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NEUROCIÊNCIAS Profa. Bárbara Miranda Agosto/2025 EMENTA I. EMENTA Interfaces entre a Psicologia e Neurociências. Bases orgânicas do funcionamento do Sistema Nervoso. Fundamentos da Neuropsicologia. Enfoque nas alterações das funções cognitivas. Avaliação e reabilitação neuropsicológica. II. OBJETIVOS GERAIS Desenvolver a compreensão integrada dos fenômenos e processos psicológicos, por meio do estudo de conteúdos que tematizam a interface do saber psicológico com disciplinas das Ciências Biológicas, Humanas e Sociais, considerando-se os desafios éticos para a construção de uma interdisciplinaridade. III. OBJETIVOS ESPECÍFICOS ● Identificar e reconhecer o funcionamento geral do Sistema Nervoso. ● Identificar e reconhecer as diferentes áreas corticais, relacionando sua especificidade e inter-relações. ● Conhecer a história da Neurociência com enfoque na Neuropsicologia. ● Distinguir, especificar e explicar as funções cognitivas (funções executivas, atenção, memória, linguagem, visuoconstrução, praxia e cognição social) em interface com o comportamento humano. ● Apresentar as alterações cognitivas e comportamentais mais comuns na prática do neuropsicólogo. ● Conhecer a relevância da Neuropsicologia para a avaliação e reabilitação. O comportamento é o resultado de alterações químicas + fisiológicas. CÉLULA NERVOSA CÉLULA NERVOSA - Neurônios ● No sistema nervoso, existem 2 classes distintas de células: as células neurais ou neurônios e as células da glia ou gliais. ● Estima-se que o cérebro humano é formado por cerca de 25 bilhões de neurônios. ● Um neurônio apresenta 4 regiões morfologicamente definidas: o corpo celular, os dendritos, o axônio e suas terminações pré sinápticas. ● A célula transmissora de um sinal é designado como célula pré - sináptica, enquanto que a célula que recebe o sinal é a célula pós - sináptica. CÉLULA NERVOSA Os neurônios podem ser classificados, em termos de sua função, em três grandes grupos: sensoriais, motores, e interneurônios. Os neurônios sensoriais ou aferente conduzem informações para o sistema nervoso, tanto para a percepção como para a coordenação motora. Os neurônios motores ou eferentes, conduzem comandos para os músculos e glândulas. Os interneurônios formam a maior classe, conduzem informações de uma região cerebral para outra. CÉLULA NERVOSA - Gliócitos Os corpos celulares neurais e seus axônios são cercados por células da glia. Existem cerca de 10 a 50 vezes mais células da glia do que neurônios no SNC dos vertebrados. Macroglia: Astrócitos e Oligodendrócitos / Células Ependimárias / Micróglia As células da glia têm as seguintes funções: 1. Atuam como elementos de sustentação, dando firmeza e estrutura ao cérebro. Separam e isolam grupos de neurônios entre si. 2. Dois tipos de células da glia produzem mielina. 3. Algumas células da glia removem os dendritos após lesão ou morte neural. 4. As células da glia tamponam e mantém a concentração dos íons potássio no espaço extracelular; algumas também captam e removem transmissores químicos liberados pelos neurônios durante a transmissão sináptica. 5. Durante o desenvolvimento cerebral, certas classes de células da glia guiam a migração dos neurônios e dirigem o crescimento do axônio. 6. Certas células da glia participam da criação de um revestimento, especial e impermeável, dos capilares e vênulas cerebrais, criando uma barreira hematoencefálica que impede o acesso de substâncias tóxicas ao cérebro. 