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ESTÁGIO PRÁTICO I 
TRILHA 4 
Rosângela das Couves, representando seu filho menor impúbere, 
Arthur das Couves Pereira, procurou o Núcleo de Prática Jurídica do Centro 
universitário Estácio de Santa Catarina, para requerer que seu ex-companheiro, 
na qualidade de pai de seu filho, venha colaborar com o sustento de seu filho. 
Após atendimento da cliente, os estagiários fizeram petição inicial de 
ação de alimentos com pedido de alimentos provisórios, em face de Maurício 
Pereira, pai do menor, requerendo como alimentos provisórios e ao final 
alimentos, o montante de 15% dos rendimentos do genitor. Cabe salientar, que 
o genitor já possui outros dois filhos, de outra mãe, que recebem, cada um, 15%
dos rendimentos do genitor.
A petição foi protocolada pelo Advogado Orientador após a correção 
e o processo foi distribuído para a 2ª Vara da Família e Órfãos da Comarca de 
São José, e teve a seguinte decisão interlocutória: 
Poder Judiciário JUSTIÇA ESTADUAL 
Tribunal de Justiça do 
Estado de Santa Catarina 2ª 
Vara da Família e Órfãos da 
Comarca de São José 
Domingos André Zanini, 380 - Bairro: Barreiros - CEP: 
88117200 - Fone: (48) 3287-5237 - Email: 
saojose.familia2@tjsc.jus.br 
ALIMENTOS - LEI ESPECIAL Nº 5.478/68 Nº 5009999- 
98.2024.8.24.0064/SC 
REPRESENTANTE LEGAL DO AUTOR: ROSÂNGELA DAS COUVES (PAIS) 
AUTOR: ARTHUR DAS COUVES PEREIRA (ABSOLUTAMENTE INCAPAZ (ART. 3º 
CC)) 
RÉU: MAURÍCIO PEREIRA 
DESPACHO/DECISÃO 
Vistos, etc. 
Trata-se de "Ação de Alimentos", com pedido de 
tutela antecipada, ajuizada por ROSÂNGELA DAS COUVES e 
mailto:saojose.familia2@tjsc.jus.br
 
ARTHUR DAS COUVES PEREIRA em face de MAURÍCIO 
PEREIRA. 
I - ALIMENTOS AO FILHO 
 
Razão, assiste à parte autora em pleitear alimentos, 
porque comprovada se encontra a paternidade e o dever de prestar 
alimentos surge em razão do poder familiar (certidão de nascimento 
no evento 1.4), ainda, apesar de não restarem comprovadas as 
necessidades do filho, tem-se que estas são presumidas. 
 
No tocante à possibilidade do requerido, embora 
também não estarem comprovadas nos autos, tem-se que o dever de 
sustento dos filhos compete a ambos os genitores, conforme 
disposto no artigo 22 do Estatuto da Criança e do Adolescente, 
desta forma, o requerido deve suprir, juntamente à genitora, as 
necessidades do menor. 
 
Porém, o valor pleiteado pela genitora se demonstra 
demasiado, eis que não ficou comprovado qualquer necessidade 
especial por parte da menor e do mesmo modo, a possibilidade do 
genitor arcar com os valores pleiteados, eis que o próprio autor 
alega que o genitor já custeia alimentos a outras duas filhas. 
 
Assim, diante do acima exposto, indefiro o valor 
pleiteado e fixo os alimentos provisórios devidos ao menor em 
10% dos rendimentos do requerido, excetuados os descontos 
obrigatórios, INSS, IRPF e verbas indenizatórias, os quais 
deverão ser depositados pelo empregador na conta bancária 
indicada na inicial, até o dia 10 (dez) do mês subsequente ao 
vencido. Incide também os descontos dos alimentos sobre o 
terço de férias, 13º salário. Em caso de desemprego ou atividade 
autônoma, fixo os alimentos em 30% do salário mínimo 
nacional mensal a ser pago até o dia 10 do mês subsequente ao 
vencido, mediante depósito. 
 
