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Introdução à Hermenêutica e Interpretação Constitucional Fábio Mauro de Medeiros Toda ciência precisa de um método A realidade apresenta mais conflitos do que é possível prever. O Estado ou quem lhe faça as vezes tem o dever de solucionar o conflito. Para que haja legitimação social, deve-se partir de uma premissa de que o conflito já possui uma solução e dessa forma será aceita socialmente e pelos que se encontram em conflito. Mas o costume resolve tudo? E o que é novo, o legislador mítico ou parlamentar poderá prever e solucionar tudo? Toda ciência precisa de um método A Aplicação não prescinde da hermenêutica: a primeira pressupõe a segunda como a medicação a diagnose. Em erro também incorre quem confunde as 2 disciplinas: uma, a hermenêutica, tem um só objeto - a lei; a outra, dois - o Direito, no sentido objetivo, e o fato . Aquela é um meio para atingir a esta; é um momento da atividade do aplicador do Direito. Construção do sistema jurídico Os jurisconsultos resolvem o problema social com uma solução, simples. 1) o ordenamento resolve tudo. E se, de fato, não resolve prevendo o conflito em desenvolvimento? 2) pode-se extrair do sistema uma solução mesmo que ela não seja prevista. Tipos de concepção O sistema jurídico é completo porque se o ordenamento jurídico não tiver uma previsão, a solução pode ser deduzida do ordenamento. Não há lacuna, pois há instrumentos de completude do sistema. X O ordenamento é incompleto, tem lacunas, mas como precisamos encontrar uma solução, adotam-se métodos de preenchimento. O ordenamento é incompleto, mas o sistema não. Há lacunas e métodos de preenchê-las. INTEGRAÇÃO DO ORDENAMENTO OU COLMATAÇÃO DE LACUNAS Métodos : Lei de Introdução às Normas do Ordenamento Jurídico Brasileiro Art. 4o Quando a lei for omissa, o juiz decidirá o caso de acordo com a analogia, os costumes e os princípios gerais de direito. Métodos : Código Tributário Nacional Art. 108. Na ausência de disposição expressa, a autoridade competente para aplicar a legislação tributária utilizará sucessivamente, na ordem indicada: I - a analogia; II - os princípios gerais de direito tributário; III - os princípios gerais de direito público; IV - a eqüidade. Analogia Caso paradigmático no direito constitucional recente: Greve de servidores: Inexiste regra própria, mas há regra para serviços essenciais. Analogia Mandado de Injunção 4. DIREITO DE GREVE DOS SERVIDORES PÚBLICOS CIVIS. REGULAMENTAÇÃO DA LEI DE GREVE DOS TRABALHADORES EM GERAL (LEI No 7.783/1989). FIXAÇÃO DE PARÂMETROS DE CONTROLE JUDICIAL DO EXERCÍCIO DO DIREITO DE GREVE PELO LEGISLADOR INFRACONSTITUCIONAL. 4.1. A disciplina do direito de greve para os trabalhadores em geral, quanto às "atividades essenciais", é especificamente delineada nos arts. 9o a 11 da Lei no 7.783/1989. Na hipótese de aplicação dessa legislação geral ao caso específico do direito de greve dos servidores públicos, antes de tudo, afigura-se inegável o conflito existente entre as necessidades mínimas de legislação para o exercício do direito de greve dos servidores públicos civis (CF, art. 9o, caput, c/c art. 37, VII), de um lado, e o direito a serviços públicos adequados e prestados de forma contínua a todos os cidadãos (CF, art. 9o, §1o), de outro. 6.7. Mandado de injunção conhecido e, no mérito, deferido para, nos termos acima especificados, determinar a aplicação das Leis nos 7.701/1988 e 7.783/1989 aos conflitos e às ações judiciais que envolvam a interpretação do direito de greve dos servidores públicos civis. (STF, MI 708 / DF - DISTRITO FEDERAL, Órgão julgador: Tribunal Pleno, Relator(a): Min. GILMAR MENDES, Julgamento: 25/10/2007, Publicação: 31/10/2008) Costume Embora seja aplicado ou entendido como forma de colmatar a ausência de lei, nos sistemas tradicionais, o costume é a lei. Em termos históricos, o ordenamento jurídico (produto da razão e conjunto de interesses do povo), substitui o costume. No caso de incompletude do ordenamento, recorre-se à fonte primária. Note-se que no Código Comercial, o costume era obrigatório. Costume Art. 113. Os negócios jurídicos devem ser interpretados conforme a boa-fé e os usos do lugar de sua celebração. (...) II - corresponder aos usos, costumes e práticas do mercado relativas ao tipo de negócio; (Incluído pela Lei nº 13.874, de 2019) http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Lei/L13874.htm#art7 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Lei/L13874.htm#art7 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Lei/L13874.htm#art7 