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Unidade 1
Aspectos Gerais de Hematologia
Aula 1
Aula 1
Videoaula
Componentes do sangue
Olá, caro estudante! Nesta videoaula, você terá a oportunidade
de explorar o tecido sanguíneo, mais especificamente os seus
componentes. Você vai compreender quais são os
componentes do sangue e suas funções, analisando os
diferentes tipos de células presentes nesse tecido, bem como
as características do plasma sanguíneo. Prepare-se para
aprimorar suas habilidades e expandir seu conhecimento!
Vamos iniciar esta jornada de aprendizado! Vamos lá
Pontodepartida
Disciplina
CIÊNCIAS MORFOFUNCIONAIS
DOS SISTEMAS IMUNE E
HEMATOLÓGICO
Nesta seção, você, caro estudante, vai iniciar o estudo do
sistema sanguíneo, denominado hematologia, bem como
conhecer um pouco mais os componentes e as funções do
plasma sanguíneo, além de explorar a morfologia e função dos
eritrócitos e leucócitos.  Assim, você será capaz de reconhecer
as características fundamentais dessas células e seus papéis
no funcionamento e na defesa do organismo, tornando possível
não somente a compreensão da influência desses
componentes diretamente na saúde do indivíduo, mas também
a aplicação desse conhecimento em sua prática profissional.
Então não perca tempo! Explore os segredos do sangue e seus
componentes e descubra como utilizar esses conhecimentos
no seu cotidiano profissional.
A partir de agora você vai acompanhar o caso de Maria, 40
anos, que nos últimos meses tem percebido que está
constantemente doente, com gripes, resfriados e infecções;
além disso, Maria notou que, no último mês, começou a
apresentar uma fraqueza e um desânimo constantes, o que tem
afetado suas atividades diárias e o seu trabalho. Preocupada
com sua saúde, Maria decidiu procurar atendimento médico, e
após o exame clínico, o médico solicitou um hemograma
completo para investigar possíveis causas das queixas de
Maria.
Ao receber o resultado, foi possível observar alterações nas
células sanguíneas, especialmente nos leucócitos, sugerindo
que o sistema imunológico de Maria estava comprometido,
Disciplina
CIÊNCIAS MORFOFUNCIONAIS
DOS SISTEMAS IMUNE E
HEMATOLÓGICO
assim, diante dos resultados, o médico levantou a hipótese de
que essas alterações poderiam estar ligadas à baixa imunidade
e à frequência de infecções sofridas por Maria.
Agora, o desafio é compreender: como as mudanças nos
componentes do sangue, especialmente nos leucócitos, podem
impactar o sistema imunológico de Maria e sua capacidade de
combater infecções? Que condições poderiam estar por trás
dessas alterações e como o conhecimento da função dos
leucócitos pode orientar o tratamento adequado para restaurar
sua saúde?
Como você, caro estudante, responderia a esses
questionamentos?
Vamoscomeçar
O sangue é um tecido conjuntivo especializado composto de
elementos celulares e uma matriz líquida denominada plasma.
Ele é responsável por cerca de 7% do peso corporal total e, em
um indivíduo adulto, seu volume é de, aproximadamente, 5 a 6
litros. O sangue desempenha funções vitais para o corpo
humano, incluindo transporte de gases, nutrientes e resíduos,
defesa do organismo e regulação (pH, temperatura e volume de
fluidos).
Figura 1 | Composição do sangue
Disciplina
CIÊNCIAS MORFOFUNCIONAIS
DOS SISTEMAS IMUNE E
HEMATOLÓGICO
Fonte: adaptada de Wikimedia Commons.
O plasma sanguíneo é um líquido translúcido e amarelado, que
constitui aproximadamente 55% do volume sanguíneo total e no
qual os elementos celulares do sangue estão suspensos. Ele é
constituído principalmente de água (± 92%); já os demais
componentes do plasma sanguíneo incluem as proteínas
plasmáticas (7-8%) e outros solutos (1-2%), como íons,
moléculas orgânicas dissolvidas (glicose, aminoácidos,
lipídios), gases (O2 e CO2), hormônios e resíduos metabólicos
(ureia, amônia, ácido úrico, bilirrubina e creatinina).
Em relação às proteínas plasmáticas, as albuminas são as mais
prevalentes, cerca de 50-60% do total, contudo, também são
encontrados no plasma: globulinas (α, β e γ), protrombina,
fibrinogênio e lipoproteínas. Essas proteínas são produzidas no
fígado e, posteriormente, secretadas no sangue. As albuminas
Disciplina
CIÊNCIAS MORFOFUNCIONAIS
DOS SISTEMAS IMUNE E
HEMATOLÓGICO
são fundamentais para a manutenção da pressão osmótica do
sangue, e a presença dessas proteínas, assim como das α-
globulinas e β-globulinas no plasma torna a pressão osmótica
do sangue maior que a do líquido intersticial, criando um
gradiente osmótico que tende a deslocar a água do líquido
intersticial para os capilares, compensando a filtração dos
capilares criada pela pressão do sangue.
Por esse motivo, uma deficiência de albuminas no sangue
resulta em edema generalizado, além disso, as albuminas
atuam como carreadores de diferentes substâncias (alguns
metabólitos, fármacos, hormônios e íons, como o Fe+2). As
globulinas representam aproximadamente 38% de todas as
proteínas plasmáticas e apresentam três tipos: as α-globulinas,
que atuam como carreadoras de substâncias, transportando
bilirrubina e esteroides; as β-globulinas, que transportam ferro e
cobre; e as γ-globulinas, que constituem os anticorpos
(imunoglobulinas) do sistema imune, atuando na defesa do
organismo. As imunoglobulinas, diferentemente das demais
proteínas do plasma que são produzidas no fígado, são
sintetizadas e secretadas por células sanguíneas
especializadas; já o fibrinogênio e a protrombina participam do
processo de coagulação sanguínea.
Sigaemfrente
Disciplina
CIÊNCIAS MORFOFUNCIONAIS
DOS SISTEMAS IMUNE E
HEMATOLÓGICO
Os elementos figurados do sangue constituem os elementos
celulares, que incluem os eritrócitos, leucócitos e plaquetas. Os
eritrócitos ou hemácias, também chamados de células
vermelhas, correspondem à maior parcela de elementos
celulares do sangue; são células anucleadas, com diâmetro de
7,5-8 µm de diâmetro; apresentam formato de disco bicôncavo,
o que lhes confere uma ampla área de superfície para trocas
gasosas; são células flexíveis, portanto, podem sofrer
deformação sem que se rompam; e, dessa forma, conseguem
passar facilmente pelos capilares sanguíneos mais finos.
A concentração normal de eritrócitos no sangue, em mulheres, é
de, aproximadamente, 4 a 5,4 milhões por microlitro (mm3), e de
4,6 a 6 milhões por microlitro, em homens. Os eritrócitos não
apresentam mitocôndrias e, portanto, não conseguem realizar
metabolismo aeróbio, e sua principal fonte de ATP é a glicólise.
Como também não apresentam núcleo e retículo
endoplasmático, não realizam síntese proteica, não sendo
capazes de sintetizar novas enzimas ou de renovar
componentes de sua membrana, o que torna essas células
mais frágeis e passíveis de ruptura conforme se tornam
envelhecidas. No seu interior, encontra-se o pigmento
hemoglobina, responsável pelo transporte de O2 dos pulmões
para os tecidos e de CO2 dos tecidos para os pulmões.
Figura 2 | Células sanguíneas
Disciplina
CIÊNCIAS MORFOFUNCIONAIS
DOS SISTEMAS IMUNE E
HEMATOLÓGICO
Fonte: Wikimedia Commons.
A hemoglobina é uma proteína grande e complexa, formada por
quatro cadeias polipeptídicas globulares, cada uma delas
contendo um grupamento heme, que contém um átomo de ferro
no centro, no qual o O2 se liga reversivelmente. Assim, cada
molécula de hemoglobina é capaz de transportar quatro
moléculas de O2, e como as cadeias polipeptídicas que formam
a molécula de hemoglobina podem variar, pode-se observar
diferentes tipos de hemoglobina.
Disciplina
CIÊNCIAS MORFOFUNCIONAIS
DOS SISTEMAS IMUNE E
HEMATOLÓGICO
No sangue normal, cerca de 97 da hemoglobina encontrada é
do tipo A1, e esse tipo de hemoglobina é formado por duas
cadeias alfa e duas cadeias beta. No sangue normal do adulto,
encontramos cerca de 2% da hemoglobina A2 (composta por
duas cadeias alfa e duas cadeias delta) e 1% de hemoglobina F
(constituída por duas cadeias alfa e duas gama). Esta última,
também chamada hemoglobina fetal, é característica do feto,
representando 100% da hemoglobina do feto e,
aproximadamente, 80% da hemoglobina do recém-nascido. A
taxa de hemoglobinafuncional do baço (asplenia), órgão crucial na filtração de
bactérias encapsuladas.
Desse modo, a qualidade de vida de indivíduos com essa
condição pode ser gravemente impactada pelas crises
recorrentes de dor, anemia crônica e episódios frequentes de
hospitalizações devido a complicações, como infecções e
síndromes torácicas agudas. Complicações a longo prazo
incluem dano aos órgãos, especialmente coração, fígado e rins,
além de maior risco de acidente vascular encefálico (AVE) e
hipertensão pulmonar.
Saibamais
Conceito e classificação das
anemias
As anemias são condições caracterizadas pela diminuição da
capacidade do sangue de transportar oxigênio, geralmente
devido a uma redução na quantidade de hemoglobina ou de
eritrócitos, e elas podem ser classificadas de acordo com a
Disciplina
CIÊNCIAS MORFOFUNCIONAIS
DOS SISTEMAS IMUNE E
HEMATOLÓGICO
morfologia das hemácias, como microcíticas, normocíticas ou
macrocíticas, baseadas no tamanho dos eritrócitos. Outra
classificação considera a fisiopatologia, dividindo as anemias
em decorrentes da redução da produção de eritrócitos,
hemolíticas e por perda sanguínea. Diante disso, conhecer a
classificação das anemias é fundamental para o diagnóstico e
manejo adequado dessas condições. 
Para explorar mais sobre esse tema, leia o capítulo oito da
seguinte obra "Células sanguíneas"
Anemia por perda sanguínea e por deficiência na produção dos
eritrócitos
A anemia por deficiência na produção de hemácias ocorre
quando a medula óssea não consegue produzir uma quantidade
suficiente de eritrócitos, levando à diminuição da capacidade de
transporte de oxigênio pelo sangue. As causas podem incluir
deficiências nutricionais, como a falta de ferro, vitamina B12 ou
ácido fólico, doenças crônicas que afetam a medula óssea e
condições genéticas. Os sintomas frequentemente incluem
fadiga, fraqueza, palidez e, em casos mais severos, falta de ar. O
tratamento é direcionado à causa subjacente e pode envolver
suplementação nutricional ou terapias específicas para
estimular a produção de hemácias.
Para saber mais sobre as anemias por deficiência na produção
dos eritrócitos, leia o capítulo 23 da seguinte obra "Distúrbios
das hemácias"
Anemia por aumento da destruição de eritrócitos
Disciplina
CIÊNCIAS MORFOFUNCIONAIS
DOS SISTEMAS IMUNE E
HEMATOLÓGICO
A anemia por aumento da destruição de eritrócitos, também
conhecida como hemolítica, ocorre quando os glóbulos
vermelhos são destruídos mais rapidamente do que a medula
óssea consegue produzi-los. As causas podem incluir doenças
autoimunes, infecções, reações a medicamentos e distúrbios
hereditários como a anemia falciforme e as talassemias. Os
principais sintomas são fadiga, icterícia, urina escura e aumento
do baço. O tratamento varia conforme a causa da hemólise,
podendo incluir transfusões de sangue, imunossupressores ou
terapias específicas para controlar a condição subjacente e
melhorar a produção de hemácias.
Referências
BAIN, B. J. Células sanguíneas.  5. ed. Porto Alegre: Artmed,
2016.
HOFFBRAND, A. V.; MOSS, P. A. H. Fundamentos em
hematologia de Hoffbrand. 7. ed. Porto Alegre: Artmed, 2018.
KUMAR, V.; ABBAS, A. K.; ASTER, J. C. Robbins & Cotran:
patologia: bases patológicas das doenças. 10. ed. Rio de
Janeiro: Guanabara Koogan, 2023.
NORRIS, T. L. Porth: fisiopatologia. 10. ed. Rio de Janeiro:
Guanabara Koogan, 2021.
Disciplina
CIÊNCIAS MORFOFUNCIONAIS
DOS SISTEMAS IMUNE E
HEMATOLÓGICO
Aula 4
Aula 4
Videoaula
Hemostasia e distúrbios da
hemostasia
Olá, caro estudante! Nesta videoaula, você vai explorar os
mecanismos da coagulação sanguínea e as condições
patológicas associadas; conhecer os componentes do processo
da coagulação sanguínea e suas etapas; compreender como
alterações nesse processo podem resultar em condições como
hemofilia e trombofilia; e, por fim, entender como esse conteúdo
é fundamental para sua prática profissional.
