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1º SEMANA
A BASE QUE APROVA
DELEGADO
DE POLÍCIA
CIVIL
CIVIL
CURSO APOSTILADO
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ORIENTAÇÕES
EDUARDO FRANCO DEFAVERI: Graduado pela Pontifícia Universidade Católica do Estado do Rio
Grande do Sul. Pós-Graduado lato-sensu em Ciências Penais Pela Universidade Anhanguera.
Cursando a Pós-Graduação lato-sensu em Direito Constitucional e em Direitos Humanos, ambas
pela Universidade Cândido Mendes. Atualmente, é Delegado de Polícia Civil do Estado de Santa
Catarina e professor de cursos para concursos públicos voltados para a área policial.
E-mail: del.eduardodefaveri@gmail.com Instagram: @del.eduardodefaveri
FELIPE BLOS ORSI: Graduado pela Universidade Feevale. Pós-graduado em Ciências Penais pela
Universidade Cândido Mendes. Delegado de Polícia de Santa Catarina. Aprovado para Delegado
de Polícia no Paraná. Ex-agente de Polícia Civil no Distrito Federal.
E-mail: fborsi@live.com Instagram: @del.felipeorsi
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BIBLIOGRAFIA
Um ponto importante é saber escolher de forma correta os materiais de estudo.
De início, cumpre mencionar que se recomenda, via de regra, apenas um material por disciplina.
Ademais, o ideal é a utilização de materiais mais sucintos, objetivos, tais como sinopses, resumos
e obras voltadas a concursos.
Assim, seguem a seguir as nossas recomendações bibliográficas:
CONSTITUCIONAL: Livro do Pedro Lenza, ou a nossa Apostila, a qual pode ser localizada em
www.jurisplanner.com.br/apostilas.
ADMINISTRATIVO: Livro do Matheus Carvalho, Sinopse da Juspodivm, ou a nossa Apostila, a qual
pode ser localizada em www.jurisplanner.com.br/apostilas.
PENAL PARTE GERAL: Livro do Rogério Greco, ou o Livro do Cleber Masson. Em razão da
importância desta disciplina, pois serve de base para Penal Especial e Legislação Penal
extravagante, recomenda-se o estudo combinado a nossa Apostila, a qual pode ser localizada em
www.jurisplanner.com.br/apostilas.
PENAL PARTE ESPECIAL: Recomenda-se o estudo por Código Penal Comentado (Rogério Greco
ou Cleber Masson), atentando-se à letra da lei, lendo, a seguir, os comentários, sobretudo dos
crimes em espécie mais importantes. Ainda, sugeri-se o estudo combinado a nossa Apostila, a
qual pode ser localizada em www.jurisplanner.com.br/apostilas.
PROCESSO PENAL: Sinopses da Juspodivm (2 volumes) ou Caderno JurisPlanner (atualizado com
o “Pacote Anticrime”), que pode ser localizado e www.jurisplanner.com.br/apostilas
MEDICINA LEGAL: Coleção Carreiras Policiais: Medicina Legal da Juspodvm ou nossa apostila
Estudo Sistematizado de Medicina Legal para Delegado de Polícia disponívelem
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CRIMINOLOGIA: Coleção Carreiras Policiais: Criminologia da Juspodvm.
DISCURSIVA – QUESTÕES E PEÇAS PROCESSUAIS: Manual de Peças Práticas da Juris Planner e
Banco de Questões Discursivas, disponíveis em www.jurisplanner.com.br/apostilas. Curso de
Peças Práticas para Delegado e Curso de Questões Discursivas: Da Teoria à Prática: Da Teoria
à Prática (com e sem correções individualizadas), disponíveis em:
www.jurisplanner.com.br/cursos.
JURISPRUDÊNCIA (INFORMATIVOS) e SÚMULAS: O site Dizer o Direito é excelente. Também
temos o nosso CADERNO de Jurisprudência organizado por tema e ano, bem como de Súmulas
em www.jurisplanner.com.br/apostilas.
#LEMBRE-SE: São apenas recomendações. Assim, nada impede que o estudo seja feito com
qualidade mediante a utilização de outros materiais.
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INTRODUÇÃO
Olá queridos(as) futuros(as) Delegados(as)!
É com imensa alegria que iniciamos o nosso cronograma de estudos pré-edital para o cargo de
Delegado de Polícia Civil de Santa Catarina.
Nesse período delicado pelo qual todos estamos passando, é importante que você avalie suas
prioridades e cuide da sua saúde mental. Então, "guarde numa caixinha" tudo o que não for
urgente e o que você não precisa cuidar agora e FOQUE no seu estudo.
Notícias ruins? Respire e estude. Problemas? Respire e estude.
Família querendo atenção? Respire e estude.
Daqui a alguns meses você vai ter certeza de que fez a coisa certa. Afinal, a escolha "egoísta" de
se concentrar nos estudos não beneficia só você, mas também sua família, pessoas queridas e a
sociedade, que vai ganhar um profissional competente e com sede de sucesso!
Se você já vinha estudando, força que são os últimos metros da corrida! Se você vai iniciar agora,
dê tudo de si, seu esforço vai ser recompensado!
Fizemos esse cronograma pensando em cada detalhe, pondo em prática nossas experiências em
provas passadas para que você desenvolva ao máximo cada ponto do edital.
Então, faça a sua parte, porque nós fizemos a nossa! Estaremos com você até a linha de chegada,
futuro(a) colega!
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ORIENTAÇÕES GERAIS
• É importante salientar, inicialmente, que nosso planejamento tem acentuada relevância,
visto que servirá como um atalho na busca pelo seu objetivo, porém quem será responsável
por esse alcance é você. Para tanto, você deve ter nos seus estudos o foco principal de todos
os seus dias, até a aprovação!
• Estude de forma ativa. Seja interessado no conteúdo, sinta prazer pelo conhecimento e
aprendizado que você irá adquirir. Sem dúvidas ajuda! Sempre que puder, grife, marque,
faça apontamentos nos seus materiais de estudo, mas sem exageros (não marcar o livro
inteiro!). Isso ajuda, pois na próxima vez que for ler o material marcado, a sua memória visual
terá mais facilidade para acessar o conteúdo.
• Além disso, é muito recomendada a utilização de métodos, mnemônicos, analogias que te
façam lembrar de determinadas matérias. Tais analogias podem ser as mais diversas
possíveis, desde que ajudem você a resgatar a memória!
• Ao ter um primeiro contato com determinadamatéria, procure fazer a primeira leitura de
forma mais lenta e atenta para compreensão. Após, leia novamente de forma mais rápida
(dinâmica) e grife as partes mais importantes, de modo que a próxima vez que for revisar o
ponto, você possa ler somente aquilo que grifou.
• O estudo deve ser feito com qualidade! Não corra para fechar a meta diária. Caso não feche
a meta no dia, no dia seguinte, retome de onde parou.
• Não se recomenda a utilização de livros muito densos, ressalvada a matéria de Direito Penal
(parte geral). Nas demais, deve-se priorizar materiais mais sintéticos, como sinopses,
apostilas e resumos prontos, combinados com leitura de lei seca e a realização de muitas
questões de concurso.
• Em alguns dias foram distribuídos pontos mais curtos e matérias mais tranquilas. Neles, você
deverá separar para que sejam resolvidas pendências de dias anteriores. Isso facilita a
organização!
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• Deve sempre ter em mente que a RESOLUÇÃO DE QUESTÕES serve não só para REVISAR o
que acabou de estudar, mas também para COMPLEMENTAR o seu estudo (pois nenhum
material, por mais completo que seja, contém todas as informações sobre a matéria,
portanto nas questões sempre podem surgir coisas novas).
• Recomenda-se estudar 50min líquidos e descansar 15min-20min. No entanto isso é de
acordo com o que cada um está acostumado e tem condições de realizar. Alguns minutos de
descanso são de grande importância para o cérebro colocar as ideias em ordem e viabilizar
que você inicie o próximo período de estudo com a qualidade exigida.
• Mantenha o ambiente de estudo organizado, sinta-se confortável, alimente-se bem e
hidrate-se.
• Deu sono? Tome café! (sem exageros).
• Não há fórmula mágica. Durante esse período de renúncias, o lazer terá de ser colocado em
segundo plano. Em primeiro lugar deve vir o seu projeto pessoal de vida. Compreenda que
posteriormente você terá longos anos para fazer tudo o que deseja.
• Evite coisas que tirem o foco dos estudos. Reduza WhatsApp, assista menos Netflix, etc.
• Afaste-se de pessoas negativas e aproxime-se de pessoas que têm objetivos similares ao seu.
Pode ter certeza que ajuda muito!
• Não saia divulgando seus sonhos aos quatro ventos; não coloque essa pressão sobre si!
Trabalhe em silêncio e comunique-se sobre os seus objetivos apenas com as suas crenças,
com as pessoas com os mesmos objetivos que você e com familiares mais próximos.
• Nosso objetivo é adiantar ao máximo a sua aprovação, mas é importante ter ciência de que
tudo tem a sua hora. É como uma construção de um edifício, temos que começar pelas
fundações. Faça a sua parte com responsabilidade e dedicação que o resultado virá
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CRONOGRAMA DE ESTUDOS
Serão estudas duas disciplinas por dia de segunda a sexta, nos sábados você estudará direito civil
+ dissertativa. E aos domingos, alternadamente, você fará revisão ou simulado + leitura de
informativos e súmulas.
As primeiras semanas terão exatamente a divisão que segue na tabela abaixo. Com o decorrer
das semanas, algumas alterações serão feitas, visto que teremos esgotado alguma disciplina e
substituiremos aquele horário por outra. Você poderá ter uma visão macro ao final do
cronograma, consultando o extrato das semanas.
SEGUNDA TERÇA QUARTA QUINTA SEXTA SÁB DOM
Direito
Constituc.
Direito
Administrativo
Direito
Processual
Penal
Direito Penal
(GERAL)
Direito
Penal
(ESPECIAL)
Direito
Civil
SIMULADO
OU
Informativos/S
súmulas
+
Revisão
Direitos
Humanos
Criminologia
Medicina
Legal
Legislação
Institucional
Língua
Portuguesa
Discursiva
O nosso cronograma será divido em 12 (doze) semanas, ou seja, serão 3 meses de estudo.
Sugerimos que, dentro da sua realidade, procure cumprir as metas de estudo e, ao final,
recomece revisando os pontos que estão mais tranquilos para você e aprofundando naqueles
que necessitar.
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Além da alteração supracitada, incluímos o estudo de questões discursivas e peças, visto que a
probabilidade das basncas cobrarem na segunda fase com questões (3) e peça profissional.
Então, vamos praticando desde logo.
Penal será dividido no cronograma em penal geral e penal especial.
Todos os dias você será lembrado de realizar a leitura da lei seca. Veja, é uma leitura linear, do
primeiro ao último artigo do diploma e independente do estudo do dia. Sugerimos que inicie com
a leitura da Constituição Federal, posteriormente do Código Penal e do Código de Processo Penal.
Ainda que dependa do tempo que você tem para dedicar aos estudos e do tempo que reservar
para leitura da lei, é provável que até o final do cronograma você consiga completar a leitura
desses diplomas mais de uma vez.
Quanto a leitura de julgados e súmulas. Indicamos que faça a leitura temática, ou seja, conforme
o assunto do dia busque ler informativos, súmulas, jurisprudência em teses do STJ. E, além disso,
nos dias reservados para atualização de julgados e súmulas, faça uma leitura linear dos últimos
3 anos (pelo menos) dos informativos, acrescente a leitura das súmulas e jurisprudência em teses
do STJ. Nesta última leitura indicada, filtre assuntos pertinentes, que tenham relação com o
concursos que irá prestar.
Não há segredo. É sentar, focar e estudar. Procure ler as disposições legislativas, sempre que
existentes, consulte um material de apoio, quando necessário e que seja sucinto, leia os
informativos e súmulas que digam respeito ao assunto estudado e, ao final, resolva questões!
Utilize essa sugestão diariamente.
Quando atrasar uma matéria, anote ou marque de forma que tenha a informação acessível para
num dia mais tranquilo de estudo ou aos domingos você possa concluir o estudo do assunto.
É importante que você cumpra com as metas e sugestões de estudo, mas nada impede que faça
adaptações.
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Porém, quanto aos simulados, é importante que realmente execute eles. Você REALMENTE deve
separar um turno e simular, INCLUSIVE COM CRONÔMETRO, a resolução de provas anteriores
(ou novos simulados, como preferir). Diferente da resolução de questões, onde você aplica filtros
ou consulta livros com questões previamente selecionadas para o assunto estudado, no simulado
o estudante se depara com questões variadas, em um “caderno de prova”, sem chance de
consulta ou verificar o gabarito imediatamente e visualizar a justificativa de cada alternativa.
O estudo preparatório para concursos públicos deve ser holístico e vamos prezar por isso ao longo
do cronograma;
Por fim, além de ler a lei seca todos os dias, você deve revisar de forma sucinta os assuntos
estudados no dia anterior, este fato é importantepara que não deixe a curva da memória cair.
Esse contato com a matéria de forma reiterada fará com que você crie uma memória definitiva
sobre o assunto.
Preparado? Vamos lá! Lembre-se que no caso de qualquer dúvida existe, você pode entrar em
contato conosco através do instagram @jurisplanner ou através do email:
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PLANEJAMENTO DA SEMANA
SEMANA 01.............................................................................................................................................................
SEGUNDA-FEIRA ......................................................................................................................................................13
TERÇA-FEIRA............................................................................................................................................................37
QUARTA-FEIRA ........................................................................................................................................................52
QUINTA-FEIRA .........................................................................................................................................................86
SEXTA-FEIRA .......................................................................................................................................................... 100
SÁBADO ................................................................................................................................................................ 149
DOMINGO ............................................................................................................................................................. 188
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SEMANA 01
SEGUNDA-FEIRA
LEI SECA TODO DIA: ART. 1º AO ART. 4º, CF
DIREITO CONSTITUCIONAL
TEORIA DA CONSTITUIÇÃO
Conceito de Estado:
O conceito de Estado não é fixo no tempo ou no espaço. A própria expressão Estado e, de modo relativo,
recente, aparecendo, com o sentido que ora se utiliza, com mais ênfase na obra “O Príncipe”, de
Maquiavel (séc. CVI). Apesar disso, alguns elementos costumam ser constantes: o humano, o geográfico
e o político-administrativo. Com outras palavras, a figura do Estado só se faz presente a partir da
constituição, nessa ordem, por um povo, por um território e por um governo soberano (ADRIEL SÁ, p. 47,
2020)
Tais elementos podem assim serem definidos:
a) Povo: elemento humano; base demográfica;
b) Território: elemento físico; base geográfica;
c) Governo soberano: elemento político; organização.
Observação:
Ao lado desses elementos, há doutrinadores como José Afonso da Silva que acrescentam o elemento
finalidade como informadora do conceito de Estado, sendo verdadeiro elemento teleológico (finalístico).
Todo o Estado tem uma Constituição em sentido material, pois sempre há uma forma de organização,
ainda
que informal. O constitucionalismo é o movimento que busca limitar o poder do Estado através de um
documento escrito.
Conceito da Constituição:
Constituição é a “lei” suprema de um Estado, regendo a configuração jurídico-político dele. As normas de
uma constituição devem tratar de organização do Estado, órgãos que o integram, competências, formas
de exercício do Poder, etc. Além disso, limitará o Estado por meio da separação dos Poderes, bem como
Constituição Federal. Constituição: conceito, tipologia.
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pelos direitos e garantias fundamentais.
Para J.J. Canotilho uma Constituição Ideal é aquela que é:
• Escrita;
• Direitos e garantias individuais enumerados;
• Limitações de poder através do princípio da separação dos poderes; e
• Sistema democrático formal, com a participação do povo nos atos legislativos;
Origem do constitucionalismo:
A doutrina estabelece que as constituições da França e dos EUA, ambas provenientes dos ideais
iluministas e liberalistas, e caracterizadas pela ausência de interferência do Estado nas relações privadas,
foram a origem do constitucionalismo.
Essas constituições escritas traziam, basicamente:
• Transmissão de poder;
• Organização do Estado;
• Direitos e garantias fundamentais; e
• Limitação do poder estatal pela divisão de poderes;
Há um traço marcante em todas as Constituições: Limitação da ingerência do Estado.
Dieito Constitucional:
O Direito Constitucional é um dos ramos do Direito Público, que fundamenta e orienta todo o
ordenamento jurídico. Surgiu com os ideais liberais atentando-se, a princípios, apara a organização
estrutural do Estado, o exercício e transmissão do poder e a enumeração de direitos e garantias
fundamentais dos indivíduos. Atualmente, preocupa-se não somente com a limitação do poder estatal na
esfera particular, mas também com a finalidade das ações estatais e a ordem social, democrática e política
(MASSON, p. 23, 2020).
CONSTITUCIONALISMO
No final do século XVII, com as revoluções burguesas, nasceu o constitucionalismo moderno. No
constitucionalismo encontram-se as principais etapas da evolução do Direito Constitucional. Ele se opõe
ao absolutismo. A história do constitucionalismo é a da busca pela limitação do poder. Nessa busca, três
ideias principais sempre se encontram presentes:
Princípio do governo limitado o constitucionalismo busca limitar o poder conferido aos
governantes;
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O sentimento constitucional é o sentimento que as pessoas têm sobre o que é a constituição, como um
símbolo superior. Segundo André Ramos Tavares, constitucionalismo, por ser uma palavra polissêmica,
tem ao menos 4 sentidos:
➔ Evolução histórico-constitucional de um Estado;
➔ Movimento de imposição de constituições escritas;
➔ Indicação da função da Constituição nas sociedades; e
➔ Movimento político-social historicamente remoto que objetivava limitar o poder arbitrário.
O constitucionalismo é uma teoria normativa da política, conforme Canotilho. Portanto,
constitucionalismo é um movimento histórico-cultural de natureza jurídica, política, filosófica e social,
com vistas à limitação do poder e à garantia dos direitos, que levou à adoção de constituições pela maioria
dos Estados, especialmente no que concerne à constituição formal (escrita).
ETAPAS DO CONSTITUCIONALISMO
Garantia de direitos o constitucionalismo tem por objetivo proteger os direitos
fundamentais contra o Estado, evitando o arbítrio estatal;
Separação dos poderes segundo Montesquieu, que desenvolveu a ideia de Aristóteles, todo
aquele que detém o poder e não encontra limites tende a dele abusar
CONSTITUCIONALISMO ANTIG0
CONSTITUCIONALISMO MODERNO
O constitucionalismo antigo vai da
antiguidade clássica até fins do século XVIII.
Segundo a doutrina, o Constitucionalismo Moderno
inicia no final do séc. XVIII até o fim da Segunda
Guerra Mundial (1945). Pode-se dizer que oconstitucionalismo moderno é bifásico:
1. Constitucionalismo LIBERAL
O constitucionalismo clássico ou liberal começa no
fim do séc. XVIII e vai até o fim da Primeira Guerra
Mundial (1918). O Estado liberal deveria recuar
perante o indivíduo (non facere).
O principal diferencial do constitucionalismo
clássico, em relação à fase anterior, é o
aparecimento das primeiras constituições escritas. A
partir delas, surgem as noções de rigidez
constitucional e supremacia da constituição
2. Constitucionalismo SOCIAL:
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o constitucionalismo social vai do fim da Primeira
Guerra Mundial (1918) até o fim da Segunda Guerra
Mundial (1945). O Estado Liberal funciona quando há
equilíbrio de condições entre as pessoas. A crise
econômica do pós-guerra aprofunda as
desigualdades econômicas existentes, ocasionando,
como consequência, a crise do Estado Liberal, que
teve de deixar de ser abstencionista.
Os 02 principais modelos de Constituição do
constitucionalismo moderno foram:
Constituição Mexicana (1917) e
Constituição de Weimar (1919).
Vale lembrar que a Constituição Mexicana (1917) foi
a primeira a incluir os direitos trabalhistas entre os
direitos fundamentais
Aqui há 04 EXPERIÊNCIAS importantes:
1. Constitucionalismo HERBREU:
Como se tratava de um estado teocrático,
o governo era limitado por dogmas religiosos;
2. Constitucionalismo GREGO:
Havia instrumentos de democracia direta
entre governantes e governados. Não existia a
liberdade individual;
3. Constitucionalismo ROMANO:
Havia uma separação de poderes dentre os
cônsules, senado e povo, ainda que
embrionária. Já havia um início de direitos
individuais, mas não da forma como é hoje.
Exemplo: propriedade privada;
4. Constitucionalismo MEDIEVAL:
O poder estava distribuído entre o poder da
igreja (Clero) e poder decorrentes dos senhores
feudais. A característica é a dispersão do poder,
o que traz a limitação do poder.
02 EXPERIÊNCIAS constitucionais merecem
destaque, como CARACTERÍSTICAS peculiares no
constitucionalismo LIBERAL:
A. NORTE-AMERICANA:
cada vez mais o constitucionalismo europeu atual
(neoconstitucionalismo) se aproxima do modelo
americano de 200 anos atrás, cujas características
são:
• Criação da primeira constituição escrita,
elaborada em 1787;
• Surgimento do primeiro controle de
constitucionalidade tendo como parâmetro
uma constituição escrita: na Inglaterra, já
havia experiências de “judicial review”.
Todavia, o controle de constitucionalidade,
como conhecido hoje, surgiu através do
famoso caso Marbury vs. Madison (1803);
• Fortalecimento do Poder Judiciário: os
norte-americanos tinham bastante medo dos
abusos perpetrados pelo Parlamento inglês,
razão pela qual optaram pelo fortalecimento
do Judiciário;
• Contribuição para as noções de separação
dos poderes, forma federativa, sistema
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republicano e presidencialista e regime
democrático;
• Existência de declarações de direitos.
B. FRANCESA:
O marco inicial do constitucionalismo francês é a
Revolução Francesa, de 1789. A primeira
constituição francesa escrita é de 1791.
Duas ideias que constam da Declaração Universal
dos Direitos do Homem e do Cidadão de 1789, são
fundamentais para a compreensão do
constitucionalismo francês: garantia de direitos e
separação dos poderes.
São características fundamentais do
constitucionalismo francês:
• Consagração do princípio da separação dos
poderes;
• Distinção entre poder constituinte originário
e derivado
• Supremacia do Parlamento;
• Surgimento da escola da exegese, a partir do
Código de Napoleão de 1804.
No período do constitucionalismo antigo,
destaca-se as PRINCIPAIS
CARACTERÍSTICAS, cujas são as seguintes:
• Forte influência da religião;
• Inexistência de uma constituição escrita; e
• Supremacia do monarca ou do Parlamento.
No período do constitucionalismo moderno,
verifica-se em alguns Estados a transformação do
Estado de Direito (ou liberal) em Estado Social,
cujas PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS são as
seguintes:
• aparecimento das primeiras constituições
escritas
• Intervenção no âmbito social, econômico e
laboral: o Estado Social abandona a postura
abstencionista e passa a intervir nas relações
econômicas, sociais e trabalhistas;
• Papel decisivo na produção e distribuição de
bens;
• Garantia de um mínimo de bem-estar social
“Welfare State” (“O Estado do Bem-Estar Social”);
• Sofisticação da interpretação do direito
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PÓS-POSITIVISMO CONSTITUCIONALISMO CONTEMPORÂNEO
(NEOCONSTITUCIONALISMO)
O pós-positivismo é o paradigma jurídico do
constitucionalismo contemporâneo, como
uma filosofia do Direito que surge após a
Segunda Guerra Mundial, quando
perceberam que a legalidade estrita poderia
dar fundamento a muitas atrocidades (como
ocorreu na Alemanha nazista, que era um
Estado de Direito).
O pós-positivismo passou a buscar a
reaproximação entre o direito e a moral, ou
seja, com a noção de justiça. Não representa
um retorno ao jusnaturalismo, mas algo
novo. Ele tenta ser um ponto intermediário
entre o jusnaturalismo (direito natural,
posto) e juspositivismo.
Robert Alexy foi quem melhor definiu o pós-
positivismo, a partir da identificação dos
elementos dos dois paradigmas jurídicos que
o antecederam: jusnaturalismo e
positivismo.
A preocupação dos jusnaturalistas era com a
justiça. “O direito extremamente injusto não
é direito”, por falta de correção substancial
(Robert Alexy). Contudo, não é qualquer
injustiça que descaracteriza o direito.
No positivismo jurídico, por sua vez, dois
elementos estão sempre presentes nos
conceitos de Direito desenvolvidos por seus
teóricos: validade formal e eficácia social. A
preocupação dos positivistas era com a
segurança jurídica.
Aqui o Direito e moral são coisas distintas
Para composição de seu conceito de Direito,
os pós-positivistas conjugam os três
elementos mencionados pelo
jusnaturalismo e juspositivismo: correção
substancial (justiça em seu conteúdo);
validade formal e eficácia social.
Para a teoria do jusnaturalismo, princípio e
O constitucionalismo contemporâneo é chamado
pela Escola do Rio de Janeiro de
“neoconstitucionalismo”, expressão criticada
pelos doutrinadores da Universidade de São
Paulo.
O constitucionalismo contemporâneo surge com
o fim da Segunda Guerra Mundial (1945), a partir
das experiências e atrocidades terríveis
praticados pelo Nazismo. Houve a reaproximação
do Direito e a Moral. São expoentes: Robert Alexy
e Ronald Dworkin.
O valor constitucional supremo e fundamental
passa a ser a dignidade da pessoa humana.
Essa é a grande mudança de paradigma: a
preocupação com o ser humano e sua dignidade,
independendo de qualquer condição pessoal.
Portanto, conceitua-se neoconstitucionalismo
como sendo um movimento jusfilosófico pós-
guerra de fortalecimento dos direitos
fundamentais, de reconhecimento da força
normativa da Constituição e dos princípios nela
contidos e de ampliação da jurisdição
constitucional.
O pós-positivismo, por sua vez, é uma teoria
global, para qualquer ordenamento, motivo pelo
qual não se confunde com o
neoconstitucionalismo. Barroso ainda afirma que
o pós-positivismo é o marco filosófico do
neoconstitucionalismoLicenciado para - G
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norma eram diferentes: princípio seria
diretriz, conselho, sem caráter vinculante,
enquanto norma seria regra obrigatória e
vinculante.
Os positivistas continuaram a diferenciar
princípio de norma.
Os pós-positivistas passam a adotar a
seguinte distinção: a norma jurídica é o
gênero de que são espécies os princípios e as
regras.
Por isso diz-se que, enquanto no positivismo
o principal protagonista era o legislador, no
pós-positivismo o principal protagonista é o
JUIZ, que aplicará os princípios com base em
métodos hermenêuticos de ponderação de
valores, extremamente subjetivos.
AS PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS:
• Adequação entre positivismo e
jusnaturalismo;
• Reconhecimento do caráter normativo dos
princípios (Ronald Dworkin e Robert Alexy).
AS PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS:
• Reconhecimento definitivo da normatividade
da Constituição;
• Centralidade da Constituição;
• Maior abertura da interpretação e aplicação
da Constituição
• Fortalecimento do Poder Judiciário;
Assim, tal característica é que faz com que o
neoconstitucionalismo seja um misto da
experiência americana e da experiência francesa:
• Extração do constitucionalismo FRANCÊS:
Retira-se o extenso conteúdo que envolve o
tratamento de várias matérias, ou seja,
prolixidade, bem como o reconhecimento da
normatividade da Constituição.
No constitucionalismo francês, a garantia
jurisdicional da constituição não era assegurada,
ou seja, não havia efetiva normatividade da
constituição.
• Extração do constitucionalismo NORTE-
AMERICANO: Retira-se da constituição norte-
americana a garantia jurisdicional, eis que o
Judiciário detém o papel de garantir a efetividade
da constituição.
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20
#MEMORIZA
Sentido SoSSiológico - (LaSSale)
Sentido PolíTTico - (Carl SchimiTT)
Sentido JurídiKo - (Kelsen)
CONCEPÇÕES DE CONSTITUIÇÃO
SENTIDO SOCIOLÓGICO
(Ferdinand Lassale)
OBRA: A ESSÊNCIA DA CONSTITUIÇÃO
Constituição é conhecida como um fato social. É fruto da realidade social
do país, de forma que as forças que imperam definem o conteúdo da
Constituição.
Ferdinand Lassalle diz que “a Constituição seria a soma dos fatores reais
de poder que atuam naquele país”. Esta seria Constituição. No entanto,
também haveria uma Constituição escrita, denominada de “folha de
papel”.
SENTIDO POLÍTICO
(Carl Schmitt)
OBRA: TEORIA DA CONSTITUIÇÃO
Para essa concepção a Constituição não é uma lei, mas uma decisão
política fundamental tomada pelo titular do Poder Constituinte.
Carl Schmitt era um decisionista e, por isso, dizia que se a Constituição
refletir a decisão do titular, ela será válida, ainda que suas normas sejam
injustas. Essa decisão é um ato político.
SENTIDO JURÍDICO
(Hans Kelsen)
OBRA: TEORIA PURA DO DIREITO
Para essa concepção a Constituição é uma lei, a lei mais importante de
todo ordenamento jurídico, sendo, portanto, o pressuposto de validade de
todas as outras leis, assim, para que uma lei seja válida, ela precisa ser
compatível com a Constituição. Hans Kelsen dizia que a “Constituição é
norma pura, puro dever ser”.
SENTIDO NORMATIVO
(Konrad Hesse)
Essa concepção é a refutação da concepção de Ferdinand Lassalle. Um
contesta o outro. Hesse diz que o papel de uma Constituição não é
espelhar uma realidade, não devendo se curvar à essa realidade. Ao
contrário, a própria Constituição poderá irradiar uma força normativa que,
para Lassalle, a conformava. Para Hesse, a Constituição é maior do que a
realidade. Para tanto, não é necessário a vontade de poder, sendo
necessário se falar em vontade de Constituição, ou seja, um sentimento
constitucional.
SENTIDO CULTURALISTA
(Meirelles Teixeira)
Para essa concepção, a cultura de uma comunidade influencia a
Constituição, mas a Constituição também influencia a comunidade. A
Constituição é condicionada, mas também é condicionante por essa
cultura. Esse sentido leva em consideração todos os demais sentidos ou
concepções acima referidas
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21
CLASSIFICAÇÃO DAS CONSTITUIÇÕES
ORIGEM A. OUTORGADA
Constituição imposta pelo governante, sem a participação popular.
É uma usurpação do titular do poder constituinte.
Exemplos de Constituições Brasileiras outorgadas:
1824 (D. Pedro I)
1937 (Getúlio Vargas)
1967 (Militares)
1969 (EC 01/69)
B. CESARISTA /(BONAPARTISTA)
Há a elaboração unilateral da Constituição, mas ela é submetida
posteriormente à uma ratificação popular, por meio de referendo. O
povo não participa da elaboração da Constituição, motivo pelo qual ela
não trata dos anseios populares. A Constituição de 1937 previa a
submissão ao plebiscito, mas isto jamais ocorreu.
Exemplo: Plebiscitos Napoleônicos.
C. PACTUADA (DUALISTA)
Contén um pacto, originando-se de duas forças políticas rivais. É o que
ocorreu com a burguesia ascendente e a realeza descendente. Há
basicamente dois titulares do Poder Constituinte.
Exemplo: Magna Carta de 1215; e
D. DEMOCRÁTICA
É a Constituição popular, pois há participação popular direta (referendo
ou plebiscito) ou indireta (representatividade popular).
Exemplos das Constituições Brasileiras democráticas:
1891, 1934, 1946 , 1988.
ESTABILIDADE A. IMUTÁVEIS
Aquela em que o texto não pode ser alterado. Contudo, não existe.
Exemplo: a Constituição de 1824 foi imutável nos primeiros quatro
anos.
B. RÍGIDA
a) Possui um procedimento especial mais rigoroso de alteração do que
aquele aplicado para as demais normas. Garante maior estabilidade ao
texto constitucional.
b) Exemplo: CF/88
A partir da rigidez, há o princípio da supremacia formal da Constituição,
que garante a ela uma superioridade frente às demais leis. Por conta da
supremacia formal, haverá o controle de constitucionalidade, o qual é
dependente da rigidez constitucional.
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22
CLÁUSULA PÉTREAS: ATENÇÃO
as cláusulas pétreas são cláusulas que trazem matérias que não
podem ser abolidas por meio de emendas constitucionais
(núcleo não suprimível) sendo que, na CF/88 estão previstas no
art. 60, §4º.
A existência dessas cláusulas pétreas na CF/88 é o que justifica
a posição de Alexandre de Moraes, quando a classifica como
Constituição SUPER-RÍGIDA.
CONSTITUIÇÕES TRANSITORIAMENTE FLEXÍVEIS:
Uadi Lammego Bulos diz ser transitoriamente flexíveis as
constituições suscetíveis de reforma pelo mesmo rito das demais
leis por um determinado período. Após este período, passam a
ser rígidas.
C. SEMI RÍGIDA (SEMI-FLEXÍVEL)
c) Parte da constituição é mais rígida e parte é mais flexível.
d) Exemplo: Brasil: 1824, após os quatro primeiros anos foi alterada.
D. FLEXÍVEL
e) Possui o mesmo processo de alteração destinado às outras leis. Não há
controle de constitucionalidade das leis.
f) Exemplo: Constituição Inglesa.
FORMA A. ESCRITA
Regras sistematizadas em um documento escrito. Apresentam-se de
duas formas:
• Codificadas: num único texto Ex.: CF/88
• Legais: esparsas em diversos documentos.
B. NÃO ESCRITA (COSTUMEIRA)
As normas constitucionais não são solenementeelaboradas. Ela surge
pelos costumes, usos, jurisprudência e leis.
Tanto em Constituições escritas como não escritas existem leis que
tratam de normas constitucionais, mas nas costumeiras não há
procedimento solene de inclusão. Exemplo: Constituição da Inglaterra.
ELABORAÇÃO A. DOGMÁTICAS (ORTODOXA)
Fruto de um trabalho legislativo específico; reflete os dogmas de um
momento histórico. Todas as Constituição brasileiras foram dogmáticas.
Assim, poderá ser:
• Ortodoxas: uma só ideologia; ou
• Eclética: soma de diferente ideologia.
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23
B. HISTÓRICAS
São as não escritas, pois resultam de um lento processo histórico de
formação.
EXTENSÃO A. ANALÍTICA
É a extensa e versa sobre matérias além da organização básica do Estado;
trata de assuntos que deveriam ser tratados pela legislação
infraconstitucional. Exemplo: CF/88.
B. SINTÉTICA
É concisa, versando somente sobre princípios e regras gerais básicas de
realização e funcionamento do Estado. Exemplo: Constituição dos EUA.
CONTEÚDO A. MATERIAL
Traz assuntos essenciais do Estado, ou seja, possui apenas conteúdo
constitucional, não importando se prevista em uma ou várias normas.
Exemplo: direitos fundamentais.
B. FORMAL
Além de possuir conteúdo constitucional, também prevê outros
assuntos, pois não importa o conteúdo, mas sim, a forma especial pela
qual foi aprovada. Exemplo: esportes envolvendo animais (art. 225, §7º),
Colégio Pedro II (art. 242, §2º).
Para se falar em constituições materiais ou formais, é forçoso que a
Constituição seja rígida, pois, do contrário, não haveria como falar em
constituição.
FUNÇÃO OU FINALIDADE
(José Joaquim Gomes Canotilho)
A. GARANTIA (Constituição-quadro)
É sintética, pois limita-se a prever os limites e garantias fundamentais, a
fim de limitar do poder estatal. Está ligada aos direitos de primeira
geração. É típica de estados liberais. Aparentemente, não fazem opções
de política social ou econômica. Tem um olhar voltado para o passado
B. BALANÇO (Constituição-registro)
Escreve e registra a organização política estabelecida, fazendo um
balanço quanto ao momento que passa o Estado. É própria dos regimes
socialistas e, como tal, a cada novo estágio do socialismo, tem-se uma
nova constituição. Destinada a disciplinar a realidade do Estado. Tem um
olhar voltado para o presente.
Exemplo: Constituições da URSS de 1924, 1936 e 1977;
C. DIRIGENTE (aspiracional):
É analítica, pois define planos para o Estado. O constituinte dá as regras
de como ele vai querer a sociedade futuramente. Caracteriza-se por
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24
normas programáticas, principalmente as sociais (Welfare State). Tem
um olhar para o futuro. Exemplo: art. 3º da CF/88.
#JÁCOBROU
Ano: 2021 - Banca: FCC - Órgão: DPE-SC - Prova: FCC - 2021 - DPE-SC - Defensor Público
A Constituição é definida como decisão política do titular do poder constituinte por:1
A. Karl Loewenstein
B. Ferdinand Lassalle
C. Carl Schmitt
D. Hans Kelsen
E. Rudolf von Ihering
#HORADEPRATICAR
Faça no mínimo de 15 a 30 questões
Utilize essa tabela abaixo para verificar a quantidade de questões que acertou ou errou:
Quantidade de Questões Percentual de acertos Revisadas?
1 Gabarito: c
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25
DIREITOS HUMANOS
TEORIA GERAL DOS DIREITOS HUMANOS
Conceito dos direitos humanos :
No que diz respeito ao conceito de direitos humanos, não há um entendimento doutrinário pacífico,
tampouco uma jurisprudência internacional abalizada, cabendo a doutrina, portanto, a missão de
fornecer o conceito de direitos humanos. Desta forma, podemos entender os direitos humanos como:
➔ “A proteção de maneira institucionalizada dos direitos da pessoa humana contra os
excessos de poder cometidos pelos órgãos do Estado ou regras para se estabelecer
condições humanas de vida e desenvolvimento da personalidade humana” (UNESCO, 1978,
p. 11, “apud” ÂNGELO, 1998, p. 17).
➔ “Um conjunto de faculdades e instituições que, em cada momento histórico, concretizam
as exigências da dignidade, liberdade e igualdade humanas, as quais devem ser
reconhecidas positivamente pelos ordenamentos jurídicos em nível nacional e
internacional” (TAVARES, 2008, p. 461).
Dos conceitos apresentados, percebe-se que, apesar de diferentes, ambos convergem para um mesmo
ponto, qual seja: situações protetivas mínimas que buscam garantir uma melhor condição ao ser
humano.
A expressão direitos humana representa o conjunto das atividades realizadas de maneira consciente,
com o objetivo de assegurar ao homem a dignidade de evitar que passe por sofrimentos. Essa é a opinião
de Carlos Santiago Niño, no livro “Ethics of Human Rights”. Ainda, é possível sintetizar os direitos humanos
como sendo o conjunto de direitos que concretiza e materializa a dignidade humana.
A dignidade da pessoa humana tem uma função dúplice ou ambivalente. Vejamos:
a) Função unificadora: eixo axiológico (valorativo) de todo ordenamento jurídico;
b) Função hermenêutica: interpretação, inspiração e limitação da interpretação da aplicação do
direito.
Teoria geral dos direitos humanos: conceito, terminologia, estrutura normativa, fundamentação.
Afirmação histórica dos direitos humanos
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26
DIREITOS DO HOMEM, DIREITOS FUNDAMENTAIS E DIREITOS HUMANOS
No meio doutrinário existe uma clássica distinção entre as expressões direitos do homem, direitos
fundamentais e direitos humanos, que apesar de conexas, são distintas. Vejamos:
a) Direitos do homem: são aqueles direitos que dispensam positivação, pois há uma conexão direta e
natural, inerente a condição de ser humano (jusnaturais). Exemplo: direito à liberdade;
c) Direitos humanos (em sentido estrito): essa expressão representa a positivação dos direitos naturais
na ordem jurídica externa, ou seja, em tratados, acordos e convenções internacionais.
Exemplo: direito à vida previsto no art. 4º do Pacto de São José da Costa Rica; e
c) Direito fundamentais: essa expressão representa a positivação na ordem jurídica interna, ou seja, na
Constituição Federal, em leis específicas, em atos normativos, etc., significando que os tratados
internacionais de direitos humanos foram devidamente incorporados ao ordenamento jurídico de um
Estado. Exemplo: direito à vida previsto no art. 5º da Constituição Federal de 1988.
#ATENÇÃO
QUANTO AS TERMINOLOGIAS “DIREITOS HUMANOS” E “DIREITOS FUNDAMENTAIS”
A nomenclatura DIREITOS HUMANOS, é utilizada no campo INTERNACIONAL, enquanto a nomenclatura
DIREITOS FUNDAMENTAIS, é utilizada no texto da CONSTITUIÇÃO FEDERAL. Ambas as terminologias, em
regra, pronunciam algo em comum: um conjunto de direitos políticos, civis, sociais, econômicos e
culturais garantidos pelo Estado a todos os seres humanos.
FUNDAMENTOS DOS DIREITOS HUMANOS
a) Jusnaturalista:
Funda-se na existência de um direito preexistente ao direito produzido pelo homem; é o fundamento
mais notado na percepção de Direitos humanos (direito de greve, de fuga, nemo tenetur se detegere,
autodefesaetc.); viés religioso (anedota de Antígona); e viés contrualista (Iluminismo).
b) Positivista (nacionalista):
Os direitos humanos justificam-se graças a sua validade formal e sua previsão no ordenamento posto
(Estado Constitucional), baseado na Teoria da Hierarquia das Normas. Uma tragédia chamada nazismo
originou-se desse pensamento.
c) Utilitarista:
o utilitarismo clássico sustenta que a avaliação de uma conduta decorre de suas consequências e não do
reconhecimento de direitos, pois todos os agentes de uma sociedade se comportam buscando uma
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27
recompensa por qualquer atitude (utilidade).
d) Socialista e comunista:
vistos como instrumento para o alcance da meta de eliminação da luta de classes.
e) Negacionista (Bobbio):
Nega a possibilidade de se encontrar um fundamento para os direitos, por 3 motivos:
I - Vagueza da expressão “direitos humanos”;
II - Variação de conteúdo (catálogo) dos direitos humanos; e
III- Heterogeneidade (cada religião do globo terrestre prestigia um determinado bloco de direitos
humanos).
CARACTERÍSTICAS DOS DIREITOS HUMANOS
Os direitos humanos são dotados de infindáveis características, por isso, tendo em vista o objetivo da
presente obra, serão abordadas as principais características apontadas pelos doutrinadores:
a) Historicidade:
os direitos humanos são históricos, pois estão vinculados ao desenvolvimento histórico e cultural do ser
humano, que com o passar do tempo foi sendo positivado nas legislações. Isso quer dizer que os direitos
humanos foram construídos ao longo do tempo. É fruto de uma emancipação evolutiva, que foi ganhando
espaço com a mudança de perspectiva da sociedade, sendo que a sua valorização efetivada após a
Segunda Guerra Mundial, com a criação da Organização das Nações Unidas (ONU) e a internacionalização
dos direitos humanos.
Precedente histórico: Convenção de Genebra sobre Direitos Humanos, sendo a primeira a
ser assinada por países europeus e destinada a proteger militares feridos nos exércitos em
campanha (guerra), bem como a criação da Liga das Nações após a Primeira Guerra
Mundial, que visava evitar um novo conflito bélico mundial e, por fim, a criação da
Organização Internacional do Trabalho para a proteção dos Trabalhadores (OIT) em 1919
(Tratado de Versalhes).
b) Universalidade:
os direitos humanos são universais, ou seja, destinam-se a todos, independentemente da condição
econômica ou social, bastando ter a condição de ser humano para titularizar tal direito. É uma
preocupação generalizada da raça humana. Essa característica permite que o indivíduo pleiteei seus
direitos perante instância externas em caso de insatisfação quanto aos mecanismos internos.
Exemplo: Cortes e Tribunais Internacionais.
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28
“Todo e qualquer ser humano é sujeito ativos desses direitos, podendo pleiteá-lo em qualquer foro
nacional ou internacional” – parágrafo 5º da Declaração e Programa de Ação de Viena, de 1993.
#ATENÇÃO:
Em alguns países, por conta da tradição, alguns dos direitos humanos são relativizados.
Exemplo: obrigação da mulher usar determinada vestimenta.
c) Essencialidade: são essenciais por natureza, tendo por conteúdo os valores supremos do ser humano
e a prevalência da dignidade humana (conteúdo material), revelando-se essenciais, também, pela sua
especial posição normativa (conteúdo formal), permitindo-se a revelação de outros direitos fundamentais
fora do rol de direitos expresso nos textos constitucionais.
d) Inerência: pertencem a todos os indivíduos pelo simples fato de serem pessoas humanas. Basta a
condição de ser pessoa humana. É a qualidade de pertencimento desses direitos a todos os membros da
espécie humana, sem qualquer distinção.
e) Irrenunciabilidade: diferentemente do que ocorrer com os direitos subjetivos em geral, os direitos
humanos são irrenunciáveis, isso quer dizer que, a autorização do titular não justifica ou convalida
qualquer violação do seu conteúdo.
#CUIDADO #BBB
O STF admite, excepcionalmente, a renúncia temporária de direitos que não atinjam a dignidade da
pessoa humana de forma flagrante.
Exemplo: “Big Brother Brasil” – contrato de não exercício da vida privada, de forma temporária.
f) Inalienabilidade: os direitos humanos são inalienáveis, ou seja, inegociáveis. Não é possível transferir
ou ceder tais direitos, ainda que gratuitamente, ainda que com o consentimento da pessoa, portanto,
chega-se à conclusão que tais direito também são indisponíveis e inesgotáveis.
g) Indivisibilidade: os direitos humanos são indivisíveis, pois compõem um único conjunto de direitos.
Trata-se de um bloco orgânico de proteção;
h) Imprescritibilidade: os direitos humanos são imprescritíveis, ou seja, não sofre alteração com o decurso
do tempo. Não há limite de tempo para o seu exercício e nem há perda pela ausência do uso. Como não
estão sujeitos a nenhum prazo legal para o seu exercício, são exigíveis a qualquer momento. HC 82.424
STF.
