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HISTÓRIA DA ARQUITETURA 
E URBANISMO IV
ORGANIZADORES BRUNO PEREIRA; SÍLVIA EIDT MONTEIRO
História da Arquitetura e Urbanism
o IV
GRUPO SER EDUCACIONAL
História da arquitetura e urbanismo IV é um livro direcionado para estu-
dantes dos cursos da área de arquitetura e urbanismo.
além de abordar assuntos triviais, o livro traz conteúdo sobre a história da 
arquitetura, o neoclassicismo e as cidades do século XIX, e o modernismo e 
as cidades do século XX.
Após a leitura da obra, o leitor vai compreender os fundamentos da 
arquitetura neoclássica brasileira, como ocorreu a sua formação, de que 
maneira trouxe a noção de civilidade; aprender como eram as cidades no 
período da Revolução Industrial e como as cidades brasileiras se desen-
volveram no século XIX; entender como a estrati�cação social do Brasil 
in�uenciou a arquitetura; conhecer algumas das mais importantes obras 
neoclássicas brasileiras; saber as principais características da arquitetura 
eclética no Brasil; compreender os processos de transformação social e 
urbana pelos quais o país passou a partir da segunda metade do século XIX; 
aprender a in�uência dos urbanistas europeus na formação das cidades 
brasileiras, saber sobre a formação da cidade de Brasília, e muito mais.
Aproveite a leitura do livro. 
Bons estudos!
HISTÓRIA DA 
ARQUITETURA 
E URBANISMO IV
ORGANIZADORES BRUNO PEREIRA; SÍLVIA EIDT MONTEIRO
gente criando futuro
I SBN 9786555581799
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HISTÓRIA DA 
ARQUITETURA E 
URBANISMO IV
Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta publicação poderá ser reproduzida ou 
transmitida de qualquer modo ou por qualquer outro meio, eletrônico ou mecânico, incluindo 
fotocópia, gravação ou qualquer outro tipo de sistema de armazenamento e transmissão de 
informação, sem prévia autorização, por escrito, do Grupo Ser Educacional. 
Diretor de EAD: Enzo Moreira
Gerente de design instrucional: Paulo Kazuo Kato 
Coordenadora de projetos EAD: Manuela Martins Alves Gomes
Coordenadora educacional: Pamela Marques
Equipe de apoio educacional: Caroline Guglielmi, Danise Grimm, Jaqueline Morais, Laís Pessoa
Designers gráficos: Kamilla Moreira, Mário Gomes, Sérgio Ramos,Tiago da Rocha
Ilustradores: Anderson Eloy, Luiz Meneghel, Vinícius Manzi 
 
Pereira, Bruno.
 História da arquitetura e urbanismo IV / Bruno Pereira; Sílvia Eidt Monteiro. – São Paulo: 
Cengage – 2020.
 Bibliografia.
 ISBN 9786555581799
 1. Arquitetura e urbanismo 2. Monteiro, Sílvia Eidt. 
Grupo Ser Educacional
 Rua Treze de Maio, 254 - Santo Amaro 
CEP: 50100-160, Recife - PE 
PABX: (81) 3413-4611 
E-mail: sereducacional@sereducacional.com
“É através da educação que a igualdade de oportunidades surge, e, com 
isso, há um maior desenvolvimento econômico e social para a nação. Há alguns 
anos, o Brasil vive um período de mudanças, e, assim, a educação também 
passa por tais transformações. A demanda por mão de obra qualificada, o 
aumento da competitividade e a produtividade fizeram com que o Ensino 
Superior ganhasse força e fosse tratado como prioridade para o Brasil.
O Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego – Pronatec, 
tem como objetivo atender a essa demanda e ajudar o País a qualificar 
seus cidadãos em suas formações, contribuindo para o desenvolvimento 
da economia, da crescente globalização, além de garantir o exercício da 
democracia com a ampliação da escolaridade.
Dessa forma, as instituições do Grupo Ser Educacional buscam ampliar 
as competências básicas da educação de seus estudantes, além de oferecer-
lhes uma sólida formação técnica, sempre pensando nas ações dos alunos no 
contexto da sociedade.”
Janguiê Diniz
PALAVRA DO GRUPO SER EDUCACIONAL
Autoria
Bruno Pereira
Graduado em Arquitetura e Urbanismo pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná, com estudos 
complementares na Universidad Nacional de La Plata, Argentina. Participou das primeiras fases do 
Archiprix 2017 e do 27° Opera Prima, concursos que reúnem os melhores trabalhos finais de graduação 
em arquitetura. Atualmente cursando Letras na Universidade Tecnológica Federal do Paraná.
Sílvia Eidt Monteiro
Mestre em Arquitetura e Urbanismo pela UniRitter/Mackenzie (2017), graduada em Arquitetura 
e Urbanismo pela Universidade Federal de Santa Maria (2010). Possui especialização em Auditoria, 
Avaliações e Perícias de Engenharia (2014) e especialização em Projetos de Arquitetura e Urbanismo 
em Áreas de Interesse Cultural (2019).
SUMÁRIO
Prefácio .................................................................................................................................................8
UNIDADE 1 - História da arquitetura ..............................................................................................9
Introdução.............................................................................................................................................10
1 Fatos arquitetônicos e urbanos no Brasil ........................................................................................... 11
2 Breve revisão do neoclassicismo ........................................................................................................ 18
3 Introdução do neoclassicismo e seu significado ideológico no brasil ................................................20
PARA RESUMIR ..............................................................................................................................29
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ......................................................................................................30
UNIDADE 2 - Neoclassicismo e as cidades do século XIX .................................................................33
Introdução.............................................................................................................................................34
1 Neoclassicismo como sinônimo de civilização no Brasil ....................................................................35
2 As cidades brasileiras no século XIX ................................................................................................... 43
3 Introdução à arquitetura moderna .................................................................................................... 47
PARA RESUMIR ..............................................................................................................................51
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ......................................................................................................52
UNIDADE 3 - Ecletismo nacional ....................................................................................................55
Introdução.............................................................................................................................................56
1 O ecletismo no Brasil ......................................................................................................................... 57
2 A permanência do ecletismo no século XX ........................................................................................ 66
3 Substituições dos estilos coloniais ..................................................................................................... 76
4 Neocolonialismo ................................................................................................................................ 81
PARA RESUMIR ..............................................................................................................................87
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ......................................................................................................88
UNIDADE 4 - Modernismo e as cidades do século XX ......................................................................91
Introdução.............................................................................................................................................92
1 O modernismohistoriadores da arte, corresponde ao 
Neoclassicismo. A Revolução Industrial trouxe um crescimento desordenado das cidades 
industriais, com a alta migração do campo para a zona urbana.
A economia industrial necessita de um novo aparelhamento de edifícios, como fábricas, 
lojas, depósitos e portos. Aumenta a população nas cidades, o que requer a construção de 
habitações, em números nunca antes vistos. O aumento das funções públicas traz a necessidade 
de edifícios públicos amplos. Cresce o desenvolvimento das vias de transporte por água e terra, 
são construídas estradas mais amplas, canais mais largos e profundos (BENEVOLO, 2009, p. 35).
Além disso, a Revolução Industrial modifica a técnica de construir. Os materiais tradicionais, 
como pedra, tijolos e telhas, passam a ser produzidos de modo racional e a eles juntam-se novos 
materiais, como o ferro, o vidro e, mais tarde, o concreto. Os materiais passam a ser empregados 
de maneira mais conveniente, com estudos sobre sua resistência. Difunde-se o uso de máquinas 
para construir. Surgem escolas especializadas que fornecem profissionais treinados, bem como o 
desenvolvimento da geometria permite que se representem por desenhos, com maior precisão 
os elementos construtivos (BENEVOLO, 2009, p. 35).
De acordo com Frampton (1997, p. 14-15), inúmeros problemas surgiram do crescimento 
FIQUE DE OLHO
Como vimos, muitos são os exemplares de arquitetura Neoclássica no Brasil e não se 
restringem a somente as cidades de Rio de Janeiro e de São Paulo. Para conhecer mais, 
acesse o link nas referências bibliográficas.
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das cidades. Os alojamentos rudimentares dos trabalhadores, amontoados em cortiços, não 
tinham condições adequadas de luz e ventilação, e mostravam carência em espaços abertos, 
além de péssimas instalações sanitárias e de despejo de lixo. Tal situação levou ao acumulo de 
excrementos e lixo e a inundações, o que provocou o primeiro surto de tuberculose, e, depois, 
os surtos de cólera na Inglaterra e na Europa Continental, entre 1830 e 1840. Essas epidemias 
precipitaram reformas sanitárias. Na Inglaterra, a Lei Pública de 1848, tornava as autoridades 
locais responsáveis pelo esgoto, lixo, fornecimento de água, vias públicas, inspeção de matadouros 
e enterros. Medidas semelhantes aconteceram na Paris de Haussmann.
Embora a industrialização tenha iniciado nas cidades da Inglaterra, um destaque se deve a 
Paris do século XIX. As intervenções higienistas realizadas por Haussmann, que repercutiram no 
mundo todo.
O barão Eugéne Haussmann foi o prefeito da cidade de 1853 a 1870 e, nos 17 anos de poder, 
as obras por ele executadas podem ser divididas em cinco, conforme Benevolo (2009, p.98-100):
1. Obras viárias
Foram abertos 95 quilômetros de novas vias no centro e 70 quilômetros na periferia, ao custo 
de pesadas demolições e desapropriações. O núcleo medieval foi cortado maciçamente, sendo 
sobreposto por uma nova malha de ruas largas e retilíneas. Os monumentos mais importantes 
são mantidos e são adotados como ponto de fuga.
2. Construção de novos edifícios públicos nos bairros
Escolas, hospitais, prisões, escritórios administrativos, bibliotecas etc. Ao Estado cabe a 
construção de edifícios militares e pontes. A questão da moradia popular começa a penetrar na 
prática administrativa, ainda que insuficiente para a necessidade.
3. Criação de parques público
Destaque para o Bois de Vincennes e o Bois de Boulogne.
2.2 Brasil no século XIX
O panorama das principais cidades brasileiras do início do século XIX é bem diferente da cidade 
estabelecida no final do mesmo século. Quatro cidades brasileiras acompanharam avidamente 
as fortes mudanças econômicas, político e sociais do século: Rio de Janeiro, São Paulo, Recife e 
Salvador. As demais cidades, processaram as mudanças de forma mais desacelerada. Veremos 
aqui o caso do Rio de Janeiro.
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Durante o século da Independência, do Império e da República, as transformações da 
paisagem urbana foram muitas. Aragão (2017) menciona como se dava a simplicidade da cidade 
tradicional, anterior às influências industriais europeias:
A cidade brasileira do início do século XIX era ainda a cidade tradicional, com as construções 
erguidas lado a lado no alinhamento de ruas tortuosas, acompanhando o sobe-e-desce dos terrenos e 
da topografia do lugar. Era a cidade com ruas de terra ou de pedra, com pouca ou nenhuma iluminação 
pública, sem transporte coletivo, sem água encanada ou sistema de esgoto; a cidade das janelas de 
rótula e dos beirais que protegiam as paredes contra as águas da chuva; a cidade das procissões e 
do sagrado, dos adros das igrejas onde as pessoas se reuniam; a cidade onde os jardins públicos 
constituíam exceções, onde a vegetação ficava atrás dos muros e das casas; cidade das casas térreas 
de porta e janela e dos sobrados de dois, três, quatro, cinco pavimentos. (ARAGÃO, 2017, p. 37-38)
Quanto à cidade do Rio de Janeiro, a vinda da corte portuguesa em 1808, transformando a 
capital colônia em sede do Império, mudou o comportamento dos habitantes e o aspecto físico 
da cidade. A intenção era construir uma espécie de Europa, com graus de civilização compatíveis, 
porém, acabou esbarrando em limites bem definidos. Neste período, aumentou significativamente 
o número de moradores, tanto emigrantes europeus, escravos vindos da África, como habitantes 
de outras cidades (BARRA, 2015, p. 791-792).
Para o “sociólogo alemão Norbert Elias, o conceito de civilização resumiria tudo em que a 
sociedade ocidental, desde o século XVIII, se julgava superior a sociedades mais antigas ou a 
sociedades contemporâneas, porém mais primitivas”. (BARRA, 2015, p.793, apud ELIAS, 1993, p. 
23), porém, a adequação à civilidade europeia encontraria entraves em solo carioca, conforme 
(BARRA, 2015, p.794):
Um aspecto particular do cotidiano do Rio de Janeiro parecia querer macular esse projeto 
civilizatório de matriz europeia: a forte presença negra no espaço urbano da nova capital do Império 
português. Na primeira metade do século XIX a escravidão no Rio de Janeiro estava no seu auge. 
46
O aumento do tráfico era impulsionado pelo aumento do movimento comercial pelo qual passava 
a cidade naquele momento, aliado à mentalidade escravista reinante na sociedade colonial, que 
desprezava toda forma de trabalho manual. O aumento da população branca aumentou a demanda 
por escravos para construir casas e edifícios públicos, assim como para trabalhar como criados 
domésticos. Dessa forma, a presença do negro escravizado no espaço urbano era, mais do que normal, 
vista como necessária. Segundo estimativa de Mary Karasch, entre 1808 e 1850, o Rio de Janeiro teve 
a maior população escrava urbana das Américas (2000, p. 28). Dessa forma, para além da vida na nova 
corte, havia uma forma de sociabilidade distinta. A condição dos negros, livres ou escravos, e demais 
setores subalternos da escala social, era um exemplo das permanências numa época de mudanças e 
dos limites daquele processo civilizador emanado da instalação da corte.
Conforme Aragão (2017, p. 40), em 1821, a cidade do Rio de Janeiro possuía 112.695 
habitantes, o que representa um crescimento superior a 100% em relação ao ano de 1799. Por 
este motivo, o governo intimou proprietários e moradores a desocuparem seus imóveis e cedê-los 
aos funcionários e fidalgos portugueses por meio do decreto da Aposentadoria Real. As inscrições 
P.R. (Príncipe Regente) eram escritas nas portas dos edifícios solicitados.
Na segunda metade do século XIX, difundiram-se, na paisagem urbana do Rio de Janeiro, os 
palácios e os palacetes, construídos por arquitetos de formação, oriundos da Academia Imperial 
de Belas Artes. Até então, as casas eram erguidas por pedreiros e carpinteiros. Assim, a cidade que 
iniciou o século com sobrados tradicionais em ruas sem iluminação, arborização ou calçamento, 
ganhou palacetes com jardins, em ruas arborizadas, iluminadas, calçadas e com rede de esgotoe 
água. No entanto, ganhou também inúmeros cortiços e estalagens como habitação para antigos 
escravos e habitantes com baixa renda (ARAGÃO, 2017, p. 42-43).
Advindas das ideias sanitaristas da Europa, duas melhorias merecem destaque, no século XIX, 
na cidade do Rio de Janeiro: a implantação da rede de esgoto, iniciada em 1862, e a implantação 
do sistema de água encanada, iniciado em 1876. Antes disto, os escravos é que transportavam os 
resíduos de esgoto em barris até as praias, deixando um rastro de sujeira pelo caminho. (ARAGÃO, 
2017, p. 41-42)
Quanto a isso, Santiago (2011, p. 3) comenta que a urbanística moderna no Brasil não difere 
da Europa, contudo, ocorre no final do século XIX e começo do século XX, e, assim, menciona o 
Benévolo (SANTIAGO, 2011, apud BENEVOLO. 1976, p. 135):
Benévolo considera que por volta de 1830 e 1850, na Europa, são dados os primeiros passos 
da urbanística moderna com a experiência dos “defeitos” da cidade, direcionando suas ações para 
eliminação de determinados males: a insuficiência de esgotos, de água potável, a difusão das 
epidemias. Estas ações implicam em outras questões de ordenamento das ações urbanísticas, em que 
os técnicos e higienistas são os precursores das políticas e legislações urbanísticas contemporâneas.
Já no final do século XIX, inicia-se a modernização das cidades brasileiras em prol do 
progresso da sociedade brasileira. Os engenheiros, então, adotam o discurso técnico a favor do 
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de desenvolvimento dos meios de transportes, em especial o de mercadorias, para o escoamento 
da produção. No Rio de Janeiro, surgem as ferrovias até os portos (SANTIAGO, 2011, apud Kropf 
in Herschmann, Kropf e Nunes, 1996, p.76).
3 INTRODUÇÃO À ARQUITETURA MODERNA
As experiências com a arquitetura neoclássica de Andrea Palladio resultaram no I Quattro Libri 
dell’Architettura (tradução: Os quatro livros da arquitetura), um tratado de arquitetura escrito e 
ilustrado por ele mesmo. Mizoguchi e Machado (2006, p. 173) discorrem sobre a interpretação 
deste tratado:
Foi na leitura acadêmica do tratado que os neoclássicos descobriram um ideal de perfeição 
plástica. No entanto, foi numa leitura antiacadêmica do ordenamento espacial palladiano que Le 
Corbusier desenvolveu a Villa Savoye uma lição de refinamento plástico neopalladiano em termos de 
arquitetura moderna.
Obviamente, os estilos históricos de origem europeia não desapareceram de uma hora 
para a outra. A arquitetura moderna é resultado da evolução do pensamento de alguns grupos 
intelectuais brasileiros. Os primeiros sintomas de uma arquitetura brasileira original foram 
surgindo por 1920, quando o movimento neocolonial foi aparecendo. Porém, somente a partir de 
1930 é que a reviravolta começa a acontecer.
A Semana da Arte Moderna de 1922, uma manifestação no ano comemorativo do centenário 
da Independência do Brasil, trouxe ideias de uma ruptura com o passado e independência cultural 
frente à Europa. Pouco refletiu na arquitetura diretamente, porém encabeçou um clima de não 
aceitação dos valores pré-estabelecidos (BRUAND, 2018, p. 62).
Le Corbusier, arquiteto francês, é um dos maiores nomes da arquitetura moderna e forte 
influenciador da arquitetura moderna brasileira. Da sua contribuição ao período podemos extrair 
três pontos principais (BRUAND, 2018, p. 89-91):
O método de trabalho
Adotava os cinco pontos da nova arquitetura: pilotis, terraço-jardim, planta livre, fachada livre 
e janelas na horizontal. Concepção de que a forma deriva da função, admitindo que uma correta 
solução dos problemas funcionais resultaria automaticamente numa boa arquitetura, fazendo o 
uso das mais avançadas técnicas.
A preocupação com os problemas formais
Adepto de formas simples e geométricas, clássicas por excelência, as preocupações assumiam 
um papel preponderante. Exaltava a pureza absoluta, através do jogo de volumes a luz. O emprego 
48
do prisma estava subjugado à satisfação formal.
A valorização dos elementos locais
Seduzido pela natureza tropical, como as palmeiras imperiais e o emprego de espécies locais 
para os terraços do edifício Capanema. Emprego do granito cinza e rosa encontrado na cidade do 
Rio de Janeiro, para uso no piso e nas empenas, sendo contrário à importação generalizada de 
pedras sem necessidade. E emprego de azulejos vindo de Portugal e já utilizados no Brasil.
Utilize o QR Code para assistir ao vídeo:
3.1 Dos estilos classicizantes brasileiros ao modernismo
Há quem conteste que os estilos classicizantes brasileiros - neoclassicismo e o ecletismo - não 
possuíam autenticidade e a arquitetura brasileira só passou a se reafirmar com a chegada do 
modernismo. Conforme Bruand (2018, p. 33):
O panorama oferecido pela arquitetura brasileira por volta de 1900 nada tinha de animador. 
Nenhuma originalidade podia ser entrevista nos numerosos edifícios recém-construídos, que não 
passavam de imitações, em geral medíocres, de obras de maior ou menor prestígio pertencentes a 
um passado recente ou longínquo, quando não eram meras cópias da moda então em voga na Europa.
Até 1930, não existia arquitetura “moderna” na Capital Federal, Rio de Janeiro. A Escola de 
Belas Artes ainda era dominada pelo estilo neocolonial. Em 1928, Lúcio Costa reconheceu ter 
dúvidas deste movimento: “o que chocava instintivamente no movimento moderno era seu 
caráter absolutista, intransigente e o aparente desprezo de seus teóricos por tudo que dizia 
respeito ao passado” (BRUANT, 2018, p. 72).
Reconsiderando a questão, percebeu que existia um denominador comum entre as 
ideias modernistas e as suas, já que eles propunham um programa construtivo coerente, não 
49
desrespeitando o passado como pensava. Esta constatação se deve a visita de Le Corbusier à Escola 
Nacional de Belas Artes, em dezembro de 1925, na qual proferiu uma conferência. Foi, então, que 
Lúcio Costa, impressionado pelas ideias racionalistas de Le Corbusier, viu ali possibilidades de 
expressão e renovação arquitetônica (BRUANT, 2018, p. 72).
Em outubro de 1930 eclodiu uma Revolução no Brasil e Getúlio Vargas tomou o poder. Uma 
das primeiras medidas do novo regime foi a criação do Ministério da Educação e ficou incumbido 
a Lucio Costa a reforma do ensino da Escola de Belas Artes. Lucio Costa foi demitido em setembro 
de 1931, mas, antes disto, obteve sucesso total com os alunos para as novas disciplinas. Sua 
demissão se deu devido à rivalidade entre professores ali criada. A partir daí, tomou-se consciência 
de abandonar a cópia dos estilos do passado (BRUANT, 2018, p. 73-74).
3.2 O começo da Arquitetura Moderna no Rio de Janeiro
Para compreender a súbita eclosão do movimento moderno em 1936, é necessário 
compreender os anos anteriores, de 1931 a 1935, período de maturação de ideias e estudos 
de um grupo de jovens recém-saídos da Escola de Belas Artes, após a passagem frustrada pela 
reforma de Lúcio Costa. Passaram a estudar as realizações dos grandes mestres do racionalismo 
europeu: Gropius, Mies Van der Rohe e Le Corbusier e suas obras viraram uma espécie de livro 
sagrado (BRUANT, 2018, p. 74).
O ano de 1936 foi um marco para a arquitetura brasileira. Houve a visita de Le Corbusier, 
a convite do Ministro da Educação e Saúde, Gustavo Capanema, para assessorar a equipe de 
arquitetos encarregada do projeto do edifício do ministério, que foi concluído em 1943 e se 
tornou um marco na arquitetura modernista brasileira (BRUANT, 2018, p. 81).
Conforme Lissovski e Moraes De Sà (2000, p. 50):
O prédio que resulta dessa iniciativa, inaugurado em 3 de outubro de 1945, e que hoje leva o 
nome de Palácio Gustavo Capanema, tornou-se um marco na arquitetura brasileira. Sua importância 
pôde ser dimensionada ainda no decorrer da construção, e sua repercussão transpôs facilmente as 
fronteias do país.
Podemos atribuir à equipe brasileira que participou do projeto (Lúcio Costa e equipe) as 
características de dinamismo, leveza e riqueza plástica da edificação. A opinião pública viu no 
Ministério uma expressãogenial nacional, apesar da intensa contribuição de Le Corbusier e do 
projeto ser desenvolvido em cima de um croqui seu. A equipe fez uso não só de arquitetos, como 
também do pintor Cândido Portinari, os escultores Bruno Giorgi, Antônio Celso e Jacques Lipchitz, 
e o arquiteto-paisagista Roberto Burle-Marx. Essa interação viria a ocorrer muitas outras vezes. A 
Niemeyer, atribui-se a concepção plástica da edificação de maneira preponderante.
Algumas considerações são necessárias para melhor compreensão deste período como fato 
50
de ter havido uma afirmação notável em profundidade de um novo movimento, o movimento 
moderno. Devemos destacar a evolução paralela de outras manifestações significativas, dos 
autores irmãos Roberto, Atílio Correa Lima e Oscar Niemeyer (BRUANT, 2018, p. 81).
