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Atelier de Projeto de Arquitetura VI

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Atelier de Projeto 
de Arquitetura VI
Carolina Cardoso
© 2019 por Editora e Distribuidora Educacional S.A.
Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta publicação poderá ser reproduzida 
ou transmitida de qualquer modo ou por qualquer outro meio, eletrônico ou mecânico, 
incluindo fotocópia, gravação ou qualquer outro tipo de sistema de armazenamento 
e transmissão de informação, sem prévia autorização, por escrito, da Editora e 
Distribuidora Educacional S.A.
Presidência 
Rodrigo Galindo
Vice-Presidência de Produto, Gestão e Expansão
Julia Gonçalves
Vice-Presidência Acadêmica
Marcos Lemos
Diretoria de Produção e Responsabilidade Social
Camilla Veiga
Gerência Editorial
Fernanda Migliorança
Editoração Gráfica e Eletrônica
Renata Galdino
Supervisão da Disciplina
Sandra Leonora Alvares
Revisão Técnica
Adriana Cezar
Estela Regina De Almeida 
Ruy Flávio De Oliveira
Sandra Leonora Alvares
Thamiris Mantovani CRB-8/9491 
2019
Editora e Distribuidora Educacional S.A.
Avenida Paris, 675 – Parque Residencial João Piza
CEP: 86041-100 — Londrina — PR
e-mail: editora.educacional@kroton.com.br
Homepage: http://www.kroton.com.br/
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) 
 Cardoso, Carolina 
C268a Atelier de projeto de arquitetura VI / Carolina Cardoso. – 
 Londrina : Editora e Distribuidora Educacional S.A., 2019.
 208 p.
 
 ISBN 978-85-522-1586-8
 
 1. Projeto de arquitetura. 2. Unidade de Pronto 
 Atendimento (UPA). 3. Arquitetura hospitalar. I. Cardoso, 
 Carolina. II. Título. 
 CDD 720
Sumário
Unidade 1
Atelier VI: pesquisa e levantamento de dados sobre a temática .............. 7
Seção 1
Atelier VI: temática do projeto ......................................................... 9
Seção 2
Atelier VI: metodologia de projetos de arquitetura 
hospitalar ...........................................................................................24
Seção 3
Legislação vigente e normas pertinentes .......................................38
Unidade 2
Concepção do projeto .................................................................................57
Seção 1
Análise do terreno ............................................................................59
Seção 2
Programa de necessidades ...............................................................75
Seção 3
Conceito do projeto e a concepção do partido arquitetônico ....89
Unidade 3
Desenvolvimento do projeto ...................................................................107
Seção 1
Pré-dimensionamento do edifício ...............................................109
Seção 2
Sistema estrutural ..........................................................................130
Seção 3
Desenhos técnicos .........................................................................145
Unidade 4
Desenhos e apresentação do projeto ......................................................161
Seção 1
Detalhamento de projeto ..............................................................163
Seção 2
Elaboração de maquete física e virtual .......................................177
Seção 3
Apresentação do anteprojeto........................................................189
Palavras do autor
Olá!Bem-vindo(a) à disciplina de Atelier de Projeto de Arquitetura VI.
O que seria de um arquiteto, se não soubesse como projetar?
Caminhamos ao longo de toda a trajetória acadêmica estudando sobre 
formas, proporção, elementos construtivos e metodologia de projeto para 
nos tornarmos aptos para exercer a profissão. No entanto, devemos consi-
derar que existem inúmeros tipos de edificações, cada qual com a sua 
função e particularidade. 
Conhecer as características que diferenciam os edifícios é fundamental 
para criar soluções que atendam às necessidades e aos desejos de quem 
usufruirá do espaço. Por isso, esta disciplina tem como objetivo respaldar o 
futuro profissional nas mais variadas situações. 
Desta vez, abordaremos a ampla e complexa temática da arquitetura 
hospitalar. Este livro trata desde a evolução histórica dos hospitais e a 
concepção do projeto de edifícios de saúde até o detalhamento e a apresen-
tação do projeto arquitetônico. Em síntese, temos como foco orientar o aluno 
na compreensão da temática dos edifícios de saúde e na metodologia de 
análise de projetos e fazer com que ele conheça a legislação vigente e entenda 
a concepção do projeto de edifícios de saúde, que vai desde o pré-dimensio-
namento, o sistema estrutural e os detalhamentos até as técnicas de apresen-
tação do projeto arquitetônico.
A Unidade 1 tem caráter introdutório e versará sobre assuntos gerais para 
que você possa compreender, de forma efetiva, como funciona um edifício 
da área da saúde. Nas Unidades 2, 3 e 4, relacionaremos a temática com o 
processo projetual já desenvolvido pelo(a) aluno(a) em disciplinas anteriores. 
Tópicos como análise do entorno, programa de necessidades, partido arqui-
tetônico, pré-dimensionamento, desenhos técnicos e apresentação de projeto 
serão abordados ao longo do material.
Este livro funciona como um guia, mas não se limite a ele! Busque 
por conhecimento em outras fontes, como livros, palestras e pesquisas 
científicas, a fim de vivenciar a arquitetura com olhos mais atentos. 
Aprofunde-se nos conteúdos tratados neste material didático e conte 
com a ajuda do(a) professor(a) neste processo de aprendizagem. 
Bons estudos!
Unidade 1
Carolina Cardoso
Atelier VI: pesquisa e levantamento de dados 
sobre a temática
Convite ao estudo
Olá, aluno(a)!
Nesta unidade, teremos como foco a temática da arquitetura hospitalar. 
Você sabe quando surgiram os primeiros médicos e hospitais? Qual era a confi-
guração desses espaços e quais as modificações que aconteceram no decorrer 
da história? Existe leis e normas que regem o funcionamento destes edifícios?
Para responder a essas questões, introduziremos o assunto e conhece-
remos a temática do projeto de arquitetura hospitalar, buscando referências 
projetuais a partir de análises de projetos correlatos. Além disso, conhece-
remos as normas que regem o projeto dos edifícios de saúde. Por fim, teremos 
conhecimento sobre o histórico do tema do projeto e a legislação vigente e 
criaremos um repertório de referências arquitetônicas. 
Imagine a situação na qual você foi contratado(a) por um escritório 
de arquitetura especializado em construções da área da saúde. A prefei-
tura da sua cidade, localizada no interior do estado, está em um acelerado 
processo de expansão que envolve a abertura de novos loteamentos. Dessa 
forma, a prefeitura lançou um edital para um concurso municipal de projeto 
arquitetônico para uma Unidade Básica de Saúde (UBS) do novo bairro 
recém-aprovado.
Este edital apresenta como requisitos a apresentação de um projeto arqui-
tetônico, no nível de anteprojeto, de um Estabelecimento Assistencial de 
Saúde (EAS), com capacidade entre 2.400 e 4.000 pacientes e que atenda aos 
critérios estabelecidos pelo Manual de Estrutura Física das Unidades Básicas 
de Saúde, publicado pelo Ministério da Saúde.
Na Seção 1.1, você iniciará uma pesquisa sobre a temática de projeto e 
analisará algumas edificações voltadas para o uso da saúde, a fim de conhecer 
melhor as características dos Estabelecimentos Assistenciais de Saúde (EAS). 
Com isso, você compreenderá a setorização e circulação entre os ambientes 
necessários em uma edificação da área de saúde. Na Seção 1.2, identificará 
as tipologias existentes e compreenderá o processo de concepção do projeto 
arquitetônico. Nesse contexto, terá contato com o Plano Diretor Hospitalar 
e qual é o processo projetual que envolve a criação de uma edificação. Para 
terminar, na Seção 1.3, você se aprofundará na legislação vigente sobre 
edifício de saúde, que norteará o desenvolvimento do projeto que deverá 
atender a todas as normativas.
Com os conteúdos apresentados nestadisciplina, será possível entender 
que a arquitetura pode influenciar no processo de cura dos doentes, atuando, 
inclusive, como um tratamento auxiliar.
Está pronto(a) para descobrir os poderes do projeto arquitetônico?
9
Seção 1
Atelier VI: temática do projeto
Diálogo aberto
Hospitais, clínicas médicas, postos de saúde e laboratório de análises 
clínicas; o projeto de edifícios voltados para a área da saúde exige atenção 
especial, pois nestas construções existe a aglomeração de pessoas enfermas, 
infectadas e debilitadas, o que aumenta o risco de contaminação e disseminação 
de doenças. Devemos considerar ainda que os Estabelecimentos Assistenciais 
de Saúde (EAS) prestam serviços de atendimento para indivíduos abatidos, e 
que a maneira com que o projeto de arquitetura destas edificações for ideali-
zada impacta diretamente sobre o bem-estar da pessoa que precisa ser curada. 
Pense em um cenário em que você faz parte de um escritório de arquitetura 
especializado em projetos de EAS e a sua equipe trabalhará em uma Unidade 
Básica de Saúde (UBS) no bairro novo da cidade onde mora. Você gostaria 
de compreender mais sobre a temática para apresentar maior segurança e 
melhores escolhas no momento de começar a projetar. Sendo assim, decidiu 
estudar o processo histórico que moldou as edificações de atendimento à saúde 
no Brasil, além de buscar por referências de projetos de arquitetura hospitalar e 
analisar as soluções que foram utilizadas para atingir o resultado final.
Analise o processo histórico das construções de edifícios de saúde. 
Quais foram as transformações e influências que culminaram na tipologia 
construtiva que vivenciamos hoje? Quais dos elementos identificados devem 
estar presentes no seu projeto arquitetônico? Que referências arquitetônicas 
poderão auxiliá-lo no processo criativo, enriquecendo seu projeto? 
Sua pesquisa acerca das edificações de arquitetura hospitalar executadas 
no Brasil fez com que você identificasse alguns nomes que se destacaram 
no projeto de edifícios de saúde, dentre eles, João Filgueiras Lima. Nesse 
contexto, vcê opta por analisar uma obra completa do arquiteto para auxili-
á-lo na elaboração de um processo metodológico para EAS. Inicie observando 
quais são os setores que compõem o projeto, os ambientes e suas respec-
tivas funções. Existem várias especialidades médicas atuando em conjunto? 
Analise como os espaços se relacionam e os fluxos de circulação. O fluxo de 
pacientes se cruza com o fluxo de médicos e funcionários? Observe também 
fotografias dos ambientes internos. Este edifício é inteiramente branco ou 
apresenta cores? Como são os móveis? Existe paisagismo? Estes são alguns 
dos questionamentos que você deve levantar ao analisar a obra.
10
Para tanto, veremos, nesta seção, a evolução histórica dos hospitais, 
contextualizando a temática da arquitetura hospitalar. Nesse sentido, desco-
briremos como eram os hospitais da antiguidade e quais acontecimentos os 
transformaram nos complexos de saúde atuais. Compreender como ocorreu 
a evolução destas edificações auxilia na criação de um panorama geral que 
possibilitará o entendimento acerca da função e das percepções dos edifí-
cios de saúde. A análise de projetos arquitetônicos atuais lhe permitirá criar 
um repertório de referências que poderão ser utilizadas futuramente, no 
momento de projetar um edifício de saúde.
Está curioso(a) para descobrir como a arquitetura pode influenciar no 
tratamento dos pacientes? Vamos começar nossa jornada de aprendizagem 
sobre a arquitetura hospitalar!
Não pode faltar
Não se sabe com precisão a origem da medicina e dos hospitais como 
conhecemos hoje. Entretanto, existem registros de locais destinados ao 
tratamento de doentes que datam de épocas anteriores ao cristianismo. A 
cura dos enfermos já se mostrava uma preocupação desde a antiguidade, 
nas primeiras cidades da civilização (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 1944). 
Conforme a população crescia, os indivíduos que antes se preocupavam 
apenas com a sua vitalidade e de sua família passaram a atentar à saúde 
coletiva das sociedades urbanas primitivas.
Saiba mais
A profissão de médico foi estabelecida na Babilônia, sendo dissemi-
nada para o Egito. Os registros encontrados nos pergaminhos egípcios 
mostram uma variedade de especialidades médicas, como olhos, dentes 
e distúrbios internos. A remuneração era farta e os tratamentos eram 
custeados pelo governo. Imhotep, considerado o primeiro arquiteto 
que já existiu e responsável pela construção da pirâmide mais antiga, 
era também um excelente médico (GÓES, 2004, cap. 2).
Os médicos da Antiguidade e Idade Clássica recebiam muito prestígio, 
sendo relacionados aos sacerdotes egípcios e gregos (MINISTÉRIO DA 
SAÚDE, 1944). Nestes períodos, assim como na Idade Média, o exercício da 
medicina era associado à divindade e ao cristianismo. A função do hospital 
não se restringia ao tratamento de doenças e se caracterizava por locais que 
recebiam não só os enfermos, mas também os pobres e peregrinos
11
Vocabulário
Por esse motivo, a palavra hospital tem origem no latim hospitalis, 
adjetivo derivado de hospes, que significa hóspedes. O termo como 
conhecemos hoje tem a conotação de nosocomium, do grego, que signi-
fica “tratar os doentes”.
Os primeiros locais que concebiam a função da cura de doenças estavam 
associados aos templos. Na Grécia, surgiram as Asclepéia, templos dedicados 
ao culto de Esculápio, um ser com habilidades médicas excepcionais 
(MINISTÉRIO DA SAÚDE, 1944). Estes templos eram edificados em locais 
propícios ao tratamento médico. As construções deveriam ser implantadas nas 
colinas, abrigadas contra os ventos fortes, e próximas à floresta e a uma fonte de 
água mineral. A preocupação com a higiene e alimentação já acontecia naquela 
época. Antes que os enfermos adentrassem nos santuários, estes eram subme-
tidos a processos de purificação com banhos, massagens e unções. 
A medicina e os médicos gregos ganharam importância e conquistaram 
espaço em Roma. O prestígio era tanto que o imperador Júlio César concedeu 
a cidadania romana a todos os médicos. No período governado pelo seu 
sucessor Augusto, o arquiteto romano Marcus Vitruvius escreveu um livro 
que ficou conhecido como Tratado de Arquitetura. No compilado, Vitruvius 
(2007) apresenta como reconhecer um local saudável para implantação das 
cidades e a escolha do ambiente de implantação das edificações, resgatando 
os princípios utilizados pelos gregos: localidades altas, com boa ventilação, 
evitando áreas pantanosas e nebulosas. Além disso, relembra a relação com 
o alimento e com a água, fatores que indicam a salubridade dos locais. O 
autor incorpora os conceitos de conforto térmico, indicando a orientação 
solar mais adequada, evitando insolações extenuantes.
Pesquise mais
O livro De Architectura Libri Decem, de Marcus Vitruvius Pollio, intro-
duziu os princípios da arquitetura clássica que influenciaram as 
construções do Renascimento e são utilizados até os dias atuais. Este 
compêndio está dividido em dez volumes, que apresentam aspectos 
arquitetônicos, desde a escolha do local para implantar uma cidade até 
a decoração do interior das construções. O artigo escrito pela profes-
sora Giselle Luzia Dziura apresenta mais detalhadamente quais foram 
as contribuições dos escritos de Vitruvius. Leia o intervalo de páginas 
de 20 a 26 e saiba mais.
DZIURA, G. L. Três tratadistas da arquitetura e a ênfase no uso do 
espaço. Da Vinci, Curitiba, v. 3, n. 1, p. 19-36, 2006.
12
A Idade Média ficou conhecida como Idade das Trevas por diferentes 
razões, por exemplo, a infestação de pestes que culminou em grandes epide-
mias, aumentando a necessidade de implantação de locais para quaren-
tena. Assim, acelerou-se o processo de construção de hospitais, localizados 
próximos aos mosteiros e às igrejas, reforçando o poder do cristianismo 
(MINISTÉRIO DA SAÚDE, 1944). Um dos marcos da arquitetura hospitalar 
está associado à construção de dois Hotéis Dieu, em Lyon e emParis (Figura 
1.1). A planta baixa destes estabelecimentos abrigava uma capela e deveria 
permitir que todos os pacientes observassem os atos religiosos enquanto 
repousavam em suas camas (GÓES, 2004). Porém, em meados do século XII, 
surgiram diversos concílios que proibiram o exercício da medicina pelo clero, 
incluindo as operações com derramamento de sangue. Apenas as doenças 
da alma deveriam ser tratadas pelo clero, enquanto o exercício da medicina 
ficou nas mãos de leigos.
Figura 1.1 | Catedral de Notre-Dame com o antigo Hotel Dieu à direita (Paris).
Fonte: Wikimedia Commons. Disponível em: https://fr.wikipedia.org/wiki/H%C3%B4tel-Dieu_de_Paris. Aces -
so em: 5 jul. 2019.
O advento das universidades e da invenção do microscópio serviu de 
impulso para o desenvolvimento da ciência. Durante o Renascimento, os 
concílios da igreja foram abandonados, o que permitiu avanços nos proce-
dimentos cirúrgicos que foram determinantes para o melhoramento dos 
hospitais. A medicina deixou de ter um caráter monástico para ser reconhe-
cida como parte da física, o que culminou na municipalidade dos hospitais 
(MINISTÉRIO DA SAÚDE, 1944).
https://fr.wikipedia.org/wiki/H%C3%B4tel-Dieu_de_Paris
13
Após o incêndio do Hotel Dieu em Paris, no ano de 1772, ocorreram 
mudanças significativas acerca da construção e do planejamento dos estabe-
lecimentos de saúde. O hospital era imenso para a época, com capacidade 
de 2.500 leitos, e apresentava diversos problemas de contaminação e disse-
minação de doenças (GÓES, 2004). A Academia de Ciências de Paris ficou 
encarregada pela sua reconstrução. Diversos projetos foram apresentados 
e cada um deles previa atender 5.000 leitos. Contudo, a comissão se opôs 
às propostas e estabeleceu novos parâmetros para a construção, incluindo, 
dentre outros aspectos, a redução do número de leitos por hospital (1.200); 
a disposição em pavilhões, nos quais as enfermarias ficariam isoladas e não 
haveriam salas contínuas; e a utilização de, preferivelmente, apenas um 
pavimento, com o máximo de dois ou três, conforme a concessão. Estes 
princípios foram utilizados para direcionar a construção de vários hospitais 
durante mais de um século (GÓES, 2004).
Reflita
A preocupação com a contaminação e infecção, dispersa pelos próprios 
doentes, acarretou mudanças na estrutura física das edificações hospita-
lares. Quais outros aspectos podem ser influenciados pela arquitetura?
Portugal foi influenciado pelas características propostas pela Academia 
de Ciências e transferiu sua cultura para a colônia, assim como o fez em 
diversos outros aspectos. O Brasil recebeu edificações para assistência hospi-
talar desde o seu descobrimento. Em 1543, foi construído o primeiro hospital 
nacional na cidade de Santos, sendo sucedido pela construção de instala-
ções em Olinda e São Paulo antes do final do século XVI. Desde então, não 
houveram novas normas para a construção de edificações de saúde até a 
Revolução de 1930. 
Neste período já estavam sendo construídos, nos Estados Unidos, edifí-
cios hospitalares em um único bloco de inúmeros pavimentos, funcionando 
em perfeitas condições de salubridade, que sobrepunham aos princípios da 
Academia de Ciências (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 1944). Estes parâmetros 
foram utilizados pelos arquitetos brasileiros para construir as novas instala-
ções de saúde do país. Alguns exemplos são: o Hospital da Brigada Militar 
em Recife (1934), projetado por Luís Nunes; a Faculdade de Medicina de 
São Paulo (1944) (Figura 1.2), do arquiteto Ramos de Azevedo; e o Hospital 
Israelita Albert Einstein (1954), idealizado por Rino Levi.
14
Figura 1.2 | Faculdade de Medicina de São Paulo (1978)
Fonte: Wikimedia Commons. Disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Faculdade_de_Medicina_da_Unie-
versidade_de_S%C3%A3o_Paulo. Acesso em: 5 jul. 2018.
A partir daí, podemos traçar um repertório de referências em arquite-
tura hospitalar no Brasil. Além dos arquitetos já citados, nomes como Jarbas 
Karman, João Filgueiras Lima, João Carlos Bross e Carlos Eduardo Pompeu 
se destacam no projeto dos Estabelecimentos Assistenciais de Saúde (EAS).
Saiba mais
A denominação Estabelecimentos Assistenciais de Saúde (EAS) é dada 
a qualquer edifício destinado a prestar serviços de assistência à saúde 
para a população. Independentemente do nível de complexidade do 
projeto, todos eles devem garantir o acesso do paciente, seja em regime 
de internação ou não.
As obras dos hospitais da Rede Sarah Kubitschek se destacam dentre o 
acervo de projetos realizados por João Filgueiras Lima, conhecido como Lelé. 
O primeiro hospital foi inaugurado em Brasília no ano de 1980, o que levou 
à criação do Centro Tecnológico Sarah Kubitschek (CTRS) que originou a 
Rede Sarah. Para a terceira unidade, construída em 1994 na cidade de Salvador 
(Figura 1.3), o arquiteto utilizou um sistema muito particular para o conforto 
térmico. A iluminação e ventilação natural foram incorporadas ao projeto por 
meio do sistema de cobertura denominado shed, que permitiu a redução do 
uso de aparelhos de ar condicionado e, consequentemente, o gasto energético. 
Os elementos, que se assemelham a ondas, permitem a entrada da luz do sol 
de forma indireta e direciona os ventos para o interior da edificação. Existem, 
https://pt.wikipedia.org/wiki/Faculdade_de_Medicina_da_Universidade_de_S%C3%A3o_Paulo
https://pt.wikipedia.org/wiki/Faculdade_de_Medicina_da_Universidade_de_S%C3%A3o_Paulo
15
ainda, outros fatores que se unem ao elemento da cobertura para contribuírem 
com a melhor eficiência do edifício, como o sistema de galerias de manutenção, 
que funcionam também como dutos de ventilação natural e que canalizam os 
ventos, favorecendo a circulação do ar; e o resfriamento evaporativo, que usa 
a nebulização de água para diminuir a temperatura do ar. Este último também 
funciona como um filtro para as partículas de poeira.
Figura 1.3 | Hospital Sarah – Unidade Salvador
Fonte: Rede Sarah. Disponível em: http://www.sarah.br/media/1368/a_redeSARAH_unid_salvadorgrande2.
jpg?anchor=center&mode=crop&rnd=130536445810000000. Acesso em: 5 jul. 2018.
Depois da capital baiana, diversas outras cidades receberam obras da 
Rede Sarah que utilizavam a cobertura em sheds e seguiam os mesmos princí-
pios de conforto térmico. A última unidade foi construída em 2009 no Rio 
de Janeiro (Figura 1.4). É possível notar a evolução arquitetônica de Lelé no 
decorrer dos 15 anos que separam as duas obras. A cobertura da construção 
carioca é mais alta e foi desassociada das paredes, permitindo mais flexibi-
lidade na organização dos ambientes, diferente da unidade de Salvador, na 
qual os sheds eram limitados à largura das salas.
Assimile
Os sheds são aberturas zenitais (ou seja, posicionadas na cobertura) 
com um formato característico que se assemelha aos dentes de uma 
serra, muito utilizados na construção de fábricas. As obras de Lelé 
popularizaram este elemento no Brasil, que se transformou e originou 
uma estrutura única em cada obra na qual fora empregado. O shed 
favorece o efeito chaminé, com o qual o ar quente é dissipado pela 
abertura por meio da diferença de densidade do ar. Mas, cuidado! O 
posicionamento da abertura deve calcular a incidência solar para que 
http://www.sarah.br/media/1368/a_redeSARAH_unid_salvadorgrande2.jpg?anchor=center&mode=crop&rnd=130536445810000000
http://www.sarah.br/media/1368/a_redeSARAH_unid_salvadorgrande2.jpg?anchor=center&mode=crop&rnd=130536445810000000
16
ela não se transforme em um canalizador dos raios solares e prejudique 
o conforto térmico do edifício.
Outra diferença é percebida na composição da cobertura, isto é, existe 
uma externa, feita com telha e forro de alumínio com um vão entre eles, 
da mesma forma como acontece em Salvador, e uma interna, produzida 
com estrutura metálica e policarbonato alveolar translúcido, que envolve os 
ambientes. Esta estrutura apresenta aberturas basculantes automatizadas que 
permitem alternar entre os sistemas de ventilação natural eartificial, já que o 
Hospital Sarah, do Rio de Janeiro, é o único que tem ar condicionado devido 
às suas condições climáticas.
Figura 1.4 | Hospital Sarah – Unidade Rio de Janeiro
Fonte: Rede Sarah. Disponível em: http://www.sarah.br/media/1401/a_redeSARAH_unid_riogrande.jpg?an/-
chor=center&mode=crop&rnd=130537087220000000. Acesso em: 5 jul. 2018.
A partir da análise das obras de arquitetos renomados na área da saúde, 
é possível identificar as características essenciais para o projeto destas edifi-
cações. Em primeiro lugar, deve-se considerar que o paciente está ali para 
ser curado e, para isso, precisa de um local que lhe ofereça, além do trata-
mento médico necessário, ambientes agradáveis e humanitários que contri-
buam para o seu bem-estar. Os recursos naturais, como iluminação, venti-
lação e vegetação, tornam-se aliados no momento de compor espaços que 
apresentem conforto ambiental.
Exemplificando
Os elementos vegetais apresentam influência sobre as sensações 
do usuário. Estudos apontam a contribuição da vegetação para uma 
http://www.sarah.br/media/1401/a_redeSARAH_unid_riogrande.jpg?anchor=center&mode=crop&rnd=130537087220000000
http://www.sarah.br/media/1401/a_redeSARAH_unid_riogrande.jpg?anchor=center&mode=crop&rnd=130537087220000000
17
melhor saúde mental, com menos estresse e ansiedade (BARTON; 
PRETTY, 2010; LEE; JORDAN; HORSLEY, 2015; AKPINAR, 2016). Dessa 
forma, o paisagismo pode ser incorporado aos espaços hospitalares 
como tratamento auxiliar ao paciente. 
Um exemplo é a proposta do projeto de extensão do Hospital de Helsin-
gborg na Suécia. Note que existe uma grande porção da área destinada 
às localidades verdes.
Figura 1.5 | Implantação da proposta vencedora da extensão do Hospital de Helsingborg, Suécia
Disponível em: https://www.archdaily.com.br/br/01-107796/proposta-vencedora-da-extensao-do-hospitals-
-de-helsingborg-slash-schmidt-hammer-lassen-architects/514b7e02b3fc4b095e0000c5-helsingborg-hospi-
tal-extension-winning-proposal-schmidt-hammer-lassen-architects-image. Acesso em: 5 jul. 2018.
O arquiteto pode – e deve! – projetar espaços confortáveis, seja ele de uma 
residência, um comércio, uma indústria, entre outros. No entanto, devemos 
nos lembrar de que um EAS não é como uma edificação. Existem normas e 
fluxos que precisam ser respeitados para que tudo funcione corretamente e 
de forma segura. Falaremos sobre a metodologia e as orientações para elabo-
ração de um projeto de arquitetura hospitalar na próxima seção.
Sem medo de errar
O escritório de arquitetura do qual você faz parte participará de um 
concurso público para projetar uma Unidade Básica de Saúde (UBS) no 
bairro novo da cidade em que você mora. Antes de iniciar o projeto, você 
https://www.archdaily.com.br/br/01-107796/proposta-vencedora-da-extensao-do-hospital-de-helsingborg-slash-schmidt-hammer-lassen-architects/514b7e02b3fc4b095e0000c5-helsingborg-hospital-extension-winning-proposal-schmidt-hammer-lassen-architects-image
https://www.archdaily.com.br/br/01-107796/proposta-vencedora-da-extensao-do-hospital-de-helsingborg-slash-schmidt-hammer-lassen-architects/514b7e02b3fc4b095e0000c5-helsingborg-hospital-extension-winning-proposal-schmidt-hammer-lassen-architects-image
https://www.archdaily.com.br/br/01-107796/proposta-vencedora-da-extensao-do-hospital-de-helsingborg-slash-schmidt-hammer-lassen-architects/514b7e02b3fc4b095e0000c5-helsingborg-hospital-extension-winning-proposal-schmidt-hammer-lassen-architects-image
18
optou por buscar referências em obras desenvolvidas por outros arquitetos 
que lhe auxiliarão na elaboração do anteprojeto.
A pesquisa histórica desenvolvida mostrou que a preocupação com 
a saúde da população existe desde os primórdios da civilização. Nesse 
contexto, você identificou características como a escolha correta do local 
de implantação, o aproveitamento da insolação e ventilação natural e a 
organização dos ambientes visando a funcionalidade da edificação. Neste 
momento, deverá enriquecer o seu projeto com referências arquitetônicas 
de projetos correlatos.
Além disso, terá como função escolher uma obra do arquiteto João 
Filgueiras Lima dentro da temática apresentada na seção. Comece pesqui-
sando em revistas, livros e sites o acervo desenvolvido pelo arquiteto durante 
a sua carreira e selecione uma obra da área da saúde para ser analisada. Faça 
uma ficha técnica da edificação, na qual deve constar o nome da obra, local de 
implantação, data do projeto e de início e fim da construção. Inclua também 
dados referentes ao tamanho da edificação (em m²). Com estas informações, 
você poderá procurar pelos desenhos técnicos (plantas baixas, cortes, eleva-
ções) e por fotografias da obra.
Primeiramente, analise uma escala macro, verificando como o sol incide 
sobre a edificação: identifique a direção do Norte e quais as faces de maior 
e menor insolação. Obtenha a informação dos ventos dominantes; por 
exemplo, no Rio de Janeiro, estes são provenientes da direção leste. Observe 
a existência de áreas vegetadas no terreno ou se ele é todo pavimentado.
Depois de analisar o entorno, e com a planta baixa em mãos, identi-
fique os setores que fazem parte da construção. Quais são eles? Recepção, 
ambulatório, maternidade, centro cirúrgico, patologia clínica, Unidade de 
Tratamento Intensivo (UTI) e administração. Consegue reconhecer algum 
deles? Você pode usar lápis de cor ou canetas hidrocor para identificar os 
ambientes que fazem parte de um mesmo setor. Identifique também como 
são distribuídos os fluxos. Use linhas e setas com cores de acordo com cada 
setor, e classifique-os como fluxo interno (dos médicos e enfermeiros) e 
externo (dos pacientes e visitantes). Esses fluxos se cruzam?
Veja o exemplo a seguir (Figura 1.6), que analisa o Centro de Apoio ao 
Grande Incapacitado Físico, uma das unidades da Rede Sarah em Brasília, 
DF. Veja como a planta baixa colorida facilita a visualização de como foram 
organizados os ambientes em setores ou unidades funcionais
19
Figura 1.6 | Exemplo de análise de obra (o Centro de Apoio ao Grande Incapacitado Físico, 
Brasília, DF)
Fonte: adaptado de WESTPHAL (2007).
Utilizando os cortes e detalhamentos, verifique quais foram as soluções 
construtivas empregadas ao edifício. Como é a estrutura? De que material 
ela é composta? Analise os detalhes construtivos que foram desenvolvidos 
para este projeto.
Por fim, identifique os ambientes internos a partir das fotografias, anali-
sando quais foram os revestimentos empregados, como é o design do mobili-
ário, além das cores utilizadas. Como a luz se comporta nesse ambiente? O 
paisagismo está presente?
20
Faça uma descrição de todas as características que você achar pertinente 
e organize-as em pranchas que serão anexadas ao memorial descritivo do 
projeto, o qual será entregue ao final da disciplina. Por fim, vale acrescentar 
que você pode colocar imagens para ilustrar o texto e facilitar a compreensão.
Avançando na prática
Hospital: do passado ao presente
As doenças que acometiam as primeiras civilizações estavam forte-
mente relacionadas com a falta de saneamento básico. Portanto, as instala-
ções hospitalares apresentavam características que auxiliavam o tratamento 
dessas enfermidades, no sentido de fornecer condições sanitárias salubres, 
como água potável, ventilação e iluminação adequados.
A evolução da urbanização ocasionou o desenvolvimento de redes de 
abastecimento de água e sistemas de esgoto sanitário, o que reduziu deter-
minados tipos de doenças características da Idade Média. Atualmente, 
os problemas de saúde enfrentados pela população são outros e requerem 
recursos diferentes e mais abrangentes.
Pela vasta experiência do seu escritório em desenvolver projetos de edifi-
cações de saúde, você foi convidado a palestrar para estudantes de arquitetura 
na universidade próxima à sua cidade. Neste sentido, faça uma retrospectiva 
histórica e identifique quais características dos edifícios de saúde se manti-
veram ao longo dos anos, e quaisforam incorporadas ou modificadas para se 
adequar à nova realidade. Observe o que mudou na configuração dos hospi-
tais: onde estão localizados? Quem prestava o serviço e qual o público que ele 
atende? Como era o sistema construtivo? Quais equipamentos são utilizados? 
Utilize o conhecimento adquirido para relacionar a arquitetura hospitalar 
com o período histórico.
Resolução da situação-problema
Faça um quadro para te ajudar a organizar as características de cada período. 
Na linha de cabeçalho, escreva os períodos históricos que deseja comparar. A 
primeira coluna determinará qual característica será analisada. Utilize algumas 
das citadas anteriormente e crie o seu quadro. Veja um exemplo:
21
Quadro 1.1 | Modelo de quadro comparativo dos edifícios de saúde ao longo da história
Antiguidade Idade Média Renascimento Atualidade
Localização
Público
Médicos
Sistema 
construtivo
Equipamentos
Fonte: elaborado pela autora.
Preencha as colunas com as informações referentes a cada período. Fique 
à vontade para adicionar outros períodos e características. Ao completar o 
quadro, observe se alguma das informações se repetiram em mais de um 
período. Faça um texto pontuando quais foram as principais mudanças 
ocorridas ao longo do tempo.
Faça a valer a pena
1. Esculápio foi um médico grego que possuía habilidades de cura excepcionais. 
Segundo a história, este médico foi destruído por Zeus, que temia que ele tornasse 
os homens imortais. A partir de então, surgiram templos dedicados à preservação da 
memória de Esculápio e seu legado, denominados Asclepéia.
Assinale a alternativa que melhor descreve as características das Asclepéias.
a. Localizadas próximas ao mar, que facilitava o transporte dos médicos.
b. Construídas no centro da cidade, no qual todos pudessem ter acesso.
c. Localizadas sobre áreas rochosas, nas quais havia abundância de matéria-
-prima.
d. Construídas nas colinas, próximas às florestas, e abrigadas contra os ventos 
fortes.
e. Localizadas próximas às montanhas, nas quais os sacerdotes invocavam o 
poder curativo dos deuses. 
2. No início do século XX surgiu uma tipologia construtiva das edificações hospita-
lares nos Estados Unidos. A estas construções dava-se o nome de monobloco.
As afirmativas a seguir indicam características destas construções:
22
I. Economia na construção e manutenção, a partir da concentração de instala-
ções hidráulicas, elétricas, de esgoto, etc.
II. Menor isolamento por pavimento do que em pavilhões térreos.
III. Possibilidade de serviços operatórios como raio X, laboratórios clínicos e 
fisiodiagnóstico.
IV. Facilidade na administração e mais cooperação entre o setor técnico.
Com base no texto, assinale a alternativa correta.
a. Apenas as afirmativas I, II e III estão corretas.
b. Apenas as afirmativas I, II e IV estão corretas.
c. Apenas as afirmativas I, III e IV estão corretas.
d. Apenas as afirmativas II e IV estão corretas.
e. Todas as afirmativas estão corretas.
3. A Rede Sarah consiste em uma série de unidades hospitalares distribuídas em 
várias cidades do Brasil. João Filgueiras Lima, o arquiteto que projetou os edifícios, 
incorporou características muito peculiares em sua arquitetura. A figura a seguir 
mostra o desenho técnico do corte da última unidade implantada na cidade do Rio 
de Janeiro.
Figura 1.7 | Corte do hospital Sarah do Rio de Janeiro
Fonte: adaptado de Lukiantchuki (2010).
Observe o corte apresentado e avalie as afirmativas a seguir:
I. O arquiteto utilizou a cobertura do tipo shed em todos os hospitais da Rede 
Sarah, visando aproveitar a luz e ventilação natural.
II. A cobertura em forma de ondas foi utilizada apenas para conferir ao edifício 
um apelo estético com forte identidade visual.
23
III. A cobertura da unidade do Rio de Janeiro está desassociada das divisórias, 
permitindo maior flexibilidade dos ambientes.
Assinale a alternativa que contém apenas as afirmativas corretas.
a. Apenas a afirmativa I está correta.
b. Apenas a afirmativa II está correta.
c. Apenas a afirmativa III está correta.
d. As afirmativas I e III estão corretas.
e. As afirmativas I, II e III estão corretas.
24
Seção 2
Atelier VI: metodologia de projetos de 
arquitetura hospitalar
Diálogo aberto
Para que o arquiteto seja capaz de desenvolver um projeto arquitetônico 
eficiente no setor de saúde, é necessário que se tenha conhecimento acerca 
do funcionamento dos Estabelecimentos Assistenciais de Saúde (EAS) e da 
metodologia aplicada ao projeto. Neste sentido, o Plano Diretor Hospitalar 
(PDH) se transforma em um documento norteador das ações e soluções 
voltadas para o desenvolvimento das edificações de saúde.
Voltemos ao cenário profissional em que você trabalha em um escritório 
de arquitetura especializado em projetos de EAS, e a equipe da qual faz parte 
participará de um concurso público para um projeto de uma Unidade Básica 
de Saúde (UBS) no bairro novo da cidade na qual você mora. Já foi criado 
um repertório de referências arquitetônicas que lhe auxiliará na criação do 
projeto arquitetônico do EAS. Agora, você iniciará o processo projetual a 
partir do desenvolvimento de um PDH e da adoção de uma metodologia que 
indicará algumas técnicas que poderão ser utilizadas no decorrer do projeto. 
Para isso, será necessário que você identifique: como são classificados os EAS? 
Quais informações devem constar no PDH? Quais são as etapas metodoló-
gicas a serem seguidas no processo criativo de elaboração do projeto?
Nesta seção, apresentaremos um embasamento teórico sobre a rede de 
saúde no Brasil, que nos permitirá conhecer e caracterizar os tipos de edifí-
cios de saúde. Versaremos também sobre o PDH e sua importância para o 
levantamento de soluções técnicas e organizacionais que influenciarão o 
funcionamento do EAS. Ainda, estudaremos a metodologia de projeto que 
define as etapas que envolvem a concepção de um projeto arquitetônico.
Vamos diferenciar os conceitos de “máquina de curar” e “máquina de 
cuidar” a partir da utilização de recursos de humanização da arquitetura 
hospitalar. Está pronto para compreender o que está por trás da elaboração 
de um projeto arquitetônico?
Não pode faltar
No ano de 1978 foi realizada a Conferência Internacional sobre Cuidados 
Primários de Saúde, com o objetivo de estabelecer ações para a promoção da 
25
saúde. O resultado da conferência ficou registrado em um documento denomi-
nado Declaração de Alma-Ata, no qual foram determinados dez tópicos acerca 
dos cuidados primários em saúde. Dentre eles, é enfatizado o caráter multifato-
rial do conceito de saúde, entendido não só pela ausência de enfermidades, mas 
também pelo “estado de completo bem-estar físico, mental e social” (ALMA-
ATA, 1978). Ainda, a declaração afirma: “é direito e dever dos povos participar 
individual e coletivamente no planejamento e na execução de seus cuidados de 
saúde” (ALMA-ATA, 1978). Neste contexto entra o papel do arquiteto: projetar 
e planejar um ambiente propício para a promoção da saúde, envolvendo todos 
os aspectos que ela abrange (físico, mental e social).
O Ministério da Saúde surgiu a partir da fragmentação do Ministério de 
Educação e Saúde, no ano de 1953. Nas décadas seguintes, foram desenvol-
vidos planos e políticas de promoção de saúde, dentre as quais destaca-se: 
• A III Conferência Nacional da Saúde (CNS), realizada em 1963 pelo 
ministro Wilson Fadul, que defendia a municipalização dos serviços 
de saúde.
• A criação do Plano Nacional de Saúde, instituído pelo ministro e 
médico Lionel Miranda no ano de 1967 a partir das diretrizes estabe-
lecidas pela III CNS. 
A Constituição Federal de 1988 incumbiu ao poder público a responsa-
bilidade da saúde da população, sendo dever do Estado a garantia da saúde. 
A partir disso, o governo criou o Sistema Único de Saúde (SUS), regulamen-
tado pela Lei Orgânica da Saúde (BRASIL, 1990).
Reflita
Dentre os assuntos abordados pela Constituição Federal, estão as 
políticas públicas acerca do sistemade saúde. O Artigo 196 diz que:
a saúde é direito de todos e dever do Estado, garan-
tido mediante políticas sociais e econômicas que visem 
à redução do risco de doença e de outros agravos e ao 
acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua 
promoção, proteção e recuperação. (BRASIL, 1988, [s.p.])
Ainda, a Constituição instaura o sistema único de saúde, provido com os 
recursos do governo e complementado pelas ações da iniciativa privada.
Entretanto, devemos analisar como isso funciona na prática. As insti-
tuições privadas realmente atuam como complemento ao tratamento 
26
oferecido pelo SUS? Ou aqueles que tem menos recursos estão fadados 
ao atendimento, muitas vezes precário, da rede de saúde pública?
A rede de saúde no Brasil pode ser classificada de três formas: esferas de 
atuação, níveis de atendimento e tipos de estabelecimentos. 
• A esfera de atuação diz respeito à integração dos serviços ofere-
cidos a partir da hierarquização da gestão. São identificados pela 
escala nacional (regida pelo Ministério da Saúde), escala estadual 
(administrada pelas Secretarias de Saúde correspondentes, consiste 
no nível vertical de atuação) e escala municipal (corresponde ao 
nível horizontal de atuação e está sob a responsabilidade dos órgãos 
equivalentes) (BRASIL, 1990). 
• Já os níveis de atendimento têm relação com as atividades realizadas 
pelo EAS. São classificados em: nível primário, secundário e terciário. 
O nível primário é responsável por promover os serviços de assistência 
à saúde e ambulatório. Realiza atividades relacionadas ao saneamento 
e de diagnóstico básico. O nível secundário, além das atividades do 
nível primário, também oferece atendimento clínico nas áreas médica, 
cirúrgica, ginecológica, obstétrica e pediátrica. São realizados atendi-
mentos ambulatoriais que apresentam o suporte dos laboratórios de 
patologia clínica e radiodiagnóstico para determinar o diagnóstico. 
Por fim, o nível terciário abrange os casos mais complexos, prestando 
serviços ambulatoriais, de urgência e internação.
• Quanto ao tipo dos estabelecimentos, estes são hierarquizados de 
acordo com os níveis de atendimento. O nível primário está relacio-
nado com estruturas físicas correspondentes aos postos e centros de 
saúde, também chamados de Unidade Básica de Saúde (UBS). O nível 
secundário corresponde às unidades mistas, ambulatórios gerais e 
hospitais, enquanto o nível terciário é abrangido pelos ambulatórios, 
hospitais regionais e especializados. Alguns estabelecimentos têm o 
Serviço de Apoio Diagnóstico Terapêutico (SADT) como comple-
mento ao diagnóstico, a partir da realização de exames. O Quadro 1.2 
descreve os tipos de estabelecimentos.
Quadro 1.2 | Tipos de estabelecimentos de saúde
NÍVEL TIPOLOGIA DESCRIÇÃO
1 Posto de saúde
Unidade destinada à prestação de assistência a uma 
determinada população, de forma programada ou não, por 
profissional de nível médio, com a presença intermitente, ou 
não, do profissional médico.
27
1
Centro 
de saúde/
Unidade 
Básica de 
Saúde
Unidade para realização de atendimentos de atenção básica 
e integral a uma população, de forma programada ou não, 
nas especialidades básicas, podendo oferecer assistência 
odontológica e de outros profissionais de nível superior. 
A assistência deve ser permanente e prestada por médico 
generalista ou especialista nestas áreas, podendo, ou não, 
oferecer: SADT e pronto atendimento 24 Horas.
2 Unidade mista
Unidade destinada à prestação de atendimento em atenção 
básica e integral à saúde, de forma programada ou não, 
nas especialidades básicas, podendo oferecer assistência 
odontológica e de outros profissionais, com unidade de 
internação, sob administração única. A assistência médica 
deve ser permanente e prestada por médico especialista ou 
generalista. Além disso, pode dispor de urgência/emergência 
e SADT básico ou de rotina.
