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USINAGEM E 
CONFORMAÇÃO 
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
 > Descrever os princípios e as aplicações do torneamento mecânico universal.
 > Analisar o funcionamento dos tipos de tornos mecânicos.
 > Reconhecer as características e vantagens do torno CNC.
Introdução
O processo de usinagem de torneamento de peças de revolução está presente 
em vários segmentos da indústria, como na fabricação de eixos de transmissão, 
buchas em mancais, fusos de transporte, entre outros elementos. O torno, equi-
pamento responsável pela execução desses processos, vem sendo modernizado, 
com a inclusão de automação por meio de comando numérico, gerando, assim, os 
tornos CNC (do inglês computer numeric control).
Neste capítulo, você conhecerá o torno CNC, bem como as suas principais 
características. Além disso, conhecerá os processos de usinagem e os diferentes 
tipos de tornos mecânicos.
Torno mecânico universal
As peças de revolução, fabricadas em tornos mecânicos, são frequentemente 
necessárias na indústria. Alguns exemplos dessas peças são: eixos, engre-
nagens, buchas e qualquer outra peça que tenha em sua projeção de corte 
uma forma circular. 
Torneamento 
em CNC
Everton Coelho de Medeiros
A princípio, a máquina operatriz torno mecânico foi utilizada como “torno 
de vara”, no século XIX, quando os artesãos produziam peças em uma máquina 
que era movida manualmente por meio de um pedal (Figura 1) (MACHADO et 
al., 2015). 
Figura 1. Torno de vara.
Fonte: Morphart Creation/Shutterstock.com.
Com o passar dos anos e a mecanização de componentes motrizes, o torno 
mecânico universal assumiu a forma apresentada na Figura 2.
Figura 2. Torno mecânico universal.
Fonte: Cherezoff/Shutterstock.com.
Torneamento em CNC2
Observe que o torno mecânico possui diversas partes que compõem a 
máquina. Em seu conjunto motor, à esquerda, está o motor elétrico, que, 
por meio de correias, transmite a rotação para uma caixa de engrenagens, 
chamada de caixa Norton. Nessa caixa, estão as engrenagens, que, por meio 
de alavancas seletoras, promovem a mudança de rotação do eixo-árvore 
(FITZPATRICK, 2013).
No eixo-árvore, geralmente há uma placa de 3 castanhas, que fixa a peça 
a ser posta em movimento rotativo. Contudo, é possível utilizar outros aces-
sórios, como a placa de 4 castanhas independente e a placa lisa para arrasto 
(MACHADO et al., 2015).
Disposto horizontalmente, observa-se o barramento do torno, em que 
o avental faz a movimentação longitudinal da ferramenta de corte. Nesse 
avental, estão algumas alavancas, que promovem o acionamento dos avanços 
automáticos longitudinal e transversal. A transmissão desse movimento vem 
também da caixa Norton, que faz girar uma vara ou fuso, girando simultanea-
mente o eixo-árvore onde se encontra a peça e o local onde está a ferramenta 
de corte; contudo, esse movimento não é de mesma velocidade.
Para a fixação da ferramenta, são utilizados suportes, os quais são presos 
ao castelo. Esse castelo é uma peça pertencente ao avental e possui vários 
parafusos para a fixação de suportes de diversas ferramentas, permitindo a 
angulação (FITZPATRICK, 2013). Uma vez fixada a peça à placa e a ferramenta 
ao castelo, a peça é posta em rotação e, assim, promove-se o corte (Figura 
3). Outros acessórios são vistos em um torno universal, tais como cabeçote 
móvel e luneta.
Figura 3. Processo de torneamento.
Fonte: Pixel B/Shutterstock.com.
Torneamento em CNC 3
Existem vários processos de torneamento, como desbaste, acabamento, 
faceamento, rosqueamento, furação, abertura de canais e perfilamento 
(FITZPATRICK, 2013). A Figura 4, a seguir, apresenta as ferramentas de corte 
disponíveis para a execução dessas tarefas distintas. Além da seleção do 
ferramental correto, faz-se necessário ajustar os parâmetros de corte, como 
a rotação e o avanço da ferramenta. Toda essa seleção é feita junto à caixa 
Norton do torno. 
Figura 4. Ferramentas de corte para os processos de torneamento.
Fonte: Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial de São Paulo (2016).
