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DIREITO INTERNACIONAL PRIVADO
Dr. João Manuel da Costa Sarmento
CAPÍTULO II
FUNDAMENTO, NATUREZA E FONTES DE DIP
Discute-se se o DIP tem um fundamento supra estadual ou estadual, se é um direito que assenta em princípios próprios de direito internacional público ou de um direito de natureza e fonte nacional e ainda da qual a natureza das normas de conflitos criadas pelo Órgão de soberania internos.
2.1. Doutrinas Internacionalistas
Enquadram-se nestas doutrinas todas aquelas que defendem que o problema central do DIP um problema de fundamento supraestadual, isto é, prende-se com o relacionamento entre os Estados e, por isso, visa a protecção de interesses de natureza supraestadual.
Sendo assim, estando em causa um problema de relacionamento entre os estados, integrar-se-ia na competência exclusiva do ordenamento jurídico próprio da comunidade internacional.
A ideia subjacente a essa doutrina é a seguinte: Uma vez que a lei é uma forma de exercício de soberania (do Estado que a emana), a aplicação de um determinado Estado a uma relação jurídica corresponde ao exercício de soberania desse mesmo Estado. Logo, quando se suscita um problema de conflitos de leis em DIP o que está em causa é um verdadeiro conflito de soberanias.
Nesta medida, as regras de DIP teriam a função de delimitar a soberania dos vários Estado na regulamentação das relações jurídicas internacionais. Assim, as normas de DIP seriam de natureza supra estadual.
Note-se que para estas doutrinas, aplicar a lei de um Estado equivaleria a reconhecer esse mesmo Estado pelo que não seria aplicável a lei dos Estados não reconhecidos.
2.1. Doutrinas Internacionalistas
Procurando conciliar o facto das regras de DIP serem na sua esmagadora maioria de natureza interna, isto é, emanadas pelos órgãos de soberania dos vários Estados recorre-se a teoria da delegação e a do desdobramento funcional.
Segundo a teoria da delegação as regras de DIP deveriam ser em primeiro lugar da competência de um organismo supra estadual cuja tarefa seria exactamente fazer a repartição de soberania entre os vários estados na regulamentação das relações jurídicas internacionais. Porém, uma vez que em virtude da fraca integração da comunidade internacional esse órgão não existe, esta função é delegada nos diferentes organismos estaduais. Na falta de uma delegação expressa estar-se ia perante uma espécie negotiatorum gestio por parte do legislador estadual, substituindo-se este motu próprio à comunidade internacional e assumindo a função desta. 
2.1. Doutrinas Internacionalistas
A IDEIA É A MESMA NA DOUTRINA DO DESDOBRAMENTO FUNCIONAL. Na actual fase da integração internacional a tarefa da criação de regras de DIP são desempenhadas transitoriamente e a título precário pelos Órgãos de soberania estaduais. Só que ao exercerem essa tarefa, os Estados devem estar cientes de estarem a actuar na qualidade (desdobrando-se) de órgão internacionais. O DIP seria, pois formalmente direito interno e materialmente direito internacional. 
As doutrinas internacionalistas surgem associadas às doutrinas unilateralistas.
Para se compreender essa associação é preciso avançar com a distinção entre função unilateral e a função bilateral da regra de conflitos.
Na função bilateral a regra de conflitos não só indica as situações em que ordenamento jurídico que as emana é competente. Neste sentido, trata-se de uma função unilateral introversa (o estado limita-se a indicar as situações em que se considera competente e não as situações em que os outros estados são competentes). 
2.1. Doutrinas Internacionalistas
Mais adiante veremos que, não obstante adoptarmos a função bilaterialista das regras de conflito (e as nossas terem essa função) o unilateralismo é defensível sob o ponto de vista dos interesses do DIP.
Só que, na lógica das doutrinas universalistas ou internacionalistas, as regras de conflito têm necessariamente de ser unilaterais.
Com efeito, se as normas de DIP visam realizar a função de repartição de soberania entre os vários Estados mas, ao mesmo tempo, são emanadas por Órgãos de soberania internos desses mesmos Estados, então teriam de ser necessariamente unilaterais na medida em que teriam de limitar-se a indicar as situações em que o Estado que as emana seria competente, ou seja, teria soberania para regular uma relação jurídica de carácter internacional. Caberia a cada Estado apenas fixar os limites da sua soberania, não podendo fixar os limites de soberania de outro Estado, pois isso seria imiscuir-se na soberania desse Estado ou ditar leis a esse Estado. 
