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08/04/2020 1 TEMA: CIMENTO PORTLAND E CONCRETO DE CIMENTO PORTLAND Eng. Civil, MSc. Danilo Gonçalves Batista Goiânia – GO 2020/1 DISCIPLINA: MATERIAIS NATURAIS E ARTIFICIAIS ENG. CIVIL, UNICEUG – 4º5º PERÍODOS TURMAS: ENG. CIVIL E ARQUITETURA E URB. ✓HISTÓRICO ✓O engenheiro John Smeaton, por volta de 1756, procurava um aglomerante que endurecesse mesmo em presença de água, de modo a facilitar o trabalho de reconstrução do farol de Edystone, na Inglaterra. Em suas tentativas, verificou que uma mistura calcinada de calcário e argila tornava-se, depois de seca, tão resistente quanto as pedras utilizadas nas construções. ✓Coube, entretanto, a um pedreiro, Joseph Aspdin, em 1824, patentear a descoberta, batizando-a de cimento Portland, numa referência à Portlandstone, tipo de rocha arenosa muito usada em construções na região de Portland, Inglaterra. No pedido de patente constava que o calcário era moído com argila, em meio úmido, até transformar-se em pó impalpável. A água era evaporada pela exposição ao sol ou por irradiação de calor através de cano com vapor. Os blocos da mistura seca eram calcinados em fornos e depois moídos bem finos. Poucos anos antes, na França, o engenheiro e pesquisador Louis Vicat publicou o resultado de suas experiências contendo a teoria básica para produção e emprego de um novo tipo de aglomerante: o cimento artificial. ✓Aquele produto, no entanto, exceto pelos princípios básicos, estava longe do cimento Portland que atualmente se conhece, resultante de pesquisas que determinam as proporções adequadas da mistura, o teor de seus componentes, o tratamento térmico requerido e a natureza química dos materiais. ✓O cimento Portland desencadeou uma verdadeira revolução na construção, pelo conjunto inédito de suas propriedades de moldabilidade, hidraulicidade (endurecer tanto na presença do ar como da água), elevadas resistências aos esforços e por ser obtido a partir de matérias-primas relativamente abundantes e disponíveis na natureza. (LIMA, 2011) F U N D A M E N T A Ç Ã O T E Ó R IC A Prof. MSc. Danilo Gonçalves Batista MATERIAIS NATURAIS E ARTIFICIAIS – CIMENTO PORTLAND Figura extraída de: biclaranja.blogs.sapo.pt Figura extraída de: https://en.wikipedia.org/wiki/Portland_stone 1 2 https://biclaranja.blogs.sapo.pt/334504.html https://biclaranja.blogs.sapo.pt/334504.html https://en.wikipedia.org/wiki/Portland_stone 08/04/2020 2 ✓DEFINIÇÕES ✓O cimento Portland é um "Aglomerante hidráulico produzido pela moagem do clínquer, que consiste essencialmente de silicatos e aluminatos de cálcio hidráulicos, usualmente com uma ou mais formas de sulfato de cálcio como um produto de adição” (ASTM C 150). F U N D A M E N T A Ç Ã O T E Ó R IC A Prof. MSc. Danilo Gonçalves Batista MATERIAIS NATURAIS E ARTIFICIAIS – CIMENTO PORTLAND ✓O Clínquer é composto por "Nódulos de 5 a 25 mm de diâmetro de um material sinterizado, produzido quando uma mistura de matérias- primas de composição pré-determinada é aquecida a altas temperaturas” (MEHTA; MONTEIRO, 2008). ✓Em contato com a água hidrata-se e promove a formação de microestrutura de cristais complexos, resistentes a esforços mecânicos e à ação da água. Figuras extraída de Meio Ambiente, 2020. Disponível em: http://professoral ucianekawa.blog spot.com/2015/0 2/o-clinquer- componente-do- cimento.html C IM E N T O P O R T L A N D Prof. MSc. Danilo Gonçalves Batista Calcário (75 a 80%) Argila (20 a 25%) CaO; MgO SiO2, Al2O3, Fe2O3 Álcalis (N2O e K2O) Eventuais Aditivos Minério de Ferro, Areia e Bauxita Farinha Crua Clínquer Gipsita (CaSO4.2H2O) Cimento Portland + Adições CP II - F; CP II - E; CPII – Z CP III; CP IV; CP V Mistura e Moagem Calcinação ~ 1400oC Moagem ~ 45 um - FABRICAÇÃO DO PORTLAND (Adaptado de: TAYLOR, 1997; MEHTA; MONTEIRO, 2008) 3 4 