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TEMA AQUI (Uso da fonte poppins) Radiobiologia e Biossegurança Efeitos Biológicos das Radiações ROTEIRO DE AULA Mecanismos de ação das radiações ionizantes nas células e tecidos Efeitos diretos, indiretos, somáticos e genéticos Radiólise da água, morte celular, reparação e câncer induzido por radiação Objetivos da aula Entender interação da radiação com o organismo Conhecer efeitos celulares Diferenciar efeitos somáticos e genéticos Compreender radiólise da água Estudar morte celular e câncer induzido por radiação Aplicar princípios de radioproteção RETOMADAS O que é radiação ionizante? Radiação ionizante é todo tipo de radiação que possui energia suficiente para remover elétrons dos átomos, provocando um processo chamado de ionização. Quando isso acontece, o átomo perde sua estabilidade e pode causar alterações nas moléculas das células, inclusive no DNA, podendo gerar efeitos biológicos no organismo. Esse tipo de radiação tem energia maior que a das radiações comuns, como luz visível ou ondas de rádio, e por isso é capaz de penetrar nos tecidos do corpo humano. Na área da radiologia, a radiação ionizante é utilizada para diagnóstico e tratamento, mas deve ser controlada para evitar danos. Exemplos Raios X Raios gama Partículas alfa Partículas beta Nêutrons Aplicações médicas A radiação ionizante permite a formação de imagens médicas, porém pode causar efeitos biológicos, por isso são necessários cuidados de radioproteção para pacientes e profissionais. DIAGNÓSTICO: RX (2D), TC (3D - tumores, AVC, traumas, etc…, MMG (2D e 3D - nódulos, microcalcificações, assimetrias,..., Medicina Nuclear (uso de radioisótopos para ver função de órgãos, metabolismo, tumores, tireoide, coração) Aplicações médicas TRATAMENTO: Radioterapia (uso da radiação para tratar tumores Destruir células tumorais Controlar crescimento do tumor Tipos: Teleterapia Braquiterapia Importante: Atingir o tumor sem danificar tecidos saudáveis. Aplicações médicas DIAGNÓSTICO/TRATAMENTO: Radiologia Intervencionista Uso de radiação em tempo real para guiar procedimentos. Cateterismo Angiografia Colocação de stent Biópsias guiadas Vantagem: Menos invasivo que cirurgia. Aplicações médicas Aplicações médicas Mecanismos de ação das radiações ionizantes nas células e tecidos TIPOS DE RADIAÇÃO IONIZANTE A radiação alfa é formada por partículas pesadas, compostas por 2 prótons e 2 nêutrons, sendo semelhante ao núcleo do átomo de hélio. Características: Alta massa Carga positiva Baixo poder de penetração Alto poder de ionização Mecanismos de ação das radiações ionizantes nas células e tecidos TIPOS DE RADIAÇÃO IONIZANTE Penetração: Não atravessa a pele Pode ser barrada por papel ou pela camada externa da pele Risco: Perigosa se entrar no corpo (inalação ou ingestão) Exemplo: Urânio, Rádio, Polônio Mecanismos de ação das radiações ionizantes nas células e tecidos TIPOS DE RADIAÇÃO IONIZANTE Radiação Beta (β) A radiação beta é formada por elétrons ou pósitrons emitidos pelo núcleo do átomo. Características: Massa pequena Carga negativa (β−) ou positiva (β+) Penetração média Ionização média Mecanismos de ação das radiações ionizantes nas células e tecidos TIPOS DE RADIAÇÃO IONIZANTE Penetração: Atravessa a pele Pode ser barrada por plástico ou alumínio Risco: Pode causar queimaduras na pele Perigosa em exposição prolongada Exemplo: Iodo radioativo, Carbono-14, Estrôncio Mecanismos de ação das radiações ionizantes nas células e tecidos TIPOS DE RADIAÇÃO IONIZANTE Radiação Gama (γ) A radiação gama é uma onda eletromagnética, sem massa e sem carga. Características: Alta energia Alto poder de penetração Baixo poder de ionização comparado ao alfa Muito perigosa sem proteção Mecanismos de ação das radiações ionizantes nas