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CONCEITO TRIPARTIDO DE CRIME
FATO TÍPICO ILÍCITO CULPÁVEL
- CONDUTA
- TIPICIDADE
- RESULTADO 
NATURALÍSTICO
- NEXO DE CAUSALIDADE
- AUSÊNCIA DE CAUSA 
EXCLUDENTE DE ILICITUDE
- IMPUTABILIDADE
- POTENCIAL CONSCIÊNCIA 
DA ILICITUDE
- EXIGIBILIDADE DE 
CONDUTA DIVERSA
 CONDUTA
 Conceitos:
 - causal clássico (Von Liszt e Beling): movimento corporal que causa modificação no mundo exterior. 
 Crítica: e a omissão? E os crimes formais e de mera conduta?
 - causal neoclássico: comportamento humano voluntário que provoca modificação no mundo exterior.
 Resolve o problema da omissão, mas mantém a concepção causal, não conseguindo explicar os crimes 
formais e de mera conduta, em que o resultado não é exigido
 - finalismo (Welzel): conduta é o comportamento humano consciente e voluntário dirigido a um fim, i.e., 
conduta é o exercício de uma atividade final; a conduta humana dirigida a um fim lícito (culpa) ou ilícito 
(dolo).
 Causalidade é cega, por não analisar o querer do agente; finalidade é vidente, pois é guiada pela 
vontade.
 - T. social da ação (Wessels e Jescheck): conduta é o comportamento humano com transcendência social.
 Causalistas e finalistas ignoram um ponto fundamental do comportamento humano que é o aspecto 
social da conduta humana. 
 A teoria social não pretende superar as outras teorias, mas apenas acrescentar-lhes um aspecto social. 
Ou seja, uma conduta é penalmente relevante segundo os valores de determinada época, alcançados 
pela análise de um elemento sociológico.
 Permite ao julgador a análise de um elemento implícito do tipo penal que seria a repercussão social da 
conduta do agente, que deve ter a intenção de produzir um resultado socialmente relevante.
 - Funcionalismo: 
 Roxin: ação é tudo o que pode ser atribuído a uma pessoa como centro de atos anímicos-espirituais 
(visão personalista), ou seja, é a própria manifestação da personalidade; 
 Jackobs: ação é a realização de um resultado individualmente evitável, substituindo a finalidade pela 
evitabilidade (evitabilidade individual).
 Ausência de conduta
 - ação é regida pela vontade e sempre dirigida a um fim; se não há dolo ou culpa, não há conduta 
penalmente relevante, sendo a mesma atípica. Isso ocorre nos casos de:
 a) coação física irresistível, proveniente da natureza (ex.: sujeito arrastado pelo vento ou pela água) ou de 
terceiro (sujeito é empurrado por outro)
 - ausência de voluntariedade do comportamento;
 - o terceiro será penalmente responsabilizado, pois utiliza o outro como instrumento do crime.
 b) movimentos reflexos (que são involuntários); ex.: espirro, choque elétrico, etc.
 c) estados de inconsciência (ausência de consciência da realidade); ex.: sonambulismo, epilepsia, hipnose.
 - embriaguez (28, CP): não exclui a responsabilidade penal, salvo se proveniente de caso fortuito ou força 
maior (actio libera em causa).
 RESULTADO
 - Material ou naturalístico
 - Jurídico ou normativo
 Todo crime tem resultado normativo, mas nem todo crime tem resultado naturalístico.
 NEXO DE CAUSALIDADE
 - Só faz sentido falar em nexo de causalidade nos delitos materiais, onde há resultado naturalístico.
 Teorias sobre a causalidade
 A) Teoria da causalidade adequada (probabilidade de gerar o resultado – o que normalmente acontece)
 - Causa é o antecedente necessário e adequado à produção do resultado. 
 - Causa é somente aquela conduta que, de acordo com a experiência geral da vida, ostenta uma tendência 
geral para gerar o resultado típico. Uma causa é adequada quando aumentou consideravelmente a 
possibilidade de realização do resultado.
