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CONCEITOS BASICOS EM MOTRICIDADE OROFACIAL

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CONCEITOS BÁSICOS EM MOTRICIDADE OROFACIAL 
 
Monitora: Alícia Danielle Bernardo Goes 
 
EMBRIOLOGIA HUMANA 
- Semanas: 
- 0-2: fecundação 
- 3-8: embrião 
- 9-nascimento: feto 
- Desenvolvimento embrionário 
- Segmentação 
- A segmentação é a primeira fase do desenvolvimento embrionário 
após a fecundação. O zigoto (célula resultante da fusão do 
espermatozoide com o óvulo) passa por uma série de divisões 
celulares chamadas clivagens, formando um conjunto de células 
chamadas blastômeros. Esse processo ocorre sem aumento 
significativo do volume total do embrião. 
Ao final da segmentação, forma-se a blástula, uma estrutura oca cheia 
de líquido chamada blastocele. 
- Blastulação 
- A blastulação é o estágio em que a blástula está completamente 
formada. Ela tem diferentes formas nos diversos grupos de animais, 
mas, de modo geral, é uma esfera celular com uma cavidade interna 
(blastocele). Essa fase prepara o embrião para a gastrulação. 
- Gastrulação 
- Na gastrulação, ocorrem movimentos celulares que transformam a 
blástula em uma estrutura chamada gástrula. Esse processo leva à 
formação dos folhetos embrionários: Ectoderma, Mesoderma, 
Endoderma 
- Neurulação 
- A neurulação marca o início da formação do sistema nervoso nos 
vertebrados. O ectoderma dorsal se espessa, formando a placa 
neural, que se dobra para criar o tubo neural. Esse tubo dará origem 
ao sistema nervoso central (cérebro e medula espinhal). 
Nos vertebrados, células especializadas chamadas cristas neurais 
surgem nesse processo e darão origem a diversas estruturas, como 
partes do sistema nervoso periférico, células pigmentares e alguns 
ossos do crânio. 
- Organogênese 
- A organogênese é a fase em que os órgãos começam a se formar a 
partir dos três folhetos embrionários. Alguns exemplos de estruturas 
originadas por cada folheto: 
Ectoderma → Sistema nervoso, epiderme, esmalte dos dentes 
Mesoderma → Músculos, ossos, coração, vasos sanguíneos, rins 
Endoderma → Sistema digestório, fígado, pulmões, pâncreas 
 
- Formação do sistema nervoso 
- 1. Placa Neural 
Após a gastrulação, a notocorda (uma estrutura mesodérmica) libera sinais 
químicos que induzem a especialização do ectoderma dorsal, levando à 
formação da placa neural. 
 
- 2. Sulco Neural 
Conforme o embrião se desenvolve, a placa neural começa a se invaginar, a 
dobrar, formando uma depressão no centro chamada sulco neural. 
 
- 3. Goteira Neural e Crista Neural 
À medida que a invaginação continua, as laterais do sulco neural se elevam 
ainda mais, formando as pregas neurais, e a estrutura passa a ser chamada 
de goteira neural. 
Nessa fase, surgem células especializadas nas bordas das pregas neurais 
chamadas células da crista neural. Essas células se destacam e migram pelo 
embrião, dando origem ao sistema nervoso periférico e outras estruturas. 
 
- 4. Tubo Neural 
Por fim, as pregas neurais se aproximam e se fundem na linha média, 
fechando a goteira neural e formando o tubo neural. Esse tubo será a base 
para a formação do sistema nervoso central. 
O fechamento do tubo neural começa na região média do embrião e se 
estende para as extremidades cranial e caudal. Se esse fechamento não 
ocorrer corretamente, podem surgir malformações congênitas, como a 
espinha bífida ou a anencefalia. 
 
