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UNIVERSIDADE FEDERAL DO AMAPÁ PRÓ-REITORIA DE ENSINO DE GRADUAÇÃO CURSO DE BACHARELADO EM ADMINISTRAÇÃO PLANEJAMENTO GERAL DO PROJETO O planejamento geral do projeto constitui a base estruturante do desenvolvimento do APP CLICK SAÚDE e tem como finalidade organizar os recursos, esforços e etapas necessárias para transformar a oportunidade identificada no mercado em uma solução digital funcional, validada e preparada para escala. Planejar, neste contexto, não se limita a prever tarefas, mas envolve também compreender o ecossistema no qual o produto será inserido, avaliar riscos, definir prioridades estratégicas e estabelecer os mecanismos de monitoramento do progresso do projeto. O desenvolvimento do aplicativo será conduzido de forma progressiva, orientado por ciclos de construção, medição e aprendizagem, permitindo que cada decisão seja pautada por evidências geradas ao longo do processo. Ao adotar essa lógica, o projeto evita desperdício de tempo e recursos, reduz falhas comuns em soluções tecnológicas e assegura que a proposta evolua de acordo com as necessidades reais dos usuários, e não com suposições internas. Dessa forma, o planejamento reforça o compromisso com a entrega de um produto útil, desejado pelo mercado e com alto potencial de adoção e continuidade. Para garantir eficiência operacional, o planejamento prevê a integração de diferentes áreas de conhecimento, envolvendo tecnologia, saúde, design, marketing e suporte. O orçamento total estimado em R$200.000,00 é distribuído entre desenvolvimento do software, infraestrutura digital, segurança da informação, design de interface, validação com usuários, suporte e ações de divulgação inicial da solução. Além dos recursos financeiros, o projeto depende fortemente de uma equipe qualificada, capaz de assegurar confiabilidade técnica e experiência do usuário, requisito indispensável ao se tratar de um produto voltado à área da saúde, onde a relação de confiança é decisiva. O planejamento também contempla a previsão de insumos tecnológicos essenciais, como servidores em nuvem, ferramentas de comunicação em tempo real, sistemas de criptografia para proteção de dados, domínio de site institucional, banco de dados seguro e integração via API. Tais elementos são fundamentais para assegurar estabilidade do aplicativo, fluidez no uso e adequada proteção das informações pessoais e médicas dos usuários, requisito obrigatório para a conformidade com legislações de privacidade e responsabilidade profissional. No que diz respeito ao tempo, o cronograma foi dimensionado para minimizar riscos e permitir etapas de validação entre uma entrega e outra. Os primeiros dias são dedicados à ideação aprofundada e definição do modelo de negócios; posteriormente, inicia-se o desenvolvimento do protótipo mínimo viável (MVP), seguido da etapa de testes controlados com o público-alvo. Um período final é reservado para análise crítica dos resultados, integração de melhorias e ajustes funcionais antes da transição para uma versão mais robusta do aplicativo. Em síntese, o planejamento geral do projeto se fundamenta em três pilares centrais: a organização estruturada dos recursos, o alinhamento contínuo com as necessidades do mercado e o desenvolvimento progressivo orientado por aprendizagem real. Ao final dessa fase de planejamento, espera-se que o projeto avance para as etapas seguintes com clareza estratégica, riscos reduzidos e uma visão bem definida sobre o valor que o aplicativo entregará tanto aos usuários quanto aos profissionais da saúde. 1. OBJETIVO DO PROJETO O objetivo do presente projeto é desenvolver um aplicativo digital inovador capaz de facilitar o acesso da população aos serviços de saúde, conectando usuários a profissionais e empresas do setor de maneira prática, rápida, segura e financeiramente acessível. A solução proposta visa reduzir de forma significativa as dificuldades e barreiras historicamente observadas no atendimento presencial, como longas filas, burocracia nos agendamentos, indisponibilidade de horários, altos custos e limitações geográficas. O APP CLICK SAÚDE pretende democratizar o acesso à saúde, disponibilizando não apenas consultas e aconselhamentos, mas também serviços complementares, acompanhamento preventivo e aquisição de produtos quando houver indicação e respaldo profissional. Além de atender às necessidades dos usuários, o objetivo do projeto também abrange a criação de oportunidades para profissionais de saúde em início de carreira e empresas do setor. Muitos profissionais encontram dificuldades para se inserir no mercado devido à ausência de consultório físico, ao alto custo de estrutura ou à falta de visibilidade digital. O aplicativo busca solucionar essa questão ao oferecer um ambiente acessível para que esses profissionais possam divulgar seus serviços, alcançar potenciais pacientes, viabilizar atendimentos remotos e fortalecer sua atuação profissional. Dessa forma, o projeto não atende apenas a uma demanda social, mas também a uma demanda econômica e de desenvolvimento profissional. O projeto tem ainda como objetivo promover uma experiência de atendimento humanizada no ambiente digital. Embora o atendimento remoto esteja em expansão no Brasil, poucos serviços conseguem conciliar acessibilidade com acolhimento e suporte contínuo. O APP CLICK SAÚDE foi concebido para ser uma ponte entre a velocidade da tecnologia e a sensibilidade necessária ao cuidado em saúde, proporcionando uma experiência que se aproxime do atendimento presencial, mas com a comodidade e disponibilidade ampliada que o ambiente digital oferece. Outro objetivo importante é contribuir com a redução da sobrecarga das redes de saúde, tanto públicas quanto privadas. Se parte da demanda pode ser atendida digitalmente por meio de orientações, acompanhamento remoto e triagem inicial, profissionais e sistemas de saúde podem direcionar seus recursos de forma mais eficiente, priorizando os casos que realmente necessitam de atendimento presencial. Nesse sentido, o aplicativo se alinha às tendências pós-pandemia, quando a busca por saúde preventiva e por qualidade de vida teve um crescimento expressivo em todo o país. Por fim, o objetivo geral do projeto contempla a validação da solução junto ao público real antes de sua escalabilidade definitiva. A intenção é construir um produto que não apenas exista tecnicamente, mas que efetivamente resolva um problema relevante para a sociedade. Portanto, o aplicativo será construído com base em ciclos de feedback, coletando informações de uso e ajustando suas funcionalidades conforme as necessidades identificadas. A meta final não é simplesmente lançar um software no mercado, mas consolidar uma solução útil e sustentável para o ecossistema da saúde. 