Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Prévia do material em texto

Introdução à 
Hermenêutica e 
Interpretação 
Constitucional
Fábio Mauro de Medeiros
Toda ciência precisa de um método
 A realidade apresenta mais conflitos do que é possível 
prever.
 O Estado ou quem lhe faça as vezes tem o dever de 
solucionar o conflito.
 Para que haja legitimação social, deve-se partir de uma 
premissa de que o conflito já possui uma solução e dessa 
forma será aceita socialmente e pelos que se encontram 
em conflito. 
 Mas o costume resolve tudo? E o que é novo, o legislador 
mítico ou parlamentar poderá prever e solucionar tudo?
Toda ciência precisa de um método
A Aplicação não prescinde da hermenêutica: a
primeira pressupõe a segunda como a
medicação a diagnose. Em erro também incorre
quem confunde as 2 disciplinas: uma, a
hermenêutica, tem um só objeto - a lei; a outra,
dois - o Direito, no sentido objetivo, e o fato .
Aquela é um meio para atingir a esta; é um
momento da atividade do aplicador do Direito.
Construção do sistema jurídico
Os jurisconsultos resolvem o problema
social com uma solução, simples.
1) o ordenamento resolve tudo. E se, de
fato, não resolve prevendo o conflito em
desenvolvimento?
2) pode-se extrair do sistema uma solução
mesmo que ela não seja prevista.
Tipos de concepção
 O sistema jurídico é completo porque se o
ordenamento jurídico não tiver uma previsão, a
solução pode ser deduzida do ordenamento. Não há
lacuna, pois há instrumentos de completude do
sistema.
X
 O ordenamento é incompleto, tem lacunas, mas como
precisamos encontrar uma solução, adotam-se
métodos de preenchimento. O ordenamento é
incompleto, mas o sistema não. Há lacunas e métodos
de preenchê-las.
INTEGRAÇÃO DO 
ORDENAMENTO OU
COLMATAÇÃO DE LACUNAS
Métodos : Lei de Introdução às Normas do 
Ordenamento Jurídico Brasileiro
Art. 4o Quando a lei for omissa, o juiz
decidirá o caso de acordo com
a analogia,
os costumes e
os princípios gerais de direito.
Métodos : Código Tributário Nacional
 Art. 108. Na ausência de disposição expressa, a
autoridade competente para aplicar a legislação
tributária utilizará sucessivamente, na ordem
indicada:
 I - a analogia;
 II - os princípios gerais de direito tributário;
 III - os princípios gerais de direito público;
 IV - a eqüidade.
Analogia
Caso paradigmático no direito
constitucional recente:
Greve de servidores:
Inexiste regra própria, mas há regra
para serviços essenciais.
Analogia
 Mandado de Injunção
4. DIREITO DE GREVE DOS SERVIDORES PÚBLICOS CIVIS. REGULAMENTAÇÃO DA LEI DE GREVE DOS
TRABALHADORES EM GERAL (LEI No 7.783/1989). FIXAÇÃO DE PARÂMETROS DE CONTROLE JUDICIAL DO
EXERCÍCIO DO DIREITO DE GREVE PELO LEGISLADOR INFRACONSTITUCIONAL. 4.1. A disciplina do direito
de greve para os trabalhadores em geral, quanto às "atividades essenciais", é especificamente delineada nos
arts. 9o a 11 da Lei no 7.783/1989. Na hipótese de aplicação dessa legislação geral ao caso específico do
direito de greve dos servidores públicos, antes de tudo, afigura-se inegável o conflito existente entre as
necessidades mínimas de legislação para o exercício do direito de greve dos servidores públicos civis (CF, art.
9o, caput, c/c art. 37, VII), de um lado, e o direito a serviços públicos adequados e prestados de forma
contínua a todos os cidadãos (CF, art. 9o, §1o), de outro.
6.7. Mandado de injunção conhecido e, no mérito, deferido para, nos termos acima especificados,
determinar a aplicação das Leis nos 7.701/1988 e 7.783/1989 aos conflitos e às ações judiciais que envolvam
a interpretação do direito de greve dos servidores públicos civis.
(STF, MI 708 / DF - DISTRITO FEDERAL, Órgão julgador: Tribunal Pleno, Relator(a): Min. GILMAR MENDES,
Julgamento: 25/10/2007, Publicação: 31/10/2008)
Costume
 Embora seja aplicado ou entendido como forma de
colmatar a ausência de lei, nos sistemas tradicionais, o
costume é a lei.
 Em termos históricos, o ordenamento jurídico (produto da
razão e conjunto de interesses do povo), substitui o
costume.
