Logo Passei Direto
Buscar

impressao (15)

Ferramentas de estudo

Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.
details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Prévia do material em texto

REPRODUÇÃO HUMANA 
AULA 4 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Profª Amândia Ramos Batschauer 
 
 
 
2 
CONVERSA INICIAL 
Nesta aula, iremos abranger todas as técnicas de reprodução assistida, 
legislação e ética. Anteriormente, entendemos como acontecem as técnicas 
realizadas na amostra seminal e o tópico inicial da técnica aplicada na parte 
feminina, a estimulação ovariana controlada. Partindo da estimulação, diversos 
procedimentos podem ser realizados para tratar as diferentes causas de 
infertilidade e, após o procedimento, diferentes técnicas são utilizadas 
dependendo da paciente e os objetivos traçados. 
 Para entendermos melhor quais as aplicações diante das diferentes 
causas de infertilidade, vamos expor qual é o público que se beneficia das 
técnicas existentes hoje em reprodução assistida. 
TEMA 1 – QUEM SE BENEFICIA DAS TÉCNICAS DE REPRODUÇÃO 
ASSISTIDA? 
As técnicas de reprodução assistida foram criadas para auxiliar, ou seja, 
dar assistência a pessoas que desejam ter um filho saudável ou que gostariam 
de preservar a possibilidade de ter um filho saudável. Dessa forma, as técnicas 
podem beneficiar: 
• Mulheres e homens com alguma causa de infertilidade. 
Nas primeiras aulas, foram expostas muitas causas de infertilidade, ao 
passo que a maioria delas pode ser tratada com as técnicas de reprodução 
assistida. 
• Mulheres e homens que querem preservar sua fertilidade por necessidade 
ou opção. 
Hoje as técnicas de reprodução assistida podem preservar os gametas 
masculinos e femininos, e também os próprios embriões. Isso possibilita que 
homens e mulheres preservem sua fertilidade por motivos de adiamento da 
maternidade e paternidade ou doença que necessitará de tratamento que irá 
prejudicar sua fertilidade. Muitas pessoas, especialmente as mulheres, têm se 
preocupado com o futuro como mães, uma vez que a idade é um fator importante 
para a ocorrência de uma gestação saudável. 
 
 
3 
• Mulheres ou homens que desejam ser pais independentes, ou seja, sem 
ter parceiro. 
O sonho de ser mãe ou pai antigamente era dependente de se ter um 
cônjuge ou não, atualmente as técnicas de reprodução assistida possibilitam 
uma pessoa a se reproduzir de forma independente, tanto homens como 
mulheres. 
• Casais homoafetivos. 
Assim como na reprodução independente, casais homoafetivos podem 
utilizar de técnicas semelhantes para serem pais. 
• Casais que querem excluir a ocorrência de problemas genéticos, sejam 
hereditários ou não. 
Utilizando-se das técnicas mais avançadas da reprodução assistida, hoje 
é possível analisar geneticamente um embrião antes mesmo de ele estar dentro 
do útero materno, isso possibilita casais com idade avançada a evitar um bebê 
com alguma alteração genética, ajuda casais a evitarem que seus filhos tenham 
doenças genéticas que sejam hereditárias e até melhor, viabilizam a 
compatibilidade genética entre irmãos, para doação de medula, por exemplo. 
Iremos abordar aspectos clínicos e éticos dos diferentes tratamentos e 
técnicas utilizadas atualmente. 
TEMA 2 – COITO PROGRAMADO 
A primeira técnica abordada nesta aula é denominada coito programado. 
Diversos fatores podem estar relacionados à não ocorrência de gravidez, e o 
momento errado para ter relação sexual pode ser um deles, porque a relação 
precisa ocorrer no período fértil, ou seja, entre os dias em que ocorre a ovulação, 
para que seja efetiva. O coito programado, como o nome já diz, programa o 
momento certo da relação sexual, é uma técnica que busca identificar e/ou 
controlar a ovulação e o período fértil da mulher para que o casal tenha relação 
sexual neste momento. Essa técnica é de baixa complexidade e baixo custo 
comparada com as outras disponíveis e reduz intervenções desnecessárias. 
O coito programado trata causas leves de infertilidade e, para ser bem-
sucedido, a mulher precisa ter o útero anatomicamente normal, pelo menos um 
dos ovários funcionais e sua respectiva tuba saudável, e o parceiro com 
 