7. Existe evidência de que algumas células da glia, no SN do vertebrado, têm participação na nutrição das células neurais. SINAPSES E NEUROTRANSMISSORES Pode-se inicialmente definir que um transmissor é como uma substância que é liberada numa sinapse por um neurônio e que afeta uma outra célula. A transmissão sináptica química passa pelas seguintes fases: ● síntese da substância transmissora; ● armazenamento e a liberação do transmissor; ● interação do transmissor com o receptor na membrana pós sináptica e remoção do transmissor da fenda sináptica. O neurotransmissor é aquele que atende os seguintes critérios: ● é sintetizado no neurônio; ● está presente na terminação pré sináptica afim de exercer uma ação sobre o neurônio pós sináptico; ● quando administrada de forma exógena exerce a mesma função do transmissor endógeno; ● existe um mecanismo específico para sua remoção do sítio de ação (fenda sináptica). DIVISÃO ANATÔMICA E FUNCIONAL MENINGES • Encéfalo é protegido por 3 barreiras: crânio, meninges e líquido cerebrospinal (produzido no cérebro e absorvido pelo Sistema Venoso). • Meninges a partir do crânio: dura-máter, aracnóide-máter e pia-máter. MENINGES https://docs.google.com/file/d/1LTmFo3M5XCfH7D--jP4e54vvGq9IxTkr/preview DIVISÃO ANATÔMICA - SNC DIVISÃO ANATÔMICA - SNC DIVISÃO ANATÔMICA - SNP DIVISÃO FUNCIONAL - SNSomático DIVISÃO FUNCIONAL - SNVisceral (Autônomo) DIVISÃO FUNCIONAL - Processamento Motor e Sensorial ÁREAS PRIMÁRIAS - Motor - Somatossensorial - Visual - Auditivo ÁREAS SECUNDÁRIAS - Pré-Motor e Motor - Somatossensorial - Visual - Auditivo ÁREAS TERCIÁRIAS - Multimodal DIVISÃO FUNCIONAL - Processamento Motor e Sensorial INTRODUÇÃO A NEUROPSICOLOGIA Neuropsicologia - Origens Antigas - A relação entre o cérebro e o comportamento remonta às civilizações antigas. Hipócrates (c. 460–370 a.C.), o "pai da medicina", foi um dos primeiros a sugerir que o cérebro era o centro das emoções e do intelecto. - Galeno (c. 129–216 d.C.), médico grego, avançou essa ideia ao identificar que lesões cerebrais podiam afetar o comportamento, contribuindo para a compreensão das funções cerebrais. Neuropsicologia - Século XIX - Franz Joseph Gall (1758–1828): Desenvolveu a frenologia, que postulava que diferentes regiões do cérebro estavam associadas a diferentes traços de personalidade e habilidades. Embora a frenologia tenha sido desacreditada, a ideia de que o cérebro tem áreas específicas para diferentes funções influenciou pesquisas posteriores. - Paul Broca (1824–1880): Descobriu a área de Broca, associada à produção da fala, através de estudos com pacientes que tinham lesões nessa região do cérebro. Sua descoberta foi um marco na compreensão da lateralização e especialização das funções cerebrais. - Carl Wernicke (1848–1905): Identificou uma área do cérebro (área de Wernicke) crucial para a compreensão da linguagem, complementando o trabalho de Broca sobre a localização das funções linguísticas. Neuropsicologia - Século XX - Wilder Penfield (1891–1976): Neurocirurgião que, através de estímulos elétricos no cérebro de pacientes conscientes, mapeou o córtex motor e sensorial, contribuindo para o "homúnculo de Penfield", uma representação das áreas cerebrais associadas a diferentes partes do corpo. - Alexander Luria (1902–1977): Neuropsicólogo russo que combinou neurociência com psicologia para estudar como diferentes regiões do cérebro colaboram em processos cognitivos. Seu trabalho sobre síndromes neuropsicológicas é um pilar na área. - Donald Hebb (1904–1985): Psicólogo canadense conhecido por seu trabalho na teoria da aprendizagem. Ele propôs a ideia de que as conexões entre neurônios são fortalecidas com a repetição (princípio de Hebb), contribuindo para a base biológica da aprendizagem e memória. - Roger Sperry (1913–1994): Realizou estudos sobre o cérebro dividido, explorando como os hemisférios cerebrais têm funções especializadas, especialmente em pacientes com o corpo caloso cortado. Seu trabalho rendeu um Prêmio Nobel em 1981.. Neuropsicologia - Atualmente Com o advento das técnicas de neuroimagem, como a ressonância magnética funcional (fMRI) e a tomografia por emissão de pósitrons (PET), os neuropsicólogos podem agora observar a atividade cerebral em tempo real, o que tem revolucionado a compreensão das funções cerebrais e suas associações com o comportamento. Neuropsicologia - Definições - Dualistas: possibilidade de uma substâncianão física que corresponde à mente ou alma. - Eliminativismo: entendem que uma neurociência em alto grau de maturidade e desenvolvimento irá substituir essa terminologia da psicologia popular que se referiria a objetos não existentes por uma descrição científica de fato. - Dualistas de Propriedades: dois grupos majoritários de posições: aqueles que acreditam em causação mental, ou seja, que é possível que propriedades mentais tenham poder causal nesse mundo constituído de uma substância física; e os epifenomenalistas – aqueles que acreditam que propriedades mentais seriam epifenômenos e, assim, desprovidas de qualquer papel causal. - Redutivas de Fisicalismo ou Materialismo: aqui, a capacidade de uma teoria explicar predicados mentais em termos de predicados neurais ou criar reduções inter teóricas do vocabulário explicativo mental em termos de um vocabulário neural por via de leis de ponte, ou, ainda, funcionalizar propriedades mentais em termos de sua estrutura causal física. - Identitárias: processos mentais seriam idênticos a processos neurais. - Localizacionismo: o poder de imputar a áreas bem determinadas do cérebro capacidades distintas e específicas. - Globalismo/Conexionismo: considera-se a possibilidade de que as correlações sejam estabelecidas entre capacidades funcionais e áreas em interação e reverberação informativa. Neuropsicologia - Avaliação A avaliação não mais concentra seu interesse na localização, mas no estabelecimento da extensão, do impacto e das consequências cognitivas, comportamentais e na adaptação emocional e social que lesões ou disfunções cerebrais podem promover nas pessoas. (MALLOY-DINIZ, 2018) Neuropsicologia - Avaliação A metodologia atualmente utilizada em avaliação neuropsicológica envolve inúmeros recursos que foram desenvolvidos em laboratórios de neuropsicologia, neurologia e psicometria. Estes testes neuropsicológicos são organizados em baterias que podem ser flexíveis ou fixas. FLEXÍVEL Quando se faz necessário levantar dificuldades específicas dos pacientes. Assim, o neuropsicólogo tem a possibilidade de montar um protocolo apropriado para sua investigação, podendo dar ênfase aos dados qualitativos. A bateria flexível ocupa um tempo menor de aplicação, sendo então menos cansativa a testagem para o paciente. FIXA Indicada quando se deseja realizar uma determinada pesquisa com pacientes com alguma patologia ou alteração cerebral específica. Este tipo de testagem possui vantagens e desvantagens, principalmente quanto ao tempo de aplicação, o material escolhido pelo examinador pode não ser o mais adequado para aquele grupo de pacientes a ser examinado e ainda são observados mais dados quantitativos do que qualitativos, porém abrange diferentes aspectos neuropsicológicos do indivíduo examinado. Neuropsicologia - Funções Cognitivas Funções Executivas Atenção Memória Linguagem Visuoconstrução Praxia Cognição Social Funções Cognitivas - Funções Executivas Conjunto de processos cognitivos que, de forma integrada, permitem ao indivíduo direcionar comportamentos a metas, avaliar eficiência e a adequação desses comportamentos, abandonar estratégias ineficazes em prol de outras mais eficientes e, desse modo, resolver problemas imediatos, de médio e de longo prazo. (Malloy-Diniz et al., 2008). Funções Cognitivas - Funções Executivas As Funções Executivas são um conjunto de processos cognitivos de alto nível responsáveis por coordenar e controlar comportamentos direcionados a metas. Suas principais responsabilidades incluem: ● Planejamento: Capacidade de estabelecer metas, criar