http://professoralucianekawa.blogspot.com/2015/02/o-clinquer-componente-do-cimento.html 08/04/2020 3 C IM E N T O P O R T L A N D Prof. MSc. Danilo Gonçalves Batista - FABRICAÇÃO DO PORTLAND MATÉRIAS PRIMAS USADAS: • Calcário: aproximadamente 90 % da mistura. Componente básico do cimento fornecendo o Óxido de Cálcio. O calcário é constituído basicamente de carbonato de cálcio (CaCO3), mas se apresenta na natureza acompanhado de diversas impurezas como óxidos de ferro, alumínio e silício, que são benéficos, e outros como o óxido de magnésio, sódio e potássio que são na maioria das vezes indesejáveis. A cal, que é a parte que realmente interessa na fabricação do cimento, encerra apenas 56% do total da matéria bruta C IM E N T O P O R T L A N D Prof. MSc. Danilo Gonçalves Batista - FABRICAÇÃO DO PORTLAND MATÉRIAS PRIMAS USADAS: • Argila: aproximadamente 10 % da mistura. Componente usada para fornecer Silicatos de Alumínio e Ferro. • Areia: Usada para corrigir o teor de sílica SiO2 da argila. • Minério de ferro: Usado para corrigir o teor de óxido de ferro Fe2O3 da argila. 5 6 08/04/2020 4 C IM E N T O P O R T L A N D Prof. MSc. Danilo Gonçalves Batista - FABRICAÇÃO DO PORTLAND MATÉRIAS PRIMAS USADAS: • GESSO O gesso apresenta-se na natureza em grandes jazidas sedimentares chamadas de evaporitos sob a forma de gipsita (CaSO4.2H2O), hemi-hidratado ou bassanita (CaSO4.1/2H2O) e anidrita (CaSO4). A gipsita é a forma mais usada na indústria cimenteira. O gesso é usado no cimento para regular o tempo de pega, ou seja, mantê-lo trabalhável por mais tempo e isto funciona na medida em que este forma uma espécie de película ou membrana que envolve as partículas do cimento, retardando seu endurecimento. É um produto de adição final do processo. O gesso está presente em todos os tipos de cimentos portland: CPI; CPI-S; CPII-E; CPII-Z; CPII-F; CP III; CP IV e CP V-ARI. C IM E N T O P O R T L A N D Prof. MSc. Danilo Gonçalves Batista DETALHAMENTO DO PROCESSO DE FABRICAÇÃO DO CIMENTO PORTLAND • As matérias-primas necessárias para a produção de cimento (carbonato de cálcio, sílica, alumínio e minério de ferro) são geralmente extraídas de rocha calcária e argila. Essas matérias-primas são extraídas das minas por meio de detonações e serviços mecanizados de escavação e transporte. Em seguida, são trituradas e transportadas para a fábrica onde são armazenadas e homogeneizadas. • A moagem das matérias-primas produz um pó fino conhecido como cru (farinha crua) que é pré-aquecido e em seguida introduzido em um forno rotativo. O material é aquecido a uma temperatura de aproximadamente 1.450º C (por uma chama de aprox. 2.000º C), antes de ser subitamente resfriado por rajadas de ar ao final do processo. Assim é produzido o clínquer, o material básico necessário para a produção de todos os tipos de cimento. • Uma pequena quantidade de gesso (3 a 5%) é adicionada ao clínquer para regular como o cimento endurecerá (tempo de pega). A mistura é então finamente moída para se obter o "cimento puro". Durante esta fase, diferentes materiais minerais, chamados de "adições", podem ser adicionados além do gesso. Usadas em variadas proporções, essas adições, que podem ser recursos naturais ou sub- produtos industriais e dão ao cimento propriedades específicas como redução de impermeabilidade, resistência à sulfatos e à ambientes agressivos, melhor desempenho e acabamento, dentre outras vantagens. 