células e tecidos TIPOS DE RADIAÇÃO IONIZANTE Penetração: Atravessa o corpo humano Precisa de chumbo ou concreto para proteção Uso: Radioterapia Medicina nuclear Esterilização Exemplo: Cobalto-60, Césio-137 Mecanismos de ação das radiações ionizantes nas células e tecidos TIPOS DE RADIAÇÃO IONIZANTE Raios X Os raios X também são ondas eletromagnéticas, semelhantes aos raios gama, mas são produzidos artificialmente em equipamentos. Características: Sem massa Sem carga Alto poder de penetração Controláveis Mecanismos de ação das radiações ionizantes nas células e tecidos TIPOS DE RADIAÇÃO IONIZANTE Raios X Uso na medicina: Radiografia Tomografia Mamografia Fluoroscopia Mecanismos de ação das radiações ionizantes nas células e tecidos TIPOS DE RADIAÇÃO IONIZANTE Diferença para gama: Raios X → produzidos no aparelho Gama → vem do núcleo radioativo Mecanismos de ação das radiações ionizantes nas células e tecidos TIPOS DE RADIAÇÃO IONIZANTE Nêutrons A radiação de nêutrons é formada por partículas sem carga elétrica, presentes no núcleo do átomo. Características: Sem carga Alta penetração Alta capacidade de causar dano biológico Mecanismos de ação das radiações ionizantes nas células e tecidos TIPOS DE RADIAÇÃO IONIZANTE Penetração: Difícil de bloquear Precisa de concreto, água ou parafina Uso: Reatores nucleares Radioterapia especial Pesquisa científica Risco: Muito alto se não houver proteção. Mecanismos de ação das radiações ionizantes nas células e tecidos Interação da radiação com a matéria Ionização Excitação Transferência de energia Mecanismos de ação das radiações ionizantes nas células e tecidos Por que estudar efeitos biológicos Segurança do paciente Segurança ocupacional Legislação Mecanismos de ação das radiações ionizantes nas células e tecidos CÉLULA A célula é a menor unidade dos seres vivos e tem formas e funções definidas A célula tem todo o material necessário para realizar processos vitais, como nutrição, liberação de energia e reprodução Por sua vez as células são compostas bioquicamente por água (70% da massa celular) e componentes orgânicos (oxigênio, carbono, açúcares, lipídios, proteínas, ácidos graxos, ácidos nucleicos, nucleotídeos, etc…) Mecanismos de ação das radiações ionizantes nas células e tecidos CÉLULA As células que formam o organismo de muitos dos seres vivos apresentam uma membrana envolvendo seu núcleo, por isso são chamadas de CÉLULAS EUCARIOTAS. A célula eucariota é constituída de membrana plasmática, citoplasma e núcleo Diferente das células eucariotas, a célula procariótica não possui membrana nuclear nem estruturas membranosas no seu interior. As organelas celulares eucariontes são estruturas presentes no interior das células que possuem núcleo definido, como as células animais e vegetais. Cada organela desempenha uma função específica, garantindo o funcionamento adequado da célula. O estudo dessas estruturas é fundamental em áreas como biologia celular, histologia, radiobiologia e radiologia, pois a radiação ionizante pode afetar diretamente essas organelas. ORGANELAS Núcleo O núcleo é a principal organela da célula eucarionte. Funções: Armazena o DNA Controla as atividades celulares Coordena a divisão celular Produz RNA O núcleo é uma das estruturas mais sensíveis à radiação, pois contém o material genético. ORGANELAS Mitocôndria A mitocôndria é responsável pela produção de energia. Funções: Produção de ATP (energia) Respiração celular Controle da morte celular (apoptose) A radiação pode danificar a mitocôndria, causando diminuição da produção de energia e morte celular. ORGANELAS Ribossomos Os ribossomos são responsáveis pela síntese de proteínas. Funções: Produção de proteínas Tradução do RNA mensageiro Podem estar livres no citoplasma ou ligados ao retículo endoplasmático. ORGANELAS