#ATENÇÃO:
Existem limitações expressamente prevista por tratados internacionais que estabelecem perante as
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29
Cortes ou Instâncias internacionais prazos para o acionamento de certos órgãos.
Exemplo: A comunicação ou petição para a Comissão Interamericana de Direitos Humanos regrada pelo
art. 46, §1º, alínea “b”.
i) Complementariedade (ou interdependência): os Direitos Humanos se complementam, pois, estão
vinculados uns aos outros, tanto em relação as gerações ou dimensões quanto em relação aos sistemas
de proteção. O direito à vida deve ser protegido individualmente, coletivamente e universalmente.
Exemplo: quanto mais educação, melhores condições sociais e maior a longevidade.
“Os direitos humanos estão vinculados uns aos outros” – parágrafo 5º da
Declaração e Programa de Ação de Viena, de 1993.
j) Limitabilidade (ou relatividade): tais direitos não são absolutos, isso quer dizer que, por vezes, dois
direitos fundamentais poderão se chocar causando o chamado “conflito positivo”. São limitáveis em
situações excepcionais previstas nas legislações, como, por exemplo, a prisão de um indivíduo que
cometeu uma infração (limitação da liberdade de ir e vir).
“O limite de idade para a inscrição em concurso público só se legitima em face do
art. 7º, inciso XXX, da CF/88, quando possa ser justificado pela natureza das
atribuições do cargo a ser preenchido” – Súmula nº. 683 STF.
#ATENÇÃO:
Apesar da Limitabilidade inerente a natureza dos direitos humanos, a doutrina sustenta que a vedação
à tortura, ao racismo e a escravidão são proteções absolutas.
k) Vedação ao retrocesso, efeito “cliquet”, vedação do regresso ou efeito ampliativo dos Direitos
Humanos: uma vez estabelecidos os direitos humanos, não se admite o retrocesso visando a sua limitação
ou diminuição. Ou seja, os Estados estão proibidos de retroceder em matéria de proteção dos direitos
humanos. Admite-se a ampliação e inovação de direitos. Exemplo: no Brasil, a proibição do
restabelecimento da prisão civil para o depositário infiel – art. 7º, §7º, da Convenção Americana de
Direitos Humanos. RE 466.343 STF. SV Nº. 25.
l) Inexauribilidade: os direitos humanos são inexauríveis, sendo essa uma das suas principais
características,porque eles sempre poderão ser expandidos, ampliados, exatamente como dispõe o art.
5º, §2º, da Constituição Federal.
EVOLUÇÃO HISTÓRICA DOS DIREITOS HUMANOS
Existem diferentes formas de explicar a evolução histórica dos direitos humanos, a qual pode ser
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representada pela cronologia dos documentos mais importantes para a formação e o reconhecimento
das liberdades, os quais se iniciam com as Declarações e vão até as Constituições e, através das gerações
(ou dimensões) de direitos humanos, por exemplo.
QUANTO AOS MARCOS E PENSAMENTOS RELEVANTES:
Os doutrinadores destacam três marcos históricos fundamentais, quais sejam:
ILUMINISMO
(ou Era da Razão)
REVOLUÇÃO FRANCESA SEGUNDA GUERRA MUNDIAL
(término):
Foi uma revolução intelectual
que ocorreu no continente
europeu, mais especificamente
na França, no século XVIII. O
Iluminismo rompeu com a
forma de pensar da época, pois
procurava uma explicação por
meio da razão para os
acontecimentos.
Foi um movimento político e
social que questionava os
privilégios da nobreza e do clero,
bem como o poder absoluto do
monarca. Essa revolução ocorreu
por volta de 1789, momento em
que a França enfrentava uma
grande crise econômica, sendo
que a maioria dos trabalhadores
rurais pagava excessiva carga
tributária. A indústria também
funcionava, mas de forma
artesanal, e o comércio também
enfrentava dificuldades
(HUBSBAWM, 1996).
Em 1945 chegávamos ao fim da
Segunda Grande Guerra e o
período pós-guerra instaurou
uma nova lógica planetária,
exaltando a importância do
indivíduo como sujeito do
Direito Internacional, o qual foi
materializado pelo Sistema
Global de proteção dos direitos
humanos (da Organização das
Nações Unidas) e,
posteriormente,
complementado pelos
Sistemas Regionais (Europeu,
Americano e Africano).
Documentos de destaque:
*Carta da ONU de (1945),
*Declaração Universal de
Direitos Humanos de (1948).
#LEMBRE-SE:
O lema da Revolução Francesa era: liberdade, igualdade e fraternidade
#IMPORTANTE:
A principal vitória da Revolução Francesa foi: A Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, de
1789. Essa declaração assegura, dentre outros, os direitos a liberdade, a igualdade e a propriedade.
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QUANTO AS CORRENTES DE PENSAMENTOS:
Após a guerra, surge uma nova corrente de pensamentos, qual seja, o pós-positivismo. Dessa forma,
passa-se a análise das correntes de pensamentos relevantes (jusnaturalismo, positivismo e pós-
positivismo).
• Jusnaturalismo: aponta os direitos humanos em uma ordem suprema, universal, divina e
inderrogável. Para essa corrente os direitos humanos não são uma obra humana e sim, natural.
Jusnaturalismo: direitos humanos anteriores à Constituição e inerentes à natureza humana.
• Positivismo (ou historicismo): aponta os direitos humanos como uma criação normativa,
positivados, uma vez que são construídos pela manifestação legítima da soberania do povo.
Positivismo: direitos humanos presentes na Constituição (norma posta).
• Pós-positivismo: a superação histórica do Jusnaturalismo e o fracasso do positivismo deram
origem ao pós-positivismo, o qual é considerado a designação provisória e genérica de um ideário
difuso, no qual se incluem a definição das relações entre valores, princípios e regras, aspectos da
chamada nova hermenêutica e a teoria dos direitos fundamentais. (BARROSO, 2019).
Com o pós-positivismo passa-se a existir uma distinção entre princípios e regra, os quais são espécies do
gênero norma, e ostentam normatividade.
Essa mudança de paradigma, tem base nas concepções de Ronald Dworkin e aos desenvolvimentos
produzidos por Robert Alexy, pois a conjugação das ideias desses dois autores dominou a teoria jurídica
e passou a constituir o conhecimento convencionado da matéria (BARROSO, 2004).
QUANTO A EVOLUÇÃO HISTÓRICA DOS DOCUMENTOS:
Conforme mencionado, a evolução histórica dos direitos humanos também pode ser representada pela
ordem cronológica dos documentos mais importantes para a formação e reconhecimento das liberdades.
Vejamos:
1. Magna Carta, de 1215: Foi um acordo firmado pelo Rei João Sem Terra, com o objetivo de
proteger os direitos dos ingleses, originários da “Law of the land” (Lei da
Terra). Esse documento em que pese era restrito aos ingleses, influenciou
inúmeros outros documentos.
Dentre os direitos previstos na Magna Carta, estão: o respeito à liberdade
de ir e vir; a propriedade privada, sucessão hereditária, matrimônio,
menores, penas pecuniárias, solução de questões jurídicas, serviço militar,
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32
etc
2. Petition of Rights
(petição de direitos),
de 1628:
Foi um documento dirigido ao monarca, por meio do qual os
parlamentares pediram o reconhecimento de diversos direitos e
liberdades para os súditos. Homem livres deveriam ter seus direitos
garantidos, sem sofrer abusos por parte do Rei.
3. Habeas Corpus Act, de
1679:
Foi um documento instituído no reinado de Carlos II como uma espécie
de remédio judicial destinado a evitar ou fazer cessar a violência ou a
coação na liberdade de locomoção por ilegalidade ou abuso de poder.
Esse documento foi fortemente influenciado pela Magna Carta, pois
almeja, precipuamente, garantir o direito de ir e vir.
4. Bill of Rights
(declaração de
direitos), 1689:
Esse documento marca o surgimento de uma monarquia constitucional
na Inglaterra, submetendo à soberania popular (“o Rei reina, mas não
governa”). Esse documento declarou como ilegais os atos da realeza, que
sem permissão do parlamento, retirasse direitos das pessoas ou
arrecadação de dinheiro.
5. Declaração dos
Direitos do Estado da
Virginia, de 1776:
Essa declaração traz uma noção mais clara de direitos individuais, pois foi
a primeira declaração de direitos fundamentais no sentido moderno.
Essa declaração trata de direitos, como: direito de igualdade, à
felicidades, separação dos poderes, devido processo legal, juiz natural e
imparcial, dentre outros.
Nesse mesmo ano, em 04 de julho, há também a Declaração Americana
da Independência.
6. Declaração dos
Direitos do Homem e
do Cidadão, de 1789:
É a mais famosa de todas as declarações, encontrando-se em vigor até
hoje na França, compondo o seu bloco de constitucionalidade. A sua
finalidade é proteger os direitos dos homens contra os atos do governo;
instruir os indivíduos dos seus direitos fundamentais (caráter
pedagógico); destaca os princípios da legalidade e da igualdade de todos
perante a lei, e da soberania popular. Foi a base da Declaração Universal
de Direitos Humanos da ONU, de 1948.
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7. Constituição do
México, de 1917:
Essa Constituição revolucionou ao positivar em seu corpo os direitos
econômicos, sociais e culturais. Representa um marco histórico na
afirmação dos direitos humanos de segunda geração (ou dimensão) ao
traçar um elenco de direitos trabalhistas e previdenciários e lhes
imputando a qualidade de direitos fundamentais.
8. Constituiçãode
Weimar, de 1919:
Essa Constituição surgiu após o término da Primeira Guerra Mundial
(1914-1918). Ela seguiu e aprimorou os parâmetros delineados pela
Constituição do México no que diz respeito ao Estado Democrático Social.
Estabeleceu um novo modelo constitucional para os direitos sociais e
influenciou outras Constituições, como a do Brasil de 1934
.
#JÁCOBROU
Ano: 2018 Banca: VUNESP Órgão: PC-SP Prova: VUNESP - 2018 - PC-SP - Delegado de Polícia.
Esse documento histórico de remota conquista dos direitos humanos foi editado com o escopo de
assegurar a Supremacia do Parlamento sobre a vontade do Rei, controlando e reduzindo os abusos
cometidos pela nobreza em relação aos seus súditos, em especial declarando, dentre outras conquistas,
o direito de petição, eleições livres e a proibição de fianças exorbitantes e de penas severas: 2
A. Petition of Rights, de 1628.
B. Habeas Corpus Act, de 1679.
C. The Bill of Rights, de 1689.
D. Declaração de Direitos do Homem e do Cidadão, de 1789.
E. Magna Carta, de 1215
QUANTO AS GERAÇÕES (ou dimensões) DE DIREITOS HUMANOS:
A teoria das gerações (ou dimensões) de direitos humanos foi desenvolvida por Karel Vasak por meio de
um texto publicado em 1977, e por uma palestra proferida em 1979, que foi fruto de uma Conferência no
Instituto Internacional de Direitos Humanos de Estrasburgo, na França. O jurista se inspirou nos ideais da
Revolução Francesa: liberté, egalité, et fraternité.
Esses ideais também estão representados na bandeira da França, composta por TRÊS FAIXAS VERTICAIS
nas cores: AZUL (poder legislativo), BRANCA (poder executivo) e VERMELHO (povo).
Partindo do lema revolucionário registrado na bandeira da França, existem três gerações (ou dimensões)
clássicas de direitos, saber:
2 Gabarito:c
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PRIMEIRA GERAÇÃO
(Direitos civis e políticos)
SEGUNDA GERAÇÃO
(Direitos econômicos,
sociais e culturais)
TERCEIRA GERAÇÃO
(Direitos difusos)
EXEMPLOS:
Vida, Liberdade, Intimidade
EXEMPLOS:
Direitos Trabalhistas,
Previdenciários, Econômicos,
Sociais, Culturais.
EXEMPLOS:
Fraternidade entre os povos,
Meio ambiente etc.
PALAVRA-CHAVE dos direitos
humanos de primeira geração
é LIBERDADE, com conotação
exclusivamente individual.
Essa geração é dos direitos civis
e políticos (liberdades públicas
ou direitos de defesa).
Tem como característica
marcante a sua aplicabilidade
imediata, a qual impõe uma
obrigação de NÃO FAZER ao
Estado. Eis o seu caráter
negativo. Por isso que a sua
principal meta é limitar os
abusos de poder.
Exemplo: art. 5º da CF traz um
rol exemplificativo de direitos
de primeira geração.
Documentos históricos:
• Magna Carta, de 1215.
• Paz de Westfália, de 1648.
• Habeas Corpus Act, de
1679.
• Bill of Rights, de 1688.
• Declarações, americana de
19776 e francesa de 1789.
TRATADOS:
–Tratados PIDCP
– Dec. nº. 592/92 e CADH
– Dec. nº. 678/92.
PALAVRA-CHAVE dos direitos
humanos de segunda geração é
IGUALDADE, mas agora, o
indivíduo é vislumbrado sob
uma perspectiva de grupo.
Essa geração é dos direitos
econômicos, sociais e culturais.
Tem como característica a sua
aplicabilidade mediata ou,
conforme convenções
internacionais, progressiva, pois
impões uma obrigação de
natureza positiva ao Estado, ou
seja, um FAZER, por meio de
ações em busca da igualdade
material.
Exemplo: art. 6º e 7º da CF.
Documentos históricos:
• Constituição do México, 1917.
• Constituição de Weimar,
1919.
• Tratado de Versalhes, 1919.
TRATADOS:
Pacto Internacional de Direitos
Econômicos, Sociais e Culturais,
de 1966.
PALAVRA-CHAVE dos direitos
humanos de terceira geração é
FRATERNIDADE/SOLIDARIEDADE,
pois abrangem um meio ambiente
equilibrado, a fraternidade entre
os povos, além de outros direitos
difusos.
Desse modo, busca-se proteger
um número indeterminado e
indeterminável de pessoas. São
enfatizados após a Segunda
Guerra Mundial, de 1945,
principalmente com a criação da
Organização das Nações Unidas e
a internacionalização dos direitos
humanos.
TRATADOS:
Estatuto de Roma – Dec. nº.
4.388/02, que criou o Tribunal
Penal Internacional para o
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julgamento de pessoas que
cometam crimes graves contra a
humanidade, de genocídio, de
guerra e agressão.
Essas três gerações (ou dimensões) mencionadas, como dito alhures, são tidas como clássicas, pois há
quem entenda existir até a sexta geração de direitos. Vejamos:
QUARTA GERAÇÃO QUINTA GERAÇÃO SEXTA GERAÇÃO
EXEMPLO:
Evolução da ciência
(biotecnologia),
Democracia (Estado Social)
EXEMPLO:
Paz universal
EXEMPLO:
Acesso à água potável
São conhecidos por direitos
“dos povos” e são frutos da
última fase da estruturação do
Estado Social. Abrangem o
direito à informação, ao
pluralismo, à democracia,
entre outros.
Sustenta Paulo Bonavides que:
deles depende a concretização
da sociedade aberta do futuro,
em sua dimensão de máxima
universalidade, para a qual
parece o mundo inclinar-se no
plano de todas as relações de
convivência.
Há quem sustente ser o direito
vinculado ao desenvolvimento
científico, também chamado
de desenvolvimento
biotecnológico (DNA,
genética, nanotecnologia,
clonagem, biotecnologia entre
outros). Sobre o tema,
Norberto Bobbio afirma: já se
Paulo Bonavides ensina que a
quinta geração (ou dimensão)
de direitos está vinculada ao
direito fundamental da paz e
assim sustenta: estuário de
aspirações coletivas de muitos
séculos, a paz é o corolário entre
todas as justificações em que a
razão humana, sob o pálio da lei
e justiça, fundamenta o ato de
reger a sociedade, de modo a
punir o terrorista, julgar o
criminoso de guerra, encarcerar
o torturador, manter invioláveis
as bases do pacto social,
estabelecer e conservar, por
intangíveis, as regras, princípios
e cláusulas da comunidade
política.
Zulmar Fachin e Deise Marcelino
da Silva defendem a existência de
uma sexta geração ou dimensão
de direitos que corresponde ao
acesso à água potável e, desse
modo, há o dever de receber do
Estado e também da sociedade o
tratamento adequado a fim de
que seja preservado em benefício
de todas as pessoas, quer dos
presentes, quer das gerações
futuras.
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#JÁCOBROU
Ano: 2018 Banca: FCC Órgão: DPE-MA Prova: FCC - 2018 - DPE-MA - Defensor Público
Podem ser considerados exemplos de direitos humanos de terceira geração o direito: 3
A. à imigração e refúgio, à participação na economia globalizada e à segurança.
B. ao trabalho, à paz mundial e à indivisibilidade entre os direitos.
C. à propriedade imaterial, à privacidade e ao pluralismo.
D. à bioética, o direito do consumidor e os direitos culturais
E. ao meio ambiente, ao desenvolvimento e à autodeterminação dos povos
#HORADEPRATICAR
Faça no mínimo de 15 a 30 questões.
Utilize essa tabela abaixo para verificar a quantidade de questões que acertou ou errou:
Quantidade de
Questões
Percentual de acertos Revisadas?
3 Gabarito:e.
apresentam novas exigências
que só poderiam chamar-se de
direitos de quartageração,
referente aos efeitos cada vez
mais traumáticos da pesquisa
biológica, que permitirá
manipulações do patrimônio
genético de cada indivíduo.
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TERÇA-FEIRA
▪ LEI SECA TODO DIA: ART.5º, CF
▪ REVISÃO DO DIA ANTERIOR:
DIREITO ADMINISTRATIVO
IMPORTANTE LER:
ART. 37, CF
ART. 173-175, CF
LEI Nº 8.429/92
NOÇÕES PRELIMINARES
DIREITO PRIVADO
DIREITO PÚBLICO
Voltado aos INTERESSES PESSOAIS
TUDO PODE, exceto o que a LEI PROIBIR
EX.: DIREITO CIVIL
Aqui o maior foco está no interesse do estado, ou
seja (INTERESSE COLETIVO)
Só poderá ser feito o que a LEI AUTORIZAR.
EX.: DIR. ADMINISTRATIVO
O ESTADO E SUAS FUNÇÕES:
Tradicionalmente, Estado é uma instituição organizada social, jurídica e politicamente, detentora de
personalidade jurídica de direito público e de poder soberano. O Estado, através das instituições e do
governo, tem por função gerir os interesses de um povo dentro de um território.
Tradicionalmente, o Estado tem 3 FUNÇÕES (Montesquieu e Aristóteles):
FUNÇÃO LEGISLATIVA FUNÇÃO EXECUTIVA FUNÇÃO JUDICIAL
Exerce função típica legislativa e
de fiscalização
Exerce função típica de
administrar
Função típica de julgar
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Direito Público e Direito Privado. Direito admnistrativo e conceito. Admnistração pública: Orgãos e
Conceito.
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38
a) Funções essenciais à justiça:
O mais interessante é que a Constituição traz funções essenciais à justiça:
• Ministério Público (art. 127- art.130-A, CF)
• Advocacia pública (art. 131- art.132, CF)
• Advocacia (art. 133, CF)
• Defensoria pública (art. 134- art.135, CF)
b) Função administrativa:
A função administrativa é exercida tipicamente pelo Poder Executivo. O Poder Legislativo e o Poder
Judiciário também exercem a função administrativa.
A doutrina identifica a função administrativa através de 03 CRITÉRIOS:
CRITÉRIO
SUBJETIVO (orgânico)
CRITÉRIO
OBJETIVO (material)
CRITÉRIO
OBJETIVO (formal)
Para ser função administrativa é
necessário observar o sujeito
que exerce, ou seja, o órgão.
para haver função administrativa
é necessário que o conteúdo, ou
da matéria tratada.
o que importa é a forma.
Portanto, será considerada
função administrativa com
base no regime que disciplina o
assunto ou atividade.
A função administrativa do Estado compreende diversas ATIVIDADES, tais como:
FOMENTO Atividade administrativa que estimula a iniciativa privada
INTERVENÇÃO Atividade da administração no domínio econômico, seja
diretamente (Estado exerce atividade econômica) ou
indiretamente (Estado regulamenta o exercício ou fiscaliza a
atividade econômica).
SERVIÇO PÚBLICO Há uma atividade ou serviço prestado. É uma atividade
direcionada a proporcionar comodidade aos administrados
PODER DE POLÍCIA ou
POLÍCIA ADMNISTRATIVA
Há uma atividade que restringe o exercício das liberdades
individuais em prol da coletividade.
#MEMORIZA = F I S P
Fomento,
Intervenção,
Serviço público e
Poder de polícia
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39
#MEMORIZA
Quem é a admnistração?
FORMORGS
#MEMORIZA
O que a admnistração faz?
MATOFU
SENTIDOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA
A administração pública pode ser entendida em 02 SENTIDOS:
SENTIDO
FORMAL, ORGÂNICO, SUBJETIVO
SENTIDO
MATERIAL, OBJETIVO, FUNCIONAL
É a administração pública como sujeito.
É o órgão, entidade ou agente que tenha
atribuição de exercer a atividade administrativa
É a atividade administrativa exercida.
Quem é a admistração pública?
- Orgão públicos
- Pessoas jurídicas
- Agentes públicos
O que admnistração pública faz?
- Serviços públicos
- Poder de polícia
- Intervenção e formento
Assim, o direito Administrativo vai envolver normas que disciplinam a administração pública nos seus
dois sentidos, tanto do ponto de vista do sujeito que a exerce quanto da atividade.
São critérios para conceituação do direito administrativo:
A. Critério legalista:
Tem por objeto a interpretação das normas jurídicas administrativas e atos complementares. A crítica é
que o Direito Administrativo não pode se limitar a interpretação da lei.
B. Critério do poder executivo:
O objeto do direito administrativo estaria relacionado à atuação exclusiva do poder executivo. Este
critério é incompleto.
C. Critério do serviço público:
O objeto do direito administrativo é a disciplina do serviço público bem como sua prestação aos
administrados. Para Leon Duguit (sentido amplo) serviços públicos incluem toda as atividades estatais,
inclusive as econômicas. Já Gaston Jèze (sentido estrito) considerou serviço público apenas as atividades
materiais (com prerrogativas de direito público e com objetivo de satisfação das necessidades coletivas).
Este critério é insuficiente.
D. Critério das relações jurídicas (Laferriere):
O direito administrativo seria o conjunto de regras que disciplina as relações entre a administração e
os administrados. Este critério despreza as relações internas da administração, sendo incompleto.
E. Critério teleológico (finalístico):
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O direito administrativo é um conjunto de normas que vai disciplinar a forma de atuação do poder público
para alcançar a sua finalidade e para consecução de seus fins.
F. Critério negativo ou residual (Tito Prates da Fonseca):
Tudo que não é dos demais ramos do direito é direito administrativo. Seria definido por exclusão. Não é
adotado.
G. Critério da administração pública ou funcional (Hely Lopes Meirelles):
O direito administrativo é o ramo do direito que envolve normas jurídicas que disciplinam a administração
pública no sentido de exercício da sua função administrativa. Critério adotado no Brasil.
#CUIDADO
Atente-se que existe o conceito de administração pública extroversa e administração pública introversa:
• Administração pública extroversa: relação que existe entre a administração e os administrados.
• Administração pública introversa: relação entre os próprios entes públicos.
Percebe-se que a administração pública introversa é instrumental, visto que serve como um meio para se
alcançar efetividade para se alcançar a administração pública extroversa. Isso porque, em verdade, o
Estado serve para alcançar a finalidade em prol do povo.
#JÁCOBROU
Ano: 2011 Banca: INSTITUTO CIDADES Órgão: DPE-AM Prova: INSTITUTO CIDADES - 2011 - DPE-AM
De acordo com a doutrina nacional, os órgãos e agentes públicos estão compreendidos no sentido de
Administração Publica:4
A. subjetivo
B. objetivo
C. de atividade administrativa
D. de atividadepolítica
E. de atividade política e administrativa
Ano: 2011 Banca: CESPE / CEBRASPE Órgão: PC-ES Prova: CESPE - 2011 - PC-ES - Delegado de Polícia -
Em sentido material ou objetivo, a administração pública compreende o conjunto de órgãos e pessoas
jurídicas encarregadas, por determinação legal, do exercício da função administrativa do Estado:5
( ) CERTO ( )ERRAD
4 Gabaritto: a
5 Gabarito: errado
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41
FONTES
São fontes do direito administrativo:
• Leis
• Princípios e regras
• Atos normativos infralegais
• Doutrina
• Jurisprudência
• Costumes
• Precedentes administrativos
Os PRECEDENTES ADMINISTATIVOS são fontes do direito administrativo.
O precedente pressupõe uma reiteração de atos administrativo em situações similares, ficando a
administração vinculada a esses entendimentos quando analisar uma relação jurídica distinta, mas que
seja com a mesma razão. Se a administração vem atuando dessa forma, por uma questão de segurança
jurídica, pressupõe-se que numa situação similar a administração atuará do mesmo jeito
Apenas em duas situações a administração pode se AFASTAR de um precedente administrativo:
1. Ato invocado como precedente for um ato ilegal;
2. Quando a administração se convencer de que o interesse público justifica a alteração do seu
entendimento prévio (overruling).
SISTEMA ADMNISTRATIVO
O sistema administrativo tem como destaque (02) dois deles:
SISTEMA FRANCÊS
Sistema do contencioso administrativo
SISTEMA INGLÊS OU JURISDIÇÃO UNA
Sistema judiciário
Em regra, os atos da administração irão se sujeitar
à jurisdição do contencioso administrativo. É
formado por um órgão da administração pública
que vai julgar os atos da administração pública. Não
vai ser necessário bater às portas do Poder
Judiciário para rever um ato da administração. É
também denominado de jurisdição dual.
É possível o controle dos atos da administração
pelo Poder Judiciário.
Sistema adotado no Brasil
A expressão coisa julgada administrativa significa que a decisão se tornou irretratável para a
Administração, não impedindo sua apreciação pelo Poder Judiciário. Isso porque vige no Brasil o sistema
inglês ou jurisdição una e, conforme o artigo 5º, XXXV, CRFB/88 a lei não excluirá da apreciação do Poder
Judiciário lesão ou ameaça ao direito.
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42
Importante salientar que mesmo com a inafastabilidade da jurisdição, por vezes, o particular deve
primeiramente vencer a esfera administrativa, é a denominada instância administrativa de curso
forçado.
São exemplos:
• Processos administrativos referentes à Justiça Desportiva: o Judiciário só pode ser acionado
quando esgotadas as instâncias desportivas (art. 217, §1º, CRFB/88).
• A interposição de Reclamação no STF contra ação ou omissão da administração pública: que
contrarie Súmula Vinculante depende do esgotamento das vias administrativas (art. 7º, §1º, Lei
11.417/2006.
• Não é cabível mandado de segurança: quando houver recurso administrativo com efeito
suspensivo (art. 5º, I, Lei 12.016/2009).
• Súmula Vinculante nº 24: não se tipifica crime material contra a ordem tributária antes do
lançamento definitivo do tributo, assim, há necessidade de exaurimento da via administrativa para
tipificação do crime.
ORGANIZAÇÃO DA ADMNISTRAÇÃO PÚBLICA
O pressuposto da organização administrativa é a expansão das atividades estatais. A consequência disso
é a necessidade de especialização das atividades, sendo o mecanismo para tanto a criação de órgãos ou
novas entidades da administração pública.
Hely Lopes Meirelles vai dizer que administração é um instrumento que tem o Estado para pôr em prática
as decisões do governo. Administração pode ser dividida em administração direta e administração
indireta:
ADMINISTRAÇÃO DIRETA ADMNISTRAÇÃO INDIRETA
É composta por órgãos públicos, não tendo
personalidade jurídica.
É o fenômeno da desconcentração.
Ex.: União se desdobrando em órgãos
desconcentrados, como o STF, Ministérios etc.
É produto da descentralização, resultando na
criação de outras pessoas jurídicas.
Composta pelas autarquias, fundações, empresas
públicas e sociedades de economia mista.
descCOncentração
(CRIAÇÃO DE ORGÃOS)
descENTralização
(CRIAÇÃO DE ENTIDADES)
Haverá a divisão de competência dentro da mesma
pessoa jurídica. (Ocorrerá divisão interna).
• Criação de ÓRGÃOS PÚBLICOS.
• Haverá SUBORDINAÇÃO e HIERARQUIA
Haverá a transferência da atividade administrativa
para outra pessoa, física ou jurídica, integrante ou
não.
• Criação de ENTIDADES/ PJ
• Não haverá hierarquia ou subordinação, apenas
controle e fiscalização. Porém, serão
VINCULADAS
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43
ORGÃO PÚBLICOS
Aqui há desconcentração das atividades da administração, criando um órgão para exercer atividades
estatais. Lembrando que, diferentemente da descentralização, na desconcentração, não há transferência
de funções, eis que tais funções continuam sendo da administração direta.
Os entes da federação possuem personalidade jurídica própria, mas para exteriorizar a sua vontade será
necessário entender as seguintes teorias:
TEORIA DO MANDATO
O Estado outorga ao seu agente um mandato, a fim de que este
haja em seu nome. A crítica está em explicar a forma pela qual
o Estado transferiu os poderes ao agente. Não há. Portanto, não
é adotada
TEORIA DA REPRESENTAÇÃO
O Estado é representado pelo seu agente. Maria Sylvia crítica,
pois nivela o Estado como um incapaz, por necessitar de
representação. Não é adotada
TEORIA DO ORGÃO
(teoria da imputação volitiva):
O Estado manifesta sua vontade por meio de órgão que integra
a sua estrutura. O agente manifesta sua vontade em nome do
órgão, sendo imputada ao Estado a vontade exteriorizada pelo
seu agente.
Teoria adotada no Brasil.
Hely Lopes Meirelles diz que órgãos públicos são centros de competência instituídos para o desempenho
de funções estatais, cuja atuação é imputada a pessoa jurídica que compõem esses órgãos.
São exemplos de órgãos a Câmara dos Deputados, STF, Senado, etc.
José dos Santos diz que, apesar de órgãos ser entes despersonalizados, os órgãos representativos de
poder, como os tribunais, Câmara dos Deputados, Congresso Nacional, Assembleia Legislativa, poderão
defender em juízo as suas prerrogativas constitucionais.
Ex.: Tribunal impetrando mandado de segurança contra ato do governador do Estado que não repassa o
duodécimo. O Tribunal não tem personalidade jurídica, mas tem personalidade judiciária.
#ATENÇÃO #SÚMULA #STJ
Por conta disso, o STJ editou a Súmula 525, afirmando que a Câmara de Vereadores não possui
personalidade jurídica, apenas personalidade judiciária, somente podendo demandar em juízo para
defender os seus direitos institucionais.
a) Classificação dos órgãos
Quanto à posição estatal
Órgãos
independentes:
Órgão é independente ou “primário” quando decorre diretamente da Constituição,
sem que tenha subordinação hierárquica a qualquer outro.
Ex: Chefe do executivo (Presidente da República, Governadores, Prefeitos); Casas
Legislativas, Tribunais e Ministério Público.
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44
Órgãos
autônomos:
É o órgão da cúpula da administração, que tem autonomia financeira, técnica e
administrativa, mas se subordina ao órgão independente.
Ex.: Ministério do Trabalho é autônomo, mas se submete ao Presidente da
República.
Órgãos
superiores:
São órgãos que exercem função de direção, controle, chefia, mas se
subordinam aos órgãos autônomos. Não possuem autonomia como os
autônomos.
Órgãos
subalternos:
São órgãos de execução, fazendo somente aquilo é designado.
Ex.: Almoxarifado
Quanto à estrutura
Órgãos simples
(ou órgãos
unitários):
São órgãos que não possuem outros órgãos subordinados. Não há mais órgãos
dentro da sua estrutura. aqueles que não possuem subdivisão. Desempenham
atribuições de forma concentrada
Ex.: Delegacia
Órgãos
compostos:
São órgãos em que há uma desconcentração das atividades, pois outros órgãos
exercem parcela de sua atividade.
Ex.: A Procuradoria Geral da União é um órgão superior das Procuradorias
Regionais. Ministérios, as Secretarias de Estado.
Quanto à atuação funcional
Órgãos singulares
(unipessoais):
São órgãos cuja decisão depende da vontade de uma pessoa.
Ex.: Presidência da República.
Órgãos colegiados
(pluripessoais):
São órgãos cujas decisões são tomadas por mais de uma pessoa. Não há
hierarquia entre seus membros.
Ex.: decisões do Plenário do CNJ
#JÁCOBROU
Ano: 2013 Banca: CESPE / CEBRASPE Órgão: DPF Prova: CESPE / CEBRASPE - 2013 - Delegado PF
No que se refere à classificação do órgão público e à atuação do servidor, julgue o item seguinte. Os
ministérios e as secretarias de Estado são considerados, quanto à estrutura, órgãos públicos compostos.6
( ) CERTO ( ) ERRADO
6 Gabarito: c
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AGENTES PÚBLICOS:
São todas as pessoas físicas que exercem a atividade administrativa do estado de maneira permanente,
temporária ou acidental, atos jurídicos, seja por atos de ordem técnica ou material.
Art. 2º LEI Nº 8.429/92:
Para os efeitos desta Lei, consideram-se agente público o agente político, o servidor público e todo aquele
que exerce, ainda que transitoriamente ou sem remuneração, por eleição, nomeação, designação,
contratação ou qualquer outra forma de investidura ou vínculo, mandato, cargo, emprego ou função nas
entidades referidas no art. 1º desta Lei.
ESPÉCIES
AGENTES
POLÍTICOS
AGENTES
ADMINISTRATIVOS
AGENTES
HONORÍFICOS
AGENTES
DELEGADO
AGENTE
CREDENCIADO
CONCEITO Titulares dos
primeiros
escalões do
Poder
Público.
Se vinculam aos
órgãos e
entidades da
Administração
Pública por
relações
profissionais e
remuneradas,
sujeitos à
hierarquia
funcional.
Cidadãos
convocados
para prestar
transitoriament
e serviços
relevantes
ao Estado, sem
vínculo
empregatício.
Particulares que
executam
determinada
atividade/obra/serviç
o, em
nome próprio, por
sua conta e risco, de
acordo com normas
do Estado
e sua fiscalização.
Representa a
Administração
em
determinado
ato mediante
remuneração.
EXEMPLOS Chefesdo
Executivo;
Ministros;
Membros do
Poder
Legislativo;
etc.
Servidores
públicos;
Empregados
públicos;
Temporários.
Mesários
Jurados.
Jogadores na
copa do
mundo.
#HORADEPRATICAR
Procure resolver no mínimo 20 questões sobre cada subitem (conceito de direito administrativo, órgãos e
agentes públicos) Utilize essa tabela abaixo para verificar a quantidade de questões que acertou ou errou:
Quantidade de
Questões
Percentual de acertos Revisadas?
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46
CRIMINOLOGIA
NOÇÕES DE CRIMINOLOGIA
Conceito de Criminologia:
A Criminologia é uma ciência empírica e interdisciplinar, que se ocupa do estudo do crime, da pessoa do
infrator, da vítima e do controle social, do comportamento delitivo, e que trata de subministrar uma
informação válida, contrastada, sobre a gênese, dinâmica e variáveis principais do crime – contemplado
este como problema individual e como problema social – bem como sobre os programas de prevenção
eficaz ao delito e técnicas de intervenção positiva no homem delinquente e nos diversos modelos ou
sistemas de resposta ao delito – Antônio García-Pablos de Molina.
• Ciência causal-explicativa que retrata o delito enquanto fato, investigando as suas origens, razões,
influências e formas de exteriorização.
• Busca a compreensão do fenômeno criminoso; estabelecer um diagnóstico do crime.
MÉTADOS
São os instrumentos utilizados pela Criminologia para compreender o fenômeno criminal.
OBJETOS DA CRIMINOLOGIA
(DELITO, DELIQUENTE, VÍTIMA E O CONTROLE SOCIAL)
Tradicionalmente, embasado nos ideais da Escola Positiva, os objetos de estudo da criminologia eram o
delito e o delinquente. Em meados do séc. XX, mais especificamente de sua metade até os dias atuais,
foram acrescentados dois outros pontos de interesse: a vítima e o controle social.
Portanto, é pacífica a divisão do objeto da Criminologia em quatro vertentes, quais sejam: o delito, o
delinquente, a vítima e o controle social.
EMPÍRICO É a formação do conhecimento a partir da observação de fatos e de relações sociais.
• Escola Clássica: método formal, abstrato e dedutivo.
• Escola Positiva: método empírico e indutivo.
INDUTIVO Lógica indutiva é aquela em que se parte de alguns exemplos para se formular uma
teoria, ou seja, a teoria nasce após a observação da realidade;
INTERDISCIPLINAR forma um diálogo com uma série de ciência e disciplinar, tais como a Biologia,
Psicopatologia, Medicina Legal, Sociologia, Antropologia, Direito Penal etc.
Criminologia. Conceito. Métodos: empirismo e interdisciplinaridade. Objetos da criminologia: delito,
delinquente, vítima, controle social. Funções da criminologia
Afirmação histórica dos direitos humanos
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47
I. O DELITO
Não existe um conceito unitário de crime para a criminologia. Cada escola criminológica entenderá o
crime de uma maneira diversa. No entanto, para que um fato seja considerado crime, é necessário a
presença de 4 elementos constitutivos, os quais deverão coexistir:
II. O DELIQUENTE
O estudo do criminoso busca investigar a gênese do comportamento delitivo, ou seja, os motivos que o
levaram a violar o ordenamento jurídico. A visão acerca da pessoa do delinquente apresentou variações
de acordo com a Escola Criminológica. Veja-se:
PARA A
ESCOLA CLÁSSICA
O criminoso é um pecador que optou pelo mal, optou por delinquir,
optou por quebrar o contrato social, ele é um pecador e deve receber
uma punição proporcional. Foca no livre arbítrio.
PARA A
ESCOLA POSITIVA
O criminoso é aquela pessoa que sofre de uma patologia, é
prisioneiro de suas próprias patologias, ou processo causais alheios,
age movido por algum determinismo. Rechaça o livre arbítrio.
PARA OS
CORRECIONALISTAS
O criminoso é o sujeito débil, inferior, que vai merecer do Estado uma
postura de proteção, pedagógica.
1. INCIDÊNCIA MASSIVA O fato não pode ser episódico, isolado.
Ex.: crime de molestamento de cetáceo (Lei nº. 7.643/87);
2. INCIDÊNCIA AFLITIVA O crime deve gerar dor, angústia, prejuízo. Existem crimesque
possuem incidência aflitiva, que geram prejuízos, mas não é tão fácil
de ser detectada. Os crimes de “colarinho branco” são exemplos.
Uma coisa é a incidência aflitiva ser óbvia, e outra coisa é não ser tão
óbvia. Tem condutas que não têm incidência aflitiva – que não gera
sofrimento, apesar do prejuízo;
3. PERSISTÊNCIA
ESPAÇO-TEMPORAL
Não é possível criminalizar uma “moda”, algo passageiro.
Ex.: na época da jovem guarda, era muito comum arrancarem uma
peça do carro fusca (chamado “brucutu”) e fazerem anéis com a peça.
Se criminalizassem a conduta, ela estaria em desuso atualmente.
Outro exemplo: os “rolezinhos” de adolescentes na periferia, que
iam aos shoppings para fazer algazarra. Hoje é incomum. Mas,
quando esses movimentos se iniciaram, se tivessem sido
criminalizados, estariam, hoje, em desuso;
4. INEQUÍVOCO
CONSENSOACERCA DA
CAUSA DA CONSUTA
Para criminalizar alguma coisa, é preciso ter certeza que a causa da
conduta está sendo atingida. Porque, criminalizar sem essa certeza,
pode trazer mais problemas ou não resolver a problemática.
Etiologia criminal: é o estudo das causas do crime.
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48
PARA OS
MARXISTAS
O criminoso é considerado uma vítima da sociedade, que tem como
base o capitalismo.
PAULO SUMARIVA É um ser humano normal, que convive no seio social, que deveria se
submeter a um sistema de lei, de normas de conduta, já que vive em
sociedade, mas, por razões multifatoriais diversas, ele comete a
conduta criminosa.
Sheccaira: dadas as diferentes perspectivas, e em face de
todas as discussões posteriores às concepções originais
acima formuladas, entende-se que o criminoso é um ser
histórico, real, complexo e enigmático. [...] por isso, as
diferentes perspectivas não se excluem; antes,
completam-se e permitem um grande mosaico [...].
Assim como o crime, não há uma definição de criminoso,
porque cada Escola entende de uma maneira.
III. A VÍTIMA
É aquela pessoa que sofre ou suporta os efeitos (impactos) da conduta criminosa e, na sua evolução
histórica, passou por três marcos, quais sejam:
PROTAGONISMO
(ou idade de ouro)
Essa fase começa nos primórdios e vai até a alta Idade Média – a
vítima protagonizava o direito de punir, tem-se, portanto, uma ideia
de autotutela, justiça privada e vingança, porque a própria vítima
era responsável por buscar a reparação do mal que ela sofreu e,
também, por punir o criminoso;
NEUTRALIZAÇÃO No final da Idade Média, o Estado avoca para si a resolução do
conflito penal, uma vez que o crime passa a ser considerado uma
Afronta à soberania do rei. A vítima perde o protagonismo.
O interesse primordial da persecução penal passa a ser a
condenação do réu, e não mais a reparação do dano
REVALORIZAÇÃO
(ou redescobrimento) da
vítima
Essa fase é verificada após a Segunda Guerra Mundial, com o
surgimento da vitimologia, dessa forma, o papel da vítima passa a
ganhar importância novamente – art. 387, inciso IV, do CPP.
Já a algumas décadas, há uma tentativa de recuperar ou revalorizar
os interesses da vítima na persecução penal.
Ex.: a reparação de danos na sentença condenatória penal.
*PROCESSO DE VITIMIZAÇÃO
VITIMIZAÇÃO PRIMÁRIA É aquela que decorre do crime e, portanto, envolve o agente do
crime e a vítima;
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49
VITIMIZAÇÃO
SECUNDÁRIA
É aquela que decorre da conduta do Estado perante a vítima.
Ex.: excesso de exposição, burocracia, insensibilidade etc.
VITIMIZAÇÃO TERCIÁRIA É aquela que decorre da conduta do meio social perante a vítima.
Ex.: chacota, fofoca etc.
Posição excepcional: alguém que é preso por erro
judiciária e acaba sofrendo alguma consequência
danosa. Para o Professor Schecaira, trata-se,
também, de uma vitimização terciária.
VITIMIZAÇÃO INDIRETA É o sofrimento de pessoais intimamente ligadas à vítima de um
crime. Aquela que embora não tenha sido vitimizada diretamente
pelo criminoso, sofre com o sofrimento do ente querido.
HETEROVITIMIZAÇÃO É a autorrecriminação da vítima pela ocorrência do crime através
da busca por motivos que, provavelmente, a tornaram
responsável pela infração penal.
Ex.: deixar a porta do veículo destravada, assinar uma folha de
cheque em branco.
IV. CONTROLE SOCIAL
é um conjunto de mecanismos, de instituições, de sanções, que são aplicadas ao sujeito que resolveu
infringir o conjunto de normas.
Toda sociedade necessita de mecanismos disciplinares que garantam a convivência harmônica entre os
indivíduos. Esse controle social ocorre de duas maneiras:
INFORMAL o controle social informal é aquele operado pela sociedade civil (família,
escola, religião). O controle social informal é brando, sutil e opera ao longo
de toda a vida do indivíduo, ensinando-o. Essa instituição atua de maneira
preventiva, pedagógica
FORMAL são as instituições do Estado, que entram em ação com uma finalidade
coercitiva, porque houve uma falha das instâncias de controle social
informal.
#CUIDADO
Quem executa o controle FORMAL?
As polícias, os delegados, o sistema de justiça, a administração penitenciária e o exército. O controle social
formal é abrupto, episódico, porque incide de uma forma pontual.
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50
FUNÇÕES DA CRIMINOLOGIA
A função precípua da Criminologia é informar à sociedade e os poderes públicos sobre o crime, o
criminoso, a vítima e o controle social, reunindo um núcleo de conhecimento seguro, permitindo, assim,
compreender cientificamente o problema criminal, prevenindo-o, bem como intervir com eficácia e de
modo positivo no homem criminoso. Isto porque a Criminologia é uma ciência que se preocupa com
problemas e conflitos concretos e históricos. Em síntese, são funções da Criminologia:
FORNECER EXPLICAÇÕES
CIENTÍFICAS DO FENÔMENO
CRIMINAL
Oferecer uma explicação dotada de cientificidade ao
fenômeno criminal, bem como estabelecer medidas de
prevenção ao delito, com vistas a evitar a sua ocorrência;
INTERVIR DE MANEIRA POSITIVA
NA PESSOA DO INFRATOR
Busca analisar qual o real impacto na pena ao infrator,
desenha e analisa programas de reinserção social e traz à
sociedade a percepção de que o crime é um problema social
e comunitário; e
OFERECER UMA AVALIAÇÃO DOS
DIFERENTES MODELOS DE REAÇÃO
AO CRIME
Aborda-se os instrumentos de reação ao crime de que se
vale o Estado a fim de restabelecer a ordem pública e a paz
social violadas quando da prática de uma infração penal.
O crime abala a estrutura social, gerando danos das mais
variadas ordens às suas vítimas. Nesta senda, o Estado se
vê obrigado a reagir, mediante a implementação de
medidas de política criminal com objetivo de exercer o
controle sobre o avanço da criminalidade
#JÁCOBROU
Ano: 2019 Banca: Instituto Acesso Órgão: PC-ES Prova: Instituto Acesso - 2019 - PC-ES - Delegado de Polícia7
O estudo da pessoa do infrator teve seu protagonismo durante a fase positivista na evolução histórica da
Criminologia. Assinale, dentre as afirmativas abaixo, a que descreve corretamente como a criminologia
tradicional o examina.