2. ETAPAS DE EXECUÇÃO As etapas de execução do projeto foram estruturadas para garantir um desenvolvimento progressivo e seguro do APP CLICK SAÚDE, permitindo que cada avanço seja fundamentado em evidências obtidas junto ao público-alvo. A primeira etapa consiste na ideação e compreensão aprofundada do problema, momento em que a equipe identifica e define com precisão as demandas reais do mercado, as lacunas de atendimento em saúde e o comportamento dos usuários frente às soluções já existentes. Em seguida, é realizada a modelagem do negócio, com a construção do Lean Canvas e o mapeamento de hipóteses relacionadas à proposta de valor, aos segmentos de clientes, aos canais de comunicação, às fontes de receita e aos custos operacionais. Essas duas primeiras fases funcionam como alicerce estratégico, direcionando as escolhas e prioridades do projeto. A etapa seguinte envolve o desenvolvimento do protótipo funcional (MVP), contemplando apenas as funcionalidades essenciais para validar a solução com o público. O MVP inclui recursos que materializam a essência da proposta do aplicativo como acesso direto a profissionais, comunicação digital e agendamento simplificado eliminando elementos secundários que poderiam atrasar o processo de validação. Uma vez que o protótipo está operacional,ele é disponibilizado a um grupo de usuários reais, selecionados de forma estratégica para garantir representatividade tanto de pacientes quanto de profissionais da saúde. Nesse período, são coletados dados de comportamento, impressões espontâneas e feedbacks estruturados sobre facilidade de uso, percepção de utilidade e experiência de atendimento. Por fim, após a fase de testes e validações, o projeto entra na etapa de aperfeiçoamento, na qual os resultados obtidos são analisados minuciosamente para identificar ajustes necessários na funcionalidade, na interface, na comunicação ou no fluxo de uso. Essa etapa representa o ponto de transformação entre um protótipo experimental e um produto preparado para a expansão. Apenas após incorporar as melhorias identificadas e confirmar que a solução atende de forma eficiente ao problema do usuário é que o projeto evoluirá para a escala, contemplando maior número de profissionais, intensificação da divulgação, ampliação das funcionalidades e fortalecimento da infraestrutura tecnológica. Assim, a execução do projeto deixa de ser linear e passa a ser cíclica, garantindo aprendizado contínuo, redução de riscos e evolução sustentável do aplicativo. 3. LEAN CANVAS O Lean Canvas da Proposta reúne os principais elementos do modelo de negócio, sintetizando a relação entre problema, solução, proposta de valor, segmentos de clientes, canais de entrega, estrutura de custos e fontes de receita. Funcionará como uma ferramenta estratégica para orientar o desenvolvimento do produto e permitir ajustes rápidos sempre que novas informações de validação forem obtidas. Essa visão sistêmica favorece decisões assertivas e alinhadas à realidade do mercado. 4.1 Clientes · Usuários dos serviços de saúde pública e privada que enfrentam dificuldade no atendimento ou marcação de consulta, pessoas idosas ou com dificuldade de locomoção, além daqueles que tem preferência por consultar com profissionais da saúde de outras localidades; · Profissionais do serviço de saúde recém inseridos no mercado de trabalho, que ainda não possuem nome conhecido e nem carta de clientela diversificada, profissionais que ainda não possuem consultórios, espaços próprios ou adequados para o exercício de sua profissão ou ainda aquele profissional de saúde que ainda não se utiliza de meios digitais como ferramenta de trabalho. 4.2 Proposta de Valor · Foco na rapidez e eficiência: Tenha mais saúde num clique. Consultas e outros serviços de saúde rápido e fácil, na palma da mão! · Foco na qualidade dos profissionais de saúde envolvidos no projeto; · Foco no atendimento personalizado: oferecer acompanhamento durante todo o processo histórico de atendimento, garantindo melhor experiência para pacientes e profissionais da saúde; 4.3 Canais de Entrega e Comunicação: · Website da Startup: uma plataforma amigável onde pacientes/clientes e profissionais possam se inscrever e acessar os serviços oferecidos; · Redes Sociais: Utilização de plataformas como LinkedIn, Facebook e Instagram para promover serviços, compartilhar histórias de sucesso e engajar com a comunidade; · Parcerias: colaboração com universidades para captação de novos profissionais recém inserido no mercado de trabalho, para ampliar o alcance e facilitar o acesso ao aplicativo; · Eventos, Feiras, congressos: participação em eventos locais, congressos, divulgação em clínicas e hospitais públicos e particulares para promover a plataforma e aumentar a visibilidade entre profissionais e pacientes; 4.4 Relacionamento: · Suporte Humanizado: atendimento via chat com equipe real, canal de dúvidas e acompanhamento individual em situações importantes (agendamentos, cancelamentos, dúvidas quanto ao uso do app…) · Autoatendimento inteligente: Chatbot 24 horas para dúvidas simples, soluções de problemas simples, tutoriais e orientações passo a passo; · Relacionamento baseado em confiança: transparência sobre dados, histórico de atendimento, informações organizadas e acessíveis: · Engajamento: feedbacks rápidos após cada consulta, coleta de sugestões dentro app, programa de incentivos para usuários e profissionais da saúde; · Suporte para profissionais: canal exclusivo de suporte técnico, treinamento sobre as funcionalidades do app e comunidade de profissionais para trocas de experiências; 4.5 Fontes de