- Embriologia da face 
- Na 4ª semana de gestação, haverá o início da formação da face e seus 
tecidos, incluindo boca primitiva, arco mandibular, processo maxilar, 
frontonasal e do nariz, por meio dos arcos branquiais/faríngeos 
- Os folhetos embrionários são os formadores dos arcos faríngeos 
- Os arcos branquiais são os responsáveis por formar os componentes da face 
e do pescoço 
- ARCOS FARÍNGEOS 
- 1° arco: saliência mandibular (lábio inferior) e saliência maxilar. 
- 2° arco: saliência fronto-nasal (⅔ anteriores da língua) 
- 3° arco: ⅓ posterior da língua 
- 4° arco: epiglote 
- 5° e 6° arco: laringe 
- FORMAÇÃO DAS ESTRUTURAS: 
- Desenvolvimento do nariz: 
- O nariz se forma a partir da saliência fronto-nasal, que surge na região 
central da face embrionária na 5ª semana. A partir dela, ocorrem 
divisões que resultam em: 
- Saliências nasais mediais 
- Saliências nasais laterais 
- Fossetas nasais 
- Processo de formação 
- As fossetas nasais surgem como depressões na saliência 
fronto-nasal e são resultado da invaginação do placóide nasal 
(um espessamento do ectoderma). 
- As saliências nasais laterais se posicionam nas laterais da 
fosseta nasal e vão contribuir para a formação das asas do 
nariz. 
- As saliências nasais mediais se unem na linha média, 
originando a ponte do nariz e o segmento intermaxilar (futuro 
filtrum do lábio superior). 
- Esse processo ocorre ao longo das 6ª a 10ª semanas e envolve 
fusões entre diferentes estruturas para garantir a correta formação das 
vias aéreas superiores e da estética facial. 
 
- Desenvolvimento do lábio superior 
- O lábio superior se desenvolve a partir da fusão das seguintes 
estruturas: 
- Saliência fronto nasal (Saliências nasais mediais) 
- Saliências maxilares 
- Processo de formação 
- Na 6ª semana, as saliências maxilares crescem medialmente e 
começam a se fundir com as saliências nasais mediais. 
- Essa fusão forma a porção média do lábio superior e o filtro 
labial (sulco vertical entre o nariz e o lábio superior). 
- Qualquer falha nesse processo pode resultar em fissuras labiopalatais 
(como o lábio leporino). 
- Importante notar que as saliências nasais laterais não participam da 
formação do lábio superior, pois sua função principal é estruturar as 
laterais do nariz. 
 
- Desenvolvimento do lábio inferior 
- O lábio inferior e a mandíbula têm origem a partir da saliência 
mandibular, que deriva do 1º arco faríngeo. 
- Processo de formação 
- No início da 5ª semana, as saliências mandibulares crescem e 
se fundem na linha média, formando o lábio inferior e o osso 
mandibular. 
- Essa fusão ocorre antes da formação do lábio superior e 
garante a estruturação da parte inferior da face. 
 
- Formação do Palato 
- Palato Primário (6ª a 7ª semana) 
- O palato primário se origina da fusão das saliências nasais 
mediais, formando uma estrutura chamada segmento 
intermaxilar. Esse segmento dará origem: 
- À porção anterior do palato (próxima aos incisivos 
centrais superiores). 
- Ao filtro labial (sulco entre o nariz e o lábio superior). 
- Palato Secundário (7ª a 12ª semana) 
- O palato secundário é formado a partir das cristas palatinas, 
que emergem dos processos maxilares. Inicialmente, essas 
estruturas crescem lateralmente, mas com a movimentação da 
língua e o crescimento da cabeça, elas mudam de posição e 
se fundem na linha média, formando o palato definitivo. Esse 
processo se inicia na porção anterior e se estende 
posteriormente até formar a úvula. 
- 
- Desenvolvimento da língua 
- A mucosa da língua deriva das bolsas branquiais (endoderma), 
enquanto seus músculos se originam do mesoderma. 
- A língua se forma a partir do assoalho da cavidade oral, desenvolvido 
pelos arcos faríngeos: 
- 2º arco faríngeo: forma os 2/3 anteriores da língua. 
- 3º arco faríngeo: forma o 1/3 posterior da língua. 
- 4º arco faríngeo: forma a epiglote. 
 