2 Pronto-socorro
Unidade destinada à prestação de assistência a pacientes 
com ou sem risco de vida, cujos agravos necessitam de 
atendimento imediato, podendo ter, ou não, internação.
2 Hospital geral
Hospital destinado à prestação de atendimento nas 
especialidades básicas, por especialistas e/ou outras 
especialidades médicas. Além disso, pode dispor de serviço 
de urgência/emergência e de SADT de média complexidade.
2
Unidade 
de apoio de 
diagnose e 
terapia
Unidades isoladas nas quais são realizadas atividades que 
auxiliam a determinação de diagnóstico e/ ou complementam 
o tratamento e a reabilitação do paciente.
3 Hospital especializado
Hospital destinado à prestação de assistência à saúde em 
uma única especialidade/área. Dispõe serviço de urgência/ 
emergência e SADT, podendo ter, ou não, SIPAC. Por fim, 
vale acrescentar que este tipo de hospital é, geralmente, de 
referência regional, macro regional ou estadual.
3 Ambulatório especializado
Clínica destinada à assistência ambulatorial em apenas uma 
especialidade/área da assistência.
Fonte: adaptado de CNES (2008).
Para que cada um destes tipos de EAS funcionem de maneira correta e 
condizente com a função a qual se propõe executar, é necessário que haja 
um planejamento dos métodos e das estratégias que nortearão o desenvolvi-
mento do projeto arquitetônico. Para isso, a elaboração de um Plano Diretor 
Hospitalar (PDH) é fundamental para o funcionamento do EAS. Assim como 
o Plano Diretor Municipal (PDM) orienta e dá diretrizes para o desempenho 
adequado das cidades, o PDH é o documento que organizará os aspectos 
físicos e criará ações operacionais do edifício hospitalar (MENDES, 2007).
28
Assimile
Os hospitais são instituições complexas que abrangem, além do trata-
mento médico, diversos setores, podendo desempenhar a função de 
hotel, restaurante, lavanderia, farmácia, laboratório, empresa (adminis-
tração), dentre outros. Por isso, o planejamento é imprescindível para 
que todos os setores funcionem dentro da sua própria individualidade, 
além de se relacionar e trabalhar em conjunto.
Considerando a multidisciplinaridade de um EAS, o planejamento pode 
ser subdivido em áreas, por exemplo, o planejamento econômico, o plane-
jamento tecnológico e a área na qual o arquiteto se torna o protagonista: o 
planejamento físico-espacial. O arquiteto será responsável por projetar um 
edifício que permite a integração dos diversos setores que compõem o EAS, 
garantindo que seu funcionamento esteja de acordo com o modelo assisten-
cial definido pela equipe.
De acordo com Fabrício (2002), existem sete etapas em um processo de 
projeto de arquitetura, explanadas na Figura 1.6. Cada uma delas envolve um 
aspecto arquitetônico da obra e o cumprimento e a realização de suas orien-
tações garantem a eficiência projetual do empreendimento.
Figura 1.6 | Principais serviços e atividades do processo de projeto
29
Fonte: Mendes (2007, p. 82).
No decorrer da disciplina, abordaremos de forma mais enfática o produto da 
segunda etapa deste processo: o projeto arquitetônico. Este, por sua vez, é subdi-
vidido em três etapas: estudo preliminar, projeto básico e projeto executivo. 
• O estudo preliminar é a representação gráfica do partido arquitetô-
nico por meio de desenhos técnicos. Este estudo utilizará os aspectos 
levantados no PDH como base e deverá consolidar o programa de 
necessidades definido previamente. Também faz parte do estudo preli-
minar a elaboração do memorial justificativo, no qual são descritas 
todas as soluções escolhidas, fundamentadas em algum aspecto que 
deve ficar claro neste relatório. 
• O projeto básico consiste na apresentação técnica de tudo o que foi 
definido no estudo preliminar, incluindo os projetos complementares, 
como elétrico, hidráulico e estrutural. 
• Já o projeto executivo detalha, de forma precisa e clara, todos os 
elementos construtivos sem os quais seria impossível executar a obra. 
30
O conteúdo destas etapas será retomado e aprofundado nas unidades 
seguintes deste material.
Você pode estar se perguntando: mas qual caminho devo seguirpara 
atingir o resultado, que é o projeto arquitetônico? Christopher Alexander, 
arquiteto austríaco, desenvolveu o design methodis, um método que sistematiza 
o processo de criação (ALEXANDER, 1964; GÓES, 2004). Quando aplicado à 
arquitetura, o método é decomposto em meta-projeto e projeto (Figura 1.7).
Figura 1.7 | Sistematização da metodologia de projeto
Fonte: adaptado de Góes (2004).
O conceito surgirá das discussões acerca do empreendimento, de 
pesquisas bibliográficas, análise de projetos correlatos (lembre-se do reper-
tório de referências que criamos na seção anterior) e experiências acumu-
ladas ao longo da carreira. A elaboração do PDH pode sugerir alguns dos 
aspectos que serão considerados no momento de conceituação do projeto. 
Com o conceito definido, o próximo passo é a geração de requisitos, isto 
é, a verificação das atividades que serão realizadas no projeto e consequente 
determinação do programa de necessidades. Estas atividades deverão ser 
hierarquizadas de acordo com a sua prioridade. A matriz de requisitos 
identificará a relação entre os requisitos definidos anteriormente com a 
finalidade de resolver o problema, ou seja, eliminar os conflitos e favorecer 
a conexão das partes complementares. Esta matriz corresponde às etapas de 
zoneamento funcional e fluxograma que serão apresentadas em um outro 
momento. A última etapa antes da concepção final do projeto consiste no 
diagrama espacial, no qual o arquiteto desenvolverá desenhos esquemá-
ticos para facilitar a leitura da estrutura do problema, definido na matriz de 
requisitos. Os diagramas podem estar relacionados às partes do problema 
ou à estrutura como um todo. Essa sequência esquematizada fornece os 
meios pelos quais será possível determinar soluções do problema e atingir 
o resultado. A partir do momento em que o arquiteto internaliza as etapas 
31
do processo criativo, ele poderá desenvolver as suas próprias técnicas e seus 
próprios métodos para concepção de projetos.
Exemplificando
Existem exemplos nacionais de profissionais que atuam na promoção 
de novos processos e normas que regem a arquitetura hospitalar, 
dentre eles: Sylvia Caldas Ferreira Pinto, que participa dos trabalhos 
escritos pelo Ministério da Saúde; João Carlos Bross, que estuda sobre 
técnicas de gerenciamento do projeto; e João Filgueiras Lima (Lelé), que 
desenvolveu processos de padronização e industrialização aplicada aos 
edifícios hospitalares.
A Rede Sarah é um exemplo de aplicação dos conceitos de pré-fabri-
cação desenvolvidos por Lelé durante seus estudos na Europa. Todos 
os hospitais da rede utilizam sistemas pré-fabricados, desde a superes-
trutura até os objetos hospitalares (LUKIANTCHUKI et al., 2011). A 
expansão da rede permitiu o aperfeiçoamento das técnicas, garantindo 
estruturas mais leves e funcionais. Um destes materiais consiste na 
argamassa armada, utilizada nas lajes da estrutura do Hospital Sarah do 
Rio de Janeiro (Figura 1.8).
Figura 1.8 | Hospital Sarah do Rio de Janeiro
Fonte: Arcoweb. Disponível em: https://www.arcoweb.com.br/finestra/tecnologia/ecoeficienb-
cia---arquitetura-bioclimatica. Acesso em: 8 jul. 2019.Novos métodos devem ser criados a fim 
de resolver os problemas enfrentados, sejam eles de ordem geográfica, física-estrutural, social 
ou econômica.
Novos métodos devem ser criados a fim de resolver os problemas 
enfrentados, sejam eles de ordem geográfica, física-estrutural, social 
ou econômica.
https://www.arcoweb.com.br/finestra/tecnologia/ecoeficiencia---arquitetura-bioclimatica
https://www.arcoweb.com.br/finestra/tecnologia/ecoeficiencia---arquitetura-bioclimatica
32
Um dos problemas enfrentados pela grande parte dos EAS modernos 
e que merece destaque é a desumanização dos ambientes hospitalares. Na 
seção anterior, vimos como os princípios da Academia de Ciências de Paris 
transformaram o modo de projetar os edifícios de saúde. Nesse contexto, 
surgiu o modelo construtivo pavilhonar, no qual a preocupação com a conta-
minação (até então acreditava-se que esta seria contida por meio de barreiras 
físicas) originou uma estrutura que utilizava a ventilação, a iluminação e a 
redistribuição das unidades funcionais como fatores dificultadores da disse-
minação de doenças. Desse modo, as construções eram concebidas sob os 
princípios do conforto ambiental, provendo maiores quantidades de ar por 
leito e pátios ajardinados para separação dos enfermos de acordo com a 
patologia (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 1944). 
A partir do século XIX, os avanços tecnológicos permitiram identificar 
os microorganismos (até então desconhecidos) como a causa da dissemi-
nação de doenças, além da adoção de técnicas de assepsia que se tornaram 
mais eficazes que a disposição de barreiras físicas para eliminar os fatores 
de contaminação (TOLEDO, 2008). Uma vez que o confinamento do ar e 
a concentração de gás carbônico deixaram de ser responsáveis pela insalu-
bridade, surgiu um novo modelo arquitetônico denominado monobloco, 
que concentrou todas as funções em um único bloco construtivo com vários 
pavimentos. A preocupação excessiva com o rigor funcional dos hospitais 
levou a uma abdicação de qualquer fator que não fosse necessário do ponto 
de vista da clínica médica, o que afastou a prática terapêutica dos hospitais 
modernos (TOLEDO, 2008).
Dessa forma, a humanização se apresenta como a maneira de tratamento 
do paciente a partir da qual ele é visto como ser humano, e não apenas como 
um doente. O foco do atendimento à saúde não deverá ser simplesmente 
curar, e sim cuidar, por meio do conforto físico e psicológico oferecido ao 
indivíduo. Este aspecto deve ser incorporado em todos os EAS, indepen-
dente do nível de complexidade, visando universalizar o tratamento humani-
tário na arquitetura hospitalar.
Pesquise mais
O seguinte artigo, de Júlio Nardino, descreve algumas ações de humani-
zação da arquitetura hospitalar e aponta as características a serem 
observadas no PDH.
NARDINO, J. C. dos S. Planejando o hospital do futuro: a importância 
do Plano Diretor Hospitalar. In: XII Semana de Extensão, Pesquisa e 
Pós-Graduação (SEPesq). 2016.
33
Dessa forma, encerramos mais uma etapa de aprendizado sobre a arqui-
tetura hospitalar. Na próxima seção, compreenderemos as normas e leis 
aplicadas ao projeto arquitetônico de edifícios da área da saúde.
Sem medo de errar
O escritório de arquitetura no qual você trabalha participará de um 
concurso para o projeto de um Estabelecimento Assistencial de Saúde (EAS) 
no bairro novo que está sendo construído. Agora que você já tem um reper-
tório de referências arquitetônicas, poderá iniciar o processo projetual. Você 
deverá partir da elaboração de um Plano Diretor Hospitalar (PDH) que 
orientará a execução do projeto arquitetônico. O PDH deverá conter um 
breve histórico da cidade na qual o EAS será implantado, relacionando com 
os dados de saúde do município (você poderá obter essas informações nos 
órgãos públicos como o IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). 
Além disso, você deverá descrever e caracterizar o tipo de EAS a ser desen-
volvido: a Unidade Básica de Saúde (UBS). Verifique quais atividades ela se 
propõe a realizar, qual o público atingido e os funcionários envolvidos. O 
edital do concurso público prevê a construção de uma UBS com capacidade 
de atendimento para 2.400 a 4.000 pacientes, ou seja, terá uma Equipe Saúde 
da Família (ESF). Esta acompanhará o paciente provindo do Sistema Único 
de Saúde (SUS) desde a sua chegada ao estabelecimento e terá contato perene 
com o indivíduo. O Ministério da Saúde desenvolveu o Manual de Estrutura 
Física das Unidades Básicas de Saúde, que poderá ser utilizado para identificar 
as atividades oferecidas pela UBS. Este estabelecimento deverá resolver 85% 
dos problemas de saúde da comunidade, e o encaminhamento dos pacientes 
para centros especializados só deverá ocorrer na menor parte dos casos, apenas 
quando necessário. Dessa forma, a UBS deverá oferecer serviços como recepção 
(registroe marcação de consultas), consultas médicas e de enfermagem, trata-
mentos odontológicos, procedimentos como imunização, inalação e curativos, 
atendimento de urgência básico e, apenas em casos de maior complexidade, 
o encaminhamento para centros de urgência ou especializados. Além disso, a 
ESF é responsável pelo mapeamento das características da saúde da população 
e pelo planejamento de ações individuais ou coletivas, visando a promoção da 
saúde e recuperação de doenças.
Após descrever as atividades realizadas na UBS, você deverá realizar a 
caracterização do edifício. Uma vez que não existem edificações prévias e o 
projeto será concebido por completo, não é necessário fazer a descrição dos 
elementos físicos existentes. Dessa forma, você poderá analisar e refletir sobre 
quais ações devem nortear o funcionamento e a elaboração da UBS. Faça 
uma descrição de todas as diretrizes que orientarão a elaboração do projeto. 
34
Você poderá incluir princípios como humanização, economia e tecnologias 
neste texto. Por fim, este relatório será anexado ao memorial descritivo do 
projeto e entregue ao final da disciplina.
Desenvolvido o PDH, partiremos para a conceituação do projeto, primeira 
etapa descrita no método de projeto. Relacione o seu repertório de referên-
cias, o PDH, e as discussões acerca do assunto para criar um conceito próprio 
deste projeto de arquitetura hospitalar. Tenha em mente que o conceito é o 
aspecto no qual a edificação se destaca e no qual será fundamentada. Deve 
ser algo palpável, como elaborar um projeto sustentável com base nas certi-
ficações, ou utilizar a industrialização para facilitar o processo construtivo. 
O conceito não precisa representar apenas uma face do projeto e pode ser 
destrinchado em vários fatores.
Um exemplo é o Dell Children’s Medical Center (Figura 1.9), no Texas 
(EUA), que usou a sustentabilidade como um dos conceitos do projeto. Este 
hospital foi o primeiro a obter a certificação LEED Platinum, que consiste em 
uma espécie de selo de edificação sustentável utilizado globalmente.
Figura 1.9 | Dell Children’s Medical Center, Texas, EUA
Fonte: Polkinghorn Group Architects. Disponível em: http://www.polkinghorngrouparchitects.com/work/hee-
althcare/dell_childrens_medical_center.php Acesso em: 8 jul. 2018.
O PDH deverá ser redigido em forma de relatório e a conceituação do 
projeto deverá ser demonstrada em uma folha sulfite tamanho A3. Para ilustrar 
http://www.polkinghorngrouparchitects.com/work/healthcare/dell_childrens_medical_center.php
http://www.polkinghorngrouparchitects.com/work/healthcare/dell_childrens_medical_center.php
35
os conceitos escolhidos, você pode utilizar imagens. Além disso, não se esqueça 
de diagramar a prancha para melhorar a apresentação do projeto. Anexe estes 
documentos no memorial descritivo que será entregue ao final da disciplina.
Avançando na prática
Exemplos de humanização na área da saúde
Você e a equipe do seu escritório de arquitetura trabalharão em um projeto de 
uma Unidade Básica de Saúde (UBS). Você reconhece a importância de um bom 
atendimento ao paciente e da influência que a arquitetura tem no tratamento das 
doenças e, por isso, apresenta interesse em conhecer os princípios de humani-
zação dos espaços e alguns exemplos práticos. Sendo assim, você decide fazer uma 
pesquisa que enriquecerá o seu repertório de referências, permitindo a incorpo-
ração do princípio básico da humanização em seu projeto. A leitura do seguinte 
artigo intitulado poderá lhe ajudar a entender o processo de humanização.
TOLEDO, L. C. de M. Humanização do edifício hospitalar, um tema 
em aberto. Rede HumanizaSUS, [s. d.].
Resolução da situação-problema
Para aprofundar o seu conhecimento sobre a humanização, leia o artigo 
apresentado e anote os principais pontos de uma edificação humanizada. 
Em seguida, pesquise por referências e exemplos da prática de humanização 
em livros, revistas, sites na internet e artigos ou trabalhos acadêmicos, como 
teses e dissertações. Escolha uma edificação hospitalar humanizada ou retire 
os exemplos de princípios humanizadores de várias referências.
Um exemplo é o Hospital Miguel Piltcher, do arquiteto Irineu Breitman 
(Figura 1.10), construído em 1973. As obras de Irineu muito se assemelham 
aos projetos de João Filgueiras Lima, apesar de terem suas divergências 
técnicas. A valorização da iluminação e ventilação naturais por meio do uso 
de sheds é um dos pontos em comum dos arquitetos.
Figura 1.10 | Hospital Miguel Piltcher, Pelotas (RS), Brasil
36
Fonte: Toledo (2008, p. 205).
Apresente a caracterização da edificação humanizada e a análise de 
projetos correlatos em uma prancha tamanho A3. Não se esqueça de identi-
ficar a(s) obra(s) (nome, local, data e arquiteto responsável) e utilizar imagens 
para ilustrar os exemplos. Por fim, anexe a prancha ao memorial descritivo 
que será entregue ao final da disciplina.
Faça a valer a pena
1. A rede de saúde pode ser caracterizada de acordo com o nível de atendimento em: 
nível primário, nível secundário e nível terciário. 
Com base nisso, analise as afirmações a seguir:
I. O nível primário é responsável pelos atendimentos de assistência à saúde e 
ambulatório, com ações de saneamento e diagnóstico básico.
II. O nível secundário engloba o atendimento cirúrgico e ambulatorial com 
diagnósticos baseados em exames laboratoriais.
III. O nível terciário está relacionado com os hospitais especializados e serviços 
mais complexos de urgência e internação.
Assinale a alternativa que contém apenas as afirmações corretas.
a. Apenas as afirmações I e II estão corretas.
b. Apenas as afirmações II e III estão corretas.
c. Apenas as afirmações I e III estão corretas.
d. Todas as afirmações estão corretas.
e. Nenhuma das alternativas está correta.
37
2. O Plano Diretor Hospitalar (PDH) é um instrumento utilizado como suporte para 
a elaboração de um projeto arquitetônico na área da saúde. Seu desenvolvimento é 
fundamental para que a edificação seja concebida de forma adequada e apresente uma 
funcionalidade eficiente.
Assinale a alternativa que melhor descreve o Plano Diretor Hospitalar (PDH).
a. Contém a legislação e normas vigentes para os edifícios de saúde.
b. Relaciona os itens do Plano Diretor Municipal (PDM) à arquitetura hospi-
talar.
c. Apresenta o conceito do projeto arquitetônico da edificação de saúde.
d. Cria diretrizes para as ações e soluções do projeto de arquitetura hospitalar.
e. Descreve a metodologia de projeto utilizada no processo criativo. 
3. A metodologia tem como finalidade a estruturação do processo criativo que 
envolve a criação de um projeto arquitetônico. O arquiteto austríaco Christopher 
Alexander desenvolveu o design methodis, que envolve as seguintes etapas:
1. Diagrama espacial.
2. Matriz de requisitos.
3. Conceituação.
4. Geração de requisitos.
5. Solução arquitetônica.
Assinale a alternativa que apresenta a ordem correta das etapas do método.
a. 1 – 2 – 3 – 4 – 5.
b. 3 – 4 – 2 – 1 – 5.
c. 4 – 2 – 1 – 3 – 5.
d. 3 – 1 – 2 – 4 – 5.
e. 2 – 4 – 3 – 1 – 5.
38
Seção 3
Legislação vigente e normas pertinentes
Diálogo aberto
As leis e normas são fundamentais para a regulamentação e determinação 
de critérios de segurança, conforto, funcionalidade e higiene, necessários em um 
Estabelecimento Assistencial de Saúde (EAS). As atividades exercidas em um 
EAS requerem situações específicas para que possam atuar de maneira eficiente.
Voltemos ao cenário em que você é um dos arquitetos que compõem 
a equipe responsável por projetar uma Unidade Básica de Saúde (UBS) 
no bairro novo da cidade na qual o escritório está instalado. Neste ponto, 
você já criou um repertório de referências e desenvolveu o Plano Diretor 
Hospitalar do EAS. O próximo passo é conhecer a legislação vigente para 
que você tenha subsídio técnico no momento de projetar. A atividade desta 
seção propõe uma análise de um projeto correlato, em formato de pranchas, 
no qual você poderá verificar a relaçãoentre a legislação e o projeto. Você 
sabe qual é a função das leis e qual é o impacto que elas causam no desenho 
de um projeto? Como uma lei pode determinar algumas diretrizes? Quais 
elementos e soluções deverão estar contidas no projeto para que atenda às 
normas do corpo de bombeiro?
Nesse sentido, conheceremos nesta seção as normas, as leis, os manuais e 
outros documentos relacionados ao projeto de arquitetura hospitalar. Além 
disso, discutiremos sobre o Ministério da Saúde e seu papel na promoção 
de condições básicas para a população, as características de edificações e as 
normas técnicas voltadas para os EAS.
O descumprimento de qualquer uma destas normas resultará na não 
aprovação do projeto arquitetônico ou, ainda pior, em falhas funcionais e proce-
dimentais do EAS, que podem prejudicar a saúde e o bem-estar da população.
Prepare o papel e a caneta, pois o estudo da legislação vigente requer que 
você identifique e anote as instalações necessárias a determinado ambiente, 
dimensões mínimas de circulação, procedimentos e processos envolvidos 
nas atividades médicas e de serviços, entre outras situações necessárias nos 
ambientes hospitalares. 
Está pronto para começar?
39
Não pode faltar
O Ministério da Saúde é o setor governamental responsável pelos assuntos 
relacionados à saúde pública no Brasil. A primeira iniciativa em criar um 
órgão público para a gestão da saúde surgiu com o governo de Getúlio 
Vargas, no ano de 1930 (SILVA, 2017). Este presidente fundou o Ministério 
dos Negócios da Educação e Saúde Pública, que passou a se chamar apenas 
Ministério da Educação e Saúde alguns anos depois. Durante dezesseis anos, 
a gestão da saúde e da educação ficou sob a responsabilidade de um único 
ministério, até que, em 1953, houve uma fragmentação em Ministério da 
Educação e Cultura e Ministério da Saúde (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2017).
A função do Ministério da Saúde é promover condições adequadas 
de saúde a partir da redução de enfermidades, do controle de doenças 
endêmicas, da vigilância dos setores de saúde, entre outros aspectos, garan-
tindo a melhora da qualidade de vida da população. A Lei nº 6.229, de 17 de 
julho de 1975, instituiu o Sistema Nacional de Saúde e determinou as compe-
tências do Ministério da Saúde, por exemplo, “fixar normas e padrões para 
prédios e instalações destinados a serviços de saúde” (BRASIL, 1975b). No 
mesmo ano, surge o Decreto nº 76.973, de 31 de dezembro, que regulariza a 
aprovação dos projetos relacionados à saúde.
A evolução das normas de saúde teve como ponto de partida uma publi-
cação do Serviço Especial de Saúde Pública (SESP) com o título “Padrões 
Mínimos Hospitais” no final da década de 1940. Este livro tinha como base 
um manual elaborado pelo Departamento de Saúde Americano. Em 1954, o 
Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB) publicou o título “Planejamento de 
Hospitais”, uma obra literária que se originou do I Curso de Planejamento 
de Hospitais do IAB-SP. Em 1965, o Ministério da Saúde publicou o livro 
“Projeto de Normas Disciplinadoras das Construções Hospitalares”, um 
aprimoramento das técnicas e modelos disponibilizados pelo SESP. Estas 
normas foram utilizadas para a elaboração de projetos hospitalares até 
1974, quando o Ministério da Saúde publicou as “Normas de Construção 
e Instalação do Hospital Geral”, que tinha por finalidade a orientação dos 
profissionais com relação às normas hospitalares sem, no entanto, limitar 
as inovações de técnicas construtivas e partido arquitetônico. Estas normas 
foram revisadas pela Portaria nº 400/BSB, de 6 de dezembro de 1977, e 
novamente pela Portaria nº 1.884/GM, de 11 de novembro de 1994, a qual 
está em vigor atualmente. A portaria originou o manual intitulado “Normas 
para Projetos Físicos de Estabelecimentos Assistenciais de Saúde”.
É sobre estas normativas que trataremos nesta seção.
40
Assimile
A aprovação de um projeto de arquitetura hospitalar é semelhante a 
qualquer outro projeto. Assim como na aprovação de um projeto de uma 
residência, por exemplo, o arquiteto deverá seguir as normas da Associação 
Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) referentes à apresentação do projeto 
arquitetônico (NBR nº 8402, 8403 e 8404 de 1984; NBR nº 10126 e 10068 
de 1987; NBR nº 10582 de 1988; e NBR nº 10067 de 1995), bem como as 
diretrizes determinadas pela prefeitura da cidade na qual será implantado, 
como o Código de Obras e o Plano Diretor Municipal.
A diferença é que os Estabelecimentos Assistenciais de Saúde (EAS) 
deverão obedecer às normativas impostas pelo Ministério da Saúde, 
que abrangem aspectos de circulação, conforto ambiental, controle de 
infecções e contaminação, além de combate a incêndios.
De acordo com ao manual de Normas para Projetos Físicos de 
Estabelecimentos Assistenciais de Saúde (BRASIL, 1994a), podemos estabe-
lecer os seguintes critérios: circulações externas e internas, condições ambien-
tais de conforto, controle de infecção hospitalar e combate a incêndios.
Circulações externas e internas
As circulações externas e internas compreendem os acessos, o estaciona-
mento e as circulações horizontais e verticais e deverão estar em conformi-
dade com a Norma de Acessibilidade nº 9050/2015.
Os acessos devem ser o mais restrito possível. A setorização destes pode 
ser realizada a partir de seis categorias:
• Paciente externo ambulante, doador e acompanhante.
• Paciente externo transportado e acompanhante.
• Paciente a ser internado - ambulante ou transportado.
• Cadáver, acompanhante e visita.
• Funcionário e residente, vendedor, fornecedor e prestador de serviço, etc.
• Materiais e resíduos.
O número de acessos depende do tamanho do EAS. Um EAS de pequeno 
porte pode atender a várias categorias em um único acesso físico, enquanto 
um mais complexo e de maior porte poderá ter vários acessos físicos de uma 
mesma categoria.
41
A quantificação das vagas de estacionamento deve seguir as orientações 
previstas na legislação municipal, sendo prevista ao menos uma vaga (ou 
12,00 m²) para cada quatro leitos. Além disso, devem ser reservadas as áreas 
de estacionamento das viaturas de serviço (ambulâncias, por exemplo).
As circulações horizontais correspondem aos corredores, que devem 
ter largura mínima de 2,00 metros em casos de circulação de pacientes (seja 
ambulante, cadeirante, transportado em maca ou cama) ou de tráfego intenso 
de materiais ou pessoas. Ambos devem servir exclusivamente para circulação 
e a largura mínima deve permanecer livre caso seja instalado um equipamento 
como bebedouro, telefone público, extintores ou lavatórios. Corredores para 
tráfego baixo de pessoas ou cargas podem ter largura mínima de 1,20 metros.
A dimensão das portas também deve ser observada. Com exceção das 
portas utilizadas para passagem de macas, que devem ter largura mínima 
de 1,10 metros, e em caso de portas de acesso às unidades de diagnóstico 
e terapia, que requer largura mínima de 1,20 metros; as demais aberturas 
podem apresentar largura de 0,80 metros. A altura de qualquer uma das 
aberturas deve apresentar, no mínimo, 2,10 metros. As portas dos sanitários 
de pacientes devem abrir para fora ou permitir a retirada da folha pelo lado 
externo, caso o paciente esteja dentro do banheiro e precise de socorro.
As circulações verticais compreendem as escadas e rampas. Neste caso, além 
das normativas referentes à prevenção de incêndio, à NBR nº 9050:2015 e aos 
órgãos municipais, as circulações verticais devem atender a critérios específicos. 
As escadas de uso dos pacientes devem ter uma largura mínima de 1,50 metros, 
enquanto que as de uso exclusivo do pessoal pode ter largura mínima de 1,20 
metros (Figura 1.11). Nenhum lance de escada pode vencer mais de 2,00 metros, 
e não é permitido a utilização de degraus em leque. A largura mínima das rampas 
deverá ser 2,00 metros ou, em caso de circulação restrita a funcionários, 1,20 
metros. O número máximo de pavimentos a ser vencido pelas rampas é dois, e as 
inclinações devem obedecer às regrasda NBR nº 9050:2015.
Figura 1.11 | Exemplo de dimensionamento de circulação vertical
Fonte: elaborado pela autora. 
42
Os elevadores devem obedecer às normas da NBR nº 14712:2013 e ser 
instalados em um EAS no qual as atividades de unidade de internação, centro 
cirúrgico, centro obstétrico, unidade de terapia intensiva e radiologia estejam 
em um pavimento diferente do térreo e não acessíveis por meio de rampas.
Condições ambientais de conforto
O conforto ambiental dos edifícios parte de duas situações: a endógena, 
na qual a construção garante o conforto do usuário por meio da eliminação 
ou atenuação dos efeitos dos fatores externos (temperatura, umidade do 
ar, poluição, entre outros), e exógena, que avalia o impacto causado pela 
edificação no ambiente externo. A dimensão endógena deve ser garantida 
desde que não interfira negativamente no entorno. As normas técnicas de 
conforto ambiental (térmico, luminoso, acústico), de higiene e de segurança 
do trabalho regem o funcionamento da dimensão endógena, enquanto 
documentos como Código de Obras e Plano Diretor Municipal e leis do 
Código Florestal estão relacionados à dimensão exógena. 
As soluções encontradas para o conforto térmico e qualidade do ar 
dependerá do tipo da unidade funcional. Ambientes que não exijam condi-
ções especiais de temperatura, umidade e qualidade do ar podem optar pela 
iluminação e ventilação direta ou indireta. Já espaços que exigem o controle 
da qualidade de ar devem ter soluções adequadas. Por exemplo, lugares nos 
quais são realizadas atividades poluentes ou que emitem odores devem ser 
dotados de exaustão mecânica. Algumas unidades funcionais demandam 
soluções especiais devido ao tempo de permanência dos pacientes (como 
as áreas de internação). Neste caso, as condições de temperatura, umidade 
e qualidade do ar deverão prever a insolação (com o devido controle de 
exposição), ventilação e exaustão diretas. Outros ambientes demandam 
condições especiais devido aos equipamentos e às atividades realizadas. Um 
exemplo são as salas de cirurgia, que necessitam de climatização artificial e 
exaustão mecânica.
O conforto acústico também levará em consideração as unidades funcio-
nais do EAD. Partindo do princípio que para se obter o conforto térmico é 
necessário isolar as fontes de ruído, os ambientes nos quais são realizadas 
atividades produtoras de ruído (como as áreas de manutenção, lavanderia e 
cozinha) deverão ser isolados acusticamente. Da mesma forma, os espaços 
que abrigam pacientes e usuários que precisam de níveis mínimos de ruído 
(como as salas de atendimento de emergência e urgência) também devem 
apresentar tratamento acústico.
43
O conforto luminoso será atingido a partir do cumprimento das regula-
mentações dispostas na norma NBR ISO/CIE nº 8995-1:2013 e das diretrizes 
do Código de Obras e Posturas do município. Algumas unidades funcionais, 
em especial, necessitam da incidência da luz solar direta, como os ambula-
tórios, os consultórios, as salas de exame e observação, internação, materni-
dade e berçário, os laboratórios e as salas para diálise. A iluminação natural 
deve ser complementada pela luz artificial em todos os ambientes nos quais 
há a manipulação de pacientes.
Reflita
Relembre as obras de João Filgueiras Lima para a Rede Sarah de hospitais 
e identifique as características utilizadas pelo arquiteto para promover 
o conforto ambiental e o bem-estar dos pacientes e usuários. Observe a 
Figura 1.12 que mostra um dos ambientes da unidade de Brasília.
Figura 1.12 | Hospital Sarah de Brasília, DF, Brasil
Fonte: Wikimedia Commons. Disponível em: https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Rede_Sa/-
rah_modelo_de_excel%C3%AAncia_na_gest%C3%A3o_de_hospitais_%C3%A9_refer%C3%A-
Ancia_para_a_cria%C3%A7%C3%A3o_da_Abram_(30611248367).jpg. Acesso em: 10 jul. 2019.
Além da iluminação e ventilação natural, o paisagismo também está 
muito presente nas obras de Lelé. De que forma a vegetação pode atuar 
na qualidade de vida da população?
Controle de infecção hospitalar
A infecção hospitalar é aquela contraída dentro do EAS, proveniente de 
falhas operacionais e de planejamento. O controle de contaminação e infecção 
hospitalar está relacionado a dois princípios: os procedimentos, que se referem 
ao manuseio de utensílios, roupas e resíduos; e o projeto arquitetônico, no qual 
https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Rede_Sarah_modelo_de_excel%C3%AAncia_na_gest%C3%A3o_de_hospitais_%C3%A9_refer%C3%AAncia_para_a_cria%C3%A7%C3%A3o_da_Abram_(30611248367).jpg
https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Rede_Sarah_modelo_de_excel%C3%AAncia_na_gest%C3%A3o_de_hospitais_%C3%A9_refer%C3%AAncia_para_a_cria%C3%A7%C3%A3o_da_Abram_(30611248367).jpg
https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Rede_Sarah_modelo_de_excel%C3%AAncia_na_gest%C3%A3o_de_hospitais_%C3%A9_refer%C3%AAncia_para_a_cria%C3%A7%C3%A3o_da_Abram_(30611248367).jpg
44
o arquiteto tem papel fundamental. Diversos fatores interferem no controle 
da contaminação, por exemplo: fluxos e padrões de circulação; transportes de 
materiais, equipamentos e resíduos sólidos; sistemas de renovação de ar; facili-
dade de limpeza das superfícies e materiais; entre outros.
No que diz respeito aos critérios do projeto, um dos primeiros pontos 
a se considerar a fim de evitar a infecção hospitalar é o zoneamento das 
unidades funcionais. Isto implica no isolamento das áreas críticas (com risco 
maior de infecção, como ambientes para internação de pacientes pós-cirúr-
gico ou no pós-parto, recém-nascidos, diálises, preparo de alimentos, entre 
outros), áreas semicríticas (compartimentos ocupados por pacientes que não 
se enquadram nas categorias de alto risco de infecção) e áreas não críticas 
(ambientes não ocupados por pacientes).
O segundo aspecto a ser considerado é a adoção de barreiras físicas a 
partir da compartimentação das etapas do procedimento. Qualquer atividade 
que envolva a separação de objetos contaminados e não contaminados deve 
prever salas ou equipamentos que permitam esse isolamento. Por exemplo, 
os centros cirúrgicos, obstétricos, lactário, entre outros, recebem vestíbulos 
acoplados a eles que funciona como uma barreira ao acesso direto a estes 
ambientes. Estes vestíbulos são classificados em área limpa (sem contato com 
material contaminado) e área suja (apresenta contato com material contami-
nado) e devem ser dispostos de maneira estanque e com acessos separados.
Exemplificando
A lavagem de roupas é outro processo que necessita de separação entre 
a área limpa e a suja. Primeiro, existe a classificação da roupa suja, cujo 
ambiente é tratado como altamente contaminado e deve apresentar 
uma série de requisitos arquitetônicos (exaustão mecanizada, processo 
de recepção da roupa por meio de carros ou tubulões, pisos e paredes 
laváveis, entre outros). O processo de lavagem da roupa também neces-
sita de setorização. Uma das maneiras de solucionar esta situação é 
por meio da adoção de uma máquina de lavar com porta dupla, uma 
delas voltada para a área suja, na qual a roupa será depositada, e outra 
voltada para a área limpa, na qual outro operador recolherá a roupa já 
lavada. A comunicação entre estes compartimentos deverá ser feita por 
meio de visores e interfones.
A adoção de barreiras físicas deve estar associada ao fluxo de trabalho 
de determinados procedimentos, como nutrição e dietética, processamento 
de roupas e central de esterilização de material. Por exemplo, o processo 
de nutrição apresenta duas etapas: preparação (preparo dos alimentos 
45
> envaze de refeições > distribuição) e lavagem (recepção > lavagem de 
recipientes e utensílios > esterilização). A compartimentação deve se 
adequar a este fluxo para garantir o funcionamento do processo. As ativi-
dades de recepção, desinfecção e separação de materiais são consideradas 
áreas sujas, portanto devem ser realizadas em ambientes para uso exclusivo 
e com paramentação adequada.
Os acabamentos e materiais utilizados no projeto devem permitir a sua 
higienização.Pisos, paredes, balcões, etc. devem ser laváveis e resistentes a 
agentes químicos de limpeza e desinfetantes. Os forros das áreas críticas não 
podem ser removíveis. 
Combate a incêndios
O primeiro passo para garantir o controle contra incêndios é permitir 
a aproximação dos veículos do corpo de bombeiros. O edifício deve ser 
acessado por pelo menos duas fachadas opostas e os acesos devem estar livres 
de congestionamento.
O zoneamento dos ambientes do EAS deve ser setorizado de acordo 
com as instalações físicas e função, a fim de identificar os espaços com 
maior ou menor risco de incêndio. A compartimentação deve impedir que 
o fogo se propague de um ambiente ao outro horizontal e verticalmente. 
Dentre os setores, os que merecem atenção por terem maior risco são: 
apoio ao diagnóstico e terapia (laboratórios), serviço de nutrição e dieté-
tica (cozinha), farmácia (área para armazenagem e controle), Central de 
Material Esterilizado, processamento de roupa (lavanderia), arquivo e área 
para armazenagem (devido ao material combustível), gerador e subestação 
elétrica e caldeiras. Os setores de médio e alto risco devem ser interligados às 
áreas de circulação ou garagem por meio de uma antecâmara, e não podem 
ser utilizados como rota de via de escape.
Os materiais construtivos devem ser especificados de modo que resistam 
à ação do fogo, em especial, do sistema estrutural e das portas dos setores de 
incêndio. As escadas podem ser do tipo protegida (paredes e portas resistentes 
ao fogo), enclausurada (paredes e portas corta-fogo) ou à prova de fumaça 
(antecâmara com duto de ventilação). Devem ser dispostas, no mínimo, duas 
escadas nas unidades de internação, situadas em posições opostas, e o raio de 
abrangência não pode ultrapassar 15 metros, para os setores de alto risco, ou 
30 metros, para os demais locais.
Os sistemas de detecção de incêndio e sinalização devem ser executados 
em conformidade com NBR nº 17240:2010 e 9077:2001.
46
Pesquise mais
O Manual de Normas para Projetos Físicos de Estabelecimentos Assis-
tenciais de Saúde, publicado pelo Ministério da Saúde, determina 
critérios para instalações prediais ordinárias e especiais nos EAS. 
Leia o capítulo 7, página 117 a 129, que trata das instalações hidrossani-
tárias, elétricas e eletrônicas, fluido-mecânicas e de climatização.
BRASIL. Normas para projetos físicos de estabelecimentos assisten-
ciais de saúde. Brasília: DF/ Ministério da Saúde,1994a.
É importante ressaltar que o conteúdo deste material foi abordado de 
maneira resumida e que sempre é possível consultar as normas técnicas, as 
regulamentações e os documentos referentes ao projeto arquitetônico de EAS.
Dessa forma, encerramos a Unidade 1 sobre a arquitetura hospitalar. 
Agora você já tem conhecimento sobre os fundamentos básicos para iniciar 
o processo criativo de projetar.
Sem medo de errar
Imagine que o escritório no qual você trabalha esteja encarregado de 
projetar uma Unidade Básica de Saúde (UBS) no bairro novo da cidade na 
qual mora. Você já tem um repertório de referências e elaborou o Plano Diretor 
Hospitalar que orientará as decisões tomadas durante o processo de projetar.
Agora, você deverá desenvolver um quadro com o resumo de todas 
as exigências indicadas no Manual de Normas para Projetos Físicos de 
Estabelecimentos Assistenciais de Saúde, publicado pelo Ministério da 
Saúde. Muitas delas já foram abordadas nesta seção, mas você pode consultar 
o manual para obter informações mais precisas. Não se atenha apenas 
às normas citadas, pois a intenção é criar um quadro que lhe auxiliará no 
processo de projeto. Você pode utilizar outros documentos, como o Código 
de Obras ou Plano Diretor Municipal, para complementar a pesquisa.
Faça um quadro e preencha as colunas com os requisitos apontados pela 
norma e outras informações que você puder encontrar que forem pertinentes 
ao projeto. Subdivida os critérios para projetos em: circulações externas e 
internas, condições ambientais de conforto, controle de infecção hospitalar e 
combate a incêndios. Dentro de todos estes critérios deverão conter os itens 
relativos a ele. Por exemplo, no critério “circulações externas e internas”, 
poderão ser elencados os itens: acessos, estacionamentos, circulações 
horizontais e circulações verticais. Você também pode criar algumas colunas 
47
como “tipo”, “dimensão e quantidade mínima” e “características”. A seguir, o 
Quadro 1.2 mostra um exemplo que poderá ser seguido.
Quadro 1.2 | Modelo de quadro para resumo dos requisitos e características dos EAS
Item Tipo Dimensão e quantidade mínima Características
Critério: circulações externas e internas
A
ce
ss
os
Paciente externo 
ambulante, doador 
e acompanhante; 
paciente externo 
transportado; 
paciente a ser inter-
nado - ambulante 
ou transportado; 
cadáver; funcioná-
rios, fornecedor e 
prestador de serviço, 
outros; materiais e 
resíduos.
Depende do porte do 
EAS.
Restrição (maior controle de 
movimentação).
Es
ta
ci
on
am
en
to
s
Paciente externo 
transportado; 
paciente a ser 
internado; visitas; 
paciente externo de 
ambulatório; funcio-
nários; fornecedores; 
entregas (combus-
tível, mantimentos, 
medicamentos, etc); 
remoção de mortos; 
remoção de resíduos.
12,00 m² ou uma vaga 
a cada quatro leitos ou 
menos.
Consultar Código de Obras 
municipal.
C
irc
ul
aç
õe
s h
or
iz
on
ta
is
1) Corredores;
2) Portas.
1. Circulação de pacien-
tes: 2 metros de largura;
Circulação de pessoal e 
de carga: 1,20 metros de 
largura.
2. Passagem de macas e 
camas: largura mínima 
1,10 metros, altura míni-
ma 2,10 metros;
Unidades de diagnóstico 
e terapia: largura mínima 
1,20 metros, altura míni-
ma 2,10 metros;
Demais portas: largura 
mínima 0,80 metros, 
altura mínima 2,10 
metros;
Desníveis superiores a 3 cm, 
usar rampa;
Não é permitido usar o corre-
dor como sala de espera.
 Portas dos banheiros deve abrir 
para fora e permitir retirada da 
folha para o lado externo.
48
C
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1) Escadas;
2) Rampas;
3) Elevadores;
4) Monta-cargas;
5) Tubos de queda.
1. Uso por pacientes, 
largura mínima 1,50 
metros;
Uso por pessoal, largu-
ra mínima 1,20 metros;
Lance máximo a ser 
vencido: 2,00 metros 
(caso seja acima disso, 
utilizar patamar inter-
mediário).
2. Uso por pacientes, 
largura mínima 2,00 
metros;
Uso por funcionários, 
largura mínima 1,20 
metros;
Pé direito mínimo: 2,00 
metros;
Inclinações admissíveis: 
6,25% para desníveis 
até 3,00 metros, 8,33% 
para desníveis até 1,50 
metros, 10,00% para 
desníveis até 0,274 
metros, 12,5% para 
desníveis até 0,183 
metros.
3. Área mínima da 
cabine: 2,20 x 1,20 
metros;
Largura livre da porta: 
1,10 metros.
4) –
5) –
1. As larguras mínimas devem 
estar livres de equipamentos 
(bebedouros, telefones, etc.);
Distância entre a escada e a 
porta do quarto mais distante 
não pode ser superior a 35,00 
metros;
Piso revestido com material 
antiderrapante;
Não são permitidos degraus 
em leque;
Os degraus devem obedecer à 
formula: 2 vezes altura +
profundidade = 0,64 metros.
2. A rampa pode vencer, no 
máximo, dois pavimentos;
Em caso de mudança de 
direção, devemos ter patamares 
intermediários;
São obrigatórios o piso an-
tiderrapante, o corrimão e o 
guarda-corpo;
Não é permitido abrir portas 
sobre a rampa (caso seja 
necessário, criar um vestíbulo 
com, no mínimo, 1,50 metros 
de largura e 1,20 metros de 
comprimento).