Receita · Assinatura (mais comum): assinaturas mensais para profissionais de saúde com acesso a agendas, prontuários, relatórios…) e assinatura premium para usuários com direito à teleconsultas histórico ampliado, prontuário completos, lembretes e interação no chatbot com “tira dúvidas” ilimitados; · Taxa por serviços prestados dentro da plataforma: taxa por consulta agendada e através do app, taxa por intermediação entre usuário e profissional, taxa por teleconsultas ou teleatendimento realizadas pela plataforma; · Serviços corporativos: planos/convênios com clínicas ou consultórios para gestão de calendários, prontuários e marcação de consultas; planos de descontos em academias, estúdios e afins; · Publicidade dentro do app: anúncios de serviços de saúde, parcerias com laboratórios, farmácias e clínicas; · Marketplace interno: vendas de planos de saúde, check-ups, ou exames, comercialização de produtos de bem-estar (aparelhos de pressão, glicemia, além de produtos de treinamento funcional e acessórios fitness) · Vendas de relatórios: relatórios para gestores, análises de fluxo de atendimento e indicadores de saúde populacional; · Cursos ou capacitações: para profissionais iniciantes, protocolos de atendimento, treinamentos dentro da plataforma, venda do modelo de negócio. 4.6 Recursos Principais 4.6.1 Equipe de Desenvolvimento (Recursos Humanos): Profissionais responsáveis por criar, atualizar e manter o aplicativo (programadores, designers, UX/UI). Garantem que o app funcione, seja intuitivo e seguro; 4.6.2 Equipe Técnica de Saúde (Recursos Humanos): Médicos, enfermeiros ou especialistas que validam protocolos, fluxos, conteúdos e funcionalidades para garantir que o app esteja de acordo com práticas de saúde. 4.6.3 Plataforma Tecnológica (Recursos Tecnológicos): Conjunto de softwares e ferramentas necessários para rodar o app: servidores na nuvem, banco de dados, APIs, integrações e ambiente de desenvolvimento (Android/iOS). 4.6.4 Sistema de Agendamento e Comunicação (Recursos Tecnológicos): Ferramentas internas que permitem agendar consultas, enviar notificações, emitir alertas e viabilizar chats e teleconsultas. 4.6.5 Ferramentas de Teleconsulta (Recursos Tecnológicos): Infraestrutura para chamadas de vídeo seguras, estáveis e compatíveis com requisitos médicos e legais. 4.6.6 Suporte ao Usuário (Recurso Tecnológico): Equipe e sistemas que garantem atendimento rápido a dúvidas, problemas técnicos e orientações de uso. 4.6.7 Analytics e Monitoramento (Recurso Tecnológico): Ferramentas que coletam e analisam dados de uso do app, ajudando a acompanhar desempenho, identificar falhas e orientar melhorias. 4.6.8 Parcerias com Clínicas e Profissionais (Recursos Operacionais): Acordos com unidades de saúde para validar o app, usar a plataforma e oferecer serviços aos usuários. 4.6.9 Conformidade Legal (LGPD e Saúde - Recursos Legais): Documentos, políticas, consultoria jurídica e ferramentas que asseguram a proteção de dados e o cumprimento das normas da área da saúde, termos de uso e políticas de privacidade. 4.7 Estrutura de Custos: Desenvolvimento da plataforma de aplicativos; hospedagem em nuvem e segurança de dados(LGPD), remuneração dos profissionais envolvidos, suporte técnico e atendimento ao cliente, assinatura digital; Marketing e mídia Digital; custos jurídicos e regulatórios; dentre outras despesas extras. Um custo total de R$ 250.000,00; 4.8 Parcerias Principais: Profissionais de Saúde e Clínicas Parceiras, é a parceria mais fundamental é com os próprios médicos e outros especialistas (fisioterapeutas, nutricionistas, psicólogos, etc.) que farão parte da rede integrada. Aplicativos de parcerias comerciais 4.9 Atividade Chave:As atividades-chave do aplicativo concentram-se no desenvolvimento e na manutenção de uma plataforma digital capaz de integrar, de forma eficiente, os serviços prestados por uma equipe multiprofissional de saúde. Isso envolve garantir a operacionalidade das consultas remotas, o fluxo coordenado entre médicos, enfermeiros, nutricionistas, psicólogos, profissionais de educação física e farmacêuticos, além da criação de protocolos e conteúdos clínicos unificados. Também fazem parte das atividades-chave o acompanhamento e suporte aos usuários, o monitoramento de dados de saúde para personalização do atendimento e a articulação de parcerias com instituições e profissionais. Por fim, incluem-se ações de engajamento e aquisição de usuários, essenciais para promover o acesso contínuo, integrado e de baixo custo ao cuidado em saúde. Imagem: Modelo de Lean Canvas 5 IDEAÇÃO A fase de ideação do app CLICK SAÚDE corresponde ao momento em que uma dor real observada no mercado foi compreendida de maneira estruturada e transformada em oportunidade empreendedora. A equipe idealizadora identificou, a partir de vivências em ambientes de saúde públicos e privados, que os usuários enfrentam dificuldades significativas para acessar atendimento, seja por demora, limitação de horários de funcionamento, custos elevados ou deslocamento físico. Ao mesmo tempo, profissionais da saúde encontram obstáculos para oferecer seus serviços principalmente quando ainda não dispõem de consultório próprio, não utilizam ferramentas digitais ou não possuem visibilidade no mercado. A partir da interseção dessas duas realidades complementares surgiu a percepção da oportunidade central do projeto: criar um ambiente digital capaz de unir demanda e oferta de serviços de saúde com praticidade e eficiência. Nesse processo de identificação da oportunidade empreendedora, foi aplicada a lógica teórica da Effectuation, que propõe que o empreendedor não espera condições perfeitas para agir, mas parte dos recursos que já possui, construindo soluções de baixo risco e alto aprendizado. No caso do APP CLICK SAÚDE, os idealizadores utilizaram sua experiência prática no setor de saúde, seu conhecimento sobre a dinâmica de atendimento ao público, bem como sua rede de contatos formada por profissionais da área, para iniciar o desenvolvimento do projeto. Em vez de partir de projeções distantes e um plano rígido de longo prazo, a solução começou a ser construída a partir da combinação entre os meios disponíveis, a dor