Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Prévia do material em texto

1
A
RT
IG
O
 T
EM
ÁT
IC
O
Cien Saude Colet 2025; 30:e09432025
DOI: 10.1590/1413-812320253010.09432025 
Ciência & Saúde Coletiva
cienciaesaudecoletiva.com.br
ISSN 1413-8123. v.30, n.10
Resumo Este estudo explora a relação entre variáveis socioeconômicas e geográficas dos municípios brasileiros e 
as mortes por queimaduras térmicas (QT) e elétricas (QE). Utilizando dados do Sistema de Informações de Morta-
lidade e indicadores municipais do IBGE, investigou-se o impacto de diversos fatores na mortalidade por queima-
duras. A análise revelou uma associação significativa entre a mortalidade e IDHM (QE: 2000-2009 - RR=1,4·10−3 
(IC95%: 3,4·10−4-5,9·10−3), 2010-2019 - RR=1,53·10−3 (IC95%: 2,46·10−4-9,57·10−3); QT: 2000-2009 - RR=2,95·10−6 
(IC95%: 7,63·10−7-1,14·10−5), 2010-2019 - RR=1,24·10−7 (IC95%: 1,79·10−8-8,68·10−7)), índice de Gini (QE: 2000-
2009 - RR=33,02 (IC95%: 18,43-59,03), 2010-2019 - RR=197,52 (IC95%: 111,2-350,14); QT: 2000-2009 - RR=25,77 
(IC95%: 14,68-45,13), 2010-2019 - RR=431,24 (IC95%: 237,24-781,89)), e percentual da população em áreas urba-
nas (QE: 2000-2009 - RR=1,644 (IC95%: 1,253-2,1689), e 2010-2019 - RR=1,55 (IC95%: 1,17-2,07); QT: 2000-2009 
- RR=2,42 (IC95%: 1,8-3,26), 2010-2019 - RR=2,794 (IC95%: 1,98-3,96)). Os resultados sugerem que condições 
socioeconômicas inferiores estão correlacionadas com maiores riscos de mortes por queimaduras, indicando que 
representa um problema de saúde pública interligado às desigualdades sociais.
Palavras-chave Queimaduras, Sistemas de Informação em Saúde, Fatores Socioeconômicos, Mortalidade
Abstract This study explores the relationship between socioeconomic and geographic variables of Brazilian mu-
nicipalities and deaths caused by thermal (TB) and electrical burns (EB). Using data from the Mortality Infor-
mation System and municipal indicators from IBGE, the impact of several factors on burn mortality was investi-
gated. The analysis revealed a significant association between mortality and HDI (EB: 2000-2009 - RR=1.4·10−³ 
(95%CI: 3.4·10−4-5.9·10−3), 2010-2019 - RR=1.53·10−3 (95%CI: 2.46·10−4-9.57·10−3); TB: 2000-2009 - RR=2.95·10−6 
(95%CI: 7.63·10−7-1.14·10−5), 2010-2019 - RR=1.24·10−7 (95%CI: 1.79·10−8-8.68·10−7)), Gini index (EB: 2000-2009 
- RR=33.02) (95%CI: 18.43-59.03), 2010-2019 - RR=197.52 (95%CI: 111.2-350.14); TB: 2000-2009 - RR=25.77 
(95%CI: 14.68-45.13), 2010-2019 - RR=431.24 (95%CI: 237.24-781.89)), and percentage of the population living 
in urban areas (EB: 2000-2009 - RR=1.644) (95%CI: 1.253-2.1689), 2010-2019 - RR=1.55 (95%CI: 1.17-2.07); TB: 
2000-2009 - RR=2.42 (95%CI: 1.8-3.26), 2010-2019 - RR=2.794 (95%CI: 1.98-3.96)). The results suggest that lower 
socioeconomic conditions are correlated with higher risks of death by burns, indicating that it is a public health issue 
linked to social inequalities.
