Prévia do material em texto
COLEÇÃO PERGUNTE AO JOSÉ PERGUNTE AO JOSÉ IMPERIALISMO ANDRÉ CARVALHO CLAUDIA GODOY José é um amigo, sempre disposto a responder às suas perguntas. Se você quer conhecer melhor qualquer assunto, José explica da maneira mais sim- IMPERIALISMO ples e mais gostosa. Afinal, amigo é para essas coi- sas. José é um amigo-livro, feito para ser lido por uma criança, por seu professor ou pelos pais, quan- do precisam ajudar os filhos nos trabalhos Aqui, José conversa com você sobre o imperia- lismo, um assunto que interessa de perto aos brasi- leiros e a milhões e milhões de pessoas que vivem em países da América do Sul, da Ásia e da África. Você vai acompanhar de perto 0 desenvolvimen- to do imperialismo, desde século passado, quan- do os países europeus e os Estados Unidos começa- ram a dividir 0 mundo inteiro entre eles. Você verá a luta dos chineses, indianos e japo- neses, os massacres dos povos africanos, a resistên- cia corajosa de um brasileiro que ousou enfrentar as grandes potências européias e também as guer- ras entre os próprios imperialistas. E, neste momento em que tanto se fala da dívi- da externa brasileira, você vai compreender como é que os países ricos muitas vezes forçaram os pobres a tomar empréstimos, só para ter um controle maior sobre eles. Pergunte ao José que é imperialismo e você te- rá todas as respostas. Afinal, se há uma coisa que ele adora é um papo com gente inteligente. EDIÇÃOCIP Brasil. Catalogação-na-fonte. Sindicato Nacional dos Editores de Livros, RJ. Carvalho, André, 1937- Imperialismo / André Carvalho, Cláudia Godoy. Belo Horizonte, MG: Ed. Lê, 1996, edição. (Coleção Pergunte ao José) 1. Imperialismo Obras Populares. I. Godoy, Cláudia. II. Título. III. CDD - 325.32 CDU - 325.46 SUMÁRIO EDITORA I MONOPÓLIO, JOGO Copyright © 1989 by André Carvalho PERIGOSO Capa: Virgílio Velozo Direitos reservados pela EDITORA S/A II OS BANCOS ENTRAM EM Av. Pedro II, 4.550 Fone: (031) 462-6262 Caixa Postal 1385 Fax: (031) 464-9165/411-1797 CAMPO 30.750-000 BELO HORIZONTE MINAS GERAIS Rio de Janeiro RJ Rua Alexandrina, 174 III - COMO SE EXPORTA Rio CEP 20261-232 Fones: (021) 293-5954/273-7346/273-4063 DINHEIRO Fax: (021) 273-7346 São Paulo - SP - Rua José Antônio Coelho, 854 Vila Mariana CEP 04011-062 Fones: (011) 573-3153/572-7990/573-0381 Fax: (011) 549-6959 IV - GRANDES DIVIDEM Juiz de Fora MG Av. Independência, 605/Loja 05 Centro MUNDO CEP 36010-020 Fone: (032) 215-6774 Fax: Proibida a reprodução parcial ou total desta obra, por qualquer processo, sem autorização por escrito da V - UM BRASILEIRO TEIMOSO Este livro pode ser pedido pelo código PJ 020 Impresso no Brasil Printed in Brazil VI A CONQUISTA DA ÁSIA E IMPRESSÃO: GRÁFICA LÊ LTDA DA ÁFRICA 3.028 07.96.6 - 16.444 (3.700)Imperialismo, dá logo para perceber, é uma palavra que vem de império. Só que, no nosso caso, ela não tem nada a ver com aquelas histórias antigas de reis, rainhas e imperadores. Este livro fala do imperialismo que acontece hoje e que afeta diretamente a vida de milhões e milhões de pessoas, no Brasil e em muitos países do mundo. Sim, porque o imperialismo é a domi- nação que um país rico exerce sobre a economia e a política de um ou mais pa- íses atrasados ou pouco desenvolvidos. Toda palavra em preto mais forte, no texto, Esta dominação pode ser direta ou in- vem explicada ao pé da página. É uma for- direta. ma de facilitar ainda mais a compreensão deste livro. Afeta diretamente - tem cria pro- blemas, provoca mudanças.Quando é direta, o país rico impõe Essas empresas produzem mercado- as leis, toma as decisões e até escolhe os rias (alimentos, roupas, livros, etc.) ou governantes do país mais pobre. prestam serviços (transportes, bancos, lo- jas, etc.) para ganhar dinheiro, para ter Mas, na maioria dos casos, ela é indire- lucros. ta: as empresas e bancos do país rico têm tanta força e poder que acabam con- E toda empresa sempre deseja aumen- trolando toda a vida do país pobre, que tar seus ganhos, seus lucros. fica cheio de dívidas, não pode produzir Para isso, ela precisa crescer, produzir o que quer, nem tem meios de resolver mais, vender mais e conquistar novos problemas do seu povo. mercados em outras cidades, outros Esta- dos, outros países e até em continentes Para compreender como surgiu o im- inteiros. perialismo no mundo, precisamos enten- der primeiro que é capitalismo, pois Nesse esforço de crescimento, as maio- foi aí que tudo começou. res empresas tentam controlar ou até ser donas absolutas do mercado, afastando Chamamos um país de capitalista quan- as menores da concorrência. do a maioria das empresas, das fábricas, das lojas e das fazendas pertence a algu- Quando essas enormes empresas têm mas pessoas e não ao povo, ao Estado sucesso em sua intenção, deixa então de ou ao governo. existir aquilo que todo mundo diz queI é a principal característica do capitalis- mo, ou seja, a livre concorrência entre MONOPÓLIO, as empresas. UMJOGO PERIGOSO o capitalismo entra, então, numa fa- se nova, mais avançada. Ele se espalha pelo mundo e acaba dando origem ao im- perialismo. É isto que vamos aprender juntos, neste,livro, que mostra como o capitalis- mo foi crescendo e se transformando, desde século passado, até chegar à sua fase moderna, imperialista. Vamos lá?Nesse países, os donos das empresas logo perceberam que era dificil concorrer com as mercadorias da Inglaterra. Afinal, as indústrias inglesas eram mais modernas, maiores, produziam muito e, por isso, podiam vender seus produtos a preços menores. Damos o nome de Revolução Industrial jeito que os industriais de outros países encontraram, para enfrentar a disputa com às mudanças que aconteceram