 - Afastam-se eventos extraordinários, fortuitos, anormais, os desvios extravagantes, evitando o regresso ao 
infinito da cadeia de causalidade, descartando desvios produzidos fora do cálculo racional do agente.
 Ex.: não há causalidade entre ascender uma lareira e o incêndio causado pelas fagulhas levadas pelo vento.
 B) Teoria da relevância jurídica (relevância da conduta para gerar o resultado)
 - Causa é a condição relevante para o resultado. Será irrelevante tudo aquilo que for imprevisível.
 Ex.: aquele que derrama um balde de água em uma represa completamente cheia, não pode ser 
responsabilizado pela inundação, pois sua conduta é irrelevante.
 C) Teoria da equivalência dos antecedentes causais (conditio sine qua non) – Adotada pelo CP
 Causa é a ação ou omissão sem a qual o resultado não ocorreria.
 Todos os fatos que antecedem o resultado se equivalem, desde que indispensáveis à sua ocorrência. 
Partindo-se do resultado, realiza-se um processo de regressão e eliminação de fatos para descobrir tudo 
aquilo que teve influência na sua produção.
 Processo hipotético de eliminação de Thyrén
 - eliminar o fato que entendemos ser o causador do resultado e verificar se o resultado se modificaria. 
Se isso acontecer, é porque o fato é causa do resultado.
 Ou seja, causa é todo antecedente que não pode ser suprimido sem afetar o resultado.
 Art. 13 do CP: Considera-se causa a ação ou omissão sem a qual o resultado não teria ocorrido, como 
ocorreu.
 Fórmula de Frank.
 - limitar a teoria: não é possível retroceder, além dos limites de uma vontade livre e consciente, 
interrompe-se a cadeia causal quando não há dolo ou culpa na produção do resultado.
 OBS: informativo 601, STJ
CAUSAS
ABSOLUTAMENTE 
INDEPENDENTES
PREEXISTENTES
(ingestão de veneno)
CONCOMITANTES
(autoria colateral)
SUPERVENIENTES
(desabamento do prédio)
RELATIVAMENTE 
INDEPENDENTES
PREEXISTENTES
(hemofilia)
CONCOMITANTES
(ataque cardíaco)
SUPERVENIENTES
(acidente/infecção)
que produziu por si só o resultado
que não produziu por 
si só o resultado
Rompem com o nexo causal e o agente 
responde apenas pelos atos praticados
responde pelo resultado, desde 
saiba da concausa preexistente
É a que produziria o resultado 
independente da ação do agente
Apenas produz o resultado se conjugada 
com a conduta do agente – relação de 
dependência
 Significado da expressão “por si só”, contida no art. 13, §2.º, CP:
 - resultados que se encontram na linha de desdobramento natural da ação do agente 
 Exemplos:
 1) A atira em B para matar. Lesionado B vai ao hospital e morre em decorrência de uma infecção no 
próprio ferimento. A responderá por homicídio consumado.
 2) A atira em B para matar. B é socorrido, mas no caminho do hospital a ambulância se envolve em um 
acidente e B morre em razão da colisão. A responderá por tentativa de homicídio, pois a morte por 
acidente automobilístico não está na linha de desdobramento natural de quem sofre um disparo de arma 
de fogo. 
 O resultado deve estar no desdobramento do perigo que a conduta do agente poderia gerar. Esta noção da 
exposição do bem jurídico a perigo é importante para afastar excessos. 
 Ex.: ferir o dedo de uma pessoa com um canivete – agente não tem a intenção homicida, mas a morte 
pode ocorrer em razão da vítima contrair tétano ou uma infecção. A morte não está na linha de 
desdobramento do perigo que o agente queria gerar.
 Teoria da imputação objetiva
 - tipo objetivo (o que de fato acontece) X tipo subjetivo (intenção do agente)
 Relação de causalidade dolo ou culpa
 - Problema: teoria da equivalência dos antecedentes causais e o finalismo limitam o tipo objetivo à relação 
de causa e efeito e isso não resolve todos os problemas inerentes à imputação.