 No caso de incompletude do ordenamento, recorre-se à
fonte primária. Note-se que no Código Comercial, o
costume era obrigatório.
Costume
Art. 113. Os negócios jurídicos devem ser
interpretados conforme a boa-fé e os usos do
lugar de sua celebração.
 (...)
 II - corresponder aos usos, costumes e práticas do
mercado relativas ao tipo de negócio; (Incluído
pela Lei nº 13.874, de 2019)
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Lei/L13874.htm#art7
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Lei/L13874.htm#art7
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Lei/L13874.htm#art7
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Lei/L13874.htm#art7
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Lei/L13874.htm#art7
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Lei/L13874.htm#art7
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Lei/L13874.htm#art7
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Lei/L13874.htm#art7
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Lei/L13874.htm#art7
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Lei/L13874.htm#art7
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Lei/L13874.htm#art7
Costume
 Risco do costume em sociedades injustas: manter
injustiças.
 Em regra os ordenamentos jurídicos decorrentes de
movimentos revolucionários não assumem o costume
como fonte ou método de colmatação – prevalência da
lei.
Costume
Geralmente, não há prejuízo à
legalidade ao aplicar o costume para
processos e procedimentos, forma de
apresentação de documentos.
Costume
Para o direito tributário, embora haja o cuidado de não
utilizar o termo “costume”, a prática reiterada é norma
infralegal:
Art. 100. São normas complementares das leis, dos
tratados e das convenções internacionais e dos
decretos:
(...)
III - as práticas reiteradamente observadas pelas
autoridades administrativas;
Princípios Gerais do Direito
Não há definição de princípios gerais
de direito.
Os estudos de origem romana,
reportam às máximas de direito: Honeste
vivere, neminem laedere, suum cuique tribuere.
Princípios Gerais do Direito
 O CTN separa os princípios gerais do direito da seguinte forma:
 Art. 108. Na ausência de disposição expressa, a
autoridade competente para aplicar a legislação
tributária utilizará sucessivamente, na ordem indicada:
 I - a analogia;
 II - os princípios gerais de direito tributário;
 III - os princípios gerais de direito público;
 IV - a eqüidade.
Princípios Gerais do Direito
Fora o anterioridade (similitude com o
direito eleitoral), todos os princípios do
direito tributário coincidem com o do
direito administrativo:
Legalidade
Igualdade
Publicidade
Princípios Gerais do Direito
os princípios gerais de direito público;
Geralmente, são identificados com o direito
de defesa e demais princípios
constitucionais: republicano, democrático,
legalidade, igualdade.
Equidade
 A noção de equidade é muitas vezes associada à noção
de igualdade;
 Também é associada à noção de justiça ao caso
concreto conferida ao agente público, como o juiz, pela
lei.
Estatuto da Criança e do Adolescente
Art. 11. É assegurado acesso integral às linhas de cuidado voltadas à saúde da criança e do adolescente, por
intermédio do Sistema Único de Saúde, observado o princípio da equidade no acesso a ações e serviços para
promoção, proteção e recuperação da saúde. (Redação dada pela Lei nº 13.257, de 2016)
Art. 46. A adoção será precedida de estágio de convivência com a criança ou adolescente, pelo prazo máximo de
90 (noventa) dias, observadas a idade da criança ou adolescente e as peculiaridades do caso. (Redação dada
pela Lei nº 13.509, de 2017)
§ 5 o O estágio de convivência será cumprido no território nacional, preferencialmente na comarca de residência
da criança ou adolescente, ou, a critério do juiz, em cidade limítrofe, respeitada, em qualquer hipótese, a
competência dojuízo da comarca de residência da criança. (Incluído pela Lei nº 13.509, de 2017)
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2016/Lei/L13257.htm#art21
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2016/Lei/L13257.htm#art21
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2016/Lei/L13257.htm#art21
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2016/Lei/L13257.htm#art21
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2016/Lei/L13257.htm#art21
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2016/Lei/L13257.htm#art21
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2016/Lei/L13257.htm#art21
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2016/Lei/L13257.htm#art21
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2016/Lei/L13257.htm#art21
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2016/Lei/L13257.htm#art21
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2016/Lei/L13257.htm#art21
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2016/Lei/L13257.htm#art21
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2017/Lei/L13509.htm#art1
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2017/Lei/L13509.htm#art1
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2017/Lei/L13509.htm#art1
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2017/Lei/L13509.htm#art1
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2017/Lei/L13509.htm#art1
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2017/Lei/L13509.htm#art1
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2017/Lei/L13509.htm#art1
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2017/Lei/L13509.htm#art1
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2017/Lei/L13509.htm#art1
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2017/Lei/L13509.htm#art1
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2017/Lei/L13509.htm#art1
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2017/Lei/L13509.htm#art1
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2017/Lei/L13509.htm#art1
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2017/Lei/L13509.htm#art1
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2017/Lei/L13509.htm#art1
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2017/Lei/L13509.htm#art1
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2017/Lei/L13509.htm#art1
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2017/Lei/L13509.htm#art1
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2017/Lei/L13509.htm#art1
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2017/Lei/L13509.htm#art1
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2017/Lei/L13509.htm#art1
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2017/Lei/L13509.htm#art1
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2017/Lei/L13509.htm#art1
Equidade
“A eqüidade é o direito benigno,
moderado, a justiça natural, a razão
humana (isto é, inclinada à
Benevolência)”
Miraglia in Carlos Maximiliano
E quando há previsão não óbvia no 
ordenamento jurídico?
