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CAMPUS ALIANÇA – BLOCO A – TERESINA - PI DISCIPLINA: DIREITO DAS COISAS PROFESSOR: Alexandre Bento Bernardes de Albuquerque Whats: 86 99490-3025 alexalbuquerque@hotmail.com @alexbento21 PROPRIEDADE PROPRIEDADE É um direito complexo, absoluto, perpétuo e exclusivo, pelo qual uma coisa fica submetida à vontade de uma pessoa, dentro das limitações legais . Art. 1.228. O proprietário tem a faculdade de usar, gozar e dispor da coisa, e o direito de reavê-la do poder de quem quer que injustamente a possua ou detenha Noções Históricas: Sociedades Primitivas: A propriedade não possuía um caráter individual. O solo pertencia à coletividade, enquanto bens móveis eram apropriados individualmente. Direito Romano: Introduziu o conceito de dominium, onde a propriedade privada começou a se firmar, especialmente com o ager privatus (terras particulares). Idade Média: A propriedade perdeu o caráter unitário e exclusivista, tornando-se associada à soberania feudal. Ressurgimento do Direito Romano: Durante a Baixa Idade Média, a propriedade voltou a ter um caráter mais absoluto, influenciando os sistemas jurídicos europeus modernos. Séculos XVIII e XIX: A Revolução Francesa e o Código Napoleônico consolidaram a concepção individualista da propriedade. Século XX e XXI: A função social da propriedade passou a ser enfatizada, limitando seu exercício para atender a interesses coletivos. Além disso, o conceito expandiu-se para incluir a propriedade intelectual e digital PROPRIEDADE CARACTERÍSTICAS: a) Elasticidade – Possibilidade de transferência de poderes inerente a propriedade b) Perpetuidade (irrevogabilidade) – A propriedade subsiste, independente do exercício de seus poderes. c) Exclusividade – Apenas pode ser exercida por uma única pessoa d) Oponível erga omnes – Pode ser oponível contra todas as pessoas. FUNÇÃO SOCIAL CF Art. 5º (...) XXIII - a propriedade atenderá a sua função social; Código Civil: Art. 1.228: (...) §1o O direito de propriedade deve ser exercido em consonância com as suas finalidades econômicas e sociais e de modo que sejam preservados, de conformidade com o estabelecido em lei especial, a flora, a fauna, as belezas naturais, o equilíbrio ecológico e o patrimônio histórico e artístico, bem como evitada a poluição do ar e das águas. PROPRIEDADE Extensão do Direito de Propriedade - Para bem móvel: Delimitada pelos limites materiais da coisa. - Para bem imóvel (arts. 1.229 e 1.230, CC): abrange o solo e o subsolo, em altura e profundidade úteis ao proprietário. Não se incluem as jazidas, minas, recursos minerais, energia hidráulica e monumentos arqueológicos. AÇÃO REIVINDICATÓRIA é um pleito judicial formulado pelo proprietário, que não se encontra na posse da coisa, em face do não proprietário, que tem o objeto em seu poder sem uma razão jurídica (Paulo Nader) - LEGITIMADO ATIVO: Proprietário - LEGITIMADO PASSIVO: Quem está na posse ou detém a coisa, sem título de domínio. A boa-fé do possuidor não é óbice para a propositura da reivindicatória. PRESSUPOSTOS: a) a titularidade da propriedade - pelo autor que deve ser devidamente provada; b) a descrição pormenorizada e atualizada da coisa - limites e confrontações; c) a posse injusta do réu. PROPRIEDADE Restrições Legais de Interesse Particular e Público na Propriedade: São dispositivos que impõe a limitação no exercício do direito de propriedade, sendo divididas em: a) Limitações de Interesse Público Constituição Federal Código de Mineração Código Florestal Lei de Proteção ao Meio Ambiente b) Limitações de Interesse Privado Direitos de vizinhança Cláusulas impostas voluntariamente nas liberalidades, como inalienabilidade, impenhorabilidade e incomunicabilidade. PROPRIEDADE AQUISIÇÃO DA PROPRIEDADE Classificações: a) Quanto à causa de aquisição: - Originária – Não houve negócio jurídico transmitindo a propriedade entre indivíduos. - Derivada – Há negócio jurídico transmitindo a propriedade, por exemplo a compra e venda. b) Quanto ao objeto: - Título singular – Tipo em que há especificidade. Ocorre a transmissão de um bem determinado. Ex. Compra e venda de um carro. - Título universal – O objeto transmitido é uma universalidade de direitos ou bens. Ex. Sucessão hereditária c) O Código Civil apresenta: - Registro de Título – Arts. 1245 a 1247 - Aquisição por Acessão – Arts. 1248 a 1259 - Usucapião – Arts. 1238 a 1244 - Direito hereditário – Art. 1784 Aquisição de propriedade NO CÓDIGO CIVIL Da Aquisição da Propriedade Imóvel Da Aquisição pelo Registro do Título (1245/1247) Da Aquisição por Acessão (1248/1259) Da Usucapião (1238/1244) Da Aquisição da Propriedade Móvel Da Usucapião (1260/1262) Da Ocupação (1263) Do Achado do Tesouro (1264/1266) Da Tradição (1267/1268) Da Especificação (1269/1271) Da Confusão, da Comissão e da Adjunção (1272/ 1274) LEMBRETE! CARACTERÍSTICAS DA PROPRIEDADE Plenitude – usar, fruir e dispor Perpetuidade – Não extingue pelo não uso Elasticidade – transferir alguns poderes Oponibilidade erga omnes Aquisição de propriedade Imóvel REGISTRO DE TÍTULO (1245 / 1247) Ato formal, através do qual torna-se público o negócio jurídico de transferência de propriedade de um imóvel, gozando de publicidade, presunção de veracidade e força probante do negócio. Lembrar Lei 6015 MATRÍCULA – REGISTRO - AVERBAÇÃO ACESSÕES IMOBILIÁRIAS “As acessões, consoante o art. 1.248 do CC/2002, constituem o modo originário de aquisição da propriedade imóvel em virtude do qual passa a pertencer ao proprietário tudo aquilo que foi incorporado de forma natural ou artificial.”(Flávio Tartuce) Acessões naturais: formação de ilhas, a aluvião, a avulsão e o abandono do álveo Acessões artificiais: plantações e as construções Formação de Ilha LEMBRETE Trata este item sobre a formação de ilhas em águas não navegáveis ou em terras particulares. CF 20, IV, 26 II e III. Código de Águas (Decreto n° 24.643/34). Lei 9433/97 (a água é um bem de domínio público) “As ilhas fluviais e lacustres de zonas de fronteira, ilhas oceânicas ou costeiras pertencem à União, aos Municípios (art. 20, inc. IV, da CF/1988) ou aos Estados Federados (art. 26, incs. II e III, da CF/1988)”. (Flávio Tartuce) Art. 1.249. As ilhas que se formarem em correntes comuns ou particulares pertencem aos proprietários ribeirinhos fronteiros, observadas as regras seguintes: I - as que se formarem no meio do rio consideram-se acréscimos sobrevindos aos terrenos ribeirinhos fronteiros de ambas as margens, na proporção de suas testadas, até a linha que dividir o álveo em duas partes iguais; II - as que se formarem entre a referida linha e uma das margens consideram-se acréscimos aos terrenos ribeirinhos fronteiros desse mesmo lado; III - as que se formarem pelo desdobramento de um novo braço do rio continuam a pertencer aos proprietários dos terrenos à custa dos quais se constituíram. Aluvião Art. 1250 São acréscimos formados, sucessiva e imperceptivelmente, por depósitos e aterros naturais ao longo das margens das correntes, ou pelo desvio das águas destas, pertencendo aos donos dos terrenos marginais, sem indenização. Parágrafo único. O terreno aluvial, que se formar em frente de prédios de proprietários diferentes, dividir-se-á entre eles, na proporção da testada de cada um sobre a antiga margem. Avulsão Art. 1251 Art. 1251. Quando, por força natural violenta, uma porção de terra se destacar de um prédio e se juntar a outro, o dono deste adquirirá a propriedade do acréscimo, se indenizar o dono do primeiro ou, sem indenização, se, em um ano, ninguém houver reclamado. Parágrafo único. Recusando-se ao pagamento de indenização, o dono do prédio a que se juntou a