claramente identificada e a intenção de resolver um problema social relevante, seguindo os princípios de comprometimento progressivo e Co construção com os primeiros parceiros. A ideação, portanto, não se limitou à criação de uma ideia original, mas envolveu a identificação de um problema real, o reconhecimento de seus impactos e a construção de uma alternativa viável e desejável para o mercado. Esse processo deu origem à proposta de valor do aplicativo, que consiste em oferecer saúde com rapidez, acessibilidade e segurança, por meio de um sistema digital capaz de aproximar pessoas que precisam do serviço de quem pode oferecê-lo. Dessa forma, a etapa de ideação se consolida como o elo entre a dor do mercado e a solução inovadora, sustentando o avanço para as próximas fases do projeto. Um software para dispositivos eletrônicos que facilite o atendimento remoto de maneira segura, eficiente e ágil. Que integre pessoas, de um lado, usuários de serviço de saúde possam ter na palma da mão soluções viáveis e confiáveis, diversificadas e de baixo custo para eventuais necessidades; de outro, profissionais de saúde (médicos, enfermeiros, fitoterapeutas, nutricionistas, psicólogos, educadores físicos, especialistas etc., empresas, clínicas, consultórios se utilizem das vantagens de uma ferramenta digital, das oportunidades de negócios, a partir da demanda gerada pelo aplicativo de saúde. 5.1 Problemas e dores dos clientes: A oportunidade foi identificada ao observar o grande volume de usuários que enfrentam dificuldades para acessar serviços de saúde, seja por limitações financeiras, locacionais ou pela demora no atendimento. Os clientes que procuram serviços de saúde enfrentam uma série de dificuldades que tornam o cuidado caro, demorado e fragmentado. Muitos têm dificuldade em acessar atendimento especializado, seja pela distância física, pela falta de disponibilidade de profissionais ou pelos altos custos de consultas presenciais. Além disso, o acompanhamento tende a ser desconectado: o paciente precisa buscar cada profissional individualmente, repetindo sua história várias vezes e recebendo orientações que nem sempre se comunicam entre si. Essa fragmentação gera insegurança, sobrecarga de informações e dificuldade em manter a continuidade do tratamento. Outro problema comum é a demora para conseguir atendimento, especialmente em horários compatíveis com a rotina de trabalho. Marcar consultas, aguardar vagas, deslocar-se até clínicas e enfrentar filas torna o processo desgastante, o que muitas vezes faz com que o paciente adie cuidados importantes. Soma-se a isso a falta de orientação integrada sobre alimentação, atividade física, saúde mental e adesão medicamentosa — áreas fundamentais que, quando tratadas de forma isolada, perdem eficácia. Muitos clientes também relatam dificuldade em entender suas próprias condições de saúde, interpretar exames e seguir planos terapêuticos complexos sem um acompanhamento próximo e coordenado. Essa falta de suporte multiprofissional integrado contribui para abandono de tratamento, piora de quadros crônicos e custos cada vez maiores. Assim, existe uma demanda crescente por uma solução que ofereça acesso rápido, remoto, acessível e totalmente articulado entre diferentes profissionais, entregando ao usuário um cuidado completo e contínuo em um único lugar. Por outro lado, profissionais de saúde em início de carreira enfrentam barreiras estruturais, econômicas e operacionais que dificultam sua inserção competitiva no mercado. A ausência de consultório ou clínica própria limita a autonomia no atendimento e gera dependência de espaços terceirizados, muitas vezes com custos elevados de aluguel de sala, repasse de percentual por atendimento ou exigência de carga mínima de horários. Para muitos, esses custos fixos tornam-se incompatíveis com o volume inicial de pacientes, resultando em baixa sustentabilidade financeira. Outro fator crítico é a falta de visibilidade e reconhecimento profissional. Sem uma marca pessoal consolidada, rede de indicações ou presença digital estruturada, o recém-formado enfrenta dificuldade em atrair pacientes e construir credibilidade no mercado. Isso se agrava pela alta competitividade entre profissionais da mesma área e pela crescente exigência dos usuários por serviços integrados, acessíveis e digitalmente mediados. Além disso, há desafios relacionados à formação complementar e à adaptação às demandas do mercado. Muitos profissionais concluem a graduação com pouca experiência em gestão do cuidado, teleatendimento, comunicação clínica, gestão de prontuários, marketing ético e construção de vínculo em ambiente digital. Essa lacuna dificulta a prestação de um serviço eficiente e alinhado às expectativas contemporâneas de atendimento remoto e multiprofissional. A instabilidade da agenda também é um ponto recorrente: com baixa demanda inicial, torna-se difícil manter uma rotina de atendimentos, projetar faturamento ou estabelecer parcerias sólidas. A ausência de sistemas integrados de prontuário, ferramentas de teleconsulta, suporte administrativo e canais de captação de clientes aumenta a sobrecarga operacional, obrigando o profissional a desempenhar simultaneamente funções clínicas, administrativas e comerciais. Esses dois conjuntos de dificuldades não apenas coexistem, mas se complementam, revelando uma lacuna sistêmica: enquanto pacientes têm demanda reprimida por cuidado acessível, remoto e integrado, profissionais recém-inseridos possuem capacidade clínica, tempo disponível equalificação, mas carecem de estrutura, tecnologia e visibilidade para ofertar seus serviços de maneira eficiente. A análise conjunta demonstra que há um desalinhamento entre oferta e demanda, não por falta de profissionais ou de necessidade dos clientes, mas por ausência de uma plataforma que centralize, organize, conecte e facilite o encontro entre ambas as partes. Nesse contexto, um aplicativo que integre múltiplos profissionais, ofereça teleatendimento, reduza custos operacionais, organize fluxos de cuidado e melhore a visibilidade de profissionais recém-formados atua como ponte essencial, resolvendo simultaneamente: o problema do acesso qualificado e coordenado para os usuários, bem como o problema da inserção sustentável e escalável para os profissionais. Assim, o aplicativo não apenas endereça dores isoladas, mas reorganiza o ecossistema, criando valor compartilhado e ampliando a eficiência do cuidado em saúde. 