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INTERFACE CURSOS - CURSO T.T.I. – ECONOMIA E MERCADOS 
 
 
1. INTRODUÇÃO À ECONOMIA 
 
A economia passou a ser vista como ciência a partir da Grécia 
antiga, onde tivemos os primeiros registros de trabalhos econômicos. 
A economia faz parte de uma ciência maior, denominada ciências 
sociais. A economia estuda a ação econômica do homem, envolvendo, 
essencialmente, o processo de produção, a geração e a apropriação da 
renda, o dispêndio (as despesas) e o processo de acumulação. 
A economia, para que possa dar respostas aos problemas 
econômicos, procura o respaldo de outras áreas do conhecimento – das 
ciências humanas, das ciências exatas (matemática) e outras ciências, com 
o objetivo de resolver os problemas econômicos. 
Em outras palavras, a economia, segundo Rossetti (1997), se 
preocupa com todos os aspectos que estejam relacionados à produção, 
distribuição, custos e acumulação de bens e serviços. A economia se 
preocupa com grandes temas que interferem de uma ou de outra maneira 
na vida do homem. 
Dentre eles temos: escassez de recursos, emprego, produção, 
trocas, valor, moeda, preços, mercados, concorrência, remunerações, 
agregados, transações, crescimento, equilíbrio, organização. Tais temas 
fazem parte da vida do homem e representam o campo de estudo da 
ciência econômica. 
 
1.1 – CONCEITO DE ECONOMIA 
Devido à complexidade dos problemas que envolvem o 
comportamento do homem, existem conceitos diferentes para a economia. 
A cada época, devido às concepções políticas ideológicas de cada 
sociedade, pode-se observar a economia sob um ângulo diferenciado. Na 
medida em que novas preocupações de ordem econômica vão surgindo na 
vida do homem, o seu conceito vai evoluindo. No presente trabalho, 
adotaremos o seguinte conceito de economia: 
“A economia é a ciência que estuda as formas de comportamento 
humano resultantes da relação existente entre as ilimitadas necessidades a 
satisfazer e os recursos que, embora escassos, se prestam a usos 
alternativos”. ROSSETTI (1997, p.52.) A partir deste conceito, pode-se 
verificar que a preocupação básica da economia se refere aos escassos 
recursos para atender as necessidades ilimitadas. Tal conceito demonstra 
que a economia considera o fato de que se pode ter necessidades ilimitadas 
para satisfazer e que os recursos para tal fim são escassos. Nesse caso, 
tem-se que escolher a melhor alocação dos recursos capazes de produzir o 
necessário para satisfazer as necessidades. Essas escolhas são feitas pelos 
agentes econômicos. São agentes econômicos 
• unidades familiares, 
• empresas e 
• governo 
A economia procura examinar as opções viáveis que se apresentam 
aos agentes econômicos para empregar os limitados recursos sob seu 
comando, tomando decisões racionais diante de várias alternativas. 
 
1.2 – O PROBLEMA FUNDAMENTAL DA ECONOMIA 
Segundo Rossetti (1997), o problema fundamental da economia 
está relacionado ao conflito entre os recursos limitados e necessidades 
ilimitáveis. Em outras palavras, o problema fundamental da economia se 
refere à escassez dos recursos de produção. 
Quando não se tem abundância relativa dos recursos de produção, 
as necessidades não são completamente satisfeitas. Se todos os bens 
fossem livres, a disponibilidade ilimitada de recursos seria de tal ordem 
que a obtenção de quaisquer bens não seria problema. 
Daí, não necessitaria da ciência econômica, pois não haveria 
problemas a resolver. Não haveria conflitos de interesses. Mas, são raros 
os bens que ainda são livres e que não temos que pagar para adquirilos. 
(água da chuva, por exemplo). Até mesmo o ar que respiramos, que ainda 
é livre, vai, pouco a pouco, se transformando em bem econômico. 
 Daí surge a necessidade da economia, para que se possa usufruir, 
da melhor maneira possível, desses recursos. Como nenhum sistema 
econômico foi capaz de satisfazer, plenamente, a todas as necessidades dos 
indivíduos (em termos de bens e serviços), temos então a importância da 
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economia, para ajudar a alocar recursos escassos para atender as 
necessidades ilimitadas. Em todos os países, as unidades familiares 
exigem mais e melhores produtos. As empresas para produzi-los exigem 
equipamentos de mais alta sofisticação, mais ágeis e mais produtivos. 
Os governos, para garantir a satisfação das necessidades dos outros 
agentes, têm de fornecer mais infraestrutura econômica e social, melhores 
bens e serviços públicos. Todos necessitam da economia para auxiliá-los. 
 
1.3 – QUATRO PERGUNTAS FUNDAMENTAIS 
Existem questões que acontecem em todas as economias, 
independente do grau de desenvolvimento que possuem. A primeira 
questão diz respeito ao que produzir. O que produzir com os recursos que 
são escassos para atender as necessidades ilimitadas da sociedade. Várias 
podem ser as alternativas de produção, dentre elas o que produzir para 
usufruir e gastar da melhor maneira possível os recursos que são limitados. 
Quanto produzir se refere à segunda questão. Quanto produzir de 
determinado produto ou produtos para atender as necessidades da 
sociedade, para a sustentação do seu bem-estar corrente e para a 
progressiva melhoria do seu padrão de vida. A terceira questão é como 
produzir. 
Como produzir para otimizar os recursos de produção (terra, 
capital, trabalho, capacidade tecnológica e capacidade empresarial) face à 
sua escassez. A última pergunta fundamental diz respeito a para quem 
produzir. Para quem vai ser direcionado o produto/serviço. Tal 
questionamento é importante para que se produza o necessário para 
atender as necessidades da sociedade. 
 As respostas a essas perguntas são extremamente relevantes para 
resolver os problemas econômicos que afetam as sociedades como um 
todo. Várias são as possibilidades de se produzir bens/serviços, com a 
disponibilidade limitada de recursos, para atendê-las. 
Neste sentido, essas possibilidades de produção podem ser 
destinadas a uma variedade de combinações de diferentes categorias de 
bens e serviços que podem ser destinados à sociedade. 
 
EXERCÍCIOS 
a) Para melhor apreender o que você leu nos tópicos acima, escreva a 
seguir o conceito usual de economia: 
b) Com suas palavras, releia o texto pertinente e defina o que está 
caracterizado com sendo o problema fundamental da economia. 
c) Quais são as quatro perguntas fundamentais de quem inicia o 
estudo da economia? 
 
1.4 – A CURVA DE POSSIBILIDADE DE PRODUÇÃO 
A curva de possibilidade de produção retrata as alternativas para a 
utilização dos recursos, quando se compara a produção de dois ou mais 
produtos. Neste caso, os recursos não são suficientes para produzir toda a 
quantidade de todos os produtos para atender a sociedade, pois os mesmos 
são escassos. 
Daí a escolha de alternativas entre o que se produzir de um e de 
outro produto para atender as necessidades da população. Unidades 
Familiares, Empresas e Governo, como agentes econômicos que se 
interagem, participam direta ou indiretamente de todas as transações que 
realizam dentro do sistema econômico. 
Eles podem ser consumidores e/ou produtores dos bens/serviços 
que são destinados a eles próprios enquanto agentes econômicos. Unidades 
familiares são todos os tipos de unidades domésticas, unipessoais ou 
familiares, com ou sem laços de parentesco, segundo as quais a sociedade 
como um todo se encontra segmentada. 
As unidades familiares possuem e fornecem os recursos de 
produção (na forma de trabalho). Devido a isso, elas se apropriam de 
diferentes categorias de rendas (que podem ser salários, aluguéis, juros, 
etc.), e a partir daí decidem como, quando e onde e em quê as rendas 
recebidas serão despendidas. 
As empresas são os agentes econômicos que empregam e 
combinam os recursos de produção para a geração dos bens e serviços que 
atenderão às necessidades de consumode evitar possíveis instabilidades 
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cambiais e garantir a estabilidade financeira, eliminando práticas 
discriminatórias e restritivas aos pagamentos multilaterais e de socorrer os 
países, a ele associados, quando da ocorrência de desequilíbrios 
transitórios em seus balanços de pagamentos. 
Banco Mundial – também conhecido como BIRD (Banco 
Internacional de Reconstrução e Desenvolvimento), foi criado com o 
intuito de auxiliar a reconstrução dos países devastados pela guerra e, 
posteriormente, para promover o crescimento dos países em vias de 
desenvolvimento. O Banco empresta a taxas reduzidas de juros a países 
menos desenvolvidos, com o intuito de promover projetos, 
economicamente, viáveis e relevantes para o desenvolvimento desses 
países. Organização Mundial do Comércio – foi criada com o objetivo 
básico de buscar a redução das restrições ao comércio internacional e a 
liberalização do comércio multilateral. 
 
 
EXERCÍCIOS 
a) No comércio externo, o que é o “Princípio das Vantagens 
Comparativas”? 
b) Relembre o que é Balança de Pagamentos, escrevendo abaixo o que 
vem a ser: 
c) Basicamente, o que representa a Balança Comercial? 
d) Como é estabelecida a “taxa de câmbio” no Brasil? 
 
11. CRESCIMENTO E DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO 
11.1 – CRESCIMENTO E DESENVOLVIMENTO 
 
A Teoria do Crescimento e do Desenvolvimento Econômico 
discute estratégias de longo prazo, isto é, quais medidas devem ser 
adotadas para um crescimento econômico equilibrado e auto-sustentado. 
Nessa Teoria, a oferta ou produção agregada desempenha um papel 
importante na trajetória de crescimento de longo prazo, o que não se 
observa na análise de curto prazo. Crescimento e desenvolvimento 
econômico são dois conceitos diferentes. 
Crescimento econômico é o crescimento contínuo da renda per 
capita ao longo do tempo. Desenvolvimento econômico é um conceito 
mais qualitativo, incluindo as alterações da composição do produto e a 
alocação dos recursos pelos diferentes setores da economia, de forma a 
melhorar os indicadores de bem estar econômico e social. 
A economia pode se encontrar em diferentes estágios, como o de 
crescimento, ou de regressão/depressão econômica . 
Diz-se que está em regressão/depressão quando a economia está 
entrando em declínio no que se refere aos seus indicadores de crescimento, 
tanto de produção quanto de emprego. Normalmente, os países ricos 
caracterizam-se pelo crescimento de sua economia e da produtividade com 
que são aproveitados os recursos de produção. 
 
