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JU!iTIÇA DO TRABALHO
ANO 32- No 375- MARÇO DE 2015
ISSN-0103-5487
Repositório Autorizado de Jurisprudência TST: 08/95
DIRETORES
Henrique Francisco Schlossmacher
Simone Maria Schlossmacher
CONSELHO EDITORIAL
Benedito Calheiros Bomfim
Carlos Henrique Bezerra Leite
Daisson Portanova
Eugênio Hainzenreder Júnior
Francisco Rossal de Araújo
Gilberto Stürmer
Gustavo Filipe Barbosa Garcia
Jorge Luiz Souto Maior
Maria Cristina Irigoyen Peduzzi
Mariângela Guerreiro Milhoranza
Maurício de Carvalho Góes
Renato Kliemann Paese
Ricardo Carvalho Fraga
Rodrigo Coimbra Santos
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Doutrina
VÍDEO COMO PROVA E PROCESSO
ELETRÔNICO NA JUSTIÇA DO TRABALHO:
TECNOLOGIAS EM CONFLITO
DENISE PIRES FINCAT01
LUCIANA PESSOA NUNES SANTOS2
RESUMO: O presente artigo versa sobre o conflito de tecnologias que se instaura
no momento em que se pretenda utilizar vídeos como prova no processo do
trabalho, em razão de o processo eletrônico não possuir ferramenta capaz de
anexá-lo. Para essa discussão, serão abordadas as tecnologias utilizadas para a
produção e veiculação de vídeos e para implementação e funcionamento do
processo eletrônico. O primeiro está inserto, como tecnologia acessível, no
cotidiano das pessoas, assim como no de patrões, empregados e clientes,
tornando-o instrumento hábil para comprovar diversos elementos relacionados
com ambiente, jornada e relações interpessoais. Já o processo eletrônico (PJe)
é um recurso tecnológico que busca conferir maior celeridade e acesso aos
processos que tramitam virtualmente, sem o processo físico. Na seara trabalhista,
o Conselho Superior da Justiça do Trabalho, juntamente com o Tribunal Superior
do Trabalho regulamentaram o PJe, estabelecendo os parâmetros para seu
manejo, dentre os quais consta a exigência de que os documentos anexados
devem ser de extensão pdf (Portable Document Format). Em vista disso, surge
um grande limitador para a instrução processual, em razão de ser inviável
a anexação de vídeo, que não pode ser produzido na extensão pdf. Diante
dessa realidade, é preciso refletir acerca das novas tecnologias no ambiente
jurisdicional , haja vista que se o processo eletrônico apresenta a preocupação de
manter-se atualizado e coerente com os avanços da sociedade é imperioso
investir em melhoramentos capazes de modernizar as ferramentas e torná-las
compatíveis com os recursos existentes para conferir maior eficiência à tutela
jurisdicional.
PALAVRAS-CHAVE: Vídeo; Processo Eletrônico; Conflito de Tecnologias.
SUMÁRIO: Introdução; 1. A tecnologia do vídeo; 2. A tecnologia do processo
eletrônico; 3. Conflito de tecnologias; Conclusão; Referências.
1 Doutora em Direito pela Universidad de Burgos - Espana. Mestre em Direito pela Unisinos/RS.
Professora do PPGD da PUCRS. Advogada Trabalhista.
2 Mestranda em Direito pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul. Especialista
em Direito Público pela Universidade Cândido Mendes. Especialista em Comunicação Institucional
pela Universidade Federal do Piauí. Especialista em Docência do Ensino Superior pela Faculdade
Santo Agostinho. Advogada. Professora.
JUSTIÇA DO TRABALHO - 375/HS 7
INTRODUÇÃO
A captação de imagens, em vídeos ou fotografias, faz parte da rotina da
modernidade. Crianças em mais tenra idade já manuseiam tablets e aparelhos
celulares com a destreza e a habilidade necessárias para registrar seu
cotidiano. As redes sociais divulgam os acontecimentos, sincronizadas com a
ocorrência dos fatos, inviabilizando o controle da circulação das imagens que
ocorre de modo imediato e célere, algumas vezes sem o conhecimento de
quem está sendo registrado.
Além dos registros particulares, realizados por amadores utilizando seus
equipamentos individuais, existem ainda sistemas mais sofisticados de gravação
de imagens que são utilizados para vigilância e segurança de residências
e empresas, para registrar o dia a dia das salas de aula e disponibilizar o
acompanhamento dos filhos pela internet, bem como para fiscalizar as infrações
de trânsito e a segurança nas vias públicas.
A popularização dessa tecnologia traduz-se na inevitável -e de certa forma
já assimilada - perda de privacidade. Consumidores, funcionários, professores
e estudantes já sabem que estão sendo filmados e, assim, acostumam-se
com a presença das câmeras. A utilização da imagem captada, todavia, deve
atentar para os limites constitucionalmente impostos de respeito à intimidade
da pessoa e da vedação ao dano moral. Dessa forma, a autorização para se
veicular filmagens, fotografias e gravações telefônicas é o requisito mais eficaz
para inibir ofensas a direitos da personalidade como imagem, honra e nome.
Na hipótese de a gravação ser utilizada como prova processual, entretanto,
a prévia autorização do sujeito filmado ou fotografado representaria a produção
de prova contra si mesmo, violando o princípio da não auto-incriminação.
Quanto ao direito à privacidade, a veiculação desses registros no ambiente
restrito de um processo judicial, não configuraria exposição da imagem capaz
de acarretar dano moral, em especial pela possibilidade de se conferir o
segredo de justiça para tais casos.
Na Justiça do Trabalho, onde o processo é eletrônico, a utilização de
vídeos como prova encontra óbice na tecnologia utilizada para a virtualização
do processo. Se, por um lado, promoveu um grande avanço na prestação
jurisdicional no que tange à celeridade e publicidade, por outro, falta a adequação
do processo virtual às tecnologias disponíveis para a parte e o próprio juízo.
O conflito de tecnologias se instaura no momento em que se pretenda
utilizar vídeos como prova no processo do trabalho, em razão de o processo
eletrônico não possuir ferramenta capaz de anexá-lo, haja vista que pela
tecnologia até o momento adotada somente é possível inserir documentos
com extensão "pdf'. O vídeo, então, segue nos moldes do processo físico,
ficando arquivado em secretaria, o que de certa forma inibe seu manuseio
pelos protagonistas processuais.
Diante dessa realidade, é preciso refletir acerca das novas tecnologias
no ambiente jurisdicional. A atuação do Judiciário não pode olvidar que o
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desenvolvimento tecnológico expande-se em todos os setores da vida, inclusive
criando, alterando e remodelando as relações de trabalho. Se o processo
eletrônico representa essa preocupação em manter-se atualizado e coerente
com os avanços da sociedade é imperioso investir em melhoramentos capazes
de modernizar as ferramentas e torná-las compatíveis com os recursos
existentes para conferir maior eficiência à tutela jurisdicional.