5.2 Lacunas Tecnológicas: · Integração limitada com sistemas de saúde existentes: Um dos maiores desafios tecnológicos consiste na falta de interoperabilidade entre aplicativos, prontuários eletrônicos, unidades de atenção básica e sistemas hospitalares. A ausência de padrões consolidados de troca de dados dificulta a continuidade do cuidado e impede a construção de linhas assistenciais digitais completas. · Conectividade limitada em áreas vulneráveis: A infraestrutura digital ainda é desigual no território brasileiro. Regiões rurais, periferias urbanas e comunidades indígenas enfrentam baixa conectividade, o que compromete a oferta de tele atendimento e inviabiliza consultas por vídeo. Apesar disso, poucos aplicativos incorporam soluções que funcionem off-line, com sincronização posterior dos dados. · Incompatibilidade com dispositivo de baixo custo: Grande parcela da população utiliza smartphones antigos, com memória reduzida e sistemas desatualizados. Muitos aplicativos de saúde não são otimizados para esses dispositivos, gerando exclusão digital e diminuindo a capilaridade das soluções. · Fragilidades em segurança da informação: Aspectos como criptografia, autenticação segura e gerenciamento de consentimento são frequentemente negligenciados, aumentando o risco de vazamento de dados sensíveis. Como os dados de saúde possuem natureza altamente sigilosa, tais fragilidades representam um risco significativo para usuários e instituições. · Limitações em triagens automatizadas: Protocolos clínicos digitalizados, modelos simplificados de inteligência artificial e fluxos de triagem automatizada ainda são pouco explorados ou mal validados. A ausência de diretrizes claras dificulta a incorporação segura e eficaz desses recursos. · Comunicação social de baixa qualidade: A instabilidade de vídeo chamadas e a ausência de padronização para envio de imagens e áudios afeta o desempenho clínico no atendimento remoto. Em muitos casos, a baixa qualidade da mídia compromete a acurácia diagnóstica. 5.3 Efeito Médici (Johansson, 2006): O Efeito Médici é um conceito que destaca a importância da interseção de diferentes áreas do conhecimento e setores para gerar soluções inovadoras e disruptivas. A combinação de tecnologia de ponta, conhecimentos médicos e foco no usuário. No contexto do acesso à saúde, essa abordagem é fundamental para desenvolver soluções que atendam às necessidades reais dos usuários e reduzam as barreiras historicamente observadas no atendimento presencial. 5.3.1 Interseção de Tecnologia e Saúde A equipe do projeto reúne profissionais de saúde e especialistas em tecnologia para desenvolver uma solução que atenda às necessidades reais dos usuários. Essa colaboração está permitindo que o aplicativo seja desenvolvido com uma abordagem centrada no usuário, garantindo que a solução seja acessível e útil para o público-alvo. · Desenvolvimento de aplicativos móveis; · Telemedicina; · Análise de dados de saúde; 5.3.2 Inovação Social e Econômica O APP CLICK SAÚDE não apenas resolve um problema social, mas também oferece oportunidades para profissionais de saúde em início de carreira e empresas do setor, contribuindo para o desenvolvimento econômico e profissional. A solução está alinhada às tendências pós-pandemia de busca por saúde preventiva e qualidade de vida, e tem o potencial de ter um impacto significativo no acesso à saúde no Brasil. · Oportunidade para profissionais de saúde em início de carreira; · Aumento de empregabilidade; · Contribuição para a economia digital; 5.3.3 Abordagem de Desenvolvimento A equipe do projeto adotou uma abordagem de desenvolvimento iterativo, com ciclos de feedback contínuos e ajustes constantes. Isso está permitindo que a solução seja desenvolvida com base em evidências obtidas junto ao público-alvo, reduzindo riscos e garantindo a evolução sustentável do aplicativo. · Teste de usabilidade; · Ciclos de feedback; · Desenvolvimento em sprints; · Revisão e ajustes contínuos; O projeto do APP CLICK SAÚDE demonstra como a inovação e a colaboração podem ser fundamentais para melhorar o acesso à saúde e promover o desenvolvimento econômico e social. O cruzamento de diferentes áreas do conhecimento, como tecnologia e saúde, seguindo o conceito do Efeito Médici, foi essencial para criar uma solução centrada no usuário que atende às necessidades reais do público-alvo. Com uma abordagem de desenvolvimento iterativo e ciclos de feedback contínuos. 5.4 Frameworks de Avaliação Inicial: A fase de avaliação inicial de um projeto de inovação, sobretudo em contextos de alta incerteza como o desenvolvimento de tecnologias digitais para a saúde, exige abordagens que permitam compreender recursos disponíveis, restrições existentes e oportunidades emergentes. Os princípios da teoria Effectuation (Sarasvathy, 2001) na avaliação inicial do aplicativo permite: · Reduzir riscos financeiros por meio de protótipos baratos e testagem incremental. · Aumentar a aderência social ao envolver comunidades e profissionais desde o início. · Gerar inovação acessível ao transformar limitações em diferenciais competitivos. · Ampliar a viabilidade prática ao utilizar recursos existentes e tecnologias simples. · Promover responsabilidade e controle em um domínio com alta complexidade como o da saúde. Assim, a teoria Effectuation oferece uma estrutura robusta para orientar a criação de soluções digitais que conciliam inovação, baixo custo e impacto social. 