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Aula 09 - Prof. Priscila
Batista e Prof. Thayse
Duarte
SESAPI (Psicólogo) Conhecimentos
Específicos - 2025 (Pós-Edital)
Autor:
Thayse Duarte Varela Dantas
Cesar, Priscila Batista
04 de Janeiro de 2026
Sumário 
Introdução ............................................................................................................................................ 3 
Psicologia da Saúde ................................................................................................................... 4 
1 – Considerações Iniciais ......................................................................................................... 4 
1.1 – Processo saúde-doença (doenças crônicas e agudas) .......................... 5 
2- Impacto Diagnóstico .......................................................................................................... 11 
3 – Processo de Adoecimento .............................................................................................. 13 
4 – Enfrentamento da Doença e Adesão ao Tratamento .......................................... 15 
5 – Teorias e Manejo do Estresse ......................................................................................... 17 
5.1– Teorias do Estresse ............................................................................................ 17 
5.1.1 – Teoria da luta ou fuga - Cannon .................................................................. 18 
5.1.2 – Síndrome de Adaptação Geral (SGA) - Selye ............................................ 19 
5.1.3 – Modelo Transacional - Lazarus .................................................................... 21 
5.1.3 – Modelo da diátese ao estresse .................................................................... 22 
5.1.4 – Teoria do Buscar Apoio ................................................................................. 23 
5.1.5 – Psiconeuroimunologia .................................................................................. 23 
5.2. – Manejo do Estresse ......................................................................................... 24 
5.2.1 – Prática de Exercícios Físicos ........................................................................ 24 
5.2.3. – Terapias do Relaxamento ........................................................................... 24 
6 – Teorias e Manejo da Dor .................................................................................................. 26 
6.1. – Como mensurar a dor? ................................................................................... 27 
6.2. – Teoria da Comporta ........................................................................................ 28 
6.3. – Manejo da Dor .................................................................................................. 29 
7 – Enfrentamento ou Coping .............................................................................................. 32 
7.1 – Funções principais do enfrentamento ou coping ...................................... 32 
7.2 – Tipos de Enfrentamento Coping ................................................................... 33 
7.2.1 – Confronto ......................................................................................................... 33 
7.2.2 – Afastamento ................................................................................................... 33 
7.2.3 – Autocontrole .................................................................................................. 34 
7.2.4 – Suporte Social ................................................................................................ 34 
7.2.5 – Aceitação de Responsabilidade ................................................................. 34 
7.2.6 – Fuga e Esquiva ............................................................................................... 34 
7.2.7 – Resolução de Problemas ............................................................................. 35 
7.2.8 – Reavaliação Positiva ..................................................................................... 35 
MAIS QUESTÕES COMENTADAS ........................................................................................................ 36 
LISTA DE QUESTÕES .......................................................................................................................... 46 
GABARITO .......................................................................................................................................... 51 
RESUMO ............................................................................................................................................. 52 
Thayse Duarte Varela Dantas Cesar, Priscila Batista
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INTRODUÇÃO 
Olá, psi! 
 
Na aula de hoje, vamos estudar alguns temas referentes à Psicologia da Saúde. 
Qualquer dúvida, não hesitem em me acionar em um dos meus canais de 
comunicação (e-mail ou Instagram). Bons estudos! Vamos lá? 
 
 
 
 
Prof. Thayse Duarte 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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PSICOLOGIA DA SAÚDE 
1 – Considerações Iniciais 
Segundo Almeida & Malagris (2011), a Psicologia da Saúde é uma área relativamente 
nova, desenvolvida principalmente nos meados dos anos 70. Suas pesquisas e aplicações 
possuem como objetivo compreender e atuar sobre a inter-relação entre comportamento e 
saúde e comportamento e doenças. Também são objetos de estudo os funcionamentos 
psicológicos habitualmente saudáveis decorrentes situações que, mesmo implicando ajuste 
emocional, não acarretam, necessariamente, alterações no estado de saúde, como por 
exemplo, a gravidez e o envelhecimento. 
O interesse da Psicologia da Saúde está na maneira como o sujeito vivencia o seu 
estado de saúde ou de doença, na sua relação consigo mesmo, com os outros e com o 
mundo. Busca fazer com que as pessoas incluam no seu projeto de vida um conjunto de 
atitudes/comportamentos ativos que as levem a promover saúde e a prevenir doenças, além 
de aprender e aperfeiçoar técnicas de enfrentamento no processo de adoecimento, bem 
como suas eventuais consequências (Barros, 1999). 
Nesse sentido, a Psicologia da Saúde busca compreender o papel das variáveis 
psicológicas sobre a manutenção da saúde, o desenvolvimento de doenças e os 
comportamentos associados. Além de desenvolver pesquisas sobre cada um desses 
aspectos, os psicólogos da saúde realizam intervenções com o objetivo de prevenir doenças 
e auxiliar no manejo ou no enfrentamento das mesmas (Miyazaki, Domingos & Caballo, 
2001). 
O conceito de saúde é definido pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como 
“um estado de completo bem-estar físico, mental e social, e não consiste apenas na 
ausência de doença ou de enfermidade”. Apesar das críticas rebatidas nesta definição 
(utópica e irreal, pois não existe um estado de bem-estar completo), ainda assim, pode-
se dizer que ela traz um avanço na forma de pensar o processo saúde-doença. 
Historicamente, no que se refere ao entendimento sobre os processos de saúde e de 
adoecimento, apenas eram consideradas questões fisiológicas, dentro da perspectiva 
biomédica. O conceito definido pela OMS amplia a forma de pensar essas questões, uma 
vez que abarca outros determinantes no processo saúde-doença, como os de ordem 
histórica, social, política, econômica, cultural, orgânica, emocional e etc. Assim, a Psicologia 
se incluie um procedimento (como 
na visualização guiada). A visualização envolve o uso de todos os sentidos, diferente 
da imaginação, que se refere apenas a algo percebido pela mente. A visualização é 
uma forma de autohipnose, uma vez que implica concentração e atenção. Além disso, 
é associada a técnicas de relaxamento e ensaios mentais (exemplo: visualizar uma 
cirurgia ou um tratamento desconfortável, para ajudar a livrar o paciente de fantasias 
irrealistas); 
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o Dessesibilização sistemática: nesta técnica o paciente é treinado a relaxar, é colocado 
em contato com uma hierarquia de situações geradoras de ansiedade e é solicitado 
a relaxar enquanto imagina cada uma delas, assim o paciente atinge um estado de 
relaxamento, quando é exposto ao estímulo que provoca a resposta de ansiedade. 
 