11.2 – FONTES DE CRESCIMENTO ECONÔMICO 
 
O crescimento da produção e da renda decorre de variações na 
quantidade e na qualidade de dois insumos básicos: capital e mão-de-obra. 
Nesse sentido, as fontes de crescimento são as seguintes: 
a) aumento na força de trabalho (quantida-de de mão-de-obra), 
derivado do crescimento demográfico e da imigração; 
b) aumento do estoque de capital ou da capacidade produtiva; 
c) melhoria na qualidade da mão-de-obra, através de programas de 
educação, treinamento e especialização; 
d) melhoria tecnológica que aumenta a eficiência na utilização do 
estoque de capital; e 
e) eficiência organizacional, ou seja, eficiência na forma como os 
insumos interagem. 
 
11.3 – INDICADORES DE DESENVOLVIMENTO 
 
A avaliação do desenvolvimento é feita de forma diferente da que é 
usada para avaliar o crescimento. Para avaliação do crescimento são 
considerados, apenas, os níveis de produção e renda. 
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Para avaliação do desenvolvimento são considerados outros 
indicadores, ou seja, outros elementos cuja presença ou ausência serve 
como indicação da existência de certas condições ambientais. Existem 
diferentes metodologias para avaliação do desenvolvimento. 
A mais importante é a utilizada pela ONU(Organização das Nações 
Unidas), conhecida como IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) Em 
Economia, “Índice” significa o que fornece os indícios, os sintomas, o 
sinal; o que denota alguma coisa ou condição particular. Para avaliação do 
índice de Desenvolvimento Humano (IDH) são considerado o PIB 
(Produto Interno Bruto) e os índices de emprego e analfabetismo. Em 
algumas metodologias são considerados outros índices para avaliar o 
desenvolvimento econômico de um país. Consideram, por exemplo, 
Índices que avaliem não só o analfabetismo, mas o sistema educacional, a 
saúde pública, os níveis de poluição, de preservação do meio ambiente, de 
habitação, de pobreza, os níveis de emprego, etc. 
Para que haja desenvolvimento econômico uma condição essencial 
é a aplicação de novas tecnologias para que se produza mais e possa gerar 
transformações sociais que acarretem numa melhor distribuição de renda. 
 
EXERCÍCIOS 
a) Dê uma outra olhada no texto e escreva qual a diferença entre 
crescimento e desenvolvimento econômico: 
b) O que vem a ser “depressão econômica”? 
c) Quais os principais insumos básicos responsáveis pelo crescimento 
da produção? 
d) Escreva o que significa cada uma das letras da sigla IDH, e para 
que serve: 
 
12. POLÍTICAS MACROECONÔMICAS 
12.1 – DEFINIÇÕES 
 
A Macroeconomia é o ramo da economia que estuda os fatos ou 
eventos econômicos como um todo, analisando a determinação e o 
comportamento de grandes agregados, tais como: renda e produto 
nacionais, nível geral de preços, emprego e desemprego, estoque de moeda 
e taxas de juros, balança de pagamentos e taxa de câmbio. 
O governo, as grandes empresas estabelecem, forma sistemática, as 
orientações, uma série de medidas para se alcançar determinados fins. A 
essa sistematização dá-se o nome de “Política”. 
Na administração, não se pode permanecer no planejamento 
econômico de curto prazo e de consideração dos fatos ou eventos de forma 
isolada. Há que se pensar grande, de forma global, a médio e longo prazo. 
A esse tipo de planejamento dá-se o nome de Política Macroeconômica. 
A Política Macroeconômica, possui fundamentos, metas, 
instrumentos de ação/ diretrizes, cronogramas. 
 
12.2 – METAS DE POLÍTICA MACROECONÔMICA 
 
As metas de uma Política Macroeconômica são as seguintes: 
a) alto nível de emprego, onde o governo utilizando-se de seus 
instrumentos sempre procura proporcionar mais postos de trabalhos face o 
nível de empregabilidade da economia; 
b) estabilidade de preços – meta principal de todos os governos. 
Estabilidade de preços é fundamental para o desenvolvimento dos demais 
objetivos de política econômica. Sem o controle da inflação, várias podem 
ser as conseqüências, como foi mencionado, anteriormente. 
c) Distribuição de renda socialmente justa – mesmo tendo 
crescimento econômico e tendo uma economia estabilizada, pode haver 
má distribuição de renda. O governo, via suas políticas econômicas e 
sociais, visa reduzir os desníveis de renda entre as pessoas e regiões 
geográficas. 
d) Crescimento econômico – é condição necessária para o 
desenvolvimento econômico de qualquer país. 
 
12.3 – INSTRUMENTOS DE POLÍTICA MACROECONÔMICA 
 
Os principais instrumentos para atingir tais objetivos são as 
políticas fiscal, monetária, cambial e comercial e de rendas. Política Fiscal 
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– Refere-se a todos os instrumentos que o governo dispõe para a 
arrecadação de tributos e o controle de suas despesas. 
Se o objetivo da política econômica é reduzir a taxa de inflação, as 
medidas fiscais normalmente utilizadas são a diminuição de gastos 
públicos e/ou aumento da carga tributária, o que inibi o consumo. São 
instrumentos que visam diminuir os gastos da coletividade. Se o objetivo é 
um maior crescimento e emprego, os instrumentos fiscais são os mesmos, 
mas em sentido inverso, para elevar a demanda agregada. Política 
Monetária – Refere-se à atuação do Governo sobre a quantidade de moeda 
e títulospúblicos. Os principais instrumentos são: 
• emissões de moeda; 
• reservas compulsórias (percentual sobre os depósitos que os 
bancos comerciais devem colocar à disposição do Banco 
Central); 
• Open Market (compra e venda de títulos públicos); 
• Redescontos (empréstimos do Banco Central aos bancos 
comerciais); 
• Regulamentação sobre crédito e taxas de juros. Assim, por 
exemplo: 
• se o objetivo é o controle da inflação, a medida apropriada de 
política monetária seria a diminuição do estoque monetário da economia 
(aumentando a taxa de reservas compulsórias, ou compra de títulos no 
open market); 
• se a meta é o crescimento econômico, a medida adotada seria o 
aumento do estoque monetário. 
Políticas Cambial e Comercial – São políticas que atuam sobre as 
variáveis relacionadas ao setor externo da economia. A política cambial 
refere-se à atuação do governo sobre a taxa de câmbio. O governo, através 
do Banco Central, pode interferir no câmbio comprando ou vendendo 
dólares. 
A política comercial diz respeito aos instrumentos de incentivos às 
exportações e/ou estímulos e desestímulos às importações. Política de 
Rendas – refere-se à intervenção direta do governo na formação de renda 
(salários, aluguéis) através de controle e congelamento de preços. 
Normalmente, esses controles são utilizados como instrumento de combate 
à inflação, como a fixação da política salarial, salário mínimo. 
A política de preços mínimos por parte do governo é um exemplo 
de política de renda. Com este tipo de política o governo visa dar garantias 
de preços ao produtor, com o propósito de protegê-lo das flutuações dos 
preços do mercado. 
 
EXERCÍCIOS 
a) Existem algumas maneiras de definir o que é macroeconomia. Qual 
é a escolhida por você? 
b) No seu entendimento, quais devem ser as principais metas de uma 
política macroeconômica? 
c) Pesquise e escreva abaixo o que é política monetária: 
 
13. GLOBALIZAÇÃO ECONÔMICA 
13.1 – O PROCESSO DE GLOBALIZAÇÃO 
 
Globalização é o processo pelo qual a vida social e cultural dos 
diversos países do mundo é, cada vez mais, afetada por influências 
internacionais em razão de imposições políticas e econômicas. 
Em economia diz-se que globalização é a integração, cada vez 
maior, das empresas transnacionais num contexto de livre-comércio. Isso 
se dá, especialmente, devido à sofisticada informatização, ao 
desenvolvimento dos meios de comunicação e transporte. Empresas 
Transnacionais são aquelas que desenvolvem atividades ou políticas 
comuns a várias nações, integradas na mesma união política ou 
econômica. 
Os autores que defendem o processo de globalização da economia 
mencionam que, na tradição do pensamento liberal, o comércio exterior 
sempre foi enxergado como um indutor da melhoria dos padrões de 
consumo, na utilização mais eficiente dos recursos e no aumento da 
eficiência das empresas que enfrentam à concorrência internacional. 
Este tipo de argumentação defende que a prática do comércio 
internacional livre também contribui para uma distribuição mais eqüitativa 
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da renda na medida em que corrigem a remuneração dos fatores segundo 
suas disponibilidades relativas. O processo de globalização representa uma 
abertura de fronteiras, um intercâmbio de informações, mercadorias, 
capitais, tecnologia entre várias nações. 
Neste processo de globalização, tornou-se comum a organização 
das nações em blocos, abrindo, entre eles, suas fronteiras e promovendo a 
abertura de novos mercados e a expansão de seus mercados internos. O 
Mercado Comum Europeu, o Mercosul e o Nafta são exemplos de que 
denominamos de blocos econômicos. 
 
13.2 – AS CONSEQÜÊNCIAS DA GLOBALIZAÇÃO 
 
Dentro das correntes favoráveis ao processo de globalização, a 
maior parte dos teóricos, considerados liberais, considera este processo 
totalmente benéfico na medida que impulsionam a competitividade em 
todas as esferas do sistema econômico. 
Outras posições mais críticas, destacam os efeitos contrários do 
processo de abertura econômica, caracterizado, principalmente, pela 
exclusão social que o mesmo provoca. 
Para esses autores, o processo de globalização gera: 
• uma grande concentração dos investimentos estrangeiros diretos e 
da tecnologia nas mãos de poucas multinacionais, localizadas nas nações 
de capitalismo avançado. 
• a perda, para a esmagadora maioria dos países capitalistas, de boa 
parte de sua capacidade de conduzir um desenvolvimento parcialmente 
autocentrado e independente; 
• o desaparecimento de certa especificidade dos mercados 
nacionais; 
A destruição, para muitos Estados, da possibilidade de levar 
adiante políticas próprias, não é conseqüência exclusiva da globalização, 
intervindo como processo externo, sempre mais coercitivo, impondo a 
cada país, a seus partidários e a seus governos, uma determinada linha de 
conduta. 
O processo de globalização promoveu uma liberalização muito 
ampla do comércio exterior, mas seu efeito foi, sobretudo, para facilitar as 
operações dos grupos industriais multinacionais. 
A internacionalização é dominada mais pelo investimento 
internacional do que pelo comércio exterior e, portanto, molda as 
estruturas que predominam na produção e no intercâmbio de bens e 
serviços. 
Tal processo contribuiu consideravelmente para restabelecer a 
rentabilidade dos investimentos, exercendo forte pressão para o 
rebaixamento, tanto dos salários, como dos preços de muitas matérias-
primas. Influi no comportamento do investimento, ou acentua suas 
características, da seguinte forma: forte propensão às aquisições/fusões; 
prioridade dos investimentos de reestruturação e racionalização; e, 
sobretudo, fortíssima seletividade na localização e escolha dos locais de 
produção. 
 