Retículo Endoplasmático Existem dois tipos: Retículo Endoplasmático Rugoso (RER)Funções: Produção de proteínas Transporte de proteínas Possui ribossomos aderidos. ORGANELAS Retículo Endoplasmático Retículo Endoplasmático Liso (REL) Funções: Produção de lipídios Desintoxicação celular Armazenamento de cálcio ORGANELAS Complexo de Golgi O complexo golgiense é responsável pelo processamento e distribuição de substâncias. Funções: Modificar proteínas Empacotar substâncias Se cretar materiais Formar vesículas ORGANELAS Lisossomos Os lisossomos são responsáveis pela digestão celular. Funções: Digestão de partículas Destruição de organelas velhas Defesa contra microrganismos A ruptura dos lisossomos pode levar à morte celular. ORGANELAS Peroxissomos Os peroxissomos atuam na desintoxicação. Funções: Degradação de substâncias tóxicas Metabolismo de lipídios Produção e degradação de peróxido de hidrogênio Relacionam-se com processos oxidativos, importantes na ação indireta da radiação. ORGANELAS Centríolos Os centríolos participam da divisão celular. Funções: Formação do fuso mitótico Organização dos microtúbulos Células em divisão são mais sensíveis à radiação. ORGANELAS Membrana plasmática A membrana plasmática envolve a célula. Funções: Controlar entrada e saída de substâncias Comunicação celular Proteção da célula A radiação pode alterar a permeabilidade da membrana. ORGANELAS Citoplasma O citoplasma é a região onde ficam as organelas. Funções: Local das reações químicas Sustentação das organelas Transporte intracelular Grande parte da água da célula está no citoplasma, sendo importante na radiólise da água. ORGANELAS Importância para Radiologia e Radiobiologia O conhecimento das organelas é importante porque a radiação ionizante pode causar: Danos ao DNA (núcleo) Formação de radicais livres (citoplasma / água) Alterações metabólicas (mitocôndria) Morte celular (lisossomos / apoptose) Isso explica a resposta celular à radiação ionizante. ORGANELAS Mecanismos de ação das radiações ionizantes nas células e tecidos O que acontece dentro da célula quando ela é atravessada pela radiação? Ela interage com átomos e moléculas, e são essas interações microscópicas que explicam os efeitos biológicos observados em nível celular, tecidual e sistêmico. Mecanismos de ação da radiação ionizante direta indireta Mecanismos de ação das radiações ionizantes nas células e tecidos As quebras no DNA podem ser simples, quando atingem apenas uma fita, ou duplas, quando afetam as duas ao mesmo tempo. As quebras duplas são mais graves, pois dificultam o reparo celular e aumentam o risco de mutações, podendo causar morte celular ou até transformação maligna. Mecanismos de ação das radiações ionizantes nas células e tecidos Vale destacar que nem toda interação com o DNA resulta em dano permanente. As células possuem sofisticados sistemas de reparo, capazes de corrigir muitas dessas alterações. O problema surge quando o dano é extenso, repetitivo ou ocorre em células mais radiossensíveis. Mecanismos de ação das radiações ionizantes nas células e tecidos QUAL MECANISMO DE AÇÃO VOCÊS ACHAM QUE MAIS ACONTECE NO CORPO? JUSTIFIQUE. Mecanismos de ação das radiações ionizantes nas células e tecidos A maior parte dos efeitos biológicos da radiação não ocorre diretamente no DNA, mas sim de forma indireta. Isso acontece porque cerca de 70% do conteúdo celular é composto por água. Quando a radiação ionizante interage com a água, ocorre a radiólise da água, na qual a molécula de H₂O é quebrada, formando substâncias altamente reativas. Essas substâncias podem causar danos às células, tornando a água um intermediário no efeito da radiação. Mecanismos de ação das radiações ionizantes nas células e tecidos FORMAÇÃO DE RADICAIS LIVRES A radiólise da água forma