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PROJETO DE ATIVIDADES DE EXTENSÃO Número: CCG-FOR-27 Aprovação: Diretoria Acadêmica Ser Educacional PROJETO GERAL DE EXTENSÃO (DISCIPLINA DE EXTENSÃO - DOCENTE RESPONSÁVEL) APROVADO POR: COORDENADOR DE PESQUISA E EXTENSÃO DATA: 10/02/2025 VERSÃO: 04 CÓDIGO: PEX-MDL-55 Consequências do uso irracional de antibióticos e o avanço da resistência bacteriana na sociedade. RECIFE – PE 2025 DADOS DO PROJETO INSTITUIÇÃO DE ENSINO SUPERIOR: UNINASSAU (GRAÇAS) CURSO(S) PROPONENTE(S): FARMÁCIA ÁREA DE CONHECIMENTO: SAÚDE DISCIPLINA: ATIVIDADES PRÁTICAS DE EXTENSÃO 3 DISCENTES: DENILSON VIEIRA - 11031985; EDCLEBER NUNES – 01156109; ISMÊNIA CAROLINE – 01102363; KEITY MEDEIROS – 01753118; PAULA SUELEN – 01634331; ÁREA TEMÁTICA: USO IRRACIONAL DE ANTIBIÓTICOS INDICADOR ESG: SOCIAL DOCENTE RESPONSÁVEL: MÍRIA OLIVEIRA QUANTIDADES DE ALUNOS NA DISCIPLINA 5 Introdução O consumo de antibióticos no Brasil apresentou um crescimento significativo nos últimos anos, configurando um desafio para a saúde pública devido ao risco crescente de resistência bacteriana. Dados de um estudo nacional, realizado com base nas vendas em farmácias privadas registradas no Sistema Nacional de Gerenciamento de Produtos Controlados (SNGPC/ANVISA), revelaram que entre 2014 e 2019 houve um aumento de aproximadamente 30% no uso desses medicamentos em todo o país. A análise mostrou que a região Sudeste concentrou mais de 50% das vendas, seguida pelo Sul, enquanto os maiores aumentos percentuais ocorreram no Centro-Oeste (55,4%) e no Nordeste. Entre os antibióticos mais consumidos, destacam-se a amoxicilina, a azitromicina e a cefalexina, além do crescimento do uso de amoxicilina + clavulanato, ciprofloxacino e levofloxacino – estes últimos pertencentes ao grupo Watch, que apresenta maior risco de induzir resistência. Segundo a classificação AWaRe da Organização Mundial da Saúde (OMS), os antibióticos são divididos em três categorias: · Access, de primeira escolha e que deveriam corresponder a pelo menos 60% do consumo; · Watch, de uso restrito devido ao alto potencial de resistência; · Reserve, de última opção para casos de bactérias multirresistentes. No Brasil, apenas cerca de 50% do consumo está na categoria Access, enquanto aproximadamente 45% pertencem ao grupo Watch e cerca de 10% envolvem antibióticos da categoria Reserve ou não recomendados, alguns deles destinados exclusivamente ao uso hospitalar, mas encontrados à venda em farmácias. Esses números refletem falhas no controle da comercialização e uso inadequado, favorecendo a disseminação de microrganismos resistentes. O uso inadequado de antibióticos, seja pela automedicação, pelo tempo de tratamento incorreto ou pela utilização para doenças de origem viral, amplia ainda mais esse problema. Medicamentos como azitromicina (macrolídeo), cefalexina (cefalosporina de primeira geração), ciprofloxacino (fluoroquinolona) e amoxicilina (penicilina), embora essenciais no tratamento de infecções respiratórias, urinárias e outras, quando mal-empregados podem perder eficácia e gerar consequências graves para indivíduos e para a coletividade. Diante desse cenário, torna-se fundamental o desenvolvimento de ações de educação em saúde e de políticas de prescrição e fiscalização mais rigorosas, com participação ativa de profissionais como o farmacêutico, para orientar a população sobre o uso racional de antibióticos, prevenindo a resistência bacteriana e garantindo a eficácia desses medicamentos para as gerações futuras. 