7 8 08/04/2020 5 C IM E N T O P O R T L A N D Prof. MSc. Danilo Gonçalves Batista - A farinha crua moída é calcinada até fusão incipiente, a uma temperatura de 1450º C em um forno rotativo, onde então obtém- se o clínquer. - A sílica, alumina, ferro e cal reagem no interior do forno, dando origem ao clínquer, cujos compostos principais são os seguintes: . DETALHAMENTO DO PROCESSO DE FABRICAÇÃO DO CIMENTO PORTLAND PRODUÇÃO E COMPOSIÇÃO DO CLINQUER C IM E N T O P O R T L A N D Prof. MSc. Danilo Gonçalves Batista - FABRICAÇÃODO PORTLAND - ADIÇÕES FINAIS E MOAGEM. . Para a obtenção do cimento Portland, faz-se a moagem do clínquer com diversas adições, como o gesso (até aproximadamente 4% ), calcário, pozolana e escória, onde assegura-se ao produto a finura e homogeneidade convenientes, de acordo com as normas da ABNT. . O processo de moagem do clínquer e de suas adições é um fator importante, pois irá influenciar em algumas características, como a hidratação e as resistências inicial e final do cimento. . A gipsita, sulfato de cálcio di-hidratado, é comumente chamada de gesso. É adicionada na moagem final do cimento, com a finalidade de regular o tempo de pega, permitindo com que o cimento permaneça trabalhável por pelo menos uma hora e trinta minutos, conforme ABNT. Sem a adição de gipsita, o cimento tem início de pega em aproximadamente quinze minutos, o que tornaria difícil a sua utilização em concretos. 9 10 08/04/2020 6 C IM E N T O P O R T L A N D Prof. MSc. Danilo Gonçalves Batista - FABRICAÇÃO DO PORTLAND - ADIÇÕES FINAIS E MOAGEM . A adição de calcário finamente moído é efetuada para diminuir a porcentagem de vazios, melhorar a trabalhabilidade, o acabamento e pode até elevar a resistência inicial do cimento. . A adição de pozolana propicia ao cimento maior resistência a meios agressivos como esgotos, água do mar, solos sulfurosos e a agregados reativos. Diminui também o calor de hidratação, permeabilidade, segregação de agregados e proporciona maior trabalhabilidade e estabilidade de volume, tornando o cimento pozolânico adequado a aplicações que exijam baixo calor de hidratação, como concretagens de grandes volumes. . A escória de alto-forno, é sub-produto da produção de ferro em alto- forno, obtida sob forma granulada por resfriamento brusco. Os benefícios proporcionados ao cimento são semelhantes ao da pozolana. . C IM E N T O P O R T L A N D Prof. MSc. Danilo Gonçalves Batista MATERIAIS NATURAIS E ARTIFICIAIS – CIMENTO PORTLAND CIMENTOS COM ADIÇÕES MINERAIS Tecnicamente tem-se: Maximização da durabilidade; redução da porosidade capilar; redução da permeabilidade; redução da carbonatação; maior resistência a sulfatos; redução do calor de hidratação; inibição ou mitigação da reação álcali-agregado. Economicamente tem-se: Redução do consumo energético; Ecológicas: Aproveitamento de subprodutos e resíduos poluentes; preservação das jazidas VANTAGENS E JUSTIFICATIVA DO EMPREGO DE CIMENTOS COM ADIÇÕES MINERAIS 11 12 08/04/2020 7 Prof. MSc. Danilo Gonçalves Batista - FABRICAÇÃO DO PORTLAND Figura extraída de notas de aula do prof. Prof. Eduardo C. S. Thomaz. Prof. MSc. Danilo Gonçalves Batista - FABRICAÇÃO DO PORTLAND Figura extraída de notas de aula do prof. Prof. Eduardo C. S. Thomaz. 13 14 08/04/2020 8 C IM E N T O P O R T L A N D Prof. MSc. Danilo Gonçalves Batista MATERIAIS NATURAIS E ARTIFICIAIS – CIMENTO PORTLAND C IM E N T O P O R T L A N D Prof. MSc. Danilo Gonçalves Batista MATERIAIS NATURAIS E ARTIFICIAIS – CIMENTO PORTLAND (MEHTA; MONTEIRO, 2008) 15 16 08/04/2020 9 C IM E N T O P O R T L A N D Prof. MSc. Danilo Gonçalves Batista MATERIAIS NATURAIS E ARTIFICIAIS – CIMENTO PORTLAND C IM E N T O P O R T L A N D Prof. MSc. Danilo Gonçalves Batista MATERIAIS NATURAIS E ARTIFICIAIS – CIMENTO PORTLAND ✓NOMENCLATURA DOS CIMENTOS NORMALIZADOS NO BRASIL 17 18 08/04/2020 10 C IM E N T O P O R T L A N D Prof. MSc. Danilo Gonçalves Batista ✓4.3 CIMENTOS NORMALIZADOS NO BRASIL (BATISTA, 2013) C O N C R E T O D E C IM E N T O P O R T L A N D Prof. MSc. Danilo Gonçalves Batista MATERIAIS NATURAIS E ARTIFICIAIS – CIMENTO PORTLAND CONCRETO DE CIMENTO PORTLAND 19 20 08/04/2020 11 C O N C R E T O D E C IM E N T O P O R T L A N D Prof. MSc. Danilo Gonçalves Batista MATERIAIS NATURAIS E ARTIFICIAIS – CIMENTO