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Apostila de Vocábulo Paulo Mosânio

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Disciplina 
Língua Portuguesa Vocábulo 
 
 
Coordenador da Disciplina 
Profº. Paulo Mosânio Teixeira Duarte 
 
 
7ª Edição
 
Copyright © 2010. Todos os direitos reservados desta edição ao Instituto UFC Virtual. Nenhuma parte deste material poderá ser reproduzida, 
transmitida e gravada por qualquer meio eletrônico, por fotocópia e outros, sem a prévia autorização, por escrito, dos autores. 
 
Créditos desta disciplina 
 
Coordenação 
Coordenador UAB 
Prof. Mauro Pequeno 
Coordenador Adjunto UAB 
Prof. Henrique Pequeno 
Coordenador do Curso 
Profª. Claudete Lima 
Coordenador de Tutoria 
Profª. Pollyanne Bicalho Ribeiro 
Coordenador da Disciplina 
Profº. Paulo Mosânio Teixeira Duarte 
Autor da Disciplina 
Prof. Paulo Mosânio Teixeira Duarte / Profª. Maria Claudete Lima 
 
Setor Tecnologias Digitais - STD 
Coordenador do Setor 
Prof. Henrique Sergio Lima Pequeno 
 
 
Centro de Produção I - (Material Didático) 
Gerente: Nídia Maria Barone 
Subgerente: Paulo André Lima / José André Loureiro 
Transição Didática 
Dayse Martins Pereira 
Elen Cristina Bezerra 
Enoe Cristina Amorim 
Fátima Silva Souza 
Hellen Paula Pereira 
José Adriano Oliveira 
Karla Colares 
Kamille de Oliveira 
Viviane Sá de Lima 
 
Formatação 
Camilo Cavalcante 
Elilia Rocha 
Emerson Mendes Oliveira 
Francisco Ribeiro 
Givanildo Pereira 
Sued de Deus 
 
Programação 
Andrei Bosco 
Damis Iuri Garcia 
Jaques Oliveira 
 
 
Publicação 
João Ciro Saraiva 
Design, Impressão e 3D 
André Lima Vieira 
Eduardo Ferreira 
Iranilson Pereira 
Luiz Fernando Soares 
Marllon Lima 
 
 
 
 
 
Gerentes 
Audiovisual: Jay Harriman 
Desenvolvimento: Wellington Wagner Sarmento 
Suporte: Paulo de Tarso Cavalcante 
 
 
 
 
 
 
Sumário 
 
Aula 01: Noções Básicas: Vocábulo, Morfema, Classe e Categoria ..................................................... 01 
 Tópico 01: A Noção de Vocábulo .......................................................................................................... 01 
 Tópico 02: A Noção de Morfema .......................................................................................................... 04 
 Tópico 03: As Noções de Classe e Categoria ........................................................................................ 06 
 
Aula 02: O Vocábulo e seus Constituintes .............................................................................................. 08 
 Tópico 01: A estrutura do vocábulo: noções de raiz e afixo .................................................................. 08 
 Tópico 02: Processos morfológicos ....................................................................................................... 10 
 
Aula 03: Os Vocábulos em Português ..................................................................................................... 13 
 Tópico 01: Introdução ............................................................................................................................ 13 
 Tópico 02: O Nome e o Verbo ............................................................................................................... 15 
 Tópico 03: O verbo e suas categorias ..................................................................................................... 19 
 