(A) A criminologia tradicional examina a pessoa do infrator como uma realidade biopsicopatológica,
considerando o determinismo biológico e social.
(B) A criminologia tradicional examina a pessoa do infrator como um incapazde dirigir por si mesmo
sua vida, cabendo ao Estado tutelá-lo.
(C) A criminologia tradicional examina a pessoa do infrator como uma unidade biopsicossocial,
considerando suas interdependências sociais.
(D) A criminologia tradicional examina a pessoa do infrator como um sujeito determinado pelas
7 Gabarito: a
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51
estruturas econômicas excludentes, sendo uma vítima do sistema capitalista.
(E) A criminologia tradicional examina a pessoa do infrator como alguém que fez mau uso da sua
liberdade embora devesse respeitar a lei.
#HORADEPRATICAR
Faça de 10 a 20 questões sobre o tema. Segue questão aplicada para o cargo de Delegado de Polícia.
Quantidade de
Questões
Percentual de
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Revisadas?
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52
Lei de Introdução ao Código de Processo Penal. Princípios gerais de Direito Processual Penal.
e Conceito.
QUARTA-FEIRA
LEI SECA TODO DIA: ART. 6º AO ART. 13, CF
REVISÃO DO DIA ANTERIOR:
DIREITO PROCESSUAL PENAL
IMPORTANTE LER:
ART. 5º, X – XII, CF
ART. 5º, XXXV – XXXVIII, CF
ART.5º, XLVII – LXVIII, CF
ART. 1º, 2º, 3º, CPP
INTRODUÇÃO AO PROCESSO PENAL
O processo penal é um instrumento que viabiliza o exercício do poder punitivo do Estado.
I. FONTES
A doutrina divide a classificação em:
• Fontes materiais
• Fontes formais
FONTES MATERIAIS FONTES FORMAIS
Nas fontes materiais, quer-se saber qual o sujeito
ou a entidade que produziu a norma. A fonte,
neste caso, é a União, pois a CF prevê que
compete privativamente à União legislar sobre
direito processual penal. Isto significa que, por
meio de lei complementar, poderá delegar aos
Estados para tratar sobre questões específicas.
Por outro lado, não se confunda com o direito
penitenciário, que é de competência legislativa
concorrente da União, Estados e Distrito Federal,
os quais irão tratar de questões específicas,
devendo observar as normas gerais fixadas pela
Fonte formal busca saber como foi feita a
norma. A fonte formal poderá ser:
• IMEDIATA (DIRETA):
é a lei em sentido amplo, abrangendo a CF,
legislação infraconstitucional, tratados e
regras de direitos internacional.
• MEDIATA (INDIRETA):
Segundo Avena, são os princípios gerais do
direito, analogia, costumes, doutrina, direito
comparado e a jurisprudência.
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53
União.
Compete ainda à União, aos Estados e ao Distrito
Federal legislar concorrentemente sobre
procedimento em matéria processual.
Procedimento não é processo, como é o caso de
inquérito policial.
O STF, quando analisou uma questão similar,
considerou constitucional uma lei do Estado do RJ
que estabelece que após 30 dias, em se tratando de
investigado solto, caso o delegado de polícia não
tivesse concluído o procedimento, poderia o MP
requisitar justificativa para tanto.
O STF considerou constitucional pois inquérito não
é processo e sim procedimento.
Ex.: ninguém é obrigado produzir prova
contra si mesmo.
A analogia é aplicada em situação que não tem
norma reguladora, devendo se utilizar de um
caso similar para aplicar ao caso. O direito
comparado é o que os outros Estados
regulamentam a matéria. A jurisprudência é a
posição que um tribunal adota, após
reiteradamente ter enfrentado a matéria.
#CUIDADO
Atualmente, há uma questão que ganha relevância, que é a denominada SÚMULA VINCULANTE. Esta
súmula vincula os demais órgãos do poder judiciário e a administração direta e indireta. Neste caso, seria
considerada FONTE FORMAL IMEDIATA.
Todavia, a doutrina prevalente entende que a súmula vinculante não possui força de lei, motivo pelo
qual seria ela uma fonte formal mediata (ou indireta) do direito processual penal.
SISTEMAS PROCESSUAIS PENAIS
Existem 3 sistemas processuais penais:
SISTEMA ACUSATÓRIO SISTEMA INQUISITIVO SISTEMA MISTO
(ou francês):
No sistema acusatório há uma
separação entre o órgão
acusado, órgão defensor e
órgão julgador. Aqui,
assegura-se ao réu o
contraditório e a ampla
defesa. Incumbe à acusação o
ônus da prova de que o
acusado praticou o crime, bem
No sistema inquisitivo, o juiz
poderá acusar, defender e julgar.
O juiz concentra essas funções.
Não há contraditório e ampla
defesa, pois quem acusa e defende
é a mesma pessoa. Como quem
acusa e quem defende é quem
julga, é forçoso compreender que
é em razão de que o sujeito
No sistema misto, há uma
divisão das funções, pois um
órgão acusará, outro defende
e outro julgará. Todavia, é
possível que o magistrado, em
determinadas situações,
substitua as partes. É
observado o princípio do
contraditório e à ampla
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como incumbirá à defesa a
tarefa de apresentar
excludente de ilicitude. O juiz
não é proibido de produzir
provas, desde que isso não
implique quebra da
imparcialidade. Perceba que a
função de acusar e provar que
o réu praticou o crime deverá
ser feita pelo MP. Caso não o
faça, o sujeito será inocente,
por conta do princípio da
presunção de inocência. O
processo é público e há
prevalência da oralidade
acredita que o acusado cometeu o
crime, pois, do contrário, não
acusaria. E como é o acusador que
irá julgar, então significa dizer que
a acusação é presumida. O
processo é secreto e há
prevalência do processo escrito.
defesa.
No Brasil, foi adotado e
continua prevalecendo o
entendimento do sistema
acusatório
PRINCÍPIOS PROCESSUAIS PENAIS E CONSTITUCIONAIS
A. PRINCÍPIO DA VERDADE REAL (MATERIAL OU SUBSTANCIAL) X
PRINCÍPIO DA VERDADE FORMAL (OU BUSCA DA VERDADE)
No âmbito processual penal, estando em discussão a liberdade de locomoção do acusado, direito
indisponível, o magistrado seria dotado de amplos poderes instrutórios, podendo determinar a produção
de provas ex officio, sempre na busca da verdade material. Dizia-se então que, no processo penal, vigorava
o princípio da verdade material, também conhecido como princípio da verdade substancial ou real.
A descoberta da verdade, obtida a qualquer preço, era a premissa indispensável para a realização da
pretensão punitiva do Estado. Essa busca da verdade material era, assim, utilizada como justificativa para
a prática de arbitrariedades e violações de direitos, transformando-se, assim, num valor mais precioso do
que a própria proteção da liberdade individual.
A doutrina faz uma crítica, afirmando que esta verdade real é impossível, motivo pelo qual deveria ser
considerado apenas a verdade dos autos, sendo,portanto, uma verdade formal.
Esta busca da verdade real, que legitima uma atuação do magistrado no sentido de descobrir
efetivamente o que ocorreu, não legitima a inobservância de direitos e garantias estabelecidos na CF e na
legislação infraconstitucional.
Ex.: não se admite a produção de provas por meios ilícitos, motivo pelo qual a verdade real não irá se
sobrepor à ilicitude da prova. Da mesma forma, caso o sujeito seja absolvido, tendo a sua sentença
transitado em julgado, não é possível revisão criminal, ainda que surjam novas provas. Ou seja, não é
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possível revisão criminal pro societate.No caso da sentença de óbito falsa é diferente, pois a sentença é
inexistente, razão pela qual seria admissível a propositura de uma nova ação penal. Atualmente, essa
dicotomia entre verdade formal e material deixou de existir. Já não há mais espaço para a dicotomia entre
verdade formal, típica do processo civil, e verdade material, própria do processo penal.
No âmbito processual penal, hodiernamente, admite-se que é impossível que se atinja uma verdade
absoluta. A prova produzida em juízo, por mais robusta e contundente que seja, é incapaz de dar ao
magistrado um juízo de certeza absoluta. O que vai haver é uma aproximação, maior ou menor, da certeza
dos fatos.
Há de se buscar, por conseguinte, a maior exatidão possível na reconstituição do fato controverso, mas
jamais com a pretensão de que se possa atingir uma verdade real, mas sim uma aproximação da realidade,
que tenda a refletir ao máximo a verdade. Enfim, a verdade absoluta, coincidente com os fatos ocorridos,
é um ideal, porém inatingível.
Por esse motivo, tem prevalecido na doutrina mais moderna que o princípio que vigora no processo penal
não é o da verdade material ou real, mas sim o da busca da verdade. Seu fundamento legal consta do art.
156 do Código de Processo Penal.
Por força dele, admite-se que o magistrado produza provas de oficio, porém apenas na fase processual,
devendo sua atuação ser sempre complementar, subsidiária. Na fase preliminar de investigações, não é
dado ao magistrado produzir provas de oficio, sob pena de evidente violação ao princípio do devido
processo legal e à garantia da imparcialidade do magistrado.
E o que se entende por princípio da busca da verdade consensual no âmbito dos Juizados?
De acordo com Renato Brasileiro, a Lei n° 9.099/95 trouxe consigo quatro importantes medidas
despenalizadoras:
1) Nas infrações de menor potencial ofensivo, ou seja, contravenções penais e crimes cuja pena máxima
não seja superior a 2 anos, cumulada ou não com multa, e submetidos ou não os crimes a procedimento
especial, havendo composição civil dos danos, estará extinta a punibilidade nos casos de infrações de
iniciativa privada ou pública condicionada à representação (art. 74, parágrafo único);
2) Não havendo composição civil, a lei prevê a aplicação imediata de pena restritiva de direitos ou multa
através da transação penal (art. 76);
3) Os crimes de lesão corporal leve e lesão corporal culposa passaram a exigir representação da vítima
(art. 88);
4) Desde que o crime tenha pena mínima igual ou inferior a um ano, e estejam preenchidos outros
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requisitos de natureza subjetiva, será cabível a suspensão condicional do processo (art. 89).
#CUIDADO
Com a criação desses institutos despenalizadores, percebe-se que, no âmbito dos Juizados, a busca da
verdade processual cede espaço à prevalência da vontade convergente das partes.
#FOCA AQUI COLEGUINHA
Nos casos de transação penal ou de suspensão condicional do processo, não há necessidade de verificação
judicial da veracidade dos fatos. O conflito penal é solucionado através de um acordo de vontade, dando
origem ao que a doutrina denomina de verdade consensuada.
B. PRINCÍPIO DO DEVIDO PROCESSO LEGAL
O devido processo legal encontra previsão no art. 5º, LIV, da CF, mas também há vários outros dispositivos
no mesmo sentido.
Por conta disso, ninguém será privado da liberdade ou de seus bens sem o devido processo legal.
São corolários do devido processo legal o contraditório e a ampla defesa. No aspecto material, o devido
processo legal é defendido como sendo a proporcionalidade. Tais princípios serão analisados mais à frente
C. PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO À UTILIZAÇÃO DE PROVAS ILÍCITAS
Segundo a CF, são inadmissíveis, no processo, as provas obtidas por meios ilícitos.
Ou seja, não se admitem provas ilícitas como fator de convicção do magistrado. Na verdade, há algumas
exceções que o CPP traz, como a teoria da descoberta inevitável e da prova independente, que será
estudado mais à frente.
Segundo o art. 157, são inadmissíveis, devendo ser desentranhadas do processo, as provas ilícitas, assim
entendidas as obtidas em violação a normas constitucionais ou legais.
O §1º afirma que são também inadmissíveis as provas derivadas das ilícitas, salvo quando:
• Não evidenciado o nexo de causalidade entre umas e outras; ou
• As derivadas puderem ser obtidas por uma fonte independente das primeiras.
O §2º explica que se considera fonte independente aquela que por si só, seguindo os trâmites típicos e de
praxe, próprios da investigação ou instrução criminal, seria capaz de conduzir ao fato objeto da prova.
O §3º diz que, preclusa a decisão de desentranhamento da prova declarada inadmissível, esta será
inutilizada por decisão judicial, facultado às partes acompanhar o incidente.
A doutrina diferencia prova proibida, vedada ou ilegal como gênero, mas há duas espécies:
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PROVA ILEGÍTIMA PROVA ILÍCITA
É uma prova com relação ao direito processual. há uma relação com uma regra de direito
material ou com uma regra de direito
constitucional.
Ex.: juntada fora do prazo uma documentação
ou testemunha
Ex.: interceptação telefônica sem que
houvesse decisão judicial nesse sentido. Prova
obtida por meio de tortura também é
exemplo.
#LEMBRE-SE:
As TEORIAS estão descritas no capítulo das provas, mencionando a teoria da fonte independente
(§1º do art. 157 do CPP) e a teoria da descoberta inevitável.
Poderá o juiz que tomou conhecimento sobre as provas ilícitas julgar o processo?
NÃO. O Pacote Anticrime (Lei 13.964/2019) trouxe disposição de que o juiz que conhecer do conteúdo da
prova declarada inadmissível não poderá proferir a sentença ou acórdão (art. 157, §5ª, CPP). É o que a
doutrina denomina de “descontaminação do julgado”.
E o réu? Poderá usar a prova ilícita?
A doutrina e jurisprudência entendem que é possível a utilização de prova ilícita pelo réu, quando for a
única forma de o réu comprovar algo em seu favor, importante à sua defesa.
Neste caso, haverá a aplicação do princípio da proporcionalidade. Isto é, haverá uma colisão de direitos
fundamentais, pois o réu estaria violando o direito à intimidade, mas consegue uma prova que justifica a
sua inocência. A prova é ilícita, mas serve para evitar uma condenação injusta. Sendo assim, há de ser
feita uma ponderação.
D. PRINCÍPIO DA PRESUNÇÃO DE INOCÊNCIA (não culpabilidade ou do estado de inocência)
Trata-se de um desdobramento do devido processo legal, pois, segundo o art. 5º, LVII, da CF, ninguém
será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória.Por isso, decorre do devido processo legal, visto que enquanto não transitar em julgado o sujeito não
poderá ser considerado culpado.
#CUIDADO COM A POSIÇÃO DE BADARÓ:
Não há diferença entre presunção de inocência e presunção de não culpabilidade, sendo inútil e
contraproducente a tentativa de apartar ambas as ideias - se é que isto é possível, devendo ser
reconhecida a equivalência de tais fórmulas.
Contudo, há fundamento para a terminologia distinta:
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Convenção Americana de Direitos Humanos
(presunção de inocência)
Constituição Federal de 1988
(presunção de não culpabilidade):
Art. 8º, § 2º, CADH: “Toda pessoa acusada de um
delito tem direito a que se presuma sua inocência,
enquanto não for legalmente comprovada sua
culpa”.
Art. 5º, LVII, CF: “Ninguém será considerado
culpado até o trânsito em julgado de sentença
penal condenatória”
Geralmente, os tratados internacionais sobre direitos humanos usam a palavra “inocência” e
“presunção”. Assim, normalmente fala-se em “presunção de inocência”. Assim, pelo menos enquanto o
processo criminal não for concluído, o indivíduo é presumido inocente.
Já na Constituição Federal a terminologia é um pouco diversa porque ela não usa o termo “inocente”. Ela
é redigida de maneira negativa dizendo que “ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado
de sentença penal condenatória” – presunção de não culpabilidade.
Trata-se de um princípio reitor do processo penal, impondo um dever de tratamento ao réu, surgindo daí
3 regras:
Regra de
TRATAMENTO
A presunção de inocência impede qualquer antecipação de juízo
condenatório. Para a doutrina, antes do trânsito em julgado o acusado
deve permanecer em liberdade, sendo que eventuais medidas
cautelares somente poderão ser adotadas se demonstrada sua
necessidade.
Regra de
PROBATÓRIA
Em razão da presunção de inocência, a parte acusadora tem o ônus de
comprovar a culpabilidade do acusado além de qualquer dúvida
razoável, sendo que, em caso de dúvida, o acusado deve ser absolvido.
Tem-se, aqui, o chamado in dubio pro reo. Na dúvida, prevalece a
absolvição. O juiz precisa ter certeza para a condenação.
O princípio do in dubio pro reo aplica-se à revisão criminal?
Não se aplica ao julgamento da revisão criminal, que pressupõe o
trânsito em julgado de sentença condenatória ou absolutória
imprópria. O ônus da demonstração da procedência da revisão criminal
é do réu. Na dúvida, o tribunal manterá a sentença penal condenatória
Regra de
JULGAMENTO
O princípio da presunção de inocência serve em benefício do réu tanto
na hipótese de dúvida, no ato judicial de prolação da sentença, quando
caberá ao magistrado aplicar a máxima do in dubio pro reo, absolvendo-
o, bem como forma de aplicação do ônus da prova. Isto é, o princípio
da presunção de inocência não é utilizado tão somente quando o
magistrado, ao sentenciar, absolve o réu por haver dúvida que emerge
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do acervo probatório, seja no que denota à autoria ou materialidade
de eventual crime, mas também, incumbindo à acusação, de todo o
ônus probatório, devendo a mesma se desvincular dele a fim de almejar
a sentença condenatória.
Aury Lopes Júnior aponta que o princípio da presunção da inocência como regra de tratamento,
subdivide-se em duas espécies:
DIMENSÃO INTERNA A presunção de inocência milita em favor do réu na análise dos
pedidos de cautelares pessoais requeridas em seu desfavor. Dever
que deve ser observado por todos, sobremaneira pelo juiz, dentro
do processo. Manifesta-se por meio de DUAS REGRAS:
Probatória e de Tratamento
DIMENSÃO EXTERNA A presunção de inocência serve de mitigação da publicidade do
processo que pode ser utilizada em detrimento do réu, que ainda
não tem sentença condenatória com trânsito em julgado em seu
desfavor, mas tão somente o transcorrer de processo penal tendo
ele como ocupante do polo passivo.
Interessante notar que Aury Lopes Júnior não trata a presunção de inocência como regra de tratamento,
mas em verdade: DEVER DE TRATAMENTO.
A dimensão interna teria 3 facetas:
Ônus da prova cabe à acusação É dever da acusação comprovar os elementos para que o réu seja
culpado
In dubio pro reo Em caso de dúvida sobre a autoria, haverá a absolvição do réu
Prisão é ultima ratio Prisão é exceção.
#FOCAAQUI: O STF já teve posicionamentos divergentes quanto à possibilidade de execução da pena
antes do trânsito em julgado.
1º ENTENDIMENTO:
NÃO É POSSÍVEL
A EXECUÇÃO PROVISÓRIA
DA PENA
STF - 2009
NÃO é possível a execução provisória da PPL. A presunção de
inocência teria como limite temporal o trânsito em julgado de
sentença condenatória. Assim, conforme a regra de tratamento, o
indivíduo só poderia ser preso definitivamente com o trânsito em
julgado, a não ser que, a título de prisão cautelar, fosse decretada sua
prisão durante o curso do processo. (STF, Pleno, HC 84.078, Rel. Min.
Eros Grau, j. 05/02/2009).
2º ENTENDIMENTO:
É POSSÍVEL A EXECUÇÃO
POSSÍVEL a execução provisória da PPL. Passou a admitir a execução
provisória de acórdão condenatório proferido por Tribunal de 2ª
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PROVISÓRIA DA PENA
STF – 2016
instância, ainda que sujeito a recursos extraordinários. Após essa
decisão, a matéria foi reiterada pelo Supremo em duas cautelares
indeferidas nas ADCs n. 43 e 44 e alterada, posteriormente, pelo
Plenário virtual na análise do ARE n. 964.246 (com repercussão geral
reconhecida e, portanto, deve ser aplicados aos demais processos).
Desse modo, desde fevereiro de 2016, a posição que prevalecia no STF
é a de que era possível a execução provisória da pena se resta apenas
o julgamento de recursos especial e/ou extraordinário.
3º ENTENDIMENTO:
É POSSÍVEL A EXECUÇÃO
PROVISÓRIA DA PENA
STF – 2018
POSSÍVEL a execução provisória da PPL. Ao julgar habeas corpus
impetrado pelo ex-Presidente Lula, decidiu manter o seu entendimento
e reafirmar que é possível a execução provisória de acórdão penal
condenatório proferido em grau recursal, ainda que sujeito a recurso
especial ou extraordinário. A execução provisória da pena não ofende
o princípio constitucional da presunção de inocência (art. 5º, LVII, da
CF/88). STF. Plenário. HC 152752/PR, Rel. Min. Edson Fachin, julgado
em 4/4/2018 (Info 896).
4º ENTENDIMENTO E
ATUAL:
NÃO POSSÍVEL
A EXECUÇÃO PROVISÓRIA
DA PENA
STF - 2019
Julgamento das ADCs 43, 44 e 54 (Rel. Min. Marco Aurélio):
NÃO é possível a execução provisória da PPL. Afirmou que o
cumprimento da pena somente pode ter início com o esgotamento de
todos os recursos.
#NOVIDADE #ATENÇÃO!!
STF: Ação penal sem trânsito em julgado implica exclusão de concurso.
A 1ª turma do STF confirmou decisão que excluiu candidato do concurso de inspetor de polícia. O
colegiado, por unanimidade, considerou lícita e constitucional a cláusula do edital de concurso
público que excluía candidatos por responderem inquéritos e ações penais sem o trânsito em julgado.
Consta nos autos que um candidato foi considerado inabilitado e não pôde dar continuidade em
concurso de inspetor da polícia por ter um processo penal contra ele. Nesse sentido, narrou ser ilícita
tal cláusula presente no edital, uma vez que o exposto violavao princípio da presunção de inocência.
A analisar o caso, a ministra Cármen Lúcia, relatora, aplicou jurisprudência do Supremo (tema 22)
para negar pedido do candidato. O entendimento da Corte assenta que, como regra geral, a simples
existência de inquéritos ou processos penais em curso não autoriza a eliminação de candidatos em
concursos públicos, todavia, a lei pode instituir requisitos mais rigorosos para determinados cargos,
como o dos autos.
"A lei pode instituir requisitos mais rigorosos para determinados cargos, em razão da relevância
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das atribuições envolvidas, como é o caso, por exemplo, das carreiras da magistratura, das funções
essenciais à Justiça e da segurança pública."
Ministra concluiu que "em casos como este, em que as instâncias antecedentes analisaram a
repercussão de um processo penal em alguém que se presta um concurso para os quadros da
polícia, o pedido não poderia prosperar."8
A turma, por unanimidade, seguiu o entendimento da relatora.
#URGENTE #ATUALIZA
Assim, hoje, é proibida a execução provisória da pena privativa de liberdade.
Vale ressaltar que é possível que o réu seja preso antes do trânsito em julgado (antes do esgotamento de
todos os recursos), no entanto, para isso, é necessário que seja proferida uma decisão judicial
individualmente fundamentada, na qual o magistrado demonstre que estão presentes os requisitos para
a prisão preventiva previstos no art. 312 do CPP.
E. PRINCÍPIO DA OBRIGATORIEDADE DE MOTIVAÇÃO DAS DECISÕES JUDICIAIS
O art. 93, IX, da CF exige que as decisões judiciais sejam motivadas. O juiz não é eleito pelo povo, razão
pela qual não goza de legitimidade da sua decisão, necessitando justificar seus atos, o que dará
legitimidade à população. Ademais, a motivação assegura o exercício da ampla defesa, pois se o juiz
profere uma condenação, poderá o réu alegar fatos contrários para o tribunal. Veja, o fundamento
permite que o indivíduo exerça a ampla defesa.
Não existe violação pela fundamentação per relationem (motivação aliunde), que é aquela em que o
juiz faz uma remissão a uma outra manifestação existente nos autos, como é o caso do parecer do MP, a
fim de justificar a decisão, desde que se dê de forma clara. O princípio da obrigatoriedade das motivações
não é absoluto, comportando temperamentos, como é o caso do sistema da íntima convicção, adotado
no procedimento do júri com relação aos jurados.
#HORADEPRATICAR
Procure resolver 30 questões sobre o assunto. Utilize essa tabela abaixo para verificar a quantidade de
questões que acertou ou errou:
Quantidade de
Questões
Percentual de
acertos
Revisadas?
8 https://www.migalhas.com.br/quentes/368775/stf-acao-penal-sem-transito-em-julgado-implica-exclusao-de-concurso
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MEDICINA LEGAL
CONCEITO
A doutrina define no geral como sendo a um só tempo, arte e ciência. É arte porque a realização de uma
perícia médica requer habilidade (instinto) na prática do exame e estilo de redação do laudo; e essa Arte se
sujeita a ciência que se vale de todo o conhecimento oferecido pelas demais especialidades médicas, além de
ter um campo próprio de pesquisa.
A definição de MEDICINA LEGAL, varia de autor para autor, tendo como principais:
▪ AMBROISE PARÉ (Pai da Medicina Legal)
“É a arte de fazer relatórios em juízo”.
▪ GENIVAL VELOSO FRANÇA
“É a contribuição da medicina, e da tecnologia e outras ciências afins, as questões do Direito
na elaboração das leis, na administração judiciaria e na consolidação da doutrina. ”
▪ BONNET
“É uma disciplina que a totalidade das ciências médicas para dar respostas a questões judiciais”.
▪ LACASSAGNE
“A arte de pôr os conceitos médicos legais a serviço da administração da justiça”.
▪ LEGRAND DU SAULLE
“A aplicação das ciências médicas ao estudo e solução de todas as questões especiais, que podem
suscitar a instituição das leis e a ação da justiça”.
SUBDIVISÕES
Trata-se da divisão da chamada medicina legal especial, em que temos como principais subdivisões:
PATOLOGIA FORENSE
Estuda a TRAUMATOLOGIA FORENSE e a TANATOLOGIA.
Conceitos importâncias e divisões da Medicina Legal Corpo de Delito, perícia e peritos em Medicina Legal.
Documentos Médico-Legais. Conceitos de identidade, de identificação e de reconhecimento. Principais métodos de
identificação
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• TRAUMATOLOGIA:
São estudadas as ENERGIAS VULNERANTES, seus mecanismos de AÇÃO
E SUAS CONSEQUÊNCIAS.
• TANATOLOGIA (tanato: morte):
Estuda à MORTE, sua causa jurídica e os fenômenos cadavéricos.
TOXICOLOGIA FORENSE
Tem por objeto de estudo as substâncias tóxicas, seus efeitos sobre
o ser humano, seu mecanismo de ação, seu modo de detecção em casos
concretos e o esclarecimento de aspectos de repercussão jurídica
INFORTUNÍSTICA
Se ocupa dos ACIDENTES DE TRABALHO, sua etiologia, dinâmica e suas
consequências. Estabelece o nexo entre os acidentes e as
incapacidades laborativas
ANTROPOLOGIA
FORENSE
Estuda os RESTOS MORTAIS com objetivo de esclarecer sua
IDENTIDADE, CAUSA DE MORTE E ASCENDÊNCIA
SEXOLOGIA FORENSE Abrange aspectos relacionados com o diagnóstico de VIRGINDADE,
VIOLÊNCIA SEXUAL, GRAVIDEZ, PUERPÉRIO, ABORTO E PROBLEMAS
MÉDICOS LEGAIS RELATIVOS AO CASAMENTO
PSIQUIATRIA FORENSE Tem por finalidade a AVALIAÇÃO DA RESPONSABILIDADE PENAL E A
CAPACIDADE CIVIL, que podem estar alteradas em função de
distúrbios mentais. Nela são abordados os aspectos médico-legais da
embriaguez e as toxicomanias
DEONTOLOGIA Se ocupa das NORMAS ÉTICAS a que o médico está sujeito no exercício
da profissão
PERÍCIA E PERITOS
A perícia médico legal é definida como sendo “um conjunto de procedimentos médicos e técnicos que tem
como finalidade o esclarecimento de um fato de interesse da justiça”. A perícia é o exame dos elementos
materiais de interesse de um processo, e é realizado por perito, possuindo uma face objetiva e outra
subjetiva.
OBJETIVA
Trata-se de alterações visíveis verificadas pelo perito objetivamente.
É encontrado no laudo na abachamada de descrição
SUBJETIVA
Nesta face, faz a análise da parte objetiva.
É encontrado no laudo na aba chamada de discussão
Segundo o Art. 6º do CPP, ao ocorrer um delito, deve a autoridade policial comparecer ao local, e
preservar o mesmo até a chegada dos peritos criminais.
Art. 6o Logo que tiver conhecimento da prática da infração penal, a autoridade policial deverá:
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I - dirigir-se ao local, providenciando para que não se alterem o estado e conservação das coisas, até a
chegada dos peritos criminais
O local em que será realizada a perícia poder ser classificado como:
IDÔNEO É o local que se encontra preservado
INIDÔNEO É o local que não se encontra preservado
PERÍCIA
A perícia é uma diligencia com a finalidade de estabelecer a veracidade ou falsidade de situações, fatos ou
acontecimentos, por meio de prova,análise de toda a matéria colhida como vestígio de uma infração, ou seja,
exame de corpo de delito.
Assim, a perícia tem como finalidade provar atos de interesse da justiça. Quando os fatos alegados em
um processo deixam vestígios materiais e esses se perdem no mesmo instante em que ocorre, ou logo
após, sua comprovação em juízo só pode ser feita pela prova testemunhal. E o relato dessas
testemunhas pode, por diversas razões, não corresponder fielmente à realidade.
No entanto, se resultam vestígios duradouros, com a possibilidade de serem detectados, o seu exame e
registro devem ser feitos obrigatoriamente. O exame desses elementos materiais, quando feito por técnico,
é chamado de perícia.
Para o processo penal, a perícia é um meio de prova, pois é a forma que as fontes de prova são introduzidas no
Processo Penal.
Conforme art. 159 do Código de Processo Penal, as pericias serão realizadas por PERITO OFICIAL. Perito oficial
é o perito concursado, que no ato de sua posse, presta compromisso de realizar o mister com ética e relatar com
veracidade o que aprecia, não sendo necessário prestar este compromisso a cada perícia. Vale ressaltar que,
sendo perito oficial, a regra é que seja realizado por UM PERITO.
Excepcionalmente, caso não tenha perito oficial na localidade, permite-se a realização da perícia por duas
pessoas idôneas, chamados de peritos não oficiais, devendo estas serem portadoras de diploma em curso
superior, não necessariamente na área de especialidade da perícia (preferencialmente) e devem prestar
compromisso.
o Portanto, sendo perito oficial, basta 01 (um) perito.
o Caso não tenha perito oficial, a perícia será realizada por 02 (duas) pessoas.
Art. 159. O exame de corpo de delito e outras perícias serão realizados por perito oficial, portador de diploma
de curso superior.
§ 1o Na falta de perito oficial, o exame será realizado por 2 (duas) pessoas idôneas, portadoras de diploma de
curso superior preferencialmente na área específica, dentre as que tiverem habilitação técnica relacionada
com a natureza do exame.
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§ 2o Os peritos não oficiais prestarão o compromisso de bem e fielmente desempenhar o encargo.
#JÁCAIU #ATENÇÃO #VAICAIR
Os peritos não oficiais são conhecidos como perito ad hoc.
O PERITO NOMEADO PELA AUTORIDADE SERÁ OBRIGADO A ACEITAR O ENCARGO
Art. 277. O perito nomeado pela autoridade será obrigado a aceitar o encargo, sob pena de multa de cem a
quinhentos mil-réis, salvo escusa atendível.
Parágrafo único. Incorrerá na mesma multa o perito que, sem justa causa, provada imediatamente:
a) deixar de acudir à intimação ou ao chamado da autoridade;
b) não comparecer no dia e local designados para o exame;
c)não der o laudo, ou concorrer para que a perícia não seja feita, nos prazos estabelecidos.
IMPEDIMENTO PARA SER PERITO
Art. 279. Não poderão ser peritos:
Os que estiverem sujeitos à interdição de direito mencionada nos ns. I e IV do art. 69 do Código Penal
II. os que tiverem prestado depoimentono processo ou opinado anteriormente sobre o objeto da
perícia;
III. os analfabetos e os menores de 21 anos
PERINESCROSCOPIA= É o exame corpo de delito que é feito em volta do cadáver.
LOCAL RELACIONADO = local que não tem ligação direta com o local do cadáver, mas indiretamente pode conter, ou
ser útil para análise de prova
PERITO
É um a uxiliar da justiça, devidamente compromissado, estranho às partes, portador de conhecimento
técnico altamente especializado e sem impedimentos para atuar no processo.
FUNÇÃO DO PERITO
A função do perito limita-se a verificar o fato, indicando a causa que o motivou.
Qualquer que seja a posição em que esteja o perito, oficial ou não, seu compromisso com a verdade constitui-
se em dever ético e obrigação legal.
A declaração falsa ou a ocultação da verdade constitui o delito de falsa perícia, previsto no Código Penal:
Art. 342 do CP - Fazer afirmação falsa, ou negar ou calar a verdade como testemunha, PERITO, contador,
tradutor ou intérprete em processo judicial, ou administrativo, inquérito policial, ou em juízo arbitral:
Pena - reclusão, de 2 (dois) a 4 (quatro) anos, e multa.
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DELICTA FACTIS PERMANENTIS E DELICTA FACTIS TRANSEUNTES
Os VESTÍGIOS podem ter caráter permanente ou passageiro:
DELITO NÃO TRANSEUNT DELITO TRASEUNTE
Ocorre quando a infração penal deixa vestígios.
São vestígios duradouros, chamados de
DELICTA FACTIS PERMANENTIS.
Como exemplos de crimes não transeuntes,
podem-se citar :
• Homicídio (CP, art. 121),
• Estupro (CP, art. 213),
• Lesões corporais (CP, art. 129).
Ocorre quando a infração penal
não deixa vestígios.
Chamado de
DELICTA FACTIS TRANSEUNTES.
São crimes transeuntes, por exemplo:
• Calúnia (CP, art. 138),
• Cifamação (CP, art. 139),
• Injúria (CP, art. 140),
• Todos estes se praticados por meio verbal
CORPO DE DELITO
Quando o fato produz alterações materiais no ambiente, dá-se o nome de CORPO DE DELITO ao conjunto
de elementos sensíveis denunciadores do fato criminoso, assim pode-se definir corpo de delito como
sendo: elementos materiais, perceptíveis pelos nossos sentidos, resultantes da infração penal.
Esses elementos sensíveis, objetivos, devem ser alvo de prova, obtida por meios que o direito fornece.
Os peritos dirão da sua natureza e estabelecerão o nexo entre eles e o ato ou omissão por que se
incrimina o acusado – assim, tem-se o EXAME DE CORPO DE DELITO.
#IMPORTANTE
Assim, não se deve confundir CORPO DE DELITO com EXAME DE CORPO DE DELITO.
O primeiro é o elemento objetivo que o crime deixou, o segundo, é o exame realizado sobre este elemento.
Cite-se como exemplo de CORPO DE DELITO, o projetil de arma de fogo coletado em determinado local de
um delito, e EXAME DE CORPO DE DELITO, o trabalho realizado pelo perito para comparar se o projetil foi
disparado por uma determinada arma de fogo.
EXAME DE CORPO DE DELITO DIRETO E INDIRETO
O exame de corpo de delito é aquele que é feito com base no corpo de delito.
DIRETO INDIRETO
O corpo de delito é OBJETO da atividade pericial.
Ex.: Perito que tem contato direto com um
HÁ DUAS CORRENTES:
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cadáver em um delito de homicídio.
1ª CORRENTE
Seria a substituição do exame objetivo pela prova
testemunhal, subjetiva. Diz que é chamado
indevidamente de exame corpo de delito indireto,
pois não há corpo, embora exista o delito, porque
faltam os sinais, os vestígios, os elementos
materiais (art. 158 CPP).
Art. 158. Quando a infração deixar vestígios, será
indispensável o exame de corpo de delito, direto ou
indireto, não podendo supri-lo a confissão do
acusado.
Art. 167. Não sendo possível o exame de corpo de
delito, por haverem desaparecido os vestígios, a
prova testemunhal poderá suprir-lhe a falta.
2ª CORRRENTE
Entende que o exame de corpo de delito indireto é
aquele em que não é mais possível a perícia direta
no corpo de delito, por este ter desaparecido,
porém, o médico legistaterá acesso aos
prontuários médicos do paciente, que à sua vista,
elaborará o documento médico legal.
OBRIGATORIEDADE AO EXAME DE CORPO DE DELITO
Sempre que o delito deixar vestígios, é obrigatório que se faça o exame de corpo de delito, seja ele direito
ou indireto.
Art. 158. Quando a infração deixar vestígios, será indispensável o exame de corpo de delito, direto ou
indireto, não podendo supri-lo a confissão do acusado.
Art. 184. Salvo o caso de exame de corpo de delito, o juiz ou a autoridade policial negará a perícia requerida
pelas partes, quando não for necessária ao esclarecimento da verdade.
EXCEÇÃO A OBRIGATORIEDADE AO EXAME DE CORPO DE DELITO Lei 9.099/95
Nas infrações penais de menor potencial ofensivo, é dispensado o exame corpo de delito quando a
materialidade do crime estiver aferida por boletim médico ou prova equivalente.
Art. 77, § 1º Para o oferecimento da denúncia, que será elaborada com base no termo de ocorrência
referido no art. 69 desta Lei, com dispensa do inquérito policial, prescindir-se-á do exame do corpo de
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delito quando a materialidade do crime estiver aferida por boletim médico ou prova equivalente.
PRIORIDADE À REALIZAÇÃO DO EXAME DE CORPO DE DELITO (Lei nº 13.721, de 2018)
Art. 158, Parágrafo único. Dar-se-á prioridade à realização do exame de corpo de delito quando se
tratar de crime que envolva:
I- violência doméstica e familiar contra mulher;
II- violência contra criança, adolescente, idoso ou pessoa com deficiência
MOMENTO DO EXAME DE CORPO DE DELITO
ASSISTENTE TÉCNICO NA PERÍCIA
É possível a indicação de assistente técnico, que só será admitido pelo juiz após a conclusão dos exames
e elaboração do laudo pelos peritos oficiais.
§ 3o Serão facultadas ao Ministério Público, ao assistente de acusação, ao ofendido, ao querelante e ao
acusado a formulação de quesitos e indicação de assistente técnico.
§ 4o O assistente técnico atuará a partir de sua admissão pelo juiz e após a conclusão dos exames e
elaboração do laudo pelos peritos oficiais, sendo as partes intimadas desta decisão.
OITIVA DOS PERITOS E PARECER TÉCNICO
§ 5o Durante o curso do processo judicial, é permitido às partes, quanto à perícia:
I. requerer a oitiva dos peritos para esclarecerem a prova ou para responderem a quesitos, desde que
o mandado de intimação e os quesitos ou questões a serem esclarecidas sejam encaminhados
com antecedência mínima de 10 (dez) dias, podendo apresentar as respostas em laudo complementar;
II. indicar assistentes técnicos que poderão apresentar pareceres em prazo a ser fixado pelo juiz ou ser
inquiridos em audiência.
§ 6o Havendo requerimento das partes, o material probatório que serviu de base à perícia será
disponibilizado no ambiente do órgão oficial, que manterá sempre sua guarda, e na presença de perito
oficial, para exame pelos assistentes, salvo se for impossível a sua conservação.
PERÍCIA COMPLEXA
Se a perícia abranger mais de uma área de conhecimento especializado, poder-se-á designar a atuação de mais
REGRA
EXCEÇÃO
O exame de corpo de delito poderá ser feito
em qualquer dia e a qualquer hora.
Art. 161, CPC
AUTÓPSIA deve ser feita pelo menos
SEIS HORAS, após a morte, pois é o tempo que
aparecem os sinais de certeza de morte.
SALVO se os peritos, pela evidência dos sinais
de morte, tiverem certeza óbito.
Art. 162. P Ú, C P C
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de um perito oficial
§ 7o Tratando-se de perícia complexa que abranja mais de uma área de conhecimento especializado,
poder-se-á designar a atuação de mais de um perito oficial, e a parte indicar mais de um assistente técnico.
Art. 180. Se houver divergência entre os peritos, serão consignadas no auto do exame as declarações e
respostas de um e de outro, ou cada um redigirá separadamente o seu laudo, e a autoridade nomeará um
terceiro; se este divergir de ambos, a autoridade poderá mandar proceder a novo exame por outros peritos.
PRAZO DO LAUDO PERICIAL
Será elaborado no PRAZO MÁXIMO DE 10 DIAS, podendo este prazo ser prorrogado, em casos excepcionais, a
requerimento dos peritos.
Art. 160. Os peritos elaborarão o laudo pericial, onde descreverão minuciosamente o que examinarem,
e responderão aos quesitos formulados.
Parágrafo único. O laudo pericial será elaborado no prazo máximo de 10 dias, podendo este prazo ser
prorrogado, em casos excepcionais, a requerimento dos peritos.
PROVA TESTEMUNHAL
No caso de desaparecimento dos vestígios, é possível a produção de prova testemunhal.
Art. 167. Não sendo possível o exame de corpo de delito, por haverem desaparecido os vestígios, a
prova testemunhal poderá suprir-lhe a falta.
PRINCÍPIO DO LIVRE CONVENCIMENTO MOTIVADO DO JUIZ
O juiz não está vinculado ao laudo apresentado pelo perito, e em caso de não acatá-lo no todo ou parte,
deverá motivar objetivamente.
Art. 182. O juiz não ficará adstrito ao laudo, podendo aceitá-lo ou rejeitá-lo, no todo ou em parte.
AUSÊNCIA DO EXAME DE CORPO DE DELITO
A ausência pode levar a NULIDADE do processo.
Art. 564. A nulidade ocorrerá nos seguintes casos:
III. por falta das fórmulas ou dos termos seguintes:
b) o exame do corpo de delito nos crimes que deixam vestígios, ressalvado o disposto no Art. 167;
DOCUMENTOS MÉDICOS LEGAIS
São expressões (gráficas, públicas ou privadas) baseadas em critérios médico legais, que tem o caráter
representativo de um fato a ser avaliado em juízo. São 06 (seis) espécies de documentos que podem
interessar ao juízo:
1. Notificação
2. Atestado Médico
3. Prontuários
4. Depoimento Oral
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5. Relatório Médico Legal
6. Parecer Médico Legal
1. NOTIFICAÇÃO
São comunicações compulsórias feitas pelo médico a autoridade competente de um fato profissional,
em razão de necessidade social ou sanitária.
*São notificados compulsoriamente: acidentes de trabalho, doenças infectocontagiosas, morte
encefálica, etc.
*Não constitui notificação compulsória o conhecimento, pelo médico, de pessoa viciada em droga.
*As notificações compulsórias foram regulamentas pela Portaria 104/11 do SUS, e a ausência de notificação,
quando exigida, faz com que o médico incorra no delito de omissão de notificação de doença, previsto no
Art. 269, CP
2. ATESTADO MÉDICO
JUDICIÁRIOS São os atestados requisitados por juiz (aqueles com que os jurados
justificam suas faltas ao tribunal do júri).
Só os atestados que interessam à justiça constituem documentos médico-
legais
ADMINISTRATIVOS São os reclamados pelo servidor público para efeito
de licenças, aposentadoria, abono e etc.
OFICIOSOS São os requisitados por particulares para justificar ausências, seja no
trabalho, escola, etc
ATESTADO
GRACIOSO
Aquele que a pessoa que pede é do círculo de amizade, mas não esteve sob
os cuidados do profissional. O ato de dar atestado médico falso constitui
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É a afirmação simples e por escrito de um fato médico e suas possíveis consequências. É também
chamado de CERTIFICADO MÉDICO. Sendo um documento unilateral e singelo, que não possui forma pré-
definida e ainda, não pode se sobrepor ao laudo médico.
#CUIDADO
ATESTADO NÃO SE CONFUNDE COM DECLARAÇÃO, sendo esta apenas um relato de testemunho. Com a Lei nº
9.099/99, o atestado médico assumiu a posição de substituto eventual da perícia médico legal nos casos de
lesão corporal leve (art. 77, § 1°).
Art. 77, § 1º Para o oferecimento da denúncia, que será elaborada com base no termo de ocorrência referido
no art. 69 desta Lei, com dispensa do inquérito policial, prescindir-se-á do exame do corpo de delito quando
a materialidade do crime estiver aferida por boletim médico ou prova equivalente.
ATESTADO DE ÓBITO:
Atestado de óbito está regulado pela resolução 1.779/05 do CFM.
É uma declaração padronizada, elaborado por médico que indica a causa médica da morte. É composta
por 8 blocos de informações e indispensável para assentamento do óbito no cartório de Registro civil.
No caso de morte natural, o médico que acompanha o paciente é quem fornece o atestado de óbito.
Em relação às condições que ocorre, a morte pode ser:
• NATURAL, decorre de doença ou envelhecimento;
• VIOLENTA, decorrente de energias externas, como crime, suicídio ou acidente;
• SUSPEITA, morte inesperada, sem sinais de violência, mas que ocorreu em condições estranhas.
SITUAÇÕES EM QUE O “MÉDICO” NÃO PODE ATESTAR O ÓBITO:
(complacente ou
de favor)
ilícito penal (art. 302 do Código Penal)
ATESTADO
IMPRUDENTE
É aquele que o médico não toma as medidas para verificar a veracidade do
afirmado pelo paciente, ou seja, confia na palavra deste.
MORTE NATURAL se não deu assistência ou se não tem diagnostico da causa da
morte, antes de 24 horas após o período de internação.
Segundo o professor Hygino Hércules, no caso de uma pessoa
falecer em um hospital que estava em um curso período de
tempo (24 horas), deve o HOSPITAL realizar a autopsia
MORTE VIOLENTA
MORTE SUSPEITA
Nestes últimos casos (violenta e suspeita), deve existir
autópsia e o médico que o realiza é quem fornece o atestado,
sendo realizada pelo IML.
Se houver lesão e a morte ocorrer no hospital, mesmo que
dias depois, deve o corpo ser encaminhado ao IML.