6 VALIDAÇÃO A fase de validação representa o núcleo da metodologia Lean Startup, conforme proposta por Ries (2011), caracterizando-se como um processo epistemológico orientado à substituição de suposições internas por evidências externas. Nessa etapa, busca-se testar as hipóteses mais críticas do modelo de negócio especialmente aquelas relacionadas ao problema e à solução por meio de experimentação direta com usuários reais. Para este projeto, a técnica escolhida foi a validação por entrevistas, método amplamente utilizado nas fases iniciais de descoberta e validação do problema, dada sua capacidade de capturar percepções profundas, comportamentos e necessidades autênticas. Foram realizadas 25 entrevistas com usuários potenciais do aplicativo, contemplando diferentes perfis socioeconômicos e níveis de utilização de serviços de saúde. As entrevistas foram semiestruturadas, permitindo ao pesquisador aprofundar temas sensíveis e identificar padrões emergentes. Além disso, foi conduzido um conjunto complementar de entrevistas com 5 profissionais de saúde recém-inseridos no mercado, incluindo 1 médico, 1 nutricionista, 1 psicólogo e 2 profissionais de educação física. Esses profissionais foram selecionados intencionalmente para representar as áreas multiprofissionais que integram a proposta do aplicativo. O objetivo foi validar hipóteses relacionadas às dificuldades enfrentadas por profissionais iniciantes, sua percepção sobre a viabilidade da plataforma, a adesão ao modelo de teleatendimento integrado e suas expectativas quanto ao fluxo de pacientes, visibilidade profissional e suporte tecnológico. A validação concentrou-se inicialmente naconfirmação do problema, investigando entre usuários a intensidade das dores associadas ao acesso, custo, fragmentação do cuidado e falta de integração multiprofissional. Em seguida, avaliou-se a aceitabilidade da solução, verificando o interesse e a disposição para utilizar um aplicativo que reúna diferentes especialidades de forma remota, acessível e integrada. Entre os profissionais, buscou-se validar a necessidade de infraestrutura digital, apoio operacional, captação de pacientes, organização administrativa e suporte tecnológico para teleconsultas. As evidências coletadas permitiram confrontar as hipóteses iniciais com dados reais, identificar alinhamentos, revelar lacunas e orientar ajustes no modelo de negócio. Esse processo reduz incertezas, evita desperdícios e aumenta significativamente a probabilidade de desenvolvimento de uma solução desejada tanto pelos usuários quanto pelos profissionais de saúde. 6.1 Dados Coletados 6.1.1 Entrevistas com usuários As características da amostra de 25 usuários dos sistemas de saúde público e privado de Macapá indicam um perfil predominantemente adulto, e com alta familiaridade com tecnologia digital. Dados Demográficos e Profissionais · Faixa Etária: A maioria dos entrevistados (52%) está na faixa etária de 31 a 50 anos. A segunda maior parcela é de jovens adultos 18 a 30 anos,32%). Apenas 16% têm 51 anos ou mais. GRÁFICO 1: REPRESENTAÇÃO DA FAIXA ETÁRIA DOS ENTREVISTADOS Fonte: Pesquisa realizada pelos autores · Situação Profissional: 68% da amostra está ativa no mercado de trabalho, enquanto 32% não trabalha. GRÁFICO 2: REPRESENTAÇÃO DA SITUAÇÃO PROFISSIONAL DOS ENTREVISTADOS Fonte: Pesquisa realizada pelos autores Uso e Familiaridade com Tecnologia O perfil demonstra uma forte adoção tecnológica: · Uso de Smartphones: Todos os 25 entrevistados (100%) relatam fazer uso diário de smartphones. · Familiaridade com Apps: A familiaridade com aplicativos é alta ou média para a grande maioria dos usuários, somando 84% (Média 40% e Alta 44%). Apenas 16% possui familiaridade Baixa. GRÁFICO 3: REPRESENTAÇÃO DOS ENTREVISTADOS COM APLICATIVOS Fonte: Pesquisa realizada pelos autores · Aplicativos Mais Usados: Os aplicativos de comunicação e social são dominantes: · WhatsApp é usado por quase a totalidade (96%). · O Instagram é usado por 84%. · Apps Bancários são usados por 72%, indicando familiaridade com transações e serviços críticos digitais. · Apps de Saúde são os menos usados entre os listados, com apenas 28% de uso. GRÁFICO 4: REPRESENTAÇÃO DOS ENTREVISTADOS COM APLICATIVOS Fonte: Pesquisa realizada pelos autores Experiência atual com serviço de saúde: As informações fornecidas resumem a experiência atual dos entrevistados ao utilizar os serviços de saúde, destacando dificuldades e o uso de tecnologias. PERGUNTA RESUMO DAS RESPOSTAS INSIGHTS PRINCIPAIS Dificuldade para marcar consulta? Sim (88%) / Não (12%) A esmagadora maioria dos entrevistados enfrenta grandes dificuldades no processo de agendamento de consultas. Tempo Médio para conseguir atendimento 3 a 10 dias (54%) / Mais de 30 dias (30%) / 1 dia (16%) Embora a maioria consiga atendimento em 3 a 10 dias, uma parcela significativa (30%) precisa esperar mais de um mês, indicando problemas sérios de acesso ou capacidade. Uso de apps de saúde Sim (28%) / Não (72%) O uso de aplicativos de saúde ainda é baixo, com (72%) dos entrevistados optando por não os utilizar. Já perdeu consulta por falta de informação? Sim (60%) / Não (40%) A maioria dos entrevistados (60%) já perdeu consultas, sendo a falha na comunicação ou na informação um fator crucial para a perda de agendamentos. GRÁFICO 5: REPRESENTAÇÃO NO PROCESSO DE AGENDAMENTO DE CONSULTAS Fonte: Pesquisa realizada pelos autores GRÁFICO 6: REPRESENTAÇÃO DE PERDAS DE CONSULTAS Fonte: Pesquisa realizada pelos autores Problemas mais frequentes no atendimento de saúde: As informações fornecidas destacam os principais problemas e pontos de dor relatados pelos usuários em relação aos serviços de saúde. O percentual de menções indica a frequência com que cada problema foi citado pelos entrevistados (note que a soma ultrapassa 100% porque as pessoas citaram múltiplos problemas): Problema % de Menções Descrição do Impacto Dificuldade de agendamento 84% É o problema mais citado, refletindo uma alta frustração com a burocracia e complexidade em marcar consultas ou exames. Falta de informações claras 74% Demonstra que muitos usuários sentem que as informações sobre procedimentos, preparos ou resultados não são transparentes ou acessíveis. Atrasos e longas esperas 64% Um problema crônico que impacta diretamente a experiência e satisfação do usuário, resultando em perda de tempo e desconforto. Falta de lembretes e confirmações 48% Indica uma lacuna na comunicação proativa da unidade de saúde, levando a esquecimentos de compromissos por parte dos pacientes. Perdas de exames/retornos 36% Um problema sério que afeta a continuidade do cuidado e exige retrabalho ou a repetição de procedimentos. Atendimento pouco humanizado 28% Embora