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ELEMENTOS DE 
CONTABILIDADE 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 AULA 2 
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Aspectos sobre a Teoria da 
Contabilidade 
 
 
2.1 ORIGEM 
Podemos tratar a Teoria da Contabilidade como um conjunto coerente (sem a pretensão de 
exatidão) de postulados, princípios, restrições, qualidades de informação contábil, o todo 
subordinado aos objetivos das demonstrações contábeis e não fugindo da crítica questão do 
Ativo, Passivo e Patrimônio Líquido (incluindo Receita e Despesa) para orientar a prática contábil. 
Alguns aspectos importantes tratados pela Teoria da Contabilidade são: 
 Objetivos da Contabilidade. 
 Cenários Contábeis. 
 Princípios Fundamentais da Contabilidade: 
o postulados; 
o princípios; 
o convenções. 
 
2.2 OBJETIVOS DA CONTABILIDADE 
Contabilidade pode ser considerada como sistema de informação destinado a prover seus 
usuários de dados para ajudá-los a tomar decisão. 
Usuários podem ser considerados como qualquer pessoa (física ou jurídica) que tenha 
interesse em conhecer dados (normalmente fornecidos pela contabilidade) de uma entidade. 
Os usuários podem ser internos _____________________________________________ 
ou externos _______________________________________________________________ 
Normalmente, os dados são elementos importantes constantes nos Relatórios Contábeis 
(resumos, periódicos e ordenados), que abrangem informações econômico-financeiras 
(patrimônio, capital, fluxo de caixa e despesas etc.). 
O objetivo principal da contabilidade, portanto, conforme a Estrutura Conceitual Básica da 
Contabilidade, é o de permitir a cada grupo principal de usuários a avaliação da situação 
econômica e financeira da entidade, num sentido estático, bem como fazer inferências sobre 
suas tendências futuras. 
 
2.3 CENÁRIOS CONTÁBEIS 
A Contabilidade é uma ciência social, pois estuda o comportamento das riquezas que se 
integram no patrimônio, em face das ações _______________. 
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Ainda que a Contabilidade se utilize de métodos quantitativos, não se pode confundi-la com 
as ciências matemáticas (ou exatas), que têm por objeto as quantidades consideradas abstratas 
que independem das ações humanas. 
A Contabilidade surgiu basicamente da necessidade de donos de patrimônio que desejavam 
mensurar, acompanhar a variação e controlar suas riquezas. Daí podermos afirmar que a 
Contabilidade surgiu em função de um usuário específico, o homem proprietário de patrimônio 
que, de posse das informações contábeis, passa a conhecer melhor sua “saúde” econômico-
financeira, tendo dados para propiciar tomada de decisões mais adequadas. Podemos chamar 
de cenários contábeis primitivos o estágio embrionário em que as entidades comerciais e 
industriais estavam, em que o proprietário era a figura central da ação empresarial. 
Com o passar do tempo, novos usuários foram surgindo, tais como: o banqueiro, o fornecedor 
de mercadorias a prazo, o governo, o administrador, os acionistas, os empregados, os clientes, 
os sindicatos, os partidos políticos e outros segmentos da sociedade. Assim, temos hoje um 
cenário moderno da Contabilidade, o qual não se volta para o dono, mas para a entidade (como 
figura central), entidade está em rápido nível de crescimento, tornando-se (ou podendo tornar-
se) empresa de porte, num crescimento tecnológico de mercado, de qualidade muito grande 
numa realidade de relativa instabilidade de preços e mercado. 
2.4 PRINCÍPIOS (CONCEITOS) FUNDAMENTAIS DA CONTABILIDADE 
Existem regras de aplicação geral que orientam os procedimentos e práticas do profissional 
contábil no exercício de sua atividade. Essas regras, conceitos ou princípios visam a um 
tratamento contábil uniforme e servem como guia para a auditoria examinar a qualidade dos 
relatórios contábeis. 
Conforme o livro Contabilidade Introdutória, de uma equipe de professores da FEA/USP, para 
que os princípios sejam aceitos e incorporados à doutrina contábil, há duas condições básicas: 
 Devem ser considerados praticáveis (ainda que com dificuldade) e objetivos pelo 
consenso profissional. 
 Devem ser considerados úteis (relevantes). 
Conforme ainda aquele livro, o princípio, em primeiro lugar, deveria ser considerado adequado 
ou fiel à realidade, isto é, relevante para, em seguida, analisar-se sua praticabilidade (analisar se 
o custo de preparar a informação é menor que o benefício que essa informação trará aos 
usuários). 
Os teóricos da Contabilidade distinguem três grupos de princípios: os postulados, os 
princípios básicos e as normas convencionais. 
Normalmente, a Teoria da Contabilidade admite a necessidade de hierarquizar (priorizar) 
Conceitos, evidenciando que em tudo há hierarquia e que há muitos teóricos que admitem 
divisões nos princípios. É proposta a seguinte hierarquia: 
a) Postulados: São axiomas, dogmas, proposições evidentes cuja aceitação como 
verdadeiras é indiscutível. Os postulados são da entidade contábil e da continuidade. 
b) Princípios: São preceitos básicos que devem orientar os registros contábeis, mutáveis no 
tempo e sujeitos à discussão. São eles: Entidade, Continuidade, Oportunidade, Registro pelo 
Valor Original, Atualização Monetária, Competência e Prudência. Esses princípios garantem que 
as informações contábeis sejam fidedignas, comparáveis e úteis para a tomada de decisões. 
Embora possam ser adaptados conforme mudanças na legislação ou na prática contábil, sua 
aplicação correta é essencial para a qualidade e a transparência das demonstrações contábeis. 
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c) Convenções: São restrições, delimitações, condicionamentos de aplicação aos princípios 
contábeis. O exemplo dado na Teoria da Contabilidade é que os Princípios representam a larga 
estrada a seguir rumo a uma Cidade. As convenções seriam como sinais ou placas que indicam 
com mais especificidade o caminho a seguir, os desvios, as entradas, saídas etc. As convenções 
contábeis são: materialidade, conservadorismo, consistência e objetividade. 
 