3) É necessário em um EAS 
que qualquer um dos seguintes 
ambientes estejam em um pavi-
mento diferente do térreo e não 
acessível por rampa: unidade de 
internação, unidade de diagnós-
tico e tratamento dos pacientes 
internados, centro cirúrgico, 
centro obstétrico, unidade de 
terapia intensiva e radiologia.
4) Devem ser dotados de porta 
corta-fogo;
A abertura deve ser feita em 
recintos fechados e nunca em 
corredores.
5) Uso exclusivo para roupa 
suja;
Mecanismo de limpeza e 
desinfecção.
Fonte: adaptado de Brasil (1994a).
49
Complete o quadro com o restante dos critériose elabore um relatório 
com as informações. A partir disso, você deverá selecionar um projeto corre-
lato (um hospital, preferencialmente) e identificar quais soluções adotadas 
no projeto foram impactadas pelas limitações e recomendações da legis-
lação. Identifique os pontos em comum entre a legislação apresentada no seu 
relatório e os elementos projetuais. Apresente sua análise em pranchas no 
tamanho A3 (no máximo 3) diagramadas (podem ser realizadas à mão, com 
colagens dos projetos analisados, ou algum software de desenho gráfico).
Avançando na prática
Uso e ocupação do solo para edificações de 
saúde
O Plano Diretor Municipal (PDM) contém a Lei de Uso e Ocupação do 
Solo Urbano. Esta lei divide a cidade em zonas, cada uma com características 
e padrões próprios. O zoneamento é determinado pelo grau de urbanização 
e tem a finalidade de organizar a cidade, permitindo a compatibilização dos 
usos e das atividades dentro do solo urbano. Cada município tem autonomia 
para desenvolver o seu próprio PDM, porém, via de regra, cada zona 
apresentará os usos permitidos, tolerados e permissíveis, além de regulamen-
tações, como área mínima do lote, tamanho mínimo da testada, coeficiente 
de aproveitamento, taxa de ocupação e permeabilidade, altura máxima (em 
pavimentos), recuos e afastamentos da divisa.
Os usos permitidos consistem em atividades compatíveis com a finalidade 
da zona urbana. Os usos tolerados apresentam algum incômodo ou prejuízo 
ao entorno que possa ser causado pela atividade exercida na edificação. Os 
usos permissíveis dependerão da aprovação de uma comissão municipal e 
poderão apresentar índices mais restritivos que os descritos na lei. 
Cada cidade pode determinar sua própria classificação de usos, entre-
tanto, é comum utilizar a seguinte categorização:
• Usos habitacionais: unifamiliares, habitações coletivas, condomínio 
horizontal, habitações de uso institucional, habitações transitórias e 
residências em série.
• Usos comunitários: tipo 1 (atendimento direto ao uso residencial); 
tipo 2 (lugar no qual há concentração de pessoas e veículos, divididos 
50
em educação, saúde, lazer e cultura e culto religioso); e tipo 3 (ativi-
dades de grande porte).
• Usos comerciais: vicinal, de bairro, setorial, geral e específico.
• Usos industriais: tipo 1 (compatíveis com o uso residencial – não 
causam incômodos); tipo 2 (não geradoras de fluxo intenso e compa-
tíveis com o entorno); e tipo 3 (usos e padrões específicos, como 
agropecuária e uso extrativista). 
• Usos de serviços: vicinal, de bairro, setorial, geral e específico.
Para implantar um Estabelecimento Assistencial de Saúde (EAS), é neces-
sário que o zoneamento da cidade permita o seu uso no bairro no qual se 
deseja construí-lo. Desta forma, as edificações de saúde podem ser implan-
tadas em zonas que permitem o Uso Comunitário 1, no que se refere aos 
ambulatórios de pequeno porte (postos de saúde), e mais enfaticamente no 
Uso Comunitário 2 de Saúde.
Para compreender como funciona o uso e a ocupação do solo urbano, no 
que diz respeito aos EAS, você deverá verificar, no PDM da sua cidade, quais 
zonas permitem o uso na área de saúde e identificá-las em um mapa.
Resolução da situação-problema
Você deverá obter o PDM da sua cidade, seja fazendo uma busca no site 
municipal, ou indo até a prefeitura e solicitando o arquivo, normalmente 
disponibilizado em formato PDF. Dentro do PDM, você deverá encontrar a 
Lei de Uso e Ocupação do Solo e identificar como é feita a classificação dos 
usos e das atividades desenvolvidas no município. Tomando como exemplo 
a cidade de Umuarama, no noroeste do Paraná, a zona que permite o Uso 
Comunitário 2 - Saúde é somente a Zona Central (ZC), sendo que a ativi-
dade é tolerada nas zonas de Comércio e Serviços (ZCS), Zona Residencial 
de Baixa Densidade (ZBD), Zona Residencial de Média Densidade (ZMD), 
Zona Residencial de Alta Densidade (ZAD) e Zona de Serviços I (ZSI). As 
zonas ZBD, ZMD e ZAD também permitem o Uso Comunitário 1 (com 
ressalva para a ZBD, no qual o porte deve ser até 100m²).
Observe, no PDM da sua cidade, quais zonas permitem ou toleram o uso 
para atividades de saúde. Em seguida, identifique no mapa do município 
no qual estão estas zonas. Você pode usar cores diferentes de acordo com 
o uso (Comunitário 1 ou Comunitário 2 de Saúde) e/ou de acordo com a 
permissão (uso permitido ou tolerado).
51
Faça a valer a pena
1. A Lei nº 6.229, de 17 de julho de 1975, instituiu o Sistema Nacional de Saúde 
e determinou as competências do Ministério da Saúde, por exemplo, “fixar normas 
e padrões para prédios e instalações destinados a serviços de saúde”. A partir daí 
surgiram vários manuais e normativas para regulamentar a instalação de Estabele-
cimentos Assistenciais de Saúde (EAS). O manual mais recente surgiu da Portaria nº 
1.884/GM de 11 de novembro de 1994.
Assinale a alternativa que descreve o conteúdo do manual elaborado pelo Ministério 
da Saúde em 1994.
a. O manual contém os critérios para elaboração do projeto de EAS, incluindo: 
circulações, confortos ambientais, controle de infecção hospitalar, instalações 
prediais e segurança contra incêndio.
b. O manual contém as legislações de uso e ocupação do solo urbano, envol-
vendo o zoneamento e a indicação dos setores que permitem o uso para ativi-
dades do setor de saúde.
c. O manual contém as dimensões e os parâmetros da construção, como taxa de 
permeabilidade, área máxima ocupada pela edificação no terreno e número 
máximo de pavimentos.
d. O manual contém a explanação dos procedimentos médicos que devem ser 
seguidos pelos profissionais da área da saúde, de acordo com a atividade que 
será realizada no ambiente.
e. O manual indica quais são os tipos de estabelecimentos voltados para a área 
da saúde, apresentando que os postos e as unidades básicas de saúde estão 
categorizados como nível primário de atendimento.
2. A infecção hospitalar é aquela contraída durante a internação do paciente, dentro 
do próprio estabelecimento de saúde. O Ministério da Saúde criou diretrizes para o 
controle da contaminação e infecção hospitalar, que devem ser utilizadas no projeto 
arquitetônico de edifícios da área da saúde.
Com base nisso, avalie as afirmativas a seguir:
I. A setorização das atividades exercidas no edifício consiste em catego-
rizar os ambientes em áreas críticas, semicríticas e não críticas, de 
acordo com o risco de contaminação.
II. Para maior isolamento das atividades, é necessário compartimenta-
lizar os espaços e classificá-los em áreas limpas e sujas a partir do 
contato, ou não, com materiais e agentes contaminantes.
52
III. A compartimentação dos ambientes deverá prever a setorização dos 
espaços de acordo com o maior, ou menor, risco de incêndio em baixo, 
médio e alto risco.
IV. As superfícies devem permitir a sua completa higienização e serem 
confeccionadas com materiais resistentes à ação de agentes químicos 
e desinfetantes.
Assinale a alternativa que contém apenas as alternativas relacionadas ao controle da 
infecção hospitalar.
a. Apenas as afirmativas I e IV estão corretas.
b. Apenas as afirmativas II e III estão corretas.
c. Apenas as afirmativas I, II e III estão corretas.
d. Apenas as afirmativas I, II e IV estão corretas.
e. As afirmativas I, II, III e IV estão corretas.
3. Você é arquiteto e foi contratado para projetar um hospital geral privado com 
capacidade para 1.500 leitos. O cliente já encontrou um terreno para implantar o 
edifício, porém, quer a sua opinião antes de realizar a compra do lote. A Lei de Uso e 
Ocupação da cidade mostra que o lote escolhido está inserido na Zona Residencial de 
Baixa Densidade, cuja tabela de parâmetros é a seguinte:
Quadro 1.3 | Parâmetros de uso e ocupação do solo
ZONA RESIDENCIAL DE BAIXA DENSIDADE – ZBD
Parâmetros de uso e ocupação do solo
USOS
PERMITIDOS TOLERADOS PERMISSÍVEIS
Habitação unifamiliar Comércio e serviço vicinal 
2²
Uso industrial tipo 1 e 25
Habitações unifamiliares 
em série
Usocomunitário 24 – 
Ensino (porte até 100 m²)
Condomínios
Comércio e serviço vicinal 
1¹
Uso comunitário 24 – Saúde 
(porte até 100 m²)
Loteamentos fechados
Uso comunitário 1³ (porte 
até 100 m²)
Uso comunitário 24 - 
Religioso
Notas:
¹ Comércio e serviço vicinal 1: atividade comercial varejista, serviços pessoais ou profissional de pequeno 
porte, de utilização imediata e cotidiana e não incômodas ao uso residencial.
² Comércio e serviço vicinal 2: atividades comerciais varejistas ou de prestação de serviços, de médio porte e 
destinadas ao atendimento de um determinado bairro ou zona.
³ Uso comunitário 1: atividades de atendimento direto e funcional ao uso residencial, como ambulatórios, es-
tabelecimentos de assistência social, berçários, creches, hotéis para bebês, bibliotecas, estabelecimentos de 
53
educação infantil (ensino maternal, pré-escola, jardim de infância) e estabelecimentos de educação especial.
4 Uso comunitário 2: atividades com concentração de pessoas ou veículos, níveis altos de ruídos e padrões 
viários especiais.
5 Uso industrial. Tipo 1: atividades industriais compatíveis com o uso residencial, não incômodas. Tipo 2: 
atividades industriais compatíveis ao seu entorno e aos parâmetros construtivos da zona, não geradoras de 
intenso fluxo de pessoas e veículos.
Fonte: adaptado do Plano Diretor Municipal de Umuarama/PR (p. 64).
Considerando a zona na qual o terreno que o cliente escolheu está inserido, assinale 
a alternativa correta.
a. O terreno está adequado para a implantação do hospital, pois na tabela consta 
o Uso Comunitário 2 de Saúde como uso tolerado.
b. O terreno está adequado para a implantação do hospital, pois os usos permi-
tidos e tolerados pela zona compatibilizam as atividades residenciais e de saúde.
c. O terreno não está adequado para a implantação do hospital, pois na tabela 
existe uma restrição quanto ao porte do Uso Comunitário 2 de Saúde.
d. O terreno não está adequado para a implantação do hospital, pois o Uso 
Comunitário 2 de Saúde é classificado como uso tolerado, ou seja, não está 
compatível com o uso residencial.
e. Não é possível saber se o terreno está adequado para a implantação do 
hospital, pois a área do lote não foi informada pelo cliente.
Referências
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de carga, monta-cargas e elevadores de maca: requisitos de segurança para projeto, fabricação e 
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de incêndio: projeto, instalação, comissionamento e manutenção de sistemas de detecção e 
alarme de incêndio: requisitos. Rio de Janeiro: 2010.
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mobiliário, espaços e equipamentos urbanos. 3. ed. Rio de Janeiro: 2015.
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Unidade 2
Carolina Cardoso
Concepção do projeto
Convite ao estudo
Caro aluno, vamos iniciar o processo criativo que envolve a concepção 
de um projeto arquitetônico. Você sabe como identificar as condicionantes 
do projeto? Quantos e quais são os ambientes de um Estabelecimento 
Assistencial de Saúde (EAS) e a função de cada um deles? Como desenvolver 
um partido arquitetônico coerente?
Nesta unidade, aprofundaremos o nosso conhecimento acerca das 
características que envolvem o processo criativo, que se inter-relacionam 
formando propostas estruturadas que serão a base de um projeto arquitetô-
nico funcional e com soluções próprias. Ao final da unidade, você será capaz 
de desenvolver um partido arquitetônico a partir das informações levantadas 
e analisadas.
• Por onde o profissional deve começar a elaboração do projeto?
• Quais informações ele deverá obter?
• Existe um método que ele poderá seguir?
• Qual é a etapa que sintetiza as ideias envolvidas no processo criativo 
para a concretização de uma proposta arquitetônica?
Para nos ajudar a responder a esses questionamentos, temos a seguinte 
situação: você foi contratado por um escritório especializado em arquite-
tura hospitalar. A cidade onde mora está localizada no interior do estado e 
apresenta um crescimento urbano intenso. Diante desse cenário, a prefeitura 
inaugurou recentemente um novo loteamento e, para atender às necessidades 
da população do novo bairro, foi aberto um edital de concurso público para o 
projeto arquitetônico de uma Unidade Básica de Saúde (UBS).
Os requisitos impostos pelo edital do concurso incluem a apresentação 
de um projeto arquitetônico, no nível de anteprojeto, de um Estabelecimento 
Assistencial de Saúde (EAS) com capacidade entre 2.400 e 4.000 pacientes e 
que atenda aos critérios estabelecidos pelo Manual de Estrutura Física das 
Unidades Básicas de Saúde, publicado pelo Ministério da Saúde.
Até agora, você já conheceu a contextualização histórica da temática; 
o repertório de referências; o Plano Diretor Hospitalar; os princípios de 
humanização em hospitais; a legislação e normas vigentes e a estruturação da 
rede de saúde pública. De posse dessas informações, você continuará a sua 
caminhada rumo à concepção do projeto arquitetônico.
Na Seção 2.1, você analisará o meio onde o edifício será implantado. Isso 
representa a observação das condicionantes climáticas, do uso e ocupação 
do solo do entorno, e o levantamento das características do terreno, como 
a topografia e a vegetação existente. Na Seção 2.2, identificará quais são os 
ambientes que compõem o projeto de um Estabelecimento Assistencial de 
Saúde (EAS), a partir de um programa de necessidades. Você aprenderá as 
particularidades relacionadas à arquitetura hospitalar, no que diz respeito às 
atividades realizadas e à qualidade dos ambientes. Finalmente, na Seção 2.3, 
você reunirá todas as análises e informações obtidas até então para criar o 
partido arquitetônico e a organização do EAS (plano de massas, setorização 
e fluxograma). Todos esses aspectos compreendem o ponto de partida para 
a concepção do projeto.
59
Seção 1
Análise do terreno
Diálogo aberto
Você já parou para pensar que cada pedacinho de terra possui carac-
terísticas específicas de relevo e está situado em uma área com condições 
climáticas próprias? Que a vegetação e os cursos d’água conferem detalhes 
únicos para cada terreno? E que a forma como modificamos a paisagem para 
a criação de cidades interfere nas vistas e na disposição e movimentação 
natural desses elementos?
Cada terreno representa um novo desafio projetual e, por isso, dificil-
mente o mesmo projeto poderá ser replicado em vários locais – ao menos, 
não com a mesma eficácia do terreno original. Da mesma forma, devido 
às inúmeras possibilidades de combinação de elementos e de princípios 
que norteiam a tomada de decisão dos arquitetos, o mesmo terreno poderá 
receber várias propostas diferentes, ainda que o projeto tenha a mesma 
função. Sendo assim, a análise das condicionantes, deficiências e potencia-
lidades de cada local é o que determinará o funcionamento e a eficiência do 
projeto arquitetônico.
Você foi contratado em um escritório de arquitetura especializado em 
projetos de EAS, e a equipe da qual faz parte participará de um concurso 
público para um projeto de uma Unidade Básica de Saúde (UBS) no bairro 
novo da cidade onde mora. Você já possui o Plano Diretor Hospitalar e 
conhece as características e os critérios para elaboração de um edifício de 
saúde. Agora, deverá realizar uma análise de todos os componentes que 
fazem parte do meio ambiente em que o EAS será implantado. Com as infor-
mações iniciais em mãos, faz-se necessária a visita técnica ao terreno.
• Quais são as condicionantes locais encontradas? 
• O que se pode registrar sobre a topografia? 
• Quais características podem ser observadas sobre o entorno do terreno? 
• Qual o partido arquitetônico que você adotará nesse projeto e por quê?
Nesta seção, aprenderemos a analisar as condições climáticas, as caracte-
rísticas locais do terreno e do entorno, as vistas e as orientações para edifícios 
de saúde. Não podemos nos esquecer de que esses fatores apresentam forte 
influência na ventilação de bactérias e na disseminação de agentes conta-
minantes, que podem colocar em risco a saúde dos pacientes internados no 
60
hospital. Conheceremos, ainda, algumas certificações de sustentabilidade 
em edificações que poderãoser utilizadas para a criação de estratégias que 
preservem o meio ambiente e promovam a eficiência do edifício.
Estamos iniciando uma das partes mais interessantes da disciplina, que consiste 
na concepção de ideias criativas para desenvolver uma proposta arquitetônica.
Bons estudos!
Não pode faltar
Não é difícil perceber que cada lugar é diferente do outro. Basta observar, 
em sua própria cidade, que existem locais mais planos que outros, mais 
ventilados, mais iluminados ou mais úmidos. As condições climáticas e 
topográficas vão influenciar o comportamento do edifício, além de serem 
fatores importantes para a concepção do projeto arquitetônico. Por isso, tais 
elementos são chamados condicionantes, pois representam limitações ou 
restrições no momento de projetar. Dessa forma, as condicionantes se confi-
guram em todo e qualquer aspecto ou elemento que não é passível de modifi-
cações (como é o caso dos ventos e da incidência solar) ou que sua alteração 
seja inviável ou desaconselhável. A seguir, conheça alguns exemplos:
• Topografia: pode se apresentar como uma condicionante, pois o 
ideal é manter o terreno o mais próximo do perfil natural de relevo, 
evitando problemas de drenagem de águas pluviais. 
• Terrenos com cursos d’água: a modificação desses elementos é 
possível (por meio de terraplanagem e canalizações), mas pode ser 
custosa e deverá prever outra solução para que a drenagem não se 
torne um problema. 
• Construções no entorno: edifícios verticais com vários pavimentos, 
por exemplo, podem impedir que o terreno receba a incidência solar, 
e você não poderá demolir o prédio vizinho para que sua janela tenha 
iluminação natural.
Sendo assim, as condicionantes são os primeiros fatores a serem anali-
sados no início do processo projetual, pois elas impõem condições (como o 
próprio nome diz) para o projeto arquitetônico.
Assimile
Classificação das condicionantes
As condicionantes do projeto podem ser classificadas em físicas, locais 
e legais.
61
As condicionantes físicas representam os aspectos naturais e constru-
ídos que envolvem o terreno, sendo representadas, entre outros, pelos 
seguintes aspectos:
• Condições climáticas.
• Topografia.
• Sistema viário.
• Vegetação.
• Construções existentes.
Já as condicionantes locais representam as características e as ativi-
dades existentes no entorno, como: 
• Infraestrutura (redes de abastecimento de água, esgotamento 
sanitário, distribuição de energia elétrica, entre outros). 
• Equipamentos urbanos (comércio e serviços, áreas verdes e edifí-
cios institucionais).
• Usos do entorno.
• Acessos. 
Por fim, as condicionantes legais estão relacionadas à legislação, como 
os índices do Plano Diretor Municipal (por exemplo, o zoneamento, a 
taxa de ocupação e permeabilidade e o coeficiente de aproveitamento) 
e do Código de Obras.
Condições ambientais de insolação e ventilação
As condições ambientais de insolação e ventilação apresentam uma impor-
tância maior quando tratamos de Estabelecimento Assistencial de Saúde (EAS). 
Isso porque esses dois fatores contribuem para a salubridade da construção, 
garantindo que os microrganismos sejam ventilados e dissipados do ambiente. 
Para isso, precisamos utilizar esses aspectos a nosso favor, de forma a permitir 
que o ar circule pelos ambientes e seja renovado, garantindo que os espaços 
(principalmente as enfermarias) recebam a luz natural. Isso só será possível a 
partir das análises da incidência solar e dos ventos dominantes. 
A insolação poderá ser observada a partir da identificação do norte geográ-
fico no terreno. Uma vez que o sol nasce à leste e se põe à oeste, e que no hemis-
fério sul ele apresenta uma inclinação para norte, podemos afirmar que a face 
leste da edificação receberá a luz solar direta proveniente da parte da manhã, 
de intensidade mais suave, e que as faces norte e oeste receberão a insolação 
direta, mais intensa, decorrente do período vespertino (Figura 2.1). A face sul 
receberá apenas a iluminação indireta. Com base nessas informações, podemos 
orientar os ambientes do EAS de acordo com a sua necessidade de exposição 
solar. O Ministério da Saúde estipula que as salas de ambulatório, atendimento 
ao paciente (exame clínico e observação), internação (enfermarias, berçários, 
62
internação intensiva e especiais) e de apoio ao diagnóstico e terapia necessitam 
da incidência de luz solar direta (BRASIL, 1994).
Figura 2.1 | Esquema de insolação no hemisfério sul
Fonte: elaborada pela autora.
Com relação à ventilação, uma das informações que irão auxiliar no 
desenvolvimento do projeto é a indicação da direção de onde provém os 
ventos dominantes. Esse dado pode ser obtido em órgãos municipais da 
cidade, que fornecerão, inclusive, qual a velocidade média dos ventos e 
outras informações. A ventilação também pode ser percebida de maneira 
mais prática, visitando o terreno que receberá a edificação em dias e horários 
variados e anotando a direção do vento. De acordo com o Ministério da Saúde 
(BRASIL, 1994), alguns ambientes poderão receber apenas a ventilação direta 
natural, como é o caso dos ambientes de internação (enfermarias, berçários 
e internação intensiva) e apoio ao diagnóstico e terapia (quimioterapia). 
Existem espaços que precisarão de controles mais rigorosos da qualidade 
do ar, temperatura e umidade a partir da adoção de sistemas de ventilação 
específicos. Os ambientes que produzem odores ou favorecem a poluição 
atmosférica necessitam de exaustão mecânica, enquanto outros ambientes 
vão necessitar também de climatização, como é o caso dos centros cirúrgicos.
Além das condicionantes, existem outros dois aspectos que podem 
ser analisados para auxiliar o processo projetual: as deficiências 
e potencialidades.
• Deficiências: são aspectos entendidos como negativos, que devem ser 
amenizados ou solucionados pelo projeto. 
• Potencialidades: são características que apresentam algum potencial 
não utilizado e possibilidade de exploração pelo projeto.
63
Exemplificando
As deficiências e potencialidades não são tão fáceis de serem identifi-
cadas como as condicionantes, sendo representadas por alguns fatores 
específicos – como as condições climáticas. Por isso, é necessária uma 
análise mais aprofundada do terreno e do entorno para determinar 
os pontos de interesse do projeto. Por exemplo, existem estudos que 
indicam os benefícios de áreas verdes para a saúde da população 
(BEDIMO-RUNG; MOWEN; COHEN, 2005; MAAS et al., 2006; CHOU; LEE; 
CHANG, 2016). Dessa forma, a falta de áreas verdes no entorno poderia 
se caracterizar como uma deficiência, do mesmo modo que um terreno 
de grandes proporções poderia ser considerado uma potencialidade, 
pois permite a incorporação do paisagismo ao projeto, de forma a criar 
um espaço verde dentro da área do EAS.
Um exemplo é o Hospital Khoo Teck Puat, em Singapura (China), que incor-
porou áreas verdes ao projeto visando o bem-estar dos pacientes e o auxílio 
na cura das enfermidades por meio de uma atmosfera natural (Figura 2.2).
Figura 2.2 | Hospital Khoo Teck Puat, Singapura, China
Fonte: Shutterstock.
As próprias condicionantes podem derivar algumas deficiências ou poten-
cialidades. Digamos que existe uma Área de Preservação Permanente (APP) 
no fundo do terreno. Isso se caracteriza em uma condicionante, pois a APP 
não pode ser modificada. No entanto, podemos utilizá-la como potenciali-
dade e incorporá-la em uma ampla área verde que será usada pelos pacientes 
como solário, auxiliando no tratamento. Agora imagine que o terreno está 
localizado na porção da topografia mais alta da cidade. De certo que o relevo 
proporcionará uma vista panorâmica do ambiente urbano (Figura 2.3) – ao 
menos que o terreno esteja rodeado por edifícios verticais que impedirão a 
visão (Figura 2.4).
64
Figura 2.3 | Vista panorâmica da cidade, vista de um ponto alto da topografia (Praça do Pôr do 
Sol, São Paulo)
Fonte: Shutterstock.
Figura 2.4 | Visão comprometida pelos edifícios do entorno (RuaGran Via, Madri, Espanha)
Fonte: Shutterstock.
A análise das condicionantes, deficiências e potencialidades envolvem 
diversos fatores e podem ser detalhadas em um quadro chamado Matriz CDP.
Matriz CDP
A Matriz CDP identificará todos os elementos observados pelo arqui-
teto que servirão de base para a elaboração do projeto. Sendo assim, a 
matriz é composta por: item a ser observado; condicionante, deficiência e/
65
ou potencialidade; e diretriz que orientará o profissional durante o processo 
projetual (Quadro 2.1).
Quadro 2.1 | Exemplo de Matriz CDP
Item Condicionante Deficiência Potencialidade Diretriz
Topografia Relevo do 
terreno com 
grande des-
nível.
Requer a criação 
de sistemas 
de circulação 
vertical (rampas 
e escadas) para 
transpor os níveis 
do relevo.
Desnível localiza-
do na face norte, 
recebe maior par-
te da incidência 
solar.
Criação de 
pavilhões em 
níveis diferentes, 
com terraços para 
aproveitamento 
da iluminação 
natural.
Fonte: elaborado pela autora.
O Quadro 2.1 traz a análise do item topografia e mostra que o relevo do 
terreno em questão apresenta um desnível acentuado. Uma das deficiências 
apontadas foi a necessidade de criação de rampas e escadas para transpor os 
desníveis. Em contrapartida, o desnível está situado para a face leste, que, 
como vimos, recebe a luz solar da parte da manhã, com intensidade desejável 
para um banho de sol. Esse aspecto foi considerado uma potencialidade, que 
culminou na criação de uma diretriz projetual: a criação de pavilhões em 
níveis diferentes, com terraços para aproveitamento da iluminação natural. 
Na Figura 2.5 podemos observar um esquema de como estes elementos 
se organizam.
Figura 2.5 | Diagramas para exemplificação da Matriz CDP - a) terreno em declive; b) maior área 
de insolação; c) criação de pavilhões; d) terraços para aproveitamento da luz solar e amplas 
áreas de vegetação
Fonte: elaborado pela autora com os softwares Sketchup Pro e Adobe Illustrator.
66
Esse exemplo serviu para mostrar que o mesmo item analisado pode 
apresentar uma condicionante, uma deficiência e uma potencialidade. Nem 
todos os elementos vão possuir as três características, mas é importante que 
o profissional esteja atento para perceber os aspectos envolvidos.
Nós falamos muito em como as características existentes poderão 
influenciar o projeto, mas você já parou para pensar que o seu projeto 
também poderá influenciar o entorno? Em se tratando de um edifício de 
saúde, esse impacto é claro: o hospital apresenta uma aglomeração de pessoas 
doentes que carregam vírus e bactérias e produzem resíduos contaminados. 
Esses impactos são negativos e devem ser trabalhados com cautela no projeto 
arquitetônico. Porém, também existem impactos positivos – um hospital atua 
na promoção da saúde e na qualidade de vida da população, por exemplo. 
Sendo assim, é recomendável que os empreendimentos que causem algum 
tipo de impacto (uma indústria, uma nova linha de metrô, ou, neste caso, 
uma edificação hospitalar), sejam públicos ou privados, realizem um Estudo 
de Impacto de Vizinhança (EIV) previamente à sua implantação. O EIV é 
uma ferramenta utilizada pelo poder público municipal e apresenta três 
princípios básicos, de acordo com Schvarsberg et al. (2016):
1. Ordenar o crescimento equilibrado das cidades.
2. Garantir condições mínimas de qualidade urbana.
3. Promover o uso urbano ambientalmente equilibrado e socialmente justo.
O Ministério das Cidades entende que toda atividade causa algum tipo 
de impacto, que pode ser de caráter social, econômico, ambiental, urbanís-
tico, entre outros. Além disso, pode ser caracterizado, conforme vimos, como 
positivo ou negativo. O EIV, entretanto, compreende apenas as atividades 
com impactos negativos, que geram algum tipo de incômodo, visando à 
manutenção da qualidade de vida da população urbana (SCHVARSBERG et 
al., 2016). Cabe ao município determinar quais serão os empreendimentos 
que deverão apresentar um EIV antes de sua implementação. Normalmente, 
esse estudo é requisitado para projetos de grande porte, com um tipo especí-
fico (como os da área da saúde), ou dependentes do local de implantação 
(próximo a APPs, por exemplo).
Reflita
Nos últimos anos, muito se tem discutido sobre o impacto ambiental 
gerado pela construção civil e pelo ambiente urbano. De que forma o 
arquiteto pode contribuir para a proteção do meio ambiente sem pôr 
em risco o crescimento das cidades?
67
Programas de edificações com iniciativas sustentáveis
Visando à redução dos impactos ambientais, surgiram alguns programas 
que certificam edificações com iniciativas sustentáveis, voltadas para o 
gerenciamento de energia, economia dos recursos naturais ou financeiros 
e estratégias de proteção do meio ambiente. Em 1993 foi criada a primeira 
certificação, denominada LEED (Leadership in Energy and Environmental 
Design), que consiste em critérios práticos que mensuram a sustentabili-
dade aplicada a uma edificação. Esta certificação foi criada pelo United States 
Green Building Council (USGBC), visando fomentar práticas de “construções 
verdes”, que apresentam sistemas que garantem edifícios mais econômicos, 
eficientes e saudáveis. Para obter a certificação, o edifício precisa atingir uma 
pontuação mínima de acordo com os critérios estabelecidos. Existem sete 
categorias de análise: localização e transporte; lotes sustentáveis; eficiência 
da água; energia e atmosfera; materiais e recursos; qualidade interna dos 
ambientes; e inovação e prioridades regionais. Para cada categoria existem 
pré-requisitos, sem os quais a construção não obterá a certificação, além 
dos créditos que consistem em sistemas extras que poderão contribuir para 
um nível mais alto de certificação. Quanto mais alta é a pontuação obtida, 
maior será o nível de certificação, sendo quatro selos: certified, silver, gold ou 
platinum (Figura 2.6).
Figura 2.6 | Selos de certificação LEED
Fonte: https://bit.ly/2EMvgyA. Acesso em: 30 jul. 2019.
No ano de 2014, o International WELL Building Institute criou uma certi-
ficação que dá suporte à saúde e ao bem-estar da população, originando o 
programa WELL Building Standard. Essa certificação se baseia em evidências 
científicas, obtidas por meio de estudos e pesquisas, para determinar padrões 
e critérios que impactam a saúde e o bem-estar, sendo eles: ar, água, alimen-
tação, iluminação, atividade física, conforto e mente. O processo de obtenção 
da certificação é semelhante ao LEED: cada categoria possui pré-requisitos 
obrigatórios e créditos que poderão melhorar a pontuação e garantir níveis 
maiores de certificação, que, neste caso, são três: silver, gold e platinum 
(Figura 2.7).
https://bit.ly/2EMvgyA
68
Figura 2.7 | Selos de certificação WELL
Fonte: http://www.cte.com.br/interiores/. Acesso em: 26 jul. 2019.
Pesquise mais
Assista ao Webinar Bem-Estar e Produtividade, produzido pela arqui-
teta Luiza Junqueira, especialista em construções sustentáveis creden-
ciada pela LEED, e por Eduardo Straub, engenheiro civil especializado 
em gestão ambiental e sustentabilidade, credenciado pela LEED e WELL.
Neste vídeo, disponível no youtube, os profissionais falam sobre as 
certificações e expõem alguns dados que poderão auxiliar em um 
projeto arquitetônico. Assista do minuto 6 até o minuto 19. 
WEBINAR Bem-Estar & Produtividade - WELL BUILDING STANDARD. [S.l.: 
s.n.], 2016. Publicado pelo canal StraubJunqueira Construindo Valores.
No ano de 2017, o escritório da Sociedade Americana de Design de 
Interiores (do inglês, American Society of Interior Designers – ASID), locali-
zado em Washington, foi a primeira edificação do mundo a obter as certifica-
ções LEED e WELL no nível platinum. O projeto foi criado com o objetivo de 
mostrar como o design pode afetar a vida dos usuários, a partir da promoção 
do bem-estar e do uso eficiente de recursos (ASID, 2017).
Até agora, discutimos os aspectos externos à edificação que envolvem 
a análise do entorno e dos recursos disponíveis.É muito importante que o 
arquiteto realize visitas técnicas ao terreno, principalmente nos primeiros 
momentos do projeto, a fim de observar suas características de forma mais 
intensa e precisa. Os dados obtidos, como insolação, ventilação e vegetação, 
serão de suma importância para a elaboração da proposta arquitetônica.
Sem medo de errar
Você é um arquiteto contratado em um escritório especializado em 
arquitetura hospitalar. A sua equipe participará do desenvolvimento de um 
projeto de uma Unidade Básica de Saúde (UBS) para o bairro novo da cidade 
http://www.cte.com.br/interiores/
69
onde mora. Você já tem um Plano Diretor Hospitalar (PDH), e agora chegou 
a hora de aprofundar suas análises acerca do local de implantação do edifício.
O edital do concurso público, cujo escritório ao que pertence submeterá um 
projeto, já forneceu o terreno onde será construída a UBS. A sua tarefa é analisar 
as condicionantes, deficiências e potencialidades do lote e do entorno. Você pode 
realizar o levantamento por meio de diagramas (que podem ser feitos à mão com 
lápis colorido, usando o mapa/terreno impresso como base) e esquemas para 
organizar as análises com maior clareza. Observe os seguintes aspectos físicos:
• Direção do Norte.
• Insolação.
• Direção dos ventos dominantes.
• Topografia.
• Vegetação existente.
• Presença de cursos d’água.
Em seguida, analise os elementos urbanos: como se dá a malha viária, 
qual o fluxo de tráfego, por quais pontos é possível acessar o terreno e como 
é o gabarito das edificações do entorno (Figura 2.8).
Figura 2.8 | Exemplo de identificação de condicionantes no terreno
1. Aclive no terreno no sentido Norte-Sul.
2. Fachada principal localizada na face sul, que não recebe insolação direta.
3. Vegetação existente pode ser utilizada para criação de área verde.
4. Ponto de ônibus garante a mobilidade urbana ao empreendimento.
5. Via de tráfego intenso causa conflitos entre o fluxo de automóveis e pedestres.
Fonte: elaborado pela autora com os softwares Sketchup Pro e Adobe Illustrator.
70
Procure no Plano Diretor Municipal (PDM) em qual zona o terreno está 
inserido e quais os índices urbanísticos incidentes sobre ele. Identifique como 
cada um destes itens influencia na sua tomada de decisão e classifique-os em 
condicionantes, deficiências ou potencialidades, organizados em uma Matriz 
CDP. Lembre-se de que nem todos os aspectos terão uma condicionante, 
uma deficiência e uma potencialidade, mas você deverá indicar uma diretriz 
projetual para todos os itens analisados. Essa diretriz visará a solução de um 
problema ou recurso mal explorado, ou ainda se originará de uma limitação 
imposta pelos fatores externos.
Organize o levantamento em pranchas que serão anexadas ao memorial 
descritivo, no final da disciplina.
Avançando na prática
Certificação Sustentável
Atualmente, muito se discute sobre a importância da proteção e economia 
dos recursos naturais, principalmente no que diz respeito à arquitetura e ao 
urbanismo. As cidades correspondem ao local onde vivemos, e o seu cresci-
mento desordenado tem impactado o meio ambiente de formas negativas, 
a partir da contaminação de rios e cursos d’água, do desmatamento da 
vegetação nativa e da poluição proveniente das indústrias. 
A preocupação com a natureza deu origem a certificações que avaliam 
a sustentabilidade aplicada aos projetos de arquitetura. O escritório em que 
você trabalha está atento a essas mudanças e pretende mudar o perfil de 
trabalho a partir da adoção de critérios sustentáveis no próximo projeto que 
será desenvolvido. Portanto, a sua tarefa será escolher uma das certificações 
de sustentabilidade e pesquisar sobre os pré-requisitos e as estratégias que 
poderão ser utilizadas no projeto.
Resolução da situação-problema
A primeira atitude do profissional, no momento em que inicia uma 
nova empreitada, é pesquisar sobre o que se pretende aprimorar. Portanto, o 
estudo de edificações que possuam certificação de sustentabilidade (pode ser 
a certificação LEED, WELL ou outra) podem se tornar um método de análise 
e uma das estratégias utilizadas pelo profissional visando a sua capacitação. 
71
Um exemplo de edificação que poderá entrar no repertório utilizado pelo 
profissional é o Hospital Albert Einstein (Unidade Morumbi, São Paulo), que 
recebeu a certificação LEED gold no ano de 2013 (Figura 2.9). As estratégias 
para sustentabilidade tiveram início logo nas primeiras etapas da construção. 
Durante a obra, houve um controle da poluição e gerenciamento de erosão, 
assoreamento, poeira e resíduos. Com relação às águas pluviais, existem 
reservatórios e jardins (inclusive na cobertura) que retardam a descarga da 
água da chuva coletada no terreno, reduzindo o volume de água enviado para 
a rede de drenagem urbana em aproximadamente 30% (HOSPITAL ALBERT 
EINSTEIN, 2013).
Figura 2.9 | Hospital Israelita Abert Einstein durante sua reforma em 2009, São Paulo
Fonte: https://en.m.wikipedia.org/wiki/File:Hospital_Albert_Einstein.jpg. Acesso em: 26 jul. 2019.
Faça valer a pena
1. As certificações para edifícios sustentáveis, como a LEED (Leadership 
in Energy and Environmental Design) e a WELL (Building Standart), foram 
criadas visando à premiação de construções que utilizam tecnologias e 
sistemas que melhoram a qualidade de vida da população.
Com base no texto anterior, assinale a alternativa que contém os princípios 
das certificações citadas.
a. Rapidez na execução das obras e crescimento ordenado das cidades.
b. Redução dos impactos ambientais, uso eficiente dos recursos e 
promoção da saúde e bem-estar.
 https://en.m.wikipedia.org/wiki/File:Hospital_Albert_Einstein.jpg
72
c. Promoção do consumo consciente e redução da poluição gerada pelo 
setor industrial.
d. Incentivo ao desenvolvimento humano por meio de tecnologias de 
comunicação e informação.
e. Aumento da conscientização sobre o design dos edifícios, utilizando 
a economia de recursos financeiros.
2. Por meio da Matriz CDP, que diz respeito à identificação das condicio-
nantes, deficiências e potencialidades, é possível realizar o levantamento e a 
análise do terreno que dará suporte ao projeto de arquitetura. 
Com base nisso, avalie as afirmativas a seguir:
I. As condicionantes são aspectos imutáveis do terreno e consistem em 
limitações e restrições que serão impostas ao projeto arquitetônico.
II. As deficiências são elementos negativos, compreendidas por 
problemas e conflitos que devem ser resolvidos ou amenizados pelo 
projeto arquitetônico.
III. As potencialidades são fatores que apresentam um potencial positivo 
mal explorado, que podem ser utilizados para oferecer vantagens e 
benefícios ao projeto arquitetônico.
Assinale a alternativa que contém as afirmações corretas.
a. As afirmativas I, II e III estão corretas.
b. Apenas as afirmativas I e III estão corretas.
c. Apenas as afirmativas II e III estão corretas.
d. Apenas as afirmativas I e III estão corretas.
e. Apenas a afirmativa II está correta.
1. Uma das categorias de análise da certificação LEED (Leadership in Energy 
and Environmental Design) para edifícios sustentáveis diz respeito à gestão 
dos recursos hídricos. A Clínica Cleveland em Abu Dhabi recebeu a certi-
ficação nível gold principalmente pelo seu empenho em reduzir o consumo 
de água em 30%, o que corresponde a mais de 10.000 m³. O uso da água não 
foi explorado apenas em termos sustentáveis, mas também foi um elemento 
utilizado pelos arquitetos para criar um edifício que praticamente flutua 
sobre a água, um simbolismo de cura e serenidade.
73
Figura | Planta baixa da Clínica Cleverland, Abu Dhabi
Fonte: Jordana (2012).
Figura | Perspectiva da Clínica Cleverland, Abu Dhabi
Fonte: Jordana (2012).
Com relação ao projeto apresentado, analise as afirmativas a seguir:
I. O projeto não poderia receber a certificação LEED, uma vez que 
desperdiça os recursos hídricos ao usar piscinas que apresentarão 
apenas benefícios estéticos à construção.
74
II. As piscinase as áreas verdes conjugadas à clínica são benéficas à saúde 
do paciente, oferecendo um ambiente tranquilo que auxilia no trata-
mento de suas enfermidades. 
III. O azul usado na fachada faz referência à cor do Golfo Pérsico, que 
envolve toda a ilha de Abu Dhabi. A proximidade do projeto com o 
corpo hídrico do Golfo reforça a importância do elemento água para 
o projeto.
Assinale a alternativa que contém a(s) afirmativa(s) correta(s).
a. Apenas a afirmativa I está correta.
b. Apenas a afirmativa II está correta.
c. Apenas a afirmativa III está correta.
d. Apenas as afirmativas II e III estão corretas.
e. As afirmativas I, II e III estão corretas.
75
Seção 2
Programa de necessidades
Diálogo aberto
Caro aluno, você já imaginou como seria morar em uma casa sem 
banheiro? Ou almoçar em um restaurante que não tivesse cozinha? Seria, no 
mínimo, um caos.
Cada projeto é único e nasce de um problema a ser resolvido. Quando 
o projeto arquitetônico não é capaz de atender às demandas existentes, 
a vivência do espaço se torna complicada, ou pior, é aniquilada. Por isso, 
o programa de necessidades se torna o instrumento inicial da concepção 
do projeto arquitetônico, esquematizado logo na primeira entrevista com o 
cliente. Ele nada mais é do que uma listagem das atividades que serão reali-
zadas no espaço, incluindo a identificação dos equipamentos e as condições 
necessárias para a sua execução.
Para estudar esse tema, imagine que você foi contratado por um escri-
tório de arquitetura especializado em projetos de EAS. A equipe da qual você 
faz parte participará de um concurso público para um projeto de Unidade 
Básica de Saúde (UBS) do bairro novo da cidade onde mora. Neste momento, 
você se debruçará sobre o programa de necessidades desse projeto, e preci-
sará: identificar os ambientes que devem compor a UBS, além de suas carac-
terísticas e funções. Não se esqueça de avaliar as particularidades de cada 
ambiente, os equipamentos necessários e a qualidade dos espaços. Imagine-se 
sendo um paciente, um médico, um enfermeiro e um funcionário do hospital 
para avaliar as atividades desenvolvidas nesse espaço. Quais são os ambientes 
envolvidos? Quais equipamentos são necessários para realizar as atividades?
Nesta seção, abordaremos o programa de necessidades e todas as suas 
esferas. Falaremos sobre as atividades realizadas nos espaços assistenciais 
e áreas críticas, semicríticas e não críticas, além de avaliar a qualidade dos 
espaços e identificar as particularidades em um projeto da área da saúde (por 
exemplo, o gerenciamento de resíduos).
Bons estudos!
Não pode faltar
Cada projeto arquitetônico surge de uma necessidade. Uma família que 
procura o arquiteto para projetar uma casa precisa sanar a necessidade de 
76
moradia. Um empresário busca atender à necessidade de trabalho quando 
solicita um projeto comercial. Da mesma forma, quando uma instituição 
pública ou privada contrata um arquiteto para desenvolver um hospital, 
está visando atender à necessidade de tratamento e cura de enfermidades. 
