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INSTITUTO ESTADUAL MADRE BENÍCIA 
LOMBA GRANDE – NOVO HAMBURGO 
 
 
 
Professora: Liliane Fischoder da Silva Voss Disciplina: História 
 EJA - T5 - Semana 1 e 2 de Abril (aula 9 a 12 ) 
 
A Revolução Neolítica, também conhecida como Revolução Agrícola, foi um dos períodos de 
transição mais importantes e transformadores da história humana. Ocorrida aproximadamente a 
partir de 10.000 a.C. (fim da última Era Glacial), ela marcou a mudança dramática de um estilo de 
vida nômade, baseado na caça e coleta, para um modo de vida sedentário, focado na agricultura 
e na criação de animais. 
Abaixo estão os pontos centrais dessa revolução: 
Principais Características 
● Desenvolvimento da Agricultura: Os humanos começaram a observar o ciclo de 
crescimento das plantas e passaram a cultivar intencionalmente espécies como trigo, 
cevada, arroz e milho. Isso garantiu uma fonte de alimento mais previsível e estável. 
● Domesticação de Animais: Em vez de apenas caçar, os humanos começaram a 
domesticar e criar animais (como ovelhas, cabras, porcos e gado) para obter carne, leite, 
couro, lã e também para ajudar no trabalho pesado do campo. 
● Sedentarização: Com a necessidade de cuidar das plantações e dos rebanhos, as 
comunidades deixaram de ser nômades. Elas começaram a construir habitações 
permanentes, o que deu origem às primeiras aldeias e, posteriormente, às primeiras 
cidades. 
● Avanços Tecnológicos: O período Neolítico (Idade da Pedra Polida) foi marcado pela 
criação de ferramentas mais eficientes e duradouras feitas de pedra polida, como 
machados e enxadas. Além disso, houve o desenvolvimento da cerâmica (para armazenar 
grãos e cozinhar) e da tecelagem (produção de tecidos a partir de lã e fibras vegetais). 
 
Principais Consequências 
● Crescimento Populacional: A maior disponibilidade de alimentos permitiu um aumento 
exponencial e sem precedentes da população humana. 
● Geração de Excedentes e Comércio: A capacidade de produzir mais comida do que o 
necessário para a sobrevivência imediata gerou excedentes. Isso permitiu o 
armazenamento de alimentos para épocas difíceis e o início do comércio (escambo) entre 
diferentes comunidades. 
● Divisão do Trabalho: Como nem todos precisavam mais se dedicar exclusivamente à 
busca por comida, surgiram novas profissões. Artesãos, guerreiros, sacerdotes e 
comerciantes começaram a compor a sociedade. 
● Estratificação Social e Estado: O controle sobre os excedentes agrícolas e as terras 
mais férteis gerou desigualdades sociais. Organizações políticas mais complexas 
começaram a se formar para administrar esses recursos, resolver conflitos e organizar a 
defesa, pavimentando o caminho para o surgimento do Estado e das primeiras grandes 
civilizações, como as da Mesopotâmia e do Egito. 
A Revolução Neolítica nas Américas ocorreu de forma totalmente independente e isolada do resto 
do mundo. Ela começou um pouco mais tarde do que no Oriente Médio (Crescente Fértil), com os 
primeiros indícios de domesticação surgindo entre 8.000 a.C. e 5.000 a.C., dependendo da 
região. 
Diferente da Eurásia, onde o processo se espalhou rapidamente, nas Américas o 
desenvolvimento foi impulsionado por dois polos geográficos principais, cada um com seus 
próprios desafios e espécies nativas. 
Os Dois Grandes Centros de Domesticação 
● Mesoamérica (Centro-Sul do México e América Central): Esta região foi o berço da 
agricultura na América do Norte e Central. A base da dieta e do desenvolvimento agrícola 
foi a chamada "Tríade Mesoamericana": o milho, o feijão e a abóbora. O milho, em 
particular, foi domesticado a partir de uma gramínea selvagem chamada teosinto, em um 
processo complexo de seleção artificial que durou milênios. Outros cultivos importantes 
incluíam tomate, abacate, cacau e pimenta. 
● Região Andina (Peru, Bolívia e Equador): Nos Andes e na costa oeste da América do 
Sul, a altitude e o clima exigiram adaptações diferentes. A base agrícola foi formada por 
tubérculos, especialmente a batata (com centenas de variedades domesticadas para 
resistir ao frio) e a mandioca nas terras mais baixas, além de grãos altamente nutritivos 
como a quinoa e o amaranto. 
O Papel Limitado da Domesticação de Animais 
Uma das diferenças mais drásticas da Revolução Neolítica nas Américas em comparação com a 
Europa e a Ásia foi a escassez de grandes mamíferos domesticáveis. 
● Falta de animais de tração: Não havia cavalos, bois ou camelos na América 
pré-colombiana. Isso significa que não houve o desenvolvimento do arado puxado por 
animais. Toda a agricultura dependia exclusivamente da força de trabalho humana. 
● Animais domesticados: Na Mesoamérica, domesticou-se o peru e algumas raças de 
cães. Nos Andes, o cenário era um pouco melhor: os povos andinos domesticaram a 
lhama e a alpaca (usadas para transporte de carga leve e fornecimento de lã e carne), 
além do porquinho-da-índia (cui), que servia como importante fonte de proteína. 
Inovações e Técnicas Agrícolas 
Para compensar a falta de ferramentas puxadas por animais e lidar com terrenos difíceis, os 
povos americanos desenvolveram técnicas agrícolas de engenharia avançada: 
● Terraços (Andes): Para cultivar nas encostas íngremes das montanhas andinas, foram 
construídos degraus gigantescos de terra (andenes), que evitavam a erosão e criavam 
microclimas adequados para o plantio. 
● Chinampas (Mesoamérica): Na região dos lagos do Vale do México, desenvolveram-se 
as "ilhas flutuantes" artificiais feitas de junco e lama rica em nutrientes, que permitiam até 
três colheitas por ano. 
O Eixo Norte-Sul e a Disseminação 
O geógrafo Jared Diamond aponta que o eixo geográfico das Américas (Norte-Sul) dificultou a 
rápida disseminação de plantas e tecnologias. Enquanto na Eurásia (eixo Leste-Oeste) as plantas 
podiam viajar milhares de quilômetros mantendo-se na mesma latitude e clima, nas Américas, o 
milho domesticado no México demorou milhares de anos para se adaptar aos climas da América 
do Norte ou da América do Sul devido às drásticas mudanças de temperatura, dias de sol e 
estações do ano ao longo das latitudes. 
Apesar dessas dificuldades e do ritmo mais lento, a base agrícola estabelecida durante o período 
Neolítico nas Américas foi o que sustentou as imensas populações e permitiu a construção de 
centros urbanos monumentais, culminando no surgimento de civilizações altamente complexas 
como os Olmecas, Maias e Astecas na Mesoamérica, e os Chavín e Incas nos Andes. 
 
 
	 
	Principais Características 
	Principais Consequências 
	Os Dois Grandes Centros de Domesticação 
	O Papel Limitado da Domesticação de Animais 
	Inovações e Técnicas Agrícolas 
	O Eixo Norte-Sul e a Disseminação

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