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Cinemática dos elementos de máquinas Objetivos de aprendizagem Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados: � Analisar a cinemática dos corpos. � Identificar posição, velocidade e aceleração de elementos de máquinas. � Reconhecer configurações de mecanismos em função de velocidade e aceleração. Introdução O movimento está presente no cotidiano da humanidade, desde a trans- lação e rotação da terra ao movimento das pequenas engrenagens de um relógio. A cinemática dos corpos estuda esses movimentos, e o corpo estudado pode ser, por exemplo, o elo de um mecanismo. Neste capítulo, você entenderá a cinemática dos corpos, aprenderá sobre posição, velocidade e aceleração em elementos de máquina, que são corpos rígidos, e conhecerá configurações de mecanismos em função da velocidade e da aceleração. Cinemática de corpos rígidos Em muitas aplicações práticas de engenharia, pode-se considerar corpos inteiros como partículas, desprezando suas dimensões e simplificando os problemas e suas devidas complexidades. Porém, em certos casos, não é possível aplicar essa simplificação aos problemas. Isso ocorre no estudo da cinemática dos corpos, que estuda o movimento das partículas que constituem um corpo rígido. U N I D A D E 3 sduarte Caixa de texto sduarte Caixa de texto Dentre os movimentos possíveis de serem realizados por um corpo rígido, está o do plano, que ocorre quando todas as partículas desse corpo se deslocam em trajetórias equidistantes em um plano fixo (HIBBELER, 2011). Existem três tipos de movimento plano de corpos rígidos: � translação; � rotação em torno de um eixo; � movimento plano geral. Na translação, qualquer linha reta dentro de um corpo mantém a mesma direção ao longo do movimento. Todas as partículas se movem ao longo de trajetórias paralelas. Quando essas trajetórias forem retas (Figura 1a), o movimento é chamado de translação retilínea. Já, quando as trajetórias são linhas curvas (Figura 1b), o movimento é denominado de translação curvilínea (HIBBELER, 2011). Figura 1. Movimentos de translação retilínea e curvilínea. Fonte: Beer, Johnston Jr e Cornwell (2012, p. 920). a b B1 A1 B1 A1 A2 B2 A2 B2 Cinemática dos elementos de máquinas2 No movimento de rotação em torno de um eixo fixo, todas as partículas do corpo rígido se movem em planos paralelos em trajetórias circulares que têm seu centro em um eixo fixo. Caso esse eixo de rotação intercepte o corpo, as partículas que estiverem sobre ele terão aceleração e velocidade nulas. Esse tipo de movimento é chamado plano, uma vez que cada partícula se move em um dado plano (BEER; JOHNSTON JR.; CORNWELL, 2012). O movimento de rotação não pode ser confundido com o de translação curvilínea, conforme demonstrado na Figura 2 (BEER; JOHNSTON JR.; CORNWELL, 2012). Figura 2. Diferença entre translação curvilínea e rotação. Fonte: Beer, Johnston Jr. e Cornwell (2012, p. 921). A B 3Cinemática dos elementos de máquinas Já o movimento plano geral ocorre quando o movimento executado por um corpo não pode ser classificado nem apenas como rotação, nem apenas como translação, mas todas as suas partículas ainda se movem em planos paralelos (BEER; JOHNSTON JR.; CORNWELL, 2012), ou seja, eles combinam rotação e translação. A Figura 3 indica os tipos de movimentos planos presentes em certo mecanismo. Figura 3. Esse mecanismo apresenta os três tipos de movimento plano geral. Fonte: Hibbeler (2011, p. 249). Movimento plano geral Translação curvilínea Translação retilínea Rotação em torno de um eixo �xo Além dos movimentos planos, os corpos rígidos podem se movimentar de maneira tridimensional. Esse tipo de movimento é dividido em: � movimento em torno de um ponto fixo; � movimento geral. No movimento em torno de um ponto fixo, a distância entre este ponto e qualquer partícula do corpo rígido permanece constante durante todo o movimento. Assim, a trajetória descrita por essa partícula se encontra sobre uma esfera de raio r e centrada no ponto fixo (HIBBELER, 