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Lei/L13874.htm#art7 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Lei/L13874.htm#art7 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Lei/L13874.htm#art7 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Lei/L13874.htm#art7 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Lei/L13874.htm#art7 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Lei/L13874.htm#art7 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Lei/L13874.htm#art7 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Lei/L13874.htm#art7 Costume Risco do costume em sociedades injustas: manter injustiças. Em regra os ordenamentos jurídicos decorrentes de movimentos revolucionários não assumem o costume como fonte ou método de colmatação – prevalência da lei. Costume Geralmente, não há prejuízo à legalidade ao aplicar o costume para processos e procedimentos, forma de apresentação de documentos. Costume Para o direito tributário, embora haja o cuidado de não utilizar o termo “costume”, a prática reiterada é norma infralegal: Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: (...) III - as práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas; Princípios Gerais do Direito Não há definição de princípios gerais de direito. Os estudos de origem romana, reportam às máximas de direito: Honeste vivere, neminem laedere, suum cuique tribuere. Princípios Gerais do Direito O CTN separa os princípios gerais do direito da seguinte forma: Art. 108. Na ausência de disposição expressa, a autoridade competente para aplicar a legislação tributária utilizará sucessivamente, na ordem indicada: I - a analogia; II - os princípios gerais de direito tributário; III - os princípios gerais de direito público; IV - a eqüidade. Princípios Gerais do Direito Fora o anterioridade (similitude com o direito eleitoral), todos os princípios do direito tributário coincidem com o do direito administrativo: Legalidade Igualdade Publicidade Princípios Gerais do Direito os princípios gerais de direito público; Geralmente, são identificados com o direito de defesa e demais princípios constitucionais: republicano, democrático, legalidade, igualdade. Equidade A noção de equidade é muitas vezes associada à noção de igualdade; Também é associada à noção de justiça ao caso concreto conferida ao agente público, como o juiz, pela lei. Estatuto da Criança e do Adolescente Art. 11. É assegurado acesso integral às linhas de cuidado voltadas à saúde da criança e do adolescente, por intermédio do Sistema Único de Saúde, observado o princípio da equidade no acesso a ações e serviços para promoção, proteção e recuperação da saúde. (Redação dada pela Lei nº 13.257, de 2016) Art. 46. A adoção será precedida de estágio de convivência com a criança ou adolescente, pelo prazo máximo de 90 (noventa) dias, observadas a idade da criança ou adolescente e as peculiaridades do caso. (Redação dada pela Lei nº 13.509, de 2017) § 5 o O estágio de convivência será cumprido no território nacional, preferencialmente na comarca de residência da criança ou adolescente, ou, a critério do juiz, em cidade limítrofe, respeitada, em qualquer hipótese, a competência dojuízo da comarca de residência da criança. (Incluído pela Lei nº 13.509, de 2017) https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2016/Lei/L13257.htm#art21 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2016/Lei/L13257.htm#art21 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2016/Lei/L13257.htm#art21 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2016/Lei/L13257.htm#art21 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2016/Lei/L13257.htm#art21 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2016/Lei/L13257.htm#art21 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2016/Lei/L13257.htm#art21 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2016/Lei/L13257.htm#art21 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2016/Lei/L13257.htm#art21 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2016/Lei/L13257.htm#art21 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2016/Lei/L13257.htm#art21 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2016/Lei/L13257.htm#art21 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2017/Lei/L13509.htm#art1 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2017/Lei/L13509.htm#art1 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2017/Lei/L13509.htm#art1 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2017/Lei/L13509.htm#art1 