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Terapeutica Veterinaria - Resumo

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ANTI-HISTAMÍNICOS NA MEDICINA 
VETERINÁRIA – RESUMO DIDÁTICO 
Os anti-histamínicos são fármacos que atuam bloqueando principalmente os receptores 
H1 da histamina, reduzindo efeitos como prurido, vasodilatação, edema e 
broncoconstrição. São amplamente utilizados no manejo de reações alérgicas em animais. 
Classificação 
Os anti-histamínicos são divididos em duas principais classes: 
Anti-histamínicos de primeira geração: atravessam a barreira hematoencefálica e causam 
sedação. Exemplos incluem difenidramina, prometazina e clorfeniramina. 
Anti-histamínicos de segunda geração: são mais seletivos e causam menos sedação. 
Exemplos incluem cetirizina e loratadina. 
Indicações clínicas 
Os anti-histamínicos são indicados principalmente em: 
• Dermatites alérgicas 
• Urticária 
• Picadas de insetos 
• Reações vacinais 
• Como adjuvantes em anafilaxia (não substituem a adrenalina) 
• Controle de doença atópica leve 
Principais fármacos 
Difenidramina: é um anti-histamínico clássico de primeira geração, com efeito sedativo 
e leve ação antiemética. Em cães, a dose recomendada é de 2 a 4 mg/kg por via oral, 
intramuscular ou intravenosa, a cada 8 a 12 horas. Em gatos, utiliza-se 1 a 2 mg/kg por 
via oral ou intramuscular a cada 12 horas. Em equinos, a dose varia de 0,5 a 1 mg/kg por 
via intravenosa. É utilizada principalmente em reações alérgicas agudas, urticária e como 
pré-medicação em vacinação. 
Clorfeniramina: apresenta menor efeito sedativo e é bastante utilizada em dermatologia. 
Em cães, a dose varia de 0,2 a 0,5 mg/kg por via oral a cada 12 horas. Em gatos, utiliza-
se 2 a 4 mg por animal por via oral a cada 12 horas. É indicada principalmente para 
dermatites alérgicas crônicas e atopia. 
Prometazina: possui efeito sedativo mais intenso e também ação antiemética. Em cães, a 
dose recomendada é de 0,5 a 1 mg/kg por via intramuscular ou oral a cada 12 a 24 horas. 
Em gatos, o uso deve ser cauteloso devido ao risco de efeitos adversos. É indicada em 
reações alérgicas e em casos com náusea associada. 
Cetirizina: anti-histamínico de segunda geração, com pouca sedação e adequado para uso 
prolongado. Em cães, a dose é de 0,5 a 1 mg/kg por via oral, uma vez ao dia. Em gatos, 
recomenda-se 5 mg por animal por via oral uma vez ao dia. É indicada principalmente 
para dermatite atópica e alergias crônicas. 
Loratadina: também de segunda geração, com longa duração e baixo efeito sedativo. Em 
cães, a dose é de aproximadamente 0,25 mg/kg por via oral uma vez ao dia. Em gatos, 
seu uso é menos comum e variável. É utilizada como alternativa em alergias crônicas. 
Vias de administração 
Os anti-histamínicos podem ser administrados por via oral, intramuscular ou intravenosa. 
A via oral é mais utilizada em tratamentos crônicos. A via intramuscular é indicada em 
reações moderadas. A via intravenosa é reservada para situações emergenciais, quando 
se deseja efeito mais rápido. 
Efeitos adversos 
Os principais efeitos adversos incluem sedação, boca seca, retenção urinária, distúrbios 
gastrointestinais e, em alguns casos, excitação paradoxal, especialmente em gatos. 
Pontos importantes 
Os anti-histamínicos não são a primeira escolha no tratamento da anafilaxia, sendo a 
adrenalina o fármaco de eleição nesses casos. A resposta aos anti-histamínicos é variável 
entre os pacientes, sendo comum a necessidade de testar diferentes fármacos. Apresentam 
melhor eficácia quando utilizados de forma preventiva. Podem ser associados a 
corticoides em alguns protocolos. Na ausência de resposta clínica, recomenda-se a troca 
do anti-histamínico. 
Resumo final 
Os anti-histamínicos do tipo H1 são utilizados principalmente no tratamento de alergias. 
Os de primeira geração apresentam efeito sedativo, enquanto os de segunda geração 
causam menos sedação. Seu principal uso na clínica veterinária está relacionado à 
dermatologia. Não substituem a adrenalina em situações de emergência como anafilaxia. 
 