 
EXERCÍCIOS 
a) E a famosa globalização? O que vem a ser? 
b) Sempre ouvimos falar de empresas multinacionais. Como podem 
ser definidas?e de acumulação da sociedade. 
Essas empresas são heterogêneas, ou seja, são de diversos tipos e 
produzem diferentes produtos. 
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O governo é o agente coletivo que contrata diretamente o trabalho 
das unidades familiares e que adquire uma parcela da produção das 
empresas para proporcionar bens e serviços úteis à sociedade, como um 
todo. Esses agentes - unidades familiares, empresas e governo - fazem 
parte do processo produtivo em que se tem que escolher entre alternativas 
diferentes, devido à escassez de recursos. 
 Todos os agentes econômicos, considerados isoladamente ou em 
conjunto, defrontam com essa restrição econômica. 
As unidades familiares podem ter aspirações ilimitadas, mas 
defrontam com a amarga realidade dos recursos escassos, definidos por 
orçamentos restritos proveniente de sua limitação de renda. 
Normalmente, alguma coisa é sacrificada em favor de outra. As 
prioridades decididas, não importam quais sejam, traduzem sempre custos 
de oportunidade. 
Custos de se produzir um bem em detrimento do sacrifício de 
outro. Em outras palavras, refere-se ao custo de se deixar de produzir um 
bem em detrimento de outro. 
 
1.5 – OS FATORES DE PRODUÇÃO 
Os fatores de produção representam os recursos disponíveis que, 
combinados, são direcionados para a produção de bens e/ou serviços para 
o atendimento das necessidades da população. São considerados fatores de 
produção: 
• a Terra 
• o Trabalho 
• o Capital 
• a Capacidade Tecnológica. 
• a Capacidade Empresarial 
a) Fator Terra 
O Fator Terra constitui a base sobre a qual se exercem as atividades 
dos demais recursos de produção. As reservas naturais, renováveis ou não, 
encontram-se na base de todo o processo de produção. As dádivas da 
natureza, aproveitadas pelo homem em seus estados naturais ou então 
transformadas, são direcionadas para as outras atividades de produção. É a 
partir da interação com os demais fatores de produção que se viabiliza o 
efetivo aproveitamento da terra. 
A consciência social sobre sua preservação e reposição é muito 
importante, no intuito de que se tenha um melhor aproveitamento. 
b) Fator Trabalho 
A população de um País é constituída por pessoas de diferentes 
idades, de várias faixas etárias. A partir de determinada faixa etária, as 
pessoas começam a produzir, a render bens e serviços para si e para a 
família. 
Ela desenvolve, então algum tipo de trabalho que passa a ser um 
fator de economia. O Fator Trabalho é, portanto, constituído por uma 
parcela da população que contribui para o processo de produção. 
Essa parcela é denominada população economicamente ativa. Essa 
parte da população total, considerada produtiva, é definida por faixas 
etárias Os limites da faixa etária considerada, economicamente ativa, 
variam em função de dois fatores relevantes: 
• estágio de desenvolvimento da economia, 
• e o conjunto de definições institucionais, geralmente expresso 
através da legislação social e previdenciária.Em todos os países, uma 
parcela da população economicamente ativa, embora apta, fica à margem 
do processo produtivo. É a porção economicamente inativa. São, quase 
sempre, os desempregados. 
c) Fator Capital 
Fator Capital é o conjunto das riquezas acumuladas pela sociedade. 
Com o emprego dessas riquezas é que a população ativa se equipa para o 
exercício das atividades de produção. Esse conjunto de riquezas dá suporte 
às operações produtivas realizadas por parte da sociedade. 
 O fator capital é constituído pelas diferentes categorias de riqueza 
acumulada, empregadas na geração de novas riquezas. 
Essas categorias são, também, chamadas de bens de investimento, 
tais como: máquinas, equipamentos, instrumentos e ferramentas, energia, 
telecomunicações, transportes, educação e cultura, saúde e saneamento, 
segurança, construções e edificações (prédios), plantações, etc. 
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Referem-se às riquezas utilizadas pelas empresas para efetuar a 
produção. Representam os ativos das empresas, o seu patrimônio. 
Caracterizam-se por aumentar a eficiência do trabalho humano, para a 
produção de bens e serviços. 
Em economia, entende-se como pleno emprego dos recursos de 
produção (terra, capital e trabalho) quando toda a população está 
empregada; não há desemprego voluntário. 
d) Fator Capacidade Tecnológica 
O fator capacidade tecnológica é constituído pelo conjunto de 
conhecimentos e habilidades que dão sustentação ao processo de 
produção. Essa capacidade envolve desde os conhecimentos acumulados 
sobre as fontes de energia empregadas, passando pelas formas de extração 
de reservas naturais, pelo seu processamento, transformação e reciclagem, 
até chegar à configuração e ao desempenho dos produtos finais resultantes. 
É o elo de ligação entre o capital, a força de trabalho e o fator terra. 
e) Fator Capacidade Empresarial 
É através da capacidade empresarial que os recursos disponíveis 
são reunidos, organizados e acionados para o exercício de atividades 
produtivas. 
 O processo de produção, em seus fundamentos, acontece com a 
mobilização combinada dos fatores terra, trabalho e capital, sob 
determinado padrão tecnológico. E o fator mobilizador é a capacidade 
empresarial. 
 
1.6 – O SISTEMA ECONÔMICO 
Sistema econômico é a forma política, social e econômica pela qual 
está organizada uma sociedade. É um sistema que organiza a produção, a 
distribuição e o consumo de bens e serviços destinados à população. 
Fazem parte do sistema econômico: 
• estoque de fatores de produção (Terra, Capital, Trabalho, 
Capacidade Tecnológica e Capacidade Empresarial), 
• os agentes econômicos (unidades familiares, empresas e governo) 
e um conjunto de instituições (normas jurídicas). 
O estoque dos fatores de produção constitui a base da atividade 
econômica. Nenhum sistema econômico é possível sem que um conjunto 
de normas jurídicas discipline os deveres e as obrigações dos detentores 
dos recursos e das unidades que os empregarão. 
Daí o surgimento das complexas instituições. Os sistemas 
econômicos podem ser classificados em: 
a) Sistema capitalista de produção – é o sistema regido pelas leis de 
mercado, onde predominam a livre iniciativa e a propriedade privada dos 
fatores de produção; 
b) Sistema socialista – é o sistema no qual as questões econômicas 
fundamentais são resolvidas por um órgão central de planejamento, 
predominando a propriedade pública dos bens de produção. 
 
EXERCÍCIOS 
a) Em poucas palavras escreva o que são Agentes Econômicos: 
b) Os fatores de produção, base da economia, são: 
c) Como podem ser classificados os sistemas econômicos? 
 
2. TEORIA ELEMENTAR DA DEMANDA 
 
Demanda, em Economia, significa a procura por qualquer bem ou 
serviço, por determinado preço e em determinado momento. O estudo da 
demanda está alicerçado no conceito de utilidade. Utilidade é a qualidade 
que os bens econômicos possuem de satisfazer as necessidades humanas. 
Esta utilidade difere de consumidor para consumidor, uma vez que 
está baseada em aspectos psicológicos ou a preferências. Como esta 
utilidade visa satisfazer necessidades humanas, ela tem que apresentar 
algum valor. 
Utilidade é um conceito subjetivo, pois considera que o valor nasce 
da relação homems bens e/ou serviços. 
A demanda/procura pode ser definida como a quantidade de um 
determinado bem ou serviço que os consumidores desejam adquirir em 
determinado período de tempo a um determinado preço, mantidas 
constantes todas as outras variáveis (ceteris paribus). 
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As outras variáveis que influenciam a escolha (demanda) do 
consumidor são: 
• preço do bem ou serviço, 
• o preço dos outros bens, 
• a renda do consumidor, 
• o gosto ou preferência do indivíduo. 
Então, quando o preço de uma mercadoriaaumenta, tudo o mais 
permanecendo constante, o consumidor perde o que chamamos de poder 
de compra. 
 Dentro do estudo da demanda, temos a chamada Lei Geral da 
Demanda, que mostra que há uma relação inversamente proporcional entre 
a quantidade demandada e o preço do bem, ceteris paribus. Esta relação 
pode ser vista pela Curva de Demanda. 
 
2.1 – CURVA DE DEMANDA 
A curva de demanda revela as preferências dos consumidores, sob 
a hipótese de que estão maximizando sua utilidade, ou seja, estão dando o 
mais alto grau de satisfação no consumo daquele produto. No exemplo da 
curva abaixo podemos verificar que para cada nível de preços as pessoas 
estão dispostas a adquirir determinadas quantidades de bens, onde quanto 
menor o preço mais produtos elas estarão dispostas a adquirir. 
A curva de demanda inclina-se de cima para baixo, no sentido da 
esquerda para a direita, tendo uma inclinação negativa, devido a 
inversibilidade da relação preço e quantidade demandada. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Outras variáveis podem influenciar a demanda como: 
• a renda dos consumidores; 
• os preços dos outros bens e serviços; 
• os hábitos e preferências dos consumidores; 
• os gastos com propaganda e publicidade, etc. 
Em teoria da demanda, o preço é um conceito de extrema 
importância. O preço expressa o valor de troca entre as mercadorias. É sua 
expressão monetária de valor, que é utilizado para calcular o valor das 
mercadorias. A parte da economia que estuda a formação de preços é dita 
microeconomia. 
Tal teoria trata além da formação de preços, da fixação de preços 
mínimos por parte do governo, dos efeitos dos impostos sobre mercados 
específicos e sobre os custos de produção, dentre outros. 
 