Aula 04: Tipos de vocábulos ..................................................................................................................... 24 
 Tópico 01: Os pronomes e artigos.......................................................................................................... 24 
 Tópico 02: Os numerais ......................................................................................................................... 30 
 Tópico 03: Os advérbios ........................................................................................................................ 32 
 Tópico 04: Os conectivos ....................................................................................................................... 34 
TÓPICO 01: A NOÇÃO DE VOCÁBULO
Toda área do conhecimento usa termos técnicos. A Linguística, por 
exemplo, tem seu vocabulário próprio, embora algumas vezes se aproprie 
de palavras de uso comum atribuindo a estas um sentido específico.
Na Morfologia, área relativa à disciplina abordada aqui, quatro termos 
são básicos: vocábulo ou palavra, morfema, classe e categoria. Vamos 
tratar de cada um deles em tópicos separados. 
Antes de discutirmos a noção de vocábulo, cabe esclarecer que há 
autores que usam apenas o termo palavra, em suas múltiplas acepções. 
Outros preferem usar o termo vocábulo por ser mais técnico. Já outros usam 
um e outro indiscriminadamente. Aqui adotamos esta terceira posição.
OLHANDO DE PERTO
Todos nós temos uma intuição do que é palavra, o que se evidencia 
em várias circunstâncias de nossa vida. Ao escrevermos um resumo, por 
exemplo, fazemos isto com um número limitado de palavras. Quando não 
entendemos algo, às vezes, o problema resulta de não conhecermos 
determinada palavra. Quando não sabemos o que dizer, dizemos que 
ficamos sem palavras. E assim por diante. 
Para definirmos palavra, pelo menos, numa de suas acepções, apoiamo-
nos no linguista americano Bloomfield [1] que distingue as formas em livres 
e presas. As primeiras podem sozinhas constituir um enunciado, enquanto 
as segundas sempre aparecem ligadas a outras. As primeiras correspondem a 
palavras, as segundas aos morfemas, unidades menores constituintes das 
palavras, sobre os quais falaremos no próximo tópico.
Assim, numa frase como amor com amor se paga, temos duas formas 
livres amor e paga, porque sozinhas podem constituir enunciado.
COMO PROVAM AS RESPOSTAS ÀS PERGUNTAS
- De que uma criança precisa?
- amor.
- Criança paga?
- paga.
Já as formas com e se seriam presas, porque, num discurso normal, elas 
não podem aparecer como respostas.
VEJA OS EXEMPLOS
- Você saiu com alguém?
LÍNGUA PORTUGUESA VOCÁBULO
AULA 01: NOÇÕES BÁSICAS: VOCÁBULO, MORFEMA, CLASSE E CATEGORIA
1
- *com
- Ele feriu a quem?
- *se
Esta classificação em dois tipos de formas, contudo, se mostrou 
insuficiente para dar conta de formas como as recém citadas, preposições e 
pronomes clíticos, e também os artigos. Se tais formas não podem figurar 
sozinhas num enunciado, por outro lado, gozam de certa liberdade, como a 
mudança de posição e a intercalação. 
Mattoso Camara Jr. [2], linguista brasileiro, dando-se conta desse 
problema, propôs um terceiro tipo de forma: a forma dependente. Esta 
abrange, em português, conectivos (preposições e conjunções), pronomes 
oblíquos e artigos.
VAMOS AOS EXEMPLOS
ABA 1
1a. Pedro se feriu na briga. O pronome clítico se é forma 
dependente porque embora não forme enunciado sozinho, pode ir 
para depois do verbo, tem, portanto, a característica da mobilidade: 
1b. Pedro feriu-se na briga. 
ABA 2
2a. O rapaz chorava. 
O artigo o é forma dependente porque, embora não forme enunciado 
sozinho, é separável da forma livre rapaz com que se relaciona, ou 
seja, possui a característica da separabilidade. Provamos isto 
intercalando uma forma entre o artigo e o substantivo: 
2b. O belo rapaz chorava.
ABA 3
Se as formas dependentes admitem uma das duas 
características, as presas não admitem nenhuma, conforme vemos 
nos exemplos a seguir. No exemplo (3b), vemos que as formas presas 
–s e –m não possuem mobilidade. No exemplo (3c), vemos que as 
mesmas formas não admitem inserção. Essas formas presas são um 
tipo de morfema, sobre que falaremos no próximo tópico.
3a. Os bons meninos se feriram. 
3b. Os bons *smenino se *mferira 
3c. Os *meninobonss *ferirasem
Agora estamos em condições de falar sobre o termo vocábulo/palavra. 
Para nós, vocábulos ou palavras são tanto as formas livres como as formas 
dependentes.
2
Para evitar um grande número de palavras no dicionário, os estudiosos 
convencionam uma forma abstrata para enunciar as palavras no dicionário. 
Em português, estaspalavras abstratas se apresentam no masculino 
singular, quando se trata de nomes. 
FÓRUM
Pesquise em Mattoso Camara a diferença entre vocábulo e palavra. 
Depois, comente o resultado de sua pesquisa com seus colegas. Agora 
responda: a diferença se sustenta? DICA: cedinho, mas *hojinho, 
*ontenzinho.
FONTES DAS IMAGENS
1. http://pt.wikipedia.org/wiki/Leonard_Bloomfield
2. http://pt.wikipedia.org/wiki/Joaquim_Mattoso_C%C3%A2mara_J%
C3%BAnior
Responsável: Profº. Paulo Mosânio Teixeira Duarte
Universidade Federal do Ceará - Instituto UFC Virtual
3
TÓPICO 02: A NOÇÃO DE MORFEMA
Além do vocábulo, outra unidade central na Morfologia é o morfema ( -- 
que é definido, em geral, como “unidade mínima significativa” (Gleason, 
s/d)) que se manifesta por morfes, pois o morfe, como você sabe, é uma 
classe de morfes. A forma –vel em lavável, por exemplo, é um morfema. 
–Vel é uma unidade significativa: significa “que se pode”. –Vel é uma 
unidade mínima que tem como alomorfes ve- de laváveis, e bil-, do adjetivo
lavabilíssimo não pode mais ser dividida sem que se destrua seu significado: 
–ve e –l, nesse contexto, seriam formas desprovidas de sentido. 
A preposição de também é uma unidade mínima significativa. Todavia, 
só podemos entender o significado deste morfema de forma indireta, 
suprimindo a preposição ou substituindo-a por outra, como nos exemplos:
4b. *Pedro gosta chocolate.
4c. *Pedro gosta por chocolate. 
PARADA OBRIGATÓRIA
Reflita: O que aconteceu com a frase original? Podemos dizer que as 
frases 4b e 4c são frases legítimas do português? Por quê?
Uma forma de compreender a noção de morfema é recorrer à relação 
entre Plano da Expressão (mais ou menos equivalente ao significante) e 
Plano do Conteúdo (mais ou menos equivalente ao significado). Estes planos 
são solidários, isto é, PE pressupõe PC e PC pressupõe PE. Resumindo:
PRINCÍPIO BÁSICO DE IDENTIFICAÇÃO DE MORFEMAS
Cada diferença no Plano da Expressão deve corresponder a uma 
diferença no Plano do Conteúdo. Cada identidade no Plano da Expressão 
deve corresponder a uma identidade no Plano do Conteúdo. 
Veja os exemplos
LÍNGUA PORTUGUESA VOCÁBULO
AULA 01: NOÇÕES BÁSICAS: VOCÁBULO, MORFEMA, CLASSE E CATEGORIA
4
DESAFIO
Com base no que você viu a respeito da preposição de, discuta por que 
a preposição a é uma unidade significativa em Pedro começou a falar aos 
dois anos.
FONTES DAS IMAGENS
Responsável: Profº. Paulo Mosânio Teixeira Duarte
Universidade Federal do Ceará - Instituto UFC Virtual
5
TÓPICO 03: AS NOÇÕES DE CLASSE E CATEGORIA
Outros termos relevantes para o estudo do vocábulo, além de morfema, 
são classe e categoria:
CLASSE
Divisão dos vocábulos de uma língua na base dos seguintes princípios 
diretores: 1) a natureza da significação (critério semântico); 2) a forma do 
vocábulos quanto à possibilidade de flexão e ao tipo dela (critério mórfico); 
3) a função na frase (critério funcional) (Camara Jr., 1968:s.v). 
CATEGORIA
Aspectos do mundo biossocial que são levados em conta na 
organização gramatical de uma língua e aí se simbolizam por meio de 
morfemas, que multiplicaram as aplicações de uma palavra. (...) Em 
sentido estrito [abrangem] as categorias gramaticais, que se expressam 
pela flexão externa e interna como as categorias de gênero, número, casos, 
tempo, aspecto, modo, voz etc. (Camara Jr., 1968:s.v).
Como vimos, são três os critérios de classificação vocabular. Cabe agora 
comentá-los em pormenor.
Critérios de Classificação Vocabular
Critérios Definições
1. Critério Semântico
Baseia-se no significado 
extralinguístico do vocábulo. 
Estamos usando o critério semântico, 
quando definimos, por exemplo, 
“substantivo é a palavra que designa 
os seres em geral”. Apelamos para o 
sentido extralinguístico “designa os 
seres”, que seria uma propriedade 