51
Nesta unidade, você teve a oportunidade de:
• conhecer as características da arquitetura neoclássica europeia e a influência da 
arquitetura de Palladio na retomada dos princípios greco-romanos;
• compreender os fundamentos da arquitetura neoclássica brasileira, como se deus 
sua formação no país, de que maneira trazia a noção de civilidade, e algumas edifi-
cações representantes deste período;
• aprender sobre as cidades do período da Revolução Industrial e como se desenvol-
veram as cidades brasileiras do século XIX;
• estudar sobre a substituição dos estilos clássicos pelas ideias racionalistas da arqui-
tetura moderna;
• conhecer a formação da arquitetura moderna brasileira, a influência de Le Corbu-
sier, e o grande marco inicial arquitetônico deste período, a sede do Ministério da 
Educação e Saúde.
PARA RESUMIR
ARAGÃO, S. de. A cidade brasileira e a casa no século XIX. In: Ensaio sobre a Casa 
Brasileira do Século XIX. São Paulo: Blucher, 2017, p. 37 -78.
BARRA, S. H. da S. A cidade corte: o Rio de Janeiro no início do século XIX. In: 1º Colóquio 
Internacional de História Cultural da Cidade Sandra Jatahy Pesavento, 2015, Porto 
Alegre. Anais do 1º Colóquio Internacional de História Cultural da Cidade - Sandra Jatahy 
Pesavento. Porto Alegre: Marca Visual, v. 1, p. 791-805, 2015. Disponível em: http://
www.ufrgs.br/gthistoriaculturalrs/55CDSergiohamiltondasilvaBarra.pdf. Acesso em: 02 
abr. 2020.
BENEVOLO, L. História da Arquitetura Moderna. 4 ed. São Paulo: Perspectiva, 2009.
BRUAND, Y. A Arquitetura Contemporânea no Brasil. 5 ed. São Paulo: Perspectiva, 2018.
FRAMPTON, K. História Crítica da Arquitetura Moderna. 1 ed. São Paulo: Martins Fontes, 
1997.
GOMES PEREIRA, S. A historiografia da arquitetura brasileira no século XIX e os conceitos 
de estilo e tipologia. Estudos Ibero-Americanos. Porto Alegre, v. XXXI, n. 2, p.143-154, 
2005. Disponível em: https://www.redalyc.org/articulo.oa?id=134618596009. Acesso 
em: 22 mar 2020.
HOIRISCH, M.; RIBEIRO, R. T. M. Academia Imperial de Belas Artes: sua criação e seus 
arquitetos. Cadernos de Pós-Graduação Em Arquitetura e Urbanismo. São Paulo, v. 10, 
n. 1-2, p. 252-271, 2010.
LAART. Arquitetura neoclássica no Brasil: história, características e obras famosas., 2019. 
Disponível em: https://laart.art.br/blog/arquitetura-neoclassica-no-brasil/. Acesso em 
02 abr. 2020.
LISSOVSKI, M.; MORAES DE SÀ, P. S. O novo em construção: o edifício-sede do Ministério 
da Educação e Saúde e a disputa do espaço arquiteturável nos anos 1930. In: Capanema: 
o ministro e seu ministério. GOMES, Ângela Maria de Castro. (Org.) 1ed. Rio de Janeiro: 
Editora FGV, 2000
MIZOGUCHI, I.; MACHADO, N. H. N. (Org.) Paládio e o Neoclassicismo. 1. ed. Porto 
Alegre: EDIPUCRS, 2006. Disponível em: https://books.google.com.br/books?id=n8Zk
VfYjTTEC&pg=PA149&lpg=PA151&ots=IFjG2mcMhx&focus=viewport&dq=arquitetura+
neoclassicismo&lr=&hl=pt-BR#v=onepage&q=arquitetura%20neoclassicismo&f=false. 
Acesso em: 02 abr. 2020.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
PESSÔA, J. S. B. Praça do Comércio do Rio de Janeiro. Patrimônio de Influência 
Portuguesa. 2020. Disponível em: https://www.hpip.org/pt/heritage/details/861. 
Acesso em: 02 abr. 2020.
SANTIAGO, Z. M. P. As influências do neoclassicismo na arquitetura brasileira a partir 
da missão francesa. In: A Europa das nacionalidades. 2011, Aveiro. Anais... Aveiro: 
Universidade de Aveiro, 2011. Disponível em: http://www.repositorio.ufc.br/handle/
riufc/12994. Acesso em: 02 abr. 2020
UNIDADE 3
Ecletismo nacional
Introdução
Você está na unidade Ecletismo Nacional. Conheça aqui as principais características 
do ecletismo no Brasil. Saiba como ocorreu o processo de expansão urbana que se 
acelerou após a Proclamação da República. Entenda a importância dos imigrantes para 
a arquitetura que se produziu a partir da segunda metade do século XIX. Saiba como 
as reformas urbanas eram usadas para redefinir a fisionomia das cidades. Aprenda 
como eram as casas brasileiras daquele período. Conheça também alguns exemplares 
significativos da produção eclética nacional.
Bons estudos!
57
1 O ECLETISMO NO BRASIL
No tópico a seguir você irá estudar como a arquitetura eclética se manifestou no Brasil a partir 
da segunda metade do século XX. Para contextualizar o assunto, será apresentada uma breve 
revisão sobre o que é o estilo eclético. Na sequência, apresentaremos um panorama da sociedade 
brasileira que se desenvolvia durante a expansão urbana derivada da industrialização.
1.1 Revisão conceitual do ecletismo
Vamos começar essa unidade definindo o que é o ecletismo. Ecletismo é uma palavra 
que deriva do idioma grego (eklektikos) e significa “seletivo”. De acordo com a Encyclopaedia 
Britannica, o ecletismo é a prática de selecionar doutrinas de diferentes sistemas de pensamento 
sem resolver as contradições entre eles, promovendo uma síntese filosófica. Nas artes, o ecletismo 
surgiu como uma reação à clareza formal e racionalismo promovidos pelo pensamento iluminista.
A arquitetura eclética extrai elementos lexicais de todas as épocas, reinterpretando-os em 
novas composições e tipologias, promovendo uma fusão de linguagens (FABRIS, 1987; 1993). O 
ecletismo era uma espécie de conciliador entre os mais diferentes estilos históricos. Contudo, o 
ecletismo muitas vezes resultou em um pastiche arquitetônico, valendo-se de soluções espaciais 
e compositivas consideradas esdrúxulas.
Cuidado para não se confundir: existe uma distinção entre ecletismo e revivalismo. O 
revivalismo foi um movimento de recuperação das técnicas e saberes utilizados no passado, 
marcado por rigorosa preocupação formal e um conhecimento histórico aprofundado. O estilo 
neoclássico, que você estudou na Unidade 01 deste capítulo, é um tipo de revivalismo. O estilo 
neogótico, com sua preocupação em explicitar as forças estruturais, também é um revivalismo.
O ecletismo, por outro lado, buscava combinar diferentes estilos de diferentes épocas, 
promovendo uma síntese estilística, mas sem o compromisso de elaborar um estilo novo. É uma 
arquitetura historicista, pois recupera formas do passado, incluindo o neoclássico e o neogótico, 
mas apenas com um impulso decorativo. O ecletismo buscava uma interpretação dos sistemas 
compositivos do passado, de acordo com as novas possibilidades tecnológicas.
O que levou ao ecletismo? Tudo começou com a disposição do Iluminismo em reavaliar o 
passado à luz do presente (FABRIS, 1993). A publicação de estudos sobre a arquitetura que se 
produzia no oriente, bem como a disseminação de histórias universais da arquitetura, ampliou 
o leque de referências dos arquitetos (BENEVOLO, 1998). De fato, as opções eram tão vastas 
que um único ateliê de arquitetura produzia, ao mesmo tempo, edifícios ao gosto neoclássico, 
neogótico, rural ou urbano, medieval ou renascentista. Os arquitetos sentiram-se livres para 
relativizar a tradição e os cânones em sua profissão.
58
Lembre-se também de que no século XIX o mundo vivia o entusiasmo com a Revolução 
Industrial. Realizavam-se exposições internacionais que disseminavam novas tecnologias 
e ocorriam em espaços de arquitetura efêmera, que geralmente estavamna vanguarda da 
tecnologia. Os exemplares mais importantes são o Palácio de Cristal, em Londres, um edifício 
de aço e vidro com mais de 500 metros de comprimento e a Torre Eiffel, em Paris, com seus 
300 metros de altura. Esse tipo de arquitetura permitiria a exploração de novas possibilidades 
construtivas, derivadas da pré-fabricação.
1.2 Aspectos políticos e sociais do Brasil no século XIX
Agora, vamos ver como era o nosso país na época do ecletismo. O Brasil do final do século XIX 
já tinha uma economia mais aberta, em comparação ao período colonial. Havia uma importante 
camada social formada por profissionais liberais, tais como médicos, engenheiros e advogados, 
nas grandes cidades. Surgia uma mentalidade liberal de fortalecimento da iniciativa privada. 
A busca por um futuro civilizado e otimista estava fincada no tripé positivista de urbanidade, 
progresso e industrialização (SCHWARCZ, 2011).
Porém, o fim da Monarquia e sua substituição pela República não extinguiu o perfil 
oligárquico da sociedade, uma herança do período colonial. O Brasil, tal como agora, era repleto 
de ambiguidades e contradições. Era uma República cujas hierarquias sociais excluíam negros, 
mulheres e pobres da participação política. A vida social brasileira continuaria profundamente 
marcada pela escravidão, que condicionou aspectos culturais e urbanos e naturalizou a violência 
(SCHWARCZ; STARLING, 2015).
A visão grandiosa que se tinha da nova república convivia com um panorama marcado pela 
repressão política e social, pelo trabalho ambulante e pela maquiagem da pobreza através do 
higienismo social. O desenvolvimento urbano nas cidades brasileiras continuou marcado pela 
sobreposição de camadas sociais, ao invés da esperada “marcha evolutiva” para o progresso 
FIQUE DE OLHO
As transformações urbanas impostas pela Revolução Industrial levaram a acalorados 
debates sobre o futuro da cidade. Autores como Balzac e Dickens produziram uma extensa 
obra literária expondo as mazelas da cidade industrializada. A “grande cidade” se tornou 
sinônimo de desolação, repulsa e morbidez. Os artistas voltaram-se para uma natureza 
idealizada como contraponto à desolação da vida urbana, criando o Romantismo, movimento 
no qual o neogótico se inseriu. O neogótico surgiu como uma alternativa à rigidez formal do 
neoclássico, mas não teve grandes repercussões no Brasil.
59
civilizatório (SCHWARCZ, 2011).
A Revolução Industrial, naquele momento, tinha apenas repercussões indiretas no Brasil, que 
continuava sendo um país agrário. A monocultura do café se tornava a nova base econômica, 
ditando os rumos da política e permitindo a ascensão de uma nova elite. O Brasil republicano 
nada mais era do que um ajuntamento de facções estaduais que disputavam o poder político e o 
controle da máquina governamental. Durante as décadas seguintes à proclamação da República, 
paulistas e mineiros se revezariam na presidência. Esse ciclo seria interrompido apenas em 1930, 
com a ascensão de Getúlio Vargas.
1.3 Imigração
A abolição da escravatura, em 1888, desorganizou a atividade econômica brasileira, 
dependente da mão-de-obra escrava. Para substituí-la, os governos divulgavam campanhas para 
atrair imigrantes poloneses, alemães, espanhóis, italianos, portugueses e, a partir do século XX, 
FIQUE DE OLHO
Dicas de obras literárias em língua portuguesa que ajudarão você a ter uma visão mais 
abrangente dos hábitos e costumes entre 1889 e 1930:
A cidade e as serras, de Eça de Queirós (1901): publicada postumamente, a obra satiriza a 
dicotomia campo X cidade, comparando a vida pacata no interior de Portugal com o agito de 
Paris, e mostrando como o deslumbramento pelo progresso tecnológico pode descambar 
para a futilidade.
Os sertões, de Euclides da Cunha (1902): uma das grandes epopeias da língua portuguesa, 
escrita a partir do trabalho jornalístico do autor na Guerra de Canudos, faz um complexo 
retrato do violento choque entre a suposta civilização (representada pelo exército 
republicano) e o atraso rural (na figura de Antônio Conselheiro e seus seguidores).
Triste fim de Policarpo Quaresma, de Lima Barreto (1911): através da trajetória do 
protagonista, um patriota excêntrico nos moldes de Dom Quixote, o autor faz uma crítica 
mordaz da sociedade brasileira após a proclamação da República, em 1889.
Éramos seis, de Maria José Dupré (1943): a obra acompanha a trajetória de uma família de 
classe média da cidade de São Paulo tendo como pano de fundo as transformações políticas 
e culturais que ocorreram entre a Primeira Guerra Mundial e o fim do Estado Novo, na 
década de 1940.
60
japoneses. O continente americano, como um todo, recebeu milhões de imigrantes europeus, 
atraídos por oportunidades de trabalho remunerado e ascensão social em países que estavam em 
franca expansão econômica. Brasil, Estados Unidos, Canadá e Argentina receberam os maiores 
contingentes. Os imigrantes recriariam, nos trópicos, seus costumes, o que se estendeu da 
gastronomia à arquitetura, e fariam alterações importantes no perfil demográfico desses países 
(SCHWARCZ, 2011).
No Brasil, a maioria dos imigrantes ficou concentrada na região centro-sul, devido ao auxílio 
econômico oferecido pelo governo. Os imigrantes que se estabeleceram no Sul começaram a 
cultivar a terra em pequenas propriedades rurais adquiridas a prazo. No Sudeste, eles foram 
absorvidos para o trabalho em grandes propriedades cafeeiras e, posteriormente, nas fábricas. 
Atraídos pela promessa de enriquecimento através do trabalho autônomo em propriedades 
agrícolas, esses imigrantes acabaram ludibriados por grandes proprietários rurais, que apenas 
queriam substituir a mão-de-obra escrava (FAUSTO, 2013).
A abolição da escravidão e a chegada dos imigrantes representaram um salto qualitativo na 
arquitetura brasileira. Muitos desses imigrantes eram exímios construtores, e dominavam técnicas 
construtivas que não existiam no Brasil, contribuindo para diversificar a produção arquitetônica.
1.4 Pré-fabricação: a indústria chega à arquitetura
A arquitetura brasileira do século XIX ampara-se em duas correntes de pensamento: o 
positivismo, que intencionava industrializar o país e apresentá-lo à modernidade; e o ecletismo, 
que conciliava os estilos anteriores com as novas tecnologias. Segundo Reis Filho (2000), o 
ecletismo foi um fenômeno formal que facilitou o avanço tecnológico do Brasil, substituindo o 
empirismo pela pré-fabricação. O canteiro de obras era substituído pelas escolas de nível superior 
como local de aprendizagem das técnicas construtivas.
A pré-fabricação possibilitou que os arquitetos adquirissem uma ampla variedade de materiais 
por meio de catálogos, disponibilizados pelas indústrias norte-americanas e europeias. A pintura 
de paredes incorporaria moldes com desenhos padronizados. Varandas e escadas de ferro, além 
de artefatos de concreto, seriam largamente utilizadas nas construções. Esses elementos pré-
fabricados seriam incorporados aos equipamentos urbanos, no calçamento dos passeios, em postes, 
quiosques e coretos, como você pode ver na imagem “Biblioteca Icoaraci em Belém do Pará”.
A industrialização possibilitou que mesmo os mais complicados desenhos pudessem ser 
reproduzidos a um baixo custo, bastando um molde para produzir um número indefinido de 
peças com a mesma qualidade. A excelência formal já não dependia dos esforços artesanais de 
um ateliê de artistas. Além disso, duas características impregnam a arquitetura desse período: o 
desenho estrutural que não obedece ao desenho natural, sugerindo formas não reais; e o uso de 
revestimentos que imitam outros materiais.
61
Figura 1 - Biblioteca Icoaraci em Belém do Pará. 
Fonte: Shutterstock, 2020
#ParaCegoVer: vista frontal de uma construção eclética. O telhado é inclinado em duas águas 
e o acesso é feito por duas escadarias dos lados direito e esquerdo.
Apesar desses avanços, até a década de 1940 a indústria brasileira não teria condições de 
atender todo o mercado nacional. A importaçãocontinuaria sendo cara e acessível aos mais ricos, 
e aqueles que não pudessem pagar por esses materiais continuariam a atualizar suas construções 
sobre as tradicionais estruturas de taipa de pilão (REIS FILHO, 2000).
1.5 Expansão urbana
O poder burguês e a civilização industrial substituíram a nobreza como grande clientela 
dos escritórios de arquitetura. As elites emergentes queriam incorporar o gosto europeu aos 
palácios públicos e institucionais e às suas próprias residências. Buscava-se ambientar a estética 
dos edifícios produzidos na Europa à paisagem brasileira. Os espaços públicos eram vistos como 
vitrines do novo poder político e econômico. Ao mesmo tempo, as oportunidades profissionais na 
FIQUE DE OLHO
As primeiras indústrias no Brasil surgiram na década de 1840, com a construção de linhas 
ferroviárias, e a, partir de 1860, passaram a se concentrar na região centro-sul, aumentando 
muito a partir da década de 1880. São Paulo consolidou sua vocação industrial, recebendo 
cada vez mais imigrantes, especialmente de origem italiana. E, por essa razão, a classe 
operária e os sindicatos ganharam protagonismo a partir de São Paulo.
62
indústria, no comércio e no funcionalismo público atraíam cada vez mais pessoas para as cidades 
(REIS FILHO, 2000).
As cidades de São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte definiriam o eixo político e econômico 
da república e seriam palco de grandes transformações urbanas. Se o Rio de Janeiro incorporou o 
estilo francês, São Paulo seria marcada pela influência italiana.
São Paulo deixava de ser apenas um entreposto comercial para se tornar a metrópole do café 
com aspecto europeu. O tripé do desenvolvimento da cidade seria formado pela diversificação 
agrícola, urbanização e trabalho industrial (FAUSTO, 2000). A Avenida Paulista se tornou a 
vitrine do poder econômico dos chamados barões do café, com seus chalés e mansões de estilo 
afrancesado (a maioria deles demolidos e substituídos por edifícios de escritórios, quando a 
avenida se tornou o centro financeiro da cidade). Um dos principais articuladores entre o gosto 
europeu das elites paulistas e uma nova produção arquitetônica foi o engenheiro-arquiteto 
Ramos de Azevedo.
Belo Horizonte foi a primeira capital planejada do país, como uma tentativa de unificar as 
oligarquias que disputavam o poder no Estado e evocar as utopias republicanas. A cidade apresenta 
um desenho cenográfico, com largas avenidas e praças que emolduravam os imponentes palácios 
governamentais. Havia uma hierarquia: de um lado, estações ferroviárias, comercio e hospitais; 
do outro, teatro, escolas e os edifícios do governo. A inspiração para o desenho urbano foi a 
capital dos Estados Unidos, Washington.
Outras capitais brasileiras que, até meados do século XIX não tinham grande importância 
política, começaram a se modernizar com o ecletismo. Em Curitiba, o ciclo da erva mate possibilitou 
a construção de luxuosos palacetes, como o Palacete Leão Junior e o Solar do Barão. No norte 
do país, o eixo da borracha atraiu muitos imigrantes e contribuiu para a formação de núcleos 
urbanos prósperos. Em uma década, a população de Belém dobrou, passando de 50 mil para 96 
mil habitantes. Segundo Fausto (2013), o ciclo da borracha estabeleceu um “sonho transitório de 
riqueza” no norte brasileiro. De fato, no seu apogeu a borracha, chegou a ocupar o segundo lugar 
nas exportações brasileiras. Essa pujança econômica serviu para modernizar alguns aspectos da 
vida na Amazônia, como a introdução de luz elétrica, telefone e água encanada e a construção 
de imponentes edifícios públicos, mas não foi capaz de debelar a pobreza nem contribuiu para 
diversificar a economia.
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1.6 Casas ecléticas
As novas concepções urbanísticas relativas ao saneamento ambiental contribuiriam para 
libertar as construções dos limites do lote. As ruas já não seriam mais definidas pelas casas, como 
ocorria durante o período colonial. A entrada da casa era transferida da frente para a lateral. 
As casas passaram a ser implantadas no centro do lote, dando protagonismo inédito a todas as 
elevações. Os espaços externos eram preenchidos com ajardinamento e incorporados ao espaço 
familiar, de modo que os jardins com edículas se tornavam extensões das casas (IMAGUIRE 
JUNIOR, 1999). Com isso, a altura dos porões diminuía para aproximar a casa do jardim. Essas 
transformações foram ocorrendo aos poucos.
Três fatores contribuiriam para que as casas brasileiras progressivamente passassem a adotar 
esse novo tipo de implantação, REIS FILHO (2000):
• A decadência do trabalho escravo;
FIQUE DE OLHO
O repúdio ao período colonial não foi uma característica exclusiva da arquitetura produzida 
no Brasil do século XIX. Na Argentina, Buenos Aires foi transformada numa das metrópoles 
mais elegantes do hemisfério sul, sendo eventualmente apelidada de “Paris da América 
do Sul”, em parte pela demolição de centenas de construções do período da colonização 
espanhola e sua substituição por palacetes inspirados no beaux-arts, no art nouveau e 
em diversos historicismos. Tal como no Brasil, os imigrantes desempenharam um papel 
fundamental no aprimoramento técnico da construção.
64
• o início da imigração europeia e o desenvolvimento do trabalho remunerado;
• a expansão da malha ferroviária.
• De que maneira eles se relacionam?
Lembre-se de que os escravos formavam uma mão-de-obra precária, sem treinamento. A 
substituição dos escravos pelos imigrantes possibilitou a incorporação de uma mão-de-obra 
especializada e altamente qualificada que, em troca de remuneração, produziria uma arquitetura 
mais bem-acabada. Esses imigrantes também introduziram novos hábitos de morar que seriam 
copiados pelos brasileiros. Além disso, as novas funcionalidades como água e esgoto encanados 
facilitavam o trabalho doméstico, reduzindo a demanda pela mão-de-obra escrava.
As estradas de ferro seriam as grandes responsáveis em disseminar as inovações tecnológicas 
para lugares mais distantes, seja por meio do transporte de novos maquinários para o interior, 
seja por meio das revistas, manuais e catálogos. Essas publicações conquistariam o público, 
trazendo “a última moda em Paris” ao alcance das mãos. Até mesmo a arquitetura rural assumiria 
feições urbanas, copiando o estilo dos palacetes burgueses das cidades (REIS FILHO, 2000).
A planta das casas ecléticas costumava ser articulada por um corredor que ligava a sala da 
frente com os fundos. As demais dependências da casa, como quartos e cozinha, abriam para esse 
corredor. Nas casas das famílias mais ricas, essa articulação passaria a ser feita por um saguão.
As novas residências incorporavam os confortos proporcionados pela indústria, como 
calefação, água encanada, luz elétrica e mobiliário refinado. As alcovas sufocantes e mal 
iluminadas seriam substituídas por quartos bem arejados, com aberturas que permitiam sua 
iluminação natural. A introdução dos banheiros contribuiria para melhorar a higiene das casas 
(REIS FILHO, 2000).
Nas casas ecléticas, o alpendre é o grande articulador entre o espaço externo ajardinado e 
o interior da residência, como você pode ver na imagem “Casa em Petrópolis”. Como havia um 
desnível entre o solo e o pavimento principal, o alpendre era acessado por uma pequena escada e 
era contornado por um guarda-corpo de ferro bem ornamentado. Nos alpendres, se desenrolava 
parte importante da vida social das famílias (REIS FILHO, 2000).
Os novos tipos de telhados, dispostos sobre armações do tipo tesoura, substituíam a telha 
capa e canal pela telha marselha, e eram resolvidos com a ajuda de calhas, condutores e manilhas 
(que também recebiam elementos decorativos). Esses novos telhados exigiam uma inclinação 
maior, dando um aspecto europeu à casa. Em alguns casos, os lambrequins, peças ornamentadas 
de madeira, enfeitavam os telhados e alpendres nas casas, que se inspiravam nos chalés europeus. 