 Exemplo de Roxin: A vende heroína a B e sabem que aquela quantidade é letal, mas assumem o risco de 
que a morte ocorra. B faz uso e morre. Dolo eventual e causalidade da conduta de A estariam fora de 
dúvida para Roxin e, segundo a teoria da conditio sine que non, A deve responder pelo homicídio. 
 - para resolver o problema, a teoria da imputação objetiva insere outros dois elementos ao tipo objetivo: 
criação de um risco proibido e a realização do risco no resultado.
 - não substitui a teoria da equivalência dos antecedentes causais, mas a complementa.- busca afastar o nexo de causalidade quando não houver o incremento do risco ou quando o resultado 
lesivo não decorrer do risco incrementado.
 - na verdade, é uma teoria da não imputação objetiva.
 a) incremento do risco: gerar um risco juridicamente proibido ou socialmente não tolerado.
 Assim, não deve haver imputação penal quando a conduta:
 - diminui o risco. Ex: indivíduo sofre um acidente e ao chegar no hospital o médico decide amputar a 
perna para salvar a vida do paciente. Em tese pratica lesão corporal, mas está amparado pela excludente 
de ilicitude do estado de necessidade de terceiro. Para a T. da Imputação Objetiva, o fato será atípico, 
pois agiu o médico diminuindo o risco de morte.
 - decorre do princípio da confiança. Ex.: foi criada pelo D. Civil em relação ao tráfego de automóveis. Ou 
seja, para que o transito flua, um motorista precisa confiar que o outro obedecerá as normas de 
trânsito. Assim, se o motorista A passa no sinal verde, ele confia que os demais motoristas estão 
parados no sinal vermelho. Mas se o motorista B avança o sinal vermelho e, atingido por A, vem a 
morrer, o resultado morte não pode ser imputado a A, pois ele atuou amparado pelo p. da confiança.
 b) resultado lesivo: o risco incrementado deve se materializar em um resultado lesivo. 
 Assim, não deve haver imputação penal quando:
 - há um desvio extravagante: concausa superveniente relativamente independente, como no caso da 
ambulância que se acidenta.
 - imprevisibilidade do curso causal: A está dirigindo seu carro, mas sofre um ataque cardíaco e atropela um 
pedestre na calçada. A não responderá por homicídio, nem doloso nem culposo, pois a conduta será atípica.
 Por fim, a autocolocação em perigo, consentida pela vítima, também afasta a imputação.
 Em resumo:
 TIPICIDADE
 Conceito
 - aspecto formal: adequação do fato (conduta) à norma penal (tipo penal), ou seja, a subsunção de um fato 
material ao modelo legal de conduta proibida abstratamente prevista pelo legislador.
 - aspecto material: conduta lesiva ou que cause perigo de lesão ao bem jurídico protegido pela norma (os 
princípios da adequação social e insignificância corrigem a extensão formal inadequada dos tipos penais).
 - tipicidade conglobante (Zaffaroni): não basta tipicidade formal e material, é necessário que a conduta seja 
contrária ao ordenamento jurídico em geral, conglobado e, não apenas contrária ao Direito Penal.
 TIPICIDADE CONGLOBANTE = TIPICIDADE FORMAL + TIPICIDADE MATERIAL + ANTINORMATIVIDADE
 - a ausência de antinormatividade, portanto, afasta a tipicidade, como no caso do oficial de justiça que atua 
regularmente executando a busca e apreensão de determinado bem, ordenada pelo juiz (no sistema do CP, a 
conduta seria típica, mas lícita; para Zaffaroni, a conduta seria atípica). Ex: STJ – AP 683/AP
 Evolução da estrutura do tipo penal (relação entre o tipo e a ilicitude)
 - 1.ª fase (causalismo clássico) – Beling, 1906: separação entre ilicitude e tipicidade, conferindo o caráter 
puramente descritivo do tipo; o tipo era puramente objetivo, sem valoração alguma (dolo ou culpa);
 - 2.ª fase (ratio cognoscendi) – Mayer, 1915: aprimorar a teoria da tipicidade, conferindo a ela um caráter 
indiciário de ilicitude; quando alguém pratica um fato típico, provavelmente, este fato será também ilícito.