INTERPRETAÇÃO
Sistematização de interpretação
(Carlos Maximiliano)
 A interpretação é uma só; não se fraciona: exercita-se por vários
processos, no parecer de uns; aproveita-se de elementos
diversos, na opinião de outros: o gramatical, ou melhor,
filológico; e o lógico, subdividido este, por sua vez, em lógico
propriamente dito, e social, ou sociológico.
 Apesar do desenvolvimento mais restritivo na análise, o livro de
Carlos Maximiliano tem a previsão de todas as modalidades que
hoje são aceitas.
O que é interpretação
 Interpretar é explicar, esclarecer, dar o significado de vocábulo atitude um
gesto; reproduzir por outras palavras um pensamento exteriorizado ponto
mostrar o sentido verdadeiro de uma expressão; extraíram, de frase, sentença
ou norma, tudo o que na mesma se contém.
 Pode-se procurar e definir a significação de conceitos e intenções, fatos e
indícios; porque tudo se interpreta; inclusive o silêncio.
 Interpretar uma expressão de direito não é simplesmente
tornar claro o respectivo dizer abstratamente falando; é
sobretudo, revelar o sentido apropriado para a vida real e
conducente à uma decisão reta.
Quanto ao intérprete
Autêntica
Jurisprudencial 
Doutrinária
Quanto ao intérprete - Autêntica
Autêntica – realizada pelo Legislador
 CDC
 Art. 2° Consumidor é toda pessoa física ou jurídica que adquire ou utiliza produto ou
serviço como destinatário final.
 (...)
 Art. 3° Fornecedor é toda pessoa física ou jurídica, pública ou privada, nacional ou
estrangeira, bem como os entes despersonalizados, que desenvolvem atividade de
produção, montagem, criação, construção, transformação, importação, exportação,
distribuição ou comercialização de produtos ou prestação de serviços.
 CTN
 Art. 3º Tributo é toda prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela
se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada
mediante atividade administrativa plenamente vinculada.
Quanto ao intérprete - Jurisprudencial
 Jurisprudencial – feita pela noção uniforme dos
tribunais num mesmo sentido
 Súmulas
 Constituição - Art. 103-A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por
provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas
decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua
publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos
do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal,
estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma
estabelecida em lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004)
 CPC de 2015
 Do Julgamento dos Recursos Extraordinário e Especial Repetitivos
 Art. 1.036. Sempre que houver multiplicidade de recursos extraordinários ou especiais
com fundamento em idêntica questão de direito, haverá afetação para julgamento de
acordo com as disposições desta Subseção, observado o disposto no Regimento
Interno do Supremo Tribunal Federal e no do Superior Tribunal de Justiça.
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc45.htm#art2
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc45.htm#art2
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc45.htm#art2
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc45.htm#art2
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc45.htm#art2
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc45.htm#art2
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc45.htm#art2
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc45.htm#art2
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc45.htm#art2
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc45.htm#art2
Quanto ao intérprete: Doutrinária
Doutrinária – realizada 
pelos juristas
 Uma e outra adquirem grande prestígio quando uniformes, duradouras, e confirmadas 
ou defendidas por jurisconsultos de valor, com assento no pretório, ou brilhantes 
advogados, catedráticos, escritores.
Tipos ou modalidades de interpretação
 Na atualidade, pode-se sistematizar como
Literal
Gramatical
Lógico
Histórico
Teleológico
Como se interpreta
Método literal, filológico, exegese 
ou gramatical
 Daí se originou o processo verbal, ou filológico, de exegese.