2.2 – BENS ECONÔMICOS 
 
Em Economia, BEM significa tudo aquilo que serve de elemento a 
uma empresa ou entidade para a formação do patrimônio empregado para 
desempenhar a atividade produtiva, útil para a produção direta ou indireta 
de seu lucro. 
 È tudo aquilo que tem utilidade material, prática e valor 
financeiro. 
Em Economia, os bens são classificados como: 
• de Capital 
• de Consumo – durável e não durável 
• Intermediário 
• Substituto 
• Complementar 
INTERFACE CURSOS - CURSO T.T.I. – ECONOMIA E MERCADOS 
 
Bens de capital são os bens que servem para produzir outros bens, 
como por exemplo, uma máquina de costura, ou seja, máquinas e 
equipamentos que são utilizados para fabricar outros bens. 
Bens de consumo são aqueles que atendem, diretamente, à 
demanda. Eles são destinados ao consumo final dos consumidores. 
Existem dois tipos de bens de consumo: 
• duráveis, por exemplo: televisores, geladeira, aparelho de som, 
carro, liqüidificador, pois são bens que não possuem consumo imediato.; 
• não duráveis, são bens destinados ao onsumo final e são 
consumidos imediatamente pelos consumidores, por exemplo: alimentos, 
produtos de higiene e limpeza, etc. 
Bens intermediários são os utilizados para produzir outros bens, 
mas difere dos bens de capital, porque são consumidos durante o processo 
produtivo. Por exemplo, o tecido que utilizado para produzir a camisa. No 
final do processo não existe mais tecido, mas sim camisa, enquanto a 
máquina de costura continua como tal, sendo utilizada para produzir 
outros bens. 
Bens substitutos são bens que interferem na demanda de um 
produto por parte do consumidor. Assim, quanto mais substitutos houver 
para um bem e/ou serviço, mais opções o consumidor terá à sua disposição 
para decidir sobre a sua demanda. 
Neste caso, pequenas variações em seu preço, para cima, por 
exemplo, farão com que o consumidor passe a adquirir mais de seu 
produto substituto, provocando queda em sua demanda maior do que a 
variação do preço. 
Por exemplo, o consumidor tem sua demanda por uma certa 
quantidade de tomate, que possui vários substitutos (repolho, cenoura, 
vagem, pepino, abóbora, etc.). 
Neste caso, qualquer variação de preço do tomate, por menor que 
seja, leva o consumidor a trocar uma certa quantidade (ou toda ela) de 
tomate por quantidades de produtos substitutos. 
Bens complementares são bens que tendem a influenciar a 
demanda de outros bens. São denominados bens complementares porque 
um está relacionado ao consumo do outro. Como por exemplo, o pão e a 
manteiga. Neste caso, quando o preço do pão subir isto ocasionará uma 
queda na demanda do próprio pão e, conseqüentemente, na demanda da 
própria manteiga, que o consumidor utiliza para passar no pão. 
 
EXERCÍCIOS 
a) Pesquise no “glossário”, no texto da apostila e em dicionário 
econômico e defina o que vem a ser demanda: 
b) Após sua pesquisa, responda quais as principais variáveis que 
influenciam a demanda: 
c) Tente descrever, com suas palavras, o que é “ceteris paribus” : 
d) Para sedimentar o aprendizado, descreva o que é e como se 
classificam os bens econômicos: 
 
3. TEORIA ELEMENTAR DA PRODUÇÃO 
 
A Teoria da Produção pode ser conceituada pelo processo de 
transformação dos fatores adquiridos pela empresa (terra, capital, trabalho, 
capacidade tecnológica e capacidade empresarial) em produtos ou 
serviços, para a venda no mercado. (Vasconcellos - 2000). 
No processo de produção, diferentes insumos ou fatores de 
produção são combinados de forma a produzir um bem final. Insumos 
significa cada um dos elementos necessários para produzir mercadorias ou 
serviços. Ex. matéria prima, horas de serviço, equipamentos. 
As formas como os insumos são combinados constituem os 
chamados métodos ou processo de produção. 
A escolha do método ou processo de produção depende de sua 
eficiência. Um método de produção é, tecnicamente, eficiente quando 
comparado com outros métodos, utiliza menor quantidade de insumos para 
produzir uma quantidade equivalente do produto. 
Um método de produção é economicamente eficiente, quando está 
associado ao método mais barato relativamente a outros métodos. 
 
3.1 – A FUNÇÃO DE PRODUÇÃO 
 
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A produção de alguma coisa requer uma certa quantidade física dos 
fatores de produção, num determinada quantidade de tempo. Dessas 
quantidades empregadas vai resultar a obtenção de determinada 
quantidade física do produto pretendido. 
O resultado obtido surge, portanto, em função das quantidades de 
fatores e de tempo despendido. Em síntese, a função de produção é a 
relação que mostra a quantidade física obtida do produto a partir da 
quantidade física utilizada dos fatores de produção num determinado 
período de tempo. 
A função de produção admite sempre que o empresário esteja 
utilizando a maneira mais eficiente de combinar os fatores e, 
conseqüentemente, obter a maior quantidade produzida do produto. 
Podemos representar a função de produção, da seguinte maneira: 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
3.2 – CUSTO DE PRODUÇÃO, RECEITA E LUCRO 
 
O objetivo básico de uma empresa é a maximização de seus 
resultados, de seu lucro quando da realização de sua atividade produtiva, 
da combinação dos fatores de produção. 
Assim sendo, o empresário procura sempre obter a máxima 
produção possível em face da utilização de certa combinação de fatores. O 
resultado dito ótimo para empresa poderá ser obtida quando for possível 
alcançar um dos seguintes objetivos: 
a) maximizar a produção para um dado custo total ou 
b) minimizar o custo total para um dado nível de produção. 
Custos totais de produção são o total das despesas realizadas pela 
empresa com utilização da combinação mais econômica dos fatores, por 
meio da qual é obtida uma determinada quantidade do produto. Os custos 
totais de produção (CT) são divididos em custos variáveis totais (CVT) e 
custos fixos totais (CFT): 
 
 
Os custos fixos totais (CFT), correspondem à parcela dos custos 
totais que não aumentam com o aumento da produção. São decorrentes dos 
gastos com os fatoresfixos de produção, como por exemplo, depreciação, 
aluguéis, seguros, etc. Já os custos variáveis totais (CVT), correspondem à 
parcela dos custos totais que variam com o aumento da produção. São 
despesas realizadas com a compra da matéria-prima, materiais 
secundários, mão-de-obra direta, etc. 
Os custos, também, podem ser classificados de curto ou longo 
prazo. Os custos de curto prazo são caracterizados por serem compostos 
por parcelas de custos fixos e de custos variáveis. 
Os custos de longo prazo são formados unicamente por custos 
variáveis, pois a partir de determinado momento, os próprios custos fixos 
que eram fixos passam a aumentar, pois aumentou o número de máquinas 
para produzir mais mercadorias. 
Os custos são, ainda classificados como médios e marginais. Os 
custos médios são obtidos pela divisão entre o custo total e a quantidade 
produzida, ou seja, representa o custo médio para se produzir determinado 
produto. O custo marginal é dado pela variação do custo total em resposta 
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a uma variação da quantidade produzida, ou seja, deseja saber quanto 
variará o custo se acrescer uma unidade na produção. 
As empresas têm como objetivo maior a maximização de lucros. 
Onde se pode definir o lucro total como a diferença entre as receitas de 
vendas da empresa e os seus custos totais de produção. Ou seja: 
 
 
 Onde: LT = lucro total; RT= receita total e CT= custo total. Receita 
é o valor que é recebido, que é apurado. Como receita total entende-se o 
valor das vendas totais realizadas num determinado período de tempo. 
Então como receita teremos: 
 
 
 Onde: RT = receita total; P = preço e Q = quantidade. Ou seja, 
receita total é igual ao preço do bem ou serviço multiplicado por sua 
respectiva quantidade vendida. 
Qualquer empresa, que deseje maximizar lucros, escolherá o nível 
de produção para o qual a diferença positiva entre receita total e custo total 
sejam a maior possível. 
 
3.3 – CURVA DE OFERTA 
 
Em Economia, oferta significa a quantidade de bens ou serviços 
que se oferece aos consumidores. A oferta representa as várias quantidades 
que os produtores desejam oferecer ao mercado em determinado período 
de tempo. Da mesma maneira que a demanda, a oferta depende de vários 
fatores: 
• de seu próprio preço e dos demais preços, 
• do preço dos fatores de produção, 
• das preferências do empresário e 
• da tecnologia. 
A função oferta mostra uma relação direta entre quantidade 
ofertada e nível de preços, ceteris paribus. Essa representa a chamada Lei 
Geral da Oferta. 
A relação direta entre a quantidade ofertada de um bem ou serviço 
e seu preço devese ao fato de que, um aumento do preço no mercado 
estimula as empresas, os produtores a produzirem mais, aumentando sua 
receita. Podemos expressar a curva de demanda conforme a figura abaixo: 
 
A inclinação da curva de oferta é positivamente inclinada, uma vez 
que a relação entre quantidade ofertada e o preço é diretamente 
proporcional. 
Além do preço do bem, a oferta de bem ou serviço é afetada pelos 
custos dos fatores de produção (matérias-primas, salários, preço da terra) e 
por alterações tecnológicas, ou pelo aumento do número de empresas no 
mercado. 
 
EXERCÍCIOS 
a) Existem algumas definições sobre o que é insumo; procure no texto 
que você acaba de ler e transcreva a definição econômica de insumo: 
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b) Raciocinando como um empresário, quando um método de 
produção é eficiente? 
c) Volet ao texto e escreva o que é função de produção para a 
economia: 
d) qual o objetivo básico de uma empresa? 
 
 4. O MERCADO 
 
Na Língua Portuguesa, a palavra mercado tem diversos 
significados, dependendo da área de atuação. Você mesmo utiliza alguns 
deles. Em Economia, mercado pode significar o conjunto de transações 
comerciais entre vários países ou no interior de um país; e pode significar, 
também, o conjunto de consumidores que absorvem determinados 
produtos e/ou serviços. 
No presente trabalho será tratado o segundo conceito, ou seja, o 
que diz respeito ao meio consumidor 
 
4.1 – O PREÇO DE EQUILÍBRIO 
 
A interação das curvas de demanda e oferta determina o preço e a 
quantidade de equilíbrio de um bem ou serviço em um dado mercado. 
 
 
No encontro das curvas de oferta e demanda (ponto E) teremos o 
preço e a quantidade de equilíbrio, isto é, o preço e a quantidade que 
atendem os objetivos dos consumidores e dos produtores simultaneamente. 
Se a quantidade ofertada se encontrar abaixo daquela de equilíbrio “E”, 
teremos uma situação de escassez do produto. 
 Haverá uma competição entre os consumidores, pois as 
quantidades procuradas serão maiores que as ofertadas. 
Formar-se-ão filas, o que forçará a elevação dos preços, até atingir-
se o equilíbrio, quando as filas cessarão. Se, por outro lado, a quantidade 
ofertada se encontrar acima do ponto de equilíbrio E, haverá um excesso 
ou excedente de produção, um acúmulo de estoques não programado do 
produto, o que provocará uma competição entre os produtores, conduzindo 
a uma redução dos preços, até que se atinja o ponto de equilíbrio. 
Quando há competição, tanto de consumidores quanto de 
ofertantes, há uma tendência natural no mercado para se chegar a uma 
situação de equilíbrio estacionário. 
 
