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1 PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS DA FISIOLOGIA DO EXERCÍCIO PARA APTIDÃO, DESEMPENHO E SAÚDE PROF. DR. CLÓVIS SOUSA clovissousa@usp.br Departamento de Educação Física e Desportos Centro de Ciências da Saúde Prof. Clóvis Sousa 2 OBJETIVO - Definir Fisiologia do Exercício; - Descrever os limites do exercício físico; - Identificar os fatores que influenciam estes limites; - Compreender os efeitos agudos e crônicos do exercício físico em diferentes grupos populacionais. Prof. Clóvis Sousa 3 Do grego “physis” = natureza, função ou funcionamento e “logos” = estudo. � Área de conhecimento derivada da Fisiologia caracterizada pelo estudo dos efeitos agudos e crônicos do exercício físico sobre as estruturas e as funções dos sistemas do corpo humano. = Fisiologia do Esforço ou Fisiologia da Atividade Física ≠ Fisiologia do Esporte ≠ Fisiologia do Exercício Clínico (prevenção, controle e tratamento das doenças) � Considerada uma das disciplinas mais tradicionais relacionadas à prática acadêmica e profissional da Educação Física. Forjaz e Tricoli, 2011; Robergs e Roberts, 2002. DEFINIÇÃO Fisiologia do Exercício Prof. Clóvis Sousa 4 � O exercício físico possui a capacidade de desequilibrar variáveis homeostáticas: - O músculo esquelético produz grandes quantidades de ácido lático gerando aumento da acidez intra e extracelular; - Aumento da demanda de O2 pelos músculos; - Aumento da produção de CO2; - Aumento da quantidade de calor produzida pelos músculos. � Estas alterações devem ser contrabalançadas por: - Aumento da ventilação pulmonar (respiração); - Aumento do fluxo sanguíneo; - Aumento da liberação de O2 ao músculo em exercício; - Aumento da remoção de CO2 produzido pelo metabolismo; - Aumento da remoção de calor para evitar superaquecimento do organismo. Powers e Howley, 2009; Robergs e Roberts, 2002. INTRODUÇÃO Fisiologia do Exercício Prof. Clóvis Sousa 5 � Limites para o exercício físico: - Limite de frequência cardíaca: ponto em que o aumento do batimento cardíaco começa a cair na medida em que a intensidade do exercício aumenta (ponto de inflexão da FC); - Limiar ventilatório: ponto em que o aumento da ventilação começa a ficar maior que a taxa de aumento de captação do oxigênio (aumento desproporcional); - Limiar de lactato: ponto em que o lactato sanguíneo apresenta elevação desproporcional acima dos níveis de repouso. � Fatores que influenciam este limite: - Capacidade máxima do sistema cardiorrespiratório de liberar O2 ao músculo; - Capacidade muscular de captar O2 e produzir trifosfato de adenosina (ATP) aerobiamente. � Um dos princípios fundamentais da fisiologia do exercício é... - A relação entre o aumento da captação de O2 e o aumento correspondente no débito cardíaco; - A relação linear (inclinação) depende do condicionamento aeróbio do indivíduo. Powers e Howley, 2009; Robergs e Roberts, 2002. INTRODUÇÃO Fisiologia do Exercício INTRODUÇÃO McArdle et al., 2008; Powers e Howley, 2009. Prof. Clóvis Sousa 7 Fisiologia do ExercícioFisiologia do Exercício McArdle et al., 2008. Prof. Clóvis Sousa 8 Fisiologia do ExercícioFisiologia do Exercício Powers e Howley, 2009; Robergs e Roberts, 2002. McArdle