2.4.1 POSTULADOS CONTÁBEIS 
2.4.1.1 Entidade Contábil 
Qualquer indivíduo, empresa, grupo de empresas ou entidades, que efetue movimentações 
quantificáveis monetariamente, desde que haja necessidade de manter Contabilidade, será 
tratado como uma entidade contábil. 
PAUSA PARA REFLEXÃO 
João, Amadeu e Carlos reúnem-se para constituir uma empresa com a finalidade de prestar 
serviços de encanamento. Resolvem denominar a empresa de O REI DOS ENCANADORES LTDA. 
Elaboram um contrato que contém as principais disposições convencionais. Concluem, ainda, a 
necessidade de possuir uma Contabilidade (para tanto, o Sr. Amadeu é escolhido como o 
realizador e idealizador da Contabilidade de sua empresa). O Rei dos Encanadores Ltda., a partir 
desse momento, será visto como uma entidade contábil. 
 
A. A entidade e a personalidade jurídica 
A moderna teoria contábil vem evidenciar que não há necessidade de uma conotação jurídica, 
isto é, de personalidade jurídica (registro na Junta Comercial, Secretaria da Fazenda etc.) para 
identificar-se uma entidade contábil. 
Uma sociedade irregular (de fato) pode, perfeitamente, ser uma entidade contábil. Um setor 
de uma empresa, desde que se identifique a necessidade de relatório contábil individualizado, 
que se destaca dos demais setores em aspectos como receitas (vendas) e despesas, 
investimentos etc., pode ser tratado como uma entidade contábil ou subentidade contábil. 
Uma pessoa física que, pela complexidade e volume de seus negócios, necessite manter 
Contabilidade para si, será tratada como uma entidade contábil. O mesmo podemos dizer para 
uma igreja, um clube de recreação, todas as entidades sem fins lucrativos etc. 
PAUSA PARA REFLEXÃO 
Como regra básica, o Sr. Amadeu, com plenos poderes em sua nova função, estabelece uma 
primeira norma: “não vamos misturar as coisas: dinheiro dos sócios não entra na Contabilidade 
da empresa e, como contrapartida, os sócios não metem a mão no dinheiro da empresa”. Por que 
essa é a regraáurea da Contabilidade? 
 