1. A TECNOLOGIA DO VÍDEO
O registro de imagem por meio de vídeos movimenta as redes sociais.
É a transmissão - muitas vezes simultânea - do fato para expectadores que se
mantêm à distância. O vídeo mostra o acontecimento, a expressão dos atores,
eterniza momentos e pessoas com suas reais expressões e falas. Sobrepuja,
por isso, o registro fotográfico que apresenta um recorte da realidade segundo
o olhar do fotógrafo; tem movimento e som, ao passo que a fotografia permanece
inerte, ofertando a possibilidade de múltiplas e contraditórias interpretações.
A ampla utilização e veiculação do vídeo ocorrem em razão de avanços
tecnológicos que o torna disponível aos equipamentos mais simples, bem
como pelo fato de ser de fácil manuseio. É uma ferramenta de todo celular ou
tablet, manejado até mesmo por crianças em tenra idade, como pré-dito.
Filmar amadoristicamente é uma atividade simples e acessível , o que
difere sobremaneira da tarefa de fazer e armazenar um vídeo com qualidade,
aproveitando todos os recursos tecnológicos disponíveis para garantir uma
boa imagem, pois, para tanto,é preciso observar em que equipamentos será
produzido e visualizado.
Os leitores de mídia, que são os programas para abrir o vídeo, possuem
desempenho diferenciado e compatibilidades distintas, por isso, é imprescindível
que o equipamento possua programa adequado para abri-lo, de acordo com
a extensão em que foi configurado o arquivo. Dependendo do tamanho da
gravação e do tipo de imagem que se pretenda produzir, é que se define a
extensão mais adequada.
Os formatos de vídeo mais populares, ou seja, os tipos de arquivos mais
comuns são os que apresentam as extensões RMVB (Real Media Variable
Bitrate), AVI (Audio Video lnterleave), MP4 (MPEG-4 part 14) e MKV (Matroska
Video). As extensões possuem características que as tornam melhores para
funções específicas, veja-se:
RMVB {Real Media Variable Bitrate): desenvolvido pela Real Networks
para o ReaiPiayer, possui uma taxa variável de bits. Embora seja capaz
de gerar um arquivo menor do que o ReaiMedia original, a qualidade é a
mesma, mas está longe de ser boa. Recomendado para usuários que
possuem uma conexão de internet de baixa velocidade.
AVI {Audio Video lnterleave): desenvolvido pela Microsoft e atualmente
suportado por uma variedade de dispositivos, desde leitores de DVD até
smartphones. Utiliza codificação DivX ou XviD (alta compactação com
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perdas) para vídeo e normalmente MP3 para áudio, o que traz uma
experiência razoável de vídeo, mas não possui suporte nativo a legendas.
MP4 (MPEG-4 part 14): em muitos aspectos bastante parecido com o
AVI, o MP4 traz a vantagem de ter suporte nativo a legendas (ou seja,
nada de legendas em arquivos separados), codecs Xvid, DivX e ao
poderoso H.264 para vídeos e ACC para áudio. Usuários que querem o
equilíbrio entre qualidade e compactação geralmente preferem o MP4.
MKV (Matroska Video): formato relativamente novo de código aberto
preferido pelos usuários que querem seus filmes com a máxima qualidade
possível sem se importar com o tamanho de download. Nele é possível
codificar todos os elementos praticamente em qualquer formato, desde a
taxa de trames por segundo e qualidade de cada imagem até utilizar
diferentes codificadores de vídeo (DivX, XviD, H.264) e áudio (ACC, DTS,
Dolby Digital), onde filmes em Full HD (1080p) raramente são menores
do que 1 O GB, chegando até quase 70 GB com qualidade Remux. 3
Assim, dependendo da finalidade a que se destina a gravação, é possível
eleger o formato mais eficiente, considerando o equipamento que se tem
para realizar a gravação e para armazenar e visualizar o vídeo. É necessário
compatibilizar o seu tamanho com a qualidade que se pretende obter, pois as
imagens ocupam espaço medido em bits, que é a menor unidade de medida da
informação, embora seja mais comum a referência a bytes que representam um
conjunto de 8 bits. Diversas unidades de medidas são usualmente utilizadas:
Existem diferentes formas de representar o tamanho de um arquivo.
Uma música MP3, por exemplo, pode ter 5 megabytes, 5.120 kilobytes
ou 5.242.880 bytes. Esses números representam a mesma coisa, sendo
que o único ponto que realmente se altera é a forma de expressar a
grandeza. O "kilo" representa 1.024 bytes, e o "mega" representa 1.024
kilobytes.4
O tamanho de um arquivo de vídeo é medido dessa forma, sendo
proporcional à duração do registro, ou seja, quanto mais longa for a gravação,
mais espaço ocupa para seu armazenamento. Em face disso, há programas
para compactar e descompactar arquivos, a fim de otimizar o desempenho das
máquinas, propiciando que mais vídeos sejam arquivados em menos espaço.
Um vídeo de alta qualidade requer uma elevada taxa de bits para preservar
todo o conteúdo e garantir a maior definição da imagem. Em face disso,
exigem também, para sua transmissão, uma conexão rápida de internet,
pois o carregamento do vídeo requer velocidade adequada, que é medida pela
3 Disponível em: http://canaltech.eom.br/o-que-e/software/Quais-sao-as-diferencas-entre-AVI-RMVB
M KV -e-M P4-E -como-roda-los/#ixzz38U FzOpCc.
4 Disponível em: http://www.tecmundo.eom.br/banda-larga/32749-megabit-x-megabyte-qual-a-real
velocidade-da-minha-conexao-.htm. Acesso em: 19 ago. 2014.
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quantidade de bits por segundo em que é realizado o download. Desse modo,
quanto maior o vídeo, mais rápida deve ser a conexão para permitir acessá-lo
corretamente em menos tempo, caso contrário, o vídeo pode "travar", ou seja,
pode paralisar a imagem, perdendo-se seu conteúdo.
A transmissão desses arquivos, portanto, exige tecnologia apropriada e,
por isso, nem todo sistema é capaz de veicular um vídeo com qualidade
suficiente. Não se justifica, então, produzir um vídeo de alta definição e
assisti-lo em qualidade inferior. A finalidade da captação das imagens é, em
regra, a divulgação, seja ela restrita a grupos de familiares e amigos mais
íntimos, ou então, destinada à veiculação pública, razão por que é conveniente
que as pessoas que tenham acesso ao vídeo sejam capazes de compreender
seu conteúdo, sem deixar dúvidas quanto a quem e o que foi filmado.
Um bom vídeo garante a preservação de momentos da vida que não se
repetem. Ademais, o vídeo é hoje uma realidade inafastável no que tange a
equipamentos de segurança, monitoramento de vias públicas e registro da
vida particular (inclusive laboral). Nas residências, o acesso, muitas vezes,
depende da identificação por interfones que dispõem de câmeras, nos prédios
comerciais há monitoramento eletrônico em todo espaço de circulação e,
apesar de serem utilizadas primordialmente com o fim específico de impedir a
prática de delitos, acabam por registrar toda a movimentação e comportamento
das pessoas.