 
 
4.2 – CLASSIFICAÇÃO DOS MERCADOS 
 
Há várias formas ou estruturas de mercado. Essas dependem, 
fundamentalmente, de três características básicas: 
a) número de empresas que compõem esse mercado; 
b) tipo de produto produzido nesse mercado e 
c) se existem ou não barreiras, obstáculos para que novas empresas 
entrem nesse mercado. 
Neste sentido podemos ter as seguintes estruturas de mercado: 
Concorrência Perfeita, Monopólio, Oligopólio e Concorrência 
Monopolista. 
a) Concorrência Perfeita – é um tipo de mercado em que há um 
grande número de vendedores (empresas). Nesse caso, uma empresa, 
isoladamente, por ser insignificante, não afeta os níveis de oferta do 
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mercado e, conseqüentemente, o preço de equilíbrio. É um mercado 
“atomizado”, pois é composto de um número expressivo de empresas, 
como se fossem átomos. Esse tipo de mercado possui algumas 
características básicas: 
• trabalham com produtos homogêneos, onde não existe 
diferenciação entre os produtos ofertados pelas empresas; 
• não existem barreiras para o ingresso de novas empresas, ou seja, 
qualquer empresa pode entrar no mercado facilmente e 
• há transparência no mercado, onde todas as informações sobre 
lucros, preços, etc., são conhecidas por todos os participantes do mercado. 
Na realidade, não há o mercado, tipicamente, de concorrência 
perfeita no mundo real. Possivelmente, o mercado de produtos 
hortifrutigranjeiros (que produzem tomate, repolho, pepino, etc.) seja o 
exemplo mais próximo que se poderia apontar. 
b) Monopólio – Apresenta condições opostas às da concorrência 
perfeita. Nele existe, de um lado, um único empresário dominando 
inteiramente a oferta/produção e, de outro, todos os consumidores. Não há, 
portanto, concorrência, nem produto substituto ou concorrente. 
 Nesse caso, ou os consumidores se submetem às condições 
impostas pelo vendedor, ou deixarão de consumir o produto. Para a 
existência de monopólios, geralmente, existem barreiras que impedem a 
entrada de novas empresas no mercado. 
Essas barreiras podem advir das seguintes condições: 
• controle de matérias-primas, onde o monopólio controla a fonte 
de matériaprima para produzir o seu produto; 
• patente exclusiva do produto, não permitindo que outras empresas 
produzam aquele produto; 
• elevado volume de capital, onde a empresa para entrar necessita 
de alto volume de capital e tecnologia. 
c) Oligopólio – é caracterizado por um pequeno número de 
empresas que dominama oferta de mercado. Pode caracterizar-se como 
um mercado em que há um pequeno número de empresas ou, então, um 
grande número de empresas, mas poucas dominam o mercado. No 
oligopólio, tanto as quantidades ofertadas quanto os preços são fixados 
entre as empresas por meio de conluios ou cartéis. 
O Cartel é uma organização (formal ou informal) de produtores 
dentro de um setor que determina a política de preços para todas as 
empresas que a ele pertencem. No oligopólio, normalmente as empresas 
discutem suas estruturas de custos. Há uma empresa líder que, via de 
regra, fixa o preço, respeitando as estruturas de custos das demais, e há 
empresas satélites que seguem as regras ditadas pelas líderes. 
Esse é um modelo chamado de liderança de preços. 
d) Concorrência Monopolista – é uma estrutura de mercado 
intermediária entre a concorrência perfeita e o monopólio, mas que não se 
confunde com oligopólio. 
Na concorrência monopolista há um número relativamente grande 
de empresas, com certo poder concorrencial, porém com segmentos de 
mercados e produtos diferenciados e com margem de manobra para 
fixação dos preços não muito ampla, uma vez que existem produtos 
substitutos no mercado. 
 
 
EXERCÍCIOS 
a) Em termos de economia, qual a definição mais usada de mercado? 
b) Com suas palavras tente explicar o que é preço de equilíbrio? 
c) Quais as estruturas de mercado mais conhecidas? 
 
5. CONSUMO E POUPANÇA 
Em Economia, Consumo significa a utilização, pela população, 
pelos consumidores, das riquezas, materiais e artigos produzidos. 
 
5.1 – COMPONENTES DO CONSUMO 
O consumo global de um país é influenciado por uma série de 
fatores, tais como: renda nacional, estoque de riqueza ou patrimônio, taxa 
de juros de mercado, disponibilidade de crédito, expectativa sobre a renda 
futura, rentabilidade das aplicações financeiras, etc. 
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No entanto, estudos estatísticos mostram que as decisões de 
consumo da coletividade são influenciadas fundamentalmente pela renda 
nacional disponível, ou seja, a parcela da renda que fica disponível para os 
consumidores gastarem (ou pouparem). 
Então: C = f(RND), ou seja, o consumo se dá em função da renda, 
onde: C = Consumo agregado; RND = renda nacional disponível. 
 
5.2 – POUPANÇA E INVESTIMENTO 
 
A poupança é a parcela da renda nacional que não é gasta em bens 
de consumo. A poupança é a diferença entre a renda e o consumo. 
Em outras palavras, é o não consumo presente, em função de um 
consumo futuro. Então: S = f(RND), ou seja, a poupança se dá em função 
da renda, onde: S = poupança agregada; RND = renda nacional disponível. 
Já o investimento (construções, máquinas, etc.) é o acréscimo ao estoque 
de capital que leva ao crescimento da capacidade produtiva. A curto prazo, 
é visto pelo lado dos gastos necessários para a ampliação da capacidade 
produtiva. 
O investimento é a principal variável para explicar o crescimento 
da renda nacional de um país. Em linhas gerais, pode-se dizer que o 
investimento agregado é determinado por dois fatores: 
• a taxa de rentabilidade esperada, 
• a taxa de juros de mercado. 
A taxa de rentabilidade esperada ou taxa de retorno é calculada a 
partir da estimativa do retorno esperado pela aquisição do bem de capital 
(construções, máquinas, etc.). 
A taxa de juros e o investimento possuem uma relação 
inversamente proporcional. Se a empresa já dispõe de capital próprio, a 
taxa de juros representará quanto a empresa ganharia, se em vez de 
investir em suas instalações, aplicasse no mercado financeiro. Isto é o que 
chamamos de Custo de Oportunidade do Capital. 
Neste caso, um outro conceito importante é o de crédito, que 
regulado pela taxa de juros, determina o montante de investimentos. 
Crédito pode ser definido como sendo a troca de um bem disponível no 
momento pela promessa de um pagamento futuro. 
Quando as operações de crédito na economia são estimuladas, 
normalmente, o consumo das famílias aumenta. O capital pode sofrer 
desgaste durante o processo produtivo. 
Para repor esse desgaste ou mesmo substituir os equipamentos, as 
máquinas durante o processo produtivo, a depreciação pode ser utilizada 
para cobrir tais custos. 
 
6. EMPREGO 
6.1 – MERCADO DE TRABALHO 
 
No mercado de trabalho temos o que chamamos de população 
economicamente ativa, que são aquelas pessoas que fazem parte de uma 
determinada faixa etária que tem condições de estar trabalhando. 
Fazem parte da população economicamente ativa as pessoas 
efetivamente empregadas, recebendo salários e contribuindo para o 
aumento da renda e do consumo da economia. 
As pessoas desempregadas, também, fazem parte da população 
economicamente ativa, embora não estejam trabalhando ou estejam 
procurando emprego. 
 
6.2 – OFERTA E DEMANDA DE EMPREGO 
 
O mercado de trabalho é constituído pela oferta e demanda de 
emprego. A oferta de emprego é determinada pelas empresas que ao 
produzirem, ao aumentarem a produção contratam pessoas para 
desempenhar determinadas atividades e recebem renda por isso. 
O governo também tem papel fundamental neste processo, pois, 
também, é um grande contratante de mão-de-obra. O governo, além de 
empregador, pode funcionar como um alavancador de empregos para a 
população quando desenvolve políticas que influenciam as atividades das 
empresas. 
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O governo pode facilitar o aumento de emprego quando reduz 
tributos, oferece condições de maior crédito para as empresas, para que 
possam produzir mais, e, assim, contratar mais pessoas. 
Políticas direcionadas para a melhoria das condições de vida da 
população, no intuito de melhorar a distribuição de renda, também 
funciona como um incentivo para a geração de empregos. 
EXERCÍCIOS 
a) Claro que você já sabe o que é “consumo”; e quais os seus 
componentes? 
b) Em poucas palavras, defina o que vem a ser poupança: 
c) Como pode ser entendido o que é “investimento” no mercado 
imobiliário? 
d) Pesquise um pouco na apostila e relacione quais os fatores que 
determinam o investimento agregado: 
e) Na profissão de corretor de imóveis muito provavelmente você terá 
que avaliar bens móveis e imóveis: esse bens sofrem depreciação, mas 
o que é mesmo depreciação? 
f) O mercado imobiliário movimenta grandes somas em qualquer 
economia. E o que é mercado de trabalho? 
g) Pense um pouco e escreva abaixo: quais as ações no campo 
econômico que o governo poderia adotar para melhorar o nível de 
emprego? 
 
 
7. ECONOMIA MONETÁRIA 7.1 – A MOEDA: SUA HISTÓRIA E 
SUAS MODALIDADES 
 
Em economia, moeda é o meio pelo qual são efetuadas as 
transações monetárias. Esse meio varia no tempo e entre as culturas. Vai 
desde a utilização de uma peça de metal cunhada pelo governo até às mais 
sofisticadas formas de transação. 
Monetária são coisas, ações relativas à moeda. O uso da moeda nas 
economias em que vivemos é de tal forma generalizada que se torna difícil 
imaginar o funcionamento de um sistema econômico em que não existam 
instrumentos monetários. 
Mas, existiam grupos que não utilizavam moeda. Esses primeiros 
agrupamentos, em geral nômades, sobreviveram sob padrões bastante 
simples de atividade econômica. Eram grupos que não conheceram a 
moeda e, quando recorriam a atividades de troca, realizavam trocas em 
espécie, ou seja, trocavam mercadorias por mercadorias. 
A prática de troca de mercadorias ou serviços, sem fazer uso de 
moeda, denomina-se escambo. Antes da existência da moeda, o fluxo de 
trocas de bens e serviços na economia dava-se por meio do escambo, com 
trocas diretas de mercadoria por mercadoria. No entanto, vários eram os 
transtornos causados pela falta da moeda, como por exemplo a questão da 
divisibilidade do bem para a troca por outro, ou seja, quando se tinha que 
dividir uma mercadoriapara comprar uma unidade inteira de outra. 
Assim, na medida que a economia foi se desenvolvendo, 
aumentando as trocas, surgiu a necessidade do aperfeiçoamento dos 
instrumentos de troca. 
Com a evolução da sociedade, certas mercadorias passaram a ser 
aceitas por todos, por suas características peculiares ou pelo próprio fato 
de serem escassas. Por exemplo, o sal, que por ser escasso, era aceito na 
Roma Antiga como moeda. Em diversas épocas e locais diferentes, outros 
bens assumiram idêntica função. Portanto, a moeda mercadoria constitui a 
forma mais primitiva de moeda na economia. 
Com a evolução do comércio, os metais preciosos passaram a 
assumir a função de moeda por diversas razões: são limitados na natureza, 
possuem durabilidade e resistência, são divisíveis em peso. 
Os metais preciosos tiveram o papel de moeda por muito tempo. 
Nosso atual papel-moeda teve origem na moeda-papel. 
As pessoas de posse de ouro, por questões de segurança, o 
guardavam em casas especializadas, onde os ourives – pessoas que 
trabalhavam com ouro e prata, emitiam certificados de depósitos dos 
metais. 
 Ao adquirir bens e serviços, as pessoas podiam então fazer os 
pagamentos com esses certificados, já que, por serem transferíveis, o novo 
INTERFACE CURSOS - CURSO T.T.I. – ECONOMIA E MERCADOS 
 