et al., 2008. Prof. Clóvis Sousa 10 Fisiologia do ExercícioFisiologia do Exercício Prof. Clóvis Sousa 12 Fisiologia do ExercícioFisiologia do Exercício McArdle et al., 2008. Concentração sanguínea de lactado em diferentes níveis de exercício para indivíduos treinados e destreinados. McArdle et al., 2008. Prof. Clóvis Sousa 14 Fisiologia do ExercícioFisiologia do Exercício Prof. Clóvis Sousa 15 Qual sistema parará primeiro ??Qual sistema parará primeiro ?? Fisiologia do ExercícioFisiologia do Exercício Sedentário – 55 anosSedentário – 55 anos FCmax (bpm) = 165 VVM (L/min) = 200 VO2max (L/min) = 2,5 Cargamax (w) = 200 FCmax (bpm) = 165 VVM (L/min) = 200 VO2max (L/min) = 2,5 Cargamax (w) = 200 Sedentário – 55 anosSedentário – 55 anos Sedentário – 55 anosSedentário – 55 anos Sedentário – 55 anosSedentário – 55 anos Atleta – 31 anosAtleta – 31 anos FCmax (bpm) = 189 VVM (L/min) = 185 VO2max (L/min) = 5 Cargamax (w) = 400 FCmax (bpm) = 189 VVM (L/min) = 185 VO2max (L/min) = 5 Cargamax (w) = 400 DPOC – 65 anosDPOC – 65 anos FCmax (bpm) = 155 VVM (L/min) = 30 VO2max (L/min) = 0,9 Cargamax (w) = 40 FCmax (bpm) = 155 VVM (L/min) = 30 VO2max (L/min) = 0,9 Cargamax (w) = 40 Prof. Clóvis Sousa 22 Exercício FísicoExercício Físico Prof. Clóvis Sousa 23 Exercício FísicoExercício Físico Prof. Clóvis Sousa 24 ���� Respostas Fisiológicas Agudas (efeitos): - Aumento da frequência cardíaca (FC) - Aumento do volume sistólico (VS) - Aumento do débito cardíaco (DC) - Aumento do consumo máximo de oxigênio (VO2máx) - Aumento da PA sistólica sem alteração da PA diastólica - Aumento da ventilação minuto (VE) - Aumento do fluxo sanguíneo para as áreas musculares ativas Nieman, 2011; Powers e Howley, 2009. EFEITOS AGUDOS E CRÔNICOS Exercício Físico Prof. Clóvis Sousa 25 ���� Adaptações Fisiológicas Crônicas (efeitos): ���� Sistema muscular: Aeróbio: aumento de mioglobina, n° e tamanho das mitocôndrias, quant de glicogênio no músculo, fibras de contração lenta, capilarização, maior capacidade de oxidar gordura, diminuição dos níveis de lactato; Anaeróbio: aumento do tamanho das fibras de contração rápida, da massa magra, da força. ���� Sistema cardiovascular: Aeróbio: aumento do tamanho do coração, VS, DC, densidade capilar, VO2máx, limiar anaeróbio, capacidade de trabalho, fluxo sanguíneo para os músculos ativos, e redução da FC e da PA de repouso, do VCO2. ���� Sistema pulmonar: Aeróbio: redução VE, razão de troca respiratória (R). EFEITOS AGUDOS E CRÔNICOS Exercício Físico Nieman, 2011; Powers e Howley, 2009. Prof. Clóvis Sousa 26 Doenças/grupos especiais onde se aplica o exercício físico regular para prevenção, controle e tratamento ACSM, 2004; American Heart Association, 2005; Nieman, 2011. Doenças/grupos Doenças/Distúrbios/Condições Cardiovasculares Infarto Agudo do Miocárdio, Doença Arterial Coronariana, Acidente Vascular Cerebral, Insuficiência Cardíaca Congestiva, Miocardiopatias. Pulmonares DPOC, Asma, Fibrose Cística, Câncer de Pulmão, Transplante de Pulmão. Metabólicas Obesidade, Diabetes, Doença Renal, Síndrome Metabólica. Neuromusculares Esclerose Múltipla, Doença de Parkinson e de Alzheimer, Poliomielite, Paralisia Cerebral, Disfunção da Medula Espinhal, Miopatias, Distrofias Musculares. Imunológicas