Nesse sentido, a qualidade do vídeo é importante porquanto uma filmagem
pode servir para identificar criminosos ou esclarecer as circunstâncias de um
acidente e, no ambiente de trabalho, pode registrar condutas inadequadas de
patrões e empregados, fiscalizar o uso de equipamentos, acompanhar entrada
e saída de empregados, esclarecer infortúnios e avaliar graus de insalubridade
do serviço.
Assim, o vídeo, dependendo da qualidade, torna-se um instrumento de
elevado potencial probatório em um processo judicial. Para tanto, mister se
faz atender a requisitos que assegurem a licitude da obtenção das imagens,
bem como a veracidade de seu conteúdo. O juiz para admiti-lo como meio
válido de prova precisa, ainda, certificar-se de que o mesmo não foi adulterado,
o que pode ser alegado pela parte a quem o vídeo prejudicar, o que ensejaria
seu periciamento.
A perícia em vídeo, no Brasil, conta com recursos de alta tecnologia,
oriundos da Agência Espacial Americana (NASA), capazes de aperfeiçoar
imagem e obter informações não identificáveis numa análise superficial. Esse
sistema de super-resolução permite uma análise mais criteriosa e profunda
das imagens captadas, com a finalidade de evitar possíveis adulterações
e equívocos nos registros. O Instituto Brasileiro de Peritos (IBP Brasil) utiliza o
sistema VISAR (Video lmage Stabilization and Registration), desenvolvido
para estudo das explosões solares, no Marshall Space Flight Center para
periciar imagens de vídeo, pois esse sistema:
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( ... ]estabiliza os movimentos horizontal e vertical de uma câmera, corrige
suas rotações e efeitos de zoom e reduz os efeitos de flutuação das
imagens.
Mais ainda, o sistema possibilita adicionar trames individuais, distintos
entre si em vídeo clips, e com esse recurso de super-resolução possibilita
encontrar detalhes que originalmente não são visíveis, por exemplo em
regiões subexpostas.
Outros estudos e produtos incorporaram essa tecnologia para apoiar a
realização de exames periciais. Super-resolução é, em síntese, uma técnica
que amplia fortemente a resolução de imagens mediante o tratamento
adequado de informações limitadas existentes em imagens originais, mas
requer o desenvolvimentoe aplicação de complexos algoritmos, trabalho
realizado também nas principais universidades e centros de pesquisa, como
na Carnegie Mellon e nas universidades brasileiras como USP e Unicamp. 5
Diante da certeza quanto à autenticidade das gravações é possível inferir
que a utilização da tecnologia do vídeo para esclarecer fatos é um recurso
que assevera os fundamentos de um julgamento, tanto da opinião pública
quanto de um magistrado. A credibilidade quanto ao tempo, as circunstâncias
e pessoas envolvidas nos acontecimentos é confirmada pelas imagens
que, frequentemente, reúnem maior grau de certeza que o depoimento de
testemunhas, por exemplo. Além disso, os vídeos trazem em si entonações e
alterações de voz, gestos e expressões faciais que empatizam o expectador de
forma mais eficiente e contundente que outros suportes midiáticos, estáticos6
.
Assim é que as gravações de câmeras de segurança são cada vez mais
insertas no rol de equipamentos analisados em inquéritos policiais e perícias
em geral. Recentemente, imagens dessa natureza foram utilizadas para
averiguar as condições de acidente aéreo ocorrido em área residencial no
município de Santos-SP.
Quanto a câmeras de celular e tablet, a mesma garantia de fidedignidade
é constatada. Se não houver violação de direitos fundamentais, como à
privacidade, e se for assegurada a originalidade das imagens, com certificado
de que se encontram sem edição, não há por que impedir seu uso. Ratifique-se
que o vídeo é uma tecnologia auxiliar, não significa que seja exclusiva. O que
não se pode olvidar é seu significativo papel no mundo atual e, por conseguinte,
5 Disponível em: http://www.ibpbrasil.com.br/pUperitos/pericia_imagens/385/Laborat%C3%B3rio
Forense-do-IBP-para-super-resolu%C3%A7%C3%A3o-de-imagens-imagens-v%C3%ADdeos-forense
exame-ibp-brasil-instituto--superresolu%C3%A7%C3%A3o-super-resolu%C3%A7%C3%A3o-per%
C3%ADcia-periciais-pericial-pareceres-laudo.htm.
6 Em recente processo criminal , a descoberta e divulgação de vídeos caseiros, feitos em aparelhos
de celular (apagados pelos agressores, mas recuperados pela perícia policial) onde a vítima clamava
por socorro e seus agressores despejavam toda a sorte de ameaças e certezas de impunidade,
abalou o Judiciário do Rio Grande do Sul, levando a novos desdobramentos na condução do feito.
Tais imagens, em termos de impacto midiático, suplantaram as fotografias até então exaustivamente
divulgadas. (Caso Bernardo- Disponível , por exemplo, em: http://g1.globo.com/fantastico/noticia/
2014/08/gravacoes-mostram-como-era-relacao-entre-pai-e-madrasta-de-bernardo.html).
12 JUSTIÇA DO TRABALHO- 375/HS
o Poder Judiciário não deve ignorar essa realidade, haja vista que faz parte,
de modo natural, do cotidiano das pessoas.
As imagens registradas em vídeo constituem documento eletrônico que,
segundo Campos (2014, p. 151 ), "retrata um fato pretérito de forma idônea,
moralmente legítima e duradoura". O vídeo seria, portanto, meio legítimo para
fundar uma defesa ou uma acusação, desde que configure prova lícita, haja
vista que a prova, conforme explica Assis e Molinaro (2013, p. 439), "revela-se
como o intento de demonstração objetiva das alegações acerca dos fatos
controvertidos no processo e que pode (e/ou deve) ser utilizada como estímulo
para o convencimento do julgador". É, portanto, instrumento à disposição das
partes para demonstrar um fato e suas circunstâncias e, com isso, conduzir à
persuasão do juiz.
Desse modo, o vídeo, por todas as suas características, reúne elementos
indispensáveis à constatação de um argumento. Pode esclarecer mais que
outro meio probatório e, por isso, deve ser tratado como um documento
7
válido
e pertinente ao processo judicial. A utilização de vídeo como prova representa
o reconhecimento de que as tecnologias disponíveis devem cumprir o papel
de auxiliar na solução dos conflitos.
2. A TECNOLOGIA DO PROCESSO ELETRÔNICO
O processo eletrônico (PJe) surgiu a partir da Lei n° 11.419, de 19 de
dezembro de 2006, que dispõe sobre a informatização do processo judicial,
além de alterar o Código de Processo Civil (CPC) para adequar a atividade
jurisdicional à nova tecnologia desenvolvida, inserindo, por exemplo, a expressa
referência à assinatura digital , tanto de advogados quanto de juízes, e, para
determinar que todo ato e termo processual pode ser produzido, transmitido,
armazenado e assinado por meio eletrônico (art. 154, § 2°, CPC).