comum a todos os substantivos.
2. Critério Mórfico ou formal
Baseia-se na flexão e derivação. 
Assim, uma classificação que divide 
os vocábulos em variáveis e 
invariáveis, por exemplo, está usando 
um critério formal, porque se 
fundamenta na possibilidade ou não 
de flexão. Do mesmo modo, quando 
dizemos que “os adjetivos aceitam 
sufixo – íssimo” também estamos 
usando o critério formal, uma vez 
que fazemos referências à 
derivação.2
3. Critério funcional ou sintático Toma como base a função ou posição 
da palavra. Se os outros dois critérios 
podem ser aplicados ao vocábulo 
isolado, este toma o vocábulo em sua 
relação com os outros. É o critério 
sintático que Cunha (1983) emprega, 
LÍNGUA PORTUGUESA VOCÁBULO
AULA 01: NOÇÕES BÁSICAS: VOCÁBULO, MORFEMA, CLASSE E CATEGORIA
6
quando diz “os pronomes 
desempenham na oração as funções 
equivalentes às exercidas pelos 
elementos nominais (...)”.
Uma outra noção relacionada com a de classe é a de categoria, que nasce 
das relações no interior da frase, como o gênero e o número do adjetivo e do 
artigo, o tempo e o modo do verbo nas orações subordinadas, como nos 
exemplos:
Estes meninos preguiçosos querem que os pais façam tudo por eles.
Estes meninos preguiçosos queriam que os pais fizessem tudo por eles.
Como vemos, a forma plural do pronome e do adjetivo, nos exemplos, é 
determinada pelo substantivo. Também as formas verbais do verbo fazer são 
determinadas pelas formas do verbo querer da oração principal.
ATIVIDADE DE PORTFÓLIO
Identifique o(s) critério(s) de classificação vocabular (Visite a aula 
online para realizar download deste arquivo.) usado(s) nas definições das 
classes.
FÓRUM
Pesquise sobre os vários sentidos da palavra lexema. Apresente os 
resultados obtidos na net ou em dicionários de linguística e comente cada 
um dos sentidos 
FONTES DAS IMAGENS
Responsável: Profº. Paulo Mosânio Teixeira Duarte
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TÓPICO 01: A ESTRUTURA DO VOCÁBULO: NOÇÕES DE RAIZ E AFIXO
Vimos que o termo vocábulo/palavra compreende as formas que 
admitem mobilidade ou separabilidade. Para fins de análise, estas 
características separam o vocábulo dos morfemas de que são constituídos. Os 
vocábulos também são formas mínimas, mas na frase, pois se deixam dividir 
em morfemas.
Assim, numa palavra como menina, uma de suas partes, que conserva o 
significado básico, é chamada de raiz. A outra é chamada de sufixo, tipo de 
afixo.
Raiz é um constituinte vocabular central, enquanto o afixo é periférico. 
Ambos são morfemas segmentais, porque são constituídos de fones. 
Conforme a posição,os afixos podem ser.
VERSÃO TEXTUAL
prefixos: Afixos colocados antes da raiz ou radical.
Ex: pré-romântico, pós-moderno, ante-sala.
Sufixos: Afixos pospostos à raiz.
Ex.: cinzeiro, livraria, tristeza, amar.
Estes últimos, em português, podem ser classificados ainda em 
classificatórios, flexionais ou desinenciais e derivacionais ou lexicais. 
Os classificatórios nada acrescentam ao significado do vocábulo, servem 
para definir a conjugação verbal, são as vogais temáticas, expandem a raiz 
em tema (raiz + vogal temática):
1ª conjugação: vogal temática A, como em AMA-R
2ª conjugação: vogal temática E, como em VENDE-R
3ª conjugação: vogal temática I, como em PARTI-R
Os dois outros se diferenciam do seguinte modo.
SUFIXOS FLEXIONAIS
1. não criam novas palavras: criamos e criávamos são apenas 
variações do verbo criar, impostas pela concordância verbal.
2. são sistemáticos, aplicam-se a praticamente todas as palavras: os 
verbos, por exemplo, recebem sufixos de tempo e modo, as desinências 
modo-temporais.
LÍNGUA PORTUGUESA VOCÁBULO
AULA 02: O VOCÁBULO E SEUS CONSTITUINTES
8
3. são obrigatórios: não há recurso para evitar a flexão, imposta por 
relações sintáticas: o verbo, por exemplo, concorda flexionalmente com o 
sujeito.
4. são relações fechadas: não há possibilidade de se criar uma nova 
desinência diversa da que já existe, a exemplo dos sufixos verbais.
5. sujeitam-se a vínculos de concordância: o sufixo – mos, por 
exemplo, de nós amávamos, estabelece vínculo com osujeito.
SUFIXOS DERIVACIONAIS
1. produzem novas palavras: criação e criatura são novas palavras, 
substantivos formados a partir do verbo criar.
2. não se aplicam a todas as palavras primitivas existentes na língua: 
por exemplo, o sufixo – udo de barrigudo não se aplica a umbigo e 
boca: *umbigudo, *bocudo.
3. são relações abertas: podem-se criar neologismos. Por exemplo, a 
partir de dólar criou-se doleiro.
4. são facultativos: há recursos para evitá-los. Por exemplo, posso usar 
mur ALHA ou muro ALTO para expressar conteúdo semelhante. 
FONTES DAS IMAGENS
1. http://www.adobe.com/go/getflashplayer
Responsável: Profº. Paulo Mosânio Teixeira Duarte
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TÓPICO 02: PROCESSOS MORFOLÓGICOS
VERSÃO TEXTUAL
No tópico anterior, vimos que os dois constituintes básicos do 
vocábulo são a raiz e os afixos. Desta tipologia, já podemos inferir o 
processo morfológico mais comum em português: a adição de 
segmentos fônicos, que se subdivide em prefixação e sufixação.
Além deste processo básico de adição, existem outros, conforme 
descritos a seguir.
PROCESSO CONCEITUAÇÃO
1. ZERO
2. CUMULAÇÃO
3. ALOMORFIA
1. ZERO
CONCEITUANDO ZERO 
Trata-se de uma ausência significativa. Na verdade, é um artifício para 
tornar a descrição morfológica mais coerente e sistemática. Pode-se 
recorrer ao zero quando não há marca para um significado linguístico.
EXEMPLIFICANDO ZERO
Quando comparamos menino-s e menino, por exemplo, percebemos 
que há, no primeiro, uma marca para a noção de plural - -s - mas nenhuma 
marca para a noção de singular no segundo. Nesse caso, podemos marcar o 
singular por zero, e representarmos essa ausência de qualquer marca por 
:
/me’ninu-/ “ideia de menino” + /-S/ “noção de plural” = 
meninos /me’ninu-/ “ideia de menino” + “noção de singular” = menino 
2. CUMULAÇÃO
CONCEITUANDO CUMULAÇÃO
Trata-se do fato de um mesmo segmento fônico, indivisível, 
manifestar mais de uma noção, mais de um morfema. Todas as 
desinências verbais do português são cumulativas, porque todas 
expressam sempre dois significados. As desinências número-pessoais, 
como o próprio nome diz, expressam número e pessoa, e as modo-
temporais expressam modo e tempo. Assim, em cantamos, a desinência 
–mos expressa cumulativamente os significados “1ª pessoa” e “plural”. 
Não podemos precisar que parte significa pessoa e que parte indica 
número, porque a forma é indivisível.
LÍNGUA PORTUGUESA VOCÁBULO
AULA 02: O VOCÁBULO E SEUS CONSTITUINTES
10
3. ALOMORFIA
CONCEITUANDO ALOMORFIA
Trata-se de um fenômeno em que: 
• há dois segmentos fônicos diferentes, isto é, dois PE; 
• cada segmento fônico corresponde a um mesmo significado, isto é, um 
PC.
EXEMPLIFICANDO ALOMORFIA
Observe os exemplos. 
PE 
2a. infeliz /ĩ-fe’liz/ 
2b. ilegal /i-le’gaw/ 
PC 
“não” + “feliz” 
“não” + “legal”
Nos exemplos (2), dizemos que a relação entre os dois planos não é 
biunívoca, pois há mais de uma forma de expressão que corresponde a 
uma só unidade no plano de conteúdo. Vejamos mais exemplos com as 
mesmas formas acima: 
Ilícito /i-‘licitu/, irreal /i-re’aw/, irrecusável /i-rεcu’zavew/ Imberbe / 
ĩ-‘bexbi/, impotente / ĩ-po’tẽti/ , insensato / ĩ-sẽ’satu/ , 
incrédutlo /ĩ-’crεdulu/, infiel /ĩ-fi’ew/ 
Cada uma dessas formas é alomorfe de um mesmo morfema. Deste 
modo, / ĩ-/ e /i/ são alomorfes de {IN} (forma escolhida por ser a mais 
frequente).
DESAFIO
Observe as ocorrências do morfema de negação nas formas acima e 
tente identificar que fator contribui para que ora se empregue / ĩ/, ora se 
empregue /i/.
ATIVIDADE DE PORTFÓLIO
Identifique os elementos mórficos das seguintes palavras:
a) sentimental
b) desfazer
c) anormal
d) cantávamos
e) meninas
f) marinheiro
g) amavelmente
11
h) amasse
i) gatinha
j) belíssima 
2) Retire os elementos mórficos das palavras acima como no exemplo:
lindíssima: lindíssim-a lind--.>íssim
3) Identifique os sufixos flexionais e os derivacionais na questão 1). 
Justifique.
4) Use as expressões PE e PC para cada tipo de elemento mórfico na 
questão 1).
Uma vez feita a análise vocabular , mostre que ela pode ser feita por 
etapas, como: Sentimental sentimento senti sent.
FÓRUM
Mesmo os sufixos derivacionais não constituem uma classe 
homogênea. Debata com seus colegas e com seu tutor as diferenças entre 
os sufixos derivacionais.
FONTES DAS IMAGENS
1. http://www.adobe.com/go/getflashplayer