 - 3.ª fase (ratio essendi) – Mezger, 1931: tipo penal é a própria razão de ser da ilicitude, não havendo que 
se falar em tipicidade, se não há ilicitude da conduta. Afastada a ilicitude, afastado estaria o próprio tipo 
penal (Ex.: matar alguém, ilicitamente). Parte da ideia de um tipo de injusto (ilicitude tipificada).
 Teoria dos elementos negativos do tipo
 - surgiu como conseqüência do tipo como ratio essendi da ilicitude, de modo que nasce o chamado tipo 
total de injusto (tipicidade + ilicitude + causas excludentes);
 - além dos elementos descritivos do fato punível, o tipo contém ainda, como negação de sua própria 
existência, as causas de exclusão da ilicitude
 - assim, as excludentes de ilicitude, no tipo total de injusto são os elementos negativos do tipo, de modo 
que, agindo amparado por uma excludente de ilicitude, o sujeito deixa de praticar o próprio tipo penal.
 TIPO DOLOSO
 O crime é doloso quando o agente quis o resultado ou assumiu o risco de produzi-lo (art. 18, I, CP).
 Elementos:
 a) elemento cognitivo (consciência daquilo que se quer praticar – representação do resultado)
 b) elemento volitivo (querer realizar, o que engloba conduta, nexo causal e resultado)
 Dolo é a vontade e consciência dirigidas à realização do tipo penal incriminador.
 Teorias sobre o dolo
 a) Teoria da vontade: há dolo quando o agente representa – imagina a ação e o resultado e quer praticá-los 
(consciência + querer finalístico).
 b) Teoria da representação: sempre que o agente representa o resultado como possível e ainda assim 
persiste na conduta, haverá dolo. Não interessa se assumiu o risco ou acreditou que o resultado não 
ocorreria – não distingue dolo eventual de culpa consciente.
 c) Teoria do assentimento ou consentimento: antevendo a possibilidade de sua conduta gerar um resultado 
lesivo (representação), mesmo não o querendo diretamente, não se importa e assume o risco de produzi-lo.
 Espécies de dolo
 A) dolo direto: o agente quer praticar a conduta e atingir o resultado
 - dolo direto de 1.º grau: dolo direto em relação ao fim propostos e ao meio escolhido.
 - dolo direto de 2.º grau: dolo direto em relação aos efeitos colaterais necessários decorrentes do meio 
escolhido.
 B) dolo indireto: o agente pratica a conduta para atingir um resultado, mas admite a ocorrência de outro
 - alternativo: quer um ou outro resultado (alternativo objetivo) ou quer atingir uma ou outra pessoa 
(alternativo subjetivo) 
 - eventual: representa o resultado e não o deseja, mas se ele ocorrer, pouco importa, pois o tolera, o 
admite.
 C) dolo natural (finalismo – consciência e vontade) x dolo normativo (causalismo – integrado pela 
consciência da ilicitude)
 e) dolo genérico (implícito em todo tipo penal) x dolo específico (especial fim de agir);
 g) dolo geral ou erro sucessivo: representando um resultado, pratica a conduta antecedente visando 
produzi-lo e, considerando ter obtido êxito, pratica outra conduta posterior tendente a outro fim, sendo que 
nesta o resultado ocorre. 
 Homicídio de trânsito e dolo eventual
 Informativos 623, STJ e 904 STF
 TIPO CULPOSO
 - expressamente a lei deve admitir a punição por fato praticado culposamente.
 Culpa é a ação ou omissão praticada sem o cuidado objetivo necessário. É a inobservância do dever 
objetivo de cuidado (tipo penal aberto, como regra – Exceção – tipo fechado – receptação culposa).
 Previsibilidade objetiva (compreensão do homem médio - imprevisão do previsível).
 Previsibilidade subjetiva: previsão do resultado do ponto de vista do agente, segundo suas características e 
aptidões pessoais.