 
4 
espermograma normal. Como sabemos, existem diversas formas de predizer o 
momento da ovulação: mensuração urinária do hormônio luteinizante (LH), 
registro da temperatura corporal basal, análise do muco cervical, tabelinha e 
ultrassonografia, no caso do coito programado realizado nas clínicas pelo 
médico esse acompanhamento é realizado por ultrassonografia, que irá 
acompanhar o crescimento folicular. 
Esse controle da ovulação pode ser realizado ou não com auxílio de 
medicações. Em casos de pacientes que têm histórico de anovulação ou 
dificuldade em ovular, por exemplo, é possível utilizar medicações para controlar 
o momento da ovulação. 
O médico inicia o ciclo com a ultrassonografia basal, realizada até o 
terceiro dia do ciclo (terceiro dia após a menstruação), a paciente iniciará a 
medicação (nos casos induzidos) e por meio de ultrassonografias realizadas 
durante o ciclo o médico acompanha o crescimento do folículo e no endométrio. 
Quando a maturação oocitária é verificada observando-se do tamanho do 
folículo, será administrada a medicação responsável pelo gatilho de ovulação 
(hCG), e a relação sexual é orientada 24 e 48 horas após a administração do 
hCG. Por fim, é realizada a confirmação da ovulação por meio de uma nova 
ultrassonografia. 
Alguns exemplos de casos que se adequem para a indicação de coito 
programado: paciente jovem, com ambas as tubas íntegras e permeáveis, ciclo 
ovulatório irregular e marido com espermograma normal. Essa técnica costuma 
ter bastante adesão por casais com convicções religiosas fortes, onde as outras 
técnicas podem ser consideradas como inadequadas. 
Vale ressaltar que, na técnica de coito programado, o embriologista e o 
laboratório não são envolvidos, pois todo o procedimento só dependerá no 
médico e dos pacientes. 
TEMA 3 – INSEMINAÇÃO INTRAUTERINA (IIU) 
A IIU também se enquadra em uma técnica de baixa complexidade na 
reprodução assistida e utiliza protocolos de estimulação ovariana. A IIU é 
indicada para pacientes com causas de infertilidade feminina e masculina leves, 
como dificuldade de ovulação, alterações hormonais, espermograma levemente 
alterado, disfunções ejaculatórias e anormalidades imunológicas. 
 
 
5 
Assim como no coito programado, a paciente iniciará o tratamento com 
uma ultrassonografia basal, medicações para estimulação folicular e 
acompanhamento. As medicações são geralmente aplicadas a cada 48 horas e 
o objetivo é se obter no máximo dois folículos maiores, crescendo. Assim, 
quando o folículo se encontrar acima de 17 mm, a ovulação será estimulada com 
a aplicação de uma dose de gonadotrofina coriônica humana (hCG). A IIU será 
realizada cerca de 36 horas após a aplicação do hCG. 
Diferente do coito programado, na IIU o embriologista está envolvido no 
processamento da amostra seminal. Aproximadamente duas horas antes do 
procedimento, o marido realizará a coleta seminal, a qual será processada por 
técnicas já discutidas nas aulas anteriores. Como falado, o processamento 
escolhido dependerá da qualidade inicial da amostra, podendo ser realizado 
sperm wash ou gradiente, sendo necessário que a amostra tenha, no mínimo, 5 
milhões de espermatozoides móveis progressivos (MP). 
Os métodos de processamento seminal têm como principal objetivo 
selecionar os espermatozoides móveis morfologicamente normais, concentrar a 
amostra, remover o plasma seminal e outros componentes prejudiciais como 
debris celulares, prostaglandinas, leucócitos, bactérias e espermatozoides 
mortos. Estes podem produzir espécies reativas de oxigênio que podem 
influenciar negativamente a capacidade de fertilização da amostra, além de 
causar contrações uterinas e aumentar o risco de infecções. 
Posteriormente ao preparo da amostra, o médico realiza uma 
ultrassonografia para constatar a ovulação da paciente e, em seguida, insemina 
a amostra dentro da cavidade uterina da paciente (Figura1), para que os 
espermatozoides possam nadar até o ovulo recentemente ovulado. 
Esse processo evita que os espermatozoides precisem enfrentar o pH 
vaginal e tenham que nadar menos, aumentando, dessa forma, as chances de 
sucesso de uma gravidez. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
6 
Figura 1 – Inseminação da amostra dentro da cavidade uterina da paciente 
 