Responsável: Profº. Paulo Mosânio Teixeira Duarte
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TÓPICO 01: INTRODUÇÃO
VERSÃO TEXTUAL
Na Linguística, a classificação das unidades visa facilitar a 
descrição e o estudo da língua, pois reduz consideravelmente o 
número de unidades com que se deve lidar. Imagine, por exemplo, 
descrever isoladamente todos os verbos de uma determinada língua. 
Como podemos criar novos verbos todos os dias, a descrição se 
tornaria impossível. Classificar, portanto, representa uma forma 
prática de lidar com um número considerável de dados.
Vimos, no início do curso, que os vocábulos de uma língua podem ser 
divididos em classes, na base de determinados critérios (você lembra quais 
são? Se não, reveja o tópico 3 da aula 1). Assim, conforme o critério ou os 
critérios que tomemos em consideração, podemos chegar a um variado 
número e tipos de classes. Podemos, por exemplo, classificar os vocábulos 
em português tomando como base apenas a função destes na frase, ou então, 
o sentido e a função, ou ainda, a forma, o sentido e a função.
A classificação vocabular que hoje vigora nas gramáticas escolares se 
pauta nos três critérios. Alguns tipos de vocábulos são definidos pela função, 
outros pelo sentido e outros pela forma. Há também algumas classes 
definidas por uma conjugação de critérios, binariamente ou ternariamente.
Tais classes foram definidas, oficialmente, a partir de 1959, através da 
Portaria Ministerial nº 36 de 28/01/1959, que decretou uma uniformização 
da nomenclatura gramatical, a chamada NGB [2] (Nomenclatura Gramatical 
Brasileira). 
São elas divididas em:
VERSÃO TEXTUAL
CLASSES VARIÁVEIS
• Substantivo 
• Artigo 
• Adjetivo 
• Verbo 
• Pronome 
• Numeral
CLASSES INVARIÁVEIS
• Advérbio 
• Preposição 
LÍNGUA PORTUGUESA VOCÁBULO
AULA 03: OS VOCÁBULOS EM PORTUGUÊS
13
• Conjunção 
• Interjeição 
Desde sua instituição, a NGB vem sofrendo críticas, seja pela validade de 
certas classes, que deviam ser banidas; seja pela validade da separação de 
determinadas classes, que deviam ser unidas; seja pela ausência de 
uniformidade no uso dos critérios de classificação. 
Considerando:
1) que não há nenhuma classificação vocabular ideal;
2) que as classes propostas pela NGB, por ter força de lei, são as classes 
ensinadas na escola, e
3) que este curso destina-se a formar professores de língua portuguesa, 
apresentaremos, nos próximos tópicos, uma proposta, na medida do 
possível, conciliadora com a NGB. 
Reconhecemos as seguintes classes:
• Nome
• Verbo
• Pronome
• Artigo
• Numeral
• Advérbio
• Conectivos
DESAFIO
Observe as duas propostas de classificação: a da NGB e a que 
apresentamos aqui. Compare e veja semelhanças e diferenças.
FONTES DAS IMAGENS
1. http://www.adobe.com/go/getflashplayer
2. http://www.portaldalinguaportuguesa.org/?action=ngbras
Responsável: Profº. Paulo Mosânio Teixeira Duarte
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TÓPICO 02: O NOME E O VERBO
Estudamos aqui estas duas classes, em conjunto, porque seus 
elementos atuam como núcleos dos dois polos oracionais: o sujeito e o 
predicado. Os pronomes não são contemplados aqui por razões que 
apresentaremos quando estudarmos a classe pronominal.
O NOME
Agrupamos, aqui, sob o rótulo geral de nomes, substantivos e adjetivos, 
porque compartilham o traço morfológico da flexão em gênero e número. 
Sintaticamente, possuem em comum a possibilidade de serem predicativos, e 
diferem pelo fatode o substantivo poder representar o núcleo de sujeito e 
objeto direto, enquanto o adjetivo é adjunto adnominal. 
EXEMPLO
o conhece suas 
Os termos em destaque são nomes. Flexionam-se em gênero e/ou 
número: 
Pastor é um substantivo, pois é núcleo do sujeito da frase: o bom 
pastor. 
Ovelhas também é substantivo, pois é núcleo do objeto direto. 
Bom, por outro lado, é um adjetivo, pois é adjunto adnominal.
Substantivos e adjetivos também se distinguem 
derivacionalmente. Isso é especialmente útil quando nos deparamos 
com funções sintáticas que podem ser exercidas pelos dois, como 
ocorre com a função predicativo.
Em português, o predicativo tanto por ser preenchido por um 
substantivo como por um adjetivo:
Pedro é bom o predicativo é um adjetivo (bom)
Ele é Pedro o predicativo é um substantivo (Pedro)
Como distingui-los nesse caso? Uma boa distinção é apelar para o 
mecanismo derivacional. Tanto substantivos como adjetivos admitem 
grau: menininho bonzinho. Mas há um sufixo de grau que é próprio do 
adjetivo e é rejeitado pelo substantivo: -íssimo:
Boníssimo / *meniníssimo
DESAFIO
A gramática tradicional fala de pronome substantivo e pronome 
adjetivo. Qual traço dos apresentados acima foi usado para essa separação 
LÍNGUA PORTUGUESA VOCÁBULO
AULA 03: OS VOCÁBULOS EM PORTUGUÊS
15
dos pronomes? Pense. Discuta com seus colegas e seu tutor através da 
ferramenta mensagens. 
Lembre-se de que você não está sendo avaliado pelas tarefas dos 
desafios. Aceite-os como incentivo à sua aprendizagem. Vale a pena. 
CATEGORIAS NOMINAIS
Sabendo que o nome varia em gênero e número, cabe agora aprofundar 
um pouco mais essas categorias.
Embora não haja correlação necessária entre forma e sentido, há, na 
maioria das línguas, uma base natural semântica para a classificação dos 
nomes em gênero, que pode ser o sexo, a dimensão, a cor, etc. Em português, 
o critério predominante é o sexual, que divide os nomes em masculinos e 
femininos. 
Esse critério não é sistemático, pelas seguintes razões:
• aplica-se a seres inanimados, como mesa, livro que têm 
gênero, mas não têm sexo. 
• aplica-se a seres animados, como jacaré, testemunha, 
criança entre outros, que são de gênero único.
Neste último caso, dizemos que o gênero gramatical pode conflitar com 
o chamado “gênero natural”, uma vez que não há coincidência entre a 
categoria gramatical e a categoria semântica. O termo (a) testemunha, por 
exemplo, de gênero gramatical feminino, tanto pode se referir a um homem 
como a uma mulher. 
As gramáticas normativas tratam dessa questão dividindo as palavras 
em sobrecomuns, comum de dois e epicenos, o que leva os alunos a mais 
uma terminologia inútil. Interessa é saber como tal categoria se expressa em 
português. 
Partindo de Macambira (1978), podemos considerar as seguintes formas 
de expressão da categoria de gênero: 
Categoria de gênero 
Categorias Conceituação
GÊNERO DESINENCIAL
GÊNERO DERIVACIONAL
GÊNERO SINTÁTICO
GÊNERO LEXICAL
GÊNERO DESINENCIAL
Conceituando gênero derivacional: a variação de gênero ocorre 
concomitantemente com a adição de um sufixo derivacional próprio de 
cada gênero
16
GÊNERO DERIVACIONAL
Conceituando gênero derivacional: a variação de gênero ocorre 
concomitantemente com a adição de um sufixo derivacional próprio de 
cada gênero
GÊNERO SINTÁTICO
Conceituando gênero sintático: o gênero é expresso não na palavra em 
si, que não varia formalmente, mas nos determinantes:
o estudante/a estudante
GÊNERO LEXICAL
Conceituando gênero lexical: como no caso anterior, a palavra 
também não varia, mas, diferentemente daquele, a palavra tem gênero 
único, marcado pelos determinantes. É o caso de todos os nomes que 
designam seres inanimados e alguns que designam seres animados. Neste 
último caso, as formas são chamadas de supletivas ou heteronímicas. Há 
uma relação semântica entre os dois termos do par, mas nenhuma relação 
formal, conforme ilustram os exemplos em (c).
a) (a) mesa, (o) livro
b) (o) boi/ (a) vaca, (o)homem / (a) mulher
Feitas essas considerações, resta apresentar as marcas morfológicas do 
gênero em português. A descrição mais comum, inclusive nas gramáticas 
tradicionais, é a que propõe Macambira (1978), segundo o qual o masculino é 
marcado por zero em oposição a uma marca –a para o feminino. Exemplo
EXEMPLO
menino + (DG) > menino
menino + a (DG) > meninoa > menina.
Outra categoria nominal é o número que indica a quantificação. A 
oposição em português é entre singular, indicando a unidade, e plural, que 
indica “mais de um”. O singular é morfologicamente marcado por . E 
nisto, há certa unanimidade entre linguistas portugueses e brasileiros. 
Quanto ao plural, tipicamente, se expressa através da forma –s:
Gato / gatos, menino / meninos
No entanto, esta não é a única forma de marcá-lo, vez que há recurso ao 
fenômeno da alomorfia por intermédio do –es e -is:
País / países, pilar / pilares, lençol / lençóis, pincel / pincéis
DESAFIO
Pense e responda:
1) que regras de formação do plural existem para as palavras 