 Componentes da culpa
 - ação ou omissão voluntária sem a cautela devida
 - previsibilidade objetiva
 - ausência de previsão do resultado lesivo (culpa inconsciente)
 - resultado naturalístico involuntário
 - nexo de causalidade entre a conduta e o resultado
 - tipicidade
 Modalidades de culpa
 A) Imprudência: prática de um fato perigoso, conduta arriscada (dirigir em alta velocidade em local não 
permitido)
 B) Negligência: ausência de precaução ou indiferença ao que deveria ser praticado. Agente deixa de atuar 
quando a atuação seria devida (pessoa que deixa a arma municiada ao alcance de uma criança)
 C) Imperícia: inaptidão para o exercício de uma atividade ou para a pratica de um ato, ainda que 
momentânea. Está ligada à atividade profissional do agente (cirurgião que durante a cirurgia pratica um ato 
que, naquela situação, não deveria ser praticado).
 Espécies de culpa
 - Culpa inconsciente: resultado não é previsto pelo agente, embora previsível para o homem médio;
 - Culpa consciente: resultado é previstopelo agente, mas ele confia que ele não ocorrerá;
 - Culpa própria: culpa propriamente dita 
 - Culpa imprópria: decorre do erro de tipo, quando o erro é vencível, em que afasta-se o dolo, mas mantem-
se a responsabilidade penal culposa.
 CRIME CONSUMADO (nele se reúnem todos os elementos da definição legal).
 - não se confunde com o crime exaurido ou esgotado, que se configura quando, além de esgotar os 
elementos previstos no tipo para a existência do crime, o agente atinge algo além, um plus. 
 CRIME TENTADO (iniciada a execução, não se consuma por circunstâncias alheias à vontade do agente)
 - adequação típica mediata ou indireta
 Iter criminis
 1) Cogitação: ideia criminosa na mente do agente e ainda não foi exteriorizada (em regra, não é punível – 
exceções: art. 286 e 287, CP)
 2) Preparação: materialização da ideia criminosa, como estudar o local do crime, comprar a arma, preparar a 
emboscada (em regra, não é punível – exceções: art. 288 e 291, CP)
 3) Execução: o agente inicia a execução da conduta descrita no tipo. 
 4) Consumação: o agente consegue realizar a figura típica em sua integralidade.
 Obs: Exaurimento não faz parte do iter criminis e ocorre nos casos em que o resultado não é exigido pelo 
tipo penal e, se ocorrer, trata-se de mero exaurimento.
 Teorias sobre a delimitação entre a preparação e a execução do crime
 Teorias objetivas
 A) Teoria objetivo-formal (núcleo do tipo): o agente deve realizar, efetivamente, de modo concreto, uma 
parcela da própria conduta típica, penetrando no núcleo do tipo (ex.: puxar o gatilho da arma no 
homicídio ou pegar a coisa alheia móvel no furto)
 B) Teoria objetivo-material (núcleo do tipo + perigo ao bem jurídico – visão do terceiro observador): só 
existe inicio de execução quando a conduta estiver em necessária conexão com a ação típica, ou seja, 
estiver intimamente unida ao descrito na norma penal (ex.: imediatamente antes de puxar o gatilho, o 
indivíduo é impedido por terceiro ou embora tenha adentrado na residência, o indivíduo e pilhado, ainda 
sem pegar nada).
 C) Teoria do perigo ou hostilidade ao bem jurídico: inicia-se a execução no exato momento em que a 
conduta coloca em perigo o bem jurídico protegido pela norma.
 D) Teoria subjetiva limitada (intenção do autor + perigo ao bem jurídico): a execução se inicia quando 
há a combinação entre o plano do autor (elemento subjetivo) e a prática de ato que conduza à realização 
do tipo (elemento objetivo). 
 Teoria subjetiva
 Teoria da univocidade (intenção do autor): meros atos preparatórios podem se dirigir a condutas lícitas 
ou ilícitas, mas haverá início de execução quando os atos preparatórios se dirigirem à pratica do crime.
 Espécies de tentativa
 - perfeita ou acabada (crime falho): execução é completamente realizada, mas o resultado não ocorre por 
circunstância alheia à vontade do agente. Ex.: descarrega a arma e atinge os tiros, mas vítima não morre.
