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PRODUÇÃO TEXTUAL 
AULA 6 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Professora Danielle Fracaro da Cruz 
 
 
 
 
 
 
 
2 
CONVERSA INICIAL 
Olá, sejam bem-vindos à Aula 6! Nessa aula vamos conversar sobre um 
tema central na produção textual: a proposta de intervenção. 
Antes de avançar, quero que você pense em um exemplo bem próximo da sua 
área: imagine que um grupo de pacientes abandona o tratamento de hipertensão 
porque não entende a importância do uso contínuo da medicação. Você já 
identificou o problema, mas como propor uma solução? Esse é exatamente o 
movimento que vamos explorar aqui: sair da constatação e avançar para a 
proposição. 
Na produção argumentativa, a proposta de intervenção é a parte em que 
mostramos que não apenas compreendemos o problema, mas também somos 
capazes de propor caminhos para enfrentá-lo. É um exercício de análise crítica, 
mas também de cidadania e de compromisso social – valores que dialogam 
diretamente com a prática em saúde. 
Ao longo desta aula, vamos destrinchar os cinco elementos fundamentais 
de uma boa proposta de intervenção e refletir sobre como eles podem ser 
aplicados de forma coerente e criativa em temas da saúde. 
 
 
TEMA 1 – O CONCEITO E A IMPORTÂNCIA DA PROPOSTA DE 
INTERVENÇÃO 
A proposta de intervenção é o passo que liga a teoria à prática. Se no 
texto argumentativo você já identificou um problema e o analisou, é na 
intervenção que você demonstra sua capacidade de agir sobre a realidade. 
Aqui cabe uma pergunta: por que isso é importante para nós, da área da 
saúde? Porque nossa formação não se limita a diagnosticar situações, mas exige 
pensar em soluções viáveis, humanas e transformadoras. Em outras palavras, a 
proposta de intervenção, no texto, reflete o mesmo raciocínio que aplicamos na 
vida profissional: identificar um problema, compreender suas causas e projetar 
formas de resolvê-lo. 
Vamos pensar em um exemplo: 
• Problema: alto índice de obesidade infantil em determinada comunidade. 
• Argumento: falta de políticas de educação alimentar na escola e 
ausência de espaços adequados para prática de atividades físicas. 
 
 
3 
• Proposta de intervenção: implementação de programas 
interdisciplinares em escolas municipais, com aulas de educação 
alimentar e parcerias com centros esportivos locais. 
 
Percebe como a intervenção não é um “extra”, mas a consequência lógica 
da análise crítica? 
 
 
TEMA 2 – OS ELEMENTOS ESSENCIAIS DA PROPOSTA DE INTERVENÇÃO 
Agora que já entendemos o papel da proposta de intervenção na produção 
textual, vamos refletir: o que faz uma proposta ser clara, coerente e viável? 
Pense em situações que você já viu ou estudou na área da saúde. Não é 
raro encontrarmos diagnósticos bem-feitos, relatórios detalhados ou artigos 
consistentes. Mas, muitas vezes, o que falta é a etapa final: como transformar 
o diagnóstico em prática? 
É aqui que entram os cinco elementos da proposta de intervenção. Eles 
funcionam como um guia, um checklist que ajuda você a não deixar nada de 
fora. Sempre que for elaborar uma proposta, pergunte-se: 
 
1. O que será feito? (Ação) 
2. Quem fará? (Agente) 
3. Como será feito? (Modo/Meio) 
4. Para quê? (Finalidade) 
5. Qual detalhe torna viável? (Detalhamento) 
 
É importante pensarmos que esses elementos não são isolados: eles se 
encadeiam como em um plano de cuidado em saúde. Primeiro, você define a ação (o 
que precisa ser feito). Depois, identifica o agente (quem será o responsável). Em 
seguida, descreve o modo/meio (como será feito). Depois disso, aponta a finalidade (o 
que se espera alcançar). Por fim, traz um detalhamento (que dá concretude e 
viabilidade). 
Para facilitar, vamos observar a tabela abaixo, de modo que cada elemento 
pode ser pensado de forma prática: 
 
 
 
