Prévia do material em texto
P1 de IMUNO Questão 1 (10 min) Um indivíduo foi picado por uma cobra venenosa e correu para o hospital. O tratamento foi feito através da injeção de um soro antiofídico. Durante o tratamento, o médico explicou que o soro é obtido de cavalos injetados algumas vezes com pequenas doses do veneno. Responda as perguntas abaixo e justifique as suas respostas. a) Qual elemento do soro é responsável pela cura do paciente e como ele funciona nesse caso? b) Por que é importante que o paciente identifique a cobra? c) Após o tratamento com o soro, o paciente estará protegido se for picado novamente alguns anos depois? 1) A) anticorpos. Eles se ligam as toxinas, impedindo que elas ativem receptores celulares ou se intercalem nas membranas da célula do hospedeiro causando danos direto à membrana. Os anticorpos não se restringem a moléculas secretadas, podendo agir sobre o próprio microrganismo impedindo sua aderência as células do hospedeiro. Esse processo é denominado neutralização. B) Pois os anticorpos gerados pelo cavalo possuem especificidade ao veneno da cobra ao qual é exposto, não necessariamente sendo efetivo contra o veneno de uma cobra diferente de qual o picou, uma vez que as toxinas são diferentes. C) Não, pois os anticorpos colocados diretamente no organismo –processo denominado imunidade passiva -- não ativam memória imunológica, sendo retirados do corpo gradualmente e eliminados do sistema. Para ativar a memória imunológica é necessário o envolvimento de células ou partes celulares contendo proteínas que ativem o sistema imune adaptativo. Questão 2 (15 min) Anticorpos e receptores de reconhecimento de padrões moleculares (Pattern Recognition Receptors, PRRs) possuem um padrão diferente de expressão. Use o conceito de clonalidade para explicar essa diferença. Em seguida, explique por que esses padrões de expressão são importantes para as funções das células da imunidade inata e na atuação dos linfócitos B durante infecções? 2) Os PRRs possuem padrão de expressão onde múltiplos receptores diferentes são expostos em uma única célula, (intracelular, na membrana ou em vesículas), podendo chegar as vezes a centenas de receptores expressos por unidade. Isso é importante pois esses receptores detectam padrões de reconhecimento que são muito bem conservados em patógenos, sendo moléculas importantes na fisiologia dos mesmos e que portanto estão menos suscetíveis a sofrer mutações. Dessa forma os PRRs, mesmo possuindo menor variabilidade genética, são bastante específicos nessa identificação de intrusos no organismo, sendo essenciais na resposta primária do organismo ao patógeno. Em contrapartida, os PCRs são expressos centenas de vezes em uma única célula de linfócito B, porém todos possuem a mesma especificidade, variando essa especificidade entre outras unidades. Isso é importante uma vez que o excesso de receptores levaria a um gasto de energia exagerado da célula, reduzindo a eficiência da resposta imune, além de garantir o sucesso dessa resposta pelo processo de clonalidade, onde um linfócito B ao reconhecer um antígeno é ativado, passando por um processo de proliferação e originando cópias exatas do mesmo linfócito, criando assim um exército de células especializadas na produção de anticorpos contra o antígeno presente. Questão 3 (15 min) Um pesquisador estudou as funções das células NK no controle do Mycobacterium tuberculosis, uma bactéria intracelular que vive dentro dos fagolisossomos. Para isso, ele infectou três grupos de animais: normais (grupo A), deficientes apenas de linfócitos (grupo B) e deficientes, simultaneamente, de linfócitos e células NK (grupo C). Para isso, ele avaliou dois parâmetros: quantidade de bactérias no pulmão alguns dias após a infecção (Gráfico 1); fenótipo de macrófagos do pulmão através de marcadores específicos para os fenótipos M1 e M2 (Gráfico 2). Avalie os gráficos e responda se as células NK ajudam a controlar a infecção. Justifique a sua resposta baseando-se na quantificação de bactérias do pulmão e usando os seus conhecimentos sobre as funções de células NK e dos diferentes fenótipos de macrófagos. Sim, as células NK ajudam no controle da infecção, uma vez que: Pelo gráfico 1, é possível notar que a deficiência delas aumenta significativamente a população bacteriana no pulmão em comparação com o controle e o grupo B, o que está associado ao papel do NK em eliminar células