No fundo, cada Estado, renunciaria, em determinadas circunstâncias, a aplicação da sua lei (e assim à sua soberania) a fim de que outros Estados pudessem exercer o seu poder soberano a fim de evitar conflitos.
2.1. Doutrinas Internacionalistas
As doutrinas internacionalistas partem da premissa errada de que a aplicação de uma lei estrangeira corresponde ao exercício de soberania do Estado que emana essa lei.
Na verdade, o DIP nada tem a ver com problemas de soberania. A simples aplicação de uma lei estrangeira num Estado não tem absolutamente nada a ver com o exercício de soberania do Estado que emana essa lei. É que uma lei, por si só, desacompanhada do aparelho coercivo do Estado que a emana e, portanto, da capacidade de impor a sua aplicação, não constitui qualquer afirmação de poder efectivo desse Estado.
Uma lei só constitui uma manifestação de soberania se for acompanhada de todos os meios que os Estados têm de a fazer respeitar. Portanto, um Estado só exerce soberania noutro Estado quando é capa de fazer aplicar nesse Estado os seus comandos. Ora, isso só acontece nos casos de domínio de um Estado sobre outro, designadamente, nos casos de ocupação bélica. Neste sentido, a lei, desintegrada dos mecanismos coercivos do Estado que as emana é sempre de eficácia estritamente territorial. 
2.1. Doutrinas Internacionalistas
Assim, quando um Estado manda aplicar uma lei estrangeira no seu território é a sua soberania que está a ser exercida pois é por força dos seus comandos que essa lei é aplicada e é ele que possui os mecanismos capazes de fazer aplicar essa lei. 
Daí que não há que haver coincidência entre o reconhecimento da soberania de um Estado e a aplicação da lei desse Estado. Pode-se perfeitamente aplicar a lei de um Estado sem que isso envolva, necessariamente o reconhecimento desse mesmo Estado, enquanto entidade soberana. 
Na verdade a aplicação de uma lei estrangeira emanada por um Estado nada tem que ver com o respeito pelo poder soberano desse Estado mas com a necessidade de salvaguardar interesses de natureza interindividual. Tem a ver com a necessidade de garantir , tanto quanto possível, a estabilidade e a continuidade das relações jurídicas internacionais e, assim, assegurar as legítimas expectativas dos indivíduos.
O fundamento da aplicação do direito estrangeiro não está pois no reconhecimento internacional da soberania do respectivo Estado mas antes na efectiva conexão das situações da vida com um ordenamento de facto vigente. O critério decisivo é o da efectividade daquele ordenamento, independentemente do reconhecimento ou não reconhecimento do Estado ou governo desse ordenamento.
A aplicação de um ou outro direito estrangeiro é, sob o ponto de vista de DIP, politicamente indiferente, pois ao DIP apenas interessa aplicar à lei mais adequada a regulamentação das relações jurídicas, pelo que apenas considera o direito que, de facto vigora no território de um determinado Estado, qualquer que seja a fonte desse direito.
2.2. Doutrinas Nacionalistas ou Positivistas
Segundo estas doutrinas, o DIP é um direito de carácter nacional (direito interno), que visa defender as relações inter-individuais e não interesses de carácter estadual. O DIP seria dominado por critérios de justiça, de equidade e oportunidade e necessidade atinentes às relações do comércio jurídico privado. Assim, sendo, está fora do âmbito da competência da comunidade internacional ou de um órgão supra-estadual. 
Sendo o DIPum direito nacional, um direito interno, cada Estado elabora as suas regras de conflitos visando a prossecução de finalidades próprias da vida inter-individual e não do relacionamento entre Estados, gozando de uma ampla liberdade nessa tarefa.
2.3. Posição Adoptada
Não há qualquer dívida que as normas de DIP são de natureza estadual. Apenas serão de natureza internacional as que forem criadas por tratados internacionais.
Também não se pode dizer que os estados se encontram limitados por determinadas regras ou princípios na fixação do elemento de conexão.
 Porém, como vimos o fundamento do DIP está no reconhecimento da limitação da eficácia espacial das regras de direito, enquanto regras de conduta. O reconhecimento da eficácia espacial das leis decorre de um princípio universal de justiça segundo o qual as regras de direito, enquanto regras de conduta não devem, em princípio, aplicar-se às condutas humanas sobre as quais não tem possibilidade de influir como critério de decisão e de orientação. 