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#IMPORTANTE
A morte natural de causa mal definida, encaminha-se para o Serviço de Verificação de Óbito (SVO) que
fará a autópsia. Como neste caso não é compulsória a autópsia, a família pode discordar de sua realização,
devendo recorrer ao suprimento judicial
MORTE FETAL E NECESSIDADE DE DECLARAÇÃO DE ÓBITO
O atestado de óbito pode ser obrigatório ou dispesado:
MORTE FETAL
PREMATURA
MORTE FETAL
INTERMEDIÁRIA
MORTE
FETAL TARDIA
O FETO DEVE TER • Menos de 500 gramas,
• Menos de 25 Centímetros,
• Menos de 5 meses
(20 semanas)
• Mais de 500 gramas e menos
de 1000 gramas,
• Mais de 25 Centímetros e
menos de 35 Centímetros,
• Mais de 5 meses e menos de
6 meses
• Mais de 1000 gramas
• Mais de 35 Centímetros
• Mais de 6 meses
HÁ OBRIGAÇÃO
PARA O MÉDICO
EXPEDIR
A DECLARAÇÃO DE
ÓBITO
NÃO.
DISPENSADO
A DECLARAÇÃO DE ÓBITO
SIM.
OBRIGATÓRIO
A DECLARAÇÃO DE ÓBITO
SIM.
OBRIGATÓRIO
A DECLARAÇÃO DE ÓBITO
#ATENÇÃOCOLEGUINHA
Vale citar que a Lei de Registros Públicos, cita em seu artigo 53 a obrigatoriedade de se realizar o atestado
de óbito fetal em todos os casos. Mas para a literatura essa obrigação só se dá a partir da morte fetal
intermediária.
3. PRONTUÁRIOS
Trata-se de todo acervo (padronizado, organizado e conciso), referentes aos cuidados médicos
prestados ao paciente, sendo um verdadeiro “dossiê”.
• O prontuário é de propriedade do paciente.
• STF
A instituição ou médico não é obrigada a atender requisição de prontuários – apenas ao perito cabe o direito de
consulta-los, e mesmo assim, obrigando-se ao sigilo.
4. DEPOIMENTO ORAL
Trata do depoimento em juízo do perito em que ele foi intimado para audiência. Neste ato ele irá explicar de
forma clara e sem termos científicos o que ele procedeu à elaboração de seus laudos, dirimindo dúvida das
partes.
#DIVERGÊNCIA
Alguns doutrinadores não relacionam o depoimento como documento médico legal, sendo feito pelo
professor Delton Croce.
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5. RELATÓRIO MÉDICO LEGAL
É o documento médico legal que possui forma escrita e minuciosa de todas as operações de uma perícia
médica determinada por autoridade policial ou judiciária.
o SE DITADO AO ESCRIVÃO, chama-se de AUTO.
o SE FEITO PELO PERITO APÓS TERMINADA A PERÍCIA, chama-se LAUDO.
#JÁCAIU #ATENÇÃO
Laudo médico-legal consiste em narração ditada a um escrivão durante o exame
(GAB: E)
DIVISÃO DO RELATÓRIO MÉDICO LEGAL
O Relatório Médico Legal é dividido em 7 partes (nesta ordem):
1. PREÂMBULO
É uma espécie de introdução na qual constam:
✓ A QUALIFICAÇÃO
• DA AUTORIDADE SOLICITANTE
• DO PERITO
• DO EXAMINADO
✓ O LOCAL ONDE É FEITO O EXAME;
✓ A DATA E A HORA;
✓ O TIPO DE PERÍCIA A SER FEITA.
2. QUESITOS OFICIAIS
São perguntas cuja finalidade é a caracterização de fatos
relevantes que deram origem ao processo. Não existem no foro
cível. No foro penal, são padronizados e têm o fim de caracterizar
os elementos de um fato típico.
Em que pese existir um rol padronizado, não impede que a
autoridade formule outros quesitos.
Ex.: Quesitos de Laudo cadavérico
1) Houve morte?
2) Qual a causa médica da morte?
3) Qual o instrumento ou meio que causou a morte?
4)Se a morte foi produzida por meio de veneno,
fogo, explosivo, tortura ou outro meio insidioso
ou cruel?
3. HISTÓRICO ou
COMEMORATIVO
São dados referentes aos antecedentes obtidos pelo próprio
examinando, exceto no caso de autopsia nos quais precisam
ser transcritos, não endossados, da guia de remoção que
acompanha o corpo.
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6.
6. PARECER MÉDICO LEGAL
É o documento elaborado por uma instituição cujo corpo técnico tem competência inquestionável ou a um
perito ou professor cuja autoridade na matéria seja reconhecida acerca de divergências importantes
4. DESCRIÇÃO
É a descrição minuciosa e precisa do que se foi observado pelo
perito e como ali se chegou, métodos, formas, tempo,
velocidade, etc., ilustrando com desenhos, gráficos, plantas,
fotografias, dentre outras formas. É a parte MAIS IMPORTANTE
DO RELATÓRIO MÉDICO-LEGAL, uma vez que não pode ser
refeita com a mesma riqueza de detalhes em um exame
posterior, por isso deve ser minuciosa, correspondendoao
VISUM ET REPERTUM (é a vista do que é encontrado).
• É de boa norma não diagnosticar durante a descrição.
• É a parte mais importante do relatório médico legal
5. DISCUSSÃO Segundo o Professor Hygino Hércules, se não houver
contradições aparentes, podenão ser necessária.
Contudo, quando surge alguma discrepância entre a descrição
e o histórico, torna-se imperiosa. Nesses casos, os achados têm
que ser analisados sob novos ângulos, tentando encontrar uma
explicação para as diferenças
6. CONCLUSÃO Terminadas a descrição e a discussão, se houver, o perito
assume uma posição quanto à ocorrência, ou não, do fato com
base nas informações do histórico, nos achados do exame
objetivo e no seu confronto.
• As conclusões serão objetivas e podem ser afirmativas,
negativas ou inconclusivas
7. RESPOSTA
AOS QUESITOS
Deve ser SUCINTA E OBJETIVA, não sendo admissível falta de
clareza nem interpretação dúbia. Em caso de dúvida, o perito
dirá que não têm dados para esclarecê-la. Terminado o
relatório, o perito deve assiná-lo.
• A DATA do exame pode constar do preâmbulo, estar no
início da descrição, ou ser colocada antes das assinaturas
finais.
• Alguns doutrinadores citam a assinatura do perito como
sendo integrante do relatório médico legal.
#MEMORIZE:
PREQUE - HIDE - DISCONRE
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constantes na consulta médico- legal.
O PARECER será solicitado por uma CONSULTA MÉDICO-LEGAL (que envolve DIVERGÊNCIAS IMPORTANTES
QUANTO À INTERPRETAÇÃO DOS ACHADOS DE UMA PERÍCIA, de modo a impedir uma orientação correta dos
julgadores, estes, ou qualquer das partes interessadas, podem solicitar esclarecimentos a uma instituição
ou a um perito).
A CONSULTA MÉDICO LEGAL é um documento que exprime dúvida sobre um relatório médico-legal e no
qual a autoridade, ou mesmo um outro perito, solicita esclarecimento sobre pontos controvertidos
constantes no mesmo, em geral formulando quesitos complementares. Decorre da não compreensão
de algum aspecto do relatório ou pela superveniência de um fato novo no decorrer do processo.
Alguns doutrinadores, inclusive o Professor Hygino Hércules, citam quea consulta médico legal é um
documento médico legal.
DIVISÃO DO PARECER MEDICO LEGAL
1.PREÂMBULO O preâmbulo é onde ficam as qualificações das
autoridades que fazem a consulta e a do parecista
2.EXPOSIÇÃO Compreende o motivo da consulta, os quesitos formulados
e o histórico do caso em análise
Parte mais importante do parecer*
3.DISCUSSÃO O parecista demonstra seu poder de argumentação.
Não há, como no relatório, o dever cívico de servir à
justiça.
4.CONCLUSÃO Deve sintetizar os pontos relevantes da discussão de
modo claro e sucinto.
ANTROPOLOGIA FORENSE
IDENTIDADE , IDENTIFICAÇÃO E RECONHECIMENTO
A Antropologia forense, estuda os restos mortais com objetivo de esclarecer sua: Identdade, causa
de morte e ascendência
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IDENTIDADE IDENTIFICAÇÃO RECONHECIMENTO
É a qualidade de ser a mesma
coisa e não diversa. Se traduz pelo
conjunto de características
peculiares que lhe dão a
individualidade, ou seja, o torna
único, diferente de qualquer
outro.
São atributos que tornam
alguém ou alguma coisa igual
apenas a si próprio
Possui respaldo na imutabilidade
e unicidade dos caracteres
individuais
É o processo ou método pelo qual
se estabelece a IDENTIDADE
(objetivo da identificação) de uma
pessoa ou coisa.
A identificação em que se basear
em sinais e dados peculiares ao
indivíduo e que, em seu conjunto,
possam excluí-lo de todos os
demais.
Os sinais e dados utilizados na
identificação são chamados de
elementos sinaléticos
Ex.: Cor e o tipo de cabelo
Ex.: Identificação de um cadáver
em decomposição, por meio da
realização de exame de DNA
Por método de
comparação, uma pessoa
reconhece outra. A
primeira, conhecendo as
características físicas da
segunda, compara os
dados memoriais que
possui com a imagem que
lhe apresenta, portanto,
um método não científico,
subjetivo, opinativo,
precário.
Ex.: Reconhecimento
fotográfico.
Em termos de condições para um método de identificação - o conjunto de elementos sinaléticos, para ser
considerado bom, deve preencher os seguintes requisitos;
REQUISITOS:
UNICIDADE ou
INDIVIDUALIDADE
É o conjunto desses elementos que deve ser exclusivo do
indivíduo, de modo a distingui-lo de todos os demais.
IMUTABILIDADE Os elementos não podem modificar-se facilmente (capacidade
de resistência) pela ação do meio ambiente, tempo etc.
Assim, o peso do corpo não deve ser considerado elemento
sinalético, por estar sujeito a grandes variações
PERENIDADE É a capacidade de os elementos resistirem à ação do tempo.
• Há quem trate como sinônimo de imutabilidade.
• O Professor Wilson Palermo
(Banca Delegado RJ, cita como sendo diverso).
PRATICABILIDADE Esses elementos não podem expor as pessoas a vexame quando
elas precisarem ser identificadas.
CLASSIFICABILIDADE Os processos de identificação devem valer-se de elementos e sinais de
fácil classificação, de modo a orientarem a busca prontamente nos
arquivos e a qualquer momento (é a rapidez e facilidade na busca
dos registros).
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MÉTODO DE VUCETICH
Existem diversos “métodos” de identificação, no entanto, se convencionou, que o que melhor atende aos
elementos propostos, é o MÉTODO VUCETICH, adotado no Brasil a partir de 1903, que toma como
elemento básico a presença, ausência e a posição de uma figura chamada de delta nos dedos da mão.
As papilas dérmicas que vão dar origem aos desenhos digitais surgem com 6 meses de vida intrauterina.
Outra diferenciação importante a ser feita é entre desenho digital e impressão digital. Olhando-se
diretamente a polpa dos dedos, vê-se o desenho digital. Entretanto, o sistema de Vucetich, que veremos
a seguir, diz respeito ao desenho impresso, isto é, a impressão digital, que é reverso do desenho digital.
Desenho digital Impressão digital
#CUIDADO: NÃO CONFUNDIR DESENHO DIGITAL COM IMPRESSÃO DIGITAL.
• DESENHO DIGITAL- É o que está na pele, sem que haja contato com superfície.
• IMPRESSÃO DIGITAL - Já quando há o ajuntamento de linhas (pretas e brancas) sobre determinada
superfície, em que o DELTA DAS PRESILHAS SE INVERTE, assim, o desenho de uma da presilha interna,
na impressão digital passa a ser à esquerda, e o da presilha externa passa a ser à direita.
A CLASSIFICAÇÃO DE VUCETICH
SISTEMA BASAL SISTEMA MARGINAL SISTEMA NUCLEAR
É o conjunto de linhas paralelas
ao sulco que separa a segunda
da terceira falange, ou seja,
compreende as linhas abaixo
do ramo inferior das linhas
diretrizes, ficam na base da
impressão digital, isto é, abaixo
do núcleo
É o conjunto de linhas das
bordas e extremidades da
terceira falange, ou seja, é
formado pelas linhas que estão
acima do ramo superior das
linhas diretrizes que se sobre
põe ao núcleo
Se localiza entre os
sistemas anteriores,
sendo o sistema de linhas
central
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A classificação de Juan Vicetich, é baseada na presença, ausência e a posição de uma figura chamada de
delta nos dedos da mão. Inicialmente,entenda como é formado o Delta.
O DELTA são pequenos ângulos ou triângulos formados pelas cristas papilares. É a característica
fundamental no sistema de Juan Vucetich, e é formado com três sistemas de linhas (basilares, marginais
e nucleares) e quatro figuras de classificação: arco, presilha interna, presilha externa e verticilo.
O Delta pode ainda ser subclassificado, quanto sua FORMA em:
▪ DELTA TRIPÓDICO OU NEGRO
▪ DELTA CAVADO OU BRANCO
TIPOS FUNDAMENTAIS DA CLASSIFICAÇÃO DE VUCENTICH
ARCO Ocorre diante da ausência de deltas.
PRESILHA INTERNA
Há a presença do delta a direita do observador
PRESILHA EXTERNA
Há a presença do delta a esquerda do observador
VERTICILO
Há a presença de dois deltas.
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PARA IDENTIFICAR UMA IMPRESSÃO DIGITAL, DEVE-SE ANALISAR A POSIÇÃO DO DELTA.
Assim, o delta deve ser avaliado no papel. Porém, deve-se lembrar que, uma pessoa que olha seu
dedo (desenho digital) e vê um delta a esquerda, no momento que tocar uma superfície (gerando
uma impressão digital), ao olhar para a impressão gerada, o DELTA ESTARÁ DO LADO OPOSTO,
DEVENDO ASSIM SER CLASSIFICADO.
Portanto, uma pessoa que olha no seu dedo e vê um D E L T A a esquerda, não tem como classificação de
sua impressão digital como presilha externa, mas sim como PRESILHA INTERNA, DEVIDO À ESSA
INVERSÃO NO MOMENTO DO TOQUE.
#PEGADINHA #VAICAIR
A banca pode induzir o candidato ao erro, quando na questão trouxer que:
“ANALISANDO LOCAL DE CRIME, OS PERITOS ENCONTRARAM UM DESENHO DIGITAL QUE
CONTINHA UM DELTA A ESQUERDA”.
Neste caso, APESAR DE CONSTAREM O TERMO DESENHO, NA VERDADE TEMOS UMA IMPRESSÃO
DIGITAL, pois não analisou o dedo do criminoso ou vítima.
A consequência disso é que ao responder à questão, o candidato não deverá inverter o lado do
delta encontrado, afirmando que a classificação da impressão digital (ou desenho digital, como
a banca trouxe), será PRESILHA EXTERNA.
FÓRMULA DATILOSCÓPICA
Na fórmula datiloscópica, cada tipo de classificação é representado por um número ou letra.
Vejamos:
Terá a representação de LETRA quando corresponder ao dedo POLEGAR.
Terá a representação de NÚMERO quando corresponder aos DEMAIS DEDOS
(indicador, médio, anular, mínimo).
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ARCO
A presença de ARCO no POLEGAR é representada pela letra “A”
A presença de ARCO nos DEMAIS DEDOS é representado pelo “Nº 1”
PRESILHA INTERNA
A presença de PRESILHA INTERNA no POLEGAR é representada pela letra “I”
A presença de PRESILHA INTERNA nos DEMAIS DEDOS é representado pelo “Nº 2”
PRESILHA EXTERNA
A presença de PRESILHA EXTERNA no POLEGAR é representada pela letra “E”
A presença de PRESILHA EXTERNA nos DEMAIS DEDOS é representado pelo número “3”
VERTICILO
A presença de VERTICILO no POLEGAR é representada pela letra “V”
A presença de VERTICILO nos DEMAIS DEDOS é representado pelo número “4”
EXISTEM OS SÍMBOLOS “X” e “0”
“X” Indica DIFICULDADE DE CLASSIFICAÇÃO (não se consegue afirmar qual o tipo).
“0” Indica AUSÊNCIA DE FALANGE DISTAL (Ex. dedo amputado).
TIPOS DE IMPRESSÃO DIGITAL
VISÍVEL Pode-se perceber diretamente com a visão natural.
LATENTE Só pode ser percebida após o uso de agentes químicos (reveladores).
MOLDADA Ficam moldadas em alguma superfície mole.
RESUMO SISTEMA DACTILOSCÓPICO DE VUCETICH
TIPO FUNDAMENTAL POLEGAR DEMAIS DEDOS
VERTICILO V 4
PRESILHAS EXTERNAS E 3
PRESILHA INTERNA I 2
ARCO A 1
DEDOS DEFEITUOSOS X X
AMPUTAÇÕES 0 0
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ALBODATILOGRAMA
É o conjunto de linhas brancas que atravessam as negras que representam as cristas papilares. Podem ter
qualquer direção e tamanho, mas, geralmente, são transversais. Na verdade, representam pequenas pregas
superficiais à maneira de rugas, adquiridas com o passar dos anos, que se tornam mais visíveis quando se faz a
flexão da terceira falange. São mais frequentes nos polegares e nos indivíduos mais idosos.
OUTROS MEIOS DE IDENTIFICAÇÃO
MUTILAÇÕES, MARCAS E TATUAGENS São conhecidas pela doutrina como “cicatrizes que
falam”.
ORLA DE BURTON
Típico de indivíduos que trabalham com chumbo onde
existe coloração escura na orla gengival.
FOTOGRAFIA SINALÉTICA
Consiste em foto de frente e perfil com redução de 1/7.
Há uma sobreposição de fotos. Carece de unicidade,
imutabilidade e classificabilidade
ANTROPOMETRIA OU
BERTILHONAGEM
A Identificação de pessoas se dá por uma descrição física
baseada em medições antropométricas. É considerado o
primeiro método de identificação
RUGOPALATOSCOPIA Palato duro ou céu da boa. O rugograma é obtido através
da moldagem da massa do dentista.
POROSCOPIA Tem por base a posição dos poros onde as glândulas
sudoríparas se abrem nas cristas papilares. Vale lembrar
que o registro de recém-nascidos é feito pela podoscopia
(planta dos pés) e a sua ausência é considerada crime.
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FLEBOGRAFIA Consiste em fotografar as veias do dorso da mão
FOTOGRAFIA SIMPLES
Se dá por foto 3x4. É considerado um método antigo
utilizado para identificação judiciária
ASSINALAMENTO SUCINTO
Descrição e anotação de certos dados, como estatura raça
e compleição física. É considerado um método antigo
utilizado para identificação judiciária
RETRATO FALADO
Embora auxilie na captura de criminosos, não são
considerados método de identificação.É considerado um
método antigo utilizado para identificação judiciária
IDENTIFICAÇÃO DE RAÇA HUMANA
TIPO CAUCÁSICO Possui pele branca, cabelo lisos ou crespos, louros ou
castanhos e íris azuis ou castanhas
TIPO MONGÓLICO Possui pele amarela, cabelo liso, face achatada de diante
para trás e maxilares salientes
TIPO NEGROIDE Possui pele negra, cabelo crespo, crânio pequeno, íris
castanha, nariz largo e achatado
TIPO INDIANO Não é um tipo racial definido. Possui estatura alta, pele
amarela-trigueira, cabelos pretos e lisos e barba escassa.
TIPO AUSTRALOIDE Estatura alta, pele trigueira, dentes fortes, nariz curto e
largo e arcadas superciliares salientes,
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83
IDENTIFICAÇÃO DA IDADE - DENTIÇÃO
2 ANOS PRIMEIRA DENTIÇÃO
2 A 6 ANOS APARECIMENTO DOS PONTOS DE OSSIFICAÇÃO
6 A 12 ANOS SEGUNDA DENTIÇÃO
12 A 25 ANOS FECHAMENTO DAS ZONAS DE CRESCIMENTO DOS
OSSOS LONGOS (metáfises).
ACIMA DOS 25 ANOS FECHAMENTO DAS SUTURAS DO CRÂNIO
IDENTIFICAÇÃO POR DNA
EXAMES DE DNA
CROMOSSOMIAL/NUCLEAR
1. Só é possível em células nucleadas.
2. É impossível realizar DNA em eritrócitos adultos
(transportam oxigênio), pois não possuem núcleo
EXAMES DE DNA MITOCONDRIAL É possível a realização em células anucleadas
DNA EM ERITOBLASTOS,
LEUCOBLASTOS E
LEUCÓCITOS (CÉLULAS BRANCAS)
É possívela realização de DNA nuclear e
mitocondrial nas células brancas.
DNA EM FÂNEROS DA PELE
(EX. PELOS/UNHAS)
1. DNA cromossomial e mitocondrial deve ser feito
nas células nucleadas na raiz dos fâneros.
2. Nas partes mais externas dos fâneros, as células
são anucleadas, sendo possível assim, só o DNA
mitocondrial
REAÇÕES QUE INDICAM A PROBABILIDADE
DE SER SANGUE HUMANO:
(Visto que indicam a presença de ferro (Fe++) da
hemoglobina)
REAÇÃO DE ADLER
REAÇÃO DE AMADO FERREIRA
REAÇÃO DE KASTLE-MEYER
REAÇÃO DE VAN-DEEN
LUMINOL
É uma substancia que em contato com o sangue
apresenta uma cor intensa azul esverdeado, sendo
chamado de teste de elite
REAÇÕES QUE INDICAM CERTEZA DE
SER SANGUE:
CRISTAIS DE TEICHMANN
CRISTAIS DE STRZYWSKY
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84
REAÇÕES QUE INDICAM CERTEZA DE
SER SANGUE HUMANO:
REAÇÃO DE UHLENHUTH
Indica certeza de sangue humano pela a forma e
tamanho das células sanguíneas (anucleação da
hemácias).
IDENTIFICAÇÃO DO SEXO
MELHORES
ESTRUTURA
ÓSSEA PARA
DIFERENCIAR
MULHER HOMEM
CRÂNIO
OSSO FRONTAL:
mais vertical
MASTOIDE, ESTILOIDE, SUPERCILIO:
menos desenvolvidas
OSSO FRONTAL:
mais inclinado
MASTOIDE, EESTILOIDE, SUPERCILIO:
mais desenvolvidas
BACIA (PELVE) MAIS LARGA
ângulo pode passar de 90º
MAIS ESTREITA.
ângulo não passa de 90º
SACRO MAIS BAIXO MAIS ALTO
TÓRAX OVOIDE CÔNICO
#JÁCOBROU
Ano: 2012 Órgão: PC-PI - Delegado de Polícia Piauí Substituto
A melhor estrutura óssea para se fazer o diagnóstico diferencial do sexo, quando se analisa uma ossada,
é a bacia.9
( ) ERRADO ( ) CERTO
#JÁCOBROU
Ano: 2013 Órgão: PC-ES - Delegado de Polícia Espírito Santo Substituto
Para a investigação do sexo no esqueleto, as partes que mais fornecem subsídios de valor são a pélvis e
crânio.10
( ) ERRADO ( ) CERTO
9 Gabarito: c
10 Gabarito :c
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#HORADEPRATICAR
Faça de 15 a 30 questões. Utilize essa tabela abaixo para verificar a quantidade de questões que
acertou ou errou:
Quantidade de
Questões
Percentual de acertos Revisadas?
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QUINTA-FEIRA
LEI SECA TODO DIA: ART. 14 AO ART. 17, CF
REVISÃO DO DIA ANTERIOR:
DIREITO PENAL – GERAL
EVOLUÇÃO HISTÓRICA (ORIGEM)
1. Período da Vingança
Em relação à evolução histórica do direito penal, devemos passar pelas seguintes fases:
• Fase da vingança divina:
É a ideia de que haveria uma punição perpetrada por entidades divinas. Quando o indivíduo cometesse
uma infração, ele era penalizado pela tribo para que a divindade não punisse todos os membros daquela
comunidade.
• Fase da vingança privada:
Um sujeito defende seu direito em face do outro. É a chamada homo homini lupus, ou seja, o homem é o
lobo do próprio homem. Posteriormente, há evolução dessa fase com a Lei de Talião, que seria olho por
olho, dente por dente, surgindo daí a proporcionalidade.
• Fase da vingança pública:
O direito de punir passa a ser do Estado.
2. Período iluminista
A partir do século XVIII, em que se vive no mundo o chamado Iluminismo. Neste movimento, busca-se a
racionalidade e o desenvolvimento humano, e, a partir do iluminismo, buscou-se a finalidade da norma
que tem caráter sancionador.
O que se procura é prevenção? Ou ressocialização? Ou retribuição?
IMPORTANTE LER
ART. 1º AO ART. 60
CÓDIGO PENAL
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A Dogmática Penal (origens e funções). Lei de Introdução ao Código Penal.
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87
Durante o iluminismo é que se buscou o caráter das normas de caráter sancionador, de modo que o direito
penal até então aplicado seria contraproducente. A partir disso, surgiu a obra que marcou a história do
direito penal, escrita por Cesare Beccaria (Marquês de Beccaria), conhecida como “Dos Delitos e das
Penas”.
A conclusão de Beccaria foi a seguinte: “Para que cada pena não seja uma violência, de um ou de muitos,
contra um cidadão, esta pena deve ser essencialmente pública, rápida, necessária e a mínima possível nas
circunstâncias dadas, observada a proporcionalidade aos delitos, e ditadas tais penas pelas leis”. Ou seja,
quem pune deve ser o Estado. Deverá ser rápida para que se tenha a resposta ao ilícito. Necessidade é a
proporcionalidade. A ideia de ultima ratio deve ser vista como a mínima pena nas circunstâncias dadas.
Como se vê, até mesmo a legalidade Beccaria se referia.
3. Período das Escolas Penais
Após o período iluminista, surgem as escolas penais, duas delas ganhando destaque.
• Escola clássica
• Escola positiva
A Escola Clássica, destacada por Francesco Carrara, dizia que:
Crime era um ente jurídico, eis que consiste na violação de um direito (razão por que atinge a esfera
jurídica).
Delinquente é um ser livre, que pratica um delito por vontade própria, alheia à moral.
Função da pena é prevenir a prática de novos crimes e a necessidade ética.
A Escola Clássica tem como base os ensinamentos de Beccaria, pois há uma relação com o absolutismo,
tendo a ideia de que se o indivíduo praticou o crime deve ser penalizado, pois o sujeito é livre para suas
escolhas.
A Escola Positiva tem como expoente Cesare Lombroso.
Crime decorre de fatores naturais e sociais;
Delinquente não é dotado de livre arbítrio, pois, do ponto de vista biológico ou psíquico, seria portador
de uma anormalidade. Existiria um sujeito que trazia um criminoso nato, nascido com essas
características;
Finalidade da pena é prevenir crimes, mas deverá ser indeterminada, a ser fixada a partir do caso
concreto, tendo em vista que estamos diante de um criminoso nato. A pena deve ter um caráter para
tratar o criminoso.
Escola positiva possui um caráter determinista, pois tem a ideia do criminoso nato, cunhada por
Lombroso.
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4. Direito penal brasileiro
Quando o Brasil foi colônia, vigorava as Ordenações Afonsinas, sendo as mesmas normas que vigiam em
Portugal. Estas normas tinham caráter religioso.
Em 1514, estas Ordenações Afonsinas foram revogadas pelas Ordenações Manuelinas, as quais,
posteriormente, foram substituídas por uma compilação feita por Nunes Leão, criando o Código
Sebastiânico.
Esta compilação, mais tarde, dá lugar às Ordenações Filipinas. Nessas ordenações, continuam as ideias
de direito confundido com religião e moral, sendo, portanto, uma época marcada pelo direito penal
secularizado. Por isso, havia uma preocupação com o ordenamento jurídico em punir benzedores,
feiticeiros, apostoles, hereges e bruxas, aplicando-se penas com caráter cruel e desumanas, de forma que
fosse infundido um temor nas pessoas da sociedade.
No entanto, o Brasil se torna independente em 1822, vindo,logo em seguida, a Constituição de 1824,
vindo, logo após, o Código Criminal do Império. Tratava-se de um código penal humanitário, trazendo,
inclusive, o princípio da individualização da pena. Para se ter ideia, considerando seu contexto social, a
pena de morte fica limitada aos crimes cometidos por escravos.
Em 1890, posteriormente a Constituição da República, sanciona-se o Código Criminal da República.
A Constituição de 1891 vedou a pena de morte e a pena de prisão de caráter perpétuo. O Código
Republicano permitia as penas de prisão, banimento e suspensão de direitos, mas o banimento seria de
natureza temporária, pois era vedado pela Constituição de 1891 que a pena tivesse caráter perpétuo.
Em 1932, vem uma Consolidação das Leis Penais, realizada pelo Desembargador Vicente Piragibe,
recebendo o nome de Consolidação de Piragibe.
Em 1942, entra em vigor o Código Penal atual, sendo sua parte geral reformulada pela Lei 7.209.
CONCEITO
O direito penal é o setor do ordenamento jurídico que define crimes, comina penas e prevê medidas de
segurança aplicáveis aos autores das condutas incriminadas. Portanto, quando se estuda o direito penal,
estuda-se a existência de crime e suas consequências: penas e medidas de segurança.
CONCEITO SOB ASPECTO (FORMAL/ MATERIAL/ SOCIOLÓGICO)
Sob o aspecto formal (estático), o direito penal é um conjunto de normas que qualificam certos
comportamentos humanos como infrações penais. São normas que definem os agentes e fixam as sanções
que serão cominadas a estes agentes.
Sob o aspecto material, direito penal se refere a comportamentos considerados reprováveis, danosos ao
organismo social, pois afetam bens jurídicos indispensáveis à conservação e progresso do próprio
organismo social.
Sob o aspecto sociológico (ou dinâmico), o direito penal é instrumento de controle social.
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89
CARACTERÍSTICAS DO DIREITO PENAL
As características do Direito Penal referem-se aos atributos que o distinguem dos demais ramos do direito.
São elas:
• Finalidade preventiva: De forma geral, é possível dizer que a finalidade do Direito Penal é a
prevenção de novos delitos. Tal prevenção é dividida em geral e especial.
A prevenção geral diz respeito ao impacto da punição na sociedade, servindo de exemplo para que as
demais pessoas não cometam crimes. Por sua vez, a prevenção especial, reflete ao impacto da punição
sobre o próprio agente, de maneira que o desestimule de praticar novamente algum crime.
• Subsidiariedade: Reluz o conceito de que o direito penal é um remédio sancionador extremo,
reservado apenas para condutas de especial gravidade. Logo, somente devem ser criminalizadas condutas
gravosas, trazendo a ideia de um direito penal mínimo.
• Fragmentariedade: A fragmentariedade é uma consequência do princípio da subsidiariedade.
Logo, parte-se do conceito de que determinados comportamentos lesivos não configurarão crime, visto
que o direito penal somente se preocupará com as condutas especialmente graves que o afetem. Assim,
a proteção conferida a um dado bem jurídico nunca será total.
#IMPORTANTE: PRINCÍPIO DA INTERVENÇÃO MÍNIMA
Este princípio estabelece que se outro mecanismo de controle social se revelar suficiente para tutela de
um bem, criminalizar este comportamento seria inadequado. Este é o pensamento de Paulo Queiroz.
O direito penal é a ultima ratio.
CRIMINOLOGIA E POLÍTICA CRIMINAL
Na ciência penal, podemos estudar as chamadas criminologia e política criminal.
A ciência penal, diferentemente do direito penal, estuda a delinquência como um fato natural da
sociedade. Portanto, a partir desta constatação se desenvolve duas ideias:
• Criminologia: que é uma ciência empírica, a qual estuda o crime, a vítima, o criminoso e o controle
social. As constatações se dão a partir da observação daquilo que acontece na realidade social, na
experiência.
• Política criminal: possui uma finalidade, trabalhando com estratégias e mecanismo de controle
social da criminalidade. É uma ciência que trabalha com fins a partir do momento em que se adota uma
lei. Possui a característica de vanguarda, pois orienta a forma de como o legislador deve atuar e positivar
certas matérias. Orienta a reforma das leis.
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90
FUNÇÃO DO DIREITO PENAL
No direito penal se faz a seguinte pergunta: qual é a função do direito penal?
Qual é a finalidade do direito penal?
A compreensão da função do direito penal repercute diretamente no estudo da teoria da pena. Para
responder a esta pergunta, é necessário vislumbrar o movimento do funcionalismo penal. Este
movimento busca a real função do direito penal, havendo duas correntes que se destacam:
• O funcionalismo teleológico (moderado)
Tem como expoente Claus Roxin, o qual preceitua que a finalidade do direito penal é assegurar bens
jurídicos, de modo que, não havendo bem jurídico a ser protegido, não haverá por que falar em direito
penal. É teleológico porque busca a finalidade do direito penal. Daí resulta que o direito penal não pode
interferir onde não haja lesão ou perigo a bem jurídico.
• O funcionalismo sistêmico
Por sua vez, é de criação de Günther Jakobs. Ele vai dizer que a função do direito penal é assegurar a
vigência do sistema, protegendo o império da norma. Para ele, quando o sujeito é punido por cometer
um crime, o bem jurídico não está protegido, pois ele já foi violado. O sujeito é punido apenas para
demonstrar que o sistema continua em vigor e a norma deve ser obedecida. A função do direito penal é,
portanto, assegurar a aplicação da norma.
Para melhor entender o pensamento de Jakobs, é necessário esclarecer que a prevenção geral se
desdobra em duas formas ou espécies:
DIREITO PENAL CRIMINOLOGIA POLÍTICA CRIMINAL
FINALIDADE
Alisa os fatos humanos
indesejados, define quais
devem ser rotulados
como infrações penais,
anunciando as
respectivas sanções.
Ciência
empírica que estuda o
crime, a pessoa do
criminoso, a vítima e o
comportamento
da sociedade.
Trabalha
as estratégias e meios de
controle social da
criminalidade.
OBJETO O crime enquanto norma O crime enquanto fato O crime enquanto valor
EXEMPLO
DP define o crime de
homicídio
Criminologia estuda o
fenômeno do
homicídio, o agente
homicida, vítima e o
comportamento da
sociedade.
A Política Criminal estuda as
formas de diminuir o
homicídio.
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• Prevenção geral negativa:
Corresponde ao temor que a punição provoca nas pessoas, levando-as a desistirem de cometer crimes.
• Prevenção geral positiva:
Diz respeito à confiança que as pessoas depositam no funcionamento do sistema normativo.
Para Günther Jakobs, se o sujeito deliberadamente se desvia da norma, quem faz isto não dá qualquer
garantia de que não mais fará isso, passando a se comportar como um cidadão. Diante disso, o indivíduo
que reiteradamente e deliberadamente se comporta como um violador contumaz da lei penal, não deve
ser tratado como um cidadão, devendo, sim, ser visto como um inimigo da sociedade, devendo ser
tratado como um inimigo.
O Direito Penal do Inimigo nasce da ideia de que o direito penal deve tratar de maneira diferenciada
aquele que se mostra infiel ao sistema. E, portanto, é preciso que haja uma repressão mais forte àquelesque perderam o status de cidadão, eis que decidiram reiteradamente desobedecer a norma e o sistema
imposto.
CLASSIFICAÇÕES DO DIREITO PENAL
São várias as classificações do direito penal.
a) Direito penal substantivo e direito penal adjetivo
• Direito penal substantivo: é o direito penal material, propriamente dito, que consta do código
penal;
• Direito penal adjetivo: é o direito processual penal, previsto no código de processo penal. Esta
classificação perdeu a importância em virtude de o direito processual ter ganhado uma esfera autônoma,
e não mais como um braço do direito penal.
b) Direito penal objetivo e direito penal subjetivo
• Direito penal objetivo: é o conjunto de leis penais em vigor no país;
• Direito penal subjetivo: é o direito de punir que pertence a um sujeito, qual seja, o Estado (ius
puniendi). O direito punitivo estatal não é ilimitado, pois estas limitações estão asseguradas
constitucionalmente. Quanto ao modo, o direito penal precisa respeitar os direitos e garantias
fundamentais. Quanto ao espaço, o direito penal objetivo será aplicado apenas aos fatos praticados no
território nacional, via de regra. Quanto ao tempo, o direito penal só poderá exercer o seu direito de punir
por um certo momento. Após, perderá esse direito (prescrição, que é causa extintiva da punibilidade).
c) Direito penal de emergência e direito penal simbólico
• Direito penal de emergência: é o direito penal criado a partir de uma situação atípica. O legislador
cria normas de repressão, pois a opinião pública naquele momento exige isso. A criação de uma norma
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que recrudesce uma norma já existente é uma legislação de emergência. O direito penal de emergência
é um campo fértil para nascer um direito penal meramente simbólico.
• Direito penal simbólico: é o direito penal que vai de encontro aos anseios populares, pois o
legislador atua pensando na opinião pública para devolver à sociedade uma ilusória sensação de
tranquilidade. Não tem, em verdade, a pena cumprindo a sua função, razão pela qual o direito penal será
apenas simbólico.
d) Direito penal promocional
O Direito Penal promocional é um direito penal político, eis que visa a promoção do próprio Estado. Acaba
sendo um direito penal demagogo, tendo em vista que engana e cria a ideia de que o direito penal pode
promover a alteração da sociedade.
Por exemplo, até 2009, a mendicância era uma contravenção penal. E não era a “criminalização” do fato
de o indivíduo ser mendigo que faria com que ele deixasse a sua condição. Afora isso, havia uma discussão
sobre a configuração de um direito penal do autor, que pune o indivíduo pelo que ele é, não pelo que ele
fez.
e) Direito Penal de Intervenção
Windfried Hassemer trata sobre o direito de intervenção. O autor vai dizer que o direito penal não deve
ser alargado, devendo se preocupar apenas com os bens jurídicos individuais, tais como a vida,
patrimônio, propriedade, etc., bem como de infrações penais que causem perigo concreto.
E se a infração penal visa proteger bem jurídico difuso, coletivo ou que fosse de natureza abstrata, ela
não deveria ser considerada uma infração penal, razão pela qual deveria ser tutelada pela administração
pública, sem risco de privação da liberdade do infrator. Este seria o direito de intervenção. O direito de
intervenção (ou interventivo) estaria acima do direito administrativo, do ponto de vista de resposta
estatal, mas abaixo do direito penal. A crítica que se faz é que não se sabe como seria a legitimidade e
como atuaria o direito de intervenção.
f) Direito Penal como Proteção de Contextos da Vida em Sociedade
Trata-se de uma ideia oposta à de Hassemer.
Segundo Günter Stratenwerth, na verdade, a proteção de bens estritamente individuais deve ter um
foco secundário no direito penal. Isso porque, para ele, o direito penal deve enfocar nos interesses
difusos e da coletividade, eis que estes são os mais importantes para a sociedade.O que há aqui é a
substituição do bem jurídico pela tutela direta de relações ou contextos de vida. E por isso o nome “direito
penal como proteção de contextos da vida em sociedade”.Trataria, como se vê, num direito de gestão
punitiva dos riscos gerais. A preocupação é diferente do que Hassemer enfatizou.
g) Direito penal garantista
O direito penal garantista tem como expoente Luigi Ferrajoli.
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A Constituição traz garantias fundamentais, as quais se subdividem em duas categorias:
• Garantias primárias: a Constituição traça os limites impostos aos exercícios de qualquer poder.
• Garantias secundárias: se o limite estabelecido pela garantia primária não for observado, haverá
de levantar a garantia secundária, a qual é uma forma de reparação subsequente a essa violação da
garantia primária.
Por exemplo, é garantia primária de que não haverá penas de caráter perpétuo. Essa garantia não é
observada pelo legislador, o qual cria o crime e comina a pena com pena privativa de liberdade de caráter
perpétuo. Neste caso, há uma garantia secundária na própria Constituição, a qual se dará por meio do
controle de constitucionalidade, julgando o ato nulo.
Ferrajoli terá como base da sua teoria garantista penal os 10 axiomas ou implicações deônticas:
• Nulla poena sine crimine (Não há pena sem crime): não pode alguém ser penalizado se não
cometeu crime. É o princípio da retributividade ou da consequencialidade da pena em relação ao delito
• Nullum crimen sine lege (Não há crime sem lei): não há crime sem que haja lei, refletindo o
princípio da legalidade, no sentido lato ou no sentido estrito.
• Nulla lex (poenalis) sine necessitate (Não há lei penal sem necessidade): é reflexo do princípio da
necessidade ou da economia do direito penal, ambos decorrentes do princípio da intervenção mínima.
• Nulla necessitas sine injuria (Não há necessidade sem ofensa a bem jurídico): decorre do princípio
da lesividade ou ofensividade do evento.
• Nulla injuria sine actione (Não há ofensa ao bem jurídico sem ação): não há materialidade, sendo
necessário que seja exteriorizada a ação. É o princípio da materialidade ou da exterioridade da ação.
• Nulla actio sine culpa (Não há ação sem culpa): o indivíduo deve ter cometido uma ação, mas com
dolo ou culpa. Trata-se de corolário do princípio da culpabilidade ou da responsabilidade pessoal.
• Nulla culpa sine judicio (Não há culpa sem processo): o indivíduo deve ser submetido a um
processo, não podendo ser considerado culpado sem processo. É decorrência do princípio da
jurisdicionalidade no sentido lato ou estrito.
• Nulla judicium sine accustone (Não há processo sem acusação): para se instaurar um processo, é
necessidade que alguém instaure o processo. Trata-se de uma garantia, fruto do princípio acusatório ou
da separação ente o juiz e a acusação.
• Nulla accusatio sine probatione (Não há acusação sem prova): o ônus da prova é de quem acusa.
É aplicação do princípio do ônus da prova ou da verificação.
• Nulla probatio sine defensione (Não há prova sem defesa): a prova não existe sem que a defesa
tenha tido a oportunidade de se manifestar sobre ela. Trata-se do princípio da defesa ou da falseabilidade.
h) Direito Penal Secularizado
O direito penal secularizado, de acordo com Luigi Ferrajoli, é a ideia de que inexiste uma conexão entre
o direito e a moral. O Direito Penal não tem a missão de reproduzir os elementos da moral ou de outro
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sistema metajurídico de valores éticos-políticos, como os dogmas religiosos.
Essa secularização (laicização) é a ruptura entre a cultura eclesiástica e as doutrinas filosóficas,
especialmente entre a moral do clero e a forma de produção da ciência. Por isso, o Estado não deve se
imiscuir coercitivamente na vida moral dos cidadãos e nem tampouco promover coativamente sua
moralidade, mas apenas tutelar sua segurança, impedindo que se lesem uns aos outros.
Com o princípio da secularização busca-se preservar a pessoa numa esfera em que é ilícito proibir, julgar
e punir a esfera do pensamento, das ideias. Ex.: Ordenações Afonsinas, fundada nos dogmas religiosos.
i) Direito Penal Subterrâneo e Direito Penal Paralelo
Na verdade, essa classificação de Zaffaroni se refere aos sistemas penais paralelos e subterrâneos.
• Direito penal paralelo: o sistema penal formal do Estado não exerce grande parte do poder
punitivo, de forma que outras agências acabam se apropriando desse espaço e passam a exercer o poder
punitivo paralelamente ao Estado. Ex.: médicos aprisionando doentes mentais.
• Direito penal subterrâneo: ocorre quando as instituições oficiais atuam com poder punitivo ilegal,
acarretando abuso de poder. Ex.: desaparecimentos de indivíduos pela polícia; extradições mediante
sequestro, etc.
j) Direito Penal Quântico
O direito penal quântico consiste no direito penal que não se contenta com a mera relação de
causalidade (relação física de causa e efeito), mas também com elementos indeterminados, como o
chamado nexo normativo e a chamada tipicidade material, a serem aferidos pelos operadores do direito
diante da análise do caso.
Dessa maneira, pode-se conceituar o Direito Penal Quântico na existência de uma imprecisão no direito
que se afasta da dogmática penal e se aproxima da política criminal. Com isso, há uma nítida exigência da
tipicidade material, afastando da esfera penal condutas socialmente aceitas e que não tragam uma
carga mínima de lesão ao bem jurídico (sendo que o direito penal quântico se agarra também na teoria
da imputação objetiva).
l) Teoria da Graxa sobre Rodas ou Teoria do Vampiro e Teoria da Bola de Neve
A Teoria da Graxa sobre Rodas ou Teoria do Vampiro, segundo o teólogo Wagner Francesco, diz
que existem corrupções boas, que são aquelas que ajudam o sistema a se movimenta, como obras
públicas que são feitas por mero interesse político. Assim, todo aquele político que ‘rouba, mas faz’, é
adepto dela.
Há ainda uma teoria que a contrapõe, a Teoria da Bola de Neve. Ainda de acordo com Francesco, esta
teoria propõe que qualquer ato de corrupção, em qualquer grau e por qualquer motivo, atrai mais
corrupção. Corrupção é corrupção e acabou a conversa.
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m) Quadro mental paranoico do juiz (Alexandre Morais da Rosa)
É o juiz que inicia o processo buscando encontrar elementos na denúncia para condenar o réu, ainda que
os fatos apresentem relação diversa. Diante disso, o magistrado sai a cata de provas para encontrar os
elementos de convicção necessários à fundamentação de sua decisão. Nesses termos, a imparcialidade
fica comprometida no exato momento em que o juiz abandona sua posição de equidistância e assume o
papel das partes, levando aos autos os elementos de convicção imprescindíveis à condenação, haja vista
que o postulado do in dubio pro reo impõe a absolvição em caso de dúvidas.
