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Meios de Prova no CPC

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DIREITO PROCESSUAL CIVIL - CONHECIMENTO 
FACULDADE ANHANGUERA DE BETIM 
MEIOS DE PROVA NO CPC/2015 
(arts. 384 a 484 do Código de Processo Civil) 
1. Introdução 
Os meios de prova são os instrumentos processuais utilizados para investigar, demonstrar 
e reconstruir os fatos relevantes ao julgamento. Eles não se confundem com as fontes de 
prova: o meio é a categoria jurídica admitida pelo processo, como prova testemunhal, 
documental ou pericial; a fonte é o elemento concreto de onde a informação será extraída, 
como determinada testemunha, certo contrato, uma fotografia, um laudo ou um objeto. 
O CPC adota uma lógica aberta quanto aos meios probatórios, pois o art. 369 permite às 
partes utilizar todos os meios legais e moralmente legítimos, ainda que não estejam 
expressamente previstos no Código, desde que sirvam para provar os fatos que fundamentam 
o pedido ou a defesa e influenciar a convicção do juiz. Assim, o rol tradicional (prova 
documental, ata notarial, prova pericial, inspeção judicial, prova testemunhal, depoimento 
pessoal e confissão) não é taxativo. 
A admissibilidade da prova, porém, sempre depende de licitude, pertinência, utilidade e 
respeito ao contraditório, cabendo ao juiz controlar a instrução probatória, admitir as provas 
necessárias e indeferir as inúteis ou protelatórias, conforme os arts. 370 e 371 do CPC. 
 
2. Meios de prova 
São meios de prova expressamente previsto no código de processo civil brasileiro: 
• A confissão. 
• A ata notarial. 
• O depoimento pessoal das partes. 
• A prova testemunhal. 
• A prova documental. 
• A prova pericial. 
• A inspeção judicial. 
Todos esses meios de prova devem ser compreendidos em diálogo com os princípios 
gerais da prova. O juiz aprecia o conjunto probatório sem hierarquia formal entre os meios, 
nos termos do art. 371 do CPC, mas deve fundamentar racionalmente por que atribuiu maior 
ou menor força a cada elemento. Também pode utilizar regras de experiência comum e 
 
 
 
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técnica, conforme art. 375 do CPC, mas sem substituir a perícia quando o fato exigir 
conhecimento especializado. 
A prova ilícita, por sua vez, permanece inadmissível, conforme art. 5º, LVI, da Constituição 
Federal, e a licitude deve ser observada tanto no meio de obtenção quanto na forma de 
produção. Assim, o sistema probatório do CPC combina liberdade probatória, contraditório, 
fundamentação e controle de licitude, permitindo que cada meio de prova seja utilizado 
conforme sua função própria e seus limites específicos. 
 
2.1 Prova Documental: 
A prova documental é o meio de prova que se funda em uma representação material 
de fatos, declarações ou relações jurídicas. Embora normalmente se associe documento a 
papel escrito, o CPC admite concepção ampla: documentos podem consistir em escritos, 
fotografias, gravações, registros audiovisuais, arquivos eletrônicos, reproduções mecânicas, 
fonográficas, cinematográficas e outras formas materiais de registro, conforme o art. 422 do 
CPC, além dos documentos eletrônicos regulados pela Lei n. 11.419/2006. 
Sua principal peculiaridade é ser uma fonte passiva de informação: o juiz extrai o 
conteúdo do próprio suporte documental, sem depender, em regra, da atuação de uma 
pessoa para narrar o fato, como ocorre na prova testemunhal, ou de um especialista para 
interpretá-lo tecnicamente, como ocorre na perícia. 
A prova documental deve ser produzida, em regra, pela juntada dos documentos com 
a petição inicial e com a contestação, conforme o art. 434 do CPC. Essa regra se conecta à 
lógica da estabilização inicial da controvérsia: o autor deve instruir sua demanda com os 
documentos que sustentam sua pretensão, e o réu deve trazer os documentos que 
fundamentam sua defesa. O art. 435, contudo, admite juntada posterior de documentos 
novos, especialmente quando destinados a provar fatos supervenientes ou a contrapor 
documentos já produzidos nos autos. 
A jurisprudência costuma interpretar essa regra com certa flexibilidade, distinguindo 
documentos indispensáveis à propositura da ação (que devem acompanhar a inicial) de 
documentos úteis ou complementares, que podem ser admitidos posteriormente, desde que 
assegurado o contraditório à parte contrária, normalmente com prazo para manifestação. 
 