2.3. Posição Adoptada
O não respeito por este princípio levaria a um constante frustar das legítimas expectativas das pessoas (que válida e justificadamente confiaram na aplicação da única ou das únicas leis que poderiam servir de critério de orientação e de decisão) e, em última análise, põe em causa a própria ideia do direito enquanto regra de conduta.
Assim, partindo desse princípio facilmente se chega a conclusão o objetivo fundamental do DIP é o de assegurar o respeito pelas legítimas expectativas dos indivíduos, procurando garantir a estabilidade e a continuidade das relações jurídicas internacionais.
Daí que os Estados, ao criarem as suas regras de conflito, devem estar imbuídos de um espirito universalista ou internacionalista no sentido de que devem procurar adoptar critérios que sejam susceptíveis de aceitação universal. Ou seja, devem fazer os possíveis para que a solução adoptada para a regulamentação das relações jurídicas internacionais seja a mesma que os outros Estados darão (ou pelo menos seja susceptível de aceitação pelos outros) procurando atingir a chamada harmonia jurídica internacional ou uniformidade de julgados.
2.3. Posição Adoptada
Na verdade, a harmonia jurídica internacional (situação em que todos os ordenamentos jurídicos – pelo menos aqueles em contacto com a situação – estão de acordo quanto à lei aplicável), representa a situação ideal de estabilidade e segurança das relações jurídicas internacionais.
Em conclusão, muito embora as regras de conflito sejam, na sua maior parte das regras internas, o DIP, pelo seu objeto e pelos seus fins tem um caráter ecuménico ou universal e, como diz Ferre Correia, tende a ser, por natural destino, um direito comum a todos os povos e nações. Ou seja, o legislador de conflitos não pode esqueçer que está ou deverá prosseguir um interesse ou uma missão internacional.
O que está em causa na harmonia jurídica internacional é, no fundo, a certeza e segurança jurídicas porque quantas mais vezes se atingir a harmonia jurídica internacional melhor está garantida a certeza e a segurança jurídicas, melhor está garantida a continuidade das relações jurídicas internacionais. Sendo as soluções encontradas aceites por todos os estados, estão reduzidas ou não há hipóteses de conflito.
Decorre do anteriormente exposto que as regras de conflitos são na sua maior parte regras de direito interno dos Estados.
Isso não quer dizer que não existam regras de conflitos de provenientes de fontes internacionais. Aliás há numerosos tratados internacionais versando matérias de DIP. Porém, é ainda reduzida a área coberta por essas convenções e diminuto o número dos países ligados por esses diferente convénios.
As mais importantes convenções em matéria de DIP são as convenções de Haia.
2.4. Fontes do DIP
2.4. Fontes do DIP
Destacam-se as convenções de Haia e as de Genebra de 1930 e de 1931. As convenções de Bruxelas de 1968, de Lugano de 1988 e de San Sebastian de 1989, de Rom de 1980, sobre Lei Aplicável as Obrigações Contratuais, as Convenções sobre a Arbitragem Comercial Internacional (protocolo de Genebra de 1923), Convenção de Genebra de 1927, Convenção de Nova Iorque de 1958 e de Genebra de 1961).
Merece também destaque, num outro plano, a obra da codificação do direito internacional privado no seu conjunto, levada a cabo em 1928 pela União Pan Americana: o chamado Código Bustamante.
2.5. Convenções Aplicáveis em Timor-Leste
São aplicáveis em Timor-Leste as seguintes convenções:
A Convenção Internacional sobre o Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias, feita em Bruxelas em 14 de junho de 1983, e, para aceitação, o Protocolo de Emenda à mesma Convenção elaborado pelo Conselho de Cooperação Aduaneira em 24 de junho de 1986 ratificado pela Resolução do Parlamento Nacional N.º 41/2023 de 29 de Novembro.
A Convenção para a Solução Pacífica dos Conflitos Internacionais, concluida na Haia em 18 de outobro de 1907, ratificado pela Resolução do Parlamento Nacional N.º 19/2024 de 3 de Julho.
2.5. Convençoes Aplicável em Timor-Leste
 O Protocolo que altera o Acordo de Marraquexe que cria a Organização Mundial do Comércio ratificado para adesão pela Resolução N.º 22/2024 de 17 de Julho.
O Protocolo de Adesão da República Democrática de Timor-Leste à Organização Mundial do Comércio ratificado para adesão pela Resolução N.º 23/2024 de 17 de Julho.