Prepare-se para esta jornada de conhecimento e explore como
esses conceitos podem impactar o seu futuro profissional.
Vamos lá
Pontodepartida
Disciplina
CIÊNCIAS MORFOFUNCIONAIS
DOS SISTEMAS IMUNE E
HEMATOLÓGICO
Nesta seção, você, caro estudante, vai continuar o estudo do
sistema hematológico; compreender os mecanismos que
regulam a coagulação sanguínea, essenciais para o controle de
sangramentos; entender como desequilíbrios no processo de
coagulação podem resultar em condições como a hemofilia
(um distúrbio que afeta a capacidade do sangue de coagular) e
a trombofilia, que aumenta o risco de formação de coágulos.
Prepare-se para mais uma aula repleta de aprendizado prático e
relevante para sua carreira profissional. A partir de agora, você
vai continuar acompanhando o Lucas, um aluno de graduação
na área da saúde e estagiário no hospital de sua universidade.
Como parte de sua rotina de estagiário, ele participa
regularmente de reuniões clínicas com a equipe multidisciplinar
do hospital, e em uma das reuniões, foi discutido o caso de um
paciente com hemofilia A. O paciente deu entrada no hospital
após sofrer uma queda em casa, apresentando hemorragia
prolongada no local do impacto, hematomas extensos e dor nas
articulações, especialmente nos joelhos e cotovelos.
Lucas, ao ouvir o caso, percebeu que não se lembrava bem das
características das hemofilias, tendo consigo algumas dúvidas,
como: "Quais são os tipos de hemofilia e como eles diferem?
Por que o sangramento do paciente é tão prolongado? Como a
hemofilia é tratada em casos de emergência? Como esses
pacientes podem ser acompanhados para prevenir
complicações futuras?". Agora, Lucas precisa buscar respostas
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CIÊNCIAS MORFOFUNCIONAIS
DOS SISTEMAS IMUNE E
HEMATOLÓGICO
para essas dúvidas e aprimorar sua compreensão para
contribuir nas discussões clínicas.
Você, no lugar do Lucas, como responderia a todos esses
questionamentos?
Vamoscomeçar
O sangue é um fluido que circula livremente através dos vasos
sanguíneos. Quando um vaso sanguíneo é lesionado ou sofre
uma ruptura, o corpo precisa lançar mão de mecanismos que
permitam que o fluxo de sangue pelo vaso sanguíneo lesionado
continue e que a parede desse vaso danificado seja reparada. O
processo que permite todos esses eventos é denominado
coagulação sanguínea e envolve uma série de reações
coordenadas entre proteínas plasmáticas, células sanguíneas e
componentes vasculares, resultando na formação de um
coágulo que estanca a perda de sangue de um vaso lesionado.
Esse processo pode ser dividido em três fases principais: a fase
vascular, a fase plaquetária e a fase de coagulação
propriamente dita. A fase vascular se inicia imediatamente após
a lesão do vaso sanguíneo; a vasoconstrição local reduz o fluxo
sanguíneo, limitando a perda de sangue, e esse efeito é
mediado pela liberação de endotelinas e outros
vasoconstritores pelas células endoteliais danificadas.
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CIÊNCIAS MORFOFUNCIONAIS
DOS SISTEMAS IMUNE E
HEMATOLÓGICO
A vasoconstrição é rapidamente seguida pela segunda fase,
chamada de fase vascular, em que ocorre um bloqueio
mecânico do orifício presente na parede do vaso sanguíneo por
um tampão plaquetário solto. Quando um vaso sanguíneo é
lesionado, as plaquetas aderem ou são expostas ao colágeno
na área danificada. As plaquetas aderidas são ativadas, mudam
de forma, tornando-se esferas de aparência espinhosa, com
receptores de glicoproteína expostos em suas superfícies. Para
as plaquetas aderirem à camada subendotelial do vaso
sanguíneo, é necessária uma proteína denominada fator de von
Willebrand, que é sintetizado e liberado pelas células endoteliais
dos vasos sanguíneos e circula no sangue como uma proteína
transportadora para o fator VIII de coagulação.
A adesão das plaquetas ao vaso lesionado, por sua vez, ocorre
quando os receptores presentes na sua superfície se ligam ao
fator de von Willebrand, desse modo, esse fator atua como uma
ponte entre as fibras expostas de colágeno e as glicoproteínas
das plaquetas, permitindo a adesão das plaquetas ao local da
lesão.
Logo após a adesão, inicia-se a agregação plaquetária. As
plaquetasativadas liberam substâncias armazenadas em seus
grânulos, como serotonina, ADP e tromboxano A2 (TXA2), que
promovem a ativação de mais plaquetas e a agregação de
umas às outras, formando um tampão plaquetário solto, que
interrompe temporariamente o sangramento. Aliás, esse
tampão inicial é frágil e requer a estabilização pela deposição
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CIÊNCIAS MORFOFUNCIONAIS
DOS SISTEMAS IMUNE E
HEMATOLÓGICO
de fibrina, que ocorre na etapa subsequente da coagulação
sanguínea.
Sigaemfrente
O colágeno exposto e o fator tecidual iniciam a terceira fase: a
fase de coagulação propriamente dita. Nessa fase, ocorre a
formação de uma rede de fibrina, como resultado de uma série
de reações enzimáticas, denominada cascata da coagulação.
Essa rede de fibrina formada estabiliza o tampão plaquetário,
formando o coágulo, e a cascata de coagulação ocorre por
duas vias distintas (intrínseca e extrínseca) que terminam em
uma via comum.
A via intrínseca é iniciada pelo contato do sangue com o
colágeno exposto, e essa via envolve os fatores XII, XI, IX e VIII.
O colágeno ativa a primeira enzima da via, o fator XII, iniciando
a cascata, que resulta na ativação do fator X. Já a via extrínseca
inicia quando o fator tecidual, também chamado tromboplastina
ou fator III, é exposto pelos tecidos danificados. O fator tecidual
ativa o fator VII, iniciando a cascata da via extrínseca, que
também resultará na ativação do fator X, assim, ambas as vias
ativam fator X, que, juntamente ao fator V, convertem a
protrombina (fator II) em trombina (fator IIa). A trombina
converte o fibrinogênio solúvel em fibrina insolúvel; a fibrina
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CIÊNCIAS MORFOFUNCIONAIS
DOS SISTEMAS IMUNE E
HEMATOLÓGICO
polimeriza e forma uma rede que, em conjunto com o tampão
plaquetário, forma o coágulo estável.
Figura 1 | Cascata de coagulação
Fonte: Norris (2021, p. 622).
Faz-se importante destacar que as duas vias são ativadas
quando o sangue deixa o compartimento vascular. A via
intrínseca é ativada quando o sangue entra em contato com
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CIÊNCIAS MORFOFUNCIONAIS
DOS SISTEMAS IMUNE E
HEMATOLÓGICO
colágeno exposto na parede de um vaso sanguíneo lesionado,
enquanto a via extrínseca é ativada quando o sangue é exposto
ao fator tecidual.
Outro ponto relevante no processo de coagulação é que ele é
regulado por substâncias que promovem a coagulação (pró-
fatores de coagulação) e fatores que inibem esse processo
(fatores anticoagulantes). Os fatores pró-coagulação são
identificados por algarismos romanos, e cada um participa de
uma etapa específica no processo da coagulação.  A ativação
de um fator pró-coagulação ativa o fator na sequência, gerando
um efeito cascata, e a maioria dos fatores de coagulação é
sintetizada no fígado.
Um destaque importante deve ser dado à vitamina K, necessária
para a síntese dos fatores II, VII, IX e X, protrombina e proteína
C. Deficiência na vitamina K acarreta uma tendência a
sangramento. O cálcio (fator IV) também é fundamental no
processo da coagulação, sendo necessário em praticamente
todas as etapas da cascata de coagulação, com exceção das
duas primeiras. Aliás, a regulação do processo de coagulação
envolve, ainda, proteínas produzidas pelo organismo e que
atuam como inibidores da cascata de coagulação, evitando sua
ativação descontrolada, e a antitrombina III é uma delas. Essa
proteína inibe a trombina (fator IIa) e os fatores IXa, Xa, XIa e
XIIa. A antitrombina é ativada pela heparina, um
glicosaminoglicano que se liga a ela e aumenta sua eficácia,
impedindo a formação de trombos.
Disciplina
CIÊNCIAS MORFOFUNCIONAIS
DOS SISTEMAS IMUNE E
HEMATOLÓGICO
Já a proteína C, uma proteína plasmática produzida no fígado,
atua como anticoagulante por meio da inativação dos fatores V
e VIII, e a proteína S, outra proteína plasmática, acelera a ação
da proteína C, logo, uma deficiência tanto da proteína C quanto
da proteína S coloca o indivíduo em risco de trombose.
Conforme o vaso sanguíneo danificado é reparado, o coágulo
vai sendo desintegrado por um mecanismo denominado
fibrinólise. Esse mecanismo, regulado de forma precisa, garante
que o coágulo seja dissolvido no momento adequado, evitando
tanto hemorragias quanto a permanência de trombos
desnecessários, o que poderia causar obstruções vasculares.
A primeira etapa da fibrinólise é a ativação do plasminogênio
(proenzima inativa presente no plasma e no coágulo) para sua
forma ativa, a plasmina, uma enzima proteolítica, e essa
conversão é catalisada principalmente pelo ativador tecidual do
plasminogênio (TPA), liberado pelas células endoteliais. O TPA
se liga à fibrina no coágulo, promovendo a ativação do
plasminogênio diretamente no local do trombo.
Outro ativador importante é a urocinase, que também converte
o plasminogênio em plasmina, sendo mais ativa na circulação e
em tecidos. A plasmina, formada a partir do plasminogênio,
digere as cadeias de fibrina do coágulo e alguns fatores de
coagulação, como fibrinogênio, fator V, fator VIII, protrombina e
fator XII, desse modo, a plasmina é responsável pela
degradação da fibrina.
Disciplina
CIÊNCIAS MORFOFUNCIONAIS
DOS SISTEMAS IMUNE E
HEMATOLÓGICO
Qualquer disfunção nos componentes da coagulação pode
levar a distúrbios hemorrágicos ou trombóticos, como a
hemofilia, que é um distúrbio hemorrágico hereditário que afeta
a capacidade do sangue de coagular adequadamente. Ela é
caracterizada pela deficiência ou ausência de certos fatores de
coagulação, proteínas essenciais para a formação de coágulos
sanguíneos, levando a sangramentos prolongados e
espontâneos, mesmo após traumas mínimos.  A doença é
transmitida por meio de um padrão recessivo ligado ao
cromossomo X, o que faz com que os homens sejam os mais
afetados, enquanto as mulheres geralmente são portadoras
assintomáticas.
Existem dois tipos principais de hemofilia: tipo A e tipo B. A
hemofilia A é a forma mais comum de hemofilia, representando
cerca de 80% dos casos, sendo ocasionada pela ausência ou
baixa atividade do fator VIII de coagulação, comprometendo a
via intrínseca da coagulação, resultando na formação de
coágulos instáveis e facilmente dissolvidos, incapazes de parar
o sangramento de maneira eficaz. Pacientes com hemofilia A
apresentam sintomas que variam de acordo com o grau de
deficiência do fator VIII.
Na hemofilia leve ou moderada, normalmente não ocorre
sangramento, exceto se houver uma lesão ou traumatismo
local, como um procedimento cirúrgico ou odontológico. Na
hemofilia grave, os sangramentos são frequentes e podem
ocorrer espontaneamente, especialmente em articulações
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DOS SISTEMAS IMUNE E
HEMATOLÓGICO
(hemartroses) e músculos, acarretando dor, inflamação e,
eventualmente, danos articulares permanentes, e o tratamento
para portadores de hemofilia envolve a terapia de reposição
com fator VIII. Já a hemofilia B é menos comum e representa
cerca de 20% ou menos dos casos de hemofilia, sendo genética
e clinicamente semelhante à hemofilia A. Na hemofilia B, há a
ausência ou deficiência do fator IX de coagulação,
comprometendo igualmente a via intrínseca da coagulação.
Outro distúrbio hemorrágico é a trombocitopenia — uma
condição caracterizada pela diminuição do número de
plaquetas no sangue. Como as plaquetas desempenham um
papel fundamental na hemostasia, a redução no seu número é
uma causa importante de hemorragia generalizada. A
trombocitopenia pode resultar de diferentes mecanismos, que
podem ser classificados em três categorias principais: redução
da produção de plaquetas, redução do tempo de sobrevivência
das plaquetas e aumento do sequestro das plaquetas.