 - imperfeita ou inacabada: não completa a execução e o resultado não ocorre. Ex.: efetua dois dos cinco 
disparos possíveis, mas é impedido de prosseguir por um terceiro.
 - tentativa cruenta ou vermelha ou de sangue: objeto material do crime foi atingido pela conduta do 
agente. Ex.: agente atira e acerta a vítima
 - tentativa incruenta ou branca: objeto material do crime não é atingido pela conduta do agente. Ex.: 
atira, mas erra.
 Punição da tentativa
 Teorias:
 - subjetiva: deve ser punida com a mesma pena do crime consumado, pois embora o crime seja 
objetivamente imperfeito, subjetivamente, ele é perfeito.
 - objetiva: deve ser menor que a pena do crime consumado porque o agente não atingiu o fim almejado. 
Foi a teoria adotada pelo CP (art. 14, II, CP – pena diminuída de 1/3 a 2/3)
 Infrações que não admitem tentativa
 - crimes culposos
 - crimes preterdolosos
 - crimes omissivos próprios
 - crimes unissubsistentes
 - crime de atentado ou de empreendimento (Ex.: “tentar evadir-se” – art. 352, CP)
 - crimes habituais
 - contravenções penais
 PONTES DE OURO (Von Liszt): art.15, CP
 Desistência Voluntária: ocorre no mesmo momento da tentativa imperfeita, excluindo-a. O agente cessa a 
prática dos atos executórios, voluntariamente, ainda que pudesse continuar. 
 Arrependimento Eficaz: ocorre no mesmo momento da tentativa perfeita, excluindo-a. O agente, após 
praticar todos os atos executórios, a impede voluntariamente. 
PONTE DE PRATA (Arrependimento posterior): art.16, CP – causa de diminuição de pena 
Obs: Inform. 590, STJ: natureza patrimonial do instituto – apenas para crime contra o patrimônio ou que 
possua efeitos patrimoniais. Inaplicabilidade ao homicídio culposo de trânsito.
Início da 
execução
Fim dos atos 
executórios
Consumação Recebimento da 
inicial acusatória
Desistência voluntária Arrependimento posteriorArrependimento eficaz
 CRIME IMPOSSÍVEL ou QUASE-CRIME (art. 17, do CP)
 - absoluta ineficácia do meio empregado ou impropriedade do objeto visado, torna impossível a 
consumação do delito.
 Ineficácia do meio: meio ineficaz é aquele que, no caso concreto, não é capaz de produzir o resultado.
 - conceito relativo (ex.: açúcar não mata uma pessoa normal, mas pode matar um diabético)
 Objeto impróprio: não existe ou não se encontra em situação de possibilitar a ocorrência do delito (ex.: 
ingerir substância abortiva sem estar grávida ou atirar para matar, quando a pessoa já está morta)
 OBS: não se reconhece a ineficácia do meio da hipótese de a consumação não ocorrer em razão de 
cautelas tomadas pela vítima (ex.: carro blindado, coleta a prova de bala)
 Informativo 897, STF: Furto. Sistema de vigilância e crime impossível. A existência de sistema de vigilância 
em estabelecimento comercial não constitui óbice para a tipificação do crime de furto.
 Teorias sobre o crime impossível
 a) Teoria sintomática: é preciso verificar a periculosidade do agente, que se manifesta na prática da ação 
e, portanto, a ele deve ser aplicada uma medida de segurança;
 b) Teoria subjetiva: a intenção do agente manifestada na conduta realizada deve gerar a punição idêntica 
à punição do delito tentado;
 c) Teoria objetiva pura: não há tentativa em nenhuma hipótese de ineficácia do meio ou impropriedade 
do objeto. Sem a ocorrência do elemento objetivo do crime, não há que se falar em punição, mesmo que 
haja o elemento subjetivo (intenção do agente).
 d) Teoria objetiva temperada: os meios devem ser absolutamente ineficazes e o objeto absolutamente 
impróprio. Se houver relatividade, haverá tentativa punível.

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