 
 
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Quanto à classificação, os documentos podem ser públicos ou particulares; autógrafos 
ou heterógrafos; narrativos ou dispositivos; solenes ou não solenes. O documento público é 
aquele formado por agente público no exercício de suas funções e possui força probante 
específica: nos termos do art. 405 do CPC, prova sua formação e os fatos que o servidor, 
tabelião ou agente público declarar que ocorreram em sua presença. Isso não significa, porém, 
que todo conteúdo narrado por terceiro dentro do documento público seja automaticamente 
verdadeiro. Um boletim de ocorrência, por exemplo, prova que determinada pessoa 
compareceu à autoridade policial e declarou certos fatos; não prova, por si só, que esses fatos 
ocorreram exatamente como narrados. Já o documento particular escrito e assinado presume 
verdadeiras as declarações nele constantes em relação ao signatário, conforme o art. 408 do 
CPC, mas essa presunção é relativa e pode ser afastada por outros elementos de prova. 
A força probante dos documentos também sofre regras específicas quanto às 
reproduções. A cópia de documento particular pode ter o mesmo valor probante do original, 
nos termos do art. 424 do CPC, especialmente se autenticada ou se não houver impugnação 
específica. As reproduções de documentos públicos autenticadas por oficial público ou 
conferidas em cartório fazem a mesma prova que os originais, conforme o art. 425, III. 
Também fazem prova equivalente as cópias de peças processuais declaradas autênticas pelo 
advogado, se não impugnadas, conforme o art. 425, IV, e as reproduções digitalizadas juntadas 
por órgãos públicos, advogados, Ministério Público, Defensoria e auxiliares da justiça, 
ressalvada impugnação fundamentada de adulteração, conforme o art. 425, VI. 
 
a) exibição de documentos: 
A prova documental também pode envolver a exibição de documento ou coisa. 
Quando o documento está em repartição pública, o juiz pode requisitá-lo nos termos do art. 
438 do CPC, de ofício ou a requerimento da parte. Quando está em poder da parte contrária 
ou de terceiro, aplica-se o procedimento de exibição previsto nos arts. 396 a 404. 
Se o pedido for dirigido contra a parte contrária, deve individualizar o documento ou 
a categoria de documentos, indicar a finalidade probatória e demonstrar as razões pelas quais 
se afirma que o documento existe e está em poder do adversário, conforme art. 397. O 
requerido pode apresentar o documento, negar sua posse ou alegar motivo legítimo de 
recusa, nos termos do art. 404. Se a parte se recusar injustificadamente ou silenciar, o juiz 
 
 
 
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poderá presumir verdadeiros os fatos que se pretendia provar pelo documento, conforme art. 
400, sem prejuízo de medidas coercitivas se a exibição for indispensável. 
Quando a exibição é dirigida a terceiro, a situação é mais rigorosa: o terceiro não tem 
apenas ônus, mas dever de cumprir a ordem judicial. O pedido assume natureza de ação 
incidente, com citação do terceiro para resposta, conforme art. 401. Se houver necessidade 
de prova, o juiz poderá designar audiência, conforme art. 402. Descumprida a determinação, 
o art. 403 autoriza medidas como mandado de apreensão, requisição de força policial, multa 
e responsabilização por desobediência. A diferença é importante: contra a parte, a 
consequência típica é probatória; contra terceiro, a consequência é também coercitiva. 
b) falsidade de documentosprobatórios: 
Ainda no campo documental, a falsidade pode ser arguida nos termos dos arts. 430 a 
433 do CPC. A parte contra quem o documento foi produzido pode suscitar falsidade na 
contestação, na réplica ou no prazo de quinze dias a contar da intimação da juntada do 
documento. 
A falsidade pode ser tratada como questão incidental, sem coisa julgada material, ou 
como questão principal, caso em que a decisão constará do dispositivo e produzirá coisa 
julgada. O art. 427 distingue a falsidade consistente em formar documento não verdadeiro 
daquela resultante de alterar documento verdadeiro. A falsidade material recai sobre o 
suporte do documento; a ideológica, sobre o conteúdo. 
Em regra, o incidente se mostra mais adequado à falsidade material, porque o art. 432 
prevê perícia, embora se admita discussão sobre falsidade ideológica em situações nas quais 
o documento tenha caráter meramente narrativo e o reconhecimento da falsidade não 
implique desconstituição de situação jurídica. 
 