Key words Burns, Health Information Systems, Socioeconomic Factors, Mortality
Resumen Este estudio explora la relación entre variables socioeconómicas y geográficas de los municipios brasileños 
y las muertes por quemaduras térmicas (QT) y eléctricas (QE). Utilizando datos del Sistema de Información de Mor-
talidad e indicadores municipales del IBGE, se investigó el impacto de diversos factores en la mortalidad por quema-
duras. El análisis reveló una asociación significativa entre la mortalidad y el IDHM (QE: 2000-2009 - RR=1,4·10−3 
(IC95%: 3,4·10−4-5,9·10−3), 2010-2019 - RR=1,53·10−3 (IC95%: 2,46·10−4-9,57·10−3); QT: 2000-2009 - RR=2,95·10−6 
(IC95%: 7,63·10−7-1,14·10−5), 2010-2019 - RR=1,24·10−7 (IC95%: 1,79·10−8-8,68·10−7)), el índice de Gini (QE: 2000-
2009 - RR=33,02 (IC95%: 18,43-59,03), 2010-2019 - RR=197,52 (IC95%: 111,2-350,14); QT: 2000-2009 - RR=25,77 
(IC95%: 14,68-45,13), 2010-2019 - RR=431,24 (IC95%: 237,24-781,89)), y el porcentaje de la población en áreas 
urbanas (QE: 2000-2009 - RR=1,644 (IC95%: 1,253-2,1689), y 2010-2019 - RR=1,55 (IC95%: 1,17-2,07); QT: 2000-
2009 - RR=2,42 (IC95%: 1,8-3,26), 2010-2019 - RR=2,794 (IC95%: 1,98-3,96)). Los resultados sugieren que condi-
ciones socioeconómicas desfavorables están correlacionadas con mayores riesgos de muerte por quemaduras, lo que 
indica que representa un problema de salud pública vinculado a las desigualdades sociales.
Palabras clave Quemaduras, Sistemas de Información en Salud, Factores Socioeconómicos, Mortalidad
Mortes por queimaduras no Brasil: uma questão social
Burn deaths in Brazil: a social issue
Muertes por quemaduras en Brasil: una cuestión social
1 Programa de Pós-
Graduação em Saúde 
Coletiva, Universidade 
de Brasília. Campus 
Universitário Darcy 
Ribeiro, Asa Norte. 70910-
900 Brasília DF Brasil. 
sergioesf001@gmail.com
2 Faculdade de Medicina, 
Escola Superior de Ciências 
da Saúde. Brasília DF 
Brasil.
3 Centro de Pesquisa 
Algoritmi, Departamento 
de Produção e Sistemas, 
Escola de Engenharia, 
Universidade do Minho. 
Guimarães Portugal.
4 Coordenação de Pesquisa 
e Comunicação Científica, 
Escola Superior de Ciências 
da Saúde. Brasília DF 
Brasil. 
5 Coordenação de Cirurgia 
Plástica e Queimaduras, 
Hospital Santa Lúcia Sul. 
Brasília DF Brasil.
6 Hospital das Clínicas, 
Faculdade de Medicina, 
Universidade de São Paulo. 
São Paulo SP Brasil.
Sérgio Eduardo Soares Fernandes https://orcid.org/0000-0002-2511-400X 1; Derek Chaves Lopes https://orcid.org/0000-0002-4382-
2528 2; Erik Teixeira Lopes https://orcid.org/0000-0001-5034-8433 3; Fábio Ferreira Amorim https://orcid.org/0000-0003-0929-5733 4; 
Jose Adorno https://orcid.org/0000-0002-4966-8859 5; Luiz Philipe Molina Vana https://orcid.org/0000-0002-7305-8399 6; Edgar 
Merchán-Haman https://orcid.org/0000-0001-6775-9466 1
2
Fe
rn
an
de
s S
ES
 et
 a
l.
Introdução
O Brasil é um país localizado na América do Sul 
e de dimensões continentais, caracterizado por 
acentuadas disparidades econômicas, sociais e 
culturais entre suas regiões. Tamanha diversida-
de implica em desafios singulares para as polí-
ticas de saúde, que precisam ser efetivas, inclu-
sivas e abrangentes para uma população muito 
heterogênea1. A análise de indicadores socioe-
conômicos e demográficos realça essas dispari-
dades, evidenciadas, por exemplo, pela variação 
de indicadores como o índice de desenvolvi-
mento humano municipal (IDHM) e o índice 
de Gini entre as diversas localidades. Os indica-
dores construídos a partir do Censo Brasileiro 
de 2010 expõem cidades como São Caetano do 
Sul em São Paulo com IDHM de 0,862, seme-
lhante ao de Hong Kong, Espanha e Dinamarca, 
no mesmo ano; e como o município de Melgaço, 
no Pará, com IDHM de 0,418, semelhante ao de 
Senegal, Uganda e Nigéria2. 