Crédito: Visona29/Shutterstock. 
Se bem indicada, o sucesso da IIU pode alcançar até 30%, entretanto a 
taxa de gravidez encontrada em revisões bibliográficas é de cerca de 0 a 22% 
por ciclo e de 0-66% por casal. Normalmente, os casais tentam em média 2-4 
vezes, não sendo indicado mais do que 5 tentativas. 
TEMA 4 – PUNÇÃO/ASPIRAÇÃO FOLICULAR 
Este tema irá descrever o primeiro procedimento para realização da 
fertilização in vitro, o qual se enquadra nos procedimentos de alta complexidade. 
A fertilização in vitro ocorre quando a união do espermatozoide com o óvulo é 
realizada fora do corpo materno. Dessa forma, é necessário que os óvulos e os 
espermatozoides sejam retirados e enviados para o laboratório, onde será 
realizada a fertilização. 
A obtenção dos espermatozoides já foi extensivamente discutida por nós 
anteriormente. Ela é realizada por meio da ejaculação ou de meios cirúrgicos 
com as técnicas de PESA, MESA, TESA, TECE e MICROTECE. Além disso, 
podemos ter a situação de o marido não ter produção de espermatozoides, ou 
de estarmos tratando um casal de mulheres. Nesses casos, os pacientes 
 
 
7 
recorrem a bancos de sêmen de doador, nacional ou internacional. Para a 
compra de uma amostra seminal, o doador é obrigatoriamente anônimo (no 
Brasil) e é escolhido geralmente com base nas características e tipos sanguíneos 
dos pais. 
Figura 2 – Medicamento para induzir o crescimento folicular 
 
Crédito: Melana Lettering/Shutterstock. 
Já a obtenção dos óvulos é um pouco mais complexa. Como já vimos no 
tema de estimulação ovariana das aulas anteriores, a paciente precisa tomar 
uma série de medicamentos (Figura 2) para induzir o crescimento folicular do 
maior número possível de folículos, a fim de se obter o maior número de óvulos 
da paciente. A paciente irá acompanhar o crescimento dos folículos por meio de 
ultrassonografia e quando estes apresentarem um tamanho ideal (acima de 17 
mm), administra-se uma medicação para ovulação, com o intuito de finalizar a 
maturação oocitária. 
Figura 3 – Aspiração folicular 
 
Crédito: Tefi/Shutterstock. 
 
 
8 
Antes da ovulação, a punção folicular, também chamada de aspiração 
folicular, é agendada e realizada. 
Este é um procedimento cirúrgico no qual a paciente é sedada e o médico 
realiza a punção guiado por ultrassom transvaginal. Uma agulha (seta branca na 
Figura 4) é acoplada ao transdutor do ultrassom (seta preta na Figura 4) e o 
médico perfura os ovários da paciente e aspira folículo por folículo (bolas 
amarelas na Figura 4). A agulha está conectada a uma bomba de vácuo e a um 
sistema de mangueiras que aspira e deposita o líquido folicular em um tubo de 
coleta, que deverá conter o oócito. Os tubos são mantidos aquecidos a 37 ºC 
durante a punção (seta amarela na Figura 4). 
Figura 4 – Punção folicular 
 