A diminuição da produção de plaquetas pode ocorrer por: (1)
perda de função da medula óssea, como ocorre na anemia
aplásica; (2) substituição da medula óssea por células
malignas, como ocorre na leucemia, levando à diminuição da
produção de plaquetas; (3) radioterapia e fármacos
empregados no tratamento do câncer, que  reduzem a função
da medula óssea e, consequentemente, diminuem a produção
de plaquetas; e (4) infecção pelo vírusda imunodeficiência
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HEMATOLÓGICO
humana (HIV) ou pelo citomegalovírus, que pode suprimir a
produção de megacariócitos, os precursores de plaquetas.
Já o aumento do sequestro das plaquetas pelo baço, mesmo
com produção normal dessas células, também pode levar a
uma redução do número de plaquetas. O baço desempenha um
papel fundamental na remoção de células sanguíneas
senescentes; normalmente, sequestra de 30 a 40% das
plaquetas antes da liberação para a corrente sanguínea.
Contudo, essa proporção pode alcançar os 90% em condições
que aumentam o tamanho do baço, como cirrose hepática ou
algumas neoplasias, podendo levar à trombocitopenia por
sequestro.
A redução do tempo de sobrevivência das plaquetas pode ser
causada por doenças autoimunes, como a trombocitopenia
imune primária, na qual anticorpos antiplaquetários destroem
as plaquetas.  A destruição prematura das plaquetas também
pode ser não imunológica, ocasionada por lesão mecânica por
próteses de valvas cardíacas ou hipertensão maligna. Alguns
fármacos, como ácido acetilsalicílico, atorvastatina e alguns
antibióticos que contêm sulfa, podem induzir a trombocitopenia
por reações imunológicas ou toxicidade direta. Certas
infecções, como a hepatite C e HIV, podem levar à destruição
acelerada das plaquetas. Aliás, os sintomas da trombocitopenia
podem variar de leves a severos e incluem: púrpura (manchas
roxas ou vermelhas na pele devido a sangramentos pequenos),
equimoses (hematomas grandes e extensos que aparecem com
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DOS SISTEMAS IMUNE E
HEMATOLÓGICO
facilidade), sangramento nasal e gengival frequentes e
inesperados, sangramento menstrual intenso em mulheres. Em
casos severos, a trombocitopenia pode levar a hemorragias
internas, o que a torna uma emergência médica.
Agora que você conheceu as principais características da
coagulação sanguínea e a sua importância para o corpo
humano, você é capaz de compreender a importância do
conhecimento desses temas para uma boa atuação
profissional.
Vamosexercitar
Agora que você conheceu e aprendeu as principais
características da coagulação sanguínea e a sua importância
para o corpo humano, vamos retomar à nossa situação-
problema. A partir de agora, vamos considerar o caso do Lucas,
um aluno de graduação na área da saúde e estagiário no
hospital de sua universidade. Como parte de sua rotina de
estagiário, ele participa regularmente de reuniões clínicas com
a equipe multidisciplinar do hospital, e em uma das reuniões, foi
discutido o caso de um paciente com hemofilia A.
O paciente deu entrada no hospital após sofrer uma queda em
casa, apresentando hemorragia prolongada no local do impacto,
hematomas extensos e dor nas articulações, especialmente nos
joelhos e cotovelos. Lucas, ao ouvir o caso, percebeu que não
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DOS SISTEMAS IMUNE E
HEMATOLÓGICO
se lembrava bem das características das hemofilias e tinha
algumas dúvidas, como: "Quais são os tipos de hemofilia e
como eles diferem? Por que o sangramento do paciente é tão
prolongado? Como a hemofilia é tratada em casos de
emergência? E como esses pacientes podem ser
acompanhados para prevenir complicações futuras?". Agora,
Lucas precisa buscar respostas para essas dúvidas e aprimorar
sua compreensão para contribuir nas discussões clínicas.
Agora, você já é capaz de ajudar a solucionar as dúvidas de
Lucas. Vamos lá?!
Primeiro, faz-se importante lembrar que a hemofilia é um
distúrbio hemorrágico hereditário causado pela deficiência do
fator de coagulação VIII ou do fator IX, a depender do tipo de
hemofilia. Essa doença afeta principalmente indivíduos do sexo
masculino e resulta na incapacidade do sangue de formar
coágulos adequados, levando a sangramentos prolongados ou
espontâneos.
A hemofilia A, que representa cerca de 80% de todos os casos, é
uma deficiência do fator de coagulação VIII; a hemofilia B é uma
deficiência do fator de coagulação IX, sendo menos comum. O
principal sintoma da hemofilia é a hemorragia excessiva, que
pode ocorrer em uma articulação ou músculo, dentro do
abdômen ou da cabeça, ou devido a lesões ou cortes ou, ainda,
após procedimentos odontológicos ou cirurgia. Em crianças, é
comum o aparecimento de equimoses (manchas roxas) na pele.
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Atualmente, não há cura para a hemofilia, mas o tratamento
inclui a reposição regular do fator de coagulação deficiente por
meio de infusões, o que pode prevenir sangramentos e
minimizar complicações. Em casos de hemorragia significativa,
pode ser necessário realizar transfusões de sangue ou
componentes sanguíneos, além de monitorar o paciente de
perto para avaliar a resposta ao tratamento. O
acompanhamento de pacientes com hemofilia A é fundamental
e envolve uma equipe multidisciplinar, incluindo hematologistas,
enfermeiros, fisioterapeutas, entre outros. Os pacientes devem
ser monitorados regularmente para se verificar os níveis do
fator VIII e ajustar o tratamento profilático, que pode ser feito
com doses regulares de fator concentrado para prevenir
episódios hemorrágicos. Além disso, a educação do paciente
sobre o reconhecimento de sinais de sangramento e o manejo
adequado de lesões é essencial para minimizar complicações.
Saibamais
Coagulação sanguínea
A coagulação sanguínea é um processo fisiológico essencial
que previne a perda excessiva de sangue em caso de lesões.
Esse mecanismo complexo envolve a ativação de plaquetas e a
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cascata de coagulação, que resulta na formação de um coágulo
estável por meio da conversão de fibrinogênio em fibrina. A
importância da coagulação se reflete na proteção do organismo
contra hemorragias e na manutenção da homeostase. Além
disso, a coagulação adequada é essencial para a cicatrização
de feridas e a recuperação de tecidos danificados.
Disfunções nesse processo podem levar a condições como
hemorragias excessivas ou trombose, evidenciando a
necessidade de um sistema de coagulação bem regulado para
a saúde e o bem-estar do indivíduo.
Para saber mais sobre a coagulação sanguínea, leia o capítulo
24 da seguinte obra "Fundamentos em hematologia de
Hoffbrand"
Hemofilia
A hemofilia é uma doença hereditária de caráter recessivo
ligada ao cromossomo X, afetando principalmente os homens,
sendo caracterizada pela deficiência ou ausência de fatores de
coagulação no sangue, resultando em dificuldades na formação
de coágulos. As formas mais comuns são a hemofilia A,
causada pela falta do fator VIII, e a hemofilia B, associada à
deficiência do fator IX. Essa condição leva a hemorragias
prolongadas, hematomas frequentes e sangramentos
espontâneos, especialmente nas articulações.
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Para saber mais sobre a hemofilia, leia o capítulo 22 da seguinte
obra "Distúrbios da hemostasia"
Trombocitopenia
A trombocitopenia é uma condição caracterizada pela
diminuição do número de plaquetas no sangue, que pode
resultar em um aumento do risco de hemorragias. As causas
podem variar, incluindo distúrbios de produção na medula
óssea, destruição excessiva de plaquetas ou sequestro pelo
baço. Os sintomas mais comuns incluem hematomas fáceis,
sangramentos nas gengivas, e, em casos mais graves,
hemorragias internas. O diagnóstico é realizado por meio de
exames de sangue que avaliam a contagem de plaquetas. O
tratamento depende da causa subjacente e pode envolver
transfusões de plaquetas, medicamentos ou, em casos severos,
a esplenectomia (remoção do baço). A gestão adequada é
crucial para prevenir complicações hemorrágicas.
Para saber mais sobre a hemofilia, leia o capítulo 22 da seguinte
obra "Distúrbios da hemostasia"
Referências
HOFFBRAND, A. V.; MOSS, P. A.  H. Fundamentos em
hematologia de Hoffbrand. 7. ed. Porto Alegre: Artmed, 2018.
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CIÊNCIAS MORFOFUNCIONAIS
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KUMAR, V.; ABBAS, A. K.;ASTER, J. C. Robbins & Cotran:
patologia: bases patológicas das doenças. 10. ed. Rio de
Janeiro: Guanabara Koogan, 2023.
NORRIS, T. L. Porth: fisiopatologia. 10. ed. Rio de Janeiro:
Guanabara Koogan, 2021.
Aula 5
Aula 5
Pontodechegada
Olá, estudante! Para desenvolver a competência desta unidade,
que é ser capaz de reconhecer e explicar os aspectos
anatomofisiológicos das células-tronco hematopoiéticas e
compreender a evolução das células sanguíneas por meio da
hematopoese, bem como conhecer os conceitos fundamentais
relacionados à composição do sangue e à origem das células
sanguíneas, você, primeiro, conheceu os componentes do
sangue, como hemácias, leucócitos, plaquetas e plasma, e suas
funções vitais no transporte de oxigênio, defesa imunológica e
coagulação sanguínea, bem como explorou os diferentes tipos
de anemias, suas causas, sinais e sintomas. Além disso, você
compreendeu os mecanismos da hemostasia e dos distúrbios
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associados a esse processo, promovendo base de
conhecimentos necessários para sua atuação profissional.
Videoauladeencerramento
Olá, caro estudante! Nesta videoaula, você vai continuar a
jornada fascinante pelo sistema hematológico, explorando
conceitos essenciais que são fundamentais para a sua prática
profissional. Você já desvendou vários mistérios que envolvem
esse sistema, seus componentes e seu funcionamento, bem
como mergulhou no estudo de algumas patologias que podem
acometer esse sistema; agora, convidamos você a continuar
nesta jornada! Assista à videoaula e descubra como conhecer o
sistema hematológico pode enriquecer e transformar a sua
prática profissional. Não perca!
Éhoradepraticar
Sara é uma estudante de graduação na área da saúde, sempre
dedicada aos estudos e preocupada com a saúde e bem-estar
dos outros. Recentemente, no entanto, ela recebeu a notícia que
abalou sua vida pessoal, seu filho de 6 anos foi diagnosticado
com a doença de von Willebrand, uma condição que afeta a
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coagulação sanguínea. Antes do diagnóstico, Sara não havia
percebido que seu filho apresentava alguns sintomas que agora
fazem sentido. Ele frequentemente tinha hematomas que
surgiam sem causa aparente e pequenas hemorragias nas
gengivas ao escovar os dentes; além disso, o menino se
queixava de dores nas articulações e frequentemente tinha
episódios de sangramento nasal, que pareciam não ter fim.
Diante desse diagnóstico, Sara tem se sentido angustiada e
ansiosa, pois como ainda não estudou sobre isso na faculdade,
muitas dúvidas têm surgido e a preocupado. Ela se questiona:
“Quais são as principais características da doença de von
Willebrand e como essa condição se manifesta em crianças?
Quais tipos de hemorragias seu filho pode apresentar e qual é a
gravidade desses episódios? Existem estratégias de prevenção
que podem ser adotadas para minimizar o risco de
sangramentos e melhorar a qualidade de vida do seu filho?”.
Sara quer entender melhor a condição de seu filho para que os
cuidados sejam direcionados para oferecer a melhor qualidade
de vida possível a ele.
Você, no lugar de Sara, como responderia a todos esses
questionamentos?
1. Quais são os principais tipos de células sanguíneas e suas
funções?
2. Como a hematopoese é regulada e quais fatores
influenciam esse processo?
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3. De que maneira as alterações hematológicas podem
impactar a saúde do paciente?
Você já viu vários conceitos importantes a respeito do sistema
hematológico e já sabe que o sangue é composto por plasma e
diferentes tipos celulares (eritrócitos, leucócitos e plaquetas)
que exercem várias funções importantes no nosso organismo.
Os eritrócitos são responsáveis pelo transporte de oxigênio para
os tecidos e retirada do dióxido de carbono deles; os leucócitos
estão envolvidos na defesa do nosso organismo; e as plaquetas
participam da manutenção da hemostasia, por meio do
processo de coagulação sanguínea. Alterações nessas células
podem ocasionar diferentes distúrbios, como a doença de von
Willenbrand, que é um distúrbio hemorrágico hereditário,
resultado da deficiência ou disfunção do fator de von Willebrand
— uma proteína crucial para a coagulação sanguínea.
Esse fator, por sua vez, é fundamental para a adesão das
plaquetas ao local de lesão vascular, atuando como uma ponte,
ligando as plaquetas ao colágeno exposto nas paredes dos
vasos sanguíneos danificados. Essa adesão é a primeira etapa
na formação do tampão hemostático.