Na maioria dos casos, os telhados eram arrematadospor platibandas com balaustradas ou 
platibandas cheias com elementos decorativos de massa.
65
Figura 2 - Casa em Petrópolis. 
Fonte: Shutterstock, 2020
#ParaCegoVer: casa elevada porão. O acesso é feito por uma escada. Na lateral esquerda, um 
alpendre cuja estrutura é de ferro forjado.
A taipa de pilão era progressivamente substituída pela alvenaria de tijolos. As paredes 
externas recebiam elementos decorativos feitos com massa. Ambientes como cozinha e banheiro 
eram revestidos com ladrilho hidráulico; salas e dormitórios recebiam papel de parede. A 
padronização dos tijolos e, por consequência, da largura das paredes, levaria à padronização de 
portas (geralmente de duas folhas) e janelas, articulados por ferragens de boa qualidade. Os 
vidros eram ornamentados com motivos florais ou geométricos (REIS FILHO, 2000).
O uso de assoalhos feitos de madeiras serradas com junção do tipo “macho e fêmea”, 
ou de um tipo mais refinado conhecido como parquet, que possibilitavam um acabamento 
superior, substituiu os antigos assoalhos de tábuas largas e imperfeitas, que demandavam uma 
manutenção semanal. Como consequência direta, começavam a ser utilizados tapetes e móveis 
de fino acabamento. Os forros, por sua vez, podiam ser de madeira estreita ou estuque, para os 
ambientes sociais da casa (REIS FILHO, 2000).
Além de maior conforto e salubridade, as casas ecléticas distinguiam-se de estilos anteriores 
porque eram ‘densamente ornamentadas’, e esse aspecto cumulativo e não excludente é uma 
característica inerente ao ecletismo (IMAGUIRE JUNIOR, 1999). Louças, talheres, candelabros, 
tapeçaria e papéis de parede importados substituiriam a austeridade dos tempos coloniais.
Elementos de ferro forjado e ferro fundido se multiplicavam pelas casas. Eram usados na 
estrutura das casas (vigas, colunas); no aparelhamento dos jardins (bancos de jardim, estufas); 
nas escadas e portões; e na ornamentação de janelas e alpendres. A qualidade desses elementos, 
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especialmente dos portões e grades, era um indicativo da posição social dos moradores da casa 
(REIS FILHO,2000).
A arquitetura eclética era um meio de expressão da posição social de seu proprietário. 
Contudo, assim como ocorria com os palacetes neoclássicos, os palacetes burgueses ecléticos 
estabeleceram uma tendência estética, que foi incorporada pela população menos endinheirada. 
Seria uma produção eclética mais diluída e vernácula. Em uma cidade cada vez mais povoada por 
trabalhadores da indústria, também apareceram as casas enfileiradas ao longo de um terreno 
profundo, abertas para um pátio e com instalações sanitárias de uso comum (REIS FILHO, 2000).
2 A PERMANÊNCIA DO ECLETISMO NO SÉCULO XX
No tópico a seguir, você irá ver como o ecletismo continuou a orientar a produção arquitetônica 
no Brasil nas primeiras décadas do século XX. Primeiro, vamos ver como as reformas urbanas 
foram utilizadas pelo poder público para modernizar as cidades e as implicações sociais que elas 
tiveram. Na sequência, veremos como as casas continuaram a incorporar o vocabulário eclético. 
Por fim, trataremos do início do processo de verticalização das cidades brasileiras.
2.1 Reformas urbanas
Entre 1880 e 1930, houve um acelerado processo de industrialização e urbanização do Brasil. 
A população crescia a uma taxa de 2,5% ao ano (SCHWARCZ; STARLING, 2015). A Primeira Guerra 
Mundial acelerou esse movimento pela necessidade de substituição de importações que se 
estabeleceu. As cidades brasileiras se atualizavam com tecnologias construtivas e um incremento 
populacional extraordinário sobre uma configuração urbana totalmente obsoleta.
A Paris, que emergiu das reformas urbanas de Haussmann, seria a inspiração de outras grandes 
cidades, da outrora asteca Cidade do México às coloniais Buenos Aires e Rio de Janeiro, com a 
construção de bulevares, jardins públicos, teatros, cafés e lojas de departamento. Os parques 
urbanos e jardins públicos também incorporaram o ecletismo, reproduzindo modelos como o 
barroco francês. Contudo, as reformas urbanas eram meramente estéticas, apenas introduzindo 
alguns melhoramentos técnicos, e resultaram em cidades modernizadas pela metade.
Por ser a capital federal, o Rio de Janeiro serviria de vitrine para os projetos governamentais 
de embelezamento e regeneração urbanos, tal como na época em que era a capital imperial. 
Três metas foram estabelecidas: modernizar o porto; sanear a cidade; e promover uma reforma 
urbana; projetos liderados por Lauro Müller, Oswaldo Cruz e Pereira Passos, respectivamente.
A palavra regenerar nos faz deduzir que havia algo degenerado; e para as elites locais, 
influenciadas pela ciência determinista, os pobres, os escravos libertos e a herança colonial eram 
símbolos dessa degeneração, desse Brasil que eles consideravam execrável. Assim, o governo 
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expulsou essas populações que viviam no centro histórico e demoliu centenas de exemplares 
da arquitetura colonial. O projeto de reforma urbana incluía a demolição de cortiços e hotéis 
baratos; a expulsão dos pobres que viviam na região central para os subúrbios; e a construção de 
uma ampla avenida nos moldes da Champs Elysées em Paris.
A palavra regenerar...
...nos faz deduzir que havia algo degenerado; e para as elites locais, influenciadas pela 
ciência determinista, os pobres, os escravos libertos e a herança colonial eram símbolos dessa 
degeneração, desse Brasil que eles consideravam execrável. Assim, o governo expulsou essas 
populações que viviam no centro histórico e demoliu centenas de exemplares da arquitetura 
colonial. O projeto de reforma urbana incluía a demolição de cortiços e hotéis baratos; a expulsão 
dos pobres que viviam na região central para os subúrbios; e a construção de uma ampla avenida 
nos moldes da Champs Elysées em Paris.
Coordenado pelo prefeito Pereira Passos, esse projeto tinha, na abertura da Avenida Central, 
o espelho da modernidade almejada pelas elites brasileiras. Era uma avenida composta por 
edifícios ricamente ornamentados. As fachadas da recém-inaugurada Avenida Central eram 
uma declaração da vontade pública em modernizar a capital do país e fazer dela uma vitrine 
das aspirações nacionais. Apesar de essa avenida ter sido amplamente desfigurada ao longo do 
século XX, ainda existem alguns exemplares notáveis construídos naquela época, como a Câmara 
Municipal; o Teatro Municipal; e a Biblioteca Nacional.
Um dos críticos mordazes desse progresso cenográfico foi o escritor Lima Barreto, que 
debochava do luxo e da ostentação do Teatro Municipal do Rio de Janeiro, que era celebrado 
pelas elites intelectuais, mas não despertava nenhum interesse nas camadas populares. O 
fortalecimento da imprensa contribuiria para explicitar essas mazelas que as elites tentavam 
disfarçar, através de reformas urbanas meramente cosméticas.
FIQUE DE OLHO
Vale lembrar que as reformas promovidas em Paris, por Haussmann, foram divididas em 
cinco eixos: obras viárias (urbanização das periferias e abertura de artérias); construção de 
edifícios públicos (escolas, hospitais, bibliotecas) utilizando o repertório eclético; criação 
de parques públicos; obras de estruturação sanitária, como aquedutos e redes de esgoto; 
e a modificação da sede administrativa da cidade, que incorpora comunas e descentraliza 
funções administrativas (BENEVOLO, 1998).
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2.2 Teatros como símbolos de poder
Se, no período colonial, ter sotaque lusitano era sinal de prestígio, no Brasil republicano, 
falar francês elevava o status social. Naquele final de século, conhecido como belle époque, 
Paris era considerada a capital do mundo, com seus bulevares, cafés e teatros. Essa influência 
era vista nos hábitos de comer, de se vestir e na própria arquitetura. Nossas elites admiravam 
a cultura francesa. Se o Palácio Garnier, sede da ópera de Paris, era considerado um símbolo da 
arquitetura e da civilização francesas, obviamente a construção de teatros substituiria as igrejas 
como símbolos máximos dessa era, seja em Manaus ouno Rio de Janeiro. No ecletismo, o teatro 
se tornou aquilo que as igrejas foram para o barroco: o palco de experimentações e inovações 
formais, construtivas e estilísticas.
A integração do Brasil com o resto do mundo, iniciada em 1808, continuaria a todo vapor 
após a Proclamação da República, em 1889. As elites brasileiras viam no teatro uma síntese da 
civilização europeia, e acreditavam que, construindo uma arquitetura inspirada na belle époque 
francesa, contribuiriam para apresentar ao mundo um país supostamente mais civilizado. Como 
capital da República, o Rio de Janeiro seria palco de um vasto projeto de embelezamento urbano. 
Um dos slogans desse processo era “O Rio civiliza-se”. Isso mostra o desprezo que as novas elites 
tinham pelo passado colonial, considerado responsável pelo atraso.
Um dos edifícios mais imponentes que resultaram dessas reformas urbanas era – e ainda 
é – o Teatro Municipal do Rio de Janeiro (que você pode ver na imagem “Theatro Municipal do 
Rio”). Sua tipologia arquitetônica é inspirada na Ópera de Paris e apresenta elementos clássicos 
e barrocos, como o frontão não triangular e uma profusão de adornos como gárgulas. A maioria 
dos materiais como mármore, ferro fundido e cobre foram importados da Europa. Os vitrais e 
mosaicos foram elaborados por artesãos europeus.
Figura 3 - Theatro Municipal do Rio. 
Fonte: iStock, 2020
#ParaCegoVer: vista frontal de um teatro com diversos elementos decorativos dourados. A fachada 
é composta por um pórtico sobre uma escadaria, com uma cúpula de cobre em cada extremidade.
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Essa europeização rapidamente adentrou o território nacional. Durante muitos anos, São 
Paulo foi apenas um entreposto comercial, sem muita importância no interior do território 
brasileiro. A coroa portuguesa considerava aquela região pobre e habitada por pessoas sem 
cultura. A maioria das construções era de taipa de pilão. A arquitetura que se produzia ali não era 
imponente porque não havia uma base econômica que desse suporte a essa demanda (BASSANI; 
ZORZETE, 2014).
Contudo, a expansão da economia cafeeira durante o século XIX enriqueceu as elites locais, que 
decidiram mostrar ao país que a antiga vila agora era uma metrópole cosmopolita e diversificada. 
Elas fizeram isso erguendo um imponente teatro num terreno de amplas perspectivas na região 
do Vale do Anhangabaú. Além de seu propósito de enobrecimento da cidade, a construção do 
teatro era vista como um excelente impulsionador da urbanização da região central.
O Theatro Municipal de São Paulo mistura elementos do barroco, do neoclássico e da art 
nouveau, constituindo um perfeito exemplar do ecletismo brasileiro. Projetado pelo escritório 
de Ramos de Azevedo, também teve como inspiração a Ópera de Paris. A maioria dos elementos 
decorativos foram importados da Europa. Porém, é importante lembrar que nem todo o material 
utilizado na sua construção veio da Europa. Algumas peças e trabalhos artísticos foram elaborados 
na própria região de São Paulo, e por artistas locais.
Figura 4 - Theatro Municipal de São Paulo. 
Fonte: iStock, 2020
#ParaCegoVer: vista frontal de um teatro com diversos elementos decorativos dourados. As 
aberturas são arqueadas e obedecem a um ritmo constante. A foto foi tirada à noite, de modo que o 
edifício está bem iluminado.
No Norte do Brasil, a emergência de uma elite econômica, que enriqueceu com o ciclo da borracha, 
permitiu o aprimoramento da vida urbana, como você já estudou nessa unidade. Tal como no Rio de 
Janeiro e em São Paulo, o teatro foi utilizado para representar a pujança econômica e o poder político 
locais. A imagem “Teatro Amazonas” mostra como essa riqueza se materializou na arquitetura.
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Figura 5 - Teatro Amazonas. 
Fonte: iStock, 2020
#ParaCegoVer: vista frontal de um teatro. Ele está sobre um pódio cujo acesso se dá por meio de 
duas escadarias laterais. O edifício apresenta um pórtico de frontão arqueado projetado da fachada.
Inaugurado em 1896, o Teatro Amazonas apresenta decoração fitomórfica de inspiração art 
nouveau, mas sua concepção geral é de inspiração renascentista. Introduziu inovações técnicas como 
a estrutura de aço importada da Escócia e uma cúpula com mais de 36 mil peças importadas da 
França. Os elementos decorativos apresentam motivos que exaltam o progresso e a civilização, como 
a impressionante pintura de teto intitulada “A glorificação das Bellas Artes da Amazônia” e esculturas 
homenageando compositores europeus como Mozart e Verdi.
2.3 Casas ecléticas no século XX
A crescente demanda por residências, que se expandiu vertiginosamente após a proclamação 
da República, criou um mercado imobiliário que transformaria a fisionomia das cidades. Bairros 
planejados começariam a ser construídos, inspirados nas garden cities inglesas. As classes mais ricas 
queriam se afastar do adensamento dos centros urbanos, mas sem abrir mão do conforto.
Construídas em bairros do subúrbio, as casas ecléticas no início do século XX faziam uma síntese 
entre o estilo de morar das chácaras com as comodidades das residências urbanas (REIS FILHO, 
2000). As fachadas dessas casas recebiam a ornamentação característica do art nouveau. Torreões ou 
lanternins eram muito comuns para indicar o domínio sobre a paisagem.
Haveria um aperfeiçoamento cada vez maior de soluções que já vinham sendo adotadas aos 
poucos, desde a segunda metade do século XIX, como a implantação centralizada e os jardins. O jardim 
frontal e a implantação centralizada seriam definitivamente absorvidos pela arquitetura brasileira, 
como mostra a imagem “Palacete Leão Junior”, uma residência eclética de Curitiba. Contudo, segundo 
Reis Filho, as casas construídas no início do século XX se destacam mais pelo aperfeiçoamento 
construtivo do que por transformarem a fisionomia das cidades.
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Fonte: Schutterstock, 2020
#ParaCegoVer: um palacete com uma escadaria conduzindo à entrada principal. É um edifício 
ornamentado, na cor azul, arrematado por uma platibanda balaustrada. As aberturas são arqueadas e 
moduladas de acordo com as pilastras.
A ascensão da burguesia inaugurou uma espécie de culto à privacidade. Imaguire Junior (1999) 
explica que, graças a setorização de ambientes, existiam três tipos de privacidade nas casas burguesas:
• Espaços de sociabilidade (salões). 
• Espaços de inviolabilidade (quartos), que não apresentavam uma conotação sexual, pois 
eram usados pelos donos apenas para dormir e se reproduzir. 
• Espaços de intimidade relativa (gabinetes), uma invenção eclética, concebido como um 
ambiente para fumar, ler e receber alguns amigos mais íntimos. 
O banheiro também é uma inovação eclética. Ter um banheiro era um indicativo de posição social, 
pois exigia a aquisição de dutos, peças de louça e metal e esgotamento sanitário. As peças eram de 
louça e ferro esmaltados. O banheiro, além de ser um espaço dedicado para a nudez, foi concebido 
como um espaço para a limpeza e o embelezamento, derivados da preocupação burguesa com a 
reserva e o autocontrole (IMAGUIRE JUNIOR, 1999). Assim, até o final da Primeira Guerra Mundial, já 
estava estabelecido o modelo arquitetônico e urbanístico utilizado até hoje no Brasil.
72
2.4 Exemplos da arquitetura eclética brasileira
A seguir listamos alguns importantes edifícios ecléticos:
Estações de trem:
• Estação da Luz (São Paulo, 1901)
Trata-se de um edifício retangular constituído de dois corpos – administrativo e as plataformas 
– e uma torre de 50 metros de altura, distribuídos em sete mil metros quadrados que fazem 
uma mistura compositiva entre ferro e alvenaria. O setor administrativo é feito de alvenaria de 
tijolos aparentes e é marcado pelas pilastras, cornijas e torreões. As plataformas são cobertas por 
uma estrutura de aço que vence um vão de quase 40 metros e foi importada da Escócia. Outros 
elementos construtivos como as telhas cerâmicas e o madeiramento também foram importados.
• Estação Júlio Prestes (1938)
Construída para escoar a produção cafeeira que vinha do interiorde São Paulo, teve sua 
construção atrasada em quase uma década pela crise de 1929. A inspiração neobarroca da obra 
veio do ecletismo produzido nos Estados Unidos. Atualmente abriga uma das mais importantes 
salas de concertos do país, a Sala São Paulo.
FIQUE DE OLHO
O ecletismo também contribuiu para a formação de um novo tipo de sociabilidade, de forte 
inspiração francesa. Os salões ornamentados dos palacetes burgueses se tornaram locais 
de inserção social e demonstração de poder e prestígio, através das festas e jantares que 
ali eram promovidas. A hegemonia cultural da Europa tornava inevitável a incorporação 
dos costumes europeus na arquitetura, na moda e na alimentação. As hierarquias sociais 
passavam a ser estabelecidas pelo vestuário. As empregadas tinham um traje específico, que 
as diferenciava dos patrões.
73
Figura 6 - Estação da Luz. 
Fonte: iStock, 2020
#ParaCegoVer: em primeiro plano, dois torreões de alvenaria com uma cobertura metálica logo 
atrás; sob essa cobertura estão estacionados dois trens urbanos. Mais ao fundo, no lado esquerdo, 
uma torre mais alta que todo o conjunto com um relógio.
Edifícios institucionais:
• Castelo Fiocruz (1905)
Idealizado pelo médico e sanitarista Oswaldo Cruz para substituir as instalações do Instituto 
Soroterápico Federal, onde seriam produzidas as vacinas, remédios e pesquisas na área de saúde 
pública. Trata-se de um palacete em estilo neomourisco, projetado pelo engenheiro-arquiteto 
português Luiz Moraes Junior, no alto de uma colina, numa antiga fazenda na cidade do Rio de Janeiro. 
Utilizou como referências o Palácio de Montsouris, em Paris, o Castelo de Alhambra, na Espanha, e a 
Sinagoga de Berlim.
Edifícios públicos:
• Paço Municipal de Curitiba (1916)
Construído em alvenaria de tijolos sobre uma base de cantaria, incorpora elementos decorativos 
de inspiração neoclássica e do art nouveau, como as formas curvilíneas das esquadrias de madeira, 
das marquises e do portão de ferro da entrada principal. É o único bem da cidade tombado pelo 
patrimônio nacional. No passado foi sede da prefeitura, e posteriormente de um museu. Atualmente 
abriga um centro cultural com salas de exposições e um café.
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Figura 7 - Paço Municipal de Curitiba. 
Fonte: iStock, 2020
#ParaCegoVer: edifício compacto ornamentado, com uma torre sobressaindo no meio da fachada. 
Em primeiro plano uma praça com calçamento de pedra portuguesa formando desenhos geométricos 
abstratos em preto e branco
Edifícios comerciais:
• Edifício Nicolau Ely (1922)
Com quase oito mil metros quadrados, distribuídos em quatro andares, é uma das principais 
construções ecléticas de Porto Alegre. Foi projetado pelo arquiteto alemão Theodor Wiederspahn, 
por encomenda de um importante comerciante local, cujo nome batiza o edifício. Com elementos 
como cúpulas, janelas estreitas e uma rica ornamentação das fachadas, enquadra-se na vertente 
neorrenascentista do ecletismo brasileiro.
Edifícios industriais:
• Mercado Municipal de São Paulo (1933)
Projetado por Ramos de Azevedo, é um edifício de concreto e alvenaria, com mais de 12 mil metros 
quadrados. Os torreões laterais, bem como as colunas, abóbodas e aberturas arqueadas preenchidas 
com vitrais mesclam elementos neoclássicos e neogóticos;
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Figura 8 - Mercado Municipal de São Paulo. 
Fonte: iStock, 2020
#ParaCegoVer: um amplo pavilhão com vários quiosques; o teto é nervurado e possui uma 
claraboia que ilumina o interior.
Residências:
• Palacete Conde de Sarzedas (1895)
Também conhecido como o “Castelinho do Amor”, este imóvel foi inspirado nos castelos europeus 
da Idade Média. Localizado no topo de um morro, na época da construção permitia a visualização de 
todo o Vale do Tamanduateí. Atualmente abriga o Museu do Tribunal de Justiça de São Paulo.
• Castelo do Batel
Inspirado nos castelos do Vale do Loire, na França, foi projetado para ser a residência de um rico 
cafeicultor que viajava pela Europa. Apresenta os típicos elementos de um castelo renascentista: 
torreão cilíndrico, portais de arco pleno e mansardas. O trabalho de ornamentação foi feito por 
profissionais oriundos da Suíça e Alemanha, e os materiais foram importados da França e da Bélgica. 
Mais tarde, serviu como residência do governador do Paraná e também abrigou as instalações de um 
canal de televisão. Atualmente serve como um centro de eventos.
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3 SUBSTITUIÇÕES DOS ESTILOS COLONIAIS
As apostas no progresso foram para o ralo com a eclosão da Primeira Guerra Mundial, em 1914, 
que mostrou o quanto o Brasil ainda era um país subserviente e isolado. Caberia ao Modernismo, 
a partir da Semana de 1922, catalisar mudanças mais profundas na cultura brasileira. Ao romper 
com as tradições, o modernismo condenaria ao opróbrio os estilos anteriores, apagando estratos da 
arquitetura em nome da reinvenção da sociedade.
Contudo, o modernismo não foi uma ruptura repentina. Os estilos art nouveau e art deco seriam 
as primeiras expressões de ruptura contra a reprodução de modelos históricos, pois privilegiavam a 
liberdade e a fantasia individuais, contrapondo-se ao aos estilos tradicionais (BENEVOLO, 1998). A 
arquitetura industrial, produzida naquele período, também representaria a busca por uma arquitetura 
mais funcional e despojada, e a verticalização das cidades brasileiras representaria o triunfo do 
modernismo sobre os demais estilos. Veremos um pouco mais sobre esses aspectos na sequência.
3.1 Art nouveau
O art nouveau foi um estilo de arquitetura inspirado nas formas da natureza, com o uso de curvas 
e sinuosidades. Além da arquitetura, influenciou a decoração de interiores, a tipografia e as artes 
visuais. Trata-se de um estilo que teve pouca representatividade no Brasil, sendo, na maioria das vezes, 
adaptado ao ecletismo vigente.
Uma das principais obras nesse estilo é a Vila Penteado, encomendada ao arquiteto Carlos Eckman 
por uma família de cafeicultores de São Paulo. No Rio de Janeiro, as Casas Franklin impressionam 
pelas aberturas com desenho em forma de pavão, com uma águia arrematando o conjunto. Na região 
amazônica, o Mercado Ver-o-Peso de Belém apresenta uma estrutura metálica importada da França 
com desenho art nouveau; e em Manaus, o Teatro Amazonas apresenta elementos decorativos 
77
claramente inspirados nesse estilo. No Sul do Brasil, o pórtico do Cais Mauá em Porto Alegre pode ser 
classificado como uma estrutura em estilo art nouveau. Em Curitiba, o Palácio Belvedere destaca-se no 
ponto mais alto do centro histórico da cidade, tanto pela sua posição centralizada em uma praça como 
pelo desenho dinâmico de suas portas, janelas e varandas e pelos ornamentos de madeira do telhado.
3.2 Arquitetura industrial
A arquitetura industrial começou a despontar na paisagem urbana brasileira no final do século 
XIX, na transição do Império para a República, quando o Brasil ainda era um país predominantemente 
rural, e se disseminou a partir da Primeira Guerra Mundial, com a redução da entrada de capital 
estrangeiro. As fábricas destacam-se na paisagem de muitas cidades com sua arquitetura arrojada, 
geralmente estruturas metálicas envelopadas por uma alvenaria de tijolos enegrecidos pela fuligem. 