São os precedentes: 
 
AGRAVO DE INSTRUMENTO. FAMÍLIA. DECISÃO 
AGRAVADA QUE FIXOU ALIMENTOS PROVISÓRIOS EM 
FAVOR DA FILHA MENOR DAS PARTES EM 3,5 SALÁRIOS 
MÍNIMOS. MAJORAÇÃO. INVIABILIDADE. DESPESAS DA 
CRIANÇA NÃO COMPROVADAS. GENITORA/GUARDIÃ 
QUE TAMBÉM POSSUI BOA CONDIÇÃO FINANCEIRA. 
DEVER DE SUSTENTO QUE COMPETE A AMBOS OS 
PAIS. AUSÊNCIA DE PROVAS DA EFETIVA RENDA 
PERCEBIDA PELO GENITOR. QUANTIA ESTIPULADA 
EM PRIMEIRO GRAU QUE, POR ORA, ATENDE AO 
BINÔMIO NECESSIDADE/POSSIBILIDADE. 
ALIMENTOS PROVISÓRIOS DEVIDOS DESDE O 
ARBITRAMENTO. ART. 4º DA LEI N. 5.478/1968. 
DECISÃO MANTIDA. RECURSO CONHECIDO E 
DESPROVIDO. (TJSC, Agravo de Instrumento n. 4014274- 
28.2018.8.24.0000, 
 
da Capital, rel. Des. Cláudia Lambert de Faria, Quinta 
Câmara de Direito Civil, j. 11-12-2018, grifo nosso). 
 
DIREITO DE FAMÍLIA. ALIMENTOS. DÉCIMO TERCEIRO 
SALÁRIO. TERÇO CONSTITUCIONAL DE FÉRIAS. 
INCIDÊNCIA. JULGAMENTO SOB A TÉCNICA DO ART. 
543-C DO CPC. 1. Consolidação da jurisprudência desta 
Corte no sentido da incidência da pensão alimentícia sobre o 
décimo terceiro salário e o terço constitucional de férias, 
também conhecidos, respectivamente, por gratificação 
natalina e gratificação de férias. 2. Julgamento do especial 
como representativo da controvérsia, na forma do art. 543-C 
do CPC e da Resolução 08/2008 do STJ - Procedimento de 
Julgamento de Recursos Repetitivos. 3. Recurso especial 
provido. REsp 1106654 / RJ. RECURSO ESPECIAL. 
2008/0261750-0 
 
Ainda, Maria Berenice Dias esclarece que os alimentos provisórios 
são devidos a da fixação e não da citação, in verbis: 
 
"Os alimentos provisórios são devidos a partir do momento em 
que o juiz os fixa. Equivocado o entendimento que, invocando 
o § 2º do art. 13 da Lei de Alimentos, sustenta que os alimentos 
provisórios se tornam exigíveis somente a partir da citação do 
devedor. Não há como sujeitar o pagamento dos alimentos ao 
ato citatório. Mantendo o devedor vínculo empregatício, ao 
fixar os alimentos, o juiz oficia ao empregador para que desde 
logo dê início ao desconto da pensão, em folha de pagamento, 
o que passa a acontecer mesmo antes da citação do réu. Nada 
justifica tratamento diferenciado se não tiver o réu vínculo 
laboral. Nessa hipótese, não há como conceder prazo distinto 
para iniciar o pagamento dos alimentos, por inexistência de 
fonte pagadora. Além de deixar o credor desassistido, estar- 
se-ia incentivando o devedor a esquivar-se da citação e a 
esconder-se do Oficial de Justiça." (DIAS, Maria Berenice. 
Alimentos e poder familiar. Disponível em: 
. Acesso em: 
18 jan. 2013.) 
 
No mesmo sentido é a Jurisprudência: 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
fixação. 
AGRAVO DE INSTRUMENTO. EXECUÇÃO DE ALIMENTOS. 
TERMO INICIAL. ALIMENTOS 
PROVISÓRIOS. Os alimentos provisórios, diferentemente dos 
definitivos, são devidos desde a fixação, sendo este o marco 
inicial da obrigação, e não a citação da parte adversa, pois 
somente os definitivos retroagem a essa data, como dispõe o 
art. 13, § 2º, da Lei 5.478/68. DERAM PROVIMENTO. 
UNÂNIME. (Agravo de Instrumento Nº 70050664283, Oitava 
Câmara Cível, Tribunal de Justiça do RS, Relator: Luiz Felipe 
Brasil Santos, Julgado em 25/10/2012). 
 
Assim, os alimentos provisórios são devidos a partir da 
 
II - Defiro o pedido de Justiça Gratuita, ressalvando 
eventual impugnação. 
 