A doença de von Willembrand se manifesta em crianças por
meio de hematomas espontâneos, sangramentos nas gengivas,
sangramento nasal frequente e, ocasionalmente, sangramentos
articulares. Em adultos, os tipos de hemorragias incluem
hematomas, sangramentos gengivais, epistaxe e hemorragias
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articulares cuja gravidade varia conforme a severidade da
doença. Em casos leves, os sangramentos podem ser
controláveis, mas em casos mais severos, podem exigir
atenção médica urgente.
Para minimizar o risco de sangramentos e melhorar a qualidade
de vida de um portador dessa doença, podem ser adotadas
algumas estratégias, como cuidados dentários adequados,
evitando traumas nas gengivas, evitar esportes de contato e
atividades que apresentem alto risco de lesões. Além disso,
consultas regulares com um hematologista são essenciais para
monitorar a condição e ajustar o tratamento conforme
necessário. A educação familiar também é importante,
garantindo que todos saibam como agir em caso de
sangramentos.
Dêoplay
Assimile
Olá, caro estudante! Você está convidado a embarcar, a partir de
agora, na jornada fascinante pelo sistema hematológico,
explorando as informações ricas e instigantes presentes neste
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infográfico. Aprecie e aproveite as informações sobre as células
sanguíneas! Vamos lá?
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Referências
HOFFBRAND, A. V.; MOSS, P. A.  H. Fundamentos em
hematologia de Hoffbrand. 7. ed. Porto Alegre: Artmed, 2018.
KUMAR, V.; ABBAS, A. K.; ASTER, J. C. Robbins & Cotran:
patologia: bases patológicas das doenças. 10. ed. Rio de
Janeiro: Guanabara Koogan, 2023.
NORRIS, T. L. Porth: fisiopatologia. 10. ed. Rio de Janeiro:
Guanabara Koogan, 2021.
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HEMATOLÓGICOF reduz progressivamente até o oitavo
mês de vida, alcançando cerca de 1%, e se mantém nessa faixa
no indivíduo adulto.
Os leucócitos ou glóbulos brancos são células esféricas, bem
maiores que os eritrócitos, com função de proteção do
organismo, e são produzidos na medula óssea ou em tecidos
linfoides, permanecendo temporariamente no sangue, onde
constituem apenas 1% do sangue total, podendo ser
classificados em granulócitos e agranulócitos.
Os leucócitos granulócitos apresentam núcleo com formato
irregular e citoplasma com grânulos específicos que, ao
microscópio eletrônico, aparecem envoltos por membrana. Os
três tipos de granulócitos são: neutrófilos, eosinófilos e
basófilos; além dos grânulos específicos, essas células
apresentam grânulos azurófilos, que se coram em púrpura, e
são lisossomos.
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Os neutrófilos ou leucócitos polimorfonucleares são células
arredondadas com núcleos formados por dois a cinco lóbulos
(normalmente, três lóbulos) ligados entre si por finas pontes de
cromatina. Os neutrófilos jovens não apresentam o núcleo
segmentado em lóbulos, mas, sim, em formato de letra C, sendo
chamados de neutrófilos em bastonete. Os neutrófilos são o
tipo mais numeroso de leucócitos no sangue, podendo chegar a
70% do total, e apresentam no citoplasma grânulos específicos
e azurófilos.
Os grânulos específicos apresentam enzimas que destroem
microrganismos e componentes que auxiliam na reposição da
membrana e, também, na defesa da célula contra agentes
oxidantes; já os grânulos azurófilos apresentam proteínas e
peptídeos que digerem e destroem microrganismos, e devido a
essas características, os neutrófilos são células responsáveis
pela defesa do hospedeiro contra a invasão de bactérias e
fungos, resíduos celulares, além de uma diversidade de
substâncias estranhas.
Os neutrófilos no sangue circulante não realizam fagocitose,
contudo, quando encontram um substrato sólido, deixam de ser
células esféricas, tornando-se ameboides, e passam a
apresentar capacidade de emitir pseudópodes, assim, ao
encontrar um microrganismo agressor, o neutrófilo se liga a ele
por meio de receptores presentes em sua superfície e os
envolve em seus pseudópodes, englobando o microrganismo
para posterior destruição. Ainda com relação à participação dos
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neutrófilos na resposta imune, essas células secretam
substâncias quimiotáticas que atraem outros neutrófilos e
células inflamatórias, além de secretarem também grânulos
específicos que facilitam sua migração pelos tecidos.
Os eosinófilos medem de 12 a 15 µm de diâmetro — tamanho
bastante semelhante ao dos neutrófilos, constituindo 1 a 3%
dos leucócitos totais, bem como apresentam núcleos
bilobulados (dois lóbulos), com grânulos citoplasmáticos
específicos corados em vermelho alaranjado pela eosina. Essas
células circulam pelo sangue periférico e, depois, migram para
os tecidos específicos, como timo e trato gastrointestinal, onde
residem sob condições normais. Os eosinófilos estão
implicados na patogênese de vários processos inflamatórios,
incluindo infecções helmínticas, bacterianas e virais, além de
doenças alérgicas como a asma, desse modo, a quantidade de
eosinófilos aumenta nas respostas alérgicas, nas infestações
parasitárias e na asma.
A ação dos eosinófilos contra os microrganismos envolve a
liberação de enzimas hidrolíticas e proteínas tóxicas e
fagocitose. Os eosinófilos também secretam citocinas e
mediadores inflamatórios (leucotrienos) que intensificam a
resposta inflamatória.
Os basófilos são os leucócitos presentes em menor quantidade,
cerca de 0,3 a 0,5% do total de leucócitos, e apresentam núcleo
volumoso, com formato retorcido e irregular, lembrando uma
letra “S”. No citoplasma, apresenta grande quantidade de
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grânulos específicos grandes que se coram em azul ou púrpura
e, por vezes, podem esconder o núcleo. Os grânulos contêm
heparina (anticoagulante), histamina (vasodilatador) e outros
mediadores inflamatórios (bradicinina e leucotrienos); já os
basófilos apresentam receptores para imunoglobulina E (IgE) na
membrana plasmática e, além das proteínas contidas nos
grânulos, secretam também citocinas e leucotrienos, assim,
essas células estão envolvidas em reações alérgicas e de
hipersensibilidade.
Os leucócitos agranulócitos, também chamados leucócitos
mononucleares, não apresentam grânulos específicos, mas
podem conter grânulos azurófilos; seu núcleo tem formato mais
regular, sendo unilobulado; e incluem os linfócitos e monócitos.
Os linfócitos correspondem a cerca de 30% do total de
leucócitos e são responsáveis pela defesa imunológica do
organismo. Essas células apresentam núcleo redondo,
ligeiramente chanfrado, com coloração escura. O citoplasma
cora-se em azul claro e forma um halo delgado ao redor do
núcleo, e quanto maior o linfócito, mais visível se torna o
citoplasma. Aliás, existem três tipos principais de linfócitos:
linfócitos B, linfócitos T e células natural killer (NK). Os
linfócitos B correspondem de 5 a 10 % dos linfócitos presentes
no sangue e são responsáveis pela produção de anticorpos e
apresentação de antígenos.
Os anticorpos são componentes da resposta imune e, quando
ligados ao seu antígeno, auxiliam os fagócitos a englobar os
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antígenos — um processo denominado opsonização. Os
linfócitos T constituem cerca de 80% dos leucócitos e são
importantes na defesa contra patógenos intracelulares, como
os vírus; além disso, regulam as respostas de linfócitos B e a
resposta imune como um todo, por meio de interações diretas
entre células ou por liberação de citocinas.
Existem três tipos de linfócitos T: os T auxiliares, os T
citotóxicos e os T reguladores. Os linfócitos T auxiliares podem
ser linfócitos T auxiliares do tipo 1 (células Th1) ou linfócitos T
auxiliares tipo 2 (células Th2). As células Th1 interagem com os
fagócitos mononucleares, auxiliando na destruição de
patógenos intracelulares. As células Th2 interagem com
linfócitos B, auxiliando na divisão dessas células e,
consequente produção de anticorpos.
Os linfócitos T citotóxicos são responsáveis pela eliminação de
células do hospedeiro que estejam infectadas por patógenos
intracelulares. Os linfócitos T reguladores (Tregs) auxiliam no
controle do desenvolvimento da resposta imunológica,
limitando as reações contra os tecidos do hospedeiro. O
terceiro componente da população de linfócitos é o das células
natural killer (NK), que constituem, aproximadamente, 10% dos
linfócitos no sangue; essas células atuam na resposta
imunológica inata e têm um importante papel atuando na
destruição de células estranhas, como células infectadas por
vírus e algumas células tumorais.
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Os monócitos são os maiores leucócitos circulantes, sendo
produzidos na medula óssea; constituem de 1 a 6% do total dos
leucócitos; e apresentam núcleo ovoide, em formato de rim ou
ferradura, e citoplasma com coloração azul acinzentado e
aparência espumosa. Quando saem dos vasos sanguíneos para
os tecidos, os monócitos se transformam em macrófagos, cuja
função principal é a defesa do hospedeiro (englobamento de
materiais estranhos), ou em células dendríticas apresentadoras
de antígenos (papel importante no desenvolvimento da
imunidade adquirida).Um outro tipo celular presente no sangue
é a plaqueta. As plaquetas ou trombócitos são fragmentos
celulares, em forma de disco, derivados dos megacariócitos da
medula óssea, portanto, são células pequenas e anucleada e
participam do processo de coagulação sanguínea, bem como
auxiliam no reparo da parede dos vasos sanguíneos lesionados,
prevenindo a perda sanguínea. As plaquetas também podem
ser ativadas durante as respostas imunológicas, liberando
mediadores inflamatórios.
Agora que você conheceu as principais característicasdo
sangue e de seus componentes, você é capaz de compreender
a importância do conhecimento desses temas para uma boa
atuação profissional
Vamosexercitar
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HEMATOLÓGICO
Agora que você conheceu e aprendeu a respeito das principais
características do sangue e de seus componentes, bem como a
sua importância para o funcionamento e a defesa do corpo
humano, vamos retomar a nossa situação-problema.
A partir de agora, vamos considerar o caso de Maria, 40 anos,
que, nos últimos meses, tem estado constantemente doente,
com gripes, resfriados e infecções; além disso, Maria notou que,
no último mês, começou a apresentar uma fraqueza e
desânimo constantes, o que tem afetado suas atividades
diárias e seu trabalho. Preocupada com sua saúde, Maria
decidiu procurar atendimento médico, e após o exame clínico, o
médico solicitou um hemograma completo para investigar
possíveis causas das queixas de Maria.
Ao receber o resultado, foi possível observar alterações nas
células sanguíneas, especialmente nos leucócitos, sugerindo
que o sistema imunológico de Maria estava comprometido,
assim, diante dos resultados, o médico levantou a hipótese de
que essas alterações poderiam estar ligadas à baixa imunidade
e à frequência de infecções sofridas por Maria, diante desse
caso, o desafio para você, caro estudante, era compreender
como as mudanças nos componentes do sangue,
especialmente nos leucócitos, podem impactar o sistema
imunológico de Maria e sua capacidade de combater infecções,
bem como que condições podem estar por trás dessas
alterações e como o conhecimento da função dos leucócitos
pode orientar o tratamento adequado para restaurar sua saúde.
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Agora, você já é capaz de responder a esses questionamentos.
Vamos lá?!
Primeiro, é importante lembrar que o sangue é um tipo de tecido
conjuntivo composto de plasma e elementos figurados (células,
como eritrócitos, leucócitos e plaquetas). O sangue exerce um
papel fundamental, atuando no transporte e distribuição de
substâncias e células pelo organismo. Algumas células
sanguíneas, como os leucócitos e plaquetas, atuam
diretamente na defesa do organismo, fazendo parte do sistema
imune, assim, alterações nos componentes celulares do sangue
impactam o sistema imunológico, pois esse sistema depende
da integridade e funcionalidade dos leucócitos, que são
responsáveis por identificar e eliminar agentes patogênicos.
Os leucócitos incluem neutrófilos, linfócitos, monócitos,
eosinófilos e basófilos, cada um com funções específicas no
combate a infecções. Se o hemograma mostra uma quantidade
reduzida ou anormal de leucócitos (leucopenia) ou alterações
na morfologia dessas células, o corpo fica mais suscetível a
infecções recorrentes, como observado no caso de Maria. A
fraqueza e o desânimo, aliás, também podem ser sinais de que
o organismo está gastando energia excessiva para lidar com
essas infecções, e como a função dos leucócitos está
diretamente ligada à imunidade, é importante conhecer a
função de cada um dos tipos.
