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Crimes contra a Administração Pública: Peculato
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## Resumo sobre Crimes contra a Administração Pública: PeculatoO crime de peculato é um dos principais delitos contra a administração pública, previsto no artigo 312 do Código Penal brasileiro. Ele ocorre quando um funcionário público se apropria ou desvia dinheiro, valores ou bens móveis, públicos ou particulares, que estão sob sua posse em razão do cargo, para benefício próprio ou de terceiros. O peculato é um crime próprio, ou seja, só pode ser cometido por funcionário público; se praticado por pessoa estranha, configura outro tipo penal, como estelionato, furto ou apropriação indébita. O bem jurídico protegido é a honestidade e a fidelidade do funcionário público para com a administração, além do patrimônio público e particular sob sua guarda.### Tipos de PeculatoO peculato se divide em duas modalidades principais: peculato apropriação e peculato desvio. No peculato apropriação, o funcionário público atua como se fosse dono do bem, apropriando-se dele definitivamente. Por exemplo, um policial que se apropria dos bens de um preso. Já no peculato desvio, o agente altera o destino do bem, desviando-o para uso próprio ou de terceiros, sem necessariamente se apropriar definitivamente. Um exemplo seria o funcionário que empresta dinheiro público sob sua guarda para uso pessoal. Para que o peculato desvio ocorra, a posse do bem deve ser lícita, ou seja, o agente deve ter recebido o bem legalmente em função do cargo. Se a posse for obtida por fraude, erro ou violência, não se configura peculato, mas outro crime, como roubo ou estelionato.Além disso, o artigo 312 prevê que o crime pode ocorrer em diversas formas de detenção ou administração de bens, como custódia, arrecadação ou exação. O dolo específico do peculato é a vontade consciente de transformar a posse legítima em domínio próprio, caracterizando a apropriação indevida. A consumação ocorre no momento em que o funcionário torna o bem seu ou o desvia, independentemente de alcançar o resultado final pretendido. A tentativa é admitida, por exemplo, quando o funcionário tenta retirar dinheiro do cofre, mas é impedido antes de consumar o ato.### Peculato Furto e Peculato CulposoO parágrafo 1º do artigo 312 trata do chamado peculato furto, que ocorre quando o funcionário público subtrai dinheiro ou bens públicos, mesmo sem ter posse legítima, aproveitando-se da facilidade que sua função lhe proporciona. Por exemplo, um funcionário que rouba dinheiro do cofre da repartição porque encontrou a porta aberta. Nessa situação, o objeto deve ser necessariamente público ou particular sob guarda da administração. Se a facilidade de acesso não decorre do cargo, o crime será furto comum. A tentativa também é admitida no peculato furto, e a consumação ocorre com a subtração efetiva do bem.O peculato culposo, previsto no § 2º do artigo 312, ocorre quando o funcionário público, por negligência, imprudência ou imperícia, contribui para que terceiros se apropriem ou desviem bens públicos. Nesse caso, a pena é de detenção, de três meses a um ano. Para que se configure o peculato culposo, é necessário comprovar que o funcionário deixou de observar o cuidado ordinário exigido pela função pública, criando condições favoráveis para o crime. A reparação do dano, se feita antes do trânsito em julgado da sentença, extingue a punibilidade; se posterior, reduz a pena pela metade, sem excluir sanções administrativas.### Peculato Mediante Erro de OutremO artigo 313 trata do peculato mediante erro de outrem, que ocorre quando o funcionário público se apropria de dinheiro ou utilidade que recebeu por erro de quem fez a entrega, seja particular ou administração pública. A posse do agente decorre do erro da vítima, que pode envolver a coisa entregue, a obrigação que deu causa à entrega, a pessoa destinatária ou a quantidade. Para configurar o crime, o erro deve ser espontâneo, não induzido pelo agente; caso contrário, configura estelionato. O crime se consuma quando o funcionário, ciente do erro, não devolve o valor ou bem, agindo como se fosse dono. Um exemplo clássico é o escrivão que recebe dinheiro para pagamento de taxas e se apropria dele, deixando de cumprir sua função.### Sujeitos e Consequências JurídicasO sujeito ativo do peculato é sempre o funcionário público, incluindo servidores estatutários, comissionados e equiparados, como os funcionários de cartórios (artigo 327). O sujeito passivo é o Estado, mas também pode ser o particular proprietário do bem apropriado ou desviado. O crime protege tanto o patrimônio público quanto a moralidade administrativa, sendo um delito que atenta contra a confiança pública.Existem ainda crimes próprios que substituem o peculato em situações específicas, como o crime previsto para prefeitos (crime de responsabilidade) e militares (artigo 303 do Código Penal Militar), que possuem penas específicas e variações no tipo penal.### Princípio da Insignificância e Aplicação no PeculatoEmbora muitos doutrinadores defendam que o princípio da insignificância não se aplica aos crimes contra a administração pública, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu que ele pode ser aplicado, desde que preenchidos os requisitos: mínima ofensividade da conduta, ausência de periculosidade social, reduzidíssimo grau de reprovabilidade e inexpressividade da lesão jurídica. Esse entendimento tem base em decisões do Supremo Tribunal Federal (STF), como o habeas corpus nº 84412, julgado pelo ministro Celso de Mello.### Exemplos Práticos- Um policial que se apropria de bens apreendidos de um preso configura peculato apropriação.- Um funcionário que desvia dinheiro público para uso pessoal pratica peculato desvio.- Um funcionário que subtrai dinheiro do cofre da repartição, mesmo sem posse legítima, comete peculato furto.- Um escrivão que recebe dinheiro por erro e não devolve, pratica peculato mediante erro de outrem.- Um funcionário que, por negligência, permite que terceiros subtraiam bens públicos, pode responder por peculato culposo.### ConclusãoO crime de peculato é um delito complexo que protege tanto o patrimônio público quanto a moralidade administrativa, exigindo do funcionário público uma conduta de fidelidade e honestidade. A legislação prevê diversas modalidades do crime, abrangendo desde a apropriação direta até o desvio e a apropriação por erro. A responsabilização varia conforme o dolo ou culpa do agente, e a reparação do dano pode influenciar na extinção da punibilidade ou na redução da pena. A aplicação do princípio da insignificância, embora controversa, tem sido admitida em casos específicos, refletindo a necessidade de equilibrar a proteção do patrimônio público com a justiça penal.---### Destaques- Peculato é crime próprio, praticado exclusivamente por funcionário público, envolvendo apropriação ou desvio de bens públicos ou particulares sob sua posse.- O crime protege a honestidade e a fidelidade do funcionário público, além do patrimônio público.- Modalidades principais: peculato apropriação, peculato desvio, peculato furto, peculato culposo e peculato mediante erro de outrem.- A tentativa é admitida em várias formas de peculato, e a reparação do dano pode extinguir a punibilidade ou reduzir a pena.- O princípio da insignificância pode ser aplicado em crimes contra a administração pública, desde que preenchidos requisitos específicos.

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