Ratifique-se 
que o vídeo é uma tecnologia auxiliar, não significa que seja exclusiva. O que 
não se pode olvidar é seu significativo papel no mundo atual e, por conseguinte, 
5 Disponível em: http://www.ibpbrasil.com.br/pUperitos/pericia_imagens/385/Laborat%C3%B3rio­
Forense-do-IBP-para-super-resolu%C3%A7%C3%A3o-de-imagens-imagens-v%C3%ADdeos-forense­
exame-ibp-brasil-instituto--superresolu%C3%A7%C3%A3o-super-resolu%C3%A7%C3%A3o-per% 
C3%ADcia-periciais-pericial-pareceres-laudo.htm. 
6 Em recente processo criminal , a descoberta e divulgação de vídeos caseiros, feitos em aparelhos 
de celular (apagados pelos agressores, mas recuperados pela perícia policial) onde a vítima clamava 
por socorro e seus agressores despejavam toda a sorte de ameaças e certezas de impunidade, 
abalou o Judiciário do Rio Grande do Sul, levando a novos desdobramentos na condução do feito. 
Tais imagens, em termos de impacto midiático, suplantaram as fotografias até então exaustivamente 
divulgadas. (Caso Bernardo- Disponível , por exemplo, em: http://g1.globo.com/fantastico/noticia/ 
2014/08/gravacoes-mostram-como-era-relacao-entre-pai-e-madrasta-de-bernardo.html). 
12 JUSTIÇA DO TRABALHO- 375/HS 
o Poder Judiciário não deve ignorar essa realidade, haja vista que faz parte, 
de modo natural, do cotidiano das pessoas. 
As imagens registradas em vídeo constituem documento eletrônico que, 
segundo Campos (2014, p. 151 ), "retrata um fato pretérito de forma idônea, 
moralmente legítima e duradoura". O vídeo seria, portanto, meio legítimo para 
fundar uma defesa ou uma acusação, desde que configure prova lícita, haja 
vista que a prova, conforme explica Assis e Molinaro (2013, p. 439), "revela-se 
como o intento de demonstração objetiva das alegações acerca dos fatos 
controvertidos no processo e que pode (e/ou deve) ser utilizada como estímulo 
para o convencimento do julgador". É, portanto, instrumento à disposição das 
partes para demonstrar um fato e suas circunstâncias e, com isso, conduzir à 
persuasão do juiz. 
Desse modo, o vídeo, por todas as suas características, reúne elementos 
indispensáveis à constatação de um argumento. Pode esclarecer mais que 
outro meio probatório e, por isso, deve ser tratado como um documento
7 
válido 
e pertinente ao processo judicial. A utilização de vídeo como prova representa 
o reconhecimento de que as tecnologias disponíveis devem cumprir o papel 
de auxiliar na solução dos conflitos. 
2. A TECNOLOGIA DO PROCESSO ELETRÔNICO 
O processo eletrônico (PJe) surgiu a partir da Lei n° 11.419, de 19 de 
dezembro de 2006, que dispõe sobre a informatização do processo judicial, 
além de alterar o Código de Processo Civil (CPC) para adequar a atividade 
jurisdicional à nova tecnologia desenvolvida, inserindo, por exemplo, a expressa 
referência à assinatura digital , tanto de advogados quanto de juízes, e, para 
determinar que todo ato e termo processual pode ser produzido, transmitido, 
armazenado e assinado por meio eletrônico (art. 154, § 2°, CPC). 
Em todos os graus de jurisdição, inclusive nos juizados especiais, os 
processos civil, penal e trabalhista, observarão as disposições contidas nesta 
lei, no entanto, não há definição de prazo para que essa informatização 
aconteça. Em seu artigo 18, a lei prevê apenas que os órgãos do Poder 
Judiciário a regulamentarão, "no que couber, no âmbito de suas respectivas 
competências". Assim, cada Justiça e seus respectivos Tribunais implementarão 
gradativamente esse novo sistema, substituindo o processo físico pelo processo 
virtual. 
De acordo com o balanço mais recente, a Justiça dos Estados já conta 
com nove tribunais de Justiça (TJs) e 172 varas utilizando o sistema. São 
eles: os tribunais de Justiça de Pernambuco, Paraíba, Minas Gerais, Mato 
Grosso, Maranhão, Bahia, Rio Grande do Sul, Rio Grande do Norte e 
Roraima. No T J de Pernambuco, por exemplo, 87 mil processos já foram 
7 o vídeo, por exemplo, pela Associação Brasileira de Normas Técnicas, NBR 6023, é tratado 
como documento do tipo "imagem em movimento", contando com regra própria para referência 
em trabalhos e documentos científicos (FINCA TO, 2014, p. 163). 
JUSTIÇA DO TRABALHO- 375/HS 13 
distribuídos por meio do sistema PJe. No T J do Estado da Paraíba, foram 
distribuídos 37.528 processos. Desse total, 36.738 tramitam no 1° Grau 
e 790 no 2° Grau de jurisdição. 