AGENTES ANESTÉSICOS E SEDATIVOS – RESUMO 
A terapêutica com anestésicos e sedativos na Medicina Veterinária é fundamental para permitir 
a realização de procedimentos clínicos e cirúrgicos com segurança, promovendo contenção 
química, analgesia, relaxamento muscular e, quando necessário, perda da consciência. De forma 
geral, o protocolo anestésico é dividido em três etapas principais: medicação pré-anestésica, 
indução e manutenção. 
A medicação pré-anestésica, também chamada de MPA, é a primeira etapa do protocolo e tem 
como objetivos reduzir o estresse e a ansiedade do animal, facilitar a manipulação, promover 
analgesia inicial e diminuir a dose dos anestésicos utilizados nas fases seguintes. Entre os 
fármacos mais utilizados nessa fase está a acepromazina, um tranquilizante que promove 
sedação, porém não possui efeito analgésico. Ela é muito usada em cães e gatos por via 
intramuscular ou intravenosa, mas deve-se ter cuidado com seus efeitos adversos, 
principalmente hipotensão. 
Outro grupo importante na MPA são os agonistas alfa-2 adrenérgicos, como a xilazina e a 
dexmedetomidina. Esses fármacos promovem sedação mais profunda, além de analgesia e 
relaxamento muscular. São bastante utilizados tanto em pequenos quanto em grandes animais. 
No entanto, podem causar efeitos cardiovasculares importantes, como bradicardia, sendo 
necessário monitoramento. A dexmedetomidina é mais seletiva e potente, e possui um 
antagonista específico, o atipamezol, o que aumenta sua segurança clínica. 
Os opioides também são amplamente utilizados na MPA, principalmente quando há necessidade 
de analgesia mais intensa. A morfina é um opioide agonista puro, indicada para dor moderada a 
intensa, mas pode causar efeitos como vômito e depressão respiratória. Já o butorfanol é um 
agonista-antagonista, com menor potência analgésica, sendo mais indicado para dor leve e como 
sedativo. 
Após a MPA, inicia-se a fase de indução anestésica, cujo objetivo é levar o animal à perda de 
consciência de forma rápida e segura, permitindo a intubação orotraqueal. Um dos fármacos 
mais utilizados nessa fase é o propofol, administrado por via intravenosa. Ele possui ação rápida 
e recuperação relativamente tranquila, porém pode causar apneia e hipotensão, especialmente 
se administrado rapidamente. 
Outro fármaco importante é a cetamina, um anestésico dissociativo que promove um estado de 
inconsciência com manutenção de alguns reflexos. Por isso, ela geralmente é associada a 
sedativos ou benzodiazepínicos para melhorar o relaxamento muscular e evitar excitação. A 
cetamina é bastante utilizada tanto em cães quanto em gatos, principalmente por via 
intramuscular em situações onde o acesso venoso é difícil. 
O etomidato é uma opção importante em pacientes com comprometimento cardiovascular, pois 
causa pouca depressão cardíaca. No entanto, seu uso é mais restrito devido ao custo e à menor 
disponibilidade. 
Após a indução, passa-se para a fase de manutenção anestésica, que tem como objetivo manter 
o paciente em um plano anestésico adequado durante todo o procedimento. Nessa fase, os 
anestésicos inalatórios são os mais utilizados, principalmente o isoflurano e o sevoflurano. O 
isoflurano é amplamente empregado devido à sua segurança e facilidade de ajuste da 
profundidade anestésica. Já o sevoflurano permite indução e recuperação mais rápidas, sendo 
uma boa escolha para pacientes mais sensíveis. 
Além da sedação e da anestesia, a analgesia é um componente essencial do protocolo 
anestésico. O controle da dor deve ser realizado antes, durante e após o procedimento. Anti-
inflamatórios não esteroidais, como o meloxicam, são frequentemente utilizados no pós-
operatório para controle da dor inflamatória. Já o tramadol pode ser utilizado em casos de dor 
leve a moderada. 
As vias de administração variam conforme o objetivo do fármaco. A via intramuscular é bastante 
utilizada na pré-anestesia, especialmente quando o animal está agitado.A via intravenosa é 
preferida na indução, por permitir ação rápida e controle mais preciso. Já a via inalatória é 
utilizada na manutenção anestésica. Alguns analgésicos também podem ser administrados por 
via subcutânea. 
Na prática clínica, os fármacos raramente são utilizados isoladamente. O mais comum é a 
utilização de protocolos balanceados, que combinam diferentes classes de medicamentos para 
potencializar os efeitos desejados e reduzir efeitos adversos. Por exemplo, em um cão saudável, 
pode-se utilizar acepromazina associada à morfina na pré-anestesia, propofol na indução e 
isoflurano na manutenção. Em gatos, é comum o uso de dexmedetomidina associada ao 
butorfanol, seguida de indução com propofol ou cetamina. 
Por fim, é importante destacar alguns pontos fundamentais: a acepromazina não possui efeito 
analgésico; os agonistas alfa-2 podem causar bradicardia; o propofol pode levar à apneia; a 
cetamina deve ser associada a outros fármacos; e os anestésicos inalatórios são essenciais para 
manutenção segura da anestesia. Além disso, a analgesia deve sempre fazer parte do protocolo 
anestésico, sendo um dos pilares do manejo adequado do paciente. 
Esse conjunto de conhecimentos é essencial para a prática veterinária segura e é 
frequentemente cobrado em provas, especialmente na forma de associação entre fármacos, 
mecanismos de ação e indicações clínicas. 
 