E, assim, como cada cliente tem suas necessidades específicas (o casal quer a 
suíte na cor vermelha, e o empresário precisa de uma mesa para a cafeteira), 
cada projeto deverá oferecer soluções adequadas às particularidades da edifi-
cação. Por isso, um dos principais aspectos a ser identificado é o programa 
de necessidades, que consiste em uma listagem das atividades que serão 
realizadas no edifício, das condições e dos equipamentos necessários para 
o desenvolvimento dessas atividades e, também, das limitações impostas ao 
projetista por meio de normas técnicas e legislações.
Programa de necessidades
Nos Estabelecimentos Assistenciais de Saúde (EAS), o programa de 
necessidades depende da tipologia do edifício e pode alcançar níveis altos 
de complexidade. Para determinar esse programa, deve-se, primeiramente, 
identificar as atividades (funções) a serem exercidas no EAS. O Ministério da 
Saúde (BRASIL, 1994) identifica nove atribuições básicas dos EAS, sendo elas:
1. Ações básicas de saúde: consistem nas ações de atenção, promoção e 
prevenção da saúde, e vigilância sanitária.
2. Ambulatório: atividade de assistência à saúde em regime ambulato-
rial, com atendimento a pacientes externos, de forma programada e 
continuada.
3. Atendimento imediato: assistência à saúde com prestação de atendi-
mento imediato a pacientes externos em situações agravadas, carac-
terizada como urgência quando não existe risco de morte, ou como 
emergência, quando há o risco de morte.
4. Internação: assistência à saúde em regime de internação, a partir da 
prestação de atendimento aos pacientes que necessitam de assistência por 
período superior a 24 horas, caracterizando-os como pacientes internos.
5. Diagnóstico e terapia: serviços de apoio ao diagnóstico e à terapia, 
voltados para o reconhecimento e para a recuperação do estado da 
saúde de pacientes internos e externos.
6. Apoio técnico: atividades que oferecem apoio à assistência à saúde, 
caracterizada por serviços como esterilização, nutrição e atendimento 
farmacêutico.
77
7. Ensino e pesquisa: formação de profissionais capacitados e desenvol-
vimento de recursos humanos e de pesquisa relacionados à assistência 
à saúde.
8. Apoio administrativo: gestão e execução administrativa, planeja-
mento e documentação.
9. Apoio logístico: suporte operacional do edifício a partir de serviços 
de manutenção e limpeza, como lavanderia, inspeção de equipa-
mentos e infraestrutura.
A partir de cada uma dessas funções é possível identificar atividades ou 
subatividades que serão realizadas pelo EAS. No Quadro 2.2, observa-se a 
identificação da função associada à algumas das atividades executadas.
Quadro 2.2 | Funções e atividades exercidas pelo EAS
FUNÇÃO ATIVIDADES REALIZADAS 
1. Ações básicas de 
saúde
• Prevenção à saúde: primeiros atendimentos, imunização, 
controle de doenças transmissíveis, coleta de materiais para 
exame etc.
• Processamento de dados: informação sobre doenças 
(vigilância epidemiológica) e dados nutricionais (vigilância 
nutricional).
• Educação e orientação: palestras e campanhas, orientação de 
ações de saneamento básico.
• Controle e fiscalização: garantia da qualidade dos produtos, 
serviços e meio ambiente (vigilância sanitária).
2. Ambulatório • Atendimento à saúde: recepção, marcação de consultas e 
preparo de pacientes.
• Atendimento clínico: procedimentos de enfermagem, con-
sultas médicas, odontologia, psicologia, assistência social, 
fisioterapia, entre outros.
• Cirurgias e exames endoscópicos: anestesia, execução de 
cirurgias e exames e procedimentos pós-anestésicos.
Atendimento imediato • Atendimento: triagem/primeiros socorros, enfermagem, 
procedimentos de urgência, apoio diagnóstico e terapêutico 
(por 24 horas) e observação do paciente por até 24 horas.
• Urgências (baixa, média e alta complexidade) e emergência.
4. Internação • Pacientes adultos e infantis: internação conforme faixa-etá-
ria, patologia, sexo e intensidade de cuidados.
• Recém-nascidos: pacientes normais e patológicos, prematu-
ros ou externos que necessitam de observação.
• Unidade de Tratamento Intensivo (UTI): internação confor-
me grau de risco (intensivo ou semi-intensivo), faixa etária, 
patologia e requisitos de privacidade.
• Queimados: internação de pacientes com queimaduras gra-
ves, conforme faixa etária, sexo e grau de queimadura.
78
FUNÇÃO ATIVIDADES REALIZADAS 
5. Diagnóstico e terapia • Patologia clínica: coleta e triagem de material, análise labo-
ratorial e desinfecção de descartes.
• Imagenologia: procedimentos anestésicos, realização de 
exames (radiológicos, ressonâncias, tomografias, ultrassono-
grafias etc.) e armazenamento dos exames realizados.
• Exames com métodos gráficos: eletrocardiograma, ecocar-
diograma, ergometria, fonocardiograma etc.
• Anatomia patológica: realização de necropsias, análise de 
biópsias e armazenamento dos cadáveres.
• Cirurgias e exames endoscópicos: anestesia,execução de 
cirurgias e exames e procedimentos pós-anestésicos.
• Partos normais e cirúrgicos: acompanhamento do trabalho 
de parto, realização de partos normais e cirúrgicos, assistên-
cia médica e de enfermagem ao recém-nascido.
• Atividades de reabilitação: fisioterapia, terapia ocupacional e 
fonoaudiologia.
• Atividades hemoterápicas: triagem hematológica e clínica 
dos doadores, coleta de sangue, análise, armazenamento e 
estoque de amostras coletadas e terapêutica transfusional. 
• Radioterapia e quimioterapia: enfermagem, preparo de 
radioelementos/soluções químicas; assistência pós-terapia.
• Diálise: realização de diálise peritoneal ou hemodiálise, 
enfermagem e cuidados médicos para pacientes com inter-
corrências.
• Amamentação: coleta de leite materno, processamento e 
estoque, controle de qualidade e distribuição.
6. Apoio técnico • Nutrição: preparo e armazenamento de alimentos, distribui-
ção e higienização de utensílios.
• Farmácia: armazenamento, inspeção e distribuição de medi-
camentos e produtos farmacêuticos.
• Esterilização de materiais: lavagem e higienização, esterili-
zação (por meio de métodos físicos ou químicos), controle 
microbiótico, armazenamento e distribuição.
7. Ensino e pesquisa • Treinamento de funcionários.
• Promoção de ensino técnico, de graduação e pós-graduação.
• Promoção do desenvolvimento de pesquisas da área da 
saúde.
8. Apoio administrativo • Administração: direção dos serviços administrativos, com-
pra de materiais e equipamentos, administração orçamentá-
ria e financeira.
• Planejamento clínico: direção dos serviços clínicos, plane-
jamento e supervisão, prestação de informações clínicas aos 
pacientes.
• Documentação: registros de pacientes e serviços, histórico 
de marcação de consultas e exames, estatísticas e processa-
mento de dados e notificação policial em casos de acidente 
e violência.
79
FUNÇÃO ATIVIDADES REALIZADAS 
9. Apoio logístico • Lavanderia.
• Armazenamento de materiais e equipamentos.
• Manutenção: predial (obras de construção civil, jardina-
gem, marcenaria etc.) e de equipamentos, das condições de 
conforto e higiene, e infraestrutura.
Fonte: adaptado de BRASIL (1994).
Assimile
Tipologias de edificações de saúde
Pela grande quantidade de funções atribuídas aos EAS, é praticamente 
impossível que apenas uma unidade tenha estrutura física para atender 
a todas elas. É por isso que existem as tipologias de edificações de 
saúde, cada uma com sua função prioritária e nível de complexidade. 
As tipologias criam uma rede de saúde pública que deve funcionar 
de modo sistêmico, de modo que as unidades possam encaminhar 
os pacientes para outras unidades especializadas e adaptadas para 
oferecer o tratamento necessário. Essa diversificação é interessante 
do ponto de vista funcional, pois permite o controle da qualidade dos 
serviços oferecidos por cada uma das unidades, que não serão sobre-
carregadas pelo excesso de atribuições.
Cada uma das atividades listadas necessitará de um espaço disponível 
para ela, equipado com aparelhos que permitam sua execução. No caso de 
um ambulatório, por exemplo, uma das atividades é a recepção e a marcação 
de consultas. Para isso, os equipamentos são simples: basta uma escrivaninha 
para a secretária e algumas cadeiras para os pacientes externos esperarem 
pelo atendimento. No entanto, existem áreas mais complexas que neces-
sitarão de uma aparelhagem específica para seu funcionamento, como é o 
caso dos centros cirúrgicos, unidades de internação, Central de Material 
Esterilizado (CME), entre outros.
Pesquise mais
Para conhecer mais sobre os equipamentos necessários em um centro 
cirúrgico, assista ao vídeo do Hospital São Pedro, em que as enfer-
meiras mostram como é o ambiente da sala de cirurgia e quais os 
aparelhos utilizados.
POR DENTRO do hospital - Centro cirúrgico. Garibaldi, RS: Hospital 
Beneficente São Pedro (HBSP), 2016. 1 vídeo (9 min 17 s). Publicado pelo 
canal Hospital São Pedro – HBSP.
80
Qualidade do ambiente
Independentemente das atividades exercidas e dos equipamentos requi-
sitados, devemos sempre nos atentar à qualidade dos ambientes. Uma das 
maneiras de mensurar a qualidade é a condição de que os ambientes não 
causem nenhum mal aos pacientes. Dessa forma, é necessário eliminar 
qualquer risco de contaminação que se apresente no interior da edificação. 
A contaminação, por sua vez, acontece em grande parte devido aos resíduos 
gerados pelo EAS. A norma NBR 12808/1993 (ABNT, 1993) classifica os 
resíduos em três categorias, conforme observado no Quadro 2.3.
Quadro 2.3 | Classificação de resíduos de serviços da saúde
CLASSE TIPO DESCRIÇÃO 
A. Infectantes 1. Biológico Cultura, inóculo, mistura de microrga-
nismos e meio de
cultura inoculado proveniente de labora-
tório clínico ou de
pesquisa, vacina vencida ou inutiliza-
da, filtro de gases aspirados de áreas 
contaminadas por agentes infectantes e 
qualquer resíduo contaminado por esses 
materiais.
2. Sangue e hemoderivados Bolsa de sangue após transfusão, com 
prazo de validade vencido ou sorologia 
positiva, amostra de sangue para análise, 
soro, plasma e outros subprodutos.
3. Cirúrgico, anatomopato-
lógico e exsudato
Tecido, órgão, feto, peça anatômica, 
sangue e outros líquidos orgânicos resul-
tantes de cirurgia, necropsia e resíduos 
contaminados por esses materiais.
4. Perfurante ou cortante Agulha, ampola, pipeta, lâmina de bisturi 
e vidro.
5. Animal contaminado Carcaça ou parte de animal inoculado, 
exposto à microrganismos patogênicos 
ou portador de doença infectocontagiosa, 
bem como resíduos que tenham estado 
em contato com este.
6. Assistência ao paciente Secreções, excreções e demais líquidos 
orgânicos procedentes de pacientes, bem 
como os resíduos contaminados por esses 
materiais, inclusive restos de refeições.
81
CLASSE TIPO DESCRIÇÃO 
B. Especiais 3. Rejeito radioativo Material radioativo ou contaminado, 
com radionuclídeos, proveniente de 
laboratório de análises clínicas, serviços 
de medicina nuclear e radioterapia.
4. Resíduo farmacêutico Medicamento vencido, contaminado, 
interditado ou não utilizado.
5. Resíduo químico 
perigoso
Resíduo tóxico, corrosivo, inflamável, 
explosivo, reativo, genotóxico ou muta-
gênico, conforme NBR 10004 (BRASIL, 
2004).
C. Comum - Todos aqueles que não se enquadram nos 
tipos A e B e que, por sua semelhança aos 
resíduos domésticos, não oferecem risco 
adicional à saúde pública. Por exemplo: 
resíduo da atividade administrativa, dos 
serviços de varrição e limpeza de jardins 
e restos alimentares que não entraram em 
contato com pacientes.
Fonte: adaptado de ABNT (1993).
A Resolução CONAMA nº 358/2005 (BRASIL, 2005) determinou que 
os EAS deveriam ser responsáveis pelo gerenciamento dos resíduos sólidos 
descartados pela edificação, desde a geração até a disposição final, a partir 
da apresentação de um Plano de Gerenciamento de Resíduos de Serviços de 
Saúde (PGRSS). O gerenciamento de resíduos garante que não só os próprios 
pacientes do EAS, como também a população geral estejam protegidos de 
contaminações que podem ser contraídas a partir do contato com resíduos 
infecciosos. Afinal, o descarte inadequado desses resíduos poderá poluir o 
solo e a água, contaminando o meio ambiente e causando danos aos indiví-
duos e à natureza. A resolução dá diversas orientações para o descarte correto 
dos materiais de acordo com uma classificação própria em: grupo A (agentes 
biológicos), grupo B (substâncias químicas), grupo C (radiológico), grupo 
D (sem risco, comparados aos resíduos domiciliares) e grupo E (materiais 
perfurocortantes).
Para que o gerenciamento dos resíduos funcione adequadamente, os 
dejetos devem ser segregados de acordo com a sua classe logo no momento 
em que foram gerados, a fim de reduzir o volume de resíduos e facilitar o 
seu descarte correto. Dessa forma, é necessária a adoção de um sistema de 
expurgo hospitalar, que consiste em uma forma de despejo para os resíduos 
82
provenientes, principalmente,de procedimentos cirúrgicos, em que há a 
excreção de resíduos sólidos (como tecidos e órgãos) e soluções líquidas 
(como sangue e secreções orgânicas).
Reflita
Todos os ambientes do EAS produzem algum tipo de resíduo. Desde 
um papel com uma anotação, que foi amassado pela secretária, até 
produtos oriundos de procedimentos cirúrgicos, como partes de tecido 
e órgãos. Se os resíduos podem ser classificados como infecciosos, 
como será a classificação do ambiente onde o resíduo foi produzido?
Classificação dos ambientes hospitalares
A ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) classifica os 
ambientes hospitalares de acordo com o risco para o desenvolvimento de 
infecções (BRASIL, 2009). São elas:
• Áreas não críticas: risco mínimo ou inexistente. São caraterizadas 
por ambientes onde não são realizadas atividades assistenciais ou que 
não apresentam processos que envolvem materiais contaminantes 
(exceto quando estão embalados e protegidos). Exemplos: escritórios, 
almoxarifados, salas administrativas, entre outros.
• Áreas semicríticas: risco baixo a moderado. Consiste em ambientes 
onde são realizadas atividades assistenciais não invasivas em 
pacientes que não têm infecções ou contaminações biológicas, ou 
quando os procedimentos envolvem a utilização de materiais esteri-
lizados que entraram em contato com a pele não íntegra ou com 
mucosa. Exemplos: enfermarias, consultórios e área limpa de lavan-
deria hospitalar.
• Áreas críticas: alto risco. São os ambientes onde são realizados proce-
dimentos invasivos, envolvendo o uso de equipamentos que penetram 
tecidos ou órgãos, ou que apresentam pacientes suscetíveis aos 
agentes infecciosos ou portadores de microrganismos de importância 
epidemiológica. Exemplos: salas de cirurgia, UTI, salas de hemodiá-
lise, salas de isolamento, CME, bancos de sangue e área suja de lavan-
deria hospitalar.
Cada uma dessas áreas deverá ser submetida a procedimentos de esterili-
zação e desinfecção, de acordo com o risco apresentado. Nas áreas não críticas, 
o uso do álcool líquido é suficiente para promover a assepsia, enquanto em 
áreas críticas deverão ser utilizados outros materiais desinfetantes mais 
83
potentes, como hipoclorito de sódio, formaldeído, compostos fenólicos e 
iodo. Ainda, os profissionais que realizarão os procedimentos deverão estar 
devidamente protegidos com Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), 
como luvas, máscaras, protetores faciais ou óculos, gorros e aventais.
Exemplificando
Centros cirúrgicos: exemplo de área crítica
Um exemplo de área crítica são os centros cirúrgicos, onde os cuidados 
com a circulação de equipamentos e resíduos deverão ser redobrados, 
a fim de evitar a infecção hospitalar. O organograma do centro cirúrgico 
(Figura 2.10) poderá auxiliar na compreensão de como são realizadas as 
trocas e movimentações de pacientes e resíduos.
Figura 2.10 | Organograma do centro cirúrgico
Fonte: adaptada de Góes (2004).
Com as análises e informações acerca do programa de necessidades para 
espaços assistenciais de saúde, encerramos mais uma seção sobre arquitetura 
hospitalar. O próximo passo será organizar os ambientes a partir da identifi-
cação de setores e fluxos.
Sem medo de errar
Você é um arquiteto contratado por um escritório especializado em arqui-
tetura hospitalar. A sua equipe participará do desenvolvimento de um projeto 
84
de uma Unidade Básica de Saúde (UBS) do bairro novo da cidade onde mora. 
Chegou a hora de determinar o programa de necessidades da UBS.
O edital do projeto requer que sejam seguidas as recomendações do Manual 
de Estrutura Física das Unidades Básicas de Saúde, publicado pelo Ministério 
da Saúde (BRASIL, 2006). De acordo com o edital, a UBS terá capacidade 
de 2.400 a 4 mil pessoas, o que demandará apenas uma equipe de Saúde da 
Família. De acordo com o manual, as atividades realizadas na UBS são:
a. Mapeamento da área adscrita e dos equipamentos sociais presentes 
nesse território, como escolas, associações comunitárias, ONGs etc.
b. Planejamento, busca ativa, captação, cadastramento e acompanha-
mento das famílias de sua área adscrita.
c. Acolhimento, recepção, registro e marcação de consultas.
d. Ações individuais e/ou coletivas de promoção à saúde e prevenção de 
doenças.
e. Consultas médicas e/ou de enfermagem.
f. Consultas e procedimentos odontológicos, quando existir a equipe de 
saúde bucal.
g. Realização de procedimentos médicos e de enfermagem: imunizações, 
inalações, curativos, drenagem de abscessos e suturas, administração de 
medicamentos orais e injetáveis, terapia de reidratação oral etc.
h. Atendimento em urgências básicas de médicos, de enfermagem e de 
odontologia.
i. Realização de encaminhamento adequado das urgências, emergên-
cias e de casos de maior complexidade.
Para isso, o mesmo manual sugere a estrutura física indicada na Quadro 2.4.
Quadro 2.4 | Estrutura física de uma UBS com uma equipe de Saúde da Família
Ambiente Quantidade 
Recepção para pacientes e acompanhantes. 1
Sala de espera para pacientes e acompanhantes. 1 a 3
Consultório com sanitário. 1
Consultório. 1
Sala de procedimentos. 2
Almoxarifado. 1
85
Ambiente Quantidade 
Consultório odontológico com área para escovário. 1
Área para compressor e bomba a vácuo. 1
Área para Depósito de Material de Limpeza (DML). 1
Sanitário (para usuários). 2
Copa/cozinha alternativa. 1
Sala de utilidades. 1
Área para reuniões e educação em saúde. 1
Abrigo de resíduos sólidos. 1
Se a UBS proceder à esterilização no local:
Sala de esterilização e estocagem de material esterilizado.**
1
Se a UBS proceder à esterilização no local:
Sala de recepção, lavagem e descontaminação.*
1
* Pode ser substituída pela sala de utilidades, se essa for contígua à sala de esterilização e esto-
cagem de material esterilizado.
** Muitos municípios de médio e grande porte optam por centralizar a esterilização em uma 
unidade de esterilização vinculada a unidades de referência ou hospital, como forma de reduzir 
custos de manutenção, com garantia de qualidade.
Fonte: BRASIL (2006).
A sua tarefa será aprimorar a sugestão de estrutura física disponibilizada 
pelo Ministério da Saúde, acrescentando os equipamentos utilizados em 
cada sala. Elabore uma tabela que contenha o nome do ambiente, a descrição 
das atividades e procedimentos que serão realizados nele, os equipamentos 
necessários para a sua execução e a quantidade a ser implantada. Imprima-a 
em folhas de sulfite e anexe-a ao memorial descritivo que será entregue no 
final da disciplina.
Avançando na prática
Análise de fatores de qualidade dos ambientes
A qualidade dos espaços hospitalares é entendida, principalmente, pela 
prevenção de infecções hospitalares. Nós já vimos, em seções anteriores, que 
existem outros fatores que interferem na qualidade ambiental.
86
Imagine que você foi convidado por uma instituição de ensino para 
palestrar sobre a qualidade ambiental em edificações da área da saúde. Você 
deverá elaborar um roteiro de apresentação, em forma de texto, que descre-
verá quais são os fatores que influenciam a qualidade dos espaços.
Resolução da situação-problema
Retome os conceitos acerca da funcionalidade, da legislação, do conforto 
ambiental e da humanização, vistos anteriormente, e escreva um texto, como 
se fosse um roteiro para a apresentação de uma palestra, sobre as condições 
de qualidade ambiental em espaços hospitalares. Inclua na apresentação 
informações sobre a localização geográfica, o aproveitamento dos recursos 
naturais e as condições exigidas pelas normas. Você poderá estruturar o 
roteiro partindo de uma escala macro para uma escala micro. Para isso, 
relembre os conceitos de Vitruvius para o local de implantação do empre-
endimento, as características de conforto térmico apresentadas pelo manual 
de Normas para Projetos Físicos de Estabelecimentos Assistenciais de Saúde 
(BRASIL, 1994) e os sistemas de controle de infecção hospitalar apresentados 
nesta seção. Utilize imagens parailustrar o texto, e não se esqueça de citar a 
fonte. O texto deverá ter, no mínimo, 3 (três) páginas e poderá ser digitado 
(com fonte Arial tamanho 12) ou manuscrito. Anexe o roteiro ao memorial 
descritivo que será entregue ao final da disciplina.
Faça valer a pena
1. A qualidade dos ambientes em Estabelecimentos Assistenciais de Saúde 
(EAS) é determinada, principalmente, pelo controle de agentes nocivos à 
saúde humana e que podem causar infecções hospitalares. Sobre isso, analise 
as afirmativas a seguir:
I. Os ambientes do EAS serão classificados em infectantes, especiais e 
comuns, a fim de verificar qual o risco para o desenvolvimento de 
infecções.
II. O expurgo consiste em um setor do hospital destinado ao descarte 
dos resíduos gerados no local, em diversos tipos de procedimentos.
III. Os espaços do empreendimento deverão ser submetidos a procedi-
mentos de esterilização e desinfecção, de acordo com o risco para 
desenvolvimento de infecções apresentado.
Assinale a alternativa correta.
a. Apenas as afirmativas I e II estão corretas.
87
b. Apenas as afirmativas I e III estão corretas.
c. Apenas as afirmativas II e III estão corretas.
d. Apenas a afirmativa III está correta.
e. As afirmativas I, II e III estão corretas.
2. O Ministério da Saúde (BRASIL, 1994) identifica nove funções básicas 
dos Estabelecimentos Assistenciais de Saúde (EAS), além das atividades 
realizadas em cada uma dessas atribuições. De acordo com as informações 
apresentadas a seguir, faça a associação das atribuições contidas na Coluna A 
com sua respectiva atividade na Coluna B.
COLUNA A COLUNA B 
I. Ações básicas de saúde. 1. Desenvolvimento de pesquisas da área da saúde.
II. Ambulatório. 2. Atendimento à saúde de pacientes externos.
III. Atendimento imediato. 3. Planejamento clínico e documentação.
IV. Internação. 4. Prevenção à saúde.
V. Diagnóstico e terapia. 5. Lavanderia.
VI. Apoio técnico. 6. Patologia clínica.
VII. Ensino e pesquisa. 7. Cirurgias e exames endoscópicos.
VIII. Apoio administrativo. 8. Atendimento para pacientes internos.
IX. Apoio logístico. 9. Nutrição, farmácia e esterilização de materiais.
Assinale a alternativa com a associação correta.
a. I-D; II-G; III-B; IV-H; V-F; VI-I; VII-A; VIII-C; IX-E.
b. I-G; II-A; III-I; IV-B; V-E; VI-F; VII-H; VIII-D; IX-C.
c. I-C; II-B; III-H; IV-D; V-G; VI-E; VII-A; VIII-I; IX-F.
d. I-A; II-F; III-B; IV-H; V-G; VI-E; VII-I; VIII-D; IX-C
e. I-F; II-H; III-E; IV-I; V-A; VI-G; VII-D; VIII-C; IX-B.
3. O programa de necessidades é uma das primeiras etapas de elaboração 
do projeto arquitetônico. Com base nisso, avalie as seguintes asserções e a 
relação proposta entre elas:
88
I. O programa de necessidades é imprescindível para um projeto arqui-
tetônico, pois é a partir dele que serão determinadas as atividades 
a serem realizadas na edificação. A identificação dos equipamentos 
utilizados também faz parte do programa de necessidades, visando 
entender o funcionamento do edifício.
PORQUE
II. A qualidade dos ambientes hospitalares é determinada, principal-
mente, pela sua capacidade de preservar a saúde dos pacientes e 
usuários. Dessa forma, os ambientes são classificados em críticos, 
semicríticos e não críticos e cada um deverá receber tratamentos e 
cuidados específicos.
A respeito dessas asserções, assinale a alternativa correta.
a. As asserções I e II são proposições verdadeiras, mas a II não é uma 
justificativa da I.
b. As asserções I e II são proposições verdadeiras, e a II é uma justifica-
tiva da I.
c. A asserção I é uma proposição verdadeira, e a II é uma proposição 
falsa.
d. A asserção I é uma proposição falsa, e a II é uma proposição verda-
deira.
e. As asserções I e II são proposições falsas.
89
Seção 3
Conceito do projeto e a concepção do partido 
arquitetônico
Diálogo aberto
Olá, aluno. Nós estamos passando pelo momento mais importante do 
projeto arquitetônico: a concepção projetual. É a partir da organização clara 
dos elementos e das diretrizes, as quais conduzirão as ações do profissional, 
que o seu projeto se diferenciará daqueles idealizados por outros profis-
sionais. Essas etapas do processo projetual devem estar muito bem funda-
mentadas para que a funcionalidade das edificações não seja prejudicada. 
Dependendo do quão inadequada foi a concepção do projeto, isso poderá 
colocar em risco a vida do edifício, uma vez que este não seria utilizado pela 
população e se deterioraria devido à falta de manutenção.
Você foi contratado por um escritório de arquitetura especializado em 
arquitetura hospitalar e faz parte da equipe que participará de um concurso 
público para um projeto de uma Unidade Básica de Saúde (UBS) no bairro 
novo da cidade onde você mora. Até agora, a equipe já desenvolveu a análise 
do terreno e do entorno, o programa de necessidades e o conceito do projeto. 
A próxima etapa será sintetizar todas as informações para criar um partido 
arquitetônico. Assim, você e toda a equipe, dando continuidade ao desenvol-
vimento do projeto, passa para uma nova etapa, que os leva a pensar:
• Como será a organização dos espaços em edifícios hospitalares? 
• De que forma o fluxo impactará no funcionamento do hospital? 
• Como conceber uma forma arquitetônica?
Nesta seção, conheceremos os conceitos de setorização, que identificam 
as unidades funcionais do Estabelecimento Assistencial de Saúde (EAS), 
o fluxograma, que verifica os fluxos de circulação de pessoas e materiais, 
o plano de massas, o estudo volumétrico, que corresponde à forma do 
projeto, e o partido arquitetônico, o qual consiste nas diretrizes projetuais. 
Daremos continuidade ao método de projeto, iniciado em seções anteriores, 
que resultará na concepção de uma solução arquitetônica, a partir das 
etapas determinadas pelo idealizador do método, o arquiteto e matemático 
Christopher Alexander.
Vamos exercer a criatividade com croquis e diagramas espaciais. Prepare 
a sua prancheta!
90
Não pode faltar
Primeiramente, vamos relembrar o método desenvolvido por Christopher 
Alexander, que sistematiza o processo de criação (ALEXANDER, 1973) 
aplicado ao projeto arquitetônico (Figura 2.11).
Figura 2.11 | Etapas do design methods desenvolvido por Christopher Alexander
Conceituação Gerarrequisitos
Matriz
requisitos
Diagrama
espacial
Solução
arquitetônica
Fonte: adaptada de Góes (2004).
As etapas de conceituação e geração de requisitos, que correspondem ao 
programa de necessidades, já foram tratadas anteriormente. Portanto, passa-
remos ao próximo passo.
Matriz de requisitos
A matriz de requisitos consiste na sistematização do programa de neces-
sidades. Essa organização, por sua vez, é determinada pela setorização dos 
ambientes e pelos fluxos de circulação entre os espaços.
A setorização corresponde à ordenação dos ambientes de acordo com 
setores. Essa classificação é realizada de modo a identificar uma caracterís-
tica em comum dos ambientes, por exemplo, possuírem a mesma função 
(unidades funcionais) ou serem utilizados pelo mesmo público.
• Em uma casa, a setorização normalmente é feita com base no nível 
de privacidade dos usuários, sendo observados os setores social 
(aos quais a maior parte das pessoas tem acesso), de serviços (aos 
quais somente algumas pessoas têm acesso) e íntimo (normalmente, 
quando só os moradores e pessoas muito próximas têm acesso).
• No caso dos hospitais, a setorização pode ser realizada de acordo 
com a função, utilizando as atribuições básicas do Estabelecimento 
Assistencial de Saúde (EAS) determinadas pelo Ministério da Saúde 
(BRASIL, 1994). Vamos recordá-las: ações básicas de saúde, ambula-
tório, atendimento imediato, internação, diagnóstico e terapia 
(abrangem várias funções e podem ser destrinchados em exames 
clínicos e laboratoriais, hemoterapia e diálise, centro cirúrgico, mater-
nidade e reabilitação, por exemplo), apoio técnico (pode ser subdivi-
dido em nutrição, farmácia e centro de material esterilizado), ensino 
e pesquisa, apoio administrativo e apoiologístico. A partir dessas 
91
atribuições, é possível definir as unidades funcionais com maior 
precisão e aprofundamento.
Todos os ambientes necessários para realizar uma atividade farão parte 
de uma mesma unidade funcional e deverão estar agrupados para facilitar 
o fluxo entre eles. O acesso e, principalmente, as circulações são fatores que 
exercem muita influência no funcionamento do hospital, sob o risco do EAS 
se tornar inutilizado caso haja problemas de fluxo. No início do século XIX, 
a importância da setorização e organização dos fluxos foi reconhecida em 
uma publicação de Jacques Tenon, denominada Memórias nos Hospitais 
de Paris (TENON, 1816). Nesse relatório, Tenon identificou que quando as 
parturientes eram internadas em enfermarias adjacentes a pacientes infec-
tados, elas apresentavam taxa de mortalidade maior que o normal. Isso 
reforça a importância da correta setorização e distribuição dos fluxos dentro 
do hospital, visando a eliminação da contaminação hospitalar e buscando 
agilidade nos atendimentos prestados.
Assimile
No século XVIII, a comissão da Academia de Ciências de Paris estabeleceu 
novos parâmetros para a construção hospitalar. A tipologia pavilhonar 
buscava isolar as enfermarias e especializar os hospitais para diminuir a 
concentração de doentes e evitar a contaminação. No entanto, os longos 
corredores típicos dessa tipologia aumentam o tempo de deslocamento 
entre um setor e outro, o que minimiza a agilidade do atendimento. Por 
isso, o hospital do tipo monobloco se mostrou mais eficiente nesse 
sentido, pois apresentava corredores mais curtos dentro de um mesmo 
setor e utilizava elevadores para o deslocamento entre os pavimentos.
A organização dos fluxos e dos setores pode ser classificada de acordo 
com sua função ou público atingido. Por exemplo, um corredor onde apenas 
os funcionários da área da saúde do hospital têm acesso é denominado circu-
lação branca (TOLEDO, 2006). Com relação à função, é possível determinar 
duas categorias principais de fluxos hospitalares:
• Interfuncionais: desenvolvem-se entre diferentes unidades funcionais.
• Intrafuncionais: desenvolvem-se dentro de uma única 
unidade funcional.
Cada um deles possui subcategorias, de acordo com o Quadro 2.5. 
Enquanto os fluxos interfuncionais são categorizados com relação ao 
público atingido, a classificação dos fluxos intrafuncionais se dá pelo risco 
de infecção hospitalar.
92
Quadro 2.5 | Fluxos interfuncionais e intrafuncionais na arquitetura hospitalar
Fluxos Categoria Descrição
Interfuncionais Paciente externo Fluxo de pacientes que procuram atendi-
mento imediato (urgência e emergência), 
ambulatorial, ou de apoio ao diagnóstico e 
terapia e que não se encontram em regime 
de internação.
Paciente interno Fluxos de pacientes internados que ocorrem 
dentro da própria unidade de internação ou 
entre unidades funcionais, quando acompa-
nhados por funcionários. 
Acompanhantes Fluxo de familiares dos pacientes (internos 
e externos) que o acompanham durante a 
permanência no hospital.
Funcionários Fluxos dos profissionais de saúde e de todos 
os técnicos e pessoal de apoio necessários ao 
funcionamento da unidade. 
Insumos Fluxos de insumos (alimentos, roupa limpa, 
material cirúrgico, medicamentos, equipa-
mentos, etc.).
Material contaminado 
e resíduos sólidos
Fluxo de materiais contaminantes (roupa 
suja, resíduos de serviços de saúde, etc.) e pe-
los resíduos sólidos (contaminados ou não).
Cadáver Fluxo de circulação do corpo de pacientes 
que vieram à óbito.
Visitantes Fluxo de todas as pessoas externas que vão 
até o EAS para visitar pacientes internados, 
para alguma atividade administrativa ou 
prestação de serviços.
Intrafuncionais Contaminados Circulação que ocorre dentro de uma mes-
ma unidade funcional, que apresenta riscos 
de infecção hospitalar.
Não contaminados Circulação que ocorre dentro de uma mes-
ma unidade funcional sem risco de infecção 
hospitalar.
Fonte: adaptada de Toledo (2006).
Toledo (2006) destaca algumas observações com relação à categorização 
dos fluxos. No que diz respeito ao fluxo interfuncional de funcionários, é 
comum que se mescle com a circulação dos pacientes internados. No entanto, 
a circulação de funcionários não deve se misturar com a de pacientes externos. 
Pode acontecer de alguns funcionários terem sua circulação restrita à unidade 
funcional onde atuam, entretanto, o mais comum é que todos os profissionais 
93
da saúde estejam permitidos de circular pelo hospital. Em se tratando dos 
fluxos de insumos, deve-se atentar para o seu volume a fim de que o dimen-
sionamento dos corredores por onde passam esteja adequado. O fluxo de 
cadáveres deve ser tratado com cautela devido ao impacto psicológico causado 
nos pacientes e acompanhantes que possam ver o corpo. Por isso, a circulação 
do cadáver deve evitar as áreas de internação, sala de espera, refeitórios e outros 
ambientes que permitem o acesso a pacientes, acompanhantes e visitantes.
O risco de infecção hospitalar é altamente influenciado pelas circulações 
dentro do EAS. Com relação ao fluxo de resíduos, é recomendado que o trata-
mento dos agentes contaminantes seja feito diretamente na fonte, com a utili-
zação de procedimentos de desinfecção e técnicas adequadas de transporte até 
o seu destino final. Dessa forma, os fluxos intrafuncionais são os principais 
responsáveis por manter o controle da contaminação, sendo possível eliminar 
circulações exclusivas para os resíduos. Contudo, algumas restrições deverão 
garantir a assepsia dos materiais em cada unidade funcional, como a instalação 
de lavatórios nos ambientes das unidades funcionais e a utilização de barreiras 
físicas, como vestiários e antecâmaras, quando necessário (TOLEDO, 2006). 
Segundo as definições da Resolução nº 50 (BRASIL, 2002), as circulações das 
áreas críticas, ou seja, aquelas que apresentam um alto risco de contaminação 
hospitalar, devem permanecer com restrições e necessitam de barreiras físicas.
Da mesma forma que as circulações, os acessos também devem ser 
setorizados de acordo com o público, a função e os insumos envolvidos. O 
planejamento e organização dos fluxos de um EAS acontece por meio de 
um fluxograma, que consiste em um diagrama onde estarão representados 
os ambientes e suas inter-relações (Figura 2.12).
Figura 2.12 | Exemplo de fluxograma hospitalar simplificado
Fonte: elaborada pela autora.
94
Depois de determinados o programa de necessidades, a setorização 
e o fluxograma, chega o momento de organizar esses ambientes em um 
diagrama espacial.
Diagrama espacial
O diagrama espacial consiste no plano de massas e na volumetria.
• Plano ou estudo de massas: compreende a organização dos ambientes 
no terreno, levando em consideração a sua área, topografia e legis-
lação municipal (taxas, recuos, etc.). 
• Volumetria: compreende a relação de volumes, planos, cheios e 
vazios, ou seja, a idealização da forma arquitetônica da construção.
De acordo com Alexander (1964), o processo de criação da forma arqui-
tetônica deve ser conduzido de maneira racional e matemática. Segundo o 
autor, todos os processos de criação provêm da relação entre dois elementos: 
a forma e o contexto. Ele afirma que o produto final de um processo criativo 
corresponde à forma e que ela só poderá ser alcançada a partir de uma clareza 
programática na mente e nas ações do arquiteto. Essa percepção acerca 
dos conceitos que envolvem o projeto só será obtida quando o profissional 
encontrar a origem do problema que ele deve resolver. Forma, contexto e 
problema possuem uma relação linear, uma vez que “a forma é a solução 
para o problema; o contexto define o problema” (ALEXANDER, 1964, p. 15).
Reflita
O arquiteto Louis Henry Sullivan, precursor do movimento moderno, 
trouxe consigo o princípio que “a forma segue a função”, instaurando o 
funcionalismo racional que caracteriza este período (SULLIVAN, 1918). 
O pós-modernismo contestou esse princípio, alegando que o funciona-
lismodo período moderno e a falta de princípios artísticos resultava 
em uma desarmonia entre os espaços urbanos e a vida diária de seus 
habitantes (SITTE, 1992). Christopher Alexander (1964) diz algo comple-
tamente diferente: a forma não segue a função, tampouco a função 
segue a forma: ela é criada a partir do contexto. Qual é o seu modo de 
encarar o processo de criação da forma arquitetônica?
A visão de Alexander (1964) deixa claro a importância de se analisar o 
contexto, como visto anteriormente. A questão mais importante para um 
arquiteto se torna, portanto, a capacidade de gerar uma forma que seja 
funcional e confortável para seus usuários, a partir do contexto. Em outras 
95
palavras, o arquiteto deverá sintetizar a forma a partir do contexto, que nada 
mais é do que “a situação que envolve o edifício e tudo aquilo que constitui 
o ambiente onde o edifício opera, ou seja, não é apenas uma situação física, 
limitada por área, um terreno e suas características geográficas, mas todas 
as situações de uso, culturais, urbanas, estruturais, e assim por diante” 
(MOREIRA, 2007, p. 61). É a partir dessas informações que o arquiteto 
adquire subsídios para elaborar o partido arquitetônico.
Antes de mais nada, é necessário esclarecer uma confusão frequente entre 
os alunos de arquitetura: a diferença entre conceito e partido arquitetônico.
• Partido arquitetônico: consiste em uma diretriz projetual – ou, mais 
comumente, um conjunto de diretrizes projetuais – que são origi-
nadas de análises acerca do levantamento do entorno, caracterís-
ticas do terreno, programa de necessidades, organização funcional e 
espacial, entre outros aspectos. Ou seja, ele é influenciado por fatores 
externos, e o resultado dependerá da síntese realizada pelo arquiteto a 
partir dos dados e das informações que ele detém sobre esses fatores. 
• Conceito: não é determinado pelos fatores externos – eles podem 
estar relacionados, mas não apresentam a mesma condição de causa-
lidade como no partido arquitetônico.
Assimile
Um partido arquitetônico consiste em uma diretriz determinada 
pelo arquiteto a partir de um fator externo a ele e à construção. Por 
exemplo, a decisão de projetar um edifício de até 2 (dois) pavimentos 
(diretriz) está relacionada com a legislação municipal, cujos índices de 
uso e ocupação do solo (fatores externos) não permitem a construção 
de um edifício vertical com mais de dois pavimentos na zona onde o 
terreno está inserido. Relembre os exemplos apresentados anterior-
mente, quando aprendemos sobre a Matriz CDP. As diretrizes indicadas 
na tabela nada mais são do que dados e informações que norteiam o 
partido arquitetônico.
O conceito se difere do partido arquitetônico pois está muito mais 
relacionado com uma ideologia do profissional ou do cliente, do que com 
fatores externos. O conceito é algo que acrescentará uma qualidade “extra” 
ao projeto que fará com que a edificação se destaque, enquanto o partido 
arquitetônico provém da busca de soluções para aspectos que devem ser 
corrigidos visando o funcionamento adequado da construção. Ambos devem 
ser palpáveis, mensuráveis e passíveis de serem aplicados. O conceito poderá 
ser exposto a partir de pranchas informativas ou palestras, com frases de 
96
efeito que refletem a ideia principal do projeto. Já os partidos arquitetônicos 
serão apresentados por meio de diagramas sequenciais, que deverão explicar 
o processo mental e criativo que originou a forma arquitetônica.
Depois de desenvolver todas as etapas do processo criativo, o profissional 
chegará a uma solução arquitetônica, a qual dependerá dos diferentes fatores 
que envolvem o processo de projeto. Para ilustrar, veremos alguns exemplos 
de edifícios hospitalares.
Figura 2.13 | Hospital Netcare em Rosebank, Joanesburgo
Fonte: iStock.
Figura 2.14 | Clínica de Cleveland de Abu Dhabi, Emirados Árabes Unidos
Fonte: Shutterstock .
97
Figura 2.15 | Centro Médico Universitário Rush Tower em Chicago
Fonte: iStock.
Dessa forma, encerramos a etapa de concepção do projeto e iniciaremos 
o desenvolvimento da solução arquitetônica. Nas próximas unidades, trata-
remos sobre os desenhos técnicos, detalhamentos e a apresentação do projeto.
Sem medo de errar
O escritório onde você trabalha está participando de um concurso público 
para o projeto de uma Unidade Básica de Saúde (UBS) de um bairro novo na 
cidade. Você e sua equipe já desenvolveram o Plano Diretor Hospitalar (PDH), 
a análise do terreno, o conceito do projeto e o programa de necessidades. 
Agora, chegou a hora de aprofundarmos a concepção do projeto arquitetônico, 
e faremos isso dando continuidade à elaboração do projeto a partir do método 
desenvolvido pelo arquiteto Christopher Alexander (Alexander, 1964).
A primeira etapa do método, em que é realizada a conceituação, bem 
como a segunda etapa, que consiste na geração de requisitos ou no programa 
de necessidades, já foram desenvolvidas (examine seus trabalhos anteriores 
caso precise recordá-los). Nesta seção, iniciaremos as etapas de matriz de 
requisitos e diagrama espacial.
A matriz de requisitos corresponde à setorização e fluxograma, que deverão 
ser elaborados com base no programa de necessidades já desenvolvido. 
98
Primeiramente, identifique todos os setores que compõem uma UBS e, então, 
relacione cada um dos ambientes do programa de necessidades ao seu setor 
correspondente. Sugerimos que a setorização seja classificada em: 
• Atendimento primário (recepção, espera, marcação de consultas).
• Atendimento clínico (médico, odontológico e psicológico).
• Atendimento de enfermagem (curativos, procedimentos).
• Prevenção e saúde (imunização, coleta de materiais).
• Desinfecção e limpeza (central de material esterilizado, lavanderia, 
depósito de material de limpeza).
• Administração (gerência, sala de reuniões).
Fique à vontade para discutir com a sua turma e com o professor para 
encontrar outras possibilidades de setorização que se adequem ao programa 
de necessidades.
Com a setorização realizada, você deverá desenvolver o fluxograma do 
hospital. Não se esqueça de que o controle dos fluxos é um dos aspectos mais 
importantes para garantir o controle de infecções e contaminações e, conse-
quentemente, o funcionamento correto do Estabelecimento Assistencial de 
Saúde (EAS). Como a UBS é uma unidade de saúde de menor complexidade, 
alguns fluxos não existirão, por exemplo, o fluxo de pacientes externos prove-
nientes de atendimentos de emergência ou o fluxo de cadáveres, uma vez que 
a UBS não realiza procedimentos de alta complexidade, devendo estes serem 
encaminhados para o EAS competente. 
