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CULTURA SURDA: POSSÍVEL SOBREVIVÊNCIA NO CAMPO DA INCLUSÃO NA ESCOLA REGULAR?
222 pág.

Língua Brasileira de Sinais Universidade Federal da Fronteira SulUniversidade Federal da Fronteira Sul

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## Resumo da Dissertação: Cultura Surda e Inclusão na Escola RegularA dissertação intitulada **"Cultura Surda: Possível Sobrevivência no Campo da Inclusão na Escola Regular?"**, apresentada por Mariana de Lima Isaac Leandro Campos à Universidade Federal de Santa Catarina em 2008, investiga as condições de inclusão de alunos surdos em duas escolas públicas de Santa Catarina — uma estadual e outra municipal — que adotam políticas e práticas de educação inclusiva. O estudo busca compreender como a cultura surda pode sobreviver e se desenvolver no contexto da inclusão escolar, especialmente em ambientes bilíngues que envolvem a Língua Brasileira de Sinais (Libras) e o português.### Contexto e Motivação PessoalA autora, surda de nascença, relata sua trajetória pessoal e acadêmica, marcada por desafios na escola regular privada onde estudou, sem acesso à comunidade surda, à língua de sinais e a professores surdos. Essa experiência de isolamento e dificuldade de comunicação, que gerou sentimentos de exclusão, insegurança e frustração, motivou sua busca por uma educação que respeitasse a identidade surda e a cultura associada. Mariana destaca a importância do encontro surdo-surdo, conceito de Gládis Perlin que representa o momento em que surdos interagem e constroem sua identidade cultural e linguística, algo que lhe faltou durante a maior parte de sua vida escolar.A autora também expõe a realidade da comunidade surda em sua cidade natal, Ribeirão Preto, onde a falta de intérpretes, professores surdos e políticas adequadas limita o acesso à educação e ao desenvolvimento cultural e cognitivo dos surdos. Ela enfatiza a importância do bilinguismo — o uso da língua de sinais e da língua escrita — como método eficaz para a educação de surdos, e relata sua experiência acadêmica na Universidade Federal de Santa Catarina, que oferece um ambiente inclusivo com intérpretes, professores surdos e disciplinas voltadas para os Estudos Surdos.### Fundamentação Teórica e Revisão BibliográficaA dissertação revisita a história da educação de surdos no Brasil, destacando a influência do oralismo, que proibiu o uso da língua de sinais e buscou a integração dos surdos pelo método oral, prejudicando o desenvolvimento linguístico e cultural dos alunos surdos. Posteriormente, a filosofia da comunicação total tentou integrar a língua de sinais como meio auxiliar, mas ainda dentro de um paradigma que privilegia a oralidade.O trabalho também aborda diferentes perspectivas teóricas sobre a inclusão do surdo: a visão moderna, que tende a tratar o surdo como deficiente a ser adaptado; a crítica, que questiona as relações de poder e exclusão; e a cultural, que reconhece o surdo como sujeito cultural com identidade própria, língua e práticas sociais distintas da cultura ouvinte. A autora destaca a importância dos Estudos Culturais e dos Estudos Surdos para compreender a surdez como uma diferença cultural e linguística, e não apenas como uma deficiência.### Metodologia e Resultados da PesquisaA pesquisa utilizou uma metodologia mista, combinando abordagens qualitativas e quantitativas, com observações, questionários aplicados a alunos surdos e professores, além do levantamento de recursos e práticas que facilitam a inclusão. Participaram 14 alunos surdos da escola estadual e 2 da escola municipal, com respostas de 12 e 1 alunos, respectivamente.Os resultados indicam que a **Escola Estadual de Santa Catarina**, que adota um modelo bilíngue com professor bilíngue e presença de pares surdos, oferece melhores condições para a inclusão e desenvolvimento da cultura surda. Entre os principais achados:- 100% dos alunos afirmam que a professora usa a Língua de Sinais (LS) com eles.- 75% compreendem a comunicação com a professora.- 87,18% mantêm um relacionamento positivo com a professora que usa LS.- 91,66% dos alunos surdos afirmam que seus colegas surdos usam LS e são compreendidos.- 100% sentem-se felizes e gostam da escola, valorizando a presença da LS e dos colegas surdos.- 63,88% estão satisfeitos com os serviços de apoio oferecidos pela escola.Em contraste, a **Escola Municipal de Florianópolis** apresenta desafios significativos para a aluna surda participante:- A aluna reconhece que a professora usa LS, mas sente nervosismo na comunicação com a intérprete de língua de sinais (ILS).- A socialização é limitada, com participação negativa em discussões e dependência da intérprete para entender as interações.- A aluna sente-se perdida quando a LS não é usada e relata dificuldades para acompanhar o grupo.- Apesar disso, ela afirma gostar da escola e estar satisfeita com os serviços de apoio.Esses dados evidenciam que a presença de um ambiente bilíngue, com professores surdos e pares surdos, favorece a interação, o aprendizado e o desenvolvimento cultural, cognitivo e linguístico dos alunos surdos. A pesquisa conclui que a cultura surda pode sobreviver e se fortalecer no contexto da inclusão escolar quando há respeito à língua de sinais, presença de recursos adequados e reconhecimento da identidade surda.### Implicações e ConclusõesA dissertação reforça a necessidade de políticas educacionais que valorizem a cultura surda e promovam a inclusão real, não apenas física, dos alunos surdos nas escolas regulares. A inclusão deve ir além da simples convivência com ouvintes, oferecendo condições para que o surdo desenvolva sua identidade cultural, linguística e cognitiva. A presença de professores bilíngues, intérpretes de língua de sinais, materiais adaptados e um ambiente que respeite a cultura surda são fundamentais para o sucesso da inclusão.Além disso, o trabalho destaca a importância de pesquisas conduzidas por surdos, que trazem uma perspectiva interna e crítica sobre as práticas inclusivas, contribuindo para a construção de um conhecimento mais sensível e eficaz. A autora também chama atenção para a persistência de uma visão ouvicêntrica na educação, que ainda trata o surdo como deficiente, e para a necessidade de superar essa perspectiva para garantir direitos e qualidade educacional.---## Destaques- A cultura surda é uma identidade cultural e linguística distinta, que precisa ser respeitada e valorizada na educação inclusiva.- A presença de professores bilíngues, intérpretes de língua de sinais e pares surdos é essencial para a inclusão efetiva e o desenvolvimento dos alunos surdos.- A escola estadual bilíngue oferece melhores condições para a inclusão e satisfação dos alunos surdos em comparação à escola municipal.- A inclusão deve ir além da convivência física, promovendo a participação ativa e o reconhecimento da cultura surda.- Pesquisas conduzidas por surdos são fundamentais para uma compreensão mais profunda e crítica da inclusão escolar.

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