 
 
III - Considerando a situação excepcional 
relacionada a Pandemia de Coronavírus (COVID-19), que levou o 
Tribunal de Justiça de Santa Catarina a suspender os prazos 
processuais, expediente interno e consequentemente as audiências 
já aprazadas, o que causou um acúmulo de processos pendentes de 
remarcação de audiências; 
 
Considerando, ainda, que firmado o contraditório, 
pela perfectibilização da angularização processual, a Conciliação 
pode ser tentada a qualquer momento, na forma do art. 139, V, do 
CPC, e, inclusive, em eventual audiência de instrução e julgamento, 
bem como no âmbito extrajudicial; 
 
Afasto a designação da audiência de Conciliação e 
Mediação, dispensando as fases processuais citatórias e 
conciliatórias do art. 334, do CPC, com base no princípio do “livre 
convencimento motivado”, para determinar a citação da parte 
passiva, para contestar, querendo, no prazo de quinze 
(15) dias, com a advertência dos efeitos da revelia, em caso de 
seu silêncio. 
 
IV - Fica autorizada desde já, a expedição de 
Carta Precatória para citação da parte passiva, caso necessário. 
 
V - Fica autorizado também, a citação por meio do 
aplicativo WhatsApp, nos moldes da Circular CGJ n. 222/2020, 
sendo que restando impossibilitada o cumprimento pela via 
eletrônica, deve-se cumprir presencialmente.Lembro que, conforme enunciado do § 2º, do art. 
212, do Código de Processo Civil, independentemente de 
autorização judicial, as citações, intimações e penhoras poderão 
realizar-se no período de férias forenses, onde as houver, e nos 
feriados ou dias úteis fora do horário estabelecido neste artigo, 
observado o disposto no art. 5o, inciso XI, da Constituição Federal, 
o que deverá constar no mandado. 
 
Encaminhe-se a respectiva chave de acesso do processo. 
 
Fica, desde já, autorizado o Cartório a proceder à consulta aos Sistemas 
SISP, SIEL e INFOSEG, a expedição de mandados, a intimação em novos endereços 
indicados pelas partes, a intimação das partes, por ato ordinatório, para manifestarem-se 
sobre intimações negativas, bem como a expedição de cartas precatórias, sempre que 
necessário, visando ao cumprimento do despacho. 
 
As medidas acima são exemplificativas. Todos os impulsos relacionados a 
intimação das partes deverão ser realizados pelo Cartório. Caso sejam inexitosos todos os 
impulsos, aguarde-se a audiência, ocasião na qual será proferido despacho. 
VI - Ainda, frente ao princípio da proteção integral e 
razoável duração do processo, esclareça acerca da guarda e convivência, podendo emendar, 
no prazo de quinze dias. 
VII - No mais, oficie-se ao Ministério do Trabalho e 
Emprego, MTE- Florianópolis, a fim de averiguar, no cadastro Caged, se a parte passiva 
possui vínculo empregatício, se positivo, informe o endereço completo do empregador, no 
prazo de dez dias. 
VIII - Sendo informado, oficie-se a fonte pagadora, para 
que efetue o depósito dos alimentos fixados na conta da genitora (item "c", fl. 6, do evento 
1.1). 
Intimem-se. 
Cumpra-se. 
Documento eletrônico assinado por MARIA DA CONCEICAO DOS SANTOS 
MENDES, Juíza de Direito, na forma do artigo 1º, inciso III, da Lei 11.419, de 19 de 
dezembro de 2006. A conferência da autenticidade do documento está disponível no 
endereço eletrônico https://eproc1g.tjsc.jus.br/eproc/externo_controlador.php? 
acao=consulta_autenticidade_documentos, mediante o preenchimento do código 
verificador 310012624473v2 e do código CRC f3083d00. 
Informações adicionais da assinatura: 
Signatário (a): MARIA DA CONCEICAO DOS SANTOS MENDES 
Data e Hora: 04/04/2025, às 18:54:50 
Você, na qualidade de Estagiário do NPJ, acompanhando o caso da 
cliente, inconformado com a decisão interlocutória que deferiu valor inferior ao 
dos outros alimentandos, redija o RECURSO cabível para ter a decisão 
interlocutória modificada. Salientando-se que não é caso de Embargos de 
Declaração! 
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