Torneamento
cilíndrico
Torneamento
de perfis
Perfilagem Sangramento Recartilhamento
Faceamento
de ressaltos
Torneamento
cônico
Roscagem Faceamento
Dependendo da construção do torno mecânico, principalmente no 
caso dos que operam em CNC, a torre de suporte de ferramenta 
pode estar disposta mais próximo do operador (chamada de torre dianteira) ou 
no lado oposto (chamada de torre traseira). Essa variação modificará como o 
sistema de coordenadas está disposto, variando fundamentalmente o sentido 
do carro transversal.
Como visto, o torno mecânico universal é utilizado em várias operações 
de confecção de peças por meio de operador manual. Esse equipamento 
consegue fabricar peças de revolução com perfis variados, a depender da 
ferramenta de corte escolhida, juntamente à seleção dos parâmetros de 
operação da máquina operatriz. A seguir, serão apresentados outros tipos 
de tornos mecânicos utilizados em segmentos da indústria.
Torneamento em CNC4
Tipos de tornos mecânicos
Os tornos mecânicos são máquinas operatrizes convencionais para a fabri-
cação de peças de revolução. No entanto, dependendo do setor industrial, 
as peças possuem comprimento ou diâmetro em proporções que não são 
adequadas a um torno universal (MACHADO et al., 2015). A seguir, serão apre-
sentados os principais tipos de tornos mecânicos.
Torno horizontal
Uma primeira classificação de torno é o do tipo horizontal, cuja variação está 
no tamanho do seu barramento. Há tornos que possuem dezenas de metros 
de comprimento, como mostrado na Figura 5. Alguns exemplos de peças 
produzidas em tornos horizontais são: cilindros de laminação, rotores, fusos, 
entre outras peças com L/D (comprimento por diâmetro) alto. 
Figura 5. Torno mecânico horizontal.
Fonte: Jan Lipina/Shutterstock.com.
Torneamento em CNC 5
Torno vertical
Quando uma peça a ser fabricada possui um valor de diâmetro alto, contri-
buindo, assim, para aumentar o seu peso e inércia em relação à rotação, o 
torno vertical é o mais indicado. Alguns exemplos de peças que são fabricadas 
nesse tipo de torno são: cremalheiras, anéis de rolamentos, entre outros 
elementos de conexão em torres de destilação (MACHADO et al., 2015).
Torno revolver
O torno revólver (Figura 6) se assemelha bastante ao torno horizontal, porém 
se diferencia deste com relação ao suporte de ferramentas. A construção desse 
torno permite trocas rápidas de ferramentas para operações predefinidas 
e repetidas, aumentando, assim, a sua produtividade em relação ao torno 
horizontal tradicional (SERVIÇO NACIONAL DE APRENDIZAGEM INDUSTRIAL DE 
SÃO PAULO, 2016).
Figura 6. Torno revólver.
Fonte: Adaptada de Jasinevicius ([20--]). 
Torno copiador
O torno copiador (Figura 7) tem um carro longitudinal, no qual há um seguidor/
apalpador que vai acompanhando um modelo de peça acabada. Conforme o 
apalpador vai oscilando na silhueta do molde, o suporte com a ferramenta 
usina a peça que está em rotação. Esse tipo de torno é bastante encontrado 
em usinagem de madeira (SERVIÇO NACIONAL DE APRENDIZAGEM INDUSTRIAL 
DE SÃO PAULO, 2016).
Torneamento em CNC6
Figura 7. Torno copiador.
Fonte: Adaptada de Jasinevicius ([20--?]).
Torno platô
O torno platô se assemelha a um torno horizontal, porém é ideal para apli-
cações em peças curtas de grande diâmetro, devido à sua placa de fixação 
grande e ao seu barramento longitudinal curto. A Figura 8, a seguir, apresenta 
um exemplo desse tipo de máquina (SERVIÇO NACIONAL DE APRENDIZAGEM 
INDUSTRIAL DE SÃO PAULO, 2016).
Torneamento em CNC 7
Figura 8. Torno platô.
Fonte: Adaptada de Carvalhal ([20--?]). 