radicais livres, como OH e H, que são muito instáveis e reativos. Essas moléculas podem atingir DNA, proteínas e membranas celulares, causando danos como quebras no DNA e alterações que prejudicam o funcionamento da célula. A radiação funciona como o gatilho inicial, mas os radicais livres são os principais responsáveis pelos danos biológicos. Esse conceito explica a ação indireta da radiação e é importante para entender a radioproteção e a resposta dos tecidos à radiação. Mecanismos de ação das radiações ionizantes nas células e tecidos RESPOSTA CELULAR A RADIAÇÃO A resposta celular à radiação ionizante corresponde ao conjunto de alterações físicas, químicas e biológicas que ocorrem nas células após a exposição à radiação capaz de ionizar átomos e moléculas. Esse processo é fundamental para compreender os efeitos biológicos das radiações, sendo amplamente estudado na radiologia, radioterapia e radioproteção. Mecanismos de ação das radiações ionizantes nas células e tecidos Tipos de danos celulares causados pela radiação A radiação ionizante pode provocar vários tipos de lesões: Quebra de fita simples do DNA Quebra de fita dupla do DNA (mais grave) Alterações nas bases nitrogenadas Danos na membrana celular Danos em proteínas e enzimas Mecanismos de ação das radiações ionizantes nas células e tecidos Tipos de danos celulares causados pela radiação Os danos podem ser: Reversíveis (a célula se recupera) Irreversíveis (levam à morte celular ou mutação) Mecanismos de ação das radiações ionizantes nas células e tecidos Tipos de danos celulares causados pela radiação Mecanismos de resposta da célula ao dano Após a exposição à radiação, a célula pode responder de diferentes formas: ✔ Reparo do DNA A célula possui mecanismos de reparo que tentam corrigir o dano. ✔ Morte celular (apoptose) Se o dano for muito grande, a célula pode se autodestruir para evitar mutações. Mecanismos de ação das radiações ionizantes nas células e tecidos Tipos de danos celulares causados pela radiação Mecanismos de resposta da célula ao dano ✔ Mutação Se o DNA for reparado de forma incorreta, pode ocorrer mutação, que pode levar ao câncer. ✔ Divisão celular alterada A célula pode continuar se dividindo com erro genético. Mecanismos de ação das radiações ionizantes nas células e tecidos Radiossensibilidade celular Nem todas as células respondem da mesma forma à radiação. Segundo a Lei de Bergonié e Tribondeau (princípio clássico da radiobiologia), as células mais sensíveis são: Células que se dividem rapidamente Células pouco diferenciadas Células com alta atividade metabólica Mecanismos de ação das radiações ionizantes nas células e tecidos Radiossensibilidade celular Exemplos de células mais sensíveis: Medula óssea Células germinativas Epitélio intestinal Tecidos embrionários Mecanismos de ação das radiações ionizantes nas células e tecidos Radiossensibilidade celular Células mais resistentes: Neurônios Músculo Osso Mecanismos de ação das radiações ionizantes nas células e tecidos Efeitos biológicos da resposta celular A resposta celular pode resultar em: Efeitos determinísticos (dose alta, com limiar) Efeitos estocásticos (sem limiar, risco de câncer) Exemplos: Eritema cutâneo, catarata, Esterilidade, Câncer, Mutações genéticas Mecanismos de ação das radiações ionizantes nas células e tecidos Importância na Radiologia e Radioterapia O estudo da resposta celular à radiação é importante para: Garantir proteção radiológica Definir doses seguras Planejar radioterapia Evitar danos ocupacionais Proteger pacientes e profissionais Na radioterapia, por exemplo, a radiação é usada para destruir células tumorais, explorando o fato de que elas são mais radiossensíveis. Mecanismos de ação das radiações ionizantes nas células e tecidos Resumo A resposta celular