estratégias e prever as etapas necessárias para atingir um objetivo. ● Tomada de Decisão: Avaliação de opções e escolha de ações com base em consequências futuras. ● Controle Inibitório: Habilidade de suprimir respostas automáticas ou impulsos inadequados para uma situação. ● Flexibilidade Cognitiva: Capacidade de se adaptar a novas informações, mudar de estratégias ou ajustar comportamentos conforme necessário. ● Monitoramento: Acompanhamento do progresso em relação aos objetivos, ajustando ações conforme necessário. Funções Cognitivas - Atenção ● Sistema no qual processos sequenciais em uma série de estágios, visam seleção e manutenção de inputs. ● Diferentes sistemas cerebrais estão envolvidos. ● Sistema com uma capacidade limitada. ● Processo cognitivo interno que seleciona e processa e direciona as informações percebidas pelo corpo – ambiente interno e externo. ● Orientação e seletividade: retrair coisas para lidar com outras mais efetivamente. ● Mecanismo que regula e seleciona os estímulos que iremos lidar. Funções Cognitivas - Memória Funções Cognitivas - Memória Funções Cognitivas - Linguagem a) Semântico: refere-se ao significado das palavras ou ideias veiculadas. b) Fonético: compreende a natureza física da produção e da percepção dos sons da fala humana. c) Fonológico: corresponde os sons da fala (fonemas). d) Morfológico: diz respeito às unidades de significado – palavras ou partes de uma palavra. e) Lexical: envolve compreensão e produção de palavras. Léxico é o conjunto de palavras em uma dada língua ou no repertório linguístico de uma pessoa. f) Sintático: refere-se às regras de estrutura das frases, às funções e às relações das palavras em uma oração. g) Pragmático: compreende o modo como a linguagem é usada e interpretada, considerando as características do falante e do ouvinte, bem como os efeitos de variáveis situacionais e contextuais. h) Prosódico: integra a habilidade de reconhecer, compreender e produzir significado afetivo ou semântico com base na entonação, na ênfase e em padrões rítmicos da fala. A linguagem manifesta-se na forma de “compreensão” receptiva e de decodificação do input linguístico (“compreensão verbal”), que inclui a audição e a leitura, ou no aspecto de codificação expressiva e produção, que inclui fala, escrita e sinalização. Funções Cognitivas - Visuoconstrução VISÃO - Estimulação física da luz - É proporcionada pela interação da luz com os receptores especializados que se encontram na retina e que irá possibilitar a construção mental do objeto. PERCEPÇÃO VISUAL - Localização espacial: onde está o objeto em nosso campo visual - Medida de intensidade da luz: estima o brilho de cada objeto em relação ao ambiente - Discriminação de formas: diferencia e reconhece objetos segundo seus contornos - Detecção do movimento: diferencia e reconhece objetos em movimento ou parados - Visão de cores POSICIONAMENTO Mesmo que os olhos estejam fixos ocorrem movimentos oculares imperceptíveis que deslocam a imagem de um ponto a outro da retina impedindo que a imagem se apague. Funções Cognitivas - Praxia e Gnosia Sensação: captação de estímulos através de órgãos especiais dos sentidos, do sistema sensorial periférico ou receptores internos. Percepção: é a capacidade de seleção de estímulos e da integração desses uns com os outros e com informações anteriores e a sua interpretação. O resultado final desse processo permite ao indivíduo fazer com que algo tenha sentido a partir de um ambiente sensorial complexo e constantemente mutável. Funções Cognitivas - Praxia e Gnosia Pacientes com déficit perceptivo apresentam: ● incapacidade de concretizar tarefas simples. ● dificuldade em iniciar ou completar tarefa. ● dificuldade em mudar de tarefa. ● capacidade diminuída para localização visual ou identificação de objetos que parecem obviamente