 
4 
 
Estrutura da Proposta de Intervenção com Exemplos da Saúde 
Elemento Pergunta-chave Explicação Exemplo na área da saúde 
Ação O que será feito? 
Medida concreta que deve ser 
específica, clara e direcionada 
ao problema identificado. 
Criar campanhas educativas sobre a 
importância da vacinação contra HPV em 
adolescentes. 
Agente Quem fará? 
Instituição, grupo ou indivíduo 
responsável por executar a 
ação. 
Ministério da Saúde em parceria com 
Secretarias Municipais e Escolas de Ensino 
Médio. 
Modo/Meio Como será feito? 
Estratégias, recursos e 
ferramentas que viabilizam a 
ação. 
Campanhas em redes sociais, cartazes em 
UBS, rodas de conversa nas escolas, 
conduzidas por agentes comunitários de 
saúde. 
Finalidade Para quê? 
Objetivo maior da ação, ou seja, 
o impacto positivo esperado. 
Aumentar a cobertura vacinal entre 
adolescentes e reduzir os índices de câncer 
de colo de útero a longo prazo. 
Detalhamento 
Qual detalhe 
garante 
viabilidade? 
Informação extra que mostra 
concretude, assegurando que a 
proposta não fique vaga. 
Incluir no cronograma das equipes de saúde 
da família visitas trimestrais às escolas para 
acompanhar a adesão vacinal. 
Tabela1: Estrutura da Proposta de Intervenção (Cruz, 2025) 
 
Vamos refletir juntos? 
• Percebe como a ação sozinha (“criar campanhas educativas”) ficaria vaga 
sem o restante? 
• Quando você acrescenta o agente, o modo/meio e a finalidade, já começa 
a visualizar a proposta ganhando forma. 
• Mas é o detalhamento que dá aquele “toque de realidade”: incluir as 
visitas trimestrais das equipes é algo factível, mensurável e diretamente 
conectado à rotina da saúde da família. 
Esse raciocínio é muito parecido com o que fazemos quando elaboramos um 
protocolo de atendimento ou quando planejamos uma ação educativa em saúde 
coletiva. Cada etapa deve estar encadeada, com lógica interna, clareza e foco 
nos resultados. 
 
 
 
TEMA 3 – A COERÊNCIA ENTRE TESE, ARGUMENTOS E PROPOSTA 
Vamos conversar sobre um ponto essencial: a proposta de intervenção 
não nasce do nada. Ela não deve ser pensada como um apêndice ou uma 
“etapa final” desconectada do texto. Pelo contrário, ela precisa ser a 
consequência lógica da tese e dos argumentos que você já desenvolveu. 
 
 
5 
Pense assim: na prática em saúde, quando fazemos um diagnóstico, ele 
nunca fica isolado. Ele conduz a um plano terapêutico ou a uma ação de cuidado. 
No texto argumentativo, a lógica é a mesma: tese → argumentos → proposta. 
Se um desses elos se rompe, o texto perde força e coerência. 
Vejamos o exemplo abaixo: 
 
• Tese: a baixa adesão ao tratamento da tuberculose está ligada à falta de 
acompanhamento próximo dos pacientes. 
• Argumentos: 
1. Dificuldade de deslocamento até as unidades de saúde; 
2. Ausência de estratégias de acompanhamento domiciliar. 
• Proposta: criar um programa de visitas regulares de equipes 
multiprofissionais (enfermeiros, agentes comunitários e nutricionistas) aos 
pacientes, para entrega supervisionada da medicação e orientação sobre 
hábitos de vida. 
Aqui, o raciocínio se fecha: a tese aponta o problema central, os argumentos 
aprofundam suas causas e a proposta responde diretamente a elas. Não há nada 
deslocado, certo? 
Agora, imagine se a proposta fosse: “criar campanhas de conscientização 
nas redes sociais sobre a importância da vacinação”. Percebe o problema? Seria 
uma boa ação, mas não tem relação com a tese nem com os argumentos 
apresentados. Essa falta de coerência comprometeria o texto. 
 