Outros 11 tribunais estaduais já encaminharam cronograma de implantação 
(ou estão em fase de homologação). Estão nessa lista os tribunais de 
Justiça do Ceará, Rio Grande do Sul, Amazonas, Amapá, Espírito Santo, 
Goiás, Distrito Federal e Territórios, Pará, Piauí, Paraná e Rondônia.8 
O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) desenvolveu o PJe com a 
cooperação dos tribunais e da Ordem do Advogados do Brasil (OAB) e é 
o órgão gerenciador dessa ferramenta de informatização do Judiciário, no 
intuito de unificar os sistemas adotados em todo o país, em qualquer 
jurisdição (Federal , estadual , militar ou trabalhista). Por meio da Resolução 
185, de 18 de dezembro de 2013, o CNJ instituiu o Sistema Processo Judicial 
Eletrônico para o processamento de informações e prática de atos processuais 
e estabeleceu os parâmetros para sua implementação e funcionamento. 
Coordena, portanto, 
( .. . ] os esforços dos tribunais brasileiros para a adoção de uma solução 
única, gratuita para os próprios tribunais e atenta para requisitos 
importantes de segurança e de interoperabilidade, racionalizando gastos 
com elaboração e aquisição de softwares e permitindo o emprego desses 
valores financeiros e de pessoal em atividades mais dirigidas à finalidade 
do Judiciário: resolver os conflitos. 9 
Essa virtualização do processo destina-se a compatibilizar a prestação 
jurisdicional com as tecnologias atualmente disponíveis, tornando o processo 
mais célere, transparente e econômico, haja vista que, com as ferramentas 
tecnológicas aplicadas, é possível realizar atos sem qualquer deslocamento 
físico e, para comunicação desses atos, reduz-se a utilização de correios; 
ganha-se tempo, economiza-se com transporte, impressões, cópias, materiais 
de expediente. 
Sem o papel, o registro de atos e armazenamento de informações 
acontecem eletronicamente, possibilitando que partes, advogados e demais 
atores processuais acessem as informações em qualquer local, não sendo 
necessário o deslocamento até os cartórios/secretarias, bem como a pesquisa 
torna-se mais ágil. Sem os autos físicos, no sistema eletrônico, encontra-se 
um processo e, nele, qualquer procedimento com maior rapideze eficiência. 
Na Justiça do Trabalho, a estimativa apresentada pelo Tribunal Superior do 
Trabalho é de que o Processo Judicial Eletrônico (PJe/JT) represente "economia 
anual da ordem de R$ 11 milhões, entre despesas com armazenamento, 
8 
Disponível em: http://www.cnj .jus.br/noticias/cnj/28769:pje-ja-esta-implantado-em-34-tribunais­
brasileiros. 
9 
Disponível em: http://www.cnj.jus.br/programas-de-a-a-z/sistemas/processo-judicial-eletronico-pje. 
14 JUSTIÇA DO TRABALHO- 375/HS 
f 
transporte, correios, mão de obra terceirizada, mensageiros, papéis e outros 
materiais diretamente relacionados à existência de processos físicos"10
. Com 
isso, o processo virtual, atende também à preocupação ambiental, por reduzir 
consumo, evitando o desperd ício de materiais. 
Ressalta-se, ainda, dentre as vantagens de ordem processual do PJe, o 
ganho referente aos prazos, em razão de o horário para protocolizar petições 
ser estendido em relação ao expediente forense, vez que é possível anexar 
sua peça processual até a última hora do dia fatal de encerramento do prazo, 
conforme o art. 3°, parágrafo único, da Lei 11.419/06, que estipula: "Quando a 
petição eletrônica for enviada para atender prazo processual, serão consideradas 
tempestivas as transmitidas até as 24 (vinte e quatro) horas do seu último dia". 
É, sem dúvida, um recurso tecnológico em favor do jurisdicionado e do 
Judiciário, que exige, todavia , conhecimento e acesso à tecnologia, posto 
que o peticionamento no PJe ocorre por meio de assinatura eletrônica, obtida 
mediante obrigatório e prévio credenciamento junto ao Poder Judiciário, o 
qual será realizado com identificação presencial do interessado, conforme 
art. 2°, § 1° da Lei 11.419/06, a fim de conferir a imprescindível segurança 
para atuação no processo. 
Além disso, é necessário o pagamento de um valor (variável de R$ 35,00 
a R$ 120,00 entre os Estados da federação) correspondente ao serviço de 
certificação digital, bem como para aquisição do token, que é o dispositivo 
criptográfico USB (semelhante a um pen drive) para validar a assinatura 
eletrônica do advogado e, com isso, identificar sua autenticidade 11
• Esse 
procedimento habilita para o envio de petições, de recursos e a prática de 
atos processuais em geral por meio eletrônico, assegurando ao credenciado 
o "acesso ao sistema, de modo a preservar o sigilo, a identificação e a 
autenticidade de suas comunicações" (art. 2°, § 2°, Lei 11.419/06). 