necessários para completar uma tarefa. ● podem ser incapazes de seguir instruções simples de uma etapa. ● tendem a cometer repetidamente os mesmos erros. ● longo tempo para concluir tarefa. ● pouco planejamento. ● hesitação. ● freqüentemente desatentos para um dos lados do corpo. Funções Cognitivas - Praxia e Gnosia Gnosia É a capacidade de reconhecer, identificar e interpretar informações sensoriais recebidas (visuais, auditivas, táteis, etc.). Depende dofuncionamento adequado das áreas associativas do cérebro. Agnosia É a perda ou comprometimento da capacidade de reconhecer ou identificar estímulos sensoriais, mesmo com a função sensorial preservada. Por exemplo, a pessoa vê um objeto, mas não consegue reconhecê-lo. Praxia Refere-se à capacidade de realizar movimentos voluntários e coordenados, aprendidos e direcionados a um objetivo, como escrever, vestir-se ou usar uma ferramenta. Apraxia É a incapacidade de executar movimentos ou gestos previamente aprendidos e voluntários, mesmo que não haja fraqueza, falta de coordenação ou outros déficits motores. A pessoa sabe o que fazer, mas não consegue planejar ou realizar os movimentos corretamente. IDEATÓRIA vs. IDEOMOTORA Funções Cognitivas - Cognição Social Cognição social é a capacidade de processar, armazenar e aplicar informações sobre outras pessoas e situações sociais. Ela envolve entender e interpretar o comportamento, emoções e intenções dos outros, além de ajustar o próprio comportamento em interações sociais. Alguns componentes-chave da cognição social incluem: ● Teoria da Mente: Habilidade de compreender que os outros têm pensamentos, crenças e sentimentos diferentes dos nossos. ● Empatia: Capacidade de perceber e compartilhar as emoções dos outros. ● Percepção Social: Identificação de sinais sociais, como expressões faciais, gestos e tom de voz. ● Tomada de Decisão Social: Avaliação e resposta adequada a diferentes cenários sociais, equilibrando interesses próprios e alheios. Funções Cognitivas - Cognição Social Embora cognição social e inteligência emocional estejam relacionadas, elas não são exatamente a mesma coisa. A cognição social abrange uma gama mais ampla de processos mentais envolvidos em entender e interagir com o ambiente social, incluindo a interpretação de sinais sociais e as intenções de outras pessoas. Já a inteligência emocional se refere especificamente à capacidade de reconhecer, compreender, gerenciar e usar as emoções de maneira eficaz, tanto as próprias quanto as dos outros. A inteligência emocional inclui habilidades como: ● Autoconsciência emocional: Reconhecer e entender as próprias emoções. ● Autogestão emocional: Controlar e ajustar emoções em diferentes situações. ● Empatia: Parte da inteligência emocional e também um componente da cognição social, sendo a capacidade de perceber as emoções dos outros. ● Habilidades sociais: Relacionadas à gestão eficaz das emoções nas interações sociais. Portanto, podemos dizer que a inteligência emocional é um aspecto da cognição social, mais focado na gestão e compreensão emocional. Alterações Neurocognitivas Alterações Neurocognitivas TEA TDAH Dislexia Epilepsia Demência - Envelhecimento Alzheimer AVC - Acidente Vascular Encefálico Alterações Cognitivas - TEA Transtornos do espectro autista são distúrbios do neurodesenvolvimento caracterizado por deficiente interação e comunicação social, padrões estereotipados e repetitivos de comportamento e desenvolvimento intelectual irregular, frequentemente com retardo mental. Os sintomas começam cedo na infância. Na maioria das crianças, a causa é desconhecida, embora existam evidências de um componente genético; em alguns pacientes, as doenças podem estar associadas a uma causa médica. O diagnóstico é baseado na história sobre o desenvolvimento e observação. O tratamento consiste no controle do