Em outras palavras, o juiz que busca provas, a pretexto de alcançar uma utópica verdade real,
pretensamente legitimadora do agir inquisitório, sempre o faz em prejuízo do réu, já que a absolvição não
pressupõe certeza. Muito pelo contrário, a certeza é requisito exclusivo da condenação que, no mais das
vezes, é considerada a solução adequada para o caso penal, ainda que esta solução se encontre apenas
em estado de latência no inconsciente do juiz-inquisidor-paranoico.
VI. Privatização do Direito Penal
A privatização do direito penal é uma expressão que destaca a crescente participação da vítima, ou da
importância dada à vítima, no âmbito criminal. Trata-se do destaque dado às vítimas nos últimos anos,
como ocorre com a Lei dos Juizados Especiais Criminais quando é possível a composição civil, ou que seja
declarada extinta a punibilidade em razão do cumprimento da transação penal ou da suspensão
condicional do processo (sursis processual), ou até mesmo o sursis penal (suspensão condicional da pena)
.Para todos estes institutos, haverá a extinção da punibilidade, desde que tenha havido a reparação dos
danos à vítima. Há, como se vê, uma maximização da importância dada à vítima. Outro exemplo é a Lei
11.719/08, que consagrou a hipótese em que o juiz criminal deve se manifestar, no momento da sentença
condenatória, a fim de fixar o mínimo indenizatório à vítima.
Por conta de tudo isso, há um campo fértil para a Teoria da Justiça Restaurativa.
Esta justiça restaurativa cria da chamada Terceira Via da Função da Pena, pois a função da pena,
tradicionalmente, seria a retribuição ao mal causado (ao mal do crime, o mal da pena) e a prevenção, que
é fazer com que o indivíduo não volte a praticar crimes (prevenção especial) e fazer com que outros
indivíduos que vendo aquele sendo punido optem por não cometer crimes (prevenção geral). Estas seriam
as duas vias da função da pena: retribuição e prevenção.
Todavia, a partir do momento em que se busca a reparação da vítima por meio de indenização no âmbito
criminal, bem como institutos despenalizadores diretamente ligados à vítima, passa-se a surgir uma
terceira função da pena, denominada de terceira via, exteriorizada pela reparação do dano causado.
VELOCIDADES DO DIREITO PENAL
Jesús-María Silva Sánchez cria as chamadas velocidades do direito penal:
• Direito penal de 1ª velocidade: enfatiza infrações penais mais graves, as quais podem ser punidas
com penas privativas de liberdade. Porém, para ser fixadas, é preciso que se observem todas as garantias
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do indivíduo que está sendo acusado. Ex.: crime de homicídio. Nesse nível de intensidade, o direito penal
é reduzido ao seu núcleo duro (Direito Penal Nuclear).
• Direito penal de 2ª velocidade: há uma flexibilização de direitos e garantias fundamentais, pois se
quer ter maior celeridade na punição. Esta velocidade se destina a infrações penais menos graves, eis que
se aplicam penas não privativas de liberdade, como as penas alternativas. Ex.: Leis dos Juizados Especiais
(Direito Penal Periférico).
• Direito penal de 3ª velocidade: há uma flexibilização de direitos e garantais fundamentais, porém
há infrações penais mais graves, podendo, inclusive, cominar pena privativa de liberdade. É uma mistura
da 1ª velocidade com a 2ª velocidade. Há um recrudescimento do direito penal. Ex.: Lei dos Crimes
Hediondos. É aqui que se encontra o Direito Penal do Inimigo.
O direito penal do inimigo seria a terceira velocidade então? Vejamos.
Na concepção de JAKOBS, o direito penal do inimigo se caracteriza por 3 elementos:
• amplo adiantamento da punibilidade ( punição de atos preparatórios);
• penas muito altas;
• relativização ou supressão de garantias processuais
Nesta visão, o “inimigo” é um indivíduo que abandonou o direito de modo duradouro (reincidência,
reiteração delitiva, integração em organizações criminosas ou terroristas).JESUS MARIA SILVA SANCHEZ
admite este modelo, porém, apenas como instrumento de abordagem de fatos de emergência.
• Direito penal de 4ª velocidade (ou Neopunitivismo): seria o modelo de sistema penal utilizado
pelo Tribunal Penal Internacional, com restrição e supressão de garantias penais e processuais penais de
réus que no passado ostentaram a função de chefes de estado e, como tal, violaram gravemente tratados
internacionais que tutelam direitos humanos.
#JÁCOBROU
Ano: 2018 Banca: CESPE / CEBRASPE Órgão: PC-MA Prova: CESPE - 2018 - PC-MA - Delegado de Polícia
Civil
Acerca do direito penal e do poder punitivo, assinale a opção correta.
(A) O garantismo penal impede a intervenção punitiva do Estado, o qual deverá exercer função
exclusivamente preventiva e garantidora das liberdades individuais.
(B) O direito penal do autor poderá servir de fundamento para a redução da pena quando existirem
circunstâncias pessoais favoráveis ao acusado.
(C) O direito penal do ato tem como característica a ampliação da tipicidade do crime para atingir também
os atos preparatórios e os de tentativa.
(D) No direito penal do inimigo, a sanção penal é aplicada com extremo rigor e objetiva punir o inimigo
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de modo exemplar por atos cometidos, sem, contudo, relativizar ou suprimir garantias processuais.
(E) A criminalização secundária tem como características a igualdade e a abstração, uma vez que a lei
penal é genérica e a todos dirigida.11
#CUIDADO: GARANTISMO HIPERBÓLICO MONOCULAR
Garantismo é a visão do direito constitucional aplicada no direito penal e direito processual penal. Trata-
se de expressão cunhada pelo jurista italiano Luigi Ferrajoli. Para muitos, o garantismo serviria apenas
para beneficiar o réu, forma de proteção de seus direitos fundamentais e individuais. Desse modo, surge
o chamado garantismo hiperbólico monocular. É hiperbólico porque é aplicado de uma forma ampliada,
desproporcional e é monocular porque só enxerga os direitos fundamentais do réu (só um lado do
processo). Esse garantismo hiperbólico monocular contrapõe-se ao garantismo penal integral, que visa
resguardar os direitos fundamentais não só dos réus, mas também das vítimas. Um exemplo seria a lei de
Lavagem de Capitais, com alteração dada pela lei 12.683/12. O rol de crimes antecedentes que outrora
era taxativo foi revogado. Permitiu-se, dessa forma, a aplicação da lei supra acerca de qualquer infração
penal (crime ou contravenção) antecedente. Nesse sentido, caso fosse aplicado o garantismo hiperbólico
monocular (tese adotada pelas defensorias públicas), o crime ou contravenção antecedente que não
constasse do rol taxativo da antiga lei 9.613/98 (lei de lavagem de capitais), não poderia ser, agora,
utilizado para punição pela lei de lavagem.
#IMPORTANTE: ECOCÍDIO
O Tribunal Penal Internacional decidiu, no final de 2016, reconhecer o ecocídio como crime contra a
humanidade. O termo designa a destruição em larga escala do meio ambiente. O novo delito, de âmbito
mundial, vem ganhando adeptos na seara do Direito Penal Internacional e entre advogados e especialistas
interessados em criminalizar as agressões contra o meio ambiente. Com o novo dispositivo, em caso de
ecocídio comprovado, as vítimas terão a possibilidade de entrar com um recurso internacional para
obrigar os autores do crime, sejam empresas ou chefes de Estado e autoridades, a pagar por danos
morais ou econômicos. A responsabilidade direta e penas de prisão podem ser emitidas, no caso de países
signatários do TPI, mas a sentença que caracteriza o ecocídio deve ser votada por, no mínimo, um terço
dos seus membros. O Brasil é signatário do Tratado de Roma, que aceita a jurisdição do TPI.
#IMPORTANTE: DIREITO PENAL NA SOCIEDADE DO RISCO
O Direito Penal do Risco utiliza o conceito de bem jurídico para legitimar a criação de novos tipos,
caracterizando, assim, uma função com sentido criminalizador. Com efeito, o discurso crítico defende a
tese de que os riscos oriundos desse novo modelo de sociedade não deveriam ser considerados na esfera
do risco proibido, mas sim como risco permitido ou então sob o controle social de instâncias extrapenais.
11 Gabarito: b
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#IMPORTANTE: Delitos de acumulação e Delitos de Transgressão e a Administrativização do Direito
Penal
Como os novos tipos penais tutelam objetos que se caracterizam pelas grandes dimensões, resta difícil
imaginar que a conduta de apenas uma pessoa possa lesar bens jurídicos metaindividuais de forma efetiva
ou mesmo causar um perigo concreto, de sorte que a lesividade só existe por uma ficção. Dessa forma,
mesmo que no caso não haja lesão efetiva, a fim de evitar que a soma de ações individuais reiteradas
possa causar resultados e danos de grande monta, mostra-se que tais delitos devam ser punidos, por
se tratarem de delitos de acumulação.
Ex.: uma pessoa que pesca sem autorização legal um determinado peixe, mas que não lesa
expressivamente o bem jurídico (meio ambiente). No entanto, a soma de várias pessoas pescando poderá
causar lesão. Por isso que se pune uma conduta isolada, mesmo que sem lesividade aparente.
Se não há lesividade, o que se punirá é o desrespeito ou desobediência a uma norma , ou seja, uma
simples infração do dever. A isto se denomina o nome de crimes de transgressão, visto que esses fatos
devem ser tratados por outros modos de controle social, como o Direito Administrativo. Caso contrário,
estaremos diante de uma administrativização do Direito Penal.
#HORADEPRATICAR
Faça de 15 a 30 questões sobre os temas objeto de estudo. Utilize essa tabela abaixo para verificar a
quantidade de questões que acertou ou errou:
Quantidade
de Questões
Percentual de
acertos
Revisadas?
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LEGISLAÇÃO INSTITUCIONAL
#FICAADICA
Aqui sugerimos a leiura da LEI COMPLEMENTAR do ESTADO que você pretende prestar o concurso
Caso você tenha livro (Delegado de Polícia em Ação – coleção carreiras em ação – da editora juspodvm)
Indicamos também a leitura do capítulo II
Princípios institucionais, organização e atribuições do Delegado de Polícia. Carreira, deveres, direitos,
prerrogativas e garantias dos Delegados de Polícia. Regime disciplinar. Constituição Federal
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SEXTA-FEIRA
LEI SECA TODO DIA: ART. 18 AO ART. 24, CF
REVISÃO DO DIA ANTERIOR:
DIREITO PENAL – ESPECIAL
CRIMES CONTRA A PESSOA
1. CRIMES CONTRA A VIDA
1.1 Homicídio
Conceito de Homicídio:
O homicídio é o crime central dos crimes contra a vida. Nesse sentido, explica o prof. Cleber Masson “a
vida constitui-se em direito fundamental do ser humano, consagrado no art. 5º da Constituição Federal.
Trata-se de direito formal e materialmente constitucional, com caráter supraestatal. Não obstante, tem
natureza relativa: pode sofrer limitações, desde que legítimas e sustentadas por interesses maiores do
Estado. Nesse sentido, a admissão da pena de morte em tempo de guerra(CF, art. 5º, XLVII, a), a legítima
defesa (CP, art. 25) e o aborto em determinadas situações legalmente previstas (CP, art. 128)”.
Segundo o Professor Rogério Sanches, trata-se da injusta morte de uma pessoa praticada por outrem.
Conforme proclama Nelson Hungria, homicídio é o tipo central dos crimes contra a vida. É o ponto
culminante na orografia dos crimes. É o crime por excelência.
→ Topografia do Homicídio –
O homicídio admite, dentre outras, diversas modalidades: (ART. 121, CP)
IMPORTANTE LER:
Art. 121 CP - (na íntegra)
Art. 122, CP
Art. 129, CP (na íntegra)
Arts. 138, 139 e 140 CP
Arts. 142 a 145
Arts. 147-A e 148-B, CP (Novidades)
Art. 154-A, CP - (Alteração legislativa)
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101
HOMICÍDIO DOLOSO SIMPLES caput
HOMICÍDIO DOLOSO PRIVILEGIADO §1º
HOMICÍDIO DOLOSO QUALIFICADO §2º
HOMICÍDIO CULPOSOS §3º
MOJORANTES DE PENA §4º
PERDÃO JUDCUAL §5º
MAJORANTE DO GRUPO DE EXTERMÍNIO OU MILÍCIA ARMADA (Lei nº 12.702/12) §6º
MAJORANTE DO FEMINICÍDIO §7º
1.1.1 HOMICÍDIO SIMPLES
→ Conduta: O homicídio é a conduta de matar alguém. Trata-se de crime de conduta livre. É classificado
como crime de conduta livre porque não existe no art. 121 do CP um meio específico para se praticar o
crime de homicídio. O homicídio pode ser praticado tanto por meio de ação quanto por omissão. No
tocante a omissão, será praticado pelo denominado garantidor, isso porque ele devendo e podendo agir,
nada o faz (art. 13, §2º do Código Penal).
E em que momento acontece a morte?
Se verifica com a cessação da atividade encefálica.Para a Sociedade Americana de Neurorradiologia,
morte encefálica é o “estado irreversível de cessação de todo o encéfalo e funções neurais, resultante de
edema e maciça destruição dos tecidos encefálicos, apesar da atividade cardiopulmonar poder ser
mantida por avançados sistemas de suporte vital e mecanismos de ventilação”.
Corroborando, Cleber Masson explica que:
É o verbo matar. Trata-se de crime de forma livre. Pode ser praticado por ação ou por omissão, desde que
presente o dever de agir (hipóteses previstas no art. 13, § 2º, do CP), de forma direta (meio de execução
manuseado diretamente pelo agente) ou indireta (meio de execução manipulado indiretamente pelo
homicida). Os meios de execução podem ser materiais (os que assolam a integridade física do ofendido)
ou morais (a morte é produzida por um trauma psíquico na vítima como, por exemplo, a depressão que
acarreta a morte em face do uso excessivo de medicamentos).
Cumpre destacarmos que o meio de execução do delito de homicídio é livre, conforme mencionado
acima. Contudo o meio de execução empregado poderá caracterizar uma qualificadora, como se dá no
emprego de veneno, fogo, explosivo, asfixia ou outro meio insidioso ou cruel, ou de que possa resultar
perigo comum (CP, art. 121, § 2º, III), como veremos mais adiante.
→ Sujeito ativo
O sujeito ativo do homicídio simples pode ser qualquer pessoa, pois se trata de um crime comum. Não se
exige qualidade especial do agente. Euclides Custódio da Silveira trata do crime de homicídio praticado
por irmãos xifópagos (siameses).
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102
O irmão “A” cometeu o homicídio e o irmão “B” não. Se o irmão fosse ao cárcere ficará o irmão “B” preso?
A doutrina diz que se a separação dos irmãos for cirurgicamente possível, e houver o consentimento do
inocente, haverá a separação e o outro vai ao cárcere. Mas se não for possível a separação, será possível
impor a pena ao irmão “A”, ainda que seja condenado. Do contrário penalizaria o irmão “B”.
→ Sujeito passivo
Qualquer pessoa poderá ser sujeito passivo (vítima) do homicídio.
O homicídio protege a vida humana extrauterina. Quando começa a vida extrauterina?
Começa com o parto, quando se inicia o trabalho do parto. Isso se dá com o início das contrações
expulsivas. No caso de uma gravidez de cujo nascimento se dá por cesariana, isto ocorrerá com o início
da operação, com a incisão. Antes do início do parto temos a vida humana intrauterina, que não é
protegida pelo art. 121 do CP, mas sim pelo crime de aborto.
#JURIS #STJ
“Iniciado o trabalho de parto, não há falar mais em aborto, mas em homicídio ou infanticídio, conforme
o caso, pois não se mostra necessário que o nascituro tenha respirado para configurar o crime de
homicídio, notadamente quando existem nos autos outros elementos para demonstrar a vida do ser
nascente” – HC 228.998-MG (Informativo 507, STJ,5ª Turma)
→ Voluntariedade
É o dolo, denominado de animus necandi ou animus occidendi. Não se reclama nenhuma finalidade
específica. O homicídio doloso pode ser direto ou eventual. Sendo o agente portador do vírus HIV e tendo
a intenção de ter relações sexuais com a sua esposa para transmitir esse vírus a ela, segundo Rogério
Sanches, haveria a prática do crime de tentativa de homicídio. Caso use preservativo, e o preservativo
rasgue culposamente, talvez estivesse diante de uma lesão corporal culposa. Para Samer, discordando de
Sanches, neste caso o fato seria atípico.
#JURIS #STJ
Cabe ressaltar que, segundo o STJ, o indivíduo que tenha a intenção de transmitir vírus HIV ao parceiro
pratica o delito de lesão corporal de natureza gravíssima, tendo em vista se tratar de enfermidade
incurável.
→ Consumação e Tentativa
O crime de homicídio simples se consuma com a morte. Trata-se de crime material, consumando-se com
o fim das atividades encefálicas, conforme determinado pela lei de transplante de órgãos. Assim, de
acordo com a Lei nº 9.434, que trata sobre a remoção de órgãos, tecidos e partes do corpo humano para
fins de transplante e tratamento, a morte acontece com a morte encefálica (art. 3º, da Lei nº 9.434).
O crime de homicídio é plurissubsistente, podendo ocorrer de diversos atos. Basta pensar o homicídio
praticado por meio de facadas, eis que a conduta estaria fracionada.
É crime não transeunte – aquele que deixa vestígios, desafiando exame de corpo de delito, direto ou
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103
indireto, nos termos do art. 158 e seguintes do CPP. A prova da materialidade realiza-se pelo exame
necroscópico, que, além de atestar a morte, indica também suas causas. Cuida-se de crime instantâneo,
pois se consuma em um momento determinado, sem continuidade no tempo. Há quem sustente, porém,
ser o homicídio um crime instantâneo de efeitos permanentes, pois, embora a consumação ocorra em
um único momento, seus efeitos são imutáveis. A tentativa é plenamente possível.
#FOCANATABELINHA
→ CLASSIFICAÇÃO DOUTRINÁRIA DOS CRIMES:
CRIME SIMPLES
Atinge um único bem jurídico.
CRIME COMUM
Pode ser praticado por qualquer pessoa.
CRIME MATERIAL
O tipo contém conduta e resultado naturalístico, exigindo
este último – morte – para a consumação.
CRIME DE DANO
OU DE LESÃO
Consumação após a efetiva lesão do bem jurídico.
CRIME DE FORMA LIVRE
Admite qualquer meio de execução.
CRIME COMISSIVO OU
OMISSIVO
COMISSIVO: Regra
OMISSIVO IMPRÓPRIO, ESPÚRIO OU COMISSIVO POR
OMISSÃO: Quando presente o dever de agir.
CRIME INSTANTÂNEO (Consuma-seem momento determinado, sem continuidade
no tempo), mas há também quem o considere instantâneo
de efeitos permanentes.
CRIME UNISSUBJETIVO
UNILATERAL, OU
CONCURSO EVENTUAL
Praticado por um só agente, mas admite concurso.
CRIME PLURISSUBSIENTE
A conduta de matar pode ser fracionada em diversos atos.
CRIME PROGRESSIVO Para alcançar o resultado final o agente passa,
necessariamente, pela lesão corporal, crime menos grave
rotulado nesse caso de “crime de ação de passagem.
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104
→ Ação Penal e Competência
Trata-se de crime de ação penal pública incondicionada.
A competência é do Tribunal do Júri para as modalidades dolosas e do juiz singular para o homicídio
culposo.
Lembre-se: homicídio culposo não é julgado perante o Tribunal do Júri.
#VAICAIR #ATENÇÃO→ HOMICÍDIO X GENOCÍDIO
O crime de GENOCÍDIO tutela a diversidade humana e, por isso, tem caráter coletivo ou transindividual,
não atraindo, por si só a competência do Tribunal do Júri. Ocorre que uma das formas de praticar
genocídio é por meio da morte de membros do grupo. A competência constitucional para o julgamento
de crimes contra a vida é do júri. Sendo o delito de genocídio atraído pelo Tribunal do Júri. Corroborado
ao exposto, Cleber Masson: Genocídio é a destruição total ou parcial de grupo nacional, étnico, racial ou
religioso (art. 2º da Convenção contra o Genocídio, ratificada pelo Decreto 30.822/1952 c.c. art. 1º, a, da
Lei 2.889/1956). A competência é do juízo comum, e não do Tribunal do Júri. Trata-se de crime contra a
humanidade, e não de crime doloso contra a vida, pois não foi catalogado no Capítulo I do Título I da Parte
Especial do Código Penal.
O STF, já decidiu que no caso de genocídio com morte, o agente responde por homicídio mais genocídio,
em concurso formal impróprio. São bens jurídicos próprios/distintos.
Crimes contra a Segurança Nacional x Homicídio
A tipificação do homicídio pode ser transferida do Código Penal para leis extravagantes em decorrência
das características da vítima. Nesses termos, quem mata dolosamente e com motivação política o
Presidente da República, do Senado Federal, da Câmara dos Deputados ou do Supremo Tribunal Federal
incide no crime definido pelo art. 29 da Lei 7.170/1983 – Crimes contra a Segurança Nacional.
Assim, se a motivação for política contra os agentes mencionados restará afastado o delito de homicídio.
Homicídio simples x Crime hediondo
Em regra, o homicídio simples não é crime hediondo. O homicídio simples só será hediondo quando
praticado em atividade típica de grupo de extermínio. Observe que o grupo de extermínio não precisa
existir. Precisa haver a atividade típica de grupo de extermínio. Para o Bitencourt, grupo de extermínio é
aquele que mata generalizadamente indivíduos pertencentes a determinados grupos.
Ex.: agente sai à noite matando moradores de rua. O grupo não existe, mas a atividade é típica de grupo
de extermínio. Isso é muito difícil na prática, pois essa atividade típica de grupo de extermínio quase
sempre envolve alguma qualificadora (motivo fútil, torpe, etc), o que já enquadraria o crime como
hediondo (todo homicídio qualificado é hediondo).
1.1.2 HOMICÍDIO PRIVILEGIADO
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105
→ Natureza jurídica
Não obstante a nomenclatura de homicídio privilegiado, trata-se, em verdade, de hipótese de diminuição
de pena. Assim, segundo ensina Rogério Sanches privilégio, nesse contexto, equivale a causa de
diminuição de pena.Nesse mesmo sentido, Cleber Masson aduz que “a denominação homicídio
privilegiado é fruto de criação doutrinária e jurisprudencial. Na verdade, não se trata de privilégio, mas de
causa de diminuição da pena”. Uma vez presentes os requisitos, o juiz DEVE reduzir a pena. A
discricionariedade do juiz recai apenas quanto ao quantum da diminuição, mas não quanto a sua
aplicação.
→ Incomunicabilidade do privilégio
Como vimos, esse privilégio do §1º do art. 121, que trata do homicídio privilegiado, não muda a natureza
do crime, não muda o intervalo do crime, sendo apenas uma causa de diminuição da pena. Não interfere
na qualidade do crime.
No caso de concurso de pessoas, dada a natureza pessoal de minorante, não haverá comunicação ao
coautor. Só há alteração da quantidade da pena, mas não na qualidade da pena.
O prof. Cleber Masson explica que as hipóteses legais de privilégio apresentam caráter subjetivo.
Relacionam-se ao agente, que atua imbuído por relevante valor social ou moral, ou sob o domínio de
violenta emoção, logo em seguida a injusta provocação da vítima, e não ao fato. Por corolário, a causa de
diminuição da pena não se comunica aos demais coautores ou partícipes, em consonância com a regra
prevista no art. 30 do Código Penal.
Vejamos um exemplo: “A”, ao chegar à sua casa, depara-se com sua filha chorando copiosamente.
Pergunta-lhe o motivo da tristeza, vindo a saber que fora ela recentemente estuprada por “B”. Pede então
a “C”, seu amigo, que mate o estuprador, no que é atendido. “A” responde por homicídio privilegiado
(relevante valor moral), enquanto a “C” deve ser atribuído o crime de homicídio, simples ou qualificado
(dependendo do caso concreto), mas nunca o privilegiado, pois o relevante valor moral a ele não se
estende.
→ ANÁLISE DAS CAUSAS HOMICÍDIO PRIVILEGIADO: (art. 121, §1º, CP)
• RELEVANTE VALOR SOCIAL
Por valor social deve-se interpretar a situação em que o agente mata alguém para atender aos interesses
da coletividade.
Por exemplo: Matar perigoso bandido que ronda a vizinhança/ indivíduo que mata o traidor da pátria.
Corresponde assim, ao interesse de toda comunidade. O agente mata para preservar os interesses da
comunidade.
Assim leciona Cleber Masson: Motivo de relevante valor social é o pertinente a um interesse da
coletividade. Não diz respeito ao agente individualmente considerado, mas à sociedade como um todo.
Exemplo: matar um perigoso estuprador que aterroriza as mulheres e crianças de uma pacata cidade
interiorana.É imprescindível que o motivo seja relevante!
• RELEVANTE VALOR MORAL
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106
O relevante valor moral está relacionado a existência de sentimentos nobres de natureza individual.
Entende-se que há valor moral, quando o agente mata para atender interesses particulares, normalmente
relacionados a sentimentos de piedade, misericórdia e compaixão.
Exemplo: Eutanásia.
A eutanásia pode ser ativa ou passiva. A ativa ocorre quando presentes atos positivos com o fim de matar
alguém, eliminando ou aliviando o sofrimento de alguém. Por outro lado, a passiva: se dá com a omissão
de tratamento ou de qualquer meio capaz de prolongar a vida humana, irreversivelmente comprometida,
acelerando a sua morte. O prof. Cleber Masson explica que:
Motivo de relevante valor moral é aquele que se relaciona a um interesse particular do responsável pela
prática do homicídio, aprovado pela moralidade prática e considerado nobre e altruísta.
Exemplo: matar aquele que estuprou sua filha ou esposa. E, como observado pelo item 39 da Exposição
de Motivos da Parte Especial do Código Penal, é típico exemplo do homicídio privilegiado pelo motivo de
relevante valor moral “a compaixão ante o irremediável sofrimento da vítima (caso do homicídio
eutanásico)”
• DOMÍNIO DE VIOLENTA EMOÇÃO,CAUSADO APÓS INJUSTA PROVOCAÇÃO DA VÍTIMA
A última privilegiadora relaciona-se com o estado anímico do agente, conhecido por parte da doutrina
como homicídio emocional.
Da simples leitura do dispositivo legal, retiramos os seus requisitos, quais sejam:
- Domínio de violenta emoção;
- Reação imediata;
- Injusta provocação da vítima.
a) Domínio de violenta emoção:
Domínio não se confunde com mera influência de violenta emoção. A influência meramente é causa
atenuante (art. 65, CP). Com isso quer dizer que a emoção não deve ser leve e passageira ou momentânea.
O Código Penal filiou-se a uma concepção subjetivista. Leva-se em conta o aspecto psicológico do agente
que, dominado pela emoção violenta, não se controla. Sua culpabilidade é reduzida, refletindo na
diminuição da pena a ser cumprida.
b) Reação imediata (logo em seguida a injusta provocação da vítima):
Para a configuração do privilégio se exige que o revide seja imediato, ou seja, sem intervalo temporal. A
reação será considerada imediata, enquanto perdurar o domínio da violenta emoção.
c) Injusta provocação da vítima:
Não significa necessariamente uma agressão, mas qualquer conduta desafiadora, mesmo que atípica.
Exemplo 1: Pai que mata o estuprador da filha.
Exemplo 2: Marido surpreende a esposa com outro ou (outra) na cama.
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107
#VAICAIR #ATENÇÃO
ATENUANTE GENÉRICA x CAUSA DE DIMINUIÇÃO DO HOMICÍDIO
A causa de diminuição de pena do homicídio não deve ser confundida com a atenuante genérica prevista
ao teor do art. 65, III, C, 2ª parte do Código Penal:
Art. 65 - São circunstâncias que sempre atenuam a pena:
[...]III - ter o agente:
[...] c) cometido o crime sob coação a que podia resistir, ou em cumprimento de ordem de autoridade
superior, ou sob a influência de violenta emoção, provocada por ato injusto da vítima;
Vejamos:
ATENUANTE GENÉRICA
(Art. 65, III, c, 2ª parte)
CAUSA DE DIMINUIÇÃO DO HOMICÍDIO
(Art. 121, §1º)
Sob a INFLUÊNCIA de violenta emoção,
provocada por ato injusto da vítima.
Sob DOMÍNIO de violenta emoção, logo em
seguida a injusta provocação da vítima.
A intensidade é MENOR (influência) A intensidade é MAIOR (domínio)
Dispensa o requisito temporal Reação IMEDIATA (logo em seguida)
Aplicas-se a QUALQUER CRIME Aplica-se ao HOMICÍDIO DOLOSO
#OBSERVAÇÕES FINAIS:
A EMOÇÃO DEVE SER CAPAZ DE RETIRAR O AUTOCONTROLE DO AGENTE
DOMÍNIO DE VIOLENTA EMOÇÃO: Não pode haver lapso temporal entre a PROVOCAÇÃO e o HOMICÍDIO a
reação é imediata. O dolo necessariamente será de ímpeto.
Diferentemente da MERA INFLUÊNCIA DO ESTADO ANÍMICO DO AGENTE:
#JURIS #STF
O Supremo Tribunal Federal assim já se manifestou acerca do assunto:
A causa especial de diminuição de pena do § 1.º do art. 121 não se confunde com a atenuante genérica
da alínea “a” do inciso III do art. 65 do Código Penal. A incidência da causa especial de diminuição de pena
do motivo de relevante valor moral depende da prova de que o agente atuou no calor dos fatos,
impulsionado pela motivação relevante. A atenuante incide, residualmente, naqueles casos em que,
comprovado o motivo de relevante valor moral, não se pode afirmar que a conduta do agente seja fruto
do instante dos acontecimentos.
#JURIS
A jurisprudência afirma ser obrigatória a aplicação da causa de diminuição de pena quando incidente uma das
privilegiadoras, inobstante o artigo de lei mencione “pode”. Atenção para o caso que a questão exigir tão somente
a literalidade da lei
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1.1.3 HOMICÍDIO QUALIFICADO
Com base no tipo fundamental descrito no caput do art. 121 do Código Penal, o legislador a ele agrega
circunstâncias que elevam em abstrato a pena do homicídio. O homicídio qualificado encontra previsão
ao teor do art. 121, §2º, do Código Penal. A pena passará a ser de reclusão de 12 a 30 anos, contemplamos
que a pena do homicídio simples (6 – 20 anos) é sensivelmente majorada.
O homicídio qualificado diferentemente do simples, em que só será hediondo em uma situação específica,
é sempre hediondo. Assim, todo homicídio qualificado é crime hediondo.
Diferentemente do homicídio simples, o homicídio qualificado é SEMPRE hediondo, não importando a
qualificadora. É o que consta do art. 1.º, inciso I, in fine, da Lei 8.072/1990:
Art. 1º São considerados hediondos os seguintes crimes:
I – homicídio (art. 121), quando praticado em atividade típica de grupo de extermínio, ainda que cometido
por um só agente, e homicídio qualificado (art. 121, § 2º, I, II, III, IV, V, VI e VII).
→ Circunstâncias que qualificam o homicídio:
§ 2° Se o homicídio é cometido:
I - mediante paga ou promessa de recompensa, ou por outro motivo torpe;
II - por motivo futil;
III - com emprego de veneno, fogo, explosivo, asfixia, tortura ou outro meio insidioso ou cruel, ou de que
possa resultar perigo comum;
IV - à traição, de emboscada, ou mediante dissimulação ou outro recurso que dificulte ou torne impossível
a defesa do ofendido;
V - para assegurar a execução, a ocultação, a impunidade ou vantagem de outro crime:
Pena - reclusão, de doze a trinta anos.
Feminicídio
VI - contra a mulher por razões da condição de sexo feminino;
VII – contra autoridade ou agente descrito nos Arts. 142 e 144 da Constituição Federal, integrantes do
sistema prisional e da Força Nacional de Segurança Pública, no exercício da função ou em decorrência
dela, ou contra seu cônjuge, companheiro ou parente consanguíneo até terceiro grau, em razão dessa
condição;
VIII – com emprego de arma de fogo de uso restrito ou proibido:
Pena - reclusão, de doze a trinta anos.
§ 2º - A Considera-se que há razões de condição de sexo feminino quando o crime envolve:
I - Violência doméstica e familiar;
II - Menosprezo ou discriminação à condição de mulher.
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109
→ ANÁLISE DAS QUALIFICADORAS: (Art. 121, § 2.º CP)
▪ Incisos I e II: Relacionam-se aos motivos do crim e
▪ incisos III, IV e VIII: Dizem respeito aos meios e modos de execução do homicídio
▪ inciso V: refere-se à conexão, caracterizada por uma especial finalidade almejada pelo agente
▪ inciso VI: (FEMINICÍDIO) vincula-se ao sexo da vítima, e também ao motivo do crime (por razões
da condição de sexo feminino)
▪ inciso VII: liga-se ao delito cometido contra integrantes dos órgãos de segurança pública ou a
pessoas a eles vinculadas pelo casamento, pela união estável ou pelo parentesco.
É possível a configuração de uma figura híbrida de homicídio, simultaneamente privilegiado e
qualificado?
1ª CORRENTE: Não é possível o homicídio privilegiado-qualificado. A causa de diminuição de penal não se
aplica ao homicídio qualificado. A interpretação geográfica ou topográfica da figura do privilégio (§1º),
não autoriza sua incidência no tocante às qualificadoras (§2º), mas somente ao caput do art. 121 do CP.
Além disso, aplicando-se analogicamente o art. 67 do CP, conclui-se ser o privilégio uma circunstância
preponderante em relação às qualificadoras, afastando-as.
2ª CORRENTE: É possível o homicídio privilegiado-qualificado. Esta posição admite a compatibilidade
entre o privilégio e os qualificadores, desde que sejam de natureza objetiva. (STF)
A 2ª corrente é a regra geral, atualmente dominante em sede doutrináriae jurisprudencial,PORÉM,
CUIDADO!! Há situação em que uma qualificadora objetiva é incompatível com a figura do privilégio.
Explica Cleber Masson que o decisivo é o caso concreto, sempre guiado pelo bom senso. Imagine-se, por
exemplo, um homicídio praticado sob o domínio de violenta emoção, logo em seguida a injusta
provocação da vítima (CP, art.121, §1º in fine), mediante emboscada (art.121, §2º, IV CP). Trata-se de
hipótese inadmissível, porque a emboscada não se coaduna com o domínio de violenta emoção.
Pluralidade de circunstâncias qualificadoras
Fernando Capez diz que é inapropriado falar em homicídio “duplamente” ou “triplamente” qualificado.
Na verdade, quando mencionam que o crime foi duplamente qualificado quer dizer que tivemos a
incidência da pluralidade de qualificadoras. Isso porque só basta uma circunstância para qualificar o
homicídio. Neste caso, as demais circunstâncias seriam valoradas de outra forma:
1ª CORRENTE: Seriam valoradas como circunstâncias judiciais. É a posição do STF:
“As circunstâncias evidenciadas na espécie refletem o entendimento da Corte, preconizado no sentido de
que, “na hipótese de concorrência de qualificadoras num mesmo tipo penal, uma delas deve ser utilizada
para qualificar o crime e as demais serão consideradas como circunstâncias agravantes”.
2ª CORRENTE: Seriam valoradas como agravantes. Caso não haja previsão como agravante, será valorada
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110
como circunstância judicial.
a) Mediante paga ou promessa de recompensa ou por outro motivo torpe
O homicídio realizado mediante paga ou promessa de recompensa é denominado de homicídio
mercenário.
A diferença de paga para promessa de recompensa:
• Paga: o pagamento vem antes.
• Promessa de recompensa: o pagamento vem depois.
Trata-se de crime de concurso necessário (bilateral) ou plurissubjetivo (número plural de agentes
obrigatórios), posto que deverá haver, necessariamente, a figura do mandante e do executor (aquele paga
ou promete futura recompensa; este aceita, praticando o combinado), conforme ensina Rogério Sanches.
Conforme mencionado, na paga o recebimento é prévio. O executor recebe a vantagem e depois pratica
o homicídio. Incide a qualificadora se o sujeito recebe somente parte do valor acertado com o mandante.
Já na promessa de recompensa o pagamento é convencionado para momento posterior à execução do
crime.
→ Interpretação analógica
O legislador fez uso da interpretação analógica. O dispositivo encerra uma fórmula casuística (“mediante
paga ou promessa de recompensa”) seguida de uma fórmula genérica (“ou por outro motivo torpe”).
Deixa nítido que a paga e a promessa de recompensa se encaixam no conceito de motivo torpe, mas que
outras circunstâncias de igual natureza, impossíveis de serem definidas taxativamente pela lei em
abstrato, são de provável ocorrência prática.
Entende-se como motivo torpe, o motivo vil, ignóbil, repugnante, abjeto
(quase sempre espelhando ganância).
O legislador contemplou exemplos de torpeza, e encerrou elencando uma abertura, ou por outro motivo
torpe, utilizando-se de interpretação analógica (formula casuística seguida de uma forma genérica).
Desse modo, contemplamos que o inciso trabalha com interpretação analógica (exemplos seguidos de
encerramento genérico). Cumpre destacar que não fere o princípio da legalidade, mas novos casos devem
guardar similitude com os exemplos dado pelo legislador crime praticado por motivo torpe é aquele
praticado por motivo vil, repugnante, abjeto.
EXEMPLOS DE MOTIVAÇÃO DO HOMICÍDIO QUE PODERÃO SER CONSIDERADOS TORPE:
▪ PRECONCEITO
▪ CANIBALISMO
▪ VAMPIRISMO
▪ MOTIVAÇÃO ECONÔMICA
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▪ INTENÇÃO DE OCUPAR O CARGO DA VÍTIMA
▪ MATAR POR PRAZER
▪ PRESO QUE MATA OUTRO PORQUE INTEGRA FACÇÃO CRIMONOSA ADVERSÁRIA
Qual a natureza da paga ou promessa de recompensa?
Parte da doutrina, a recompensa deve ser de natureza econômica, enquanto que outra parcela defende
que esta pode ser de qualquer natureza, até mesmo sexual. Prevalece o entendimento que deve ser
necessariamente de natureza econômica.
Vingança e ciúme são motivos torpes?
A verificação deve ser feita com base nas peculiaridades do caso concreto.
Assim, conforme explica Rogério Sanches, a vingança pode ou não ser torpe, dependendo do caso
concreto, embora seja um ato reprovável. Já se decidiu quem se vinga da morte do filho, matando o
assassino, não age por motivo torpe. Desta forma, não há uma prévia tipificação, dependendo valoração
da causa.
A qualificadora da “paga ou promessa de recompensa” é aplicada, sem dúvidas, ao executor do crime.
No entanto, indaga-se: essa qualificadora também se comunica ao mandante do crime?
Há divergência no STJ a respeito do tema:
1ª CORRENTE: NÃO. A qualificadora de ter sido o delito praticado mediante paga ou promessa de
recompensa é circunstância de caráter pessoal e, portanto, incomunicável, por força do art. 30 do CP.
Nesse sentido: STJ. 5ª Turma. HC 403263/SP, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, julgado em
13/11/2018.
2ª CORRENTE: SIM. No homicídio mercenário, a qualificadora da paga ou promessa de recompensa é
elementar do tipo qualificado, comunicando-se ao mandante do delito. Sobre o tema: STJ. 6ª Turma. REsp
1681816/GO, Rel. Min. Nefi Cordeiro, julgado em 03/05/2018.
#JURIS #STJ MOTIVO TORPE x FEMINICÍDIO: INEXISTÊNCIA DE BIS IN IDEM
Não caracteriza bis in idem o reconhecimento das qualificadoras de motivo torpe e de feminicídio no
crime de homicídio praticado contra mulher em situação de violência doméstica e familiar. Isso se dá
porque o feminicídio é uma qualificadora de ordem OBJETIVA - vai incidir sempre que o crime estiver
atrelado à violência doméstica e familiar propriamente dita, enquanto que a torpeza é de cunho subjetivo,
ou seja, continuará adstrita aos motivos (razões) que levaram um indivíduo a praticar o delito. STJ. 6ª
Turma. HC 433.898-RS, Rel. Min. Nefi Cordeiro, julgado em 24/04/2018 (Info 625).
b) Motivo fútil
O motivo fútil é o motivo desproporcional, insignificante, caso em que o agente executa o crime por
mesquinharia. Por exemplo, homicídio em decorrência de briga de trânsito ou discussão por cobrança de
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112
pequeno valor. É assim, aquele motivo pequeno demais para causar um homicídio.
Nas lições do prof. Cleber Masson, motivo fútil é o insignificante, de pouca importância, completamente
desproporcional à natureza do crime praticado.
Exemplo: Age com motivo fútil o cliente que mata o dono do bar pelo fato de este ter lhe servido cerveja
quente. Fundamenta-se a elevação da pena na resposta estatal em razão do egoísmo, da atitude
mesquinha que alimenta a atuação do responsável pela infração penal.
→ Ausência de motivo e não incidência da qualificadora
Prevalece que a ausência de motivo não qualifica o homicídio, por constituir-se em analogia in malam
partem, vedada pelo Ordenamento Jurídico Brasileiro. A ausência de motivo não deve ser equiparada ao
motivo fútil, pois todo crime tem sua motivação.
Na linha da jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça:
Na hipótese em apreço, a incidência da qualificadora prevista no art. 121, § 2º, inciso II, do Código Penal,
é manifestamente descabida, porquanto motivo fútil não se confunde comausência de motivos, de tal
sorte que se o crime for praticado sem nenhuma razão, o agente somente poderá ser denunciado por
homicídio simples.
Vejamos:
Ausência de motivo equipara-se ao motivo fútil qualificando o homicídio?
1ª CORRENTE: a ausência de motivos,
equipara-se ao motivo fútil. Para referida
corrente, seria um contrassenso qualificar um
homicídio quando presente o motivo
pequeno, e não qualificar quando ausente
qualquer motivo.
2ª CORRENTE: A ausência de motivo, por falta de
previsão legal, não se equipara ao motivo fútil.
Sob os fundamentos de violação ao princípio da
legalidade e proibição de analogia in malam
partem.
#JURIS #STF → Homicídio x Motivo Fútil
Não há motivo fútil se o início da briga entre vítima e autor é fútil, mas ficar provado que o homicídio
ocorreu realmente por conta de eventos posteriores que decorreram dessa briga inicial. Caso concreto
julgado pelo STF (Info 716):
A vítima iniciou uma discussão com algumas outras pessoas por causa de uma mesa de bilhar. Tal
discussão é boba, insignificante e, matar alguém por isso, é homicídio fútil. No entanto, segundo restou
demonstrado nos autos, o crime não teria decorrido da discussão sobre a ocupação da mesa de bilhar,
mas sim do comportamento agressivo da vítima. Isso porque a vítima, no início do desentendimento,
poderia deixar o local, mas preferiu enfrentar os oponentes, ameaçando-os e inclusive, dizendo que
chamaria terceiros para resolverem o problema. Logo, a partir daí os agentes mataram a vítima, não mais
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por causa da mesa de sinuca e sim por conta dos fatos que ocorreram em seguida. Segundo noticiado no
Informativo, o STF entendeu que “o evento ‘morte’ decorreu de postura assumida pela vítima, de ameaça
e de enfrentamento”. Logo, não houve motivo fútil.
Se o fato surgiu por conta de uma bobagem, mas depois ocorreu uma briga e, no contexto desta, houve
o homicídio, tal circunstância pode vir a descaracterizar o motivo fútil. Assim, é preciso verificar a situação
no caso concreto (Info 524, STJ).
Cleber Masson exemplifica: Depois de discutirem futebol, “A” e “B” passam a proferir diversos palavrões,
um contra o outro. Em seguida, “A” cospe na face de “B”, que, de imediato, saca um revólver e contra ele
atira, matando-o. Nada obstante o início do problema seja fútil (discussão sobre futebol), a razão que
levou à prática da conduta homicida não apresenta essa característica.
Dolo Eventual x Qualificadora do Homicídio Fútil
A qualificadora do motivo fútil é compatível com o homicídio praticado com dolo eventual? SIM. O fato
de o réu ter assumido o risco de produzir o resultado morte (dolo eventual), não exclui a possibilidade de
o crime ter sido praticado por motivo fútil, uma vez que o dolo do agente, direto ou indireto, não se
confunde com o motivo que ensejou a conduta. STJ. 5ª Turma. REsp 912.904/SP, Rel. Min. Laurita Vaz,
julgado em 06/03/2012. STJ. 6ª Turma. REsp 1601276/RJ, Rel. Min. Rogerio Schietti Cruz, julgado em
13/06/2017.
Motivo fútil em homicídio decorrente da prática de “racha”
#JURIS #STJ→ RACHA
Hipótese de inexistência de motivo fútil em homicídio decorrente da prática de "racha".
Não incide a qualificadora de motivo fútil (art. 121, § 2°, II, do CP), na hipótese de homicídio supostamente
praticado por agente que disputava "racha", quando o veículo por ele conduzido — em razão de choque
com outro automóvel também participante do "racha" — tenha atingido o veículo da vítima, terceiro
estranho à disputa automobilística. STJ. 6ª Turma. HC 307617-SP, Rel. Min. Nefi Cordeiro, Rel. para
acórdão Min. Sebastião Reis Júnior, julgado em 19/4/2016 (Info 583).
c) Com emprego de veneno, fogo, explosivo, asfixia, tortura ou outro meio insidioso ou cruel, ou
de que possa resultar perigo comum
Trata-se de um rol de circunstâncias qualificadoras que têm natureza objetiva, pois se relacionam ao meio
empregado. Há uma interpretação analógica. Vejamos abaixo cada uma delas.
→ Veneno
Segundo Rogério Sanches, o veneno é a substância biológica ou química, que seja capaz de perturbar ou
destruir as funções vitais do organismo humano. Cumpre destacarmos que determinadas substâncias,
inócuas para as pessoas em geral, podem ser tratadas como veneno quando, em particular no organismo
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da vítima individualmente considerada, sejam aptas a levar à morte, em razão de alguma doença ou como
resultado de eventual reação alérgica.