Indicadores como o IDHM e o índice de 
Gini, entre outros, estão disponíveis, construí-
dos por fontes oficiais e podem ajudar a com-
preender os mecanismos envolvidos manifesta-
ção de problemas de saúde pública3.
Entre os problemas de saúde que podem 
estar sujeitos a influência de fatores de desen-
volvimento social no Brasil, as queimaduras 
constituem traumas de alta relevância, pois 
apresentam grandes implicações de morbidade 
e mortalidade na população4. Queimaduras são 
lesões complexas, que exigem alocação de diver-
sos recursos e geram implicações em diferentes 
espectros temporais, muitas vezes com sequelas 
que podem dificultar a reinserção na sociedade4.
Uma das dimensões que dão complexidade 
às queimaduras são os diferentes mecanismos 
de lesão envolvidos com suas características epi-
demiológicas e clínicas4. Apesar da importância 
deste tema, a literatura Brasileira sobre queima-
duras oferece uma grande predominância de 
estudos descritivos sobre pacientes internados 
e carece de estudos de base populacional para 
uma compreensão mais ampla do problema5,6.
Desse modo, estudos com bases de dados 
oficiais apoiadas nas contagens populacionais 
podem contribuir com o entendimento neces-
sário para uma abordagem epidemiológica mais 
acurada sobre temas tão complexos de saúde 
pública como as queimaduras.
Este estudo busca estabelecer relaçõesentre 
indicadores socioeconômicos e demográficos 
com queimaduras e seus desfechos fatais, abor-
dagem de grande valor para a compreensão do 
problema dentro da complexidade dos municí-
pios no Brasil e com potencial de subsidiar o de-
senvolvimento de estratégias de enfrentamento 
interligadas às ações de desenvolvimento urba-
no.
Objetivos
Estudar a relação entre variáveis socioeco-
nômicas e geográficas dos municípios brasilei-
ros e a morte por queimaduras térmicas e elétri-
cas no período de 2000 a 2019.
Método
O sistema de dados oficiais do Ministério da 
Saúde, o DataSUS, dispõe de dados em acesso 
público sobre queimaduras. Essa plataforma 
utiliza a Classificação Internacional de Doen-
ças (CID-10) e permite a realização de estudos 
epidemiológicos, especialmente nas bases do 
Sistema de Informações de Mortalidade (SIM), 
do Sistema de Informações Hospitalares (SIH) e 
do Sistema de Informação Ambulatorial (SIA)7. 
Todavia, as bases assistenciais (SIM e SIA) são 
bases voltadas para registro de produção e não 
contém dados da a saúde suplementar, enquan-
to o SIM, apesar do potencial de erros de regis-
tro de códigos, cobre qualquer atendimento em 
que ocorreu o óbito8. 
Este trabalho foi desenhado como um es-
tudo ecológico dos 5570 municípios brasileiros 
nas décadas que sucederam os censos de 2000 
e 2010. O conjunto de dados foi construído a 
partir de duas fontes: o Sistema de Informações 
de Mortalidade (SIM) do DataSUS7 e os indica-
dores municipais dos censos produzidos pelo 
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística 
(IBGE)1. 
A partir do SIM foram obtidos os microda-
dos da base de mortalidade e os arquivos anuais 
em formato ‘dbc’ foram convertidos em formato 
‘csv’ utilizando o software Tabwin 4.15 do Mi-
nistério da Saúde. Do conjunto de dados obtido 
foram extraídas as seguintes variáveis: dia, mês 
e ano do óbito; código do município de residên-
cia; código da classificação internacional de do-
enças com letra e dois dígitos da causa básica de 
morte; e acidente de trabalho.