porção de terra deverá aquiescer a que se remova a parte acrescida. Álveo Abandonado Art. 1252 O álveo abandonado de corrente pertence aos proprietários ribeirinhos das duas margens, sem que tenham indenização os donos dos terrenos por onde as águas abrirem novo curso, entendendo-se que os prédios marginais se estendematé o meio do álveo. Álveo X Avulsão imprópria Acessões Artificiais – Plantações e Construções PRESUNÇÃO Art. 1.253. Toda construção ou plantação existente em um terreno presume-se feita pelo proprietário e à sua custa, até que se prove o contrário. REGRAS 1. Admite prova em contrário, demonstrado que não era o proprietário surge a acessão ARTIFICIAL! 2. Princípio da gravitação jurídica, ASSIM A ACESSÃO TORNA-SE PARTE DA PROPRIEDADE (Acessório...) – admite exceção 3. Vedação ao enriquecimento sem causa 4. Verificar a boa e má fé CASUÍSTICA 7 SITUAÇÕES 1254 ao 1259 Acessões Artificiais – Plantações e Construções 1ª SITUAÇÃO Art. 1.254. Aquele que semeia, planta ou edifica em terreno próprio com sementes, plantas ou materiais alheios, adquire a propriedade destes; mas fica obrigado a pagar-lhes o valor, além de responder por perdas e danos, se agiu de má-fé. PERDAS E DANOSVALOR DAS SEMENTES E MATERIAISSEMENTES E MATERIAISTERRENO SE MÁ-FÉINDENIZADO Y E incorporada ao terrenoSr. YSr. X 2ª SITUAÇÃO Art. 1.255. Aquele que semeia, planta ou edifica em terreno alheio perde, em proveito do proprietário, as sementes, plantas e construções; se procedeu de boa-fé, terá direito a indenização. Parágrafo único. Se a construção ou a plantação exceder consideravelmente o valor do terreno, aquele que, de boa- fé, plantou ou edificou, adquirirá a propriedade do solo, mediante pagamento da indenização fixada judicialmente, se não houver acordo. (Chamada ACESSÃO INVERSA) PERDAS E DANOSVALOR DAS SEMENTES E MATERIAISSEMENTES E MATERIAISTERRENO Se de boa-féIncorporadas ao terrenoSr. Y plantou no terreno do Sr. X Sr. X Acessões Artificiais – Plantações e Construções 3ª SITUAÇÃO Art. 1.256. Se de ambas as partes houve má-fé, adquirirá o proprietário as sementes, plantas e construções, devendo ressarcir o valor das acessões. Parágrafo único. Presume-se má-fé no proprietário, quando o trabalho de construção, ou lavoura, se fez em sua presença e sem impugnação sua. PERDAS E DANOSVALOR DAS SEMENTES E MATERIAISSEMENTES E MATERIAISTERRENO Y IndenizadoIncorporadas ao terrenoSr. Y plantou no terreno do SR. X Sr. X sabe e permite 4ª SITUAÇÃO Art. 1.257. O disposto no artigo antecedente aplica-se ao caso de não pertencerem as sementes, plantas ou materiais a quem de boa-fé os empregou em solo alheio. Parágrafo único. O proprietário das sementes, plantas ou materiais poderá cobrar do proprietário do solo a indenização devida, quando não puder havê-la do plantador ou construtor. PERDAS E DANOSVALOR DAS SEMENTES E MATERIAISSEMENTES E MATERIAISTERRENO Sr. Y Indeniza ou XIncorporadas ao terrenoSr. Y plantou ou construiu. Sementes e materiais de TERCEIRO Sr. X sabe e permite Acessões Artificiais – Plantações e Construções 5ª SITUAÇÃO Art. 1.258. Se a construção, feita parcialmente em solo próprio, invade solo alheio em proporção não superior à vigésima parte deste, adquire o construtor de boa-fé a propriedade da parte do solo invadido, se o valor da construção exceder o dessa parte, e responde por indenização que represente, também, o valor da área perdida e a desvalorização da área remanescente. 6ª SITUAÇÃO Parágrafo único. Pagando em décuplo as perdas e danos previstos neste artigo, o construtor de má-fé adquire a propriedade da parte do solo que invadiu, se em proporção à vigésima parte deste e o valor da construção exceder consideravelmente o dessa parte e não se puder demolir a porção invasora sem grave prejuízo para a construção. 