na Europa, na primeira metade do século passado. ingleses, foi pedir ao governo deles que criasse impostos bem altos sobre os produtos Naquela época, as empresas utilizando vindos da Inglaterra. Assim, as mercadorias in- máquinas, invenções e formas de energia de- glesas ficariam mais caras, e as pessoas iriam senvolvidas - conseguiram au- dar preferência aos produtos fabricados den- mentar incrivelmente a produção de mercado- tro de cada país. rias. E foi isso que aconteceu nos Estados Uni- A Inglaterra, país onde começou a Revolu- dos, na Rússia, na Alemanha, na França e em ção Industrial, levou maior vantagem sobre outros países. outros: vendia com facilidade as suas mer- cadorias quase que para o mundo inteiro. Todos eles passaram a proteger as suas próprias indústrias com barreiras alfandegá- A situação estava tão boa para os ingleses, rias, para que suas empresas também cresces- naquele tempo, que o único problema deles sem e pudessem concorrer com as fábricas in- era produzir cada vez mais e mais depressa, glesas. pois encomendas é que não faltavam. Mas exemplo da Inglaterra, que enrique- Barreiras alfandegárias obstáculo que um país cria cia tão depressa, fez com que outros países à importação de produtos estrangeiros, seja através também quisessem ter suas próprias indústrias, de impostos, seja até mesmo pela proibição de impor- fazer também a sua Revolução Industrial. tar produtos. 14 15Além disso, em cada país, as pequenas in- Numa crise econômica, por exemplo, quan- dústrias começaram a se juntar, formando gru- do muitas empresas menores eram obrigadas pos ou empresas maiores, numa tentativa de a fechar as portas, as grandes, às vezes, cres- monopolizar ou dominar mercado. Surgiu ainda mais. daí nome de monopólio, que até hoje a gen- Aliás, esses trustes e cartéis chegavam a te dá a qualquer grupo que controla a produ- criar uma crise, só para provocar o fechamen- ção e a venda de mercadorias. to das pequenas e médias empresas, eliminan- Quando duas ou mais empresas se unem do assim toda a concorrência. para formar uma só, com a intenção de con- E, assim, grupos monopolistas foram trolar mercado, surge aquilo que a gente crescendo cada vez mais, em todos países chama de truste. mais ricos. Mas elas podem se associar de outra ma- Afinal, só eles tinham dinheiro suficiente neira, formando uma espécie de clube dos para comprar as mais modernas máquinas in- grandes. Cada uma permanece independente, dustriais, formar grandes estoques de matéria- mas todas agem em conjunto, também para prima, distribuir os produtos fabricados em impor sua vontade ao mercado. É que se todo país, pesquisar novos produtos, pagar chama de cartel. uma caríssima propaganda, etc. Esses grupos de empresas grandes No início do século XX, monopólios já trustes e cartéis foram ganhando aos pou- dominavam praticamente toda a vida econô- mais poder, dentro do seu próprio país, mica dos países mais ricos e começavam a es- e muitas vezes decidiam quase tudo. tender rapidamente a sua teia sobre a maior Eles é que impunham preços dos produ- parte do mundo. tos, decidiam que cada empresa deveria fa- Crise econômica quando as indústrias produzem e bricar, onde ela podia vender, de quem iria vendem menos, a moeda fica desvalorizada, acontece comprar novas máquinas industriais, etc. o desemprego e toda a vida do país piora. Formar grandes estoques de matéria-prima reunir Além disso, sendo mais ricos e mais fortes um grande volume de mercadorias que são usadas pa- do que os concorrentes, sempre podiam en- ra fabricar outros produtos. Exemplo: o algodão, usa- frentar melhor qualquer dificuldade. do para fabricar tecidos. 16 17Veja só que eles faziam para destruir a ganda para vender tudo que fabricavam, os concorrência e esmagar pequenos fabrican- monopólios começaram por dividir cada país. tes: Depois, ainda maiores e mais fortes, deci- forçavam os fornecedores de matérias- diram fazer a partilha do mundo. primas a não vender para pequenos; Para isso, usaram duas armas importantes: faziam acordos com os grandes sindica- a influência que tinham sobre governo de tos de trabalhadores, para impedir que os seus países, onde já eram muito poderosos, operários trabalhassem para empresas menores; e o apoio dos grandes bancos. controlavam meios de transporte, No próximo capítulo, vamos ver como é para que não distribuíssem as mercadorias que o jogo dos monopólios se tornou ainda dos concorrentes; mais perigoso. impediam que bancos emprestassem dinheiro a empresas pequenas; não deixavam que comerciantes ven- dessem as mercadorias dos concorrentes pe- quenos; e, quando era preciso, reduziam seus lucros, vendendo tudo mais barato só para destruir as pequenas empresas, que não su- portavam essa concorrência e fechavam as portas. Depois, preços subiam outra vez e ficavam até mais altos do que antes. Possuindo melhores cientistas e técni- cos, tendo dinheiro para pesquisar novas fon- tes de matérias-primas, planejando cuidadosa- mente os seus produtos e utilizando a propa- 18 19II BANCOS ENTRAM EM CAMPOEsses bancos, que no início eram peque- nos e prestavam serviços às pessoas e às em- presas menores, acabaram formando monopó- lios de dinheiro, ou monopólio financeiro, que é a mesma coisa. Assim, ao mesmo tempo que capital in- dustrial que é a soma de tudo aquilo que Com todas as mudanças que já vimos, uma indústria possui ia se concentrando capitalismo deixou de ser aquela coisa sim- nas mãos de poucos proprietários, os grandes ples de antigamente, quando uma pessoa qual- bancos também concentravam capital finan- ceiro. quer montava uma pequena fábrica, vendia a quem quisesse comprar e cobrava preço Antes, esses