comportamento e às vezes tratamento medicamentoso. ◻ Agnosia de reconhecimento de faces, dificuldade em reconhecer sinais emocionais do outro. “Crianças autistas conseguem perceber algumas categorias específicas de reconhecimento facial, embora não consigam identificar adequadamente os estados mentais mais sutis”. (Baron Cohen, 1991) TEORIA DA MENTE: dificuldade na capacidade para atribuir estados mentais (crenças, desejos, conhecimento e pensamentos) a outras pessoas e predizer o comportamento das mesmas em função destas atribuições. (Baron Cohen, Leslie & Frith, 1985) Alterações Cognitivas - TEA ◻ No geral, os estudos não apontam alterações nas memórias de curto prazo. ◻ A repetição das ações podem ser indicativo da memória particularmente da semântica, que está ligado ao significado e ao sentido. (Rocca, 2001) ◻ As crianças com autismo não apresentam dificuldade nas memórias que não envolvem significado e interpretação. (Hermelin e O’ Connor, 1970; Hermelin e Frith, 1971) Alterações Cognitivas - TEA ◻ Crianças autistas mostram alterações e dispraxias motoras, entre elas estão: andar na ponta dos pés, marchar de forma irregular e apresentar estereotipias. ◻ Apresentam déficits na preparação e no planejamento da resposta motora. (Rinehart e col, 2001) ◻ Uma outra grande dificuldade está relacionada a imitação. Crianças com autismo imitam menos e apresentam uma maior dificuldade na imitação corporal sem o uso de objetos. (DeMeyer e col, 1972) Alterações Cognitivas - TEA ◻ O prejuízo linguístico no autismo envolve problemas de comunicação não-verbal e verbal ◻ Dificuldade em entender a representação das palavras e das frases. ◻ Há prejuízo de compreensão e uso da linguagem, dentro de um contexto social. Alterações Cognitivas - TEA Hoje existem vários estudos relacionando funções executivas e autismo. TEORIA DA DISFUNÇÃO EXECUTIVA: dificuldade no planejamento de estratégias de resolução de problemas para a execução de metas. (Bebko & Ricciutu, 2000) Dificuldade em algumas áreas cognitivas influenciam diretamente a interação com o outro. Alterações Cognitivas - TEA ● Distúrbio de déficit de atenção/hiperatividade é considerado um distúrbio de neurodesenvolvimento. Distúrbios de neurodesenvolvimento são condições neurológicas que aparecem precocemente na infância, geralmente antes da idade escolar, e prejudicam o desenvolvimento do funcionamento pessoal, social, acadêmico e/ou profissional. ● Normalmente envolvem dificuldades na aquisição, retenção ou aplicação de habilidades ou conjuntos de informações específicas. Distúrbios de neurodesenvolvimento podem envolver distúrbios de atenção, memória, percepção, linguagem, solução de problemas ou interação social. Alterações Cognitivas - TDAH ● TDAH afeta cerca de 8 a 11% das crianças em idade escolar. Entretanto, muitos especialistas acreditam que o TDAH é “super diagnosticado”, em grande parte porque os critérios são aplicados de forma imprecisa. De acordo com o Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders, 5ª edição (DSM-5), há três tipos: ● Classificações: ○ Desatenção predominante ○ Hiperatividade/impulsividade predominante ○ Combinado Alterações Cognitivas - TDAH O TDAH não tem uma causa única específica. Potenciais causas do TDAH incluem fatores genéticos, bioquímicos, sensório-motores, fisiológicos e comportamentais. Alguns fatores de risco incluem baixo peso fica entre 8 e 10 anos, entretanto os que apresentam déficit de atenção predominante só são diagnosticados após a adolescência. Os sinais e sintomas centrais da TDAH envolvem: ● Desatenção ● Impulsividade ● Hiperatividade Alterações Cognitivas - TDAH: Sinais e Sintomas ● Desatenção tende a aparecer quando a criança está envolvida em tarefas que necessitam vigilância, reação rápida, investigação visual e perceptiva e atenção sistemática e