Diferentemente das estações de trens, ricamente ornamentadas, as instalações industriais tendiam a 
ser mais simples e austeras, para reduzir custos e compensar a falta de mão de obra especializada. Seu 
programa respondia a uma natureza de uso claramente funcional (KÜHL, 2008). Contudo, obedeciam 
ao esquema colonial, sendo construídas até os limites das vias públicas, com janelas alteadas e 
telhados ocultos por platibandas (REIS FILHO, 2000).
Em tempos recentes, antigas estruturas industriais têm sido reconfiguradas para novos usos, como 
é o caso do antigo Matadouro Municipal de São Paulo (que você pode ver na imagem “Matadouro”). 
Após um processo de restauro, os galpões passaram a sediar a Cinemateca Brasileira.
Fonte: Schutterstock, 2020
#ParaCegoVer: galpõesindustriais em tijolo aparente.
Uma das figuras proeminentes do capitalismo industrial no Brasil foi o empresário Francesco 
Matarazzo. Imigrante italiano, fundou as Indústrias Reunidas Fábricas Matarazzo (IRFM), um complexo 
que chegou a empregar mais de 30 mil pessoas na produção de alimentos, tecidos e óleos. Algumas 
das mais impressionantes instalações fabris já construídas no Brasil pertenciam às IRFM.
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3.3 Arranha-céus: a verticalização eclética
No início do século XX, as possibilidades estruturais do concreto armado começam a ser exploradas 
mais amplamente. Com o aumento populacional, as cidades começaram a ser verticalizadas. Além 
disso, com a crescente separação entre local de moradia e trabalho, começam a pipocar pela paisagem 
das cidades brasileiras os edifícios comerciais, que abrigavam bancos, jornais e repartições públicas. 
Esses edifícios seguiam as características dos sobrados coloniais com a incorporação de alguns 
confortos tecnológicos da arquitetura residencial. E, assim como ocorreu com as residências e as 
fábricas, os novos edifícios eram implantados sobre os mesmos esquemas urbanos rígidos e obsoletos 
do período colonial (REIS FILHO, 2000).
Os avanços tecnológicos proporcionados pelo concreto armado permitiriam a construção dos 
primeiros arranha-céus brasileiros, a maioria deles em São Paulo. Contudo, os primeiros exemplares 
dessa nova tipologia eram concebidos como palacetes, “envelopados” com elementos decorativos 
que de certo modo disfarçavam as ousadias estruturais, como você pode ver na imagem “Edifício 
Martinelli”. Como exemplares do ecletismo aplicado a essa tipologia arquitetônica, estão o Palacete 
Riachuelo, o Edifício Sampaio Moreira e o Edifício Martinelli, todos inaugurados até o início da década 
de 1930.
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Figura 9 - Edifício Martinelli. 
Fonte: iStock, 2020
#ParaCegoVer: coroamento de um edifício com o uso de mansardas.
O Edifício Sampaio Moreira (1924) é considerado o primeiro arranha-céu da capital paulista, com 
doze pavimentos e cerca de 50 metros de altura. Sua fachada, em estilo neobarroco, foi inspirada 
nos edifícios norte-americanos. O Palacete Riachuelo (1928) pode ser classificado como de inspiração 
neogótica, mesclado com elementos inspirados nas construções medievais inglesas. O Edifício 
Martinelli (1929), um dos maiores edifícios da América do Sul até a década de 1930, apresenta 
embasamento em granito avermelhado e coroamento em mansarda. O edifício é ornamentado com 
espelhos e papéis de parede belga e possui 40 quilômetros de molduras de gesso em arabesco. Além 
desses luxuosos acabamentos, apresenta portas de pinho-de-riga, escadas de mármore de Carrara, 
louça inglesa e elevadores suíços (BASSANI; ZORZETE, 2014).
Somente a partir da década de 1930 que estes edifícios começariam a ser despojados de qualquer 
frivolidade ornamental. O trabalho de arquitetos como Gregori Warchavchik e Flávio de Carvalho 
foi pioneiro em dar uma nova orientação à arquitetura de concreto armado no Brasil. A partir dos 
anos 1930, o concreto armado se tornaria protagonista das obras de arquitetura, e o Brasil seria uma 
referência mundial em seu uso.
3.4 Art déco
O art déco é o estilo que melhor representa o entusiasmo com as inovações e possibilidades da 
tecnologia. Apesar de ter sua origem na Europa, os arranha-céus de Nova York, como os edifícios 
Chrysler e o Empire State, são as obras máximas desse estilo. Assim como o art nouveau, influenciou 
o design de interiores, as artes plásticas e as artes gráficas. Os navios seriam uma das principais fontes 
de inspiração para o estilo art déco.
No Brasil, o art déco foi difundido a partir da obra de artistas como Victor Brecheret e do decorador 
80
suíço John Graz. Em termos cronológicos, o apogeu do art déco no Brasil ocorreu nos anos 1930, mas 
continuou se manifestando até os anos 1950. Em comparação com o art nouveau, o art déco tem uma 
presença muito mais robusta na paisagem urbana brasileira (CORREIA, 2008).
A arquitetura art déco é mais despojada de ornamentos em comparação aos estilos anteriores, 
exibindo elementos decorativos mais disciplinados e simplificados. A composição art déco é mais 
geométrica e hierarquizada, e revela uma preocupação maior com a volumetria do que com a fachada, 
promovendo uma setorização do edifício em base, corpo e coroamento, elementos geralmente 
escalonados. Os edifícios art déco eram projetados para abrigar usos mistos, com o térreo utilizado 
para fins comerciais e os demais pavimentos destinados a apartamentos (CORREIA, 2008).
O despojamento ornamental do art déco foi um fator determinante para a sua grande aceitação 
no Brasil, pois barateava o custo da construção. Isso explica por que é um estilo presente nos mais 
diferentes programas arquitetônicos, como residências, edifícios de uso misto e estruturas fabris, além 
de monumentos.
O Rio de Janeiro é considerada a capital art déco na arquitetura brasileira. Alguns exemplares 
interessantes são a Estação Central do Brasil, que você pode ver na imagem abaixo, e os edifícios A 
Noite e Serrador. A estátua do Cristo Redentor, no morro do Corcovado, é um dos símbolos da cidade 
e do estilo art déco no Brasil.
Figura 10 - Central do Brasil. 
Fonte: iStock, 2020
#ParaCegoVer: uma torre branca com um relógio no alto. Em primeiro plano existe um amplo 
gramado com uma palmeira do lado direito.
Em outras cidades brasileiras, o art déco também tem exemplares significativos, como 
o Edifício Moreira Garcez, em Curitiba; e o Edifício Sulacap, em Salvador. Contudo, nem só de 
grandes edifícios se fazia art déco no Brasil. A Biblioteca Mário de Andrade, o Estádio do Pacaembu 
81
e o Viaduto do Chá, todos em São Paulo; e o Cine Brasil, em Belo Horizonte, são exemplares 
fundamentais da linguagem art déco aplicada em outros programas urbanos.
3.5 Legado do ecletismo
A maioria das críticas ao ecletismo partem de dois fatores: a falta de cultura artística das 
burguesias que enriqueciam ao longo do século XIX; e a pré-fabricação que permitiu que 
os arquitetos apenas copiassem elementos a partir de catálogos de firmas especializadas. 
Conforme explica Benevolo (1998), durante o auge dos estilos neoclássico e neogótico, a adesão 
dos arquitetos ao cânone academicista era convicta; no ecletismo, essa adesão era “incerta e 
duvidosa”.
É importante dizer que o ecletismo brasileiro é atípico porque homenageia um passado que 
não existiu aqui. A arquitetura eclética brasileira é um espelho da matriz europeia. Não houve 
uma Antiguidade Clássica, um Renascimento e um gótico brasileiros, de modo que qualquer 
referência a esses modelos é importada da cultura europeia. O Brasil republicano tinha como 
lemas o progresso, indústria, capital e modernização, de modo que não se pode dizer que a 
substituição da herança colonial por uma miríade de referências europeias seria apenas um 
“complexo de inferioridade” das elites brasileiras (FABRIS, 1993). Era um anseio de integrar o país 
aos avanços da civilização industrial, tendo os Estados Unidos como modelo político e a Europa 
como modelo cultural.
Os críticos do ecletismo consideram-no um estilo repleto de penduricalhos ornamentais, 
altamente personalista, mas desprovido de alma. Contudo, muitos dos arquitetos do ecletismo 
também reprovavam a mera reprodução, desejando a liberdade de usar novos materiais 
construtivos e interpretar os estilos do passado segundo seus próprios critérios. Além disso, 
naquela época ressurgiu a preocupação com a formação cientifica dos arquitetos, treinando-os 
não apenas para o desenho, mas para a construção. E talvez o maior mérito desse estilo tenha 
sido introduzir inovações tecnológicas que seriam assimiladas pela cultura brasileira.
O ecletismo é um estilo de legado ambíguo. Celebra a diversidade e a multiplicidade, e não 
vê com simpatia as ideias de unidade e do absoluto. Seria uma inequívoca manifestação das 
possibilidades da civilização industrial ou apenas umpastiche para agradar uma burguesia inculta 
que era facilmente impressionável?
4 NEOCOLONIALISMO
O neocolonial foi um estilo arquitetônico e uma das primeiras manifestações de ganho de 
consciência por parte dos brasileiros de que o país possuía originalidade e identidade própria 
na sua arquitetura - a tal legitimidade tão perseguida pelos nacionalistas. Este fenômeno foi 
82
de fundamental importância para a posterior instalação do modernismo no país, que, como 
visto anteriormente, adquiriu, como um dos seus três elementos principais, a valorização dos 
elementos locais.
Conforme Bruand (2018, p. 58) alguns dos pioneiros da nova arquitetura brasileira, como os 
arquitetos Lucio Costa, Attílio Correa Lima, Paulo Antunes Ribeiro e Raphael Galvão, passaram pela 
fase neocolonial antes de se tornarem discípulos de Le Corbusier. Sem isto, certas particularidades 
do movimento racionalista brasileiro não poderiam ser explicadas. Até mesmo o arquiteto Oscar 
Niemeyer, que não utilizou formas do passado, admitia a influência da arte colonial.
4 1 A retomada do colonialismo brasileiro
A retomada de elementos coloniais brasileiros nasceu de um debate sobre os rumos que a 
arquitetura brasileira tomou com o estilo neoclássico e, posteriormente, com o ecletismo. Estilos 
estes que marcaram os principais edifícios públicos, hospitais, escolas e palacetes da época do 
império à primeira republica – meados do século XIX e início do século XX. Sobre este tema, o 
arquiteto Lúcio Costa observou:
(...) a controvérsia entre o “falso colonial” e o “ecletismo dos falsos estilos europeus” (que chegou 
ao seu ponto crítico logo após 1920) pode hoje parecer uma discussão infantil sobre o sexo dos anjos. 
Os partidários das duas teorias não percebiam as profundas modificações que a revolução industrial 
havia causado na vida contemporânea, nem os novos problemas que os arquitetos seriam chamados a 
resolver, a fim de dar uma resposta adequada às necessidades do homem. Ora, a arquitetura jamais foi 
e jamais será uma arte pela arte; ela está intimamente ligada às necessidades materiais da civilização 
que a faz nascer e da qual é um dos signos mais evidentes; ela não pode ignorar essas necessidades, 
sob pena de perder toda a sua autenticidade e qualquer valor duradouro. Por conseguinte, o debate 
puramente formal que tinha sido instaurado era totalmente acadêmico, e não abria qualquer 
perspectiva nova. (BRUAND, 2018, p. 52)
Entre 1900 e 1930, a arquitetura do Brasil passou por uma fase em que os estilos se 
justapuseram, principalmente os estilos classicizantes, o neoclássico e o ecletismo, e, em menor 
escala, os estilos medievais e art nouveau. Já na segunda república – que teve início com a 
Revolução de 1930, instaurando a Era Vargas – houve uma notável retomada, ou valorização, 
da arquitetura luso-brasileira e uma crescente busca por uma arquitetura que representasse os 
pensamentos do período. Uma das grandes contribuições deste período foi o amplo estudo dado 
a arquitetura colonial, colaborando na conservação do patrimônio artístico.
Sobre este retorno no tempo e sobre o comentário de “falso colonial” de Bruand (2018, 
p. 58) conclui-se que o neocolonialismo foi essencialmente um retorno nostálgico ao passado. 
Empregou, de modo diferente, os elementos antigos e suas variantes, porém não foi considerado 
um estilo criativo, independente, pois as tendências arqueológicas predominaram. Sobretudo, 
critica-se que havia um desconhecimento dos princípios básicos e da diversidade da arquitetura 
83
luso-brasileira dos séculos XVII e XVIII.
Houve, ainda, uma mistura de gêneros, não se diferenciando a arquitetura laica da religiosa, 
nem foram consideradas as diferenças regionais existentes. Houve um uso excessivo da forma 
decorativa e uma mistura do repertório utilizado nas construções ricamente ornamentadas. Um 
exemplo são os ornamentos das igrejas da Bahia e do Pernambuco, do período colonial, que se 
observam replicados em edifícios de finalidade totalmente diversa. (BRUAND, 2018, p. 58)
Uma inevitável artificialidade surgiu nessa confusão e uma fuga do propósito de trazer soluções 
a problemas contemporâneos. Compreende-se que foram construídas em estilo neocolonial as 
igrejas, as casas e palácios, no entanto, edificações com novas funções na cidade industrial, como 
os prédios de escritórios, ou de apartamento, as fábricas e outros edifícios de cunho industrial 
ganharam a mesma ornamentação, quando seria muito mais autêntico receberem novas soluções 
e não caírem em um simples capricho estético de natureza erudita. (BRUAND, 2018, p. 58). Ainda 
assim, o neocolonialismo produziu obras de grande valor estético e existentes até hoje, como a 
edificação do atual Museu Histórico Nacional, dos arquitetos Memória e Cuchet, e o Instituto de 
Educação de Bruhns e Cortez, ambos no Rio de Janeiro.
4.2 Arquiteto do neocolonialismo
Os percursores do estilo neocolonial foram dois estrangeiros que moravam em São Paulo, 
Ricardo Severo e Victor Dubugras, respectivamente de origem portuguesa e francesa. Ricardo 
Severo, nascido em 1869, em Lisboa, mas criado na cidade do Porto, veio para o Brasil após uma 
conspiração para derrubar a monarquia em Portugal. Aqui, tornou-se sócio e sucessor de Ramos 
de Azevedo. Possuía grande cultura e era muito ligado à arquitetura tradicional portuguesa, 
principalmente a do norte. Portanto, para ele, buscar inspiração nos modelos da sua terra natal 
era algo natural.
De acordo com Kessel (2002, p 114-115), Ricardo Severo participava de uma série de 
conferências que ocorriam em 1914 e, em uma de suas participações, proclamou um discurso 
que é considerado o marco inicial da arquitetura neocolonial no Brasil. Ocorreu na conferência 
intitulada “A arte tradicional no Brasil: a casa e o templo”, lida em 20 de julho de 1914 na Sociedade 
de Cultura Artística de São Paulo, cujo sumário expressa a intenção didática e militante do autor:
De como deve compreender-se a arte tradicional. Quais as manifestações da arquitetura 
tradicional no Brasil. Seus fundamentos étnicos e históricos; a arte portuguesa; meio de formação, 
características, estilo. A arquitetura no Brasil durante os séculos XVIII e XIX. Formas típicas: a villa, a 
casa urbana, o palácio e o templo. Arquitetura externa: telhados, portas, janelas- gelosias e rótulas. 
Arquitetura interna: plantas e detalhes. Valor estético destes elementos arquitetônicos nacionais. 
Necessidade de promover o renascimento das fórmulas tradicionais para constituição de uma ARTE 
BRASILEIRA.
84
Além do discurso, ele deu o exemplo, construindo para si próprio e para alguns clientes, casas 
no estilo neocolonial, todas já demolidas nos dias de hoje. As mais notáveis foram duas casas do 
próprio arquiteto, uma em São Paulo e outra no litoral, em Guarujá (1922), e a residência Numa 
de Oliveira, localizada na Av. Paulista. (BRUAND, 2018, p. 52)
Os elementos de origem portuguesa observados nessas residências são as varandas 
sustentadas por colunas toscanas, telhados planos com largos beirais, feitos de telha canal e com 
uma telha em forma de pluma virada para cima no vértice, além de rótulas e muxarabis de origem 
muçulmana. Porém, essas casas não possuíam o costumeiro esquema simples e volumétrico que 
se encontrava nos séculos anteriores. Estas jogavam com os volumes, com recuos progressivos 
nos pavimentos acima. Na época colonial, não era visto o grau de refinamento aqui alcançado e, 
por isso, suas obras eram consideradas modernas, mas evocavam intensamente uma arquitetura 
do passado (BRUAND, 2018, p. 53).
Victor Dubugras, por sua vez, atuava de maneira diferente, devido sua origem francesa. Era 
notado que não conhecia em detalhes a arquitetura luso-brasileira. Seu espírito eclético e inovador 
fazia com que utilizasse várias fontes de inspiração. Ele não se preocupava em utilizar os exatos 
materiais da época colonial ou de reproduzir, de maneira sistemática, um repertório decorativo e 
fiel. Limitava-se a certo parentescono Brasil .................................................................................................................... 93
2 As cidades brasileiras no século II ...................................................................................................... 97
PARA RESUMIR ..............................................................................................................................103
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ......................................................................................................104
O livro História da arquitetura e urbanismo IV traz ao leitor, além de informações 
básicas da área, o conteúdo parcialmente descrito a seguir em suas quatro unidades.
Dando início, a primeira unidade apresenta o desenvolvimento da morfologia 
urbana das cidades brasileiras a partir do século XIX e a arquitetura resultante dela. O 
leitor terá conhecimento dos aspectos sociais, econômicos e culturais que se cruzaram 
na formação urbana, sobre como o neoclassicismo chegou ao Brasil, e algumas das 
principais obras arquitetônicas produzidas nesse movimento.
A segunda unidade trata do contexto e da história dos fatos arquitetônicos e 
urbanos no Brasil durante o século XIX. A origem da arquitetura neoclássica, como 
ela foi inserida no Brasil, os arquitetos, o desenvolvimento das cidades do século XIX, 
as influências, e o início da modernização na arquitetura e no urbanismo também são 
retratados aqui.
Na sequência, a terceira unidade aborda as características do ecletismo no Brasil. 
Serão explicados no texto fatores como o processo de expansão urbana após a 
Proclamação da República, a importância dos imigrantes para a arquitetura, as reformas 
urbanas, as casas brasileiras daquele período, e alguns exemplares significativos da 
produção eclética nacional.
Concluindo a obra, a quarta e última unidade trata do contexto e dos fatos 
arquitetônicos e urbanos no Brasil durante o século XX. A arquitetura neocolonial, 
alguns dos arquitetos que se destacaram no período, as cidades brasileiras, as 
influências da vanguarda europeia, e a cidade de Brasília também são assuntos 
abordados nesta unidade.
A leitura na íntegra deste livro faz que o leitor compreenda de forma simples os 
principais fundamentos da história da arquitetura e urbanismo.
Agora é com você! Sorte em seus estudos!
PREFÁCIO
UNIDADE 1
História da arquitetura
Olá,
Você está na unidade História da Arquitetura e Urbanismo IV. Conheça aqui como se 
desenvolveu a complexa morfologia urbana das cidades brasileiras a partir do século XIX 
e a arquitetura que se produziu. Serão analisados como os aspectos sociais, econômicos 
e culturais se interseccionam na formação urbana, para que você possa ter uma clara 
compreensão do significado da produção arquitetônica neoclássica para o Brasil e sua 
relação com as produções posteriores.
Descubra como o neoclassicismo chegou ao nosso país, seu significado ideológico e como 
ele influenciou o estilo das construções. Conheça também algumas das principais obras 
arquitetônicas produzidas nesse movimento.
Bons estudos!
Introdução
11
1 FATOS ARQUITETÔNICOS E URBANOS NO BRASIL
No tópico a seguir, você terá a oportunidade de estudar como as cidades brasileiras 
se desenvolveram ao longo do século XIX. Será feito um apanhado geral das principais 
transformações sociais e urbanas em nosso país e a arquitetura que resultou dessas mudanças. 
Essas transformações serão analisadas ao longo das próximas unidades desta disciplina.
1.1 Brasil colônia
O século XIX marca a expansão da arquitetura civil no Brasil. Até então, a maioria das 
encomendas eram de edifícios religiosos, que seguiam as linhas do barroco e do rococó. Outras 
obras de destaque eram aquedutos, fontes públicas e as chamadas casas de câmara e cadeia. Um 
estilo particular, conhecido como arquitetura bandeirante, se desenvolveu durante o século XVIII 
em regiões mais interioranas, mas sem grandes repercussões.
A maioria da população vivia próxima ao litoral, e o imenso interior era escassamente povoado. 
O clima quente e a falta de uma estruturação sanitária adequada facilitavam a proliferação de 
doenças nas cidades. Embora o Brasil fosse uma colônia autossuficiente, não havia indústrias e 
manufaturas e a economia era dependente da exportação (SCHWARCZ, 2011). Apesar de uma 
relativa unidade geográfica, não havia o compartilhamento sistemático de informações dentro do 
território, em parte, devido à precária comunicação, mas, também, porque Portugal considerava 
a circulação de ideias uma ameaça ao seu poder sobre a colônia.
No início do século XIX, Portugal não era mais o império poderoso que impulsionou as Grandes 
Navegações. Enfraquecida economicamente e subordinada à influência do governo britânico, que, 
por sua vez, estava em guerra com a França, Portugal acabou invadida por Napoleão Bonaparte, 
obrigando a sua nobreza a fugir para o Brasil, sua colônia no continente americano. Na condição 
de colônia, o Brasil não tinha autonomia para diversificar sua economia e desenvolver o ensino 
superior, que fomentaria uma produção cientifica para dar suporte a um aparato industrial.
1.2 De colônia à reino e depois Império
A transferência da família real portuguesa para o Rio de Janeiro em 1808 é o catalisador das 
transformações que o Brasil sofreu a partir do século XIX. O Brasil encontrado pela corte portuguesa 
era majoritariamente pobre, analfabeto e vivia em condições precárias. A base econômica 
dependia da exploração da natureza e da agricultura de exportação. O trabalho escravo estava 
profundamente enraizado na sociedade, dos grandes latifúndios às cidades, contaminando-a com 
o patrimonialismo e o autoritarismo, características marcantes da sociedade brasileira e ainda 
presentes em nossos dias (SCHWARCZ, 2011).
Após se beneficiar do isolamento político e econômico a que submeteu o Brasil por três 
12
séculos, a coroa portuguesa seria forçada a iniciar na nova sede do reino àquilo que alguns 
estudiosos chamam de processo civilizatório (ELIAS, 1993). Em 1815 a colônia é elevada à 
condição de reino e os hábitos e costumes da corte portuguesa começaram a ser copiados pelas 
famílias que viviam aqui. Essa influência se estendeu ao modo de se vestir, à alimentação e à 
própria arquitetura.
A abertura dos portos, em 1808, promovida por D. João VI, deu início a um longo processo 
de integração do Brasil ao resto do mundo, permitindo a expansão das técnicas e saberes 
que chegavam da Europa com mais facilidade e rapidez. A construção de estradas e ferrovias 
e a implantação de linhas fluviais para escoar a matéria-prima extraída no interior contribuiria 
para integrar o próprio território nacional. Além disso, pela primeira vez, o governo autorizava 
a instalação de algumas manufaturas (ferro, tecido etc.). Em 1822, então, o Brasil declara sua 
independência de Portugal, e é instalado o regime imperial.