detentor do título poderia retirar o montante correspondente de metal junto 
ao ourives. Mais tarde, com a criação dos Estados nacionais aparece o 
papel-moeda. 
Cada Estado passou a emitir seu papel-moeda, sendo este lastreado 
(garantido) em ouro (padrão ouro). 
O ouro, contudo, era um metal com reservas limitadas na natureza, 
e como a capacidade de emitir moeda estava vinculada à quantidade de 
ouro existente, o padrão ouro passou a apresentar um obstáculo à expansão 
das economias nacionais e do comércio internacional, ao impor um limite 
a oferta monetária. 
Dessa forma, a partir de 1920, o padrão ouro foi abandonado, e a 
emissão de moeda passou a ser livre, ou a critério das autoridades 
monetárias de cada país. Assim, a moeda passou a ser aceita por força de 
lei, denominandose moeda de curso forçado ou moeda fiduciária (na qual 
se pode confiar). 
Pode-se conceituar moeda como um instrumento ou objeto que é 
aceito pela coletividade para intermediar as transações econômicas, para 
pagamento dos bens, serviços e fatores de produção. 
Essa aceitação é garantida por Lei, ou seja, a moeda tem “curso 
forçado”. Representa liquidez imediata para quem a possui, pois pode ser 
trocada por outras mercadorias e/ou serviços. É a única forma irrecusável 
para quitação de obrigações. 
 
7.2 – FUNÇÕES E TIPOS DE MOEDA 
 
As principais funções da moeda são: 
• Instrumento ou meio de troca – serve para intermediar a troca de 
bens, serviços e fatores de produção da economia. 
• Denominador comum monetário – possibilita que sejam 
expressos em unidades monetárias os valores de todos os bens e serviços 
produzidos pelo sistema econômico. É um padrão de medida. 
• Reserva de Valor – a moeda representa liquidez imediata. Pode 
ser acumulada para a aquisição de um bem ou serviço no futuro. Ou seja, 
pode ser guardada para render valor no futuro. 
• Padrão para pagamento diferido – a moeda pode ser utilizada para 
pagamentos de contas em períodos diferentes. 
Tipos de Moeda 
• Moedas metálicas: são emitidas pelo Banco Central, constituem 
pequena parcela da oferta monetária e visam facilitar as operações de 
pequeno valor. 
• Papel-moeda: são emitidas pelo Banco Central, representa parcela 
significativa da quantidade de dinheiro em poder do público. Quando 
juntamos as moedas metálicas e o papel-moeda em poder do público 
denominamos de moeda manual. 
• Moeda escritural: é representada pelos depósitos a vista nos 
bancos comerciais. 
 
EXERCÍCIOS 
a) Volte ao tempo das cavernas e defina o que é escambo: 
b) Dê uma pesquisada no texto e escreva a definição de “moeda 
mercadoria”. 
c) Sempre ouvimos falar de “papel-moeda”. O que vem a ser esse 
conceito econômico? 
d) Agora que sabemos o que vem a ser papelmoeda, escreva abaixo 
quais as principais funções da moeda: 
 
7.3 – DEMANDA E OFERTA DE MOEDA 
 
A criação da moeda depende da sua respectiva demanda e oferta 
por parte da população e das autoridades monetárias (governo). 
Oferta de Moeda 
Oferta de moeda é o suprimento de moeda para atender às 
necessidades da coletividade. Pode ser ofertada pelas autoridades 
monetárias e pelos Bancos Comerciais. 
A moeda é criada pelo governo e ofertada pelas autoridades 
monetárias e pelos bancos comerciais (Itaú, Bradesco, Safra etc). A oferta 
de moeda pode também ser chamada de meios de pagamento. 
INTERFACE CURSOS - CURSO T.T.I. – ECONOMIA E MERCADOS 
 
Os meios de pagamento constituem o total de moeda à disposição 
do setor privado, não bancário, de liquidez imediata, ou seja, que pode ser 
utilizada imediatamente para efetuar transações econômicas. 
 A liquidez da moeda é a capacidade que ela tem de ser um ativo 
prontamente disponível e aceito para as mais diversas transações. 
Os meios de pagamento em sua forma tradicional são a soma da 
moeda em poder das pessoas, mais os depósitos a vista nos bancos 
comerciais. Eles representam, então, “o quanto” a coletividade tem de 
moeda física (metálica e papel) com o público ou no cofre das empresas, 
somados a “o quanto” ela tem em conta corrente nos bancos. 
Uma das formas mais tradicionais de se aumentar rapidamente os 
meios de pagamento pode ser observada a partir da ampliação dos 
empréstimos pelos bancos comerciais ao setor privado. 
À medida em que os bancos comerciais têm mais recursos, eles 
possuem um efeito multiplicador, de dobrar, triplicar, a moeda através de 
empréstimos. 
O conceito econômico de moeda é representado apenas pela moeda 
que está com o setor privado não bancário, ou seja, excluemse os próprios 
bancos comerciais, e a moeda que está com as autoridades monetárias. 
Esse dinheiro que pertence aos bancos é denominado de encaixe 
monetário, que o mesmo tem que manter junto ao Banco Central. 
Representa a porcentagem dos depósitos de um banco que não pode ser 
emprestada ou empregada em qualquer negócio, devendo ficar como 
garantia ou lastro do mesmo. 
 Também são considerados, na definição tradicional de meios de 
pagamento, as cadernetas de poupança e os depósitos a prazo nos bancos 
comerciais. Os meios de pagamento também podem ser chamados de M1, 
ou seja, ativos ou haveres monetários. 
Os demais ativos financeiros, que rendem juros, são chamados de 
ativos ou haveres não monetários. São os chamados M2, M3, M4, 
conforme a rapidez com que podem ter liquidez, ou seja, podem ser 
transformados em moeda. Ocorre criação de moeda quando há um 
aumento do volume dos meios de pagamento. 
O aumento dos empréstimos ao setor privado se refere à criação de 
moeda. Ocorre destruição de moeda quando existe redução dos meios de 
pagamento. O resgate de um empréstimo no banco se refere a destruição 
de moeda. 
Demanda de Moeda 
A demanda de moeda corresponde à quantidade desta que o setor 
privado, não bancário, retém, em média, com o público, no cofre das 
empresas e em depósitos a vista nos bancos comerciais. Existem três 
razões pelas quais se retém moeda, em vez de utilizá-la na compra de 
títulos, imóveis, etc. 
1ª) As pessoas e empresas precisam de dinheiro para suas 
transações do dia-a-dia; 
2ª) O público e as empresas precisam ter uma certa reserva 
monetária para fazer face a pagamentos imprevistos ou atrasos em 
recebimentos esperados (demanda de moeda por precaução); e 
3ª) Os investidores devem deixar uma “cesta” para a moeda, 
observando o comportamento da rentabilidade dos vários títulos, para 
fazer algum novo negócio (demanda de moeda por especulação). As duas 
primeiras razões dependem diretamente do nível de renda. 
Quanto maior a renda maior a necessidade de moeda para 
transaçõese por precaução. A terceira depende da taxa de juros, onde há 
uma relação inversa entre demanda de moeda por especulação e taxa de 
juros. Quanto maior o rendimento dos títulos, menor a quantidade de 
moeda que o aplicador retém em sua carteira, já que é melhor utiliza-la na 
compra de ativos rentáveis. 
 
EXERCÍCIOS 
a) No jargão da economia, o que vem a ser “meios de pagamento”: 
b) Releia o texto e escreva: o que é “encaixe monetário”? 
 
 
7.4 – A TAXA DE JUROS DE EQUILÍBRIO 
 
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A taxa de juros tem um papel estratégico nas decisões dos mais 
variados agentes econômicos. 
Para as empresas, as decisões quanto à compra de máquinas, 
equipamentos, aumentos ou diminuição de estoques, de matérias-primas 
ou de bens finais são determinadas, não só pelo nível atual, mas, também, 
pelas expectativas quanto aos níveis futuros das taxas de juros. Se as 
expectativas quanto à trajetória das taxas de juros se tornam pessimistas, 
os empresários devem manter níveis baixos de estoques e mesmo de 
capital de giro, uma vez que o custo de manutenção desses ativos pode ser 
extremamente caro no futuro. 
Os consumidores exercem um maior poder de compra à medida em 
que as taxas de juros diminuem, e o contrário, se as taxas de juros 
aumentam. A taxa de juros tem um importante papel, pois a determinação 
de seu patamar influencia o volume de consumo, notadamente, de bens de 
consumo duráveis, por parte das famílias. 
A diminuição do consumo ocorre porque as pessoas passam a 
preferir poupança a consumo, e dirigem sua renda não gasta para os 
bancos, com o intuito de auferirem receitas financeiras. Muito se indaga 
sobre as diferenças entre as taxas de juros praticadas no mercado. Entre a 
taxa de juros que é determinada pelo Conselho Monetário Nacional e as 
taxas de juros cobradas pelos bancos comerciais. 
A essa diferença entre taxas de juros, no sistema bancário, dá-se o 
nome de “spread”. 
 
8. SISTEMA FINANCEIRO 
 
Sistema Financeiro Nacional é a estrutura institucional que 
regulamenta, supervisiona e opera as intermediações financeiras, incluídas 
as dos consórcios, os negócios com valores mobiliários, os seguros e a 
previdência complementar. 
 