A certificação digital confere ao seu titular segurança de identificação, 
garantindo que o acesso a dados, bem como sua alteração e transmissão, só 
possam ocorrer após o reconhecimento da assinatura digital. Essa certificação 
é um arquivo eletrônico que armazena as informações por meio da combinação 
de duas chaves, uma pública e outra privada. A primeira é de conhecimento 
irrestrito e a segunda é sigilosa, restrita ao titular do certificado. 
( .. . ] certificados digitais são documentos eletrônicos que identificam, com 
segurança, pessoas (físicas ou jurídicas), fazendo uso de criptografia, 
tecnologia que assegura o sigilo e a autenticidade de informações. 
Além disso, garantem confiabilidade, privacidade, integridade e inviolabilidade 
em mensagens e em diversos tipos de transações realizadas via internet. 
10 Disponível em: http://www.trt3 .jus.br/escola/download/revista/rev_84/luiz_gustavo_monteiro.pdf. 
11 Alguns sistemas permitem, ainda, o acesso por meio de um leitor de cartão que procede à 
leitura do chip da carteira profissional expedida pela OAB, substituindo o uso do token, porém a 
tendência é de que seja unificado para o exclusivo uso desse dispositivo. 
JUSTIÇA DO TRABALHO - 375/HS 15 
Outra vantagem do certificado digital é ter validade jurídica para ser 
utilizado como assinatura de próprio punho, comprovando que seu 
proprietário concorda com o documento assinado. 12 
O PJe, destarte, restringe a atuação processual aos profissionais que 
tenham o domínio dessa tecnologia, o que exige capacitação e desenvolvimento 
de habilidades específicas do mundo virtual e das ferramentas de internet. 
Destaque-se, outrossim, que a regulação dos procedimentos deve ocorrer 
de forma clara, objetivando o esclarecimento do maior número possível de 
usuários do sistema. 
As regras gerais contidas na Lei 11.419/06 são estabelecidas como 
diretrizes que necessitam, para a efetivação do PJe, de regulamentos que 
atendam às especificidades de cada órgão do Poder Judiciário. 
Na seara trabalhista, o Conselho Superior da Justiça do Trabalho 
(CSJT), juntamente com o Tribunal Superior do Trabalho (TST) assumem a 
regulamentação e coordenação do PJe/JT, desenvolvendo suas funcionalidades 
específicas em parceria com os Tribunais Regionais do Trabalho. O desiderato 
é que: 
Além de reduzir drasticamente os gastos com papel e insumos, o PJe 
substituirá mais de 40 sistemas de informática existentes no Poder 
Judiciário, que atualmente não se comunicam. Trata-se de uma solução 
única, gratuita, em linguagem moderna e atenta aos requisitos de 
segurança. Com a interoperabilidade propiciada entre os Tribunais e 
outros órgãos da Administração Pública (Correios, Caixa Econômica 
Federal, Banco do Brasil, Receita Federal, etc.), a sociedade contará 
com uma Justiça mais ágil e organizada. 13 
O procedimento para acesso e manejo do PJe/JT está previsto na 
Instrução Normativa n° 30/2007 editada pelo Tribunal Superior do Trabalho 
(TST), que regulamenta a Lei 11.419/06, e no Ato Conjunto N° 10/TST.CSJT, 
de 28 de junho de 2010, que regulamenta a transmissão de peças 
processuais, por meio eletrônico, entre os Tribunais Regionais do Trabalho e 
o Tribunal Superior do Trabalho, os dois textos normativos adotam o arquivo 
de extensão pdf para os documentos que serão transmitidos no PJe. 
É da Instrução Normativa a seguinte previsão: 
Art. 6° "As petições, acompanhadas ou não de anexos, apenas serão 
aceitas em formato PDF (Portable Document Format), no tamanho 
máximo, por operação, de 2 Megabytes". 
Parágrafo único. Não se admitirá o fracionamento de petição, tampouco 
dos documentos que a acompanham, para fins de transmissão. 
12 Disponível em: http://www.oab.org.br/acoab/certificado.htm. 
13 Disponível em: http://www.csjt.jus.br/vt-aruja/-/asset_publisher/eX6v/content/pje-jt-chega-ao-norte­
do-brasil-na-segunda-feira-08-1 O?red irect=%2Fvt-aruja. 
16 JUSTIÇA DO TRABALHO- 375/HS 
Ratificando essa determinação, dispõe o Ato Conjunto: 
Art. 2° As peças processuais a serem transmitidas pelo e-Remessa 
deverão estar no formato Portable Document Format (PDF). 
Parágrafo único. As peças processuais deverão ser digitalizadas com a 
utilização do software VRS e armazenadas em arquivo monocromático, 
com resolução de trezentos pontos por polegada, sendo facultados o 
reconhecimento ótico de caracteres de texto nas imagens e a indicação 
dos marcadores que identificam as peças. 
PDF significa Portab/e Document Format (Formato Portátil de Documento), 
que é um formato de arquivo que, comparando-se a outros, ocupa pouco 
espaço no equipamento (disco/HD). Os arquivos convertidos em pdfficam mais 
compactos, tornando-se mais "leves" e, com isso, promovendo visualização e 
processamento mais rápidos. 