A monarquia constitucional, estabelecida após a independência, permitiu que o Brasil vivesse 
um período longo de estabilidade política e econômica. O imperador D. Pedro II era um entusiasta 
das artes, mantendo contato com pesquisadores estrangeiros, patrocinando instituições culturais e 
oferecendo bolsas de estudo no exterior para estudantes da Escola de Belas Artes (SCHWARCZ, 2011).
Em geral, durante o século XIX, a expansão urbana das cidades brasileiras acontecia a partir 
do loteamento de antigas chácaras e matagais, sem um planejamento criterioso. Por exemplo, 
até a primeira metade do século XIX, São Paulo era apenas um vilarejo inexpressivo por onde 
passavam importantes rotas para o escoamento de matérias-primas em direção ao litoral. Apenas 
a partir da primeira metade do século XX, com a industrialização e o intenso fluxo migratório, a 
cidade experimentaria um crescimento vertiginoso, passando de apenas seis mil habitantes na 
década de 1820 para mais de 200 mil na virada do século (BASSANI; ZORZETE, 2014).
1.3 Missão artística francesa e o neoclassicismoformal, sem jamais se ater ao respeito de princípios absolutos 
(BRUAND, 2018, p. 53),
Dubugras passou a adotar o novo estilo a partir de 1915, após o discurso de Ricardo 
Severo e sua campanha a favor do neocolonial. Era visto também como uma oportunidade de 
sucesso, mas não estava disposto a romper com o estilo adotado anteriormente. São dele os 
projetos da escadaria da Ladeira da Memória, no centro da cidade de São Paulo, e o conjunto de 
monumentos comemorativos do centenário da Independência, na antiga estrada que vai para 
Santos, construídos em 1922. A primeira foi executada quando Washington Luís era prefeito 
de São Paulo e o segundo quando era governador do Estado (BRUAND, 2018, p. 53). Dubugras, 
ainda, reformou o Largo da Ladeira da Memória, introduzindo um novo chafariz, um pórtico com 
azulejos, escadarias e bancos circulares. Com estilo neocolonial, o projeto valorizou o obelisco 
de 1814.
85
Figura 11 - Escadaria da Ladeira da Memória, São Paulo. Projeto de Victor Dubugras 
Fonte: Schutterstock, 2020
#ParaCegoVer: Na imagem, uma escadaria em formato orgânico, tons pastéis, revestida de 
pedra, com chafariz desligado ao meio e obelisco. Pode-se observar edifício alto do outro lado da rua, 
pedestre passando na calçada em frente a escadaria, arvores ao fundo e céu azul.
Nos dois monumentos ele usou azulejos desenhados por Wasth Rodrigues, desenhista e grande 
conhecedor da arquitetura colonial, e retomou elementos clássicos da arquitetura luso-brasileira, 
como as varandas, os balcões, os telhados planos de telhas-canal com largos beirais, os lintéis nas 
janelas e os frontões com pináculos, este último herdados da arquitetura religiosa. Somado a isto, 
acrescentou formas que já utilizava antes, como os arcos-plenos de coloração romana, curvas nos 
degraus das escadas ou das muretas das varandas, as quais lembram o art nouveau. Utilizava a pedra 
bruta e escura, de modo irregular, conferindo um aspecto pesado, com grande contraste à cor clara do 
reboco usado na arquitetura portuguesa (BRUAND, 2018, p. 53).
É visível a mistura de estilos, preconizada por Dubugras que, junto a Ricardo Severo, foi um dos 
pioneiros em utilizar elementos da arquitetura luso-brasileira no Brasil. Esta volta ao período colonial 
não agradou tanto a cidade de São Paulo, já que somente alcançou prosperidade muito depois, com a 
exploração do café no século XIX e não carregava boas lembranças do período colonial.
Embora tenha iniciado em São Paulo, foi no Rio de Janeiro que o estilo neocolonial deixou mais 
marcas, já que esta, sim, se orgulhava deste passado. Bastou a elite intelectual da Capital Federal 
tomar ciência do movimento iniciado por Ricardo Severo e tomar consciência do valor da arquitetura 
luso-brasileira que se iniciou o cenário perfeito para sua instalação.
José Mariano Filho, um crítico de arte e teórico, foi o grande influenciador do período no Rio de 
Janeiro. Sua paixão pelo tema e sua fortuna pessoal fizeram com quem ele elaborasse um concurso 
público, a ser julgado pelo Instituto Brasileiro dos Arquitetos em 1921, e que foi exposto no Salão 
86
Anual da Escola de Belas Artes, “destinado a incrementar os estudos preliminares, visando a criação 
de um tipo de arquitetura nacional, inspirada diretamente no estilo das construções arquitetônicas 
sacras e civis feitas no Brasil durante o período colonial” (BRUAND, 2018, p. 55 apud Architectura no 
Brasil, 1921, p. 38-39 45-46).
O concurso teve grande repercussão entre os arquitetos e público em geral e se afirmou na 
Exposição Internacional do Centenário da Independência, inaugurada em 1922. A maioria dos 
pavilhões brasileiros adotaram o novo estilo e foram considerados a emancipação artística do país 
cem anos após a emancipação política. Contrastavam com o ecletismo da maioria dos pavilhões 
estrangeiros (BRUAND, 2018, p. 56).
O único pavilhão neocolonial que existe até hoje era o Palácio das Grandes Indústrias, que 
atualmente é o Museu Histórico Nacional, obra de Memória e Cuchet. A princípio era uma restauração 
da antiga fortaleza, de 1603, e do calabouço, de 1693, a qual acabou por praticamente reconstruir a 
edificação. Hoje compreende um conjunto de edifícios de diferentes épocas e estilos arquitetônicos 
interligados entre si. Elementos neocoloniais se sobressaem em suas fachadas externas e internas, 
com os muxarabis, painéis de azulejos, beirais com ladrilhos e telhas envernizadas no avesso no beiral.
O sucesso da exposição internacional de 1922 obteve clamor nacional e internacional, com seu 
exotismo e entusiasmo. Em 1926, o Ministério da Agricultura fez um concurso para escolher o pavilhão 
do Brasil na Exposição de Filadélfia e a primeira condição do concurso era a adoção do estilo colonial. 
O vencedor foi o jovem Lucio Costa (BRUAND, 2018, p. 56).
Um importante projeto em estilo neocolonial, se não um dos que merece mais destaque, é obra 
do arquiteto Ângelo Bruhns e do português José Cortez. Foi a Escola Normal do Rio de Janeiro, hoje 
Instituto de Educação, construída entre 1926 e 1930. Bruand (2018, p. 56-57) descreve a edificação:
(..) Nela, percebe-se mais uma vez a inspiração da arquitetura monástica, tanto na parte externa 
quanto internamente. O pátio, com sua fila tripla de galerias superpostas, faz lembrar os antigos 
colégios jesuítas, enquanto o corpo central da fachada se assemelha aos frontispícios de algumas igrejas 
de conventos da região de Pernambuco. Contudo, o cunho clássico, está presente tanto na simetria 
absoluta do conjunto, quanto nas ranhuras que ressaltam a austeridade do térreo, austeridade essa 
que contrasta com uma certa exuberância decorativa dos demais andares.(..) (BRUAND, 2018, p. 56-57)
O neocolonial também se manifestou na arquitetura residencial, onde se destacou Lucio Costa 
e seu sócio, Fernando Valentim, que produziram uma série de casas em estilo neocolonial. Merece 
destaque a casa de Raul Pedrosa, em 1925, com elementos decorativos nas fachadas que remetem 
totalmente ao passado, porém com uma lógica em planta e volumétrica, com hierarquia bem marcada 
e uma complexidade que em nada remete ao colonial e, sim, ao período em que se insere e as 
profundas transformações que estavam por vir.
87
Nesta unidade, você teve a oportunidade de:
• revisar os conceitos básicos sobre o ecletismo;
• aprender sobre as principais características da arquitetura eclética no Brasil;
• compreender os processos de transformação social e urbana pelos quais o Brasil 
passou a partir da segunda metade do século XIX;
• analisar as características das casas ecléticas no Brasil;
• conhecer alguns dos edifícios ecléticos mais representativos do Brasil;
• conhecer os estilos que substituíram a arquitetura colonial e precederam o moder-
nismo, como o art nouveau e o art déco.
• conhecer os principais arquitetos do período moderno brasileiro e suas principais 
obras;
PARA RESUMIR
BASSANI, Jorge; ZORZETE, Francisco. São Paulo: cidade e arquitetura, um guia. São 
Paulo: Editor Francisco Maximiano Zorzete, 2014. 1. ed. 292 p.
BENEVOLO, Leonardo. História da Arquitetura Moderna. São Paulo: Perspectiva, 1998. 
3. ed. 816 p.
BICCA, Briane Elizabeth Panitz (org.); BICCA, Paulo Renato Silveira (org.). Arquitetura na 
formação do Brasil. Brasil: UNESCO, 2006. 294 p.
BRANT, Júlia. Características e diferenças de 12 estilos arquitetônicos. Archdaily, 2020. 
Disponível em: https://www.archdaily.com.br/br/898742/caracteristicas-e-diferencas-
de-12-estilos-arquitetonicos. Acesso em: 03 mar. 2020.
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Edifício Ely será reinaugurado hoje. Zero Hora, 2012. Disponível em: https://gauchazh.
clicrbs.com.br/geral/noticia/2012/06/edificio-ely-sera-reinaugurado-hoje-3802078.
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27 p.
FABRIS, Annateresa. Arquitetura Eclética no Brasil: O cenário da modernização. Anais 
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http://www.patr imoniocultural .pr.gov.br/modules/conteudo/conteudo.
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SCHWARCZ, Lilia Moritz (org.). História do Brasil nação 1808-2010: a abertura para o 
mundo – 1889-1930 (v. 3). São Paulo: Objetiva, 2011. 1 ed. 280 p.
SCHWARCZ, Lilia Moritz; STARLING, Heloisa Murgel. Brasil: uma biografia. São Paulo: 
Companhia das Letras, 2015. 1. ed. 808 p.
UNIDADE 4
Modernismo e as cidades do século 
XX
Você está na unidade Modernismo e as Cidades do Século XX. Conheça aqui a história dos 
fatos arquitetônicos e urbanos no Brasil durante o século XX e o contexto mundial em que 
se inserem. Aprenda sobre a arquitetura neocolonial e como o desejo de uma identidade 
e de uma cultura nacionalista culminou na arquitetura moderna brasileira. Descubra 
alguns dos arquitetos que se destacaram nesse período, desde o estilo neocolonial até o 
estilo moderno.
Entenda ainda, como se desenvolveram as cidades brasileiras durante o século XX, das 
influências da vanguarda europeia com ideários socialistas utopistas, até a formação da 
cidade moderna. Conheça também, como se deu a formação da nova capital do país, a 
cidade de Brasília.
Bons estudos!
Introdução
93
1 O MODERNISMO NO BRASIL
A trajetória do neocolonial e do modernismo se confundem, se mesclam, e uma não existem 
uma sem a outra, pois originam da mesma premissa nacionalista da busca de uma identidade 
própria brasileira. Passa-se a ser questionado como encontrar essa identidade num país com 
tantas influências, de diversos povos que colonizaram essa terra, como portugueses, franceses, 
alemães, italianos, holandeses, poloneses, entre outros. Neste momento, a cultura indígena, que 
seria uma das grandes marcas do solo brasileiro, segue pouco valorizada, ainda que citada pelo 
Movimento Antropofágico de 1928, devido sua desconexão com os grandes centros urbanos que 
se formam. A resposta parece ser:
• Assumir as diferenças regionais no vasto território brasileiro e as diversas marcas deixa-
das na passagem das diferentes culturas;
• a experiência do passado como forma de melhor compreensão de qual parte dessa he-
rança funcionou e qual falhou;
• valorização do que aqui existe, em detrimento do produto importado;
• retomada ao pensamento do período colonial, onde os portugueses perceberam que aqui 
era uma terra rica em matéria prima e, agora, novamente, se tem essa clara percepção.
Ao conectar os acontecimentos de 1922, ano comemorativo do centenário da Independência 
do Brasil, com a Exposição Internacional do Centenário da Independência e a Semana de Arte 
Moderna, Kessel (2002, p. 121) questiona:
Um exame dos episódios que marcaram o ano de 1922 mostra que a estatura por ele adquirida na 
história política e cultural do Brasil não é exagerada. O levante do Forte de Copacabana, a Semana de Arte 
Moderna e a Exposição Comemorativa do Centenário da Independência, além de marcos consagrados 
pela historiografia, tiveram inegável repercussão entre os contemporâneos e mobilizaram participantes 
e espectadores em torno de questões diversas, que partilhavam um espaço comum de reflexão centrado 
em duas dúvidas. Que país era o Brasil? Que país deveria ser o Brasil? (KESSEL, 2002, p. 121)
Os movimentos de vanguarda europeus no final do século XIX e início do século XX só tiveram 
repercussão no Brasil por volta de 1912, quando o poeta tomou conhecimento, em Paris, do 
Manifesto Futurista do italiano Felippo Tomaso Marinetti, que divulgava princípios futuristas, e 
passou a rejeitar os valores do passado e exigiam uma pintura nacional, inspirada na vida e nas 
paisagens brasileiras (BRUAND, 2018, p. 61).
O denominador comum era sobretudo a natureza negativista e demolidora: a ruptura com o 
passado e a independência cultural frente à Europa – especialmente Portugal e França, países que 
haviam marcado de modo mais profundo a literatura e as artes brasileiras – eram os dois pontos 
fundamentais, de uma clareza por sinal ilusória. (BRUAND, 2018, p. 62)
Os organizadores eram formados por um grande número de literatos, quatro pintores (Anita 
94
Mafaltti, Di Cavalcanti, Vicente do Rego Monteiro e o suíço John Graz), um escultor (Becheret) 
e um compositor (Villa Lobos). Quanto à seção de arquitetura da Semana de Arte Moderna de 
1922, se resumiu à exposição dos trabalhos de dois arquitetos estrangeiros: o espanhol Antonio 
Garcia Moya e o polonês Georg Przyrembel, que apresentou um projeto de residência praiana 
de inspiração neocolonial. Não havia, portanto, contradição entre este estilo e o desafio estético 
lançado na Semana contra o já estabelecido na academia e visto na pintura, na poesia, na música, 
na esculturae na literatura (KESSEL, 2002, p. 112).
Em 1928, surge o Movimento Antropofágico, liderado por Oswald de Andrade como uma 
resposta às questões colocadas pela Semana de Arte Moderna de 1922. Para ele, a renovação 
da arte nasceria a partir da retomada dos valores indígenas, a fim de estruturar uma cultura 
nacional.
Embora a Semana de Arte Moderna não tenha produzido, de um ponto de vista objetivo, uma 
influência direta na arquitetura, não significa que seu papel tenha sido nulo. Revelou um papel de 
luta contra os princípios pré-estabelecidos e gerou um clima de mudança e de aceitação ao novo, 
iniciado nos campos das artes, da literatura e da música.
1.2 A arquitetura moderna brasileira
Vimos anteriormente, numa breve introdução à arquitetura moderna no Brasil, como 
instalaram-se aqui as ideias do franco-suíço Le Corbusier, principalmente após sua visita à 
Escola Nacional de Belas Artes, no Rio de Janeiro, em dezembro de 1925. Estudamos também 
sua influência sobre os jovens arquitetos da época, o amadurecimento e conflito dessas ideias 
dentro Escola de Belas Artes e como culminou na edificação reconhecida como o grande marco 
do período moderno no país, o Palácio Capanema, construção finalizada em 1943.
Antes disto, é creditado ao arquiteto nascido em Odessa, na Rússia, e com formação na Itália, 
Gregori Warchavchik, a primeira casa moderna em São Paulo, em 1927 e 1928. Ele chegou da 
Europa um ano após a Semana de Arte Moderna e encontrou aqui um local propício para instalar 
sua preocupação com a verdade, com a simplicidade e a rejeição do ornamento supérfluo. 
Demonstrado numa arquitetura que não esconde a estrutura do edifício, utiliza volumes e linhas 
puras que correspondem a função, sem ornamento excessivo.
Gregori Warchavchik
Tinha conhecimento dos escritos – realizados entre 1920 e 1925 - por Le Corbusier, em 
forma artigos publicados na revista L’Esprit nouveau e seu livro Vers une architecture. Daí, foram 
extraídos os argumentos para a publicação do primeiro manifesto de arquitetura modernista no 
país, no ano de 1925, O Manifesto da Arquitetura Funcional, de Warchavchik.
95
A reviravolta decisiva no movimento moderno brasileiro coincide com a Revolução de 1930 e 
o início da Era Vargas no país. “A classe política que agora sobe ao poder sai do mesmo ambiente 
em que se apoiam os artistas de vanguarda, os quais, de agora em diante, não são mais confinados 
à oposição, mas passam a fazer parte da elite dirigente” (BENEVOLO, 2009, p. 712).
Em 1935 foi instituído o concurso para o Ministério da Educação e Saúde, que, sem sucesso, 
acabou tendo a edificação confiada a Lúcio Costa, que convidou C. Leão, J. M. Moureira e Afonso 
Reidy para integrar a equipe, e, mais tardiamente, Oscar Niemeyer. Em 1937 fica pronto o projeto 
definitivo, baseado em sugestões do Le Corbusier.
A partir de 1936 surgiram diversas edificações modernistas. Os irmãos Roberto, de nome 
Marcelo e Milton, venceram o concurso para a sede da Associação Brasileira de Imprensa e do 
aeroporto Santos Dumond. Correa Lima projetou a estação de hidroaviões no Rio e Lúcio Costa e 
Oscar Niemeyer projetaram o pavilhão brasileiro construído na Exposição de Nova York de 1939. 
Veja mais sobre estes projetos emblemáticos da arquitetura moderna brasileira a seguir.
Utilize o QR Code para assistir ao vídeo:
Em 1943 é publicado o livro Brazil builds: architecture new and old, 1652-1942, do crítico 
americano Philip Lippincott Goodwin com fotografias de E. Kidder-Smith, colocando a arquitetura 
brasileira, desde meados do século XVII até 1942, no cenário internacional.
FIQUE DE OLHO
Você pode saber mais sobre o Manifesto da Arquitetura Funcionalista, de Gregori 
Warchavchik, no artigo de Renato Fiore, de título ‘Warchavchik e o Manifesto de 1925’, 
disponível no link presente nas referências bibliográficas.
96
Oscar Niemeyer tornou-se famoso pelos edifícios construídos na Pampulha entre 1942 e 
1943, como igreja, cassino e iate clube. Realizou, em 1946, o Banco Boa Vista do Rio e, em 1947, o 
Centro Técnico da Aeronáutica em São José dos Campos, além do conjunto do parque Ibirapuera 
em São Paulo e alguns edifícios residenciais em Belo Horizonta, São Paulo e Rio de Janeiro, de 
1951 em diante. Conheça mais sobre as obras de Niemeyer.
Utilize o QR Code para assistir ao vídeo:
Uma das carências mais evidentes deste período, até o ano de 1950, se refere às cidades. 
O caótico ambiente que se adensa nas principais cidades contrasta com as novas edificações 
modernas isoladas. Algumas são exceção, como os conjuntos de Affonso Eduardo Reidy, o novo 
Centro Cívico de Santo Antônio, de projeto de 1948, e o conjunto Residencial Pedregulho no Rio 
de Janeiro, de 1950, onde edifícios, serviços e espaços externos estão em perfeita harmonia.
A Bienal de São Paulo, de 1953, recebeu críticos de diversas nacionalidades. Walter Gropius, 
arquiteto e crítico alemão, deixou a sua declaração para a Architectural Review (BENEVOLO, 2009, 
p. 714 apud GROPIUS, 1953):
Gropius com sua habitual atitude compreensiva, se compraz com a originalidade do movimento 
moderno brasileiro, pela adaptação das contribuições internacionais ao clima e aos hábitos do meio e 
valoriza sobretudo as obras cujo projeto arquitetônico se relaciona equilibradamente com o entorno 
urbano, tal como o Pedregulho, de Reidy.
FIQUE DE OLHO
O MoMA (Museu de Arte Moderna de Nova York) disponibilizou para download “Brazil 
Builds”: o livro que apresentou a arquitetura brasileira para o mundo. Você pode acessá-lo 
pelo link disponível nas referências bibliográficas.
97
Ainda conforme Benevolo, (2009, p. 714) Max Bill, arquiteto e designer suíço, critica duramente 
o conjunto modernista brasileiro, juntamente com a arquitetura de Niemeyer. Acusando-os de 
utilizarem a curtain wall, o brise-soleil e os pilotis como uma fórmula convencional, tal quanto as 
colunas e os frontões para os neoclássicos. Argumentou, ainda, que não resolvem as necessidades 
locais e são utilizados como uma poética pré-concebida, com exceção ao pedregulho, o qual julga 
recomendável em todos os sentidos.
2 AS CIDADES BRASILEIRAS NO SÉCULO II
O vertiginoso crescimento urbano, verificado nas cidades brasileiras do século XIX, se 
estendeu durante o século XX. Se durante o século XIX houve a forte influência dos sanitaristas, 
como visto na Paris de Haussmann, o século XX brasileiro é influenciado pelos movimentos de 
vanguarda europeu, os quais cabem até hoje como crítica às cidades que aqui também surgiram 
no período dito moderno.
2.1 A influência dos movimentos urbanísticos europeus
Como vimos anteriormente, os movimentos de vanguarda europeu só tiverem reflexos 
no Brasil, mais especificamente na arte e na literatura, de por volta de 1912. Porém, também 
existiram movimentos de vanguarda europeus nas experiências urbanísticas de 1890 a 1914, 
como o progresso das leis e das experiências urbanísticas, os ensinamentos de Camillo Sitte, o 
movimento das cidades-jardim, a cidade linear de Arturo Soria y Mata e a atividade urbanística de 
Berlage. Essas experiências refletiram nas cidades brasileiras do século XX.
Camilo Sitte, arquiteto austríaco (1843-1903), revela os inconvenientes da cidade 
moderna: monotonia, regularidade excessiva, simetria a qualquer custo, espaços inarticulados 
e desproporcionais à arquitetura. Em contraponto aos méritos das cidades medievais, com 
ambientes pitorescos articulados segundo suas funções, com composições assimétricas, com 
hierarquia de espaços (BENEVOLO, 2009, p. 352).
Sitte chegou a propor soluções aos problemas modernos: os espaços inarticulados ou muito 
grandes podem ser subdivididos com novas construções, a simetria pode ser suavizada com uma 
assimetria parcial, os monumentos podem ser deslocados do centro geométrico das praças para 
locais mais distanciados (BENEVOLO, 2009, p. 352).
Suas principais colaborações foram: despertar o interesse pelos ambientes das cidades 
antigas (antepondo-se à demolição indiscriminada praticadapor Haussmann) e suas sugestões 
formais simplistas de intervenção em ambientes existentes (BENEVOLO, 2009, p. 352).
O movimento das cidades-jardim de Hebenezer Howard (1850 1928), urbanista inglês, é uma 
utopia de uma cidade autossustentável, rodeada por um cinturão agrícola, conforme descreve 
98
Maria Souza de Andrade (2003):
A visão utópica de Howard foi uma tentativa de resolver os problemas de insalubridade, pobreza 
e poluição nas cidades por meio de desenho de novas cidades que tivessem uma estreita relação com 
o campo. Ele apostava nesse casamento cidade-campo como forma de assegurar uma combinação 
perfeita com todas as vantagens de uma vida urbana cheia de oportunidades e entretenimento 
juntamente com a beleza e os prazeres do campo
Cidade linear de Arturo Soria y Mata (1844-1920)
O engenheiro espanhol, impressionado pelo congestionamento da cidade tradicional, concêntrica, 
propõe uma rua central, com uma faixa larga percorrida por um ou mais ferrovias ao longo do seu 
eixo. Soria projeta uma cidade linear em forma de ferradura em torno de Madrid, que acabou não se 
realizando. Sua ideia foi desenvolvida efetivamente pela geração seguinte e parcialmente aplicados na 
Rússia e na cidade linear industrial de Le Corbusier (BENEVOLO, 2009, p. 364).