Desta base foram extraídos apenas os regis-
tros cuja causa básica de morte continham os 
seguintes códigos:
• Queimaduras térmicas: W35; W36; W38; 
W39; W40; W92; X00; X01; X02; X03; X04; X05; 
3
C
iência &
 Saúde C
oletiva, 30(10):1-10, 2025
X06; X08; X09; X10; X11; X12; X13; X14; X15; 
X16; X17; X18; X19; X30; X75; X76; X77; X88; 
X96; X97; X98; Y25; Y26; e Y27
• Queimaduras elétricas: W85; W86; W87; 
e X33
• Queimaduras por outras causas (quími-
ca, geladura, radiação): X86; W88; W89; W90; 
W91; X31; X32; e W93
Um novo campo foi criado para identificar 
a causa do óbito por queimadura em cada re-
gistro.
Um segundo conjunto de dados foi produzi-
do a partir da base do IBGE para municípios e 
dos censos de 2000 e 2010, contendo as seguin-
tes variáveis:
• Variáveis Geográficas: Código e nome do 
município; unidade da federação; latitude; lon-
gitude; altitude; Área do município em quilô-
metros quadrados;
• Variáveis Socioeconômicas: População em 
2000 e 2010; índice de Gini em 2000 e 2010; taxa 
de atividade entre 18 anos de idade ou mais em 
2000 e 2010; taxa de desocupação entre 18 anos 
de idade ou mais de idade em 2000 e 2010; per-
centual de ocupados no setor agropecuário em 
2000 e 2010; percentual de ocupados no setor 
extrativo mineral em 2000 e 2010; percentual 
dos ocupados na indústria de transformação 
em 2000 e 2010; percentual dos ocupados nos 
setores de serviços industriais de utilidade pú-
blica em 2000 e 2010; percentual dos ocupados 
no setor de construção em 2000 e 2010; percen-
tual de ocupados no setor comércio em 2000 
e 2010; percentual dos ocupados no setor de 
serviços em 2000 e 2010; percentual da popu-
lação residente em área urbana em 2000 e 2010; 
mortalidade infantil em 2000 e 2010; Índice de 
Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) 
em 2000 e 2010; razão de dependência em 2000 
e 2010; taxa de envelhecimento em 2000 e 2010; 
taxa de analfabetismo entre 15 anos de idade ou 
mais em 2000 e 2010; e percentual da população 
com 18 anos ou mais de idade com ensino fun-
damental completo em 2000 e 20101.
Após a organização dos dados, foi feita uma 
análise de correlação bivariada entre as variáveis 
coletadas em busca de colinearidade e foram 
excluídas da análise por falhas significativas de 
registro ou por colinearidade as variáveis: per-
centual de ocupados no setor extrativo mineral 
em 2000 e 2010; percentual dos ocupados na 
indústria de transformação em 2000 e 2010; 
percentual dos ocupados nos setores de serviços 
industriais de utilidade pública em 2000 e 2010; 
percentual dos ocupados no setor de construção 
em 2000 e 2010; percentual de ocupados no se-
tor comércio em 2000 e 2010; e percentual dos 
ocupados no setor de serviços em 2000 e 2010.
Na sequência, o segundo conjunto de da-
dos recebeu os campos calculados de: número 
de óbitos entre 2000 e 2009 e entre 2010 e 2019 
para as mortes por queimaduras térmicas e elé-
tricas.
Após a verificação inicial dos pressupostos, 
os dados foram submetidos a uma regressão de 
Poisson de variância robusta para os desfechos 
de número de óbitos por queimaduras térmicas 
entre 2000 e 2009 e entre 2010 e 2019; e de nú-
mero de óbitos por queimaduras elétricas entre 
2000 e 2009 e entre 2010 e 2019, no software Ja-
movi 2.3.26 e os resultados foram sumarizados 
em tabelas. As séries históricas foram realizadas 
em dois períodos para correlacionar com os 
Censos disponíveis de 2000 e 2010, e a força da 
associação não foi expressa de modo a permitir 
a comparabilidade entre as variáveis que estão 
em escala decimal.
Este projeto não foi submetido à apreciação 
ética por ser baseado integralmente em dados 
de acesso público, conforme o parágrafo único 
do artigo primeiro da Resolução 510/2016 do 
Conselho Nacional de Saúde. Todo o projeto foi 
financiado com recursos próprios dos autores e 
nenhum conflito de interesse esteve envolvido 
na produção do artigo.