2011). Um pião girando com a ponta em um ponto O fixo é um bom exemplo para esse tipo de movimento, como pode ser observado na Figura 4. Cinemática dos elementos de máquinas4 Figura 4. Se a ponta do pião fica parada sobre um único ponto, ele movimentará seu corpo em torno de um ponto fixo. Fonte: Beer, Johnston Jr. e Cornwell (2012, p. 921). o Por fim, qualquer movimento que não se encaixe em qualquer outra clas- sificação pode ser considerado um movimento geral (BEER; JOHNSTON JR.; CORNWELL, 2012). Movimentos de elementos de máquinas: posição, velocidade e aceleração Um mecanismo pode ser definido como um sistema composto por corpos rígidos unidos entre si e organizados de forma a transmitir movimentos de uma determinada maneira. Esses corpos são chamados de elos e têm, ao menos, dois pontos de conexão (denominados nós) com outros elos (NORTON, 2010). Em um mecanismo, os elos são ligados entre si por juntas, que são co- nexões entre dois ou mais elos (em seus nós) e permitem movimento entre eles. Existem vários tipos de juntas, com diferentes graus de liberdade (GDL) (NORTON, 2010). Uma importante propriedade para a análise de mecanismos é o seu número de graus de liberdade. O grau de liberdade de um mecanismo pode ser definido como o número de entradas independentes necessárias para definir a posição de todos seus elos em relação a um referencial (MYSZKA, 2011). 5Cinemática dos elementos de máquinas Ele também pode ser definido como o número de atuadores necessários para operar um mecanismo. Esse atuador pode ser a mão de uma pessoa que movimenta o elo de um mecanismo, um motor elétrico ou um cilindro hidráulico (MYSZKA, 2011). Por exemplo, quando a configuração de um mecanismo é completamente definida pelo posicionamento de um único elo, esse sistema apresenta um grau de liberdade (MYSZKA, 2011). É o caso do mecanismo (a) da Figura 5 — nele, o movimento de rotação de um motor elétrico é capaz de “comandar” o mecanismo inteiro. Já o mecanismo (c) apresenta dois graus de liberdade, uma vez que, utili- zando a lógica dos atuadores, para se obter uma posição definida de todos os elos do mecanismo, é necessário um motor comandando a rotação de um dos elos e um cilindro hidráulico movimentando o bloco deslizante. Por outro lado, o mecanismo (b) não tem graus de liberdade, uma vez que não pode ser movimentado. Figura 5. Graus de liberdade de mecanismos. Fonte: Myszka (2011, p. 08). Na Figura 5, também é possível observar que o mecanismo (a) tem quatro elos, sendo conhecido como mecanismo de quatro barras: três de seus elos são facilmente identificáveis, o quarto elo, um elo fixo, é representado pelo solo. Nesse tipo de mecanismo, o elo por onde o movimento é introduzido no mecanismo é chamado de elo de entrada. A barra para onde o movimento é transmitido é chamada de elo de saída. Já o elo móvel que conecta os elos de entrada e saída é chamado de acoplador (ERDMAN; SANDOR, 1984). A Figura 6 ilustra um braço robótico com uma garra fixa em sua ponta, que apresenta três graus de liberdade de rotação. Cinemática dos elementos de máquinas6 Figura 6. Graus de liberdade de um braço robótico. Fonte: Rovai (2016, documento on-line). Rotação Rotação Rotação Garra �xa Um ponto localizado em um elo de um mecanismo plano pode ter sua posição em relação a um referencial definida por um vetor posição, que pode ser expresso em coordenadas polares ou cartesianas, conforme a Figura 7. Na forma polar, o vetor é definido pelos seus módulo e ângulo. Já na forma cartesiana, ele é definido em coordenadas x-y. Figura 7. Posição do ponto A em relação a um referencial ex- pressa nas formas polares e cartesianas. Fonte: Norton (2010, p. 191). 