bancos eram uma espécie de que as pessoas estivessem dispostas a pagar. auxiliares da indústria: o dinheiro que as pes- Como você viu, ele já se tornara um capita- soas depositavam neles era emprestado às fá- lismo monopolista, capaz de controlar e im- bricas, em troca de juros, que é aquilo que a por a sua vontade, seus preços, os seus gente paga por um empréstimo. produtos a um país inteiro, mesmo que para Crescendo tanto, os bancos ganharam isso tivesse de forçar fechamento de deze- um novo poder, um poder muito maior. nas de pequenas fábricas concorrentes. Um juiz da Corte Suprema dos Estados Agora, vamos estudar a fase seguinte, quan- do ele se torna um capitalismo "monopolis- Unidos da América, impressionado com cres- ta e financeiro". cente poder do capitalismo monopolista e fi- nanceiro no seu país, escreveu, em 1912: Vamos explicar direitinho essa história. "Embora não passem de intermediários, Enquanto as grandes indústrias formavam esses banqueiros posam de donos do mundo trustes e cartéis, criando os monopólios, os comercial da América, de tal modo que nenhu- bancos também estavam se reunindo, crescen- ma empresa grande pode ser lançada com do e juntando uma soma fantástica de dinheiro. êxito sem a sua participação ou aprovação". 22 23Se era assim com as grandes, imaginem A luta teria que ser pelos mercados mun- que acontecia com as pequenas empresas... diais, pelo controle dos países mais pobres E mesmo juiz acrescentou: da Terra. "Tais banqueiros são, decerto, homens ca- Escolhendo a quem emprestar, quanto co- pazes, possuidores de grandes fortunas; mas brar de juros e que quantia emprestariam a o fator mais poderoso do seu controle das ati- cada fábrica, grandes bancos praticamen- vidades comerciais não é a posse de uma ha- te controlavam a indústria. bilidade extraordinária ou de uma fortuna imensa. A chave do seu poder é a Combina- Toda empresa, grande ou pequena, neces- ção: a concentração intensiva e geral". sitava de crédito, ou seja, de empréstimos em dinheiro, para ampliar seus negócios, com- Mas essa concentração do capital financei- prar novas máquinas, conquistar novos merca- e do capital industrial, em cada país, aca- dos, etc. Por isso, iam procurar banqueiros, bou criando um problema para próprio ca- donos dos bancos. pitalismo: nenhum país, isoladamente, tinha condições de consumir todas as mercadorias Além disso, sempre que uma empresa que- que essas indústrias fabricavam e nem usar to- ria aumentar seu capital, para crescer mais, do dinheiro acumulado nos bancos. podia vender ações, que são uma espécie de cota que as pessoas compram para participar capitalismo monopolista e financeiro dos lucros daquela fábrica. chegavá a uma encruzilhada: ou descobria novos mercados para vender mercadorias ou Sabe quem era encarregado de vender es- emprestar dinheiro, fora dos países ricos, ou sas ações às pessoas? Os bancos, é claro. não poderia crescer muito mais. Por isso, aos poucos, grandes grupos in- E também não adiantava tentar vender pro- dustriais e grandes grupos financeiros fo- dutos e emprestar dinheiro a outros países ram se aproximando, quando compreenderam que tinham suas próprias indústrias, que seus interesses e objetivos eram semelhan- seus próprios bancos, e procuravam defendê- tes: todos queriam ter mais lucros, maior con- los de todas as maneiras. trole sobre o mercado, maior poder, e precisa- vam uns dos outros. 24 25Os bancos passaram a comprar ações das tarde, em 1898, Estados Unidos, lançaram- maiores indústrias, indicar a elas diretores se sobre os países pobres do mundo inteiro. de sua confiança, emprestar dinheiro às que seguissem sua orientação, e daí por diante. Nascia o colonialismo, que é a dominação e a exploração de um país pobre por uma na- Essa união cada vez maior de grandes in- ção rica, industrializada e poderosa. dústrias e grandes bancos fortalecia ainda mais os monopólios e lhes dava maior poder Essas colônias seriam, no futuro, consumi- de influenciar o governo de cada país. doras dos produtos que sobrassem nos países ricos, além de tomar enormes empréstimos Altos funcionários, quando saíam do gover- em dinheiro e fornecer matérias-primas para no, iam trabalhar para os bancos ou para as a fabricação de novas mercadorias. indústrias, com a missão de facilitar, de todas as formas, a influência dos monopólios jun- Do colonialismo para o imperialismo foi to às autoridades, para que só tomassem deci- apenas um pequeno salto. sões favoráveis a esses grupos. No próximo capítulo, veremos que paí- Esta atitude dos grandes grupos industriais ses imperialistas não estavam interessados ape- e financeiros mudou a própria história de vá- nas em controlar as matérias-primas das colô- rios continentes. nias, emprestar dinheiro e lhes vender produ- tos industriais. Tirando proveito da fraqueza econômica e militar da África, da Ásia e da América Lati- Havia um outro motivo, muito importan- te, que a gente vai descobrir daqui a pouco. na, esses grandes grupos com o apoio dos seus governos - decidiram investir nas re- giões do mundo onde não havia indústrias, mas que possuíam muitas matérias-primas de grande valor e uma enorme população pa- ra consumir os produtos industriais modernos. Foi assim que, a partir de 1870, a Inglater- ra, França, Bélgica, Alemanha e Itália e, mais 26 27III COMO SE EXPORTA DINHEIROPor isso, a gente pode afirmar que impe- rialismo foi a solução que o capitalismo en- controu para garantir a sua própria expansão e até a sua sobrevivência, nos países industria- lizados. Vamos ver como é que funcionou essa his- tória de exportar dinheiro para as colônias? Será que os países pobres levavam alguma Depois de tudo