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Recuperação de Empresa e Falência Você entenderá a importância das diferentes formas de recuperação de empresas e falência para o direito empresarial. Prof. Alexandre Ferreira de Assumpção Alves 1. Itens iniciais Propósito Conhecer os institutos de recuperação de empresa (judicial e extrajudicial) e de falência, a sua dinâmica, o sujeito passivo e os pressupostos e dominar o desenvolvimento do processo falimentar com os efeitos da sentença de falência sobre o falido e os credores é essencial para a adequada atuação profissional. Preparação Antes de iniciar seus estudos, tenha em mãos o Código Civil e a lei de falências e recuperação de empresas (Lei nº 11.101/2005), a principal fonte legislativa para a compreensão deste conteúdo. Objetivos Reconhecer os objetivos da recuperação da empresa, as suas modalidades (judicial e extrajudicial) e os seus requisitos. Identificar o conceito de falência, bem como seus princípios, pressupostos, sujeito passivo da falência e órgãos responsáveis por sua administração. Introdução Neste conteúdo, você vai compreender os objetivos e as modalidades de recuperação empresarial a partir do conhecimento de requisitos subjetivos e objetivos para o pedido, o papel dos credores na aprovação do plano de recuperação e as peculiaridades do plano especial para micro e pequenas empresas. A recuperação é reservada a empresários registrados, permitindo a renegociação de dívidas para evitar a falência. Existem dois tipos dela: a judicial, em que o devedor apresenta um plano aos credores, e a extrajudicial, em que não há processo judicial. Abordaremos os conceitos de falência, sujeitos envolvidos, administração, classificação de créditos e procedimento falimentar. É importante saber que a Lei nº 11.101/2005 proíbe o falido de retomar suas atividades durante o processo, priorizando a venda dos bens para pagar aos credores. Apesar de o legislador visar à manutenção da empresa na recuperação, a decisão final caberá aos credores e ao juiz. • • Empresária analisando documentação e fazendo cálculos 1. A recuperação de empresas e as suas modalidades Objetivos e requisitos para o pedido de recuperação judicial Dos objetivos Toda recuperação tem como principal objetivo evitar a decretação da falência, que pode ser iminente, devido à grave situação financeira pela qual o devedor passa no momento do pedido. Historicamente, desde o Código Comercial, de 1850, até o Decreto-lei nº 7.661/1945 (isto é, a lei de falências anterior à Lei nº 11.101/2005), o comerciante podia propor a seus credores um prazo maior para pagar suas dívidas com ou sem abatimento e sem apresentar um plano de recuperação. Tratava-se de uma simples moratória ou concordata, que, além de ter um limite máximo para o pagamento (três ou dois anos), só atingia os credores quirografários, ou seja, aqueles sem preferência ou privilégio no recebimento do crédito. Atualmente, a Lei nº 11.101/2005 disciplina tanto o instituto da falência como a recuperação de empresas, e seu artigo 47 dispõe: A recuperação judicial tem por objetivo viabilizar a superação da situação de crise econômico- financeira do devedor, a fim de permitir a manutenção da fonte produtora, do emprego dos trabalhadores e dos interesses dos credores, promovendo, assim, a preservação da empresa, sua função social e o estímulo à atividade econômica. O artigo traz cinco princípios a serem observados na condução de todo o processo de recuperação judicial, de forma que os órgãos da recuperação e os credores possam dar apoio à empresa com reais chances de recuperação, harmonizando e tutelando os interesses da coletividade, sem perder de vista os princípios fundamentais. Acompanhe cada um deles a seguir. Superação da crise econômico-financeira O primeiro princípio revela que a medida para a reorganização do empresário é importante. Veremos a necessidade de comprovar na petição de recuperação a deterioração da situação patrimonial do devedor em curto ou médio prazo, por meio de documentos contábeis. Embora o artigo 47 não mencione o termo falência, deduzimos que a situação de crise do devedor pode levá-lo a isso, pois, se o plano for rejeitado pelos credores, o administrador judicial submeterá, no ato, à votação da assembleia-geral de credores a concessão de prazo de 30 dias para que o plano de recuperação judicial seja apresentado pelos credores (§4º do art. 56 da Lei nº 11.101/2005). Manutenção da fonte produtora O segundo princípio diz respeito à manutenção da fonte produtora, que é a empresa em si. Também há uma relação indireta com a falência, pois, nesse instituto, o estabelecimento é lacrado e a empresa sofre liquidação do seu patrimônio. Com a recuperação, evita-se a liquidação, e a empresa mantém sua atividade regular. Emprego dos trabalhadores Empresário conversando com funcionários em depósito Funcionários de empresa automotiva O terceiro princípio implica o seguinte: se a empresa é a organização dos fatores de produção pelo empresário (e, entre eles, estão compreendidos o capital e a mão de obra), é natural que a continuidade da companhia também mantenha os empregos, porém, sem nenhuma garantia ou punição para o empresário que demitir. A ressalva de que o empresário não terá nenhuma garantia ou punição é extremamente importante, porque a leitura do artigo 47 pode dar a impressão de que a recuperação asseguraria a estabilidade no emprego, quando não, pois os empregados podem ser atingidos com a medida, tanto com redução de salário como com demissão. Interesse dos credores Os dois últimos princípios completam o cenário vislumbrado pelo legislador. O interesse dos credores está expresso no poder que eles têm de aprovar ou não o plano ou propor modificações. Embora a recuperação seja concedida pelo juiz, ela sempre depende da manifestação favorável dos credores ao plano, seja tácita ou expressa. Entretanto, em caso de negativa, a falência será decretada, como também se houver deliberação dos credores nesse sentido e durante o período de supervisão judicial (confira o artigo 61, da Lei nº 11.101/2005). Preservação da empresa O último princípio se relaciona com a manutenção da fonte produtora e de seus efeitos positivos e imediatos na promoção da função social (mantendo empregos, contratos, tributos, fornecimento de produtos e/ou serviços etc.) e do estímulo à atividade econômica. Falência e recuperação têm objetivos bem distintos e antagônicos. O falido não pode requerer sua recuperação, já que o legislador considera falência a situação em que a empresa é irrecuperável. Por essa razão, os esforços devem ser canalizados para casos em que a recuperação da empresa é viável. Sendo inviável, a falência é a única medida a ser aplicada em benefício dos credores e da sociedade. O momento em que o devedor requer a recuperação judicial é delicado, e sua falência é iminente, caso ele não obtenha o benefício legal. O aprofundamento da crise durante a recuperação é um sinal de que o instituto perdeu sua finalidade, cabendo ao devedor a iniciativa de confessar sua falência para não impor aos seus credores prejuízo maior do que aquele com o qual já estão arcando. Comentário Para que a empresa tenha reais chances de recuperação, é muito importante que o devedor apresente os documentos exigidos pela lei e faculte aos credores ampla fiscalização de sua atividade, independentemente das atribuições do administrador judicial. Dos requisitos Para efeitos didáticos, os requisitos para o pedido de recuperação judicial serão divididos em subjetivos e objetivos. Requisitos subjetivos O artigo 48, da Lei nº 11.101/2005, aborda os seguintes casos relacionados à pessoa do devedor: Ser o devedor empresário ou sociedade empresária Poderá requerer recuperação judicial somente o devedor que for empresário (pessoa física) ou sociedade empresária (pessoa jurídica), em razão de o termo devedor, na Lei nº 11.101/2005, ter alcance restrito (confira o artigo 1º da referida lei). O direito empresarial ainda não admite que todo devedor ― ou, pelopor: Venda isolada ou parcial de filiais ou unidades produtivas do devedor. Alienação em bloco dos bens que integram cada um dos estabelecimentos. Alienação dos bens individualmente considerados. Em qualquer modalidade de alienação dos ativos, seja ela conjunta ou separada, inclusive da empresa ou de suas filiais, o bem ou o conjunto de bens objeto da alienação estará livre de qualquer ônus que o grave (hipoteca, penhor, usufruto etc.), e não haverá sucessão do arrematante nas obrigações do devedor, inclusive as de natureza tributária ou trabalhista. Essa regra, prevista no artigo 141, da Lei nº 11.101/2005, visa facilitar a obtenção de um valor maior que o de avaliação na venda judicial, pois o arrematante não terá que arcar com nenhum pagamento ao credor do falido. Haverá sucessão para o arrematante se ele for: Sócio da sociedade falida ou de sociedade controlada pelo falido. • • • • • • • • • • • • Juiz analisando documentos Parente, em linha reta ou colateral até o 4º (quarto) grau, consanguíneo ou afim, do falido ou de sócio da sociedade falida Identificado como agente do falido com o objetivo de fraudar a sucessão. Breves noções sobre procedimento falimentar Acompanhe, neste vídeo, quais são as três fases do procedimento falimentar de liquidação dos bens do empresário individual e o que elas abrangem. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Conhecendo a extinção das obrigações do falido e sua reabilitação Após o encerramento da liquidação dos bens do falido, com o pagamento aos credores, de acordo com a ordem do artigo 83, da Lei nº 11.101/2005, o administrador judicial deve realizar os preparativos para a finalização do processo, pois a finalidade liquidatória da falência já foi atingida. Isso não significa que todos os credores receberam seus créditos, mas que o ativo apurado do falido foi integralmente realizado. As providências finais e prévias à sentença de encerramento são: Julgamento das contas do administrador judicial, em processo paralelo ao da falência. Apresentação do relatório final pelo mesmo administrador. É importante consignar que, no relatório final, o administrador judicial indicará o valor do ativo e o do produto de sua realização, bem como o valor do passivo e o dos pagamentos feitos aos credores, e especificará justificadamente as responsabilidades com que continuará o falido. Após o cumprimento dessas providências, a falência será encerrada por sentença. Percebemos que o encerramento da falência, por si só, não extingue as obrigações do falido, salvo obviamente se todos os créditos tiverem sido pagos. Entretanto, a lei prevê que o falido pode requerer a extinção de suas obrigações mesmo sem ter pagado a todos os credores. Todos os credores das três primeiras classes, da ordem do artigo 83, da Lei nº 11.101/2005, recebem seus créditos integralmente e, na classe dos quirografários, o pagamento foi de mais da metade do valor. Com isso, o falido está desobrigado de pagar o restante aos credores quirografários e de pagar qualquer valor aos credores da 5ª e 6ª classe, do artigo 83, sendo reabilitado para retomar sua empresa com a sentença de encerramento, que declarará a extinção de suas obrigações. Caso nem essa situação de pagamento parcial seja atingida ao fim da liquidação, o falido continuará com responsabilidade perante os credores não satisfeitos, mas apenas durante certo prazo, porque as obrigações do falido também extinguem. Acompanhe: • • • • O decurso do prazo de cinco anos Contado do encerramento da falência, se ele não tiver sido condenado por prática de crime falimentar. O decurso do prazo de dez anos Contado do encerramento da falência, se o falido tiver sido condenado por prática de crime falimentar. A extinção das obrigações pode se dar tanto pelo pagamento como pela prescrição. Vale esclarecer que a extinção das obrigações do falido pela prescrição só se aplica ao empresário individual ou ao sócio de responsabilidade ilimitada da sociedade falida, ambos pessoas naturais. Essa limitação decorre do fato de a sociedade empresária ser dissolvida com a decretação da falência e a extinta com seu encerramento. Extinção das obrigações dos falidos e sua reabilitação Assista, neste vídeo, à jornada pós-falência, abordando a extinção das obrigações dos falidos e os processos de reabilitação. Desde a liquidação de dívidas até os requisitos para a reabilitação, examinamos os passos necessários para que os indivíduos recuperem sua posição financeira e legal após a falência. Não perca! Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Verificando o aprendizado Questão 1 Estudamos que, no processo de falência, os créditos trabalhistas não terão assegurado o pagamento integral, dependendo do valor apurado. Assinale a única afirmativa que apresenta corretamente a classificação do crédito trabalhista dependendo do valor. A Crédito trabalhista, preferencial, até o valor de 150 salários mínimos por credor, e o saldo que exceder esse limite será considerado crédito com privilégio geral. B Crédito trabalhista, quirografário, até o valor de 100 salários mínimos por credor, e o saldo que exceder esse limite será considerado crédito privilegiado. C Crédito trabalhista, preferencial, até o valor de 150 salários mínimos por credor, e o saldo que exceder esse limite será considerado crédito quirografário. D Crédito trabalhista, com garantia real, até o valor de 100 salários mínimos por credor, e o saldo que exceder esse limite será considerado crédito quirografário. E Crédito trabalhista, preferencial, até o valor de 150 salários mínimos por credor, e o saldo que exceder esse limite será considerado crédito trabalhista. A alternativa C está correta. De acordo com o art. 83, incisos I e VI, da Lei nº 11.101/2005, o crédito trabalhista é preferencial, até o valor de 150 salários mínimos por credor, e o saldo que exceder esse limite será considerado crédito quirografário, não possuindo a preferência que o crédito trabalhista detém até tal montante. Questão 2 A administração da falência é compartilhada por vários órgãos, como o juiz, o comitê de credores, o representante do Ministério Público e, fundamentalmente, pelo administrador judicial, que deve ser nomeado pelo juiz no momento da decretação da falência de acordo com o seguinte critério: A profissional idôneo, preferencialmente advogado, economista, administrador de empresas ou contador, ou pessoa jurídica especializada. B preferencialmente, quem tiver relação de parentesco ou afinidade até o 3º grau com o falido, seus administradores, controladores ou representantes legais. C preferencialmente, um dos maiores credores do falido, escolhido pelo juiz a partir da relação de credores apresentada no processo. D serventuário da justiça, preferencialmente liquidante ou avaliador judicial, exceto se não houver nenhum na comarca, quando o juiz nomeará pessoa de sua confiança. E preferencialmente, quem tiver um cargo público e/ou político, escolhido pelo juiz. A alternativa A está correta. O administrador judicial será profissional idôneo, preferencialmente advogado, economista, administrador de empresas ou contador, ou pessoa jurídica especializada, como determina o art. 21 da Lei nº 11.101/2005, que estabeleceu diretrizes sobre a escolha do administrador. 3. Conclusão Considerações finais Você aprendeu que a recuperação de empresas é um instituto acessível somente aos devedores empresários ou às sociedades empresárias que comprovarem os requisitos subjetivos e objetivos e que, com a concessão da medida, fica afastada temporariamente a possibilidade de decretação da falência pelos credores sujeitos aos efeitos do instituto. Você compreendeu que o processo de recuperação se desenvolve em três fases, sendo a segunda a mais importante, pois é nela que o plano é apresentado pelo devedor, são verificados os créditos e é realizada, se houver objeção, a assembleia de credores. Durante essa fase,o administrador judicial tem atuação fundamental na fiscalização das atividades do devedor e na elaboração de relatórios de acompanhamento da recuperação, que deverá ser encerrada após dois anos da data de sua concessão, mesmo que o plano não esteja integralmente cumprido. Também foram apresentados os conceitos estático e dinâmico de falência, seus princípios e pressupostos. Você percebeu que se trata de um concurso de credores concebido exclusivamente para o devedor empresário ou a sociedade empresária, mas existem pessoas excluídas do concurso ou a ele submetidas, ainda que não sejam empresários. Foi comentado que a falência depende de uma sentença judicial e não pode ser decretada de ofício, sendo necessário um requerimento, seja do próprio devedor ou de qualquer credor. O processo de falência se desenvolve em três fases, sendo que, na primeira, não há ainda tecnicamente a falência, diante da ausência de sentença. Nessa fase, ocorre a discussão do pedido de falência e apresentação das provas e das defesas do devedor. Após a sentença, inicia-se o período de informação ou instrução, no qual o administrador judicial tem atuação fundamental na arrecadação dos bens, na verificação dos créditos habilitados e nos relacionados pelo falido, na análise dos contratos, na documentação, no exame de livros e na continuação do negócio (se autorizada), entre outras atribuições. O objetivo dessa fase é apurar o ativo e verificar o passivo, a fim de possibilitar a liquidação do patrimônio falimentar. A última fase, dedicada à liquidação, desenvolve-se logo após o término da arrecadação, mesmo que o quadro-geral de credores ainda não tenha sido publicado. Eles receberão seus créditos do produto apurado nas vendas judiciais, havendo prioridade dos credores extraconcursais sobre os concursais e, nesse grupo, será observada a ordem do artigo 83, da Lei nº 11.101/2005. Caso tenha havido pagamento aos credores integral ou parcial, após o término da liquidação, o falido empresário individual poderá requerer ao juiz a extinção de suas obrigações por sentença, concomitantemente com o encerramento da falência, que o reabilitará ao exercício da empresa. Na impossibilidade de comprovar o pagamento nas bases exigidas por lei, a prescrição em cinco ou 10 anos após o encerramento da falência permitirá a declaração da extinção das obrigações do falido. Podcast Alexandre Ferreira de Assumpção Alves, professor doutor em Direito, encerra este conteúdo abordando os tópicos mais relevantes sobre a recuperação de empresas e falência: a diferença entre recuperação judicial e extrajudicial, possíveis restrições de atividades impostas ao devedor e a igualdade de tratamento entre os credores. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para ouvir o áudio. Explore + Confira as indicações que separamos especialmente para você! Leia o material de Leonardo Dias Financiamento na recuperação judicial e na falência. Rio de Janeio: GEN, 2022. Esse livro traça um panorama de algumas experiências envolvendo o financiamento de empresas antes e depois da reforma legal, Lei nº 14.112/2020. Confira o livro de Marcelo Sacramone, Marcelo Nunes e Rodrigo Dantas (coord.). Recuperação judicial e falência. Evidências Empíricas. São Paulo: Foco, 2022. Você poderá verificar a prática dos processos de recuperação judicial e de falência em números. Vale a pena! Referências ALMEIDA, A. P. de. Curso de falência e recuperação de empresa. 28. ed. São Paulo: Saraiva, 2017. BERTOLDI, M. M.; RIBEIRO, M. C. P. Curso avançado de Direito Comercial. 11. ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2020. BEZERRA FILHO, M. J. Lei de recuperação de empresas e falência – Lei 11.101/2005: comentada artigo por artigo. 12. ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2017. COELHO, F. U. Novo manual de Direito Comercial. 31. ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2020. FAZZIO JUNIOR, W. Lei de falência e recuperação de empresas. 8. ed. São Paulo: Atlas, 2019. MAMEDE, G. Direito empresarial brasileiro: falência e recuperação de empresas. 11. ed. São Paulo: Atlas, 2020. NEGRÃO, R. Curso de direito comercial e de empresa. 11. ed. São Paulo: Saraiva, 2017. SALOMÃO, L. F.; SANTOS, P. P. Recuperação judicial, extrajudicial e falência: teoria e prática. 