à radiação ionizante envolve a ionização de moléculas, formação de radicais livres, danos ao DNA e diferentes mecanismos celulares de reparo, morte ou mutação. O entendimento desse processo é essencial para a radiologia, pois permite utilizar a radiação de forma segura e eficaz. Mecanismos de açãodas radiações ionizantes nas células e tecidos O DNA (ácido desoxirribonucleico) é a molécula responsável por armazenar as informações genéticas dos seres vivos. Ele está localizado principalmente no núcleo das células eucariontes e contém as instruções que controlam o funcionamento, o crescimento e a divisão celular. O DNA é formado por duas fitas que se organizam em forma de dupla hélice e possui unidades chamadas nucleotídeos, que carregam o código genético. Na radiobiologia, o DNA é a estrutura mais sensível à radiação ionizante, pois danos nessa molécula podem causar mutações, morte celular ou desenvolvimento de doenças como o câncer. ARMAZENAR INFORMAÇÕES GENÉTICAS DOS SERES VIVOS Mecanismos de ação das radiações ionizantes nas células e tecidos O RNA (ácido ribonucleico) atua como intermediário na utilização das informações contidas no DNA. Ele é responsável por transportar e traduzir o código genético para a produção de proteínas, que são essenciais para o funcionamento da célula. Existem diferentes tipos de RNA, como o RNA mensageiro, o RNA transportador e o RNA ribossômico, cada um com uma função específica na síntese proteica. Enquanto o DNA guarda a informação genética, o RNA permite que essa informação seja utilizada pela célula. PRODUÇÃO DE PROTEÍNAS Efeitos diretos, indiretos, somáticos e genéticos Quando a radiação ionizante interage com o corpo humano, pode provocar danos celulares por dois mecanismos principais: efeito direto e efeito indireto, que geralmente ocorrem de forma complementar. O efeito direto acontece quando a radiação atinge diretamente moléculas importantes da célula, principalmente o DNA, rompendo ligações químicas e causando quebras nas fitas. Essas alterações podem resultar em morte celular, mutações ou alterações no funcionamento da célula, dependendo da intensidade do dano e da capacidade de reparo celular. Efeitos diretos, indiretos, somáticos e genéticos As células de organismo humano podem ser divididas em dois grupos: células somáticas e células germinativas. Células somáticas compõem a maior parte do organismo, sendo responsáveis pela formação da estrutura corpórea (osso, músculo). Células germinativas estão presentes nas gônadas (ovários e testículos) onde se dividem os gametas (óvulos e espermatozoides) necessários para reprodução. Efeitos diretos, indiretos, somáticos e genéticos Células Somáticas Efeitos diretos, indiretos, somáticos e genéticos Células Germinativas Efeitos diretos, indiretos, somáticos e genéticos CICLO CELULAR : intérfase e mitose Efeitos diretos, indiretos, somáticos e genéticos INTÉRFASE G1 - CRESCIMENTO E PREPARAÇÃO (será que precisa? será que tem energia suficiente?) *produção de proteínas S - CRESCIMENTO E DUPLICAÇÃO (onde uma cromátide se junta a outra irmã) *síntese de DNA G2 - CRESCIMENTO E PREPARAÇÃO FINAL PARA A DIVISÃO CELULAR (se a célula tiver algum dano, ocorre a “reparação” para que ela possa continuar a se multiplicar sem (ou com) falhas) Efeitos diretos, indiretos, somáticos e genéticos O efeito indireto é o mais comum, pois as células são formadas principalmente por água. Nesse caso, a radiação interage com as moléculas de água, provocando a radiólise e formando radicais livres altamente reativos. Essas substâncias podem danificar o DNA, proteínas e membranas celulares, mesmo sem a radiação atingir diretamente essas estruturas. Por isso, compreender esses mecanismos é essencial na radiologia, pois mostra que pequenas doses também podem causar