8.1 – COMPÕEM O SISTEMA FINANCEIRO NACIONAL: 
 
I - Órgãos Normativos: 
a) Conselho Monetário Nacional (CMN) 
b) Conselho Nacional de Seguros Privados (CNSP) 
c) Conselho de Gestão da Previdência 
Complementar (CGPC) 
II - Entidades Supervisoras: 
a) Banco Central do Brasil (Bacen) 
b) Comissão de Valores Mobiliários (CVM) 
c) Superintendência de Seguros Privados (Susep) 
d) Instituto de Resseguros do Brasil (IRBBrasil) 
e) Secretaria de Previdência Complementar (SPC) 
III - Agentes operadores do sistema: 
a) Bancos comerciais ou múltiplos, captadores de depósitos à vista 
b) Bancos de investimentos e demais instituições financeiras 
operadoras de poupanças e empréstimos 
c) Caixas Econômicas 
d) Cooperativas de crédito 
e) Intermediários financeiros e administradores de recursos de 
terceiros 
f) Bolsa de mercadorias e de futuros 
g) Bolsa de valores 
h) Sociedades seguradoras 
i) Sociedades de capitalização 
j) Entidades abertas de previdência complementar 
k) Entidades fechadas de previdência complementar (fundos de 
pensão) 
(Fontes: Constituição Federal) 
No âmbito do sistema financeiro, qualquer entidade pública tem o 
mesmo tratamento como se privada fosse, isto é, sem privilégio algum, 
como é o caso do Banco do Brasil. 
A lei é igual para todas. O Sistema financeiro dispõe de diversas 
modalidades de créditos para investimentos que podem estar ligados aos 
seguintes mercados: Mercado monetário: neste são realizadas as 
operações de curtíssimo prazo com a finalidade de suprir as necessidades 
de caixa dos diversos agentes econômicos, como os empréstimos para as 
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pessoas físicas; Mercado de crédito: neste são atendidas as necessidades 
de recursos de curto, médio e longo prazos, principalmente oriundas da 
demanda de crédito para aquisição de bens de consumo durável e da 
demanda de capital de giro das empresas. Ex: crédito rápido, desconto de 
duplicatas, etc. Também engloba os financiamentos de longo prazo, como 
o Finame etc. 
As pessoas envolvidas no mercado de crédito são chamadas de 
credores e devedores. Mercado de Capitais: procuram suprir 
as exigências de recursos de médio e de longo prazos, principalmente com 
vistas à realização de investimentos em capital. Ex: compra e venda de 
ações, debêntures, etc. Mercado Cambial: nele são realizadas a compra e a 
venda de moeda estrangeira, para atender a diversas finalidades, como a 
compra de câmbio, para importação; a venda por parte dos exportadores; e 
venda/compra, para viagens de turismo. Mercados Primários e 
Secundários: Os primários são aqueles em que se realiza a primeira 
compra/venda de algum ativo recém emitido; os secundários caracterizam-
se por negociarem ativos financeiros já negociados anteriormente. 
Mercados à vista, futuros e opções: Os mercados à vista negociam apenas 
ativos com preços a vista; os mercados futuros negociam os preços 
esperados de certos ativos e de mercadorias para determinada data futura e 
os mercados de opções negociam opções de compra/venda de 
determinados ativos em data futura. 
 
9. INFLAÇÃO 
9.1 – A DEFINIÇÃO E MEDIDA DA INFLAÇÃO 
 
A inflação ou instabilidade de preços é definida como um aumento 
persistente e generalizado no índice de preços, ou seja, são aumentos 
contínuos de preços. As fontes de inflação diferem em função das 
condições de cada país, em virtude de alguns aspectos, como: 
a) tipo de estrutura de mercado – se concorrencial, monopolista 
ou oligopolista, dependendo do mercado há um condicionamento da 
capacidade dos vários setores repassarem aumentos de custos aos preços 
dos produtos; 
b) grau de abertura da economia ao exterior – quanto mais 
aberta a economia à competição externa, maior a concorrência interna 
entre fabricantes, e menores os preços dos produtos; e 
c) estrutura das organizações trabalhistas – onde quanto maior o 
poder de barganha dos sindicatos, maior a capacidade de obter reajustes de 
salários acima dos índices de produtividade e maior a pressão sobre os 
preços. 
 
9.2 – AS CONSEQÜÊNCIAS DA INFLAÇÃO 
 
As conseqüências da inflação variam com a intensidade e com a 
velocidade do processo de alta dos preços. Uma baixa variação de preços, 
dita discreta, produz efeitos econômicos assimiláveis, em alguns casos até 
despercebidos pelos consumidores. 
O quadro de relativo conforto começa a alterar-se à medida que o 
processo de alta de preços se torna mais intenso, atingindo os fatores de 
produção, os produtos, as categorias de renda e os estratos socio-
econômicos. 
 A inflação corrói o poder de compra do salário nominal recebido 
pelo trabalhador, pela população. As inflações intensas podem produzir 
graves efeitos redistributivos sobre a renda agregada e as riquezas 
acumuladas. 
Esses efeitos dependem da intensidade do processo e dos 
mecanismos de defesa acionados. No limite, podem destruir as bases do 
ordenamento econômico, ao atingirem as funções monetárias ou a 
confiança do público em quaisquer formas de haveres financeiros (moeda, 
títulos, cadernetas de poupança, etc.). Algumas das suas conseqüências 
podem ser: 
• Destruição da moeda, com sua capacidade de reserva de valor e 
de sua utilidade como meio de pagamento; 
• Destruição da estrutura e da logicidade do sistema de trocas; 
• Desarticulação de suprimentos nas cadeias produtivas; 
• Regressão das atividades produtivas à linha de subsistência; 
• Queda vertiginosa do nível de emprego; 
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• Ruptura do tecido social; 
• Ruptura político-institucional, onde o governo perde o controle da 
situação. 
Não háuma única teoria que seja capaz de explicar todos os tipos 
de inflação. Eles são muitos e, geralmente, são diferenciados por 
qualificativos que remetem às causas, às magnitudes dos processos de alta 
e suas características visíveis. 
Os principais troncos teóricos que procuram explicar a inflação 
podem ser agrupados em: inflação de demanda, inflação de custos e 
Inflação Inercial. 
 
9.3 – INFLAÇÃO DE DEMANDA E INFLAÇÃO DE CUSTO 
 
Uma das principais explicações teóricas da inflação sustenta que as 
altas generalizadas de preços resultam de uma procura ou demanda 
agregada excessiva em relação à capacidade de oferta da economia, ou 
seja, refere-se ao excesso de demanda agregada em relação à produção 
disponível de bens e serviços. 
Neste caso, a procura exacerbada empurra os preços para cima, 
dando origem a uma espiral de alta, tanto mais intensa quanto menor for a 
capacidade ociosa da economia. Nesta situação, aumentos da demanda 
agregada de bens e serviços conduzem a elevações de preços. 
As inflações resultantes de gastos excessivos por parte dos 
consumidores, podem originar-se tanto do setor real (do próprio consumo 
da população), quanto no setor monetário da economia (onde o governo 
estimula o consumo colocando mais dinheiro no mercado, via taxas de 
juros baixas e com maior crediário). 
Tal fato, pode resultar do receio de falta de produtos, por parte dos 
produtores ou pode originar-se da inadequada condução da política 
monetária, levando à maior oferta de moeda e à multiplicação dos meios 
de pagamento em escalas mais que proporcionais à capacidade efetiva de 
geração de bens e serviços. 
Neste caso, uma solução para combater este tipo de inflação 
poderia ser o arrocho salarial, impedindo, assim, que as pessoas 
demandem bens e serviços, resultando em baixa pressão sobre os preços 
ou outras medidas que impeçam as pessoas de adquirir bens e serviços, 
reduzindo a pressão sobre os níveis de preços. A inflação de custos são 
movimentos de alta de preços originários da expansão dos custos dos 
fatores (terra, capital e trabalho) mobilizados no processamento da 
produção de bens e serviços. Este tipo de inflação pode ser associado a 
uma inflação de oferta. 
O nível de demanda permanece o mesmo, mas os custos de certos 
fatores importantes aumentam. Esse tipo de inflação pode originar-se: 
• da expansão de tributos indiretos cobrados pelo governo, que 
desencadeia um processo de alta que se auto-alimentará em espiral; 
• da expansão dos custos do fator trabalho que pode dar origem a 
altas generalizadas; 
• da ampliação das margens de lucro, ainda que setorialmente 
localizadas, pode propagar-se ao longo da cadeia de produção, elevando os 
preços. 
Em síntese, o aumento de salários e dos preços das matérias-primas 
representam um causador da inflação de custos. Os efeitos desse processo 
inflacionário podem influenciar no perfil da distribuição da renda, do 
balanço de pagamentos, nas finanças públicas e, até mesmo, nas 
expectativas das empresas. 
A inflação inercial ou inércia inflacionária fundamenta-se na 
capacidade de auto-propagação da inflação e na prática generalizada da 
indexação na correção dos custos dos fatores e dos preços dos produtos - 
indefinidamente, pelos índices da inflação passada, para que se mantenha a 
estrutura dos preços relativos e se recomponha a capacidade de compra 
das remunerações pagas. 
A concepção da inflação inercial pressupõe expectativas 
compulsivas que levam à remarcação contínua de preços, à indexação de 
contratos e a um tipo de convivência com o processo de alta aceito e 
praticado por todos os agentes econômicos. 
Existe, ainda, a inflação administrada, onde as empresas 
monopolistas ou oligopolistas aumentam seus preços com objetivos de 
lucrarem mais. Nesse caso, os consumidores não têm outra alternativa, 
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senão deixar de consumir os produtos fabricados por tais empresas se não 
quiserem pagar mais por eles. 
 