3. 1 A dimensão ética da proposta 
Outro ponto que precisamos destacar é a dimensão ética. Isso vale para 
qualquer área, mas na saúde é ainda mais evidente: não basta propor soluções 
eficazes; elas precisam ser humanas, justas e respeitosas. 
Vamos refletir: 
• Se você sugere que pacientes com determinada doença sejam “isolados 
compulsoriamente sem assistência adequada”, isso viola princípios éticos 
fundamentais da saúde e dos direitos humanos. 
• Se você propõe medidas que desconsideram a diversidade cultural (como 
dietas padronizadas que ignoram hábitos alimentares locais), corre o risco 
de sugeriralgo ineficaz e excludente. 
 
 
6 
Portanto, toda proposta precisa dialogar com os valores da dignidade, do 
respeito às diferenças e da equidade. É esse olhar ético que transforma a 
intervenção em um instrumento de cuidado, e não em um mecanismo de 
exclusão. 
 
3. 2 E na sua prática, como seria? 
 
Quero que você se imagine em uma situação concreta. Digamos que esteja 
participando de um projeto de extensão universitária. O grupo identificou que 
adolescentes da comunidade têm consumido álcool de forma precoce. 
 
• Se a tese do seu texto é que “o consumo precoce de álcool entre 
adolescentes está associado à falta de campanhas educativas eficazes e 
à ausência de espaços de lazer”, 
• seus argumentos devem aprofundar esses fatores: ausência de políticas 
públicas locais, influência de contextos familiares fragilizados, falta de 
oferta cultural e esportiva. 
• Sua proposta, então, poderia ser: desenvolver um programa comunitário 
de lazer com esportes e atividades culturais, aliado a campanhas 
educativas realizadas por profissionais da saúde em parceria com escolas 
e associações de bairro. 
Veja como tudo se conecta: o problema é identificado, os argumentos 
explicam as causas e a proposta atua diretamente sobre elas. 
 
 
NA PRÁTICA 
Agora é a sua vez. 
1. Escolha um tema ligado à saúde pública: pode ser vacinação, saúde 
mental dos estudantes, aleitamento materno ou prevenção de ISTs. 
2. Escreva uma resposta argumentativa com tese e dois argumentos. 
3. Construa uma proposta de intervenção que contemple os cinco 
elementos. 
4. Compartilhe sua proposta no fórum da disciplina. Interaja com os colegas: 
faça comentários, sugira melhorias, complemente ideias. 
 
 
7 
Essa troca é fundamental para perceber como diferentes olhares 
constroem propostas diversas e criativas. 
 
FINALIZANDO 
Chegamos ao fim da nossa aula. Vamos recapitular sobre o que 
conversamos. Falamos sobre a proposta de intervenção, identificando que é 
muito mais do que um apêndice: é a expressão de nossa capacidade de pensar 
criticamente e agir com responsabilidade. 
No campo da saúde, essa habilidade ganha ainda mais relevância, porque 
está diretamente ligada à prática profissional: não basta identificar problemas; 
precisamos propor soluções. 
Lembre-se dos cinco elementos (Ação, Agente, Modo/Meio, Finalidade e 
Detalhamento). Use-os como um guia sempre que precisar construir uma 
proposta. E, acima de tudo, pratique! Quanto mais você exercitar esse raciocínio, 
mais natural ele se tornará. 
Escrever boas propostas é também um ato de cuidado: com o texto, com 
o conhecimento e com a sociedade. 
 
 
REFERÊNCIAS 
CEREJA, William Roberto; MAGALHÃES, Thereza Cochar. Produção Textual, 
Leitura e Gramática. 9. ed. São Paulo: Saraiva, 2020. 
FIORIN, José Luiz. Argumentação e discurso. 2. ed. São Paulo: Contexto, 
2019. 
KÖCHE, José Carlos. Fundamentos de metodologia científica. 36. ed. 
Petrópolis: Vozes, 2014. 
KOCH, Ingedore Villaça; ELIAS, Vanda Maria. Ler e compreender: os sentidos 
do texto. 3. ed. São Paulo: Contexto, 2017. 
SOARES, Magda. Letramento: um tema em três gêneros. 2. ed. Belo 
Horizonte: Autêntica, 2018.

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