 
(CEBRASPE – 2022 – DPE/RO) Com relação a técnicas psicológicas e outras alternativas 
utilizadas na psicologia da saúde, assinale a opção correta. 
 
a) A meditação tem sido eficaz na redução de sintomas de fadiga decorrentes da 
quimioterapia, mesmo entre pacientes oncológicos com alto nível de ansiedade. 
b) Técnicas de relaxamento autógeno são inadequadas para pacientes recém-operados 
e com movimentos musculares limitados. 
c) Apesar de favorecer o relaxamento em diferentes situações clínicas, a hipnose é 
ineficaz no manejo da dor. 
d) O objetivo da visualização guiada é evitar que o paciente olhe para equipamentos 
temidos utilizados durante procedimentos como coleta de sangue ou ressonância 
magnética. 
e) A dessensibilização sistemática só pode ser conduzida por psicólogos, devido aos 
procedimentos nela utilizados. 
 
COMENTÁRIOS: Vamos analisar cada item. 
A alternativa A está correta. A meditação apresenta efeitos positivos na redução de 
sintomas físicos e emocionais, como o estresse psicológico, depressão, ansiedade, fadiga, 
medo de recorrência e ruminação, representando estratégia eficiente para enfrentamento 
da doença e melhoria da qualidade de vida. 
 
A alternativa B está incorreta. Não há contraindicações dessa técnica para esses 
pacientes. 
 
A alternativa C está incorreta. Pelo contrário, a hipnose tem seus efeitos mais bem 
estudados e explicados para o manejo da dor. 
 
A alternativa D está incorreta. A visualização guiada tem como objetivo o controle da 
ansiedade e obtenção de sensação de relaxamento. 
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A alternativa D está incorreta. A dessensibilização sistemática pode ser utilizada por 
profissionais de saúde mental treinados. 
Gabarito: A 
 
(CESPE – 2016 – TCE/PA) Acerca da psicologia da saúde, julgue o próximo item. 
 
Para alguns pacientes diagnosticados com câncer ou em tratamento contra o câncer, o 
enfrentamento da doença por meio da aplicação de técnicas como visualização guiada 
e dessensibilização sistemática pode ser positivo. 
COMENTÁRIOS: Segundo Straub (2014), entre as intervenções mais usadas (no tratamento 
abrangente do câncer), estão a hipnose, o relaxamento muscular progressivo 
com visualização guiada, a dessensibilização sistemática, o biofeedback e a distração 
cognitiva. 
Gabarito: Certo. 
 
7 – Enfrentamento ou Coping 
Respostas ao estresse podem ser comportamentais (ações) e cognitivas 
(pensamentos e emoções). Também chamada de coping, termo traduzido muitas vezes 
“enfrentamento”. Semelhantemente, esse processo têm a finalidade de reduzir as respostas 
aversivas, sem considerar possíveis consequências (Savoia, 2000). 
 
7.1 – Funções principais do enfrentamento ou coping 
O coping ou enfrentamento tem duas funções principais: 
1) Coping ou enfrentamento centrado no problema – visa modificar a 
relação entre pessoa e ambiente (ou entre pessoa e problema, ou entre 
pessoa e pessoa), atuando diretamente na questão causadora do estresse. 
Um exemplo desse enfrentamento é ilustrado quando você pensa em um 
plano para resolver algum problema. 
2) Coping ou enfrentamento centrado na emoção – objetiva adequar a 
resposta emocional à questão que desafia nossos recursos. 
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Esse coping pode ser exemplificado quando você buscar formas de se 
acalmar frente a uma situação difícil. 
Perceba que cada tipo de coping possui seu conceito e exemplos de uso que podem 
ser considerados positivos ou negativos. Ou seja, não são bons ou ruins por si, mas 
dependem de cada uso individualmente, ou das situações em que estão sendo investidos 
e suas consequências para que sejam avaliados em sua eficácia. 
7.2 – Tipos de Enfrentamento Coping 
O principal modulador entre o uso de um e outro tipo de coping refere-se à 
possibilidade real de que você faça alguma coisa que modifique o evento estressor, ou 
a necessidade de aceitar a situação, bem como adaptar-se à mesma. Portanto, ambos os 
tipos de coping (emocional e centrado no problema) são úteis, assim como todas as suas 
estratégias são utilizadas por todos de algumas formas. Contudo, muitos fatores podem 
mediar o uso de um ou outro tipo de coping. Ou seja, os seus padrões de utilização nas 
diversas situações podem ser um objetivo de análise e manejo para psicólogo e paciente, 
com a finalidade de tornar a interação entre as pessoas e suas demandas mais adaptativas. 
Vejamos os tipos de coping: 
7.2.1 – Confronto 
 
Enfrentar a questão que provoca estresse ativamente, sem considerar possíveis 
consequências. 
Exemplos: 
• Falar dos seus sentimentos a pessoas envolvidas em alguma questão (de formas tais 
como: mostrando descontentamento a pessoas que causaram um problema, ou 
descontando raiva em alguém); 
• Arriscar-se em algum desafio. 
 