1. Justificativa: O uso irracional de antibióticos foi escolhido como tema por representar um dos maiores desafios globais da atualidade, com impactos sociais, culturais, econômicos, ambientais e tecnológicos que afetam diretamente a saúde coletiva e a sustentabilidade dos sistemas de saúde. A resistência bacteriana, impulsionada pelo consumo inadequado desses medicamentos, compromete a eficácia dos tratamentos, prolonga doenças, aumenta a mortalidade e dificulta o controle de infecções, configurando uma ameaça à saúde pública em escala nacional e mundial. Importância social: O acesso fácil a antibióticos e a prática da automedicação colocam em risco toda a população, pois o uso inadequado favorece o surgimento de bactérias resistentes, que podem se espalhar rapidamente. Isso gera infecções cada vez mais difíceis de tratar, eleva o número de internações e sobrecarrega o sistema público de saúde, afetando especialmente as populações mais vulneráveis, que têm menos acesso a tratamentos de ponta. Impacto cultural: No Brasil, existe uma cultura de buscar antibióticos como solução rápida para sintomas comuns, muitas vezes sem prescrição médica. Esse hábito, aliado à crença equivocada de que antibióticos curam qualquer infecção, reforça práticas perigosas e dificulta a implementação de políticas de uso racional. Impacto econômico: A resistência antimicrobiana eleva os custos hospitalares com internações prolongadas, necessidade de medicamentos mais caros e tratamentos mais complexos. Segundo estimativas internacionais, se não houver controle, os gastos com infecções resistentes podem gerar prejuízos bilionários para os sistemas de saúde e para a economia, devido à perda de produtividade da população. Impacto ambiental: O descarte inadequado de antibióticos e seus resíduos em águas, solos e esgotos contribui para a disseminação de genes de resistência no meio ambiente. Esse fenômeno cria reservatórios de bactérias resistentes em rios, lagos e áreas agrícolas, dificultando ainda mais o controle da resistência. Impacto tecnológico e científico: A rápida evolução da resistência bacteriana exige constante desenvolvimento de novos fármacos e tecnologias diagnósticas, gerando pressão sobre a indústria farmacêutica e aumentando os custos de pesquisa e inovação. No entanto, a velocidade de surgimento de bactérias resistentes supera a criação de novos antibióticos, colocando a medicina moderna em risco. O estudo aborda de forma coerente e explicativo o papel essencial do farmacêutico no combate ao uso irracional de antibióticos, prática que favorece a resistência bacteriana e representa grave problema de saúde pública. Por meio de revisão integrativa de literatura, evidencia-se que a automedicação, a prescrição inadequada e a falta de informação são fatores centrais para o uso inadequado desses medicamentos. O farmacêutico atua na orientação da população, no controle da dispensação, na educação em saúde e na promoção do uso racional de antimicrobianos, contribuindo para prevenir infecções resistentes e reduzir riscos à saúde 2. Objetivos: Objetivo Geral Promover a conscientização da comunidade sobre os riscos do uso irracional de antibióticos, destacando a importância do uso correto, da prescrição médica e da conclusão adequada do tratamento, a fim de contribuir para a prevenção da resistência bacteriana e para a preservação da eficácia desses medicamentos. Objetivos Específicos · Informar a população sobre os principais antibióticos utilizados no Brasil e suas indicações corretas. · Alertar sobre os perigos da automedicação e da compra de antibióticos sem prescrição médica. · Incentivar práticas de descarte adequado de medicamentos para reduzir impactos ambientais. · Reforçar o papel do farmacêutico e demais profissionais de saúde na orientação sobre o uso racional de antibióticos. · Estimular mudanças de comportamento que reduzam a disseminação de microrganismos resistentes. 