5. ed. Rio de Janeiro: Forense, 2020. TEIXEIRA, T. Direito empresarial sistematizado. 8. ed. São Paulo: Saraiva, 2019. TOMAZETTE, M. Curso de direito empresarial. 8. ed. São Paulo: Saraiva, 2020. Recuperação de Empresa e Falência 1. Itens iniciais Propósito Preparação Objetivos Introdução 1. A recuperação de empresas e as suas modalidades Objetivos e requisitos para o pedido de recuperação judicial Dos objetivos Superação da crise econômico-financeira Manutenção da fonte produtora Emprego dos trabalhadores Interesse dos credores Preservação da empresa Comentário Dos requisitos Requisitos subjetivos Ser o devedor empresário ou sociedade empresária Exercer regularmente sua atividade há mais de dois anos na data do pedido Não ser ou ter sido falido Não ter obtido concessão de recuperação judicial há menos de cinco anos Não ter condenação por crimes previstos nos artigos de 168 a 178 da Lei nº 11.101/2005 Requisitos objetivos Exposição das causas Demonstrações contábeis Relação dos credores Relação dos empregados Certidão de regularidade Relação dos bens particulares Extratos atualizados das contas bancárias Certidões dos cartórios de protestos Relação das ações judiciais Objetivos da recuperação de empresas Conteúdo interativo Credores sujeitos, excluídos e procedimento recuperacional Dos credores sujeitos e excluídos Credores - 2º grupo Credores - 3º grupo Comentário Breves noções sobre o procedimento recuperacional Fases do processo de recuperação Primeira fase Segunda fase Terceira fase Apresentação do plano Habilitação dos credores Aviso aos credores Convocação pelo juiz da assembleia de credores Realização da assembleia de credores Concessão da recuperação judicial por sentença do juiz Procedimento e credores na recuperação judicial Conteúdo interativo Órgãos e restrições ao devedor Órgãos da recuperação judicial Juiz Representante do Ministério Público Administrador judicial Gestor judicial Assembleia de credores Comitê de credores Restrições ao devedor em recuperação Restrição à livre administração da empresa Comentário Restrições em relação à disponibilidade dos bens do devedor Órgãos da recuperação judicial e restrições Conteúdo interativo Plano especial e encerramento da recuperação judicial Plano especial de recuperação Conteúdo do plano especial de recuperação Até metade do valor total de créditos Mais da metade do valor total de créditos Encerramento da recuperação judicial Comentário Plano especial e encerramento da recuperação Conteúdo interativo Recuperação extrajudicial Curiosidade Fases da recuperação extrajudicial Primeira fase Segunda fase 1 2 3 Terceira fase Recuperação extrajudicial: fases procedimentais Conteúdo interativo Verificando o aprendizado 2. A falência de empresas, os seus princípios e os pressupostos Conceito de falência Conceito de falência Conteúdo interativo Sentido estático Sentido dinâmico Princípios e pressupostos da falência Princípios Pressupostos Princípios da falência Princípio da igualdade entre os credores do falido Exemplo Princípio da universalidade do concurso Massa de bens Massa de credores Princípio da indivisibilidade do juízo Princípio da igualdade Princípio da universalidade Pressupostos para declaração de falência Conteúdo interativo Pressuposto subjetivo Pressuposto objetivo Pressuposto formal Para excluir certas sociedades empresárias da falência Para submeter pessoas naturais não empresárias à falência Comentário Primeira situação Segunda situação Administração e classificação dos créditos na falência Administração da falência Critérios Impedimentos Classificação dos créditos na falência 1ª classe2ª classe 3ª classe 4ª classe 5ª classe 6ª classe Administração e classificação da falência Conteúdo interativo Breves noções sobre procedimento falimentar Fase preliminar Fase de informação ou instrução Fase de liquidação Fase preliminar ou pré-falimentar Comentário Fase de informação ou de instrução Credores Falido Fase de liquidação Breves noções sobre procedimento falimentar Conteúdo interativo Conhecendo a extinção das obrigações do falido e sua reabilitação O decurso do prazo de cinco anos O decurso do prazo de dez anos Extinção das obrigações dos falidos e sua reabilitação Conteúdo interativo Verificando o aprendizado 3. Conclusão Considerações finais Podcast Conteúdo interativo Explore + Referênciasrecuperação. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Credores sujeitos, excluídos e procedimento recuperacional Dos credores sujeitos e excluídos Por mais que o instituto da recuperação de empresas se destine ao favorecimento do devedor, nem todos os credores são atingidos pelas medidas previstas no artigo 50 e por outras que podem ser incluídas no plano. Apenas os créditos existentes na data do pedido estão sujeitos à recuperação judicial, ainda que não vencidos. Como o devedor permanece exercendo sua empresa durante a recuperação, é natural que sejam constituídos créditos após o pedido. Com isso, já temos um dos três grupos de credores excluídos dos efeitos da recuperação (1º grupo). Além dos credores posteriores à data do pedido, mais dois grupos devem ser mencionados: Credores - 2º grupo Por serem excluídos da recuperação por lei (confira o artigo 49, parágrafos 3º e 4º, da Lei nº 11.101/2005), eles não terão seu crédito incluído no plano e os direitos de propriedade prevalecerão sobre a coisa e as condições contratuais. A única solução que o devedor pode utilizar para alterar as condições de pagamento perante os credores é tentar um acordo individual, fora do processo de recuperação. Os acordos privados são admitidos e previstos no artigo 167 da Lei nº 11.101/2005. O crédito tributário tem tratamento especial, pois também não se sujeita aos efeitos da recuperação judicial, independentemente da época de sua constituição. Isso porque, de acordo com o artigo 187, do Código Tributário Nacional, a cobrança judicial do crédito tributário não é sujeita à habilitação em recuperação judicial. A cobrança é feita por meio de ação própria, que prossegue durante a recuperação nem tem sua propositura suspensa. Credores - 3º grupo Ficam à mercê do devedor incluir ou não seus créditos no plano de recuperação. São créditos anteriores à data do pedido, mas o devedor preferiu não alterar suas regras de pagamento. Como tais condições não foram alteradas, os credores observarão as condições originalmente contratadas ou definidas em lei, inclusive, no que diz respeito aos encargos (confira o artigo 49, parágrafo 2º, da Lei nº 11.101/2005). Podemos resumir como: o pedido (com ou sem garantia, trabalhistas, privilegiados etc.) pode ser feito, exceto os credores excluídos por lei ou por vontade do devedor. Com isso, surge a noção da dificuldade que o devedor poderá ter para cumprir o plano, pois deverá manter os pagamentos em dia aos credores futuros e aos excluídos. Para amenizar esse quadro, a lei não impõe ao devedor — ao contrário do que ocorria na concordata ou na moratória — um prazo máximo de pagamento ou um máximo de desconto/abatimento, privilegiando a negociação. Exceção à regra é o pagamento dos credores trabalhistas, pois o plano de recuperação judicial não poderá prever prazo superior a um ano para pagamento dos créditos derivados da legislação do trabalho ou decorrentes de acidentes de trabalho, vencidos até a data do pedido de recuperação judicial, por força do artigo 54, da Lei nº 11.101/2005. Comentário Se o devedor tem garantidores de sua obrigação perante o credor, como fiadores ou avalistas, a recuperação judicial não atinge essas pessoas, de modo que elas estarão obrigadas a satisfazer o débito na forma original, mesmo que o plano seja aprovado, e a recuperação, concedida. Em outras palavras: a recuperação judicial não aproveita os devedores solidários com o recuperando. Breves noções sobre o procedimento recuperacional Apresentaremos a seguir uma visão rápida acerca do procedimento da recuperação, apontando os principais atos e alguns prazos importantes. Para mais detalhes e aprofundamento, recomendamos a leitura do que foi disposto da Lei nº 11.101/2005 e algum dos livros indicados nas referências. Fases do processo de recuperação Vamos iniciar estabelecendo que o processo de recuperação deve ser proposto onde está o principal estabelecimento do devedor, mesmo local onde a falência e a homologação do plano de recuperação extrajudicial devem ser requeridas, conforme o artigo 3º da Lei nº 11.101/2005. O principal estabelecimento, em geral, é o lugar da sede, seja porque o devedor não tem filial, seja porque a sede é, de fato, o lugar central das atividades. Caso, pontualmente, a sede não seja o lugar principal da atividade do devedor, a recuperação será requerida no lugar denominado como principal estabelecimento. Vamos identificar três fases no processo: 1 Primeira fase Inicia-se na data do pedido, sendo marco para a sujeição dos créditos à recuperação, e termina quando o juiz aceita o pedido do devedor (defere seu processamento) pela conformidade da documentação. 2 Segunda fase Começa com a publicação do processamento na imprensa oficial e termina com a concessão da recuperação. 