A Convenção Internacional sobre o 
2.6. O Direito Internacional Privado e Domínios afins
2.6.1. Direito Internacional Privado e Direito TIntertemporal 
O DIP é um direito de conflitos, a par do qual outros sistemas conflituais existem, como por exemplo o Direito de Conflitos de leis no tempo – o direito transitório ou intertemporal.
O direito transitório ou intertemporal tem por objeto os conflitos de normas jurídicas no tempo, enquanto o direito internacional privado tem por objeto os conflitos de leis no espaço. Ambos tem como objetivo garantir a estabilidade e continuidade das situações jurídicas interindividuais e tutelar a confiança e a espectativa dos interessados.
O DIP decorre da dinâmica das relações jurídicas, isto é, da existência simultânea, em territórios diversos, de leis distintas. Preocupa-se com relações que ao se constituírem, desenvolverem ou extinguirem, entram na órbita, pelo menos de duas legislações distintas, ou invadem sucessivamente o espaço em que vigoram legislações diferentes. 
2.6.1. Direito Internacional Privado e Direito Intertemporal (Transitório).
O Direito Intertemporal decorre da dinâmica das leis ou seja do fenómeno da sucessão no tempo, na mesma ordem jurídica, de duas normas ou complexos normativos diferentes. Decorre do facto de novas normas, ao tomarem o lugar de primitivas, interferirem com relações jurídicas pré-existentes. 
Ambos os direitos fazem ressaltar o problema do limite das leis. Limite da aplicabilidade no espaço e limite da aplicabilidade no tempo. No fundo a tarefa a realizar é a mesma: Trata-se sempre de apurar a qual de duas ou mais normas ou dois ou mais sistemas normativos pertence a espécie jurídica considerada.
O factor espaço tem de ser considerado no direito transitório e o factor tempo tem de ser considerado no direito de conflitos no espaço a aplicação da lei antiga, revogada, a certos factos determinada pelo momento da respetiva verificação, não deixará de pressupor que entre tais factos e o ordenamento jurídico do foro existisse, nesse preciso momento, a conexão espacial considerada decisiva pelo DIP. Inversamente, a sujeição de certo caso jurídico a determinada lei, resultante das regras de DIP, implica que a situação a regular estivesse espacialmente ligada a essa lei através do elemento de conexão reputado relevante, não decerto em qualquer momento, mas exactamente no momento da verificação do evento cuja repercussão na vida da mesma situação jurídica se trata de apreciar. O momento da conexão relevante é o da produção do facto que deu origem à consequência jurídica em causa. Por isso se fala na coordenada espaço temporalque determina a regulamentação das relações jurídicas. 
Como se disse, ambos os direitos têm como objectivo garantir a estabilidade e a continuidade das situações jurídicas interindividuais e assim, tutelar a confiança e as expectativas dos interessados. 
2.6.2. Conflitos Internacionais e Conflitos Internos
A) Conflitos inter-regionais
O problema dos conflitos de normas nasce algumas vezes da coexistância de vários sistemas de direito no mesmo Estado tendo em conta as diversas regiões desse mesmo Estado. É o que passa nalguns Estados unitários (por exemplo, o Reino Unido).
Existe uma flagrante analogia entre os conflitos internos regionais e os conflitos internos regionais e os conflitos internacionais. Assim grande parte dos critérios utilizados na resolução de conflitos internacionais.
As diferenças residem na impossibilidade de se atribuir à lei nacional a competência para a resolução dos problemas pertinentes ao estatuto pessoal sendo a conexão decisiva o domicílio, na impossibilidade de se invocar a ordem pública e na exequibilidade de pleno direito de sentenças proferidas num estado ou região nos outros estados ou regiões. 
Quando se remete para um ordenamento jurídico plurilegislativo deve-se ter em conta os critérios de direito conflitoal interno desse ordenamento.
2.6.2. Conflitos Internacionais e Conflitos Internos
B) Conflitos Interpessoais.
Os conflitos interpessoais derivam da coexistência mesmo Estado de várias leis para diferentes estratos da população por razões de ordem confessional ou étnica. Quando se remeta para uma legislação em que coexistem diversos sistemas legislativos pessoais a questão de lei aplicável é resolvida em harmonia com as normas de direito interpessoal dessa legislação. 
2.6.3. Direito Internacional Privado e Direito Privado Uniforme
O Direito Privado uniforme é direito material que tem por função uniformizar a regulamentação entre os vários Estados. O DIP tem a razão de ser na divergência das leis. O direito uniforme, por seu lado, procura eliminar essas diferenças. Quer isso dizer que, se algum dia a hipótese de um direito mundial se tornasse realidade o DIP se extinguira por extinção do seu pressuposto. 