3. Caracterização da área: FONTE: GOOGLE MAPS. A praça fica próxima de hospitais, galerias, empresarias, residenciais, banco de sangue, escola, teatro, faculdade, clínicas, casas de shows, padaria, restaurantes, loterias e lojas. 4. Possíveis locais de execução e parcerias Praça Chora Menino – Boa Vista / Recife PE, 12 de novembro de 2025, das 15:00 às 17:00h. 5. Materiais e métodos de abordagem Durante a atividade, serão expostos alguns antibióticos físicos, acompanhados de explicações acessíveis sobre suas funções,composição e indicações corretas. A equipe também entregará folders, e alertará a comunidade sobre os riscos da automedicação e da compra de antibióticos sem receita médica, práticas que favorecem a resistência bacteriana e colocam em risco a eficácia desses medicamentos no futuro. O evento será um espaço de troca de conhecimento, em que moradores e transeuntes poderão tirar dúvidas diretamente com os alunos de farmácia. Além de informações técnicas, será destacada a importância do farmacêutico no acompanhamento da farmacoterapia, na orientação adequada do uso de medicamentos e na promoção de uma comunidade mais saudável e consciente. Além disso, coletaremos dados de forma anônima do público envolvido, apenas com data de nascimento e nome fictício para formarmos uma tabela de experiências, onde eles responderão as seguintes perguntas: “Já fizeram uso de antibióticos sem prescrição médica?”. “Já começou um tratamento de antibióticos e não concluiu?”. “Você conhece algum destes antibióticos aqui exposto?”. 6. Resultados esperados O resultado esperado de um projeto de conscientização sobre o uso racional de antibióticos na sociedade inclui vários impactos positivos, tanto imediatos quanto a longo prazo, como: · Redução da automedicação: diminuição do consumo de antibióticos sem prescrição médica, evitando tratamentos inadequados e riscos de efeitos adversos. · Menor resistência bacteriana: uso correto dos antimicrobianos ajuda a prevenir o surgimento de bactérias resistentes, preservando a eficácia dos medicamentos disponíveis. · Melhora na adesão ao tratamento: maior compreensão da importância de seguir corretamente a dose, o tempo e as orientações médicas. · Fortalecimento da saúde pública: queda nas taxas de infecções de difícil tratamento, reduzindo internações, custos hospitalares e mortalidade. · Educação contínua: criação de uma cultura de uso consciente de medicamentos, envolvendo pacientes, famílias e profissionais de saúde. · Valorização do farmacêutico e das equipes de saúde: maior reconhecimento do papel desses profissionais na prevenção de práticas inadequadas e na orientação da população. 7. Cronograma ATIVIDADES DO PROJETO 2025 AGO SET OUT NOV DEZ 1- ESCOLHA DO LOCAL E TEMA X 2- ELABORAÇÃO DO PROJETO E PRODUTO X 3- PREENCHIMENTO DO PROJETO GERAL X 4- ENTRGA DO PROJETO X 5- EXECUÇÃO DO PROJETO X 6- ENTREGA DO RELATÓRIO X 8. Referências Bibliográficas · Consumo de antibióticos no Brasil - uma análise dos dados de vendas entre 2014 e 2019. (Publicado:09 de junho de 2024). Lopes, LC, Motter, FR & Carvalho-Soares, MDL Consumo de antibióticos no Brasil - uma análise de dados de vendas entre 2014 e 2019. Antimicrob Resist Infect Control 13 , 60 (2024). https://doi.org/10.1186/s13756-024-01412-6. · Artigo: O papel do farmacêutico em combate ao uso irracional de antibióticos: Uma revisão da literatura. DOI: 10.35621/23587490.v11.n1.p1200-1215 (2024). Revista Interdisciplinar em Saúde, Cajazeiras. Assinatura do professor responsável Assinatura do Ponto Focal 3 / 3 image3.png image2.png image1.png