Atende à forma exterior do texto; preocupa-se com as acepções
várias dos vocábulos; graças ao manejo relativamente perfeito e
ao conhecimento integral das leis e usos da linguagem, procura
descobrir qual deve ou pode ser o sentido de uma frase,
dispositivo ou norma.
Como se interpreta
Método literal, filológico, gramatical 
ou de exegese
 Para eficácia do método gramatical, deve-se ter
 domínio sobre a língua, inclusive regionalismos
 Conhecimento sobre os autores
 Notícia sobre o tema, inclusive a história
 Certeza da autenticidade do texto
 Dificuldades: uso variado do vocábulo –adoção de uso em sentido
comum, depois em sentido técnico; significado alterado no tempo;
leis trazidas de outros ordenamentos de outras línguas (tradução).
Como se interpreta
 literal, filológico, Exegese 
O sentido das leis se deduz, tanto do espírito quanto da letra respectiva.
São inevitáveis os extravasamentos e as compressões; resultam da pobreza da palavra
que torna inapta para corresponder a multiplicidade das ideias e à complexidade da
vida. Por isso, a interpretação extensiva e estrita, posto que outrora se considerasse
ideal a só declarativa.
A exegese filológica atinge, apenas, um caso típico, principal; o núcleo, explícito,
lúcido, é cercado por uma zona de transição; cabe ao intérprete ultrapassar esse limite
para chegar ao campo circunvizinho, mais vasto, e rico de aplicações práticas.
“Saber as leis é conhecer-lhes, não as palavras, mas a força e o poder” , isto é, o
sentido e o alcance respectivos.
Como se interpreta
Método lógico
 Baseado em raciocínios dedutivos ou indutivos
 Silogismo: premissa maior + premissa menor =
conclusão
Crítica: o direito não pode ser reduzido a um
processo matemático prescindindo de elemento
histórico.
Como se interpreta
Método sistemático
 Consiste o processo sistemático em comparar o dispositivo sujeito a
exegese com outro do mesmo repositório ou de leis diversas, mas
referentes ao mesmo objeto.
 O Direito objetivo não é um conglomerado caótico de preceitos; constituem
vasta unidade de organismo regular, sistema, conjunto harmônico de
normas coordenadas em interdependência metódica, embora fixada a cada
uma no seu lugar próprio.
 Confronta-se a prescrição positiva com outra de que proveio, ou que da
mesma emanaram; verifica-se o nexo entre a regra e a excepção, entre o
geral e o particular, e deste modo se obtém esclarecimentos preciosos.
Como se interpreta
Método sistemático
 A verdade inteira resulta do contexto, e não de uma parte truncada, que
sabe defeituosa, mal redigida; examine se a norma na íntegra, e mais
ainda: o direito todo, referente ao assunto ; além de comparar o
dispositivo com outros afins, que forma o mesmo instituto jurídico e com
os referentes a institutos análogos; força é, também, afinal pôr tudo em
relação com os princípios gerais, o conjunto do sistema em vigor.
 Combinação de princípios com a máxima aplicação de cada um deles pode
ser considerado oriundo da interpretação tradicional sistemática.
Como se interpreta
Método Histórico
 O que hoje vigora, abrolhou dos genes existentes no passado; O direito não se inventa; É um
produto lento da evolução, adaptado ao meio; com acompanhar o desenvolvimento desta
descobrir a origem as transformações históricas de um instituto obtém-se alguma luz para o
compreender bem. Só as pessoas estranhas à ciência jurídica acreditam na possibilidade de se
fazer leis inteiramente novas, crêem ser um código obra pessoal de A ou B. O autor aparente da
norma positiva apenas assimila, aproveite consolida o que encontra no país e, em pequena parte,
entre povos do mesmo grau de civilização. Consistiu o direito atual em reproduções hora integrais
ora ligeiramente modificadas, de preceitos pré existentes.
 Dever do Intérprete
 Inquirir quais as idéias dominantes, os princípios diretores, o estado do direito, os usos e costumes
em voga, enfim o espírito jurídico reinante na época em que foi feita a norma.
 O legislador é um filho do seu tempo ; fala a linguagem do seu século e assim deve ser encarado e
compreendido.
Como se interpreta
Método Histórico
 Disposições antigas, restabelecidas, consolidadas ou
simplesmente aproveitadas em novo texto, conservam a
exegese do original. Pouco importa que se não reproduzam as
palavras: basta que fica essência, o conteúdo
substancialmente seja mantido o pensamento primitivo. Por
outro lado, pelo espírito das alterações de reformas sofridas
por um preceito em sua trajetória histórica chega-se ao
conhecimento do papel que ele é chamado a exercer na
atualidade.