Em todos os graus de jurisdição, inclusive nos juizados especiais, os
processos civil, penal e trabalhista, observarão as disposições contidas nesta
lei, no entanto, não há definição de prazo para que essa informatização
aconteça. Em seu artigo 18, a lei prevê apenas que os órgãos do Poder
Judiciário a regulamentarão, "no que couber, no âmbito de suas respectivas
competências". Assim, cada Justiça e seus respectivos Tribunais implementarão
gradativamente esse novo sistema, substituindo o processo físico pelo processo
virtual.
De acordo com o balanço mais recente, a Justiça dos Estados já conta
com nove tribunais de Justiça (TJs) e 172 varas utilizando o sistema. São
eles: os tribunais de Justiça de Pernambuco, Paraíba, Minas Gerais, Mato
Grosso, Maranhão, Bahia, Rio Grande do Sul, Rio Grande do Norte e
Roraima. No T J de Pernambuco, por exemplo, 87 mil processos já foram
7 o vídeo, por exemplo, pela Associação Brasileira de Normas Técnicas, NBR 6023, é tratado
como documento do tipo "imagem em movimento", contando com regra própria para referência
em trabalhos e documentos científicos (FINCA TO, 2014, p. 163).
JUSTIÇA DO TRABALHO- 375/HS 13
distribuídos por meio do sistema PJe. No T J do Estado da Paraíba, foram
distribuídos 37.528 processos. Desse total, 36.738 tramitam no 1° Grau
e 790 no 2° Grau de jurisdição.
Outros 11 tribunais estaduais já encaminharam cronograma de implantação
(ou estão em fase de homologação). Estão nessa lista os tribunais de
Justiça do Ceará, Rio Grande do Sul, Amazonas, Amapá, Espírito Santo,
Goiás, Distrito Federal e Territórios, Pará, Piauí, Paraná e Rondônia.8
O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) desenvolveu o PJe com a
cooperação dos tribunais e da Ordem do Advogados do Brasil (OAB) e é
o órgão gerenciador dessa ferramenta de informatização do Judiciário, no
intuito de unificar os sistemas adotados em todo o país, em qualquer
jurisdição (Federal , estadual , militar ou trabalhista). Por meio da Resolução
185, de 18 de dezembro de 2013, o CNJ instituiu o Sistema Processo Judicial
Eletrônico para o processamento de informações e prática de atos processuais
e estabeleceu os parâmetros para sua implementação e funcionamento.
Coordena, portanto,
( .. . ] os esforços dos tribunais brasileiros para a adoção de uma solução
única, gratuita para os próprios tribunais e atenta para requisitos
importantes de segurança e de interoperabilidade, racionalizando gastos
com elaboração e aquisição de softwares e permitindo o emprego desses
valores financeiros e de pessoal em atividades mais dirigidas à finalidade
do Judiciário: resolver os conflitos. 9
Essa virtualização do processo destina-se a compatibilizar a prestação
jurisdicional com as tecnologias atualmente disponíveis, tornando o processo
mais célere, transparente e econômico, haja vista que, com as ferramentas
tecnológicas aplicadas, é possível realizar atos sem qualquer deslocamento
físico e, para comunicação desses atos, reduz-se a utilização de correios;
ganha-se tempo, economiza-se com transporte, impressões, cópias, materiais
de expediente.
Sem o papel, o registro de atos e armazenamento de informações
acontecem eletronicamente, possibilitando que partes, advogados e demais
atores processuais acessem as informações em qualquer local, não sendo
necessário o deslocamento até os cartórios/secretarias, bem como a pesquisa
torna-se mais ágil. Sem os autos físicos, no sistema eletrônico, encontra-se
um processo e, nele, qualquer procedimento com maior rapideze eficiência.
Na Justiça do Trabalho, a estimativa apresentada pelo Tribunal Superior do
Trabalho é de que o Processo Judicial Eletrônico (PJe/JT) represente "economia
anual da ordem de R$ 11 milhões, entre despesas com armazenamento,
8
Disponível em: http://www.cnj .jus.br/noticias/cnj/28769:pje-ja-esta-implantado-em-34-tribunais
brasileiros.
9
Disponível em: http://www.cnj.jus.br/programas-de-a-a-z/sistemas/processo-judicial-eletronico-pje.
14 JUSTIÇA DO TRABALHO- 375/HS
f
transporte, correios, mão de obra terceirizada, mensageiros, papéis e outros
materiais diretamente relacionados à existência de processos físicos"10
. Com
isso, o processo virtual, atende também à preocupação ambiental, por reduzir
consumo, evitando o desperd ício de materiais.
Ressalta-se, ainda, dentre as vantagens de ordem processual do PJe, o
ganho referente aos prazos, em razão de o horário para protocolizar petições
ser estendido em relação ao expediente forense, vez que é possível anexar
sua peça processual até a última hora do dia fatal de encerramento do prazo,
conforme o art. 3°, parágrafo único, da Lei 11.419/06, que estipula: "Quando a
petição eletrônica for enviada para atender prazo processual, serão consideradas
tempestivas as transmitidas até as 24 (vinte e quatro) horas do seu último dia".
É, sem dúvida, um recurso tecnológico em favor do jurisdicionado e do
Judiciário, que exige, todavia , conhecimento e acesso à tecnologia, posto
que o peticionamento no PJe ocorre por meio de assinatura eletrônica, obtida
mediante obrigatório e prévio credenciamento junto ao Poder Judiciário, o
qual será realizado com identificação presencial do interessado, conforme
art. 2°, § 1° da Lei 11.419/06, a fim de conferir a imprescindível segurança
para atuação no processo.
Além disso, é necessário o pagamento de um valor (variável de R$ 35,00
a R$ 120,00 entre os Estados da federação) correspondente ao serviço de
certificação digital, bem como para aquisição do token, que é o dispositivo
criptográfico USB (semelhante a um pen drive) para validar a assinatura
eletrônica do advogado e, com isso, identificar sua autenticidade 11
• Esse
procedimento habilita para o envio de petições, de recursos e a prática de
atos processuais em geral por meio eletrônico, assegurando ao credenciado
o "acesso ao sistema, de modo a preservar o sigilo, a identificação e a
autenticidade de suas comunicações" (art. 2°, § 2°, Lei 11.419/06).
A certificação digital confere ao seu titular segurança de identificação,
garantindo que o acesso a dados, bem como sua alteração e transmissão, só
possam ocorrer após o reconhecimento da assinatura digital. Essa certificação
é um arquivo eletrônico que armazena as informações por meio da combinação
de duas chaves, uma pública e outra privada. A primeira é de conhecimento
irrestrito e a segunda é sigilosa, restrita ao titular do certificado.