seja o menos citado, representa uma preocupação com a qualidade da interação e o tratamento recebido pelos profissionais de saúde. GRÁFICO 7: REPRESENTAÇÃO DOS ENTREVISTADOS COM APLICATIVOS Fonte: Pesquisa realizada pelos autores Expectativas para um aplicativo de saúde (Funcionalidades desejadas):As informações indicam as funcionalidades mais esperadas e desejadas pelos usuários em um aplicativo de saúde. O interesse percentual mostra a importância que cada funcionalidade tem para o público pesquisado: FUNCIONALIDADE INTERESSE (%) DESCRIÇÃO DA EXPECTATIVA Agendamento direto 92% É a funcionalidade mais esperada, indicando uma forte demanda por facilidade e autonomia para marcar consultas e procedimentos sem intermediação. Lembretes automáticos 88% Aponta a necessidade de suporte à organização dos usuários, garantindo que não percam consultas ou horários de medicação. Teleconsultas 84% Demonstra um alto interesse na conveniência e acessibilidade da consulta remota, refletindo a aceitação de serviços de saúde digitais. Histórico de Consultas e exames (acesso ao prontuário) 64% Indica a importância da centralização e acesso fácil aos próprios dados de saúde, promovendo maior envolvimento do paciente no tratamento. Chat com unidade de saúde 52% Sugere a demanda por um canal de comunicação rápida e direta com a unidade, ideal para tirar dúvidas simples e operacionais. Painel com status do atendimento 42% Mostra um interesse moderado em acompanhar o andamento de processos (como resultados de exames ou andamento na fila de espera). GRÁFICO 8: REPRESENTAÇÃO DOS ENTREVISTADOS COM APLICATIVOS Fonte: Pesquisa realizada pelos autores A análise das entrevistas realizadas evidencia um conjunto de dores recorrentes e validadas entre os potenciais usuários do aplicativo. A principal consiste na dificuldade para realizar agendamentos de consultas, frequentemente descritos como processos morosos, burocráticos e pouco responsivos. Adicionalmente, observou-se fragilidade na comunicação durante o percurso assistencial: grande parte dos entrevistados relatou ausência de acompanhamento estruturado, orientações pouco claras e inexistência de mecanismos eficazes de retorno pós-atendimento. Soma-se a isso a perda frequente de consultas, diretamente relacionada à falta de lembretes automatizados ou sistemas de aviso. Outro elemento crítico diz respeito às dificuldades em acessar e organizar históricos de saúde, incluindo exames, consultas anteriores e recomendações clínicas, o que compromete a continuidade do cuidado. Essas evidências permitem delinear um conjunto de funcionalidades prioritárias para a solução proposta. Entre as mais relevantes destacam-se: um fluxo deagendamento simplificado e responsivo; a implementação de notificações e lembretes automáticos capazes de reduzir o absenteísmo; a consolidação de um histórico clínico unificado e de fácil consulta; e um modelo híbrido de atendimento, que articule a interação humana com automações inteligentes. Também se torna indispensável uma interface limpa, intuitiva e centrada no usuário, reduzindo barreiras de navegação e promovendo maior acessibilidade informacional. Por fim, se identificou que a maior parte dos participantes apresenta elevado nível de familiaridade com dispositivos móveis e com o uso de aplicativos, o que mitiga barreiras tecnológicas de adoção e indica um contexto favorável para a implementação de uma solução digital integrada no campo da saúde. 6.1.2 Entrevista com profissionais de saúde (universo de 5 profissionais: 1 médico, 1 nutricionista, 1 psicólogo e 2 profissionais de Educação Física) Entre os profissionais entrevistados, 80% (4 profissionais) afirmaram enfrentar dificuldades na organização da rotina de trabalho, enquanto apenas 20% (1 profissional) declararam não possuir essa dificuldade. Da mesma forma, 80% relataram falta de integração entre agendas e sistemas, o que resulta em retrabalho, inconsistências no planejamento e redução da eficiência operacional. Além disso, 60% apontaram problemas de comunicação com os pacientes especialmente no que diz respeito a confirmações, atrasos e cancelamentos evidenciando fragilidades nos processos de contato e acompanhamento. O mesmo percentual (60%) destacou a ausência de lembretes automáticos e alertas de rotina como um obstáculo relevante, contribuindo para esquecimentos, perda de horários e menor aderência às consultas. Outro aspecto mencionado por 40% dos entrevistados foi a demora para acessar prontuários, exames e históricos dos clientes, o que compromete o fluxo assistencial e aumenta o tempo de cada atendimento. Também 40% relataram sobrecarga de demandas associada à falta de organização adequada, reforçando a necessidade de ferramentas que auxiliem no planejamento, priorização e distribuição das atividades clínicas. Todos os profissionais (100%) demonstraram o desejo de que o aplicativo ofereça uma agenda automatizada e eficiente, capaz de otimizar o gerenciamento de horários, reduzir conflitos e melhorar a rotina de trabalho. Além disso, 80% ressaltaram a importância do acesso rápido a prontuários e históricos dos clientes, incluindo atendimentos anteriores, exames e registros evolutivos, destacando a relevância de sistemas que tornem a tomada de decisão mais ágil e fundamentada. Outros 80% apontaram os lembretes automáticos para pacientes como recurso prioritário, pela sua contribuição na redução de ausências, minimização de remarcações e fortalecimento da continuidade do cuidado. Embora com menor incidência, outras funcionalidades também foram consideradas relevantes: 60% dos profissionais valorizaram a presença de checklists, protocolos e fluxos padronizados, que favorecem a segurança clínica e a padronização das condutas. O mesmo percentual demonstrou interesse em um chat seguro para orientações rápidas, recurso que amplia a comunicação entre profissional e paciente. Por fim, 40% consideraram útil o monitoramento simplificado de indicadores, como peso, pressão arterial, glicemia e dados de evolução física, ressaltando sua importância para avaliações contínuas e intervenções personalizadas. Quanto ao nível de familiaridade com tecnologia, 40% dos entrevistados relataram