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Trabalho de Conclusão de Curso apresentado para obtenção do título de especialista em _________ (Nome do curso) – ____ (ano da defesa) Liderança Transformacional: impactos comportamentais, cognitivos e sociais em equipes de trabalho nome completo aluno¹*; nome completo orientador2 1 Nome da Empresa ou Instituição (opcional). Titulação ou função ou departamento. Endereço completo (pessoal ou profissional) – Bairro; 00000-000 Cidade, Estado, País 2 Nome da Empresa ou Instituição (opcional). Titulação ou função ou departamento. Endereço completo (pessoal ou profissional) – Bairro; 00000-000 Cidade, Estado, País *autor correspondente: nome@email.com Liderança Transformacional: impactos comportamentais, cognitivos e sociais em equipes de trabalho Introdução A gestão de pessoas depende da ação do líder para coordenar esforços, alinhar metas e sustentar aprendizagem contínua nas equipes. O desenvolvimento de pessoas ocorre quando práticas de liderança estruturam rotinas de feedback, orientação e suporte ao desempenho, criando condições para evolução de papéis e responsabilidades (Armstrong, 2023; Northouse, 2021). A relevância do tema aparece na relação entre liderança e três tipos de resultados nas equipes: resultados comportamentais, resultados cognitivos e resultados sociais. Programas de desenvolvimento, avaliação e recompensas precisam se apoiar em métricas que representem esses três eixos para orientar decisões e investimentos (Armstrong, 2023; Yukl & Gardner, 2020). O desafio prático nas organizações é identificar que capacidades de liderança se associam a variações nesses três resultados e como priorizar intervenções quando os recursos são limitados. Sem esse diagnóstico, práticas de treinamento ficam desconectadas de lacunas específicas e não produzem mudança observável nos indicadores de equipe (Northouse, 2021; Yukl & Gardner, 2020). A liderança transformacional descreve um conjunto de comportamentos que incluem influência idealizada, inspiração, estímulo intelectual e consideração individual. Esses comportamentos funcionam como mecanismos que direcionam atenção, interpretam demandas do trabalho e organizam trocas entre líder e liderados, com efeitos sobre atitudes, cognição e relações de trabalho (Northouse, 2021; Yukl & Gardner, 2020). Evidências empíricas indicam associação entre liderança transformacional e resultados comportamentais, como cidadania organizacional e engajamento. Relações de confiança na liderança mediam parte desses efeitos, o que sinaliza caminhos operacionais para desenho de intervenções (Lee, Lin, Srinivasan, & Carr, 2024; Muterera, Hemsworth, Khorakian, Brettle, & Kharazmi, 2024). No domínio cognitivo, estudos mostram relação entre liderança transformacional e práticas de compartilhamento de conhecimento, especialmente quando a cultura e o suporte organizacional reforçam a orientação ao conhecimento. Essa relação cria base para aprendizagem e melhoria de processos (Hoang & Le, 2024; Armstrong, 2023). Quanto aos resultados sociais, pesquisas longitudinais associam liderança transformacional ao bem-estar psicológico e à qualidade das relações no trabalho. Esses achados sustentam o uso do estilo transformacional como vetor para redução de tensões e fortalecimento de cooperação (Lindert, Zeike, Choi, & Pfaff, 2023; Northouse, 2021). A tradução desses achados para a gestão de pessoas exige instrumentos válidos e confiáveis, capazes de medir dimensões de liderança e de monitorar efeitos nos três tipos de resultado. Práticas de RH podem integrar diagnóstico, trilhas de desenvolvimento e avaliação de impacto com base em indicadores consistentes (Armstrong, 2023; Yukl & Gardner, 2020). Persiste a necessidade de estudos que validem a estrutura dimensional de instrumentos de liderança e que mapeiem perfis de líderes segundo escores nas dimensões transformacionais, relacionando esses perfis a resultados comportamentais, cognitivos e sociais. Essa agenda conecta teoria e aplicação e apoia decisões de desenvolvimento (Northouse, 2021; Yukl & Gardner, 2020). Dessa forma, este estudo tem como objetivo analisar como as dimensões da liderança transformacional se relacionam com resultados comportamentais, cognitivos e sociais em equipes de trabalho, validando a estrutura do instrumento e identificando perfis de liderança associados a esses resultados. Metodologia A pesquisa assumiu natureza quantitativa e caráter explicativo, pois examinou relações entre dimensões de liderança e três categorias de resultados em equipes com base em mensurações padronizadas em escala Likert. O delineamento foi transversal e apoiou-se em análise correlacional e modelos de regressão para estimar efeitos condicionais entre variáveis