B. A entidade e os sócios 
Quando se fala em entidade contábil, uma característica fundamental é a manutenção de 
registros contábeis que destaquem a entidade como pessoa distinta das pessoas dos sócios (ou 
acionistas). Portanto, a Contabilidade objetiva relatar fatos contábeis concernentes à entidade 
contábil para os sócios e a outros usuários dos relatórios contábeis. 
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Assim, em uma atividade agropecuária, por exemplo, o contador deverá separar os gastos 
originados pelo negócio (entidade contábil) dos gastos do pecuarista (proprietário), sobretudo 
quando este reside na própria fazenda. Se há um único medidor de consumo de luz na fazenda, a 
contabilidade terá como incumbência separar (embora não seja uma tarefa fácil) o que compete 
ao empreendimento do que foi consumido particularmente pelo proprietário. Se, em uma 
emergência, o sócio tirar dinheiro do bolso e pagar uma conta da empresa, a contabilidade 
registrará um empréstimo que a pessoa física está fazendo à pessoa jurídica ou à entidade 
contábil para que esta pague uma dívida. E se, em outra condição excepcional, o sócio utilizar 
dinheiro da firma, a contabilidade registrará um empréstimo da entidade para o sócio (ou um 
adiantamento). Portanto, a contabilidade não pode impedir certos fatos que, de início, venham 
ferir um princípio básico, mas estabelecer corretivos e, se possível, tentar disciplinar os sócios 
em face das normas contábeis. 
 
2.4.1.2 Continuidade 
Contabilmente, as entidades são consideradas empreendimento em prosseguimento (em 
operação, em continuidade, em andamento). Com base na continuidade, a empresa realiza 
grandes investimentos, constrói prédio, adquire tecnologia, contrai financiamentos etc. 
Esse princípio básico de contabilidade contribui notavelmente para a avaliação monetária dos 
bens da empresa. 
Como sabemos, há certos bens que a empresa, como “algo em andamento” (continuidade), 
não destina à venda, mas a utilizar em seu negócio. É o caso, por exemplo, de uma indústria que 
possui Máquinas e Equipamentos como meio de produção, não desejando, evidentemente, 
vender essas máquinas, mas utilizá-las em seu empreendimento. 
Ora, se a empresa não deseja vender as máquinas, estas não deverão ser avaliadas pelo preço 
corrente de mercado (preço de venda ou de saída). Deverão, entretanto, ser avaliadas por sua 
capacidade atual de trazer benefícios futuros para o empreendimento em andamento, ou seja, a 
valores de entrada (preço de aquisição, ou o preço que custaria para repor essa máquina no 
estado em que se encontra). 
 
PAUSA PARA REFLEXÃO 
O contador da Indústria Metalúrgica Amazonas S.A. está indeciso em atribuir o valor adequado 
para uma máquina usada, adquirida como um bem de produção para sua empresa (portanto, a 
empresa não pretende vender a máquina, porém utilizá-la). Seria por 5 milhões (preço de compra) 
ou por 4,5 milhões (preço de tabela de venda se a empresa quisesse dispor dela naquele 
momento)? 
Se partirmos do pressuposto de que a empresa é algo em andamento (continuidade) e que 
utilizará o bem na manutenção de sua atividade, não o destinando, portanto, à venda, deveremos 
avaliar por qual preço? Se, eventualmente, a empresa entrasse em um processo de liquidação 
(descontinuidade), a avaliação adequada de seus bens seria qual preço? 
 
No caso de se detectar a impossibilidade de prosseguimento do empreendimento 
(descontinuidade), por meio de dados esclarecedores (evidências, tais como prejuízos 
constantes, liquidação extrajudicial etc.), o contador deverá informar aos usuários dos relatórios 
contábeis tal situação. Essa é uma “responsabilidade social” do contador. 
 