- ARCOS FARÍNGEOS E NERVOS CRANIANOS 
- 1° arco = Nervo V (trigêmeo) 
- Percepção da face e da boca e movimentos da bochecha 
- 2° arco = Nervo VII (facial) 
- Sentido do paladar e movimentos dos musculos e glândulas 
salivares. 
- 3ª arco = Nervo IX (glossofaríngeo) 
- Paladar e deglutição 
- 4° arco = Nervo X (vago) 
- Principal nervo do sistema nervoso autônomo. 
- Deglutição, fonação, inervação da faringe, laringe e palato 
mole. 
 
 
 
PRINCIPAIS MÚSCULOS ENVOLVIDOS NA MOTRICIDADE OROFACIAL 
- Músculos da Face (Expressão Facial) 
- Controlam os movimentos faciais e a mímica. São inervados pelo nervo facial (VII). 
- Orbicular dos olhos – fechamento das pálpebras. 
- Orbicular dos lábios – fechamento e projeção dos lábios. 
- Bucinador – movimentação da bochecha e controle do bolo alimentar.- Risório – tração do ângulo da boca (sorriso). 
- Mentoniano – elevação do queixo e do lábio inferior. 
- Músculos da Mastigação 
- Responsáveis pelos movimentos da mandíbula. São inervados pelo nervo trigêmeo 
(V3). 
- Masseter – elevação da mandíbula (fechamento da boca). 
- Temporal – elevação e retração da mandíbula. 
- Pterigoideo medial – auxilia na elevação da mandíbula. 
- Pterigoideo lateral – movimentação lateral e protrusão da mandíbula. 
- Músculos da Língua 
- Controlam a posição e os movimentos da língua. São inervados pelo nervo 
hipoglosso (XII). 
- Genioglosso – protrusão da língua. 
- Hipoglosso – depressão e retração da língua. 
- Estiloglosso – elevação e retração da língua. 
- Palatoglosso – elevação do dorso da língua (inervado pelo nervo vago – X). 
- Músculos Supra-hióideos 
- Auxiliam na elevação do osso hióide e na deglutição. 
- Digástrico – elevação do hióide e depressão da mandíbula. 
- Milohióideo – elevação do assoalho da boca e do hióide. 
- Geniohióideo – elevação do hióide e protrusão da língua. 
- Estilohióideo – elevação do hióide. 
- Músculos Infra-hióideos 
- Estabilizam o osso hióide e auxiliam na deglutição. 
- Esternohióideo – depressão do hióide. 
- Omohióideo – estabilização do hióide. 
- Esternotireóideo – depressão da laringe. 
- Tireohióideo – elevação da laringe e depressão do hióide. 
 
 
SISTEMA ESTOMATOGLOSSOGNÁTICO 
- “Unidade anatomofuncional fisiológica, integrada e coordenada, constituída por um 
conjunto de estruturas craniofaciais e cervicais, que permitem ao ser humano realizar 
funções essenciais a sua sobrevivência.” (Susanibar e col., 2015) 
- Componentes: 
- passivo/ estático: ossos e dentes (mandíbula, maxila, osso hioide) 
- ativo/ dinamico: musculos mastigatorios, laringeos, faciais, linguais e cervicais 
- Características: 
- Estomatognósica: Sensibilidade, sentidos, percepção de variações 
- Estomatopônica: movimento, motricidade. 
- Funções: 
- Clássicas (essenciais) 
- Inatas (precisa para viver) : respiração, deglutição 
- Aprendida (depende de um modelo): mastigação, fonoarticulação 
- OBS: a sucção se encaixa como função clássica. 
- Adaptativas (utiliza as estruturas do SE para algo não essencial): beijo, roer 
unha

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