7.2.2 – Afastamento 
 
Distanciar-se do problema (inclui o distanciamento físico, comportamental, 
emocional e de pensamentos). 
Exemplos: 
• Não se deixar impressionar, não pensar muito sobre situação; 
• Dormir para não pensar; 
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• Fingir que não está vendo; 
• Deixar as “coisas acontecerem”; 
• Distrair-se do problema com outras coisas. 
7.2.3 – Autocontrole 
Adotar postura de assumir o autocontrole acreditando que isso baste para que a 
situação passe. 
Exemplos: 
• Conter impulsos; 
• Guardar sentimentos; 
• Tentar não permitir que os sentimentos interfiram. 
7.2.4 – Suporte Social 
Busca de auxílio em outras pessoas. 
Exemplos: 
• Fazer terapia ou buscar outros cuidados profissionais; 
• Dividir sentimentos ou problemas com outras pessoas; 
• Procurar pessoas que possam fazer coisas concretas para resolver problemas 
(exemplo, intervenção de superiores no trabalho). 
7.2.5 – Aceitação de Responsabilidade 
Assumir existência dos problemas e responsabilizar-se. 
Exemplos: 
• Pedir desculpas ou fazer algo para reparar os danos. 
• Criticar-se, repreender-se. 
• Comprometer-se (consigo ou com o outro) a respeito da mudança. 
• Procurar novas soluções. 
7.2.6 – Fuga e Esquiva 
Evitação do estressor. 
Exemplos: 
• Desejar ou fantasiar que a situação acabasse repentinamente; 
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• Consumos ou escapes problemáticos (tais como os vícios); 
• Desejar que algo não tivesse acontecido. 
7.2.7 – Resolução de Problemas 
Tentativa de manejos de situações. 
Exemplos: 
• Fazer um plano de ação e segui-lo; 
• Concentrar-se no que deve ser feito. 
7.2.8 – Reavaliação Positiva 
Procurar aproveitar, aprender ou ver aspectos positivos nas situações. 
Exemplos: 
• Encontrar novas crenças; 
• Inspirar-se a criar coisas novas; 
• Acreditar que a experiência está acrescentando repertório ou melhorando o 
indivíduo como pessoa; 
• Ressignificar experiências; 
• Encontrar sentido ou importância para coisas ou pessoas de sua vida. 
 
(CESPE – 2016 – TCE/PA) Adulto, Luís sofreu um grave acidente automobilístico e teve 
de amputar o braço esquerdo. Um mês após a amputação e a alta médica, ele foi levado 
ao hospital por ter sofrido um colapso: isolado da família, havia passado dias bebendo, 
sem se alimentar adequadamente, e com comportamento violento. Na semana anterior 
ao colapso, Luís havia se queixado de forte dor no membro amputado, tendo-a descrito 
como paralisante, aguda e ardente. Como Luís sentia fortes dores no braço desde a 
infância, em decorrência de outro acidente, e como estava constantemente embriagado 
desde a amputação, sua família não deu importância a sua queixa, tendo acreditado que 
ela poderia ser uma memória do acidente ocorrido na infância. 
 