Esse tipo de arquivo permite: 
Visualizar, navegar, imprimir, converter qualquer arquivo de qualquer 
aplicação, criar, preencher e salvar formulários PDF interativos, adicionar 
links e bookmarks, utilizar ferramentas de marcação (notas eletrônicas, 
marca-texto etc), realizar pequenos retoques de texto, implementar 
senhas de proteção e assinaturas digitais, converter páginas Web/Sites 
para PDF, torna o arquivo multiplataforma, cria recursos de segurança, 
que permitem criação de uma senha para abertura do arquivo, assim 
como, barrar impressão, seleção de conteúdos e alterações, integra-se 
perfeitamente ao HTML, proporcionando uma navegação rápida 14
. 
Um documento criado em qualquer programa, seja editor de texto ou 
programa de gráficos (Word, Photoshop, lllustrator,CoreiDraw, por exemplo), 
pode ser convertido em pdf e ser aberto em um computador que possua apenas 
o programa Acrobat Reader, que é o leitor dos documentos com extensão pdf, 
disponível gratuitamente para computadores e dispositivos móveis. 
Assim, o arquivo em pdf proporciona maior capacidade de armazenamento 
e maior compatibilidade para leitura de documentos e imagens, além de 
preservar a segurança do documento original. Por essa razão, tem sido 
amplamente utilizado para transmissão de informações nos mais diversos 
sistemas e escolhido para o processo judicial. 
A Adobe Systems, empresa que desenvolveu o programa, explica que é 
um tipo de arquivo bastante seguro: 
empresas e órgãos governamentais do mundo todo usam o PDF como 
um formato padrão para trocar documentos com maior segurança. Por 
meio de recursos de segurança, inclusive a proteção por senha, você 
14 Disponível em: http://www.ebah .eom.br/content/ABAAAAG3oAB/pdf-que-como-usar. 
JUSTIÇA DO TRABALHO- 375/HS 17 
pode evitar que outras pessoas acessem, copiem, editem ou imprimam 
documentos PDF. Também é possível excluir permanentemente as 
informações confidenciais dos PDFs suprimindo texto e ilustrações 
visíveis ou removendo informações ocultas. 
( ... )os PDFs têm a mesma aparência dos arquivos originais e preservam 
todas as informações da fonte, mesmo quando texto, desenhos, vídeos, 
áudio, mapas 30, ilustrações coloridas, fotos e ló?Jica de negócios se 
combinam em um mesmo arquivo ou portfólio PDF1 
. 
Ocorre que, não obstante a ampla acessibilidade e confiabilidade desse 
formato, o arquivo em pdf tem uma limitação significativa em se tratando de 
recursos tecnológicos e no foco deste estudo: a incompatibilidade com 
arquivos de vídeo. A extensão foi desenvolvida para texto e imagens sem 
movimento, como gráficos e fotografias. 
Atualmente, tem sido aperfeiçoada - como as tecnologias costumam ser­
e já existe uma ferramenta que possibilita a interatividade no arquivo pdf. 
Por meio do programa Adobe Acrobat XI Pro é possível incluir áudio e vídeos 
compatíveis com o programa Adobe Flash Player em um arquivo de extensão 
pdf. As mídias são introduzidas nos arquivos como ícones, aparecendo uma 
figura em miniatura no corpo do texto. A partir de um clique, o acesso é 
disponibilizado. 
Essa tecnologia, porém, não se compatibiliza com o sistema adotado 
pelo PJe, vez que o ícone remete a uma outra conexão, ou seja, o vídeo não 
é inserido no arquivo, mas apenas o link para que o mesmo possa ser 
acessado, numa página de internet por exemplo. Não é possível, portanto, 
que o vídeo seja anexado ao processo virtual, tampouco é admissível que um 
vídeo para instrução processual fique em um site público, expondo situações 
que só interessam às partes. 
Diante disso, o PJe, que somente admite o envio de documentos em 
formato pdf, inviabiliza a transmissão de vídeo. Caso seja utilizado o vídeo 
como prova, o mesmo não pode ser anexado ao processo virtual. A prova 
ficará arquivada em Secretaria, nos moldes do antigo e obsoleto processo 
físico e sua remessa ao Tribunal, em caso de interposição de recurso dar-se-á 
por malote ou outro meio que impeça o extravio e assegure a entrega ao 
destinatário. 
3. CONFLITO DE TECNOLOGIAS 
A Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) trata da prova no processo 
trabalhista nos arts. 818 a 830, referindo-se ao depoimento das partes e 
testemunhas e, além disso, refere-se apenas à possibilidade de apresentação 
de cópia de documentos autenticadas pelo próprio advogado, sob sua 
responsabilidade pessoal. 
15 http://www.adobe.com/br/products/acrobat/adobepdf.html . 
18 JUSTIÇA DO TRABALHO - 375/HS 
Essa forma abreviada de tratar do tema não significa que sejam as únicas 
espécies de provas admitidas, porquanto não há, em nenhum dispositivo, a 
preocupação em listar as espécies de provas cabíveis. As lacunas deixadas 
são passíveis de integração, haja vista que o art. 769 dispõe: "Nos casos 
omissos, o direito processual comum será fonte subsidiária do direito processual 
do trabalho, exceto naquilo em que for incompatível com as normas deste 
Título". 