possuir alta facilidade, outros 40% indicaram dificuldade moderada e apenas 20% (1 profissional) afirmaram ter grande dificuldade no uso de novas ferramentas tecnológicas. Quando questionados sobre o que mais valorizam em um aplicativo multiprofissional, 100% destacaram a redução da carga burocrática como fator essencial para aliviar tarefas administrativas que reduzem o tempo produtivo. Além disso, 80% expressaram interesse em ferramentas que permitam dedicar mais tempo ao paciente, garantam uma organização clara da rotina e dos atendimentos e possibilitem acesso rápido a informações essenciais. Ainda, 60% ressaltaram a importância de melhorar a comunicação com o paciente, apontando a necessidade de recursos que tornem o contato mais direto, ágil e eficiente. Por fim, todos os entrevistados demonstraram forte interesse em ferramentas capazes de organizar sua vida profissional, reduzir atividades manuais, aprimorar o relacionamento com clientes/pacientes e ampliar sua visibilidade e eficiência clínica. De modo geral, o público-alvo percebe um aplicativo integrado como uma solução estratégica, especialmente para aqueles que ainda não possuem consultório próprio, suporte administrativo ou uma carteira consolidada de clientes, representando um recurso fundamental para sustentar o crescimento e qualificação da prática profissional. 7. METODOLOGIA DE GESTÃO DE PROJETOS A escolha da metodologia de gestão é um dos fatores mais determinantes para o sucesso de um projeto que envolve inovação, tecnologia e desenvolvimento de um produto digital voltado para a saúde. Nesse contexto, o Scrum foi selecionado como método de gestão do APP CLICK SAÚDE por sua capacidade de lidar com incertezas, adaptar-se a mudanças e promover ciclos curtos de entrega, validação e evolução contínua. Diferentemente de metodologias tradicionais, que seguem um planejamento rígido e linear, o Scrum trabalha com entregas incrementais, permitindo que o aplicativo seja construído progressivamente conforme o feedback de usuários e profissionais da saúde. O Scrum é amplamente reconhecido como uma metodologia ágil capaz de maximizar o valor do trabalho em equipes multidisciplinares exatamente o perfil necessário para desenvolver um produto como o CLICK SAÚDE, que envolve tecnologia, protocolos de saúde, segurança da informação e experiência do usuário. Em vez de longas fases de planejamento, o Scrum organiza o desenvolvimento em Sprints, ciclos curtos nos quais partes funcionais do app são planejadas, construídas, testadas e avaliadas. Essa abordagem diminui o risco de construir algo que o mercado não deseja, pois o aprendizado obtido em cada Sprint orienta os próximos passos, garantindo evolução contínua do aplicativo. No contexto do CLICK SAÚDE, o Scrum se mostra especialmente adequado porque o aplicativo depende de validação constante com dois públicos simultâneos: Usuários/pacientes, que possuem dores relacionadas ao acesso, agendamento e acompanhamento; Profissionais da saúde, que buscam organização, captação de pacientes, prontuários, teleconsulta e suporte administrativo. As expectativas desses públicos podem mudar conforme o uso real, tornando essencial uma metodologia que permita ajustes rápidos, priorização contínua e foco no que realmente gera valor. Como o CLICK SAÚDE é uma solução digital que evolui com base em evidências, o Scrum transforma toda a construção do app em um processo de melhoria contínua, aprendizado validado e redução de riscos. Outro ponto central é a organização do trabalho em papéis bem definidos, o que fortalece a comunicação e evita sobrecarga. No CLICK SAÚDE, esses papéis se distribuem da seguinte forma: · Product Owner (PO): responsável por priorizar funcionalidades, definir o backlog do produto e garantir que o app entregue valor real ao usuário. · Scrum Master: garante que o processo ágil esteja sendo seguido, facilita as cerimônias e remove impedimentos. · Time de Desenvolvimento: composto por desenvolvedores, designers e profissionais técnicos responsáveis por transformar as necessidades do app em funcionalidades reais e testáveis. O Scrum também é estruturado em eventos essenciais que organizam e dinamizam o desenvolvimento: · Sprint Planning: definição das prioridades da Sprint, como novas funcionalidades, melhorias no protótipo e ajustes com base nos feedbacks de usuários e profissionais. · Daily Meeting: breve reunião diária para alinhar o progresso, sinalizar dificuldades e manter o ritmo da equipe. · Sprint Review: apresentação das entregas, testes com stakeholderse coleta de feedback imediato. · Sprint Retrospective: análise do processo, identificação de melhorias e ajustes para o próximo ciclo. Esses eventos garantem transparência, evolução contínua da plataforma, permitindo que funcionalidades críticas como teleconsultas, agendamento, prontuário digital, lembretes automáticos e integração multiprofissional sejam construídas progressivamente e validadas de maneira controlada. Outro destaque é que o Scrum se alinha perfeitamente ao modelo Lean Startup adotado pelo projeto, o objetivo não é construir o aplicativo completo apenas ao final, mas sim desenvolver um MVP funcional. Uma outra grande vantagem da escolha da metodologia SCRUM é que ela também pode ser utilizada com FDD (Feature-Derivem Development): As duas metodologias ágeis podem ser integradas para formar uma abordagem híbrida, tirando proveito das forças de cada uma. REFERÊNCIAS BERKUN, Scott. A Arte da Gestão de Projetos. São Paulo: Alta Books, 2013. BLANK, Steve. The Startup Owner’s Manual. California: K&S Ranch, 2012. CHRISTENSEN, Clayton et al. Competing Against Luck: The Story of Innovation and Customer Choice. New York: Harper Business, 2016. KOTLER, Philip; KELLER, Kevin. Administração de Marketing. 14. ed. São Paulo: Pearson, 2012. OSTERWALDER, Alexander; PIGNEUR, Yves. Business Model Generation: Inovação em Modelos de Negócio. Rio de Janeiro: Alta Books, 2010. SHANE, Scott; VENKATARAMAN, Sankaran. The Promise of Entrepreneurship as a Field of Research. Academy of Management Review, v. 25, n. 1, p. 217–226, 2000. image1.png image10.png image3.png image7.png image9.png image2.png image8.png image5.png image6.png image4.jpg