Atividade urbanística de Berlage (1856-1934)
É de extrema importância e se baseia na aplicação de uma lei geral, a holandesa, de 1901, 
que distingue as escalas de projetar: plano geral, plano particularizado e projeto arquitetônico. Os 
trabalhos de Berlage fazem parte da administração de várias cidades holandesas e rapidamente 
são adotadas por outros países, como a Alemanha. Ele desenvolve o plano de ampliação de 
Amsterdã Sul, entre 1902 e 1917 (BENEVOLO, 2009, p. 364).
2.2 A cidade moderna brasileira
Vimos anteriormente a crítica de Max Bill, durante a Bienal de São Paulo de 1953, ao 
formalismo adotado pela arquitetura moderna, que parece obedecer bem às necessidades 
do nosso jovem capitalismo em ascensão e exige uma representação simbólica apropriada, 
encontrando, na arquitetura moderna, uma âncora. Porém, se distancia dos preceitos modernistas 
europeus nas “relações entre forma geométrica e escala, pois cada motivo formal particular 
contém um significado emocional que lhe permite sobressair isoladamente; a composição torna-
se, assim, elementar, abreviada, (...)” (BENEVOLO, 2009, p. 716). Essa composição não se integra 
com o ambiente urbano, comprometendo sua unidade, mas pode ser resolvida com iniciativas 
urbanísticas em escala adequada.
Juscelino Kubitschek, até então governador de Minas Gerais, é eleito presidente em 1955 e 
dá novo impulso ao planejamento urbano, possibilitando aos arquitetos a atuação em uma nova 
escala, com experiências nunca antes realizadas (BENEVOLO, 2009, p. 716).
Iniciam-se, neste período, obras importantes, previstas no Plano Diretor do Rio de Janeiro, 
como o Aterro do Flamengo, proposto em 1961, o qual é fruto de um lento processo de maturação:
99
Estas idéias fundamentais para o urbanismo do Rio de Janeiro vinham sendo maturadas desde 
o Plano Agache (1927-1930). Nas diferentes soluções urbanísticas elaboradas pelo Departamento 
de Urbanismo para a cidade do Rio, o arquiteto Affonso Eduardo Reidy teve um papel fundamental, 
atuando desde 1929, como estudante assistente de Agache e depois como Diretor do Departamento 
a partir de 1947 e mais efetivamente ao retomar suas propostas de urbanização do Aterro a partir de 
1961. (OLIVEIRA, 2006)
Com paisagismo do renomado arquiteto Roberto Burle-Marx, o Aterro do Flamengo “é antes 
de tudo uma importante experiência no contexto brasileiro em termos de utilização de um parque 
como instrumento específico de planejamento urbano (..)” (OLIVEIRA, 2006).
Figura 1 - Aterro do Flamengo, com paisagismo de Roberto Burle Marx. 
Fonte: Schutterstock, 2020
#ParaCegoVer: Na imagem, península sinuosa formando um parque verde, com pista de 
caminhada, à beira da baia de Guanabara, esta com água em tom azul escuro. Ao fundo é possível ver 
o morro da Urca com sua pedra saliente em um dia de céu claro e poucas nuvens.
Porém, o maior empreendimento de Kubitschek é a construção de Brasília, a nova capital do 
país que surge no interior. A transferência da sede política é indispensável para dar início a um vasto 
programa de transferência do litoral para o interior de uma parte da população e das iniciativas 
econômicas (BENEVOLO, 2009, p. 716).
2.3 A experiência de Brasília
Brasília foi uma experiência única no mundo. Foi criada, a partir do zero, uma nova cidade. Para isto, 
o presidente Juscelino Kubitschek nomeou uma comissão para a escolha do local, a firma americana 
D. J. Belcher & Ass, que propôs cinco localizações possíveis. A escolhida é um planalto levemente 
ondulado no Estado de Goiás.
Niemeyer foi nomeado diretor do Departamento de Arquitetura e Urbanismo. Para o plano 
100
urbanístico, recomendou um concurso de projetos, em setembro de 1956, com prazo de seis meses. 
Os elementos de entrega serão somente dois: um traçado básico em escala 1:25000 e um relatório 
justificativo.
O projeto vencedor, de Lúcio Costa, foi apresentado em cinco laudas, com desenhos todos feitos a 
mão livre. Ele descreve a proposta da seguinte maneira:
Nasceu do gesto primário de quem assinala um lugar ou dele toma posse: dois eixos cruzando-se 
em ângulo reto, ou seja, o próprio sinal da cruz. Procurou-se depois a adaptação a topografia local, ao 
escoamento natural das águas, à melhor orientação, arqueando-se a um dos eixos a fim de contê-lo no 
triângulo equilátero que define a urbanizada. (BENEVOLO, 2009, p. 716 apud HOLFORD, p.399)
Ambos os eixos se desenvolvem em torno de uma ampla avenida. No eixo Norte-Sul são dispostos 
os setores residenciais com eixos de interseção dotados de plataformas e setores recreativos. O eixo 
Leste-Oeste forma o eixo monumental do novo centro político, com os principais edifícios em torno 
de uma praça triangular, a praça dos Três Poderes: o Palácio do Governo, do Supremo Tribunal e do 
Congresso. (BENEVOLO, 2009, p. 718).
Fonte: Schutterstock, 2020
#ParaCegoVer: Na imagem, vista aérea em perspectiva da edificação do Congresso Legislativo, a 
qual repousa ao centro em uma praça ampla, verde, cercada por duas avenidas. Edificação em cores 
brancas, se desenvolve maneira linear sobre pilotis. Possui rampa de acesso ao pavimento superior 
passando sobre espelho d’água. Sobre ela repousam dois outros volumes, um em cada lado, um 
côncavo e outro convexo. Ao fundo duas torres altas e esguias. Ao fundo, pôr do sol no horizonte.
As zonas residenciais são articuladas em blocos muito amplos, a superquadra e as edificações são 
baixas e representam o homem no nível individual de sua existência:
As superquadras foram implantadas no sentido da curvatura das curvas de nível, com o gabarito 
máximo de seis pavimentos, permitindo que as copas das árvores e as coberturas dos edifícios 
estivessem, invariavelmente, em uma altura relativamente próxima umas das outras. A superquadra é 
uma das faces humanas da cidade as quais os críticos mais contumazes, por uma capacidade limitada 
101
ao intransitivo, não conseguem vislumbrar. (LAUANDE, 2007)
A Catedral Metropolitana de Brasília, obra de Oscar Niemeyer de 1958, está situada em local 
afastado para valorizar sua monumentalidade. Niemeyer optou por subverter o usual dos edifícios 
religiosos e fica evidente a sua liberdade, sem angústias e inquietudes éticas com a religião, fatores 
limitantes aos europeus. Conforme Barnabé (2007) “O partido geral define-se pela contraposição 
entre a intensa luminosidade externa tropical e uma luminosidade interna resultante da transposição 
da luz natural através das peles duplas do envoltório da cúpula da catedral (..)”.
Fonte: Schutterstock, 2020
#ParaCegoVer: Na imagem, edificação ao centro com pilares em concreto branco em forma de 
bumerang e interseção entre eles em vidro, formando uma planta circular. No topo, uma delgada cruzbranca.
Benevolo (2009, p. 720) compara o projeto de Lúcio Costa e Oscar Niemeyer às críticas de 
Haussmann em sua época:
(...) Até mesmo a discussão sobre Brasília assemelha-se à que era feita há um século sobre 
Paris: existe uma polêmica imediata sobre a natureza dos instrumentos adotados, indubitavelmente 
artificiosos, e existe uma expectativa sobre os resultados obtidos ao se aplicar esses instrumentos em 
circunstâncias de fato novas, antecipando-se em muitos aspectos aos problemas das cidades futuras. 
(BENEVOLO, 2009, p. 720)
Sobre a influência dos urbanistas de vanguarda europeus, Torelly (2016) comenta:
Um olhar cuidadoso, percebe além dos onipresentes princípios do urbanismo modernista, contidos 
na Carta de Atenas, elaborada em 1933, pelo Congresso Internacional de Arquitetura Moderna. A 
presença do ideário dos socialistas utópicos do século XIX, da Cidade Jardim, do inglês Hebenezer 
Howard, da Cidade Linear, do espanhol Arturo Soria y Mata e da Cidade Industrial do francês Tony 
Garnier, se manifestam na estrutura viária, em sua relação com os edifícios e com o verde que a tudo 
emoldura. (TORELLY, 2016)
102
Brasília recebe duras críticas até os dias de hoje, com sua divisão extrema da cidade em setores, o 
que aumenta o deslocamento em veículos e cria cidades dormitórios, inseguras, com o esvaziamento 
das zonas residenciais durante o dia. Porém, para muitos, Lúcio Costa “(...) nos deixou como legado 
está, na realidade, muito além de sua produção, que estendida às suas reflexões, pode ser convertida 
em ensinamentos atemporais com utilidade em qualquer lugar” (LUANDRE, 2007).
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103
Nesta unidade, você teve a oportunidade de:
• promover a compreensão da evolução histórica da arquitetura e do urbanismo no 
Brasil durante o século XX;
• entender o processo de sobreposição dos estilos neocolonial e moderno e como eles 
se relacionam com as ideias racionalistas e nacionalistas;
• conhecer os principais arquitetos do período moderno brasileiro e suas principais 
obras;
• aprender a influência dos urbanistas europeus na formação das cidades brasileiras;
PARA RESUMIR
BENEVOLO, L. História da Arquitetura Moderna. 4 ed. São Paulo: Perspectiva, 2009.
BARNABÉ, P M. M. A luz natural como diretriz de projeto. Arquitextos, São Paulo, ano 
07, n. 084.01, maio, 2007. Disponível em: https://www.vitruvius.com.br/revistas/read/
arquitextos/07.084/244. Acesso em: 08 abr. 2020.20.
BRUAND, Y. A Arquitetura Contemporânea no Brasil. 5 ed. São Paulo: Perspectiva, 2018.
FIORE, R. H. Warchavchik e o manifesto de 1925. Arqtexto. Porto Alegre, n. 2, p.76-
87, 2002. Disponível em: https://www.ufrgs.br/propar/publicacoes/ARQtextos/PDFs_
revista_2/2_Renato%20Fiore.pdf. Acesso em 08 abr. 2020.
GOODWIN, P. L. Construção brasileira: arquitetura moderna e antiga 1652-1942. 
Nova Iorque, 1943. Disponível em: https://www.moma.org/documents/moma_
catalogue_2304_300061982.pdf. Acesso em: 08 abr. 2020
KESSEL, C. Vanguarda efêmera: arquitetura neocolonial na Semana de Arte Moderna 
de 1922. Estudos Históricos (Rio de Janeiro). Rio de Janeiro, v. 2, n.30, p. 110-128, 
2002. Disponível em: http://bibliotecadigital.fgv.br/ojs/index.php/reh/article/
view/2177/1316. Acesso em: 08 abr 2020.
L., Francisco. O projeto para o Plano-piloto e o pensamento de Lúcio Costa. Arquitextos, 
São Paulo, ano 08, n. 087.08, ago. 2007. Disponível em: https://www.vitruvius.com.br/
revistas/read/arquitextos/08.087/223. Acesso em: 08 abr 2020.
MARIA SOUZA DE ANDRADE, L. O conceito de Cidades-Jardins: uma adaptação para as 
cidades sustentáveis. Arquitextos, São Paulo, ano 04, n. 042.02, nov. 2003. Disponível 
em: https://www.vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/04.042/637. Acesso em: 
08 abr. 2020.
OLIVEIRA, Ana Rosa de. Parque do Flamengo:. Instrumento de planificação e resistência. 
Arquitextos, São Paulo, ano 07, n. 079.05, dez, 2006. Disponível em: https://www.
vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/07.079/288 Acesso em: 08 abr 2020.
TORELLY, L. P. Brasília. 50 anos da realização do Plano Piloto. Drops, São Paulo, ano 
07, n. 017.03, dez. 2006. Disponível em: https://www.vitruvius.com.br/revistas/read/
drops/07.017/1703. Acesso em: 08 abr 2020.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
História da arquitetura e urbanismo IV é um livro direcionado 
para estudantes dos cursos da área de arquitetura e urbanismo.além 
de abordar assuntos triviais, o livro traz conteúdo sobre a história 
da arquitetura, o neoclassicismo e as cidades do século XIX, e o 
modernismo e as cidades do século XX,
Após a leitura da obra, o leitor vai compreender os fundamentos 
da arquitetura neoclássica brasileira, como ocorreu a sua formação, 
de que maneira trouxe a noção de civilidade; aprender como eram 
as cidades no período da Revolução Industrial e como as cidades 
brasileiras se desenvolveram no século XIX; entender como a 
estratificação social do Brasil influenciou a arquitetura; conhecer 
algumas das mais importantes obras neoclássicas brasileiras; 
saber as principais características da arquitetura eclética no Brasil; 
compreender os processos de transformação social e urbana pelos 
quais o país passou a partir da segunda metade do século XIX; 
aprender a influência dos urbanistas europeus na formação das 
cidades brasileiras, saber sobre a formação da cidade de Brasília, e 
muito mais.
Aproveite a leitura do livro. 
Bons estudos!
	Capa E-Book_História da Arquitetura e Urbanismo IV_CENGAGE
	E-Book Completo_História da Arquitetura e Urbanismo IV_CENGAGEPara sistematizar o ensino de artes e integrar o país à produção artística que se fazia na 
Europa, a corte trouxe ao Brasil a Missão Artística Francesa em 1816. Coube, então, ao arquiteto 
Grandjean de Montigny criar o primeiro curso de arquitetura no Brasil, que passaria a ensinar 
história, desenho e construção.
Influenciadas pela presença da corte e em estreito contato com a cultura europeia, as elites 
locais passaram a encomendar palacetes de inspiração francesa para servirem de residência e 
escolas, teatros e bibliotecas entraram no repertorio da produção arquitetônica brasileira. Para 
além das novas construções, muitas vezes, edifícios coloniais eram inteiramente reformados de 
acordo com a estética neoclássica (PEREIRA DOS SANTOS, 2014).
O Rio de Janeiro, que já tinha uma importância estratégica desde o século XVI, devido a sua 
13
condição geográfica privilegiada, seria o centro irradiador dessa produção, o que contribuiu para 
que se tornasse uma cidade mais organizada, além de cosmopolita e diversificada.
Em 1817 foi inaugurado o edifício da Associação Comercial da Bahia, um dos primeiros em 
estilo neoclássico no Brasil. Em 1826, foi inaugurado, no Rio de Janeiro, o edifício da Academia 
Imperial, do qual permanece, em nossos dias, apenas o portal (transferido para o Jardim Botânico). 
No Recife, foram construídas obras neoclássicas relevantes como o Teatro Santa Isabel (1850), o 
Hospital Pedro II (1861) e o Ginásio Pernambucano (1866). A partir daí, diversas obras foram 
construídas, ampliadas ou reformadas de acordo com as diretrizes estilísticas do neoclassicismo e 
a maioria delas no Rio de Janeiro, como a Quinta da Boa Vista (atual Museu Nacional, ampliado na 
década de 1850); a Santa Casa de Misericórdia (1852) e o Palácio Imperial (atual Museu Imperial, 
em Petrópolis, 1862). O estilo neoclássico também foi utilizado para a qualificação de espaços 
públicos, como o Passeio Público do Rio de Janeiro, completamente redesenhado em 1864 pelo 
paisagista francês Auguste Glaziou, a pedido do imperador D. Pedro II.
Apesar de uma produção acadêmica relevante, a Missão Artística Francesa deixou um legado 
construído escasso. Contudo, sua influência pode ser reconhecida na extensa produção daqueles 
que estudaram e conviveram na Academia Imperial com os mestres franceses.
O predomínio do neoclassicismo se estendeu às outras artes como música, pintura e literatura. 
As óperas de Carlos Gomes e as pinturas de Taunay e Debret destacam-se como algumas das 
produções mais significativas desse período, incorporando os clichês mitológicos típicos desse 
estilo (SCHWARCZ, 2011).
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1.4 Arquitetura do ferro no Brasil
O desenvolvimento industrial inaugurou novas técnicas estruturais e tipologias arquitetônicas, 
14
como fábricas, armazéns e estações de trem. Os materiais utilizados para essas construções 
foram o ferro forjado, o ferro fundido e o aço, devido à sua alta resistência, leveza compositiva e 
capacidade de vencer grandes vãos (BENEVOLO, 1998). A inauguração da Torre Eiffel, em 1889, foi 
responsável pela popularização do uso do ferro nas construções civis em todo o mundo.
Na segunda metade do século XIX, o romantismo surge como uma resposta à racionalidade 
econômica e ao embrutecimento das cidades, consequentes da Revolução Industrial. O 
romantismo se expressou nas mais diferentes artes, apresentando a dicotomia entre o esplendor 
da natureza (idealizada) e a miséria urbana e social da cidade industrial. Ele abriu caminho para 
a popularização de outros dois estilos, o revivalismo e o ecletismo, que recuperavam influências 
menosprezadas pelo ideário iluminista, produzindo uma arquitetura historicista que utilizava 
materiais construtivos modernos.
Em 1865, foi inaugurada a primeira estrada de ferro em São Paulo, ligando dois bairros da 
capital. Contudo, a partir da década de 1880, a produção industrial permitiu a expansão das 
ferrovias e a criação de linhas de bonde, e, com isso, as cidades passaram a se integrar cada vez 
mais (BASSANI; ZORZETE, 2014). Em 1885, por exemplo, é inaugurada a Estrada de Ferro Curitiba-
Paranaguá, com quase 110 quilômetros de extensão, ao longo dos quais foram erguidas algumas 
das mais impressionantes obras de engenharia da história do Brasil.
Devido à característica eminentemente agrária e exportadora da economia brasileira, a 
maioria das peças eram fabricadas na Europa e importadas. Uma das obras mais significativas que 
utilizam esse material é o Viaduto Santa Ifigênia, uma estrutura de 300 metros de comprimento 
sobre o Vale do Anhangabaú em São Paulo (BASSANI; ZORZETE, 2014).
A adaptabilidade do ferro permitiu seu uso nas mais diferentes obras de arquitetura civil, 
como mercados, teatros, bibliotecas, hotéis e residências. A maioria dessas obras de arquitetura 
exploraria tanto as possibilidades plásticas do ferro, utilizando-o como elemento decorativo, 
quanto seu potencial como elemento estrutural (BENEVOLO, 1998). O ferro também seria muito 
utilizado na produção eclética. Alguns dos exemplares mais significativos no Brasil são o Mercado 
Municipal Adolpho Lisboa (1883), em Manaus; a Estação Ferroviária do Bananal (1888), em São 
Paulo; o Mercado Ver-o-Peso (1901), em Belém; e o Teatro José de Alencar (1910), em Fortaleza. 
Apesar da composição eclética de sua fachada e dos seus interiores, a Estação da Luz (1901) em 
São Paulo também é um exemplar notável da arquitetura do ferro.
1.5 Imigração: uma nova configuração da sociedade brasileira
A abolição da escravatura, em 1888, permitiu que o Brasil recebesse grandes contingentes 
de imigrantes, oriundos principalmente da França, Inglaterra, Itália e da Alemanha. Em troca 
de salário, uma novidade na sociedade brasileira profundamente ligada à escravidão, esses 
imigrantes trariam um aporte de conhecimento técnico, que contribuiria para redefinir a estética 
15
e a fisionomia das cidades brasileiras. Além da sua contribuição técnica, os imigrantes alteraram a 
própria configuração demográfica brasileira, que até o século XIX era constituída majoritariamente 
por portugueses, índios e escravos africanos e seus descendentes (CAVALCANTI, 200-?).
A abertura proporcionada pela industrialização e os fluxos migratórios permitiu a construção 
de novos tipos de arquitetura, como edifícios comerciais, vilas de operários e casas com jardins 
(REIS FILHO, 2000). Através da utilização de sua perícia construtiva, os imigrantes contribuiriam 
tanto para introduzir novas técnicas como para dar uma nova fisionomia às cidades brasileiras.
1.6 Ecletismo no Brasil república
Em 1889, com a Proclamação da República, as elites econômicas e intelectuais passaram 
a rejeitar a herança cultural portuguesa, buscando inspiração e influências em outras partes 
da Europa. Devido ao historicismo e ao aporte dos imigrantes, o revivalismo e o ecletismo 
passam a ser disseminados, utilizando e, até mesmo, combinando estilos do passado em uma 
mesma edificação. A Academia Imperial é rebatizada como Escola Nacional de Belas-Artes, 
e são introduzidos cursos de pintura, escultura e gravura. O ensino de ornatos, composição 
arquitetônica e pintura decorativa é mantido (PESSOA DOS SANTOS, 2014).
A afirmação do Brasil como uma república refletia no luxo e na escala monumental dos novos 
projetos urbanos, como a reurbanização do Rio de Janeiro, promovida pelo prefeito Pereira 
Passos (que ordenou a demolição de inúmeras edificações coloniais para a abertura de avenidas 
e a construção de grandes edifícios públicos em estilo eclético afrancesado), e a construção do 
Museu de História Natural em São Paulo (atual Museu Paulista). O arquiteto Ramos de Azevedo 
se tornaria uma das figuras mais importantes da produção eclética nacional.
O ciclo do café, que se estendeu do início do século XIX até a primeira metade da década 
de 1930, estabeleceu uma nova e pujante elite econômica em São Paulo, que patrocinou a 
construção de obras monumentais como a Estação da Luze a Estação Júlio Prestes (BASSANI; 
ZORZETE, 2014). A inspiração deixaria de ser apenas europeia e passaria a vir dos Estados Unidos, 
que se afirmava como uma potência econômica e produzia uma arquitetura que testava os limites 
e possibilidades de materiais construtivos, como aço e ferro, especialmente em cidades como 
Nova York e Chicago.
No norte do Brasil, a partir da década de 1890, o ciclo da borracha permitiria o surgimento 
de uma elite interessada em reproduzir o estilo da chamada belle époque francesa. Essa elite 
patrocinaria a construção de obras até então inimagináveis para aquela região, como o Teatro 
Amazonas, inaugurado em Manaus em 1896, e o Mercado de São Brás, inaugurado em Belém 
em 1911.
De modo geral, assinala Reis Filho (2000), as edificações passaram a incorporar as recomendações 
16
de urbanistas, afastando-se dos limites dos lotes e das vias públicas, incorporando jardins e 
recebendo instalações elétricas e hidráulicas, que mecanizavam o trabalho. Houve a mecanização 
da produção de materiais de construção, contribuindo para seu barateamento, maior acessibilidade 
e melhoria do acabamento das edificações. Sistemas de abastecimento de água e tratamento 
de esgoto, por tanto tempo ignorados pelo poder público, foram incorporados ao planejamento 
urbano, mas não foram universalizados. Surgiram, também, os bairros planejados, promovendo 
um afastamento das áreas mais centrais, que começariam a ser vistas como insalubres e perigosas.
Em síntese, a arquitetura brasileira do século XIX e início do século XX, seguindo o panorama 
internacional, apresenta três estilos predominantes: neoclássico, revivalismo e ecletismo (PESSOA 
DOS SANTOS, 2014). Contudo, nem a utilização de materiais industrializados foi capaz de substituir 
totalmente as técnicas construtivas consagradas durante o período colonial (REIS FILHO, 2000).
Alguns edifícios significativos desse período no Brasil são o Palácio Guanabara (Rio de Janeiro, 
1864), a Catedral Basílica de Curitiba (1893), a Biblioteca Nacional (Rio de Janeiro, 1910) e os 
Palacetes Prates (São Paulo, 1911).