7Cinemática dos elementos de máquinas A distância em linha reta entre a posição inicial e a final de um ponto que se moveu é chamada de deslocamento (NORTON, 2010). O deslocamento de um ponto não deve ser confundidocom caminho percorrido por ele. Na Figura 8a, é possível observar a trajetória percorrida por uma partícula entre as posições A e B. O vetor RBA define o seu deslocamento relativo ao ponto A. Já a Figura 8b ilustra seu deslocamento em relação a um referencial XY (NORTON, 2010). Figura 8. Deslocamento de uma partícula. Fonte: Norton (2010, p. 192). RBA RBA RB RB – RA RA RBAB B A A Y X O (a) (c) (b) Cinemática dos elementos de máquinas8 Conforme identificado na Figura 8, as posições absolutas dos pontos A e B são definidas, respectivamente, pelos vetores RA e RB. É possível encontrar o vetor deslocamento, ou diferença de posições, RBA por meio da diferença entre eles (HIBBELER, 2011): RBA = RB – RA Assim, pode-se dizer que a posição de B em relação a A é igual à posição absoluta de B (RB) menos a posição absoluta de A (RA) (NORTON, 2010), cuja operação é ilustrada na Figura 8c. Além do conceito de deslocamento, ou seja, uma diferença de posição de um mesmo corpo em dois momentos diferentes, é possível analisar a Figura 8 de forma a considerar o vetor RBA como a diferença de posição entre duas partículas em um mesmo instante — nesse caso, a posição de B em relação a A. Para essa situação, as mesmas considerações e equações continuam válidas (NORTON, 2010). Para movimentos de corpos rígidos, ou elos de mecanismos, é necessário evolver tanto a posição de pontos como a orientação das linhas entre eles. Na Figura 9a, é possível observar um elo com os pontos A e B. A diferença de posição entre estes pontos é dada pelo vetor RBA, e o sistema de eixos foi fixado ao ponto A para facilitar o problema (NORTON, 2010). Na Figura 9b, o elo AB realiza um movimento de translação até a posi- ção A’B’, assim, surgem os deslocamentos A’A e B’B que, pela definição de translação, devem ser iguais (NORTON, 2010). Já na Figura 9c, o elo AB realiza o movimento de rotação. Assim, o ponto A permanece na mesma posição, e o ponto B vai para a posição B’, por meio do vetor RB’B, que pode ser descrito como: RB’B = RB’A – RBA A soma desses dois movimentos é classificada como um movimento plano geral e está representada na Figura 9d. É importante notar que a ordem dos movimentos não altera o resultado final, uma vez que o deslocamento dos pontos é o mesmo, não importando sua trajetória (NORTON, 2010). 9Cinemática dos elementos de máquinas Figura 9. Movimentos de um elo AB. Fonte: Norton (2010, p. 194). Y Y Y B’ B’ BB Y B B B’ RB’A’ RB’’A’ RB’’A’ RB’‘A RBARBA RB’’B’ RB’’B’ RB’B RB’B RBA RBA RA’A RA’A A’ AA AA XX XX (b) (d)(c) (a) Trajetória da translação curvilínea A’ B” Assim, o deslocamento total do ponto B, ou seja, em relação ao seu ponto inicial B, pode ser representado por: RB’’B = RB’B + RB’’B’ Já a nova posição absoluta do ponto B em relação à origem é: RB’’A = RA’A + RB’’A’ Para aplicar a análise de posições a um mecanismo, pode-se criar uma malha fechada de vetores que representem os elos deste. A Figura 10 mostra um mecanismo de quatro barras, como o da Figura 5a, representado por uma malha fechada de vetores (NORTON, 2010). Cinemática dos elementos de máquinas10 Figura 10. Cadeia de vetores para um mecanismo de 4 barras. Fonte: Norton (2010, p. 198). Y X y b c d a A B R3 R4 R1 R2 O2 O4 θ4 θ3 θ2 x Essa malha termina em si mesma, resultando na somatória dos seus vetores igual a zero. O comprimento de seus vetores é a distância entre os nós de cada elo, que já é conhecida, e a posição atual do mecanismo é definida pelo ângulo do elo de entrada θ2, uma vez que é um mecanismo de 1 GDL. Além das posições, pode-se também analisar as velocidades em um me- canismo. Essa é uma grandeza vetorial, assim como a posição (R), e pode ser angular (ω) ou linear (V) (NORTON, 2010). A velocidade angular (ω) nada mais é que a taxa temporal de variação da posição angular, medida frequentemente em rad/s (HIBBELER, 2011). Assim, sua intensidade pode ser definida como: ω = dθ dt Enquanto a velocidade é definida por meio da diferenciação temporal do vetor posição R (HIBBELER, 2011), obtendo-se: V = dR dt A Figura 11a ilustra o movimento de rotação de um elo PA em torno do ponto A em um plano x-y. Utilizando os conceitos de posição