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2.4.2 PRINCÍPIOS CONTÁBEIS 
Princípios são regras amplas e fundamentais que direcionam a forma de registrar, classificar 
e interpretar fatos contábeis. No Brasil, eram formalmente estabelecidos pela Resolução CFC 
750/1993 (revogada em 2016, mas ainda úteis como base conceitual). Esses princípios 
funcionam como alicerces para a contabilidade, garantindo que as informações financeiras 
sejam confiáveis, comparáveis e úteis para a tomada de decisões. 
Os Princípios Contábeis Foram Extintos? 
Mesmo com a revogação da Resolução 750/1993 os princípios de contabilidade não deixaram 
de existir. Os princípios, na verdade, não foram eliminados e sim diluídos nos diversos CPCs. 
Conforme publicação pelo próprio CFC (Conselho Federal de Contabilidade) em novembro de 
2016 o comunicado “Revogação da Resolução nº 750/1993: contexto e considerações” o fato de 
ter revogado a resolução não extingue os princípios contábeis: 
“Revogar a Resolução nº 750/1993, porém, não significa que os 
Princípios de Contabilidade estejam extintos. A revogação das resoluções 
visa à unicidade conceitual, indispensável para evitar divergências na 
concepção doutrinária e teórica, que poderiam comprometer aspectos 
formais das Normas Brasileiras de Contabilidade (NBCs)” 
“Com isso, os Princípios de Contabilidade, sob o ponto de vista das 
Estruturas Conceituais dos setores privado e público, passaram a ser 
comportados dentro das normas específicas, respectivamente, a NBC TG 
Estrutura Conceitual (Resolução nº 1.374/2011) e NBCTSP EC.” 
Assim, entende-se que a Resolução 750/1993, que tratava de forma compilada os princípios 
contábeis, numa só resolução, a partir de 2017, eles serão tratados em CPCs específicos, ou 
seja, foram diluídas em diversos CPCs. 
 
2.4.2.1 Princípio da Entidade 
Igual ao postulado da entidade, reafirma que a empresa é separada do proprietário. Esse 
princípio impede que os bens, obrigações e resultados pessoais dos sócios sejam misturados 
com os da empresa. 
Exemplo: 
 Se o dono retira dinheiro do caixa para uso pessoal, isso deve ser registrado como 
retirada de sócio (e não como despesa da empresa). 
 Se o proprietário usa um carro pessoal para prestar serviço à empresa, deve-se 
registrar um aluguel ou reembolso como operação entre partes relacionadas. 
 
2.4.2.2 Princípio da Continuidade 
Igual ao postulado da continuidade. Pressupõe que a empresa continuará operando no futuro 
previsível, a menos que haja evidência contrária (falência, liquidação, encerramento planejado). 
Exemplo: 
 Uma fábrica comprando uma máquina com vida útil de 10 anos parte da premissa de 
que continuará operando durante todo esse período. 
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 Se houver risco de encerramento, a avaliação patrimonial muda: ativos podem 
precisar ser ajustados ao valor de liquidação. 
 
2.4.2.3 Princípio da Oportunidade 
Os fatos contábeis devem ser registrados de forma integral e no momento mais adequado, 
assegurando que as informações sejam tempestivas, completas e confiáveis. Esse princípio 
determina que qualquer variação relevante no patrimônio da entidade, seja positiva ou negativa, 
deve ser reconhecida assim que houver evidências suficientes, mesmo que o recebimento ou 
pagamento ainda não tenha ocorrido. 
Exemplos: 
 Registrar imediatamente uma provisão para perdas em um processo judicial assim 
que este se tornar provável e mensurável. 
 Reconhecer a redução ao valor recuperável (impairment) de um ativo tão logo se 
identifique perda de valor. 
 Atualizar o valor de um investimento de acordo com a cotação de mercado disponível, 
para que as demonstrações contábeis reflitam a realidade patrimonial. 
 
2.4.2.4 Princípio do Registro pelo Valor Original 
Os ativos e passivos devem ser registrados pelo valor de aquisição, e esse valor só muda por 
procedimentos previstos em norma (como depreciação, reavaliação ou ajuste a valor justo). 
Exemplo: 
 Se um terreno comprado por R$ 100 mil hoje vale R$ 200 mil, no balanço ele 
permanece por R$ 100 mil até haver norma que permita ajuste. 
 Uma empresa que compra máquinas importadas deve registrá-las pelo valor pago 
(incluindo frete e impostos), independentemente de o valor de mercado variar logo 
depois. 
A valorização de um imóvel por motivos de mercado não pode ser reconhecida de forma 
espontânea,apenas conforme normas específicas. 
 