Exemplos: injetar glicose em diabético; ou ministrar anestésicos em alérgico de modo a nele provocar
choque anafilático, pode ser considerado um veneno.
O homicídio praticado por meio da ingestão de veneno é denominado de VENEFÍCIO.
Cumpre observamos que para caracterizar a qualificadora do veneficio, é imprescindível que a vítima
desconheça nela está sendo ministrada a substância letal. Dessa forma, prevalece o entendimento que o
veneno só qualifica quando a vítima não sabe que está ingerindo-o. Rogério Sanches ressalta que, do
contrário, será a qualificadora por meio cruel, pois traz um sofrimento desnecessário.
Quando empregado de forma sub-reptícia, isto é, sem o conhecimento do ofendido, o veneno
representará meio insidioso.
Exemplo: colocar veneno no chá da vítima. De outro lado, se for utilizado com violência, proporcionando
ao ofendido um sofrimento exagerado, estará caracterizado o meio cruel. Exemplo: amarrar a vítima e
injetar o veneno em seu sangue.
Pode-se falar em crime impossível por absoluta ineficácia do meio quando for feita prova de que a
substância não poderia, nem mesmo em altíssimas doses, provocar a morte de um ser humano. Se o
veneno tinha potencial para matar, mas foi insuficiente para provocar a morte, há mera ineficácia relativa,
respondendo o agente pelo homicídio qualificado tentado.
→ Fogo ou explosivo
Fogo é o resultado da combustão de produtos inflamáveis, da qual decorrem calor e luz. Trata-se, em
geral, de meio cruel. Exemplo: queimar a vítima até a morte. Todavia, se do seu emprego um número
indeterminado de pessoas puder ser exposto a perigo de dano, o crime será qualificado pelo meio de que
possa resultar perigo comum. Exemplo: matar uma pessoa mediante o incêndio de seu imóvel, situado ao
lado de diversas outras moradias.
Explosivo é o produto com capacidade de destruir objetos em geral, mediante detonação e estrondo.
→ Asfixia
Asfixia é qualquer método para se impedir a respiração.
Consiste na supressão da função respiratória, com origem mecânica ou tóxica. A asfixia mecânica pode
ocorrer pelos seguintes meios: estrangulamento, esganadura, sufocação, enforcamento, afogamento,
soterramento, impressamento (meânica). A tóxica, por sua vez, pode ocorrer por meio de uso de gás
asfixiante ou inalação, confinamento.
→ Tortura
A tortura é a imposição de sofrimento desnecessário. Nas lições do prof. Cleber Masson, tortura é
“qualquer ato pelo qual dores ou sofrimentos agudos, físicos ou mentais, são infligidos
intencionalmente a uma pessoa a fim de obter, dela ou de terceira pessoa, informações ou confissões;
de castigá-la por ato que ela ou uma terceira pessoa tenha cometido ou seja suspeita de ter cometido;
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de intimidar ou coagir esta pessoa ou outras pessoas; ou por qualquer motivo baseado emdiscriminação de qualquer natureza”.
No homicídio qualificado pela tortura existe dolo de torturar e de matar, sendo a tortura utilizada como
meio de execução. Enquanto que na tortura qualificada pela morte existe preterdolo, ou seja, dolo na
tortura e culpa na morte. A diferença consiste no elemento subjetivo do agente (dolo). Para melhor
compreensão, vejamos o quadro comparativo:
Homicídio Qualificado pela Tortura
(Art. 121, §2º, III, CP)
Tortura Qualificada pela Morte
(Art. 1º, §3º, Lei nº 9.455/97)
Crime Doloso Crime Preterdoloso
O dolo é de Matar O dolo é de torturar
Há dolo de matar e a tortura é o meio de
execução escolhido para matar.
Há dolo de torturar e a morte é
resultado culposo decorrente da
tortura.
Pena – Reclusão, de 12 a 30 anos. Pena – Reclusão, de 8 a 16 anos
Competência do Tribunal do Júri. Competência do Juízo Singular.
#JURIS #STJ → Meio Cruel X Dolo Eventual
STJ (Inf. 665): Não há incompatibilidade entre o dolo eventual e o reconhecimento do meio cruel, na
medida em que o dolo do agente do agente, direto ou indireto, não exclui a possibilidade de a prática
delitiva envolver o emprego de meio mais reprovável, como veneno, fogo, explosivo, asfixia, tortura ou
outro meio insidioso ou cruel (art. 121, §2º, III, do CP).
Caso concreto: réu atropelou o pedestre e não parou o veículo, arrastando a vítima por 500 metros,
assumindo, portanto, o risco de produzir o resultado morte; mesmo tendo havido dolo eventual, deve-se
reconhecer também a qualificadora do meio cruel prevista no art. 121, §2º, III, do CP.
d) À traição, de emboscada, ou mediante dissimulação ou outro recurso que dificulte ou torne
impossível a defesa do ofendido
Na presente hipótese se trata de uma qualificadora de objetiva, o homicídio será qualificado pelo modo
de execução da prática da conduta delitiva. Observa-se que mais uma vez o legislador empregou a
interpretação analógica (exemplos seguidos de encerramentos genéricos).
Nessa linha, a traição, a emboscada, e a dissimulação são apenas exemplos de modos que dificultam a
defesa do ofendido. Lembre-se que premeditação não é qualificadora do crime de homicídio, podendo
ser cometido por meio de traição, de emboscada, ou mediante dissimulação, mas não qualifica, por si só,
o crime.
→ Traição
Consiste no ataque desleal, por exemplo, atirar na vítima pelas costas. A traição é marcada pela
deslealdade. Nessa qualificadora, o agente se vale da confiança que o ofendido nele previamente
depositava para o fim de matá-lo em momento em que ele se encontrava desprevenido e sem vigilância.
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O prof. Cleber Masson explica que na traição a relação de confiança preexiste ao crime e o sujeito dela se
aproveita para executar o delito. De fato, se o agente, para se aproximar da vítima, faz nascer esse vínculo
de confiança, a qualificadora será a da dissimulação.
O homicídio qualificado pela traição é doutrinariamente conhecido como homicidium proditorium.
→ Emboscada
A emboscada pressupõe ocultamento do agente, que ataca a vítima com surpresa, Cleber Masson aduz
que: Emboscada é a tocaia. O agente aguarda escondido, em determinado local, a passagem da vítima,
para matá-la quando ali passar. A emboscada pode ser praticada tanto em área urbana como em área
rural. O homicídio por ela qualificado é também conhecido como homicidium ex-insidiis (“agguato”, dos
italianos, ou “guet-apens”, dos franceses).
→ Dissimulação
O agente oculta a sua real intenção.
Segundo Masson, a dissimulação é a atuação disfarçada, hipócrita, que oculta a real intenção do agente.
O agente aproxima-se da vítima para posteriormente matá-la, valendo-se das facilidades proporcionadas
pelo seu modo de agir.
→ Outro recurso que dificulte ou torne impossível a defesa do ofendido
É uma fórmula genérica indicativa de meio análogo à traição, à emboscada e à dissimulação.
No tocante a presente qualificadora, importante apontarmos que não se aplica esta qualificadora –
recurso que torne impossível a defesa do ofendido - quando a vítima é criança ou pessoa enferma, pois o
inciso IV diz respeito ao meio praticado para matar e não a característica inerente da vítima.
CONCLUSÃO: A idade da vítima torna o crime qualificado?
NÃO. Conforme mencionado, a idade da vítima (tenra ou avançada), por si só, não possibilita a aplicação
da presente qualificadora, porquanto constitui uma característica da vítima, e não um recurso procurado
pelo agente. A idade é uma característica, condição da vítima.
Desse modo, o fato de a vítima ter 80 anos de idade ou 2 anos de idade não induz a aplicação da
qualificadora do recurso que impossibilita ou torna dificultosa a defesa do ofendido, pois a idade da vítima
não é recurso, mas sim uma condição desta. Então, a idade da vítima, por si só, não possibilita a aplicação
da qualificadora, pois constitui característica da vítima, e não recurso utilizado pelo agente.
#JURISP #STF: Dolo Eventual X Qualificadora de traição, emboscada, dissimulação
O dolo eventual não se compatibiliza com a qualificadora do art. 121, §2º, IV
(traição, emboscada, dissimulação). STF (Info 677)
e) Para assegurar a execução, a ocultação, a impunidade ou vantagem de outro crime
Aqui há uma conexão entre o crime de homicídio e outros delitos, a qual poderá ser teleológica
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(homicídio praticado para assegurar a execução de outro crime, futuro) ou consequencial (quando o
homicídio visa assegurar a ocultação, a impunidade ou vantagem de outro crime, passado).
A doutrina também aponta a conexão ocasional (o homicídio é praticado por ocasião de outro crime, sem
vínculo finalístico). Vejamos com mais detalhes cada uma delas:
• Conexão teleológica:
O homicídio é praticado para assegurar a execução de outro crime (futuro).
Exemplo: Matar o segurança de um empresário para em seguida sequestrá-lo.
OBS:
1) O crime de homicídio será qualificado ainda que o crime futuro não aconteça;
2) O crime futuro não precisa necessariamente ser praticado pelo homicida.
• Conexão consequência: quando o homicídio se dá para assegurar um crime passado. Em outras
palavras, o agente mata para assegurar a ocultação, a impunidade ou a vantagem de outro crime que já
aconteceu. Exemplo: “A” mata testemunha de crime passado em que figura como suspeito.
OBS: O crime passado não exige identidade de sujeito ativo com o homicídio.
• Conexão ocasional: a doutrina aponta a conexão ocasional como sendo aquela em que o crime é
praticado em virtude da facilidade, da ocasião proporcionada pela prática crime anterior. Essa conexão
não qualificaria o homicídio também por ausência de previsão legal. Exemplo: O agente está estuprando
uma pessoa, entra seu desafeto no local e o agente o mata (não há vínculo entre os crimes).
Se o agente pratica o homicídio para assegurar a ocultação, vantagem ou impunidade de
CONTRAVENÇÃO PENAL, o homicídio será qualificado?
Atente-se que se o homicídio foi praticado para assegurar a execução, a ocultação, a impunidade ou
vantagem de uma contravenção penal, não incide a qualificadora da conexão, mas poderá haver outra,
como o motivo torpe ou fútil. Pois olegislador se restringiu à expressão “outro crime”, sendo, assim,
impossível aplicação da analogia in malam partem (princípio da taxatividade e vedação da analogia in
malam partem).
f) Feminicídio
A qualificadora do feminicídio foi incluída no art. 121, § 2.º, inciso VI, do Código Penal pela Lei
13.104/2015.É entendido como a morte de mulher em razão da condição de sexo feminino, leia-se,
violência de gênero quanto ao sexo (preconceito, discriminação, desprezo pela condição de mulher).
O do Art. 121, §2º-A, CP contém uma norma penal explicativa, trazendo duas as hipóteses em que haverá
razões de condição de sexo feminino:
• Violência doméstica e familiar
• Menosprezo ou discriminação à condição de mulher
OBS: Matar mulher, por si só, não é feminicídio. O feminicídio não pode ser confundido com o femicídio.
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E qual a diferença entre eles?
O prof. Cleber Masson explica que ambos caracterizam homicídio, mas, enquanto o feminicídio se baseia
em razões da condição de sexo feminino, o femincídio consiste em qualquer homicídio contra a mulher.
Exemplificativamente, se uma mulher matar outra mulher no contexto de uma briga de trânsito, estará
configurado o femicídio, mas não o feminicídio.
FEMINICÍDIO FEMICÍDIO
Praticar homicídio contra mulher por
“razões da condição do sexo feminino”
(por razões de GÊNERO).
Praticar homicídio contra mulher
(matar mulher).
Em ambos os casos o autor poderá ser homem ou poderá ser mulher.
→ Sujeito passivo
Para a invocação do crime de feminicídio, há três correntes discutindo o termo mulher. A corrente que
prevalece afirma que a mulher, para fins de aplicação da qualificadora, deve ser empregado em seu
conceito jurídico, ou seja, aquela definida no registro civil).
Segundo Rogério Sanches, a mulher que trata a qualificadora é aquela assim reconhecida juridicamente.
Por exemplo: no caso de transexual, que formalmente obtém o direito de ser identificado civilmente como
mulher, não há como negar a incidência da lei penal porque, para todos os efeitos, está pessoa será
considerada mulher.
Afinal, é possível figurar como vítima do feminicídio pessoa TRANSEXUAL?
Transexual (mulher trans) é aquele que sofre uma dicotomia possuindo, grosso modo, um sexo na cabeça
e outro sexo no corpo. O sexo físico é distinto do psicológico.
No tocante a presente discussão, há duas correntes opostas:
1ª CORRENTE
(conservadora)
2ª CORRENTE
(majoritária)
Como geneticamente não é mulher, não poderá
sofrer feminicídio. Apenas, no caso de cirurgia,
passa a ter órgão genital de conformidade
feminina. Portanto, fica descartada, para a
hipótese a incidência da qualificadora.
Considera-se aqui apenas o aspecto biológico: a
mulher é assim identificada pela constituição
genética e suas implicações físicas evidentes.
A corrente mais moderna, leciona ser possível a
transexual figurar como vítima de feminício,
desde que transmute suas características
sexuais por cirurgia e de modo irreversível,
retificando, ainda, seu registro civil.
→ Razões de condição do sexo feminino
Conforme mencionado, o mero homicídio da mulher é denominado de femicídio.
Para parte da doutrina a violência doméstica deve ter sempre uma motivação de gênero, ou seja, é
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necessário o dolo de explorar situação de vulnerabilidade da vítima mulher. Haverá feminicídio quando
estiverem presentes as razões do sexo feminino como causa do delito, elencadas no art. 121, §2ª-A do
Código Penal:
• Violência doméstica e familiar
A violência doméstica e familiar contra mulher, indiscutivelmente uma violação aos direitos humanos,
encontra-se definida no art. 5º da Lei Maria da Penha, sendo qualquer ação ou omissão baseada no gênero
que lhe cause morte, lesão, sofrimento físico, sexual ou psicológico e dano moral ou patrimonial:
1) No âmbito da unidade doméstica: compreendida como o espaço de convívio permanente de
pessoas, com ou sem vínculo familiar, inclusive as esporadicamente agregadas;
2) No âmbito da família: compreendida como a comunidade formada por indivíduos que são ou se
consideram aparentados, unidos por laços naturais, por afinidade ou por vontade expressa;
3) Em qualquer relação íntima de afeto: na qual o agressor conviva ou tenha convivido com a
ofendida, independentemente de coabitação.
• Menosprezo ou discriminação à condição de mulher
Aqui não se exige a violência doméstica ou familiar. As “razões de condição do sexo feminino” se
contentam com o menosprezo ou discriminação à condição de mulher. A pessoa que mata a mulher nela
enxerga um ser inferior, com menos direitos. Exemplo: o aluno de uma prestigiada universidade mata a
colega de sala que está prestes a concluir o curso com as melhores notas da turma, por não aceitar ser
superado por uma mulher.
Por fim, cumpre ressaltarmos que o crime de feminicídio poderá ser praticado, inclusive, por outra
mulher. Nesse sentido, expõe Rogério Sanches “a incidência da qualificadora reclama situação de
violência praticada contra a mulher, em contexto caracterizado por relação de poder e submissão,
praticado por homem ou por mulher sobremulher em situação de vulnerabilidade”.
→ Causas de aumento de pena
As causas de aumento da pena aplicáveis exclusivamente ao feminicídio estão previstas no art. 121, §7.º,
do Código Penal. Nesse ponto, merece especial atenção o estudo da Lei 13.771/2018, a qual alterou três
majorantes do feminicídio, conforme estudaremos detalhadamente a seguir.
A pena do feminicídio é aumentada de 1/3 (UM TERÇO) ATÉ A METADE se o crime for praticado:
I – Durante a gestação ou nos 03 (três) meses posteriores ao parto:
A pena será aumentada no feminicídio quando praticado contra gestante ou nos três meses posteriores
à parte. Cumpre destacar que, o agente deve conhecer desta condição, sob pena de caracterizar
responsabilidade objetiva.
Segundo leciona Rogério Sanches, aplica-se a majorante desde o momento em que gerado o feto até três
meses após o nascimento. O aumento da pena se justifica inclusive nas situações em que demonstrada a
inviabilidade do feto, pois o objeto da proteção especial é a mulher em fase de gestação, não exatamente
e de forma exclusiva o feto.
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Qual será a responsabilização penal do agente nessa situação? Por qual (quais) crime (s) responde?
Nesse caso, e partindo da premissa de que o indivíduo conhece a gravidez, a ele serão imputados dois
crimes: Feminicídio circunstanciado (CP, art. 121, §§ 2.º, inc. VI, e 7.º, inc. I) e Aborto sem o
consentimento da gestante (CP, art. 125), com dolo direto ou eventual, em concurso formal impróprio
ou imperfeito (CP, art. 70, caput, parte final), pois a pluralidade de resultados emana de desígnios
autônomos. Todavia, se a gestação era ignorada pelo agente, não poderão ser reconhecidos nem o crime
de aborto nem a majorante, em respeito à inadmissibilidade da responsabilidade penal objetiva.
O prof. Cleber Masson explica que nos três meses após o parto o recém-nascido é extremamente
dependente dos cuidados maternos: amamentação, segurança, afeto e conforto, entre tantos outros
fatores. Depois de tanto tempo no ventre da mulher, a criança depende de tempo – cientificamente
apontam-se os três primeiros meses – para adaptar-se ao ambiente externo. Com a morte da mãe, o
normal desenvolvimento da criança torna-se muito mais complexo. Pelo exposto, resta justificado a
incidência da majoração da pena quando acontece três meses posterior ao parto.
II – contra pessoa menor de 14 (catorze) anos, maior de 60 (sessenta) anos, com deficiência ou
portadorade doenças degenerativas que acarretem condição limitante ou de vulnerabilidade física ou
mental:
É possível ainda aplicar a majorante, quando a vítima é menor de 14, maior de 60 ou portadora de
deficiência (tanto a deficiência física quanto mental, pode levar a incidência da causa de aumento).
É imprescindível que o agente conheça dessa característica, caso contrário, não haverá a aplicação da
majorante.
O legislador ao se referir à idade da vítima (menor de catorze ou maior de sessenta anos) o dispositivo
repete o § 4º do art. 121. Ressalta-se, porém, que, nesta majorante, diferentemente daquela do § 4º, em
que o aumento é fixo em um terço, o aumento é variável de um terço à metade.
Outra figura da causa de aumento contempla a vítima com deficiência (física ou mental).
Nessa linha, o conceito de pessoa portadora de deficiência é trazido pelo art. 2º da Lei nº 13.146, de 06
de julho de 2015. E, com a alteração promovida pela Lei 13.771/18, majora- se também a pena se a vítima
tem alguma doença degenerativa que provoque limitação ou vulnerabilidade física ou mental, como
esclerose múltipla, esclerose lateral amiotrófica, Parkinson, Alzheimer, osteoporose, arteriosclerose,
diabetes e alguns tipos de câncer.
III – Na presença física ou virtual de descendente ou de ascendente da vítima:
Expressa o texto legal que o comportamento criminoso ocorra na presença do ascendente ou do
descendente da vítima.
No tocante a presença, com as alterações oriundas da Lei nº 13.771 de 2018, a divergência que até então
existia perde o sentido tendo em vista que a própria legislação passou a reconhecer que a presença
poderá ser tanto FÍSICA quanto VIRTUAL.
Aqui a razão do aumento está no intenso sofrimento que o autor provocou aos descendentes ou
ascendentes da vítima que presenciaram o crime, fato que irá gerar graves transtornos psicológicos.
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IV – Em descumprimento das medidas protetivas de urgência previstas nos incisos I, II e III do caput do
art. 22 da Lei nº 11.340, de 7 de agosto de 2006:
Por meio da Lei 13.771/18, inseriu-se nova majorante para as situações em que o homicida comete o
crime apesar da existência de medidas protetivas contra si decretadas nos termos do artigo 22 da Lei
Maria da Penha.
Desde a entrada em vigor da Lei 13.641, em abril de 2018, o descumprimento de medidas protetivas é
crime punido com detenção de três meses a dois anos, mas, se ocorre no mesmo contexto da prática do
homicídio, incide apenas a causa de aumento, afastando-se a figura criminosa autônoma diante do bis in
idem provocado pela imputação simultânea.
Como se vê, a Lei nº 13.771/2018 alterou três causas de aumento de pena do feminicídio (art. 121, § 7º
CP):
Antes da Lei 13.771/2018 ATUALMENTE
Art. 121 (...)
§7º A pena do feminicídio é aumentada de
1/3 (um terço) até a metade se o crime for
praticado:
Art. 121 (...)
§7º A pena do feminicídio é aumentada de 1/3
(um terço) até a metade se o crime for praticado:
I – durante a gestação ou nos 3 (três)
meses posteriores ao parto;
Não foi alterado. Continua a mesma redação.
II – contra pessoa menor de 14 (quatorze)
anos, maior de 60 (sessenta) anos ou com
deficiência;
II – contra pessoa menor de 14 (quatorze) anos,
maior de 60 (sessenta) anos ou com deficiência
ou portadora de doenças degenerativas que
acarretem condição limitante ou de
vulnerabilidade física ou mental;
III – na presença de descendente ou de
ascendente da vítima;
III – na presença física ou virtual de descendente
ou de ascendente da vítima;
Não havia inciso IV. IV – em descumprimento das medidas protetivas
de urgência previstas nos incisos I, II e III do caput
do art. 22 da Lei nº 11.343 de 07 de agosto de
2006.
#OBSERVAÇÃO → Controvérsia acerca da natureza da qualificadora do feminicídio
Parte da doutrina entende ser de natureza subjetiva, pois é praticado “em razão da condição do sexo
feminino”, o que denotaria motivação para a prática do crime. Já a outra parte da doutrina, bem como o
STJ sustentam tratar-se de qualificadora de natureza objetiva, não sendo levada em consideração
qualquer motivação, mas somente a situação de ser praticado contra mulher, amoldando-se às hipóteses
objetivas que o legislador elencou no §2º.
Há ainda quem sustente uma nova classificação de qualificadora, haja vista que a qualificadora em análise
não se enquadraria em nenhuma das duas existentes, criando assim uma nova espécie: as chamadas
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qualificadoras ontológicas.
#SÚMULA #STJ → Súmula 600 STJ
Para a configuração da violência doméstica e familiar prevista no artigo 5º da Lei n. 11.340/2006 (Lei Maria
da Penha) NÃO SE EXIGE a coabitação entre o autor e vítima.
g) Contra autoridade ou agente de segurança pública (homicídio funcional)
O presente inciso foi incluído no Código Penal com a finalidade de tornar mais severa a pena do homicídio,
consumado ou tentado, praticado contra integrantes dos órgãos de segurança pública ou pessoas a estes
ligadas pelo casamento, pela união estável ou pelo parentesco.
O fundamento da qualificadora repousa na maior gravidade da conduta criminosa, atentatória da
estrutura do Estado Democrático de Direito e causadora de temor acentuado às pessoas em geral. De
fato, o homicídio cometido contra funcionários públicos que atuam na linha de frente do combate à
criminalidade provoca pânico na sociedade e nítida sensação de insegurança pública
Vale lembrar que essa qualificadora tem natureza subjetiva e é incompatível com o privilégio, já que a sua
motivação é em razão da função. Não há homicídio qualificado-privilegiado neste caso.
Vejamos as circunstâncias que justificam a punição mais severa.
→ Contra autoridade ou agente descrito nos arts. 142 e 144 da Constituição Federal
Trata-se de uma norma penal em branco de fundo constitucional, pois a descrição típica do art. 121, §2º,
VII será complementado pela Constituição Federal.
O art. 142 da CF/88 abrange as Forças Armadas, constituídas pela: Marinha, Exército e Aeronáutica.
Enquanto o art. 144 disciplina os órgãos de segurança pública: polícia federal, polícia rodoviária federal,
polícia ferroviária federal, polícias civis, polícias militares e corpos de bombeiros militares.
→ Integrantes do sistema prisional
Nessa categoria ingressam todos aqueles que atuam na esfera administrativa da execução da pena
privativa de liberdade e da medida de segurança detentiva, ou seja, na internação em hospital de custódia
e tratamento psiquiátrico ou, à sua falta, em estabelecimento adequado. Como exemplos podem ser
apontados os diretores de penitenciárias, os agentes penitenciários e os carcereiros, entre outros.
Dessa forma, contemplamos que abrange não apenas os agentes presentes no dia-a-dia da execução penal
(Diretor de Presídio, agentes penitenciários, etc), mas também aqueles que atuam em etapas
determinadas, por exemplo, membros do Conselho Penitenciário, Membros da Comissão de Exame
Criminológico.
Nos integrantes do sistema prisional englobam-se, conforme entendimento da doutrina majoritária, tanto
os agentes que atuam diretamente na execução (agentes penitenciários, diretor) quanto indiretamente
no sistema prisional (membros do Conselho Penitenciário, Membros da Comissão de Exame
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Criminológico).
→ Integrantes da Força Nacional e de Segurança Pública (Polícia da União)
A Força Nacional de Segurança Pública foi criada em 2004, com o propósito de atender às necessidades
emergenciais dos Estados, em questões nas quais se fizer necessária a maior interferência do Poder
Público, ou então quando for detectada a urgência de reforço na área de segurança.
É formada por policiais e bombeiros dos grupos de elite dos Estados, que se submetem a treinamento
especial na Academia Nacional da Polícia Federal, em Brasília.
Nas situações propostas, a qualificadora pressupõe que o crime tenha sido cometido contra agente no
exercício da função ou em razão dela.
→ Contra cônjuge, companheiro ou parente consanguíneo até 3º
O tipo penal também protege o cônjuge, companheiro ou parente consanguíneo até terceiro grau, da
autoridade ou agente descrito nos arts. 142 e 144 da Constituição Federal, dos integrantes do sistema
prisional e da Força Nacional de Segurança Pública.
A palavra “cônjuge” pressupõe o casamento entre a vítima e a pessoa ocupante da função pública. O
termo “companheiro”, por sua vez, envolve as relações tanto entre indivíduos de sexos diversos
(heteroafetivas) quanto do mesmo sexo (homoafetivas). A expressão “parente consanguíneo até terceiro
grau” engloba as relações em linha reta (ascendentes: pais, avós e bisavós; descendentes: filhos, netos e
bisnetos) ou colateral (irmãos, tios e sobrinhos). É indispensável que o crime tenha sido praticado em razão
daquela condição, por exemplo, matou para atingir indiretamente a figura da autoridade.
Abrange os guardas civis (municipais ou metropolitanos)?
Segundo os professores Rogério Sanches e Cleber Masson, entende-se que estariam englobados os
guardas civis. (Art. 144, §8º, da Constituição Federal). Além disso, o Estatuto das guardas municipais
enquadra os guardas civis como colaboradores dos órgãos de segurança pública.
A guarda municipal encontra-se previsto ao teor do art. 144, §8º da CF, logo, o homicídio praticado em
face deste por razões de sua função, será, igualmente, qualificado.
E se o homicídio é praticado contra agentes de segurança viária, tal como os agentes do DETRAN?
Do mesmo modo, Sanches entende que sim. Isso porque o art. 144, §10º, da CF, diz que a segurança viária
compreende a fiscalização de trânsito. Ora, se está no art. 144 está abrangido pela qualificadora.
O Policial Aposentado também pode ser vítima do homicídio funcional?
Segundo Rogério Greco, e compartilhando desse mesmo entendimento o professor Rogério Sanches, o
policial aposentado também pode ser sujeito passivo do homicídio funcional, desde que a conduta que
motivou o homicídio seja praticada quando este ainda se encontrava no exercício de suas funções. In casu,
o homicídio terá sua aplicação em virtude da segunda modalidade possível de ser praticado do
homicídio, qual seja, “em razão da função”.
Exemplo: Policial realizou a prisão de determinado sujeito no último dia de seu exercício. Dois anos depois,
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após ser solto aquele procura o policial, e em virtude da prisão realizada a época, realiza o homicídio do
policial. No exemplo, fica nítido que o homicídio foi em decorrência da função, ainda que praticado só
mais adiante quando o sujeito livrou-se solto.
Para uma segunda corrente, minoritária não compartilha desse entendimento, argumentando que o
policial aposentado não é mais considerado autoridade, assim, não poderia ser vítima do homicídio
funcional. Compartilha desse último entendimento o prof. Cleber Masson.
O filho adotivo está abrangido na proteção conferida por este inciso VII?
Se um filho adotivo do policial é morto como retaliação por sua atuação funcional não haverá homicídio
qualificado. Segundo o prof. Rogério Sanches os filhos adotivos não foram abrangidos pela referida lei,
estando assim excluídos.
Sobre o tema, o prof. Cleber Masson dispõe:
O legislador não foi feliz ao utilizar a fórmula “parente consanguíneo”. Em verdade, ao limitar a
qualificadora ao parentesco natural, decorrente do vínculo biológico (pessoas do mesmo sangue), o
Código Penal excluiu da especial proteção as relações oriundas do parentesco civil, notadamente os filhos
adotivos. Deveria ter falado somente em “parente até terceiro grau”, em respeito à regra contida no art.
227, § 6.º, da Constituição Federal: “Os filhos, havidos ou não da relação do casamento, ou por adoção,
terão os mesmos direitos e qualificações, proibidas quaisquer designações discriminatórias relativas à
filiação”. Nada obstante o vacilo do legislador, essa falha não pode ser suprida pelo operador do Direito
no plano prático. Em outras palavras, é vedada a aplicação da qualificadora quando o homicídio for
cometido contra filho adotivo da autoridade ou agente descrito nos arts. 142 e 144 da Constituição
Federal, dos integrantes do sistema prisional e da Força Nacional de Segurança Pública, pois o Direito
Penal não admite a analogia “in malam partem”.
h) Com emprego de arma de fogo de uso restrito ou permitido
O pacote anticrime (Lei nº 13.964/2019) acrescentou o inciso VIII, de modo que o homicídio praticado
com emprego de arma de fogo de uso restrito ou permitido passou a ser qualificado.
O referido inciso havia sido vetado pelo Presidente da República por entender que a medida “viola o
princípio da proporcionalidade entre o tipo penal descrito e a pena cominada”. Não obstante, no dia
19/04/2021, o Congresso Nacional rejeitou o referido veto presidencial.
1.1.4 HOMICÍDIO CULPOSO
Trata-se de infração penal de médio potencial ofensivo, admite suspensão condicional do processo.
Art. 89 da Lei dos Juizados Especiais Criminais.
Segundo ensina Rogério Sanches, o homicídio culposo ocorre quando o agente, com manifesta
imprudência, negligência ou imperícia, deixa de aplicar a atenção ou diligência de que era capaz,
provocando, com sua conduta, o resultado morte, previsto (culpa consciente) ou previsível (culpa
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inconsciente), jamais querido ou aceito:
IMPRUDÊNCIA NEGLIGÊNCIA IMPERÍCIA
Precipitação, afoiteza. A
imprudência se manifesta
concomitantemente ação, ou seja,
está presente no decorrer da
conduta que comina no resultado
involuntário.
Ausência de precaução. Ao
contrário da imprudência, a
negligência revela-se ANTES de
se iniciar a conduta.
Falta de aptidão técnica para o
exercício de arte ou profissão.
Ex.: conduzir veículo em alta
velocidade em dia de chuva
Ex.: conduzir veículo
automotor com pneus gastos.
Ex.: condutor troca o pedal do
freio por pedal da embreagem,
não conseguindo parar o
automóvel.
Na denúncia, o Ministério Público
deve apontar a forma de violação
do dever de diligência,
descrevendo no que consiste
#LEMBRE-SE:
1) A culpa concorrente da vítima não exime o agente de responsabilidade. O direito penal,
diferentemente do direito civil, não admite compensação de culpas;
2) A culpa exclusiva da vítima, não gera qualquer responsabilidade para o agente.
#ATENÇÃO AQUI!!!!
HOMICÍDIO CULPOSO DO CP X HOMICÍDIO CULPOSOS DO CTB
O homicídio culposo previsto no código penal não deve ser confundido com o homicídio culposo praticado
na direção de veículo automotor previsto ao teor do art. 302 do CTB. Na hipótese do art. 302 do CTB, a
morte deverá ocorrer na CONDUÇÃO do veículo automotor.
O homicídio culposo do Código Penal admite, em face do quantum de sua pena, a suspensãocondicional
do processo (art. 89, Lei nº 9.099/95), ao passo que, o homicídio culposo do CTB não permite, posto que
nos termos do art. 89 somente será aplicado quando a pena mínima não ultrapassa um ano, e o art. 302
do CTB possui pena mínima de 2 anos.
→ HOMICÍCIO CULPOSOS MAJORADO
O art. 121, § 4.º, 1.ª parte, do Código Penal arrola quatro causas de aumento de pena aplicáveis somente
ao homicídio culposo:
§ 4º - No homicídio culposo, a pena é aumentada de 1/3 (um terço), se o crime resulta de inobservância
de regra técnica de profissão, arte ou ofício, ou se o agente deixa de prestar imediato socorro à vítima,
não procura diminuir as consequências do seu ato, ou foge para evitar prisão em flagrante. [...]
Nos termos do §4º do Código Penal, no homicídio culposo, a pena é aumentada de 1/3 (um terço), se o
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crime resulta:
• inobservância de regra técnica de profissão, arte ou ofício;
• deixa de prestar imediato socorro à vítima;
• não procura diminuir as consequências do seu ato;
• fugir para evitar prisão em flagrante.
a) inobservância de regra técnica de profissão, arte ou ofício (negligência profissional)
Não se confunde com a imperícia.
NEGLIGÊNCIA PROFISSIONAL IMPERÍCIA
O agente tem aptidão para o exercício do
mister, mas não observa os conhecimentos
que possui
O agente não tem aptidão para o exercício.
Demonstra a falta de conhecimento técnico.
A negligência profissional, que tipifica a conduta e majora a pena, caracteriza “bis in idem”?
1ª CORRENTE: Nessa situação, não há que se falar em bis in idem. É possível a aplicação da causa de
aumento prevista no art. 121, §4º, do CP no caso de homicídio culposo cometido por médico e decorrente
do descumprimento de regra técnico no exercício da profissão.. (Info 520/STJ)
2ª CORRENTE: O STF, reconheceu bis in idem (HC 95.078/RJ)
b) Deixar de prestar imediato socorro à vítima (omissão de socorro)
Esta causa de aumento da pena, fundada na solidariedade humana, relaciona-se unicamente às pessoas
que por culpa contribuíram para a produção do resultado naturalístico, e não tenham prestado imediato
socorro à vítima.
Na hipótese da omissão de socorro servir como causa de aumento, não poderá também configurar o art.
135 do Código Penal, evitando-se bis in idem. Trata-se de caso de crime culposo majorado dolosamente.
O crime é culposo, mas esse é majorado por um crime doloso (omissão de socorro).
Na hipótese da vítima ser socorrida imediatamente por terceiros, não incide a majorante. Salvo, se
evidente a omissão por parte do agente.
Se a vítima tiver morte instantânea, tal circunstância, por si só, é suficiente para afastar a causa de
aumento de pena prevista no §4º do artigo 121 do CP?
NÃO. No homicídio culposo, a morte instantânea da vítima não afasta a causa de aumento de pena
prevista no art. 121, § 4º, do CP, a não ser que o óbito seja evidente, isto é, perceptível por qualquer
pessoa. (Info 554, STJ)
c) Não procura diminuir as consequências do comportamento
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Trata-se de desdobramento normal da causa de aumento de pena anterior (deixar de prestar socorro
imediato à vítima).
Exemplo: O agente, ameaçado de linchamento, não prestou imediato socorro ao ofendido, o que era
justificável. Entretanto, afastou-se do local do crime e não pediu auxílio da autoridade pública, abrindo
espaço para o aumento da pena.
d) Fuga para evitar a prisão em flagrante
Segundo a doutrina, duas são as razões da referida causa de aumento:
1º) o agente que foge demonstra a sua ausência de escrúpulo;
2º) fica mais difícil investigação e incerta a punição.
Com esse entendimento, o prof. Cleber Masson: “O espírito da lei é aumentar a pena do criminoso que,
fugindo para evitar a prisão em flagrante, visa a assegurar impunidade do seu ato, dificultando a ação
da justiça, e, por isso merece, também, punição mais severa do que o outro que dessa maneira não
procede.”
Há doutrina argumentando que essa majorante é inconstitucional, isso porque obrigar o indivíduo a
permanecer no local do crime é obrigá-lo a produzir prova contra si mesmo, desrespeitando assim o
princípio do nemo tenetur se detegere.
1.1.5 HOMICÍDIO DOLOSO MAJORADO
Antes de iniciarmos nosso estudo, cumpre destacar que, para melhor compreensão e sistematização da
matéria, estudamos primeiramente as causas de aumento que são aplicadas exclusivamente ao
feminicídio no tópico específico da qualificadora. Agora vamos estudar as demais majorantes do
homicídio:
→ AUMENTO DE PENA EM RAZÃO DA IDADE DA VÍTIMA
O art. 121, § 4.º, 2.ª parte, sendo doloso o homicídio, a pena é aumentada de 1/3 (um terço) se o crime
é praticado contra pessoa:
• MENOR DE 14 (quatorze) ANOS
• MAIOR DE 60 (sessenta) ANOS.
É indispensável que o autor tenha o conhecimento dessa condição.
→ Milícia privada ou grupo de extermínio
A Lei 12.720/2012, acrescentou ao art. 121 mais um parágrafo (§ 6°), majorando a pena do homicídio
doloso (simples, privilegiado ou qualificado) quando praticado por: milícia privada, sob o pretexto de
prestação de serviço de segurança, ou por grupo de extermínio.
A lei não conceitua esses institutos, sendo trazido pela doutrina:
• Grupo de extermínio:
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são pessoas que se reúnem, formando matadores, “justiceiros”, que vão atuar na ausência do poder
público, a fim de matar as pessoas consideradas marginais ou perigosas. É reflexo do chamado direito
penal subterrâneo, como explica Zaffaroni, que ocorre quando as milícias são efetuadas pelos próprios
agentes estatais. Caso fossem efetuada por particulares, não seria o direito penal subterrâneo.
• Milícia armada:
é um grupo de pessoas, civil ou não, tendo a finalidade de devolver a segurança da população mais carente
que perdeu a paz.
Quantas pessoas devem integrar um grupo de extermínio ou milícia privada?
1ª CORRENTE: Deve ser aplicada a exigência da associação criminosa, exigindo que 3 ou mais pessoas
venham a se unir, com base no art. 288 do CP.
2ª CORRENTE: Para saber se há milícia ou grupo de extermínio, é necessário o mínimo de 4 pessoas,
levando em conta o conceito de organização criminosa (Lei 12.850/13).
1.1.6 PERDÃO JUDICIAL
O §5º do art. 121 do CP consagra o perdão judicial, que será aplicado ao homicídio culposo nos casos em
que houve um fato típico, ilícito, culpável, mas a pena torna-se desnecessária, por conta da perda do
interesse estatal em punir (PRINCÍPIO DA BAGATELA IMPRÓPRIA).
§ 5º - Na hipótese de homicídio culposo, o juiz poderá deixar de aplicar a pena, se as consequências da
infração atingirem o próprio agente de forma tão grave que a sanção penal se torne desnecessária.
Trata-se de causa extintiva da punibilidade aplicável nos casos em que o sujeito produz culposamente a
morte de alguém, mas as consequências desse crime lhe são tão graves que a punição desponta como
desnecessária. Em outras palavras, o próprio resultado naturalístico já exerceu a função retributiva da
sanção penal. EXEMPLO: Pai esquece o filho dentro do carro e este morre por sufocamento.
Ao conferir o perdão judicial, o Estado está demonstrando a sua ausência de interesse de punir, sendo
causa extintiva da punibilidade.
PERDÃO JUDICIALX PERDÃO DO OFENDIDO
O perdão judicial é conferido pelo juiz, constituindo-se em ato UNILATERAL, não precisa ser aceito pelo
infrator para produzir seus efeitos. Cabível somente nos casos expressamente previstos em lei. Trata-se
de causa de extinção da punibilidade.
Por outro lado, o perdão do ofendido é oferecido pelo mesmo, sendo BILATERAL, sendo necessário ser
aceitopara extinguir a punibilidade, cabível nos crimes de ação de iniciativa privada.
NATUREZA JURÍDICA DA SENTENÇA CONCESSIVA DO PERDÃO JUDICIAL
1ª CORRENTE: Condenatória → Argumenta que a sentença, primeiramente condena, para
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posteriormente conceder o perdão. Em sendo condenatória, geraria efeitos penais, interrompe a
prescrição e serve de título executivo.
2ª CORRENTE: Declaratória extintiva da punibilidade → A referida sentença apenas declara. Assim, não
gera efeitos penais e extrapenais. Não interrompe a prescrição, bem como, não serve como título
executivo.
Fernando Capez ensina que, adotando-se a segunda corrente (Sentença Declaratória Extintiva da
Punibilidade), o perdão judicial pode ser concedido na fase de IP. Já o prof. Rogério Sanches discorda sob
o argumento de que o perdão judicial reconhece culpa. Logo, não se pode ser concedido na fase do
Inquérito, procedimento inquisitivo. É imprescindível o devido processo legal.
PREVALECE A 2ª CORRENTE nesse sentido, inclusive a Súmula nº 18 do STJ:
A sentença que concede o perdão judicial é declaratória da extinção da punibilidade, não subsistindo
qualquer efeito condenatório.
JURISPRUDÊNCIAS RELACIONADAS AO HOMICÍDIO
#JURIS #STF → Entrega de veículo automotor a pessoa embriagada e inexistência de homicídio doloso. Se
houver incorreto enquadramento fático-jurídico na capitulação penal, que repercuta na competência do
órgão jurisdicional, admite-se, excepcionalmente, a possibilidade do magistrado, antes da pronúncia e
submissão do réu ao júri popular, efetuar a desclassificação para outro tipo penal e encaminhar o feito ao
órgão competente. No caso, o STF considerou que não havia homicídio doloso na conduta do homem que
entregou o seu carro a uma mulher embriagada para que esta dirigisse o veículo, tendo havido acidente
por conta do excesso de velocidade e da embriaguez, resultando na morte da mulher (condutora). (Info
812, STF)
#JURIS #STJ → TENTATIVA DE HOMICÍDIO COM DOLO EVENTUAL
O dolo eventual é compatível com modalidade tentada, mesmo em caso de homicídio. Em outras palavras,
é possível falar em tentativa de crime praticado com dolo eventual. (STJ. 5ª Turma. Julgado em
07/08/2018)
#JURIS #STJ → O simples fato do condutor do veículo estar embriagado não gera presunção de que tenha
havido dolo eventual. A embriaguez do agente condutor do automóvel, por si só, não pode servir de
premissa bastante para afirmação do dolo eventual em acidente de trânsito com resultado morte. A
embriaguez do agente condutor do automóvel, sem acréscimo de outras peculiaridades, não pode servir
como presunção de que houve dolo eventual. (Info 623, STJ)
#JURIS #STF → DIRIGIR ALCOOLIZADO NA CONTRAMÃO: reconhecimento de DOLO EVENTUAL
Verifica-se a existência de dolo eventual no ato de dirigir veículo automotor sob influência de álcool, além
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de fazê-lo na contramão. Esse é, portanto, um caso específico que evidencia a diferença entre culpa e
culpa consciente e o dolo eventual. O condutor assumiu o risco ou, no mínimo, não se preocupou com o
risco de, eventualmente, causar lesões ou mesmo morte de outrem. (Info 904, STF)
1.2 INDUZIMENTO, INSTIGAÇÃO OU AUXÍLIO A SUICÍDIO
SUICÍDIO: É Eliminação VOLUNTÁRIA e DIRETA da própria vida. O crime é instigar, induzir ou prestar
auxílio.
O art. 122 do CP, após o advento do Pacote Anticrime (Lei nº 13.968/2019, passou a vigorar com a
seguinte redação:
Art. 122 - Induzir ou instigar alguém a suicidar-se ou prestar-lhe auxílio material para que o faça:
Pena - reclusão, de 1 (um) a 3 (três) anos.
§ 1º - Se da tentativa de suicídio resulta lesão corporal de natureza grave:
Pena - reclusão, de 2 (dois) a 4 (quatro) anos.
§ 2º - Se o suicídio se consuma:
Pena - reclusão, de 4 (quatro) a 8 (oito) anos.
§ 3º - A pena é duplicada:
I - se o crime é praticado por motivo egoístico;
II - se a vítima é criança, adolescente ou idosa, ou tem diminuída, por qualquer causa, a capacidade de
resistência.
§4º A pena aumenta até o dobro se a conduta é realizada por meio da rede de computadores, de rede
social ou transmitida em tempo real.
§5º Aumenta-se pela metade se o agente é líder ou coordenador de grupo ou rede virtual.
§6º Se o crime de que trava o §1º deste artigo resulta em lesão corporal de natureza gravíssima e é
cometido contra menor de 14 (quatorze) anos ou contra quem, por enfermidade ou deficiência mental,
não tem o necessário discernimento para a prática do ato, ou que, por qualquer outra causa, não pode
oferecer resistência, responde agente pelo crime descrito no §2º do art. 129 deste Código.
§7º Se o crime de que trata o §2º deste artigo é cometido contra menor de 14 (quatorze) anos ou contra
quem, por enfermidade ou deficiência mental, não tem o necessário discernimento para a prática do ato,
ou que, por qualquer outra causa, não pode oferecer resistência, responde agente pelo crime de
homicídio, nos termos do art. 121 deste Código.