Resultados
Durante o período de 2010 a 2019 ocorreram 
3,53% (IC95%: 3,33%-3,74%) mais óbitos que os 
ocorridos entre 2000 e 2009 e as diferenças nas 
proporções entre óbitos por causas térmicas e 
elétricas foram reduzidas (Tabela 1). O aumento 
foi maior nas térmicas: 4,79% (IC95%: 4,47%-
5,11%) que nas elétricas: 2,13% (1,90%-2,36%). 
A diferença populacional entre os censos de 
2000 e de 2010, entretanto, mostrou um cresci-
mento de 12,2%.
A regressão para óbitos por causas elétricas 
entre 2000 e 2009 mostrou um modelo capaz de 
explicar 61% dos dados, com significância esta-
tística para todas as variáveis exceto a área do 
município. Três das variáveis mostraram uma 
força de associação mais consistente: índice de 
Gini; percentual da população vivendo em áreas 
urbanas e IDHM. As demais variáveis, apesar da 
significância estatística, produziram um efeito 
fraco no modelo de regressão (Tabela 2).
O período entre 2010 e 2019 mostrou re-
gressão para óbitos por causas elétricas capaz 
de explicar 58,9% dos dados, com significância 
4
Fe
rn
an
de
s S
ES
 et
 a
l.
estatística para todas as variáveis e novamente 
o índice de Gini, o percentual da população vi-
vendo em áreas urbanas e o IDHM mostraram 
força de associação consistente em contraste 
com a associação mais fraca das demais variá-
veis (Tabela 3).
As mesmas três variáveis mostraram forte 
associação com as mortes por queimaduras tér-
micas tanto no período de 2000 a 2009, quanto 
no de 2010 a 2019 com significância estatística, 
entretanto, também foi possível encontrar asso-
ciação entre os óbitos por este mecanismo de 
queimaduras e o percentual da população com 
ensino fundamental completo (Tabelas 4 e 5).
Em ambos os períodos, todas as variáveis 
apresentaram significância estatística exceto a 
taxa de envelhecimento e a taxa de analfabetismo 
para mortes por queimaduras térmicas (Tabelas 
4 e 5). O modelo matemático de predição pare-
ceu explicar a variável dependente ligeiramente 
melhor no segundo período que no primeiro 
para ambos os mecanismos (Tabelas2 a 5).
Finalmente, ao analisar as mortalidades 
médias mensais por 1 milhão de habitantes por 
queimaduras para cada estado do Brasil de 2010 
a 2019, Rio de Janeiro (1,8: 1,617-1,983) e Ma-
ranhão (1,775: 1,483-2,058) ficaram acima da 
média nacional, enquanto Minas Gerais (1,058: 
Tabela 1. Regressão de Poisson de variância robusta para número de mortes por queimaduras de causa elétrica no 
período de janeiro de 2000 a dezembro de 2009.
2000 a 2019
N – Intervalo de Confiança 95%
2000 a 2009
N – Intervalo de Confiança 95%
2010 a 2019
N – Intervalo de Confiança 95%
Térmica 35.429 – 54,0% (53,6% a 54,3%) 17.300 – 53,6% (53,1% a 54,2%) 18.129 – 54,3% (53,7% a 54,8%)
Elétrica 29.790 – 45,4% (45,0% a 45,8%) 14.738 – 45,7% (45,1% a 46,2%) 15.052 – 45,1% (44,5% a 45,6%)
Outras 435 – 0,7% (0,6% a 0,7%) 219 – 0,7% (0,6% a 0,8%) 216 – 0,6% (0,6% a 0,7%)
Total 65.654 (100%) 32.257 (100%) 33.397 (100%)
Fonte: Autores.
Tabela 2. Regressão de Poisson de variância robusta para número de mortes por queimaduras de causa elétrica 
no período de janeiro de 2000 a dezembro de 2009.
Estimativa SE
Intervalo de Confiança 
95% Exp(B) Z p
exp(B) Baixo Alto
Constante 0,217 2,47·10−2 1,242 1,183 1,303 8,79descartar a hipótese de 
que o ensino fundamental completo abre acesso 
a ocupações de maior risco.