A hipótese de um direito privado à escala mundial é, naturalmente, utópica. Porém, é perfeitamente possível, e tem sido realizada, a unificaçao do direito privado entre países ligados entre si por interesse económicos comuns e em determinadas matérias, sobre tudo no âmbito do direito mercantil. Basta pensar-se, por exemplo, no capítulo das letras, livranças e cheques, no das sociedades, da propriedade industrial, da concorrência desleal, dos seguros, etc. Raramente porém a unificação é completa, pelo que o DIP continuará valer na regulamentação das relações inter-individuais envolvendo sujeitos dos Estados não abrangidos ou entre estes e os sujeitos dos Estados abrangidos. 
2.6.3. Direito Internacional Privado e Direito Privado Uniforme
Muitas vezes a unificação do direito pode decorrer paralelamente com uma unificação de DIP. É o que acontece quando existindo uma lei uniforme se sinta também a necessidade de criação de regras de conflitos uniformes destinada a reger conflitos de leis nas matérias não abrangidas pela convenção uniforme mas que com elas estejam relacionadas. O exemplo típico desse decurso paralelo são as Convenções de Genebra de 1930 que estabelece uma lei uniforme em matéria de letras e livranças e a outra, do mesmo ano, estabelecendo certas normas para a resolução de certos conflitos de leis nesse mesmo domínio. É que a Lei Uniforme sobre Letras e Livranças não acabou inteiramente com as divergências legislativas em matéria cambiaria porque são muitos os problemas sobre os quais não toma posição. Por exemplo, não regula a capacidade cambiária, pelo que a convenção paralela vem criar uma regra de conflitos própria para indicar a lei competente para reger essa capacidade. 
2.6.4. Direito internacional privado e direito comparado. 
O DIP tem como função promover o reconhecimento e a aplicação no âmbito do Estrado em que vigora de conteúdos e preceitos jurídicos estrangeiros. Por virtude do DIP as múltiplas instituições jurídicas existentes nos diversos ordenamentos jurídicos tornam-se aplicáveis no ordenamento jurídico do foro.
Daí ser evidente a importância que o Direito comparado assume para o DIP. 
Várias são as funções que têm sido atribuídas ao direito comparado. 
Tem-lhe sido atribuídas funções utópicas como o de realização ou preparação de um direito à escala mundial.
Tem-lhe sido também atribuída a função de uniformização do direito privado em determinadas áreas específicas 
Há outros que lhe atribuem a função de procurar, no conjunto dos sistemas legislativos, os princípios básicos de todo o ordenamento jurídico e de todo o direito de modo a criar uma espécie de direito modelo em que todo o legislador interno se deveria inspirar.
2.6.4. Direito internacional privado e direito comparado. 
Para outros ainda a função é o de apurar quais os diferentes meios técnicos a que os vários legisladores de diferentes ordenamentos jurídicos se recorrem para levar a cabo funções sociais equivalentes. 
Independentemente da função atribuída ao direito comprado é inegável a importância e a utilidade do método comparativo e a necessidade da sua aplicação ao direito internacional privado. Com efeito, através do estudo comparado determina-se quais os diferentes meios técnicos que os diversos ordenamentos jurídicos se socorrem para realizar funções sociais equivalentes. Com esse estudo, vê-se como instituições diferentes desempenham nos diversos lugares funções análogas e, ao invés, como instituições aparentemente homólogas levam a cabo objectivos distintos. Isto permitirá que as razões da analogia e das divergências possam ser devidamente valoradas e entendidas, o que se reveste de extrema importância sobretudo no problema da qualificação..
2.6.5. Direito Internacional Privado e Direito de Valor Constitucional
A relação entre o DIP e o Direito Constitucional suscita várias questões.
A primeira é a de saber se as regras de conflitos são axiologicamente neutrais como por exemplo o são as regras (pelo menos algumas ) de trânsito. Isto é, se são regras susceptíveis de entrar em colisão com os preceitos constitucionais ou se, ao invés, o seu conteúdo é indiferente aos valores constitucionais.
A pergunta é pertinente na medida em que não têm como função, já o sabemos, defender a justiça material. 
Porém, a esta questão tem de responder-se que as regras de conflitos são susceptíveis de entrar em colisão com as regras constitucionais,, isto é, não são axiologicamente neutrais. ;
Em primeiro lugar porque os seus preceitos não são meros preceitos de ordem porque a ordem para que tendem não é arbitrária, cega a valores mas antes uma regulamentação orientada para certos fins, embora, diferentes dos fins de justiça material. A justiça a que tendem é de cunho eminentemente formal.