PORTLAND Concreto de Cimento Portland é o material resultante da mistura, em determinadas proporções, de um aglomerante - cimento Portland – com um agregado miúdo – geralmente areia lavada - , um agregado graúdo – geralmente rocha britada - e água. Pode-se ainda, se necessário, usar aditivos. A água e o cimento, quando misturados, desenvolvem um processo denominado Hidratação e formam um a pasta que adere as partículas dos agregados. Nas primeiras horas após o preparo é possível dar a essa mistura o formato desejado (concreto festo). Algumas horas depois ela enrijece e, com o passar dos dias, adquire resistência mecânica, convertendo- se num material monolítico dotado de características similares a uma rocha. A resistência do concreto depende fatores como: • resistência do agregado; • resistência da pasta; • resistência da ligação entre a pasta e o agregado. para conseguir-se um conjunto monolítico e resistente, é indispensável produzir corretam ente o concreto. C O N C R E T O D E C IM E N T O P O R T L A N D Prof. MSc. Danilo Gonçalves Batista MATERIAIS NATURAIS E ARTIFICIAIS – CIMENTO PORTLAND (Adaptado de: TAYLOR, 2001; MEHTA; MONTEIRO, 2008) PROCESSO DE HIDRATÃÇÃO DO CIMENTO PORTLAND Processo conhecido por dissolução/ precipitação 21 22 08/04/2020 12 C O N C R E T O D E C IM E N T O P O R T L A N D Prof. MSc. Danilo Gonçalves Batista MATERIAIS NATURAIS E ARTIFICIAIS – CIMENTO PORTLAND (MEHTA; MONTEIRO, 2008) C O N C R E T O D E C IM E N T O P O R T L A N D Prof. MSc. Danilo Gonçalves Batista MATERIAIS NATURAIS E ARTIFICIAIS – CIMENTO PORTLAND ZONA DE TRANSIÇÃO ENTRE ARGADO E PASTA DE CIMENTO NO CONCRETO (MEHTA; MONTEIRO, 2008) 23 24 08/04/2020 13 Referências Bibliográficas ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS (ABNT). NBR 7175:2003 : Cal hidratada para argamassas - Requisitos. Rio de Janeiro: 2003. ______. NBR 13207: Gesso para construção civil – Especificações. Rio de Janeiro: 1994. BATISTA, D. G. Investigação da deterioração de concretos de UHEs por reações com os agregados. 2013. Dissertação (Mestrado em Engenharia Civil) - Programa de Pós-Graduação em Geotecnia e Construção Civil, UFG, Goiânia, 2013. CASPAR, J. P. et al. Influence of the microstructure of set plaster on its mecanical properties. In: Eurogypsum – XXI Congress Versailles, 1996. CINCOTO, M. A.; QUARCIONE, V. A.; JOHN, V. M. Cal na construção civil. In: ISAIA, G. C., MATERIAIS NATURAIS E ARTIFICIAIS Civil e Princípios de Ciência e Engenharia de Materiais. Cap. 22.1, v. 1, 1ª edição, São Paulo: Ibracon, 2007. FURNAS. Equipe de Laboratório de Concreto. Concreto massa, estrutural, projetado e compactado com rolo - Ensaios e propriedades. Ed. PINI, São Paulo: Walton Pacelli de Andrade, 1997. JOHN, V. M.; CINCOTO, M. A.Gesso de Construção Civil. In: ISAIA, G. C., MATERIAIS NATURAIS E ARTIFICIAIS Civil e Princípios de Ciência e Engenharia de Materiais. Cap. 22.2, v. 1, 1ª edição, São Paulo: Ibracon, 2007. B IB L IO G R A F IA Prof. MSc. Danilo Gonçalves Batista Referências Bibliográficas KARNI, J; KARNI, E. Gypsum in construction: origin and properties. Materials and Struture. V. 12. p 13-19, 2011. MEHTA, P. K.; MONTEIRO, P. J. M. Concreto: estrutura, propriedades e materiais. 1ª ed. São Paulo: IBRACON, 2008. Revisores: Nicole P. Hasparyk, Paulo Helene & Vladimir A. Paulon, Tradução da 3ª edição em inglês sob o título Concrete: Microstructure, Properties and Materials. TAYLOR, H. F. W. Cement Chemistry. 2ª edição, New York, editor: Thomas Telford, 1997. TAYLOR, H. F. W.; FAMY, C.; SCRIVENER, K. L. Delayed ettringite formation. Cement and Concrete Research, v. 31, p. 683-93, 2001. B IB L IO G R A F IA Prof. MSc. Danilo Gonçalves Batista 25 26 08/04/2020 14 Eng. Civil, MSc. Danilo Gonçalves Batista Contatos: E-mail: danilobatista@unip.br; APRESENTAÇÃO 27 mailto:danilobatista@unip.com