2.2 Ata Notarial: 
A ata notarial é meio de prova expressamente previsto no art. 384 do CPC. Trata-se de 
documento público lavrado por tabelião, a requerimento do interessado, destinado a atestar 
a existência ou o modo de existir de determinado fato. 
Sua peculiaridade está no fato de ser produzida extrajudicialmente, antes ou fora do 
processo, mas com fé pública. O tabelião não interpreta juridicamente o fato nem declara 
vontade negocial das partes; ele registra aquilo que percebe pelos sentidos, como o conteúdo 
 
 
 
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de uma página da internet, o estado de conservação de um imóvel, a existência de mensagens, 
imagens, sons, assembleias, reuniões ou situações materiais. 
Por isso, a ata notarial é especialmente útil para documentar fatos transitórios, 
instáveis ou sujeitos a desaparecimento, como publicações em redes sociais, conversas 
eletrônicas, anúncios, ofensas virtuais, funcionamento de sistemas, estado de bens ou 
ocorrências que talvez não possam ser reproduzidas futuramente. 
A validade da ata notarial depende da atuação de tabelião competente, da descrição 
objetiva do fato constatado e da possibilidade de apreensão sensorial da situação 
documentada. A fé pública recai sobre aquilo que o tabelião constatou, e não 
necessariamente sobre a verdade intrínseca de todas as declarações de terceiros registradas 
no ato. Assim, se o tabelião acessa uma página e registra seu conteúdo, há presunção de que 
aquele conteúdo existia naquele momento; mas, se alguém faz uma declaração perante ele, 
a ata prova a existência da declaração, não obrigatoriamente a veracidade do fato declarado. 
Sua produção não exige prévio contraditório, porque é extrajudicial; mas, uma vez 
juntada ao processo, deve ser submetida à manifestação da parte contrária e à valoração 
judicial conforme o art. 371 do CPC. 
 
2.3 Prova Pericial 
A prova pericial é o meio adequado quando a demonstração do fato controvertido 
depende de conhecimento técnico ou científico. Sua base está nos arts. 156 e 464 a 480 do 
CPC. Ela será necessária quando o juiz e as partes precisarem de esclarecimento especializado 
em áreas como medicina, engenharia, contabilidade, informática, avaliação patrimonial, 
grafotecnia ou outras áreas técnicas. 
O juiz, ainda que possua conhecimento técnico pessoal, não deve substituir o perito, 
pois a perícia é produzida sob contraditório, com possibilidade de formulação de quesitos, 
indicação de assistentes técnicos, acompanhamento das diligências e manifestação sobre o 
laudo. 
A perícia pode consistir em exame, vistoria ou avaliação, conforme art. 464 do CPC. O 
exame recai sobre pessoas ou coisas para extrair informações técnicas; a vistoria 
normalmente incide sobre bens, especialmente imóveis, para verificar seu estado, danos ou 
condições; e a avaliação busca atribuir valor econômico a determinado bem ou direito. A 
 
 
 