1.7 Brasil moderno
A ascensão de Getúlio Vargas ao poder, na década de 1930, representou o fim da supremacia 
agrícola e dos ciclos econômicos e o favorecimento da industrialização. Assim, o Brasil começava a 
deixar de ser um país rural para se tornar urbano. Essa mudança do eixo de poder e a reorientação 
política que se seguiu beneficiou uma nova vanguarda artística e intelectual: o modernismo.
Especialmente a partir da inauguração do edifício-sede do Ministério da Educação (atual 
Palácio Gustavo Capanema), na década de 1940, um projeto de Lucio Costa, o modernismo 
assumiria o protagonismo na configuração urbana das cidades brasileiras. Interessados em 
recuperar a herança colonial, que consideravam a única legitimamente brasileira, os modernistas 
rejeitaram a produção eclética, que foi sistematicamente demolida para a construção de 
imponentes edifícios de vidro e concreto armado. O despojamento de ornamentos e as linhas 
retas são características marcantes da arquitetura produzida a partir dessa época.
FIQUE DE OLHO
No século XX, a Escola Nacional de Belas-Artes (outrora Academia Imperial) seria 
incorporada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, responsável pela formação de 
mestres do modernismo, como Oscar Niemeyer e Lúcio Costa. Assim como o neoclássico 
rompeu com o barroco e o rococó, o modernismo romperia com o academismo dos estilos 
precedentes.
17
Nos anos 1950, a afirmação do Brasil como uma potência abriu caminho para profundas 
mudanças sociais e culturais que repercutiriam em todo o mundo. Houve uma inédita confluência 
de interesses entre a elite política, empresários, artistas e intelectuais progressistas. Grandes 
nomes do modernismo como Walter Gropius e Le Corbusier visitaram o país. O domínio da 
produção arquitetônica carioca começaria a ser rivalizado pelos arquitetos da chamada Escola 
Paulista, como Vilanova Artigas (BASSANI; ZORZETE, 2014).
Além disso, de acordo com Reis Filho (2000), pela primeira vez haveria uma reorganização 
da relação entre lote e edificação, permitindo alterações estruturais, e não apenas estéticas, das 
cidades brasileiras. A construção de Brasília (1956-1960) seria a expressão máxima das ideias 
do modernismo no Brasil, tanto em termos de arquitetura quanto de planejamento urbano. O 
modernismo só começaria a ser questionado a partir dos anos 1970, com a fragmentação do 
ambiente construído em zonas desconexas e desarticuladas (Cullen, 2002), em parte devido à 
segmentação do espaço urbano em unidades funcionais.
Todos esses temas serão analisados e discutidos nesta e nas próximas unidades da disciplina 
História da Arquitetura e Urbanismo IV.
FIQUE DE OLHO
Para entender alguns aspectos pitorescos da evolução política e social do Brasil durante 
os séculos XIX e XX, consulte os livros indicados a seguir. Embora não sejam escritos por 
historiadores profissionais, apresentam uma linguagem acessível e uma bibliografia confiável.
1808: Como uma rainha louca, um príncipe medroso e uma corte corrupta enganaram 
Napoleão e mudaram a História de Portugal e do Brasil, de Laurentino Gomes (Globo Livros);
1822: Como um homem sábio, uma princesa triste e um escocês louco por dinheiro 
ajudaram dom Pedro a criar o Brasil - um país que tinha tudo para dar errado, de Laurentino 
Gomes (Globo Livros);
1889: Como um imperador cansado, um marechal vaidoso e um professor injustiçado 
contribuíram para o fim da Monarquia e a Proclamação da República no Brasil, de Laurentino 
Gomes (Globo Livros);
A capital da solidão: Uma história de São Paulo das origens a 1900, de Roberto Pompeu de 
Toledo (Editora Objetiva);
A capital da vertigem: Uma história de São Paulo de 1900 a 1954, de Roberto Pompeu de 
Toledo (Editora Objetiva).
18
2 BREVE REVISÃO DO NEOCLASSICISMO
Neste tópico, você terá a oportunidade de revisar os processos que tornaram possível o 
surgimento do neoclassicismo. Além de uma contextualização dos aspectos históricos envolvidos, 
você poderá rever as principais características que definem o estilo neoclássico.
2.1 Contexto histórico
No século XVIII, devido à Revolução Industrial, uma nova e pujante elite burguesa começava a 
assumir o protagonismo na Europa e as monarquias absolutistas começavam a entrar em declínio. 
Essa burguesia exigia maior liberdade política e econômica e essas ideias eram defendidas por um 
movimento filosófico conhecido como Iluminismo.
Os iluministas assimilaram os ideais estéticos de racionalismo e equilíbrio da Antiguidade 
clássica e do Renascimento como a inspiração para suas ideias acerca de ciência, educação e 
democracia. O progresso científico passou a exigir um novo aparelhamento de edifícios e 
instalações, dando um novo significado à arquitetura (BENEVOLO, 1998).
O neoclassicismo é a expressão artística das ideias difundidas pelo Iluminismo. A palavra 
“neo” significa “novo”. Assim, o neoclássico foi um movimento artístico que buscava recuperar a 
herança cultural da Antiguidade clássica e do Renascimento, com seu ideal de beleza estática e 
abstrata, em oposição à extravagância e frivolidade do barroco e do rococó.
Apesar do apuro técnico derivado do conhecimento científico e a ruptura com os excessos 
anteriores, alguns críticos definem o neoclassicismo como sendo apenas uma imitação dos 
modelos greco-romanos e renascentistas (PROENÇA, 2007). O próprio termo neoclássico parece 
ter surgido como uma definição pejorativa para esse estilo empenhado em reproduzir modelos 
com esmero e virtuosismo.
Benevolo (1998) apresenta duas correntes de pensamento dentro do neoclassicismo, a saber:
Neoclassicismo ideológico
Entendimento da arquitetura como uma arte com profissão de fé política e que admite um 
valor cultural e sentimental.
Neoclassicismo empírico
Busca pela resolução técnica de problemas construtivos, sem levar em conta os aspectos 
sentimentais.
19
Além do pensamento iluminista, o neoclassicismotambém foi influenciado pelas , tradicionais 
expedições turísticas e arqueológicas de estudantes europeus promovidas ao longo do século 
XVIII nos territórios da Grécia antiga e do Império Romano. Essas expedições foram essenciais para 
consolidar o gosto pela estética clássica, além de fomentar o desenvolvimento de um novo campo 
de estudos, o restauro de edifícios e monumentos históricos. Apesar de uma matriz comum, o 
neoclassicismo teve as mais diferentes expressões de acordo com o país onde foi incorporado.
2.2 Características do neoclassicismo
Proença (2007) explica que os artistas neoclássicos acreditavam que “Uma obra de arte só 
seria perfeitamente bela na medida em que imitasse não as formas da natureza, mas o que os 
artistas clássicos gregos e os renascentistas já haviam criado”. Assim, as escolas de arte passaram 
a se dedicar no ensino dessas técnicas e convenções da arte clássica, o que está na raiz da 
palavra academismo, que é uma outra definição para a arte neoclássica. Os edifícios neoclássicos 
deveriam ilustrar a dignidade e o poder das funções que abrigariam.
A arquitetura neoclássica pode ser identificada a partir de algumas características essenciais, 
elencadas a seguir (PROENÇA, 2007):
• Valorização das artes e arquiteturas greco-romanas e renascentistas;
• materiais construtivos de mármore, granito e madeira para fachadas e salões nobres, e 
materiais funcionais de baixo custo, produzidos em larga escala, como ferro fundido e 
ladrilho cerâmico;
• pórtico de colunas com capitéis, arrematado por um frontispício triangular, projetados 
com maior ou menor intensidade da fachada;
• pintura e ornamento de fachadas, em geral, brancos ou em tons pastéis;
• uso de ornamentos esculpidos, como frisos, folhagens e festões;
FIQUE DE OLHO
O Iluminismo recupera um dos aspectos mais interessantes do Renascimento: o artista 
polímata, capaz de transitar por diversas áreas do conhecimento. Leonardo da Vinci é 
a expressão máxima desse tipo de personagem. Nos Estados Unidos do final do século 
XVIII surgiram figuras que também atuavam em diferentes especialidades como Benjamin 
Franklin (filósofo e inventor) e Thomas Jefferson (arquiteto, inventor, fazendeiro e terceiro 
presidente daquele país), ambos signatários da Declaração de Independência em 1776.
20
• uso de cúpulas, rotundas e abóbadas de berço para coroar os edifícios;
• Composição simétrica e equilibrada (espelhada) das fachadas;
• valorização do espaço urbano, para ressaltar e valorizar a monumentalidade das edifica-
ções e permitir sua contemplação integral;
• valorização do projeto arquitetônico e do desenho funcional de inspiração palladiana 
(arquiteto renascentista Andrea Palladio).
3 INTRODUÇÃO DO NEOCLASSICISMO E SEU 
SIGNIFICADO IDEOLÓGICO NO BRASIL
A seguir, você irá estudar os processos históricos que trouxeram o neoclassicismo ao Brasil. 
Na sequência, você vai aprender sobre a importância da Missão Francesa na difusão do estilo 
neoclássico. Depois, você poderá analisar algumas das características neoclássicas aplicadas 
na arquitetura brasileira. Por fim, você vai conhecer alguns dos mais significativos edifícios 
neoclássicos do Brasil.
3.1 Chegada do neoclassicismo ao Brasil
Até o século XVIII, o barroco era a linguagem arquitetônica predominante das construções 
brasileiras. A maior parte das encomendas vinha da Igreja Católica, de modo que os edifícios 
mais suntuosos eram igrejas, colégios confessionais e conventos, ao passo que as casas e edifícios 
públicos eram mais discretos. Não havia um reconhecimento do artista como um profissional 
com formação específica, e o trabalho escravo era usado em larga escala. As cidades históricas de 
Minas Gerais são a expressão máxima dessa tradição colonial aqui, que inclusive produziu uma 
variação ímpar, o barroco mineiro, cujo representante maior é o escultor e arquiteto Aleijadinho. 
FIQUE DE OLHO
Os edifícios neoclássicos apresentam cores sóbrias (brancos ou em tons pastéis) porque os 
arquitetos acreditavam que as construções da Antiguidade clássica eram monocromáticas. 
Isso se deve a uma interpretação equivocada da composição pictórica a partir das 
descobertas arqueológicas realizadas a partir do século XVIII. Como as ruinas estavam 
desprovidas de camadas de cor, acreditava-se que originalmente eram mantidas na cor 
dos materiais construtivos, predominantemente mármore e pedra. Porém, descobertas 
posteriores comprovaram que esses edifícios recebiam uma composição policromática, que 
desapareceu com o passar do tempo.
21
Contudo, ainda existem alguns exemplos pontuais de arquitetura barroca em diferentes partes 
do território nacional.
As primeiras obras de estilo neoclássico aparecem no Brasil em meados do século XVIII, 
quando o Marquês de Pombal, um entusiasta das ideias iluministas, assume o cargo de primeiro-
ministro de Portugal. Ele foi o responsável pela reconstrução de Lisboa após o terremoto de 1755, 
e as obras foram custeadas com o ouro extraído da capitania de Minas Gerais. Para facilitar o 
transporte do ouro para Portugal, ele transferiu a capital do Brasil de Salvador para o Rio de 
Janeiro, o posto marítimo mais próximo das zonas extrativistas de Minas Gerais. Alguns dos 
edifícios em estilo neoclássico, construídos nessa época, foram a Casa de Câmara e Cadeia de 
Ouro Preto e a Igreja da Candelária no Rio de Janeiro.
O neoclassicismo se difundiu pelo Brasil a partir da chegada da Missão Cultural Francesa 
no Rio de Janeiro em 1816, quase uma década após a instalação da família real portuguesa no 
país. A Missão Cultural Francesa era um grupo de artistas heterogêneos, entre os quais podemos 
destacar Joachim Lebreton, professor, artista e líder da missão; Nicolas-Antoine Taunay, pintor 
de paisagem; Jean Baptiste Debret, pintor e desenhista e Grandjean de Montigny, arquiteto. Essa 
missão também é conhecida como Missão Artística Francesa.
Utilize o QR Code para assistir ao vídeo:
3.2 Academia Imperial
A Missão Cultural Francesa foi responsável por fundar a Academia Imperial de Belas-Artes, 
cujo objetivo era sistematizar o ensino de arte e arquitetura no Brasil. Foi a primeira instituição 
de ensino superior do país e, pela primeira vez, seria ensinado história, desenho, geometria e 
técnicas construtivas. Os alunos deveriam fazer reproduções fiéis dos cânones da arquitetura 
clássica para, depois, adaptá-las às necessidades e parâmetros modernos (PESSOA DOS SANTOS; 
PEREIRA; KOPPKE, 2018).
22
A Academia ambicionava uma europeização da nova sede do Reino de Portugal, mas muitos 
de seus projetos não saíram do papel devido alguns fatores como:
• Forte tradição barroca, que resistia às transformações.
• A escassez de mão de obra qualificada.
• A necessidade de importar a maioria dos materiais construtivos.
Os artistas da Missão Francesa viam uma mescla de empirismo, religiosidade, misticismo e 
extravagância no barroco, que não coadunava com suas aspirações. Essa europeização também 
não aconteceu plenamente porque a Academia acabou sendo influenciada pela própria 
exuberância da paisagem brasileira, que deu contornos locais indisfarçáveis à produção artística 
e arquitetônica daquela época.
3.3 Neoclassicismo oficial X neoclassicismo provinciano
Antes da Academia, a produção artística brasileira era dependente de tradições locais e do 
trabalho artesanal e utilizava largamente a mão-de-obra escrava, que obviamente tinha um 
treinamento bastante precário. Não havia um registro documentado do conhecimento construtivo, 
pois a experimentação e o improviso eram comuns. A demanda dos nobres portugueses por 
edifícios mais refinados, em oposição à simplicidade e primitivismo das soluções coloniais, seria 
atendida pela Academia Imperial, que seguia o cânone neoclássico (REIS FILHO, 2000). Além de 
arquitetos, a Academia formaria vários profissionais especializados na ornamentação de edifícios. 
Essa busca por maior refinamento técnico era consoante com as transformações decorrentes da 
condição do Rio de Janeirocomo nova capital do Reino de Portugal. Por essa razão, a opção pelo 
estilo neoclássico se tornou uma forma de exibir o poder político, econômico e social, ficando 
restrito às cortes e classes mais abastadas.
O fato de a produção neoclássica brasileira atender uma camada mais endinheirada não 
impedia que as classes menos abastadas adotassem algumas soluções neoclássicas em suas 
propriedades, mas com menor apuro técnico. Essa diferença acabou por gerar duas vertentes do 
neoclassicismo no Brasil, a saber:
Ao longo do século XIX, à medida que os avanços técnicos da indústria permitiam a introdução 
de elementos produzidos em série, a ornamentação foi se tornando mais acessível para as demais 
camadas sociais. Elementos construtivos como ferro forjado, vidros coloridos e azulejos decorados 
se tornariam generalizados na prática arquitetônica (PEREIRA DOS SANTOS, 2014). Além disso, o 
enriquecimento proporcionado pela produção cafeeira permitiu que muitos proprietários rurais 
tivessem maior acesso ao que era produzido na Europa, dando início a um ciclo econômico que 
provocaria mudanças importantes na configuração da sociedade brasileira.
23
Neoclassicismo oficial
Encomendas da nobreza e das classes mais abastadas, com tecnologia e materiais importados, 
como tijolos, ferro fundido e vitrais coloridos.
Neoclassicismo provinciano
Adaptações e simplificações feitas pela mão-de-obra escrava, em geral, sobre estruturas de 
taipa de pilão pré existentes.
3.4 Moradias neoclássicas
Até o início do século XIX, as casas brasileiras eram térreas ou assobradadas, voltadas para 
a rua, avançando sobre os limites laterais e o alinhamento das ruas (testadas). Esse padrão 
construtivo, apesar de sua rudeza e vigor, garantia uma certa uniformidade morfológica aos 
edifícios e, por consequência, maior unidade urbana. Reis Filho (2000) explica que, apesar da 
introdução de certos confortos, o estilo neoclássico não promoveu uma ruptura com o estilo 
colonial de arranjo espacial das moradias.
As fachadas eram arrematadas por platibandas cheias ou com balaustradas, que escondiam o 
telhado. Na prumada das pilastras locadas, na periferia do edifício, sobre essas platibandas, eram 
colocados vasos ou pequenas esculturas de diferentes significados (REIS FILHO, 2000). Elementos 
como calhas, vidros coloridos e telhados com quatro ou mais águas começaram a ser largamente 
utilizados nas novas construções.
Com o neoclassicismo, as casas deixaram de ser térreas e incorporaram um porão, elevando o 
plano do andar principal, cujo acesso passou a ser feito por meio de uma pequena escada. O porão 
era utilizado como depósito ou área de serviço. Embora a separação entre as áreas íntima e de 
serviços fosse comum nas moradias desde o período colonial, a introdução de uma diferença de 
cota trouxe maior privacidade à vida doméstica (REIS FILHO, 2000). Em arquitetura, muitas vezes, 
altura equivale a privilégio (Cullen, 2002), de modo que a mudança de nível corresponderia a um 
tratamento diferenciado, em termos de elementos decorativos (cor, escala, qualidade dos materiais 
construtivos etc.). Além disso, esse zoneamento do arranjo residencial exacerbou a hierarquia entre 
a família do proprietário e os seus empregados. A segregação entre dominantes e dominados é um 
ranço colonial que se tornou uma das características permanentes da sociedade brasileira.
Embora houvesse uma setorização funcional entre as áreas social, de serviços e a 
área íntima, as moradias neoclássicas mantiveram o arranjo colonial de estabelecer uma 
permeabilidade entre as alcovas. Assim, a privacidade era apenas entre moradores e visitantes, 
e não entre os próprios moradores (PESSOA DOS SANTOS; PEREIRA; KOPPKE, 2018). Do ponto 
de vista da sociologia, essa setorização servia como um meio de definir claramente os papéis 
24
sociais, fortalecendo o poder patriarcal.
Algumas das residências neoclássicas mais significativas ainda existentes são o Palácio 
Imperial, em Petrópolis; o Solar da Gávea, no Rio de Janeiro; e a Casa da Marquesa de Santos, na 
capital paulista.
3.5 Decoração de interiores neoclássica
A clareza e rigor formal das fachadas neoclássicas contrastam com a rica ornamentação dos 
espaços interiores. As paredes recebiam uma rica policromia em tons pastéis, contrastando com 
as paredes exteriores revestidas com mármore ou estuque (PESSOA DOS SANTOS; PEREIRA; 
KOPPKE, 2018).
As casas brasileiras neoclássicas buscavam reproduzir o estilo adotado pela burguesia francesa 
do século XIX. Contavam com amplos salões de luxuosa decoração e uma série de antecâmaras, 
que garantiam maior privacidade aos ambientes mais íntimos (PESSOA DOS SANTOS; PEREIRA; 
KOPPKE, 2018).
Os salões principais das casas, destinados às recepções familiares, recebiam pintura e 
estuque ou eram decorados com papéis de parede. Utilizava-se mobiliário fino. As aberturas 
eram ornamentadas com pedra ou granito e eram voltadas para a rua. Essas aberturas podiam 
ser janelas de balcão, com peitoris de ferro e bandeiras de vidro (REIS FILHO, 2000).
3.6 Urbanismo neoclássico
O estilo neoclássico também influenciou a morfologia urbana, com a abertura de novas ruas 
e a inclusão de passeios junto às casas. A preocupação dos arquitetos com as fachadas, eixos 
de simetria e a escala monumental dos edifícios implicava na alteração da configuração urbana, 
através da abertura de vias públicas que dessem projeção visual aos edifícios. A introdução de 
projetos paisagísticos permitiu a construção de jardins públicos com vegetação exuberante. O 
Passeio Público do Rio de Janeiro é o exemplo mais significativo ainda existente no Brasil.
Com o passar do tempo, os lotes urbanos passaram a ter uma parcela reservada para um 
jardim, que deveria fazer a transição entre o passeio e a casa, entre o público e o privado. Essas 
mudanças vinham do paulatino entendimento, por parte de médicos e urbanistas, da necessidade 
de garantir maior arejamento nas edificações, para evitar a proliferação de doenças e conter o 
risco da propagação de incêndios. Códigos de posturas, que orientavam o ordenamento urbano, 
passaram a ser incorporados à legislação das cidades.
O cuidado com o desenho urbano também aumentou a demanda por edifícios públicos de 
maior qualidade tectônica. Escolas, hospitais, teatros e mercados municipais começaram a ser 
erguidos nas principais cidades brasileiras, obedecendo ao rigor formal do estilo neoclássico. 
25
Apesar de ser um estilo mais presente nos grandes centros urbanos, o neoclassicismo também 
foi utilizado em projetos de grandes propriedades rurais, especialmente aquelas que produziam 
café, como a Fazenda do Secretário, em Vassouras, no Estado do Rio de Janeiro.
Contudo, o neoclassicismo não ofereceu qualquer solução para as demandas por habitação e 
saneamento que surgiriam com a industrialização do Brasil e o crescimento urbano desordenado. 
Apesar de algumas obras de estruturação sanitária (até então os dejetos das casas eram lançados 
diretamente nas sarjetas), as reformas urbanas eram em sua maioria inócuas, pois preocupavam-
se meramente com os aspectos estéticos das cidades.
3.7 Legado do neoclassicismo
Em linhas gerais, embora não seja uma definição hermética, podemos enquadrar o 
neoclassicismo como um estilo arquitetônico que, no Brasil, esteve presente da segunda metade 
do século XVIII até a primeira metade do século XX. Contudo, como você já viu, o neoclassicismo 
não provocou mudanças significativas na vida brasileira. Por que isso aconteceu?
Lembre-se de que, durante trezentos anos, o Brasil foi apenas uma primitiva colônia de 
exploração, dependente do trabalho escravo. Portugal era uma monarquia absolutista bastante 
atrasada em relação a outras regiões europeias, de modo que as ideias de liberdade política e 
econômica do Iluminismo não eram defendidas com o entusiasmo que se observava na França, 
por exemplo. Além disso, a independência brasileira foi um processo sui generis, se comparado às 
revoluções que ocorreramnos Estados Unidos e em alguns países da América Latina. Não houve 
uma ruptura estrutural com o passado, na medida em que a escravidão e a monarquia foram 
mantidas e a economia continuou voltada para a exportação (SCHWARCZ, 2011).
Assim, do ponto de vista ideológico, a arquitetura neoclássica acaba sendo uma experiência 
truncada no Brasil. Se nos Estados Unidos a sobriedade e rigor do estilo neoclássico se adaptavam 
bem aos ideais democráticos da jovem república, no Brasil, toda essa produção, era utilizada para 
explicitar e manter as rígidas hierarquias sociais. A sua inevitável incorporação pelas camadas 
populares, que a adaptavam a partir do seu escasso conhecimento técnico, dá um aspecto 
pitoresco ao neoclássico brasileiro.
Embora a produção arquitetônica neoclássica no Brasil não seja tão vasta, nem tenha 
promovido mudanças estruturais no arranjo das cidades, os exemplares disponíveis devem ser 
preservados como memória da evolução urbana das cidades brasileiras. Muitos deles não são 
mais utilizados para seus fins originais (residencial ou governamental), abrigando atualmente 
museus e centros culturais.
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3.8 Exemplos do neoclássico no Brasil
Região Nordeste:
Palácio dos Leões (São Luis – MA): localizado no centro histórico da capital maranhense, 
atualmente abriga a sede do governo estadual. Apresenta dois pavimentos, cujo caráter linear é 
acentuado pela sua implantação frente ao mar. Possui telhado oculto por platibanda, balaústres 
e aberturas arqueadas com padieiras (arremate das aberturas através de arcos ou triângulos).