Considerando as teorias do manejo e enfrentamento da dor e do estresse, julgue o item 
a seguir, acerca da situação hipotética apresentada. 
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O abuso de álcool por Luís constitui estratégia de enfrentamento do estresse pouco 
eficaz e mal adaptativa a longo prazo. 
COMENTÁRIOS: Enfrentamento ou coping são formas cognitivas, comportamentais 
e emocionais de administrar situações estressantes. Na estratégia de enfrentamento 
centrada na emoção, a pessoa tenta controlar a resposta emocional a um estressor. O álcool 
ou outras substâncias “abafam” o estresse, mas não acabam com ele. Esses 
comportamentos são mal-adaptativos, pois não confrontam diretamente o estressor e ainda 
é provável que agravem a situação (Straub, 2014). 
Gabarito: Certo. 
MAIS QUESTÕES COMENTADAS 
1. (CESPE – 2016 – TRT 8ª Região) A respeito das teorias e dos manejos do estresse, 
assinale a opção correta. 
a) A reatividade não se associa à vulnerabilidade nem à predisposição do indivíduo a 
doenças, embora seja uma reação fisiológica ao estresse, própria de cada indivíduo. 
b) Segundo o modelo transacional, o estresse pode ser compreendido ao se avaliar, 
separadamente, os eventos ambientais e as respostas do indivíduo. 
c) As transações entre os indivíduos e os ambientes por eles ocupados são motivadas 
pela avaliação reativa dos estressores potenciais. 
d) De acordo com o modelo da diátese do estresse, os fatores de predisposição e os 
fatores de precipitação do ambiente atuam conjunta e dinamicamente na 
suscetibilidade do indivíduo ao estresse e, consequentemente, a doenças. 
e) A avaliação primária do estresse compreende tanto a reação do indivíduo a um 
evento considerado ameaçador ao seu bem-estar como o processo de determinação 
dos recursos disponíveis e das estratégias eficazes para enfrentá-lo. 
COMENTÁRIOS: Vamos analisar cada item. 
A alternativa A está incorreta. A reatividade é uma reação fisiológica ao estresse, que 
varia com o indivíduo e afeta a vulnerabilidade a doenças. Ela é uma combinação de fatores 
genéticos e ambientais. 
A alternativa B está incorreta. No modelo transacional, avaliam-se conjuntamente os 
fatores ambientais e as respostas do indivíduo, que é entendido como um ser 
biopsicossocial. 
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A alternativa C está incorreta. A assertiva está falando do modelo transacional. A 
avaliação feita é COGNITIVA, não reativa, como diz o item. 
A alternativa D está correta. O modelo de diátese do estresse propõe que dois 
fatores que interagem determinam a suscetibilidade do indivíduo ao estresse e à doença: 
fatores predisponentes à pessoa (genéticos, por exemplo) e fatores precipitantes do 
ambiente (exemplo: experiências traumáticas). 
A alternativa E está incorreta. A avaliação primária é a determinação inicial que 
alguém faz do significado de um evento - se o evento é irrelevante, benigno (positivo), ou 
ameaçador. A assertiva trouxe o conceito de avaliação secundária. 
Gabarito: D 
2. (CESPE – 2020 – TJ/PA) Assinale a opção correta, a respeito da inserção e do trabalho 
do psicólogo no contexto saúde-doença. 
a) A demanda pela intervenção psicológica no processo saúde-doença é igualmente 
reconhecida tanto pelos profissionais e serviços que seguem o modelo biomédico 
quanto pelos que seguem o modelo biopsicossocial. 
b) Atualmente, a incidência de doenças agudas é menor do que há três décadas, o que 
aumenta a longevidade e reduz a demanda pelo trabalho do psicólogo da saúde. 
c) A psicoeducação é inadequada para pacientes em situação de reabilitação, mas é 
útil na prevenção de doenças. 
d) Não cabe ao psicólogo sensibilizar pais para que estes imunizem os filhos contra 
doenças infectocontagiosas, pois tal prática está fora da área de conhecimento desse 
profissional. 
e) Variáveis comportamentais são relevantes na prevenção da morte precoce e do 
desenvolvimento de doenças crônicas e agudas. 
COMENTÁRIOS: Vamos analisar cada item. 
A alternativa A está incorreta. Vimos que a visão do modelo biomédico é focada 
exclusivamente em fatores biológicos (tanto na compreensão quanto no tratamento). Já o 
modelo biopsicossocial abrange, além dos fatores biológicos, os fatores psicológicos e 
sociais. 
A alternativa B está incorreta. Se a longevidade aumenta, a demanda também aumenta. 
A alternativa C está incorreta. A psicoeducação é utilizada em todas as ações de saúde, 
da promoção à reabilitação. 
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A alternativa D está incorreta. Cabe ao psicólogo, sim (também). Essas ações de 
sensibilização e reflexão são ações de cunho educativo e devem ser feitas em conjunto com 
a equipe de saúde. 
A alternativa E está correta. Variáveis comportamentais (que incluem um estilo de vida 
saudável) são muito importantes na prevenção de doenças. 
Gabarito: E 
3. (CESPE – 2016 – TRT 8ª Região) Assinale a opção correta relativamente à dor. 
a) Os fatores culturais são irrelevantes para a compreensão da experiência dolorosa. 
b) Na avaliação da experiência dolorosa, a queixa álgica sobrepõe-se às qualidades 
afetivas referentes à sintomatologia dolorosa. 
c) Os aspectos do inter-relacionamento familiar do indivíduo precisam ser 
desconsiderados na avaliação da experiência dolorosa e na escolha das possíveis 
adequações terapêuticas. 
d) A compreensão da duração, da intensidade e do padrão de instalação da dor 
constitui procedimento suficiente para a avaliação da experiência dolorosa. 
e) Deve-se ter cautela e critério para selecionar o método e os instrumentos de 
avaliação do fenômeno álgico, haja vista sua natureza complexa e subjetiva. 
COMENTÁRIOS: Vamos analisar cada item. 
A alternativa A está incorreta. A experiência da dor é um fenômeno multidimensional, 
complexo e subjetivo. Envolve fatores sociais, históricos e culturais que são relevantes para 
sua compreensão. 
A alternativa B está incorreta. A dimensão afetiva faz parte da queixaálgica (dor) e deve 
ser avaliada tanto quanto a dimensão sensorial. 
A alternativa C está incorreta. Como fenômeno complexo, os aspectos inter-relacionais 
familiares devem sim ser considerados na experiência dolorosa. 
A alternativa D está incorreta. Esses aspectos também são importantes, mas não são 
suficientes. Os aspectos qualitativos também devem ser avaliados. 
A alternativa E está correta A escolha do instrumento de avaliação da dor deve 
considerar o contexto social e histórico, as limitações, a subjetividade, a idade, o gênero... 
não existe um instrumento padrão de avaliação de nenhum aspecto. Ele deve ser escolhido 
de acordo com a realidade de cada paciente. 
Gabarito: E 
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4. (CESPE – 2015 – TER-RS) Acerca da psicologia da saúde e da atuação do psicólogo 
nesse campo, assinale a opção correta. 
a) Dadas as especificidades de cada profissional, é responsabilidade do psicólogo a 
prevenção primária e a secundária, ficando a prevenção terciária a cargo do 
profissional médico. 
b) O termo psicologia clínica da saúde é utilizado com o fim de ratificar o dualismo 
mental versus orgânico. 
c) Na relação de apoio, deve-se considerar, prioritariamente, o ponto de partida da 
queixa — ou seja, quem é o cliente —, a alteração da relação psicólogo e paciente, 
e o tempo de intervenção. 
d) A promoção de saúde engloba ações que almejam contribuir para a diminuição da 
incidência de doenças, de sua prevalência e das complicações delas advindas. 
e) Ao psicólogo hospitalar é imputada a obrigatoriedade ética de deliberar sobre a 
necessidade da intervenção, haja vista a fragilidade do paciente e os limites 
institucionais. 
COMENTÁRIOS: Vamos analisar cada item. 
A alternativa A está incorreta. Todos os profissionais da saúde podem (e devem) 
atuar conjuntamente em todos os níveis de atenção. A visão multi ou transdisciplinar é 
necessária para uma intervenção de qualidade. 
A alternativa B está incorreta. O dualismo não é rompido por esse termo. A visão 
mais integralizada da saúde começou a ser reconhecida com o termo “biopsicossocial”. 
A alternativa C está correta. A escuta deve ser atendida prioritariamente pela fala do 
paciente. A queixa é o ponto de partida, uma vez que ela pode vir a se tornar uma demanda. 
Ao ouvir a queixa inicial, planeja-se a intervenção adequada. 
A alternativa D está incorreta. A assertiva está falando da reabilitação, reparem que 
está falando da diminuição de incidência de doenças (já instaladas), bem como de sua 
prevalência e complicações. 
A alternativa E está incorreta. Não existe essa deliberação ética imputada ao 
psicólogo. A responsabilidade é compartilhada com a equipe e o paciente. 
Gabarito: C 
 
5. COPESE-UFT – 2012 – MPE-TO) Leia as afirmações abaixo e assinale a INCORRETA: 
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a) Paralelamente ao avanço e sofisticação da biomedicina percebe-se sua 
impossibilidade de oferecer respostas conclusivas ou satisfatórias para os 
componentes psicológicos que acompanham qualquer doença. 
b) O modelo biomédico estimula os médicos a aderirem a um comportamento 
extremamente cartesiano na separação entre o observador e o objeto observado. 
c) Medicalização pode ser entendida como a crescente e elevada dependência dos 
indivíduos e da sociedade para com a oferta de serviços e bens de ordem médico-
assistencial e seu consumo cada vez mais intensivo. 
d) O manejo da gravidez e do parto como se fosse uma "doença" e, por isto mesmo, 
requerendo atenção permanente do aparato médico, é um bom exemplo de algo 
fisiológico que é "medicalizado". 
e) O modelo biopsicossocial possui um vasto e aprofundado poder explicativo sobre o 
processo saúde-doença, centrado no diagnóstico das doenças e na sua cura. 
COMENTÁRIOS: A questão pede a incorreta. Vamos analisar os itens: 
A alternativa A está correta. No campo da Psicologia, nada é conclusivo ou 
categórico, principalmente quando falamos de diagnóstico. 
A alternativa B está correta. O modelo biomédico é reducionista e acaba tendo uma 
postura não humanizada. 
 A alternativa C está correta. Segundo o CFP, entende-se por medicalização o 
processo que transforma, artificialmente, questões não médicas em problemas médicos. 
Problemas de diferentes ordens são apresentados como “doenças”, “transtornos”, 
“distúrbios” que escamoteiam as grandes questões políticas, sociais, culturais, afetivas que 
afligem a vida das pessoas. 
 A alternativa D está correta. Exato, a lógica da medicalização faz com que questões 
naturais (como a gravidez) sejam entendidas como doença. 
A alternativa E está correta. Ainda que mais amplo e evoluído que o modelo 
biomédico, o modelo biopsicossocial ainda apresenta limitações diante da complexidade 
que envolve o ser humano. Ele é centrado na pessoa em todos os seus aspectos de vida e 
não na sua doença em específico. 
Gabarito: E 
 