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perícia só deve ser deferida quando houver fato controvertido que dependa de conhecimento 
especializado. O art. 464, §1º, autoriza o indeferimento quando a prova do fato não depender 
de conhecimento técnico, quando for desnecessária diante de outras provas ou quando a 
verificação for impraticável. 
O perito é auxiliar da justiça, nomeado pelo juiz entre profissionais legalmente 
habilitados e inscritos em cadastro do tribunal, conforme arts. 156 e seguintes do CPC. Deve 
possuir conhecimento técnico adequado, cumprir o encargo com diligência e observar o prazo 
fixado pelo juiz. Pode escusar-se por motivo legítimo, impedimento ou suspeição, e pode ser 
substituído se não tiver conhecimento necessário ou deixar de cumprir o encargo 
injustificadamente, nos termos do art. 468. O perito não decide a causa e não deve emitir juízo 
jurídico; sua função é fornecer subsídios técnicos para que o juiz decida. Se prestar 
informações inverídicas por dolo ou culpa, sujeita-se às sanções do art. 158 do CPC. 
As partes participam da prova pericial por meio de quesitos e assistentes técnicos. 
Após a nomeação do perito, as partes têm prazo, em regra, de quinze dias para indicar 
assistentes e apresentar quesitos, conforme art. 465, §1º. Os assistentes técnicos são 
profissionais de confiança das partes, não do juízo, razão pela qual não se submetem às 
mesmas regras de impedimento e suspeição aplicáveis ao perito. Eles acompanham a perícia, 
podem apresentar parecer técnico e criticar o laudo. O perito e os assistentes podem utilizar 
todos os meios necessários ao desempenho da função, como ouvir pessoas, obter 
informações, solicitar documentos, elaborar planilhas, mapas, fotografias e outros elementos, 
nos limites do art. 473, §3º. 
O procedimento pericial é dirigido pelo juiz. Cabe a ele delimitar a questão técnica 
controvertida, nomear o perito, fixar prazo, controlar os quesitos, indeferir os impertinentes, 
assegurar o contraditório e fiscalizar a atuação do auxiliar. As partes devem ser intimadas da 
data e local do início da produção da prova, conforme art. 474. O laudo deve ser apresentado 
em prazo fixado pelo juiz, e as partes têm prazo comum de quinze dias para se manifestar e 
apresentar pareceres de seus assistentes, nos termos do art. 477, §1º. Se necessário, o perito 
pode ser ouvido em audiência para prestar esclarecimentos, desde que previamente intimado 
dos quesitos a serem respondidos, conforme art. 477, §§3º e 4º. 
O juiz não fica vinculado ao laudo pericial. Pelo art. 479 do CPC, pode formar seu 
convencimento com base em outros elementos dos autos, desde que fundamente a razão de 
 
 
 
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acolher ou rejeitar a conclusão técnica. Se o laudo for insuficiente, obscuro, contraditório ou 
incompleto, pode determinar esclarecimentos, substituição do perito ou realização de 
segunda perícia, conforme art. 480. Também se admite prova técnica simplificada, prevista no 
art. 464, §2º, quando o ponto controvertido for de menor complexidade; nesse caso, em vez 
de laudo formal, o juiz ouve especialista em audiência, com possibilidade de perguntas pelas 
partes. 
Quanto às despesas, a perícia é custeada inicialmente pela parte que a requereu; se 
determinada de ofício ou requerida por ambas, o valor é rateado, conforme art. 95 do CPC. 
Cada parte custeia o assistente técnico que indicou. Ao final, a sentença atribuirá ao vencido 
o pagamento das despesas processuais, conforme art. 82, §2º. A inversão do ônus da prova 
não implica automaticamente inversão do dever de antecipar despesas, embora possa fazer 
com que a parte a quem foi atribuído o ônus tenha interesse processual em produzir e custear 
a prova. 
 
2.4 Inspeção Judicial 
A inspeção judicial, prevista nos arts. 481 a 484 do CPC, é o meio de prova pelo qual o 
própriojuiz examina diretamente pessoas ou coisas para esclarecer fato relevante ao 
julgamento. Sua peculiaridade é a imediação: diferentemente da perícia, em que o juiz recebe 
a informação por intermédio do perito, na inspeção o magistrado percebe diretamente o 
objeto examinado. Ela pode ser determinada de ofício ou a requerimento das partes, em 
qualquer fase do processo, e costuma ter função complementar, especialmente quando as 
demais provas não esclarecem suficientemente a situação. 
A inspeção pode recair sobre pessoas, bens móveis, imóveis, locais, objetos ou 
situações materiais que precisem ser visualizadas. O juiz pode ser assistido por um ou mais 
peritos, conforme art. 482, mas isso não transforma a inspeção em perícia, porque a 
percepção principal continua sendo do magistrado. As partes têm direito de acompanhar a 
diligência, prestar esclarecimentos e formular observações. 
Se a coisa ou pessoa puder ser apresentada em juízo, o exame ocorrerá no fórum; caso 
contrário, o juiz se deslocará ao local onde se encontra, nas hipóteses do art. 483. Ao final, 
será lavrado auto circunstanciado, registrando tudo que for relevante, conforme art. 484. 
 