observadas (Hair, Hult, Ringle, & Sarstedt, 2022; Field, 2018). Os dados derivaram de fonte secundária internacional, obtidos em repositório público com acesso aberto. Essa escolha atendeu ao objetivo de avaliar associações entre construtos reconhecidos, reduzindo custos de coleta e permitindo foco na qualidade da mensuração e na coerência do modelo analítico (Johnston, 2017; Vartanian, 2011). A base integrou itens que capturaram comportamentos de liderança e indicadores de resultado percebido. Cada resposta foi registrada em escala de cinco pontos, o que possibilitou sínteses por dimensão e aplicação de técnicas multivariadas usuais em pesquisas de comportamento organizacional (DeVellis, 2017; Field, 2018). As dimensões de liderança foram representadas por conjuntos de itens agrupados como Carisma, ou atributos de influência e confiança [CT], Inspiração, ou orientação motivacional [HP], Consideração Individual, ou atenção às necessidades específicas de cada liderado [SL], Estímulo Intelectual, ou incentivo ao pensamento crítico e à solução de problemas [IS] e Liderança Geral, conjunto adicional de itens relacionados a práticas transformacionais [KK]. Esses conjuntos formaram os preditores do estudo e compuseram escores dimensionais calculados a partir das respostas individuais, preservando a estrutura teórica subjacente e a variância compartilhada entre itens (Hair et al., 2022; Tabachnick & Fidell, 2019). As dimensões de resultado foram representadas por blocos Resultado Comportamental [BO], Resultado Cognitivo [BC] e Resultado Social [BS], que refletiram, respectivamente, indicadores comportamentais, cognitivos e sociais. Esses conjuntos serviram como variáveis dependentes, sintetizadas em escores que reuniram informação distribuída entre múltiplos itens por categoria de resultado (Field, 2018; Kline, 2016). A Tabela 1 apresenta e explica cada variável da base de dados. Tabela 1. Variáveis, mensuração e papel analítico Variável O que mensurou Dimensão Papel CT Atributos de influência e confiança no líder Carisma Independente HP Inspiração e direção de metas Inspiração Independente SL Atenção às necessidades individuais Consideração Individual Independente IS Estímulo ao pensamento e solução Estímulo Intelectual Independente KK Itens adicionais de comportamento de liderança Liderança Geral Independente BO Atitudes e engajamento no trabalho Resultado Comportamental Dependente BC1 Aprendizagem e aplicação de conhecimento Resultado Cognitivo Dependente BS1 Cooperação e relações no trabalho Resultado Social Dependente Fonte: Dado original da pesquisa O preparo dos dados incluiu inspeção de valores ausentes, verificação de consistência de codificação e avaliação de outliers. Casos com omissões extensas foram removidos por lista, enquanto omissões pontuais foram tratadas por média do item quando abaixo de limiar previamente definido, preservando o tamanho amostral e a comparabilidade entre escores (Tabachnick & Fidell, 2019; Little & Rubin, 2019). A confiabilidade interna dos blocos de itens foi avaliada por coeficiente alfa de Cronbach e ômega de McDonald. Essa abordagem permitiu estimar consistência sob pressupostos distintos e reduziu o risco de superestimar confiabilidade em dimensões com poucasvariáveis ou cargas heterogêneas (McDonald, 1999; Dunn, Baguley, & Brunsden, 2014). A estrutura dos escores dimensionais foi examinada por estatísticas descritivas, incluindo média, desvio padrão, assimetria e curtose. Essa etapa permitiu avaliar a adequação dos dados a modelos lineares e identificar necessidade de transformações antes das análises relacionais (Field, 2018; Tabachnick & Fidell, 2019). As associações bivariadas entre escores de liderança e resultados foram estimadas por correlações de Pearson, dada a natureza aproximadamente intervalar dos escores compostos e a prática consolidada em estudos psicométricos. Intervalos de confiança foram reportados para qualificar magnitude e precisão das estimativas (Cohen, Cohen, West, & Aiken, 2003; Field, 2018). Modelos de regressão linear múltipla foram ajustados com cada resultado como variável dependente, incluindo simultaneamente as dimensões de liderança como preditores. Essa especificação estimou efeitos condicionais e controlou colinearidade entre dimensões correlacionadas, o que forneceu parâmetros comparáveis entre resultados (Cohen et al., 2003; Hair et al., 2022). A qualidade dos modelos foi avaliada por coeficientes de determinação, significância global, testes de pressupostos e diagnósticos de influência. Foram examinadas linearidade, homocedasticidade, normalidade dos resíduos, independência de erros, colinearidade e pontos de alavancagem, seguindo procedimentos padronizados (Field, 2018; Tabachnick & Fidell, 2019). Tabela 