Crédito: Monkey Business Images/Shutterstock. 
Os tubos contendo o líquido folicular são encaminhados imediatamente 
para o laboratório. Lá no laboratório o embriologista irá despejar o líquido folicular 
(Figura 5) em uma placa de petri para visualização dos complexos cumulus-
ooforus em microscópio estereoscópio (também conhecido como lupa). Uma vez 
identificados, os complexos cumulus-ooforus são lavados em meio tamponado, 
separados (Figura 6), colocados em uma placa com meio de cultivo e levados 
ao interior da incubadora. 
 
 
 
 
9 
 
Figuras 5 e 6 – O embriologista despeja o líquido folicular em uma placa de petri 
para visualização dos complexos cumulus-ooforus (Figura 5). Os complexos 
cumulus-ooforus são lavados em meio tamponado, separados, colocados em 
uma placa com meio de cultivo (Figura 6) 
 
 
Crédito: Rus A K Photo/Shutterstock. 
O complexo cumulus-ooforus, também conhecido como complexo 
cumulus-corona, é a estrutura de células que encontramos envolvendo cada 
oócito. São diversas camadas de células da granulosa que se encontram 
aderidas, formando a corona radiata (Figuras 7 e 8). 
Figuras 7 e 8 – Complexo cumulus-ooforus 
 
Crédito: Betty Ray/Shutterstock. Fonte: Amândia Ramos Batschauer. 
TEMA 5 – CLASSIFICAÇÃO OOCITÁRIA 
Após a punção folicular, os complexos cumulus-ooforus são colocados na 
incubadora por aproximadamente 1-2 horas, sendo rapidamente avaliados, e 
podem sugerir o grau de maturação oocitária que iremos encontrar nos oócitos. 
 
 
10 
As classificações que temos dos complexos são baseadas no número de 
camadas da corona radiata e no grau de compactação que essas células se 
encontram. Quanto mais células e mais compactas, menor a probabilidade de 
estarem maduros. A classificação a seguir é a que geralmente observamos: 
• Grau I ou imaturo: cumulus sem expansão, ele forma uma densa camada 
de células fortemente aderida ao oócito. Geralmente são folículos 
pequenos (menores que 10 mm) e o oócito é provavelmente imaturo; 
• Grau II ou intermediário (Figura 9): cumulus com início de expansão 
(espaço entre as células da granulosa), mas ainda escuro e bem aderido 
ao oócito; 
• Grau III ou maduro (Figura 10): cumulus grande e disperso, células da 
granulosa dispersas ao redor do oócito em formas de raio. Neste grau, é 
possível observar os limites do oócito, que provavelmente está apto e 
possui maior chance de fertilização e desenvolvimento; 
• Grau VI ou pós-maduro: cumulus bem disperso e grande, é possível 
observar o oócito com nitidez. Às vezes este oócito vem quase sem nada 
de cumulus, devido à ruptura deste. Neste grau o óvulo pode se encontrar 
maduro ou até mesmo rompido, devido à pós-maturidade. 
Figuras 9 e 10 – Cumulus com início de expansão (espaço entre as células da 
granulosa), mas ainda escuro e bem aderido ao oócito (Figura 9). Cumulus 
grande e disperso, células da granulosa dispersas ao redor do oócito em formas 
de raio (Figura 10) 
 
Fonte: Profª Amândia Ramos Batschauer. 
 Após aproximadamente 2 horas, nas quais os complexos cumulus-
ooforus ficam no interior da incubadora, o embriologista realiza a denudação, 
 