( .. . ] certificados digitais são documentos eletrônicos que identificam, com
segurança, pessoas (físicas ou jurídicas), fazendo uso de criptografia,
tecnologia que assegura o sigilo e a autenticidade de informações.
Além disso, garantem confiabilidade, privacidade, integridade e inviolabilidade
em mensagens e em diversos tipos de transações realizadas via internet.
10 Disponível em: http://www.trt3 .jus.br/escola/download/revista/rev_84/luiz_gustavo_monteiro.pdf.
11 Alguns sistemas permitem, ainda, o acesso por meio de um leitor de cartão que procede à
leitura do chip da carteira profissional expedida pela OAB, substituindo o uso do token, porém a
tendência é de que seja unificado para o exclusivo uso desse dispositivo.
JUSTIÇA DO TRABALHO - 375/HS 15
Outra vantagem do certificado digital é ter validade jurídica para ser
utilizado como assinatura de próprio punho, comprovando que seu
proprietário concorda com o documento assinado. 12
O PJe, destarte, restringe a atuação processual aos profissionais que
tenham o domínio dessa tecnologia, o que exige capacitação e desenvolvimento
de habilidades específicas do mundo virtual e das ferramentas de internet.
Destaque-se, outrossim, que a regulação dos procedimentos deve ocorrer
de forma clara, objetivando o esclarecimento do maior número possível de
usuários do sistema.
As regras gerais contidas na Lei 11.419/06 são estabelecidas como
diretrizes que necessitam, para a efetivação do PJe, de regulamentos que
atendam às especificidades de cada órgão do Poder Judiciário.
Na seara trabalhista, o Conselho Superior da Justiça do Trabalho
(CSJT), juntamente com o Tribunal Superior do Trabalho (TST) assumem a
regulamentação e coordenação do PJe/JT, desenvolvendo suas funcionalidades
específicas em parceria com os Tribunais Regionais do Trabalho. O desiderato
é que:
Além de reduzir drasticamente os gastos com papel e insumos, o PJe
substituirá mais de 40 sistemas de informática existentes no Poder
Judiciário, que atualmente não se comunicam. Trata-se de uma solução
única, gratuita, em linguagem moderna e atenta aos requisitos de
segurança. Com a interoperabilidade propiciada entre os Tribunais e
outros órgãos da Administração Pública (Correios, Caixa Econômica
Federal, Banco do Brasil, Receita Federal, etc.), a sociedade contará
com uma Justiça mais ágil e organizada. 13
O procedimento para acesso e manejo do PJe/JT está previsto na
Instrução Normativa n° 30/2007 editada pelo Tribunal Superior do Trabalho
(TST), que regulamenta a Lei 11.419/06, e no Ato Conjunto N° 10/TST.CSJT,
de 28 de junho de 2010, que regulamenta a transmissão de peças
processuais, por meio eletrônico, entre os Tribunais Regionais do Trabalho e
o Tribunal Superior do Trabalho, os dois textos normativos adotam o arquivo
de extensão pdf para os documentos que serão transmitidos no PJe.
É da Instrução Normativa a seguinte previsão:
Art. 6° "As petições, acompanhadas ou não de anexos, apenas serão
aceitas em formato PDF (Portable Document Format), no tamanho
máximo, por operação, de 2 Megabytes".
Parágrafo único. Não se admitirá o fracionamento de petição, tampouco
dos documentos que a acompanham, para fins de transmissão.
12 Disponível em: http://www.oab.org.br/acoab/certificado.htm.
13 Disponível em: http://www.csjt.jus.br/vt-aruja/-/asset_publisher/eX6v/content/pje-jt-chega-ao-norte
do-brasil-na-segunda-feira-08-1 O?red irect=%2Fvt-aruja.
16 JUSTIÇA DO TRABALHO- 375/HS
Ratificando essa determinação, dispõe o Ato Conjunto:
Art. 2° As peças processuais a serem transmitidas pelo e-Remessa
deverão estar no formato Portable Document Format (PDF).
Parágrafo único. As peças processuais deverão ser digitalizadas com a
utilização do software VRS e armazenadas em arquivo monocromático,
com resolução de trezentos pontos por polegada, sendo facultados o
reconhecimento ótico de caracteres de texto nas imagens e a indicação
dos marcadores que identificam as peças.
PDF significa Portab/e Document Format (Formato Portátil de Documento),
que é um formato de arquivo que, comparando-se a outros, ocupa pouco
espaço no equipamento (disco/HD). Os arquivos convertidos em pdfficam mais
compactos, tornando-se mais "leves" e, com isso, promovendo visualização e
processamento mais rápidos.
Esse tipo de arquivo permite:
Visualizar, navegar, imprimir, converter qualquer arquivo de qualquer
aplicação, criar, preencher e salvar formulários PDF interativos, adicionar
links e bookmarks, utilizar ferramentas de marcação (notas eletrônicas,
marca-texto etc), realizar pequenos retoques de texto, implementar
senhas de proteção e assinaturas digitais, converter páginas Web/Sites
para PDF, torna o arquivo multiplataforma, cria recursos de segurança,
que permitem criação de uma senha para abertura do arquivo, assim
como, barrar impressão, seleção de conteúdos e alterações, integra-se
perfeitamente ao HTML, proporcionando uma navegação rápida 14
.
Um documento criado em qualquer programa, seja editor de texto ou
programa de gráficos (Word, Photoshop, lllustrator,CoreiDraw, por exemplo),
pode ser convertido em pdf e ser aberto em um computador que possua apenas
o programa Acrobat Reader, que é o leitor dos documentos com extensão pdf,
disponível gratuitamente para computadores e dispositivos móveis.
Assim, o arquivo em pdf proporciona maior capacidade de armazenamento
e maior compatibilidade para leitura de documentos e imagens, além de
preservar a segurança do documento original. Por essa razão, tem sido
amplamente utilizado para transmissão de informações nos mais diversos
sistemas e escolhido para o processo judicial.
A Adobe Systems, empresa que desenvolveu o programa, explica que é
um tipo de arquivo bastante seguro:
empresas e órgãos governamentais do mundo todo usam o PDF como
um formato padrão para trocar documentos com maior segurança. Por
meio de recursos de segurança, inclusive a proteção por senha, você
14 Disponível em: http://www.ebah .eom.br/content/ABAAAAG3oAB/pdf-que-como-usar.
JUSTIÇA DO TRABALHO- 375/HS 17
pode evitar que outras pessoas acessem, copiem, editem ou imprimam
documentos PDF. Também é possível excluir permanentemente as
informações confidenciais dos PDFs suprimindo texto e ilustrações
visíveis ou removendo informações ocultas.
( ... )os PDFs têm a mesma aparência dos arquivos originais e preservam
todas as informações da fonte, mesmo quando texto, desenhos, vídeos,
áudio, mapas 30, ilustrações coloridas, fotos e ló?Jica de negócios se
combinam em um mesmo arquivo ou portfólio PDF1
.
