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Capítulo �: Execução das Despesas Públicas �. Doutrina: Conceitos Fundamentais A execução da despesa pública é o procedimento administrativo pelo qual o Estado realiza o gasto autorizado na lei orçamentária. Este processo é rigorosamente formal e divide-se em três estágios previstos na Lei �.���⁄��. Estágios da Despesa �. Empenho: É o ato emanado de autoridade competente que cria para o Estado obrigação de pagamento pendente ou não de implemento de condição. É a reserva da dotação orçamentária. Nenhuma despesa pode ser realizada sem prévio empenho. Tipos de empenho: Ordinário (valor exato), Estimativa (valor não determinável previamente, ex: conta de luz), Global (despesas contratuais sujeitas a parcelamento). �. Liquidação: Consiste na verificação do direito adquirido pelo credor tendo por base os títulos e documentos comprobatórios do respectivo crédito. É a fase em que o Estado atesta que o serviço foi prestado ou o bem foi entregue. �. Pagamento: É o despacho exarado por autoridade competente, determinando que a despesa seja paga. Consiste na entrega do numerário ao credor. Restos a Pagar São despesas empenhadas, mas não pagas até o dia �� de dezembro do exercício financeiro. Dividem-se em: Processados: Despesas já empenhadas e liquidadas (o credor já cumpriu sua parte). Não Processados: Despesas empenhadas, mas ainda não liquidadas. �. Legislação Aplicável (Texto Completo) Lei nº �.���⁄���� Art. ��. O empenho de despesa é o ato emanado de autoridade competente que cria para o Estado obrigação de pagamento pendente ou não de implemento de condição. Art. ��. É vedada a realização de despesa sem prévio empenho. § �º Em casos especiais previstos na legislação específica será dispensada a emissão da nota de empenho. Art. ��. A liquidação da despesa consiste na verificação do direito adquirido pelo credor tendo por base os títulos e documentos comprobatórios do respectivo crédito. § �º Essa verificação tem por fim apurar: I - a origem e o objeto do que se deve pagar; II - a importância exata a pagar; III - a quem se deve pagar a importância, para extinguir a obrigação. Art. ��. A ordem de pagamento é o despacho exarado por autoridade competente, determinando que a despesa seja paga. �. Jurisprudência Relevante Superior Tribunal de Justiça (STJ) Tema: Despesa sem Prévio Empenho e Enriquecimento Ilícito do Estado Ementa: REsp �.���.���/PB ADMINISTRATIVO. CONTRATO VERBAL COM A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. FORNECIMENTO DE MERCADORIAS. AUSÊNCIA DE LICITAÇÃO E DE PRÉVIO EMPENHO. DEVER DE INDENIZAR. VEDAÇÃO AO ENRIQUECIMENTO ILÍCITO. Embora a Lei �.���⁄�� vede a realização de despesa sem prévio empenho (art. ��) e a Lei �.���⁄�� exija licitação, se o particular comprova que efetivamente forneceu os bens ou prestou os serviços à Administração, esta tem o dever de indenizá-lo pelo valor de custo, sob pena de enriquecimento ilícito do Estado, sem prejuízo da apuração da responsabilidade do gestor que agiu à margem da lei. (STJ - REsp �.���.���/PB, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em ��/��/����) Análise: O STJ modula o rigor formal da Lei �.���⁄��. Se o Estado recebeu o bem, deve pagar (indenizar), mesmo sem o empenho prévio, para não se enriquecer ilicitamente. Contudo, o gestor que violou a regra do empenho prévio deve ser responsabilizado.