 
11 
técnica para retirada das células da granulosa, a fim de limpar o oócito e obter 
uma melhor visualização. A denudação utiliza uma enzima chamada 
hialuronidase, essa enzima também está presente no acrossoma dos 
espermatozoides, pois é ela que irá quebrar o ácido hialurônico presente na 
matriz extracelular do complexo cumulus-ooforus, permitindo o espermatozoide 
atravessar a corona radiata e alcançar o oócito. 
 Por causa disso, a denudação é realizada colocando os complexos por no 
máximo 30 segundos em uma solução de hialuronidase, para que as células do 
cumulus se soltem e a limpeza do oócito seja bem-sucedida. Após os 30 
segundos na solução, os oócitos são lavados por diversas vezes em meio 
tamponado, para retirada completa da enzima e em seguida são avaliados 
quanto a sua maturação e qualidade. 
 Após a denudação, os oócitos encontram-se mais limpos, somente com 
algumas células da granulosa ainda aderidas (como mostra a imagem abaixo). 
Apesar da presença destas células, é possível avaliar os oócitos em um maior 
aumento. 
Figura 11 – Após a denudação, os oócitos encontram-se mais limpos, somente 
com algumas células da granulosa ainda aderidas 
 
Fonte: Profª Amândia Ramos Batschauer. 
 A primeira avaliação feita nos oócitos é a respeito da maturação. Como já 
estudamos, na mulher todas as células germinativas iniciam sua meiose ainda 
na vida intrauterina, porém a recombinação dos cromossomos é bloqueada na 
primeira prófase meiótica (PI). Nesta fase, o oócito ainda é uma célula diploide 
e é caracterizado por possuir uma vesícula germinativa(VG). Mensalmente, a 
 
 
12 
cada nosso ciclo esse oócito retoma sua meiose e a vesícula germinativa se 
dissolve na metáfase I (MI). Nesse momento, a cromatina se condensa, o fuso 
meiótico é formado e ocorre a separação das cromátides irmãs (segregação). 
Metade do material genético é excluído através da extrusão do corpúsculo polar. 
A partir daí a meiose só é finalizada se ocorrer a fertilização desse oócito. 
 No laboratório, avaliamos a maturação dos oócitos pela presença da 
vesícula germinativa e do primeiro corpúsculo polar. Os três graus de maturação 
são: 
• VG ou PI: oócito imaturo, presença da vesícula germinativa; 
• MI: oócito imaturo, ausência da vesícula germinativa e ausência do 
corpúsculo polar; 
• MII: oócito maduro, ausência da vesícula germinativa e presença do 
corpúsculo polar. 
Figuras 12 e 13 – Oócito imaturo, presença da vesícula germinativa (Figura 12). 
Oócito maduro, ausência da vesícula germinativa e presença do corpúsculo 
polar (Figura 13) 
 
VG MII 
Fonte: Profª Amândia Ramos Batschauer. 
 Além da maturação, uma avaliação morfológica é realizada, ou seja, são 
analisados o aspecto e o formato da célula. Um oócito normal possui um 
citoplasma claro, granulação leve e homogênea, espaço perivitelínico pequeno, 
com a presença de somente um corpúsculo polar intacto e a zona pelúcida clara 
e homogênea. 
Vesícula germinativa 
 
 
13 
 As alterações ou anormalidades oocitárias podem ser intracitoplasmáticas 
ou extracitoplasmáticas, como mostradas na Figura 14. Na letra A, temos um 
oócito normal; na letra B, temos a presença de um corpúsculo gigante. Na letra 
C, pode-se observar um corpúsculo bem pequeno e na D um corpúsculo 
fragmentado. Alterações no corpúsculo polar podem predizer as alterações 
genéticas, uma vez que o corpúsculo polar é uma célula filha com 23 
cromossomos, os quais foram excluídos para que a quantidade de material 
genético seja reduzida no oócito. 
 Na letra E é mostrado uma granulação escura e excessiva e, na F, uma 
granulosidade central anormal. As granulosidades de forma leve e homogênea 
são normais devido às organelas e a todos os componentes celulares, entretanto 
granulação excessiva ou pontuais (como centralizada) podem sugerir 
imaturidade citoplasmática devida ao estímulo ou a própria célula, e estão 
fortemente relacionadas à idade materna. A granulação anormal altera a textura 
do oócito e pode levar a uma baixa taxa de fertilização, clivagem celular, gravidez 
e nascidos vivos. 
A letra G apresenta um vacúolo; em H são corpos refráteis presentes no 
citoplasma; e a letra I apresenta um aglomerado de REL (retículo 
endoplasmático liso). Essas inclusões citadas são mau prognóstico para o 
desenvolvimento embrionário, pois elas aparecem provavelmente por alterações 
genéticas, disfunção celular, produção alterada de proteínas, dentre outras. 
Na letra J, temos um oócito pequeno com espaço perivitelínico (EPV) bem 
aumentado, e a letra K mostra granulações presentes no EPV, o qual está 
fortemente associado à maturação oocitária, e a presença de granulações e 
fragmentos pode indicar algum problema. EPV aumentado tem sido associado à 
baixa fertilização e a mau prognóstico. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
14 
Figura 14 – Alterações ou anormalidades oocitárias 
 