2. Técnicas analíticas e propósitos no estudo Técnica Objetivo no estudo Fundamentação Estatística descritiva Caracterizou escores e itens antes das relações Field (2018) Correlação de Pearson Estimou associação bivariada entre liderança e resultados Cohen et al. (2003) Regressão linear múltipla Estimou efeitos condicionais das dimensões sobre cada resultado Hair et al. (2022) Fonte: Dado original da pesquisa O uso de dados secundários implicou limitações relacionadas à ausência de variáveis demográficas e contextuais, o que restringiu comparações entre grupos. Ainda assim, a base ofereceu poder suficiente para estimar relações médias entre dimensões de liderança e cada resultado, o que atendeu ao objetivo explicativo do estudo (Johnston, 2017; Vartanian, 2011). Procedimentos de reprodutibilidade incluíram documentação de decisões de limpeza, critérios de construção de escores e scripts analíticos comentados. A disponibilização desses registros favoreceu replicação e auditoria por terceiros, reforçando a transparência metodológica (Kline, 2016; Stodden, Seiler, & Ma, 2018). Resultados e Discussão Após a coleta e o tratamento dos dados, avançou-se para a etapa de resultados, com o objetivo de examinar os padrões descritivos das dimensões de liderança transformacional e dos resultados comportamentais, cognitivos e sociais, bem como identificar as associações entre essas dimensões, em consonância com o objetivo do estudo. Inicialmente, apresentam-se os resultados da análise descritiva, que permitiram caracterizar a amostra em termos de níveis médios e dispersão das variáveis analisadas. Essa etapa foi fundamental para compreender o comportamento geral dos dados antes da investigação das relações entre liderança e resultados. A Tabela 3 apresenta as estatísticas descritivas das dimensões de liderança transformacional e dos resultados comportamentais, cognitivos e sociais, considerando os escores médios calculados a partir dos itens que compõem cada dimensão. Tabela 3. Estatística descritiva das dimensões do estudo Dimensão Média Desvio-padrão Mínimo Máximo CT 5,763 0,656 3,000 7,000 HP 5,725 0,739 4,000 7,000 SL 5,521 0,908 3,250 7,000 IS 5,640 0,592 4,333 7,000 KK 5,623 0,891 3,750 7,000 BO 5,782 0,779 3,500 7,000 BC 5,448 0,871 3,250 7,000 BS 5,586 0,778 3,500 7,000 Fonte: Resultado original da pesquisa Os valores médios observados indicaram que, de modo geral, os respondentes atribuíram níveis elevados às práticas de liderança transformacional e aos resultados associados. Esse padrão sugeriu a presença consistente de comportamentos de liderança percebidos como positivos, bem como a ocorrência frequente de comportamentos, aprendizagens e interações sociais alinhadas ao desenvolvimento das equipes. Entre as dimensões de liderança, o CT e a HP apresentaram médias mais elevadas, o que indicou que aspectos relacionados à confiança no líder e à comunicação de propósito foram percebidos de forma recorrente. A SL apresentou maior dispersão, o que sugeriu heterogeneidade na forma como o suporte individual foi experimentado pelos respondentes. No que se refere aos resultados, o BO apresentou a maior média, indicando que atitudes relacionadas a esforço, disciplina e iniciativa foram frequentes na amostra analisada. O BC, apesar de apresentar média elevada, mostrou maior variabilidade, o que indicou diferenças na percepção de aprendizagem e aplicação do conhecimento no contexto de trabalho. A análise conjunta dessas estatísticas descritivas indicou coerência entre níveis de liderança transformacional e níveis de resultados nos liderados, reforçando a pertinência de avançar para a análise das associações entre essas dimensões, em alinhamento com o objetivo do estudo. Na sequência, procedeu-se à análise de correlação, com o propósito de examinar a direção e a intensidade das associações entre as dimensões de liderança transformacional e os resultados comportamentais, cognitivos e sociais. Essa etapa permitiu avaliar se variações nos escores de liderança estiveram associadas a variações nos resultados dos liderados. A Tabela 4 apresenta os coeficientes de correlação de Pearson entre as dimensões de liderança (CT, HP, SL, IS e KK) e os resultados BO, BC e BS, bem como os respectivos níveis de significância estatística. Tabela 4. Correlação entre liderança transformacional e resultados Dimensão BO BC BS CT 0,007 0,248*** 0,025 HP 0,120 0,237*** 0,116 SL 0,175** 0,516*** 0,159** IS 0,139* 0,166* 0,144* KK 0,217** 0,654*** 0,205** Fonte: Dado original da pesquisa Nota: *ppervasive problem of internal consistency estimation. British Journal of Psychology, 105(3): 399–412. Field, A. 2018. Discovering statistics using IBM SPSS statistics. 5. ed. 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