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da parede. Essas descontinuidades comprometem a área de contato entre a argamassa e as peças cerâ- micas, favorecendo o surgimento de áreas ocas e a perda precoce de aderência. Figura 2 – Exemplo de aplicação inadequada da arga- massa colante. Não houve a completa quebra dos cor- dões além das irregularidades de aplicação na porção inferior e esquerda das paredes. Fonte: Autores (2025) Verificação de som oco ou som cavo (ensaio de percussão): Trata-se de uma técnica sim- ples, realizada com o auxílio de uma ferra- menta leve (como um martelo de borracha), que visa detectar áreas descoladas ou com falhas de aderência. Ao percutir a superfície, um som mais agudo ou “oco” indica que há perda de contato entre a peça e a base, sendo https://www.idd.edu.br/ Revista On-line IDD ESTUDO APLICADO DE SOLOS E MATERIAIS EM CURITIBA/PR: Diagnóstico em Dois Bairros Urbanos idd.edu.br 42 um indicativo de possível desplacamento fu- turo. A Figura 3 apresenta uma situação típica de má execução na aplicação da argamassa co- lante. É possível observar a ausência de preen- chimento uniforme dos cordões e a formação de falhas visíveis, especialmente nas porções infe- riores e laterais da parede. Essas descontinui- dades comprometem a área de contato entre a argamassa e as peças cerâmicas, favorecendo o surgimento de áreas ocas e a perda precoce de aderência. Figura 3 – Exemplo de teste de percussão feito em re- vestimento cerâmico - a fita marrom indica as peças com som cavo. Fonte: Autores (2025) Avaliação de fissuras e movimentação tér- mica: Durante a inspeção visual, é importante identificar a presença de fissuras lineares, trincas superficiais ou juntas rompidas, que podem indicar ausência de juntas de dilata- ção, movimentação estrutural não absorvida ou uso inadequado da argamassa. A análise deve considerar o padrão, direção e profundi- dade das fissuras para determinar sua ori- gem. Teste de estanqueidade: Aplicado principal- mente em áreas molhadas ou expostas à ação da água (banheiros, fachadas, varan- das), esse teste verifica a capacidade de ve- dação do revestimento cerâmico. A ausência de estanqueidade pode indicar falhas nas juntas, fissuras ocultas ou perda de aderên- cia, o que compromete a impermeabilidade do sistema. A combinação desses procedimentos per- mite um diagnóstico preciso sobre o estado do revestimento cerâmico, possibilitando a inter- venção corretiva no momento adequado, antes que as falhas evoluam para comprometimentos estruturais ou degradem significativamente o desempenho da edificação. Além disso, a reali- zação periódica de inspeções técnicas é reco- mendada como medida preventiva, especial- mente em obras de grande porte ou expostas a condições climáticas severas. Considerações Finais A correta aplicação dos revestimentos cerâ- micos representa um dos pilares para a durabi- lidade e o desempenho das edificações, especi- almente quando se considera sua função esté- tica, protetiva e impermeabilizante. Nesse con- texto, o atendimento rigoroso às normas NBR 13753 e NBR 13754 é indispensável para garan- tir que todas as etapas da execução – desde a preparação da base até o dimensionamento das juntas – sejam conduzidas conforme padrões técnicos estabelecidos. A não conformidade com as normas NBR 13753 e NBR 13754 na instalação de revesti- mentos cerâmicos pode resultar em falhas gra- ves, como descolamentos generalizados ou in- filtrações severas. Quando esses problemas exigem intervenção em apartamentos já habita- dos, os custos de reparo se tornam excepcional- mente altos. Além dos gastos diretos com ma- teriais, mão de obra especializada e o inevitável retrabalho, somam-se os custos para remediar danos secundários (como em móveis ou outras partes da estrutura afetadas pela umidade). Os transtornos operacionais para os moradores são imensos, incluindo barulho, poeira e a inter- dição de áreas essenciais. Em casos mais críti- cos, onde a extensão ou a natureza dos reparos inviabiliza a permanência segura e minima- mente confortável, pode ser necessária a relo- cação temporária dos moradores para outros imóveis, adicionando despesas significativas com aluguel temporário ou hospedagem, além