infectadas. Pelo gráfico 2, é possível notar que a ausência da NK reduz a expressão de macrófagos de fenótipo M2, de ativação clássica, de atividade fagocítica, produção de citosinas pró-inflamatória e citotóxica ao patógeno, além de aumentar a expressão de macrófagos de fenótipo M1, alternativamente ativados, cuja atividade é em prol da produção de citosinas anti-inflamatórias, cicatrizantes e de reposição tecidual. Ambos ocorrem pela expressão das citosinas IFN-gama pelo NK, que inibe M2 e ativa M1. Sendo assim é possível afirmar que a deficiência de NK reduz a efetividade da eliminação dos patógenos. Questão 4 (15 min) Descreva as principais etapas da inflamação aguda e explique a sua importância para a eliminação de patógenos. 4) O processo inflamatório se inicia com a ativação de leucócitos como macrófagos por ativação de PRRs, levando a produção de citocinas e quimiocinas e o inicio da fagocitose de microrganismos. As citosinas causam a resposta vascular de vasodilatação, responsável pelo rubror e calor na região, típicos de uma inflamação. Ocorre a ativação de fibras nervosas que traduzem a inflamação em dor. Causam também o aumento da permeabilidade dos vasos, causando o extravasamento de plasma para o tecido. O plasma está rico em citocinas e anticorpos. Ocorre a passagem de leucócitos de defesa para a matriz (aumento da expressão de selectina no endotélio) As quimiocinas e citosinas criam um gradiente bioquímico que ajudam a guiar as células recrutadas e ativadas para o local da inflamação. Ocorre a ativação de linfócitos B, que passam pelo processo de clonagem, levando a sua produção de enticorpos específicos, que se ligam a moléculas do patógeno, sinalizando-as e melhorando a ação citotóxica e fagocítica dos demais leucócitos (linfócito B, macrófacos, NK, por ex.) Ocorre a ativação de NK por anticorpos, levando a apoptose de células infectadas. Ocorre a maturação das células dendríticas, que levam fragmentos do antígeno para os linfócitos T, apresentando-os aos mesmos e induzindo a ativação dos linfócitos T duplo positivos em helper e citotóxico. Ocorrem também a produção de proteínas de fase aguda no fígado (C reativas e lectinas) que agem como opsoninas nos microrganismos, como citosinas e induzindo a formação de MAC, aumentando a porosidade da membrana dos patógenos. Questão 5 (15 min) Leia a afirmação a seguir: durante uma infecção, a resposta inflamatória acaba após o patógeno ser eliminado. A afirmação está correta? Justifique a sua resposta indicando os principais eventos associados ao final da inflamação. 5) A resposta está incorreta. A resposta inflamatória só acaba após o período de resolução e o retorno da homeostasia. As etapas principais que estão associados ao final da inflamação são: -Redução da migração de neutrófilos - Mudança do perfil de ativação celular, macrófagos mudando de fenótipo M1 para M2 -Remoção de células mortas -Redução da produção de citocinas pró inflamatórios, leucotrienos e prostaglandinas -Produção de citocinas anti- inflamatórias e mudança do perfil de mediadores lipídicas -Estimulo do remodelamentoo tecidual e angiogênese -Redução da dor -Retorno do tecido a homeostase Correção: -Mudança no perfil de ativação celular - Alteração na expressão do fenótipo de macrófagos, de M1 para M2 (são pontos relacionados, porém separei para não insinuar que essa é a única alteraçãode perfil de ativação celular) Questão 6 (20 min) Descreva a organização estrutural dos linfonodos e explique a importância da compartimentalização das células para o encontro dos linfócitos T virgens com os antígenos. Sua resposta deve conter uma discussão sobre as células dendríticas. O linfonodo é dividido em 3 regiões: -Córtex: zona mais extena, onde nas células subcapsulares onde se encontram macrófagos e células dendríticas capazes de captar antigenos solúveis -Paracortex: zona central, contém a Zona de células B onde ocorrem centros germinativos de linfócitos B e a Zona de células T, onde ocorrem as células de estroma que produzem as quimiocinas atrativas aos dendritos. - Medula: mais interna Do córtex aos canais paravasculares do paracortex ocorrem os conduites, formados por fibras reticulares que guiam as células dendríticas, ajudando-as a chegaremm aos linfócitos T. As células dendríticas maduras seguem o gradiente bioquímico criado pelas quimosinas produzidas pelas células do estroma, sendo guiadas aos linfonodos, onde