Ocorre que, não obstante a ampla acessibilidade e confiabilidade desse
formato, o arquivo em pdf tem uma limitação significativa em se tratando de
recursos tecnológicos e no foco deste estudo: a incompatibilidade com
arquivos de vídeo. A extensão foi desenvolvida para texto e imagens sem
movimento, como gráficos e fotografias.
Atualmente, tem sido aperfeiçoada - como as tecnologias costumam ser
e já existe uma ferramenta que possibilita a interatividade no arquivo pdf.
Por meio do programa Adobe Acrobat XI Pro é possível incluir áudio e vídeos
compatíveis com o programa Adobe Flash Player em um arquivo de extensão
pdf. As mídias são introduzidas nos arquivos como ícones, aparecendo uma
figura em miniatura no corpo do texto. A partir de um clique, o acesso é
disponibilizado.
Essa tecnologia, porém, não se compatibiliza com o sistema adotado
pelo PJe, vez que o ícone remete a uma outra conexão, ou seja, o vídeo não
é inserido no arquivo, mas apenas o link para que o mesmo possa ser
acessado, numa página de internet por exemplo. Não é possível, portanto,
que o vídeo seja anexado ao processo virtual, tampouco é admissível que um
vídeo para instrução processual fique em um site público, expondo situações
que só interessam às partes.
Diante disso, o PJe, que somente admite o envio de documentos em
formato pdf, inviabiliza a transmissão de vídeo. Caso seja utilizado o vídeo
como prova, o mesmo não pode ser anexado ao processo virtual. A prova
ficará arquivada em Secretaria, nos moldes do antigo e obsoleto processo
físico e sua remessa ao Tribunal, em caso de interposição de recurso dar-se-á
por malote ou outro meio que impeça o extravio e assegure a entrega ao
destinatário.
3. CONFLITO DE TECNOLOGIAS
A Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) trata da prova no processo
trabalhista nos arts. 818 a 830, referindo-se ao depoimento das partes e
testemunhas e, além disso, refere-se apenas à possibilidade de apresentação
de cópia de documentos autenticadas pelo próprio advogado, sob sua
responsabilidade pessoal.
15 http://www.adobe.com/br/products/acrobat/adobepdf.html .
18 JUSTIÇA DO TRABALHO - 375/HS
Essa forma abreviada de tratar do tema não significa que sejam as únicas
espécies de provas admitidas, porquanto não há, em nenhum dispositivo, a
preocupação em listar as espécies de provas cabíveis. As lacunas deixadas
são passíveis de integração, haja vista que o art. 769 dispõe: "Nos casos
omissos, o direito processual comum será fonte subsidiária do direito processual
do trabalho, exceto naquilo em que for incompatível com as normas deste
Título".
Assim, o fato de inexistir expressa referência ao vídeo como prova não
inviabiliza sua utilização, vez que se trata de omissão que pode ser facilmente
superada com a dicção do art. 332 do Código de Processo Civil (CPC):
"Todos os meios legais, bem como os moralmente legítimos, ainda que não
especificados neste Código, são hábeis para provar a verdade dos fatos, em
que se funda a ação ou a defesa".
A possibilidade de empregar todos os meios de prova, desde que legais
e moralmente legítimos, coaduna-se com o direito à ampla defesa, assegurado
a todo jurisdicionado, ademais, compatibiliza-se com a evolução tecnológica
que pode desenvolver novos meios inicialmente não previstos ou aperfeiçoar
os meios já existentes, criando novos formatos e modos de acesso, como é o
caso dos vídeos e documentos digitalizados.
Autor e réu, no processo trabalhista, devem provar suas alegações por
meios lícitos, estando livres para elegerem a modalidade probatória que
melhor atenda às especificidades de sua argumentação. No entanto, é preciso
atentar que no processo eletrônico todo documento, para ser anexado, deve
ser convertido ao formato pdf. Folhas de ponto, laudos periciais, comprovantes
de pagamento, convenções e acordos coletivos, contra-cheques e fotografias,
por exemplo, devem ser digitalizados.
O vídeo é considerado uma espécie de documento, submetendo-se
à disciplina prevista nos arts. 364 a 389 do CPC, pois conforme esclarece
Campos (2014, p. 153):
A caracterização do documento eletrônico como espécie de documento
lato sensu é de extrema relevância, pois permite que os operadores do
direito se valham, na medida do possível e respeitadas as peculiaridades
dos documentos criados, arquivados ou transmitidos em ambiente digital,
do regramento já existente acerca da produção da prova documental
quando se depararem com aquela sorte de prova.
Desse modo, o vídeo tem sido requisitado para elucidar diversos aspectos
da relação laboral, não apenas acerca de comportamento de patrão e
empregado, mas também questões atinentes às condições de trabalho, em
razão de ser uma tecnologia acessível tanto ao patrão quanto ao empregado.
A filmagem pode ocorrer por celular, tablet ou por câmeras de vigilância e ter
o conteúdo relevante para a defesa de qualquer deles.
JUSTIÇA DO TRABALHO- 375/HS 19
O esclarecimento de alguns fatos, às vezes, só pode ser obtido por
meio de filmagens que mostrem com nitidez o momento, as circunstâncias
e as pessoas envolvidas. Se produzido de maneira legítima, o vídeo pode
ser utilizado como prova de fatos constitutivos, modificativos ou extintivos de
direitos, assim como qualquer outro meio lícito.
Para assegurar a licitude da produção do vídeo é necessário observar
alguns critérios, como não violar a intimidade do sujeito filmado e oferecer a
ele o conhecimento de que a gravação está sendo realizada, porém não é
possível definir taxativamente um rol de critérios inflexíveis, pois cada situação
guarda suas peculiaridades.
Qualquer dúvida quanto à veracidade do conteúdo ou quanto à forma
de produção do vídeo deve ser impugnada pela parte adversa consoante o
art. 372, CPC, que preceitua:
Compete à parte, contra quem foi produzido documento particular, alegar
no prazo estabelecido no art. 390, se lhe admite ou não a autenticidade
da assinatura e a veracidade do contexto; presumindo-se, com o silêncio,
que o tem por verdadeiro.
O próprio magistrado pode considerar o vídeo inválido, não persuasivo
ou impertinente à demanda. De acordo com o princípio do livre convencimento
motivado, o juiz avalia as provas e as mensura com ampla liberdade, devendo
apresentar os motivos que formaram seu convencimento, para justificar as
hipóteses em que refuta ou acata as provas lançadas no processo.
No processo TST-AIRR-88-47.2010.5.04.0003, em que a empresa
Reclamada tenta modificara decisão de 18 instância confirmada pelo TRT da
48 Região, houve o reconhecimento do direito da empregada com base nas
gravações realizadas pela própria empregadora. O TST preservou a sentença
que considerou que as imagens revelaram uma conduta pouco ofensiva em
razão da atitude e do tempo insignificante em que a mesma ocorreu, não
configurando, portanto motivo para a justa causa. Observe-se:
20
DEMISSÃO POR JUSTA CAUSA. PENA DESPROPORCIONAL.