3 Terceira fase Inicia-se após a concessão da recuperação e termina com o encerramento do processo por sentença judicial (confira o artigo 63 da lei 11.101/2005). A maior parte dos atos importantes na recuperação ocorre na segunda fase. São eles: Apresentação do plano Deve ser realizada, impreterivelmente, até o 60º dia após a publicação do processamento, por força do artigo 53, sob pena de decretação de falência sem a audiência dos credores. O devedor não deve entregar apenas o plano com suas cláusulas e exposição de motivos. O documento deve estar acompanhado da discriminação pormenorizada dos meios de recuperação a ser empregados e seu resumo, além da demonstração de sua viabilidade econômica, seu laudo econômico-financeiro e a avaliação dos bens e ativos do devedor, subscrito por profissional legalmente habilitado ou empresa especializada. Habilitação dos credores É também realizada a verificação dos créditos pelo administrador judicial, a fim de que a relação geral de credores seja elaborada e publicada. Aviso aos credores São comunicados da apresentação do plano, no prazo de 30 dias, para eventual discordância da aprovação. Convocação pelo juiz da assembleia de credores É realizada se houver objeção de qualquer credor à aprovação do plano. Juiz analisando documento Realização da assembleia de credores É na assembleia dos credores que o plano será discutido e votado por classes, inclusive, com apreciação das objeções levantadas. Lembre-se: a composição de cada classe para efeito de votação do plano e o quorum para sua aprovação em cada classe estão previstos nos artigos 41 e 45 da Lei nº 11.101/2005. Concessão da recuperação judicial por sentença do juiz É realizada somente se o plano tiver sido aprovado pela assembleia ou se não tiver sofrido objeção de qualquer credor (confira o artigo 58 da Lei nº 11.101/2005). Em qualquer fase do processo de recuperação judicial, seja antes ou depois da concessão, o devedor pode ter sua falência decretada, seja por descumprimento de obrigação assumida no plano ou por inadimplência de crédito não sujeito aos efeitos do instituto. Procedimento e credores na recuperação judicial Confira, neste vídeo, o procedimento da recuperação judicial e quais credores estão sujeitos ou excluídos dela. Não perca! Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Órgãos e restrições ao devedor Órgãos da recuperação judicial São denominados órgãos da recuperação judicial as pessoas ou o colegiado delas que desempenha papel de destaque (do ponto de vista da lei para a administração do processo). Juiz Vamos iniciar entendendo que o juiz da recuperação é um de direito integrante da justiça estadual, que exerce a jurisdição no lugar (juízo) da recuperação. Cabe a ele a superintendência do processo e as decisões das questões incidentais, como julgar as habilitações de crédito e as impugnações. É a pessoa juíza quem nomeia e destitui o administrador judicial que atua sob sua supervisão. No entanto, não cabe ao juiz aprovar ou rejeitar o plano de recuperação, pois a a eventual concessão da medida está vinculada à prévia manifestação dos credores. Representante do Ministério Público Promotorade justiça Grupo de advogados analisando documentos É uma pessoa promotora de justiça designada para atuar nos processos de falência e de recuperação. Ela não é parte no processo nem decide qualquer questão principal ou incidental. Todavia, na condição de fiscal da lei e de sua aplicação, sua participação é obrigatória no processo. Assim, a pessoa juíza, ao determinar o processamento da recuperação, deve ordenar a intimação do representante do Ministério Público. Representantes do Ministério Público têm algumas prerrogativas na recuperação, como: impugnar créditos, propor ação revisional de crédito admitido, promover a ação penal por crime previsto na Lei nº 11.101/2005, arguir a substituição do administrador judicial e recorrer da concessão da recuperação, entre outras. Administrador judicial É nomeado pelo juiz ao determinar o processamento da recuperação. É um profissional idôneo, preferencialmente advogado, economista, administrador de empresas ou contador ― ou pessoa jurídica especializada (confira o artigo 21 da Lei nº 11.101/2005). Ele tem direito a remuneração pelo seu trabalho, e seu pagamento é obrigação do devedor em recuperação. As regras sobre a fixação da remuneração e seu pagamento se encontram no artigo 24 da Lei nº 11.101/2005. Na recuperação judicial, a principal função do administrador é fiscalizar as atividades do devedor e o cumprimento do plano de recuperação judicial. Todavia, ele tem também outras prerrogativas, como exigir dos credores, do devedor ou de seus administradores quaisquer informações e requerer a falência no caso de descumprimento de obrigação assumida no plano de recuperação. As atribuições do administrador judicial constam no artigo 22 da Lei nº 11.101/2005. Com o encerramento do processo, sua atuação também é finalizada. Gestor judicial É uma figura subsidiária na recuperação, isto é, sua participação somente será necessária nos casos de afastamento do empresário individual de sua empresa. Após escolha pela assembleia de credores, o gestor é nomeado pelo juiz para assumir a administração das atividades do devedor. Sua atuação é fiscalizada pelo juiz e pelo comitê de credores (se houver). Assembleia de credores É formada pelos credores do devedor, sujeitos ou não aos efeitos da recuperação. Entretanto, somente podem votar nas deliberações os credores incluídos no plano e que tiverem alterado as condições originais e os prazos de pagamento de seus créditos. A assembleia de credores terá por atribuição deliberar sobre qualquer matéria que possa afetar os interesses dos credores, em especial: A aprovação, a recusa ou a modificação do plano de recuperação judicial apresentado pelo devedor. A constituição do comitê de credores, a escolha de seus membros e a sua substituição. • • O pedido de desistência da recuperação, se feito após o processamento da recuperação. O nome do gestor judicial, quando o empresário individual se afastar de suas atividades. A assembleia de credores será convocada de ofício pelo juiz, mas poderá ser convocada a pedido de credores que representem, no mínimo, 25% do valor total dos créditos de determinada classe. Comitê de credores É um órgão facultativo no processo de recuperação e será constituído por deliberação de qualquer das classes de credores na assembleia. Composição: Um representante indicado pela classe de credores trabalhistas. Um representante indicado pela classe de credores com direitos reais de garantia ou privilégios especiais. Um representante indicado pela classe de credores quirografários e com privilégios gerais. Um representante indicado pela classe de credores representantes de microempresas e empresas de pequeno porte. Para cada titular, a lei prevê a escolha ou a eleição de dois suplentes. O comitê pode funcionar com número inferior a quatro membros e, quando nenhuma das classes de credores tiver interesse em indicar ou eleger membro e suplente para o comitê, caberá ao administrador judicial ou, em sua incompatibilidade, ao juiz exercer suas atribuições. As atribuições do comitê de credores estão dispostas no artigo 27, da Lei nº 11.101/2005, com destaque para: Fiscalização das atividades do administrador judicial e exame de suas contas. Inspeção da administração das atividades do devedor, apresentando, a cada 30 dias, relatório de sua situação. Fiscalização da execução do plano de recuperação judicial. Submissão à autorização do juiz, quando ocorrer o afastamento do devedor, da alienação de bens do ativo permanente, da constituição de ônus reais e de outras garantias, bem como dos atos de endividamento necessários à continuação da atividade empresarial durante o período que anteceder a aprovação do plano de recuperação judicial. Restrições ao devedor em recuperação Embora a recuperação judicial tenha efeitos bem diversos da falência, pois permite a manutenção da empresa, da fonte produtora e de empregos, entre outros objetivos, o devedor sofrerá algumas restrições em relação à disponibilidade de seus bens e à livre administração de sua empresa. Contudo, isso não acompanha todo o tempo de cumprimento do plano, findando com o encerramento do processo judicial. • • • • • • • • • • Juíza batendo o martelo Restrição à livre administração da empresa A primeira restrição diz respeito à livre administração de seu negócio. O empresário e a sociedade empresária têm plena liberdade para o exercício de sua empresa, bem como para determinar as ações e o planejamento, escolher fornecedores, contratar e demitir empregados etc. Tal prerrogativa decorre da Constituição brasileira de 1988, em seu artigo 170, parágrafo único, que estabelece: É assegurado a todos o livre exercício de qualquer atividade econômica, independentemente de autorização de órgãos públicos, salvo nos casos previstos em lei. Embora o devedor em recuperação não necessite de autorização para se manter em atividade, ele deve aceitar a fiscalização de suas atividades pelo administrador judicial e pelos membros do comitê de credores, caso esse órgão exista. A prestação de quaisquer informações solicitadas pelo administrador judicial também é obrigatória. A partir do processamento da recuperação judicial, o uso do nome empresarial será alterado, uma vez que o artigo 69, da Lei nº 11.101/2005, impõe que a expressão em recuperação judicial deverá ser acrescida após o nome empresarial. Isso se aplica a todos os atos, contratos e documentos firmados pelo devedor. Para aumentar a publicidade de sua situação, o juiz determinará ao registro público de empresas a anotação da recuperação judicial no registro correspondente. Trata-se de mais uma restrição ao devedor, pois ele não poderá deixar de incluir sua condição em todos os documentos que assinar. Ainda no tocante à administração de sua empresa, o artigo 64, da Lei nº 11.101/2005, prevê a possibilidade de afastamento do empresário ou dos administradores da sociedade empresária durante o procedimento de recuperação judicial. Trata-se de uma medida excepcional, uma vez que o devedor ou os seus administradores serão mantidos na condução da atividade empresarial, mas sob fiscalização do comitê (se houver) e do administrador judicial. Comentário A medida de afastamento é tomada em situações graves, como prática de crimes ou atos ilícitos, bem como descumprimento de deveres legais. Verificada qualquer das hipóteses que autorizam o afastamento, o juiz deverá destituir o administrador ou afastar o empresário individual. Mas quais são os desdobramentos possíveis em relação às duas hipóteses? Veja a seguir. Restrições em relação à disponibilidade dos bens do devedor Consistem na proibição, desde a data do pedido, de alienar ou onerar bens ou direitos de seu ativo permanente, salvo evidente utilidade reconhecida pelo juiz. Isso se dará após o comitê (se houver) ser ouvido, com exceção dos bens e direitos previamente relacionados no plano de recuperação judicial para serem alienados. Enquanto o plano não for aprovado, a proibiçãonão comporta exceções. Órgãos da recuperação judicial e restrições Neste vídeo, confira os órgãos da recuperação judicial, compreendendo o papel do juiz, do representante do MP, do administrador judicial, do gestor judicial, da assembleia de credores e do comitê de credores. Entenda também as restrições ao devedor em recuperação. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Plano especial e encerramento da recuperação judicial Plano especial de recuperação Em consonância com a Constituição brasileira de 1988, que, em seu artigo 179, determina tratamento jurídico diferenciado às microempresas e às empresas de pequeno porte, assim definidas em lei, a Lei nº 11.101/2005 previu um plano especial de recuperação para elas, com limitação quanto ao meio a ser adotado. Com isso, os devedores não precisam demonstrar a viabilidade da adoção dos meios de recuperação, previstos no artigo 50, nem apresentar laudo de viabilidade econômico-financeira, diminuindo, assim, os custos com o processo. Para ter acesso ao plano especial de recuperação, é preciso que o devedor esteja enquadrado como microempresa ou empresa de pequeno porte. Confira a diferença entre elas a seguir: Conteúdo do plano especial de recuperação O plano especial não dá ao devedor liberdade para escolher o meio de recuperação que melhor atenda às suas necessidades. Se, por um lado, a lei simplifica a elaboração do plano, não sendo necessária a confecção de laudo ou os gastos com serviços de terceiros ― pois ele já tem cláusulas preestabelecidas ― por outro, ela restringe o devedor à simples adesão a ele, sem praticamente nenhuma flexibilidade. Destituição do administrador O administrador será substituído pela pessoa natural eleita pelos sócios, conforme previsto no contrato ou estatuto, ou pelos credores se tal faculdade estiver prevista no plano de recuperação judicial (confira o artigo 50, inciso V, da Lei nº 11.101/2005). Afastamento do empresário individual O juiz deverá agir na forma do artigo 65, da Lei nº 11.101/2005. Ele convocará a assembleia de credores para deliberar sobre o nome do gestor judicial que assumirá a administração. Até que o gestor assuma a empresa, o administrador judicial exercerá temporariamente as funções de gestor. Microempresa Deve atingir receita bruta, em cada ano- calendário, igual ou inferior a R$360.000,00. Enquadra-se também o microempreendedor individual (MEI). Empresa de pequeno porte Deve alcançar receita bruta superior a R$360.000,00 e igual ou inferior a R$4.800.000,00. Caso não seja um instrumento viável para a recuperação, as microempresas e as empresas de pequeno porte poderão adotar o plano comum e observar as exigências do artigo 53 da Lei nº 11.101/2005. Porém, se o plano especial for melhor, o devedor deverá manifestar sua intenção de adotá-lo já no requerimento de recuperação. O prazo para a apresentação do plano especial é o mesmo do plano comum: até 60 dias da publicação do edital de processamento, sob pena de decretação da falência. Além disso, ele se limita às seguintes condições: Abranger todos os créditos existentes na data do pedido, ainda que não vencidos, com exceção dos excluídos do plano comum e os decorrentes de repasse de recursos oficiais. Prever parcelamento em até 36 parcelas mensais, iguais e sucessivas, acrescidas de juros equivalentes à taxa Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (Selic), podendo conter ainda a proposta de abatimento do valor das dívidas. Considerar o pagamento da primeira parcela no prazo máximo de 180 dias, contado da distribuição do pedido de recuperação judicial. Estabelecer a necessidade de autorização do juiz, após o administrador judicial e o comitê de credores serem ouvidos, para o devedor aumentar as despesas ou contratar empregados. No plano especial, ao contrário do plano comum, se houver objeção à concessão da recuperação judicial por algum credor, a assembleia de credores para deliberar sobre o plano não será convocada, e o juiz concederá a recuperação judicial se as demais exigências legais forem atendidas. Tal medida facilita a aprovação do plano pela sua celeridade e dispensa o devedor dos custos com a realização da assembleia. Entretanto, se a assembleia para apreciar a objeção de qualquer credor ao plano não será convocada, quem apreciará a objeção? O juiz deverá verificar o valor do crédito que o credor ou o grupo de credores que objetou o plano detém. Vejamos. Até metade do valor total de créditos Caso o valor seja de até metade do valor total de créditos de uma das classes de credores previstas no artigo 83, da Lei nº 11.101/2005, a objeção será indeferida. Mais da metade do valor total de créditos Se o credor ou grupo de credores reunir mais da metade de qualquer uma das referidas classes, o juiz julgará o pedido de recuperação judicial via plano especial improcedente e decretará a falência do devedor. Encerramento da recuperação judicial Após a aprovação do plano e a concessão da recuperação judicial, o processo prossegue e entra na terceira e última fase. O devedor permanecerá em recuperação judicial até que se cumpram todas as obrigações previstas no plano, que irão vencer até dois anos depois da concessão. Durante esse período, o devedor poderá ou não iniciar o cumprimento do plano, dependendo de seus termos e prazos, porém, persiste a fiscalização do administrador judicial e do comitê de credores. • • • • Comentário O plano de recuperação poderá sofrer modificações até o encerramento da recuperação, e a mesma sistemática de votação e quorum aplicáveis para sua aprovação são aplicadas. Durante o período de dois anos, o descumprimento de qualquer obrigação prevista no plano acarretará a convolação da recuperação em falência. Ou seja, a recuperação cessará e o devedor terá a falência decretada com a liquidação de sua empresa. As cláusulas e os compromissos previstos no plano ficarão rescindidos, e os credores terão seus direitos e suas garantias reconstituídos nas condições originalmente contratadas, além de deduzidos os valores eventualmente pagos e ressalvados os atos validamente praticados no âmbito da recuperação judicial. Mesmo que o plano ainda não tenha sido cumprido no prazo de dois anos, o juiz deve encerrar o processo por sentença, na qual determinará: O pagamento do saldo de honorários ao administrador judicial após a prestação de contas e a apresentação de relatório, no prazo máximo de 15 dias, sobre a execução do plano de recuperação pelo devedor. A apuração do saldo das custas judiciais a serem recolhidas. A dissolução do comitê de credores e a exoneração do administrador judicial. A comunicação ao registro público de empresas para as providências cabíveis. Após a sentença de encerramento, a fiscalização do administrador judicial e do comitê de credores (se houver) sobre o devedor e a sua empresa finaliza. Sem embargo, no caso de ainda restarem obrigações pendentes previstas no plano de recuperação judicial, o descumprimento autoriza qualquer credor a requerer sua execução específica ou a decretação da falência. Plano especial e encerramento da recuperação Acompanhe, neste vídeo, o plano especial de recuperação, que é destinado a microempresas e empresas de pequeno porte. Veja os requisitos e as vantagens desse plano, o qual facilita a reestruturação financeira e garante a continuidade das atividades empresariais com menos burocracia. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Recuperação extrajudicial Trata-se de outra espécie de recuperação possível de ser adotada pelo devedor para evitar a falência. Ele deverá satisfazer os mesmos requisitos subjetivos para a recuperação judicial e não ter nenhum pedido de recuperação judicial pendente de julgamento ou não ter obtido recuperação judicial ou mesmo não ter obtido homologação de outro plano de recuperação extrajudicial há menos de dois anos. • • • • Empresário usando a calculadora Perceba que o prazo entre uma recuperação extrajudicialtrabalhadores. C Parcelamento em até 12 parcelas mensais, iguais e sucessivas, acrescidas de juros equivalentes à taxa Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (Selic). D Redução salarial, compensação de horários e redução da jornada, mediante acordo ou convenção coletiva. E O pedido de recuperação judicial, com base em plano especial, não acarreta a suspensão do curso da prescrição nem das ações e execuções por créditos não abrangidos pelo plano. A alternativa A está correta. Apenas a alternativa A possui conteúdo condizente ao plano especial, uma vez que é imprescindível obter a permissão do juiz após consultar o administrador judicial e o comitê de credores, antes que o devedor possa aumentar despesas ou contratar funcionários. 2. A falência de empresas, os seus princípios e os pressupostos Conceito de falência Conceito de falência Acompanhe, neste vídeo, o conceito de falência e entenda o processo legal de liquidação dos bens de uma empresa insolvente. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. A falência pode ser conceituada de duas formas. A primeira é baseada em uma noção estática ― isto é, ela enfoca a condição de falido ―, e a segunda se baseia em uma acepção dinâmica, que dá ênfase ao procedimento da falência. Veja a seguir: Sentido estático A falência é a situação do devedor empresário ou sociedade empresária que, sem relevante razão de direito, encontra-se impontual nas condições previstas em lei ou pratica determinados atos típicos de estado de falência. A lei identifica a pessoa do falido e sua condição, decorrendo efeitos a partir da decretação da falência por sentença. Sentido dinâmico A falência é um processo de execução coletiva (concurso de credores), em que os bens do devedor serão arrecadados (ficarão indisponíveis) para efeito de alienação judicial futura e pagamento aos credores, observadas as preferências e os privilégios legais. Nessa acepção, a falência tem função liquidatória (ou seja, realização do ativo e pagamento do passivo) do patrimônio do falido sujeito a seus efeitos, operando-se o ajuste de contas com os credores. Os atos caracterizadores de um estado de falência estão previstos no artigo 94, da Lei nº 11.101/2005. Princípios e pressupostos da falência Confira, a seguir, os fundamentos e os pressupostos da falência, bem como suas principais características. Princípios São utilizados como norte, ou orientação, para o juiz decidir nos casos em que a lei não regula expressamente determinadas relações patrimoniais. Além disso, eles fundamentam a redação de vários dispositivos. Pressupostos São as condições subjetivas, objetivas e formais indispensáveis para a caracterização jurídica da falência. Princípios da falência O instituto da falência se baseiadem três princípios: igualdade de tratamento entre os credores do falido, universalidade do concurso e indivisibilidade do juízo. Adiantamos que cada princípio tem suas exceções, que apresentaremos sucintamente. Agora, vejamos cada um deles a seguir. Princípio da igualdade entre os credores do falido Decorre do concurso universal que a falência instaura. Como o patrimônio do devedor está insolvente, uma vez que a recuperação se revelou inviável ou foi negada, não há bens suficientes para o pagamento da totalidade das dívidas. Assim, a intervenção do legislador para regular o pagamento nessa situação se impõe. Trata-se da falência em sentido econômico. Os credores, mesmo sendo titulares de créditos de diversas origens e naturezas (trabalhista, fiscal, com garantia real, sem garantia etc.), são tratados em pé de igualdade pela lei — par conditio creditorum, expressão latina utilizada para identificar o princípio. Exemplo A necessidade de habilitação dos créditos ao processo, o que se dá tanto por parte de credores por obrigações vencidas quanto vincendas (isto é, aquelas que o prazo está prestes a vencer). Mesmo que o crédito tenha vencimento após a falência, o credor estará na mesma condição de outro que tem crédito já exigível. Ambos deverão participar do concurso em pé de igualdade para efeito de habilitação. Princípio da universalidade do concurso O segundo princípio também está associado ao concurso de credores falimentares, porém, sua relação mais próxima é com a figura da massa falida. A falência compreende os bens e as obrigações do devedor, formando-se duas massas: Massa de bens Resultado da arrecadação. Massa de credores Consequência da habilitação e verificação dos créditos. Há, no processo de falência, dois documentos importantíssimos para exame da composição da massa de bens (objetiva) e da de credores (subjetiva). São eles: O auto de arrecadação (previsto no artigo 94, da Lei nº 11.101/2005). O quadro geral de credores (previsto no artigo 18, da Lei nº 11.101/2005). A administração da massa falida e sua representação judicial são incumbidas ao administrador judicial. Princípio da indivisibilidade do juízo • • O terceiro e último princípio da falência tem relação com o juízo competente para decretar a falência, ou seja, o do lugar do principal estabelecimento do devedor. Tal princípio se denomina indivisibilidade (ou “unidade”) do juízo da falência e está previsto no artigo 76, da Lei nº 11.101/2005. Veja! O juízo da falência é indivisível e competente para conhecer todas as ações sobre bens, interesses e negócios do falido. Os credores deverão direcionar suas pretensões e seus recursos para o local onde se processa a falência e onde eles serão apreciados pelo mesmo juiz. O juízo da falência tem, então, força atrativa sobre os credores (vis attractiva). Existem exceções para cada um dos princípios diante de disposições da própria Lei nº 11.101 ou de outras. Vejamos algumas. Princípio da igualdade Os créditos tributários não estão sujeitos à habilitação na falência, e a própria Lei nº 11.101/2005 estabelece uma ordem de pagamento aos credores. Princípio da universalidade Os bens impenhoráveis não são compreendidos na massa falida objetiva, sendo insuscetíveis de arrecadação. Além disso, existem ações que não são atraídas para o juízo da falência, como as causas trabalhistas e fiscais. Pressupostos para declaração de falência Acompanhe, neste vídeo, os pressupostos da falência e entenda quais são os requisitos legais necessários para sua declaração. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. A legislação brasileira exige a concorrência de três pressupostos para a falência ser decretada: Pressuposto subjetivo Refere-se ao sujeito passivo, a pessoa que sofre a falência e seus efeitos. Pressuposto objetivo Diz respeito à causa que motiva o pedido de falência e sua decretação. Pressuposto formal É o ato que deve ser praticado pelo juiz para dar início à sentença de falência. O sujeito passivo da falência não é qualquer devedor, pois é apenas o empresário ou a sociedade empresária. Tal restrição é histórica e remonta ao Código Comercial, de 1850, a primeira lei nacional a tratar da falência. Com isso, ainda não é possível que pessoas físicas ou jurídicas que não sejam empresários, de fato ou de direito, requeiram sua própria falência ou que seus credores a requeiram. Contudo, o sistema falimentar brasileiro comporta exceções de ambos os lados: Para excluir certas sociedades empresárias da falência O artigo 2º, da Lei nº 11.101/2005, exclui várias entidades da aplicação dos institutos da falência, da recuperação judicial e da recuperação extrajudicial. São elas: a) empresa pública; b) sociedade de economia mista; c) instituição financeira pública ou privada; d) cooperativa de crédito; e) consórcio; f) entidade de previdência complementar; g) sociedade operadora de plano de assistência à saúde; h) sociedade seguradora; i) sociedade de capitalização; e j) outras entidades legalmente equiparadas às anteriores. Todas as entidades listadas, salvo as cooperativas de crédito, estão sujeitas ao regime das sociedades empresárias, mas, por previsão legal, não se submetem aosinstitutos de direito falimentar, e sim, aos procedimentos de liquidação administrativa (extrajudicial) previstos em leis próprias. Para submeter pessoas naturais não empresárias à falência A Lei nº 11.101/2005 submete pessoas naturais, sejam empresárias ou não, à falência em todos os seus efeitos. Trata-se do sócio de responsabilidade ilimitada presente em certos tipos de sociedades empresárias, como os sócios da sociedade em nome coletivo ou os comanditados da sociedade em comandita simples. De acordo com o artigo 81, da Lei nº 11.101/2005, a decretação da falência da sociedade com sócios ilimitadamente responsáveis também acarreta a falência deles, que ficam sujeitos aos mesmos efeitos jurídicos produzidos em relação à sociedade falida. A causa da decretação da falência, pressuposto objetivo, está relacionada à impontualidade ou à prática de atos ruinosos ou fraudulentos por parte do devedor, denominados atos de falência. Comentário A impontualidade na falência tem conotação especial e bem limitada, pois não se refere ao devedor deixar de pagar qualquer dívida, de qualquer valor ou representada em qualquer documento. De acordo com o artigo 94, da Lei nº 11.101/2005, a impontualidade falimentar é verificada em duas situações. São elas: Primeira situação Quando o devedor, sem relevante razão de direito (imotivadamente), não paga, no vencimento, a obrigação líquida (aquela determinada quanto ao objeto e certa quanto à sua existência, que dispensa liquidação para apuração do valor ou da prestação) materializada em título ou títulos executivos protestados, e sua soma ultrapasse o equivalente a 40 salários-mínimos na data do pedido de falência. Com isso, não basta ser credor, é preciso apresentar um documento que, por lei, seja considerado um título executivo, com o valor mínimo previsto. Além disso, a soma dos títulos deve atingir esse valor e os títulos estar protestados por falta de pagamento, constando nos respectivos instrumentos o fim falimentar a que se destina o protesto. Lembre-se: os artigos 515 e 784 do Código de Processo Civil enumeram os títulos executivos judiciais e extrajudiciais. Segunda situação Quando o credor já propôs uma ação de cobrança perante o devedor ― no caso, uma ação de execução ―, mas não obteve o pagamento. É a situação do devedor empresário ou da sociedade empresária que, executado por qualquer quantia líquida, não paga, não deposita nem nomeia bens suficientes para penhorar dentro do prazo legal. Tais fatos evidenciam uma insolvência presumida e permitem ao credor suspender a ação de execução e requerer a falência. Alternativamente, ainda que o crédito não esteja vencido, a falência pode ser requerida e decretada pela prática de atos, pelo empresário individual ou pelos administradores da sociedade empresária, denominados atos de falência. São práticas fraudulentas, ilícitas e, muitas vezes, criminosas, com o intuito de dilapidar o patrimônio, lesar credores ou fugir da cobrança. Cabe ao credor descrever tais práticas, juntando-as as provas que houver e especificando as que serão produzidas. Veja a seguir: Proceder à liquidação precipitada de seus ativos ou lançar mão de meio ruinoso ou fraudulento para realizar pagamentos. Realizar ou, por atos inequívocos, tentar realizar negócio simulado ou alienação de parte ou da totalidade de seu ativo a terceiro, credor ou não, com o objetivo de retardar pagamentos ou fraudar credores. Transferir estabelecimento a terceiro, credor ou não, sem o consentimento de todos os credores e sem ficar com bens suficientes para solver seu passivo. Simular a transferência de seu principal estabelecimento com o objetivo de burlar a legislação ou a fiscalização ou para prejudicar credor. Dar ou reforçar garantia a credor por dívida contraída anteriormente sem ficar com bens livres e desembaraçados suficientes para saldar seu passivo. Ausentar-se sem deixar representante habilitado e com recursos suficientes para pagar os credores, abandonar estabelecimento ou tentar ocultar-se de seu domicílio, do local de sua sede ou de seu principal estabelecimento. Deixar de cumprir, no prazo estabelecido, obrigação assumida no plano de recuperação judicial. Quanto ao pressuposto formal, somente se instaura o estado de falência a partir da sentença do juiz, que produzirá efeitos a partir da segunda fase