2.6.5. Direito Internacional Privado e Direito de Valor Constitucional
Por outro lado, O DIP actual mostra-se aberto a certos critérios de justiça material. Assim não pode ignorar os princípios que, exactamente porque ancorados na Lei Constitucional, figuram no quadro dos valores axiais do ordenamento jurídico do Estado. Assim, por exemplo, as regras de conflitos não podem ignorar o princípio da igualdade entre marido e mulher ou entre filhos na constância do casamento ou fora dele atribuindo, por exemplo, a competência para reger o estatuto conjugal a lei pessoal do marido ou estabelecer leis diferentes para reger a filiação consoante ela seja considerada legítima e ilegítima.. 
Conclui-se pois que as regras de conflitos, mesmo aquelas que determinam a escolha de lei independentemente do resultado, são susceptíveis de colidir com os preceitos constitucionais e de assim serem consideradas inconstitucionais.
Aliás, isso ficou bem evidente na reforma legislativa operada em Portugal em 1977, na sequência da entrada em vigor da Constituição de 1976, na qual vários preceitosde DIP foram alterados por serem considerados inconstitucionais. 
2.6.5. Direito Internacional Privado e Direito de Valor Constitucional
Uma outra questão que as relações entre o DIP e o Direito Constitucional levantam é a de saber até que ponto os tribunais do foro devem recusar a aplicação a um preceito ou complexo normativo estrangeiro, indiscutivelmente aplicável segundo as regras de conflitos do foro, mas que pelo seu conteúdo colidam com os preceitos constitucionais do estado do foro.
Quanto a essa questão o que se pode dizer é que os tribunais de um Estado devem recusar aplicação de um preceito jurídico estrangeiro que, pelo seu conteúdo, colida com algum dos princípios fundamentais consagrados na sua Constituição (no nosso caso na Lei Básica) mas só quando se verificarem as condições que decidem da intervenção da ordem pública internacional do ordenamento jurídico do foro.
Uma terceira questão que as relações entre o DIP e o Direito Constitucional suscitam é a de saber se os tribunais do foro devem recusar-se a aplicar um preceito ou conjunto de preceitos do direito estrangeiro considerado competente com fundamento na violação da Constituição do Estado a que esse preceito ou conjunto de preceitos pertencem.
Nos termos do artigo 22º do CCT a lei exterior ao Timor-Leste declarada aplicável e interpretada dentro do sistema a que pertence e de acordo com as regras interpretativas nele fixadas.
2.6.5. Direito Internacional Privado e Direito de Valor Constitucional
Assim, se dado preceito de direito estrangeiro não é aplicado pelos tribunais ordinários desse Estado por colidir com as suas regras constitucionais, cabe ao juiz de Macau tomar em consideração esse facto e abster-se também de o aplicar na medida em o julgador deve mover-se no quadro da lei estrangeira aplicanda e orientar-se pelos princípios nela fixados.
Não cabe ao juiz do foro sindicar a compatibilidade constitucional de preceitos de lei estrangeira, incumbindo-lhe aplicar a mesma lei como ela seria aplicada pelo juiz do respectivo sistema jurídico. Assim, assume relevância, ainda que indirecta, o facto de certa norma da lei competente considerada inconstitucional não ter aplicação nesse sistema. Do ponto de vista do foro, a referida relevância tem lugar, não por a norma ser inconstitucional, mas por ela não ser aplicável no sistema a que pertence.
Âmbito  do direito internacional privado 
 Ambito: Campo de acção
Na doutrina alemã é visto como um direito delimitador de fronteiras (embora também se ocupa do direito processual civil com especial destaque para o reconhecimento de sentenças estrangeiras)
Na escola anglo-saxónica – Private international Law, inclui o estudo da jurisdição competente (choice of jurisdiction), escolha de lei (choice of law) e o do reconhecimento de sentença estrangeira 
Na escola francesa inclui a nacionalidade, condição de estrangeiros, conflitos de leis e conflitos de jurisdições (alguns representantes apontavam a existência de uma questão autónoma – direitos adquiridos) 
No sistema português, por nós adoptado, o direito internacional privado, além das normas de conflitos de leis, abrange as normas de conflitos de jurisdições e os preceitos sobre o reconhecimento e a execução das sentenças estrangeiras em matéria de direito privado.

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