de elos, pode-se observar que essa posição é definida pelo vetor RPA. Em seu movimento de rotação, o elo PA gira com uma velocidade angular ω. 11Cinemática dos elementos de máquinas Figura 11. Vetores velocidade em elos. Fonte: Norton (2010, p. 290, 291). A A X X Y Y P RPA RPAP + + – – ω ω VPA VPA VP VA VPA VP VA 2 3 2 θ θ OI I (a) (b) (c) Uma vez que se trata de um movimento de rotação pura, a velocidade absoluta do ponto P em relação à origem (VPA) sempre será perpendicular ao vetor posição e tangente à trajetória (NORTON, 2010). Já a Figura 11b apresenta um movimento de rotação da anterior, combinado a uma translação do ponto A com uma velocidade linear VA. Note que, se a velocidade angular de giro permanecer a mesma, a velocidade relativa de P em relação a A permanecerá a mesma, porém o vetor VPA não será mais a velocidade global do ponto P, uma vez que este realiza também um movi- mento de translação em relação à origem do sistema de coordenadas x-y. A velocidade VPA será agora considerada a diferença de velocidades entre os pontos (NORTON, 2010). A velocidade absoluta de um ponto P em relação aos eixos x-y pode ser obtida por meio da derivada temporal da equação da diferença de posições, que resultaria na seguinte (HIBBELER, 2011): VPA = VP – VA Ou seja, a diferença de velocidades entre o ponto A e P é igual à diferença de suas velocidades absolutas. Rearranjando a equação acima, obtém-se VP: VP = VA + VPA A solução gráfica dessa equação pode ser vista na Figura 11c. Cinemática dos elementos de máquinas12 Como analisado para o deslocamento, pode-se considerar também os pontos A e P como pertencentes a corpos diferentes. Assim, o vetor VPA deixa de ser a diferença de velocidades e passa a representar a velocidade relativa de P em relação a A (NORTON, 2010). Da mesma forma que se obteve a velocidade a partir do deslocamento, pode-se utilizar o mesmo raciocínio para a aceleração, que é definida como a taxa de variação da velocidade em função do tempo e é uma grandeza vetorial. A aceleração pode ser angular (α) ou linear (A) (NORTON, 2010). A = dV dt α = dω dt A Figura 12a ilustra o mesmo mecanismo da Figura 11a em rotação pura e sujeito a um determinado valor de ω e α — agora exibindo também seus vetores aceleração. É possível observar que o vetor APA, que representa a aceleração do ponto P em relação a A, apresenta duas componentes, At PA e An PA. O vetor representa a taxa de variação temporal na intensidade da velocidade do ponto P. Se essa velocidade está diminuindo, a componente tangencial da aceleração atua na direção oposta a VPA. Se a velocidade do ponto P está aumentando, At PA atua no mesmo sentido da velocidade. Por fim, se VPA é constante, a aceleração tangencial é igual a zero (HIBBELER, 2011). Já a componente normal (An PA) da velocidade atua sempre em direção ao centro da trajetória circular, variando a direção do vetor velocidade (HIB- BELER, 2011). A aceleração total do ponto P pode ser representada pela soma vetorial de suas duas componentes (HIBBELER, 2011): APA = At PA + An PA Para o caso da Figura 12a, o vetor APA pode ser considerado como a ace- leração absoluta do ponto P, uma vez que o ponto A e a origem do sistema de coordenadas são coincidentes (NORTON, 2010). 13Cinemática dos elementos de máquinas Figura 12. Vetores aceleração em elos. Fonte: Norton (2010, p. 351, 352). A I PA A n PA A n PA A n PA A I PA A I PA APA APA AP AA AP AA APA + a2 + a2 – ω2 – ω2 P P 2 2 X X θ θ Y Y A 3 A I I VPA VPA (a) (b) (c)O A Figura 12b mostra um caso em que o ponto P do elo PA continua em rotação, mas, dessa vez, o ponto A do elo realiza um movimento de translação,com aceleração AA. Assim, APA não mais pode ser considerada a aceleração absoluta do ponto P, mas, sim, a diferença de acelerações entra P e A (NOR- TON, 2010). Derivando a equação da diferença das velocidades em relação ao tempo, obtém-se a equação para a diferença das acelerações, que tem a solução gráfica na Figura 12c: APA = AP – AA Rearranjando esta equação, obtém-se: AP = AA + APA (At P + An P) = (At A + An a) + (At PA + An PA) No exemplo da Figura 12b, a componente An A não existe, uma vez que o ponto A está em translação pura (NORTON, 2010). O exemplo acima tratou de um caso onde os dois pontos se encontram no mesmo corpo e estudou sua diferença de acelerações. Em casos onde dois pontos se encontram em corpos separados, utiliza-se o termo aceleração relativa (NORTON, 2010). Cinemática dos elementos de máquinas14 Configurações de mecanismos Existem diversas configurações de mecanismos, das mais variadas formas e para os mais variados propósitos. Porém, um mesmo tipo de mecanismo também pode ser utilizado para mais de um propósito. A seguir, você apren- derá sobre duas configurações clássicas de mecanismos: de quatro barras e biela-manivela. Mecanismo de quatro barras Dentre os tipos de mecanismos existentes, o mais simples e utilizado é o mecanismo de quatro barras, composto por quatro elos conectados por juntas pinadas, sendo um deles o elo fixo. Ele está presente na maioria das máquinas, desde o limpador de para-brisa de um automóvel, até o trem de pouso de um avião (MYSZKA, 2011). A Figura 13 ilustra mecanismos de quatro barras e seus diagramas cinemáticos, que nada mais são que representações simplifi- cadas para análise de mecanismos. Figura 13. Mecanismos quatro barras reais e seus respectivos diagramas cinemáticos. Fonte: Myszka (2011, p. 21). 2 1 3 4 4 3 2 1 D C X B A Como os mecanismos de quatro barras têm apenas um grau de liberdade, que são totalmente operáveis por apenas um atuador (MYSZKA, 2011). Na Figura 14, é possível observar os vetores velocidade em um mecanismo de quatro barras clássico, onde seus elos foram numerados de 1 a 4, sendo o elo 1 o elo fixo. 15Cinemática dos elementos de máquinas Figura 14. Representação dos vetores velocidade dos pontos de interesse em um mecanismo de quatro barras. Fonte: Norton (2010, p. 293). r p p C q q B VC VA A Y θ2 VCA VB VBA 4 2 1 O2 O4 ω4 ω3 ω2 A origem do sistema de coordenadas se encontra no ponto O2. Como o elo 2 realiza um movimento de rotação com o centro na origem do sistema de coordenadas, a velocidade do ponto A é representada apenas por VA, que é a sua absoluta. Já para a velocidade dos pontos B e C, são apresentados dois vetores: um para sua diferença de velocidade em relação ao ponto A (VBA e VCA) e suas velocidades absolutas, VB e VC. O mesmo acontece para os vetores aceleração de um quatro barras, que são representados na Figura 15. É importante ressaltar a presença das acelerações normal e tangencial na composição dos vetores aceleração. Cinemática dos elementos de máquinas16 Figura 15. Representação dos vetores aceleração dos pontos de interesse em um mecanismo de quatro barras. Fonte: Norton (2010, p. 355). α3 α4α2 ω3 ω2 ω4 O2 O4 θ2 θ3 θ4 A Y X P C q p c B q 3 4 2 1 At BA At B An BA An B At A An A Mecanismo biela-manivela Outro tipo de mecanismo que é comumente encontrado é o biela-manivela. Esse mecanismo também tem quatro barras com um elo fixo, porém com três juntas pinadas e uma deslizante. A Figura 16 mostra um exemplo de mecanismo biela-manivela (MYSZKA, 2011). Figura 16. A bomba manual de água é um exemplo de mecanismo biela-manivela. Fonte: Myszka (2011, p. 22). X 3 4 1 2 B C D A 17Cinemática dos elementos de máquinas Assim como os mecanismos de quatro barras, o mecanismo biela-manivela tem apenas um GDL, o que quer dizer que apenas um atuador é necessário para sua completa operação (MYSZKA, 2011). Geralmente o elo ligado ao pivô fixo é chamado manivela, que está represen- tado pelo número 2 no diagrama cinemático da Figura 16. Nem sempre a ma- nivela é capaz de realizar uma revolução completa. Já o termo biela é utilizado para designar o elo que conecta a manivela ao elo deslizante (MYSZKA, 2011). A Figura 17 apresenta os vetores velocidade e aceleração para dois casos de movimento de mecanismos biela-manivela. Figura 17. Vetores velocidade e aceleração representados em dois movimentos de me- canismos biela-manivela. Fonte: Norton (2010, p. 