efeitos biológicos, reforçando a importância do controle e da proteção radiológica. Efeitos diretos, indiretos, somáticos e genéticos Os efeitos somáticos são aqueles que aparecem no próprio indivíduo exposto à radiação ionizante, podendo surgir logo após a exposição ou somente anos depois, dependendo da dose recebida e do tecido atingido. Em exposições altas, podem ocorrer efeitos determinísticos, que possuem dose limiar, como eritema na pele, queimaduras, queda de cabelo e alterações no sangue. Esses efeitos só aparecem quando a dose ultrapassa determinado nível e sua gravidade aumenta conforme a quantidade de radiação recebida. Efeitos diretos, indiretos, somáticos e genéticos Em doses mais baixas, como nas utilizadas na radiologia diagnóstica, o principal risco está relacionado aos efeitos estocásticos, como o desenvolvimento de câncer ao longo da vida. Nesses casos, não existe dose totalmente segura, pois o que aumenta com a exposição é a probabilidade do efeito ocorrer, e não a sua intensidade. Por isso, na prática radiológica, é fundamental que cada exame seja justificado e realizado com a menor dose possível, seguindo o princípio ALARA, para reduzir os riscos ao paciente e ao profissional. Efeitos diretos, indiretos, somáticos e genéticos Os efeitos genéticos da radiação ionizante são aqueles que não aparecem no indivíduo exposto, mas podem se manifestar em seus descendentes. Eles ocorrem quando a radiação atinge as células germinativas, como óvulos ou espermatozoides, provocando alterações no DNA que podem ser transmitidas para as próximas gerações. Essas alterações podem resultar em mutações hereditárias, malformações congênitas ou doenças genéticas. Efeitos diretos, indiretos, somáticos e genéticos Embora o risco seja considerado baixo nas doses utilizadas na radiologia diagnóstica, ele não é inexistente, o que exige cuidados rigorosos na prática profissional. Por isso, é fundamental utilizar medidas de proteção radiológica, como blindagens, colimação adequada, escolha correta dos parâmetros técnicos e, sempre que possível, optar por métodos de imagem que não utilizem radiação ionizante, principalmente em pacientes em idade reprodutiva. Efeitos diretos, indiretos, somáticos e genéticos A análise dos efeitos somáticos e genéticos mostra que a radiação ionizante pode causar impactos não apenas no indivíduo exposto, mas também na população ao longo do tempo. Exposições repetidas, mesmo em doses baixas, podem aumentar a probabilidade de efeitos estocásticos, como câncer e mutações hereditárias, quando consideradas em grandes grupos. Por isso, o uso da radiação deve ser sempre controlado e justificado, especialmente em procedimentos realizados com frequência. Efeitos diretos, indiretos, somáticos e genéticos Dessa forma, a radioproteção deve ser entendida como um compromisso com a saúde pública, e não apenas como uma responsabilidade individual. O uso correto de protocolos, o treinamento contínuo e a aplicação dos princípios de proteção radiológica são fundamentais para reduzir riscos. Para o estudante de Tecnologia em Radiologia, essa compreensão amplia o papel profissional, tornando o tecnólogo um agente importante na segurança radiológica, atuando na proteção dos pacientes, da equipe e da sociedade. Radiólise da água, morte celular, reparação e câncer induzido por radiação A morte celular é um processo natural ou induzido que pode ocorrer quando a célula sofre danos irreversíveis, como aqueles causados por radiação ionizante, agentes químicos ou falta de oxigênio. Existem diferentes tipos de morte celular, sendo os principais a apoptose, necrose e morte mitótica, cada um com características próprias e diferentes consequências para o organismo. O conhecimento desses processos é importante na radiobiologia, pois