9.4 – A INFLAÇÃO NO BRASIL 
 
Uma das características históricas da economia brasileira é a 
tendência secular à alta dos preços. No Brasil, os períodos de variação 
acelerada dos preços têm prevalecido sobre os de inflação moderada, 
sobretudo nos últimos 50 anos. A partir da 2ª Guerra Mundial o País viveu 
épocas de inflação galopante ascendente. E na transição dos anos 80 para 
90 esteve bem perto de uma hiperinflação descontrolada. 
De uma simples leitura das séries históricas da inflação no Brasil, 
pode-se observar que nos últimos 50 anos aconteceram, pelo menos sete, 
períodos distintos. 
 Eles são definidos pela magnitude das taxas de variação da oferta 
monetária e dos preços; pelas causas prováveis do processo de alta e pela 
tipologia dos programas de estabilização. Os períodos são: 
- 1946-58: Inflação de crédito e estrutural 
- 1958-63: Inflação predominantemente fiscal 
- 1964-67: Aplicação de controles ortodoxos 
- 1968-79: Inflação reprimida 
- 1980-85: Instalação de movimentos inerciais. 
- 1986-94: Fase dos choques heterodoxos. 
- 1994: A fundamentação e a implantação do Real. 
-1946-58: Inflação de crédito e estrutural 
- Nesse período, aceleraram-se os processos de mudança estrutural 
do País, tanto no setor real (industrialização) quanto no financeiro (criação 
de instituições bancárias). Com isso, o efeito multiplicador da moeda 
escritural exerceu-se com maior impacto, ampliando o efeito inflacionário 
de emissões primárias de moeda. 
 Acentuaram-se, então, as pressões do setor real sobre o setor 
financeiro, tanto para elevação da taxa de câmbio, quanto para abertura de 
novas linhas de financiamento subsidiado. O resultado desta combinação, 
gradualmente, promoveu a aceleração da inflação, que saiu de um patamar 
de 20%, ao ano, para 40%, no final deste período. 
- 1958-63: Inflação predominantemente fiscal - Durante o período, aliados 
às pressões por crédito pelo setor privado, somaram-se as pressões fiscais 
devido aos constantes déficits de caixa do governo, fazendo com que se 
expandisse à oferta monetária. A este fator de impulsão dos preços 
somaram-se, também, as pressões reivindicatórias da classe trabalhadora, 
fazendo com que se impulsionasse, ainda mais, o processo inflacionário. 
-1964-67: Aplicação de controles ortodoxos (conforme norma) - 
No período, o processo foi o inverso ao verificado no anterior. O governo 
adotou rígidos mecanismos ortodoxos de controle do surto inflacionário. 
Debelou o déficit fiscal. Conteve a oferta monetária. Reformaram-
se o sistema financeiro e a estrutura tributária. Cada um dos fatores 
diagnosticados como causadores do surto inflacionário do Período anterior 
foi objeto de controles rígidos. Com essas medidas, a inflação anual 
recuou: de uma taxa entre 80 e 90% para um novo patamar, próximo de 
20%. 
-1968-79: Inflação reprimida – Nessa década, as bases 
institucionais do período anterior foram mobilizadas para o milagre 
econômico. Buscou-se conciliar forte crescimento econômico com 
contenção do processo inflacionário. As pressões internas, de origem 
financeira, que pressionavam a procura agregada para cima, somaram-se 
as pressões externas de custos, resultantes dos choques de oferta do cartel 
do petróleo. Tal fato ocasionou uma espiral procura-custos, passando a 
exercer fortes pressões de alta na inflação. Neste período, as emissões 
primárias de moeda utilizadas para conter o déficit do setor público, 
multiplicadas pelo sistema de intermediação bancária, criaram uma das 
principais precondições para a alta inflacionária dos preços. -1980-
85: Instalação de movimentos inerciais – No início da década de 1980, a 
inflação brasileira situou-se na faixa dos três dígitos, mantendo-se em 
torno de 100%. Já no início de 1986, caminhava para 300%. Instalou-se 
na economia do país um processo inercial de inflação, sob sustentação da 
correçãomonetária generalizada. A inflação passada reproduzia-se no 
presente, animando um movimento ascendente de alta de preços. 
INTERFACE CURSOS - CURSO T.T.I. – ECONOMIA E MERCADOS 
 
As expectativas dos agentes econômicos levaram à adoção de 
indexadores contratuais e a remarcações de preços. 
-1986-94: Fase dos choques heterodoxos – Foi um período 
marcado pelos planos econômicos heterodoxos, ou seja, da escolha de um 
conjunto de medidas de choque para conter o processo inflacionário. 
Foram vários planos, Plano Cruzado, Plano Bresser, Plano Verão, 
Planos Collor I e II, em que a inflação caia no início mas voltava com a 
falta de sustentação dos planos econômicos. 1994: A fundamentação e a 
implantação do Real. - 1994 foi o ano chave. Primeiro ocorreu a 
desidexação da economia com a criação da URV – Unidade de Referência 
de Valor. 
Depois foi implantado um novo padrão monetário, o Real. Neste 
período a inflação foi controlada, quando impunhou-se uma nova 
disciplina emissora e a manutenção de uma rigorosa linha estratégica, 
dirigida para quebrar as resistências sociais à estabilidade. A estabilização 
passaria a ser vista como um valor fundamental. Sistema que prevalece até 
os dias atuais. 
A inflação pode ser medida por números-índices, que são fórmulas 
matemáticas, onde abrangem as variações dos preços dos diversos 
produtos que compõem a cesta de consumo da população. 
 
EXERCÍCIOS 
a) Pense um pouco e relacione quais as funções do Sistema Financeiro 
Nacional: 
b) Quais as funções básicas do Conselho Monetário Nacional? 
c) E o Banco Central no Brasil? Cite duas de suas principais funções: 
d) Quais mercados estão ligados ao Sistema Financeiro? 
e) No Brasil convivemos há muitos anos com a chamada inflação. Mas 
em economia, como ela é definida? 
f) Pense e escreva o que é indexação e quais os males de sua prática 
generalizada? 
g) O que é URV e o que representou para o combate à inflação no 
Brasil? 
 
10. O SETOR EXTERNO 
 
Comércio externo é o conjunto de atividades mercantis 
(comerciais), realizadas entre países diferentes Muitas explicações podem 
ser levantadas para explicar porque os países comercializam entre si. 
Dentre essas, destacam-se a diversificação de condições de produção, a 
possibilidade de redução de custos na produção de determinado bem 
vendido para um mercado global. 
Os economistas clássicos forneceram a explicação teórica básica 
para o comércio internacional através do chamado Princípio das 
Vantagens Comparativas. Esse princípio sugere que cada país deva se 
especializar na produção daquela mercadoria em que é relativamente mais 
eficiente (ou que tenha um custo relativamente menor). Essa será, 
portanto, a mercadoria a ser exportada. 
Por outro lado, esse mesmo país deverá importar aqueles bens cuja 
produção implicar um custo relativamente maior (cuja produção é 
relativamente menos eficiente). Desse modo, explica-se a especialização 
dos países na produção de bens diferentes, a partir da qual concretiza-se o 
processo de troca entre eles. A Teoria das Vantagens Comparativas foi 
formulada por David Ricardo em 1817. 
A teoria desenvolvida por Ricardo fornece uma explicação para os 
movimentos de mercadorias no comércio internacional, a partir da oferta 
ou dos custos de produção existentes nesses países. Logo, os países 
exportarão e se especializarão na produção dos bens cujo custo for 
comparativamente menor em relação àqueles existentes, para os mesmos 
bens, nos demais países exportadores. 
 
10.1 – BALANÇO DE PAGAMENTOS 
 
Balanço de Pagamentos é o registro estatístico-contábil de todas as 
transações econômicas realizadas entre os residentes do País com os 
residentes dos demais países. 
Desse modo, estão registrados no balanço de pagamentos, por 
exemplo, todas as exportações e importações de mercadorias do período 
INTERFACE CURSOS - CURSO T.T.I. – ECONOMIA E MERCADOS 
 
considerado: os fretes, os seguros, os empréstimos obtidos no exterior, ou 
seja, todas as transações com mercadorias, serviços e capitais físicos e 
financeiros entre o país e o resto do mundo. 
O balanço de pagamentos apresenta as seguintes subdivisões: 
Balança Comercial – Essa conta compreende, basicamente, o comércio de 
mercadorias. Balanço de Serviços – Registram-se todos os serviços pagos 
e/ou recebidos pelo Brasil, tais como: fretes, seguros, lucros, juros, 
royalties e assistência técnica, viagens internacionais. Transferências 
unilaterais – registram-se as doações financeiras ou não interpaíses. 
Balanço de Transações Correntes – representa o somatório dos 
balanços - comercial, de serviços e de transferências unilaterais, resultando 
no saldo em conta corrente e/ou balanço de transações correntes. 
Movimento de Capitais ou Balanço de Capitais – Na conta de 
capital aparecem as transações que produzem variações no ativo e no 
passivo externos do País. 
Elas caracterizam a posição de devedora ou credora, perante o resto 
do mundo. As contrapartidas financeiras das exportações e importações 
de mercadorias e serviços e as transações financeiras puras, como ações e 
quota-parte do capital das empresas, títulos de outros países, empréstimos 
em moeda, investimentos e amortizações, são registradas nesta conta etc. 
 
10.2 – TAXA DE CÂMBIO 
 
É a medida de conversão da moeda nacional em moeda de outros 
países, em função das relações econômicas que há entre eles. Pode, 
também, ser definida como o preço da moeda estrangeira em termos da 
moeda nacional. Assim, 1 dólar pode custar 2,90 reais. 
A determinação do preço das moedas, dos diferentes países, pode 
ocorrer de dois modos: 
• institucionalmente, através da decisão das autoridades 
econômicas com fixação periódica das taxas (taxas fixas de câmbio); 
• através do funcionamento do mercado, onde as taxas flutuam, 
automaticamente, em decorrência das pressões de oferta e demanda por 
divisas estrangeiras, ou seja, pela quantidade de moeda estrangeira no 
mercado (taxas flutuantes). 
A demanda de divisas é constituída pelos importadores, que 
precisam delas para pagar suas compras no exterior, uma vez que a moeda 
nacional não é aceita fora do país e pela saída de capitais financeiros. 
A oferta de divisas é realizada pelos exportadores, que recebem 
moeda estrangeira em contrapartida de suas vendas, e pela entrada de 
capitais financeiros internacionais. A taxa de câmbio está intimamente 
relacionada com os preços dos produtos exportados e importados e, 
conseqüentemente, com o resultado da balança comercial do país. Se a 
taxa de câmbio se encontrar em patamares elevados, estimulará as 
exportações, pois os exportadores passarão a receber mais reais pela 
mesma quantidade de divisas, derivadas da exportação. 
Em conseqüência, haverá maior oferta de divisas. Do lado das 
importações, a situação se inverte, pois se os preços dos produtos 
importados se elevam, em moeda nacional, haverá um desestímulo às 
importações e, conseqüentemente, uma queda na demanda por divisas. 
Uma taxa de câmbio sobrevalorizada surte efeito contrário tanto 
nas exportações como nas importações. Há um desestímulo às exportações 
e um estímulo às importações. 
A moeda brasileira (o Real) pode ser comparada com várias outras 
moedas, por isso temos várias taxas de câmbio. Por exemplo, temos uma 
taxa de câmbio entre Real e Dólar Americano; entre Real e Libra Inglesa; 
entre Real e Peso Argentino, entre Real e o Euro). 
 
10.3 – ORGANISMOS INTERNACIONAIS 
 
Os organismos internacionais foram criados no intuito de 
estabelecer regras e convenções que regulem as relações monetárias e 
financeiras e não criem entraves ao desenvolvimento mundial. 
Surgiram, principalmente, em virtude das perturbações econômicas 
mundiais oriundas das grandes guerras mundiais. Foram criados três 
principais organismos econômicos internacionais: Fundo Monetário 
Internacional – foi criado com o objetivo

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