terminadas em –l?
17
2) que regras definem a ocorrência de cada um desses alomorfes 
acima?
3) pesquise, numa gramática, exceções para as palavras terminadas 
em –l.
A regularidade do plural se dá de maneira praticamente cabal. Os casos 
de substantivos invariáveis são tão poucos, que se podem considerar como 
desprezíveis para a análise linguística (ônibus / ônibus, tórax / tórax, atlas / 
atlas etc.). 
Acrescente-se também que o singular e o plural constituem uma lista 
exaustiva e não está na vontade do falante introduzir um novo termo no 
quadro existente.
Para terminarmos, convém destacar aqui que nem sempre se dá um 
paralelismo entre forma e sentido no que diz respeito ao número. É o que 
ocorre, por exemplo, com os coletivos, como dúzia, bando, que formalmente 
são singular, mas semanticamente expressam plural. Por isto, o povo na fala 
descuidada flexiona o verbo no plural, estabelecendo a chamada 
concordância ideológica:
O pessoal saíram.
FONTES DAS IMAGENS
Responsável: Profº. Paulo Mosânio Teixeira Duarte
Universidade Federal do Ceará - Instituto UFC Virtual
18
TÓPICO 03: O VERBO E SUAS CATEGORIAS
VERBO
Sintaticamente, o verbo se caracteriza por ser o núcleo do predicado. 
Porém, devido à extrema riqueza flexional, a classe é muito bem definida no 
plano mórfico, como palavra que varia em tempo e em modo.
 Além das desinências modo-temporais, o verbo é também 
marcado por desinências número-pessoais referentes ao sujeito. Estas 
marcas igualmente contribuem para a identificação do verbo, podendo, 
inclusive, indicar o tempo e o modo cumulativamente, às vezes. É o que 
ocorre no pretérito perfeito do indicativo. Não há desinência modo-temporal 
específica desse tempo, mas a série de desinências número-pessoais que aí 
aparecem são quase todas exclusivas desse tempo: -i, -ste, -u -, mos, stes, -m.
CATEGORIAS VERBAIS
Dissemos que o verbo se caracteriza, primordialmente, pela variação 
temporal. Vamos agora aprofundar um pouco mais essa noção e tratar das 
demais categorias verbais: modo, aspecto e voz. Há uma íntima relação entre 
elas, em especial, entre tempo, aspecto e modo ( -- chamado na literatura 
linguística de TAM ) o que nos levará, em alguns momentos, tratar de mais 
de uma simultaneamente.
A categoria de tempo relaciona o tempo da ação, do acontecimento, do 
estado referidos na frase ao momento do enunciado, que é o agora. 
Jespersen (apud Lyons, 1979) apresenta as seguintes divisões do tempo: 
Mas o tempo gramatical admite diversas categorizações. Por exemplo, 
há línguas que opõem apenas passado X não-passado e outras que opõem 
presente X não-presente. Em português, a oposição é entre passado X 
presente X futuro. 
Não há uma relação necessária entre o tempo gramatical ou formal, 
marcado pelas desinências, e o tempo semântico, que depende do contexto, 
conforme veremos a seguir.O PRESENTE DO INDICATIVO PODE EXPRESSAR:
1) fatos contemporâneos, como nas narrações de partidas de futebol: 
Cacá passa para Romário.
2) fatos atemporais ou eternos, como no exemplo: 
A Terra gira em torno do Sol. 
LÍNGUA PORTUGUESA VOCÁBULO
AULA 03: OS VOCÁBULOS EM PORTUGUÊS
19
3) fatos futuros, como em:
Amanhã vou à praia 
4) fatos passados, como no chamado presente histórico, em frases como:
E naquele momento, Jesus é crucificado. 
A categoria de modo expressa a atitude do falante em relação ao status 
factual do seu enunciado (certeza, dúvida, ordem etc.), ou seja, exprime a 
forma como o falante encara aquilo que diz. Realiza-se pela flexão do verbo 
ou por sua modificação através de auxiliares.
As gramáticas descrevem três modos gramaticais: indicativo, subjuntivo
e imperativo. Tradicionalmente atribui-se ao indicativo a modalidade da 
certeza, ao subjuntivo, a modalidade do desejo ou da dúvida, e ao imperativo, 
a modalidade da ordem. 
No entanto, tal como na categoria de tempo, não há sempre relação 
entre forma e sentido. Neste caso, a forma não-marcada é o modo indicativo, 
que assume valores modais diversos. 
VALORES MODAIS DO INDICATIVO:
1) Não sei se ele virá (dúvida marcada pela frase)
2) Exijo sua vinda (ordem marcada pelo radical do verbo)
3) Haverá quem faça isso. (possibilidade expressa pelo tempo verbal)
4) Honrarás pai e mãe (ordem expressa pelo tempo verbal)
Note que, nos dois últimos exemplos, a forma verbal é o futuro do 
indicativo, forma em que as categorias de tempo e modo se encontram 
misturadas. 
A propósito, a futuridade, por expressar estados de coisas ainda por vir, 
favorece a marcação do enunciado com noções modais, como a 
probabilidade, a impossibilidade, a obrigação, a necessidade:
USO MODAL DO FUTURO:
1) probabilidade: conheci-a menina. Agora ela será uma bela mulher.
2) dúvida: de quem será aquela bolsa?
3) intenção: não trabalharei no fim de semana.
4) desejo: gostaria de saber notícias suas.
Dentre os modos, o subjuntivo é aquele cujo uso é mais discutível. A 
gramática normativa apresenta o subjuntivo como o modo da dúvida e do 
desejo, ou da irrealidade. Há alguns contextos, no entanto, em que o 
20
emprego do subjuntivo não se apresenta como uma escolha livre do falante, 
é, ao contrário, determinado sintaticamente, como em: 
Embora ele seja funcionário exemplar, nunca ganhou um prêmio. 
DESAFIO
Pesquise, em textos, exemplos de outros tempos verbais empregados 
com valores semânticos não correspondentes à forma. Selecione 3 frases, 
observe-as quanto ao tempo gramatical (a forma verbal, por exemplo, 
perfeito do indicativo, imperfeito do subjuntivo, futuro do presente etc.) e 
à noção temporal (passado, presente, futuro) que apresentam. 
Uma outra categoria verbal, a de aspecto, diz respeito à duração e às 
fases do processo. 
A distinção aspectual mais comum é entre o chamado aspecto perfectivo
(noção de acabamento, completude) e o imperfectivo (noção de 
incompletude) . Em português, tal distinção manifesta-se no uso do 
PERFEITO X IMPERFEITO. Contudo, esta oposição nem sempre é clara no 
uso da língua.
Tomemos a frase:
Li um livro
• Embora a forma verbal esteja no perfeito, seu significado tanto pode 
ser perfectivo (ação completa: “li o livro todo.” ) quanto imperfectivo (ação 
incompleta: “levei algum tempo lendo, mas não terminei de ler o livro 
todo”.) .
OUTRAS NOÇÕES ASPECTUAIS SÃO, DENTRE OUTRAS:
PERMANSIVIDADE:
o processo começa no passado e se estende no presente.
INCEPTIVIDADE
o processo ainda está no início.
ITERATIVIDADE:
o processo é apresentado como repetitivo.
PONTUALIDADE
o processo é apresentado como momentâneo.
Resta falar da categoria de voz, que diz respeito à relação entre o sujeito 
e o processo verbal. A proposta que vamos apresentar aqui é baseada em 
Macambira (1986).
Este autor propõe cinco vozes para o português. ativa, passiva, 
reflexiva, recíproca e média. Na busca de descrever cada uma formalmente, 
apresenta esquemas estruturais. A ativa é descrita como apresentando a 
estrutura: 
21
A + C
O elemento A representa tudo que possa exercer a função de sujeito, C 
representa o verbo conjugado nos tempos simples ou compostos com 
TER/HAVER, e o sinal + indica que o traço é necessário, ou seja, podemos 
ter orações na voz ativa sem o elemento A, mas não sem o elemento C.
COMO EXEMPLOS DE VOZ ATIVA, TEMOS:
(a) Eu corro.
(b) Convém lutar.
(c) Basta que te respeites.
Veja que, para identificar uma frase como sendo ativa, não se irá 
observar se o sujeito “pratica a ação”, como, em geral, definem as gramáticas. 
Importa é saber se a frase em questão se encaixa no esquema proposto.
DESAFIO
Como você classifica a frase o ladrão apanhou da polícia? Por quê?
A passiva é descrita em suas duas formas: participial e pronominal. 
A participial apresenta o seguinte esquema:
B1 representa o verbo ser em qualquer forma de sua conjugação, C o 
particípio do verbo principal e A o sujeito. Todos os elementos são 
obrigatórios, como indica o sinal + antes das letras, exceto o elemento D, que 
representa o agente da passiva. 
DESAFIO
A frase Pedro era nascido pode ser classificada como passiva? Por 
quê?
A passiva sintética apresenta o seguinte esquema:
O verbo, elemento C, é conjugado na forma ativa com o clítico se, 
elemento B2. O sujeito, elemento A, é posposto ao verbo e só figura na 
terceira pessoa do singular ou plural. 
Trata-se de exemplos como vendem-se casas, fazem-se unhas. A 
classificação destas frases como passivas sintéticas se deve apenas à 
necessidade de seguir a nomenclatura tradicional, vez que, como já falamos, 