6. (FCC – 2018 – TRT 14ª Região) Nos estudos sobre estresse, a Síndrome Geral de 
Adaptação (Hans Selye) caracteriza-se por fases de: 
a) somatização, fadiga e depressão. 
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Realce
b) alarme, resistência e exaustão. 
c) sensações, distúrbios e doença. 
d) diminuição da libido, desgaste físico e eustress. 
e) distress, eustress e estresse. 
COMENTÁRIOS: Selye descreveu a SGA “como o conjunto de todas as reações 
gerais do organismo que acompanham a exposição prolongada ao estressor”, contribuindo 
para o estudo das fases ou estágios, ensinando que a primeira fase, conceituada de Reação 
de Alarme, deriva-se da liberação de variadas substâncias, como hormônios e corticoides, 
a partir de uma situação estressora, de modo a alterar significativamente a função fisiológica 
do organismo. O segundo estágio (Fase da Resiliência) acontece a partir do prolongamento 
do organismo para uma maior adaptação, exigindo dele maior consumo de energia e, aos 
poucos, é assimilado pelo organismo. A última fase, a Fase da Exaustão, ocorre quando a 
ação do estressor permanece por um longo período, esgotando a energia de adaptação do 
organismo. Relembrem a figura: 
 
 
 
 
Gabarito: B 
 
7. (FGV - Prefeitura de Salvador/BA - 2019) João e Maria, ambos de 20 anos, costumam 
dormir sob um viaduto onde se reúnem outros usuários de crack. João vive nas ruas 
desde criança e Maria iniciou o uso de drogas com amigos da escola particular que 
frequentava. Sua família desconhece seu paradeiro atual. 
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Após abordar o jovem casal e identificar a questão do uso de crack, a equipe deverá 
a) promover a imediata reintegração familiar de Maria e orientar sua internação involuntária 
para desintoxicação em uma comunidade terapêutica. 
b) mobilizar o Conselho Tutelar e/ou o Juizado da Infância e Juventude para um 
atendimento conjunto dos jovens, menores de 21 anos. 
c) diagnosticar as condições de saúde e agravos de cada um dos jovens para as intervenções 
especializadas, de acordo com suas necessidades individuais. 
d) planejar ações do serviço em conjunto e em articulação com a área de saúde, de acordo 
com a rede instalada no território, como os consultórios de rua. 
e) oferecer a João a alternativa de aderir à Justiça Terapêutica e aceitar a redução de danos 
no lugar da pena convencional por uso de entorpecentes. 
COMENTÁRIOS: O idealneste é caso seria planejar ações do serviço em conjunto e em 
articulação com a área de saúde, de acordo com a rede instalada no território, como os 
consultórios de rua. Promover ações interdisciplinares, facilitar e levar o atendimento até 
eles (consultórios de rua) é o que deve ser feito. 
As alternativas "a", "b" e "e" vão por um viés que desrespeita a autonomia dos indivíduos 
e sabemos que o objetivo não é esse. A alternativa "c" não está completamente errada, 
mas o termo "diagnosticar" torna a alternativa "d" a melhor escolha. 
A FGV é uma banca que tem esse perfil, confunde bastante, então fiquem atentos. 
Gabarito: letra D. 
8. (CONTEMAX - Prefeitura de Conceição – 2019) Segundo Lustosa (2000), uma 
aplicação interessante do conceito de interdisciplinaridade na saúde diz respeito à 
interconsulta. A interconsulta consiste na presença de um profissional de saúde em uma 
unidade ou serviço médico geral atendendo à solicitação de um profissional da área de 
saúde em relação ao atendimento de um paciente. Isto garante um atendimento global 
do paciente, tendo a psicologia um importante papel a cumprir neste contexto. Isto 
posto, o psicólogo pode intervir nesse momento: 
a) Somente quando solicitado. 
b) A fim de colaborar na abordagem psicossocial do paciente, sempre que for necessário. 
c) Na interface com a enfermagem. 
d) Auxiliar especificamente na tarefa de ensino e pesquisa. 
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e) Deter-se apenas a diagnóstico. 
COMENTÁRIOS: Apesar de trazer o conceito de interconsulta (conteúdo que será visto na 
aula 01), esta questão não precisa necessariamente desse conhecimento. Para respondê-la, 
você precisaria entender que a lógica multiprofissional e interdisciplinar pressupõe 
participação do psicólogo em uma equipe e não somente em interface com a enfermagem 
(c) e que sua atuação será, de fato, colaborar para uma perspective psicossocial do paciente 
nas situações necessárias. Irá ultrapassar, portanto, ensino e pesquisa (d) e o diagnóstico (e). 
Gabarito: letra B. 
9. (VUNESP - IPREMM– 2019) O trabalho em equipe multiprofissional nos serviços de 
saúde: 
a) Diminui a responsabilidade de cada profissional da equipe de saúde em relação aos 
pacientes por ela atendidos. 
b) Permite que várias ações necessárias aos atendimentos da equipe sejam 
compartimentalizadas para sua maior eficácia. 
c) Aceita que cada profissional, dentro de sua especialidade, realize os atendimentos que 
acredita serem pertinentes para cada paciente. 
d) Possibilita o compartilhamento de responsabilidades na tomada de decisões quanto aos 
atendimentos realizados junto aos pacientes. 
e) Solicita que cada um dos membros da equipe se envolva com todas as ações necessárias 
ao acompanhamento de seus pacientes. 
COMENTÁRIOS: 
A alternativa A está incorreta. Os profissionais precisam assumir suas devidas 
responsabilidades, no que diz respeito aos casos e demandas atendidas. 
A alternativa B está incorreta. A lógica da atuação multiprofissional é a interdisciplinaridade 
e, por isso, não se coaduna com fragmentações na prática para atender uma suposta 
eficácia. 
A alternativa C está incorreta. A atuação profissional não acontece de modo 
individualizado. Essa é uma ideia de multidisciplinaridade. 
A alternativa D está correta. A alternativa apresenta a lógica de atendimento 
multiprofissional dos serviços em saúde: a interdisciplinaridade. 
A alternativa E está incorreta. A ideia defendida se aproxima do conceito de atuação 
transdisciplinar. Não é a atual proposta de trabalho das equipes de saúde. 
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Gabarito: letra D. 
 