→ SUICÍDIO E AUTOMUTILAÇÃO
Inicialmente, cumpre destacarmos que a conduta suicida não é criminosa, pois o Direito Penal só está
autorizado a punir os comportamentos que transcendem a figura do seu autor (princípio da alteridade).
Noutra banda, é crime o induzimento, a instigação ou auxílio a suicídio (participação em suicídio). Assim,
vedou-se a conduta de concorrer para que outrem destrua voluntariamente sua própria vida. O
consentimento da vítima é irrelevante, em face da indisponibilidade do bem jurídico penalmente
tutelado.
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Com as alterações trazidas pelo Pacote Anticrime, não é somente o induzimento, instigação ou auxílio ao
suicídio que é incriminado no artigo 122 do CP. Passa a ser também previsto como crime o ato de induzir,
instigar ou prestar auxílio a outrem a fim de que tal pessoa se automutile, ou seja, se autolesione, sem a
necessidade de pretender tirar a vida.
Exemplo: Agente induz, instiga ou auxilia alguém a amputar ou mutilar um dos dedos da mão ou do pé,
a se cortar, a se queimar com cigarros, a ingerir substâncias que possam causar mal, doenças ou
distúrbios, ainda que não letais etc.
Trata-se de tipo penal misto alternativo, motivo pelo qual a prática de mais de um núcleo acarretará crime
único. É crime de dano diferentemente do crime do art. 132, do CP que é crime de perigo.
→ Conduta
O tipo penal prevê três condutas (crime de ação múltipla, de conteúdo variado ou tipo misto alternativo),
a saber: induzir, instigar e prestar auxílio material. As duas primeiras (induzimento e instigação) são
chamadas de “participação ou concurso moral”, enquanto o auxílio é chamado de “participação ou
concurso físico ou material”.
INDUZIR INSTIGAR AUXILIAR
O agente cria a ideia de suicídio
ou da automutilação que não
existia na vítima.
O agente reforça uma ideia
anterior de matar-se ou se
automutilar-se, oriunda da
própriavítima.
Existe uma participação material
do autor.
Exemplo: fornece uma arma,
veneno, etc
OBS: Essa intervenção física do agente não pode extrapolar o mero auxílio e acabar adentrando em
atos de execução da morte ou lesão, senão ocorrerá homicídio ou crime de lesão corporal.
Exemplo: o indivíduo chuta a cadeira para a vítima ser enforcada.
É possível que o agente induza, instigue e auxilie a vítima a se suicidar. Por se tratar de um crime de tipo
misto alternativo, de conduta múltipla ou de conteúdo variado, se praticado no mesmo contexto fático,
haverá a prática de crime único do art. 122. Essa multiplicidade da conduta poderá ter reflexo na
dosimetria da pena.
É possível induzir, instigar ou prestar auxílio na modalidade omissiva???
1ª CORRENTE (Frederico Marques, Damásio, etc):
Não é possível prestar auxílio material através de omissão. Isso porque o verbo “prestar auxílio” (e induzir
e instigar) consiste em uma conduta ativa, de modo que só seria possível auxiliar materialmente um
suicídio de forma comissiva. Assim, essas modalidades só seriam possíveis na forma comissiva.
2ª CORRENTE (Sanches, Masson, Hungria, Mirabete, Noronha, etc):
É possível prestar auxílio material através de omissão, desde que o indivíduo seja garantidor, ou seja,
tenha o dever de evitar o resultado, na forma do art. 13, §2o do Código Penal.
Exemplo: psiquiatra que atende num manicômio e, ciente da vontade de determinado paciente se
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matar, nada faz.
→ Sujeito ativo
Trata-se de crime comum. Assim, qualquer pessoa pode ser sujeito ativo do referido crime.
Se o agente (quem induz, auxilia e instiga), praticar atos EXECUTÓRIOS responde por homicídio.
→ Sujeito passivo
Qualquer pessoa que possua um mínimo de capacidade de resistência e de
discernimento, pois, em caso contrário (resistência nula), estará caracterizado o crime de homicídio.
OBS: Sujeito passivo incapaz – o crime praticado por quem induziu, instigou ou auxiliou será de homicídio.
Corroborando Masson “caracteriza o crime tipificado pelo art. 121 do Código Penal a conduta de induzir
uma criança de tenra idade ou um débil mental a pular do alto de um edifício, argumentando que assim
agindo poderia voar”.
EM RESUMO:
VÍTIMAS MAIORES E CAPAZES
(NÃO VULNERÁVEIS)
HAVENDO INFLUÊNCIAS E OCORRENDO LESÕES LEVES OU
AUSÊNCIA DE LESÕES:
O crime será o do artigo 122, caput, CP.
CUIDADO! Antes da Lei essa hipótese era conduta atípica! Houve,
portanto, uma novatio legis in pejus.
HAVENDO INFLUÊNCIAS E RESULTANDO LESÃO GRAVE OU
GRAVÍSSIMA: O crime será o do artigo 122, § 1º, CP.
HAVENDO INFLUÊNCIAS E OCORRENDO MORTE DA VÍTIMA:
Seja decorrente de suicídio ou de agravamento da automutilação,
o crime será o do artigo 122, § 2º, CP.
VÍTIMAS INCAPAZES A QUALQUER
RESISTÊNCIA PSÍQUICA À
ATUAÇÃO DO INFLUENCIADOR
(VÍTIMAS VULNERÁVEIS)
HAVENDO LESÕES LEVES:
Responderá por crime de lesão corporal leve, nos termos do artigo
129, caput, CP, com eventual aumento de pena previsto no artigo
129, § 7º, CP. Se o caso for de vítima menor de 14 anos (retomar-
se-á o tema mais abaixo). Se, nessa situação, não houver lesões,
mas a vítima chega a tentar praticá-las diante da influência do
infrator, haverá o crime de tentativa de lesões corporais leves,
também com eventual aumento supramencionado
(artigo 129 c/c 14, II, CP ou Artigo 129, § 7º, c/c 14, II, CP).
HAVENDO LESÕES GRAVES:
Responderá pelo crime de lesões corporais graves, nos termos do
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artigo 129, § 1º, CP, com eventual aumento de pena previsto no
artigo 129, § 7º, CP se o caso for de vítima menor de 14 anos.
Comprovado o dolo do agente em causar lesões de natureza grave
na vítima, usando-a como instrumento, mas não o conseguindo por
motivos alheios à sua vontade, haverá o crime de tentativa de
lesões corporais graves (artigo 129, § 1º c/c 14, II, CP).
HAVENDO LESÕES GRAVÍSSIMAS:
Responderá pelo crime previsto no artigo 122, § 6º, CP, com as
penas previstas para o crime de lesões corporais gravíssimas, de
acordo com o artigo 129, § 2º, CP. Em caso de tentativa do artigo
122, CP, comprovado o dolo do agente em causar lesões de
natureza gravíssima na vítima, usando-a como instrumento, mas
não o conseguindo por motivos alheios à sua vontade, descartado
o resultado mais gravoso, haverá responsabilização pelo artigo
122, “caput”, CP.
HAVENDO MORTE:
Decorrente do suicídio ou de agravamento das lesões auto
infligidas, responderá pelo crime do artigo 122, § 7º, CP, com as
penas previstas para o crime de homicídio, que poderá ser simples
ou qualificado, conforme o caso, nos termos do artigo 121, “caput”,
CP ou 121, § 2º., CP (essa questão também será melhor explorada
mais adiante). Aqui também descartado o resultado mais gravoso,
haverá responsabilização pelo artigo 122, “caput”, CP.
→ Voluntariedade
O elemento subjetivo é o dolo (direito ou eventual).
Se o agente atua com vistas somente à automutilação, o artigo 122, CP não é um “crime doloso contra a
vida”. E, ainda que resulte morte derivada dessa automutilação, esse resultado mais gravoso se dará a
título de preterdolo (Não sendo competência do Tribunal do Júri).
Há divergência na doutrina sobre a exigência de um dolo específico:
1ª CORRENTE (Magalhães Noronha): afirma que há necessidade de um dolo específico, consubstanciado
na finalidade de obter a morte ou autolesão da vítima.
2ª CORRENTE (majoritária): basta o dolo genérico para configurar o crime.
Não existe modalidade culposa. Se, culposamente, se participa de um suicídio ou de uma autolesão, pode
haver responsabilização por homicídio culposo ou lesão culposa, mas jamais por infração ao artigo 122,
CP.
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→ Consumação e tentativa
Antes da alteração promovida pela Lei 13.968/19, não haveria crime se, do induzimento, instigação ou
auxílio, não resultasse, ao menos, lesão corporal grave ou morte. Por isso mesmo o art. 122 era chamado
de crime condicionado, sendo, consequentemente, um crime material, pois sua punibilidade estava
sujeita à produção do resultado legalmente exigido, qual seja, o resultado naturalístico.
Com o advento da lei, esse panorama mudou: agora temos um crime formal, de consumação antecipada
ou de resultado cortado, que se aperfeiçoa com o mero induzimento, instigação ou auxílio ou à
automutilação.
A CONSUMAÇÃO SE DÁ COM O INDUZIMENTO, INSTIGAÇÃO OU AUXÍLIO:
AUXÍLIO MATERIAL
INDUZIR OU INSTIGAR
O crime estará consumado com o fornecimento
da ajuda material, venha ou não a vítima a
suicidar-se ou automutilar-se.
O crime se consuma com o ato de induzimento
ou instigação, independentemente da atuação
da vítima, que será mero exaurimento da
infração ou ensejará qualificadoras (artigo 122,
§§ 1º , 2º, 6º e 7º, CP).
Cabe tentativa, vez que se trata de conduta
plurissubsistente, sendo plenamente possível
que alguém impeça o infrator de fornecer o
auxílio à vítima.
Exemplo: um indivíduo pede uma arma para se
matar. Quando o infrator vai lhe levar tal arma, é
submetido a uma revista pessoal, vez que a vítima
estava internada num manicômio, sendo
encontrada a arma e apurado o seu fim de auxílio
ao suicídio alheio. Há tentativa (artigo 122 c/c 14,
II, CP).Cabe tentativa caso a conduta seja praticada por
escrito. Sobre a tentativa, ensina o professor
Cleber Masson:
Na modalidade simples (quando acarretar lesão
leve), o crime ADMITIRÁ TENTATIVA quando o
delito se apresentar como plurissubsistente,
admitindo o fracionamento do inter criminis.
Ex.: "A" tenta prestar auxílio material ao suicídio
de "B", enviando-lhe uma arma de fogo pelos
correios. No entanto, o instrumento é
interceptado e apreendido pela polícia.
Por outro lado, nas figuras qualificadas (quando
resultar lesão corporal grave, gravíssima ou
morte), NÃO ADMITIRÁ TENTATIVA, pois a
incidência dessas qualificadoras está
condicionada à produção dos resultados
legalmente exigidos. Assim, se ocorrer a lesão
grave, gravíssima ou morte, responderá pelo art.
122, §§, se não ocorrer nenhuma dessas lesões,
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não haverá tentativa do crime qualificado, mas
sim o crime na modalidade simples (responderá
pelo art. 122, caput).
→ Classificação doutrinária
CRIME DOLOSO Agente que ou assume o risco de produzir o resultado
morte ou lesão corporal de qualquer natureza.
CRIME COMUM
Pode ser praticado por qualquer pessoa.
CRIME DE DANO
Depende da efetiva lesão ao bem jurídico.
CRIME COMISSIVO OU OMISSIVO
Com divergência doutrinária quanto à omissão.
CRIME FORMAL Consumação com a prática da conduta, independente
da produção do resultado.
CRIME DE FORMA LIVRE
Pode ser cometido por qualquer meio de execução.
CRIME POR AÇÃO MÚLTIPLA Tipo penal descreve 3 modalidades de realização
(induzir, instigar e auxiliar)
CRIME SIMPPLES Ofende 2 bens jurídicos alternativos: vida e integridade
corporal.
CRIME INSTANTÂNEO Consuma-se em momento determinado, sem
continuidade no tempo
CRIME UNILATERAL OU
MONOSSUBJETIVO OU DE CONCURSO
EVENTUAL
Cometido por uma só pessoa, mas admite o concurso
CONCURSO PLURISSUBSISTENTE Em regra, conduta divisível em diversos atos
→ Ação Penal e Competência
Trata-se de crime de ação penal pública incondicionada.
Se o induzimento, instigação ou auxílio se dirigir à prática do suicídio, pretendendo, portanto, o agente
atingir o bem jurídico vida, a competência para processo e julgamento será do Tribunal do Júri.
Se o induzimento, instigação ou auxílio se voltar tão somente à automutilação, ainda que dela resulte
preterdolosamente a morte, porque o agente queria apenas a autolesão, decorrendo desta a morte que
não era objetivada, a competência será do Juiz Singular, tendo em vista que claramente não se trata de
um crime doloso contra a vida (embora alocado no Capítulo “Dos Crimes contra a vida”)
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1.1.2 Qualificadoras
Como vimos, para haver crime não é mais necessário que haja a produção do resultado naturalístico (lesão
grave, gravíssima ou morte). Dessa forma, a conduta de induzimento, instigação ou auxílio ou à
automutilação já configura o crime na sua modalidade simples. Todavia, caso haja resultado naturalístico
o crime será qualificado.
Temos, portanto, o seguinte cenário:
FORMA SIMPLES
FORMA QUALIFICADA
Induzimento/instigação/auxílio que acarreta:
LESÃO LEVE - art. 122 na modalidade simples
(caput)
a) Induzimento/instigação/auxílio que acarreta:
LESÃO GRAVE OU GRAVÍSSIMA - art. 122, §1º
b) Induzimento/instigação/auxílio que acarreta:
MORTE - art. 122, §2º.
Forma Qualificada:
1.1.2 Causas de aumento de pena
O antigo Parágrafo único do artigo 122, CP foi excluído pela Lei 13.968/19 e, atualmente, os aumentos de
pena estão regulados nos §§ 3º, 4º, e 5º, do mesmo dispositivo:
• pena será duplicada ( §3º)
• pena será aumentada até o dobro (§4º)
• pena será aumentada em metade (§5º)
a) §3º, inciso I – motivo egoístico, torpe ou fútil:
O inciso I inovou acrescentando, além do “motivo egoístico”, os motivos “torpe” e “fútil” como causas
também de aumento de pena. Vejamos as diferenças apontadas pela doutrina:
MOTIVO EGOÍSTICO
MOTIVO TORPE MOTIVO FÚTIL
Exemplo: Desejo de receber
herança, desejo de receber seguro
de vida, eliminação de rival em
caso amoroso, competição em
negócios, etc
Exemplo (Masson): “A” induz
“B”, seu colega de trabalho, a
se suicidar, para ser o único
candidato a obter promoção da
empresa.
Exemplo: praticar indução ao
suicídio contra alguém devido a
uma dívida de dois reais.
Há a revelação do desprezo do
agente pela vida alheia,
sobrepondo interesses pessoais. Há
um individualismo exagerado.
É o vil, abjeto, repugnante,
revelador da depravação
moral.
Note que não se vê
diferenciação plausível entre o
“motivo egoístico” e o “motivo
É aquele em que se revela a
desproporção entre o ato
gravíssimo de influenciar
alguém a se matar ou se auto
lesionar e aquilo que motivou a
conduta do agente.
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torpe”, mas apenas formas
diversas de expressão da
mesma circunstância.
Entretanto Nucci acena com a
alegação de que o “motivo
egoístico” seria uma espécie do
gênero mais abrangente
“motivo torpe”.
b) §3º, Inciso II - a vítima menor ou tem diminuída, por qualquer causa, a capacidade de resistência
Qual a idade desse menor? Há 3 posições doutrinárias:
1ª CORRENTE: Menores de 18 anos
2ª CORRENTE (Doutrina majoritária): Menor de 18 e Maior de 14 anos. Isso porque, numa interpretação
sistemática do Código Penal, os que estivessem abaixo dos 14 anos não apresentariam nenhuma
capacidade de resistência a influências externas, de modo que seriam então vítimas de homicídio ou de
lesão corporal (neste último caso, considerando a nova figura da automutilação).
Explicação do professor Rogério Sanches:
Ademais, com a Lei 13.968/19 e a atribuição explícita das penas de homicídio ou lesão corporal gravíssima
para o caso de influência de menores de 14 anos (artigo 122, §§ 6º. e 7º., CP), a tese de que a palavra
“menor” no artigo 122, § 3º., II, CP se refere à faixa entre 14 e 18 anos, ganha força total. É evidente, de
acordo com a redação do artigo 122 e parágrafos que se a vítima for menor de 14 anos, haverá
responsabilização nas penas de lesões corporais (automutilação) ou homicídio (suicídio). Então, o
aumento de pena para vítima menor, somente pode se referir àqueles menores entre 14 anos completos
e 18 anos incompletos.
3ª CORRENTE: Aponta a necessidade de verificação no caso concreto, independentemente da idade da
vítima, se esta tinha plena resistência ou não, sendo a menoridade apenas um indicativo não conclusivo.
Além dos menores, o inciso II abarca também pessoas maiores, mas que tenham sua capacidade de
resistência psíquica diminuída. Exemplo: alienados, débeis mentais, embriagados, drogados, enfermos
etc., os quais tenham diminuída sua capacidade de resistência.
Não se esqueça que, se tais pessoas não tiverem qualquer capacidade de resistência, ocorrerá aplicação
das penas de lesões corporais (automutilação) ou de homicídio (suicídio), na modalidade de autoria
mediata, conforme prevê os §§ 6º e 7º.
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C) 4º - conduta praticada por meio de rede de computadores, de rede socialou transmitida em tempo
(aumentada até o dobro); e §5º - agente é líder ou coordenador de grupo ou rede social (aumentada
em metade):
Primeiramente, importa ressaltar que, o que motivou essa causa de aumento foi o fenômeno do “jogo”
que ficou conhecido como “Baleia Azul”, no qual, por meio de redes sociais ou contatos via internet,
pessoas eram influenciadas a praticarem “desafios”, chegando à autolesão e até mesmo à prática suicida.
Ainda com o mesmo escopo, vem o § 5º, do artigo 122, CP determinar nova causa de aumento de metade
da pena quando o agente é líder ou coordenador de grupo ou rede social.
Isso significa que, se a influência à automutilação ou ao suicídio se dá por meio informático, a pena é
aplicada em dobro para todos os participantes desse evento. Porém, se identificado o líder ou
coordenador de um grupo que se dedica a tal prática, este receberá a pena em dobro e mais um acréscimo
de metade.
#IMPORTANTE:
→ Eles são aplicáveis cumulativamente, pois nada impede que ocorram conjuntamente num mesmo caso,
não configurando bis in idem.
Exemplo: alguém induz outrem ao suicídio por motivo egoístico, por meio de comunicação virtual por
internet, envolvendo um grupo de pessoas do qual é o líder ou coordenador. Os aumentos de pena serão
aplicados em cascata. Somente não haverá aplicação em cascata no caso dos dois incisos do § 3º, do artigo
122, CP estarem presentes concomitantemente.
→ Devido à posição topográfica dos §§ 3º, 4º e 5º, do artigo 122, CP, esses aumentos somente são
aplicáveis ao crime simples do artigo 122, “caput”, CP ou às formas qualificadas do artigo 122, §§ 1º ou
2º, CP.
#NOVIDADE #ATENÇÃO
1.2.3 Direito Intertemporal
A Lei 13.968/19 criou novas condutas criminosas e incrementou algumas punições nos casos do
ART.122, CP. A inclusão da previsão como crime da indução, instigação ou auxílio à automutilação
constituiu, em todas as figuras em que aparece (exceto as que envolvem vulneráveis), novatio legis
incriminadora, de modo que não pode retroagir a situações pretéritas nas quais a autolesão, ainda que
considerando a conduta de quem influenciava terceiro para isso, era fato atípico.
Também constitui novatio legis incriminadora a conduta de induzir, instigar ou auxiliar alguém ao
suicídio, sem que haja os resultados lesões graves ou morte. Antes da Lei 13.968/19 essa conduta não
configurava sequer a tentativa do crime, sendo fato atípico. Novamente impossível a aplicação retroativa
do disposto no artigo 122, caput, CP.
Quanto aos aumentos de pena agora previstos, tratando-se de inovações e, portanto, novatio legis in
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pejus, não poderão retroagir aqueles previstos no artigo 122, §§ 4º e 5º, CP.
Essas causas de aumento não existiam e não podem ser aplicadas a casos pretéritos. Por outro lado, os
aumentos previstos no § 3º, do artigo 122, CP têm o mesmo patamar de incremento punitivo (a pena é
duplicada).
Assim sendo, se o caso de aumento for o motivo egoístico (primeira parte do inciso I) ou a vítima menor
ou com capacidade de resistência diminuída (inciso II), ocorre continuidade normativo típica e os
aumentos podem permanecer sendo aplicados a casos pretéritos apenas se alterando o dispositivo, antes
um Parágrafo Único, agora o § 3º.
Entretanto, se a causa de aumento for embasada no “motivo torpe” ou no “motivo fútil” (parte final do
inciso I), haverá configuração de novatio legis in pejus, já que esses incrementos não eram previstos
antes da Lei 13.968/19.
#CUIDADO → ROLETA RUSSA
Uma arma, com penas uma munição no tambor e os participantes vão atirando “na sorte” até que chega
um momento em que o projétil é disparado na própria cabeça do atirador (a vítima, neste caso).
Os sobreviventes responderão pelo 122.
#CUIDADO → DUELO AMERICANO:
Duas pessoas, diante de duas armas, e apenas uma delas está municiada. Elas escolhem a arma “na sorte”
e logo após dar um tiro na sua própria cabeça. A pessoa que sobreviver responderá pelo crime do art.
122.
#CUIDADO → PACTO DE MORTE OU AMBICÍDIO
Duas ou mais pessoas combinam de tirarem a própria vida conjuntamente. Via de regra, caso alguém
sobreviva, responderá pelo 122 em relação ao que morreu.
No entanto, caso o sobrevivente tenha praticado atos executórios responsáveis pelo resultado morte da
outra pessoa, o crime será de homicídio.
Exemplo: A e B se trancam em uma sala com gás e A abre a torneira de gás. Caso A sobreviva e B morra,
o crime será de homicídio. Caso B sobreviva e A morra, o crime será de induzimento, por ter sido B que
praticou o ato executório responsável por sua morte.
ATENÇÃO AO CASO ACIMA:
Caso os dois sobrevivam, ainda que sem lesão alguma, A responde por TENTATIVA DE HOMICÍDIO (pois
praticou o ato executório de abrir a torneira de gás) e B responderá pelo ART. 122.
#FOCANATABELINHA
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AMBICÍDIO OU SUICÍDIO A 2 (DOIS) - (PACTO DE MORTE)
HOMICÍDIO Se o sobrevivente praticou atos de execução da morte do outro
(exemplo: ministrar veneno, a ele será imputado o crime de
homicídio).
PARTICIPAÇÃO EM SUICÍDIO Se o sobrevivente somente auxiliou o outro a suicidar-se.
TENTATIVA DE HOMICÍDIO Se ambos praticaram atos de execução, um contra o outro, e ambos
sobreviveram.
PARTICIPAÇÃO EM
SUICÍDIO
Se ambos auxiliaram mutuamente e ambos sobreviveram.
#CUIDADO →Se um deles praticou atos de execução da morte de ambos, mas ambos sobreviveram,
aquele responderá por tentativa de homicídio, e este por participação em suicídio.
#HORADEPRATICAR
Ao final, resolva de 15 a 30 questões, no mínimo. Utilize essa tabela abaixo para verificar a
quantidade de questões que acertou ou errou:
Quantidade de
Questões
Percentual de
acertos
Revisadas?
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LÍNGUA PORTUGUESA
#FICAADICA
Vamos iniciar português pelo ponto que versa sobre ortografia.
Ortografia oficial - Crie esquemas quanto as regras de acentuação. Caso tenha dificuldades nesse ponto,
memorize as regras menos extensas, como por exemplo “todas as proparoxítonas são acentuadas”.
Não há necessidade de aprofundar, você provavelmente já estudou o assunto. Dê uma breve revisada, se
necessário e parta logo para as questões.
ACENTUAÇÃO GRÁFICA12
A acentuação gráfica consiste na colocação de acento ortográfico para indicar a pronúncia de uma vogal
ou marcar a sílaba tônica de uma palavra. Os nomes dos acentos gráficos da língua portuguesa são:
• acento agudo (´)
• acento grave (`)
• acento circunflexo (^)
Os acentos gráficos são elementos essenciais que para estabelecem, por meio de regras, a
sonoridade/intensidade das sílabas das palavras.
Acentuação das palavras oxítonas
As palavras oxítonas são aquelas em que a última sílaba é tônica (mais forte). Elas podem ser
acentuadas com o acento agudo e com o acento circunflexo.
Oxítonas que recebem acento agudo
Regras de acentuação gráfica
Exemplos de palavras com
acento
Recebem acento agudo as
palavras oxítonas terminadas em
vogais tônicas abertas -a, -e ou -o
seguidas ou não de -s.
está, estás, já, olá; até, é, és, olé,
pontapé(s); vó(s), dominó(s),
paletó(s), só(s)
12 https://www.todamateria.com.br/acentuacao-grafica/
Ortografia: acentuação gráfica, grafiados vocábulos
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142
Regras de acentuação gráfica
Exemplos de palavras com
acento
No caso de palavras derivadas do
francês e terminadas com a vogal
-e, são admitidos tanto o acento
agudo quanto o circunflexo.
bebé ou bebê; bidé ou bidê;
canapé ou canapê; croché ou
crochê; matiné ou matinê
Quando conjugadas com os
pronomes -lo(s) ou -la(s)
terminando com a vogal tônica
aberta -a após a perda do -r, -s, ou
-z.
adorá-lo (de adorar + lo) ou
adorá-los (de adorar + los); fá-lo
(de faz + lo) ou fá-los (de faz +
los)
dá-la (de dar + la) ou dá-las (de
dar + las)
Recebem acento as palavras
oxítonas com mais de uma sílaba
terminadas no ditongo nasal
grafado -em e -ens.
acém, detém, deténs, entretém,
entreténs, harém, haréns,
porém, provém, provéns,
também
São acentuadas as palavras
oxítonas com os ditongos abertos
grafados -éu, éi ou -ói, seguidos
ou não de -s.
anéis, batéis, fiéis, papéis,
chapéu(s), ilhéu(s), véu(s);
herói(s), remói
Obs.: há exceção nas formas da terceira pessoa do plural do presente do indicativo dos derivados de
"ter" e "vir". Nesse caso, elas recebem acento circunflexo (retêm, sustêm; advêm, provêm).
Oxítonas que recebem acento circunflexo
Regras de acentuação gráfica
Exemplos de palavras
com acento
São acentuadas as palavras oxítonas
terminadas nas vogais tônicas fechadas
grafadas -e ou -o, seguidas ou não de -
s.
cortês, dê, dês (de dar), lê,
lês (de ler), português,
você(s); avô(s), pôs (de
pôr), robô(s)
As formas verbais oxítonas, quando
conjugadas com os pronomes clíticos -
lo(s) ou -la(s) terminadas com as vogais
tônicas fechadas -e ou -o após a perda
detê -lo(s); fazê -la(s); vê -
la(s); compô-la(s); repô-
la(s); pô-la(s)
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143
Regras de acentuação gráfica
Exemplos de palavras
com acento
da consoantes final -r, -s ou -z, são
acentuadas.
Obs.: usa-se, ainda, o acento circunflexo para diferenciar a forma verbal "pôr" da preposição "por".
Acentuação das palavras paroxítonas
As palavras paroxítonas são aquelas em que a penúltima sílaba é tônica (mais forte).
Paroxítonas que recebem acento agudo
Regras de acentuação gráfica
Exemplos de palavras com
acento
Recebem acento agudo as
paroxítonas que apresentam, na
sílaba tônica, as vogais abertas
grafadas -a, -e, -o, -i e -u e que
terminam em -l, -n, -r, -x e -s, e
algumas formas do plural, que
passam a proparoxítonas.
dócil, dóceis; fóssil, fósseis;
réptil, répteis; córtex,
córtices; tórax; líquen,
líquenes; ímpar, ímpares
É admitida dupla grafia em alguns
casos.
fêmur e fémur; ónix e ônix;
pónei e pônei; ténis e tênis;
bónus e bônus; ónus e ônus;
tónus e tônus
Palavras paroxítonas que
apresentam, na sílaba tônica, as
vogais abertas grafadas -a, -e, -i, -o e
-u, e que terminam em -ã, -ão, -ei, -
um ou -uns são acentuadas nas
formas singular e plural das palavras.
órfã, órfãs; órfão, órfãos;
órgão, órgãos; sótão, sótãos;
jóquei, jóqueis; fáceis, fácil;
bílis, íris, júri, oásis, álbum,
fórum, húmus e vírus
Obs.: não se acentuam graficamente os ditongos representados por -ei e -oi da sílaba tônica das
paroxítonas:
assembleia, boleia, ideia, onomatopeico, proteico, alcaloide, apoio (do verbo apoiar), tal como apoio
(substantivo), boia, heroico, jiboia, moina, paranoico, zoina.
Exemplos de palavras paroxítonas não acentuadas: enjoo, grave, homem, mesa, Tejo, vejo, velho, voo,
avanço, floresta; abençoo, angolano, brasileiro, descobrimento, graficamente e moçambicano.
Paroxítonas e o uso do acento circunflexo
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144
Regras de acentuação gráfica
Exemplos de palavras com
acento
Palavras paroxítonas que contêm, na
sílaba tônica, as vogais fechadas com a
grafia -a, -e e -o, e que terminam em -
l, -n, -r ou -x, assim como as respetivas
formas do plural, algumas das quais se
tornam proparoxítonas.
cônsul, cônsules; têxtil,
têxteis; plâncton, plânctons
Também recebem acento circunflexo
as palavras que contêm, na sílaba
tônica, vogais fechadas com a grafia -
a, -e e -o, e que terminam em -ão(s), -
eis ou -us.
Estêvão, zângão,
escrevêsseis, ânus
São grafadas com acento circunflexo
as formas dos verbos "ter" e "vir", na
terceira pessoa do plural do presente
do indicativo ("têm" e "vêm"). O
mesmo é aplicado algumas formas
verbais derivadas.
abstêm, advêm, contêm,
convêm, desconvêm,
detêm, entretêm, intervêm,
mantêm, obtêm, provêm,
sobrevêm
Não é usado o acento circunflexo nas
palavras paroxítonas que contêm um
tônico oral fechado em hiato com
terminação -em, da terceira pessoa do
plural do presente do indicativo.
creem, deem, descreem,
desdeem, leem, preveem,
redeem, releem, reveem,
veem
Não é usado o acento circunflexo com
objetivo de assinalar a vogal tônica
fechada na grafia das palavras
paroxítonas.
enjoo – substantivo e
flexão de enjoar
povoo – flexão de povoar
voo – substantivo e flexão
de voar
Não são usados os acentos circunflexo
e agudo para distinguir as palavras
paroxítonas quando têm a vogal tônica
aberta ou fechada em palavras
homógrafas de palavras proclíticas no
singular e plural.
para – flexão de parar.
pela/pelo – preposição de
pela, quando substantivo
de pelar.
pelo – substantivo de per +
lo.
polo – combinação de per +
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145
Regras de acentuação gráfica
Exemplos de palavras com
acento
lo e na combinação de por
+ lo
#CUIDADO!
O acento circunflexo é obrigatório na palavra pôde na terceira pessoa do singular do pretérito perfeito
do indicativo. Isso acontece para distingui-la da forma verbal correspondente do presente do
indicativo: pode.
O acento circunflexo é facultativo no verbo demos, conjugado na primeira pessoa do presente do
indicativo. Isso ocorre para estabelecer distinção da forma correspondente no pretérito perfeito do
indicativo: demos.
Também é facultativo o uso de acento circunflexo no substantivo fôrma como distinção do
verbo formar na segunda pessoa do singular imperativo: forma.
Vogais tônicas
Regras de acentuação gráfica Exemplos de palavras com acento
As vogais tônicas grafadas (i) e (u)
das palavras oxítonas e
paroxítonas recebem acento
quando são antecedidas de uma
vogal com a qual não formam
ditongo e desde que não
constituam sílaba com a
consoante seguinte.
Adaís – plural de Adail, aí, atraí (de
atrair), baú, caís (de cair), Esaú,
jacuí, Luís, país, alaúde, amiúde,
Araújo, Ataíde, atraíam (de atrair),
atraísse (id.), baía, balaústre,
cafeína, ciúme, egoísmo, faísca,
faúlha, graúdo, influíste (de
influir), juízes, Luísa, miúdo,
paraíso, raízes, recaída, ruína,
saída e sanduíche
Recebem acento agudo as vogais
tônicas grafadas com -i e -u,
quando precedidas de ditongo na
posição final ou seguidas de -s.
Piauí
teiú – teiús
tuiuiú – tuiuiús
Recebe acento agudo a vogal
tônica grafada -i das palavras
oxítonas terminadas em -r dos
verbos terminados em -air e -uir,
quando combinadas com -lo(s), -
atraí-lo(s), atraí-lo(s) –ia,possuí-
la(s), possuí-la(s)-ia – de possuir-
la(s)-ia
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146
Regras de acentuação gráfica Exemplos de palavras com acento
la(s) considerando a assimilação
e perda do -r nas palavras.
As vogais tônicas grafadas (i) e (u)
das palavras oxítonas e
paroxítonas não recebem acento
quando são antecedidas de uma
vogal com a qual não formam
ditongo, e desde que não
constituam sílaba com a
consoante seguinte nos casos de
-nh, -l, -m, -n, -r e -z.
bainha, moinho, rainha, Adail,
Coimbra, ruim, ainda,
constituinte, oriundo, ruins,
triunfo, atrair,influir, influirmos,
juiz e raiz
Não recebem acento agudo as
vogais tônicas das palavras
paroxítonas nas formas
rizotônicas de alguns verbos.
arguir, redarguir, aguar,
apaniguar, apaziguar,
apropinquar, averiguar,
desaguar, enxaguar, obliquar,
delinquir
Não recebem acento agudo os
ditongos tônicos grafados -iu e -
ui, quando precedidos de vogal.
distraiu; instruiu
Não é utilizado acento agudo nas
vogais tônicas grafadas em -i e -u
das palavras paroxítonas quando
precedidas de ditongo.
baiuca; boiuno; cheinho; sainha
Acentuação das palavras proparoxítonas
As palavras proparoxítonas são aquelas em que a antepenúltima sílaba é a tônica (mais forte), sendo
que todas são acentuadas.
Proparoxítonas que recebem acento agudo
Regras de acentuação gráfica
Exemplos de palavras
com acento
Recebem acento agudo as palavras
proparoxítonas que apresentam na
sílaba tônica as vogais abertas grafadas -
árabe, cáustico, Cleópatra,
esquálido, exército,
hidráulico, líquido, míope,
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147
Regras de acentuação gráfica
Exemplos de palavras
com acento
a, -e, -i, -o e -u começando com ditongo
oral ou vogal aberta.
músico, plástico,
prosélito, público, rústico,
tétrico, último
Recebem acento agudo as palavras
proparoxítonas aparentes quando
apresentam na sílaba tônica as vogais
abertas grafadas -a, -e, -i, -o e -u ou
ditongo oral começado por vogal aberta,
e que terminam por sequências vocálicas
pós-tônicas praticamente consideradas
como ditongos crescentes -ea, -eo, -ia, -
ie, -io, -oa, -ua e -uo).
Álea, náusea; etéreo,
níveo; enciclopédia,
glória; barbárie, série;
lírio, prélio; mágoa,
nódoa; exígua; exíguo,
vácuo
Proparoxítonas que recebem acento circunflexo
Regras de acentuação
gráfica
Exemplos de palavras com acento
Recebem acento
circunflexo as palavras
proparoxítonas que
apresentam na sílaba tônica
vogal fechada ou ditongo
com a vogal básica fechada
e as chamadas
proparoxítonas aparentes.
anacreôntico, cânfora, cômputo,
devêramos (de dever), dinâmico,
êmbolo, excêntrico, fôssemos (de ser e
ir), Grândola, hermenêutica, lâmpada,
lôbrego, nêspera, plêiade, sôfrego,
sonâmbulo, trôpego. Amêndoa,
argênteo, côdea, Islândia, Mântua e
serôdio
Recebem acento
circunflexo as palavras
proparoxítonas, reais ou
aparentes, quando as
vogais tônicas são grafadas
e/ou estão em final de
sílaba e são seguidas das
consoantes nasais grafadas
-m ou -n obedecendo ao
timbre.
acadêmico, anatômico, cênico,
cômodo, fenômeno, gênero, topônimo,
Amazônia, Antônio, blasfêmia, fêmea,
gêmeo, gênio e tênue
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148
#ATENÇÃO!!
Palavras derivadas de advérbios ou adjetivos não são acentuadas
Exemplos:
• Avidamente - de ávido
• Debilmente - de débil
• Facilmente - de fácil
• Habilmente - de hábil
• Ingenuamente – de ingênuo
• Lucidamente - de lúcido
• Somente - de só
• Unicamente - de único
• Candidamente – cândido
• Dinamicamente - de dinâmico
• Espontaneamente - de espontâneo
• Romanticamente - de romântico
Uso da crase
A crase é usada na contração da preposição a com as formas femininas do artigo ou pronome
demonstrativo a: à (de a + a), às (de a + as).
Também é usada a crase na contração da preposição "a" com os pronomes demonstrativos:
• àquele(s)
• àquela(s)
• àquilo
• àqueloutro(s)
• àqueloutra(s)
Uso do trema
O trema só é utilizado nas palavras derivadas de nomes próprios.
Exemplo:
Müller - de mülleriano
#HORADEPRATICAR
Faça de no mínimo 30 questões. Você precisa e deve praticar muitas questões, principalmente em
português (você já tem uma boa base e precisa testar a forma como as bancas cobram as regras).
:
Quantidade de Questões Percentual de acertos Revisadas?
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149
Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro (Decreto-Lei n. 4.657/42).
SÁBADO
LEI SECA TODO DIA: ART. 25 AO ART. 36, CF
REVISÃO DO DIA ANTERIOR:
DIREITO CIVIL
PARTE GERAL
I. Conceito de lei
Lei é um imperativo autorizante. Isso porque emana de uma autoridade competente e surte efeito para
todos (generalidade). Imperativo autorizante, visto que a lei autoriza ou não determinadas condutas.
A lei é uma fonte do direito (primária). A LINDB traz regras a respeito dessa fonte de lei.
O art. 1º diz que: salvo disposição contrária, a lei começa a vigorar em todo o país 45 dias depois de
oficialmente publicada. Se lei for omissa, será de 45 dias o período de vacatio legis (período entre o
publicação e a vigência da lei). A LC 95/98 ensina como será feita a contagem do prazo: faça a inclusão da
data da publicação e faça a inclusão do último dia do prazo. A vigência inicia no dia subsequente à
consumação integral. Ex.: CC/02 entrou em vigor no dia 11/01/2003, um ano após a sua publicação.
O art. 1º, §1, trata sobre quando a norma brasileira passa a vigorar no estado estrangeiro, dizendo que a
obrigatoriedade da lei brasileira, nos Estados, estrangeiros, se iniciará 3 meses depois de oficialmente
publicada.Em havendo uma norma corretiva, ou seja, se houver uma nova publicação do texto legal, que
corrige alguns erros, neste caso, este prazo de 45 dias ou de 3 meses, começam a correr a partir da nova
publicação, sendo considerado como lei nova.
#JÁ CAIU (Delta-GO/2017)
já considerou correta a seguinte assertiva: A Lei n.º XX/XXXX, composta por quinze artigos, elaborada
NÃO DEIXE DE LER
ART . 2º LINDB
ART. 3º LINDB
ART. 7º LINDB
ART. 28 LINDB
LEITURA OBRIGATÓRIA DA “LINDB”
#VAI CAIR #NOVIDADE
ART. 21 AO 30 DA LINDB
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150
pelo Congresso Nacional, foi sancionada, promulgada e publicada. De acordo com a Lei de Introdução às
Normas do Direito Brasileiro, se algum dos artigos da lei sofrer alteração antes de ela entrar em vigor,
será contado um novo período de vacância para o dispositivo alterado.
II.Princípio da continuidade da lei (ou da permanência)
O art. 2º consagra o princípio da continuidade da lei. Isto é, quando a lei entra em vigor, continuará ela
em vigor, até que outra lei a modifique ou a revogue.
Ou seja, não se destinando à vigência temporária, a lei terá vigor até que outra a modifique ou revogue.
Portanto, a lei posterior revoga a anterior. Mas quando é que esta lei revogará a anterior?
▪ Quando expressamente o declare
▪ Quando é com ela incompatível
▪ Quando regulamenta inteiramente a matéria de que tratava a lei anterior
Observe-se que a lei nova, que estabeleça disposições gerais ou especiais a par das já existentes, não
revoga nem modifica a lei anterior.
Trata-se de aplicação do princípio da especialidade.
III. REVOGAÇÃO
O meio mais comum para se retirar a eficácia de uma norma jurídica é por meio da revogação.
A revogação poderá ocorrer de duas formas:
REVOGAÇÃO TOTAL
(AB-ROGAÇÃO)
REVOGAÇÃO PARCIAL
(DERROGAÇÃO)
É a revogação absoluta, havendo a supressão total
do texto
Há uma supressão parcial do texto.
A lei nova torna sem efeito parte de uma lei
anterio
Quanto ao MODO DE REVOGAÇÃO, há duas modalidades:
REVOGAÇÃO EXPRESSA
(por via direta):
REVOGAÇÃO TÁCITA
(por via indireta/oblíqua)
lei nova diz que está revogando a lei anterior. lei nova é incompatível com a anterior
IV. REPRESTINAÇÃO
O art. 2, § 3o, afasta a possibilidade da lei revogada anteriormente repristinar com a revogação da lei que
a revogou. Só será possível repristinar se houver disposição em sentido contrário.
Repristinação ocorre quando existe a Lei A. Esta Lei A é revogada pela Lei B. Aí vem a Lei C e revoga a Lei
B. Repristinação se dará quando a Lei C revoga a Lei B, vindo a Lei A vigorar novamente.
A regra, no entanto, é de não repristinação. Mas se houver uma disposição expressa em sentido contrário,
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151
será possível repristinar.
No caso de inconstitucionalidade da Lei B, esta seria natimorta, razão pela qual não teria efeito algum, de
modo que a Lei A sofreria o efeito repristinatório, voltando a vigorar, pois não deveria ter deixado de
vigorar.
O efeito repristinatório resta configurado quando há o renascimento de uma lei já revogada, mas sem a
aludida menção em uma nova norma. São dois os exemplos possíveis:
Repristinação oblíqua ou indireta em
controle concentrado de
constitucionalidade:
Reprodução do texto normativo por
uma nova lei:
É realizado pelo STF seja em sede de decisão final,
ou concessão de medida liminar para suspensão da
cautelar da norma impugnada.
Ex.: Lei B revogou a Lei A. Caso o STF entenda que
a Lei B é inconstitucional entenderá pela
repristinação da Lei A, pois a Lei B jamais teria
ingressado no ordenamento jurídico.
Neste caso, há efeito obliquo ou indireto da
decisão.
Por exemplo, a Lei A é revogada pela Lei B.
Posteriormente, vem a Lei C e revoga a Lei B,
sem, porém, declarar o renascimento da Lei A.
Todavia, a Lei C reproduz todas as disposições
normativas que antes constavam da Lei A,
havendo um efeito repristinatório.
V. Características da norma jurídica e sua aplicação
A lei tem algumas características básicas:
GENERALIDADE lei tem eficácia para todos
IMPERATIVIDADE Impõe deveres para todos
PERMANÊNCIA A lei perdura até que seja revogada por outra
COMPETÊNCIA A lei precisa ter emanado da autoridade competente
AUTORIZANTE A lei autoriza ou não autoriza determinada conduta
VI. Princípio da obrigatoriedade da lei
O art. 3o traz o princípio da obrigatoriedade da lei, estabelecendo que ninguém se escusa de cumprir a
lei, alegando que não a conhece. Mas qual é o fundamento?
Existem 3 correntes para esta norma:
TEORIA DA FICÇÃO LEGAL
(prevalece na jurisprudência)
A obrigatoriedade foi instituída para
segurança jurídica. É a corrente adotada
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152
TEORIA DA PRESUNÇÃO ABSOLUTA
Haveria uma presunção iure et iure de que
todos conhecem a lei. Não é acolhida pelo
Direito brasileiro.
#JÁCOBROU, (TJ-PR 2017), considerou
incorreta que seria absoluta a presunção de
que todos conhecessem as leis. Veja, a
presunção é relativa!
TEORIA DA NECESSIDADE SOCIAL
(mais aceita pela doutrina)
Tartuce e MHD se filiam a ela. As normas
devem ser conhecidas para que melhor
sejam observadas. Há uma necessidade
social de que se consideram as normas
conhecidas para que sejam observadas.
Trata-se de aplicação do princípio da
vigência sincrônica das leis
#VAI CAIR #APOSTA
O QUE É ANTINOMIA?
A antinomia é a presença de duas normas conflitantes, válidas e emanadas de autoridade
competente, sem que se possa dizer qual delas merecerá aplicação em determinado caso concreto
(lacunas de colisão). metacritérios clássicos construídos por Norberto Bobbio.
METACRITÉRIOS ENVOLVIDOS PARA SOLUÇÃO DE CONFLITO:
• CRITÉRIO CRONOLÓGICO → Norma posterior prevalece sobre norma anterior (mais fraco)
• CRITÉRIO DA ESPECIALIDADE → Norma especial prevalece sobre norma geral (intermediário)
• *CRITÉRIO HIERÁRQUICO → Norma superior prevalece sobre norma inferior (mais forte tendo em
vista a importância do Texto Constitucional)
METACRITÉRIOS ENVOLVIDOS, CONFORME O GRAU:
• ANTINOMIA DE 1.º GRAU→ Conflito de normas que envolve apenas um dos critérios
anteriormente expostos.