este curso destina-se à formação de professores. Ressaltamos, todavia, que 
vários autores, do presente e do passado, já negaram o caráter passivo a estas 
frases, conforme você verá ao ler o texto complementar Helena Feres Hawad 
(clique aqui para abrir) [1]
22
As três vozes restantes, reflexiva, recíproca e média, são descritas com 
um esquema estrutural semelhante em que temos, como elementos 
obrigatórios, um sujeito (A), um verbo conjugado na forma ativa (C) e um 
clítico (B):
A diferença entre elas dá-se pela admissão ou não de elementos 
opcionais:
• admissão de D, na reflexiva, que significa uma expressão como a mim 
mesmo, a si mesmo etc., ou de E, na recíproca, que significa um ao outro ou 
uns aos outros.
• inadmissão de D ou E, na média. Daí o sinal (-) no esquema. 
VEJAMOS ALGUNS EXEMPLOS PARA FICAR MAIS CLARO:
1) reflexiva: O prisioneiro se matou / O prisioneiro (se) matou a 
si mesmo
2) recíproca: Os homens se odeiam / Os homens (se) odeiam uns 
aos outros.
3) média: Pedro aborreceu-se / * Pedro aborreceu a si mesmo.
Apresentamos, por fim, as categorias verbais em português. Como 
vimos, nem sempre há relação entre forma e sentido no emprego dessas 
categorias. Assim, em relação ao tempo, que pode ser um presente para 
expressar um futuro ou um passado; assim, em relação ao modo, que pode 
ser subjuntivo e indicar certeza; assim, em relação à voz, que pode ser ativa e 
indicar passividade, como em O menino apanhou da madrasta.
Disso decorre a importância do contexto. Acreditamos que as formas 
isoladas de significado contextual não permitem uma adequada 
interpretação dessas categorias. Só o contexto pode dizer se uma forma 
presente é presente, passado ou futuro, se um indicativo é certeza ou dúvida, 
se uma situação X está sendo apresentada como completa ou incompleta; 
enfim, se uma frase é reflexiva ou média.
ATIVIDADE DE PORTFÓLIO
Resolva as questões a seguir.
Exercícios (Visite a aula online para realizar download deste arquivo.)
FONTES DAS IMAGENS
1. http://www.filologia.org.br/viicnlf/anais/caderno04-15.html
Responsável: Profº. Paulo Mosânio Teixeira Duarte
Universidade Federal do Ceará - Instituto UFC Virtual
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TÓPICO 01: OS PRONOMES E ARTIGOS
O PRONOME
O pronome constitui uma classe que comporta membros muito 
variados, daía classificação tradicional dos subtipos dos pronomes: 
pessoais, possessivos, demonstrativos, indefinidos, interrogativos. Diante 
dessa variedade de subtipos, é muito difícil eleger um traço comum a todos 
os elementos abrigados na gramática tradicional sob o rótulo de pronome. 
Devido a nosso objetivo ser essencialmente didático, vamos nos limitar a 
comentar características de cada subtipo tradicional.
DICA
Pesquise na internet, usando o Google Acadêmico, artigos científicos 
sobre o pronome. Você verá como o assunto é complexo. Se achar algum 
texto mais interessante, compartilhe com seus colegas e tutor, enviando 
mensagem com o link ou o texto.
PRONOMES PESSOAIS
Tradicionalmente, os pessoais se subdividem em retos ou oblíquos.
OS RETOS
São formas livres que funcionam como sujeito ou predicativo:
Eu (sujeito) cuido do meu filho. Afinal, a mãe sou eu (predicativo).
OS OBLÍQUOS
São formas dependentes e se dividem em átonos e tônicos. Os átonos 
estão sempre ligados ao verbo, posicionados antes ( próclise) ou depois 
( ênclise) deste e funcionam como objeto direto ou indireto. 
Exemplos de objeto direto e indireto:
OBJETO DIRETO:
Pedro me ama.
OBJETO INDIRETO:
Pedro me deu o livro.
Os tônicos são sempre regidos por uma preposição, acidental ou 
essencial, e funcionam como objeto indireto, agente da passiva ou adjunto 
adverbial:
O professor deu o livro a MIM. ( OBJETO INDIRETO)
O professor saiu sem MIM. ( ADJUNTO ADVERBIAL)
O livro foi lido por MIM. ( AGENTE DA PASSIVA)
LÍNGUA PORTUGUESA VOCÁBULO
AULA 04: TIPOS DE VOCÁBULOS
24
Quanto às categorias, os pronomes pessoais apresentam gênero, 
número, pessoa e caso. A primeira categoria é muito restrita, pois se 
manifesta apenas nos de 3ª pessoa: ele/ela/o/a.
Já a categoria de número merece comentários porque nem sempre se 
apresenta tal como nos nomes, marcando oposição: um versus mais de um. 
Isto ocorre apenas com a 3ª pessoa: ele (uma 3ª pessoa) / eles (mais de uma 
3ª pessoa). Na 2ª pessoa, o plural pode indicar “mais de uma 2ª pessoa”, 
como em:
Vocês devem entregar o trabalho (um professor falando a uma turma 
de alunos),
Nesse caso, se assemelha aos nomes, como ocorre na 3ª. Mas a 2ª 
pessoa do plural pode indicar apenas que a 2ª pessoa se associa a uma 3ª:
Você e ele faltaram à prova. Vocês precisam trazer atestado. 
Por fim, na 1ª pessoa do plural, nunca temos a noção de “mais de um 
eu”. Sempre indica que o falante associa a si uma ou mais pessoas:
Eu (1ª do singular) e você (2ª do singular) nos (1ª do plural) 
encontramos.
Eu (1ª do singular) e ele (3ª do singular) nos (1ª do plural) 
encontramos.
Feitas estas observações sobre o número, podemos agora falar da 
categoria de pessoa, que, nos pessoais, se encontra ligada à categoria de 
número:
Sobre a categoria de pessoa 
DESAFIO
Observe a relação eu / meu; tu/teu; nós/nosso e reflita: os pronomes 
possessivos merecem ser tratados como subclasse à parte na gramática 
tradicional?
A última categoria pronominal é a de caso. 
Por essa categoria, as palavras mudam de forma conforme a função 
sintática. Nos pessoais, únicos pronomes que possuem caso em português, 
25
essa mudança não ocorre por meio de desinências, nem de maneira 
sistemática. A manifestação do caso se dá por heteronímia ou supleção, ou 
seja, os pronomes não se flexionam, não apresentam sufixos de caso, é o 
vocábulo inteiro que manifesta um determinado caso.
EXEMPLO
1a. O professor louva a aluna 
1b. Ele louva a aluna.
2a. A aluna louva o professor
2b.A aluna o louva.
Na frase (1b), a forma destacada é sujeito, por isso assume a forma 
ele. Já em (2b), a forma destacada é objeto direto, por isso, assume a 
forma o. Veja que o nome aluna não muda de forma em nenhuma das 
frases, porque o nome, em português, não tem categoria de caso. Já o 
pronome muda. Todavia, essa mudança é total: é o pronome todo que 
varia, não apenas uma parte dele. Por isso, falamos em heteronímia
(hetero = outro, onímia = nome).
O caso, porém, não é um fenômeno sistemático. Em primeiro lugar, 
devido ao desequilíbrio das formas átonas, na perspectiva da gramática 
normativa. Por exemplo, a 3ª pessoa possui uma variedade de formas 
átonas: uma para o objeto direto (o/a(s)), outra para o indireto (lhe). Por 
outro lado, a 1ª e a 2ª do singular possuem uma única forma que funciona 
tanto como objeto direto como indireto (me/te).
Em segundo lugar, devido a uma relativa desestruturação da categoria 
de caso no uso da língua, em situações informais. Isto inclui: o uso de formas 
retas em função de complemento e o de formas não contempladas na 
gramática tradicional, como a gente (que concorre ou se alterna com nós), 
você (concorre ou se alterna com tu) e vocês (que substitui o arcaico vós, 
ainda contemplado nas gramáticas tradicionais).
FÓRUM
A gramática tradicional condena o uso do lhe e do ele como objeto 
direto, porque o primeiro vem do dativo que é, em latim, a forma do objeto 
indireto, e o segundo do nominativo, que é a forma do sujeito. Comente 
sobre a validade desta norma, atentando para os seguintes aspectos: (a) a 
correlação entre forma e função; (b) questões relativas à necessidade de 
clareza na comunicação; (c) a natureza do argumento. 
OS PRONOMES DEMONSTRATIVOS
Os demonstrativos são pronomes que podem indicar posição em relação 
às pessoas do discurso. Alguns podem ser substantivos ou adjetivos:
Este é meu filho. (substantivo)
Este menino é meu filho. (adjetivo)
26
Outros são exclusivamente substantivos:
Isto é um péssimo sinal. (substantivo)
As formas exclusivamente substantivas apresentam gênero neutro, 
referem-se a coisas ou a eventos globais:
O avião da TAM caiu no ano passado. Isto trouxe prejuízo à empresa.
Um fato a se destacar é que a oposição este/esse, isto/isso, 
tradicionalmente descrita como próximo do falante/próxima do ouvinte, 
não mais ocorre no uso da língua. 
Outro fato a destacar é o uso desses pronomes relativamente ao que já 
fora dito no enunciado, indicando proximidade ou distância.
EXEMPLO: João e Paulo são meus amigos, mas aquele (João) é mais 
amigo do que este (Paulo).
A este fenômeno de referência, chamamos anáfora.
OS PRONOMES INDEFINIDOS