 
 
 
 
 
 
 
CONTENÇÃO QUÍMICA COM USO DE 
SEDATIVOS - RESUMO 
A contenção química com sedativos na Medicina Veterinária consiste no uso de fármacos que 
reduzem a atividade do sistema nervoso central, promovendo tranquilização, diminuição da 
ansiedade e facilitação do manejo do animal. É indicada principalmente em pacientes agressivos, 
muito estressados ou que não permitem manipulação adequada para exames e procedimentos. 
Os sedativos utilizados na contenção química não necessariamente promovem perda de 
consciência, mas reduzem a reatividade do animal ao ambiente. Em muitos casos, eles são 
associados a analgésicos ou outros fármacos para potencializar o efeito e melhorar a qualidade 
da contenção. 
Entre os principais grupos utilizados estão os fenotiazínicos, os agonistas alfa-2 adrenérgicos e 
os benzodiazepínicos. 
A acepromazina, representante dos fenotiazínicos, é amplamente utilizada para sedação leve a 
moderada. Seu principal efeito é a tranquilização, sem promover analgesia. É indicada em 
procedimentos não dolorosos, como exames clínicos, transporte e contenção leve. Pode ser 
administrada por via intramuscular, intravenosa ou oral. Um ponto importante é que ela pode 
causar hipotensão significativa e não possui antagonista, o que limita seu uso em pacientes 
instáveis. 
Os agonistas alfa-2 adrenérgicos, como a xilazina e a dexmedetomidina, são os sedativos mais 
eficazes para contenção química. Eles promovem sedação profunda, além de analgesia e 
relaxamento muscular, sendo muito úteis em procedimentos mais invasivos ou em animais 
agressivos. A xilazina é bastante utilizada em grandes animais, enquanto a dexmedetomidina é 
mais comum em cães e gatos. Esses fármacos podem ser administrados por via intramuscular ou 
intravenosa. Um diferencial importante é que possuem antagonistas específicos, como o 
atipamezol, permitindo reversão dos efeitos. No entanto, podem causar bradicardia, redução do 
débito cardíaco e, em alguns casos, vômitos. 
Os benzodiazepínicos, como diazepam e midazolam, promovem relaxamento muscular e leve 
sedação, com mínima interferência cardiovascular. Entretanto, quando utilizados isoladamente 
em animais jovens e saudáveis, especialmente cães e gatos, podem causar excitação paradoxal. 
Por isso, são mais indicados em associação com outros sedativos ou em pacientes debilitados, 
geriátricos ou neonatos. Podem ser administrados por via intravenosa, intramuscular ou oral, 
dependendo da situação. 
Na prática clínica, a contenção química com sedativos raramente é feita com um único fármaco. 
O mais comum é a utilização de protocolos combinados. Por exemplo, a associação de 
acepromazina com um opioide pode fornecer sedação mais estável. Já a combinação de 
dexmedetomidina com butorfanol é muito utilizada para contenção moderada a profunda em 
pequenos animais. Em situações em que se deseja maior imobilização, pode-se associar 
cetamina ao protocolo. 
A escolha da via de administração é fundamental. A via intramuscular é a mais utilizada para 
iniciar a contenção, principalmente em animais agressivos, pois não exige manipulação prévia. 
A via intravenosa permite um controle mais preciso e rápido do efeito, sendo utilizada quando 
já se tem acesso venoso. A via oral pode ser utilizada previamente, em casa ou antes do 
atendimento, para reduzir o estresse do paciente. 