CONVERSÃO EM DESPEDIDA !MOTIVADA. Não havia a necessidade
de aplicação de uma pena tão rigorosa quanto a demissão por justa
causa no caso em tela, considerando que a reclamante e o colega
de trabalho reconheceram que sua conduta não foi adequada e se
comprometeram a não mais praticar os atos constantes das filmagens
no ambiente de trabalho. As penas de advertência ou suspensão é
que seriam adequadas. Mantida a conversão da despedida por justa
causa em despedida imotivada. Transcrevo, por pertinente, trecho dos
fundamentos da decisão: O Juízo de origem acolheu o pedido da autora
de conversão da justa causa em despedida imotivada sob os seguintes
fundamentos: ( ... ) Há desproporção na punição aplicada. De todo o
período contratual, a reclamada obteve, apenas, alguns segundos
JUSTIÇA DO TRABALHO- 375/HS
ou minutos, em único dia, de troca de carinho da autora com outro
colega de trabalho, sem desbordar do limite do razoável, o que afasta
justa causa. Destaco o tempo de gravações, pois em uma jornada de
várias horas, pequeno período de contato dos colegas, mesmo que
no ambiente de trabalho, não pode ensejar a punição máxima a um
trabalhador. A conduta da autora não é adequada, mas a punição é
severa demais. A advertência ou a suspensão da autora seria suficiente.
Não há nas imagens atos libidinosos ou agressivos à imagem da
empresa, mas, simplesmente, o descuido de recentes apaixonados,
como deduzo das declarações das fls . 69/70. Ainda, há que se considerar
a idade da autora (21 anos), à época dos fatos, como atenuante da
gravidade da conduta, ante os impulsos da juventude. Admitir a punição
máxima retira a oportunidade de crescimento da trabalhadora dentro da
empresa, quando não constatada a gravidade da falta para justa causa.
Registro que a empresa, conforme previsão constitucional, deve cumprir
a sua função social, adotando, na advertência ou suspensão, medidas que
oportunizam ao trabalhador a adequação da sua conduta às previsões
legais, morais ou normativas. Analisando todas as provas juntadas aos
autos, este Juízo entende que a sentença deve ser mantida por seus
próprios e bons fundamentos, que ora se adotam como razões de
decidir, ( ... ). Assim, nega-se provimento ao recurso. (Relator: Marcelo
Gonçalves de Oliveira, acórdão fls. 311 e ss.). [original sem grifos]16
Ainda, quanto à possibilidade de gravação de imagens no ambiente
de trabalho, a 68 Turma do Tribunal Superior de Trabalho rejeitou Agravo de
Instrumento do Ministério Público do Trabalho da 178 Região (Espírito Santo),
que havia proposto ação de indenização por dano moral coletivo, aduzindo
que a filmagem de trabalhadores em seu local de trabalho seria violadora do
direito à privacidade.
Nessa toada, tratando da utilização de meios informáticos no ambiente
de trabalho e da ausência de legislação específica sobre o tema, Ruaro
(2007, p.233)expõe:
( ... ] realmente o assunto é muito polêmico e controverso, na medida em
que de um lado se encontra o empregado e seus direitos fundamentais
à intimidade, à vida privada e à inviolabilidade de correspondências e
comunicações e, do outro, o Estado/empregador, resguardado pelo direito
de propriedade, pelo poder diretivo decorrente da relação de trabalho( ... )
No caso da ação supramencionada, uma empresa de telemarketing
instalou câmeras com o intuito de garantir a segurança de seu patrimônio,
o que foi considerado legítimo por todos os magistrados por onde o processo
tramitou, haja vista que os equipamentos localizavam-se em ambientes de
trabalho e nas portas principais de acesso à empresa, não invadindo a seara
da intimidade dos seus empregados.
16 Disponível em: http://ext02.tst.gov.br/pls/ap01/ap_red100.resumo?num_int=159483&ano_int=2011.
JUSTIÇA DO TRABALHO- 375/HS 21
AGRAVO DE INSTRUMENTO. RECURSO DE REVISTA. NEGATIVA
DE PRESTAÇÃO JURISDICIONAL. ILEGALIDADE OU ABUSIVIDADE
NO SISTEMA DE MONITORAMENTO (FILMAGENS) NO ÂMBITO DA
EMPRESA COM O CONHECIMENTO DOS EMPREGADOS E APENAS
NOS LOCAIS DE TRABALHO, NOS TERMINAIS BANCÁRIOS E
PORTAS PRINCIPAIS. DECISÃO DENEGATÓRIA. MANUTENÇÃO.
Não há como assegurar o processamento do recurso de revista quando
o agravo de instrumento interposto não desconstitui os fundamentos da
decisão denegatória, que ora subsiste por seus próprios fundamentos.
Agravo de instrumento desprovido. (AIRR - 69640-74.2003.5.17.0006) 17
Não restam dúvidas, portanto, acerca do cabimento do vídeo no processo
do trabalho, contudo, ao pretender utilizar um vídeo como prova, a parte
encontra óbice no PJe. Não obstante admitido como meio probatório, desde
que licitamente produzido, o vídeo não pode ser anexado ao processo virtual
em razão da tecnologia incompatível, por isso, embora seja um recurso
tecnológico atual, popularizado e de reconhecida utilidade, o mesmo ficou
inviabilizado no processo virtual, que não dispõe de ferramenta capaz de
armazená-lo tampouco visualizá-lo. Armazená-lo na jurisdição (secretaria da
vara do trabalho) é praticamente limitar seu acesso, fadá-lo ao esquecimento.
Esse conflito de tecnologias contraria a tentativa de modernização do
processo na Justiça do Trabalho, posto que sempre que houver apresentação
de vídeo como prova, o mesmo seguirá como um documento apartado do
processo. Uma vez que não pode ser convertido em pdf ou digitalizado de outra
forma, o arquivo de vídeo deve ser gravado em CD e este será depositado
em secretaria. No caso de interposição de recurso, sua remessa ao Tribunal
dar-se-á por malote, sujeito à possibilidade de extravio e demandando tempo
e esforço maiores.
O processo eletrônico segue virtualmente, com a celeridade própria da
internet, porém, elementos probatórios de suma relevância não seguirão
anexos. Retoma-se, dessa forma, o caminho do ultrapassado processo físico,
o qual foi substituído em nome da praticidade, celeridade e da tecnologia que
os tempos atuais requerem. Nesse conflito que se instaura entre a tecnologia
do vídeo e a do processo eletrônico, ocorre um retrocesso tecnológico para
assegurar que as partes não sofram prejuízos em sua defesa, o que não se
pode admitir.
O sistema eletrônico, destarte, impede a ampla produção de prova em
razão de nele ser inadmissível a inclusão do vídeo. A parte interessada deve
lançar mão de um sistema processual que não condiz com o atual mundo
tecnológico posto à disposição do jurisdicionado. Assim, uma nova demanda
social se impõe: compatibilizar as tecnologias para uniformizar o procedimento
relativo à inclusão de provas no processo eletrônico.