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2017/Lei/L13509.htm#art1 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2017/Lei/L13509.htm#art1 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2017/Lei/L13509.htm#art1 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2017/Lei/L13509.htm#art1 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2017/Lei/L13509.htm#art1 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2017/Lei/L13509.htm#art1 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2017/Lei/L13509.htm#art1 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2017/Lei/L13509.htm#art1 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2017/Lei/L13509.htm#art1 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2017/Lei/L13509.htm#art1 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2017/Lei/L13509.htm#art1 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2017/Lei/L13509.htm#art1 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2017/Lei/L13509.htm#art1 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2017/Lei/L13509.htm#art1 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2017/Lei/L13509.htm#art1 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2017/Lei/L13509.htm#art1 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2017/Lei/L13509.htm#art1 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2017/Lei/L13509.htm#art1 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2017/Lei/L13509.htm#art1 Equidade “A eqüidade é o direito benigno, moderado, a justiça natural, a razão humana (isto é, inclinada à Benevolência)” Miraglia in Carlos Maximiliano E quando há previsão não óbvia no ordenamento jurídico? INTERPRETAÇÃO Sistematização de interpretação (Carlos Maximiliano) A interpretação é uma só; não se fraciona: exercita-se por vários processos, no parecer de uns; aproveita-se de elementos diversos, na opinião de outros: o gramatical, ou melhor, filológico; e o lógico, subdividido este, por sua vez, em lógico propriamente dito, e social, ou sociológico. Apesar do desenvolvimento mais restritivo na análise, o livro de Carlos Maximiliano tem a previsão de todas as modalidades que hoje são aceitas. O que é interpretação Interpretar é explicar, esclarecer, dar o significado de vocábulo atitude um gesto; reproduzir por outras palavras um pensamento exteriorizado ponto mostrar o sentido verdadeiro de uma expressão; extraíram, de frase, sentença ou norma, tudo o que na mesma se contém. Pode-se procurar e definir a significação de conceitos e intenções, fatos e indícios; porque tudo se interpreta; inclusive o silêncio. Interpretar uma expressão de direito não é simplesmente tornar claro o respectivo dizer abstratamente falando; é sobretudo, revelar o sentido apropriado para a vida real e conducente à uma decisão reta. Quanto ao intérprete Autêntica Jurisprudencial Doutrinária Quanto ao intérprete - Autêntica Autêntica – realizada pelo Legislador CDC Art. 2° Consumidor é toda pessoa física ou jurídica que adquire ou utiliza produto ou serviço como destinatário final. (...) Art. 3° Fornecedor é toda pessoa física ou jurídica, pública ou privada, nacional ou estrangeira, bem como os entes despersonalizados, que desenvolvem atividade de produção, montagem, criação, construção, transformação, importação, exportação, distribuição ou comercialização de produtos ou prestação de serviços. CTN Art. 3º Tributo é toda prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada. Quanto ao intérprete - Jurisprudencial Jurisprudencial – feita pela noção uniforme dos tribunais num mesmo sentido Súmulas Constituição - Art. 103-A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004) CPC de 2015 Do Julgamento dos Recursos Extraordinário e Especial Repetitivos Art. 1.036. Sempre que houver multiplicidade de recursos extraordinários ou especiais com fundamento em idêntica questão de direito, haverá afetação para julgamento de acordo com as disposições desta Subseção, observado o disposto no Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal e no do Superior Tribunal de Justiça. http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc45.htm#art2 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc45.htm#art2 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc45.htm#art2 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc45.htm#art2 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc45.htm#art2 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc45.htm#art2 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc45.htm#art2 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc45.htm#art2 