que já vimos sobre o de- vantagem tomando dinheiro emprestado dos senvolvimento do capitalismo monopolista e ricos? financeiro, a gente pode concluir facilmente que imperialismo foi uma conseqüência ine- Bem, países da Ásia, África e América vitável do crescimento do capital. Latina queriam construir estradas de ferro, usinas de energia elétrica, algumas indústrias, Claro, você pode pensar e dizer que havia etc. E a maioria deles tinha plantações, terras outras saídas: os grandes grupos financeiros férteis e minas que interessavam muito aos poderiam investir seu dinheiro em obras im- grandes grupos financeiros e industriais. portantes para o povo, em cada país, como escolas, estradas, hospitais, etc. Além disso, havia um outro problema: a Mas capitalistas estavam interessados população dos países ricos estava crescendo apenas em aumentar seus lucros, e essas obras muito depressa e eles precisavam encontrar não eram lucrativas para eles. novos territórios para onde enviar esses exce- E alguém poderia dizer que eles não preci- dentes populacionais, ou seja, essas pessoas savam crescer mais: bastava se satisfazerem que já estavam sobrando em cada país. com a riqueza e o poder que já possuíam. E países mais ricos tinham também Entretanto, é a própria natureza do capita- um outro interesse: controlando as regiões lismo baseado no lucro que exige a sua mais pobres do mundo, onde construíam ba- expansão, o seu crescimento, a sua tentativa ses militares, eles se fortaleciam para enfren- de conquistar e dominar novos mercados. tar seus concorrentes no comércio mundial 30 31e se preparavam para uma possível guerra, As locomotivas, os vagões e até os trilhos no futuro. foram comprados na própria Inglaterra, que Assim, nos primeiros anos do nosso sécu- ganhou duas vezes: com o dinheiro empresta- lo, o imperialismo estendeu a sua teia por to- do e com a venda das mercadorias fabricadas do mundo, e lucros dos grandes grupos por suas indústrias. industriais e financeiros da Europa e dos Esta- Assim, a exportação de dinheiro trazia, co- dos Unidos cresceram como nunca. mo conseqüência, a exportação de mercado- Do ponto de vista dos ricos, que ficavam rias, fortalecendo o capitalismo na metrópo- cada vez mais ricos, o jogo era perfeito. le e obrigando a colônia a consumir que os ricos produziam em excesso. Eles emprestavam dinheiro aos países po- bres, cobrando juros altos; ganhavam conces- Mas o pior é que países colonizados sões para explorar minérios valiosos; controla- acabavam comprando muitas vezes aquilo vam governo desses países e ainda exigiam que nem precisavam, ou então pagavam ca- que o dinheiro emprestado fosse gasto com ro demais, só para obter empréstimos que a metrópole, ou seja, com o próprio país que queriam. exportou o capital. E, mais ainda, OS países imperialistas não Assim, ganhavam de todos lados: com exportavam somente dinheiro e mercadorias. juros, com lucros das minas, com o po- Eles acabavam impondo aos países menos de- der exercido sobre o país e com as vendas senvolvidos um novo jeito de viver, uma no- de máquinas e outras mercadorias. va cultura, novos valores. Um bom exemplo é o empréstimo que a Regiões do mundo que sempre haviam vi- Inglaterra fez à Argentina, para a construção vido da agricultura, por exemplo, sem qual- de ferrovias. quer necessidade de produtos industriais mo- dernos, eram levadas a consumir automóveis, Metrópole o termo está sendo usado para designar tratores, caminhões e até perfumes ou brin- toda nação imperialista, de capitalismo avançado, que exerça alguma forma de dominação sobre regiões ou Colônia país que vive sob as ordens de um outro, países menos desenvolvidos. mais poderoso. 32 33quedos fabricados na metrópole, que só se in- "A construção das ferrovias brasileiras re- em vender cada vez mais, aliza-se, na sua maior parte, com capitais fran- Países. onde a maioria da população vivia ceses, belgas, britânicos e alemães; os referi- dos países, ao efetuarem as operações finan- no campo, no meio rural, em fazendas, viram ceiras relacionadas com a construção de ferro- suas cidades crescerem rapidamente e passa- ram a ter problemas que antes não conheciam. vias, reservam-se as encomendas de materiais de construção Tudo isso porque OS camponeses, os lavra- dores, impressionados com a propaganda das E, atrás desses materiais, vinham novas indústrias, abandonavam a agricultura e iam mercadorias, novas imposições, novos emprés- timos em dinheiro, novas pressões sobre em busca de um emprego na cidade, onde governo brasileiro para que comprasse bar- esperavam poder um dia possuir um automó- vel, um aparelho de rádio, luz elétrica em ca- cos, navios, rifles e canhões dos ingleses. sa, etc. Mesmo OS países que estavam em dificulda- Foi uma verdadeira revolução, o que acon- des para pagar empréstimos antigos sempre teceu na África, na Ásia e na América Latina, conseguiam novos empréstimos, ficando ain- onde dezenas de países passaram a ser domi- da mais endividados, porque capitalistas nados pelos interesses dos grandes grupos in- preferiam correr o risco de emprestar o dinhei- dustriais e financeiros da Europa e dos Esta- ro, só para que seus concorrentes de outros dos Unidos. países não chegassem primeiro. No Brasil, por exemplo, um cônsul estran- E foi assim que as grandes potências eco- geiro em São Paulo escreveu, no início do sé- nômicas e militares, ou seja, países mais culo, um relatório no qual dizia: ricos no princípio deste século, realizaram uma verdadeira partilha do mundo, de acor- do com os seus interesses. No próximo capítulo, vamos mergulhar América Latina - países da América que foram coloni- ainda mais fundo no jogo do imperialismo, por outros países, que falavam espanhol, portu- descobrindo as diversas formas que ele assu- guês ou francês, línguas derivadas do latim. miu, em cada região do mundo. 