É preciso deixar claro que setorização e fluxograma não estão relacio-
nados com planta baixa. Essas análises são apenas etapas da concepção 
do projeto e não representam um posicionamento físico das unidades no 
terreno de implantação. O plano de massas e o estudo volumétrico, corres-
pondente à etapa de diagrama espacial, determinarão a forma do edifício e, 
consequentemente, a planta baixa.
O diagrama espacial consiste no resultado da aplicação dos partidos arqui-
tetônicos. Recupere suas atividades realizadas anteriormente e veja quais 
foram as diretrizes que você determinou na Matriz CDP, pois elas serão os 
seus partidos arquitetônicos. Se necessário, revise-as com base nos assuntos 
discutidos nesta seção. Você deverá apresentar o plano de massas por meio 
de diagramas, croquis, esquemas e outros meios gráficos que permitam a 
compreensão dos partidos arquitetônicos adotados. Legende os desenhos 
com frases objetivas e curtas para facilitar o entendimento.
99
Ao final da atividade, você deverá produzir duas pranchas, uma para cada 
etapa do método que desenvolveu nesta seção. Organize as informações em 
pranchas no tamanho A3 diagramadas, que poderão ser realizadas tanto à 
mão quanto com o auxílio de softwares gráficos.
Avançando na prática
Desenvolvimento de um centro cirúrgico
Imagine que você é um arquiteto especialista em arquiteturahospitalar 
e foi contratado por um hospital privado para construir um novo bloco de 
centro cirúrgico. A direção do hospital determinou que a construção deverá 
ter quatro salas de cirurgia, uma sala de recuperação pós-anestésica, sala de 
expurgo, sala de materiais, sala de prescrição/consultório médico e vestiários, 
além das salas de barreiras físicas e circulações. A construção será realizada 
como um anexo, e o acesso a ela será feito a partir de uma circulação que leva 
até a ala de internação existente. A planta a seguir (Figura 2.16) apresenta os 
elementos existentes ao qual o projeto de ampliação deverá se adequar.
Figura 2.16 | Área disponível para implantação do centro cirúrgico
Fonte: elaborada pela autora.
Resolução da situação-problema
Para propor uma solução de ampliação do hospital, você deverá desen-
volver um centro cirúrgico conforme as especificações da diretoria. Para isso, 
100
o processo metodológico segue os mesmos princípios de qualquer outro 
projeto arquitetônico: você deverá inicialmente definir o programa de neces-
sidades, a setorização e o fluxograma. Uma vez que não existem condicio-
nantes significantes no terreno, a não ser o ponto de acesso que conectará 
a ampliação com o edifício existente, a determinação de partidos arquitetô-
nicos é simplificada. Lembre-se dos fluxos internos do centro cirúrgico e das 
medidas para evitar a contaminação. Um exemplo pode ser observado na 
planta baixa da ampliação do Hospital Adventista de São Paulo (Figura 2.14).
Figura 2.14 | Ampliação do centro cirúrgico do Hospital Adventista de São Paulo.
Fonte: elaborado pela autora.
Não é necessário que a planta baixa do seu projeto acompanhe os limites 
da área disponível. Você pode propor formas e organizações dos ambientes 
de forma diferente da geometria retangular, desde que atendam ao funciona-
lismo proposto.
Faça valer a pena
1. Christopher Alexander (1964) é um arquiteto e matemático austríaco 
que desenvolveu um método de projeto que passa por várias etapas. Em seu 
livro Notas sobre a Síntese da Forma, ele diz que a forma é a solução para um 
problema, e o problema é gerado pelo contexto.
Com relação ao processo projetual, associe a coluna A, que representa as 
etapas do design methods desenvolvido pelo arquiteto, com a coluna B, que 
mostra os produtos desenvolvidos em cada etapa.
101
Coluna A Coluna B
Conceitualização Plano de massas e volumetria
Geração de requisitos Setorização e fluxograma
Matriz de requisitos Conceito
Diagrama espacial Projeto
Solução arquitetônica Programa de necessidades
Assinale a alternativa que apresenta a associação correta entre as colunas.
a. A-III; B-II; C-V; D-IV; E-I.
b. A-II; B-V; C-I; D-IV; E-III.
c. A-III; B-V; C-II; D-I; E-IV.
d. A-V; B-II; C-I; D-IV; E-III.
e. A-III; B-II; C-IV; D-I; E-V.
2. A setorização é um dos processos projetuais que o arquiteto deve realizar 
visando o funcionamento adequado da edificação. Com base nisso, avalie as 
afirmativas a seguir:
I. A setorização, também chamada de zoneamento, consiste na catego-
rização dos ambientes em unidades funcionais.
II. A setorização de um Estabelecimento Assistencial de Saúde (EAS) será feita 
sempre da mesma forma, pois existem leis que regulamentam seu projeto.
III. Cada setor do projeto hospitalar deve ser pensado como uma unidade 
individual que funciona de forma completa e se relaciona com outros 
setores.
IV. Os fluxos entre um setor e outro são chamados de interfuncionais, 
enquanto aqueles realizados dentro do mesmo setor são os fluxos 
intrafuncionais.
Assinale a alternativa correta:
a. As alternativas I, II e III estão corretas.
b. As alternativas I, III e IV estão corretas.
c. As alternativas II e III estão corretas.
d. As alternativas II e IV estão corretas.
e. As alternativas I, II, III e IV estão corretas. 
102
3. Uma das últimas etapas do processo projetual desenvolvido pelo arquiteto 
Christopher Alexander (1964) consiste na elaboração do diagrama espacial. 
Com relação a isso, avalie as afirmativas a seguir:
I. O diagrama espacial corresponde ao plano de massas, que determina 
a volumetria da edificação considerando aspectos estéticos dos estilos 
arquitetônicos.
II. Os partidos arquitetônicos são diretrizes projetuais desenvolvidas 
com base nos aspectos externos, que resultarão na volumetria da 
edificação.
III. Plano de massas e partido arquitetônico são duas formas diferentes de 
nomear o processo pelo qual a edificação ganha forma.
Assinale a alternativa correta:
a. As alternativas I, II e III estão corretas.
b. As alternativas I e III estão corretas.
c. As alternativas II e III estão corretas.
d. As alternativas I e II estão corretas.
e. Apenas a alternativa II está correta.
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https://new.usgbc.org/leed
https://www.youtube.com/watch?v=xeGirUIlq0s
https://www.youtube.com/watch?v=xeGirUIlq0s
Unidade 3
Carolina Cardoso
Desenvolvimento do projeto
Convite ao estudo
Olá, aluno, vamos dar continuidade ao desenvolvimento do projeto 
arquitetônico. Você sabe como dimensionar uma edificação? Quais são as 
tipologias estruturais e como elas se comportam? Quantos e quais desenhos 
técnicos devem ser apresentados para a compreensão do projeto?
Nesta unidade, daremos continuidade às etapas do processo projetual a 
partir da confecção de uma solução arquitetônica. Para isso, você aprenderá 
sobre o dimensionamento dos ambientes, sobre a definição de um sistema 
estrutural e sobre a confecção dos desenhos técnicos. Ao final dessa traje-
tória, você compreenderá a importância do dimensionamento dos espaços, 
seus materiais e as especificidades de projetos de edifícios de saúde.
Imagine que você tenha sido contratado por um escritório de arquite-
tura que desenvolve projetos de arquitetura hospitalar. A cidade onde você 
trabalha, localizada no interior do estado, tem apresentado um crescimento 
urbano intenso, e, por essa razão, a prefeitura inaugurou recentemente 
um novo loteamento. Para atender às necessidades da população do novo 
bairro, a prefeitura municipal abriu um edital de concurso público para o 
projeto arquitetônico de uma Unidade Básica de Saúde (UBS). Os requisitos 
impostos pelo edital do concurso incluem a apresentação de um projeto 
arquitetônico, no nível de anteprojeto, de um Estabelecimento Assistencial 
de Saúde (EAS) com capacidade para atender entre 2.400 e 4.000 pacientes, 
respeitando todos os critérios estabelecidos pelo Manual de Estrutura Física 
das Unidades Básicas de Saúde, publicado pelo Ministério da Saúde.
Você já iniciou o processo criativo que envolve a concepção de um 
projeto arquitetônico. Até agora, você desenvolveu o programa de neces-
sidades, a setorização, o fluxograma e o plano de massas, alinhado com 
os partidos arquitetônicos e com o conceito do projeto. Inicialmente, você 
deve alinhar o dimensionamento dos ambientes ao porte e às atividades 
desenvolvidas no EAS. Os espaços de cada setor devem ser adequados às 
dimensões recomendadas ou exigidas pelas normas para o perfeito funcio-
namento da edificação de saúde.
Na segunda etapa, você deve incorporar um sistema estrutural que permita 
a segurança, plasticidade e flexibilidade do projeto. A modulação da estrutura 
é de extrema importância, pois é ela que determina a disposição dos ambientes.
E, finalmente, na última etapa, todos os estudos e análises realizados até o 
momento devem ser condensados em uma proposta projetual e apresentados 
na forma de desenhos técnicos.
Na primeira seção de estudo, você alinhará o dimensionamento dos 
ambientes ao porte e às atividades desenvolvidas no EAS. Os espaços de cada 
setor devem ser adequados às dimensões recomendadas ou exigidas pelas 
normas para o perfeito funcionamento da edificação de saúde. Na segunda 
seção, você incorporará um sistema estrutural que permita a segurança, 
plasticidade e flexibilidade do projeto. E, finalmente, na terceira seção, todos 
os estudos e análises realizados até o momento deverão ser condensados em 
uma proposta projetual e apresentados na forma de desenhos técnicos.
109
Seção 1
Pré-dimensionamento do edifício
Diálogo aberto
Você presta atenção nas medidas dos mobiliários ao seu redor? Sabe 
quanto mede uma cadeira? E uma mesinha lateral? Se elas forem colocadas 
juntas, quanto espaço elas vão ocupar? E se, em vez da mesinha lateral, houver 
uma escrivaninha? Existe uma infinidade de mobiliários e equipamentos que 
são dispostos nos ambientes das mais diversas formas. Cada um dos objetos 
ocupa uma área determinada pela sua forma sólida, e os seres humanos se 
encarregam de ocupar os vazios, originando as áreas de circulação.
Quando projetamos um edifício, devemos ter em mente que esse espaço 
abrigará atividades humanas e, portanto, deve fornecer os meios adequados 
para a execução delas. Cada compartimento exercerá uma função diferentee necessitará de objetos específicos. Não é viável projetar uma cozinha sem 
uma geladeira, da mesma forma que uma sala cirúrgica não funcionará se 
não tiver uma mesa cirúrgica. Dessa maneira, o dimensionamento garante 
que as atividades estipuladas pelo programa de necessidades sejam possíveis 
de serem implementadas no espaço físico em questão.
Você trabalha em um escritório de arquitetura especializado em projetos 
de Estabelecimentos Assistenciais de Saúde (EAS), e a equipe da qual você 
faz parte vai participar de um concurso público para assumir um projeto de 
uma Unidade Básica de Saúde (UBS) no novo bairro da cidade, localizada no 
interior do estado. Você já possui o programa de necessidades, setorização, 
fluxograma e plano de massas. O próximo passo é organizar os ambientes em 
uma volumetria que possui dimensões próprias. Assim, você deve elaborar 
o dimensionamento dos espaços de acordo com as atividades envolvidas, a 
capacidade do público e as normas que regem os EAS.
Inicialmente, retome a tabela do programa de necessidades, que indica os 
ambientes e seus respectivos equipamentos. A partir das medidas do mobili-
ário, objetos e das áreas de circulação, identifique qual é o dimensionamento 
adequado para cada um dos espaços. Estabeleça o dimensionamento de cada 
setor a partir da soma das áreas dos ambientes que o compõem.
Nesta seção, aprenderemos como é feito o pré-dimensionamento e quais 
são as normativas que regulam o tamanho dos ambientes das edificações de 
saúde. Estudaremos as especificidades de todos os espaços do EAS: espaços 
assistenciais, unidades de internação, serviços de apoio a diagnóstico e 
terapia, setor de apoio técnico, logístico e administrativo. Vamos incorporar o 
110
conhecimento técnico ao processo criativo desenvolvido anteriormente para 
propor uma solução arquitetônica coerente e possível de ser implementada.
Não pode faltar
Quando iniciamos um projeto, principalmente quando se trata de algo 
grande e complexo, é imprescindível que seja realizado o pré-dimensiona-
mento dos espaços para que a volumetria do edifício possa comportar as ativi-
dades realizadas na edificação. Falhas no dimensionamento podem resultar 
em desperdício de recursos e de área, caso estejam superdimensionados, ou 
(o que é ainda pior) podem resultar em ambientes apertados, subdimensio-
nados, que anulam as possibilidades de uso e impedem o funcionamento do 
espaço (Figura 3.1), também ocasionando desperdício de recursos e de área.
Figura 3.1 | Erros de dimensionamento criam ambientes inutilizáveis
Fonte: Shutterstock.
No exemplo da Figura 3.1, o dimensionamento da sala de espera foi tão 
falho que impossibilitou a disposição correta do mobiliário, inutilizando o 
ambiente, visto que ele não apresenta as dimensões adequadas para servir 
à atividade a que se propõe: um ambiente para as pessoas aguardarem o 
atendimento médico.
111
Dimensionamento das áreas dos ambientes
Programa de necessidades
O dimensionamento das áreas dos ambientes deve ser calculado para 
abrigar os objetos com espaço mínimo para a utilização e circulação das 
pessoas. Assim, garantimos que o ambiente terá a área mínima necessária 
para seu perfeito funcionamento. O programa de necessidades configura-se 
como um pré-requisito para a elaboração do dimensionamento dos espaços, 
pois é nele que o projetista elenca todos os equipamentos necessários para 
a realização das tarefas e atividades desenvolvidas no ambiente. Com a lista 
dos equipamentos e mobiliários, você pode calcular a área que cada um deles 
deve ocupar, bem como a área correspondente à circulação.
Exemplificando
Vamos utilizar como exemplo um consultório médico sem indicação de 
especialização. O espaço precisa de uma mesa para atendimento, cadeira 
giratória e duas cadeiras simples (uma para o paciente e outra para o acompa-
nhante) para que o médico realize a primeira conversa com o paciente, 
analise exames, entre outros. É conveniente que haja um computador e 
uma impressora nessa mesa, para que o médico possa acessar o histórico 
do paciente ou prescrever medicações e exames. Para o atendimento clínico, 
é necessária a maca para exames, a mesa para instrumentos, um suporte 
para hamper (onde é depositada a roupa suja), além de uma escada de dois 
degraus para que o paciente suba na maca. Como suporte ao atendimento, 
o consultório deve ter um tripé para soro fisiológico, tripé de iluminação, 
balança antropométrica e um lavatório. Também é necessário um armário 
para o armazenamento de instrumentos médicos.
O primeiro passo é verificar a área que cada um dos objetos ocupa. Identi-
fique a largura e o comprimento de cada um deles e calcule sua área. 
Essas medidas são disponibilizadas nas especificações dos produtos. 
Também podemos utilizar uma medida padrão. Comecemos pela mesa 
de atendimento: uma medida comumente encontrada em mesas de 
escritório é de 150 cm x 60 cm. Fazendo o cálculo da área (largura x 
comprimento), temos 20,90m . Faça isso com todos os outros mobiliários 
e some todas as áreas encontradas. Ao final, adicione 30% para a área de 
circulação. O resultado será a área mínima para o ambiente.
112
Leis e normas regulamentadoras do dimensionamento
No dimensionamento, o profissional deve atentar para as normas e leis que 
regulamentam o tipo de edificação que será construída. Para residências, o 
código de obras do município fornece as dimensões mínimas dos ambientes. 
Da mesma forma, a Resolução RDC no 50 (BRASIL, 2002) indica o dimensio-
namento mínimo para os ambientes hospitalares. Considerando um consul-
tório indiferenciado, como no exemplo apresentado, a resolução estipula como 
área mínima 7,5 ²m , enquanto a dimensão mínima da sala é de 2,2 metros. O 
resultado do seu cálculo é maior ou menor que essa área?
Assimile
Para auxiliar no dimensionamento, você pode elaborar padrões de 
ambientes de acordo com a atividade pretendida. Desenhe uma planta 
baixa e organize o mobiliário e os equipamentos de forma adequada. Assim, 
além do dimensionamento mínimo, você terá um modelo de ambiente que 
pode ser utilizado no momento da confecção dos desenhos técnicos.
Voltemos ao exemplo do consultório indiferenciado: como você organi-
zaria esses objetos? Veja uma proposta na Figura 3.2.
Figura 3.2 | Layout de consultório indiferenciado
0 30 60 90 120cm
E075
E068
E010
E053
E044
E030
E008
M004
M001
E075
M009
M019
M006
M015 E043M015
M012
E057
M
1
M013
E054
E052
E008
E010
E030
E043
E044
E052
E053
E054
E057
E068- Balança antropométrica
- Biombo
- Escada com dois degraus
- Impressora
- Instrumentais cirúrgicos – caixa básica
- Mesa para exames
- Mesa auxiliar para instrumental
- Microcomputador
- Negatoscópio
- Refletor parabólico de luz fria
E075 - Suporte de hamper
M001
M004
M006
M009
M012
M013
M015
M019
- Armário vitrine com porta
- Balde cilíndrico porta detritos com pedal
- Cadeira
- Cesto de lixo
- Mesa para impressora
- Mesa para microcomputador
- Mesa �po escritório com gavetas
- Cadeira giratória com braços
Legenda:
113
0 30 60 90 120cm
E075
E068
E010
E053
E044
E030
E008
M004
M001
E075
M009
M019
M006
M015 E043M015
M012
E057
M
1
M013
E054
E052
E008
E010
E030
E043
E044
E052
E053
E054
E057
E068- Balança antropométrica
- Biombo
- Escada com dois degraus
- Impressora
- Instrumentais cirúrgicos – caixa básica
- Mesa para exames
- Mesa auxiliar para instrumental
- Microcomputador
- Negatoscópio
- Refletor parabólico de luz fria
E075 - Suporte de hamper
M001
M004
M006
M009
M012
M013
M015
M019
- Armário vitrine com porta
- Balde cilíndrico porta detritos com pedal
- Cadeira
- Cesto de lixo
- Mesa para impressora
- Mesa para microcomputador
- Mesa �po escritório com gavetas
- Cadeira giratória com braços
Legenda:
Fonte: Brasil (2011, [s.p.]).
O manual de Normas para Projetos Físicos de Estabelecimentos Assistenciais 
de Saúde (BRASIL,1994), publicado pelo Ministério da Saúde, determina algumas 
metragens mínimas para os ambientes de EAS de acordo com cada unidadefuncional (setor). Apesar de o manual apresentar uma listagem completa dos 
ambientes, ele destaca que a existência de cada um só acontecerá se a atividade 
correspondente a ele for oferecida pelo edifício de saúde.
Existem diversas tipologias de EAS e cada uma oferece serviços especí-
ficos. Por essa razão, nem todas as edificações de saúde têm todos os 
ambientes listados, mas apenas aqueles adequados para as atividades que 
exercem. No entanto, dentro de cada função exercida, existem ambientes 
obrigatórios para que ela seja realizada com eficiência.
Espaços assistenciais
Quando falamos nos espaços assistenciais, ou seja, aqueles voltados para 
as ações básicas de saúde, ambulatórios e procedimentos de enfermagem, 
necessitamos de ambientes que possibilitem a separação dos pacientes de 
acordo com o tratamento de que cada um necessita. São espaços onde o 
paciente receberá os primeiros atendimentos, com tratamentos de menor 
complexidade. Alguns dos espaços obrigatórios são: sala de atendimento 
individualizado (Figura 3.3a), sala de imunização (Figura 3.3b) e sala de 
curativos, suturas e coleta de material (Figura 3.3c).
114
Figura 3.3 | Dimensionamento de espaços assistenciais
a. Sala de atendimento individualizado: área mínima de 9,00 ²m e área média de 11,35 ²m
300 60 90 120cm
M019
M015 E043
M012
M013
E057
1
ME052
E030
M001
E008
E083
E075
M009
E010
M006
M015
E054
M004
E008
E010
E030
E043
E052
E054
E057
E075
E083
- Balança antropométrica
- Biombo
- Escada com dois degraus
- Impressora
- Mesa para exames
- Microcomputador
- Negatoscópio
- Suporte de
- Mesa auxiliar
hamper
M001
M004
M006
M009
M012
M013
M015
M019
- Armário vitrine com porta
Balde cilíndrico porta detritos com pedal
- Cadeira
- Cesto de lixo
- Mesa para impressora
- Mesa para microcomputador
- Mesa �po escritório com gavetas
- Cadeira giratória com braços
-
Legenda:
300 60 90 120cm
M019
M015 E043
M012
M013
E057
1
ME052
E030
M001
E008
E083
E075
M009
E010
M006
M015
E054
M004
E008
E010
E030
E043
E052
E054
E057
E075
E083
- Balança antropométrica
- Biombo
- Escada com dois degraus
- Impressora
- Mesa para exames
- Microcomputador
- Negatoscópio
- Suporte de
- Mesa auxiliar
hamper
M001
M004
M006
M009
M012
M013
M015
M019
- Armário vitrine com porta
Balde cilíndrico porta detritos com pedal
- Cadeira
- Cesto de lixo
- Mesa para impressora
- Mesa para microcomputador
- Mesa �po escritório com gavetas
- Cadeira giratória com braços
-
Legenda:
Fonte: adaptada de Brasil (2011, [s.p.]).
115
b. Sala de imunização: área mínima de 6,00 ²m e área média de 13,90 ²m
30 60 90 120cm
0
M015
M006
M006
E070
E017
M019
M003
E010
M009
M001
E030
M004
E052
E010
E017
E030
E052
E070
M001
- Biombo
- Caixa térmica
- Escadas com dois degraus
- Mesa para exames
- Refrigerador para vacinas
- Armário vitrine com porta
M003
M004
M006
M009
M015
M019
- Arquivo �po gaveta
- Balde cilíndrico porta detritos com pedal
- Cadeira
- Cesto de lixo
- Mesa �po escritório com gavetas
- Cadeira giratória com braços
Legenda:
Fonte: adaptada de Brasil (2011, [s.p.]).
116
c. Sala de curativos/suturas e coleta de material: área mínima de 9,00 ²m e área média de 
10,80 ²m
30 60 90 120cm0
M001E019
E075
E068
E012
E076
M024
M006
E053
E044
E030
E052
Armário suspenso
M004
M005
M004
E012
E019
E030
E044
E052
E053
E068
- Braçadeira de injeção
- Carro de cura�vos
- Escada com dois degraus
- Instrumentais cirúrgicos – caixa básica
- Mesa para exames
- Mesa auxiliar para instrumental
- Refletor parabólico de luz fria
M001
M004
- Armário vitrine com porta
- Balde cilíndrico porta detritos com pedal
M005
M006
M024
- Banqueta giratória/mocho
- Cadeira
- Cadeira universitária
E075
E076
- Suporte de
- Suporte de soro de chão
hamper
Legenda:
Fonte: adaptada de Brasil (2011, [s.p.]).
Unidades de internação
As unidades de internação necessitam principalmente dos quartos 
diferenciados para cada tipo de paciente (recém-nascido, infantil, adulto, 
queimados). A determinação do número de leitos dependerá do porte do 
EAS. Segundo as estatísticas nacionais, a média de internações provenientes 
117
de consultas ambulatoriais fica em torno de 10% a 18%, dependendo da região 
(GÓES, 2004). Para uma maior precisão no momento de projetar, o ideal é 
realizar o dimensionamento com base em pesquisas e estudos estatísticos na 
própria cidade (ou região) onde o EAS será implantado (GÓES, 2004).
Além dos quartos para os pacientes, o setor de internação conta com 
ambientes de apoio como posto de enfermagem e prescrição médica, salas 
de exames e enfermarias, que, assim como os quartos, também devem estar 
diferenciadas de acordo com a situação do paciente internado. Ainda, existem 
os ambientes que são obrigatórios, como a enfermaria de lactentes (Figura 
3.4a), o quarto de isolamento (para a Unidade de Tratamento Intensivo – 
UTI) (Figura 3.4b) e a sala de serviços (Figura 3.4c).
Figura 3.4 | Dimensionamento das unidades de internação
a. Enfermaria de lactentes: área mínima de 4,50 ²m por leito e área média de 32,80 ²m (6 leitos)
0 30 60 90 120cm
E071 E071
E071E071
M030
M004
M010
E056
M030 E056
E076
M004 M004
M030
M010
E056
E076
M004
M030
M010
E056
E076
E076
M010
E010
E010
E010 - Biombo
E056 - Berço hospitalar com colchão
E071 - Régua de gases
E075 - Suporte de hamper
E076 - Suporte de soro de chão
M004 - Balde cilíndrico porta-detritos com pedal
M010 - Mesa de cabeceira
M030 - Poltrona
Legenda:
Fonte: adaptada de Brasil (2013a).
118
b. Sala de serviços: área mínima de 5,70 ²m e área média de 7,20 ²m
E016 - Geladeira
- NegatoscópioE057
- ArmárioM002
- Balde cilíndrico porta detritos com pedalM004
M008 - Balcão com pia
M023 - Quadro de avisos
0 30 60 90 120cm
M002
E016
M004
M023
E057
Armário
suspenso
M008
Legenda:
Fonte: adaptada de Brasil (2013a).
c. Quarto : área mínima de 10,00 ²m e área média de 11,90 ²m
E018 - Cama hospitalar com colchãofawler
- Escada com degrausE030 dois
- Maca para transporteE049
- Suporte deE075 hamper
- Suporte de soro de chãoE076
E095 - Mesa para refeição
- Armário vitrine com portaM001 -
- Balde cilíndrico porta detritos com pedalM004 -
- Mesa de cabeceiraM010
- PoltronaM030
0 30 60 90 120cm
M004
E049
E095
M001
E075
E076
E030
M030
M010
E018
Legenda:
Fonte: adaptada de Brasil (2013a). Unidades de apoio a diagnóstico e terapia
119
Com relação aos serviços de apoio a diagnóstico e terapia, a quanti-
dade e o tipo de ambiente vão variar de acordo com as atividades oferecidas 
pelo EAS. Existem vários tipos de serviços dentro dessa unidade funcional, 
como os de reabilitação, imagenologia, anatomia patológica, hemoterapia 
e hematologia, medicina nuclear e patologia clínica. O dimensionamento 
depende dos equipamentos utilizados.
Na área da reabilitação, um dos ambientes obrigatórios é a sala para 
cinesioterapia e mecanoterapia (Figura 3.5a), enquanto na área de image-
nologia a sala de exames e terapias é obrigatória (Figura 3.5b). Na área de 
patologia clínica estão localizados os laboratórios, sendo o laboratório de 
bioquímica um exemplo deles (Figura 3.5c). Já a área de hematologia conta 
com a sala para coleta de sangue de doadores (Figura 3.5d).
Figura 3.5 | Dimensionamento das unidades de apoio ao diagnóstico e terapia
a. Sala para cinesioterapia e mecanoterapia: área mínima a depender do equipamento utilizado 
e área média de 45,40 ²m
0 60 120cm
E030
M004
E288
E213E213
E264
E170E170
E089
M006
M006
M006
E452
E052
E052
E030
E010
E262 Barra paralela
E262 - Espelho de postura
E264 - Tatame
- Barras de apoioE288
- Jogo de bolasE452 bobath
- Balde cilíndrico porta detritos com pedalM004
- CadeiraM006
E010 - Biombo
- Escada comE030 dois
- Mesa para examesE052
- Rampa com degrausE089
- Esteira ergométricaE170
- Bicicleta ergométricaE213
degraus
Fonte: adaptada de Brasil (2013a; 2013b; 2014).
120
b. Sala de exames e terapias: área mínima a depender do equipamento utilizadoe área média 
de 38,90 ²m
0 60 120 cm
E030 - Escada com dois degraus
E053 - Mesa auxiliar para instrumental
E057 - Negatoscópio
E068 - Refletor parabólico de luz fria
E076 - Suporte de soro de chão
E087 - Carro de anestesia
E088 - Carro de emergência
E160 - Hemodinâmica
E247 - Bomba injetora de contraste
M005 - Banqueta giratória/mocho
E057
E160
M005
E087
E088
E076
E053
E053
E053
E030
E068
E247
Legenda:
Fonte: adaptada de Brasil (2013a; 2013b; 2014).
121
c. Laboratório de bioquímica: área mínima de 6,00 ²m e área média de 20,20 ²m
0 60 120 cm
M006 M006
M004
E249
E143
M026
M005
M026
E227
Armário suspenso
E404
E233
E248
E228
E224
E229
E231
M019 M013
E155
E054
E043 - Impressora
E054 - Microcomputador
E134 - Centrífuga de mesa
E142 - Estufa bacteriológica
E143 - Freezer científico vertical 
E145 - Microscópio biológico binocular
E148 - Analisador de gases sanguíneos 
E155 - Banho-maria
E224 - Analisador automático para Na+, 
K+ e Cl-
E227 - Agitador de tubos
E228 - Analisador automático para 
bioquímica
E229 - Analisador para Ca++ e pH
E231 - Fotômetro para leitura em microplacas
E233 - Espectrofotômetro de absorção atômica
E248 - Bilirrubinômetro
E249 - Refrigerador laboratorial
M004 - Balde cilíndrico porta detritos com pedal
M005 - Banqueta giratória/mocho 
M006 - Cadeira
M012 - Mesa para impressora
M013 - Mesa para microcomputador
M019 - Cadeira giratória com braços
M026 - Mesa de trabalho tipo bancada
M048 - Mesa de trabalho em aço inox
Legenda:
Fonte: adaptado de Brasil (2013a; 2013b; 2014).
122
d. Sala para coleta de sangue de doadores: área mínima de 4,00 ²m por poltrona de doação e 
área média de 23,80 ²m (2 poltronas + 1 maca)
0 30 60 90 120 cm
Armário
suspenso
E083
E447 E447
E010
M004 E016
E010
M004 M004
E076 E076
E083
M004
E030
E076
E052
E083
E010 - Biombo
E016 - Geladeira
E030 - Escada com dois degraus
E052 - Mesa para exames
E076 - Suporte de soro de chão
E083 - Mesa auxiliar
E447 - Cadeira para doador de sangue
M004 - Balde cilíndrico porta detritos com pedal
Legenda:
Fonte: adaptada de Brasil (2013a; 2013b; 2014).
Reflita
Você percebeu que os dados dos livros Programação Arquitetônica de 
Unidades Funcionais de Saúde (Volumes 1, 2, 3 e 4), publicados pelo 
Ministério da Saúde, apresentam a área mínima e a área média para 
cada ambiente? A área média é sempre maior que a mínima estipu-
lada (BRASIL, 2011; 2013a; 2013b; 2014). A área mínima é suficiente 
para comportar os equipamentos de cada espaço, mas ela é capaz de 
promover o uso confortável e eficiente do espaço?
Áreas de apoio técnico, logístico e administrativo
Nas áreas de apoio, temos o dimensionamento do setor técnico, logístico 
e administrativo. No setor de apoio técnico, há espaços de nutrição e dieté-
tica, farmácia e central de material esterilizado. Na unidade funcional de 
apoio logístico, há o processamento de roupa, manutenção e administração 
de materiais e equipamentos, enquanto no apoio administrativo há serviços de 
administração (clínico, enfermagem e técnico), documentação e informação. 
Por fim, alguns EAS contam com a unidade funcional de ensino e pesquisa.
123
Pesquise mais
Assim como todas as outras unidades funcionais, os setores de apoio 
de ensino e pesquisa também possuem ambientes obrigatórios para o 
seu desenvolvimento. Você pode encontrá-los no manual de Normas 
para Projetos Físicos de Estabelecimentos Assistenciais de Saúde 
(BRASIL,1994), publicado pelo Ministério da Saúde (da página 78 a 91).
BRASIL. Ministério da Saúde. Normas para projetos físicos de 
estabelecimentos assistenciais de saúde. Brasília: DF/Ministério da 
Saúde,1994. p. 78-91.
Além das unidades funcionais descritas, existe outro fator que pode 
gerar aumento de áreas em um EAS: os ambientes voltados para a humani-
zação do espaço. Principalmente na Europa e nos Estados Unidos, algumas 
edificações de saúde contam com ambientes como galerias de arte, lojas, 
bancos, praças de alimentação, entre outros, que garantem uma atmosfera 
lúdica e descontraída, possibilitando o aumento do bem-estar dos pacientes 
e visitantes (GÓES, 2004).
O dimensionamento dos espaços em arquitetura hospitalar é complexo 
e envolve normativas federais (legislações e determinações do Ministério 
da Saúde) e municipais (Código de Obras e Plano Diretor Municipal). 
Esta seção de estudo serve de apoio para você aprender a dimensionar os 
ambientes corretamente, no entanto é imprescindível que você busque nos 
órgãos públicos dados mais precisos e abrangentes.
Sem medo de errar
O escritório onde você trabalha está participando de um concurso 
público para o projeto de uma Unidade Básica de Saúde (UBS) de um bairro 
novo na cidade. Sua equipe está prestes a concretizar a solução arquitetô-
nica que será submetida ao concurso. Para isso, é necessário sintetizar todo o 
processo criativo desenvolvido até o momento com os detalhes técnicos que 
garantirão o funcionamento do edifício.
Inicialmente, você deve elaborar o pré-dimensionamento dos ambientes 
listados no programa de necessidades. Lá você já determinou quais foram os 
equipamentos utilizados em cada um dos espaços. Agora você deve buscar 
informações sobre as dimensões médias e utilizá-las para determinar a área 
mínima de cada um deles.
124
Vamos utilizar como exemplo o consultório odontológico. Reveja os 
equipamentos necessários para a execução e incorpore suas dimensões 
(Quadro 3.1).
Quadro 3.1 | Pré-dimensionamento de equipamentos de consultório odontológico
EQUIPAMENTO MODELO/MARCA DIMENSÃO ÁREA
Conjunto odontológico S200F – Saevo Largura: 213 cmProfundidade: 204 cm 4,35 ²m
Mocho Slim – Shopfisio Largura: 55 cmProfundidade: 65 cm 0,36 ²m
Aparelho de raios x 
odontológico D70 – Xdent
Largura: 65 cm até 
140 cm
Profundidade: 65 cm
0,42 ²m
Mesa tipo escritório 
com gavetas
ME4113 – Tec-
nomobili
Largura: 60 cm
Profundidade: 155 
cm
0,93 ²m
Cadeiras para pa-
ciente (2)
Eiffel (Eames) – 
Mobly
Largura: 46 cm
Profundidade: 51 
cm
0,23 ² 20,48 ²m m´ 
Cadeira giratória 
com braços para o 
dentista
Escritório (Ea-
mes) – Mobly
Largura: 47 cm
Profundidade: 54 
cm
0,26 ²m
Armários para ar-
mazenamento (2)
ME4105 – Tec-
nomobili
Largura: 31,5 cm
Comprimento: 60 
cm
0,19 ² 20,38 ²m m´ 
Balde cilíndrico para 
descarte de material
94538130 – 
Tramontina Diâmetro: 29,5 cm 0,07 ²m 
Área para escovação 
e lavatório L.79S.17 – Deca
Largura: 42,5 cm
Comprimento: 92 
cm
0,39 ²m
Fonte: adaptado de https://bit.ly/2ZeCK3R; https://bit.ly/2ZamWiB; https://bit.ly/2ZduVM2; https://bit.
ly/30gnyVe; https://bit.ly/30hT1qj; https://bit.ly/2P4UkHN; https://bit.ly/30s05kh; https://bit.ly/2P4jF4zht-
tps://bit.ly/33JCtcH. Acesso em: 19 ago. 2019.
Realizando o cálculo do somatório de todas as áreas encontradas, temos
7,64 ²m . Mas, dessa forma, não sobra espaço para as áreas de circulação. 
Portanto, é preciso adicionar mais 30% para permitir o funcionamento do 
ambiente. Assim, a área mínima para o consultório odontológico passa a ser 
de 9,93 ²m . De acordo com a Resolução RDC no 50, a área mínima para 
consultórios odontológicos é de 9,00 ²m (bem próxima da que encontramos), 
sendo que a área média é de 16,40 ²m (BRASIL, 2002). Veja na Figura 3.6 um 
exemplo de layout para o ambiente que estamos analisando.
https://bit.ly/2ZeCK3R
125
Figura 3.6 | Modelo de consultório odontológico
E023
E067
M002
M004
- Conjunto odontológico
- Aparelho de raio x odontológico
- Armário
- Balde cilíndrico porta detritos com pedal
M005
M006 -
M015
M019
- Banqueta giratória/mocho
Cadeira
- Mesa �po escritório com gavetas
- Cadeira giratória com braços
0 30 9060 120cm
M004
M004
E023
M006
M019
M015
M005 E067
M002M002
Legenda:
Fonte: Brasil (2011, [s.p.]).
Agora repita o mesmo processo de dimensionamento para todos os 
ambientes listados em seu programa de necessidades. Se precisar, você pode 
desenhar o modelo do ambiente para facilitar o processo.
Avançando na prática
Compatibilização do plano de massas ao 
dimensionamentoOutra função para o dimensionamento das edificações é verificar as 
condições de implantação da construção no terreno pretendido. Dependendo 
da relação entre a área total da edificação e a área do terreno é possível deter-
minar se ele comporta a edificação ou não e qual será sua tipologia constru-
tiva (térreo ou em mais pavimentos). Dessa forma, sua tarefa será verificar se 
126
o terreno onde será implantada a Unidade Básica de Saúde (UBS) comporta 
a quantidade de ambientes determinada no programa de necessidades 
e se o plano de massas está adequado para o dimensionamento proposto. 
Lembre-se de verificar as restrições impostas pelas leis municipais e conside-
rá-las em seu estudo.
Resolução da situação-problema
Para verificar se o tamanho do terreno comporta o edifício, basta dividir 
a área do edifício (aquela que consta no dimensionamento) pela área do 
terreno. Se o valor for menor que 1, a construção pode ser realizada no 
terreno e ainda sobrará área disponível. Se o valor for igual a 1, a construção 
cabe no terreno inteiro, sem nenhuma área sobrante. E, se o valor for maior 
que 1, o terreno é pequeno para a construção, o que indica que ela deve ter 
mais de um pavimento ou, então, ter sua área reduzida.
Contudo, é preciso lembrar que o código de obras do município deter-
mina uma taxa de ocupação máxima e, portanto, nem sempre é possível 
construir utilizando toda a área do terreno inteiro. Nesse caso, para fazer o 
cálculo, a área do terreno deve ser compatível com o máximo a ser edificado. 
Por exemplo, se a taxa de ocupação for 75% e o terreno tiver 100 ²m , para 
fazer o cálculo da relação terreno x construção, você deve utilizar 75 ²m apenas.
Vamos imaginar um terreno hipotético de 200 ²m e taxa de ocupação 
igual a 70%. A área que permite construções será de 200 0,70 140 ²m m m´ = . 
Agora, imaginemos que a edificação que será implantada nesse terreno tenha 
um pré-dimensionamento de 440 ²m . A relação entre terreno x construção 
será igual a: 440 140 3,14= . Isso significa que a construção não cabe no 
terreno e terá de ser construída em mais de um pavimento – nesse caso, em 
4 pavimentos, pois não é possível construir 3 pavimentos e mais 1/7 (um 
sétimo) de um pavimento.
No entanto, devemos considerar, ainda, que o código de obras pode 
estabelecer uma taxa de ocupação diferente para o térreo e para os outros 
pavimentos. Vamos considerar que, nesse exemplo, a taxa de ocupação para 
os demais pavimentos (exceto térreo) seja de 40%. Como será feito o cálculo 
nesse caso? Sabemos que no pavimento térreo pode ser construído 140 ²m . 
Vamos subtrair essa área do total para descobrirmos quanto será distribuído 
nos outros pavimentos: 440 140 300 ²m- = . Agora, vamos verificar quanto é 
40% do terreno: 200 0,40 80 ²m m m´ = . O novo cálculo deve ser feito conside-
rando a área remanescente para os pavimentos além do térreo e a nova área 
de terreno possível de receber construções. Nesse caso, temos: 300 / 80 = 
3,75. Pelo fator de arredondamento, teremos 4 pavimentos de 75 ²m cada.
127
O resultado desse cálculo corresponde à tipologia construtiva da edifi-
cação: uma edificação de 5 pavimentos, sendo o térreo com 140 ²m e os 
demais com 75 ²m , totalizando 440 ²m .
Faça esse mesmo cálculo para o terreno onde será implantada a UBS e 
verifique se seu plano de massas está condizente com o dimensionamento e a 
legislação municipal. Caso não esteja, readéque o plano de massas.
Faça valer a pena
1. O dimensionamento dos espaços é um aspecto muito importante do 
processo projetual. Consiste na etapa de transição entre a concepção do 
projeto, de caráter criativo, e a solução arquitetônica, de caráter técnico.
Sobre o dimensionamento, avalie as afirmativas a seguir:
I. O dimensionamento consiste em verificar a área mínima dos espaços 
para que eles comportem todos os equipamentos necessários, permi-
tindo a utilização e circulação entre eles.
II. O dimensionamento possui caráter legal, devendo-se verificar nas 
legislações e normas quais são as áreas e dimensões mínimas para 
cada ambiente.
III. O dimensionamento é necessário apenas no momento da escolha do 
terreno, uma vez que é por meio dele que é estimada a área total da 
construção.
Assinale a alternativa que contém a(s) afirmativa(s) correta(s):
a. Apenas a afirmativa I está correta.
b. Apenas a afirmativa II está correta.
c. As afirmativas I e II estão corretas.
d. As afirmativas I e III estão corretas.
e. As afirmativas I, II e III estão corretas.
2. O posto de saúde da sua cidade está passando por uma ampliação. A 
gestão municipal quer aumentar o tamanho da sala de espera, que hoje fica 
frequentemente superlotada. A área disponível para ampliação corresponde 
a uma sala de 6,00 metros por 3,50 metros. Considere que essa área só será 
ocupada por cadeiras e que cada uma delas mede 45 cm x 50 cm.
Quantas pessoas essa nova sala de espera comportará?
128
a. 15 pessoas.
b. 30 pessoas.
c. 40 pessoas.
d. 60 pessoas.
e. 70 pessoas.
3. Joaquina é psicóloga e atua na área de terapia ocupacional. Ela pediu para 
que você desenvolvesse um projeto para seu consultório e forneceu a lista de 
equipamentos de que ela precisa.
Quadro | Listagem de equipamentos para consultório médico (neurologia)
EQUIPAMENTO LARGURA PROFUNDIDADE
Mesa tipo escritório com gavetas 60 cm 155 cm
Duas cadeiras para paciente 45 cm 50 cm
Cadeira giratória com braços 50 cm 50 cm
Maca para exames 70 cm 180 cm
Negatoscópio 80 cm 15 cm
Mesa para impressora 90 cm 80 cm
Armário para armazenamento de prontuários 150 cm 50 cm
Escada com dois degraus 70 cm 60 cm
Fonte: elaborado pela autora.
Joaquina pesquisou diversos estabelecimentos privados de saúde por 
salas para locação e pré-selecionou três delas: uma que apresenta 5,00 ²m e 
tem um aluguel mais baixo; outra que tem 7,00 ²m e está localizada em uma 
região central; e uma terceira que tem 10,00 ²m , mas fica muito longe do 
centro da cidade. A dúvida de Joaquina é: qual das três salas melhor se adequa 
às suas necessidades?
Assinale a alternativa que responde a dúvida de Joaquina.
a. O consultório de 5,00 ²m é suficiente, pois o pré-dimensionamento 
determinou uma área mínima de 4,90 ²m . Dessa forma, Joaquina 
pode se beneficiar do preço baixo do aluguel.
b. O consultório de 7,00 ²m é o mais adequado, pois o pré-dimensiona-
mento determinou uma área mínima de 6,37 ²m . Assim, o consultório 
de Joaquina estará mais bem localizado na cidade.
129
c. O consultório de 10,00 ²m é necessário, pois o pré-dimensionamento 
determinou uma área mínima de 7,35 ²m . Ainda que localizado longe 
do centro da cidade, Joaquina terá de alugar esse consultório.
d. Não importa o pré-dimensionamento do ambiente, pois a legislação 
nacional determina uma área mínima de 7,50 ²m . Portanto, o único 
consultório possível é o de 10,00 ²m .
e. Todos os consultórios estão adequados, portanto caberá a Joaquina 
decidir qual benefício ela deseja desfrutar (aluguel baixo, boa locali-
zação ou espaço amplo).
130
Seção 2
Sistema estrutural
Diálogo aberto
“Era uma casa muito engraçada, não tinha teto, não tinha nada. Ninguém 
podia entrar nela, não, porque na casa não tinha chão” (MORAES, 1980). 