a radiação pode desencadear qualquer um desses mecanismos, dependendo da dose e do tipo de tecido irradiado. Radiólise da água, morte celular, reparação e câncer induzido por radiação A apoptose é uma morte celular programada e controlada, considerada um processo organizado do próprio organismo para eliminar células danificadas sem causar inflamação. Já a necrose ocorre de forma desorganizada, geralmente após danos intensos, levando ao rompimento da membrana celular e provocando inflamação nos tecidos ao redor. A necrose costuma estar associada a exposições a doses altas de radiação, traumas ou falta de suprimentosanguíneo. Radiólise da água, morte celular, reparação e câncer induzido por radiação A morte mitótica acontece quando a célula sofre dano no DNA, mas não morre imediatamente, perdendo a capacidade de se dividir corretamente. Nesse caso, a célula tenta realizar a divisão celular, porém não consegue completar o processo, levando à sua morte após algumas divisões. Esse tipo de morte é muito comum após exposição à radiação ionizante e está relacionado à radiossensibilidade de células que se dividem rapidamente, como as da medula óssea e do epitélio. Radiólise da água, morte celular, reparação e câncer induzido por radiação Reparação do DNA Reparação correta Reparação incorreta Radiólise da água, morte celular, reparação e câncer induzido por radiação Mutação Pode levar a: Câncer Malformação Aprendendo na Prática Um paciente de 52 anos, sexo masculino, deu entrada no pronto atendimento com queixa de dor abdominal intensa. O médico solicitou uma Tomografia Computadorizada de abdome para investigação diagnóstica. Durante o atendimento, foi verificado no sistema que o paciente já havia realizado: 2 Tomografias de abdome nos últimos 3 meses 1 Tomografia de tórax há 1 mês 1 exame de radiografia abdominal recente O médico decidiu solicitar nova tomografia com contraste, pois suspeitava de complicação inflamatória grave. O tecnólogo em radiologia responsável pelo exame percebeu o histórico de exposições repetidas e ficou em dúvida sobre a realização imediata do exame, considerando os riscos biológicos da radiação ionizante. O profissional então comunicou o médico sobre a dose acumulada, e juntos discutiram a necessidade do exame, avaliando riscos e benefícios. O exame foi realizado com protocolo otimizado para redução de dose. Aprendendo na Prática Você faria o exame? O tecnólogo pode recusar? Existe dose segura? Quem decide a realização? Como evitar exames desnecessários? Aprendendo na prática 1. A exposição repetida à radiação pode causar quais tipos de efeitos biológicos? a) Apenas determinísticos b) Apenas estocásticos c) Determinísticos e estocásticos d) Nenhum efeito 2. O câncer induzido por radiação é considerado efeito: a) Determinístico b) Estocástico c) Agudo d) Imediato Aprendendo na prática 3. A atitude do tecnólogo ao informar o médico sobre a dose acumulada foi: a) Errada b) Desnecessária c) Correta d) Proibida 4. Qual princípio da radioproteção foi aplicado ao otimizar o protocolo? a) Justificação b) Otimização (ALARA) c) Limitação de dose d) Blindagem 5. Qual tecido é mais sensível à radiação? a) Músculo b) Medula óssea c) Osso d) Cartilagem Considerações finais Agora eu queria ouvir de você: O que você aprendeu nessa aula? O que vamos ver na próxima aula? (Conteúdos aqui) Princípios e Técnicas de Proteção Radiológica Princípios fundamentais de radioproteção: justificação, otimização e limitação de dose Limites de dose ocupacional e para o público Instrumentos, técnicas e monitoramento em proteção radiológica Códigos, sinais e terminologias específicas image4.png image2.png image7.png image5.png image9.png image8.png image6.png image10.png image11.png image14.png image13.png image15.png image16.jpg