É essencial considerar o estado clínico do animal antes de escolher o sedativo. Pacientes com 
doenças cardíacas, hepáticas ou renais podem apresentar maior risco de efeitos adversos. Além 
disso, deve-se sempre monitorar parâmetros como frequência cardíaca, respiratória e 
temperatura durante o uso desses fármacos. 
Em síntese, a contenção química com sedativos é uma ferramenta fundamental na prática 
veterinária, permitindo manejo seguro e eficaz dos pacientes. O conhecimento das 
características de cada classe de fármaco, suas indicações, vias de administração e possíveis 
efeitos adversos é indispensável para a escolha do protocolo mais adequado. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
TERAPÊUTICA CARDIOVASCULAR EM CÃES E 
GATOS - RESUMO 
A terapêutica cardiovascular na Medicina Veterinária tem como objetivo principal melhorar a 
função cardíaca, controlar sinais clínicos (como dispneia, tosse e intolerância ao exercício) e 
aumentar a sobrevida dos pacientes com doenças cardíacas. 
As principais doenças envolvidas são a doença valvar degenerativa (principalmente em cães) e a 
cardiomiopatia hipertrófica (mais comum em gatos), além de insuficiência cardíaca congestiva 
(ICC). 
PRINCIPAIS OBJETIVOS DO TRATAMENTO 
• Reduzir a sobrecarga cardíaca 
• Melhorar o débito cardíaco 
• Controlar retenção de líquidos 
• Diminuir a pressão arterial 
• Prevenir progressão da doença 
PRINCIPAIS CLASSES DE FÁRMACOS 
1. DIURÉTICOS 
São fundamentais no tratamento da insuficiência cardíaca congestiva, pois reduzem o acúmulo 
de líquido (edema pulmonar, ascite). 
• Furosemida: é o diurético mais utilizado. 
Cães e gatos: 1–4 mg/kg VO, IM ou IV (1–3x ao dia) 
Uso: edema pulmonar 
Efeito: reduz congestão rapidamente 
• Espironolactona: diurético poupador de potássio. 
Cães e gatos: 1–2 mg/kg VO SID 
Uso: terapia crônica, efeito antifibrótico 
2. INIBIDORES DA ECA (IECA) 
Reduzem a ativação do sistema renina-angiotensina-aldosterona, diminuindo vasoconstrição e 
retenção de sódio. 
• Enalapril: 
Cães: 0,25–0,5 mg/kg VO BID 
Gatos: 0,25–0,5 mg/kg VO SID 
• Benazepril: 
Cães e gatos: 0,25–0,5 mg/kg VO SID 
3. INOTRÓPICOS POSITIVOS 
Aumentam a força de contração do coração. 
• Pimobendan: principal fármaco da cardiologia veterinária. 
Cães: 0,25–0,3 mg/kg VO BID 
Gatos: uso variável (cautela) 
Ação: inotrópico + vasodilatador 
Uso: insuficiência cardíaca, doença valvar 
4. VASODILATADORES 
Reduzem a resistência vascular, facilitando o trabalho do coração. 
• Amlodipina: 
Cães: 0,1–0,5 mg/kg VO SID 
Gatos: 0,625–1,25 mg/gato SID 
Uso: hipertensão sistêmica (principalmente em gatos) 
5. ANTIARRÍTMICOS 
Utilizados para controle de arritmias. 
• Atenolol (beta-bloqueador): 
Cães: 0,5–1 mg/kg VO BID 
Gatos: 6,25–12,5 mg/gato BID 
Uso: taquiarritmias, cardiomiopatia hipertrófica 
• Diltiazem (bloqueador de canal de cálcio): 
Cães: 1–2 mg/kg VO TID 
Gatos: 7,5–15 mg/gato TID 
Uso: controle de frequência cardíaca 
 
VIAS DE ADMINISTRAÇÃO 
✓ Oral: uso crônico 
✓ Intravenosa: emergências 
✓ Intramuscular: menos comum 
A terapêutica cardiovascular em cães e gatos baseia-se principalmente no uso de diuréticos, 
inotrópicos positivos,inibidores da ECA e vasodilatadores. O tratamento varia conforme a 
doença, sendo a doença valvar comum em cães e a cardiomiopatia hipertrófica em gatos. O 
manejo adequado melhora significativamente a qualidade e a expectativa de vida dos pacientes.