Você certamente completou mentalmente a letra dessa música ou pode até ter 
cantarolado algum trecho dela. De uma forma lúdica, a música de Vinícius 
de Moraes representa o que aconteceria se as nossas construções não fossem 
dotadas de estrutura. Sem ela, não existiriam os elementos que sustentam os 
edifícios e lhe conferem forma, rigidez e segurança.
As construções não surgem do nada: elas são criadas com elementos 
sólidos como tijolos, cimento, concreto, aço, entre tantos outros materiais 
que, quando colocados juntos de maneira estratégica, formam a estrutura 
física dos edifícios. Existem, ainda, aqueles elementos que são responsáveis 
por suportar todo o peso e a carga que atuam sobre a construção, os quais 
fazem parte da denominada estrutura resistente. Existem várias possibili-dades de composição das estruturas, tanto em forma quanto em materiais, 
e cabe ao arquiteto compatibilizar o partido arquitetônico às tecnologias 
disponíveis no mercado.
Você é um dos arquitetos que compõem uma equipe de trabalho especializada 
em projetos de arquitetura hospitalar. Sua equipe vai participar de um concurso 
público para o projeto arquitetônico de uma Unidade Básica de Saúde (UBS) no 
novo bairro da cidade onde você mora. Você já tem todas as informações referentes 
à concepção do projeto, sua forma, seu conceito e sua função. Agora, chegou o 
momento de propor soluções técnicas para o desenvolvimento do projeto. Pesquise 
acerca dos sistemas estruturais disponíveis e selecione aquele que permita a plasti-
cidade do edifício e a flexibilidade dos ambientes, além, é claro, da segurança dos 
usuários. Depois da escolha da estrutura apropriada, determine o esqueleto do 
projeto: onde estão inseridos as vigas, os pilares e planos de piso e de cobertura. 
Trace a malha estrutural que sustentará o edifício levando em consideração o seu 
plano de massas e o dimensionamento dos espaços.
Nesta seção você conhecerá alguns dos sistemas de estrutura resistente mais 
utilizados e aprenderá a determinar a sua modulação e volumetria de acordo 
com os parâmetros de economia e funcionalidade. Além disso, você identifi-
cará as particularidades de compartimentação dos ambientes e conhecerá quais 
são os novos programas e tecnologias envolvidos na arquitetura hospitalar.
Vamos criar o esqueleto que sustentará o seu projeto!
131
Não pode faltar
Compreendemos por estrutura o conjunto de planos verticais e horizontais 
que solidificam as edificações. Os planos verticais compreendem paredes, pilares, 
esquadrias (aberturas de portas e janelas) e acabamentos (reboco e revestimentos). 
Já os planos horizontais são lajes, coberturas, contrapiso e piso. Entre estes, 
podemos identificar os elementos que fazem parte da estrutura resistente, ou seja, 
que suportam as cargas que atuam sobre a construção. São eles: pilares, vigas e lajes.
O arquiteto conta com diversas possibilidades de materiais para confec-
cionar a estrutura da edificação. Quando falamos de estrutura resistente, o 
mais comum no Brasil é o uso de estruturas de concreto armado, que consiste 
em unir a resistência à tração do aço com a resistência à compressão do 
concreto. Normalmente, são estruturas robustas, confeccionadas in loco (no 
local da obra) a partir da armadura das barras de aço, do cobrimento com o 
concreto (na forma líquida), moldadas com o auxílio de caixarias de madeira 
(que são descartadas ou reutilizadas em outra obra). Existe ainda a opção de 
se usar o concreto armado pré-moldado, em que os elementos (pilares, vigas 
e lajes) são confeccionados em uma indústria e transportados ao local da 
obra, onde serão montados. O concreto armado possui grande resistência ao 
fogo e é uma das estruturas que apresentam menor custo de execução.
Outro tipo de estrutura resistente é a metálica, na qual os pilares e as 
vigas são feitos em perfis metálicos produzidos industrialmente, utili-
zando principalmente o aço (ferro e carbono) como matéria-prima, o qual 
apresenta algumas vantagens, como tamanho reduzido (quando comparado 
ao concreto armado), maior velocidade de execução (se considerarmos o 
concreto feito in loco) e vãos livres maiores.
Assimile
O vão livre corresponde ao espaço existente entre dois pilares (Figura 3.7).
Figura 3.7 | Exemplo de vão livre na estrutura resistente
Fonte: elaborada pela autora.
132
Independentemente do tipo de estrutura resistente escolhido, todas as 
opções possuem propriedades de resistência diferentes, o que garante 
características específicas de dimensionamento e distanciamento de 
seus elementos para cada uma delas. A esse posicionamento de vigas e 
pilares damos o nome de modulação estrutural.
Uma vez que a modulação estrutural condiciona o tamanho dos espaços 
à distância entre um pilar e outro, ela terá grande influência sobre o 
tamanho dos ambientes.
Já sabemos que existem dimensões mínimas para os ambientes do 
Estabelecimento Assistencial de Saúde (EAS). Ora, se o ambiente possui 
uma medida mínima que influenciará a estrutura, e a estrutura possui uma 
modulação própria que afetará o tamanho do ambiente, como você, arqui-
teto, solucionará esse problema?
Saiba mais
Um estudo realizado por Peter Cowan e John Weeks analisou a dimensão 
dos compartimentos de hospitais britânicos e identificou que a maior 
parte das salas tinha 15 ²m (MIQUELIN, 1992). O mesmo estudo mostrou 
que a maioria das atividades humanas pode ser realizada em ambientes 
com menos de 20 ²m . Assim, é conveniente adotar uma modulação 
estrutural que permita a compartimentação de acordo com esses 
parâmetros.
Hoje em dia, existem sistemas estruturais que suportam vãos livres de 
15 metros (ou até mais). Você pode estar pensando: já que há essa possibili-
dade, por que não utilizar essa tecnologia e construir edificações sem pilares, 
ou com o mínimo possível deles, maximizando o tamanho dos vãos livres? 
Essa seria uma ótima alternativa se não fosse pelo alto custo de implantação 
desses sistemas estruturais avançados. Devemos lembrar que as edifica-
ções hospitalares são frequentemente construídas com verba pública e, por 
isso, devem visar ao menor custo possível. Portanto, a economia é o que, 
geralmente, norteia a definição da modulação estrutural e todos os outros 
aspectos do EAS.
Exemplificando
A modulação estrutural é realizada com base em uma malha ortogonal. 
A Portaria 400/BSB, de 6 de dezembro de 1977, que antecedeu a legis-
lação vigente, afirmava que a modulação mais adequada para as edifica-
ções hospitalares é de 1,20 metro x 1,20 metro. Essa malha tem funda-
133
mentação nas medidas antropológicas, que defendem que a largura 
média do corpo humano é de 60 cm. No entanto, ao considerarmos que 
essa malha é medida eixo a eixo, a dimensão livre ficaria menor com 
a subtração das espessuras dos elementos construídos, ocasionando 
ambientes muito pequenos.
A partir disso, convencionou-se a adoção de múltiplos e submúltiplos 
dessa malha. A adoção do submúltiplo de 30 cm se mostrou eficiente na 
padronização do edifício, permitindo sua utilização para a distribuição 
tanto do sistema estrutural quanto dos elementos verticais, como 
peitoris, corrimãos, pé-direito e vergas de portas e janelas.
Com base nisso, a trama quadrada de 7,20 metros x 7,20 metros (Figura 
3.8) se mostra eficiente e foi bastante utilizada, especialmente no conti-
nente europeu, praticamente se transformando em um padrão para as 
construções hospitalares (MIQUELIN, 1992; GÓES, 2004).
Figura 3.8 | Exemplo de modulação estrutural
Fonte: elaborada pela autora.
Em relação à implantação de um edifício hospitalar, 60% do custo 
corresponde à construção – os espaços – e os 40% restantes correspondem 
às instalações – os equipamentos utilizados (MASCARÓ, 1985). O custo de 
construção pode ser dividido, ainda, em planos horizontais (26%) e planos 
verticais (34%). Quando dividimos o custo total da obra de acordo com 
os elementos construídos, vemos que a maior parte dos gastos nos planos 
horizontais é da estrutura resistente (Quadro 3.3), o que justifica a sua neces-
sidade de ser econômica. Já nos planos verticais, a maior parte dos gastos 
acontece nos produtos de acabamento e esquadrias.
134
Quadro 3.2 | Participação dos planos horizontal e vertical nos custos da construção
Elemento construtivo Participação no custo total (%)
PLANOS HORIZONTAIS
Estrutura resistente 65 a 75
Contrapiso 3 a 6
Piso 15 a 30
Total 100
PLANOS VERTICAIS
Alvenaria, isolamento e pilares estruturais 25 a 35
Acabamentos verticais (rebocos, pintura e 
azulejos) 30 a 40
Caixilharia e esquadrias internas e externas 30 a 40
Total 100 
Fonte: Mascaró (1985, p. 26).
Em se tratando de planos verticais, a estrutura resistente tem pouca influ-
ência sobre o custo. Nesse caso, os elementos de acabamento, como reboco 
de paredes, revestimentoscerâmicos e pinturas, representam gastos mais 
elevados, ficando entre 9% e 22% do custo total da obra (MASCARÓ, 1985). 
Para economizar nesses elementos, podemos destacar duas medidas:
I. Adoção de alvenaria de alta qualidade, com blocos ou tijolos 
regulares, diminuindo os custos com emboços espessos.
II. Redução da aplicação de revestimentos cerâmicos para as regiões 
necessárias (com alturas de 1,50 metro) e utilização de pintura 
impermeável no restante.
Quando se trata de instalações, o custo deve ser mais elevado no 
momento de sua implantação visando à redução do custo de manutenção, 
que se mostra um dos critérios que mais prejudicam a longevidade do estabe-
lecimento, uma vez que os custos com manutenção das instalações chegam a 
70% (MASCARÓ, 1985).
A forma da edificação também influencia nos custos da obra. Volumetrias 
mais compactas (como o círculo e o quadrado) são mais baratas quando 
comparadas com formas alongadas (retangulares), pois solicitam uma 
quantidade menor de paredes. No entanto, devido à dificuldade de execução 
e problemas práticos relacionados às formas redondas, recomenda-se partir 
da forma quadrada para a composição das construções (MASCARÓ, 1985). 
Para avaliar a volumetria da construção, existe o índice de compacidade, que 
relaciona as paredes que envolvem um edifício e sua superfície horizontal 
(GÓES, 2004). A Equação 3.1 pode ser expressa como:
135
2 100AIc
P
p´
= ´ (3.1)
Onde:
Ic = índice de compacidade
A = área da superfície
P = perímetro da superfície
O círculo é a forma que apresenta o índice de compacidade (Ic) igual 
a 100%. O quadrado apresenta um Ic de 88,5%. As formas com índices 
superiores a 88,5% são aquelas com partes curvas ou com ângulos maiores 
que 90° entre as paredes, de caráter antieconômico. Portanto, quanto mais 
próximo de 88,5% (sem, no entanto, ultrapassar essa marca), mais econômico 
será o custo de construção e menores serão as perdas e os ganhos térmicos 
indesejáveis, o que consequentemente diminuirá os custos de manutenção 
(MASCARÓ, 1985; GÓES, 2004).
Pesquise mais
A altura das edificações também pode influenciar no custo da obra. 
Projetar um edifício com mais pavimentos implica aumentar o custo da 
estrutura resistente – com elevadores –, das fachadas, das instalações 
em geral, da duração da obra e do insumo de mão de obra.
Leia o Capítulo V do livro O Custo das Decisões Arquitetônicas no Projeto 
de Hospitais (da página 48 a 57), de Juan Luiz Mascaró, para saber mais 
sobre a verticalização na arquitetura hospitalar.
BRASIL. Ministério da Saúde. O custo das decisões arquitetônicas 
no projeto de hospitais. Série Saúde & Tecnologia - Textos de apoio 
à programação física dos estabelecimentos assistenciais de saúde. 
Brasília, 1995.
O índice de compacidade pode ser aplicado até mesmo aos comparti-
mentos do EAS. O setor de internação é o que demanda maior área no EAS 
(GÓES, 2004) e corresponde à hotelaria hospitalar. As circulações horizon-
tais (corredores) desse setor são, geralmente, estreitas e compridas, o que 
causa a perda de compacidade (MASCARÓ, 1985).
Para melhorar o fator econômico dos corredores, é possível que em um 
primeiro momento alguém pense em reduzir sua largura, reduzindo, conse-
quentemente, a área e o custo. No entanto, essa medida diminuiria ainda 
mais seu índice de compacidade, o que se mostra ineficiente. Nesse caso, a 
medida mais adequada para reduzir custos seria eliminar os planos verticais 
136
a partir da utilização do mesmo corredor para um número maior de quartos. 
Assim, criam-se duas categorias de circulação: os corredores simplesmente 
carregados ou duplamente carregados (GÓES, 2004). Os corredores simples-
mente carregados (Figura 3.9a) são aqueles que possuem quartos ou enfer-
marias em apenas um lado, enquanto os duplamente carregados (Figura 
3.9b) apresentam ambientes nos dois lados (e, consequentemente, têm seu 
custo amortizado).
Figura 3.9 | Exemplo de corredor simplesmente carregado e duplamente carregado
Fonte: Brasil (1995, p. 57).
Com relação às circulações verticais, é possível realizá-las por meio de 
escadas, rampas ou elevadores. As escadas devem ser calculadas de acordo 
com o pé-direito da edificação, com o cuidado de não criar degraus altos 
demais. A fórmula de Blondel indica o dimensionamento do espelho e do 
piso para que a escada seja utilizada com conforto e segurança. A Equação 
3.2 pode ser expressa como:
63 2 64E P< ´ + < (3.2)
Onde:
E = altura do espelho
P = largura do piso
Já as rampas devem atender às normas da NBR 9.050 (ABNT, 2015), que 
aborda a acessibilidade. A norma aponta quais são as inclinações máximas 
permitidas de acordo com a altura a ser transposta. Por fim, o elevador é 
137
uma forma mecanizada de realizar a circulação vertical. No entanto, deve-se 
observar que o uso de elevadores aumenta consideravelmente o custo da 
edificação, tanto de construção como de manutenção. Segundo Mascaró 
(1985), os edifícios com elevadores só serão econômicos se tiverem entre 6 e 
8 pavimentos. Assim, buscando minimizar o impacto da circulação vertical 
nos custos da construção, os ambientes devem ser setorizados de forma a 
manter aqueles de menor frequência de pessoas nos andares mais altos e os 
de maior trânsito no andar térreo (MASCARÓ, 1985). Além disso, quanto 
mais concentrados estiverem os núcleos de circulação vertical, maiores serão 
os corredores da circulação horizontal (MASCARÓ, 1985).
Ainda sobre a circulação em ambientes com estacionamentos e garagens, 
devemos considerar o espaço necessário para manobra dos carros e ambulân-
cias. O dimensionamento das vagas deve atender ao código de obras do 
município, além da NBR 9.050 (ABNT, 2015), que determina a quantidade 
de vagas destinadas a portadores de necessidades especiais. A modulação 
estrutural apresenta especial importância quando as garagens estão posicio-
nadas no subsolo da edificação, por exemplo, onde há a influência de pilares 
e outros elementos estruturais da construção.
Também não se pode esquecer que existem restrições para a utilização 
dos corredores de pacientes, de funcionários, de material contaminado, etc. 
Assim, o posicionamento e dimensionamento adequado das circulações 
são fatores que contribuem para a eficiência dos serviços prestados e para a 
economia de recursos.
Um dos setores hospitalares que mais demandam área (inclusive dos 
espaços de circulação) são as alas de internação, conhecidas também como 
hotelaria hospitalar. Um dos principais fatores a serem observados nesse 
setor está relacionado com a tipologia da enfermaria ou do quarto. Existem 
quatro tipologias básicas de padrões dos quartos (Figura 3.10), utilizadas 
tanto em hotéis quanto em hospitais.
Figura 3.10 | Tipologias de quartos/enfermarias
Fonte: Góes (2004, p. 72-73).
138
Estudos mostram que a Tipologia A é a mais eficiente (GÓES, 2004), 
devido a fatores como maior área para iluminação e ventilação natural, 
maior isolamento dos pacientes, menor ruído vindo da circulação, limpeza 
dos sanitários sem causar incômodo ao paciente, manutenção das instala-
ções facilitada pelo acesso ao shaft e redução do perímetro, ocasionando um 
índice de compacidade maior (Figura 3.11).
Figura 3.11 | Modelo padrão de quarto com Tipologia A do Hospital Albert Einstein (São Paulo)
Fonte: Góes (2004, p. 78).
Reflita
Apesar de essa tipologia ser utilizada tanto em hotéis como em hospi-
tais, existe um fator que diferencia o serviço oferecido por essas 
instituições. Enquanto os clientes do hotel visam única e exclusiva-
mente ao conforto de uma hospedagem, os clientes do hospital (no 
caso, os pacientes) estão vulneráveis, pois se encontram debilitados, 
em processo de tratamento de uma doença ou com medo do proce-
dimento pelo qual vão passar (uma cirurgia ou um trabalho de parto, 
por exemplo). Nesse caso, o hospital deve apresentar um cuidado ainda 
maior no tratamento de seus “clientes”.
A hotelaria hospitalar temutilizado cada vez mais novos programas para 
eliminar o aspecto negativo e amedrontador das internações. Esse processo 
de humanização ocorre com a construção de ambientes lúdicos que propor-
cionem novas experiências ao paciente, como praças de alimentação, parques 
139
com atividades ao ar livre, galerias de arte e pequenos teatros. No entanto, a 
adoção desses critérios encarece ainda mais a construção e depende muitas 
vezes de recursos privados para sua execução (GÓES, 2004).
A incorporação de tecnologias de sistemas de informação ao funciona-
mento do EAS também se apresenta como um aspecto de incremento de 
qualidade aos espaços hospitalares. Um edifício de alta tecnologia utiliza 
as tecnologias de informação integradas a uma rede de comunicação e 
controladas por meio de computadores para o melhor gerenciamento das 
instalações e infraestruturas, tornando-as mais seguras e com menos falhas 
(MARINELLI; CAMARGO, 2004). Esse sistema visa à identificação de 
pontos defeituosos ou ineficientes das instalações prediais, tornando sua 
manutenção mais ágil e reduzindo seu custo de funcionamento, proporcio-
nando maior economia de recursos.
Ainda que a incorporação de tecnologias tenha um custo de implan-
tação maior, sua instalação é justificada por vantagens como vigilância do 
prédio por uma única pessoa por turno, diminuição do número de funcio-
nários para a manutenção, melhor manutenção das instalações, economia 
de energia, detecção imediata de avarias, maior conforto ambiental, maior 
eficiência na resposta a alarmes e análise rápida de rendimentos por meio de 
relatórios emitidos pelo sistema (CASTRO NETO, 1994).
Assim, encerramos mais um assunto sobre a arquitetura hospitalar. Os 
conceitos apresentados nesta seção visam à otimização dos recursos dispo-
níveis para a execução do EAS. Com todas as informações obtidas até aqui, 
você está apto para projetar um edifício hospitalar eficiente, sem compro-
meter a qualidade dos espaços e o conforto ambiental.
Sem medo de errar
Você se lembra que o escritório em que você trabalha está participando 
de um concurso público para o projeto arquitetônico de uma Unidade Básica 
de Saúde (UBS) de um bairro novo na sua cidade? Sua equipe está desen-
volvendo uma proposta e chegou o momento de determinar a estrutura da 
edificação. Você deve pesquisar sobre os sistemas estruturais disponíveis na 
região onde será implantada a UBS (incluindo mão de obra especializada) 
e selecionar aquele que mais se adeque às exigências econômicas e volumé-
tricas do edifício.
A partir disso, você deve identificar a dimensão de seus componentes 
(vigas, pilares e lajes), espessuras, distanciamento máximo entre outras 
propriedades que condicionam a modulação estrutural. Depois de identifi-
cados os elementos, comece a traçar a malha estrutural de acordo com o 
140
plano de massas que você já desenvolveu. A estrutura deve ser compatível 
com a volumetria criada ou, então, a volumetria deve ser ajustada ao sistema 
estrutural escolhido. Lembre-se de que a modulação deve ser a mesma e 
alinhada em todos os pavimentos, se for o caso.
Com a modulação ajustada, posicione os componentes da estrutura de 
acordo com as dimensões encontradas em sua pesquisa. Por exemplo, em 
uma estrutura de concreto armado, os pilares possuem normalmente 20 cm 
x 30 cm, enquanto as vigas acompanham sua largura (20 cm) e possuem 
altura variável de acordo com o vão livre, normalmente estando entre 30 cm 
e 60 cm, se considerarmos um vão livre de 7,20 m (Figura 3.12). É claro 
que essas medidas vão variar de acordo com o porte do edifício e as cargas 
atuantes sobre a estrutura, mas quem vai fazer o cálculo mais preciso é o 
engenheiro civil. A fim de elaborar um pré-dimensionamento estrutural, 
podemos utilizar esses valores.
Figura 3.12 | Pré-dimensionamento de estrutura em concreto armado
Fonte: elaborada pela autora.
Você deve elaborar a planta baixa de todos os pavimentos, dois cortes 
(um transversal e um longitudinal) e pelo menos uma perspectiva da estru-
tura da edificação. Utilize pranchas tamanho A3 e a escala 1:100 para todos 
os desenhos técnicos. Faça a diagramação e incorpore as informações da 
estrutura nas pranchas que desenvolver (no máximo três). Anexe as folhas 
no memorial descritivo, que será entregue no final da disciplina.
141
Avançando na prática
Novos programas para os Estabelecimentos 
Assistenciais de Saúde
Os hospitais são espaços que recebem pessoas que estão vulneráveis e 
fragilizadas por causa de sua condição de saúde. Para tornar a experiência 
do paciente mais agradável, com menos medo e sem a sensação de frieza e 
impessoalidade, os Estabelecimentos Assistenciais de Saúde (EAS) podem 
apropriar-se de espaços lúdicos que deixam o ambiente mais humanizado.
Você deve incorporar ao menos um desses espaços ao projeto da Unidade 
Básica de Saúde (UBS) que seu escritório está desenvolvendo. Uma vez que 
o EAS será construído e mantido com verbas públicas, e considerando 
que o governo sempre preza pela economia, você deve planejar uma ótima 
apresentação, capaz de convencer os gestores da importância da implantação 
do espaço escolhido ao programa da UBS.
Resolução da situação-problema
Escolha ao menos um ambiente que será responsável por transformar a 
vivência do paciente, dos visitantes, acompanhantes e até dos funcionários do 
hospital em uma experiência alegre, agradável, despreocupada e que aumente 
o bem-estar dos usuários. A partir daí, elenque todos os benefícios e as vanta-
gens da incorporação desse ambiente ao programa da UBS, enfatizando os 
conceitos que você acredita serem relevantes para a comissão julgadora 
do concurso público que avaliará o projeto. Você deve utilizar argumentos 
capazes de persuadir os gestores municipais, que estão pensando, principal-
mente, na economia de recursos de construção e manutenção da obra.
Elabore sua apresentação em pranchas tamanho A3 (no máximo três) 
com diagramação que chame a atenção dos gestores e os envolva de forma 
positiva. Você pode utilizar softwares de design gráfico para deixá-la mais 
atrativa, caso tenha mais familiaridade com essa forma de trabalhar. Por 
fim, anexe as pranchas no memorial descritivo que será entregue ao final 
da disciplina.
142
Faça valer a pena
1. A modulação estrutural consiste em uma malha ortogonal em que são 
posicionados os componentes da estrutura resistente. Os componentes são 
compreendidos por pilares, vigas e lajes que podem ser confeccionados em 
diversos materiais. Entre eles, o mais utilizado é o concreto armado, devido 
ao seu custo reduzido e à facilidade de obtenção de matéria-prima e mão de 
obra. A modulação que se mostrou a mais eficiente na arquitetura hospitalar 
é a de 7,20 m x 7,20 m.
Com base nas informações apresentadas, assinale a alternativa correta.
a. A modulação de 7,20 m x 7,20 m se mostra a mais eficiente porque o 
concreto armado só consegue suportar vãos livres com essa dimensão.
b. A modulação descrita só é válida para as estruturas metálicas, visto 
que as estruturas em concreto armado conseguem atingir vãos livres 
de até 12 m.
c. A modulação de 7,20 m x 7,20 m foi adotada com base no módulo 
mínimo de 1,20 m x 1,20 m, originado das medidas antropológicas 
do corpo humano.
d. A modulação independe do tipo de estrutura utilizado, pois todos 
os materiais possuem a mesma capacidade de resistência, divergindo 
apenas em seu caráter estético e de execução.
e. A modulação deve levar em consideração apenas o tamanho dos 
ambientes, e não o tipo de estrutura utilizado.
2. A tipologia em hotelaria hospitalar consiste no modelo padrão de quartos 
e enfermarias utilizados pelo Estabelecimento Assistencial de Saúde. Góes 
(2004) identificou quatro tipologias básicas. A Tipologia B está apresentada 
na figura a seguir:
143
Figura | Tipologia B para hotelaria hospitalar
Fonte: Góes (2004, p. 72).
Com base nas características dessa tipologia, classifique as afirmativas, a 
seguir, como verdadeiras (V) ou falsas(F):
( ) A Tipologia B apresenta maior índice de compacidade.
( ) A limpeza do sanitário dos quartos com a Tipologia B causa 
incômodo nos pacientes.
( ) Nos quartos da Tipologia B, o ruído proveniente da circulação é 
mais intenso.
( ) A Tipologia B apresenta facilidade de manutenção devido ao acesso 
às instalações do poço.
( ) A Tipologia B leva a um menor perímetro da edificação.
Assinale a alternativa com a sequência correta:
a. V – V – F – F – F.
b. F – V – F – F – V.
c. V – V – F – F – V.
d. F – V – V – F – F.
e. F – F – V – V – F.
144
3. Os hospitais da Rede Sarah, projetados pelo arquiteto João Filgueiras 
Lima, adotam, atualmente, uma modulação básica de 1,25 m x 1,25 m. Todos 
os elementos da construção são baseados neste módulo, como os pisos 
(prensado melamínico de 1,25 m x 1,25 m), revestimentos cerâmicos (com 
padrão de 50 cm x 50 cm), paredes (placas de argamassa armada de 62,5 cm), 
boxes dos leitos da enfermaria (2,50 m) e até mesmo esquadrias, divisórias 
e mobiliários. A estrutura metálica é posicionada a partir de múltiplos da 
modulação básica (CARVALHO; TAVARES, 2002)
Com base no texto apresentado, avalie as afirmativas a seguir:
I. A modulação confere agilidade à obra a partir da diminuição da 
diversidade de tamanhos dos revestimentos, uma vez que estarão 
adaptados ao projeto executivo, o que facilita a execução dos compo-
nentes.
II. A compatibilização dos projetos complementares (estrutural, hidros-
sanitário e elétrico) é facilitada pela adoção de uma modulação 
padrão para os elementos que compõem a edificação.
III. A modulação utilizada nas obras da Rede Sarah não segue o padrão 
mais conhecido, que utiliza como base as medidas antropométricas, 
o que não afeta de forma negativa a eficiência do projeto.
Assinale a alternativa que contém a(s) afirmativa(s) correta(s):
a. As afirmativas I, II e III estão corretas.
b. Apenas as afirmativas I e II estão corretas.
c. Apenas as afirmativas I e III estão corretas.
d. Apenas as afirmativas II e III estão corretas.
e. Apenas a afirmativa I está correta.
145
Seção 3
Desenhos técnicos
Diálogo aberto
Caro aluno, chegou o momento de apresentar uma solução arquitetônica.
Iniciamos a concepção projetual no mundo dos conceitos regidos pela 
criatividade e passamos para o desenvolvimento prático a partir da raciona-
lização das ideias. Agora, estamos no ápice da proposta de projeto, momento 
em que devemos transformar todos os elementos e aspectos idealizados 
em uma forma física concreta, que será apresentada por meio de desenhos 
técnicos. Os desenhos técnicos permitem que as ideias abstratas idealizadas 
pelo arquiteto possam ser entendidas não só pelo cliente, mas também por 
outros profissionais envolvidos na construção, como engenheiros, eletri-
cistas, encanadores, etc. Para que isso seja possível, existem normas que 
visam à padronização dos desenhos, facilitando a compreensão.
Você foi contratado por um escritório de arquitetura especializado em 
projetos de Estabelecimentos Assistenciais de Saúde (EAS), e a equipe da 
qual você faz parte vai participar de um concurso público para um projeto 
arquitetônico de uma Unidade Básica de Saúde (UBS) no bairro novo da 
cidade onde mora. Neste momento, o projeto já foi praticamente todo conce-
bido, desde a sua estrutura até os objetos utilizados dentro dos ambientes. 
O que falta é transferir suas ideias para o papel de maneira clara, precisa e 
organizada. Assim, a sua tarefa é elaborar todos os desenhos referentes ao 
projeto. Você sabe quais são eles? Quais são as normas que regem a represen-
tação gráfica de um projeto arquitetônico? Quantos desenhos são necessários 
para o entendimento do projeto? Como você organizará as ideias para que a 
proposta arquitetônica seja coerente?
Nesta seção, veremos como os desenhos técnicos devem ser elaborados 
e quais são as representações gráficas necessárias para a compreensão do 
projeto. Além disso, verificaremos as etapas de apresentação de projeto, cada 
qual com suas particularidades e características.
Não pode faltar
Os projetos de arquitetura são representados graficamente por meio de 
desenhos, que podem ter caráter técnico ou artístico. Os desenhos técnicos 
são regidos por normas e apresentam todos os detalhes para que o projeto 
seja executado corretamente. São utilizados, também, para a aprovação do 
146
projeto junto aos órgãos governamentais e nos canteiros de obras para a 
construção. Já os desenhos artísticos possuem uma forma de apresentação 
menos rígida, o que possibilita o uso de cores e texturas para enriquecer a 
representação gráfica. Esse tipo de representação normalmente é utilizado 
em apresentação do projeto para clientes, vendas imobiliárias e outros meios 
em que a finalidade do desenho não é a execução do projeto.
Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) e os dese-
nhos técnicos em arquitetura
Em se tratando de desenhos técnicos em arquitetura, a Associação 
Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) determina as regras que regem a sua 
confecção, desde o tamanho da folha utilizada (NBR 10.068:1987) até o tipo e 
a largura das linhas do desenho (NBR 8.403:1984). A norma NBR 6.492:1994 
detalha a representação de projetos de arquitetura, descrevendo e quali-
ficando os desenhos projetivos utilizados para a apresentação da proposta 
arquitetônica. São eles: planta de situação, implantação, planta de edificação, 
cortes, elevações, fachada e detalhes. Cada um deles exige elementos especí-
ficos, como cotas, indicação de áreas, norte geográfico, entre outros.
A planta de situação abrange uma área maior do empreendimento, onde 
são representados uma vista superior simplificada da edificação, as divisas do 
lote, o contorno da quadra, as ruas lindeiras, os acessos ao terreno, o relevo 
e a orientação norte (MONTENEGRO, 1978). Ela compreende o partido 
arquitetônico em seus múltiplos aspectos, portanto é composta pelas vias e 
quadras do entorno, além de informações como o gabarito das edificações ou 
pontos de interesse da região (edificações ou elementos importantes). Para 
a aprovação do projeto nos órgãos oficiais, a planta de situação deve conter 
todas as informações referentes à localização do terreno (ABNT, 1994).
A implantação, também chamada de planta de locação, é aquela que 
representa o projeto como um todo (ABNT, 1994). Ela é composta pelo 
desenho da cobertura da edificação, além de apresentar informações dos 
projetos complementares, como movimentação de terra, redes hidráulicas, 
elétricas e de drenagem. O objetivo desse desenho é locar a construção no 
terreno e mostrar como devem ser feitas as ligações com as redes públicas 
(de esgoto e abastecimento de água, por exemplo). Portanto, as cotas gerais 
da construção e aquelas que conectam a edificação com o terreno são muito 
importantes. De acordo com Montenegro (1978), na implantação devem 
constar, também, muros, portões, árvores, calçada ou passeio e, caso seja 
necessário, construções vizinhas. Além disso, outras informações, como o 
norte geográfico e as áreas permeáveis, devem estar presentes.
147
A planta de edificação, ou simplesmente planta baixa (Figura 3.13), 
é a vista superior da construção a partir de um plano de corte traçado 
horizontalmente a uma altura de, aproximadamente, 1,50 metros do piso 
(MONTENEGRO, 1978). Os pavimentos da edificação devem ser represen-
tados individualmente em um desenho próprio, onde são indicados a locali-
zação das paredes, as aberturas e outros elementos construídos.
A planta baixa é um dos desenhos que mais apresentam diversificações, 
pois ela pode ser utilizada para representar diferentes projetos – arquite-
tônico, de interiores, hidráulico, elétrico, estrutural, etc. Por exemplo, é 
possível citar:
• Planta de layout: indica a posição dos móveis.
• Planta de instalações hidrossanitárias: indica as tubulações de esgoto 
e abastecimento de água.
• Planta de pontos elétricos: indica as tomadas, luminárias e outros 
elementos elétricos.As plantas devem ser cotadas de acordo com o que está representado.
Figura 3.13 | Projeção de uma planta baixa
Fonte: Shutterstock .
148
Os cortes são vistas de um plano secante vertical que divide a edificação 
em duas partes, como se estivesse cortada ao meio. Os cortes são necessá-
rios para mostrar os ambientes internos com maior nível de detalhamento 
(MONTENEGRO, 1978). Assim, a disposição dos planos de corte deve 
ser determinada de forma que o desenho mostre o máximo possível de 
detalhes construtivos.
Os órgãos públicos responsáveis pela aprovação do projeto podem deter-
minar algum critério para o posicionamento dos cortes, por exemplo, sob 
a circulação vertical ou em áreas que apresentam revestimentos cerâmicos 
impermeáveis, como banheiros e cozinhas. Normalmente, são apresentados 
pelo menos um corte no sentido longitudinal e outro no sentido transversal. 
O corte longitudinal é aquele traçado no sentido de maior comprimento da 
edificação, enquanto o transversal é traçado no sentido de menor compri-
mento. A determinação do sentido é dificultada em casos em que a edificação 
é quadrada, portanto é importante ter dois cortes perpendiculares entre si 
(MONTENEGRO, 1978). É necessário ressaltar que, nos cortes, as cotas 
verticais são fundamentais para identificar as alturas internas e externas da 
construção (Figura 3.14).
Figura 3.14 | Esquema de um corte
Fonte: Shutterstock .
As elevações são vistas de planos ou elementos construídos. Diferentemente 
dos cortes, em que os elementos são seccionados, as elevações mostram as faces 
da edificação referentes a cada um dos lados do objeto. Por isso, são divididas 
em elevação frontal, posterior e laterais (direita e esquerda).
As fachadas (Figura 3.15) nada mais são do que as elevações das faces 
externas da edificação. Esses desenhos são mais utilizados para a identificação 
149
dos materiais e sua locação na construção. Portanto, dependendo da situação, 
as cotas podem ser dispensáveis. As informações, nesse caso, devem ser 
apresentadas em forma de hachuras, com legendas que as relacionem ao 
material especificado.
Figura 3.15 | Exemplo de elevações
Fonte: Shutterstock .
Por fim, os detalhes construtivos são desenhos que mostram uma quanti-
dade maior de informações de um elemento da edificação, normalmente 
em escalas ampliadas que facilitam a sua compreensão. Os detalhes servem 
para mostrar o encaixe de objetos, a composição interna de elementos, o 
funcionamento de peças que foram confeccionadas exclusivamente para a 
edificação, etc. Eles devem apresentar cotas, anotações, hachuras e todos os 
aspectos que garantam que o objeto seja compreendido de forma clara, para 
que sua construção seja possível.
Exemplificando
Um detalhe construtivo deve ser elaborado nos casos em que o 
elemento representado exige maior nível de detalhamento para sua 
correta execução. Por exemplo, em um projeto arquitetônico, sempre 
é necessário detalhar a escada. A Figura 3.16 mostra um exemplo do 
detalhamento de uma escada.
150
Figura 3.16 | Detalhe construtivo de uma escada
Fonte: Shutterstock .
Todos os tipos de desenhos mencionados são projetivos, ou seja, são confec-
cionados a partir da projeção de um objeto (nesse caso, uma construção) em 
um plano (a folha de papel). Podemos incluir, ainda, outro tipo de desenho 
denominado não projetivo, em que estão inclusos os diagramas, as perspec-
tivas, os diagramas, esquemas, fluxogramas, entre outros.
Exemplificando
Os desenhos não projetivos são utilizados com finalidades diversas. 
Por exemplo, as perspectivas facilitam a compreensão da construção 
de forma global a partir de uma representação em três dimensões, 
enquanto os diagramas são usados para explanar processos.
Documentações que podem acompanhar o projeto arquitetônico
Além dos desenhos, outros documentos podem ser incluídos ao projeto 
visando facilitar a compreensão e ampliar o detalhamento do projeto, como 
o memorial justificativo, a discriminação técnica, a especificação e lista de 
materiais, a orçamentação e o cronograma.
O memorial justificativo é o documento que apresenta o partido arqui-
tetônico e todas as soluções adotadas pelo profissional, buscando atender 
151
às exigências físicas do terreno e técnicas determinadas pelo programa 
de necessidades.
A discriminação técnica (ou memorial descritivo) é um texto que 
descreve todo o projeto de forma precisa, completa e ordenada, indicando os 
materiais utilizados em cada local, bem como as características e exigências 
técnicas para sua aplicação.
A especificação e lista de materiais consiste no levantamento quantita-
tivo de todos os materiais especificados no projeto, inclusive com indicação 
de fornecedores, que pode ser utilizada como base para a criação de um 
orçamento do projeto. O orçamento deve prever não só os materiais, mas 
também a mão de obra, os serviços e outras taxas referentes ao projeto e/ou 
à construção.
Assimile
Para cada etapa do projeto, são requisitados desenhos e documentos 
específicos. A NBR 6.492:1994 dá algumas recomendações, porém os 
órgãos municipais são os responsáveis por determinar quais desenhos 
serão exigidos. A prefeitura municipal pode exigir documentos 
diferentes daqueles exigidos pela vigilância sanitária, por exemplo.
Etapas do projeto arquitetônico e seus desenhos
É importante ter consciência de que cada etapa do projeto arquitetônico é 
desenvolvida em paralelo com um tipo de desenho que a representa.
No estudo preliminar, por exemplo, são desenvolvidas as primeiras 
ideias a partir do levantamento de dados do terreno, da determinação do 
programa de necessidades e da elaboração de uma Matriz CDP (condicio-
nantes, deficiências e potencialidades). Essa fase resulta na criação do partido 
arquitetônico. A finalidade da representação gráfica no estudo preliminar é 
de cunho explicativo, visando à exposição do conceito e das soluções ideali-
zadas pelo arquiteto. Portanto, os desenhos mais utilizados são do tipo não 
projetivo, podendo valer-se de diagramas, esquemas e fluxogramas para a 
apresentação do estudo. Alguns desenhos também podem ser desenvolvidos 
visando à organização das ideias. Nesse caso, grande parte dos desenhos é 
feita à mão livre, também chamados de croqui (Figura 3.17). Desenhar à mão 
livre incentiva o processo criativo, uma vez que o profissional pode explorar 
toda sua capacidade intelectual sem se limitar ao funcionamento racional 
dos softwares de desenho. Os programas computacionais podem ser utili-
zados ao final do estudo, visando apenas melhorar a representação gráfica do 
projeto. No entanto, um croqui bem elaborado dispensa o uso da tecnologia.
152
Figura 3.17 | Exemplo de estudo preliminar feito com croqui
Fonte: Shutterstock .
O anteprojeto compreende a etapa em que é proposta a solução arqui-
tetônica, ou seja, etapa em que as ideias adquirem forma e são desenvol-
vidas de maneira completa. É importante que o projeto arquitetônico seja 
concebido pensando na compatibilização com os projetos complementares, 
como o estrutural, hidrossanitário, elétrico e de prevenção de incêndio. Estes 
não precisam estar detalhados, mas sua solução deve estar alinhada com os 
elementos construtivos já formalizados.
Nessa etapa, o projeto é apresentado ao cliente. Portanto, é interessante 
que os desenhos tenham caráter artístico para garantir que o projeto seja 
compreendido facilmente e causem o encantamento do cliente. Enquanto 
os desenhos técnicos realçam os elementos construídos (paredes, aberturas 
e coberturas) – representados apenas por linhas de diferentes espessuras e 
cores para diferenciar elementos, os quais devem estar devidamente legen-
dados –, os desenhos humanizados recebem a inserção de elementos 
gráficos humanizadores – layout, vegetação e figura humana (ELALI et al., 
2009). Essa categoria de desenho também é conhecida como planta comer-
cial (MORAIS, 2008) e tem a intenção de valorizar a ambientação e a utili-
zação da edificação, ou seja, dos elementosque compõem os espaços.
Assimile
De acordo com Morais (2008), os desenhos humanizados são um tipo 
de representação que passa a “ter a responsabilidade de registrar, 
avaliar e comunicar o conteúdo, além de antecipar o espaço construído” 
(MORAIS, 2008, p. 12).
153
Nos desenhos humanizados (Figura 3.18), os elementos de destaque são 
os objetos e os materiais utilizados na elaboração do projeto. Veja o exemplo 
ilustrado a seguir.
Figura 3.18 | Exemplo de planta baixa humanizada
Fonte: Shutterstock .
Na etapa de anteprojeto, os desenhos podem ser confeccionados à mão ou 
utilizando recursos computacionais. Porém, independentemente da forma 
como serão produzidos, eles devem atender às mesmas normativas determi-
nadas pela ABNT. No caso dos desenhos humanizados, algumas informa-
ções podem ser simplificadas, como no caso das cotas, em que as linhas de 
chamada podem ser suprimidas.
Nos desenhos feitos à mão são utilizados vários instrumentos para 
garantir sua precisão, como escalímetros, esquadros, lapiseiras ou canetas 
com espessuras diferentes, régua paralela, compasso, entre outros. Para os 
desenhos artísticos também são utilizados lápis de cor e canetas hidrocor. Já 
nos desenhos computacionais, o único equipamento é um computador com 
o software desejado.
O projeto legal é desenvolvido depois da aprovação do anteprojeto pelo 
cliente. Nessa etapa do projeto são requisitados os desenhos técnicos referentes ao 
154
projeto, de acordo com as exigências dos órgãos competentes. Normalmente, os 
desenhos solicitados são: planta de situação, implantação, plantas baixas, cortes 
e fachadas, além da documentação necessária. O profissional deve consultar a 
instituição que fará a aprovação do projeto para saber exatamente o que é neces-
sário nesse processo. Já existem prefeituras adaptadas às tecnologias da infor-
mação que realizam a aprovação dos projetos digitalmente, por isso, nessa etapa, 
é mais comum a execução dos desenhos com o uso de softwares gráficos.
Reflita
Em vários concursos públicos de projetos de arquitetura, o cliente é 
a própria prefeitura. Nesse caso, o profissional deve apresentar sua 
proposta na forma de anteprojeto ou de projeto legal?
O projeto executivo se configura como a última etapa projetual antes do início 
das obras. Ele está encarregado de fornecer todas as informações necessárias para 
a execução da obra e, por isso, deve ser claro, preciso e completo. Nessa etapa, 
todos os desenhos e documentos são solicitados, como implantação, plantas baixas 
(Figura 3.19), cortes, fachadas, detalhamentos, discriminação técnica, especifica-
ções e lista de materiais. Devido à complexidade dos desenhos, a confecção é feita 
com o uso de computadores e eles são impressos para utilização no local da obra.
Figura 3.19 | Exemplo de planta baixa de projeto executivo
Fonte: iStock.
155
Encerramos esta seção sobre os desenhos em arquitetura. Uma edificação 
só pode ser materializada a partir dos desenhos técnicos que representam a 
formalização das ideias concebidas pelo profissional.
Sem medo de errar
Você faz parte da equipe de um escritório de arquitetura especializado 
em projetos hospitalares que vai participar de um concurso público para o 
projeto arquitetônico de uma Unidade Básica de Saúde (UBS) no bairro novo 
da cidade onde mora. A equipe está trabalhando nos arquivos do projeto 
e você ficou encarregado de confeccionar os desenhos do anteprojeto que 
serão usados na apresentação da proposta à banca examinadora do concurso. 