10. (FUNDEP – 2023 – FUTEL/MG) A equipe multiprofissional de uma instituição pública 
propôs a realização de um projeto junto aos jovens da comunidade, com foco nos 
cuidados necessários para maior autonomia e desenvolvimento psicossocial, 
considerando que nessa fase de vida ocorre com frequência o uso de drogas e 
substâncias psicoativas. 
 
Nesse sentido, analise a seguir as etapas necessárias para a elaboração do programa de 
treinamento. 
 
I. Levantamento das necessidades de treinamento, considerando o conhecimento e prática 
da equipe formada por psicólogo, assistente social e monitores junto à comunidade. 
 
II. Planejamento e desenho do treinamento, considerando o número de adolescentes, o 
histórico de vida, a infraestrutura, o conteúdo a ser trabalhado e as condições necessárias 
para a realização do processo. 
 
III. Implementação do processo com foco nos objetivos propostos para maior autonomia e 
desenvolvimento psicossocial, enfatizando os fatores de risco como o uso de substâncias 
psicoativas, construindo conjuntamente ações de enfrentamento. 
 
IV. Avaliação do processo, considerando o objetivo proposto de apoiar os jovens em seu 
protagonismo social, orientando sobre os riscos nessa fase do desenvolvimento, para que 
tenham maior autonomia e inserção social. 
 
Estão corretas as etapas 
 
a) I e III, apenas. 
b) II e IV, apenas. 
c) I e IV, apenas. 
d) I, II, III e IV. 
 
COMENTÁRIOS: A Atenção Primária deve desempenhar o importante papel de porta de 
entrada do usuário de crack no SUS, realizando o acolhimento dessa demanda. Esse nível 
de assistência conta com o trabalho de equipes multiprofissionais que, por sua vez, têm 
condições de realizar o reconhecimento dos usuários de drogas e de acompanhar as 
demandas relacionadas às suas necessidades e às de seus familiares. Reafirma-se, assim, a 
capacidade para abranger um grande número de usuários em suas ações, realizar um 
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cuidado longitudinal e inserir a família, a rede social de apoio e a comunidade no cuidado 
(Ramalho, 2011). 
 
I. Certo. Para intervenções em equipe é de suma importância a realização de levantamento 
das necessidades de treinamento, para isso deve ter conhecimento do assunto, bem como 
manejo da equipe de profissionais diante do contexto de trabalho e levando em 
consideração o território. 
 
II. Certo. De fato, deve acontecer a elaboração prévia do treinamento, pensando no 
público, finalidade, temática, dinâmica que será aplicada na condução do processo de 
trabalho, bem como a contextualização das necessidades. 
 
III. Certo. Outros apesto relevante diz respeito a intervenção direcionada a objetivos que 
potencializem o protagonismo social e conheça as fragilidades diante das substâncias 
psicoativas para o sujeito psicossocial e suas implicações em saúde de forma integrada, 
além de pensar articuladamente ferramentas de intervenção 
 
IV. Certo. Corretamente deve acontecer a avaliação do processo, como avaliar e as 
necessidades, conhecendo os jovens e suas realidades, cuja perspectiva de intervenção 
deve possibilitar a reinserção social e integração com a comunidade. 
 
Gabarito: D 
 
Fim de aula! Aguardo a sua presença em nosso próximo encontro! 
Um abraço, 
Prof. Thayse Duarte. 
 
 
 
 
 
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LISTA DE QUESTÕES 
 
1. (CESPE – 2016 – TRT 8ª Região) A respeito das teorias e dos manejos do estresse, 
assinale a opção correta. 
a) A reatividade não se associa à vulnerabilidade nem à predisposição do indivíduo a 
doenças, embora seja uma reação fisiológica ao estresse, própria de cada indivíduo. 
b) Segundo o modelo transacional, o estressepode ser compreendido ao se avaliar, 
separadamente, os eventos ambientais e as respostas do indivíduo. 
c) As transações entre os indivíduos e os ambientes por eles ocupados são motivadas 
pela avaliação reativa dos estressores potenciais. 
d) De acordo com o modelo da diátese do estresse, os fatores de predisposição e os 
fatores de precipitação do ambiente atuam conjunta e dinamicamente na 
suscetibilidade do indivíduo ao estresse e, consequentemente, a doenças. 
e) A avaliação primária do estresse compreende tanto a reação do indivíduo a um 
evento considerado ameaçador ao seu bem-estar como o processo de determinação 
dos recursos disponíveis e das estratégias eficazes para enfrentá-lo. 
 
2. (CESPE – 2020 – TJ/PA) Assinale a opção correta, a respeito da inserção e do trabalho 
do psicólogo no contexto saúde-doença. 
a) A demanda pela intervenção psicológica no processo saúde-doença é igualmente 
reconhecida tanto pelos profissionais e serviços que seguem o modelo biomédico 
quanto pelos que seguem o modelo biopsicossocial. 
b) Atualmente, a incidência de doenças agudas é menor do que há três décadas, o que 
aumenta a longevidade e reduz a demanda pelo trabalho do psicólogo da saúde. 
c) A psicoeducação é inadequada para pacientes em situação de reabilitação, mas é 
útil na prevenção de doenças. 
d) Não cabe ao psicólogo sensibilizar pais para que estes imunizem os filhos contra 
doenças infectocontagiosas, pois tal prática está fora da área de conhecimento desse 
profissional. 
e) Variáveis comportamentais são relevantes na prevenção da morte precoce e do 
desenvolvimento de doenças crônicas e agudas. 
 