Torno automático CNC
Os tornos, sejam eles horizontais ou verticais, foram automatizados ao longo 
do tempo. A incorporação de um sistema de comando numérico computa-
dorizado (CNC) possibilitou a execução de tarefas mais complexas, maiores 
índices de repetitividade e qualidade dimensional e superficial (MACHADO 
et al., 2015). No entanto, devido ao acréscimo de tecnologia a essetipo de 
equipamento, alguns setores da indústria que não realizam produção em série 
(p. ex., manutenção) ainda utilizam máquinas convencionais. Além disso, as 
máquinas CNC são produtos de alto valor agregado, ou seja, são mais caras 
(SERVIÇO NACIONAL DE APRENDIZAGEM INDUSTRIAL DE SÃO PAULO, 2016). A 
Figura 9, a seguir, apresenta um torno CNC horizontal.
Torneamento em CNC8
Figura 9. Torno CNC horizontal.
Fonte: Sergey Ryzhov/Shutterstock.com.
Esses tipos de tornos são encontrados no chão de fábricas. A partir deles, 
há a incorporação do comando numérico e a automação da movimentação de 
eixos. Veja, a seguir, mais características e fundamentos sobre os tornos CNC, 
bem como suas partes, seu método de programação, com base no sistema 
de coordenadas 2D, e seu centro de torneamento.
Características e vantagens do torno CNC
Na Figura 9, foi apresentado um torno CNC horizontal, cujo eixo-árvore é 
automatizado com o uso de um motor elétrico, aliado a um acionamento por 
meio de inversor de frequência e sensor de posição de rotação, chamado 
de encoder. Esse tipo de sensor permite verificar a rotação do eixo-árvore 
(chamado de spindle) e parar em posições angulares predefinidas.
Os sistemas de movimentação (longitudinal e transversal) são acionados 
por meio de servomotores, que utilizam fusos de esferas recirculantes, dimi-
nuindo, assim, os seus valores de folgas nos encaixes mecânicos (FITZPATRICK, 
2013). A torre possui troca automática de ferramentas, de modo que, durante 
o processo de usinagem, as ferramentas de corte são alteradas de acordo 
com o processo de usinagem exigido. Além disso, os sistemas de proteção 
Torneamento em CNC 9
com sensores e portas com visor acrílico de alta resistência contribuem para 
a melhoria das condições de segurança de trabalho para o operador.
A programação do torno CNC envolve uma combinação de códigos, que 
variam de sistema para sistema. Por exemplo, os comandos numéricos da 
fabricante Fanuc possuem códigos diferentes para a execução de um mesmo 
ciclo de usinagem em relação aos apresentados pelas fabricantes Siemens, 
Heidenhain ou Mitsubishi. No entanto, o procedimento de adoção das co-
ordenadas que ilustram a silhueta da peça em revolução são os mesmos. 
Um torno CNC possui 2 eixos coordenados, o eixo Z, que está alinhado no 
sentido longitudinal, e o eixo X, alinhado ao movimento transversal (SERVIÇO 
NACIONAL DE APRENDIZAGEM INDUSTRIAL DE SÃO PAULO, 2016).
Para a determinação dos pontos coordenados, deve-se analisar onde está 
a referência de coordenadas. Na primeira peça, o sistema de coordenadas 
está no fundo dela (coordenada Z com valor zero). Em seguida, basta analisar 
os pontos que estão antes de se chegar ao fundo e ir relacionando par a 
par (X e Z) para cada ponto. Observe que o eixo transversal à coordenada 
X deve ser igual ao valor de diâmetro, ou seja, não é necessário dividir por 
dois e trabalhar com o raio da peça (SERVIÇO NACIONAL DE APRENDIZAGEM 
INDUSTRIAL DE SÃO PAULO, 2016). Se a referência estiver na face da peça, os 
valores de X permanecem semelhantes ao discutido antes, porém os valores 
de Z serão negativos. A Figura 10, a seguir, apresenta um exemplo de obtenção 
de pontos de programação no sistema cartesiano de um torno CNC utilizando 
referências no fundo e na face da peça.
Torneamento em CNC10
Figura 10. Sistema de coordenadas para a programação em torno CNC.
Fonte: Adaptada de Indústrias Romi S/A ([20--?I).
A seguir, serão apresentados dois exemplos de aplicação de coordenadas 
para a confecção de peças em um torno CNC. Observe que há diferenças no 
sistema referencial de cada peça.
Exemplo 1 
Obtenha os pontos cartesianos necessários para descrever a peça cilíndrica 
a seguir, com 100 mm de comprimento. Utilize o sistema de coordenadas 
absolutas.