Os indefinidos se diferenciam dos outros acima por não se encontrarem 
tão ligados às pessoas do discurso, justamente pela indefinitude que os 
marca sempre. 
Caracterizam-se por apresentar uma variedade de formas. Algumas delas se 
opõem por heteronímia quanto aos traços:
• Personativo x não-personativo: alguém / algo
• Afirmativo x não-afirmativo: alguém / ninguém
• Substantivo x adjetivo: algo / algum; tudo/todo; outrem/outro 
Outras formas se opõem ao adjetivo pela simples posição em relação ao 
núcleo:
• diversos homens / homens diversos;
• certo homem/homem certo;
Por fim, resta falar que alguns indefinidos se assemelham aos numerais 
quanto à noção de quantidade. Isto pode ser demonstrado nas respostas 
possíveis à pergunta quanto deste bolo você quer?
• Nenhum (pedaço)
• Alguns (pedaços)
• Dois (pedaços)
• Diversos (pedaços)
• Um terço (do bolo)
• Nada
• O dobro (do bolo) 
27
Por estas características, os pronomes indefinidos poderiam ser 
dispersos em outras classes: alguns deles poderiam pertencer à classe dos 
numerais, como os exemplos citados, e outros, à classe dos substantivos, 
como alguém e ninguém.
Além dos indefinidos, outra subclasse à margem é a dos interrogativos, 
que apresentam oposições similares às dos indefinidos, a exemplo de 
quem/o que. Isto sem falar em outros que não apresentam oposição alguma, 
como qual e quantos. 
Uma última subclasse de pronomes, ainda mais complexa, é a dos 
relativos, que ficam na fronteira entre pronomes e conjunções. Preferimos 
falar deles quando nos referirmos aos conectivos.
O ARTIGO
O artigo, em português, é uma forma dependente que funciona 
exclusivamente como adjunto adnominal em primeira posição no sintagma 
nominal (SN). Há outros vocábulosque podem exercer essa função, mas 
nenhum a tem como exclusiva. Essa propriedade leva alguns estudiosos a 
considerá-lo um marcador por excelência do substantivo, de tal maneira que 
qualquer palavra pode se substantivar através do artigo.
Na prática, a identificação do artigo não é tão difícil, uma vez que 
comporta apenas uma forma com suas variações de gênero e número: o, com 
as variações a, os, as. Veja que estamos excluindo o chamado artigo 
indefinido, que consideramos pronome indefinido.
Morficamente, o artigo se flexiona em gênero e número, concordando 
com o substantivo com que se relaciona e nisso se assemelha a outras formas 
que podem funcionar como determinantes, como os pronomes e nomes 
adjetivos. Contudo, não admite nenhum tipo de derivação. 
Semanticamente, o artigo possui o traço [+definido] que é considerado 
um dos traços caracterizadores dad êixis
D ÊIXIS
Faculdade que tem a linguagem de designar mostrando, em vez de 
conceituar. A designação dêitica, ou mostrativa, figura assim ao lado da 
designação simbólica ou conceptual em qualquer sistema linguístico. 
Podemos dizer que o signo linguístico apresenta-se em dois tipos - o 
símbolo, em que um conjunto sônico representa ou simboliza, e o sinal, 
em que o conjunto sônico indica ou mostra (v. símbolo). O pronome (v.) 
é justamente o vocábulo que se refere aos seres por dêixis em vez de o 
fazer por simbolização como os nomes (v.). Essa dêixis se baseia no 
esquema linguístico das 3 pessoas gramaticais que norteia o discurso: a 
que fala, a que ouve e todos os mais seres situados fora do eixo falante-
ouvinte. 
CAMARA JR., J. Mattoso. DICIONÁRIO DE FILOLOLOGIA E
GRAMÁTICA. São Paulo: Iozon, Vozes, 1968. s,v. DÊIXIS.
28
EXEMPLO
PARA ENTENDER MELHOR, VAMOS TOMAR UM EXEMPLO BEM
SIMPLES:
1. Olha, o professor acaba de chegar.
2. Olha, um professor acaba de chegar.
No primeiro exemplo, trata-se de um professor já conhecido pelos 
interlocutores, o que difere do segundo exemplo, em que se refere a um 
professor desconhecido de um e outro participante do discurso. Este 
comportamento aproxima o artigo do pronome demonstrativo, mas aquele 
é forma dependente e este último é sempre forma livre. 
FONTES DAS IMAGENS
Responsável: Profº. Paulo Mosânio Teixeira Duarte
Universidade Federal do Ceará - Instituto UFC Virtual
29
TÓPICO 02: OS NUMERAIS
OS NUMERAIS
O numeral é uma classe eminentemente semântica: é nome de número. 
Mas não há relação biunívoca entre numeral e número. Os números são 
infinitos, os numerais, não o são. Por mais extensa que seja a lista de 
numerais em português, eles não cobrem a infinidade dos números em 
Matemática. Além disto, em Matemática, há números não correspondentes 
na linguagem quotidiana a numerais, a exemplo dos irracionais, que você 
certamente estudou no Ensino Médio. Não se diz numeral irracional, pois a 
classe cobre, na gramática tradicional, os cardinais, os ordinais, os 
multiplicativos e os fracionários. Semanticamente, o numeral é uma classe 
bem heterogênea como você poderá depreender da tipologia abaixo.
CARDINAIS
Estes são os típicos representantes da classe. São os nomes de número 
por excelência: um, dois, três, etc. A flexão de número, em termos genéricos, 
é semântica: um é a forma singular de todo o restante dos cardinais. Há 
formas esporádicas de feminino: duas, duzentas, trezentas etc.
Alguns podem formar derivados como os substantivos. O interessante é 
que significativa parte dos derivados listados conservam o sentido numeral.
quinze > quinzena; 
vinte > vintena; 
quarenta > quarentena; 
cento > centena; 
mil > milênio;
milhão > milionário.
DESAFIO
Pense em outros derivados dos cardinais.
ORDINAIS
Os ordinais podem ser vistos semanticamente como número sob a 
perspectiva da ordem, a exemplo de primeiro, segundo, terceiro. A flexão é 
semelhante à dos nomes: há gênero e número. Esporadicamente, aparece o 
grau em uma forma como primeiro: primeiríssimo. Todavia, isto não 
constitui motivo para colocar esta subclasse entre os adjetivos. 
FRACIONÁRIOS
Os fracionários correspondem aos números sob a perspectiva linguística 
da fração: um terço, dois quartos, três sextos. Semanticamente constituem 
um todo, embora formalmente nada impeça que reconheçamos dois 
elementos: um cardinal propriamente dito seguido do fracionário. Possuem 
uma relação com a quantidade, embora menos visível que os cardinais. 
LÍNGUA PORTUGUESA VOCÁBULO
AULA 04: TIPOS DE VOCÁBULOS
30
MULTIPLICATIVOS
São o número sob o ângulo do múltiplo: desta forma, duplo é duas
vezes. A maior parte deles é do registro culto da língua e de pouca circulação: 
dobro/duplo, triplo, quádruplo, quíntuplo, sêxtuplo etc. Têm gênero e 
número. Sua relação com a noção de quantidade é a menos observável 
provavelmente por serem uma subclasse limitada e de circulação bem 
restrita.
Como estudiosos, poderíamos estudar a possibilidade de fragmentar as 
subclasses dos numerais em classes autônomas com bases nos traços 
morfológicos, sintáticos e semânticos que apresentam. Resta ver se isto 
traria vantagens na teoria e na prática em sala de aula. 
FONTES DAS IMAGENS
Responsável: Profº. Paulo Mosânio Teixeira Duarte
Universidade Federal do Ceará - Instituto UFC Virtual
31
TÓPICO 03: OS ADVÉRBIOS
A classe adverbial é uma classe basicamente funcional, segundo a 
gramática tradicional, que a define como palavra invariável, modificadora 
do verbo, do adjetivo e mesmo de outro advérbio:
O garoto correu muito durante as olimpíadas
O garoto comia só carnes desde muito jovem
O garoto acordou muito cedo para estudar
Como você pode perceber pelos exemplos acima, a mesma forma muito
pode modificar um verbo, correu, um adjetivo, jovem, ou outro advérbio, 
cedo.
Existem autores como Macambira (1987), que vão, em parte, além da 
proposta oficial e reconhecem que os advérbios podem modificar outras 
classes: o substantivo, a preposição, a conjunção e até uma oração inteira:
O então rei de Portugal fugiu das tropas de Napoleão
A ave voava exatamente sobre o ninho
O rei nada temia mesmo porque o povo o apoiava
Felizmente os problemas acabam por se resolver
O que há de comum é que todas as formas são identificáveis 
sintaticamente e são invariáveis. Porém, os contextos de ocorrência são bem 
diferentes. 
Se alguns advérbios não se submetem à flexão, podemos recorrer, em parte à 
derivação para caracterizá-lo, no caso, através do sufixo –mente: 
claramente, estupidamente, sabiamente etc., mas não é o critério formal 
mais marcante.
Outra marca citada pelas gramáticas é o grau, mas se deve ter cuidado com 
ela. 
Vamos começar com o superlativo.
Advérbios em –mente só têm a forma sintática deste grau: 
morfologicamente ele pertence ao adjetivo. Num advérbio como 