 
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3. (CESPE – 2016 – TRT 8ª Região) Assinale a opção correta relativamente à dor. 
a) Os fatores culturais são irrelevantes para a compreensão da experiência dolorosa. 
b) Na avaliação da experiência dolorosa, a queixa álgica sobrepõe-se às qualidades 
afetivas referentes à sintomatologia dolorosa. 
c) Os aspectos do inter-relacionamento familiar do indivíduo precisam ser 
desconsiderados na avaliação da experiência dolorosa e na escolha das possíveis 
adequações terapêuticas. 
d) A compreensão da duração, da intensidade e do padrão de instalação da dor 
constitui procedimento suficiente para a avaliação da experiência dolorosa. 
e) Deve-se ter cautela e critério para selecionar o método e os instrumentos de 
avaliação do fenômeno álgico, haja vista sua natureza complexa e subjetiva. 
 
4. (CESPE – 2015 – TER-RS) Acerca da psicologia da saúde e da atuação do psicólogo 
nesse campo, assinale a opção correta. 
a) Dadas as especificidades de cada profissional, é responsabilidade do psicólogo a 
prevenção primária e a secundária, ficando a prevenção terciária a cargo do 
profissional médico. 
b) O termo psicologia clínica da saúde é utilizado com o fim de ratificar o dualismo 
mental versus orgânico. 
c) Na relação de apoio, deve-se considerar, prioritariamente, o ponto de partida da 
queixa — ou seja, quem é o cliente —, a alteração da relação psicólogo e paciente, 
e o tempo de intervenção. 
d) A promoção de saúde engloba ações que almejam contribuir para a diminuição da 
incidência de doenças, de sua prevalência e das complicações delas advindas. 
e) Ao psicólogo hospitalar é imputada a obrigatoriedade ética de deliberar sobre a 
necessidade da intervenção, haja vista a fragilidade do paciente e os limites 
institucionais. 
 
5. COPESE-UFT – 2012 – MPE-TO) Leia as afirmações abaixo e assinale a INCORRETA: 
a) Paralelamente ao avanço e sofisticação da biomedicina percebe-se sua 
impossibilidade de oferecer respostas conclusivas ou satisfatórias para os 
componentes psicológicos que acompanham qualquer doença. 
b) O modelo biomédico estimula os médicos a aderirem a um comportamento 
extremamente cartesiano na separação entre o observador e o objeto observado. 
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c) Medicalização pode ser entendida como a crescente e elevada dependência dos 
indivíduos e da sociedade para com a oferta de serviços e bens de ordem médico-
assistencial e seu consumo cada vez mais intensivo. 
d) O manejo da gravidez e do parto como se fosse uma "doença" e, por isto mesmo, 
requerendo atenção permanente do aparato médico, é um bom exemplo de algo 
fisiológico que é "medicalizado". 
e) O modelo biopsicossocial possui um vasto e aprofundado poder explicativo sobre o 
processo saúde-doença, centrado no diagnóstico das doenças e na sua cura. 
 
6. (FCC – 2018 – TRT 14ª Região) Nos estudos sobre estresse, a Síndrome Geral de 
Adaptação (Hans Selye) caracteriza-se por fases de: 
a) somatização, fadiga e depressão. 
b) alarme, resistência e exaustão. 
c) sensações, distúrbios e doença. 
d) diminuição da libido, desgaste físico e eustress. 
e) distress, eustress e estresse. 
 
7. (FGV - Prefeitura de Salvador/BA - 2019) João e Maria, ambos de 20 anos, costumam 
dormir sob um viaduto onde se reúnem outros usuários de crack. João vive nas ruas 
desde criança e Maria iniciou o uso de drogas com amigos da escola particular que 
frequentava. Sua família desconhece seu paradeiro atual. 
Após abordar o jovem casal e identificar a questão do uso de crack, a equipe deverá 
a) promover a imediata reintegração familiar de Maria e orientar sua internação involuntária 
para desintoxicação em uma comunidade terapêutica. 
b) mobilizar o Conselho Tutelar e/ou o Juizado da Infância e Juventude para um 
atendimento conjunto dos jovens, menores de 21 anos. 
c) diagnosticar as condições de saúde e agravos de cada um dos jovens para as intervenções 
especializadas, de acordo com suas necessidades individuais. 
d) planejar ações do serviço em conjunto e em articulação com a área de saúde, de acordo 
com a rede instalada no território, como os consultórios de rua. 
e) oferecer a João a alternativa de aderir à Justiça Terapêutica e aceitar a redução de danos 
no lugar da pena convencional por uso de entorpecentes. 
 
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8. (CONTEMAX - Prefeitura de Conceição – 2019) Segundo Lustosa (2000), uma 
aplicação interessante do conceito de interdisciplinaridade na saúde diz respeito à 
interconsulta. A interconsulta consiste na presença de um profissional de saúde em uma 
unidade ou serviço médico geral atendendo à solicitação de um profissional da área de 
saúde em relação ao atendimento de um paciente. Isto garante um atendimento global 
do paciente, tendo a psicologia um importante papel a cumprir neste contexto. Isto 
posto, o psicólogo pode intervir nesse momento: 
a) Somente quando solicitado. 
b) A fim de colaborar na abordagem psicossocial do paciente, sempre que for necessário. 
c) Na interface com a enfermagem. 
d) Auxiliar especificamente na tarefa de ensino e pesquisa. 
e) Deter-se apenas a diagnóstico. 
 
9. (VUNESP - IPREMM– 2019) O trabalho em equipe multiprofissional nos serviços de 
saúde: 
a) Diminui a responsabilidade de cada profissional da equipe de saúde em relação aos 
pacientes por ela atendidos. 
b) Permite que várias ações necessárias aos atendimentos da equipe sejam 
compartimentalizadas para sua maior eficácia. 
c) Aceita que cada profissional, dentro de sua especialidade, realize os atendimentos que 
acredita serem pertinentes para cada paciente. 
d) Possibilita o compartilhamento de responsabilidades na tomada de decisões quanto aos 
atendimentos realizados junto aos pacientes. 
e) Solicita que cada um dos membros da equipe se envolva com todas as ações necessáriasao acompanhamento de seus pacientes. 
10. (FUNDEP – 2023 – FUTEL/MG) A equipe multiprofissional de uma instituição pública 
propôs a realização de um projeto junto aos jovens da comunidade, com foco nos 
cuidados necessários para maior autonomia e desenvolvimento psicossocial, 
considerando que nessa fase de vida ocorre com frequência o uso de drogas e 
substâncias psicoativas. 
 
Nesse sentido, analise a seguir as etapas necessárias para a elaboração do programa de 
treinamento. 
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I. Levantamento das necessidades de treinamento, considerando o conhecimento e prática 
da equipe formada por psicólogo, assistente social e monitores junto à comunidade. 
 