Assim, o fato de inexistir expressa referência ao vídeo como prova não 
inviabiliza sua utilização, vez que se trata de omissão que pode ser facilmente 
superada com a dicção do art. 332 do Código de Processo Civil (CPC): 
"Todos os meios legais, bem como os moralmente legítimos, ainda que não 
especificados neste Código, são hábeis para provar a verdade dos fatos, em 
que se funda a ação ou a defesa". 
A possibilidade de empregar todos os meios de prova, desde que legais 
e moralmente legítimos, coaduna-se com o direito à ampla defesa, assegurado 
a todo jurisdicionado, ademais, compatibiliza-se com a evolução tecnológica 
que pode desenvolver novos meios inicialmente não previstos ou aperfeiçoar 
os meios já existentes, criando novos formatos e modos de acesso, como é o 
caso dos vídeos e documentos digitalizados. 
Autor e réu, no processo trabalhista, devem provar suas alegações por 
meios lícitos, estando livres para elegerem a modalidade probatória que 
melhor atenda às especificidades de sua argumentação. No entanto, é preciso 
atentar que no processo eletrônico todo documento, para ser anexado, deve 
ser convertido ao formato pdf. Folhas de ponto, laudos periciais, comprovantes 
de pagamento, convenções e acordos coletivos, contra-cheques e fotografias, 
por exemplo, devem ser digitalizados. 
O vídeo é considerado uma espécie de documento, submetendo-se 
à disciplina prevista nos arts. 364 a 389 do CPC, pois conforme esclarece 
Campos (2014, p. 153): 
A caracterização do documento eletrônico como espécie de documento 
lato sensu é de extrema relevância, pois permite que os operadores do 
direito se valham, na medida do possível e respeitadas as peculiaridades 
dos documentos criados, arquivados ou transmitidos em ambiente digital, 
do regramento já existente acerca da produção da prova documental 
quando se depararem com aquela sorte de prova. 
Desse modo, o vídeo tem sido requisitado para elucidar diversos aspectos 
da relação laboral, não apenas acerca de comportamento de patrão e 
empregado, mas também questões atinentes às condições de trabalho, em 
razão de ser uma tecnologia acessível tanto ao patrão quanto ao empregado. 
A filmagem pode ocorrer por celular, tablet ou por câmeras de vigilância e ter 
o conteúdo relevante para a defesa de qualquer deles. 
JUSTIÇA DO TRABALHO- 375/HS 19 
O esclarecimento de alguns fatos, às vezes, só pode ser obtido por 
meio de filmagens que mostrem com nitidez o momento, as circunstâncias 
e as pessoas envolvidas. Se produzido de maneira legítima, o vídeo pode 
ser utilizado como prova de fatos constitutivos, modificativos ou extintivos de 
direitos, assim como qualquer outro meio lícito. 
Para assegurar a licitude da produção do vídeo é necessário observar 
alguns critérios, como não violar a intimidade do sujeito filmado e oferecer a 
ele o conhecimento de que a gravação está sendo realizada, porém não é 
possível definir taxativamente um rol de critérios inflexíveis, pois cada situação 
guarda suas peculiaridades. 
Qualquer dúvida quanto à veracidade do conteúdo ou quanto à forma 
de produção do vídeo deve ser impugnada pela parte adversa consoante o 
art. 372, CPC, que preceitua: 
Compete à parte, contra quem foi produzido documento particular, alegar 
no prazo estabelecido no art. 390, se lhe admite ou não a autenticidade 
da assinatura e a veracidade do contexto; presumindo-se, com o silêncio, 
que o tem por verdadeiro. 
O próprio magistrado pode considerar o vídeo inválido, não persuasivo 
ou impertinente à demanda. De acordo com o princípio do livre convencimento 
motivado, o juiz avalia as provas e as mensura com ampla liberdade, devendo 
apresentar os motivos que formaram seu convencimento, para justificar as 
hipóteses em que refuta ou acata as provas lançadas no processo. 
No processo TST-AIRR-88-47.2010.5.04.0003, em que a empresa 
Reclamada tenta modificara decisão de 18 instância confirmada pelo TRT da 
48 Região, houve o reconhecimento do direito da empregada com base nas 
gravações realizadas pela própria empregadora. O TST preservou a sentença 
que considerou que as imagens revelaram uma conduta pouco ofensiva em 
razão da atitude e do tempo insignificante em que a mesma ocorreu, não 
configurando, portanto motivo para a justa causa. Observe-se: 
20 
DEMISSÃO POR JUSTA CAUSA. PENA DESPROPORCIONAL. 