Níveis de neutrófilos baixos são indicativos de que o corpo tem
dificuldade em combater bactérias, por exemplo; se os
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linfócitos estão afetados, o combate a vírus é prejudicado,
assim, o tratamento dependerá da causa subjacente: se for uma
infecção crônica, o foco poderá ser eliminar a infecção; se for
uma deficiência nutricional, a reposição de vitaminas poderá ser
indicada. Em casos mais graves, como doenças hematológicas,
pode ser necessário um tratamento especializado, como
quimioterapia ou imunoterapia, desse modo, o importante é
lembrar que alterações nos leucócitos podem ser um indicativo
de várias condições, como infecções crônicas que desgastam o
sistema imunológico, esgotando os leucócitos; distúrbios
autoimunes, nos quais o corpo ataca suas próprias células;
deficiências nutricionais, como a falta de vitamina B12 ou ácido
fólico, que afetam a produção de leucócitos; doenças
hematológicas, como leucemia, em que a produção de
leucócitos é anormal; e imunodeficiências adquiridas, como o
HIV, que reduz a capacidade do organismo de produzir
leucócitos eficazes.
Saibamais
Componentes e funções do
plasma sanguíne
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O plasma sanguíneo é a parte líquida do sangue, composto por
cerca de 90% de água e 10% de proteínas, íons, gases,
nutrientes e resíduos metabólicos; suas principais funções
incluem o transporte de substâncias essenciais, como
nutrientes e hormônios, para as células, além da remoção de
resíduos para eliminação pelo corpo. O plasma também
desempenha um papel importante na regulação do equilíbrio
ácido-base, na manutenção da pressão osmótica e na
coagulação sanguínea, por meio de proteínas como a albumina
e o fibrinogênio, desse modo, a circulação eficiente do plasma
garante a homeostase e o bom funcionamento dos sistemas
corporais.
Para saber mais sobre o plasma sanguíneo e seu papel no
organismo humano, leia o capítulo 16, p. 512-514, da seguinte
obra "Fisiologia humana: uma abordagem integrada".
Morfologia e função dos
eritrócitos
Os eritrócitos ou hemácias são células sanguíneas
especializadas no transporte de oxigênio dos pulmões para os
tecidos e na remoção de dióxido de carbono dos tecidos para
ser eliminado do organismo. A principal molécula presente nos
eritrócitos é a hemoglobina, responsável por se ligar ao oxigênio
e garantir sua distribuição eficiente. A adequada função dos
eritrócitos é fundamental para o fornecimento de energia aos
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tecidos e para a manutenção do metabolismo celular e
consequente sobrevivência do organismo.
Para saber mais sobre a morfologia e função dos eritrócitos,
leia o capítulo 10 da seguinte obra "Tratado de histologia."
Morfologia e função dos
leucócitos
Os leucócitos ou glóbulos brancos são responsáveis pela
defesa do organismo contra infecções e agentes patogênicos.
No organismo humano, existem diferentes tipos de leucócitos,
como neutrófilos, linfócitos, monócitos, eosinófilos e basófilos,
cada um com funções específicas no sistema imune.
A morfologia é variável e adaptada para reconhecer e eliminar
microrganismos invasores, e os leucócitos são fundamentais
para identificar, atacar e remover agentes nocivos, garantindo a
proteção do corpo contra infecções, além de desempenharem
um papel importante na resposta inflamatória e no reparo
tecidual.
Para saber mais sobre a morfologia e função dos leucócitos,
leia o capítulo 12 da seguinte obra "Histologia básica: texto e
atlas."
Referências
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CIÊNCIAS MORFOFUNCIONAIS
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HEMATOLÓGICO
GARTNER, L. P. Tratado de histologia. 5. ed. Rio de Janeiro:
Guanabara Koogan, 2022.
JUNQUEIRA, L. C. U.; CARNEIRO, J. Histologia básica: texto e
atlas. 14. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2023.
SILVERTHORN, D. U. Fisiologia humana: uma abordagem
integrada. 7. ed. Porto Alegre: Artmed, 2017.
TORTORA, G. J.; DERRICKSON, B. Princípios de anatomia e
fisiologia. 16. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2023.
Aula 2
Aula 2
Videoaula
Origem e formação das
células sanguíneas
Olá, caro estudante! Nesta videoaula, você continuará a explorar
o tecido sanguíneo, mais especificamente como os elementos
celulares do sangue se formam no nosso organismo, bem
como compreenderá onde e como cada um dos tipos celulares
presentes no sangue se originam no nosso corpo. 
Prepare-se para mais uma jornada de conhecimento. Vamos lá!
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Pontodepartida
Nesta seção, você, caro estudante, continuará o estudo do
sistema sanguíneo. Você vai compreender os processos
fundamentais da hematopoese, que é a formação dos
elementos figurados do sangue, incluindo a eritropoese
(produção de eritrócitos), leucopoese (formação de leucócitos)
e trombopoese (produçãode plaquetas); além disso, você vai
compreender como as alterações na hematopoese podem
afetar a saúde do indivíduo.
Prepare-se para uma jornada de aprendizado que não só
enriquecerá seu conhecimento teórico, mas também trará
informações valiosas para sua futura atuação profissional.
Descubra como a compreensão da hematopoese é fundamental
para a formação de um futuro profissional de saúde.
A partir de agora, você vai acompanhar o caso de Pedro, um
aluno de graduação na área da saúde. Durante um estudo em
grupo sobre hematopoese, Pedro começou a ficar confuso com
alguns conceitos fundamentais; ele percebeu que não entendia
bem a diferença entre eritropoese, leucopoese e trombopoese e
se questionava sobre como esses processos ocorrem e quais
hormônios ou fatores regulam a produção de cada tipo de
célula sanguínea; além disso, Pedro também tinha dúvidas
sobre o tempo de vida das células sanguíneas e como o
organismo sabe quando é necessário aumentar a produção de
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DOS SISTEMAS IMUNE E
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uma célula em particular. Para completar, Pedro se perguntava
sobre a importância da medula óssea nesse processo e como
ela se adapta às necessidades do corpo. Com tantas questões,
ele sentiu que precisava esclarecer esses pontos antes de
avançar em seus estudos e se preparar melhor.
Você, no lugar do Pedro, como responderia a todos esses
questionamentos?
Vamoscomeçar
A hematopoese ou hemopoese é o processo contínuo de
formação e renovação dos elementos figurados do sangue. As
células sanguíneas apresentam vida curta e precisam ser
renovadas constantemente, e essa renovação ocorre por meio
de divisões mitóticas de células localizadas nos órgãos
hematopoiéticos. A hematopoese é um processo que se inicia
durante o período embrionário e perdura ao longo de toda a vida
de um indivíduo.
A hematopoese se inicia por volta da segunda semana de
gestação no saco vitelínico, onde as células mesenquimais se
aglomeram formando as ilhotas sanguíneas. Alguns desses
aglomerados de células originará o revestimento endotelial dos
vasos sanguíneos, enquanto outros originarão os
hemangioblastos ou eritroblastos, que se diferenciam em
células sanguíneas.  Posteriormente, por volta da sexta semana
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de gestação, o fígado e o baço passam a ser os locais de
produção de células sanguíneas; eles continuam a produzir
células do sangue até por volta de 2 semanas após o
nascimento.
A partir do sexto ao sétimo mês de gestação, essa função
passa a ser assumida gradativamente pela medula óssea
vermelha, que continua como local primário de produção de
células sanguíneas por toda a vida do indivíduo. Em crianças, a
hematopoese ocorre principalmente nos ossos longos distais,
já nos adultos, está restrita aos ossos do esqueleto axial e às
extremidades proximais do fêmur e do úmero.
Figura 1 | Principais estágios da maturação das células
sanguíneas
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As células sanguíneas derivam de células-tronco pluripotentes
ou células-tronco hematopoiéticas (células que têm capacidade
de produzir diferentes tipos de células); essas células
apresentam capacidade de proliferação e autorrenovação que
dura por toda a vida, tornando-as fonte de células de reserva
para o sistema hematopoiético. As células-tronco pluripotentes,
derivadas das células do mesênquima, constituem cerca de
0,05 a 0,1% das células presentes na medula óssea vermelha.
Parte dessas células se prolifera para continuar como célula-
tronco hematopoiética, e manter constante essa população de
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células, enquanto outra parte, chamada de unidades
formadoras de colônias (UFC), acaba se diferenciando e
originando células precursoras de linhagens específicas,
denominadas células-tronco linfoide e células-tronco mieloide.
As células progenitoras, quando se dividem, podem originar
outras células progenitoras e, também, células precursoras.
Essas últimas originam apenas células sanguíneas que se
tornarão maduras. As células-tronco mieloides originam as
linhagens eritrocítica ou UFC eritrocítica (UFC-E, forma os
eritrócitos), megacariocítica ou UFC megacariocítica (UFC-Meg,
forma megacariócitos e, posteriormente, plaquetas) e células
precursoras de unidades formadoras de colônias ganulocíticas
e monocítica (UFC-GM) que dão origem à linhagem
granulocítica (produz os granulócitos) e à linhagem monocítica
(produz monócitos e células dendríticas); já as células-tronco
linfoides originam os diversos tipos de linfócitos.
Em condições normais, as células sanguíneas são produzidas
em quantidades diferentes, conforme a necessidade do
organismo, para a manutenção de quantidade relativamente
constante de cada tipo de célula sanguínea circulante, assim, a
hematopoese está sob o comando de mecanismos de
regulação, que ocorre principalmente por fatores de
crescimento, denominados citocinas, produzidos por diferentes
tipos celulares. Esses fatores atuam em células-específicas,
células progenitoras e células precursoras, induzido proliferação
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ou diferenciação ou, ainda, ambas, além de ativação funcional
das diferentes células sanguíneas maduras.
Os fatores de crescimento são derivados de três fontes:
transportados através da corrente sanguínea, secretados por
células do estroma da medula óssea e contato direto célula-
célula. Vários fatores de crescimento (citocinas) são
denominados fatores estimuladores de colônias (FEC), devido a
sua capacidade de induzir o crescimento de colônias de células
hematopoiéticas. Os FEC que atuam sobre as células
progenitoras comprometidas (que originarão as células
sanguíneas) incluem: (1) a eritropoetina (EPO), que promove a
produção de hemácias; (2) o fator estimulador de colônias de
granulócitos e monócitos (GM-FEC), que estimula os
progenitores de granulócitos, monócitos, eritrócitos e
megacariócitos; (3) o fator estimulador de colônias de
granulócitos (G-FEC), estimulador da proliferação de neutrófilos;
(4) o fator estimulador de colônias de macrófagos (M-FEC), que
inclui colônias de macrófagos; e (5) a trombopoetina (TPO), que
estimula a diferenciação das plaquetas.
Outras citocinas, como interleucinas, interferons e fator de
necrose tumoral, também atuam na hematopoese, sustentando
a proliferação das células-tronco e o desenvolvimento de
linfócitos, além de atuarem em sinergia, auxiliando nas
múltiplas funções dos FEC. Após a formação das células
sanguíneas, estas penetram nos seios e em outros vasos
sanguíneos e deixam o osso pelas veias nutrícias e periosteais.
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Sigaemfrente
Eritropoese
Trata-se do processo de produção de eritrócitos, que têm uma
sobrevida periférica de aproximadamente 120 dias, assim,
torna-se necessária a contínua renovação de sua população.
Sua produção se inicia na medula óssea vermelha, a partir da
célula-tronco hematopoiética, passando pelas células
progenitoras, pela unidade formadora eritrocítica ou eritroide
(UFC-E) até o primeiro precursor eritroide, denominado
proeritroblasto. Essa célula é grande, apresentando citoplasma
com coloração azul-escuro, núcleo central com nucléolo e
cromatina pouco aglomerada.
O proeritroblasto se divide diversas vezes, produzindo células
progressivamente menores, chamadas eritroblastos, que
iniciam a síntese de hemoglobina. Os eritroblastos não estão
presentes no sangue periférico normal, e o aparecimento de
eritroblastos no sangue periférico indica eritropoese fora da
medula óssea ou alguma patologia na medula óssea vermelha.
Em uma próxima etapa da eritropoese, o núcleo é expelido do
eritroblasto maduro na medula óssea, dando origem ao
reticulócito, que ainda é capaz de sintetizar hemoglobina. O
reticulócito é um pouco maior que o eritrócito maduro e circula
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no sangue periférico durante um a dois dias antes de tornar-se
maduro. O eritrócito maduro é um disco bicôncavo sem núcleo,
de coloração rósea. Geralmente, a partir de um proeritroblasto,
temos a origem de 16 eritrócitos maduros.
Figura 2 | Diagrama e fotomicrografias da série eritrocítica
Fonte: Gartner (2022, p. 232).