17 Disponível em: htlp://tst.jusbrasil.com.br/jurisprudencia/17704629/agravo-de-instrumento-em-recurso
de-revista-airr -696407 420035170006-69640-7 420035170006.
22 JUSTIÇA DO TRABALHO- 375/HS
Diante das novas tecnologias identificam-se novas necessidades sociais,
assim como estas últimas geram a busca pelo desenvolvimento das primeiras,
ou seja, existe uma inequívoca relação de reciprocidade. No caso do processo
judicial, identifica-se que as novas tecnologias impulsionaram um avanço
significativo nos procedimentos adotados, a fim de atender aos interesses da
sociedade moderna. Consoante Baumgarten (2011, p. 403):
( ... )o que garante a diversidade e o avanço tecnológico é a pluralidade
de necessidades sociais, expressas como interesses mesmo quando
essa pluralidade é organizada pela hegemonia de alguns interesses.
O questionamento quanto às condições presentes de produção, difusão
e uso de tecnologias pode ampliar as possibilidades tecnológicas,
contribuindopara direcionar o avanço tecnológico e criar novas opções,
o que concorre para que as diversidades sociais reproduzam-se noutros
termos.
A informatização do processo judicial atende a interesses sociais de maior
efetividade da jurisdição. Nesse caminho de modernização, Teles (2013)
aponta que houve conquistas paulatinas de aperfeiçoamento das tecnologias
utilizadas no processo, até se atingir o modelo atual:
i) Lei n° 9.800/99, que admitiu a transmissão de petições por meio de
telefax;
H) sistema push, para comunicação via e-mail da movimentação processual;
iií) Lei n° 10.259/2000, que autoriza intimações e recebimento de petições
por via eletrônica, nos Juizados Especiais Federais;
iv) Lei n° 11.280/2006, que permite, no processo civil, a prática e
comunicação de atos eletronicamente;
v) Lei n° 11.419/2006, que disciplina o PJe;
vi) Leis n° 11.719, 11.689 e 11.690 todas de 2008, que possibilitaram a
teleaudiência, videodepoimento e videointerrogatório;
vií) Resolução n° 105/2010 do CNJ, que dispensou a transcrição dos
depoimentos gravados.
O que se evidencia é a constante inovação que as tecnologias trazem
para a vida humana e, por conseguinte, para o processo judicial. É uma
característica inerente ao mundo tecnológico essa constante alteração, em
prol de um contínuo aperfeiçoamento, razão por que é necessária a reflexão
acerca das técnicas processuais atualmente empregadas e sua pertinência
com a evolução dos tempos.
Na seara das relações trabalhistas, pela sua dinamicidade, verifica-se
que é imprescindível a compatibilização das novas tecnologias ao direito
vigente. É o que ressalta Ruaro (2007, p. 228):
JUSTIÇA DO TRABALHO- 375/HS 23
Nesse prisma, o estudo das transformações originadas pela util ização
dos meios informáticos no ambiente de trabalho tornou-se tema
extremamente importante nos dias de hoje, na medida em que o direito
deve acompanhar a evolução das novas tecnologias, das relações
sociais, e, consequentemente, da relação de trabalho público, objeto de
sua normatização.
Ademais, é preciso despertar para o fato de que se hoje a tecnologia do
PJe/JT já se encontra no percurso da obsolescência, amanhã pode estar no
caminho oposto à finalidade para a qual foi desenvolvido. Antecipando as
possibilidades do futuro tecnológico no processo, Teles (2013, p. 84):
É bem possível que, em poucas décadas, a sinuosa rota dos métodos
operacionais do Direito em busca da verdade seja feita, basicamente,
por procedimentos científicos e tecnológicos. Recursos ainda não
imaginados poderão estar presentes no processo de decisão dos litígios,
tais como a análise do campo magnético do acusado, eventuais
interferências ocorridas no seu magnetismo corporal, medição e análise
de sua freqüência cerebral e outras manifestações do sentido que
poderão ser captadas por simples aparelhos móveis.
Hoje, o PJe/JT apresenta um grande limitador para a instrução processual,
em razão de ser inviável a anexação de vídeo, vez que a extensão pdf é o
único formato válido para os arquivos a serem inseridos virtualmente. Desse
modo, obsta a utilização de recursos tecnológicos avançados e de elevada
relevância, que fazem parte do cotidiano mais trivial das pessoas. É preciso,
então, buscar uma ferramenta capaz de conci liar as tecnologias do vídeo e do
processo eletrônico, a fim de evitar retrocessos, como a volta da sistemática
do processo físico, bem como perdas de novas tecnologias.
CONCLUSÃO
O desenvolvimento de novas tecnologias interfere no modo como o
homem interage com o outro e com o mundo. Sua visão alcança lugares
e circunstâncias antes ignoradas e, com isso, novas perspectivas surgem.
Assim é com a captação de imagens por meio de vídeos, que permite rever
o mesmo acontecimento sob enfoques distintos, preservando-se a emoção,
as falas, os movimentos, a expressão facial e a autenticidade das ações.
Diante dessas características, o vídeo assume importante valor probatório em
demandas judiciais.
Ocorre que na Justiça do Trabalho, o processo eletrônico não permite
que vídeos sejam anexados em razão do sistema só aceitar arquivos com o
formato pdf, revelando-se, destarte, a incompatibilidade entre os dois recursos
tecnológicos. Em face desse conflito de tecnologias, tanto o jurisdicionado
quanto o Poder Judiciário apresentam perdas significativas, quanto a celeridade
e acesso aos documentos que integram o processo.
24 JUSTIÇA DO TRABALHO- 375/HS
Identifica-se, portanto, um óbice ao uso de novas tecnologias - em
especial, o vídeo - nos dissídios trabalhistas, não obstante a virtualização do
processo ter como um de seus objetivos modernizar a prestação jurisd icional ,
adaptando-a aos novos arranjos e necessidades sociais.
A tecnologia utilizada para a gravação e veiculação de imagens em
vídeos e a tecnologia do processo eletrônico precisam ser compatibilizadas.
O desenvolvimento de nova ferramenta para anexação de documentos faz-se
imprescindível para o incremento do sistema atualmente manejado na Justiça
do Trabalho, para permitir a inclusão de documentos em extensões diferentes
do pdf, até em observância à possibilidade de novos recursos tecnológicos
surgirem.
A noção de tecnologia já pressupõe a necessidade de aperfeiçoamento
constante, razão por que não se justifica a permanência de métodos que já se
revelam na rota da obsolescência. Pensar novas tecnologias no processo
eletrônico da Justiça do Trabalho significa abrir caminhos para reconstruir
modelos capazes de trazer contribuições efetivas, que se coadunem com a
atual realidade das relações laborais.
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JUSTIÇA DO TRABALHO - 375/HS 25