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc45.htm#art2 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc45.htm#art2 Quanto ao intérprete: Doutrinária Doutrinária – realizada pelos juristas Uma e outra adquirem grande prestígio quando uniformes, duradouras, e confirmadas ou defendidas por jurisconsultos de valor, com assento no pretório, ou brilhantes advogados, catedráticos, escritores. Tipos ou modalidades de interpretação Na atualidade, pode-se sistematizar como Literal Gramatical Lógico Histórico Teleológico Como se interpreta Método literal, filológico, exegese ou gramatical Daí se originou o processo verbal, ou filológico, de exegese. Atende à forma exterior do texto; preocupa-se com as acepções várias dos vocábulos; graças ao manejo relativamente perfeito e ao conhecimento integral das leis e usos da linguagem, procura descobrir qual deve ou pode ser o sentido de uma frase, dispositivo ou norma. Como se interpreta Método literal, filológico, gramatical ou de exegese Para eficácia do método gramatical, deve-se ter domínio sobre a língua, inclusive regionalismos Conhecimento sobre os autores Notícia sobre o tema, inclusive a história Certeza da autenticidade do texto Dificuldades: uso variado do vocábulo –adoção de uso em sentido comum, depois em sentido técnico; significado alterado no tempo; leis trazidas de outros ordenamentos de outras línguas (tradução). Como se interpreta literal, filológico, Exegese O sentido das leis se deduz, tanto do espírito quanto da letra respectiva. São inevitáveis os extravasamentos e as compressões; resultam da pobreza da palavra que torna inapta para corresponder a multiplicidade das ideias e à complexidade da vida. Por isso, a interpretação extensiva e estrita, posto que outrora se considerasse ideal a só declarativa. A exegese filológica atinge, apenas, um caso típico, principal; o núcleo, explícito, lúcido, é cercado por uma zona de transição; cabe ao intérprete ultrapassar esse limite para chegar ao campo circunvizinho, mais vasto, e rico de aplicações práticas. “Saber as leis é conhecer-lhes, não as palavras, mas a força e o poder” , isto é, o sentido e o alcance respectivos. Como se interpreta Método lógico Baseado em raciocínios dedutivos ou indutivos Silogismo: premissa maior + premissa menor = conclusão Crítica: o direito não pode ser reduzido a um processo matemático prescindindo de elemento histórico. Como se interpreta Método sistemático Consiste o processo sistemático em comparar o dispositivo sujeito a exegese com outro do mesmo repositório ou de leis diversas, mas referentes ao mesmo objeto. O Direito objetivo não é um conglomerado caótico de preceitos; constituem vasta unidade de organismo regular, sistema, conjunto harmônico de normas coordenadas em interdependência metódica, embora fixada a cada uma no seu lugar próprio. Confronta-se a prescrição positiva com outra de que proveio, ou que da mesma emanaram; verifica-se o nexo entre a regra e a excepção, entre o geral e o particular, e deste modo se obtém esclarecimentos preciosos. Como se interpreta Método sistemático A verdade inteira resulta do contexto, e não de uma parte truncada, que sabe defeituosa, mal redigida; examine se a norma na íntegra, e mais ainda: o direito todo, referente ao assunto ; além de comparar o dispositivo com outros afins, que forma o mesmo instituto jurídico e com os referentes a institutos análogos; força é, também, afinal pôr tudo em relação com os princípios gerais, o conjunto do sistema em vigor. Combinação de princípios com a máxima aplicação de cada um deles pode ser considerado oriundo da interpretação tradicional sistemática. Como se interpreta Método Histórico O que hoje vigora, abrolhou dos genes existentes no passado; O direito não se inventa; É um produto lento da evolução, adaptado ao meio; com acompanhar o desenvolvimento desta descobrir a origem as transformações históricas de um instituto obtém-se alguma luz para o compreender bem. Só as pessoas estranhas à ciência jurídica acreditam na possibilidade de se fazer leis inteiramente novas, crêem ser um código obra pessoal de A ou B. O autor aparente da norma positiva apenas assimila, aproveite consolida o que encontra no país e, em pequena parte, entre povos do mesmo grau de civilização. Consistiu o direito atual em reproduções hora integrais ora ligeiramente modificadas, de preceitos pré existentes. Dever do Intérprete Inquirir quais as idéias dominantes, os princípios diretores, o estado do direito, os usos e costumes em voga, enfim o espírito jurídico reinante na