Por fim, pode-se analisar as médias men-
sais de mortalidades para as queimaduras por 
milhão de habitantes de ambas as causas por 
região. Nesse contexto, a região Sudeste cha-
mou a atenção em relação as demais (Térmicas: 
54,4 IC95%: 53,5-55,2; Elétricas: 22,9 IC95%: 
22,4-23,5), seguida pelo Nordeste (Térmicas: 
17,1 IC95%: 16,7-17,5; Elétricas: 25,2 IC95%: 
24,7-25,6), Sul (Térmicas: 7,5 IC95%: 7,3-7,7; 
Elétricas: 4,7 IC95%: 4,6-4,8), Norte (Térmi-
cas: 1,1 IC95%: 1,0-1,2; Elétricas: 2,5 IC95%: 
2,4-2,6) e Centro-Oeste (Térmicas: 1,5 IC95%: 
1,4-1,6; Elétricas: 1,9 IC95%: 1,9-2,0), conside-
rando ambas as décadas agregadas. Isso indica 
oportunidades de pesquisas futuras explorando 
regionalmente os dados discutidos (dados não 
mostrados em tabela).
Este estudo tem como principal limitação 
o objeto ter sido definido pelo óbito, o que não 
permite inferências mais seguras aos eventos de 
queimaduras. Todavia, outras limitações devem 
ser consideradas como: o resultado dos modelos 
de regressão, que explicavam de 58,9% a 70,4% 
dos dados, sugerindo haver outras variáveis não 
utilizadas que podem apresentar influência sig-
nificativa sobre os efeitos estudados, incluindo 
variáveis de confundimento. Há também limi-
tações relacionadas às ações de verificação e re-
gistro do óbito e qualificação dos registros pelas 
secretarias estaduais de saúde, que podem inse-
rir diferentes tipos de viés de aferição na base de 
dados utilizada. Nesse sentido, erros de preen-
chimento com consistência em relação a outras 
informações podem passar despercebidos pela 
consolidação dos dados e enviesar os resultados. 
A despeito destas possibilidades serem relevan-
tes, a consistência dos achados em duas déca-
das diferentes com plausibilidade científica da 
maior parte deles, parece sugerir que os achados 
podem ser considerados válidos com razoável 
segurança. 
Considerações finais
A partir do exposto pode-se concluir que este 
estudo oferece evidências verossímeis para re-
conhecer as queimaduras no Brasil como um 
dos muitos problemas complexos que envolvem 
dimensões socioeconômicas e subsidiar estu-
dos futuros capazes de apontar estratégias de 
enfrentamento deste problema saúde pública 
dentro da estrutura do Sistema Único de Saúde. 
Os resultados nas análises relacionando óbitos 
por queimaduras e o IDHM, Índice Gini e Taxa 
de urbanização reforçam os impactos de carac-
terísticas socioeconômicos nas queimaduras. 
Logo, é possível afirmar que as queimaduras e as 
suas sequelas devem ser entendidas como mais 
uma das consequências cruéis e complexas das 
desigualdades do Brasil moderno. 
Apesar das limitações citadas anteriormen-
te, os resultados trazem discussões relevantes e 
indicam novas oportunidades de pesquisa. Estu-
dos futuros podem explorar as relações de mor-
talidade por região geográfica do país, exploran-
do a homogeneidade de características também 
por estados com maior número de municípios, 
como São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. 
Adicionalmente, outras análises comparando 
mortalidade por queimaduras e indicadores ge-
ográficos e socioeconômicos podem ser desen-
volvidas utilizando o mesmo método.
9
C
iência &
 Saúde C
oletiva, 30(10):1-10, 2025
Colaboradores
SES Fernandes: conceptualização, curadoria dos 
dados, análise formal, metodologia, redação 
– revisão e edição. DC Lopes: redação do ras-
cunho original, redação – revisão e edição. ET 
Lopes: redação do rascunho original, redação – 
revisão e edição. FF Amorim, J Adorno e LPM 
Vana: redação – revisão e edição. E Merchán-
-Haman: conceptualização, redação – revisão e 
edição.
Declaração de disponibilidade de dados
As fontes de dados utilizados na pesquisa estão 
indicadas no corpo do artigo.
Referências
1. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 
Censo Demográfico [Internet]. 2022 [acessado 2024 
fev 21]. Disponível em: https://www.ibge.gov.br/es-
tatisticas/sociais/populacao/22827-censo-demogra-
fico-2022.html.
2. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística 
(IBGE). Sinopse do Censo Demográfico 2010 [In-
ternet]. 2010 [acessado 2024 fev 21]. Disponível em: 
https://www.ibge.gov.br/censo2010/apps/sinopse/
index.php?dados=10.
3. Sobral A, Freitas CM. Modelo de organização de in-
dicadores para operacionalização dos determinantes 
socioambientais da saúde. Saude Soc 2010; 19(1):35-
47. 
4. Brasil. Ministério da Saúde (MS). Secretaria de Vi-
gilância em Saúde. Monitoramento dos casos de ar-
boviroses até a semana epidemiológica 50 de 2022. 
Boletim Epidemiológico 47. Brasília: MS; 2022.
5. Cruz BF, Cordovil PBL, Batista KNM. Perfil epide-
miológico de pacientes que sofreram queimaduras 
no Brasil: revisão de literatura. Rev Bras Queimadu-
ras 2012; 11(4):246-250.
6. Souza CO. Caracterização do Perfil Epidemiológico 
dos Queimados do Brasil: Revisão Sistemática da Li-
teratura. Salvador: Universidade Federal da Bahia; 
2016.
7. Brasil. Ministério da Saúde (MS). Tabnet DataSUS 
[Internet]. [acessado 2024 fev 21]. Disponível em: 
https://datasus.saude.gov.br/informacoes-de-saude-
-tabnet/
8. Drumond EF, Machado CJ, Vasconcelos MR, França 
E. Utilização de dados secundários do SIM, Sinasc e 
SIH na produção científica brasileira de 1990 a 2006. 
Rev Bras Estud Popul 2009; 26(1):7-19. 
9. Lopes DC, Ferreira ILG, Adorno J. Manual de Quei-
maduras Para Estudantes. Vol 1. Goiânia: Sociedade 
Brasileira de Queimaduras; 2021.
10. Vendrusculo TM, Balieiro CRB, Echevarría-Guanilo 
ME, Farina Junior JA, Rossi LA. Queimaduras em 
ambiente doméstico: características e circunstâncias 
do acidente. Rev Latino Am Enferm 2010; 18(3):157-
164.
11. Smolle C, Cambiaso-Daniel J, Forbes AA, Wurzer 
P, Hundeshagen G, Branski LK, Huss F, Kamolz LP. 
Recent trends in burn epidemiology worldwide: A 
systematic review. Burns 2017; 43(2):249-257. 
12. Nthumba PM. Burns in sub-Saharan Africa: A re-
view. Burns 2016; 42(2):258-266. 
13. Dokter J, Vloemans AF, Beerthuizen GIJM, van der 
Vlies CH, Boxma H, Breederveld R, Tuinebreijer 
WE, Middelkoop E, van Baar ME; Dutch Burn Re-
pository Group. Epidemiology and trends in severe 
burns in the Netherlands. Burns 2014; 40(7):1406-
1414. 
14. Saeman MR, Hodgman EI, Burris A, Wolf SE, Ar-
noldo BD, Kowalske KJ, Phelan HA. Epidemiology 
and outcomes of pediatric burns over 35 years at 
Parkland Hospital. Burns 2016; 42(1):202-208. 
15. Hwee J, Song C, Tan KC, Tan BK, Chong SJ. The 
trends of burns epidemiology in a tropical regional 
burns centre. Burns 2016; 42(3):682-686. 
16. Frank A. Farris. The Gini Index and Measures 
of Inequality. Am Mathematical Monthly 2010; 
117(10):851. 
10
Fe
rn
an
de
s S
ES
 et
 a
l.
17. Weichert MA. Violência sistemática e persegui-
ção social no Brasil. Rev Bras Segur Publica 2017; 
11(2):106-128.
18. Mattei TF, Bezerra FM, Mello GR. Despesas públi-
cas e o nível de desenvolvimento humano dos esta-
dos brasileiros: uma análise do IDHM 2000 e 2010. 
RACE 2018; 17(1):29-54. 
19. Lavrentieva A. Socioeconomic factors and burn. The 
challenges of poverty and social gradient in our tu-
multuous world. Burns 2016; 42(5):1022-1023. 