• ANTINOMIA DE 2.º GRAU→ Choque de normas válidas que envolve dois dos critérios analisados.
Havendo a possibilidade ou não de solução, conforme os metacritérios de solução de conflito, é
pertinente a seguinte visualização:
• ANTINOMIA APARENTE→ Situação que pode ser resolvida de acordo com os metacritérios antes
expostos.
• ANTINOMIA REAL→ Situação que não pode ser resolvida de acordo com os metacritérios antes
expostos.
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153
De acordo com essas classificações, devem ser analisados os casos práticos em que estão presentes
os conflitos:
No caso de conflito entre norma posterior e norma anterior, valerá a primeira, pelo CRITÉRIO
CRONOLÓGICO, caso de antinomia de primeiro grau aparente. Norma especial deverá prevalecer
sobre norma geral, emergencial, que é o CRITÉRIO DA ESPECIALIDADE, outra situação de antinomia
de primeiro grau aparente. Havendo conflito entre norma superior e norma inferior, prevalecerá a
primeira, pelo CRITÉRIO HIERÁRQUICO, também situação de antinomia de primeiro grau aparente.
Esses são os casos de antinomia de primeiro grau, todos de antinomia aparente, eis que presente
a solução de acordo com os metacritérios antes analisados.
PASSA-SE ENTÃO AO ESTUDO DAS ANTINOMIAS DE SEGUNDO GRAU:
Em um primeiro caso de antinomia de segundo grau aparente, quando se tem um conflito de uma
norma especial anterior e outra geral posterior, prevalecerá o critério da especialidade, prevalecendo
a primeira norma.
Havendo conflito entre norma superior anterior e outra inferior posterior, prevalece também a
primeira (critério hierárquico), outro caso de antinomia de segundo grau aparente.13
Portanto, no caso de conflito entre norma superior e norma especial, há dois caminhos para solução desse
choque. O primeiro é o legislativo criar uma terceira norma e estabelece qual das duas normas deverá
prevalecer. A maioria dos casos é solucionada pelo Poder Judiciário,o qual deverá analisar o caso concreto
e definir.
O art. 8 do NCPC diz que ao aplicar o ordenamento jurídico, o juiz atenderá aos fins sociais e às exigências
do bem comum, resguardando e promovendo a dignidade da pessoa humana e observando a
proporcionalidade, a razoabilidade, a legalidade, a publicidade e a eficiência. O juiz deverá fazer um juízo
de ponderação para verificar o critério que aplicará naquele caso, observando os critérios acima
mencionados.
VII. Normas de integração da norma
Como se faz integração das normas jurídicas?
Há um dever do aplicador do direito que é o de corrigir as lacunas existentes na lei. Há uma vedação ao
magistrado sobre o não julgamento (vedação ao “non liquet”). Isto é, o magistrado não poderá não julgar
sob alegação de que não há norma. Neste caso, deverá promover uma forma de integração das normas.
13 TARTUCE, Flávio. Manual de Direito Civil. 11ª edição. Editora Método.)
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154
CLASSIFICAÇÃO DAS LACUNAS, criada por Maria Helena Diniz:
• LACUNA NORMATIVA: Ausência total de norma prevista para um determinado caso concreto.
• LACUNA ONTOLÓGICA: Presença de norma para o caso concreto, mas que não tenha eficácia
social.
• LACUNA AXIOLÓGICA: Presença de norma para o caso concreto, mas cuja aplicação seja
insatisfatória ou injusta.
• LACUNA DE CONFLITO OU ANTINOMIA: Choque de duas ou mais normas válidas, pendente de
solução no caso concreto. 14
O ordenamento jurídico é completo, ainda que a norma seja lacunosa.
O art. 140 do CPC/2015 diz que o juiz não se exime de decidir sob a alegação de lacuna. O parágrafo único
ainda diz que o juiz só decidirá por equidade nos casos previstos em lei. Perceba que o juiz somente
julgará com fundamento em equidade quando houver expressa autorização legal.
O juiz sempre deve julgar com equidade, mas por equidade não, pois deverá se ater as normas do
ordenamento jurídico.
O art. 4º diz que quando a lei for omissa, o juiz decidirá o caso de acordo com:
ANALOGIA
COSTUMES
PRINCÍPIOS GERAIS DO DIREITO
#MEMORIZA
ANA CO PRIL
REGRA: Deverá seguir esta ordem.
EXCEÇÃO: Mas o caso concreto pode exigir que a aplicação se dê fora dessa ordem, aplicando-se
primariamente os princípios gerais. Isso porque, por conta da constitucionalização do direito civil, temos
uma maior força normativa dos princípios, atraindo eles para uma aplicação direta.
A) ANALOGIA
Analogia é uma forma de integração, não sendo forma de interpretação.
A analogia é a aplicação de uma norma próxima, ou conjunto de normas próximas, quando não há
uma norma prevista para aquele caso concreto.
Ausente norma para regular o caso, será necessário valer de norma que regula caso semelhante.
14 TARTUCE, Flávio. Manual de Direito Civil. 11ª edição. Editora Método.)
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i. Classificação da analogia
Classifica-se a analogia como:
▪ Analogia legal (legis): é a aplicação de uma norma próxima, mas apenas de uma norma próxima.
▪ Analogia juris: há um conjunto de normas próximas para extrair dali uma norma que irá regular
este caso concreto.
ii. Interpretação extensiva e interpretação analógica que não se confundem com analogia
Não confunda analogia com interpretação extensiva ou com interpretação analógica:
▪ Intepretação extensiva: é método ou modo de interpretar. Há apenas a ampliação do sentido da
norma, havendo uma subsunção. Ou seja, o fato continuará subsumindo àquela norma.
▪ Interpretação analógica: também é forma de intepretação. Aqui, o legislador traz uma série de
menções, fazendo o encerramento genérico, permitindo ao aplicador da norma que se valha dos
exemplos trazidos e pelo encerramento genérico para subsumir a situação ao dispositivo legal.
iii. Normas de exceção e normas excepcionais
Uma regra que é importante é a que trata das normas de exceção e normas excepcionais.
Isso porque normas de exceção e normas excepcionais não admitem analogia ou interpretação
extensiva. Ex.: normas que restringem a autonomia privada não comportam analogia ou interpretação
extensiva. Para um pai vender o imóvel para um filho, é preciso que este pai tenha autorização dos
demais filhos, sob pena de anulabilidade. Aqui há uma restrição da autonomia privada.
Mas pergunta-se: caso o pai queira hipotecar um imóvel em favor de um dos filhos. Neste caso, será
necessária autorização dos demais filhos?
NÃO. Isso porque não é venda, e sim hipoteca. Não se pode fazer uma analogia para abarcar uma
situação que não foi abarcada em norma excepcional (art. 496 do CC).
B) COSTUMES
Costumes são práticas, usos, reiterados que tenham conteúdo lícito (tanto é que ato que fere os bons
costumes é ato ilícito), e que também tenha relevância jurídica (sendo a ideia de obrigatoriedade que
tem na cabeça dos indivíduos).
Os costumes são classificados como:
▪ Costumes secundum legem:
é o costume segundo a lei. Há uma referência expressa da lei sobre os costumes, mandando que se
observem os costumes. Não há uma integração, havendo, em verdade, uma subsunção do fato à norma.
▪ Costumes praeter legem:
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aqui o costume é efetivamente de integração. Pois o costume praeter legem é aplicado quando a lei é
omissa. Ex.: reconhecimento do cheque pré-datado. A jurisprudência entende que existe direito de
indenização a favor daquele que teve contra si depositado um cheque antes do prazo ajustado. É o teor
da Súmula 470 do STJ.
▪ Costumes contra legem:
neste caso, a aplicação do costume contraria o que dispõe a lei, mas isto não se pode admitir, visto que
costume não revoga a lei.
C) PRINCÍPIOS GERAIS DO DIREITO
O que são verdades fundantes?
Professor Miguel Reale conceitua princípios como sendo verdades fundantes. São as verdades que
fundam o sistema, sendo alicerces do sistema. Para Nelson Nery Jr. e Rosa Nery, os princípios gerais de
direito não se encontram positivados no nosso sistema normativo, tendo por função auxiliar o juiz no
preenchimento das lacunas.
No direito romano, os princípios gerais de direito já estavam previstos, tais como:
o Viver honestamente
o Não lesar a ninguém
o Dar a cada um o que é seu
ESTES PRINCÍPIOS SERÃO ULTILIZADOS QUANDO A NORMA FOR OMISSA
O CÓDIGO CIVIL CONSAGRA 3 PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS
• Princípio da eticidade:
Deve haver ética nas relações. Valoriza a boa-fé, na lealdade da conduta entre as partes.
É a boa-fé objetiva, a qual tem função de interpretação dos negócios jurídicos, mas também a função
de controle das condutas humanas, além de possuir a função de integração.
Ex.: se o contrato foi omisso em determinado ponto, e não há norma contratual que regule este ponto,
deverá integrar a lacuna por meio da boa-fé objetiva, por meio do comportamento esperado de alguém
que se encontre naquela situação.
▪ Princípio da socialidade:
A ideia é deixar de ser um código egoísta e passar a ser um código com preocupação da função social.
Todas as categorias civis têm função social, como propriedade, empresa, posse, família, responsabilidade
civil, contratos, etc.
▪ Princípio da operabilidade:
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Tartuce diz que há dois sentidos: simplicidade (permite operá-lo de forma mais fácil) e a efetividade
(permite que seja aplicado facilmente, tornando-o efetivo).
D) EQUIDADE
Em regra, equidade é uma fonte informal do direito, mas caso esteja na lei será formal.
O conceito de equidade passa pelo conceito de bom-senso. É usar um senso de justiça no caso particular.
Trata-se de uma adaptação razoável da lei ao caso concreto. O juiz não é a boca da lei, mas ele faz justiça,
sendo necessário que ele julgue com equidade.
Na concepção aristotélica é definida como a justiça do caso concreto, o julgamento com a convicção do
que é justo.
Na doutrina contemporânea, ensinam Pablo Stolze Gagliano e Rodolfo Pamplona Filho que “O julgamento
por equidade (e não com equidade) é tido, em casos excepcionais, como fonte do direito, quando a
própria lei atribui ao juiz a possibilidade de julgar conforme os seus ditames”
Classifica-se a equidade em:
▪ Equidade legal:
A aplicação da equidade está prevista no próprio texto legal.
Ex.: art. 413 que trata da redução equitativa da multa ou cláusula penal. Neste caso, a penalidade deve
ser reduzida equitativamente pelo juiz se a obrigação principal tiver sido cumprida em parte, ou se o
montante da penalidade for manifestamente excessivo, tendo-se em vista a natureza e a finalidade do
negócio.
▪ Equidade judicial:
Estará presente quando a lei determina que o magistrado deverá decidir por equidade o caso concreto.
O CPC estabelece no art. 140, p.ú., que o juiz só decidirá por equidade nos casos previstos em lei. Se a
lei não autoriza ele a julgar por equidade, não poderá ele julgar dessa forma.
Diferencia-se julgar por equidade de julgar com equidade:
o Julgar por equidade: é desconsiderar a regra legal, julgando pelo bom senso.
o Julgar com equidade: é decidir valendo-se da regra, mas dando a ela interpretação justa para o
caso concreto. Trata-se de um dever perene do magistrado.
VIII. Aplicação da norma jurídica no tempo
O art. 5º, XXXVI, diz que a lei não prejudicará o direito adquirido, o ato jurídico perfeito e a coisa julgada.
O art. 6º da LINDB diz que a Lei em vigor terá efeito imediato e geral, respeitados o ato jurídico perfeito,
o direito adquirido e a coisa julgada.
Este dispositivo conceitua o que é ato jurídico perfeito, o direito adquirido e a coisa julgada:
▪ Direito adquirido
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Direito adquirido é o direito que alguém adquiriu, sendo incorporado ao patrimônio desse alguém.
O §2º do art. 6º diz que se consideram adquiridos assim os direitos que o seu titular possa exercer, e
aqueles cujo começo do exercício tenha termo pré-fixo, ou condição pré-estabelecida inalterável, a
arbítrio de outrem.
O fato de existir um termo, ou seja, “daqui a 20 dias irá se incorporar ao seu patrimônio” já implica direito
adquirido, pois é certo que passará 20 dias, ou seja, já poderá incorporar o respectivo patrimônio.
Ex.: benefício previdenciário que alguém já estava usando não poderá perder, desde que tenha sido
concedido regularmente. No caso da reforma da previdência, só poderá atingir quem não se aposentou.
Mas quem já se aposentou tem o direito adquirido.
▪ Ato jurídico perfeito
É uma manifestação de vontade lícita, emanada por uma pessoa livremente disposta, a qual já se encontra
aperfeiçoada.
O ato jurídico perfeito é aquele que está consumado de acordo com a lei vigente ao tempo em que se
efetuou aquele ato. Ex.: contrato celebrado anteriormente.
▪ Coisa julgada
Coisa julgada é a decisão na qual não cabe mais recurso.
i) Proteção do ato jurídico perfeito, o direito adquirido e a coisa julgada
Tais institutos não são absolutos.
Exemplo disso é a ação de investigação de paternidade julgado improcedente por falta de provas no
momento em que não existia o exame de DNA.
O Enunciado 109 da I Jornada de Direito Civil diz que a restrição da coisa julgada, oriunda de demandas
reputadas improcedente por insuficiente de provas, não deve prevalecer para obstar a busca da
identidade genética pelo investigando.
Ou seja, a coisa julgada não prevalece quando se está a tratar de direito fundamental ao conhecimento
da origem genética. Haverá aqui uma ponderação de valores.
O art. 2.035 do CC diz que nenhuma convenção prevalecerá se contrariar preceitos de ordem pública,
tais como os estabelecidos por este Código para assegurar a função social da propriedade e dos
contratos. Ou seja, o contrato celebrado antes é ato jurídico perfeito. Mas não vai prevalecer se
contrariar norma de ordem pública. Aqui há uma relativização da proteção.
Este dispositivo traz o princípio da retroatividade motivada (ou justificada). Ou seja, as normas de ordem
pública relativas à função social da propriedade e à função social dos contratos podem retroagir.
Ex.: redução equitativa da multa contratual. Foi celebrado um contrato antes do CC/02, o qual previa uma
multa abusiva. Com o novo CC, apesar de ser um ato jurídico perfeito, o juiz poderá promover a redução
equitativa da multa, ainda que o ato tenha sido anterior, pois o contrato deverá observar a função social.
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IX. Aplicação da norma jurídica no espaço
Aqui há uma maior preocupação com a ideia de direito internacional.
O art. 7º consagra a regra lex domicili, ou a regra do domicílio. Ou seja, devem ser aplicadas, no que
concerne ao começo e fim da personalidade, as normas do país em que domiciliada a pessoa.
OU SEJA A LEI DO PAÍS EM QUE DOMICILIADA A PESSOA DETERMINA AS REGRAS SOBRE:
COMEÇO E FIM DA PERSONALIDADE
NOME
CAPACIDADE
DIREITOS DA FAMÍLIA
a) Casamento
Com relação ao casamento, se for celebrado no Brasil, deverão aplicadas as regras dos impedimentos
dirimentes e às formalidades da celebração do ordenamento jurídico brasileiro.
O casamento entre estrangeiros poderá ser celebrado no Brasil perante autoridades diplomáticas ou
consulares do país de ambos os nubentes.
E se os nubentes tiverem domicílios diversos?
Neste caso, tendo domicílio diverso, deverão ser aplicadas as regras de invalidade do casamento do
primeiro domicílio conjugal.
Ex.: João e Maria são brasileiros, os quais vão se casar, devendo ser observadas as regras de impedimento
do CC. Johny e Jenifer são americanos e irão se casar perante a autoridade diplomática, devendo observar
as normas de impedimento dos EUA, pois é o país de domicílio de ambos os nubentes.
Mas e se os nubentes tiverem domicílio diversos, ou seja, se Jenifer está se casando com Juan, que é
colombiano? Como dito, caso tenham os nubentes domicílios diversos, deverão ser aplicadas as regras
quanto à invalidade do casamento, as regras do primeiro domicílio conjugal, ou seja, onde Juan e Jenifer
irão morar?
Em relação ao regime de bens, a LINDB diz que deve ser aplicada a lei do local em que os cônjuges tenham
domicílio. A regra é o regime de comunhão parcial.
Havendo divergência quanto aos domicílios, ou seja, se tiverem dois ou três domicílios, prevalecerá as
regras do primeiro domicílio conjugal.
O §7o do art. 7º diz que salvo o caso de abandono, o domicílio do chefe da família estende-se ao outro
cônjuge e aos filhos não emancipados, e o domicílio do tutor ou curador se estenderá aos incapazes sob
sua guarda.
Constitucionalmente falando, o chefe da sociedade conjugal são o marido e a mulher. A direção da
sociedade conjugalé exercida pelo marido e pela mulher.
O §8o diz que o domicílio da pessoa que não tiver residência fixa (domicílio) é o local que a mesma for
encontrada, onde tiver sua moradia habitual.
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b) Bens
No que se refere aos bens, deve ser aplicada a norma do local em que estes bens se situam.
Caso os bens sejam móveis, aplica-se a lei do domicílio do seu proprietário. O penhor regula-se pela lei
do domicílio que tiver a pessoa, em cuja posse se encontre a coisa apenhada.
c) Obrigações
Ao tratar das obrigações, na LINDB, há consagração da regra locus regit actum. Isso significa que a regra
do local em que foram constituídas as obrigações será a lei que regerá o contrato.
Para aplicar a lei brasileira a um determinado negócio, precisa que este negócio tenha sido celebrado no
território nacional.
Sendo celebrado no exterior, mas tendo que produzir efeitos no Brasil, poderá produzir. No entanto, se a
lei brasileira exigir uma forma específica (ex.: escritura pública), esta norma deverá observar esta regra
para produzir efeitos no Brasil.
Portanto, celebrado no Brasil, serão observadas as regras brasileiras do negócio. Sendo celebrado no
estrangeiro, serão as regras do lugar em que foi celebrado o negócio.
d) Sucessão por morte ou por ausência
O art. 10 da LINDB regula a sucessão por morte ou por ausência.
A sucessão por morte ou por ausência obedece à norma do país do último domicílio do de cujus ou o
desaparecido, qualquer que seja a natureza e a situação dos bens.
Com relação às normas quanto à vocação hereditária para suceder bens de estrangeiro situado no Brasil,
vão ser as leis nacionais em benefício do cônjuge ou dos filhos brasileiros, ou de quem os represente.
#URGENTE
Mas há uma exceção: sendo mais favoráveis ao cônjuge ou aos filhos do casal, serão aplicadas a lei
pessoal do último domicílio. No entanto, se a lei do último domicílio do de cujus se mostrar mais favorável
ao filho do casal ou a sua viúva ou viúvo.
e) Sociedades e fundações estrangeiras
Com relação às sociedades e fundações estrangeiras, devem ser obedecidas as leis do lugar da sua
constituição.
EXISTEM 03 REGRAS ESPECÍFICAS:
Para atuar no Brasil, sociedades e fundações estrangeiras precisam de autorização do governo
federal. Nesse caso, ficam sujeitas às leis brasileiras
Governo estrangeiro ou entidade constituída para atender governo estrangeiro não pode adquirir
no Brasil bens imóveis ou suscetíveis à desapropriação.
Governo estrangeiro pode adquirir propriedade de prédio necessários à sede dos representantes
diplomáticos ou dos agentes consulares
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f) Competência do juiz brasileiro
Em relação à competência do juiz brasileiro, há necessidade de atuação quando o réu for domiciliado no
Brasil, ou quando aqui tiver de ser cumprida a obrigação, situação na qual deverá ser observada a
competência da autoridade judicial brasileira.
Quanto aos imóveis situados no Brasil, a competência da autoridade judiciária brasileira é exclusiva.
g) Execução da sentença estrangeira
O art. 15 da LINDB estabelece que será executada no Brasil a sentença proferida no estrangeiro, desde
que reúna os seguintes requisitos:
▪ Proferida por juiz competente
▪ Partes foram citadas, observada a ampla defesa e contraditório
▪ Sentença transitada em julgado
▪ Revestida das formalidades necessárias para execução no país de origem
▪ Estar traduzida por intérprete autorizado
▪ Ter sido homologada pelo STJ
Observados os requisitos, poderá EXECUTAR a lei estrangeira.
O art. 17 estabelece que as leis, atos e sentenças de outro país, bem como quaisquer declarações de
vontade, não terão eficácia no Brasil, quando:
▪ Ofenderem a soberania nacional
▪ Ofenderem a ordem pública
▪ Ofenderem os bons costumes
Ex.: o STJ já se manifestou sobre a Convenção de Montreal, a qual estabelece limitações de indenização
em casos de atrasos de voos, perda, extravios de bagagem, etc. No entanto, o CDC vai consagrar o
princípio da reparação integral dos danos.
#JURISP #STJ
O STJ entende que este tratado não prevalece em detrimento do CDC, pois ofenderia a ordem pública.
No entanto, no que se refere aos contratos empresariais, a I Jornada de Direito Comercial fixou o
entendimento de que aos contratos de transporte aéreo internacional celebrados por empresários
aplicam-se as disposições da Convenção de Montreal e a regra da indenização tarifada nela prevista.
h) Celebração de atos por autoridades consulares brasileiras
O art. 18 estabelece que, em se tratando de brasileiros, são competentes as autoridades consulares
brasileiras para lhes celebrar o casamento e os mais atos de Registro Civil e de tabelionato, inclusive o
registro de nascimento e de óbito dos filhos de brasileiros ou brasileira nascido no país da sede do
Consulado.
As autoridades consulares brasileiras também poderão celebrar separação consensual e o divórcio
consensual de brasileiros, se não houver filhos menores ou incapazes do casal e observados os requisitos
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legais quanto aos prazos, devendo constar da respectiva escritura pública as disposições relativas à
descrição e à partilha dos bens comuns e à pensão alimentícia e, ainda, ao acordo quanto à retomada
pelo cônjuge de seu nome de solteiro ou à manutenção do nome adotado quando se deu o casamento.
É indispensável a assistência de advogado, devidamente constituído, que se dará mediante a subscrição
de petição, juntamente com ambas as partes, ou com apenas uma delas, caso a outra constitua advogado
próprio, não se fazendo necessário que a assinatura do advogado conste da escritura pública.
i) Regra de Transição:
O artigo 19 da LINDB é uma regra de transição, aplicada entre os anos de 1942 e 1957.
“Art. 19. Reputam-se válidos todos os atos indicados no artigo anterior e celebrados pelos cônsules
brasileiros na vigência do Decreto-lei n. 4.657, de 4 de setembro de 1942, desde que satisfaçam todos os
requisitos legais. (Incluído pela Lei n. 3.238, de 1º.8.1957).
Parágrafo único. No caso em que a celebração desses atos tiver sido recusada pelas autoridades
consulares, com fundamento no artigo 18 do mesmo Decreto-lei, ao interessado é facultado renovar o
pedido dentro em 90 (noventa) dias contados da data da publicação desta lei. (Incluído pela Lei nº 3.238,
de 1º.8.1957).
NOVIDADES DA LINDB (Lei 13.655/18)
Com a lei 13.655/18, a LINDB passa a disciplinar regras de segurança jurídica e eficiência na criação e
aplicação de regras de Direito Público.
O objetivo é disciplinar a segurança jurídica no Direito Administrativo, Direito Financeiro, Direito
Orçamentário e Direito Tributário. Tais regras não se aplicam ao direito privado. Vejamos:
ART. 20 – DECISÃO COM BASE EM VALORES JURÍDICOS ABSTRATOS:
“Art. 20 da LINDB: Nas esferas administrativa, controladora e judicial, não se decidirá com base
em valores jurídicos abstratos sem que sejam consideradas as consequências práticas da decisão.
Parágrafo único. A motivação demonstrará a necessidade e a adequação da medida imposta ou da
invalidação de ato, contrato, ajuste, processo ou norma administrativa, inclusive em face das possíveis
alternativas.”
O objetivo deste dispositivo é impor a aplicação da análise econômica do Direito. Isso porque é necessária
a responsabilidadedecisória do Estado.
Esfera administrativa: Consiste na instância que se passa dentro da própria Administração Pública,
normalmente em um processo administrativo.
Esfera controladora: Aqui a Lei está se referindo precipuamente aos Tribunais de Contas, que são órgãos
de controle externo.
Esfera judicial: São os processos que tramitam no Poder Judiciário.
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163
▪ E o que são valores jurídicos abstratos?
O Decreto nº 9.830/2019 fornece a seguinte definição: Art. 3º (...) § 1º Para fins do disposto neste Decreto,
consideram-se valores jurídicos abstratos aqueles previstos em normas jurídicas com alto grau de
indeterminação e abstração.
Logo, a decisão, com base e valores jurídicos abstratos, deverá considerar as consequências. Isso vale no
âmbito administrativo, controladoria e no âmbito judicial.
▪ Motivação - descrita no parágrafo único:
Todas as decisões, sejam elas proferidas pelos órgãos administrativos, controladores ou judiciais, devem
ser motivadas. Isso significa que o administrador, conselheiro ou magistrado, ao tomar uma decisão,
deverá indicar os motivos de fato e de direito que o levaram a agir daquela maneira.
▪ É possível a utilização da técnica de motivação per relationem nas decisões tratadas pelos arts.
20 a 30 da LINDB?
SIM. Veja o que previu o § 3º do art. 2º do Decreto nº 9.830/2019: Art. 2º (...) § 3º A motivação poderá
ser constituída por declaração de concordância com o conteúdo de notas técnicas, pareceres,
informações, decisões ou propostas que precederam a decisão.
Vale ressaltar que essa previsão somente pode ser considerada válida porque não inova no ordenamento
jurídico, mas somente espelha aquilo que a jurisprudência há muito tempo já entendia sobre o tema:
#JURISP #STF
É pacífica a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal quanto à possibilidade da motivação per
relationem. STF. 1ª Turma. RHC 145207 ED, Rel. Min. Roberto Barroso, julgado em 22/10/2018.
#JURISP #STF
A jurisprudência do Supremo Tribunal Federal admite a chamada motivação per relationem como técnica
de fundamentação das decisões judiciais, não configurando ofensa ao disposto no art. 93, IX, da
Constituição Federal a decisão que, ao deferir busca e apreensão, de forma expressa, se reporta à
minuciosa representação da autoridade policial, lastrada em substanciosos relatórios de análise de
objetos apreendidos em idêntica medida anterior. STF. 2ª Turma. Inq 4633, Rel. Min. Edson Fachin,
julgado em 08/05/2018.
#JURISP #STF
jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, bem assim a do Supremo Tribunal Federal, admitem a
motivação per relationem, pela qual se utiliza a transcrição de trechos dos fundamentos já utilizados no
âmbito do processo. Assim, descaracterizada a alegada omissão e/ou ausência de fundamentação, tem-
se de rigor o afastamento da suposta violação do art. 489 do CPC/2015, conforme pacífica jurisprudência
do Superior Tribunal de Justiça (...) STJ. 2ª Turma. AgInt no AREsp 1440047/SP, Rel. Min. Francisco Falcão,
julgado em 11/06/2019.
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164
ART. 21 - DECISÃO QUE ACARRETE INVALIDAÇÃO DE ATO, CONTRATO, AJUSTE, PROCESSO OU NORMA
ADMINISTRATIVA:
Além disso, caso decrete a invalidação de ato, contrato, ajuste, processo ou norma administrativa, deve
indicar, de modo expresso, as consequências jurídicas e administrativas (art. 21 da LINDB).
Mais do que isso. Quando for o caso, a decisão deve “indicar as condições para que a regularização ocorra
de modo proporcional e equânime e sem prejuízo aos interesses gerais, não se podendo impor aos
sujeitos atingidos ônus ou perdas que, em função das peculiaridades do caso, sejam anormais ou
excessivos” (art. 21, parágrafo único, LINDB).
Na interpretação de norma sobre gestão pública, deve considerar os obstáculos e as dificuldades reais do
gestor, bem como as exigências de políticas públicas de seus cargos (art. 21 da LINDB).
ART. 22 - INTERPRETAÇÃO DAS NORMAS SOBRE GESTÃO PÚBLICA:
Dispõe o Art. 22 da LINDB: “ Na interpretação de normas sobre gestão pública, serão considerados
os obstáculos e as dificuldades reais do gestor e as exigências das políticas públicas a seu cargo, sem
prejuízo dos direitos dos administrados.
§ 1º Em decisão sobre regularidade de conduta ou validade de ato, contrato, ajuste, processo ou norma
administrativa, serão consideradas as circunstâncias práticas que houverem imposto, limitado ou
condicionado a ação do agente.
§ 2º Na aplicação de sanções, serão consideradas a natureza e a gravidade da infração cometida, os danos
que dela provierem para a administração pública, as circunstâncias agravantes ou atenuantes e os
antecedentes do agente.
§ 3º As sanções aplicadas ao agente serão levadas em conta na dosimetria das demais sanções de mesma
natureza e relativas ao mesmo fato.”
A interpretação ou orientação nova deve ser acompanhada de regime de transição quando indispensável
para o novo dever ou condicionamento do dever.
ART. 23 - MUDANÇA DE INTERPRETAÇÃO OU ORIENTAÇÃO E MODULAÇÃO DOS EFEITOS DA DECISÃO:
“Art. 23 da LINDB: A decisão administrativa, controladora ou judicial que estabelecer interpretação ou
orientação nova sobre norma de conteúdo indeterminado, impondo novo dever ou novo
condicionamento de direito, deverá prever regime de transição quando indispensável para que o novo
dever ou condicionamento de direito seja cumprido de modo proporcional, equânime e eficiente e sem
prejuízo aos interesses gerais.”
CRITÉRIOS A SEREM CONSIDERADOS NA APLICAÇÃO DAS SANÇÕES:
a) Natureza e gravidade da infração cometida;
b) Danos causados à Administração Pública;
c) Agravantes;
d) Atenuantes;
e) Antecedentes.
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A revisão de ato, contrato, ajuste, processo ou norma administrativa, cuja produção já se houver
completado levará em conta as orientações gerais da época. É vedada a invalidação, neste caso, com base
em mudança posterior de orientação geral.
A LINDB esclarece que orientação geral são as interpretações específicas contidas em:
- Atos públicos em caráter geral;
- jurisprudência judicial majoritária;
- jurisprudência administrativa majoritária;
- Orientações adotadas por pratica administrativa reiterada.
Em suma, se houver uma mudança na forma como tradicionalmente a Administração Pública, os Tribunais
de Contas ou o Poder Judiciário interpretavam determinada norma, deverá ser previsto um regime de
transição. Este regime de transição representa a concessão de um prazo para que os administradores
públicos e demais pessoas afetadas pela nova orientação possam se adaptar à nova interpretação. É como
se fosse uma modulação dos efeitos.
ART. 24 - REVISÃO DEVERÁ LEVAR EM CONTA A ORIENTAÇÃO VIGENTE NA ÉPOCA DA PRÁTICA DO ATO:
“Art. 24 da LINDB: A revisão, nas esferas administrativa, controladora ou judicial, quanto à validade de
ato, contrato, ajuste, processo ou norma administrativa cuja produção já se houver completado levará
em conta as orientações gerais da época, sendo vedado que, com base em mudança posterior
de orientação geral, se declarem inválidas situações plenamente constituídas.
Parágrafo único. Consideram-se orientações gerais as interpretações e especificações contidas em atos
públicos de caráter geral ou em jurisprudência judicial ou administrativamajoritária, e ainda as adotadas
por prática administrativa reiterada e de amplo conhecimento público.”
Algumas vezes demoram anos para que a Administração Pública (controle interno), o Tribunal de Contas
ou o Poder Judiciário examine a validade de um ato ou contrato administrativo (em sentido amplo) que
já tenha se completado. Nesse período, pode acontecer de o entendimento vigente ter se alterado. Caso
isso aconteça, o ato deverá ser analisado conforme as orientações gerais da época e as situações por elas
regidas deverão ser declaradas válidas, mesmo que apresentem vícios.
ART. 25 – VETADO.
ART. 26 - COMPROMISSO PARA ELIMINAR IRREGULARIDADE, INCERTEZA JURÍDICA OU SITUAÇÃO
CONTENCIOSA NA APLICAÇÃO DO DIREITO PÚBLICO:
O art. 26, por sua vez, disciplina método para eliminação de incerteza jurídica, cumpre citar:
“ Art. 26 da LINDB: Para eliminar irregularidade, incerteza jurídica ou situação contenciosa na aplicação
do direito público, inclusive no caso de expedição de licença, a autoridade administrativa poderá, após
oitiva do órgão jurídico e, quando for o caso, após realização de consulta pública, e presentes razões de
relevante interesse geral, celebrar compromisso com os interessados, observada a legislação aplicável, o
qual só produzirá efeitos a partir de sua publicação oficial.
§ 1º O compromisso referido no caput deste artigo:
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I – Buscará solução jurídica proporcional, equânime, eficiente e compatível com os interesses gerais;
III – Não poderá conferir desoneração permanente de dever ou condicionamento de direito reconhecidos
por orientação geral;
IV – Deverá prever com clareza as obrigações das partes, o prazo para seu cumprimento e as sanções
aplicáveis em caso de descumprimento.”
Assim, na hipótese de a autoridade entender conveniente para eliminar irregularidade, incerteza jurídica
ou situações contenciosas na aplicação do direito público, poderá celebrar compromisso com os
interessados, observada a legislação aplicável e as seguintes condições:
I - Após oitiva do órgão jurídico;
II - Após realização de consulta pública, caso seja cabível; e
III - Presença de razões de relevante interesse geral.
O compromisso firmado somente produzirá efeitos a partir de sua publicação.
Como vimos, o art. 26 da LINDB prevê a possibilidade de a autoridade administrativa celebrar um termo
de compromisso com os particulares com o objetivo de eliminar eventual irregularidade, incerteza jurídica
ou um litígio (situação contenciosa).
O Decreto nº 9.830/2019, por sua vez, prevê um novo instrumento, qual seja, um termo de
ajustamento que pode ser celebrado entre o agente público e o órgão de controle interno da
administração pública.
Assim, se o órgão de controle interno detectar que algum procedimento não está sendo feito de forma
adequada, o Decreto prevê a possibilidade de ser celebrado um termo de ajustamento de gestão para
corrigir a falha ou aprimorar o procedimento.
Vale ressaltar que esse termo de ajustamento não pode ser celebrado se o agente público houver agido
com dolo ou erro grosseiro e isso tiver causado prejuízo ao erário.
ART. 27 – IMPOSIÇÃO DE COMPENSAÇÃO:
O recebimento de benefícios indevidos e prejuízos anormais/ injusto autorizam a imposição de
compensação, conforme disciplina o art. 27 da LINDB.
“Art. 27 da LINDB A decisão do processo, nas esferas administrativa, controladora ou judicial, poderá
impor compensação por benefícios indevidos ou prejuízos anormais ou injustos resultantes do processo
ou da conduta dos envolvidos.
§ 1º A decisão sobre a compensação será motivada, ouvidas previamente as partes sobre seu cabimento,
sua forma e, se for o caso, seu valor.
§ 2º Para prevenir ou regular a compensação, poderá ser celebrado compromisso processual entre os
envolvidos.”
ART. 28 – RESPONSABILIDADE DO AGENTE PÚBLICO:
O art. 28 da LINDB precisa ser observado a luz da Constituição Federal. Observe o que disciplina a lei:
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“Art. 28 da LINDB O agente público responderá pessoalmente por suas decisões ou opiniões técnicas em
caso de dolo ou erro grosseiro.”
É preciso ter cautela, pois a responsabilidade do agente público é regressiva e subjetiva, ou seja, depende
da comprovação de culpa.
Aqui, é preciso lembrar que, ao Direito Administrativo, aplica-se a denominada teoria da imputação.
Segundo esta teoria, órgão público é um conjunto de competências sem personalidade
própria, titularizado pelo agente e suas ações são juridicamente atribuídas (imputadas) ao Estado.
Observe que o agente, sob a ótica desta teoria, não é o órgão e não representa o órgão, mas apenas
titulariza as competências do órgão.
Por esse motivo, segundo o Supremo Tribunal Federal, não pode o autor de Ação de Reparação de Danos
ajuizá-la diretamente contra o agente público.
ERRO GROSSEIRO = CULPA GRAVE.
Considera-se erro grosseiro aquele manifesto, evidente e inescusável praticado com culpa grave,
caracterizado por ação ou omissão com elevado grau de negligência, imprudência ou imperícia
(art. 12, § 1º do Decreto 9.830/2019). Assim, para o Decreto, erro grosseiro é aquele no qual o
agente atuou com culpa grave. Isso significa que, se o agente teve culpa leve ou levíssima, ele não
poderá ser responsabilizado.
ART. 29 – CONSULTA PÚBLICA:
O art. 29, ao prever a consulta pública procura trazer transparência e previsibilidade à atividade normativa
do Executivo.
“ Art. 29 da LINDB: Em qualquer órgão ou Poder, a edição de atos normativos por autoridade
administrativa, salvo os de mera organização interna, poderá ser precedida de consulta pública para
manifestação de interessados, preferencialmente por meio eletrônico, a qual será considerada na
decisão.
§ 1º A convocação conterá a minuta do ato normativo e fixará o prazo e demais condições da consulta
pública, observadas as normas legais e regulamentares específicas, se houver.”
ART. 30 – INSTRUMENTO PARA AUMENTAR SEGURANÇA JURÍDICA:
“ Art. 30 da LINDB As autoridades públicas na aplicação das normas, inclusive por meio de regulamentos,
súmulas administrativas e respostas a consultas.
Parágrafo único. Os instrumentos previstos no caput deste artigo terão caráter vinculante em relação ao
órgão ou entidade a que se destinam, até ulterior revisão.”
2. VISÃO FILOSÓFICA DO CÓDIGO CIVIL 2002
I. Introdução
O CC foi instituído pela Lei 10.406, sendo de 10/01/2002, a qual teve a previsão de vigência pelo prazo de
1 ano. Então, 1 ano da publicação, começando a vigorar no dia subsequente, começando no dia
11/01/2003.
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Miguel Reale apontava os regramentos básicos do atual Código Civil:
▪ Eticidade
▪ Socialidade
▪ Operabilidade
a) Princípio da eticidade
Será observado em vários dispositivos do CC/02, havendo exemplificativamente as seguintes funções da
boa-fé objetiva:
▪ Função interpretativa: sendo exemplo o art. 113, o qual estabelece que os negócios jurídicos
devem ser interpretados conforme a boa-fé e os usos do lugar de sua celebração. Há aqui o princípio da
boa-fé objetiva como forma de interpretação.
▪ Função limitadora: o art. 187 traz uma sanção para aquele que contraria a boa-fé no exercício de
um direito. E portanto o exercício irregular de um direito é abuso de direito, sendo ato ilícito. Há um
controlefeito pela boa-fé objetiva, a qual limita a atuação do sujeito. O direito termina quando inicia o
direito do outro.
▪ Função de integração: o art. 422 do CC/02 consagra a boa-fé como forma de integração do
contrato, a qual deverá ser observada na conclusão ou na execução do contrato. Ex.: o contrato foi omisso,
mas qual seria o comportamento esperado?
b) Princípio da socialidade
O princípio da socialidade visa modificar o caráter individualista que vigorava na codificação anterior.
É a observância da função social.
O art. 421 do CC estabelece que a liberdade de contratar será exercida em razão e nos limites da função
social do contrato. O contrato tem uma função social que deverá ser observada.
Exemplo disso é a usucapião, em que se o indivíduo trabalhar e morar na terra, o prazo será por metade,
ou ainda menor.
Conferiu-se a função social uma enorme relevância.
c) Princípio da operabilidade
O princípio da operabilidade tem dois significados:
▪ Simplicidade: o instituto deverá ser aplicado facilmente.
▪ Efetividade: o código deve ser efetivo.
Percebe-se a aplicação do operabilidade por meio das cláusulas gerais.
Mas o que são cláusulas gerais?
Segundo Judith Martins Costa, na atual codificação material, é possível que se perceba um sistema aberto,
ou um sistema de janelas abertas, que permitem uma constante incorporação e solução para novos
problemas.
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Como as cláusulas são gerais, é possível manter o ordenamento a despeito da transformação das
realidades sociais, pois as normas conseguem se adaptar às novas modificações. Tratam-se, portanto,
de janelas abertas deixadas pelo legislador para serem preenchidas pelo aplicador do direito caso a
caso.Exemplo é a função social da propriedade, boa-fé, bons costumes, atividade de risco, etc.
As cláusulas gerais têm um sentido dinâmico, diferenciando-se dos conceitos legais indeterminados:
▪ Conceito legal indeterminado:
É estático. Consta da lei, mas não há definição. Quando o aplicador do direito dele se utiliza, e passa a
dar sentido ao conceito legal indeterminado, passará a ser uma cláusula geral, pois somente então terá
uma função dinâmica. Antes não era regulado.
▪ Cláusulas gerais:
Miguel Reale criou uma particular teoria do conhecimento, baseando-se em duas subteorias: culturalismo
jurídico e a teoria tridimensional do direito. A diferença entre um e outro é do ponto de vista.
a) Culturalismo jurídico:
é do ponto de vista subjetivo, pois o enfoque jurídico está no aspecto do sujeito. Orientarão a aplicação
e as decisões que serão tomadas as seguintes expressões: cultura, experiência e a história. A partir da
análise da cultura local, da experiência local e da história local é possível extrair uma norma, estando os
olhos voltados para o sujeito.
b) Teoria tridimensional:
aqui, vamos para o plano objetivo. Isso porque o Direito é fato, valor e norma. Ou seja, se há um fato, há
uma repercussão valorada na sociedade e a partir dessa valoração, cria-se uma norma.
O adultério era crime, mas com o tempo, houve uma valoração do fato pela sociedade, deixando de ser
crime. Ou seja, mudou-se a norma.
Na relação entre culturalismo jurídico e a teoria tridimensional do direito, fica fácil, visto que cultura é o
valor que se dá aquela situação. Experiência é a norma. Enquanto a história é o fato.
O magistrado e jurista devem fazer um mergulho no fato e, então de acordo com seus valores e
experiências, aplica a norma, de acordo com os limites, os quais devem ser observados.
II. DIREITO CIVIL CONSTITUCIONAL
Trata-se de uma leitura do direito civil a partir da Constituição. Seria a constitucionalização da
interpretação que é feita do direito civil.
O Direito Civil Constitucional está baseado numa teoria unitária do ordenamento jurídico.
Isso quer dizer que o ordenamento é um só, devendo interpretá-lo da forma que lhe dê maior coerência.
O CC/02 deve ser compatível com o anseio constitucional.
Portanto, o Direito Civil Constitucional nada mais é do que um novo caminho metodológico em que se
busca analisar os institutos privados a partir da Constituição, sem prejuízo da aplicação da teoria do
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diálogo das fontes.
SÃO 03 OS PRINCÍPIOS BÁSICOS DO DIREITO CIVL CONSTITUCIONAL:
▪ Princípios da dignidade da pessoa humana:
justifica a chamada personalização do direito civil. O direito civil, após o CC/02, sofre uma personalização,
ou seja, preocupação maior com o indivíduo e menor com o patrimônio.
▪ Princípios da solidariedade social:
também está previsto na CF. A solidariedade busca superar uma visão individualista do código civil.
▪ Princípios da igualdade (isonomia):
é a isonomia formal e material. Todos são iguais perante a lei, diz a CF. É impossível falar de igualdade
sem lembrar de Aristóteles, o qual ensinou que a igualdade está em tratar igualmente e os desiguais
desigualmente, na medida de sua desigualdade. É a isso que se dá o nome de igualdade substancial.
III. ÉFICÁCIA HORIZONTAL DOS DIREITOS FUNDAMENTAIS
O que é eficácia horizontal dos direitos fundamentais?
A ideia é de que é preciso conferir força normativa da Constituição e daí a importância. É preciso perceber
que os direitos fundamentais não podem regular apenas aquilo que está previsto na CF, na relação entre
o indivíduo e o Estado. É preciso regular as relações entre os particulares. A eficácia horizontal dos
direitos fundamentais é um mecanismo que torna possível o direito civil constitucional, já que se
confere força normativa aos direitos fundamentais consagrados na CF, passando a reger as relações entre
pares, e não apenas verticalmente.
Há ainda a teoria da eficácia diagonal dos direitos fundamentais, em que existiria a eficácia dos direitos
fundamentais na relação entre empregados e empregadores, quando substancial o poder de uma das
partes. O reconhecimento da existência e a aplicação dos direitos que protegem a pessoa na relação entre
particulares é a própria eficácia dos direitos fundamentais.
O art. 5º, §1º, é o que fundamenta a teoria da eficácia horizontal dos direitos fundamentais, visto que diz
que as normas definidoras dos direitos e garantias fundamentais têm aplicação imediata. Isso significa
que já estão valendo, não demandando atuação do legislador. E isso justifica a aplicação desde já na
relação entre particulares. O que há na teoria da eficácia horizontal dos direitos fundamentais é um meio
de irradiação dos direitos fundamentais para relações privadas. E um dos meio de se irradiar é se valendo
do instrumento denominado cláusulas abertas (gerais), visto que elas servirão como porta de entrada
dos direitos fundamentais no âmbito do direito privado.
Para tanto, é necessário trazer conceitos da Constituição, direitos fundamentais consagrados na
Constituição para reger relações entre os particulares. E portanto as cláusulas gerais presentes no Código
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Civil passam a ser um instrumento que viabiliza a aplicação do direito fundamental como um meio.
Há uma aplicação da teoria dos direitos fundamentais de forma mediata, eis que há um mediador entre
o direito fundamental e o caso concreto, sendo este mediador a cláusula geral. Ressalta-se que é
plenamente possível que o direito fundamental seja aplicado diretamente