34 35OS GRANDES DIVIDEM MUNDO AlColônias - além de ocupar território, os homens da metrópole administravam go- verno, o exército e a economia. Havia dois ti- pos de colônias: de enraizamento, quando colonizador formava uma grande população no país dominado e tomava as terras dos nati- (casos da Argélia, Angola e África do Sul); e colônias de enquadramento, nas quais co- Bastaram poucas décadas, a partir do fi- lonizador, sem tomar as terras à força, explo- rava o trabalho dos nativos, quase que escra- nal do século passado, para que o capitalis- vizados. Foi o que aconteceu nas colônias in- mo monopolista e financeiro dividisse o mun- glesas da África. do inteiro entre países mais ricos. Áreas de influência sem ocupar direta- Na organização do sistema colonial, havia mente o país, grupos industriais e financei- diversos tipos de colônias, e é bom a gente ros lutavam entre si para exercer maior con- saber distinguir entre elas, até para compreen- trole possível sobre a economia, as conces- der como é que funcionou esse sistema. sões para comprar e vender mercadorias ou Os países ricos criaram, na Ásia, África e para explorar minas. Este foi caso da Chi- América Latina, colônias de três tipos, como na, por exemplo. veremos a seguir: Bem, agora que já vimos como se deu a Protetorados os chefes locais pareciam partilha do mundo entre ricos, você deve ter poder, mas na verdade quem mandava estar se perguntando como é que eles explica- eram os funcionários enviados pela metrópo- vam, como justificavam essa invasão de ou- le, como aconteceu no Marrocos (controla- tros países e a violência que vezes usa- do pela França), no Egito e na Índia (ambos vam para dominar os povos mais pobres. controlados pela Inglaterra). Afinal, ninguém ia querer lutar na Ásia, na África ou em outras regiões do mundo só Década - período de dez anos. para dar lucros a banqueiros, industriais e co- 38 39merciantes ingleses, norte-americanos, france- A África Central, por exemplo, em menos ses ou belgas. de vinte anos foi inteiramente repartida entre Por isso, grandes grupos econômicos os impérios da França, Alema- inventaram uma série de argumentos para nha, Bélgica, Portugal e Itália. convencer as pessoas de que o colonialismo Mas nem sempre a exploração era tão dire- era justo, humano e necessário. ta e declarada assim. Na América do Sul, por Para começar, eles diziam que ter colônias exemplo, a Inglaterra e Estados Unidos era importante para país, se quisesse ser sem dominar abertamente qualquer uma forte, independente e preparado para enfren- das repúblicas sul-americanas exerciam in- tar possíveis inimigos. fluência direta sobre os governos e a econo- mia de muitos países. Além disso, garantiam que colonizador ia civilizar povos atrasados, libertando-os Fornecendo capitais e mercadorias, em tro- da escravidão, da ignorância e do paganismo, ca de vantagens, acordos e contratos do seu para convertê-los ao cristianismo. interesse, esses dois países ricos controlavam o comércio e a política da América do Sul. Outro argumento, muito usado até hoje, era da superioridade da raça branca sobre E, se algum país ousasse discordar desse as outras, que por isso mesmo deveriam ser controle, era sempre lembrado de que ingle- dominadas e educadas pelos brancos. Pelo fa- ses e norte-americanos dispunham de navios to de ser branco, racista se julgava no direi- e aviões militares e muitas tropas, sempre pron- to de explorar, escravizar e até matar negros, tas para impor a obediência aos contratos amarelos e indígenas. que garantiam monopólio dos grandes gru- pos industriais e financeiros. Todos esses argumentos foram usados prin- cipalmente na África, onde as grandes empre- De qualquer modo, a crescente dominação sas da Europa assinavam contratos com che- imperialista mudou por completo a vida dos fes de tribo que não sabiam ler ou escrever países menos desenvolvidos. e, em troca de bebidas ou tecidos, tomavam Camponeses perdiam suas terras e eram conta de territórios muitas vezes maiores que obrigados a trabalhar nas minas ou nas fábri- vários países europeus. cas por salários muito baixos. 40 41As populações nativas, que antes produ- ziam tudo aquilo de que necessitavam para viver, passaram a depender dos produtos in- dustrializados. Os países pobres vendiam matérias-primas a baixo preço e pagavam caro pelos produtos industriais, ficando cada vez mais endividados e cada vez mais pobres. V Juntando tribos inimigas no mesmo territó- rio, colonizadores plantaram as sementes UM BRASILEIRO TEIMOSO de futuras guerras, como aconteceu na África. E, em todos lugares, a dominação estran- geira destruiu religiões, costumes, crenças e culturas que haviam levado séculos para se desenvolver. No próximo capítulo, você vai acompa- nhar as de um homem - um brasileiro que no século passado teve a ousadia de enfrentar grandes grupos financeiros e in- dustriais da Inglaterra. o exemplo de Irineu Evangelista de Sou- za, o Barão de Mauá, servirá para você com- preender ainda melhor como é que age im- perialismo, quando enfrenta qualquer resistên- cia de um país situado na sua área de influência. 