ou do período de informação. Com isso, percebemos que o juiz não pode iniciar de ofício (por conta própria) o processo de falência. Sempre será necessário um requerimento feito pelo credor ou por outras pessoas, às quais a lei confere legitimidade. Também é possível que a falência seja decretada a partir de um pedido feito pelo devedor, instituto conhecido como autofalência. Nesse caso, o devedor em crise econômico-financeira, que julgue não atender aos • • • • • • • Juiz analisando processo requisitos para pleitear sua recuperação judicial, deverá requerer ao juízo sua falência, expondo as razões da impossibilidade de prosseguimento da atividade empresarial. Administração e classificação dos créditos na falência Administração da falência Os órgãos da recuperação judicial são os mesmos da falência, com exceção do gestor judicial, que não atua. Daremos destaque agora à figura do administrador judicial, que assume, na falência, importância capital e muito maior do que uma recuperação judicial. Ressalta-se que o juiz da falência tem papel de destaque na primeira fase, pois cabe a ele a decisão sobre eventual decretação da falência, e não aos credores, como na recuperação judicial. Também são atribuições do juiz a nomeação, a superintendência da atuação e a destituição do administrador judicial. Como o foco da falência é a liquidação da empresa. Assim, a assembleia de credores e o comitê ― órgão igualmente facultativo, assim como na recuperação judicial ― assumem papel menor em comparação à recuperação. Quanto ao representante do Ministério Público, que também intervém no processo como fiscal da lei, sua participação é obrigatória após a decretação da falência, especialmente durante o período de verificação dos créditos e venda dos bens arrecadados. A seguir, veja os critérios e impedimentos para a escolha do administrador judicial. 1 Critérios O administrador judicial é nomeado pelo juiz na sentença de falência. O critério para a sua escolha é o mesmo empregado na recuperação judicial, ou seja, ser profissional idôneo, preferencialmente advogado, economista, administrador de empresas ou contador, ou pessoa jurídica especializada. Após sua nomeação, ele será intimado para assinar termo de compromisso que marca a investidura nas suas funções. Além da capacidade civil plena para ser administrador judicial ― ou seja, ter mais de 18 anos e não sofrer qualquer incapacidade ―, o nomeado não pode ter impedimento legal. 2 Impedimentos Não poderá exercer as funções de administrador judicial quem, nos últimos cinco anos, no exercício desse cargo ou como membro do comitê de credores em falência ou recuperação judicial anterior, foi destituído, deixou de prestar contas dentro dos prazos legais ou teve a prestação de contas desaprovada. Também está impedido de exercer a função de administrador judicial quem tiver relação de parentesco ou afinidade até o terceiro grau com o devedor, seus administradores, controladores ou representantes legais ou deles for amigo, inimigo ou dependente. Vale destacar que se alguém tiver algum impedimento legal e for nomeado administrador judicial, o devedor, qualquer credor ou o representante do Ministério Público poderá requerer ao juiz a substituição do nomeado. Juíza assinando documento Na falência, diante da inabilitação do empresário para o exercício de qualquer empresa e da arrecadação de seus bens, as atribuições do administrador se tornam bem maiores, porque ele as exerce sob a fiscalização do juiz e do comitê, se houver. Destacamos as mais importantes: Elaborar e fazer publicar a relação de credores após a verificação dos créditos. Consolidar o quadro geralde credores após o julgamento das impugnações de crédito para posterior publicação. Assumir a condução da atividade empresarial do falido, se a continuação provisória for autorizada pelo juiz na sentença de falência. Examinar a escrituração do devedor para efeito de apuração de eventuais crimes falimentares. Relacionar os processos e assumir a representação judicial e extrajudicial, incluídos os processos arbitrais, da massa falida. Apresentar, no prazo de 40 dias, contado a partir da assinatura do termo de compromisso, prorrogável por igual período, o relatório sobre as causas e circunstâncias que conduziram à situação de falência, no qual apontará a responsabilidade civil e penal dos envolvidos. Arrecadar os bens e documentos do devedor e elaborar o auto de arrecadação, no qual constarão o inventário dos bens e o laudo de avaliação. Praticar os atos necessários à realização do ativo e ao pagamento dos credores. O administrador judicial responde com seus bens pessoais por ato ilícito, intencional (doloso) ou culposo, pelos prejuízos causados à massa falida, ao devedor ou aos credores. Tal qual na recuperação judicial, o administrador judicial faz jus à remuneração pelo seu trabalho e pelos serviços prestados, e se encargo é da massa falida (crédito de natureza extraconcursal, que será pago anteriormente aos credores que entram no quadro do concurso de credores). Cabe ao juiz, em decisão no curso do processo, fixar o valor e a forma de pagamento da remuneração, observados a capacidade de pagamento da massa falida, o grau de complexidade do trabalho e os valores praticados no mercado para o desempenho de atividades semelhantes. Em qualquer hipótese, o total pago ao administrador judicial não excederá 5% do valor de venda dos bens na falência, percentual reduzido para 2% no caso de falência de microempresas ou empresas de pequeno porte. Do montante total da remuneração fixada, devem ser reservados 40% para pagamento após o julgamento das contas do administrador judicial e a apresentação do relatório final da falência. Classificação dos créditos na falência Como exceção do princípio da igualdade de tratamento entre os credores do devedor, a Lei nº 11.101/2005, em seu artigo 83, estabelece uma ordem de pagamento entre os credores do falido, denominados concursais. Os credores, que têm créditos que surgem após a decretação da falência, em razão de obrigações assumidas pela massa falida ou despesas do processo, por exemplo, são considerados extraconcursais, pagos preferencialmente em relação aos créditos concursais. A classificação dos créditos na falência obedece à seguinte ordem: 1ª classe Abarca os créditos derivados da legislação do trabalho, com preferência até o limite de 150 salários- mínimos por credor, e os decorrentes de acidentes de trabalho, sem limite. O saldo excedente do crédito trabalhista é incluído na classe dos créditos quirografários. • • • • • • • • 2ª classe Compreende os créditos com garantia real, isto é, aqueles que possuem bens do patrimônio do devedor ou de terceiro vinculados a seu pagamento até o limite do valor do bem gravado. Para efeito de inserção do crédito, nesta classe, será considerado como valor do bem, o objeto de garantia real, a importância efetivamente arrecadada com sua venda (valor líquido), ou, no caso de alienação em bloco da empresa ou de estabelecimento, o valor de avaliação do bem individualmente considerado. A parte do crédito excedente a esse limite será incluída na classe dos créditos quirografários. 3ª classe Engloba os créditos tributários, independentemente da sua natureza e do tempo de constituição, exceto os créditos extraconcursais e as multas tributárias. 4ª classe Abarca créditos quirografários, aqueles sem qualquer garantia ou privilégio quanto ao recebimento. Até a entrada em vigor da Lei n° 11.101/2005, essa era a última classe de credores. 5ª classe Abrange as multas contratuais e as penas pecuniárias por infração das leis penais ou administrativas, inclusive, as multas tributárias. 6ª classe Engloba créditos subordinados, a saber: os assim previstos em lei ou em contrato e os créditos dos sócios e dos administradores sem vínculo empregatício. Administração e classificação da falência Entenda, neste vídeo, a administração da falência e o papel do administrador judicial na gestão do processo. Acompanhe suas responsabilidades na arrecadação e na venda de bens, bem como no pagamento de credores e na elaboração de relatórios. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Breves noções sobre procedimento falimentar Vamos iniciar compreendendo que o procedimento falimentar de liquidação dos bens do empresário individual, que também dissolve a sociedade empresária, pode ser dividido em três fases. Elas são identificadas de acordo com o objetivo de cada uma. Veja a seguir. Fase preliminar Tem como escopo aferir a presença dos pressupostos objetivo e subjetivo. Fase de informação ou instrução Visa à formação da massa falida (objetiva e subjetiva) e à apuração de responsabilidade penal do falido. Fase de liquidação Tem como objetivo liquidar o patrimônio falimentar. Agora, vamos ver cada uma dessas fases de forma mais abrangente. Fase preliminar ou pré-falimentar Inicia-se com o requerimento de falência, seja ele feito pelo credor ou pelo próprio devedor, e termina com a decretação da falência. Caso a decisão seja pelo indeferimento (sentença denegatória), o processo se encerra com essa decisão. É nessa fase que o devedor tem a oportunidade de apresentar defesa e provas para que o juiz não decrete a falência ― inclusive, é dada a ele a oportunidade de depositar o valor correspondente ao total do crédito, acrescido de correção monetária, juros e honorários advocatícios, impedindo-se, com esse depósito, a decretação da falência, exceto se o pedido tiver fundamento na prática de atos de falência. Comentário Cabe ressaltar a possibilidade de o devedor, nesta fase, requerer recuperação judicial, o que suspenderá a tramitação do processo de falência até a decisão sobre o pedido. Fase de informação ou de instrução É a primeira etapa após a falência ser decretada e a segunda do processo. Nesse momento, serão produzidos os efeitos da falência em relação aos credores e ao próprio falido. Veja a seguir. Credores Suspensão do curso das ações anteriormente iniciadas contra o devedor. Suspensão da fluência dos juros. Vencimento antecipado das dívidas do falido. Necessidade de habilitação no processo