2.4.2.5 Princípio da Atualização Monetária 
Os valores devem ser corrigidos para refletir a moeda de poder aquisitivo da data das 
demonstrações, evitando distorções causadas pela inflação. 
No Brasil, essa atualização plena não é mais aplicada para todos os itens, mas permanece em 
casos específicos (como aplicações financeiras, ativos no exterior ou contratos indexados). 
Exemplo: 
 Títulos atrelados ao IPCA ou CDI têm seu valor atualizado periodicamente para refletir 
a variação monetária, garantindo que o patrimônio contábil seja realista. 
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2.4.2.6 Princípio da Competência 
As receitas e despesas devem ser reconhecidas no período a que se referem, 
independentemente de pagamento ou recebimento. 
Exemplo: 
 Se a empresa paga aluguel de janeiro em fevereiro, a despesa é de janeiro. 
 Uma empresa de eventos que recebe o pagamento em dezembro por um show que 
ocorrerá em janeiro não pode registrar a receita em dezembro. Ela pertence ao mês do 
evento. 
 Uma venda de produto em novembro que só será paga em março do ano seguinte deve 
ser reconhecida em novembro. 
 
2.4.2.7 Princípio da Prudência 
Determina registrar receitas apenas quando certas e despesas assim que forem prováveis. 
Visa evitar superavaliação de ativos e receitas e subavaliação de passivos e despesas. 
Exemplo: 
 Registrar uma provisão para devedores duvidosos antes mesmo da inadimplência 
efetiva. 
 Se há uma ação judicial contra a empresa e os advogados avaliam alta probabilidade 
de perda, deve-se registrar a provisão mesmo que o valor exato ainda seja incerto. 
 Uma possível receita futura não deve ser reconhecida até estar totalmente garantida 
por contrato e entrega. 
 
2.4.3 CONVENÇÕES CONTÁBEIS 
 
2.4.3.1 Objetividade 
Para que não haja distorções nas informações contábeis, o contador deverá escolher, entre 
vários procedimentos, o mais adequado (o mais objetivo) para descrever um evento contábil. 
Um dos aspectos quase sempre abordados é que os registros contábeis deverão ter suporte, 
sempre que possível, em documentação gerada nas transações ou evidência que possibilite 
(além do registro) a avaliação. 
Numa situação em que não haja documento para suporte de contabilização, poder convocar 
peritos em avaliação que, mediante laudos, forneceriam um valor objetivo para o contador 
desenvolver, de maneira imparcial, sua contabilidade. 
É importante a impessoalidade (neutralidade) do contador (em relação aos usuários dos 
informes contábeis) que, quanto mais objetivo for, mais imparciais (não enviesados) serão esses 
informes. 
 
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Observe que no exemplo em que abordávamos a compra de uma máquina por R$5 milhões, 
cujo preço tabelado no mercado era de R$ 4,5 milhões, o contador fará o registro por R$ 5 milhões 
(suporte na documentação gerada na transação). Se, por exemplo, a máquina adquirida por R$5 
milhões tivesse como preço de mercado R$ 8 milhões, o contador seria objetivo se a registrasse 
por R$ 5 milhões. Portanto, de nada valeria a opinião do contador sobre o melhor preço a ser 
registrado. Ele (o contador) será, então, objetivo, neutro, imparcial e impessoal. 
 
2.4.3.2 Consistência 
Uma vez adotado certo critério contábil, dentro de vários igualmente relevantes, ele não 
deverá ser mudado, de ano para ano (ou constantemente), porque, ao assim o fazendo, 
estaríamos impossibilitando a comparação dos relatórios contábeis (no decorrer do tempo) e dos 
estudos preditivos (tendências). 
Isso não quer dizer que, se condições supervenientes induzirem a mudar de critério, não deva 
ser feito. Por meio de evidenciação (Notas Explicativas) nos relatórios contábeis, expondo a 
mudança de critério e suas implicações no lucro da empresa (se houver), a mudança será 
realizada. 
Quando houve a Lei das Sociedades por Ações (1976 e agora 2007), observamos mudanças 
de critérios em diversas empresas. Entretanto, isso não pode ser encarado como quebra de 
consistência, porque se trata de uma mudança esporádica e, em certos casos, até compulsória. 
Nesse caso, a mudança deverá ser evidenciada em Notas Explicativas. 
É importante ressaltar, aqui, que as Leis das Sociedades por Ações (1976 e 2007) 
consolidaram, como notável contribuição à contabilidade, a uniformidade nos relatórios 
contábeis. Dessa forma, diversos tipos de sociedades apresentam relatórios padronizados, a 
mesma estrutura em sua forma final, facilitando a comparação dos relatórios entre empresas do 
mesmo ramo operacional ou, ainda, de atividade diferente (evidentemente, a comparação se 
tornaria difícil, por exemplo, entre uma indústria e uma instituição financeira, ou empresa de 
seguros, dadas as peculiaridades de ramos de atividade). 
Todavia, é preciso destacar que uniformidade não é consistência, sendo esta um princípio 
básico, enquanto aquela, não. A uniformidade está mais no terreno legal do que no científico. Na 
realidade, a consistência refere-se ao contexto temporal, no âmbito da própria empresa, 
enquanto a uniformidade abrange relatórios estruturados dentro das mesmas normas legais, em 
empresas distintas. 
 