 
 
 
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2.5 Prova Testemunhal 
A prova testemunhal é o meio de prova consistente na inquirição de pessoas estranhas 
ao processo sobre fatos relevantes e controvertidos. Está disciplinada nos arts. 442 a 463 do 
CPC. É uma prova pessoal e oral, produzida, em regra, em audiência de instrução e julgamento. 
Apesar das críticas quanto à fragilidade da memória humana, à influência emocional e à 
possibilidade de distorções, ela continua sendo meio fundamental de prova, especialmente 
quando os fatos ocorreram sem documentação ou quando a prova documental precisa ser 
contextualizada. Não há hierarquia que coloque a testemunhal abaixo da documental ou da 
pericial; cabe ao juiz valorar o depoimento em conjunto com o restante das provas, conforme 
art. 371 do CPC. 
A regra geral é a admissibilidade da prova testemunhal, conforme art. 442 do CPC, 
salvo disposição legal em contrário. O art. 443 impõe limites: o juiz deve indeferir a oitiva 
quando o fato já estiver provado por documento ou confissão, ou quando só puder ser 
provado por documento ou perícia. A prova testemunhal também não é admitida para 
demonstrar questões jurídicas, pois testemunha depõe sobre fatos, não sobre direito. 
Em relação aos negócios jurídicos, há três situações: se a lei exige instrumento público 
como substância do ato, aplica-se o art. 406 do CPC e a prova testemunhal não supre a forma; 
se o negócio é de forma livre, pode ser provado por testemunhas sem restrição fundada 
apenas no valor; se a lei exige prova escrita da obrigação, admite-se prova testemunhal como 
complementar quando houver começo de prova por escrito emanado da parte contra quem 
se pretende produzir a prova, conforme art. 444, ou quando o credor não podia, moral ou 
materialmente, obter prova escrita, conforme art. 445. O art. 446 ainda admite prova 
testemunhal para demonstrar simulação e vícios de consentimento. 
A testemunha deve ser pessoa física, alheia ao processo e capaz de prestar 
informações sobre os fatos. Pessoas jurídicas não são testemunhas; seus representantes 
podem prestar depoimento como parte, quando for o caso, ou funcionários/prepostos podem 
ser ouvidos como testemunhas se não forem parte e tiverem conhecimento dos fatos. As 
partes não são testemunhas: são ouvidas por depoimento pessoal ou interrogatório. 
Existem limitações à capacidade testemunhal por impedimento ou suspeição. O art. 
447 do CPC prevê restrições à prova testemunhal por incapacidade, impedimento e suspeição. 
São incapazes, por exemplo, o interdito por enfermidade ou deficiência mental, quem não 
 
 
 