A eritropoese é regulada pela eritropoetina (EPO), produzida
principalmente pelos rins, e apenas 10% da EPO é produzida no
fígado e outros locais. O estímulo para síntese e liberação de
EPO é a hipóxia, baixas concentrações de oxigênio nos tecidos,
e a hipóxia estimula a produção do fator de transcrição,
denominado fator induzível por hipóxia 1 (HIF-1), que ativa o
gene EPO, aumentando a síntese de EPO. Assim, estimulando a
síntese dos eritrócitos, a EPO estimula a disponibilização de
mais hemoglobina na circulação para transportar oxigênio. Por
outro lado, o aumento de fornecimento de oxigênio aos tecidos
reduz o estímulo para a produção de EPO.
Como comentado anteriormente, os eritrócitos vivem na
circulação por volta de 120 dias. Quando vão se tornando mais
velhos, ficam cada vez mais frágeis, podendo se romper ao
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tentar passar através de capilares sanguíneos estreitos ou ser
englobados por macrófagos quando passam pelo baço. Ao
serem destruídos, muitos dos componentes dos eritrócitos são
reciclados. Os aminoácidos que formam as cadeias globina da
molécula da hemoglobina são incorporados em novas proteína.
Parte dos íons ferro dos grupos heme é reutilizado para a
produção de novos grupos heme, enquanto o restante dos
grupos heme é convertido pelas células do
baço e do fígado em bilirrubina, um pigmento amarelado.
A bilirrubina, por sua vez, é transportada para o fígado, sendo
metabolizada e incorporada à bile, que é secretada no trato
gastrointestinal, desse modo, os metabólitos da bilirrubina
deixam o corpo nas fezes. Pequenas quantidades de outros
metabólitos da bilirrubina são filtradas do sangue para os rins,
contribuindo para a cor amarela da urina. O acúmulo de
bilirrubina no sangue (hiperbilirrubinemia) gera uma condição
denominada icterícia, resultando em tom amarelado na pele e
na conjuntiva.
Leucopoese
Trata-se do processo de formação dos leucócitos, que ocorre
no período pós-natal, na medula óssea, em um processo
altamente regulado. Faz-se importante lembrar que, durante a
hematopoese, algumas células progenitoras (unidades
formadoras de colônias, UFC) se diferenciam em UFC-GM
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(unidade formadora de colônias de granulócitos e monócitos),
que se diferencia em granulócitos e monócitos; já as células
progenitoras da série linfoide, sofrerão diferenciação até
formarem linfócitos, dessa forma, as células sintetizadas a
partir dos precursores mieloides ou linfoides originarão tipos
específicos de leucócitos conforme a necessidade definida pelo
organismo.
A granulocitopoese é a formação dos leucócitos granulócitos
(neutrófilos, basófilos, eosinófilos e mastócitos), e esse
processo é regulado por diferentes citocinas, como fator de
células-tronco, fator estimulante de colônias de granulócitos (G-
CSF), fator estimulante de colônias de granulócitos e de
macrófagos (GM-CSF), bem como interleucinas (IL-3, IL-5, IL-6,
IL-8) e fator de necrose tumoral (TNF-α). Durante o processo de
formação e maturação dos leucócitos granulócitos, ocorrem
alterações citoplasmáticas, levando à produção de grande
quantidade de proteínas, que acabam acondicionadas em
grânulos, resultando na formação dos grânulos azurófilos e
específicos. Os mieloblastos são as células precursoras de
todos os três tipos de granulócitos e, histologicamente, não
podem ser diferenciados um do outro. Os mieloblastos sofrem
mitose, originando os pró-mielócitos, que, por sua vez, dividem-
se, origiando os mielócitos. Na etapa de mielócitos, ocorre o
início da distinção entre os granulócitos.
Figura 3 | Diagrama e fotomicrografias da série neutrofílica
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Fonte: Gartner (2022, p. 233).
A monocitopoese, formação dos monócitos. Essas células se
originam da célula mieloide multipotente, que se diferencia em
todos os outros leucócitos, exceto os linfócitos. A célula
precursora da linhagem monocítica é o promonócito,
encontrado somente na medula óssea, semelhante
morfologicamente ao mieloblasto. O promonócito apresenta
cromatina delicada e o citoplasma, basófilo, apresentando
complexo de Golgi grande e retículo endoplasmático
desenvolvido, bem como numerosos grânulos azurófilos finos.
Essas células se dividem duas vezes e se transformam em
monócitos que passam para o sangue, no qual permanecem
cerca de 8 a 16 horas. Os monócitos, posteriormente, migram
para o tecido conjuntivo, atravessando a parede das vênulas e
dos capilares, diferenciando-se em macrófagos. Todo esse
processo é regulado pelo GM-CSF, IL-3, M-CSF e CSF.
Os linfócitos se originam principalmente no timo e nos órgãos
linfoides periféricos (baço, linfonodos e tonsilas). Apesar de os
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linfócitos proliferarem continuamente nos órgãos linfoides
periféricos, as células precursoras da linhagem linfocítica
localizam-se na medula óssea. Os linfócitos T e B se
diferenciam no timo e na medula óssea, respectivamente; nos
tecidos, o linfócito B pode se diferenciar em plasmócito, célula
produtora de imunoglobulinas. Os linfócitos NK se formam na
medula, sem passar pelo mesmo processo de diferenciação
dos outros tipos de linfócitos, e a célula precursora é o
linfoblasto, que forma o prolinfócito, originando, por sua vez, os
linfócitos maduros.
O linfoblasto é a maior célula da série linfocítica, apresentando
forma esférica, com citoplasma basófilo e sem granulações
azurófilas. Sua cromatina é relativamente condensada,
semelhante à cromatina do linfócito maduro, e outra
característica dessa célula é que ela apresenta dois ou três
nucléolos. O prolinfócito é menor do que o linfoblasto,
apresentando citoplasma basófilo, podendo conter granulações
azurófilas. Sua cromatina é condensada, porém menos do que
nos linfócitos, o que dificulta a visualização dos nucléolos.  O
prolinfócito origina diretamente o linfócito circulante.
Formação das plaquetas ou
trombopoese
As plaquetas se originam na medula óssea vermelha, a partir da
fragmentação dos megacariócitos. Estes, por sua vez, originam-
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se a partir da diferenciação dos megacarioblastos, que são
células grandes, com núcleo único em formato oval ou de rim, e
numerosos nucléolos. O citoplasma dos megacarioblastos é
homogêneo e basófilo. Os megacariócitos também são células
grandes, mas apresentam núcleo muito volumoso e lobulado.
Essas células se originam da mesma célula mieloide, que dá
origem aos eritrócitos e a toda linhagem mieloide.
A trombopoetina, sintetizada principalmente no fígado, é o
principal regulador da formação das plaquetas. Essa
glicoproteína atua aumentando o número e o ritmo de
maturação dos megacariócitos. 
Figura 4 | Células de linhagem megacariocítica
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Fonte: adaptada de Wikimedia Commons.
Agora, que você conheceu as principais características da
hematopoese, bem como as especificidades dos processos de
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eritropoese, leucopoese e trombopoese, você é capaz de
compreender a importância do conhecimento desse tema para
uma boa atuação profissional.
Vamosexercitar
Agora que você conheceu e aprendeu a respeito das principais
características da hematopoese, bem como as especificidades
dos processos de eritropoese, leucopoese e trombopoese,
vamos retomar à nossa situação-problema.
A partir de agora, vamos considerar o caso de Pedro, um aluno
de graduação na área da saúde que, durante umestudo em
grupo sobre hematopoese, começou a ficar confuso com
alguns conceitos fundamentais. Ele percebeu que não entendia
bem a diferença entre eritropoese, leucopoese e trombopoese e
se questionava sobre como esses processos ocorrem e quais
hormônios ou fatores regulam a produção de cada tipo de
célula sanguínea; além disso, Pedro também tinha dúvidas
sobre o tempo de vida das células sanguíneas e como o
organismo sabe quando é necessário aumentar a produção de
uma célula em particular. Para completar, Pedro se perguntava
sobre a importância da medula óssea nesse processo e como
ela se adapta às necessidades do corpo; com tantas questões,
ele sentiu que precisava esclarecer esses pontos antes de
avançar em seus estudos e se preparar melhor. Agora, você já é
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capaz de ajudar Pedro a responder aos questionamentos.
Vamos lá?!
Primeiro, é importante lembrar que a hematopoese é o processo
pelo qual ocorre a produção de células sanguíneas, ocorrendo
predominantemente na medula óssea. Ela é dividida em três
subprocessos principais: (1) a eritropoese, que é a formação
dos eritrócitos (ou hemácias), regulada pelo hormônio
eritropoetina, produzido nos rins em resposta à baixa
oxigenação do sangue, garantindo o transporte de oxigênio (e o
tempo de vida das hemácias é de aproximadamente 120 dias);
(2) a leucopoese, que é a produção dos leucócitos (ou glóbulos
brancos), essenciais para a defesa do organismo contra
infecções, sendo um processo regulado por fatores como
citocinas, que são sinais imunológicos, e cujos diferentes tipos
de leucócitos, como neutrófilos, linfócitos e eosinófilos, têm
funções específicas no sistema imunológico; e (3) a
trombopoese, que é o processo de formação das plaquetas,
responsáveis pela coagulação sanguínea, sendo regulada pela
trombopoetina, um hormônio produzido principalmente no
fígado.
As plaquetas têm um tempo de vida mais curto, entre 7 e 10
dias. Com relação ao ajuste da produção das células
sanguíneas, o corpo monitora suas necessidades por meio de
sinais hormonais e fisiológicos. Por exemplo, se houver uma
perda de sangue, mais eritropoetina será liberada para
aumentar a produção de eritrócitos; da mesma forma, infecções
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estimulam a produção de leucócitos, e na medula óssea é onde
todas essas células são produzidas, e ela se adapta às
necessidades do corpo, aumentando ou diminuindo a produção
de acordo com os sinais que recebe. Assim, cada processo tem
uma regulação específica e desempenha um papel fundamental
para manter o equilíbrio do sistema hematológico.
Saibamais
Hematopoese
A hematopoese é o processo pelo qual o organismo produz os
elementos figurados do sangue: eritrócitos, leucócitos e
plaquetas. Esse processo ocorre principalmente na medula
óssea e é fundamental para a manutenção da saúde, garantindo
o transporte de oxigênio (por meio dos eritrócitos), a defesa
contra infecções (pelos leucócitos) e a coagulação sanguínea
(plaquetas). A hematopoese é regulada por hormônios e fatores
de crescimento, que ajustam a produção conforme as
necessidades do corpo, e esse equilíbrio é essencial para a
homeostase, garantindo que o organismo funcione de forma
eficiente e protegida.
Para saber mais sobre a hematopoese, leia o capítulo 1 da
seguinte obra "Fundamentos em hematologia de Hoffbrand".
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Eritropoese
A eritropoese é o processo de produção dos eritrócitos que
ocorre na medula óssea. Esse processo é regulado
principalmente pelo hormônio eritropoetina, produzido nos rins
em resposta à baixa oxigenação sanguínea. Os eritrócitos são
responsáveis pelo transporte de oxigênio dos pulmões para os
tecidos, graças à presença da hemoglobina, uma proteína que
se liga ao oxigênio. A eritropoese é fundamental para manter o
equilíbrio de oxigenação no organismo, garantindo o bom
funcionamento dos órgãos e tecidos. Alterações nesse
processo podem levar a condições como anemia, impactando a
saúde geral e o desempenho físico.
Para saber mais sobre a eritropoese, leia o capítulo dois da
seguinte obra "Fundamentos em hematologia de Hoffbrand".
Leucopoese e trombopoese 
A leucopoese é o processo de formação dos leucócitos
(glóbulos brancos), responsáveis pela defesa do organismo
contra infecções. Ela ocorre na medula óssea e é regulada por
fatores de crescimento e sinais imunológicos. Já a
trombopoese é a produção de plaquetas, células essenciais
para a coagulação sanguínea, e é controlada pelo hormônio
trombopoetina, produzido no fígado. A leucopoese garante a
resposta imunológica eficaz, enquanto a trombopoese previne
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hemorragias, promovendo a formação de coágulos. Ambas são
essenciais para a homeostase e para a proteção do organismo
frente a lesões e infecções.
Para saber mais sobre a leucopoese e trombopoese, leia o
capítulo 13 da seguinte obra "Histologia básica: texto e atlas".
Referências
GARTNER, L. P. Tratado de histologia. 5. ed. Rio de Janeiro:
Guanabara Koogan, 2022.
HOFFBRAND, A. V.; MOSS, P. A.  H. Fundamentos em
hematologia de Hoffbrand. 7. ed. Porto Alegre: Artmed, 2018.
JUNQUEIRA, L. C. U.; CARNEIRO, J. Histologia básica: texto e
atlas. 14. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2023.
NORRIS, T. L. Porth: fisiopatologia. 10. Ed. Rio de Janeiro:
Guanabara Koogan, 2021.
SILVERTHORN, D.U. Fisiologia humana: uma abordagem
integrada. 7. ed. Porto Alegre: Artmed, 2017.
TORTORA, G. J.; DERRICKSON, B. Princípios de anatomia e
fisiologia. 16. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2023.