Como se interpreta
Método Histórico
 Os materiais legislativos tem alguma utilidade para a hermenêutica embora não devam ser
colocados na primeira linha, nem aproveitado sempre, a torto e direito, em todas as
hipóteses imagináveis, para resolver quaisquer dúvidas; ajudam a descobrir o elemento
causal chave da interpretação.
 Embora ainda apreciáveis, os materiais legislativos tem o seu prestígio em decadência desde
que a teoria da vontade o processo psicológico, a mens legislatoris, cedeu a primazia ao
sistema das normas objetivadas. Os motivos intrínsecos, imanentes no contexto e por ele
próprio revelados, prevalecem, hoje, contra os subsídios extrínsecos; O conteúdo da lei é
independente do que pretendeu o seu autor.
 Mil vezes mais do que os argumentos expressos, de ordem social jurídica, preponderam,
com frequência, os ocultos e às vezes até inconfessáveis, de natureza política.
Como se interpreta
Método teleológico
Considera-se o direito como uma ciência primariamente normativa ou finalística; por isso mesmo a
sua interpretação há de ser na essência, teleológica. O hermeneuta sempre terá em vista o fim da
lei, o resultado que a mesma precisa atingir em sua atuação prática. A norma enfeixa um
conjunto de providências protetoras julgadas necessárias para satisfazer a certas exigências
econômicas e sociais; será interpretada de modo que melhor corresponda àquela finalidade e
assegure plenamente a tutela de interesse para o qual foi redigida.
O fim não revela, por si só, os meios que os autores das expressões de direito puseram em ação
para o realizar; serve, entretanto para fazer melhor compreendê-los e desenvolvê-los em suas
minúcias.
Análise da constitucionalidade leva em consideração se os meios são adequados a alcançar o fim.
Análise de resultado e teleologia
 Quando possível, evita uma consequência incompatível com o bem geral;
adapta o dispositivo às idéias vitoriosas entre o povo em cujo seio vigem as
expressões de Direito sujeitas a exame.
 Prefere-se o sentido conducente ao resultado mais razoável, que melhor
corresponda às necessidades da prática, e seja mais humano, benigno, suave.
 É antes de crer que o legislador haja querido exprimir o conseqüente e
adequado à espécie do que o evidentemente injusto, descabido, inaplicável,
sem efeito. Portanto, dentro da lei expressa, procure-se a interpretação que
conduza a melhor consequência para a coletividade.
Teleológico
LINDB
Art. 5o Na aplicação da lei, o juiz atenderá 
aos fins sociais a que ela se dirige e às 
exigências do bem comum.
	Slide 1: Introdução à Hermenêutica e Interpretação Constitucional 
	Slide 2: Toda ciência precisa de um método
	Slide 3: Toda ciência precisa de um método
	Slide 4: Construção do sistema jurídico
	Slide 5: Tipos de concepção
	Slide 6
	Slide 7: Métodos : Lei de Introdução às Normas do Ordenamento Jurídico Brasileiro
	Slide 8: Métodos : Código Tributário Nacional
	Slide 9: Analogia
	Slide 10: Analogia
	Slide 11: Costume
	Slide 12: Costume
	Slide 13: Costume
	Slide 14: Costume
	Slide 15: Costume
	Slide 16: Princípios Gerais do Direito
	Slide 17: Princípios Gerais do Direito
	Slide 18: Princípios Gerais do Direito
	Slide 19: Princípios Gerais do Direito
	Slide 20: Equidade
	Slide 21: Equidade
	Slide 22: E quando há previsão não óbvia no ordenamento jurídico?
	Slide 23: Sistematização de interpretação (Carlos Maximiliano)
	Slide 24: O que é interpretação
	Slide 25: Quanto ao intérprete
	Slide 26: Quanto ao intérprete - Autêntica
	Slide 27: Quanto ao intérprete - Jurisprudencial
	Slide 28: Quanto ao intérprete: Doutrinária
	Slide 29: Tipos ou modalidades de interpretação
	Slide 30: Como se interpreta
	Slide 31: Como se interpreta
	Slide 32: Como se interpreta
	Slide 33: Como se interpreta
	Slide 34: Como se interpreta
	Slide 35: Como se interpreta
	Slide 36: Como se interpreta
	Slide 37: Como se interpreta
	Slide 38: Como se interpreta
	Slide 39: Como se interpreta
	Slide 40: Análise de resultado e teleologiaSlide 41: Teleológico LINDB

Mais conteúdos dessa disciplina