7ª SITUAÇÃO Art. 1.259. Se o construtor estiver de boa-fé, e a invasão do solo alheio exceder a vigésima parte deste, adquire a propriedade da parte do solo invadido, e responde por perdas e danos que abranjam o valor que a invasão acrescer à construção, mais o da área perdida e o da desvalorização da área remanescente; se de má-fé, é obrigado a demolir o que nele construiu, pagando as perdas e danos apurados, que serão devidos em dobro. Usucapião CONCEITO Também chamada de prescrição aquisitiva, é modo originário de aquisição da propriedade e de outros direitos reais suscetíveis de exercício continuado (ex.: servidão e usufruto) pela posse prolongada no tempo, acompanhada de certos requisitos exigidos por lei. PRINCÍPIO DA UTILIDADE SOCIAL É interesse da sociedade que as terras sejam cultivadas, que as casas sejam habitadas, que os móveis sejam utilizados. “Ademais, a inação do proprietário por 10, 20 ou 30 anos, constitui uma aparente e tácita renúncia ao seu direito.” REQUISITOS Pessoais – Capacidade Reais – Apenas bens apropriáveis Formais – Posse mansa e pacífica, decurso de tempo e animus domini PROCEDIMENTO JUDICIAL OU EXTRAJUDICIAL LEMBRAR Art. 1.243. O possuidor pode, para o fim de contar o tempo exigido pelos artigos antecedentes, acrescentar à sua posse a dos seus antecessores ( art. 1.207 ), contanto que todas sejam contínuas, pacíficas e, nos casos do art. 1.242 , com justo título e de boa-fé. Tipos de Usucapião EXTRAORDINÁRIA Art. 1.238. Aquele que, por quinze anos, sem interrupção, nem oposição, possuir como seu um imóvel, adquire-lhe a propriedade, independentemente de título e boa-fé; podendo requerer ao juiz que assim o declare por sentença, a qual servirá de título para o registro no Cartório de Registro de Imóveis. Parágrafo único. O prazo estabelecido neste artigo reduzir-se-á a dez anos se o possuidor houver estabelecido no imóvel a sua moradia habitual, ou nele realizado obras ou serviços de caráter produtivo. ORDINÁRIA Art. 1.242. Adquire também a propriedade do imóvel aquele que, contínua e incontestadamente, com justo título e boa-fé, o possuir por dez anos. Parágrafo único. Será de cinco anos o prazo previsto neste artigo se o imóvel houver sido adquirido, onerosamente, com base no registro constante do respectivo cartório, cancelada posteriormente, desde que os possuidores nele tiverem estabelecido a sua moradia, ou realizado investimentos de interesse social e econômico. FAMILIAR Art. 1.240-A. Aquele que exercer, por 2 (dois) anos ininterruptamente e sem oposição, posse direta, com exclusividade, sobre imóvel urbano de até 250m² (duzentos e cinquenta metros quadrados) cuja propriedade divida com ex-cônjuge ou ex- companheiro que abandonou o lar, utilizando-o para sua moradia ou de sua família, adquirir-lhe-á o domínio integral, desde que não seja proprietário de outro imóvel urbano ou rural. (Incluído pela Lei nº 12.424, de 2011) § 1 o O direito previsto no caput não será reconhecido ao mesmo possuidor mais de uma vez. Tipos de Usucapião ESPECIAL - CONSTITUCIONAL RURAL Art. 191. Aquele que, não sendo proprietário de imóvel rural ou urbano, possua como seu, por cinco anos ininterruptos, sem oposição, área de terra, em zona rural, não superior a cinqüenta hectares, tornando-a produtiva por seu trabalho ou de sua família, tendo nela sua moradia, adquirir-lhe-á a propriedade. Art. 1.239. Aquele que, não sendo proprietário de imóvel rural ou urbano, possua como sua, por cinco anos ininterruptos, sem oposição, área de terra em zona rural não superior a cinqüenta hectares, tornando-a produtiva por seu trabalho ou de sua família, tendo nela sua moradia, adquirir-lhe-á a propriedade. URBANA Art. 183. Aquele que possuir como sua área urbana de até duzentos e cinqüenta metros quadrados, por cinco anos, ininterruptamente e sem oposição, utilizando-a para sua moradia ou de sua