época em que foi feita a norma. O legislador é um filho do seu tempo ; fala a linguagem do seu século e assim deve ser encarado e compreendido. Como se interpreta Método Histórico Disposições antigas, restabelecidas, consolidadas ou simplesmente aproveitadas em novo texto, conservam a exegese do original. Pouco importa que se não reproduzam as palavras: basta que fica essência, o conteúdo substancialmente seja mantido o pensamento primitivo. Por outro lado, pelo espírito das alterações de reformas sofridas por um preceito em sua trajetória histórica chega-se ao conhecimento do papel que ele é chamado a exercer na atualidade. Como se interpreta Método Histórico Os materiais legislativos tem alguma utilidade para a hermenêutica embora não devam ser colocados na primeira linha, nem aproveitado sempre, a torto e direito, em todas as hipóteses imagináveis, para resolver quaisquer dúvidas; ajudam a descobrir o elemento causal chave da interpretação. Embora ainda apreciáveis, os materiais legislativos tem o seu prestígio em decadência desde que a teoria da vontade o processo psicológico, a mens legislatoris, cedeu a primazia ao sistema das normas objetivadas. Os motivos intrínsecos, imanentes no contexto e por ele próprio revelados, prevalecem, hoje, contra os subsídios extrínsecos; O conteúdo da lei é independente do que pretendeu o seu autor. Mil vezes mais do que os argumentos expressos, de ordem social jurídica, preponderam, com frequência, os ocultos e às vezes até inconfessáveis, de natureza política. Como se interpreta Método teleológico Considera-se o direito como uma ciência primariamente normativa ou finalística; por isso mesmo a sua interpretação há de ser na essência, teleológica. O hermeneuta sempre terá em vista o fim da lei, o resultado que a mesma precisa atingir em sua atuação prática. A norma enfeixa um conjunto de providências protetoras julgadas necessárias para satisfazer a certas exigências econômicas e sociais; será interpretada de modo que melhor corresponda àquela finalidade e assegure plenamente a tutela de interesse para o qual foi redigida. O fim não revela, por si só, os meios que os autores das expressões de direito puseram em ação para o realizar; serve, entretanto para fazer melhor compreendê-los e desenvolvê-los em suas minúcias. Análise da constitucionalidade leva em consideração se os meios são adequados a alcançar o fim. Análise de resultado e teleologia Quando possível, evita uma consequência incompatível com o bem geral; adapta o dispositivo às idéias vitoriosas entre o povo em cujo seio vigem as expressões de Direito sujeitas a exame. Prefere-se o sentido conducente ao resultado mais razoável, que melhor corresponda às necessidades da prática, e seja mais humano, benigno, suave. É antes de crer que o legislador haja querido exprimir o conseqüente e adequado à espécie do que o evidentemente injusto, descabido, inaplicável, sem efeito. Portanto, dentro da lei expressa, procure-se a interpretação que conduza a melhor consequência para a coletividade. Teleológico LINDB Art. 5o Na aplicação da lei, o juiz atenderá aos fins sociais a que ela se dirige e às exigências do bem comum. Slide 1: Introdução à Hermenêutica e Interpretação Constitucional Slide 2: Toda ciência precisa de um método Slide 3: Toda ciência precisa de um método Slide 4: Construção do sistema jurídico Slide 5: Tipos de concepção Slide 6 Slide 7: Métodos : Lei de Introdução às Normas do Ordenamento Jurídico Brasileiro Slide 8: Métodos : Código Tributário Nacional Slide 9: Analogia Slide 10: Analogia Slide 11: Costume Slide 12: Costume Slide 13: Costume Slide 14: Costume Slide 15: Costume Slide 16: Princípios Gerais do Direito Slide 17: Princípios Gerais do Direito Slide 18: Princípios Gerais do Direito Slide 19: Princípios Gerais do Direito Slide 20: Equidade Slide 21: Equidade Slide 22: E quando há previsão não óbvia no ordenamento jurídico? Slide 23: Sistematização de interpretação (Carlos Maximiliano) Slide 24: O que é interpretação Slide 25: Quanto ao intérprete Slide 26: Quanto ao intérprete - Autêntica Slide 27: Quanto ao intérprete - Jurisprudencial Slide 28: Quanto ao intérprete: Doutrinária Slide 29: Tipos ou modalidades de interpretação Slide 30: Como se interpreta Slide 31: Como se interpreta Slide 32: Como se interpreta Slide 33: Como se interpreta Slide 34: Como se interpreta Slide 35: Como se interpreta Slide 36: Como se interpreta Slide 37: Como se interpreta Slide 38: Como se interpreta Slide 39: Como se interpreta Slide 40: Análise de resultado e teleologiaSlide 41: Teleológico LINDB