para os créditos não relacionados pelo devedor. Falido Dissolução da sociedade empresária. Desapossamento dos seus bens. Perda do direito de administração de seu negócio. Inabilitação para o exercício de qualquer atividade empresarial. A fase é denominada de informação ou de instrução, pois será nela que os procedimentos fundamentais para a formação da massa falida ocorrerão, ou seja, a habilitação e a verificação dos créditos pelo administrador judicial (para formar a massa de credores) e a arrecadação de bens, livros e documentos (para formar a massa de bens). Nessa fase, o administrador judicial examinará a escrituração do falido e de seus atos anteriores e posteriores à decretação da falência, tanto para instruir eventuais medidas penais de apuração de crimes falimentares como para investigar atos fraudulentos praticados antes da falência em conluio do devedor com terceiros, que são passíveis de revogação. Fase de liquidação Logo após a arrecadação dos bens, com a juntada do respectivo auto ao processo de falência, encerra-se a segunda fase e inicia-se a terceira e última, com a realização do ativo, isto é, a venda judicial dos bens arrecadados (em leilão, por propostas fechadas, por lances orais ou por pregão) para o pagamento dos credores. A fase de liquidação finda a sentença de encerramento da falência. A venda judicial dos bens arrecadados observará uma ordem legal que privilegia a alienação da empresa, com a venda de seus estabelecimentos em bloco, passandoo administrador judicial tem atuação fundamental na fiscalização das atividades do devedor e na elaboração de relatórios de acompanhamento da recuperação, que deverá ser encerrada após dois anos da data de sua concessão, mesmo que o plano não esteja integralmente cumprido. Também foram apresentados os conceitos estático e dinâmico de falência, seus princípios e pressupostos. Você percebeu que se trata de um concurso de credores concebido exclusivamente para o devedor empresário ou a sociedade empresária, mas existem pessoas excluídas do concurso ou a ele submetidas, ainda que não sejam empresários. Foi comentado que a falência depende de uma sentença judicial e não pode ser decretada de ofício, sendo necessário um requerimento, seja do próprio devedor ou de qualquer credor. O processo de falência se desenvolve em três fases, sendo que, na primeira, não há ainda tecnicamente a falência, diante da ausência de sentença. Nessa fase, ocorre a discussão do pedido de falência e apresentação das provas e das defesas do devedor. Após a sentença, inicia-se o período de informação ou instrução, no qual o administrador judicial tem atuação fundamental na arrecadação dos bens, na verificação dos créditos habilitados e nos relacionados pelo falido, na análise dos contratos, na documentação, no exame de livros e na continuação do negócio (se autorizada), entre outras atribuições. O objetivo dessa fase é apurar o ativo e verificar o passivo, a fim de possibilitar a liquidação do patrimônio falimentar. A última fase, dedicada à liquidação, desenvolve-se logo após o término da arrecadação, mesmo que o quadro-geral de credores ainda não tenha sido publicado. Eles receberão seus créditos do produto apurado nas vendas judiciais, havendo prioridade dos credores extraconcursais sobre os concursais e, nesse grupo, será observada a ordem do artigo 83, da Lei nº 11.101/2005. Caso tenha havido pagamento aos credores integral ou parcial, após o término da liquidação, o falido empresário individual poderá requerer ao juiz a extinção de suas obrigações por sentença, concomitantemente com o encerramento da falência, que o reabilitará ao exercício da empresa. Na impossibilidade de comprovar o pagamento nas bases exigidas por lei, a prescrição em cinco ou 10 anos após o encerramento da falência permitirá a declaração da extinção das obrigações do falido. Podcast Alexandre Ferreira de Assumpção Alves, professor doutor em Direito, encerra este conteúdo abordando os tópicos mais relevantes sobre a recuperação de empresas e falência: a diferença entre recuperação judicial e extrajudicial, possíveis restrições de atividades impostas ao devedor e a igualdade de tratamento entre os credores. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para ouvir o áudio. Explore + Confira as indicações que separamos especialmente para você! Leia o material de Leonardo Dias Financiamento na recuperação judicial e na falência. Rio de Janeio: GEN, 2022. Esse livro traça um panorama de algumas experiências envolvendo o financiamento de empresas antes e depois da reforma legal, Lei nº 14.112/2020. Confira o livro de Marcelo Sacramone, Marcelo Nunes e Rodrigo Dantas (coord.). Recuperação judicial e falência. Evidências Empíricas. São Paulo: Foco, 2022. Você poderá verificar a prática dos processos de recuperação judicial e de falência em números. Vale a pena! Referências ALMEIDA, A. P. de. Curso de falência e recuperação de empresa. 28. ed. São Paulo: Saraiva, 2017. BERTOLDI, M. M.; RIBEIRO, M. C. P. Curso avançado de Direito Comercial. 11. ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2020. BEZERRA FILHO, M. J. Lei de recuperação de empresas e falência – Lei 11.101/2005: comentada artigo por artigo. 12. ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2017. COELHO, F. U. Novo manual de Direito Comercial. 31. ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2020. FAZZIO JUNIOR, W. Lei de falência e recuperação de empresas. 8. ed. São Paulo: Atlas, 2019. MAMEDE, G. Direito empresarial brasileiro: falência e recuperação de empresas. 11. ed. São Paulo: Atlas, 2020. NEGRÃO, R. Curso de direito comercial e de empresa. 11. ed. São Paulo: Saraiva, 2017. SALOMÃO, L. F.; SANTOS, P. P. Recuperação judicial, extrajudicial e falência: teoria e prática. 5. ed. Rio de Janeiro: Forense, 2020. TEIXEIRA, T. Direito empresarial sistematizado. 8. ed. São Paulo: Saraiva, 2019. TOMAZETTE, M. Curso de direito empresarial. 8. ed. São Paulo: Saraiva, 2020. Recuperação de Empresa e Falência 1. Itens iniciais Propósito Preparação Objetivos Introdução 1. A recuperação de empresas e as suas modalidades Objetivos e requisitos para o pedido de recuperação judicial Dos objetivos Superação da crise econômico-financeira Manutenção da fonte produtora Emprego dos trabalhadores Interesse dos credores Preservação da empresa Comentário Dos requisitos Requisitos subjetivos Ser o devedor empresário ou sociedade empresária Exercer regularmente sua atividade há mais de dois anos na data do pedido Não ser ou ter sido falido Não ter obtido concessão de recuperação judicial há menos de cinco anos Não ter condenação por crimes previstos nos artigos de 168 a 178 da Lei nº 11.101/2005 Requisitos objetivos Exposição das causas Demonstrações contábeis Relação dos credores Relação dos empregados Certidão de regularidade Relação dos bens particulares Extratos atualizados das contas bancárias Certidões dos cartórios de protestos Relação das ações judiciais Objetivos da recuperação de empresas Conteúdo interativo Credores sujeitos, excluídos e procedimento recuperacional Dos credores sujeitos e excluídos Credores - 2º grupo Credores - 3º grupo Comentário Breves noções sobre o procedimento recuperacional Fases do processo de recuperação Primeira fase Segunda fase Terceira fase Apresentação do plano Habilitação dos credores Aviso aos credores Convocação pelo juiz da assembleia de credores Realização da assembleia de credores Concessão da recuperação judicial por sentença do juiz Procedimento e credores na recuperação judicial Conteúdo interativo Órgãos e restrições ao devedor Órgãos da recuperação judicial Juiz Representante do Ministério Público Administrador judicial Gestor judicial Assembleia de credores Comitê de credores Restrições ao devedor em recuperação Restrição à livre administração da empresa Comentário Restrições em relação à disponibilidade dos bens do devedor Órgãos da recuperação judicial e restrições Conteúdo interativo Plano especial e encerramento da recuperação judicial Plano especial de recuperação Conteúdo do plano especial de recuperação Até metade do valor total de créditos Mais da metade do valor total de créditos Encerramento da recuperação judicial Comentário Plano especial e encerramento da recuperação Conteúdo interativo Recuperação extrajudicial Curiosidade Fases da recuperação extrajudicial Primeira fase Segunda fase 1 2 3 Terceira fase Recuperação extrajudicial: fases procedimentais Conteúdo interativo Verificando o aprendizado 2. A falência de empresas, os seus princípios e os pressupostos Conceito de falência Conceito de falência Conteúdo interativo Sentido estático Sentido dinâmico Princípios e pressupostos da falência Princípios Pressupostos Princípios da falência Princípio da igualdade entre os credores do falido Exemplo Princípio da universalidade do concurso Massa de bens Massa de credores Princípio da indivisibilidade do juízo Princípio da igualdade Princípio da universalidade Pressupostos para declaração de falência Conteúdo interativo Pressuposto subjetivo Pressuposto objetivo Pressuposto formal Para excluir certas sociedades empresárias da falência Para submeter pessoas naturais não empresárias à falência Comentário Primeira situação Segunda situação Administração e classificação dos créditos na falência Administração da falência Critérios Impedimentos Classificação dos créditos na falência 1ª classe2ª classe 3ª classe 4ª classe 5ª classe 6ª classe Administração e classificação da falência Conteúdo interativo Breves noções sobre procedimento falimentar Fase preliminar Fase de informação ou instrução Fase de liquidação Fase preliminar ou pré-falimentar Comentário Fase de informação ou de instrução Credores Falido Fase de liquidação Breves noções sobre procedimento falimentar Conteúdo interativo Conhecendo a extinção das obrigações do falido e sua reabilitação O decurso do prazo de cinco anos O decurso do prazo de dez anos Extinção das obrigações dos falidos e sua reabilitação Conteúdo interativo Verificando o aprendizado 3. Conclusão Considerações finais Podcast Conteúdo interativo Explore + Referências