Você deve elaborar os desenhos das plantas baixas, elevações, cortes, implan-
tação e detalhes construtivos. Lembre-se de que os desenhos devem permitir 
que o projeto seja compreendido de forma simples, portanto as informações 
da prancha devem estar organizadas em uma diagramação e alguns desenhos 
devem ser humanizados.
O escritório possui a licença de softwares que podem ser utilizados para 
a elaboração dos desenhos. Comece transpondo seu plano de massas e a 
estrutura da UBS para o programa AutoCAD e, então, desenvolva as plantas 
baixas, cortes, elevações, implantação e detalhamentos. As anotações podem 
ser adicionadas posteriormente, no momento de humanização dos desenhos, 
mas as cotas devem ser incluídas no AutoCAD visando agilizar o processo.
Terminados os desenhos, inicie a humanização daqueles que achar mais 
importantes. Você pode adicionar os preenchimentos nos objetos para que os 
desenhos fiquem coloridos. É interessante determinar uma cartela de cores 
para que o desenho fique harmônico. Procure referências para estimular a 
criatividade durante a elaboração dos desenhos. Uma dica é pesquisar em 
um site de concursos o resultado das competições passadas.
Ao concluir, faça a impressão dos desenhos para conferir o resultado e 
verificar a necessidade de alterações na espessura das linhas, nas cores ou em 
outros detalhes que você julgar pertinente para a melhoria da apresentação 
do projeto. Essas impressões/ devem ser anexadas ao memorial descritivo do 
projeto ao final da disciplina.
156
Avançando na prática
O croqui como parte da apresentação do projeto
Um casal foi até seu escritório para solicitar o projeto de interiores da 
sala de estar do apartamento que alugaram para morar. Ana disse que quer 
uma mobília moderna e várias plantas para decorar o ambiente, enquanto 
João quer um sofá grande e confortável. Ambos expuseram necessidades 
e desejos, e você combinou um novo encontro dentro de um mês para 
apresentar o projeto. Porém, três dias antes da reunião, seu computador de 
trabalho quebrou e você perdeu os arquivos da sala de estar, cujo projeto já 
estava finalizado. O conserto do computador não ficará pronto a tempo, mas 
você não pode adiar a reunião, pois o casal está com a viagem de lua de mel 
marcada e só voltará depois de três semanas, período em que a mãe de Ana 
ficará com as chaves do apartamento para dar andamento à reforma. O que 
você faria nesse caso?
Resolução da situação-problema
O profissional que pratica sua habilidade de desenho não se limita à 
utilização de equipamentos mais complexos, como é o caso de programas 
computadorizados. A tecnologia pode ajudar muito o trabalho do profis-
sional, mas é um erro confiar demais em uma máquina que pode apresentar 
falhas. Assim, o desenho à mão pode ser uma solução para casos em que a 
tecnologia não pode ser utilizada ou até mesmo para expor ideias aos clientes 
ou a outros profissionais de forma rápida, sem depender dos processos utili-
zados por softwares de arquitetura. Portanto, você pode resgatar seus instru-
mentos de desenho arquitetônico – régua-tê, esquadros, lapiseiras – e montar 
sua apresentação com desenhos arquitetônicos feitos à mão, complementan-
do-os com croquis à mão livre.
Faça valer a pena
1. A planta baixa é um dos primeiros desenhos técnicos desenvolvidos pelo 
profissional da arquitetura na confecção do anteprojeto. De acordo com o 
tipo de projeto, a planta baixa pode conter informações diferentes.
Associe a coluna A, que contém os tipos de projetos, com a coluna B, que 
indica os elementos realçados em cada uma das plantas correspondentes:
157
COLUNA A COLUNA B
1. Projeto arquitetônico I. Tubulações de esgoto e abastecimento de água 
2. Projeto de interiores II. Estrutura resistente
3. Projeto estrutural III. Elementos construídos
4. Projeto hidrossanitário IV. Tomadas, iluminação e quadros de energia
5. Projeto elétrico V. Mobiliários e decoração
Assinale a alternativa que apresenta a associação correta entre as colunas:
a. 1-I; 2-II; 3-III; 4-V; 5-IV.
b. 1-III; 2-V; 3-II; 4-I; 5-IV.
c. 1-V; 2-III; 3-II; 4-IV; 5-V.
d. 1-IV; 2-II; 3-V; 4-III; 5-I.
e. 1-II; 2-IV; 3-III; 4-I; 5-V.
2. O projeto executivo é a última etapa do processo de projeto. Ele envolve 
a criação de desenhos técnicos e deve conter os detalhamentos necessários 
para que o projeto seja executado sem complicações. É confeccionado em 
pranchas que serão utilizadas no canteiro de obras pelos profissionais execu-
tores,como o arquiteto ou engenheiro responsável pela execução da obra, os 
pedreiros, pintores, encanadores e eletricistas.
Acerca do projeto executivo, assinale a alternativa correta:
a. Um projeto executivo de qualidade é aquele que permite o enten-
dimento total de todos os elementos que compõem a construção, 
de acordo com o tipo de projeto desenvolvido: arquitetônico, de 
interiores ou complementar.
b. O projeto executivo é aquele que deve compatibilizar todos os projetos 
complementares ao arquitetônico, uma vez que é a partir dele que será 
organizada a execução da obra, cada projeto de uma vez (estrutural, 
arquitetônico, hidráulico e elétrico).
c. O projeto executivo não é necessário nos casos em que o profissional 
responsável pelo projeto arquitetônico vai executar o empreendi-
mento e estará presente diariamente no canteiro de obras para tirar as 
dúvidas e orientar os profissionais executores.
d. O projeto executivo deve ser entregue na prefeitura com o nível 
máximo de detalhamento possível, visando à aprovação da edificação 
pelos órgãos competentes, garantindo a legalidade da construção e a 
qualidade da obra.
158
e. Um projeto executivo ideal é aquele que apresenta os desenhos proje-
tivos com caráter artístico, garantindo a compreensão do projeto pelo 
cliente e outros profissionais de forma fácil e descomplicada.
3. Cada vez mais os desenhos de arquitetura estão sendo elaborados com o 
auxílio de softwares, o que deixou o desenho à mão em desuso ou até inuti-
lizado. No entanto, os desenhos elaborados artesanalmente pelo arquiteto 
apresentam algumas características que os tornam mais ágeis nas etapas 
preliminares de concepção do projeto. Enquanto o profissional fica limitado 
à racionalidade dos programas computadorizados, o desenho à mão permite 
uma maior liberdade e fluidez no desenho.
Assinale a alternativa que apresenta uma das vantagens do desenho feito à 
mão quando comparado aos desenhos computadorizados.
a. Os desenhos feitos em softwares ficam suscetíveis ao funcionamento 
dos computadores, enquanto os desenhos à mão não necessitam de 
nenhum tipo de instrumentos para serem realizados.
b. Os desenhos realizados com esquadros e réguas são mais precisos que 
aqueles confeccionados em computadores, pois não estão sujeitos a 
falhas de impressão.
c. Os desenhos feitos à mão são ótimos para explicações rápidas de 
elementos do projeto, seja para o cliente ou para outros profissionais, 
pois é rápido de ser realizado e não necessita de impressão.
d. Os desenhos feitos à mão possuem caráter artístico, enquanto os 
programas são utilizados apenas para a produção de desenhos técnicos.
e. Os desenhos computadorizados são melhores que os feitos à mão em 
todos os sentidos, pois com a tecnologia atual é possível reproduzir o 
efeito de pintura e grafite obtido com os lápis dos desenhos artesanais.
Referências
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Leiaute e dimensões. Rio de Janeiro, 1987.
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 6492: representação de projetos 
de arquitetura. Rio de Janeiro, 1994.
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desenhos – Tipos de linhas - Larguras das linhas. Rio de Janeiro, 1984
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 9050: acessibilidade a edifica-
ções, mobiliário, espaços e equipamentos urbanos. 3. ed. Rio de Janeiro: 2015.
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de saúde. Brasília: DF/Ministério da Saúde,1994.
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ciais de saúde. Brasília, 1995. Disponível em: https://bit.ly/33H2JEJ. Acesso em: 20 ago. 2019.
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Saúde e Desenvolvimento: Brasília/DF, 2011.
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Volume 2 – Internação e apoio ao diagnóstico e à terapia (reabilitação). Departamento de 
Economia da Saúde e Desenvolvimento: Brasília/DF, 2013a.
BRASIL. Ministério da Saúde. Programação arquitetônica de unidades funcionais de saúde. 
Volume 3 – Apoio ao diagnóstico e à terapia (imagenologia). Departamento de Economia da 
Saúde e Desenvolvimento: Brasília/DF, 2013b.
BRASIL. Ministério da Saúde. Programação arquitetônica de unidades funcionais de saúde. 
Volume 4 – Apoio ao diagnóstico e à terapia: anatomia patológica, hemoterapia e hematologia, 
medicina nuclear e patologia clínica. Departamento de Economia da Saúde e Desenvolvimento: 
Brasília/DF, 2014.
BRASIL. Ministério da Saúde. Resolução RDC no 50, de 21 de fevereiro de 2002. Dispõe sobre 
o Regulamento Técnico para planejamento, programação, elaboração e avaliação de projetos 
físicos de estabelecimentos assistenciais de saúde. Agência Nacional de Vigilância Sanitária: 
Brasíla/DF, 2002.
BRASIL. Portaria 400/BSB de 6 de dezembro de 1977. Brasília: DF, 1977.
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Assistenciais de Saúde: o caso dos Hospitais SARAH. In: FÓRUM DE TECNOLOGIA 
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Universidade Federal da Bahia, 2002.
CASTRO NETO, J. S. Edifício de alta tecnologia. São Paulo: Carthago & Forte, 1994.5
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Unidade 4
Carolina Cardoso
Desenhos e apresentação do projeto
Convite ao estudo
Olá, aluno!
Nesta unidade de ensino, vamos abordar a etapa avançada de desenvol-
vimento de um projeto arquitetônico, ou seja, discutiremos a fase de ajustes 
finais da proposta arquitetônica. Você sabe quantos e quais projetos são 
necessários para a correta execução de uma obra? Como e por que elaborar 
uma maquete (física ou virtual) da edificação? Como preparar a apresen-
tação do projeto para a aprovação?
Nesta unidade, denominada Desenhos e apresentação do projeto, estuda-
remos temas como: projetos complementares, especificação de materiais, 
elaboração de maquetes e preparação do projeto para as etapas de apresen-
tação e aprovação nos órgãos competentes. Ao final desta unidade, você 
estará apto a desenvolver desenhos específicos de alta complexidade e 
modelos tridimensionais do projeto.
Para iniciar nossas reflexões, imagine que você tenha sidocontratado por 
um escritório de arquitetura especializado em arquitetura hospitalar. A cidade 
onde você trabalha, localizada no interior do estado, tem apresentado um 
crescimento urbano intenso, e, por essa razão, a prefeitura inaugurou recen-
temente um novo loteamento. Para atender às necessidades da população do 
novo bairro, a prefeitura municipal abriu um edital para concurso público 
para o projeto arquitetônico de uma Unidade Básica de Saúde (UBS).
Você e sua equipe devem elaborar um projeto arquitetônico, em nível de 
anteprojeto, de um Estabelecimento Assistencial de Saúde (EAS) com capaci-
dade para atender entre 2.400 e 4.000 pacientes, respeitando todos os crité-
rios estabelecidos pelo Manual de Estrutura Física das Unidades Básicas de 
Saúde, publicado pelo Ministério da Saúde. Além dessas exigências, o edital 
do concurso exige a apresentação de um caderno com as documentações 
necessárias para a aprovação do projeto na Agência Nacional de Vigilância 
Sanitária (ANVISA).
O projeto já está quase finalizado pela equipe. Faltam apenas os detalhes 
finais e a apresentação. Nesta unidade de ensino, realizaremos o detalhamento 
do projeto, a compatibilização com as instalações prediais, a especificação de 
materiais e a elaboração da apresentação do projeto.
Na primeira seção, aprenderemos a compatibilizar o projeto arquitetô-
nico com os projetos complementares, bem como faremos a especificação 
dos materiais, pois existem tipos de materiais específicos para a área da 
saúde, já que é necessário priorizar uma maior higienização e, consequente-
mente, maior controle de infecção hospitalar.
Na segunda seção, abordaremos a maquete física e virtual, além de 
programas computacionais que auxiliam o processo de detalhamento 
do projeto.
Finalmente, na terceira seção, sintetizaremos todos os desenhos e as peças 
gráficas produzidas até o momento para elaborarmos uma apresentação de 
projeto que permita o entendimento das suas ideias.
A forma como você justifica suas propostas é decisiva tanto no momento 
da apresentação do projeto quanto na utilização do edifício depois de 
construído, uma vez que soluções bem fundamentadas proporcionam 
melhores condições de trabalho e conforto.
163
Seção 1
Detalhamento de projeto
Diálogo aberto
Você já parou para pensar qual é o objetivo principal de uma edificação? 
As construções surgiram para garantir abrigo aos seres humanos, os quais 
buscavam se proteger de intempéries e animais selvagens. No entanto, a 
função de abrigar possui outra conotação nos dias atuais, já que abrigar, para 
além de oferecer proteção e segurança, significa proporcionar conforto e 
bem-estar. E, para que isso seja possível, o projeto arquitetônico de edifícios 
deve considerar os elementos que compõem a vida nas cidades, onde a maior 
parte da população vive.
Retomando o contexto de aprendizagem desta unidade, considere que 
o escritório de arquitetura onde você trabalha, especializado em projetos 
de Estabelecimentos Assistenciais de Saúde (EAS), vai participar de um 
concurso público para um projeto de uma Unidade Básica de Saúde (UBS) no 
bairro novo da cidade, localizada no interior do estado. Você e sua equipe já 
finalizaram a solução arquitetônica e elaboraram todos os desenhos técnicos 
necessários. Agora, chegou o momento de compatibilizar o projeto arquite-
tônico com os projetos complementares: elétrico, hidrossanitário e de clima-
tização. Quais aspectos o arquiteto deve observar para que as instalações e 
estruturas sejam executadas corretamente? Como o profissional deve compa-
tibilizar os projetos para evitar erros e problemas? Quais são os materiais 
mais indicados para as edificações hospitalares?
Nesta seção, conheceremos quais são os projetos complementares neces-
sários para a aprovação e o detalhamento do projeto de EAS, bem como 
as particularidades de cada um deles aplicadas ao setor de saúde. Ainda, 
veremos como a especificação de materiais pode contribuir para a higieni-
zação e prevenção da infecção hospitalar, além de promover o bem-estar 
dos usuários. O aspecto de conforto ambiental é influenciado pela forma 
como foram idealizados os elementos construídos e os ambientes internos 
do edifício de saúde.
Não pode faltar
Depois que os desenhos técnicos do projeto arquitetônico foram elabo-
rados, é comum pensarmos que o trabalho do projetista está terminado, mas 
isso não é verdade. Uma construção é composta por diversos elementos e 
164
instalações prediais, cada qual com seu projeto específico. Surgem, assim, os 
projetos complementares, como o projeto estrutural, elétrico, de telefonia, 
hidrossanitário, de climatização, segurança, prevenção de incêndios, etc. 
Depois de elaborado o projeto, o arquiteto deve encaminhá-lo aos outros 
profissionais que vão realizar os projetos complementares.
Assimile
Os projetos complementares consistem na elaboração de soluções 
técnicas para os aspectos que integram o projeto arquitetônico, como 
as instalações elétricas e hidrossanitárias, sistemas estruturais, terra-
planagem, luminotecnia, entre outros (CAU, 2013). Cada um desses 
projetos é realizado por especialistas da área. No entanto, cabe ao 
arquiteto fazer a coordenação e a compatibilização entre o projeto 
arquitetônico e os complementares .
O arquiteto pode contribuir com outros profissionais da construção civil, 
facilitando a elaboração dos projetos complementares durante o desenvol-
vimento do projeto arquitetônico. Para isso, é necessário que ele conheça 
minimamente o funcionamento das instalações prediais, para que consiga 
coordenar e compatibilizar todos os projetos da edificação.
Projeto de climatização 
Um bom projeto arquitetônico pode, inclusive, reduzir ou eliminar 
algumas instalações prediais, como é o caso da climatização. O Brasil é um 
país tropical que, diferentemente dos países com clima temperado, não 
apresenta grandes variações de temperatura durante o ano. Essa caracterís-
tica climática confere à arquitetura brasileira uma oportunidade de utilizar 
iluminação e ventilação natural nas edificações, diminuindo o gasto com 
sistemas de refrigeração.
Alguns ambientes dos Estabelecimentos Assistenciais de Saúde (EAS) 
necessitam de condições controladas de temperatura e umidade, como os 
centros cirúrgicos, centros obstétricos, Unidades de Tratamento Intensivo 
(UTI), entre outros. Nesses casos, o sistema de climatização é indispen-
sável e deve atender às normas contidas na NBR 7.256 (ASSOCIAÇÃO 
BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2005).
Os espaços assistenciais, administrativos e quartos de internação, por 
exemplo, podem se beneficiar do uso de iluminação e ventilação natural, 
e, dependendo das condições climáticas da região onde o EAS será insta-
lado, o sistema de climatização artificial pode ser eliminado. Em cidades 
165
onde a temperatura se mantém alta durante a maior parte do ano, somente 
as condições naturais de ventilação não são suficientes para garantir o 
conforto térmico dos usuários. Assim, os sistemas de climatização gerais 
devem atender às normas da NBR 16.401 (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE 
NORMAS TÉCNICAS, 2008b ).
Exemplificando
Nos projetos arquitetônicos dos hospitais da rede Sarah, o arquiteto 
João Figueiras Lima projetou uma cobertura em sheds, a qual permite 
iluminação e ventilação natural nos edifícios. Para a unidade localizada 
no Rio de Janeiro (Figura 4.1), uma cidade que apresenta temperaturas 
altas em vários dias do ano, o arquiteto pensou em um sistema que 
integra ventilação natural e climatização. Além da cobertura em sheds, 
característica de seus projetos, o arquiteto idealizou um fechamento 
retrátil que permite a utilização de ar condicionado nos dias de alta 
temperatura. Assim, nos dias de temperatura amena, essa segunda 
cobertura fica aberta, mantendo a passagem da ventilação natural, 
enquanto nos dias de muito calor a cobertura é fechada, e o sistema de 
climatização é acionado.
Figura 4.1 | Hospital Sarah Kubitschek, Rio de Janeiro-RJ
Fonte: LeonardoFinotti. Disponível em: http://arqguia.com/obra/hospital-sarah/?lang=ptbr. 
Acesso em: 2 mar. 2019.
Os projetos complementares de instalações elétricas e hidrossanitá-
rias devem ser elaborados para qualquer edificação, uma vez que a vida 
nas cidades exige energia elétrica, abastecimento de água e esgotamento 
http://arqguia.com/obra/hospital-sarah/?lang=ptbr
166
sanitário. Com os EAS isso não é diferente, no entanto nesses casos existem 
algumas outras particularidades a serem observadas.
O projeto hidrossanitário consiste no projeto das instalações hidráulicas 
e de esgotamento sanitário.
Projeto hidrossanitário 
Instalações hidráulicas
Quanto às instalações hidráulicas, elas devem atender às exigências da 
NBR 5.626 (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 1998) 
e da NBR 7.198 (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 
1993) para o abastecimento de água fria e quente, respectivamente.
Um dos principais pontos a serem observados quanto ao abastecimento 
de água está relacionado ao consumo. Esse cálculo deve ser realizado com 
base em:
• Quantidade de quartos de internação.
• Número de pacientes externos atendidos.
• Quantidade de funcionários e estudantes.
• Consumo específico de algumas atividades, como hidroterapia, 
diálise, cozinha, laboratório, entre outros (BRASIL, 1994). 
O arquiteto precisa ter em mente que toda a água utilizada na edificação 
deve ser armazenada em um reservatório com capacidade de abastecimento 
autônomo para dois dias ou mais (caso a rede pública falhe no abasteci-
mento). As caixas d’água e cisternas ocupam determinada área no terreno, e 
o arquiteto deve prever um local adequado para elas. As caixas d’água geral-
mente são instaladas na cobertura da edificação, onde a gravidade pode atuar 
na distribuição de água até os pontos determinados no projeto. Lembre-se 
de que a capacidade da caixa d’água influencia tanto em seu posicionamento 
(uma vez que caixas d’água com capacidade maior possuem tamanho maior 
e, consequentemente, necessitam de área maior) quanto em seu dimensiona-
mento estrutural, pois, quanto mais água, mais peso atua sobre a estrutura.
No caso de cisternas, elas normalmente estão no nível do solo ou subterrâ-
neas e necessitam de uma bomba que leve a água até o reservatório superior. 
O arquiteto e o profissional responsável pelo projeto hidráulico devem estar 
alinhados para garantir que o sistema funcione corretamente e que seus 
elementos não prejudiquem a funcionalidade ou a estética do edifício.
167
Esgotamento sanitário
Com relação ao projeto de esgoto sanitário, é preciso levar em conside-
ração a NBR 8.160 (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 
1999) e algumas particularidades próprias do EAS. Além das tradicionais 
caixas de gordura e caixa de inspeção, devem ser utilizadas outras caixas de 
separação de material de acordo com a atividade envolvida. Cabe ao arqui-
teto saber posicioná-las, de forma que nenhum elemento construído interfira 
em seu acesso . Por exemplo, se houver algum piso sobre a caixa, este deve 
ter uma tampa que permita a manutenção e a limpeza da caixa. Caso o local 
onde será implantado o EAS tenha rede pública de esgoto, todos os dejetos 
podem ser lançados nela. Caso contrário, devem ser previstos sistemas de 
tratamento de detritos para que eles sejam lançados em rios e lagos sem 
danos ao meio ambiente.
Projeto elétrico
No projeto elétrico, as normas a serem seguidas estão contidas na NBR 
13.534 (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2008a). 
Não existe um padrão de consumo, uma vez que este depende do tipo de 
equipamento utilizado. No entanto, alguns cuidados devem ser tomados, 
uma vez que alguns equipamentos eletroeletrônicos são de vital impor-
tância para os pacientes, seja porque são utilizados em uma ação terapêutica, 
seja porque são responsáveis pelo monitoramento dos parâmetros fisioló-
gicos desses pacientes. É o caso das UTIs, por exemplo. Por conta disso, as 
instalações elétricas devem contar com um sistema de alimentação capaz de 
fornecer energia mesmo em caso de falhas ou quedas superiores a 10% do 
valor nominal (BRASIL, 1994). 
Com base nisso, foram determinadas três classes de emergência, em que 
os ambientes são classificados de acordo com o tempo de restabelecimento 
da alimentação de energia (BRASIL, 1994):
• Classe < 0,5: fonte capaz de assumir automaticamente o suprimento 
de energia nos casos de falha em no máximo 0,5 segundo e mantê-la 
por no mínimo 1 hora.
• Classe < 15: fonte com chaveamento automático (superior a 15 
segundos) ou manual que garante o suprimento de energia por 24 horas. 
São alimentados por essa fonte os equipamentos eletroeletrônicos não 
ligados diretamente a pacientes, por exemplo, equipamentos de lavan-
deria, esterilização de materiais e sistemas de descarte de resíduos.
168
• Classe > 15: fonte de emergência que assume automaticamente o 
suprimento de energia quando a rede elétrica acusa queda superior 
a 10% do valor nominal por um período superior a 3 segundos. É 
ativada em no máximo 15 segundos e mantém o suprimento de 
energia por 24 horas. São alimentados por essa fonte os equipamentos 
eletromédicos utilizados em procedimentos cirúrgicos, de susten-
tação da vida e aqueles integrados ao suprimento de gases. 
Os sistemas de emergência demandam do arquiteto, de forma semelhante 
ao caso das instalações hidrossanitárias, uma conversa com o profissional 
responsável pelo projeto elétrico, uma vez que os geradores de energia 
ocupam uma área considerável e são fontes de calor.
Ainda sobre as instalações elétricas, o arquiteto deve estar atento para 
compatibilizar os pontos de tomada e a iluminação. As tomadas devem estar 
distribuídas de maneira adequada no ambiente, de acordo com os equipa-
mentos utilizados e o layout desenvolvido. Não podem ser localizadas atrás 
de móveis e devem ficar afastadas de equipamentos que possam soltar 
líquidos, para evitar curto-circuito. A iluminação deve atender a algumas 
particularidades, como a escolha de luminárias de teto para iluminação geral 
dos quartos de internação que não incomodem o paciente deitado, além da 
disponibilização de uma arandela na parede próxima à cama para leitura.
O Quadro 4.1 sintetiza alguns aspectos a serem observados acerca dos 
projetos complementares de climatização, instalações hidrossanitárias 
e elétricas.
Quadro 4.1 | Características das instalações prediais de EAS
Instalações de 
climatização
Tomada de ar: as tomadas de ar não podem estar próximas aos dutos de 
exaustão de cozinhas, sanitários, laboratórios, centrais de gás combustí-
vel, grupos geradores, vácuo, estacionamento interno e edificação, bem 
como de outros locais onde haja emanação de agentes infecciosos ou 
gases nocivos, estabelecendo-se a distância mínima de 8 metros desses 
locais.
Renovação de ar: o sistema de condicionamento artificial de ar necessita 
de insuflamento e exaustão de ar do tipo forçado, atendendo aos requisi-
tos quanto à localização de dutos em relação aos ventiladores, pontos de 
exaustão do ar e tomadas do mesmo.
Ininterrupção do sistema: para os setores que necessitam de troca de 
ar constante, tem de ser previsto um sistema energético para atender às 
condições mínimas de utilização do recinto quando da falta do sistema 
elétrico principal, com o mínimo período de interrupção.
169
Instalações 
hidráulicas
Consumo médio de água fria:
• Paciente interno = 120 L/dia.
• Paciente externo, doador e público = 10 L/dia.
• Funcionário e estudante = 50 L/dia.
• Reabilitação (hidroterapia) = depende dos equipamentos utilizados 
(piscina, tanque de turbilhão, tanque de Hubbard, tanque de gelo, etc.).
• Diálise = 300 L/dia por cadeira.
• Cozinha = 25 L/dia.
• Laboratórios = depende do tipo de laboratório.
• Lavanderia = 35 a 40 L/dia por kg de roupa seca.
- Observação, atendimento imediato, clínica obstétrica, internação 
intensiva: 6 kg/leito/dia.
- Internação em clínicas médicas, cirúrgicas e pediátricas: 4 kg/
leito/dia.
- Internação em clínicaespecializada: variável.
Consumo médio de água quente:
• Higienização (pacientes e funcionários) = 30 L/banho a 60ºC.
• Cozinha = 12 L/refeição a 60ºC.
• Lavanderia = 15 L/kg de roupa seca a 74ºC.
Instalações de 
esgotamento 
sanitário
Caixas de separação de material:
• Unidade de Nutrição e Dietética, Lactário e Nutrição Enteral: caixa 
de gordura.
• Laboratório de bioquímica: caixa de separação de material químico 
em atividade.
• Laboratório para revelação de filmes e chapas: caixa de separação de 
prata. 
• Unidade de Medicina Nuclear: caixa de separação de material radio-
ativo.
• Unidade de Processamento de Roupa: caixa de separação de produto 
de lavagem.
• Sala de gesso: caixa de separação de gesso.
• Oficina de manutenção: caixa de separação de graxa.
• Caixa de separação para os efluentes de lavadores de gás de chaminés 
de caldeiras.
170
Instalações 
elétricas
Tomadas:
• Enfermaria da Unidade de Internação Geral: uma tomada para equi-
pamento biomédico por leito isolado ou a cada dois leitos adjacentes, 
alimentada por circuito semicrítico, além de acesso à tomada para 
aparelho transportável de raios X distante no máximo 15 metros de 
cada leito.
• Berçário: uma tomada para cada quatro berços e uma tomada para 
cada incubadora. As incubadoras são alimentadas por circuito 
semicrítico.
• Área coletiva da Unidade de Internação Intensiva: seis tomadas para 
equipamento biomédico por leito, berçário ou incubadora, alimen-
tadas por circuitos críticos, além de acesso à tomada para aparelho 
transportável de raios X distante no máximo 15 metros de cada leito.
• Sala de cirurgia e sala de parto: três conjuntos com quatro tomadas 
cada em paredes distintas, alimentados por circuitos críticos e toma-
da para aparelho transportável de raios X.
Iluminação dos quartos de internação e UTI:
• Iluminação geral em posição que não incomode o paciente deitado.
• Iluminação de cabeceira de leito na parede (arandela).
• Iluminação de exame no leito com lâmpada fluorescente.
• Iluminação de vigília na parede (a 50 cm do piso).
Fonte: adaptado de Brasil (1994).
Projeto de instalações fluido-mecânicas
Além dos projetos complementares mencionados, os edifícios hospi-
talares contam com instalações fluido-mecânicas: vapor, gás combustível, 
oxigênio medicinal, ar comprimido, vácuo e óxido nitroso. Esse projeto é 
bastante complexo e deve ser realizado por um profissional especializado. No 
entanto, o arquiteto precisa compreender ao menos o básico sobre ele para 
que possa compatibilizar os projetos.
Pesquise mais
O manual de Normas para Projetos Físicos de Estabelecimentos Assis-
tenciais de Saúde fornece as diretrizes para as instalações fluido-mecâ-
nicas do edifício hospitalar. No Capítulo 7 (Instalações Prediais Ordiná-
rias e Especiais), o item 3 aborda o tema Instalações Fluido Mecânicas 
(páginas 124 a 128).
BRASIL. Normas para Projetos Físicos de Estabelecimentos Assisten-
ciais de Saúde. Brasília: Ministério da Saúde, 1994.
171
Projeto de interiores 
Materiais e limpeza
Outro tipo de instalação que, apesar de não receber essa denominação, 
possui muita importância no desempenho do edifício são os materiais. 
Revestimentos como peças cerâmicas, porcelanatos, pintura, pisos vinílicos, 
madeira, entre tantos outros, fazem parte da composição dos ambientes 
de uma edificação. Os materiais escolhidos, através de suas caracterís-
ticas físico-químicas, texturas e cores, devem transmitir uma sensação de 
bem-estar, segurança e limpeza (GÓES, 2004). A limpeza se refere à facili-
dade de higienização de um material, devendo ser evitados materiais porosos 
que acumulem poeira e outras substâncias. O ideal é que as paredes sejam 
pintadas com tinta lavável ou tenham revestimento cerâmico, no caso de 
banheiros, cozinhas, centros cirúrgicos e laboratórios. Quanto aos pisos, 
existem opções de rodapés curvos que eliminam o acúmulo de poeira e 
facilitam a limpeza dos cantos, como no caso do piso vinílico (Figura 4.2).
Figura 4.2 | Exemplo de rodapé curvo com piso vinílico
Fonte: DiPiso. Disponível em: http://www.dipiso.com.br/produtos/57/suporte-para-canto-curvo. Acesso em: 
3 mar. 2019.
Segurança
Em se tratando de segurança, é aconselhável evitar materiais com frestas 
e quinas que possam machucar o paciente. Os pisos não podem ser escorre-
gadios e devem estar nivelados, inclusive os rejuntes, caso existam, para que 
não haja trepidação do paciente que é carregado sobre uma maca ou cadeira 
de rodas . É interessante notar que, como na maior parte do tempo o paciente 
está deitado, o teto deve receber um tratamento especial que estimule a 
recuperação do enfermo (GÓES, 2004).
http://www.dipiso.com.br/produtos/57/suporte-para-canto-curvo
172
Bem-estar
Quando falamos de bem-estar, existem inúmeros fatores que podem 
contribuir para esse sentimento: os espaços humanizados, a influência da 
iluminação e ventilação natural e os benefícios da vegetação para a recupe-
ração dos doentes. O bom uso de cores e texturas em um ambiente interno 
pode influenciar o modo como os pacientes enxergam o edifício. 
O projeto de interiores deve ter por objetivo evitar a criação de ambientes 
com condições muito estáveis, monótonas e impessoais (GÓES, 2004), 
fugindo do conhecido padrão hospitalar de ambientes completamente 
brancos, desde os elementos da construção até o jaleco dos funcionários. A 
monotonia não prejudica apenas o conforto ambiental dos pacientes, mas 
também diminui o desempenho das tarefas do trabalho (GÓES, 2004).
Reflita
Durante a elaboração do projeto do EAS, é fundamental pensar sobre 
funcionalidade e conforto ambiental. A percepção do usuário sobre os 
espaços pode influenciar seu tratamento, e essas condições podem ser 
determinadas pelo arquiteto a partir de algumas escolhas. Pensando 
nisso, de que forma a estética do edifício pode contribuir para a cura 
dos doentes?
Segundo Góes (2004), as boas condições ambientais devem representar 
o principal objetivo de um edifício hospitalar, estando implícitas em sua 
própria essência. Nesse sentido, a especificação de materiais e o planejamento 
adequado das instalações prediais representam a consolidação do projeto 
arquitetônico, que deve ser idealizado segundo os princípios de funcionali-
dade e conforto ambiental.
Chegamos ao fim de mais um tópico temático sobre arquitetura hospi-
talar e estamos caminhando para a finalização do projeto. Com os conceitos 
aqui aprendidos, você já pode refinar sua proposta, para que ela esteja apta a 
ser edificada e utilizada com eficiência e conforto.
Sem medo de errar
Você e sua equipe de trabalho estão prestes a finalizar uma proposta 
arquitetônica para uma Unidade Básica de Saúde (UBS) no bairro novo que 
será inaugurado na cidade. Com quase tudo definido, restam os ajustes finais 
para a concretização da apresentação do projeto.
173
Agora que todos os desenhos técnicos do projeto arquitetônico já foram 
desenvolvidos, você deve orientar a elaboração dos projetos complementares: 
instalações hidrossanitárias, instalações elétricas e de climatização. Antes 
de enviar o projeto para os profissionais responsáveis, você pode estipular 
previamente como gostaria que eles fossem resolvidos. Por exemplo, os 
desenhos enviados ao engenheiro eletricista podem constar os pontos de 
tomada e iluminação de acordo com o layout que você desenvolveu para os 
ambientes. 
Não se esqueça de que alguns dos equipamentos utilizados no 
Estabelecimento Assistencial de Saúde precisam de sistema elétrico diferen-
ciado ou de emergência. Da mesma forma, os pontos para ar condicio-
nado, exaustão e as instalações fluido-mecânicas (ar comprimido, vácuo, 
oxigênio, óxido nitroso e vapor) devem ser posicionados de acordo com o 
ambiente. Você pode consultar o manual de Normas para Projetos Físicos de 
Estabelecimentos Assistenciais de Saúde, elaborado pelo Ministério da Saúde 
(BRASIL, 1994, p. 45-91), para verificar quais instalações são necessárias em 
cada um dos ambientes hospitalares.
Ainda,você deve prever um espaço (laje técnica, sala de máquinas ou 
similar) que comporte os equipamentos necessários nas instalações prediais: 
caixas d’água, cisternas, geradores de energia, evaporadores do sistema de 
climatização, etc. Você pode realizar o pré-dimensionamento das caixas 
d’água e cisternas de acordo com os dados sobre consumo apresentados no 
Quadro 4.1 desta seção.
Você deve incorporar essas informações ao projeto a partir da elabo-
ração de novos desenhos técnicos que identifiquem os elementos citados. 
Desenvolva a planta baixa de pontos elétricos, planta de iluminação e planta 
de pontos hidrossanitários. Não se esqueça de compatibilizar a locação dos 
pontos com o layout já desenvolvido. 
O projeto de instalações fluido-mecânicas, apesar de também ser um 
projeto complementar da área da saúde, deve ser realizado por profis-
sional especializado.
A fim de iniciar os detalhamentos do projeto, você também deve elaborar 
uma lista de especificação dos materiais que vão compor a estrutura física do EAS. 
Assim, escolha o acabamento de piso, parede e teto de acordo com cada ambiente. 
Essas informações podem ser identificadas em uma planta baixa de acabamentos 
e em elevações das paredes que vão receber algum tipo de revestimento.
Organize os desenhos em pranchas tamanho A3, sem necessidade de 
humanização das peças gráficas. Esses desenhos devem ser anexados ao 
memorial descritivo do projeto e entregues ao final da disciplina.
174
Avançando na prática
Especificação de materiais como solução de 
problemas
Um cliente deseja utilizar um terreno anexo a um hospital como estaciona-
mento para os funcionários. Em uma visita ao lote, você percebeu que o terreno 
é plano, de terra batida e não possui nenhuma cobertura vegetal. Você identi-
ficou, também, que a rua onde o terreno está localizado recebe muita água 
proveniente das chuvas, por estar em uma cota de nível inferior ao entorno.
Como você solucionaria o problema do projeto do estacionamento e qual 
proposta apresentaria ao cliente?
Resolução da situação-problema
Todo projeto, por mais simples que seja, envolve a análise de diversos 
aspectos. Um estacionamento em um terreno vazio parece algo fácil de ser 
resolvido: basta pavimentar todo o lote e pintar as vagas no chão. Mas, será 
que isso é eficiente? Proporcionaria algum conforto aos usuários?
Vamos analisar a situação do ponto de vista de desempenho. Como foi obser-
vado em uma visita técnica, o lote recebe muita água da chuva, pois está localizado 
em uma área mais baixa em relação ao entorno. O terreno está em terra batida, 
ou seja, é completamente permeável. É possível que a impermeabilização do solo 
possa ocasionar enchentes no lote, uma vez que a água não infiltrará mais no solo. 
Assim, a especificação de pisos drenantes ou de pavimentos semipermeáveis como 
o concregrama (Figura 4.3) evitaria problemas com a drenagem urbana.
Figura 4.3 | Exemplo de piso concregrama
Fonte: Wikimedia Commons. Disponível em: https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Rasenpflasterstein_1.
jpg. Acesso em: 3 mar. 2019.
https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Rasenpflasterstein_1.jpg
https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Rasenpflasterstein_1.jpg
175
Em cada projeto, é necessário analisar a qual atividade ou função ele se 
propõe, para que seja possível oferecer as melhores condições para sua reali-
zação. A função de um estacionamento é guardar o automóvel enquanto ele 
não está sendo utilizado para locomoção. Qual é a melhor forma de se fazer 
isso? Do ponto de vista de conforto, um carro esquenta quando fica no sol 
durante um período de tempo, sendo desconfortável permanecer em seu 
interior. Proporcionar áreas de sombra para que os usuários tenham mais 
conforto quando retornem a seus veículos seria uma boa maneira de exercer 
a função proposta. Nesse caso, poderiam ser colocadas coberturas com tela 
solar ou outros materiais que permitam a passagem de iluminação natural, 
porém de forma filtrada e com menor transmissão de calor. O plantio de 
árvores também é uma solução adequada, uma vez que a vegetação propor-
ciona bem-estar psicológico.
Faça valer a pena
1. Os projetos complementares são soluções técnicas desenvolvidas para 
as instalações prediais associadas ao projeto arquitetônico. Alguns desses 
projetos são de caráter genérico, sendo aplicados em praticamente todas as 
edificações. Outros, no entanto, são mais específicos e necessários em alguns 
tipos de estabelecimentos.
Assinale a alternativa que contém o projeto complementar específico apenas 
da área de saúde.
a. Instalações de climatização.
b. Instalações hidrossanitárias.
c. Instalações elétricas.
d. Instalações fluido-mecânicas.
e. Instalações luminotécnicas.
2. A especificação de materiais faz parte do detalhamento do projeto e 
consiste em indicar quais produtos serão utilizados na construção e seu local 
e forma de aplicação. Os materiais escolhidos dependem do tipo de estabele-
cimento, da oferta no mercado local, do preço, entre outros fatores.
Escolha a alternativa que apresenta as características que devem ser obser-
vadas pelo arquiteto no momento de escolher os materiais para uma edifi-
cação de saúde.
176
a. Os materiais devem ter cores e texturas que garantam o bem-estar dos 
usuários, independentemente de suas características físico-químicas.
b. Os materiais devem ser os mais baratos do mercado, pois as edifica-
ções de saúde são construídas com verba pública.
c. Os materiais devem ser resistentes e impermeáveis, garantindo a 
completa higienização e assepsia das superfícies.
d. Os materiais escolhidos devem ser classificados como lançamentos do 
mercado, pois apresentam tecnologia mais avançada.
e. Os materiais devem ser escolhidos de acordo com o gosto pessoal do 
arquiteto, ignorando fatores como economia, durabilidade e limpeza.
3. Segundo Góes (2004, p. 105), “um aspecto do edifício hospitalar que 
deveria estar implícito na própria essência dos seus objetivos é o das suas 
condições ambientais”.
Com base no conforto ambiental das edificações, avalie as asserções a seguir 
e a relação proposta entre elas.
I. A especificação de materiais em Estabelecimentos Assistenciais de 
Saúde devem levar em consideração fatores como resistência, durabi-
lidade, higienização e economia. Outros elementos, como cores e 
texturas, podem ser incorporados ao processo de seleção visando 
oferecer um ambiente que proporcione bem-estar aos usuários.
PORQUE
II. O conforto ambiental de um espaço é determinado pela forma como 
seus elementos foram selecionados e organizados. Além da escolha 
correta de materiais, a estrutura física dos edifícios possui grande 
influência na sensação de conforto, uma vez que por meio dela é 
possível utilizar a iluminação e a ventilação natural de maneira 
adequada.
A respeito dessas asserções, assinale a alternativa correta.
a. As asserções I e II são proposições verdadeiras, mas a II não justifica 
a I.
b. As asserções I e II são proposições verdadeiras, e a II justifica a I.
c. A asserção I é uma proposição verdadeira, e a II é falsa.
d. A asserção I é uma proposição falsa, e a II é verdadeira.
e. As asserções I e II são proposições falsas.
177
Seção 2
Elaboração de maquete física e virtual
Diálogo aberto
Você já se sentiu perdido ao conversar com alguém que fala sobre algo 
que você não domina? É assim que alguém que não é da área da construção 
civil se sente quando observa uma planta baixa pela primeira vez. Antes que 
o profissional explique o que é cada símbolo no desenho, um leigo olhará 
para um emaranhado de linhas e, provavelmente, não entenderá absoluta-
mente nada. Os modelos tridimensionais, diferentemente dos desenhos 
técnicos, são muito mais facilmente compreendidos pelos indivíduos, 
auxiliando na apresentação do projeto, além de outros recursos durante o 
processo projetual.
Lembre-se de que você é um arquiteto especialista em arquitetura hospi-
talar e que seu escritório participará de um concurso público para o projetode uma Unidade Básica de Saúde (UBS), a ser implantada em um loteamento 
recém-inaugurado, localizado no interior do estado. Até agora, boa parte do 
projeto já foi desenvolvido e você já tem os desenhos técnicos, a compatibili-
zação dos projetos complementares e a especificação dos materiais. Chegou 
o momento de você e sua equipe realizarem as maquetes desse projeto, que 
garantirão a completa compreensão das ideias do arquiteto. Uma imagem 
em três dimensões feita em um computador ou uma maquete física, por mais 
simples que sejam, transmitem as ideias do profissional com muita clareza. 
Contudo, a maquete não é utilizada apenas na etapa de apresentação do 
projeto. Para quais outros aspectos do projeto a maquete poderá contribuir? 
Quais as formas de elaboração de maquetes?
Nesta seção, veremos em quais etapas do projeto a maquete pode ser 
utilizada, quais as diferenças entre a maquete virtual e a física e os equipa-
mentos ou softwares utilizados para a confecção delas. Ainda, veremos como 
as maquetes são úteis na elaboração de estudos que contribuirão para a quali-
dade final da edificação.
Bons estudos! 
Não pode faltar
As maquetes arquitetônicas são muito importantes para a concepção 
do projeto, pois o modelo em três dimensões confere mais realismo do 
que o desenho no papel (KOWALTOWSKI et al., 2006). As maquetes de 
178
arquitetura exigem técnicas e execução precisas, pois elas representarão 
uma edificação, um mobiliário, uma parte da cidade, entre outros, a fim de 
transmitir os conceitos do projeto por meio de um modelo tridimensional . 
Dessa forma, assim como os desenhos arquitetônicos, a maquete deverá ser 
confeccionada em uma escala apropriada para que seja mantida a proporção 
de suas dimensões. Geralmente, a escala é reduzida, sendo as mais utilizadas 
1:100 ou 1:200. A maquete de ampliação é utilizada somente para mostrar 
detalhes importantes.
