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Capítulo �: Atividade Financeira do Estado �. Doutrina: Conceitos Fundamentais A atividade financeira do Estado consiste no conjunto de ações desenvolvidas pelo ente estatal com o objetivo de obter, gerir e aplicar os recursos financeiros necessários para a consecução de seus fins, que se traduzem na satisfação das necessidades públicas. Segundo a doutrina majoritária (incluindo Carlos Alberto de Moraes Ramos Filho e Pedro Lenza), a atividade financeira do Estado desdobra-se em quatro vertentes principais: �. Obtenção de receitas: Arrecadação de recursos (tributos, preços públicos, empréstimos). �. Criação de crédito público: Captação de recursos de terceiros quando as receitas ordinárias são insuficientes. �. Gestão do patrimônio: Administração dos bens e valores pertencentes ao Estado. �. Realização de despesas: Aplicação dos recursos na prestação de serviços públicos e investimentos. A atividade financeira tem natureza instrumental, pois não é um fim em si mesma, mas um meio para que o Estado alcance seus objetivos constitucionais (art. �º da CF/��). �. Legislação Aplicável (Texto Completo) A atividade financeira do Estado encontra seu fundamento principal na Constituição Federal de ����, especialmente no Título VI (Da Tributação e do Orçamento). Constituição Federal de ���� Art. �º Constituem objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil: I - construir uma sociedade livre, justa e solidária; II - garantir o desenvolvimento nacional; III - erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais; IV - promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação. Art. ���. Lei complementar disporá sobre: I - finanças públicas; II - dívida pública externa e interna, incluída a das autarquias, fundações e demais entidades controladas pelo Poder Público; III - concessão de garantias pelas entidades públicas; IV - emissão e resgate de títulos da dívida pública; V - fiscalização financeira da administração pública direta e indireta; VI - operações de câmbio realizadas por órgãos e entidades da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios; VII - compatibilização das funções das instituições oficiais de crédito da União, resguardadas as características e condições operacionais plenas das voltadas ao desenvolvimento regional. Lei nº �.���⁄���� (Estatui Normas Gerais de Direito Financeiro) Art. �º Esta lei estatui normas gerais de direito financeiro para elaboração e contrôle dos orçamentos e balanços da União, dos Estados, dos Municípios e do Distrito Federal, de acôrdo com o disposto no art. �º, inciso XV, letra b, da Constituição Federal. �. Jurisprudência Relevante Supremo Tribunal Federal (STF) Tema: Limites da Atividade Financeira e Princípio da Reserva do Possível Ementa: ADPF �� / DF - DISTRITO FEDERAL ARGÜIÇÃO DE DESCUMPRIMENTO DE PRECEITO FUNDAMENTAL. VETO PRESIDENCIAL A DISPOSITIVO DE LEI DE DIRETRIZES ORÇAMENTÁRIAS. ALEGADA OFENSA AO PRINCÍPIO DA SEPARAÇÃO DOS PODERES. NÃO-OCORRÊNCIA. A atividade financeira do Estado está sujeita a estritos limites constitucionais e legais. A intervenção do Poder Judiciário em políticas públicas, embora possível em casos excepcionais para garantir o mínimo existencial, encontra limite na reserva do possível, que traduz a limitação de recursos financeiros do Estado. A alocação de recursos públicos é, primariamente, tarefa dos Poderes Legislativo e Executivo. (STF - ADPF ��, Relator: Min. Celso de Mello, Julgamento: ��/��/����) Análise: Esta decisão histórica do STF estabelece que a atividade financeira do Estado (especialmente a realização de despesas) é limitada pela disponibilidade de recursos (“reserva do possível”). O Judiciário reconhece que o Estado não tem recursos infinitos para satisfazer todas as necessidades públicas, devendo priorizar o “mínimo existencial”. Superior Tribunal de Justiça (STJ) Tema: Natureza Pública dos Recursos e Prestação de Contas Ementa: REsp �.���.���/MG ADMINISTRATIVO. RECURSOS PÚBLICOS. TRANSFERÊNCIA A ENTIDADE PRIVADA. PRESTAÇÃO DE CONTAS. OBRIGATORIEDADE. A atividade financeira do Estado envolve não apenas a arrecadação, mas a rigorosa gestão e aplicação dos recursos. Qualquer pessoa, física ou jurídica, pública ou privada, que utilize, arrecade, guarde, gerencie ou administre dinheiros, bens e valores públicos tem o dever constitucional de prestar contas (art. ��, parágrafo único, da CF/��). (STJ - REsp �.���.���/MG, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em ��/��/����) Análise: O STJ reforça que a atividade financeira do Estado atrai um regime jurídico de direito público rigoroso, impondo o dever de prestar contas a qualquer um que gerencie recursos estatais, independentemente de sua natureza jurídica.