clarissimamente, a marca –issim é de claro. Assim, o advérbio claramente
só tem o grau sintático: muito claramente. O superlativo é, portanto, 
esporádico em advérbios, como cedo e perto: cedíssimo, pertíssimo. O 
comparativo, quando existe, é basicamente sintático: 
João acordou mais cedo que Maria
LÍNGUA PORTUGUESA VOCÁBULO
AULA 04: TIPOS DE VOCÁBULOS
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Vejo hoje as coisas mais claramente que ontem
As definições semânticas do advérbio são falhas. Uma delas o define 
como palavra que indica circunstância. Resta saber o que é circunstância. 
Outra, mais precisa, acrescenta que a circunstância pode ser de lugar, 
tempo, modo, companhia, finalidade etc. A definição teria que trazer uma 
lista exaustiva. Mesmo com o elenco das noções semânticas, perguntamos se 
palavras, como Londres, hora, amável, são advérbios.
O que denominamos advérbio, como você pôde perceber, é uma classe 
bem heterogênea. Semanticamente, parte deles guarda semelhança com os 
pronomes e outra, com os nomes substantivos. A parte que se assemelha 
com os pronomes depende altamente do contexto extralinguístico, a exemplo 
dos de tempo e dos de lugar: hoje, amanhã; aqui, ali, lá.Estes advérbios 
podem exercer sintaticamente função de pronomes substantivos.
Lá é um bom lugar para se viver (sujeito)
Eu me referia a hoje (objeto indireto)
A parte que se relaciona semanticamente a nomes substantivos admite, 
em geral, expandir-se em preposição + substantivo: claramente = com 
clareza. Observe a identidade das raízes. Noutros exemplos, a relação é só 
semântica, pois não há identidade de raízes: sempre = com frequência.
Poderíamos, para cada contexto de ocorrência do advérbio, criar uma 
classe diferente. Mas isto seria objeto de muita discussão. Além disto, o custo 
seria muito alto tanto para uma descrição quanto para finalidades 
pedagógicas.
FONTES DAS IMAGENS
Responsável: Profº. Paulo Mosânio Teixeira Duarte
Universidade Federal do Ceará - Instituto UFC Virtual
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TÓPICO 04: OS CONECTIVOS
Os conectivos são vocábulos gramaticais invariáveis que marcam as 
relações de sentido e de função na frase. Como essas relações podem ser de 
subordinação ou coordenação, dividem-se em subordinativos e 
coordenativos.
Os conectivos subordinativos expressam uma relação de dependência 
entre dois termos ou duas orações. Subdividem-se em preposições e 
conjunções subordinativas. 
As primeiras caracterizam-se por poderem figurar no contexto ____ mim:
PARADA OBRIGATÓRIA
Há poucas exceções a essa propriedade. Exceto e com, por exemplo, 
não figuram neste contexto. A primeira é usada com a forma reta do 
pronome exceto eu e a segunda é usada com o alomorfe pronominal: 
comigo.
Outra propriedade das preposições, em geral, a única citada pelas 
gramáticas, é o fato de ligar termos oracionais, não orações. Para sermos 
mais exatos, acrescentaremos que as preposições também podem ligar 
orações, desde que com verbo no infinitivo, o que se justifica por estas 
orações funcionarem como verdadeiros termos:
João gosta DEMaria, POR considerá-la leal.
As conjunções subordinativas caracterizam-se por figurarem em orações 
desenvolvidas que funcionam como termos de um verbo. Podem ser:
INTEGRANTES
ADVERBIAIS
INTEGRANTES
LÍNGUA PORTUGUESA VOCÁBULO
AULA 04: TIPOS DE VOCÁBULOS
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São vazias semanticamente e servem apenas para permitir que uma 
oração inteira funcione como um termo exigido pelo verbo, ou seja, como 
sujeito, predicativo ou complemento verbal. 
Por exemplo, o verbo desejar exige sujeito e objeto direto. O objeto 
direto pode ser representado por uma oração. Nesse caso, o que permitirá 
isso será uma conjunção integrante:
Maria deseja delicadeza. 
Maria deseja que a tratem com delicadeza. 
ADVERBIAIS
Além de permitirem que uma oração inteira funcione como termo, no 
caso, um termo circunstancial, possuem significado. Explicitam assim 
relações semânticas entre orações, como, por exemplo: 
- TEMPO: Anoiteceu. Ela saiu. / Quando anoiteceu, ela saiu.
- CAUSA: Ele ficou cansado. Ele correu muito./ Ele ficou cansado 
PORQUE correu muito.
INTEGRANTES
INTEGRANTES:
são vazias semanticamente e servem apenas para permitir que uma 
oração inteira funcione como um termo exigido pelo verbo, ou seja, como 
sujeito, predicativo ou complemento verbal. 
Por exemplo, o verbo desejar exige sujeito e objeto direto. O objeto 
direto pode ser representado por uma oração. Nesse caso, o que permitirá 
isso será uma conjunção integrante: 
Maria deseja delicadeza. Maria deseja que a tratem com delicadeza. 
ADVERBIAIS
ADVERBIAIS:
além de permitirem que uma oração inteira funcione como termo, no 
caso, um termo circunstancial, possuem significado. Explicitam assim 
relações semânticas entre orações, como, por exemplo:
TEMPO: 
Anoiteceu. Ela saiu. / Quando anoiteceu, ela saiu.
CAUSA: 
Ele ficou cansado. Ele correu muito./ Ele ficou cansado PORQUE
correu muito.
Os conectivos coordenativos não estabelecem funções sintáticas na 
frase, nem relações de hierarquia. Os constituintes coordenados, quer sejam 
termos quer sejam orações, são sintaticamente independentes, o que não 
quer dizer que sejam semanticamente independentes. Desta forma, em:
Maria foi à praia, mas não tomou banho.
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As duas orações Maria foi à praia e mas não tomou banho são 
sintaticamente independentes, porém, semanticamente, a segunda 
pressupõe a primeira.
Os conectivos coordenativos, quer liguem termos ou orações, são chamados 
sempre de conjunções coordenativas e se classificam em aditivas, 
adversativas, explicativas, conclusivas, alternativas. 
EXEMPLO
João e Pedro foram à praia e tomaram banho (aditiva)
A princesa é bela, mas é triste (adversativa)
João ou Pedro irá ao mercado (alternativa)
Por último, resta falar de uma forma que atua como conectivo e ao 
mesmo tempo como pronome. Trata-se de uma forma mista: o pronome 
relativo. Como os pronomes, ele tem referência anafórica na oração e exerce 
funções que são próprias dos nomes: sujeito, objeto etc. Como conectivo, ele 
relaciona uma oração, chamada subordinada adjetiva, a um nome. Atua, 
assim, à semelhança das demais conjunções subordinativas: permite que 
uma oração funcione como termo, nesse caso, um termo que exerce função 
de determinante de um nome:
Vi a estrela QUE o menino apontou.
O pronome relativo que, como pronome, se refere à estrela e funciona 
como objeto direto do verbo apontar; como conectivo subordinativo, 
permite que uma oração o menino apontou uma estrela funcione como 
termo adjunto de estrela: não vi qualquer estrela, mas aquela que o menino 
apontou:
Vi a estrela / o menino apontou a estrela (=que). 
EXERCITANDO
RECAPITULAÇÃO:
Estude os tipos de conjunção, adverbiais e substantivas. Verifique que 
há conectivos duplos como pronome relativo e pronome interrogativo 
(pronome e conectivo). 
ATIVIDADE DE PORTFÓLIO
1. Mostre que na frase "Fiado só amanhã", usada em bares, o advérbio 
tem valor ligado à situação.
2. Por que o advérbio na frase acima se comporta como pronome?
3. Na frase: "O homem que passou é meu conhecido" a forma que é 
pronome e conectivo. Comente.
4. Mostre que há semelhanças entre as formas ALGUM/ALGUNS e os 
numerais cardinais.
5. Que diferença você percebe entre as mesmas formas acima e a flexão 
de número dos cardinais?Por exemplo: dois, três, quatro, cinco/um.
6. O pronome ELE se refere só a seres humanos? Faça frases e veja o 
comportamento dele e compare com as formas EU/TU.
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7. Faça frases com o advérbio HOJE e mostre que ele pode se comportar 
como substantivo, adjetivo e modificador de verbo.
8. Comente: o advérbio modifica substantivos, adjetivos, verbos, 
advérbios ou até uma frase inteira. Exemplifique.
9. Comente: conjunções aditivas não ligam só orações.
10. Comente com seu orientador: as conjunções subordinativas diferem 
das coordenadas porque geram funções.
FONTES DAS IMAGENS
Responsável: Profº. Paulo Mosânio Teixeira Duarte
Universidade Federal do Ceará - Instituto UFC Virtual
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	LLPT Capa_Creditos_Sumario.pdf
	combinas e numerar_20146282540.pdf
	01.pdf
	02.pdf
	03.pdf
	01.pdf
	02.pdf
	01.pdf
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	03.pdf
	04.pdf
	LLPT Contracapa.pdf

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