CONVERSÃO EM DESPEDIDA !MOTIVADA. Não havia a necessidade 
de aplicação de uma pena tão rigorosa quanto a demissão por justa 
causa no caso em tela, considerando que a reclamante e o colega 
de trabalho reconheceram que sua conduta não foi adequada e se 
comprometeram a não mais praticar os atos constantes das filmagens 
no ambiente de trabalho. As penas de advertência ou suspensão é 
que seriam adequadas. Mantida a conversão da despedida por justa 
causa em despedida imotivada. Transcrevo, por pertinente, trecho dos 
fundamentos da decisão: O Juízo de origem acolheu o pedido da autora 
de conversão da justa causa em despedida imotivada sob os seguintes 
fundamentos: ( ... ) Há desproporção na punição aplicada. De todo o 
período contratual, a reclamada obteve, apenas, alguns segundos 
JUSTIÇA DO TRABALHO- 375/HS 
ou minutos, em único dia, de troca de carinho da autora com outro 
colega de trabalho, sem desbordar do limite do razoável, o que afasta 
justa causa. Destaco o tempo de gravações, pois em uma jornada de 
várias horas, pequeno período de contato dos colegas, mesmo que 
no ambiente de trabalho, não pode ensejar a punição máxima a um 
trabalhador. A conduta da autora não é adequada, mas a punição é 
severa demais. A advertência ou a suspensão da autora seria suficiente. 
Não há nas imagens atos libidinosos ou agressivos à imagem da 
empresa, mas, simplesmente, o descuido de recentes apaixonados, 
como deduzo das declarações das fls . 69/70. Ainda, há que se considerar 
a idade da autora (21 anos), à época dos fatos, como atenuante da 
gravidade da conduta, ante os impulsos da juventude. Admitir a punição 
máxima retira a oportunidade de crescimento da trabalhadora dentro da 
empresa, quando não constatada a gravidade da falta para justa causa. 
Registro que a empresa, conforme previsão constitucional, deve cumprir 
a sua função social, adotando, na advertência ou suspensão, medidas que 
oportunizam ao trabalhador a adequação da sua conduta às previsões 
legais, morais ou normativas. Analisando todas as provas juntadas aos 
autos, este Juízo entende que a sentença deve ser mantida por seus 
próprios e bons fundamentos, que ora se adotam como razões de 
decidir, ( ... ). Assim, nega-se provimento ao recurso. (Relator: Marcelo 
Gonçalves de Oliveira, acórdão fls. 311 e ss.). [original sem grifos]16 
Ainda, quanto à possibilidade de gravação de imagens no ambiente 
de trabalho, a 68 Turma do Tribunal Superior de Trabalho rejeitou Agravo de 
Instrumento do Ministério Público do Trabalho da 178 Região (Espírito Santo), 
que havia proposto ação de indenização por dano moral coletivo, aduzindo 
que a filmagem de trabalhadores em seu local de trabalho seria violadora do 
direito à privacidade. 
Nessa toada, tratando da utilização de meios informáticos no ambiente 
de trabalho e da ausência de legislação específica sobre o tema, Ruaro 
(2007, p.233)expõe: 
( ... ] realmente o assunto é muito polêmico e controverso, na medida em 
que de um lado se encontra o empregado e seus direitos fundamentais 
à intimidade, à vida privada e à inviolabilidade de correspondências e 
comunicações e, do outro, o Estado/empregador, resguardado pelo direito 
de propriedade, pelo poder diretivo decorrente da relação de trabalho( ... ) 
No caso da ação supramencionada, uma empresa de telemarketing 
instalou câmeras com o intuito de garantir a segurança de seu patrimônio, 
o que foi considerado legítimo por todos os magistrados por onde o processo 
tramitou, haja vista que os equipamentos localizavam-se em ambientes de 
trabalho e nas portas principais de acesso à empresa, não invadindo a seara 
da intimidade dos seus empregados. 
16 Disponível em: http://ext02.tst.gov.br/pls/ap01/ap_red100.resumo?num_int=159483&ano_int=2011. 
JUSTIÇA DO TRABALHO- 375/HS 21 
AGRAVO DE INSTRUMENTO. RECURSO DE REVISTA. NEGATIVA 
DE PRESTAÇÃO JURISDICIONAL. ILEGALIDADE OU ABUSIVIDADE 
NO SISTEMA DE MONITORAMENTO (FILMAGENS) NO ÂMBITO DA 
EMPRESA COM O CONHECIMENTO DOS EMPREGADOS E APENAS 
NOS LOCAIS DE TRABALHO, NOS TERMINAIS BANCÁRIOS E 
PORTAS PRINCIPAIS. DECISÃO DENEGATÓRIA. MANUTENÇÃO. 
Não há como assegurar o processamento do recurso de revista quando 
o agravo de instrumento interposto não desconstitui os fundamentos da 
decisão denegatória, que ora subsiste por seus próprios fundamentos. 
Agravo de instrumento desprovido. (AIRR - 69640-74.2003.5.17.0006) 17 
Não restam dúvidas, portanto, acerca do cabimento do vídeo no processo 
do trabalho, contudo, ao pretender utilizar um vídeo como prova, a parte 
encontra óbice no PJe. Não obstante admitido como meio probatório, desde 
que licitamente produzido, o vídeo não pode ser anexado ao processo virtual 
em razão da tecnologia incompatível, por isso, embora seja um recurso 
tecnológico atual, popularizado e de reconhecida utilidade, o mesmo ficou 
inviabilizado no processo virtual, que não dispõe de ferramenta capaz de 
armazená-lo tampouco visualizá-lo. Armazená-lo na jurisdição (secretaria da 
vara do trabalho) é praticamente limitar seu acesso, fadá-lo ao esquecimento. 