Região Norte:
Theatro da Paz (Belém – PA): edifício que se projeta de maneira majestosa sobre a praça 
circundante. Apresenta no térreo aberturas arrematadas com arcos de inspiração renascentista, 
e um pórtico com colunas coríntias, arrematado por um frontão triangular, dentro do qual se 
desenvolve um tímpano ornamentado. Apresenta materiais como mármore italiano, pedras 
portuguesas e ferro fundido importado da Inglaterra.
Figura 1 - Theatro da Paz. 
Fonte: iStock, 2020
#ParaCegoVer: Um edifício na cor salmão com pórtico formado por seis colunas pintadas de 
branco.
Região Sudeste:
Palácio do Itamaraty (Rio de Janeiro – RJ): edifício simétrico que apresenta um pórtico com 
colunas com capitéis jônicos, arrematado por um frontão triangular. A fluência rítmica das 
palmeiras que contornam o espelho d’água rompem a horizontalidade da composição, bem como 
evidenciam uma tentativa de dar à monumentalidade neoclássica do conjunto um sabor local.
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Arquivo Nacional (Rio de Janeiro – RJ): fachada simétrica, apresentando pórtico com colunas 
jônicas, arrematado por um frontão triangular. Uso de materiais nobres como granito, mármore 
e vitrais coloridos.
Pinacoteca (São Paulo – SP): exemplo do estilo neorrenascentista, é um edifício simétrico e 
regular com fachada de tijolos à vista, pode ser contemplado na totalidade a partir do jardim que 
o envolve.
Figura 2 - Pinacoteca. 
Fonte: iStock, 2020
#ParaCegoVer: Um edifício simétrico de tijolos aparentes.
Região Sul:
Prédio histórico da Universidade Federal do Paraná (Curitiba – PR): exemplo do que 
podemos chamar de um neoclássico tardio, pois foi completada em meados da década de 1940, 
após reformas da fachada original de 1912. Apresenta escadaria monumental que o eleva em 
relação à praça nivelada, frontões, colunata com capitéis coríntios, platibanda e arcos romanos. 
Atualmente, a percepção da monumentalidade do edifício está comprometida pela proximidade 
de diversos arranha-céus no entorno.
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Figura 3 - Prédio histórico da UFPR. 
Fonte: iStock, 2020
#ParaCegoVer: Edifício simétrico pintado de branco, com um pórtico de seis colunas 
centralizado arrematado por um frontão triangular.
Utilize o QR Code para assistir ao vídeo:
29
Nesta unidade, você teve a oportunidade de:
• conhecer um pouco mais sobre as características da sociedade brasileira na primeira 
metade do século XIX;
• conhecer os processos históricos, sociais e culturais envolvidos na disseminação do 
estilo neoclássico no Brasil;
• aprender sobre a importância da Missão Francesa na disseminação do neoclassicismo 
no Brasil;
• entender como a estratificação social do Brasil influenciou a arquitetura;
• conhecer algumas das mais importantes obras neoclássicas brasileiras.
PARA RESUMIR
BASSANI, J.; ZORZETE, F. São Paulo: cidade e arquitetura, um guia. 1 ed. São Paulo: Editor 
Francisco Maximiano Zorzete, 2014. 292 p.
BENEVOLO, L. História da Arquitetura Moderna. 3 ed. São Paulo: Perspectiva, 1998. 816 
p.
BENEVOLO, L. História da Cidade. 7 ed. São Paulo: Perspectiva, 2019. 864 p.
BUARQUE DE HOLANDA, S. Raízes do Brasil. 26 ed. Rio de Janeiro: José Olympio, 1994.
CAVALCANTI, N. Arquitetura no Brasil. Biblioteca Nacional Digital. Disponível em: http://
bndigital.bn.gov.br/dossies/rede-da-memoria-virtual-brasileira/arquitetura-e-urbanis-
mo/arquitetura-no-brasil/. Acesso em: 18 mar. 2020.
CULLEN, G. Paisagem Urbana. Lisboa: Edições 70, 2002. 374 p.
ELIAS, N. O processo civilizador. Formação do Estado e Civilização. Rio de Janeiro: Jorge 
Zahar Editor, 1993. 308 p.
ELIAS, N. O processo civilizador. Uma história dos costumes. Rio de Janeiro: Jorge Zahar 
Editor, 1994. 264 p.
Itaú Cultural. Neoclassicismo. 2017. Disponível em: https://enciclopedia.itaucultural.org.
br/termo361/neoclassicismo. Acesso em: 02 mar. 2020.
LAART. Arquitetura neoclássica no Brasil: história, características e obras famosas., 2019. 
Disponível em: https://laart.art.br/blog/arquitetura-neoclassica-no-brasil/. Acesso em 02 
abr. 2020.
LORDELLO, E. A urbanidade brasileira sob as óticas de cosmopolitismo e tradição em 
“Raízes do Brasil”, 2005. Disponível em: https://www.vitruvius.com.br/revistas/read/ar-
quitextos/05.060/464. Acesso em: 01 abr. 2020.
PESSOA DOS SANTOS, A. M.; PEREIRA, M. da S. (Org.); KOPPKE, K (Org.). Gosto neoclás-
sico: atores e práticas artísticas no Brasil no século XIX. 1 ed. Rio de Janeiro: Fundação 
Casa de Rui Barbosa, 2018. v.1. 350 p.
PEREIRA, S. G. A historiografia da arquitetura brasileira no século XIX e os conceitos 
de estilo e tipologia. Estudos Ibero-Americanos. Porto Alegre, v. XXXI, n. 2. p. 143-154, 
2005. Disponível em: https://europe-nations.estudosculturais.com/pdf/0083.pdf. Acesso 
em: 02 abr. 2020.
PESSOA DOS SANTOS, A M. As Artes Decorativas no Rio de Janeiro do Séc. XIX: um pa-
norama, 2014. Disponível em: http://www.casaruibarbosa.gov.br/arquivos/file/artigos/
as_Artes_Decorativas_no_Rio_de_Janeiro_do_Sec_XIX.pdf. Acesso em: 02 abr. 2020.
PROENÇA, G. História da Arte. 17 ed. São Paulo: Ática, 2007, 424p.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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casadoimperador/. Acesso em: 02 abr. 2020.
REIS FILHO, N. G. Quadro da Arquitetura no Brasil. 9 ed. São Paulo: Perspectiva, 2000. 
211 p.
SCHWARCZ, L. M. (org.). História do Brasil nação 1808-2010: crise colonial e independên-
cia – 1808-1830 (v. 1). 1 ed. São Paulo: Objetiva, 2011. 280 p.
SILVA, G. G. da. Arquitetura do ferro no Brasil. São Paulo: Studio Nobel, 1987. 248 p.
UNIDADE 2
Neoclassicismo e as cidades do 
século XIX
Você está na unidade Neoclassicismo e as cidades do século XIX. Conheça aqui a história 
dos fatos arquitetônicos e urbanos no Brasil durante o século XIX e o contexto mundial em 
que se inserem. Aprenda sobre a origem da arquitetura neoclássica e como ela foi inserida 
no Brasil. Conheça alguns arquitetos que se distinguiram nesse período e formaram a 
concepção deste estilo arquitetônico, com características bem definidas.
Entenda, ainda, como se desenvolveram as cidades do século XIX, as influências europeias 
advindas das cidades industriais, como a Paris de Haussmann, até às cidades de Rio 
de Janeiro e de São Paulo. Entenda também, como se dá o início da modernização na 
arquitetura e no urbanismo.
Bons estudos!
Introdução
35
1 NEOCLASSICISMO COMO SINÔNIMO DE 
CIVILIZAÇÃO NO BRASIL
O neoclassicismo,no Brasil, surgiu de uma influência europeia, onde já era cultivado desde 
o século XVIII, e de uma necessidade de um partido formal que representasse as novas ideias 
advindas do mundo antigo. O novo estilo arquitetônico foi implantado após a chegada da Missão 
Artística Francesa no país, durante o Império, no século XIX, opondo-se aos estilos predominantes 
da época: o barroco e o rococó.
Gomes Pereira (2005, p. 143), comenta sobre a tendência da historiografia em dividir 
rigidamente os estilos arquitetônicos:
Grande parte da historiografia sobre a arquitetura brasileira do século XIX apresenta tendência 
dominante de trabalhar com divisões rígidas entre estilos, enfatizando a oposição entre barroco/
rococó e neoclassicismo no início do século e, depois, entre neoclassicismo e ecletismo no final do 
século XIX/início do XX. Essa postura decorre de uma outra noção generalizada na literatura sobre arte 
brasileira: a ideia (sic) de que há uma correspondência “natural” entre linguagens artísticas e períodos 
históricos; assim o barroco predominaria na Colônia, o neoclassicismo no Império e o ecletismo na 
Primeira República.
Ainda assim, a divisão da história da arquitetura em estilos facilita a compreensão dos fatos. 
Porém, é notório que há momentos em que os estilos se sobrepõem. Além disso, se adaptam às 
condições climáticas, político-culturais, disponibilidade de mão de obra e materiais de cada povo. 
O estudo do neoclassicismo se faz necessário pois marcou fortemente a história da arquitetura e 
do urbanismo no mundo e possui um conjunto de características possíveis de agrupar.
1.1 Neoclassicismo europeu
A arquitetura do neoclassicismo surgiu de duas evoluções diferentes, porém inter-
relacionadas. A primeira foi o aumento da capacidade do ser humano de exercer controle sobre 
a natureza. A segunda foi uma mudança cultural devido as transformações que aconteciam na 
sociedade, com a aristocracia decadente e a burguesia ascendente (FRAMPTON, 2003, p. 3).
Para os historiadores de economia, o período de 1760 a 1830 corresponde à Revolução 
Industrial. Já para os historiadores da arte, corresponde ao Neoclassicismo. O espírito iluminista 
da época, associado à tradição renascentista, adotam os modelos da arquitetura antiga - grega 
e romana -, juntamente com formas racionais de elementos construtivos como, por exemplo 
(BENEVOLO, 2009, p. 62):
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• Colunas de sustentação vertical;
• travejamento de sustentação horizontal;
• cornijas nos cimos dos telhados;
• tímpanos nos encontros entre dois planos de cobertura.
Este espírito iluminista do século XVIII traz curiosidade a todas as aplicações técnicas e à 
industrialização dos processos de produção, e o emprego dos materiais tradicionais muda. 
Passam, então, a ser produzidos industrialmente, e com melhor qualidade, os produtos de 
olaria e madeiramento. Passam, também, a utilizar o vidro para janelas, no lugar do papel, e a 
ardósia ou a telha nas coberturas, em lugar de palha. Empregam largamente o ferro, nas cercas, 
nas ferragens para fechamentos, nas balaústras e por vezes nas estruturas de sustentação. 
(BENEVOLO, 2009, p. 56)
Anterior a este período, a retomada do estilo clássico, realizada pelo arquiteto renascentista 
Andrea Palladio (1508-1580), foi uma das maiores influências ao neoclassicismo. Ele foi um dos 
primeiros a utilizar o frontão, característico dos templos gregos, como a cobertura de um pórtico. 
Um dos projetos mais conhecidos de Palladio é a Villa Capra em Veneza, 1567.
Figura 1 - Villa La Rotonda, conhecida como Villa Capra, em Veneza, Itália. Projeto de Palladio em 1567. 
Fonte: iStock, 2020
#ParaCegoVer: Na imagem, temos a fachada principal da edificação Villa Capra, constituída de 
frontão, em formato triangular, sustentado por seis colunas, formando um pórtico coberto de acesso. 
Para chegar ao pórtico, há uma extensa escadaria, formando um acesso monumental. Observa-se 
a existência do mesmo pórtico nas fachadas laterais. Após o pórtico, há o bloco principal, de forma 
retangular e marcado por uma cúpula central. Predominam os tons pastéis na edificação de planta 
simétrica. A Villa Capra está em um terreno com gramado verde, de ares bucólicos.
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A Villa Capra possui planta baixa em forma de cruz, simétrica, com um corpo principal 
formando um quadrilátero, centralizado, com alas secundárias nas laterais e cúpula central. O 
pórtico monumental de entrada, com frontão, se repete em todas as fachadas.
Figura 2 - Planta baixa e fachada da Villa Capra, em Veneza, Itália. Projeto de Palladio em 1567. 
Fonte: iStock, 2020
#ParaCegoVer: Na imagem, temos o desenho da planta baixa e da fachada principal da 
edificação Villa Capra. Observa-se que o projeto possui quatro fachadas idênticas e combina duas 
formas simples, o cubo e a esfera. O cubo como edificação principal e a esfera como cúpula central.
O arquiteto italiano, conforme citado por Mizoguchi e Machado (apud James Ackerman, in 
Palladio, Edizione Piccola Biblioteca Einaudi, 2006, p. 11), “(...) foi o mais largamente imitado e é 
possível que sozinho tenha influenciado o desenvolvimento da arquitetura inglesa e americana, 
mais do que todos os outros mestres renascentistas no seu conjunto”.
1.2 Missão Artística Francesa no Brasil
No Brasil, o século XIX caracterizou-se por uma abertura à cultura europeia, francesa em 
particular, o que é facilmente explicável, uma vez que, no Rio de Janeiro, a população de cultura 
mediana sabia falar a língua francesa e convivia no cotidiano com a cultura francesa, tanto através 
do teatro como da literatura. Neste período, a elite brasileira, de um modo geral, aspira aos 
valores culturais europeus e às noções vigentes de modernidade e de civilização, manifestadas 
nos costumes, nas artes e na moda, com destaque para a arquitetura (SANTIAGO, 2011, p. 5).
Sobre os estilos classicizantes, vigentes nesse período, BRUAND (2018, p.33) comenta sobre 
o que é neoclássico e salienta as diferenças regionais entre os dois grandes centros brasileiro:
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No Brasil, costuma-se englobar sob o rótulo “neoclássico” todos os edifícios onde se pode notar 
o emprego de um vocabulário arquetetônico (sic) cuja origem distante remonta à Antiguidade greco-
romana. Portanto, o que se convencionou chamar de neoclassicismo, na realidade, não passa de 
uma forma de ecletismo, onde é possível encontrar justapostos todos os estilos que utilizam colunas, 
cornijas e frontões, da Renascença italiana ao Segundo Império francês, passando pelo classicismo, pelo 
barroco e pelo verdadeiro neoclássico de fins do século XVIII e primeira metade do XIX. Assim, nessa 
categoria de obras não existe qualquer unidade profunda, mas apenas um certo parentesco, devido 
ao espírito acadêmico que marca as diversas construções desse tipo. Existem, contudo, diferenças 
regionais, que colocam em oposição principalmente os dois grandes centros, Rio de Janeiro, a capital 
federal, e São Paulo, a metrópole rival, de crescimento espantoso devido ao poderio econômico 
originado da comercialização do café.
O neoclassicismo foi introduzido no Rio de Janeiro com a chegada da Missão Artística Francesa, 
em 1816, a convite de D. João VI. O arquiteto Auguste Henri Victor Grandjean de Montigny fundou, 
em 1822, a Escola/Academia de Belas Artes do Rio, da qual foi professor titular e introduziu o 
neoclassicismo puro, dando uma formação rígida, baseados nos princípios franceses na época da 
Revolução e do Império (BRUAND, 2018, p. 34).
A arquitetura introduzida por Grandjean de Montigny, com o compromisso de estabelecer 
uma nova imagem à sede do Império, alterou a aparência de tradição lusa da cidade do Rio de 
Janeiro, dividindo a cidade com construções existentes de origem portuguesa mais populares, e as 
de influência francesa. Para muitos, o estilo neoclassicista surgiu para trazer a ideia de civilidade, 
uma renovação no comportamento social, mais adequados a corte portuguesa chegada em 1808 
no nosso país, ou ainda, conforme Hoirisch e Ribeiro (2010,p. 266):
Alguns autores referem a independência de Portugal, em 1822, como um dos motivos que 
fizeram o Brasil romper com a tradição arquitetônica lusitana. Com a Academia Imperial de Belas 
Artes, nossa arquitetura adotou uma linguagem internacional norteada pela Beaux-Arts de Paris. 
Assim, construções populares passaram a contrastar com obras civis plenas de significados, erguidas 
em moldes neoclássicos. A adoção de platibandas e outros elementos construtivos das ordens greco-
romanas contrastavam fortemente com a grande unidade arquitetônica vigente.
Em São Paulo, a capital do café, a tradição neoclássica, solidamente implantada no Rio de 
Janeiro, surgiu com atraso. Até 1880 a cidade tinha aspecto de um burgo colonial e não mais que 
algumas residências dos plantadores de café se inspiravam nos modelos já vigentes no Rio de 
Janeiro. A ruptura da tradição local ocorreu em 1878, com o Grand Hotel, do alemão Puttkamer 
e, posteriormente, com o monumento comemorativo da Independência, o atual Museu Paulista, 
projetado pelo italiano Tommazio Bezzi, com construção finalizada em 1885 (BRUAND, 2018, p. 38).
.
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1.3 Exemplares da arquitetura neoclássica brasileira
O mais importante edifício neoclássico concluído no Brasil foi o da própria Academia Imperial 
de Belas Artes, do arquiteto Grandjean de Montigny, concluído em 1826. Infelizmente, hoje resta 
somente o pórtico da edificação, que foi demolida em 1930, no atual Jardim Botânico do Rio de 
Janeiro. Grandjean difundia uma arquitetura que mesclava seu aprendizado na Beaux-Arts de 
Paris com o da Academia Francesa de Belas Artes em Roma.
Figura 3 - Pórtico de acesso a AIBA, hoje no Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Projeto de Grandjean de 
Montigny em 1826 
Fonte: Shutterstock, 2020
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#ParaCegoVer: Na imagem, temos um pórtico com passagem em arco no primeiro andar, 
colunas no segundo e frontão em cima. O caminho que direciona a este pórtico possui palmeiras 
em ambos os lados.
Outro projeto de Montigny é a antiga Praça do Comércio do Rio de Janeiro localizada no centro 
da cidade, hoje é a atual Casa França-Brasil. No passado também foi sede da antiga Alfândega. 
Construído entre 1819 e 1820, foi projetado por encomenda de D. João VI. É o primeiro edifício 
construído pelo arquiteto da missão francesa no Brasil. Conforme PESSÔA (2020) descreve:
Conhecemos bastante sobre o projeto de Grandjean de Montigny graças aos desenhos originais do 
arquiteto, que são conservados no Museu Nacional de Belas Artes do Rio de Janeiro. Por eles, sabemos 
que, na fachada da entrada principal, ao invés dos atuais óculos, havia grandes janelas, como as ainda 
existentes nas outras fachadas, e que foram parcialmente fechadas para a instalação da Alfândega, que 
necessitava de maior proteção. O tratamento das fachadas é bastante simples, com um corpo central 
levemente ressaltado e elevado, que é arrematado por frontão triangular. Na elevação central, vão em 
meio círculo, característico dos prédios públicos da Roma antiga. Uma recente obra de conservação 
da fachada deixou à mostra o embasamento de cantaria em arenito de Ipanema do corpo central. 
Inspirado pelo seu uso original nas antigas basílicas romanas, o espaço interno é um amplo salão aberto 
em cruz composto pela associação de quatro abóbadas de berço e cúpula central iluminada através de 
um lanternim, expediente muito empregado pelos romanos em suas termas e basílicas. As colunas 
dóricas, que sustentam a cobertura do salão, são revestidas de madeira com pintura marmorizada.
Figura 4 - Interior da Casa França-Brasil, Rio de Janeiro. Projeto de Grandjean de Montigny em 1820.
Fonte: Shutterstock, 2020
#ParaCegoVer: Na imagem, vista do sentido piso-teto do interior da Casa França-Brasil. É 
possível visualizar o encontro da coluna com elemento vertical, bem como, arco e cúpula central.
Discípulos de Montigny, José Maria Jacinto Rebello e Joaquim Cândido Guillobel, projetaram 
e construíram, com Domingos Monteiro, dois paradigmáticos monumentos neoclássicos: o 
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Palácio Universitário, antigo Hospício de Pedro II, situado na Praia Vermelha e a Santa Casa de 
Misericórdia, no Centro. Hoirisch e Ribeiro (2010, p. 269) comparam as obras:
Os dois prédios se parecem, ostentando grandes fachadas caiadas de branco, com um pórtico 
no centro, formando uma espécie de templo de gnaisse bege, com dupla colunata, arrematado por 
frontão triangular, de onde a escadaria principal em pedra conduz ao vestíbulo. A distribuição de 
ambos em alas em torno de pátios internos com grandes galerias permite a entrada de farta luz e 
ventilação naturais, recomendadas à salubridade hospitalar.
Figura 5 - Palácio Universitário, Rio de Janeiro. Projeto de Rebello e Guillobel. 
Fonte: iStock, 2020
#ParaCegoVer: Na imagem, vista aérea da edificação monumental do atual Palácio 
Universitário. Edificação inserida na malha urbana, contrastando suas características neoclássicas 
com o entorno contemporâneo.
O atual Museu Paulista, no bairro Ipiranga em São Paulo, foi concebido como monumento 
comemorativo da Independência. Projetado pelo italiano Tommazio Bezzi, constitui uma vasta 
construção com arcada coríntia. Foi executado pelo também italiano Luigi Pucci, entre 1882 e 
1885 (BRUAND, 2018, p.38).
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Figura 6 - Museu Paulista, São Paulo. Projeto de Tommazio Bezzi, concluída em 1885. 
Fonte: iStock, 2020
#ParaCegoVer: Na imagem, fachada principal e monumental do atual Museu Paulista com 
jardim em frente e espelho d’água. É possível visualizar uma edificação de três pavimentos, com 
pórtico de entrada marcante, marcado por frontão, logo abaixo colunas, e mais abaixo arcos. 
A edificação principal, logo atrás do pórtico coberto, se desenvolve de maneira longitudinal e 
simétrica.
Observa-se que a arquitetura neoclássica se restringiu às camadas mais abastadas. Devido 
a sua monumentalidade, dependia de grandes volumes de recursos financeiros e materiais 
importados. Além da já comentada inspiração greco-romana, caracterizou-se pelo uso de 
formas geométricas simples, planta simétrica de simplicidade formal e espacial. Utiliza materiais 
nobres, como pedra, mármore e granito. Apresenta amplo uso de frontões triangulares, colunas, 
abóbadas e cúpulas, além de edificações elevadas, com uso de escadaria. Há, ainda, o predomínio 
de cores claras e suaves. Conforme Santiago (2011, p. 7, apud SOUSA, 1994):
Sousa argumenta ainda que em outras cidades brasileiras a influência de mestres do 
neoclassicismo acontece por meio das mais diversas origens, é o que apresentam os trabalhos de 
pesquisadores em vários estados que, de acordo com suas pesquisas locais, a influência francesa não 
teve origem na Academia Imperial de Belas Artes do Rio de Janeiro. Em Belém, por exemplo, o trabalho 
da pesquisadora Jussara Derenji, segundo Sousa, aponta que a missão Francesa teria pouca influência 
naquela região; no Rio Grande do Sul, segundo Günter Weimer, receberam mestres do neoclassicismo 
de outro contexto europeu – a Alemanha.
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A corrente neoclássica brasileira só começou a se degenerar depois de 1860, quando 
outros estilos históricos passaram a se sobrepor. Após essa breve explanação sobre arquitetura 
neoclássica brasileira e seu contexto temporal, é possível aprofundarmos o conhecimento sobre 
o meio urbano em que se inserem: as cidades do século XIX.
2 AS CIDADES BRASILEIRAS NO SÉCULO XIX
O panorama das principais cidades europeias e brasileiras no século XIX é bastante diferente. Já 
no início do século, na Europa, são dados os primeiros passos em direção ao urbanismo moderno 
a partir da Revolução Industrial. No Brasil, isto só ocorre no final do mesmo século. Muitas das 
características das cidades do século XIX são incorporadas nas cidades contemporâneas e, por 
este motivo, merecem especial atenção.
2.1 A cidade industrial
Como vimos anteriormente, para os historiadores de economia, o período de 1760 a 
1830 corresponde à Revolução Industrial e, para os

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