20. Mistry RM, Pasisi L, Chong S, Stewart J, She RBW. 
Socioeconomic deprivation and burns. Burns 2010; 
36(3):403-408. 
21. Romanowski KS, Zhou Y, Ten Eyck P, Baldea A, 
Gallagher JJ, Galet C, Liu YM. Racial And Socioeco-
nomic Differences Affect Outcomes in Elderly Burn 
Patients. Burns 2021; 47(5):1177-1182. 
22. Yin B, He Y, Zhang Z, Cheng X, Bao W, Li S, Wang 
W, Jia C. Global burden of burns and its association 
with socio-economic development status, 1990-
2019. Burns 2024; 50(2):321-374. 
23. Mohammadi AA, Hoghoughi MA, Karoobi M, Ran-
jbar K, Shahriarirad R, Erfani A, Modarresi MS, Zar-
dosht M. Socioeconomic Features of Burn Injuries in 
Southern Iran: A Cross-sectional Study. J Burn Care 
Res 2022; 43(4):936-941. 
24. ABRACOPEL. Anuário Estatístico ABRACOPEL: 
Acidentes de Origem Elétrica.2018.
25. Cloake T, Haigh T, Cheshire J, Walker D. The impact 
of patient demographics and comorbidities upon 
burns admitted to Tygerberg Hospital Burns Unit, 
Western Cape, South Africa. Burns 2017; 43(2):411-
416. 
Este é um artigo publicado em acesso aberto sob uma licença Creative CommonsBYCC
26. André SB, Carvalho FM, Daltro C, Pena P. Epide-
miologia dos acidentes em uma comunidade de 
baixa renda de Salvador, Bahia. Rev Baiana Saude 
Publica 2014; 38(3):585-597. 
27. Pereira NCS, Paixão GM. Características de pacien-
tes internados no centro de tratamento de queima-
dos no estado do Pará. Rev Bras Queimaduras 2017; 
16(2):106-110.
28. Queiroz PR, Lima KC, Alcântara IC. Prevalência e 
fatores associados a queimaduras de terceiro grau no 
município de Natal, RN - Brasil. Rev Bras Queima-
duras 2013; 12(3):169-176.
29. Santos GP, Freitas NA, Bastos VD, Carvalho FF. 
Perfil epidemiológico do adulto internado em um 
centro de referência em tratamento de queimaduras. 
Rev Bras Queimaduras 2017; 16(2):81-86.
Artigo apresentado em 15/03/2024
Aprovado em 22/05/2025
Versão final apresentada em 24/05/2025
Editores-chefes: Maria Cecília de Souza Minayo, Romeu 
Gomes, Antônio Augusto Moura da Silva, Vânia de Matos 
Fonseca2018.
25. Cloake T, Haigh T, Cheshire J, Walker D. The impact 
of patient demographics and comorbidities upon 
burns admitted to Tygerberg Hospital Burns Unit, 
Western Cape, South Africa. Burns 2017; 43(2):411-
416. 
Este é um artigo publicado em acesso aberto sob uma licença Creative CommonsBYCC
26. André SB, Carvalho FM, Daltro C, Pena P. Epide-
miologia dos acidentes em uma comunidade de 
baixa renda de Salvador, Bahia. Rev Baiana Saude 
Publica 2014; 38(3):585-597. 
27. Pereira NCS, Paixão GM. Características de pacien-
tes internados no centro de tratamento de queima-
dos no estado do Pará. Rev Bras Queimaduras 2017; 
16(2):106-110.
28. Queiroz PR, Lima KC, Alcântara IC. Prevalência e 
fatores associados a queimaduras de terceiro grau no 
município de Natal, RN - Brasil. Rev Bras Queima-
duras 2013; 12(3):169-176.
29. Santos GP, Freitas NA, Bastos VD, Carvalho FF. 
Perfil epidemiológico do adulto internado em um 
centro de referência em tratamento de queimaduras. 
Rev Bras Queimaduras 2017; 16(2):81-86.
Artigo apresentado em 15/03/2024
Aprovado em 22/05/2025
Versão final apresentada em 24/05/2025
Editores-chefes: Maria Cecília de Souza Minayo, Romeu 
Gomes, Antônio Augusto Moura da Silva, Vânia de Matos 
Fonseca

Mais conteúdos dessa disciplina