Aula 3
Aula 3
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Videoaula
Anemias
Olá, caro estudante! Nesta videoaula, você vai continuar
explorando o sistema hematológico, bem como conhecer os
conceitos e classificações das anemias, incluindo a anemia por
perda sanguínea, por eritropoese ineficaz e a anemia
hemolítica. Você também vai compreender como este conteúdo
é fundamental para sua prática profissional e o enriquecimento
do seu conhecimento!
Prepare-se para mais uma aventura no mundo do
conhecimento. Vamos lá.
Pontodepartida
Nesta seção, você, caro estudante, vai continuar o estudo do
sistema hematológico; compreender o conceito de anemia e
como são classificadas; as principais características dos
diferentes tipos de anemias, suas causas, seus principais sinais
e sintomas clínicos; e, por fim, entender como cada tipo de
anemia altera o funcionamento do organismo, afetando a saúde
do indivíduo como um todo.
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Prepare-se para mergulhar nesse tema importante e descobrir
como aplicar esse conhecimento no seu cotidiano profissional,
contribuindo para um atendimento de qualidade. Para tanto, a
partir de agora, você vai acompanhar o Lucas, um aluno de
graduação na área da saúde e estagiário no hospital da sua
universidade.
Lucas é um estagiário bastante aplicado e participa
regularmente de reuniões com a equipe multidisciplinar para
discussão de casos clínicos. Em uma dessas reuniões, foi
apresentado o caso de Maria, 27 anos, diagnosticada com
anemia falciforme. Durante a discussão, a equipe mencionou
que Maria chegou ao hospital, há 12 anos, apresentando
sintomas como fadiga extrema, dor em crises (crises de dor
vaso-oclusiva), inchaço nas mãos e pés e episódios frequentes
de infecções. No momento, ela está sendo acompanhada pela
equipe e todos estão buscando um melhor atendimento para
Maria.
Após a reunião, Lucas ficou preocupado e se lembrou de que,
apesar de ter estudado sobre anemias, ainda tinha várias
dúvidas. Ele se questionou sobre: “Quais são as principais
características da anemia falciforme e como ela difere de
outros tipos de anemia? Como os sintomas apresentados por
Maria se relacionam com a fisiopatologia da anemia falciforme?
De que forma a anemia falciforme pode afetar a qualidadede
vida da paciente? Quais complicações a anemia falciforme
pode trazer?
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Você, no lugar de Lucas, como responderia a todos esses
questionamentos?
Vamoscomeçar
A anemia é uma condição na qual a concentração de
hemoglobina se encontra abaixo dos valores esperados para
idade e sexo, ocasionando uma menor oxigenação dos tecidos.
Como sintomas gerais, a anemia geralmente se manifesta por
dispneia, fraqueza, letargia, palpitações e cefaleia. Em pessoas
idosas, podem surgir sintomas como insuficiência cardíaca,
angina de peito, claudicação intermitente e confusão mental.
Ainda, nas anemias, podemos observar como sinais gerais a
palidez das mucosas e dos leitos ungueais, hipercinese
circulatória com taquicardia, pulso amplo, cardiomegalia e
sopro sistólico.
As anemias podem ser classificadas de acordo com a
morfologia e a fisiopatologia. A classificação morfológica das
anemias leva em consideração o tamanho (volume corpuscular
médio, VCM), a coloração (concentração de hemoglobina
corpuscular média — CHCM — e hemoglobina corpuscular
média — HCM) dos eritrócitos, bem como a diferença em
tamanho que pode ocorrer entre os eritrócitos (red cell
distribution width, RDW), associados às demais características
morfológicas dos eritrócitos.
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Baseadas nesses parâmetros, as anemias podem ser
classificadas em três tipos principais:
Anemia microcítica e hipocrômica: na qual os eritrócitos
são menores do que o normal (microcíticos) e apresentam
menor quantidade de hemoglobina (hipocrômicos). Esse
tipo de anemia está frequentemente associado à
deficiência de ferro, talassemias e alguns tipos de doenças
crônicas. A falta de ferro afeta a produção de hemoglobina,
resultando em eritrócitos incapazes de transportar
adequadamente o oxigênio.
Anemia Macrocítica: caracterizada por eritrócitos maiores
que o normal (macrocíticos) e, em alguns casos, com um
aumento no volume de hemoglobina. Esse tipo de anemia é
frequentemente associado à deficiência de vitamina B12 ou
ácido fólico, resultando em problemas na síntese de DNA e,
consequentemente, na maturação celular. A presença de
megaloblastos na medula óssea é uma característica dessa
anemia.
Anemia normocítica e normocrômica: os eritrócitos
possuem tamanho e quantidade de hemoglobina normais,
mas a quantidade total de eritrócitos está reduzida, e isso
pode ser causado por perda aguda de sangue, doenças
crônicas (como insuficiência renal) ou falência da medula
óssea. Embora os eritrócitos não apresentem alterações
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morfológicas significativas, a diminuição da produção ou o
aumento da destruição celular afetam o volume sanguíneo.
A classificação fisiopatológica das anemias se baseia nos
mecanismos que levam à redução da capacidade do sangue de
transportar oxigênio, que pode ser dividida em três categorias
principais: anemia por perda sanguínea, anemia por diminuição
da produção de eritrócitos e anemia por aumento da destruição
de eritrócitos. A anemia por perda sanguínea ocorre em
situações de hemorragias agudas ou crônicas; a hemorragia
aguda resulta em uma rápida redução no volume de sangue,
com consequente diminuição no número de eritrócitos e
hemoglobina; já a hemorragia crônica, comum em condições
como úlceras ou menstruação excessiva, pode levar à anemia
ferropriva, uma vez que a perda prolongada de sangue resulta
em deficiência de ferro — componente essencial para a
produção de hemoglobina.
A anemia por diminuição da produção de eritrócitos resulta de
uma redução na capacidade da medula óssea de produzir
células sanguíneas adequadas, podendo ser decorrente de
deficiência de nutrientes essenciais, como ferro e vitamina B12,
fundamentais para a eritropoese. Doenças que afetam
diretamente a medula óssea, como aplasia medular ou
infiltração por células malignas (leucemias), também podem
comprometer a produção de eritrócitos. A insuficiência renal
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crônica, que reduz a produção de eritropoetina também pode
causar esse tipo de anemia.
A anemia por aumento da destruição de eritrócitos, também
denominada anemia hemolítica, ocorre quando a taxa de
destruição das hemácias é maior que sua produção, podendo
ser ocasionada por fatores intrínsecos aos eritrócitos, como
defeitos na membrana (esferocitose hereditária), na
hemoglobina (anemia falciforme) ou em enzimas intracelulares
(deficiência de G6PD). Fatores extrínsecos, como a presença de
anticorpos (anemia hemolítica autoimune) ou condições
mecânicas (valvas cardíacas artificiais), também podem
desencadear hemólise e, consequentemente, anemia.
Anemia por perda de sangue ou
hemorrágicas
Estas são caracterizadas pela diminuição do número de
hemácias circulantes e, consequentemente, da hemoglobina,
devido à perda excessiva de sangue. Essa perda pode ser
classificada em aguda ou crônica. A anemia aguda por perda de
sangue ocorre após episódios de hemorragia maciça, como
traumas, cirurgias ou hemorragias internas, como quando
ocorre a ruptura de órgãos. Nesses casos, há uma perda rápida
e significativa de sangue, levando a uma redução no volume de
sangue circulante.
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A consequência imediata, por sua vez, é a diminuição do
transporte de oxigênio para os tecidos, que desencadeia uma
série de respostas compensatórias. Imediatamente após a
hemorragia, o organismo tenta preservar a perfusão de órgãos
vitais, como cérebro e coração, por meio da vasoconstrição
periférica e aumento da frequência cardíaca; além disso, há um
aumento da secreção de eritropoetina, hormônio produzido nos
rins em resposta à hipóxia, que estimula a medula óssea a
aumentar a produção de eritrócitos.
Entretanto, a reposição de eritrócitos leva alguns dias, pois o
ciclo de maturação dessas células dura cerca de 5 a 7 dias. A
curto prazo, o volume plasmático é restaurado pela retenção de
líquidos e pela mobilização de fluidos do espaço intersticial
para o intravascular, diluindo ainda mais as células sanguíneas
e agravando o quadro de anemia.
A anemia crônica por perda sanguínea geralmente está
associada a pequenas e contínuas perdas de sangue, como em
casos de úlceras gastrointestinais, neoplasias, menstruações
excessivas ou parasitoses intestinais. Nesse tipo de anemia,
não há alterações no volume sanguíneo, mas com o tempo, a
perda contínua de baixo volume de sangue leva à depleção dos
estoques de ferro, uma vez que o ferro perdido com as
hemácias não é adequadamente reposto pela dieta, resultando
em anemia ferropriva, que compromete a síntese de
hemoglobina e a capacidade de transportar oxigênio.
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Sigaemfrente
Anemias por deficiências na
produção de eritrócitos
Esse tipo de anemia ocorre quando a medula óssea não
consegue produzir uma quantidade suficiente de eritrócitos
para atender à demanda do organismo. Essa falha na
eritropoese pode ser resultado de diferentes fatores, como
deficiências nutricionais, distúrbios da medula óssea,
insuficiência renal ou desregulação hormonal. As causas mais
comuns incluem a deficiência de ferro, vitamina B12 e ácido
fólico, além de doenças crônicas e condições genéticas. A
seguir, estão descritas as principais fisiopatologias dessas
anemias:
Anemia ferropriva: e a forma mais comum de anemia,
podendo ocorrer em qualquer idade. Ela é causada por
deficiência de ferro — componente essencial para a síntese
de hemoglobina — que pode ser consequência de ingestão
inadequada de ferro, perda de ferro por sangramento ou
hemorragias (úlceras, parasitas, divertículos), aumento das
necessidades (gestação, adolescentes em crescimento) ou
por má absorção intestinal. Quando não há ferro suficiente,
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a medula óssea é incapaz de produzirhemácias funcionais,
uma vez que haverá diminuição na síntese de hemoglobina,
levando à formação de eritrócitos microcíticos (menores) e
hipocrômicos (com menor quantidade de hemoglobina). A
deficiência de hemoglobina reduz a capacidade do sangue
de transportar oxigênio, diminuindo o aporte para os
tecidos, o que resulta em fadiga, fraqueza e palidez. O
indivíduo também pode apresentar alotriofagia (pica), que é
a necessidade de ingerir substâncias que não apresentam
valor nutricional, como argila, podendo haver o
aparecimento de coiloníquia, que é uma deformidade das
unhas das mãos em forma de colher, língua lisa, feridas nos
cantos da boca e disfagia.
Anemias megaloblásticas: são ocasionadas por deficiência
de vitamina B12 ou ácido fólico, ambos essenciais para a
síntese de DNA nas células em divisão. A falta dessas
vitaminas compromete a maturação nuclear dos
precursores eritrocitários na medula óssea, resultando na
formação de eritrócitos grandes e imaturos
(megaloblastos).
Anemia por deficiência de vitamina B12: a vitamina B12 ou
cobalamina é absorvida no intestino delgado por sua
interação com o fator intrínseco, produzido pelo estômago.
No íleo, a vitamina B12 se separa do fator intrínseco e é
transportada através da membrana para a circulação. Na
corrente sanguínea, ela se liga à proteína transportadora, a
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transcobalamina II, sendo transportada até os locais de
armazenamento e os tecidos. Qualquer defeito nessa via é
capaz de ocasionar uma deficiência e consequente anemia.
A deficiência de B12 altera a síntese de nucleotídeos,
levando à divisão celular anormal e produção de eritrócitos
grandes e imaturos (macrocíticos), que são destruídos
antes de se tornarem funcionais, e esse processo causa
uma eritropoese ineficaz, resultando em anemia. A vitamina
B12 também atua impedindo as moléculas anormais de
ácidos graxos de serem incorporadas aos lipídios
neuronais, assim, sua deficiência pode predispor à
decomposição da mielina e produzir algumas complicações
neurológicas. Alguns fatores podem dificultar a absorção
da vitamina B12, como o uso prolongado de fármacos
inibidores da bomba de prótons, doenças gastrintestinais
(ileíte), cirurgias (gastrectomia ou bypass gástrico) e
parasitoses. Os sintomas da anemia por deficiência de
vitamina B12 incluem fraqueza, fadiga e neuropatia.
Anemia perniciosa: é um tipo específico de anemia
megaloblástica, na qual a incapacidade de absorção de
vitamina B12 é ocasionada por gastrite atrófica e
incapacidade de produção de fator intrínseco. Acredita-se
que a anemia perniciosa resulte de um ataque autoimune à
mucosa gástrica, que acaba interferindo na ligação da
vitamina B1 ao fator intrínseco.