Esse conflito de tecnologias contraria a tentativa de modernização do 
processo na Justiça do Trabalho, posto que sempre que houver apresentação 
de vídeo como prova, o mesmo seguirá como um documento apartado do 
processo. Uma vez que não pode ser convertido em pdf ou digitalizado de outra 
forma, o arquivo de vídeo deve ser gravado em CD e este será depositado 
em secretaria. No caso de interposição de recurso, sua remessa ao Tribunal 
dar-se-á por malote, sujeito à possibilidade de extravio e demandando tempo 
e esforço maiores. 
O processo eletrônico segue virtualmente, com a celeridade própria da 
internet, porém, elementos probatórios de suma relevância não seguirão 
anexos. Retoma-se, dessa forma, o caminho do ultrapassado processo físico, 
o qual foi substituído em nome da praticidade, celeridade e da tecnologia que 
os tempos atuais requerem. Nesse conflito que se instaura entre a tecnologia 
do vídeo e a do processo eletrônico, ocorre um retrocesso tecnológico para 
assegurar que as partes não sofram prejuízos em sua defesa, o que não se 
pode admitir. 
O sistema eletrônico, destarte, impede a ampla produção de prova em 
razão de nele ser inadmissível a inclusão do vídeo. A parte interessada deve 
lançar mão de um sistema processual que não condiz com o atual mundo 
tecnológico posto à disposição do jurisdicionado. Assim, uma nova demanda 
social se impõe: compatibilizar as tecnologias para uniformizar o procedimento 
relativo à inclusão de provas no processo eletrônico. 
17 Disponível em: htlp://tst.jusbrasil.com.br/jurisprudencia/17704629/agravo-de-instrumento-em-recurso­
de-revista-airr -696407 420035170006-69640-7 420035170006. 
22 JUSTIÇA DO TRABALHO- 375/HS 
Diante das novas tecnologias identificam-se novas necessidades sociais, 
assim como estas últimas geram a busca pelo desenvolvimento das primeiras, 
ou seja, existe uma inequívoca relação de reciprocidade. No caso do processo 
judicial, identifica-se que as novas tecnologias impulsionaram um avanço 
significativo nos procedimentos adotados, a fim de atender aos interesses da 
sociedade moderna. Consoante Baumgarten (2011, p. 403): 
( ... )o que garante a diversidade e o avanço tecnológico é a pluralidade 
de necessidades sociais, expressas como interesses mesmo quando 
essa pluralidade é organizada pela hegemonia de alguns interesses. 
O questionamento quanto às condições presentes de produção, difusão 
e uso de tecnologias pode ampliar as possibilidades tecnológicas, 
contribuindopara direcionar o avanço tecnológico e criar novas opções, 
o que concorre para que as diversidades sociais reproduzam-se noutros 
termos. 
A informatização do processo judicial atende a interesses sociais de maior 
efetividade da jurisdição. Nesse caminho de modernização, Teles (2013) 
aponta que houve conquistas paulatinas de aperfeiçoamento das tecnologias 
utilizadas no processo, até se atingir o modelo atual: 
i) Lei n° 9.800/99, que admitiu a transmissão de petições por meio de 
telefax; 
H) sistema push, para comunicação via e-mail da movimentação processual; 
iií) Lei n° 10.259/2000, que autoriza intimações e recebimento de petições 
por via eletrônica, nos Juizados Especiais Federais; 
iv) Lei n° 11.280/2006, que permite, no processo civil, a prática e 
comunicação de atos eletronicamente; 
v) Lei n° 11.419/2006, que disciplina o PJe; 
vi) Leis n° 11.719, 11.689 e 11.690 todas de 2008, que possibilitaram a 
teleaudiência, videodepoimento e videointerrogatório; 
vií) Resolução n° 105/2010 do CNJ, que dispensou a transcrição dos 
depoimentos gravados. 
O que se evidencia é a constante inovação que as tecnologias trazem 
para a vida humana e, por conseguinte, para o processo judicial. É uma 
característica inerente ao mundo tecnológico essa constante alteração, em 
prol de um contínuo aperfeiçoamento, razão por que é necessária a reflexão 
acerca das técnicas processuais atualmente empregadas e sua pertinência 
com a evolução dos tempos. 
Na seara das relações trabalhistas, pela sua dinamicidade, verifica-se 
que é imprescindível a compatibilização das novas tecnologias ao direito 
vigente. É o que ressalta Ruaro (2007, p. 228): 
JUSTIÇA DO TRABALHO- 375/HS 23 
Nesse prisma, o estudo das transformações originadas pela util ização 
dos meios informáticos no ambiente de trabalho tornou-se tema 
extremamente importante nos dias de hoje, na medida em que o direito 
deve acompanhar a evolução das novas tecnologias, das relações 
sociais, e, consequentemente, da relação de trabalho público, objeto de 
sua normatização. 