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podia discernir os fatos ao tempo em que ocorreram ou não consegue transmiti-los ao tempo 
do depoimento, o menor de dezesseis anos e o cego ou surdo quando o conhecimento do fato 
depender do sentido que lhe falta. Essa regra deve ser compatibilizada com o Estatuto da 
Pessoa com Deficiência, garantindo recursos de tecnologia assistiva sempre que possível. 
Já os impedimentos do art. 447, § 2º, decorrem de vínculos objetivos com as partes ou 
com o processo. Incluem cônjuge, companheiro, ascendentes, descendentes e colaterais até 
o terceiro grau de alguma das partes, salvo exceções legais; a própria parte; e quem intervém 
em nome da parte, como representante legal, advogado, juiz ou outros que assistam ou 
tenham assistido as partes. 
Por outro lado, a suspeição, prevista no art. 447, § 3º, envolve situações subjetivas que 
podem comprometer a imparcialidade, como amizade íntima, inimizade ou interesse no 
litígio. A relação de emprego, por si só, não torna a testemunha suspeita; é preciso verificar 
se há circunstância concreta que comprometa sua isenção. 
Havendo impedimento ou suspeição, a contradita é o instrumento utilizado pela parte 
contrária para arguir incapacidade, impedimento ou suspeição da testemunha, antes do início 
do depoimento, nos termos do art. 457 do CPC. Deve ser fundamentada. O juiz ouvirá a 
testemunha sobre a alegação e, se houver negativa, poderá permitir prova da contradita, 
inclusive por documentos ou até três testemunhas apresentadas no ato. 
Entretanto, mesmo pessoas incapazes, impedidas ou suspeitas podem ser ouvidas 
quando necessário, conforme art. 447, §§ 4º e 5º. Nesse caso, prestam declarações sem 
compromisso, e o juiz atribui ao depoimento o valor que entender adequado. Essa regra é 
relevante em casos em que não há outras fontes de prova ou em que a pessoa, embora 
tecnicamente impedida, foi a única que presenciou os fatos. 
A produção da prova testemunhal exige arrolamento prévio, intimação e observância 
de regras procedimentais. O número de testemunhas, como regra geral, é limitado pelo art. 
357, § 6º, do CPC: até dez testemunhas no total, sendo no máximo três para cada fato, sem 
prejuízo de o juiz limitar o número quando as circunstâncias justificarem. 
A testemunha deve comparecer à audiência, dizer a verdade e responder às perguntas. 
O depoimento é considerado serviço público, conforme art. 463 do CPC, razão pela qual a 
testemunha não pode sofrer desconto salarial ou prejuízo funcional pelo comparecimento. Se 
 
 
 
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intimada e não comparecer injustificadamente, pode ser conduzida coercitivamente e 
responder pelas despesas do adiamento, nos termos do art. 455, § 5º, e art. 461 do CPC. 
Quando residir em outra comarca, seção ou subseção, poderá ser ouvida por carta 
precatória ou por videoconferência, conforme art. 453, § 1º. A inquirição segue o modelo do 
art. 459 do CPC, com perguntas formuladas diretamente pelos advogados, sob controle do 
juiz, que indeferirá perguntas impertinentes, repetitivas, capciosas ou que induzam resposta. 
 
2.6 Depoimento Pessoal 
O depoimento pessoal é meio de prova pelo qual uma parte requer a oitiva da parte 
adversária para que ela esclareça fatos relevantes e, eventualmente, confesse fatos contrários 
ao seu interesse. Está previsto nos arts. 385 a 388 do CPC. 
Sua finalidade principal é provocar confissão, razão pela qual, tecnicamente, ninguém 
requer o próprio depoimento pessoal: quem requer é a parte contrária. O Ministério Público, 
quando atua como fiscal da ordem jurídica, também pode requerer, segundo entendimento 
admitido no material. O juiz pode ouvir as partes de ofício, mas isso não é propriamente 
depoimento pessoal; trata-se de interrogatório, previsto no art. 139, VIII, do CPC. 
Quem presta depoimento pessoal é a parte. Se a parte for pessoa jurídica, o 
depoimento será prestado por representante legal ou, conforme a utilidade concreta, por 
prepostoou pessoa que efetivamente tenha conhecimento dos fatos. Se absolutamente 
incapaz, depõe por representante legal; se relativamente incapaz, pode depor pessoalmente. 
Há discussão doutrinária e jurisprudencial sobre depoimento por procurador, prevalecendo a 
possibilidade quando houver poderes especiais para confessar, já que a confissão é a 
finalidade principal desse meio de prova. 
O depoimento pessoal da parte contrária é requirido na petição inicial (pelo autor) na 
contestação (pelo réu) ou na fase de especificação de provas (por ambos). A parte deve ser 
intimada pessoalmente para comparecer à audiência, com advertência de que o não 
comparecimento injustificado ou a recusa em depor poderá gerar pena de confissão, 
conforme art. 385, § 1º. Essa confissão é ficta e produz presunção relativa de veracidade, a 
ser analisada em conjunto com as demais provas. 
O depoimento é colhido em audiência, diretamente pelo juiz, e, depois das perguntas 
judiciais, podem formular perguntas o advogado da parte contrária e o Ministério Público, 
 
 
 