2.4.3.3 Materialidade 
Por meio da materialidade, definiremos o que é material (relevante) e o que o contador deve 
informar em seus relatórios. Um ângulo bastante interessante para visualizar a materialidade é a 
análise do binômio Custo x Benefício. 
Há determinadas informações contábeis cujo custo para evidenciá-lo (tempo do pessoal da 
contabilidade, material, computador) é maior que o benefício que trará aos usuários (acionistas, 
administradores) dessas informações. 
O esforço “sobrenatural” para encontrar uma pequena diferença (esporádica) nos relatórios 
contábeis; a mobilização de todo um departamento contábil para constatar se o consumo de 
embalagem no valor de R$0,016 refere-se ao produto A, B ou C etc. são exemplos de montantes 
irrelevantes que muitas vezes tornam imaterial sua informação, ou seja, o benefício gerado é 
menor que o custo. 
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Portanto, para valores irrisórios em relação ao todo, a “materialidade” desobriga a um 
tratamento mais rígido que os itens de cifras relevantes. 
 
PAUSA PARA REFLEXÃO 
“Não vamos dar um tratamento rigoroso aos itens de valores pequenos”, diz o Sr. Amadeu. 
“Vamos fazer relatórios que sejam importantes para que a Diretoria tome decisões, para que 
haja grandes benefícios para a empresa, compensando assim a despesa (custo) que vamos ter 
com o Departamento de Contabilidade: funcionários, máquinas, móveis, papéis...” 
 
2.4.3.4 Conservadorismo 
A posição conservadora (precaução) do contador será evidenciada para antecipar prejuízo e 
nunca antecipar lucro. Assim, ele não influenciará os acionistas, por exemplo, a um otimismo que 
poderá ser ilusório. 
Assim, se a empresa detém um estoque cujo custo de aquisição (ou de fabricação) seja de R$ 
10 milhões, e o valor de mercado (preço que a empresa obteria se vendesse seu estoque hoje) 
fosse de R$ 8,1 milhões, o contador deve antecipar o prejuízo de R$ 1,9 milhão, sem perspectiva 
de aumento do preço, mesmo que a mercadoria não tenha sido vendida. Note que o prejuízo ainda 
não ocorreu; todavia, para não esconder dos acionistas uma situação negativa que poderá ocorrer 
num futuro próximo, o prejuízo será antecipado. 
Se o contador estiver em dúvida diante de dois montantes, igualmente válidos de dívida da 
empresa com terceiros, ele deverá registrar o maior valor. Assim, se, no momento do pagamento 
da dívida, prevalecer o maior valor, ninguém terá surpresa desagradável. Na contabilidade, como 
medida de prudência, será evidenciada uma situação pessimista, evitando transtornos não 
previstos. 
Portanto, o objetivo do conservadorismo é não dar uma imagem otimista em uma situação 
alternativa que, com o passar do tempo, poderá reverter-se. 
 