42Em Niterói, Mauá comprou um estaleiro, uma fábrica de navios, em 1846, e além de construir embarcações passou a desenvolver outros setores: fundição de ferro e bronze, caldeiraria, serralheria, etc. Assim, criou um grande conjunto industrial, que em certa época chegou a ter mil operários. o Pioneiro no setor de serviços públicos e empresário brasileiro Irineu Evangelis- de transportes, Evangelista fundou a compa- ta de Souza era um homem de grande visão nhia de gás, responsável pela iluminação das para negócios, e não lhe faltava coragem. ruas do Rio de Janeiro, e a Botanical Garden Rail Road Company, empresa de bondes Numa época em que a agricultura era a dos a burros, na qual havia capitais norte-ame- atividade econômica mais importante do Bra- ricanos. sil, ele já pensava em grandes indústrias, nhava com estradas de ferro e planejava a Ele organizou ainda companhias de nave- construção de linhas telegráficas para a Europa. gação a vapor no Rio Grande do Sul e no Amazonas e introduziu no Brasil o telégrafo submarino, para realizar a comunicação tele- Por volta de 1800, as empresas criadas pe- gráfica com a Europa. lo Barão de Mauá estavam tendo o maior su- cesso, e isto levou outros empresários brasi- A produção de café e o crescimento da la- leiros a investir também em indústrias. voura no interior do País já estavam exigin- do um sistema de transporte mais rápido e Capitalistas ingleses, vendo crescimento moderno, para facilitar o comércio dos produ- das indústrias criadas por Mauá, decidiram tos agrícolas, e veio então a idéia da constru- participar desses empreendimentos, que atra- ção de ferrovias. íram também capitais norte-americanos. As primeiras ferrovias surgiram de uma ciedade do Barão de Mauá com fazendeiros No princípio, tudo parecia ir muito bem... brasileiros e capitalistas ingleses. Em 1854, a 44 45primeira locomotiva, a Baronesa, percorreu leiro reduzisse impostos cobrados sobre a 18 quilômetros de trilhos entre Porto da importação de máquinas, ferramentas e ferra- Estrela, no Rio de Janeiro, e Raiz da Serra, gens. em Petrópolis, levando vagões carregados de café e outras mercadorias. governo cedeu às pressões e, sem a pro- teção alfandegária, as indústrias brasileiras ti- Depois, Mauá fundou a Recife and San Fran- veram que enfrentar a concorrência brutal cisco Railway, a chamada Estrada de Ferro D. dos fabricantes ingleses. Pedro atual Central do Brasil, e criou a São Paulo Railway Company, hoje Estrada de Fer- Além disso, a mudança da política finan- Santos-Jundiaí. ceira do governo reduziu a oferta de emprés- timos às indústrias, e isto foi um golpe fatal Também no setor financeiro Mauá foi um para os novos empreendimentos. grandè empreendedor. Banco Mauá & Cia. chegou a ter filiais em Londres, Manchester, Mauá resistiu enquanto teve forças para Paris, Nova e nas principais cidades lutar, mas as pressões eram enormes e, aos do Brasil, Argentina e Uruguai. poucos, ele foi perdendo suas empresas para estrangeiros. Mas, apesar de todo esforço de Mauá e outros empresários brasileiros, a economia A chamada "Era Mauá" chegava ao fim... do País ainda girava principalmente em tor- A companhia de bondes passou integral- no do café, e por isso OS grandes fazendeiros mente ao controle dos norte-americanos. tinham grande influência sobre o governo. A navegação da Amazônia, depois das pres- Em 1860, quando a exportação do café es- sões inglesas, foi aberta a estrangeiros, e a em- tava dando muitos lucros, cafeicultores fize- presa de Mauá não suportou a concorrência. ram tanta pressão sobre governo que ele Banco Mauá & Cia. transformou-se no acabou modificando leis que beneficiavam as novas indústrias. Banco Mauá, Mac Gregor & Cia. serviço telegráfico foi vendido a uma Mas a pressão maior foi a dos comercian- empresa britânica pelo preço simbólico de tes ingleses: eles exigiam que governo brasi- uma libra. 46 47Além disso, Mauá foi obrigado a vender a sua parte nas ferrovias, que passaram a ser controladas pelos ingleses. imperialismo destruía, assim, primei- esforço realmente brasileiro de industriali- zação, e o Barão de Mauá, aquele brasileiro teimoso, ficou como símbolo da luta pelo de- senvolvimento nacional. VI Outros industriais brasileiros, que tentaram instalar suas fábricas sem a participação de A CONQUISTA DA ÁSIA E DA capitais estrangeiros, também sofreram as mesmas perseguições e derrotas. ÁFRICA Os grandes grupos industriais e financei- ros procuravam comprar ou sufocar até pe- quenas fábricas de tecidos ou de cigarros, por exemplo, só para evitar o surgimento de qualquer E, se fosse preciso, exerciam as maiores pressões sobre gover- no brasileiro, exigindo mudanças de leis e criando outros embaraços para OS pequenos empresários brasileiros. Enquanto isso, do outro lado do mundo, na Ásia e na África, países imperialistas pros- seguiam na sua luta pela partilha do planeta Terra. E por lá as coisas foram ainda piores, como nós veremos no próximo capítulo. 48Ao longo do XIX, expedições orga- nizadas pelos países imperialistas bombardea- ram muitas cidades asiáticas do litoral, prepa- rando desembarque de tropas de soldados, comerciantes e funcionários europeus. Usando a força das armas, os europeus for- çavam o governo a assinar um tratado de As riquezas da Ásia já eram cobiçadas pe- mércio, muito desvantajoso para asiáticos, los europeus desde século XV, quando tive- que não tinham outra saída. ram início as grandes navegações e compa- nhias européias se instalaram no continente A fraqueza dos estados asiáticos facilitou para comercializar algodão, linho, seda, perfu- bastante a dominação de todo continente mes finos e objetos de porcelana, madeira, la- pelos europeus. ca e metal. Na Índia, por exemplo, havia centenas de Em fins do século XVIII e, principalmente, reinos diferentes e não existia um governo depois da Revolução Industrial, os europeus central, que mobilizasse o povo para a defe- voltaram a se interessar pela Ásia, que tinha sa do país. uma enorme população e podia ser um exce- lente mercado consumidor dos produtos fa- bricados na Europa. Império chinês era governado por uma dinastia família real - de origem estran- Foi aí que surgiu a chamada "diplomacia geira, e que por isso mesmo tinha sua autori- da canhoneira", estreada pelos ingleses na dade contestada pelos dirigentes de cada região. China. No Japão, apesar de o Imperador ser cha- A canhoneira é um navio fortemente arma- mado de "Filho do Sol Nascente", quem man- do, capaz de bombardear alvos a grande dis- dava mesmo no país eram senhores feu- tância, e foi ela que abriu caminho para o de- dais, homens ricos e poderosos, e chefes sembarque dos ingleses na China. militares. 