e Hematológicas Cânceres, Deficiência Imune, Alergias, Doença Falciforme, HIV/AIDS. Musculoesqueléticas Osteoporose, Distúrbios Posturais, Osteoartrite e Artrite Reumatóide, Fibromialgia, Lesões por Esportes. Cognitivas e Emocionais Ansiedade, Depressão, Estresse, Deficiência Intelectual. Idosos Sarcopenia, Sedentarismo de longa data. Benefício da Atividade Física Evidência Científica Benefício da Atividade Física Evidência Científica Doença Cardiovascular Níveis de Colesterol/Lipoproteínas Prevenção da DAC ++++ Diminui o colesterol sanguíneo total + Tratamento coadjuvante da DC +++ Diminui o colesterol LDL + Regressão da aterosclerose ++ Diminui os triglicerídeos +++ Prevenção do AVC ++ Eleva o colesterol HDL +++ Câncer Idosos Prevenção do câncer de cólon ++++ Melhora a aptidão ++++ Prevenção do câncer de mama ++ Melhora da expectativa de vida ++++ Prevenção do câncer uterino ++ Melhora da QV ++++ Prevenção do câncer de próstata ++ Prevenção do ganho de gordura +++ Prevenção de outros cânceres + Prevenção da perda de músculo +++ Tratamento coadjuvante do câncer + Menor perda de aptidão cardíaca ++ Osteoporose Artrite Aumenta a densidade mineral óssea ++++ Prevenção da artrite + Prevenção da osteoporose +++ Tratamento/cura da artrite + Tratamento da osteoporose ++ Melhora da qualidade de vida ++++ Lombalgia Pressão Arterial Elevada Prevenção da lombalgia ++ Prevenção da pressão arterial alta ++++ Tratamento da lombalgia ++ Tratamento da pressão arterial alta ++++Diabetes Mellitus (DM) Infecção e Imunidade Prevenção do DM tipo 2 ++++ Prevenção de resfriado ++ Tratamento do DM tipo 2 +++ Melhora da imunidade geral ++ Melhora da qualidade de vida (QV) +++ Melhora QV das pessoas com HIV ++++ Bem-Estar Psicológico Crianças e adolescentes Elevação do estado de humor ++++ Prevenção da obesidade +++ Prevenção da depressão ++++ Controle de fatores de risco +++ Redução da ansiedade ++++ Redução do estilo de vida ruim ++ Melhora a autoestima ++++ Aumento de atividades nos adultos ++ Mulheres Tabagismo Melhora a aptidão durante a gravidez ++++ Aprimora o sucesso abandono fumo ++ Melhora o trabalho de parto ++ Sono Melhora a saúde durante a menopausa +++ Melhora a qualidade do sono +++ ++++Consenso absoluto, pequeno n°/ausência de dados conflitantes; +++Maioria dos dados evidenciados, pouca necessidade de mais pesquisa; ++Alguns dados evidenciados, porém é necessária mais pesquisa; + Pequeno n° ou ausência de dados evidenciados. Prof. Clóvis Sousa 28 ATIVIDADE Pesquisar e responder: - O que é Fisiologia do Exercício? Do Esporte? E do Exercício Clínico? Diferencie. - Quais os 3 limites para o exercício físico? Os 3 sistemas? - Quais os fatores que influenciam estes limites para o exercício físico? - Na população geral, qual desses sistemas parará o exercício físico máximo? - Em populações especiais, qual desses sistemas faz parar o exercício físico máximo? - Quais os efeitos agudos e crônicos do exercício físico? FORJAZ, Cláudia Lúcia de Moraes; TRICOLI, Valmor. A fisiologia em educação física e esporte. Rev. bras. educ. fís. esporte, São Paulo, v. 25, n. spe, Dec. 2011. Prof. Clóvis Sousa 29 MUITO OBRIGADO !!! clovissousa@usp.br “Saúde não é tudo, mas tudo é nada sem saúde” Schopenhauer