321, 362). VBA AB VA VB θ3 θ3 θ2 O2 + B 4ω3 ω3 X X Y Y y A ω2 a – AAt A At BA An BA AA y 4B x a3 ω2 a2 a O2 θ2 X (a) (b) 1. Sobre o movimento de translação de corpos rígidos, é correto afirmar que: a) a translação é um movimento exclusivo do planeta Terra. b) o movimento de translação de corpos rígidos é normalmente dividido em uniforme e variado. c) a translação não pode ser considerada um movimento plano. d) na translação, qualquer linha reta dentro do corpo rígido mantém a mesma direção ao longo do movimento. e) no movimento de translação, todas as partículas se movem ao longo de trajetórias não paralelas. 2. Considere um corpo rígido rotacionando em torno de um eixo fixo. Sobre essa situação, assinale a alternativa correta. a) Todas as partículas desse corpo se movem em trajetórias circulares em planos paralelos. Cinemática dos elementos de máquinas18 b) Cada partícula desse corpo se move em torno de seu próprio eixo de rotação. c) Quando o eixo de rotação intercepta o corpo rígido, as partículas que são interceptadas por esse eixo apresentam aceleração e velocidade máximas. d) Como o corpo rígido está rotacionando, ele não pode ser considerado um movimento plano. e) O movimento de rotação em torno de um eixo fixo pode ser considerado um sinônimo da translação curvilínea. 3. Sobre os movimentos dos corpos rígidos, pode-se afirmar que: a) eles podem ser divididos em movimentos planos e de translação. b) nos movimentos planos, cada partícula de um corpo rígido se move ao longo de um determinado plano. c) o movimento de um pião apoiado sobre determinado ponto é considerado um movimento de rotação em torno de um eixo fixo. d) o movimento de rotação em torno de um ponto fixo não pode ser considerado um movimento plano. e) um mesmo mecanismo não pode combinar mais de um tipo de movimento de seus elementos. 4. Posição, velocidade e aceleração são vetores de uma partícula em um corpo rígido. Sobre eles, é correto afirmar que: a) o vetor velocidade de um ponto em um determinado corpo rígido pode ser determinado pela integração de seu deslocamento. b) o caminho percorrido entre dois pontos é chamado deslocamento. c) a velocidade relativa entre dois pontos é dada pela diferença entre suas velocidades absolutas. d) a aceleração angular de uma partícula contida num corpo rígido nada mais é que a taxa de variação temporal de sua posição angular. e) a aceleração de uma partícula de um corpo rígido rotacionando tem apenas uma componente — a aceleração tangencial. 5. Sobre os mecanismos de quatro barras e biela-manivela, assinale a alternativa correta. a) Embora o nome do mecanismo seja quatro barras, na verdade existem quatro elos móveis e um fixo. b) Em um mecanismo biela- -manivela, existem três juntas pinadas e uma deslizante. c) Mecanismos biela-manivela têm dois graus de liberdade, uma vez que existe uma junta deslizante. d) O trem de pouso de um avião é um bom exemplo para um mecanismo biela-manivela. e) Apenas um atuador não é suficiente para operar totalmente um mecanismo biela-manivela. 19Cinemática dos elementos de máquinas BEER, F. P.; JOHNSTON JR., E. R.; CORNWELL, P. J. Mecânica vetorial para engenheiros: dinâmica. 9. ed. Porto Alegre: AMGH, 2012. ERDMAN, A. G.; SANDOR, G. N. Advanced mechanism design: analysis and synthesis. Englewood Cliffs: Prentice-Hall, 1984. v. 4. HIBBELER, R.C. Estática: mecânica para engenharia. 12. ed. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2011. MYSZKA, D. H. Machines & mechanisms: applied kinematic analysis. 4th ed. Upper Saddle River: Pearson Education, 2011. NORTON, R. L. Cinemática e dinâmica dos mecanismos. Porto Alegre: AMGH, 2010.. ROVAI, M. Tutorial: braço robótico programável: projeto final. 2016. Disponível em: . Acesso em: 02 jul. 2018. Cinemática dos elementos de máquinas20 http://labdegaragem.com/profiles/blogs/tutorial-bra-o-rob-tico-program-vel- Encerra aqui o trecho do livro disponibilizado para esta Unidade de Aprendizagem. Na Biblioteca Virtual da Instituição, você encontra a obra na íntegra.