Torneamento em CNC 11
Solução:
Ponto Coordenada X Coordenada Z
A 50 0
B 50 60
C 60 60
D 60 40
E 70 40
F 70 0
Exemplo 2 
Obtenha os pontos cartesianos necessários para descrever a peça cilíndrica 
a seguir, com 170 mm de comprimento e 50 mm de diâmetro bruto. Utilize o 
sistema de coordenadas absolutas.
Torneamento em CNC12
Solução:
Ponto Coordenada X Coordenada Z
A 10 0
B 10 −40
C 21 −40
D 25 −42
E 25 −100
F 38 −100
G 40 −101
H 40 −150
I 50 −150
J 50 −170
Além do torno CNC, existe uma máquina operatriz que é uma variação 
do torno universal. Nas ferramentas disponíveis em sua torre, há cabeçotes 
de rotação, que permitem a usinagem da peça presa à placa enquanto o 
eixo-árvore não gira. Esse tipo de máquina é conhecido como centro de 
torneamento e possui mais do que os eixos cartesianos X e Z para a sua pro-
gramação. O eixo de rotação da placa em movimento e a movimentação dos 
eixos longitudinais e transversais permitem usinagens complexas (SERVIÇO 
NACIONAL DE APRENDIZAGEM INDUSTRIAL DE SÃO PAULO, 2016). 
A Figura 11, a seguir, apresenta um centro de torneamento e uma possível 
peça obtida por meio do uso desse equipamento. Em geral, para a programa-
ção desse tipo de peça a ser usinada, utiliza-se um software CAM (do inglês 
computer aided manufacturing), que, a partir de modelos tridimensionais 
obtidos por software de desenho, consegue gerar as rotas de usinagens 
necessárias para a obtenção do produto desejado.
Torneamento em CNC 13
Figura 11. Centro de torneamento CNC.
Fonte: Andrey Armyagov/Shutterstock.com.
A empresa brasileira ROMI S.A. disponibiliza exemplos de alguns 
centros de torneamento em operação em sua página oficial no You-
Tube. Confira o canal da empresa para saber mais sobre essa nova geração de 
máquinas CNC aplicadas à fabricação de peças de revolução.
Neste capítulo, você conheceu os tornos mecânicos horizontais e a nomen-
clatura de suas partes, bem como quais são os seus processos de usinagem 
e as ferramentas necessárias. Hoje, as empresas ainda compram tornos 
dedicados, a exemplo dos tornos revólver, utilizados para parafusos e peças 
repetidas a baixo custo. Além disso, você conheceu diferentes classificações 
dos tornos mecânicos, tais como vertical, platô, copiador e, por fim, CNC. Em 
relação a este último, você viu quais partes se alteraram devido à automação 
aplicada, como é criada uma estrutura básica de programação utilizando 
o sistema cartesiano, bem como conheceu o centro de torneamento, uma 
máquina CNC com maior versatilidade na usinagem em relação ao torno CNC 
tradicional.
Torneamento em CNC14
Referências
CARVALHAL, L. P. Torno mecânico. Florianópolis: IFSC, [20--?]. 79 slides. Disponível em: 
https://docplayer.com.br/5734319-Torno-mecanico-1-corpo-da-maquina-barramento-
-cabecote-fixo-e-movel-caixas-de-mudanca-de-velocidade.html. Acesso em: 19 nov. 
2020.
FITZPATRICK, M. Introdução aos processos de usinagem. Porto Alegre: AMGH, 2013.
MACHADO, A. R. et al. Teoria da usinagem dos materiais. São Paulo: Blucher, 2015.
INDÚSTRIAS ROMI S/A. Manual de programação e operação: Centur 30D. Santa Bárbara 
d’Oeste, SP: ROMI, [20--?].
JASINEVICIUS, R. G. Processos de usinagem. São Paulo: USP, [20--]. 74 slides. Disponível 
em: https://edisciplinas.usp.br/pluginfile.php/1720625/mod_resource/content/1/
Aula%20Torno%20SEM0303.pdf. Acesso em: 19 nov. 2020.
SERVIÇO NACIONAL DE APRENDIZAGEM INDUSTRIAL DE SÃO PAULO. Processos de fabri-
cação mecânica. São Paulo: SENAI-SP, 2016.
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Torneamento em CNC 15

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