família, adquirir-lhe-á o domínio, desde que não seja proprietário de outro imóvel urbano ou rural. (Regulamento) § 1º O título de domínio e a concessão de uso serão conferidos ao homem ou à mulher, ou a ambos, independentemente do estado civil. § 2º Esse direito não será reconhecido ao mesmo possuidor mais de uma vez. § 3º Os imóveis públicos não serão adquiridos por usucapião. Art. 1.240. Aquele que possuir, como sua, área urbana de até duzentos e cinqüenta metros quadrados, por cinco anos ininterruptamente e sem oposição, utilizando-a para sua moradia ou de sua família, adquirir-lhe-á o domínio, desde que não seja proprietário deoutro imóvel urbano ou rural. § 1 o O título de domínio e a concessão de uso serão conferidos ao homem ou à mulher, ou a ambos, independentemente do estado civil. § 2 o O direito previsto no parágrafo antecedente não será reconhecido ao mesmo possuidor mais de uma vez. Tipos de Usucapião USUCAPIÃO URBANA COLETIVA DO ESTATUTO DA CIDADE Art. 10. As áreas urbanas com mais de duzentos e cinqüenta metros quadrados, ocupadas por população de baixa renda para sua moradia, por cinco anos, ininterruptamente e sem oposição, onde não for possível identificar os terrenos ocupados por cada possuidor, são susceptíveis de serem usucapidas coletivamente, desde que os possuidores não sejam proprietários de outro imóvel urbano ou rural. Art. 10, da Lei nº 10.257/2001. OBS - Visa à regularização de favelas sem condições de legalização do domínio (Art. 2º, XIV). - Busca a formação de um condomínio. - A área deve ser particular e não há um limite máximo, mas cada um só pode receber a parte ideal de até 250m quadrados. População de baixa renda, em geral, ganha até 3 salários mínimos, mas fica ao critério do juiz. Se alguns moradores se recusam a litigar no pólo ativo, devem ser citados para integrar a lide, pois trata-se de litisconsórcio ativo necessário. Legitimados: os moradores ou sua associação, devidamente constituída e autorizada. USUCAPIÃO INDÍGENA Art. 32 da Lei nº 6.001, de 1973: são de propriedade plena do índio ou da comunidade indígena (...) as terras havidas por qualquer das formas de aquisição do domínio, nos termos da legislação civil. Art. 33: o índio, integrado ou não, que ocupe como próprio, por dez anos consecutivos, trecho de terra inferior a 50 há, adquirir- lhe-á a propriedade plena. Obs: Pode usucapir o índio já integrado na civilização, bem como aquele ainda não integrado. Aquisição de propriedade MÓVEL USUCAPIÃO (1260/1262) Art. 1.260. Aquele que possuir coisa móvel como sua, contínua e incontestadamente durante três anos, com justo título e boa-fé, adquirir-lhe-á a propriedade. Art. 1.261. Se a posse da coisa móvel se prolongar por cinco anos, produzirá usucapião, independentemente de título ou boa-fé. Art. 1.262. Aplica-se à usucapião das coisas móveis o disposto nos arts. 1.243 e 1.244. OCUPAÇÃO (1263) Art. 1.263. Quem se assenhorear de coisa sem dono para logo lhe adquire a propriedade, não sendo essa ocupação defesa por lei. Observar: 1 . RES NULLIUS (Caça...) E RES DERELICTA (Abandonada) ! A COISA NÃO É PERDIDA, ELA NÃO TEM DONO. 2. Coisa Perdida deve ser devolvida ao dono (DA DESCOBERTA - 1233/1237) DO ACHADO DO TESOURO Art. 1.264. O depósito antigo de coisas preciosas, oculto e de cujo dono não haja memória, será dividido por igual entre o proprietário do prédio e o que achar o tesouro casualmente. Art. 1.265. O tesouro pertencerá por inteiro ao proprietário do prédio, se for achado por ele, ou em pesquisa que ordenou, ou por terceiro não autorizado. Art. 1.266. Achando-se em terreno aforado, o tesouro será dividido por igual entre o descobridor e o enfiteuta, ou será deste por inteiro quando ele mesmo seja o descobridor. Aquisição de propriedade MÓVEL DA TRADIÇÃO (1267/1268) Consiste na entrega da coisa do alienante