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Anemia por deficiência ácido fólico: resulta da incapacidade
do organismo de sintetizar DNA de maneira adequada, o
que compromete a produção de eritrócitos normais. O
ácido fólico, uma vitamina do complexo B, é essencial para
a síntese de nucleotídeos e, portanto, para a replicação do
DNA nas células que se dividem rapidamente, como os
precursores dos glóbulos vermelhos (eritrócitos) na medula
óssea. Na ausência de ácido fólico suficiente, o processo
de maturação nuclear dos eritrócitos é prejudicado,
resultando em células com núcleos grandes e imaturos,
conhecidos como megaloblastos. Embora a síntese de RNA
e de proteínas não seja tão afetada, o desequilíbrio na
maturação nuclear e citoplasmática leva à produção de
eritrócitos anormalmente grandes (macrocíticos), que são
menos eficientes no transporte de oxigênio e mais
suscetíveis à destruição prematura, e isso resulta em uma
menor sobrevida dessas células no sangue periférico,
agravando o quadro de anemia. A anemia por deficiência de
ácido fólico pode se manifestar com fadiga, fraqueza,
dispneia e palidez, além de afetar outros sistemas, como o
gastrointestinal, devido ao papel do ácido fólico na
renovação celular. A deficiência pode ser causada por uma
ingestão inadequada (comum em dietas pobres em
vegetais), má absorção (doenças intestinais) ou aumento
das necessidades metabólicas (gravidez, lactação, doenças
hemolíticas). O tratamento envolve a reposição do ácido
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fólico e a correção da causa subjacente da deficiência. Em
mulheres grávidas, a deficiência de ácido fólico pode
acarretar malformações no bebê.
Anemias por doenças crônicas: esse tipo de anemia se
desenvolve como complicação de doenças inflamatórias
crônicas, como infecções prolongadas, doenças
autoimunes ou neoplasias. Nessas condições, a inflamação
promove a liberação de citocinas que interferem na
eritropoese, diminuindo a resposta à eritropoetina e
sequestrando ferro no sistema reticuloendotelial, o que
limita sua disponibilidade para a produção de hemácias.
Anemia por insuficiência renal crônica: nesse caso, a
produção de eritropoetina, o principal hormônio estimulador
da eritropoese, está reduzida, sendo importante lembrar que
os rins produzem a eritropoetina em resposta à hipóxia. Na
insuficiência renal crônica, a produção desse hormônio fica
comprometida, reduzindo a estimulação da medula óssea
para a produção de eritrócitos, e isso resulta em anemia
normocítica e normocrômica, frequentemente associada a
sintomas de fadiga e falta de ar.
Anemia aplásica: é uma condição rara, na qual a medula
óssea sofre uma falha na produção de todas as linhagens
celulares, incluindo eritrócitos, leucócitos e plaquetas,
podendo ser ocasionada por fatores genéticos, exposição à
radiação, toxinas, medicamentos ou doenças autoimunes,
que destroem as células-tronco hematopoiéticas. Desse
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modo, a medula óssea se torna hipocelular ou acelular, com
uma quantidade severamente reduzida de precursores
hematopoiéticos. A falha na produção de células
sanguíneas leva à anemia, infecções recorrentes (devido à
neutropenia) e sangramentos (devido à trombocitopenia).
Sem tratamento, como transplante de medula ou
imunossupressores, essa condição pode ser fatal.
Anemias por aumento da
destruição de eritrócitos ou
hemolíticas
Estas ocorrem quando a taxa de destruição dessas células no
sangue periférico supera a capacidade da medula óssea de
produzir novas. Em condições normais, os eritrócitos têm uma
vida útil média de 120 dias, sendo degradados principalmente
no baço; no entanto, nas anemias hemolíticas, esse ciclo é
encurtado, resultando em uma renovação acelerada das células
vermelhas do sangue. Devido à redução da vida útil da hemácia,
a medula óssea geralmente se torna hiperativa, resultando no
aumento do número de reticulócitos na circulação sanguínea.
A destruição dos eritrócitos, por sua vez, pode ocorrer por
mecanismos intrínsecos ou extrínsecos. Nos defeitos
intrínsecos, a causa reside nos próprios eritrócitos, devido a
anormalidades na membrana celular (como na esferocitose
hereditária), defeitos enzimáticos (como na deficiência de
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G6PD) ou alterações na hemoglobina, como ocorre na anemia
falciforme. Essas anomalias tornam os eritrócitos mais frágeis
ou suscetíveis a lesões, levando à sua destruição precoce,
frequentemente no baço, por meio de um processo conhecido
como hemólise extravascular. Já nas causas extrínsecas, a
destruição dos eritrócitos é provocada por fatores externos à
célula, como anticorpos (nas anemias hemolíticas autoimunes),
infecções (como malária) ou fatores mecânicos (próteses
cardíacas, por exemplo). Nesses casos, a hemólise pode
ocorrer na circulação (hemólise intravascular), resultando em
liberação de hemoglobina diretamente no plasma.
Anemia falciforme: trata-se de uma doença genética
caracterizada pela produção anormal de hemoglobina,
chamada hemoglobina S (HbS), que resulta em uma
deformação dos eritrócitos, que assumem uma forma de
foice em vez do formato bicôncavo típico.Essa alteração
estrutural é causada por uma mutação no gene da beta-
globina, em que o ácido glutâmico é substituído pela valina
na sexta posição da cadeia beta da hemoglobina. Em
condições normais, a hemoglobina transporta oxigênio de
forma eficiente, mantendo os eritrócitos flexíveis para
circularem pelos vasos sanguíneos, inclusive pelos
capilares sanguíneos mais estreitos. Porém, a HbS, quando
desoxigenada, tem uma tendência a se polimerizar,
formando fibras longas e rígidas dentro do eritrócito,
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provocando a distorção da célula, que assume a forma de
foice (ou meia-lua). Essas células falciformes têm menor
flexibilidade e, consequentemente, ficam propensas a se
agregar e bloquear pequenos vasos sanguíneos, resultando
em episódios de vaso-oclusão, diminuindo o fluxo
sanguíneo para os tecidos e resultando em isquemia, dor
intensa (crises falciformes) e dano progressivo aos órgãos,
como ossos, pulmões, cérebro e rins.
Outra característica importante das células falciformes é que
sua vida útil é muito mais curta do que os eritrócitos normais
(10-20 dias contra os 120 dias dos eritrócitos normais), assim,
essa rápida destruição das células falciformes, principalmente
no baço, resulta em anemia hemolítica crônica. Devido a todas
essas características, a anemia falciforme está associada a
complicações severas, como síndrome torácica aguda, acidente
vascular encefálico (AVE), crises dolorosas, infecções
frequentes e insuficiência renal. As crises vaso-oclusivas e a
hemólise crônica também contribuem para uma inflamação
sistêmica, o que agrava o quadro clínico do paciente. Nesse tipo
de anemia, também pode ser observada a hiperbilirrubinemia,
devido à degradação dos produtos da hemoglobina, levando à
icterícia e à produção de cálculos na vesícula biliar.
Talassemias: as talassemias constituem um grupo de
doenças hereditárias caracterizadas por uma produção
reduzida ou ausente de uma ou mais cadeias de globina —
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componentes essenciais da molécula da hemoglobina. A
hemoglobina normal é formada por duas cadeias alfa e
duas cadeias beta, e a depender da cadeia de globina
afetada, as talassemias são classificadas como alfa-
talassemia ou beta-talassemia, e ambas resultam em
anemia microcítica e hipocrômica (glóbulos vermelhos
menores e menos pigmentados). A gravidade da doença
varia conforme o número de genes afetados e a extensão
da deficiência de produção de globina.
A alfa-talassemia ocorre devido à deleção de um ou mais genes
responsáveis pela produção das cadeias alfa da hemoglobina.
Cada pessoa, normalmente, tem quatro genes de cadeia alfa
(dois em cada cromossomo 16), e a severidade da doença
depende do número de genes deletados. Portadores silenciosos
são aqueles que apresentam deleção de um gene alfa e, nesse
caso, são assintomáticos. A deleção de dois genes alfa, resulta
em anemia hemolítica leve; já a deleção de três genes alfa
resulta em produção excessiva de cadeias beta que formam
tetrâmeros chamados hemoglobina H (HbH). Esses tetrâmeros
são instáveis e causam hemólise, levando à anemia hemolítica
moderada a grave. A deleção de quatro genes alfa e a
consequente falta de produção de cadeias alfa ocasionam a
formação de hemoglobina Bart (Hb Bart), que tem afinidade
extremamente elevada com o oxigênio, não sendo capaz de
liberar o gás nos tecidos. Essa condição é denominada
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hidropisia fetal e, geralmente, resulta em morte no útero ou logo
após o nascimento.
A beta-talassemia resulta de mutações no gene que codifica as
cadeias beta da hemoglobina; aliás, existem duas cópias do
gene beta, e as mutações podem causar a redução ou ausência
da produção da cadeia beta.
A beta-talassemia se divide em: (1) talassemia menor (ou traço
beta-talassêmico), quando apenas uma cópia do gene está
mutada e, nesse caso, o indivíduo apresenta anemia leve ou é
assintomático; (2) beta-talassemia intermediária, na qual as
mutações em ambas as cópias são menos graves, permitindo
alguma produção de cadeia beta, resultando em anemia
moderada, que pode requerer transfusões ocasionais; e (3)
beta-talassemia maior, na qual ambas as cópias do gene beta
são gravemente mutadas ou ausentes, resultando em ausência
quase completa de cadeias beta. O organismo tenta compensar
produzindo cadeias alfa em excesso, que são instáveis e
formam agregados dentro dos eritrócitos em desenvolvimento,
levando à destruição das células na medula óssea (eritropoese
ineficaz) e à hemólise periférica. Essa condição leva à anemia
severa desde os primeiros anos de vida, necessitando de
transfusões sanguíneas frequentes para manutenção da
sobrevivência.
Agora que você conheceu os diferentes tipos de anemia e suas
principais características, você é capaz de compreender a
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importância do conhecimento desse tema para uma boa
atuação profissional.
Vamosexercitar
Agora que você conheceu e compreendeu os diferentes tipos de
anemia e suas principais características, vamos retomar à
nossa situação-problema. A partir de agora, vamos considerar o
caso de Lucas, um aluno de graduação na área da saúde e
estagiário no hospital da sua universidade.
Em uma das suas reuniões semanais com a equipe do hospital,
foi apresentado o caso de Maria, 27 anos, diagnosticada com
anemia falciforme. Durante a discussão, a equipe mencionou
que Maria chegou ao hospital, há 12 anos, apresentando
sintomas como fadiga extrema, dor em crises (crises de dor
vaso-oclusiva), inchaço nas mãos e pés e episódios frequentes
de infecções. No momento, ela está sendo acompanhada pela
equipe e todos estão buscando um melhor atendimento para
Maria.
Após a reunião, Lucas ficou preocupado e se lembrou de que,
apesar de ter estudado sobre anemias, ainda tinha várias
dúvidas. Ele se questionou sobre: “Quais são as principais
características da anemia falciforme e como ela difere de
outros tipos de anemia? Como os sintomas apresentados por
Maria se relacionam com a fisiopatologia da anemia falciforme?
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De que forma a anemia falciforme pode afetar a qualidade de
vida da paciente? Quais complicações a anemia falciforme
pode trazer?
Agora, você já é capaz de responder às dúvidas de Lucas.
Vamos lá?!
Primeiro, é importante lembrar que a anemia é uma condição na
qual há um número anormalmente baixo de hemácias ou de
níveis de hemoglobina ou ambos, que resultam na diminuição
da capacidade de transporte de oxigênio. As anemias podem
ser classificadas em anemia por perda sanguínea, anemia por
diminuição da produção de eritrócitos e anemia por aumento da
destruição de eritrócitos. A anemia falciforme é uma doença
genética caracterizada pela produção anormal de hemoglobina,
conhecida como hemoglobina S (HbS), e essa hemoglobina
defeituosa faz com que os eritrócitos assumam uma forma de
"foice" ou "meia-lua" sob condições de baixo oxigênio.
No caso de Maria, os sintomas que ela apresenta, como fadiga
extrema, crises de dor, inchaço nas mãos e pés e infecções
frequentes, são resultado da anemia falciforme. A fadiga ocorre
devido à anemia crônica, já que os eritrócitos falciformes têm
uma vida útil muito mais curta (cerca de 10 a 20 dias), levando
a uma baixa contagem de hemácias e, consequentemente, à
diminuição do transporte de oxigênio. As crises vaso-oclusivas
resultam da obstrução de pequenos vasos sanguíneos pelos
eritrócitos deformados, interrompendo o fluxo sanguíneo e
causando dor intensa e danos aos tecidos. O inchaço nas mãos
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e pés, também chamado de dactilite, ocorre devido à isquemia
nos pequenos vasos, além disso, as pessoas com anemia
falciforme têm maior susceptibilidade a infecções, pois a
função imunológica é comprometida, especialmente devido à
perda

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