do transtorno da mudança em si. Todos esses fatores combinados – custos diretos, indiretos, logísticos e o profundo impacto na rotina dos re- sidentes – tornam as intervenções corretivas em edificações ocupadas consideravelmente mais dispendiosas e complexas. https://www.idd.edu.br/ Revista On-line IDD ESTUDO APLICADO DE SOLOS E MATERIAIS EM CURITIBA/PR: Diagnóstico em Dois Bairros Urbanos idd.edu.br 43 Por outro lado, a adoção de boas práticas construtivas, associada à realização de inspeções técnicas periódicas e à aplicação de testes de controle de qualidade, possibilita a identificação precoce de falhas e a adoção de medidas corretivas antes que os problemas atinjam níveis críticos. Ensaios como o teste de aderência (pull-off), a verificação por percussão (som oco) e a avaliação da estanqueidade e fissu- ração demonstram-se eficazes para diagnosticar anomalias ainda em estágio inicial, permitindo inter- venções mais pontuais e menos onerosas. Referências ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 13753:1996 – Revestimento de paredes internas com placas cerâmicas e com utilização de argamassa colante – Procedimento. Rio de Janeiro, 1996. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 13754:1996 – Revestimento de paredes externas com placas cerâmicas e com utilização de argamassa colante – Procedimento. Rio de Janeiro, 1996. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 13749:1996 – Revestimento de paredes e tetos de argamassas inorgânicas – Especificação. Rio de Janeiro, 1996. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 14081:2004 – Argamassa colante industrializada para assentamento de placas cerâmicas. Rio de Janeiro, 2004. DAL MOLIN, D. C. C.; SILVA, D. A. Patologia, recuperação e reforço de estruturas. São Paulo: PINI, 2008. HELENE, P.; PEREIRA, J. M. Manual de patologia das construções. São Paulo: PINI, 2011. Autor para correspondências: a Kenny Joe Mormelo kennyjoe.doc@idd.edu.br Eng. Civil, Esp. Estruturas de Concreto e Fundações e Especialista em Engenharia Diagnóstica, Docente *Faculdade IDD, 80.010-050 – Curitiba – Paraná – Brasil https://www.idd.edu.br/da parede. Essas descontinuidades comprometem a área de contato entre a argamassa e as peças cerâ- micas, favorecendo o surgimento de áreas ocas e a perda precoce de aderência. Figura 2 – Exemplo de aplicação inadequada da arga- massa colante. Não houve a completa quebra dos cor- dões além das irregularidades de aplicação na porção inferior e esquerda das paredes. Fonte: Autores (2025) Verificação de som oco ou som cavo (ensaio de percussão): Trata-se de uma técnica sim- ples, realizada com o auxílio de uma ferra- menta leve (como um martelo de borracha), que visa detectar áreas descoladas ou com falhas de aderência. Ao percutir a superfície, um som mais agudo ou “oco” indica que há perda de contato entre a peça e a base, sendo https://www.idd.edu.br/ Revista On-line IDD ESTUDO APLICADO DE SOLOS E MATERIAIS EM CURITIBA/PR: Diagnóstico em Dois Bairros Urbanos idd.edu.br 42 um indicativo de possível desplacamento fu- turo. A Figura 3 apresenta uma situação típica de má execução na aplicação da argamassa co- lante. É possível observar a ausência de preen- chimento uniforme dos cordões e a formação de falhas visíveis, especialmente nas porções infe- riores e laterais da parede. Essas descontinui- dades comprometem a área de contato entre a argamassa e as peças cerâmicas, favorecendo o surgimento de áreas ocas e a perda precoce de aderência. Figura 3 – Exemplo de teste de percussão feito em re- vestimento cerâmico - a fita marrom indica as peças com som cavo. Fonte: Autores (2025) Avaliação de fissuras e movimentação tér- mica: Durante a inspeção visual, é importante identificar a presença de fissuras lineares, trincas superficiais ou juntas rompidas, que podem indicar ausência de juntas de dilata- ção, movimentação estrutural não absorvida ou uso inadequado da argamassa. A análise deve considerar o padrão, direção e profundi- dade das fissuras para determinar sua ori- gem. Teste de estanqueidade: Aplicado principal- mente em áreas molhadas ou expostas à ação da água (banheiros, fachadas, varan- das), esse teste verifica a capacidade de ve- dação do