50 51Mas, assim mesmo, houve tentativas de re- Foi assim que explodiu a chamada Guer- sistência nacionalista, contra a dominação exer- ra do Ópio, que foi de 1840 a 1842. Uma ex- cida pelos ingleses. pedição naval inglesa bombardeou a cidade Na Índia, aconteceu a Grande Revolta ou de Nanquim e impôs aos chineses um trata- Rebelião dos Sipaios, entre 1857 e 1859, mas do pelo qual a Inglaterra passou a dominar OS rebeldes foram massacrados pelos ingleses, a ilha de Hong-Kong, ganhou cinco portos para fazer comércio, recebeu uma indeniza- que criaram até cargo de Vice-Rei da Índia ção de guerra e ainda conseguiu acabar com para ser a maior autoridade no país. 0 monopólio do Co-Hong. Vice-Rei, evidentemente, era um inglês, Outros países seguiram o exemplo da In- nomeado pelo Parlamento britânico. glaterra e também impuseram tratados desi- guais à China, como aconteceu com a Fran- Império chinês era 0 maior da Ásia, pois incluía, além da China, a Mongólia, Man- ça e Estados Unidos, e novos portos foram chúria, Tibete, Turquestão e outras regiões, abertos aos ocidentais, que não se submetiam e desde século XVIII OS comerciantes ingle- às leis chinesas, circulavam livremente pelo ses tentavam ampliar suas atividades no país, país e ainda cobravam indenizações de guerra. até então limitadas ao porto de Cantão. Quando veio a guerra entre a China e Japão, as potências ocidentais aproveitaram Comprando produtos chineses e venden- a oportunidade para ampliar ainda mais O seu do ópio, comerciantes ingleses tinham sem- controle, dividindo a China em áreas de in- pre que fazer negócio com Co-Hong, uma fluência. espécie de clube dos negociantes chineses de Cantão. Mas, se os governantes da China eram fra- cos, povo nem sempre aceitou passivamen- Percebendo que não conseguiriam ampliar te a dominação estrangeira: na Revolta dos seu comércio pacificamente, ingleses apro- Boxers, em 1900, os rebeldes destruíram ferro- veitaram a primeira desculpa que apareceu vias, atacaram missões religiosas e embaixa- para intervir na China: a destruição de um das estrangeiras no país, mas no final foram carregamento inglês de ópio. derrotados pelos exércitos imperialistas. 52 53Só em 1911, depois da criação do Kuomin- Na segunda metade do século passado, tang - Partido do Povo -, os nacionalistas quando foram descobertas jazidas de diaman- chineses conseguiram derrotar os agressores tes no Orange e minas de ouro em outras re- estrangeiros e proclamar a República da Chi- giões, os europeus decidiram investir seus ca- na, tendo como presidente Sun Yat-sen, o prin- pitais na África. cipal líder político do país. ponto inicial da penetração e do colo- Japão também passou pelos mesmos nialismo europeu foi a Argélia, na África do problemas, quando uma esquadra norte-ame- Norte, que a França começou a dominar em ricana impôs ao país um tratado que abria 1830, mas só conquistou completamente na dois portos ao comércio internacional, seguin- segunda metade do século. do-se outras concessões feitas à França, Ingla- terra e Rússia. Depois, franceses dominaram a Tunísia, onde venceram os italianos, e Marrocos, on- Mas a reação dos japoneses foi diferente: de disputaram a conquista com a Alemanha. eles passaram a adotar as técnicas mais mo- Mas, no Egito, franceses perderam para a dernas, aprendidas com ocidentais, criaram Inglaterra. indústrias e formaram um exército bem arma- do, com o apoio dos ingleses, que desejavam A França apoderou-se ainda de outras re- ter um aliado forte na região, para evitar a giões africanas, como a ilha de Madagascar, expansão russa na Ásia. a África Ocidental Francesa, a África Equato- rial Francesa e a Somália Francesa. A entrada do Japão na corrida imperialis- ta foi espetacular: após derrotar a China e Mas o grande dominador dos territórios participar da divisão do país, japoneses es- africanos foi mesmo o colonialismo inglês. magaram russos. Pela primeira vez, um Es- tado asiático derrotava uma potência européia. No Sul do continente, após vencer a Guer- ra dos Boêres (1899-1902), a Inglaterra ane- Agora vamos para um outro continente, a xou as Repúblicas do Transvaal e de Orange, África, onde o imperialismo ocidental também ambas criadas pelos boêres, que eram africa- se manifestou. nos brancos, de origem holandesa, em cujas 54 55terras haviam sido descobertas riquíssimas ja- Além disso, os europeus fizeram um acor- zidas de ouro e diamantes. do entre si: de agora em diante, não bastava A maioria das colônias inglesas se situava assinar tratados com chefes de tribos; era na África Oriental (Egito, Sudão, Somália In- preciso ocupar de verdade território, para glesa, Quênia, Uganda, Rodésia), mas a Ingla- que ele fosse considerado colônia. E quem to- terra também se apossou da Costa do Ouro, masse posse de uma área tinha que comuni- Serra Leoa, Gâmbia e Nigéria, todas no litoral car aos outros países a conquista realizada, do Atlântico. para evitar conflitos. Neste verdadeiro banquete imperialista Apesar de todos esses cuidados, as rivalida- em