adentram pelos conduítes e coma a ajuda das fibras reticulares, são guiadas aos lindócitos T virgens, onde apresentaram então os antígenos em seus receptores MHC e levaram a ativação do linfócito T. Ou seja, a estrutura dos linfonodos tem como principal importância guiar as células dendritica dos vasos linfáticos até as células T virgem, tanto por sua sinalização bioquímica como por sua estruturação física. Questão 7 (20 min) Uma vacina de DNA foi formulada para induzir a expressão de antígenos proteicos de uma bactéria extracelular no citosol de células dendríticas. O objetivo da vacina era gerar linfócitos T de memória. Para testar a eficácia dessa vacina, um grupo de camundongos foi inoculado com a vacina. Dias depois, os animais foram desafiados com uma dose letal da bactéria em questão. A vacina impediu a morte dos camundongos? Justifique a sua resposta. Não.O motivo principal do por que isso não ocorreria é que a introdução do antígeno no citosol das células dendríticas somente induziria a ativação de receptores MHC I, que, hipoteticamente, poderiam apenas ativar células T citotóxicas. Sem a hipotética ativação de células T helper, o sistema imune dos camundongos já teria uma resposta comprometida. Adicionado: A introdução do antígeno no citosol das células dendríticas somente induziria a ativação de receptores MHC I, que poderiam apenas ativar células T citotóxicas (CD8+). Sem a ativação de células T helper (CD4+) não ocorrerá a ativação dos linfócitos B, não havendo a produção dos anticorpos necessários para ao combate efetivo da bactéria. Questão 8 (25 min) O gráfico mostra as concentrações de anticorpos ao longo da vida de um indivíduo, desde a fase pré-natal. a) Explique a dinâmica das curvas de IgG. b) Por que os níveis de IgM são maiores do que os dos outros anticorpos no início da vida? c) Quais são as fontes de IgA em crianças neonatas e qual é o principal local de ação desse anticorpo? d) Explique as principais funções dos anticorpos contra patógenos e indique quais funções são feitas por IgM, IgG e IgA. e) Quais outros elementos do soro são importantes para a proteção contra infecções do 3° ao 12° mês? Explique suas principais funções. a) Os IgGs 1, 3 e 4 são capazes de atravessar a placenta e conferem ao feto alguma imunidade humoral, por isso que as curva de IgG apresenta um aumento até o momento do nascimento, onde o feto recebe esses anticorpos da mãe. Os níveis baixos de IgG entre o nascimento e o primeiro ano de vida é o período em que a memória imunológica do bebe está se desenvolvendo, uma vez que IgG só é produzido mediante ativação dos linfócitos B por linfócitos T. b) Pois o IgM é o primeiro anticorpo a ser produzido pelos linfócitos B, sendo a sua produção independente da ativação de linfócitos T, ou seja, não sendo dependentes de uma memória imunológica que a criança ainda está construindo. c) O IgA é prezente em maiores concentrações em secreções externas como o leite, dessa forma, as fontes principais de IgA de uma criança neonata é do leite materno. Esse anticorpo age principalmente na superfície de mucosas, nas regiões de muco. d) Neutralização: anticorpos se ligam a antígenos, impedindo que eles se liguem a receptores da célula do hospedeiro ou se intercalem nas membranas das células dos hospedeiros causando danos a membrana. Pode agir sobre moléculas secretadas e sobre microrganismos, impedindo a aderência de patógenos à células do organismo. Opsonização: se ligam ao patógeno, marcando-o para fagocitose pelo sistema imunológico. IgM: eficiente na ativação do sistema complemento, agindo na participação de processos de neutralização e opsonização. IgG: fazem bem quase todas as funções dos anticorpos. Neutralizam, opsonizam, sensibilizam para morte por céluas NK e ativam o sistema complemento. IgA: Anticorpo produzido nas mucosas, envolvido na neutralização, opsonização e na ativação do sistema complemento. Diminui efeito de toxinas de comidas estragadas. e) IgD- Não se sabe a função IgE - sensibilização de mastócitos e outros granulócitos. Importantes na reposta imune de neumintos. componentes do sistema do complemento (C3, C4) que atuam opsonisando antígenos para fagocitose, aumentando poros na membrana de antígenos e como pró- inflamatórios linfócitos – produção de anticorpos, eliminação de patógenos macrófagos – produção de citocinas e quimiocinas pró inflamatórias fatores anti- inflamatórios