ao adquirente, com a intenção de lhe transferir o domínio, em complementação ao contrato. Tipos: real, simbólica ou ficta. Hipóteses em que se dispensa a tradição: - Na abertura da sucessão legítima ou testamentária. - Celebração de casamento em regime de comunhão universal de bens. - Por força de pactos antenupciais. - Contrato de sociedade de todos os bens - Transferência de ações nominativas de sociedades anônimas (mediante termo em livro próprio). - Na compra de títulos da dívida pública (com a assinatura do contrato). - Na alienação fiduciária. - Feita por quem não é proprietário (aquisição a non domino) – Art. 1.268/CC. ESPECIFICAÇÃO (1269/1271) Art. 1.269. Aquele que, trabalhando em matéria-prima em parte alheia, obtiver espécie nova, desta será proprietário, se não se puder restituir à forma anterior. BOA-FÉ: Matéria prima + Trabalho Espécie NOVA – Especificador proprietário (Não retornando) MÁ-FÉ: Matéria prima + Trabalho Espécie NOVA – Dono proprietário (Não retornando) Exceto se o valor da obra for superior à matéria prima Aquisição de propriedade MÓVEL DA CONFUSÃO, DA COMISTÃO E DA ADJUNÇÃO(1272/1274) Confusão é a mistura de coisas líquidas (ex.: álcool e gasolina/ água e vinho); Comistão é a mistura de coisas sólidas ou secas (ex.: grãos de café de qualidades diferentes/ areia e cimento); Adjunção é a justaposição de uma coisa à outra (ex.: tinta na parede; álbum com selos colados; folhear a ouro ). REGRAS: •Não podendo dividir forma-se nova propriedade •Não havendo coisa principal, torna-se indiviso. Cada dono proporcionalmente ao valor da coisa. •Com principal, o dono desta será do todo e indenizará os demais •Má-fé – O outro escolherá se fica com o bem ou recebe indenização. DA PERDA DA PROPRIEDADE Art. 1.275. Além das causas consideradas neste Código, perde-se a propriedade: I - por alienação; II - pela renúncia; III - por abandono; IV - por perecimento da coisa; V - por desapropriação. Parágrafo único. Nos casos dos incisos I e II, os efeitos da perda da propriedade imóvel serão subordinados ao registro do título transmissivo ou do ato renunciativo no Registro de Imóveis. Art. 1.276. O imóvel urbano que o proprietário abandonar, com a intenção de não mais o conservar em seu patrimônio, e que se não encontrar na posse de outrem, poderá ser arrecadado, como bem vago, e passar, três anos depois, à propriedade do Município ou à do Distrito Federal, se se achar nas respectivas circunscrições. § 1 o O imóvel situado na zona rural, abandonado nas mesmas circunstâncias, poderá ser arrecadado, como bem vago, e passar, três anos depois, à propriedade da União, onde quer que ele se localize. § 2 o Presumir-se-á de modo absoluto a intenção a que se refere este artigo, quando, cessados os atos de posse, deixar o proprietário de satisfazer os ônus fiscais. INFORMAÇÕES GERAIS Referências GOMES, Orlando. Direitos Reais - 21ª Edição 2012. Rio de Janeiro: Forense, 2012. E-book. p.Capa1. ISBN 978-85- 309-4392-9. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/978-85-309-4392-9/. VENOSA, Sílvio de S. Direito Civil - Direitos Reais - Vol.4 - 25ª Edição 2025. 25. ed. Rio de Janeiro: Atlas, 2024. E- book. p.Capa. ISBN 9786559776863. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9786559776863/. Acesso em: 10 fev. 2025. TEPEDINO, Gustavo; FILHO, Carlos Edison do Rêgo M.; RENTERIA, Pablo. Fundamentos do Direito Civil - Vol. 5 - Direitos Reais - 5ª Edição 2024. 5. ed. Rio de Janeiro: Forense, 2024. E-book. p.Capa. ISBN 9786559649365. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9786559649365/. GAGLIANO, Pablo S.; FILHO, Rodolfo Mário Veiga P. Novo Curso de Direito Civil - Vol.5 - Direitos Reais - 7ª Edição 2025. 7. ed. Rio de Janeiro: SRV, 2025. E-book. p.Capa. ISBN 9788553627387. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788553627387/.