que europeus transformaram a África, des entre as potências imperialistas continua- a Bélgica também teve a sua parte. vam provocando crises internacionais. Com a desculpa de que as expedições que A Alemanha e a Itália, por exemplo, que estava organizando tinham apenas objeti- chegaram atrasadas à partilha dos mercados VO de realizar pesquisas científicas, o Rei Leo- africanos, não se conformavam em ter somen- poldo II, da Bélgica, apoderou-se do Congo, te territórios menores e mais pobres. vasto e rico território que outras potências européias cobiçavam. Para a Alemanha, ficaram o Togo, Camerum, Sudoeste Africano Alemão, África Oriental Ale- Para'solucionar conflito entre imperia- mã, Ruanda e Burundi, já que alemães per- listas, realizou-se em 1884-1885, em Berlim, deram o Marrocos para a França. uma conferência internacional, na qual ficou decidido que Congo seria controlado pela A Itália, por sua vez, dominou a Líbia, a Bélgica e pela França. Eritréia, a Somália Italiana, perdendo a Tuní- sia para a França e sendo derrotada na Etió- A mesma conferência decidiu liberar a na- pia pelos próprios etíopes, que foi conside- vegação na Bacia do Rio Congo, que era uma rado uma humilhação para todos os brancos entrada natural para o interior do continen- europeus, que não admitiam ser vencidos por te africano. homens de outras raças. 56 57Assim, europeus dominaram, direta ou que imperialismo usa para controlar a eco- indiretamente, a maior parte do mundo, esta- nomia e a política do nosso país. E mesmo colônias onde imperialismo ex- acontece na Ásia, na África e na América do plorava povos e países mais fracos. Sul inteira. Só que essa luta pelo controle de territó- Os grandes grupos monopolistas, contro- rios colonizados gerou rivalidades cada vez lando as indústrias e as finanças do mundo, maiores entre os países europeus, provocan- têm hoje um poder até maior que no passa- do a primeira grande crise da sociedade capi- do, impondo suas leis aos países menos desen- talista, já no início do nosso século: a Primei- volvidos, que estão ficando cada vez mais po- Guerra Mundial, de 1914 a 1918. bres. Na época, dizia-se que esta seria a guerra para acabar com todas as guerras, mas não foi isto que aconteceu. Os mesmos interesses capitalistas e impe- rialistas que entraram em choque em 1914 iriam causar a Segunda Guerra Mundial, que começou em 1939, e esta também não pôs fim aos grandes conflitos internacionais. imperialismo continua vivo, ainda que não apareça mais sob a forma de colonialismo. Hoje, ele usa outras armas, como a domi- nação econômica, a influência política, a pro- paganda, os empréstimos que países po- bres jamais conseguem pagar, as ameaças de intervenção, etc. A dívida externa brasileira, da qual você ouve falar todos os dias, é parte da estratégia 58ANDRÉ CARVALHO Conhecido e respeitado como escritor que detém do Pinto, os primeiros livros realistas para crianças vários prêmios, entre eles o Jabuti, da Câmara Brasileira publicados no Brasil. do Livro, e o Casa de las Américas, de Cuba, André Seu romance Cuba-libre, foi editado também em Carvalho é, ainda, psicólogo, formado pela FUMEC-MG. espanhol. Ainda em espanhol, tem, pela Norma E é nesta condição, que assina este livro, com amplo Editorial, em treze países, seu livro Dourado. Boy in conteúdo técnico mas de texto simples e direto, que The Cage e Squarely são dois de seus livros editados André tem exercitado em muitas frentes da imprensa nos EUA. mineira. Ele foi, na verdade, editor no Estado de Minas, Diário de Minas, Correio de Minas e diretor no Jornal de Domingo e no Minas Gerais. No rádio, dirigiu o departamento de notícias da Guarani, Mineira e Itatiaia, e criou a primeira emissora dedicada somente ao homem do campo: a Rádio Rural. Quando a tevê surgiu em seu caminho, produziu e apresentou na TV Itacolomi a primeira série de programas educativos feitos no Brasil. Ao voltar à TV, em 89, presidiu Canal 9 por dois anos. A par disto, fez fotonovela, quadrinhos e escreveu muitos livros para crianças. Seu programa infantil de tevê foi líder durante muitos anos. Tudo isso aconteceu em Minas, onde também ele fundou a Editora Comunicação. Nela, publicou mais de trezentos livros brasileiros e recebeu 30 prêmios nacionais. Mas sua maior contribuição a essa atividade é a ColeçãoCLÁUDIA GODOY Cláudia Godoy, mineira de Belo Horizonte, é formada em História pela UFMG. Professora do Colégio Loyola e editora da revista Arquitetura/Engenharia, Cláudia é profundamente interessada em pesquisas no campo da Sociologia, tendo desenvolvido trabalho sobre "Marginalizados do Século XIX em Minas Gerais."PERGUNTE AO JOSÉ um êxito editorial A Coleção Pergunte ao José, um projeto que pretende ter no mínimo cinqüenta temas de estudo, já soma uma vitória extraordinária: 12 volumes foram comprados, em grandes tiragens, pela FAE, para distribuição às escolas de primeiro e segundo graus. Este fato atesta a simplicidade de seus textos e a confiabilidade de suas informações. Há muitas coleções de livros de referência, mas nenhuma com um texto que pode ser entendido por jovens a partir de dez anos de idade. Constituinte e Constituição Como Brincar à Moda Anliga Ecologia Como se Cantava Antigamente Poder Capitalismo Família Comunismo Reforma Agrária Doenças Venéreas Arte Os Índios do Brasil Literatura Um Exercício de Vida Direitos do Homem e Direitos da Criança Breve História de Minas Tóxicos Cinema Direitos da Mulher Jornalismo Imperialismo Astronomia Sindicalismo Subdesenvolvimento Propaganda Crise no Golfo Socialismo Adolescência Feminismo Racismo Comunicação Consumidor e Consumismo Nacionalidade e Cidadania Relacionamento de Ajuda