Fonte: Profª Amândia Ramos Batschauer. 
A letra L demonstra um formato irregular (por exemplo, ovoide). Formatos 
irregulares são encontrados nos oócitos e podem ser explicados por dano 
mecânico durante a punção folicular ou por alteração genética mesmo. A 
literatura tem mostrado que, quando o oócito inteiro (citoplasma e zona pelúcida) 
é alterado, não há prejuízo para o desenvolvimento de uma gestação, entretanto, 
quando somente a zona pelúcida é anormal e o citoplasma é normal, parece 
aumentar a taxa de falha de implantação. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
15 
 A seguir, temos uma série de imagens com algumas alterações oocitárias: 
Figura 15 – Alterações oocitárias 
 
 
 
Fonte: Profª Amândia Ramos Batschauer. 
As características e as classificações são registradas tanto por foto quanto 
por anotações no laboratório. Cada detalhe tem importância e pode fazer 
diferença no futuro. 
NA PRÁTICA 
O embriologista possui um papel fundamental para o sucesso do 
tratamento, como podem ver. Você já pensou como funciona a dinâmica dentro 
de um laboratório? Como tudo precisa ser minuciosamente detalhado, escrito, 
conferido para que não haja erros? Se você puder, entre em redes sociais de 
profissionais embriologistas, pois muitos mostram diversos detalhes da rotina e 
podem lhe dar uma visão mais clara de como tudo acontece. 
FINALIZANDO 
Cada procedimento da reprodução assistida tem suas particularidades e 
sua importância. A visão minuciosa do embriologista irá contribuir de forma 
 
 
16 
expressiva para o sucesso do tratamento. A primeira técnica de reprodução 
assistida é o coito programado. Nele, o embriologista não tem envolvimento. Já 
na inseminação intrauterina, o embriologista irá preparar a amostra seminal a fim 
de melhorar os parâmetros e melhorar as chances do casal. Por fim, as técnicas 
de fertilização in vitro são complexas e passam por muitas etapas, como a 
aspiração folicular e a classificação tanto dos complexos cumulus oofurus quanto 
dos próprios oócitos. 
 
 
 
 
17 
REFERÊNCIAS 
AZAMBUJA, R. (org.). Reprodução Assistida: técnicas de laboratório. Porto 
Alegre, RS: AGE, 2017. 
BORGES JR, E.; FARAH, L. M. S.; CORTEZZI, S. S. Reprodução humana 
assistida. São Paulo: Atheneu, 2011. 
BORGES JUNIOR, E. et al. Reprodução humana assistida. 2 ed. Rio de 
Janeiro: Atheneu, 2020. 
PEÑA, E. P. Manual de procedimentos clínicos em reproducción assistida. 
Caracas: Editorial Ateproca C.A., 2015. 
 
	CONVERSA INICIAL
	Nesta aula, iremos abranger todas as técnicas de reprodução assistida, legislação e ética. Anteriormente, entendemos como acontecem as técnicas realizadas na amostra seminal e o tópico inicial da técnica aplicada na parte feminina, a estimulação ovari...

Mais conteúdos dessa disciplina