Existem dois tipos de maquete: as físicas e as virtuais. As maquetes físicas, 
como o próprio nome diz, são produzidas a partir de materiais palpáveis, 
como os papéis (cartolina, papel duplex, papel triplex, papel paraná, papel 
pardo, etc.), madeiras (balsa, MDF, aglomerado, etc.) e plásticos (acetato, 
PVC, acrílico, isopor, etc.), entre outros. Já as maquetes virtuais são feitas 
a partir de programas computacionais, desenvolvidos especialmente para a 
produção de modelos tridimensionais. Para Pallasmaa (2005), as maquetes 
físicas têm o poder de estabelecer um vínculo entre o expectador e o projeto, 
onde o projetista pode manusear o modelo permitindo que a imaginação 
seja estimulada, enquanto as maquetes virtuais estão condicionadas a um 
comportamento passivo de manipulação visual, que cria um distanciamento 
entre o modelo e o sujeito. Unir a experiência proporcionada pelas maquetes 
físicas à racionalização e à precisão das maquetes virtuais pode garantir que o 
projeto seja analisado segundo os aspectos dos sentidos e da técnica.
Existe hoje uma infinidade de softwares que podem ser utilizados na 
confecção de maquetes virtuais. Uma das tecnologias que ajudou o trabalho 
do arquiteto é a chamada BIM (do inglês Building Information Model, ou 
Modelo da Informação da Construção). Essa tecnologia consiste em incor-
porar informações a cada um dos elementos do projeto, conferindo-lhes 
detalhes referentes à composição de materiais . Dessa forma, qualquer 
alteração feita em alguns dos objetos é, automaticamente, atualizada em 
todas as vistas do projeto (planta baixa, cortes, elevações, modelo tridi-
mensional), o que agiliza muito a elaboração de maquetes virtuais. Um 
dos principais softwares dessa tecnologia é o Revit, da empresa Autodesk 
(a mesma empresa que desenvolveu o AutoCAD, muito utilizado para 
desenhos técnicos). Outro programa computacional muito utilizado para a 
elaboração de maquetes virtuais é o Sketchup, comercializado pela Google. O 
Sketchup é mais intuitivo e fácil de trabalhar do que o Revit, porém a tecno-
logia BIM só poderá ser incorporada ao programa com o uso de módulos 
de extensão, ou plug-ins, como o Sketchup BIM-Tools e o BIMobject. A 
função destes plug-ins é adicionar informações ao projeto que permitam a 
sua automação e a sua sincronização com dados quantitativos, de materiais, 
de custo, entre outros. Uma das vantagens da tecnologia BIM é permitir a 
179
parametrização, ou seja, a identificação de parâmetros que podem constituir 
dimensões, materiais, estrutura, entre outras especificações do objeto. Com 
isso, é possível modificar os objetos de forma rápida, elaborar orçamentos 
de acordo com os produtos utilizados ou calcular a quantidade de material.
Pesquise mais
No Revit, cada grupo de componentes (objetos) é chamado de família. 
A atribuição de parâmetros a essa família possibilitará a sua edição de 
forma rápida. Por exemplo, o comprimento ou largura de um elemento 
poderá ser definido como parâmetro e, uma vez modificado, o modelo 
será atualizado em todas as vistas. Sugerimos que assista ao vídeo 
indicado a seguir, disponível no YouTube, que mostra um exemplo de 
parametrização.
PARAMETRIZAÇÃO de Famílias no Revit. [S.l.]: DAN-Engenharia, 2017. 1 
vídeo (1 min 10 s). Publicado pelo canal DAN-Engenharia.
Além dos programas de modelagem, existem também aqueles voltados 
para a renderização das imagens tridimensionais, ou seja, a adição de efeitos 
como luzes e propriedades dos materiais (reflexão, refração, transparência, 
textura, etc.). A renderização é a responsável por conferir realismo às imagens 
obtidas do modelo tridimensional. Alguns dos softwares dessa categoria são 
o Lumion, o Twinmotion e o V-Ray. Esse último consiste, na verdade, em um 
plug-in que pode ser associado aos programas de modelagem 3D. As imagens 
obtidas com esses softwares conseguem atingir um nível de realismo tão alto 
que podem ser confundidas com fotografias reais dos edifícios (Figura 4.4).
Figura 4.4 | Imagem renderizada
Fonte: Shutterstock .
180
Para garantir a qualidade da maquete, alguns aspectos devem ser obser-
vados, tanto em maquetes físicas quanto em virtuais. Nas maquetes físicas, é 
importante que os materiais, a estação de trabalho e as ferramentas estejam 
constantemente limpos para evitar manchas de tinta, marcas de cola ou 
sujeira. Além disso, é importante que a lâmina do estilete esteja afiada, caso 
contrário, o corte dos materiais terá rebarbas e não apresentará um bom 
acabamento. Tenha muito cuidado ao manusear os objetos cortantes pois 
você poderá se machucar.
Nas maquetes virtuais, um dos pontos a serem observados é a organi-
zação do modelo, separando-o em blocos e camadas que ajudem a identificar 
o que é cada coisa dentro do desenho. A modelagem dos objetos (blocos) 
deve ser feita com geometria detalhada para garantir um bom acabamento 
(Figura 4.5). Além disso, as imagens (texturas) que serão utilizadas para 
representar os materiais devem ter alta qualidade. 
Figura 4.5 | Exemplo de um objeto modelado com mais faces (a) e com menos faces (b)
Fonte: adaptada de Shutterstock. 
Uma das funções da maquete durante o desenvolvimento do projeto é 
permitir a realização de testes e estudos preliminares de iluminação, venti-
lação, implantação, entre outros, funcionando como um protótipo do objeto 
que será edificado. O processo de obtenção de uma cópia de um produto 
que ainda será executado a fim de analisá-lo é chamado de prototipagem 
(SAURA, 2003). Segundo Saura (2003), é possível determinar três categorias 
de prototipagem: manual, virtual e rápida. A prototipagem manual consiste 
(a) (b)
181
na elaboração da maquete física, confeccionada artesanalmente com ferra-
mentas como estiletes, réguas e lapiseiras. A prototipagem virtual é aquela 
em que os modelos são produzidos em programas computacionais (maquetes 
virtuais) e submetidos a testes diversos, como os de iluminação e ventilação.
Assimile
O estudo das condições acústicas, lumínicas, de insolação e ventilação, 
dentre outras características ambientais de uma construção, é de 
extremaimportância para garantir o conforto nos espaços. As maquetes 
auxiliam nesse processo, pois a partir delas é possível verificar diversos 
aspectos, como o melhor posicionamento de aberturas para aprovei-
tamento da luz solar e da ventilação de acordo com o clima da região, 
a distribuição e a intensidade da iluminação artificial e o tratamento 
adequado ao nível de ruído do ambiente.
Existem softwares que permitem a elaboração de estudos de insolação, 
ventilação, tensionamento de estruturas, iluminação artificial, entre 
outros aspectos que envolvem a edificação. Podemos citar o próprio 
Sketchup como um dos programas que permitem a análise da insolação 
sobre a construção. Para isso, é necessário configurar o programa 
com a geolocalização do terreno (latitude e longitude), a fim de obter 
o caminho do sol corretamente. Essa funcionalidade é relativamente 
simples de ser utilizada e permite a obtenção de dados importantes que 
influenciarão o conforto térmico da edificação. Podemos citar, ainda, 
outros softwares mais avançados, como o SONarchitect, que avalia o 
desempenho acústico da edificação, e o DIALux, que afere a iluminância 
gerada pela iluminação artificial.
Com relação às maquetes físicas, equipamentos como o Heliodon e o 
túnel do vento são utilizados para analisar as condições de insolação e 
ventilação, respectivamente. O Heliodon é um equipamento que simula 
a trajetória do sol de acordo com o dia, o horário e a localização da 
construção. Com ele, é possível analisar quais faces do projeto receberá 
mais ou menos sol e propor uma proteção solar adequada à intensidade 
de luz recebida. Nos túneis de vento, é possível analisar como o fluxo 
de circulação do ar acontecerá no edifício, além de permitir estudos de 
segurança estrutural.
Já a prototipagem rápida é uma mistura de ambas, e consiste em produzir 
maquetes físicas a partir de um modelo gerado por um programa do tipo 
CAD (SAURA, 2003). Segundo Sass e Oxman (2006), existem três tipos de 
máquinas capazes de produzir os protótipos: cortadoras, subtrativas e aditivas. 
As máquinas cortadoras mais comuns são as de corte a laser, que permitem 
182
cortar um material plano de acordo com peças desenhadas com o auxílio dos 
softwares. As peças obtidas serão utilizadas, posteriormente, para a montagem 
da maquete. Nesse processo, é importante que exista o planejamento das peças 
que comporão o modelo, a partir da planificação da edificação e da elaboração 
de encaixes que viabilizarão a montagem do modelo. As máquinas subtrativas 
realizam um processo semelhante ao de uma escultura, em que as peças brutas 
são esculpidas para a obtenção do modelo. Já as máquinas aditivas produzem a 
maquete a partir da deposição de material, normalmente um plástico, camada 
por camada. São conhecidas como impressoras 3D. A Figura 4.6 mostra 
exemplos de prototipagem rápida obtidas com diferentes máquinas.
Figura 4.6 | Exemplo de máquinas cortadora (a), subtrativa (b) e aditiva (c)
Fonte: adaptada de (a) Pixabay ; (b) Shutterstock ; (c) https://commons.wikimedia.org/wiki/File:3D_Drucke -
r_%E2%80%93_CeBIT_2016_02.jpg. Acesso em: 16 set. 2019.
(b)
(c)
(a)
https://commons.wikimedia.org/wiki/File:3D_Drucker_%E2%80%93_CeBIT_2016_02.jpg
https://commons.wikimedia.org/wiki/File:3D_Drucker_%E2%80%93_CeBIT_2016_02.jpg
183
As maquetes de edificações podem ser utilizadas em várias etapas 
do projeto, desde o desenvolvimento inicial até a apresentação final. No 
momento da concepção do projeto, a sua principal função é permitir estudos 
volumétricos, de implantação, de insolação e ventilação natural que orien-
tarão o profissional nas decisões a respeito do projeto. Assim, cada maquete 
de estudo dará ênfase ao aspecto que ela deseja analisar, sem destacar cores 
ou elementos para que não chamem a atenção. Por isso, as maquetes de 
estudo geralmente são monocromáticas (Figura 4.7). 
Figura 4.7 | Exemplo de maquete física de estudo
Fonte: Shutterstock. 
Exemplificando
Em uma maquete de estudo de volumetria, pouco importa quais são os 
materiais da fachada. A ênfase maior deve ser dada à solução formal da 
edificação, portanto, as cores e texturas não devem ser utilizadas. Em 
vez disso, talvez seja interessante representar o gabarito das edifica-
ções do entorno na maquete, para analisar como o edifício será perce-
bido no contexto da cidade.
Nesta etapa, é recomendada a confecção de maquetes físicas, já que 
elas não estão suscetíveis às distorções de perspectiva ocasionadas por 
falhas de configuração dos softwares. Essas falhas podem ocasionar uma 
184
falsa percepção da realidade, dando a impressão de elementos maiores ou 
menores, dependendo da situação.
Já nas etapas finais, o principal intuito é auxiliar o arquiteto a transmitir 
as suas ideias, uma vez que o entendimento de um modelo tridimensional é 
mais simples e fácil do que o de desenhos técnicos (KOWALTOWSKI et al., 
2006). Nesse caso, o aspecto a ser enfatizado é aquele que o cliente considera 
como o mais importante, porém sem prejudicar a representação do projeto 
como um todo (sua forma e seus materiais) . São recomendadas as maquetes 
virtuais e, principalmente, as imagens renderizadas obtidas a partir desses 
modelos (Figura 4.8). Dependendo das texturas e dos blocos utilizados e das 
configurações realizadas pelo arquiteto, essas imagens poderão apresentar 
um nível de realismo muito alto, com o poder de encantar o cliente. Dessa 
forma, é possível convencê-lo a adotar as ideias propostas pelo profissional 
de forma muito mais fácil, pois o cliente terá compreendido o projeto.
Figura 4.8 | Exemplo de imagem renderizada
Fonte: Shutterstock .
Reflita
Os softwares estão sempre recebendo atualizações que modificam e 
aperfeiçoam o seu funcionamento. De que forma os projetos poderão 
ser aprimorados com o uso dessa tecnologia, e como ela influencia o 
cotidiano profissional?
A maquete é uma parte importante do projeto e, atualmente, podemos 
dizer que é obrigatória, principalmente na etapa de apresentação do projeto. 
185
Muitos clientes solicitam e esperam ver as imagens renderizadas, a fim de 
obterem uma prévia de como ficará a sua edificação antes mesmo de ser 
construída. Por isso, é imprescindível que o arquiteto tenha conhecimento 
sobre as ferramentas de elaboração de maquetes, a fim de enriquecer o 
seu trabalho.
Sem medo de errar
Você e sua equipe fazem parte de um escritório especializado em arquite-
tura hospitalar e estão participando de um concurso público para um projeto 
de uma Unidade Básica de Saúde (UBS). O projeto que vocês estão desenvol-
vendo está quase finalizado. A fim de melhorar a apresentação das ideias da 
equipe à banca do concurso será apresentada uma maquete virtual da UBS. 
Utilize os desenhos técnicos como base para elaborar a modelagem tridi-
mensional do edifício.
Você pode escolher o programa de modelagem com que tenha mais 
habilidade. O uso do software Sketchup é recomendado devido à sua maior 
facilidade de utilização. Inicie importando a planta baixa em formato .dwg, 
que servirá como base do projeto. Desenhe as estruturas, as paredes, as 
coberturas e os pisos e utilize diferentes camadas e blocos para organizar os 
desenhos. Depois, desenhe as aberturas e, por último, os elementos, como 
mobiliário e vegetação. 
Utilizando o Sketchup, você terá uma biblioteca de blocos disponíveis 
gratuitamente no 3D Warehouse. Porém, cuidado ao fazer a seleção, pois ela 
não deve ser feita aleatoriamente, com base apenas na facilidade de obtenção 
oferecida pela biblioteca. Isso porque são os próprios usuários que adicionam 
os modelos à galeria, e existem objetos de todas as partes do mundo, desde 
árvores que só crescem em climas frios até mobiliários de design que são 
vendidos apenas na Europa. Você deverá selecionar os blocos de forma 
criteriosa, levando em consideração aqueles que poderão ser executados 
no projeto. Se a intenção da maquete é mostrar como a construção ou o 
ambiente ficará depois de pronto, esse cuidado é muitoimportante.
Depois de todos os objetos e elementos desenhados, acrescente os 
materiais ao projeto. Não se esqueça de utilizar imagens de alta qualidade 
para representar as texturas dos materiais, a fim de obter um acabamento 
melhor do modelo. Existem sites na internet que disponibilizam pacotes 
de texturas, como o Sketchup Texture Club. Nesse site, você pode baixar as 
texturas gratuitamente ou optar por comprar a imagem em alta resolução, 
juntamente com os mapeamentos necessários para a configuração do 
material nos softwares de renderização.
186
Feito tudo isso, você terá um modelo tridimensional da UBS pronto para 
ser renderizado. Guarde o arquivo em um local seguro para utilizá-lo nas 
próximas etapas do projeto.
Avançando na prática
Avaliação de conforto em maquetes físicas
As maquetes físicas, em especial, são muito utilizadas para a realização de 
estudos de conforto ambiental que garantirão a qualidade dos ambientes dos 
quais o usuário desfrutará com bem-estar, livre de situações desconfortáveis. 
A insolação e a ventilação são dois fatores que influenciam de maneira signi-
ficativa o desempenho térmico da edificação. Portanto, no Brasil, os estudos 
voltados para a proteção contra o sol e o aproveitamento dos recursos 
naturais são ótimas formas não só de garantir o conforto, mas também de 
gerar economia para a edificação.
Você já fez a análise da insolação que incide no terreno com o Heliodon, 
porém agora você deverá analisar se o seu projeto conseguiu aproveitar as 
condições climáticas para gerar conforto ambiental.
Resolução da situação-problema
Você deverá utilizar a maquete volumétrica da Unidade Básica de Saúde 
(UBS) que está desenvolvendo para realizar novos estudos com o Heliodon. 
Caso o projeto tenha sido alterado ao longo de seu desenvolvimento, será 
necessária a confecção de um novo modelo tridimensional, que deve ser 
simples, monocromático e em escala 1:200.
Identifique quais as áreas de sombra e quais as áreas que recebem maior 
insolação e analise se a incidência solar está adequada ao clima da região, 
permitindo a obtenção de luz natural sem prejudicar o conforto térmico. 
Você deverá propor soluções para as incompatibilidades observadas, que 
dependerão do problema encontrado, como aumentar a área das janelas 
para receber mais luz natural ou incorporar algum tipo de proteção contra a 
insolação. Essa proteção poderá ser feita por meio de brises, fachadas venti-
ladas, redução de aberturas, aumento da espessura das paredes e até mesmo 
com vegetação. Cabe ao arquiteto solucionar o problema em questão para 
minimizar o desconforto ocasionado pelo calor tropical de nosso país. Tire 
fotos do estudo e organize-as em uma prancha, indicando os aspectos obser-
vados e qual foi a solução adotada.
187
Faça valer a pena
1. A execução das maquetes físicas ou virtuais é uma etapa importante 
para qualquer projeto arquitetônico. No entanto, o uso de cada uma delas 
apresenta vantagens e desvantagens. Com base nisso, avalie as afirmativas a 
seguir:
I. A maquete física será sempre mais realista do que a maquete 
virtual, pois ela não permite distorções de perspectiva ocasionadas 
pelos programas computacionais, que poderão tornar os elementos 
maiores ou menores.
II. A partir da maquete virtual é possível gerar imagens utilizando os 
softwares de renderização, em que os efeitos de luz e os materiais 
realistas aproximam o modelo tridimensional do projeto executado.
III. Os profissionais, geralmente, adaptam-se melhor a um tipo de 
maquete. Eles poderão adequar a sua forma de projetar e apresentar 
as propostas de acordo com a sua habilidade em elaborá-las.
IV. Apesar de a maquete não ser considerada obrigatória pelos órgãos 
públicos responsáveis pela aprovação do projeto, ela se faz necessária 
no mercado atual, uma vez que são demandadas pelos clientes.
Assinale a alternativa que contém apenas as afirmativas corretas.
a. I, III e IV, apenas.
b. II e III, apenas.
c. II, III e IV, apenas.
d. II e IV, apenas.
e. I, II, III e IV.
2. Entre os softwares para modelagem tridimensional de projetos de arqui-
tetura, existem aqueles que contam com a tecnologia BIM (Modelo da Infor-
mação da Construção). Essa tecnologia consiste em incorporar informações 
a cada um dos elementos do projeto, conferindo-lhes detalhes referentes à 
composição de materiais e ao dimensionamento. O nome desse processo é 
parametrização.
Com base no texto apresentado, assinale a alternativa correta.
a. Parametrização e prototipagem rápida são um mesmo processo, que 
consiste na produção de maquetes de forma ágil e eficiente.
188
b. Com a parametrização, as alterações feitas em qualquer um dos 
objetos não será atualizada automaticamente em todos os desenhos 
do projeto.
c. A parametrização serve apenas para agilizar o trabalho do arquiteto, 
facilitando a edição das características dos componentes do projeto.
d. Uma das vantagens da parametrização é permitir a realização de 
orçamentos e cálculos da quantidade de materiais que serão utilizados 
na obra.
e. A parametrização não é uma ferramenta exclusiva da tecnologia BIM, 
uma vez que os programas do tipo CAD também contam com esse 
recurso.
3. O desempenho térmico da edificação é importante para garantir o 
conforto dos usuários. Existem formas de realizar estudos de insolação e 
ventilação que ajudarão o arquiteto a propor soluções de acordo com a locali-
zação do terreno e da construção. Com base nisso, avalie as asserções a seguir 
e a relação proposta entre elas.
I. O Heliodon e o túnel de vento são equipamentos utilizados para a 
elaboração de estudos em maquetes físicas, enquanto, nas maquetes 
virtuais, as análises são realizadas por meio de uso de softwares.
PORQUE
II. As análises de maquetes virtuais realizadas em programas computa-
cionais não dependem da intervenção do arquiteto, uma vez que o 
software dá todas as informações e dados referentes ao desempenho 
da edificação.
A respeito dessas asserções, assinale a alternativa correta.
a. As asserções I e II são proposições verdadeiras, mas a II não justifica 
a I.
b. As asserções I e II são proposições verdadeiras, e a II justifica a I.
c. A asserção I é uma proposição verdadeira, e a II, falsa.
d. A asserção I é uma proposição falsa, e a II, verdadeira.
e. As asserções I e II são proposições falsas.
189
Seção 3
Apresentação do anteprojeto
Diálogo aberto
Caro aluno, você acompanhou todas as aulas e desenvolveu um projeto 
de arquitetura para um Estabelecimento Assistencial de Saúde (EAS). Os 
conteúdos deste material possibilitaram ampliar o seu conhecimento técnico 
acerca de um nicho específico de projeto, com características que demandam 
soluções cuidadosas de caráter técnico e humanitário. Agora, chegou o 
momento de realizar a última etapa do projeto arquitetônico: a apresentação.
Você trabalha em um escritório de arquitetura especializado em projetos 
de Estabelecimentos Assistenciais de Saúde (EAS), e a equipe da qual faz 
parte participará de um concurso público para um projeto de uma Unidade 
Básica de Saúde (UBS), a ser implantada no bairro novo da cidade onde 
mora, no interior do estado. Você já tem tudo o que precisa para apresentar 
o projeto, agora falta apenas planejar como será feita essa apresentação. Além 
dos desenhos técnicos e das peças gráficas, você também deverá elaborar um 
memorial justificativo e descritivo que explanará suas ideias em forma de 
texto. Você sabe como as informações do projeto deverão ser organizadas? 
Quais os tipos de apresentação e qual a finalidade de cada uma delas? Como 
criar uma apresentação envolvente e relevante ao público?
Nesta seção, veremos como preparar a apresentação do projeto de acordo 
com a situação. Abordaremos os elementos que conferem identidade visual às 
pranchas, como diagramação, paleta de cores, fontes e símbolos. Além disso, 
por se tratar de um projeto da área de saúde, veremos quais são as documen-
tações específicas que serão utilizadas para a aprovação do projetonos órgãos 
competentes. Ao final desta unidade, você terá concluído um projeto arquite-
tônico com desenhos de alta complexidade, como um anteprojeto.
Não pode faltar
Depois de passar pelas diferentes fases de desenvolvimento de um projeto 
de arquitetura – elaboração do programa arquitetônico, estudo preliminar e 
anteprojeto –, é chegada a hora da apresentação da proposta arquitetônica, 
um dos momentos mais importantes do projeto de arquitetura. O sucesso 
ou fracasso do projeto será influenciado pela capacidade do profissional de 
transmitir as suas ideias a um público específico. Esse público pode ser um 
cliente, uma comunidade, um órgão institucional ou uma banca avaliadora 
190
(de um concurso ou de uma instituição de ensino). Caso esse público 
compreenda o projeto e considere-o adequado às necessidades do cliente, a 
edificação terá mais chances de ser aprovada e utilizada pela população.
Sendo assim, o primeiro aspecto a ser considerado é o tipo de público 
para o qual a apresentação será direcionada, pois, dependendo do nível de 
familiaridade que ele tiver com a linguagem de projeto, desenhos diferentes 
deverão ser utilizados. Quando a plateia é leiga, os desenhos deverão ter uma 
linguagem mais simples para que sejam mais facilmente compreendidos: 
podem ser apresentados croquis, desenhos 3D e maquetes. No caso de uma 
plateia com conhecimento na área, a linguagem poderá ser mais técnica e 
podem ser apresentados desenhos técnicos e detalhamentos, bem como 
maquetes e desenhos 3D. 
Outro aspecto importante a ser observado são os interesses do público-
-alvo. Para criar uma apresentação envolvente e com conteúdo relevante, é 
necessário conhecer quais são as necessidades do público e enfatizá-las no 
momento da explicação do projeto. Durante a concepção projetual, o arqui-
teto já terá solucionado alguns dos problemas encontrados e elaborado uma 
proposta que atenda às necessidades dos usuários, portanto, a apresentação 
deverá mostrar a maneira com que esses aspectos foram resolvidos.
É possível categorizar a apresentação de projetos de duas formas distintas. 
Uma diz respeito a apresentações que visam à venda, seja um empreendi-
mento a futuros investidores, um espaço público para a população geral 
ou uma residência para uma família. Neste caso, a apresentação deve ser 
o mais envolvente possível, por isso, o uso de cores e peças gráficas que 
impressionam (como desenhos humanizados e imagens tridimensionais) é 
recomendado. As dicas quanto ao grau de conhecimento técnico do público 
vale para essa situação: quanto mais a audiência souber sobre o assunto, mais 
técnicas e aprofundadas serão as informações. No entanto, isso não signi-
fica que os desenhos deverão ser estritamente técnicos, podendo valer-se de 
diagramas, esquemas e outros recursos visuais para transmitir as informa-
ções necessárias.
Reflita
Se você achou estranho o uso do verbo “vender”, repense, pois, o arqui-
teto também vende os projetos que criou. Não importa qual é o cliente 
(se é uma pessoa comum, uma empresa, a população de uma cidade ou 
o seu professor na faculdade), você sempre estará vendendo a sua ideia 
representada em um projeto arquitetônico.
191
O arquiteto tem liberdade para determinar como as informações serão 
transmitidas. Quanto ao formato, poderá existir algumas exigências por parte 
da instituição ao qual a apresentação será submetida. Por exemplo, é comum 
que concursos públicos determinem o tamanho e quantidade de pranchas. 
Casos em que o público é muito grande, inviabilizando o uso de pranchas, o 
projeto poderá ser apresentado em formato multimídia (elaborado por meio 
de softwares como o Power Point).
Seja qual for o caso, é interessante que o arquiteto adote uma identidade 
visual que seja harmônica e que proporcione a sensação de continuidade ao 
longo da apresentação. A identidade visual é obtida a partir da repetição de 
determinados elementos: a mesma paleta de cores, grade de diagramação, 
fontes e símbolos gráficos. A escolha desses elementos poderá ser feita com 
base no conceito do projeto. Quanto à escolha da paleta de cores, existem 
esquemas que auxiliam na harmonização dos matizes escolhidos. Esses 
esquemas utilizam combinações de acordo com o círculo cromático, uma 
roda composta de cores primárias, secundárias e terciárias (Figura 4.9).
Figura 4.9 | Círculo cromático e esquema de cores
Fonte: elaborada pela autora.
As cores complementares são opostas no círculo cromático e esse esquema 
é formado sempre por um tom frio e um tom quente, com um forte contraste 
entre eles. As cores análogas estão situadas lado a lado no círculo e corres-
pondem a uma harmonia mais sutil, com pouco contraste. O esquema de 
cores triangular é formado por uma harmonia vibrante entre três cores, em 
que normalmente uma é a principal e as outras a realçam. É uma composição 
192
que deve ser utilizada com cautela para que a apresentação não cause descon-
forto visual. O esquema de cores complementares alternas é menos vibrante 
e tem menos contraste. Ainda, existem os esquemas quadrados ou retangu-
lares, que correspondem ao equilíbrio entre cores quentes e frias. Todos os 
esquemas de cores poderão ser utilizados, porém, o uso de cores comple-
mentares em composições de texto e fundo não é recomendado, pois preju-
dica a legibilidade das palavras (Figura 4.10).
Figura 4.10 | Relação de cores entre texto e fundo.
Fonte: elaborada pela autora.
A escolha da paleta de cores pode considerar, além de um esquema do 
círculo cromático, o efeito psicológico que ela representa. Cada cor tem um 
significado diferente e atua sobre os indivíduos gerando sensações como 
frieza, aconchego, higiene ou perigo. Assim, como as cores utilizadas nos 
ambientes do EAS influenciam o comportamento humano e o conforto 
ambiental, as cores das pranchas poderão representar uma sensação relacio-
nada ao conceito do projeto.
Pesquise mais
No livro Manual prático de arquitetura é possível encontrar uma breve 
associação das cores às sensações psicológicas que elas produzem. Leia 
as páginas 109 e 110 para saber mais a respeito.
GÓES, R. de. Manual prático de arquitetura hospitalar. São Paulo: 
Edgard Blücher, 2004.
193
Outra forma importante de manter a identidade visual da apresentação 
é usando a mesma grade de diagramação. A diagramação consiste na forma 
como as informações serão organizadas na prancha (Figura 4.11). A determi-
nação de uma grade permite planejar com maior eficiência como os assuntos 
estarão posicionados, gerando clareza e equilíbrio entre eles. Para isso, é 
necessário dividir o espaço que receberá o conteúdo com linhas verticais e 
horizontais, gerando uma malha. A regra dos terços (malha 3x3) é utilizada 
principalmente em pinturas e fotografias para destacar alguns dos elementos 
da imagem. 
Figura 4.11 | Exemplo de prancha com diagramação
Fonte: elaborado pela autora.
Exemplificando
Na arquitetura, grades do tipo 4x4 são mais comuns (Figura 4.12). O 
conteúdo gráfico e textual será distribuído dentro dessa malha, podendo 
ocupar um ou mais módulos de acordo com a ênfase dada pelo arqui-
teto. Utilizar a mesma grade não significa que os conteúdos (imagens 
e textos) serão dispostos sempre da mesma forma. A possibilidade de 
junção de módulos oferece inúmeras opções de organização das infor-
mações, mantendo os eixos de alinhamento que serão os responsáveis 
por dar a sensação de continuidade.
194
Figura 4.12 | Exemplos de diagramação com grade 4x4
Fonte: elaborada pela autora.
As fontes representam o formato das letras que serão utilizadas na 
apresentação. Devem ser utilizadas as mesmas fontes em toda a apresen-
tação, evitando o uso de mais que duas opções (geralmente, utiliza-se uma 
para títulos e destaques e outra para textos). As fontes escolhidas não devem 
ter detalhes artísticos muito rebuscados que comprometerão a sua compre-
ensão. Assim, as linhas devem ser limpas e claras para manter a legibili-
dade do texto. Um cuidado ao escolher as fontesé se certificar de que ela 
esteja condizente com o conceito do projeto apresentado. Por exemplo, a 
fonte Comic Sans é muito popular e seu estilo tem uma conotação infantil, 
enquanto a fonte Times New Roman tem características que a tornam 
mais sóbria.
Por fim, os símbolos, como o norte geográfico, a numeração, as legendas, 
os quadros e outros elementos devem seguir um padrão. Assim como as 
fontes e a paleta de cores, eles devem transmitir o conceito do projeto. Por 
exemplo, o uso de uma rosa dos ventos (Figura 4.13) para indicar a posição 
do norte geográfico em um projeto de uma galeria de arte com características 
minimalistas seria incompatível. 
195
Figura 4.13 | Exemplos de representação de norte geográfico
Fonte: https://www.archdaily.com.br/br/872666/biblioteca-de-desenhos-arquitetonicos-em-dwg-disponid-
veis-para-download/59301421e58eced5470000a3-biblioteca-de-desenhos-arquitetonicos-em-dwg-disponi-
veis-para-download-imagem. Acesso em: 17 set. 2019.
A segunda forma de apresentação é a que visa a aprovação do projeto 
em órgãos públicos. Aqui entram as prefeituras municipais, o corpo de 
bombeiros, os institutos ambientais e, no caso dos Estabelecimentos 
Assistenciais de Saúde (EAS), a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância 
Sanitária). A intenção é aprovar o projeto segundo as normas e legislações 
que o acometem, portanto, o próprio órgão determinará quais desenhos e 
documentos deverão ser entregues, além da forma de apresentação.
A Anvisa publicou um manual com as orientações para aprovação de projetos 
de arquitetura (AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA, 
2009), que deverá ser feita a partir da apresentação do projeto arquitetônico e 
do relatório técnico. Segundo o manual, o projeto arquitetônico deverá conter 
as informações mínimas necessárias para a sua compreensão, respeitando as 
normas de simbologia e nomenclatura dos ambientes. Ainda, o projeto deverá 
seguir as recomendações da Resolução RDC Nº 50/2002 . O Quadro 4.2 mostra 
as solicitações referentes ao desenho técnico feitas pelo órgão.
Quadro 4.2 | Itens exigidos para aprovação de projetos na Anvisa – desenhos arquitetônicos
Exigências para aprovação do projeto arquitetônico na Anvisa
Planta de situação.
Planta de implantação com indicação de acessos de pedestres e veículos, estacionamentos, etc.
Plantas baixas, cortes e fachadas em escala não menores do que 1:100 (exceto plantas de 
locação, situação e cobertura).
Indicação dos cortes nas plantas baixas.
Registro de todas as dimensões (cotas, áreas e cotas de nível dos ambientes).
https://www.archdaily.com.br/br/872666/biblioteca-de-desenhos-arquitetonicos-em-dwg-disponiveis-para-download/59301421e58eced5470000a3-biblioteca-de-desenhos-arquitetonicos-em-dwg-disponiveis-para-download-imagem
https://www.archdaily.com.br/br/872666/biblioteca-de-desenhos-arquitetonicos-em-dwg-disponiveis-para-download/59301421e58eced5470000a3-biblioteca-de-desenhos-arquitetonicos-em-dwg-disponiveis-para-download-imagem
https://www.archdaily.com.br/br/872666/biblioteca-de-desenhos-arquitetonicos-em-dwg-disponiveis-para-download/59301421e58eced5470000a3-biblioteca-de-desenhos-arquitetonicos-em-dwg-disponiveis-para-download-imagem
196
Locação de louças sanitárias e bancadas.
Locação de leitos e macas, quando houver.
Locação de equipamentos não portáteis médico-hospitalares e de infraestrutura.
Fonte: adaptado de Agência Nacional de Vigilância Sanitária (2009).
O relatório técnico consiste em um memorial descritivo e justificativo 
do projeto. O memorial descritivo é o documento onde serão dispostas 
todas as informações que caracterizam a construção, tais como a proposta 
do estabelecimento (no caso do EAS, a proposta assistencial) e as atividades 
envolvidas, além daquelas que descrevem o projeto, como materiais de 
acabamento, locação de aberturas, indicação de sistemas construtivos, entre 
outros. O memorial justificativo é onde o arquiteto esclarecerá as propostas 
do projeto, as soluções adotadas e outros esclarecimentos relacionados à 
concepção do projeto.
Assimile
Nas apresentações que visam à aprovação do projeto pelo cliente, 
normalmente o memorial descritivo e justificativo será detalhado na 
fala do apresentador. Os textos das pranchas deverão ser muito claros e 
objetivos, mas sem comprometer a qualidade do assunto abordado. Já 
os memoriais enviados aos órgãos públicos, em geral, são mais robustos 
e compostos de dissertações detalhadas acerca de todos os aspectos 
do projeto.
Independentemente do tipo de apresentação, o arquiteto sempre deverá 
colocar a identificação do projeto, do profissional, a instituição, as datas, o 
número de pranchas, além de outras informações básicas de classificação do 
empreendimento. Esses dados são adicionados em uma área específica da 
folha, denominada carimbo, normalmente situada na margem inferior do 
projeto, ocupando toda a largura da prancha ou apenas a parte à direita.
A apresentação consiste na última etapa da elaboração de um projeto 
arquitetônico. Os conteúdos vistos até aqui ofereceram conhecimento 
técnico para propor soluções, criar espaços e concretizar ideias e princípios 
em desenhos e textos que serão utilizados para transmitir as informações do 
projeto a um público específico. Vimos as particularidades que acometem 
a arquitetura hospitalar, e agora você está preparado para mostrar a sua 
proposta para a audiência.
A próxima etapa é a elaboração do projeto executivo.
197
Sem medo de errar
Você e sua equipe de arquitetos finalizaram o projeto arquitetônico de 
uma Unidade Básica de Saúde (UBS) para um concurso público do qual o 
escritório onde trabalha está participando. Tudo o que resta a fazer é preparar 
a apresentação da proposta desenvolvida pelos profissionais.
A prefeitura que lançou o concurso está localizada em uma cidade do 
interior do estado, e o edital prevê a apresentação dos projetos participantes 
por meio de banners de tamanho 80 x 120 cm. Essa solicitação foi feita, pois 
a prefeitura gostaria de realizar uma exposição com os melhores projetos na 
casa de cultura do município, para que a população pudesse conhecê-los. 
Além do banner, outro requisito do concurso é a entrega de um caderno 
de tamanho A4 com o projeto de arquitetura e o relatório técnico que serão 
avaliados por profissionais da Anvisa. Você deverá preparar as duas formas 
de apresentação para a entrega do projeto.
Para o banner, você deve considerar que as pessoas que visitarão a casa 
de cultura, onde o material estará exposto, provavelmente não têm conhe-
cimento técnico em arquitetura. Portanto, a linguagem gráfica e textual 
deverá ser adaptada para esse público. Utilize as imagens tridimensionais, as 
plantas humanizadas e textos descritivos para explicar os pontos importantes 
do projeto. Como esse banner também será analisado pela comissão julga-
dora do concurso, o ideal é que o partido arquitetônico esteja demonstrado 
na apresentação.
Para o caderno da Anvisa, você deverá utilizar os desenhos técnicos e 
todos os detalhamentos referentes ao projeto. Ainda, você deverá escrever 
o memorial descritivo e justificativo. O caderno deverá ser em formato A4 e 
encadernado, no entanto, as folhas de projeto poderão ser maiores e dobradas 
para se adequar ao tamanho.
Avançando na prática
Apresentação de projetos para públicos 
diferenciados
Você faz parte de um escritório de arquitetura especializado em arquite-
tura hospitalar e sua equipe está desenvolvendo o projeto de uma Unidade 
Básica de Saúde (UBS) para o novo bairro da cidade. O projeto está completo, 
e você e a equipe elaboraram uma proposta de paisagismo para a área externa 
198
do terreno para valorizar a construção. Agora, resta montar a apresentação 
do projeto de forma a enfatizar o aspecto paisagístico.
Existem dois públicos a serem considerados. O primeiro consiste em 
um público leigo, composto de proprietários, moradores e outros citadinos 
que serão impactados pelo projeto da UBS. Já o segundo é formado pelos 
profissionaisque atuarão na execução do paisagismo, como jardineiros, 
fornecedores de plantas, entre outros. Além disso, paisagistas, agrônomos e 
engenheiros ambientais que compõem a equipe do projeto também estarão 
presentes. Você, como arquiteto, é quem coordenará o projeto e, portanto, 
deverá apresentá-lo para ambos os públicos.
Resolução da situação-problema
Você deverá montar duas apresentações diferenciadas: uma para os 
moradores do bairro e outra para o grupo de profissionais que trabalhará 
com o paisagismo. Note que, em apresentações para públicos especializados, 
o nível de informações e detalhamentos será muito mais aprofundado do 
que em uma apresentação para leigos. Coisas mais simples não precisarão ser 
explicadas, enquanto dados técnicos mais precisos deverão ser abordados. 
Por exemplo, para um leigo não é importante a quantidade exata de árvores 
que serão plantadas, quais são as espécies, se estão ameaçadas de extinção 
ou se são consideradas espécies exóticas. No entanto, para os engenheiros 
ambiental e agrônomo e para o paisagista que faz parte da equipe de desen-
volvimento do projeto, todas essas informações são imensamente relevantes. 
Dessa forma, você deverá realizar duas apresentações distintas, que consigam 
enfatizar as características do projeto de acordo com o público para o qual 
ele será apresentado.
Faça valer a pena
1. Criar uma identidade visual das pranchas de projeto é o meio de se obter 
a continuidade e a harmonia na apresentação do projeto. Com base nessa 
afirmação, analise a sentença a seguir e complete corretamente as lacunas.
A ____________ consiste na forma como os assuntos são organizados na 
prancha, enquanto a ____________ é composta dos esquemas do círculo 
cromático. Além desses, ____________ e ____________ devem ser as 
mesmas para todas as pranchas.
Assinale a alternativa que completa corretamente as lacunas.
199
a. simbologia; paleta de cores; diagramação; fontes.
b. diagramação; simbologia; fonte; paleta de cores.
c. paleta de cores; simbologia; fonte; diagramação.
d. diagramação; paleta de cores; simbologia; fontes.
e. fonte; diagramação; simbologia; paleta de cores.
2. A apresentação é a última etapa de elaboração de um projeto arquite-
tônico. Para cada tipo de público, determinada característica deverá ser 
enfatizada. Assim, o profissional garante que o projeto será compreendido e 
aprofundado de acordo com o nível de conhecimento técnico da audiência.
Com base no texto apresentado, assinale a alternativa correta.
a. A apresentação sempre deverá ser muito detalhada para permitir o 
completo entendimento do projeto.
b. O arquiteto deverá seguir as recomendações dos órgãos públicos 
quando for realizar uma apresentação com foco em vendas.
c. A apresentação deve ser feita da forma mais breve possível, porém 
sem prejudicar a transmissão do conteúdo.
d. O profissional deve considerar os interesses da equipe de projeto para 
preparar uma apresentação que agrade à audiência.
e. O arquiteto tem autonomia para escolher a paleta de cores, a diagra-
mação, a simbologia e as fontes utilizadas em uma apresentação para 
aprovação de projetos.
3. O círculo cromático consiste em uma roda composta de cores primárias, 
secundárias e terciárias. A partir dele, é possível definir esquemas de cores 
que poderão servir como base para criar uma paleta harmônica utilizada na 
definição de uma identidade visual para as pranchas de apresentação. 
Sobre o círculo cromático, avalie as sentenças a seguir e marque V para 
verdadeiro ou F para falso.
( ) O esquema de cores complementar consiste em duas cores diametral-
mente opostas no círculo cromático. É composto de uma cor quente e outra 
fria, como a harmonia vermelho-azul.
( ) As cores análogas formam uma harmonização suave e natural, com 
pouco contraste. Representam cores sempre frias ou quentes, sendo a combi-
nação azul-azul esverdeado-verde um exemplo desse esquema cromático.
200
( ) O esquema triangular é composto de três cores equidistantes no círculo 
cromático, que têm grande contraste entre elas. As cores primárias vermelho-
-amarelo-azul representam uma paleta de cores com esse esquema.
( ) O esquema complementar alterno consiste em uma forma de obter 
menos contraste do que com o esquema complementar. É formado por três 
cores, normalmente uma dominante, como o esquema vermelho-azul esver-
deado-verde amarelado.
( ) Os esquemas quadrado e retangular são duas formas diferentes de 
denominar uma paleta composta de quatro cores com forte contraste entre 
si. A paleta laranja-amarelo-azul-violeta é um exemplo desse esquema.
Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta.
a. V – V – V – V – F.
b. F – F – V – V – F
c. V – F – V – V – V.
d. F – V – V – F – F.
e. V – V – F – F – V.
Referências
AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA (Anvisa). Orientações para elabo-
ração, apresentação, análise, avaliação e aprovação de projetos básicos de arquitetura. 
Florianópolis, SC: Secretaria de Estado da Saúde [de Santa Catarina], 2009.
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS (ABNT). NBR 10.152: Acústica – 
Níveis de pressão sonora em ambientes internos a edificações. Rio de Janeiro: ABNT, 2017.
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS (ABNT). NBR 13.534: Instalações 
elétricas de baixa tensão – Requisitos específicos para instalação em estabelecimentos assisten-
ciais de saúde. Rio de Janeiro: ABNT, 2008a.
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS (ABNT). NBR 16.401: Instalações de 
ar-condicionado – Sistemas centrais e unitários. Rio de Janeiro: ABNT, 2008b.
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS (ABNT). NBR 5.626: Instalação 
predial de água fria. Rio de Janeiro: ABNT, 1998.
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS (ABNT). NBR 7.198: Projeto e 
execução de instalações prediais de água quente. Rio de Janeiro: ABNT, 1993.
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS (ABNT). NBR 7.256: Tratamento de 
ar em estabelecimentos assistenciais de saúde (EAS) – Requisitos para projeto e execução das 
instalações. Rio de Janeiro: ABNT, 2005.
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS (ABNT). NBR 8.160: Sistemas 
prediais de esgoto sanitário – Projeto e execução. Rio de Janeiro: ABNT, 1999.
BRASIL. Ministério da Saúde. Normas para projetos físicos de estabelecimentos assistenciais 
de saúde. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 1994. Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/
bvs/publicacoes/normas_montar_centro_.pdf. Acesso em: 2 mar. 2019.
BRASIL. Ministério da Saúde. Resolução RCD nº 50, de 21 de fevereiro de 2002. Dispõe sobre 
o Regulamento Técnico para planejamento, programação, elaboração e avaliação de projetos 
físicos de estabelecimentos assistenciais de saúde. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2002.
CONSELHO DE ARQUITETURA E URBANISMO (CAU). CAU/BR esclarece dúvidas sobre 
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