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quando atuar. Não há reperguntas pelo advogado do próprio depoente. Se ambas as partes 
forem depor, primeiro são ouvidos os autores e depois os réus; quem ainda não depôs não 
deve assistir ao depoimento da outra parte, para evitar contaminação do relato. A parte deve 
responder oralmente, podendo consultar apenas notas breves para complementar 
esclarecimentos. 
Há limites ao dever de depor. O art. 388 do CPC dispensa a parte de responder sobre 
fatos criminosos ou torpes que lhe forem imputados, fatos sobre os quais deva guardar sigilo 
por estado ou profissão, e fatos cuja resposta possa gerar desonra própria, de cônjuge, 
companheiro ou parente em grau sucessível. Essas dispensas, entretanto, não se aplicam às 
ações de estado e de família. Além disso, o juiz deve valorar o depoimento como um todo, 
não apenas a parte confessória, porque a parte pode trazer esclarecimentos relevantes que, 
embora não configurem confissão, auxiliem na reconstrução dos fatos. 
 
2.7 Interrogatório das partes 
O interrogatório das partes, embora muitas vezes confundido com o depoimento 
pessoal, tem finalidade diferente. Ele é autorizado pelo art. 139, VIII, do CPC e consiste na 
oitiva da parte determinada pelo juiz para esclarecer fatos que permanecem obscuros ou 
confusos. 
É meio complementar de esclarecimento, não instrumento de provocação de confissão 
pela parte adversária. Por isso, pode ser determinado de ofício e não gera pena de confissão 
em caso de ausência. A ausência da parte, contudo, pode ser valorada negativamente pelo 
juiz, dentro do livre convencimento motivado, caso o esclarecimento fosse relevante e a parte 
tenha deixado de colaborar. 
No interrogatório, os advogados de ambas as partes e o Ministério Público podem 
participar e formular perguntas. A diferença central, portanto, é esta: no depoimento pessoal, 
a iniciativa é da parte contrária e a finalidade típica é obter confissão; no interrogatório, a 
iniciativa é do juiz e a finalidade é esclarecer fatos para melhor julgamento. 
 
2.8 Confissão 
A confissão, prevista nos arts. 389 a 395 do CPC, é a declaração pela qual a parte 
reconhece a veracidade de fato contrário ao seu interesse e favorável ao adversário. Ela não 
 
 
 
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se confunde com reconhecimento jurídico do pedido nem com renúncia ao direito. A confissão 
recai sobre fatos; o reconhecimento do pedido e a renúncia envolvem disposição sobre o 
direito material e podem levar à extinção do processo com resolução de mérito. A confissão, 
ao contrário, é elemento de prova que será considerado pelo juiz na formação de seu 
convencimento. 
A confissão pode ser judicial ou extrajudicial. A judicial é feita no processo, oralmente 
no depoimento pessoal ou por escrito em petição, contestação, réplica ou outra 
manifestação. Pode ser espontânea, quando a parte confessa por iniciativa própria, ou 
provocada, quando decorre das respostas dadas em depoimento pessoal. A extrajudicial 
ocorre fora do processo e precisará ser provada, por documento ou por testemunhas, 
observadas as limitações legais. A confissão também pode ser expressa ou ficta. A expressa 
decorre de manifestação clara da parte. A ficta resulta de omissão processual, como não 
contestar, não comparecer ao depoimento pessoal regularmente intimado ou comparecer e 
recusar-se a depor. 
A consequência da confissão é a dispensa de prova sobre o fato confessado, conforme 
art. 374, II, do CPC. Porém, no sistema atual, ela não é prova absoluta nem “rainha das provas”. 
Deve ser confrontada com os demais elementos dos autos, porque o juiz decide pelo livre 
convencimento motivado. 
Contudo, há restrições importantes sobre a utilização deste meio de prova: não se 
admite confissão sobre fatos relativos a direitos indisponíveis, conforme art. 392 do CPC; a 
confissão feita por representante somente é eficaz nos limites dos poderes de representação; 
e, como regra, a confissão é indivisível, não podendo a parte adversária aproveitar apenas o 
trecho favorável e rejeitar o restante, salvo quando houver fatos novos, distintos ou 
autônomos que possam ser separados. A confissão também pode ser invalidada nas hipóteses 
legais, especialmente quando decorrer de erro de fato ou coação, nos termos do art. 393 do 
CPC.

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