RESUMO 
A Teoria da Contabilidade é um conjunto coerente de postulados, princípios e convenções que 
orientam a prática contábil, sempre alinhada aos objetivos das demonstrações financeiras.Seu 
propósito é fornecer informações úteis e relevantes aos usuários internos (como gestores) e 
externos (como investidores e governo), para avaliar a situação econômico-financeira de uma 
entidade e auxiliar na tomada de decisões. A contabilidade surgiu da necessidade de mensurar, 
acompanhar e controlar riquezas, evoluindo de um foco no proprietário para uma visão voltada à 
entidade como centro das operações. 
Os princípios fundamentais se dividem em três níveis hierárquicos: 
(1) Postulados — verdades universais aceitas sem contestação, como o da entidade contábil e da continuidade; 
(2) Princípios — regras amplas e mutáveis que norteiam registros, como entidade, continuidade, oportunidade, 
valor original, atualização monetária, competência e prudência; 
(3) Convenções — restrições que ajustam a aplicação dos princípios, como objetividade, consistência, 
materialidade e conservadorismo. Esses conceitos foram antes reunidos na Resolução CFC 750/1993, mas hoje estão 
incorporados a normas e CPCs específicos. 
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Cada postulado e princípio possui implicações práticas: por exemplo, separar bens da 
empresa e dos sócios (princípio da entidade), avaliar ativos conforme sua utilização contínua 
(continuidade), registrar fatos no momento em que ocorrem (oportunidade) e reconhecer 
despesas prováveis antes de receitas incertas (prudência). Já as convenções asseguram a 
aplicação prática com clareza e consistência, evitando distorções e priorizando informações 
relevantes. 
Em suma, a Teoria da Contabilidade fornece a base conceitual para que a informação contábil 
seja útil, objetiva e comparável. Ao combinar fundamentos teóricos com aplicação prática e 
postura ética, garante que os relatórios contábeis sirvam como ferramenta confiável para 
decisões estratégicas, refletindo a realidade econômica das entidades e atendendo às 
necessidades de diferentes usuários. 
 
AVALIAÇÃO DO APROVEITAMENTO 
Questão 1 — Quadro Comparativo 
Com base no conteúdo estudado sobre Postulados, Princípios e Convenções Contábeis, 
complete o quadro fornecido pelo professor, preenchendo para cada item: 
 O conceito (em suas palavras) 
 Um exemplo prático 
 Utilize linguagem clara e objetiva. A atividade será entregue na próxima aula. 
 
Categoria Nome Conceito Exemplo prático
Princípio Entidade
Princípio Continuidade
Princípio Oportunidade
Princípio
Registro pelo Valor 
Original
Princípio Atualização Monetária
Princípio Competência
Princípio Prudência
Convenção Objetividade
Convenção Consistência
Convenção Materialidade
Convenção Conservadorismo
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Questão 2 — Estudo de Caso 
Leia cada situação apresentada e identifique qual princípio ou convenção contábil está 
sendo aplicado ou violado. 
Após identificar, justifique sua resposta em 2 a 3 linhas, explicando a relação entre a situação e o 
conceito estudado. 
1. O sócio usa dinheiro do caixa da empresa para pagar sua conta de luz pessoal. 
2. A empresa compra uma máquina por R$ 500.000, mas o valor de mercado dela é R$ 600.000. 
O contador registra pelo valor pago. 
3. A empresa de eventos recebe, em novembro, pagamento integral de um show que ocorrerá 
apenas em janeiro do ano seguinte. 
4. Uma fábrica mantém estoques avaliados pelo custo de aquisição, mesmo que o valor de 
mercado tenha subido. 
5. A empresa registra uma provisão para perdas com clientes que ainda não atrasaram 
pagamentos, mas que já demonstram alto risco de inadimplência. 
6. Um contador mantém, ano após ano, o mesmo método para calcular a depreciação de 
máquinas, sem mudanças arbitrárias. 
7. O relatório contábil deixa de incluir um gasto de R$ 0,50 com papel por considerá-lo 
irrelevante para as demonstrações. 
8. Uma construtora compra um terreno por R$ 1 milhão, esperando usá-lo em suas operações 
futuras. Ela não pretende vendê-lo, mesmo que o mercado esteja pagando R$ 1,5 milhão. 
9. Uma loja registra uma venda no mês em que emitiu a nota fiscal, mesmo que o cliente vá 
pagar só dois meses depois. 
10. Ao avaliar uma dívida judicial incerta, o contador registra o valor mais alto possível para evitar 
surpresas negativas. 
 
Questão 3 — Caça aos Exemplos no Mundo Real 
 
Pesquise na internet situações reais (notícias, balanços, decisões de empresas, casos 
jurídicos) em que seja possível identificar a aplicação de princípios ou convenções 
contábeis. 
Encontre 1 exemplo, indique: 
 
1. Qual foi a situação 
2. Qual princípio ou convenção se aplica 
3. Por que ele se aplica nesse caso 
 
Podem ser utilizados exemplos nacionais ou internacionais.

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