constante. ● Impulsividade refere-se a ações precipitadas com o potencial de um desfecho negativo (p. ex., em crianças, atravessar a rua sem olhar; em adolescentes e adultos, abandonar de repente a escola ou o trabalho sem pensar nas consequências). ● Hiperatividade envolve atividade motora excessiva. Crianças, especialmente as mais pequenas, podem ter problemas para permanecer sentadas calmamente quando for esperado que o façam (p. ex., na escola ou igreja). Pacientes mais velhos podem ser simplesmente agitados, inquietos ou falantes às vezes ao ponto de fazer com que as outras pessoas se sintam cansadas só de observá-los. Alterações Cognitivas - TDAH: Sinais e Sintomas ● A desatenção e a impulsividade impedem o desenvolvimento de habilidades acadêmicas e estratégias de pensamento e raciocínio, motivação escolar e exigências sociais. Crianças com déficit de atenção predominante tendem a desistir diante de situações que exigem desempenho contínuo para complementação de tarefas. ● Em geral, cerca de 20 a 60% das crianças com TDAH têm déficits de aprendizagem, mas alguma disfunção escolar ocorre na maioria das crianças com TDAH decorrente de falta de atenção (o que resulta em perda de detalhes) e impulsividade (o que resulta em respostas sem pensar na pergunta). Alterações Cognitivas - TDAH: Sinais e Sintomas O histórico do comportamento pode revelar baixa tolerância para frustrações, discordâncias, temperamento teimoso, agressividade, habilidades sociais deficientes e relacionamentos com seus pares, distúrbios do sono, ansiedade, disforia, depressão, temperamento indeciso. Embora não haja exame físico ou laboratorial específico associado ao TDAH, os sinais e sintomas podem incluir: ● Incoordenação motora, postura desajeitada ● Disfunções neurológicas leves não localizadas ● Disfunções de percepção motora Alterações Cognitivas - TDAH: Sinais e Sintomas A avaliação médica - deve incluir pesquisar o histórico de exposição pré-natal (p. ex., drogas, álcool, tabaco), complicações ou infecções perinatais, infecções do SNC, traumatismo cranioencefálico, doença cardíaca, respiração durante o sono, falta de apetite e/ou alimentação seletiva e histórico familiar de TDAH. Alterações Cognitivas - TDAH: Diagnóstico A avaliação do desenvolvimento - inclui a verificação dos marcos de desenvolvimento, particularmente marcos da linguagem e o uso de escalas/Testes de avaliação específicas do TDAH (AVALIAÇÃO NEUROPSICOLÓGICA). A avaliação educacional documenta sinais e sintomas centrais que possam envolver a revisão de registros educacionais e o uso de escalas de avaliação. Entretanto, estas escalas, isoladamente, não conseguem distinguir TDAH de outros distúrbios do desenvolvimento ou de comportamento. (avaliação psicopedagoga/ fonoaudiológica). Alterações Cognitivas - TDAH: Diagnóstico ● Terapia comportamental cognitiva ● Reabilitação neuropsicológica ● Terapia medicamentosa com estimulantes como metilfenidato ou dextroanfetamina (em preparações de curta e longa ação) Alterações Cognitivas - TDAH: Tratamento O Alzheimer é uma doença neuro-degenerativa que provoca o declínio das funções cognitivas, reduzindo as capacidades de trabalho e relação social e interferindo no comportamento e na personalidade da pessoa. A maior parte dos casos é esporádica, tem início tardio (≥ 65 anos de idade) e etiologia incerta. O risco de desenvolver a doença é melhor previsto pela idade. No entanto, cerca de 5 a 15% dos casos são familiares; metade desses casos tem início precoce (pode resultar em alterações na personalidade e no controle emocional, como desinibição, impulsividade, e comportamentos inadequados. Apatia e Irritabilidade: São mudanças emocionais que podem surgir após o AVC, especialmente se as regiões afetadas incluírem áreas que regulam a motivação e a resposta emocional, como o circuito límbico.