revestimento cerâmico. A ausência de estanqueidade pode indicar falhas nas juntas, fissuras ocultas ou perda de aderên- cia, o que compromete a impermeabilidade do sistema. A combinação desses procedimentos per- mite um diagnóstico preciso sobre o estado do revestimento cerâmico, possibilitando a inter- venção corretiva no momento adequado, antes que as falhas evoluam para comprometimentos estruturais ou degradem significativamente o desempenho da edificação. Além disso, a reali- zação periódica de inspeções técnicas é reco- mendada como medida preventiva, especial- mente em obras de grande porte ou expostas a condições climáticas severas. Considerações Finais A correta aplicação dos revestimentos cerâ- micos representa um dos pilares para a durabi- lidade e o desempenho das edificações, especi- almente quando se considera sua função esté- tica, protetiva e impermeabilizante. Nesse con- texto, o atendimento rigoroso às normas NBR 13753 e NBR 13754 é indispensável para garan- tir que todas as etapas da execução – desde a preparação da base até o dimensionamento das juntas – sejam conduzidas conforme padrões técnicos estabelecidos. A não conformidade com as normas NBR 13753 e NBR 13754 na instalação de revesti- mentos cerâmicos pode resultar em falhas gra- ves, como descolamentos generalizados ou in- filtrações severas. Quando esses problemas exigem intervenção em apartamentos já habita- dos, os custos de reparo se tornam excepcional- mente altos. Além dos gastos diretos com ma- teriais, mão de obra especializada e o inevitável retrabalho, somam-se os custos para remediar danos secundários (como em móveis ou outras partes da estrutura afetadas pela umidade). Os transtornos operacionais para os moradores são imensos, incluindo barulho, poeira e a inter- dição de áreas essenciais. Em casos mais críti- cos, onde a extensão ou a natureza dos reparos inviabiliza a permanência segura e minima- mente confortável, pode ser necessária a relo- cação temporária dos moradores para outros imóveis, adicionando despesas significativas com aluguel temporário ou hospedagem, além do transtorno da mudança em si. Todos esses fatores combinados – custos diretos, indiretos, logísticos e o profundo impacto na rotina dos re- sidentes – tornam as intervenções corretivas em edificações ocupadas consideravelmente mais dispendiosas e complexas. https://www.idd.edu.br/ Revista On-line IDD ESTUDO APLICADO DE SOLOS E MATERIAIS EM CURITIBA/PR: Diagnóstico em Dois Bairros Urbanos idd.edu.br 43 Por outro lado, a adoção de boas práticas construtivas, associada à realização de inspeções técnicas periódicas e à aplicação de testes de controle de qualidade, possibilita a identificação precoce de falhas e a adoção de medidas corretivas antes que os problemas atinjam níveis críticos. Ensaios como o teste de aderência (pull-off), a verificação por percussão (som oco) e a avaliação da estanqueidade e fissu- ração demonstram-se eficazes para diagnosticar anomalias ainda em estágio inicial, permitindo inter- venções mais pontuais e menos onerosas. Referências ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 13753:1996 – Revestimento de paredes internas com placas cerâmicas e com utilização de argamassa colante – Procedimento. Rio de Janeiro, 1996. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 13754:1996 – Revestimento de paredes externas com placas cerâmicas e com utilização de argamassa colante – Procedimento. Rio de Janeiro, 1996. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 13749:1996 – Revestimento de paredes e tetos de argamassas inorgânicas – Especificação. Rio de Janeiro, 1996. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 14081:2004 – Argamassa colante industrializada para assentamento de placas cerâmicas. Rio de Janeiro, 2004. DAL MOLIN, D. C. C.; SILVA, D. A. Patologia, recuperação e reforço de estruturas. São Paulo: PINI, 2008. HELENE, P.; PEREIRA, J. M. Manual de patologia das construções. São Paulo: PINI, 2011. Autor para correspondências: a Kenny Joe Mormelo kennyjoe.doc@idd.edu.br Eng. Civil, Esp. Estruturas de Concreto e Fundações e Especialista em Engenharia Diagnóstica, Docente *Faculdade IDD, 80.010-050 – Curitiba – Paraná – Brasil https://www.idd.edu.br/