Ademais, é preciso despertar para o fato de que se hoje a tecnologia do 
PJe/JT já se encontra no percurso da obsolescência, amanhã pode estar no 
caminho oposto à finalidade para a qual foi desenvolvido. Antecipando as 
possibilidades do futuro tecnológico no processo, Teles (2013, p. 84): 
É bem possível que, em poucas décadas, a sinuosa rota dos métodos 
operacionais do Direito em busca da verdade seja feita, basicamente, 
por procedimentos científicos e tecnológicos. Recursos ainda não 
imaginados poderão estar presentes no processo de decisão dos litígios, 
tais como a análise do campo magnético do acusado, eventuais 
interferências ocorridas no seu magnetismo corporal, medição e análise 
de sua freqüência cerebral e outras manifestações do sentido que 
poderão ser captadas por simples aparelhos móveis. 
Hoje, o PJe/JT apresenta um grande limitador para a instrução processual, 
em razão de ser inviável a anexação de vídeo, vez que a extensão pdf é o 
único formato válido para os arquivos a serem inseridos virtualmente. Desse 
modo, obsta a utilização de recursos tecnológicos avançados e de elevada 
relevância, que fazem parte do cotidiano mais trivial das pessoas. É preciso, 
então, buscar uma ferramenta capaz de conci liar as tecnologias do vídeo e do 
processo eletrônico, a fim de evitar retrocessos, como a volta da sistemática 
do processo físico, bem como perdas de novas tecnologias. 
CONCLUSÃO 
O desenvolvimento de novas tecnologias interfere no modo como o 
homem interage com o outro e com o mundo. Sua visão alcança lugares 
e circunstâncias antes ignoradas e, com isso, novas perspectivas surgem. 
Assim é com a captação de imagens por meio de vídeos, que permite rever 
o mesmo acontecimento sob enfoques distintos, preservando-se a emoção, 
as falas, os movimentos, a expressão facial e a autenticidade das ações. 
Diante dessas características, o vídeo assume importante valor probatório em 
demandas judiciais. 
Ocorre que na Justiça do Trabalho, o processo eletrônico não permite 
que vídeos sejam anexados em razão do sistema só aceitar arquivos com o 
formato pdf, revelando-se, destarte, a incompatibilidade entre os dois recursos 
tecnológicos. Em face desse conflito de tecnologias, tanto o jurisdicionado 
quanto o Poder Judiciário apresentam perdas significativas, quanto a celeridade 
e acesso aos documentos que integram o processo. 
24 JUSTIÇA DO TRABALHO- 375/HS 
Identifica-se, portanto, um óbice ao uso de novas tecnologias - em 
especial, o vídeo - nos dissídios trabalhistas, não obstante a virtualização do 
processo ter como um de seus objetivos modernizar a prestação jurisd icional , 
adaptando-a aos novos arranjos e necessidades sociais. 
A tecnologia utilizada para a gravação e veiculação de imagens em 
vídeos e a tecnologia do processo eletrônico precisam ser compatibilizadas. 
O desenvolvimento de nova ferramenta para anexação de documentos faz-se 
imprescindível para o incremento do sistema atualmente manejado na Justiça 
do Trabalho, para permitir a inclusão de documentos em extensões diferentes 
do pdf, até em observância à possibilidade de novos recursos tecnológicos 
surgirem. 
A noção de tecnologia já pressupõe a necessidade de aperfeiçoamento 
constante, razão por que não se justifica a permanência de métodos que já se 
revelam na rota da obsolescência. Pensar novas tecnologias no processo 
eletrônico da Justiça do Trabalho significa abrir caminhos para reconstruir 
modelos capazes de trazer contribuições efetivas, que se coadunem com a 
atual realidade das relações laborais. 
REFERÊNCIAS 
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CANOTILHO, J. J. Gomes; MENDES, Gilmar F.; SARLET, lngo W.; STRECK, Lênio L. 
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FINCATO, D. P. A Pesquisa Jurídica sem Mistérios: do Projeto de Pesquisa à Banca. 
2. ed. , Porto Alegre: Sapiens, 2014. 
MONTEIRO, Luiz Gustavo. O Processo Eletrônico Trabalhista : Da gênese à atualidade, 
sob a égide da Instrução Normativa n° 30 do TST In: Revista do Tribunal Regional do 
Trabalho. 3a Região, Belo Horizonte, v. 54, n° 84, p. 237-262, jul./dez. 2011 . 
RUARO, Regina Linden . O Conteúdo Essencial dos Direitos Fundamentais à Intimidade 
e à Vida Privada na Relação de Emprego: o monitoramento do correio eletrônico pelo 
empregador. In: BARROSO, Luis Roberto ET ai. Direitos Fundamentais, Informática e 
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TELES, Vanali. Direito, Ciência e Tecnologia : os desafios à liberdade. Brasília: Thesaurus, 
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JUSTIÇA DO TRABALHO - 375/HS 25

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