II. Planejamento e desenho do treinamento, considerando o número de adolescentes, o 
histórico de vida, a infraestrutura, o conteúdo a ser trabalhado e as condições necessárias 
para a realização do processo. 
 
III. Implementação do processo com foco nos objetivos propostos para maior autonomia e 
desenvolvimento psicossocial, enfatizando os fatores de risco como o uso de substâncias 
psicoativas, construindo conjuntamente ações de enfrentamento. 
 
IV. Avaliação do processo, considerando o objetivo proposto de apoiar os jovens em seu 
protagonismo social, orientando sobre os riscos nessa fase do desenvolvimento, para que 
tenham maior autonomia e inserção social. 
 
Estão corretas as etapas 
 
a) I e III, apenas. 
b) II e IV, apenas. 
c) I e IV, apenas. 
d) I, II, III e IV. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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GABARITO 
 
1. D 
2. E 
3. E 
4. C 
5. E 
6. B 
7. D 
8. B 
9. D 
10. D 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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RESUMO 
 
Os cuidados aos doentes crônicos ocorrem dentro de três esferas que se 
inter-relacionam: 
 
 
 
 
 
Focos: Doença crônica x Doença Aguda 
DOENÇA CRÔNICA à FOCO NO INDIVÍDUO E NA 
UNIDADE FAMILIAR 
 
DOENÇA AGUDA à FOCO NO SINTOMA OU DOENÇA 
ESPECÍFICA 
 
Sobre o impacto diagnóstico: 
Após a comunicação do diagnóstico ao paciente e à família, um 
dos objetivos do psicólogo é identificar as variáveis 
psicossociais e contextos ambientais em que a intervenção 
psicológica possa auxiliar no processo de enfrentamento da 
doença, incluindo situações possivelmente estressantes às quais 
pacientes e familiares são submetidos após o diagnóstico. 
SISTEMA DE SAÚDE 
ORGANIZAÇÃO 
FORNECEDORA 
COMUNIDADE 
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Estágios emocionais (diante de diagnóstico e/ou luto) segundo Kubler-Ross 
(1996): 
1. NEGAÇÃO 
2. REVOLTA 
3. BARGANHA 
4. DEPRESSÃO 
5. ACEITAÇÃO 
 
Adesão ao tratamento: 
A OMS propõe o estudo da adesão ao tratamento como um fenômeno 
multidimensional, determinado por vários conjuntos de fatores sistematizados e 
agrupados em cinco dimensões: 
1 - aspectos sociais e econômicos; 
2 - aspectos do sistema e dos profissionais de saúde; 
3 - características da doença; 
4- particularidades de cada tratamento dos tratamentos; e 
5- fatores específicos do paciente. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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Síndrome Geral de Adaptação (Selye): 
 
 
 
 
 
 
 
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Tipos de estresse: 
Distresse = estresse ruim 
Eustresse = estresse bom 
DICA: Como recurso mnemônico, para lembrar qual o estresse 
bom ou ruim, lembre-se da palavra DIStância (que tem o mesmo 
prefixo “dis”) para lembrar do DISTRESS. Afinal, desse tipo de 
estresse, todos queremos distância, não é mesmo? J 
 
Teoria da Comporta da dor: 
 
 
A teoria da comporta sugere que existe uma comporta de dor na medula 
espinhal, a qual pode ser fechada por estimulação do sistema de fibras de dor 
rápida. A atividade do sistema de dor lenta tende a abrir a comporta. Esta 
também pode ser fechada pela via descendente do cérebro. 
 
 
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Principais erros cognitivos de pacientes crônicos: 
Catastrofização à superestimação da perturbação e 
desconfortos causados por uma experiência negativa; 
Generalização à crença de que a dor nunca terminará e que 
ela arruinará a vida completamente. Essas atribuições globais e 
estáveis de um evento negativo podem levar à depressão ou 
prejuízo na saúde; 
Vitimização à experiência de um senso de injustiça que 
consome; 
Autoculpa à culpabilização de si por não conseguir conduzir as 
responsabilidades normais para com a família e o trabalho; 
Ênfase na dor à não conseguir para de pensar na dor, reviver 
episódios dolorosos e repassar pensamentos negativos na 
mente de forma indefinida. 
 
Principais funções do enfrentamento: 
1) Coping ou enfrentamento centrado no problema – visa 
modificar a relação entre pessoa e ambiente (ou entre pessoa e 
problema, ou entre pessoa e pessoa), atuando diretamente na 
questão causadora do estresse. Um exemplo desse 
enfrentamento é ilustrado quando você pensa em um plano 
para resolver algum problema. 
2) Coping ou enfrentamento centrado na emoção – objetiva 
adequar a resposta emocional à questão que desafia nossos 
recursos. Esse coping pode ser exemplificado quando você 
buscar formas de se acalmar frente a uma situação difícil. 
 
Tipos de enfrentamento / Coping: 
o Confronto; 
o Afastamento; 
o Autocontrole; 
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o Suporte social; 
o Aceitação de responsabilidades; 
o Fuga e esquiva; 
o Resolução de problemas; 
o Reavaliação positiva. 
 
 
 
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www.estrategiaconcursos.com.brno âmbito da saúde, trazendo novos desafios para a atuação nesse campo. 
O desafio da Psicologia da Saúde no Brasil ocorre também a partir da Reforma 
Sanitária. As conquistas desse movimento culminaram na Constituição de 1988, quando o 
artigo 196 impõe que a saúde é “direito de todos e dever do Estado”. A partir disto, em 
1990, é instituído o Sistema Único de Saúde (SUS), que exige novas teorias e práticas em 
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natal
Realce
natal
Realce
saúde. Para nós, psicólogos, isso significa ir além de uma clínica tradicional. Significa ampliar 
a visão da realidade desenvolvendo capacidades de identificar e intervir nos múltiplos 
determinantes do processo saúde-doença. Isso implica na necessidade de produzir teorias 
que deem conta desta complexidade, assim como práticas que envolvam o trabalho 
interdisciplinar. O trabalho do psicólogo, além de abarcar o tratamento, deve também se 
voltar para a promoção da saúde e prevenção de doenças e/ou agravos. O objeto de estudo 
e intervenção da Psicologia historicamente é mais voltado para as questões de saúde 
mental. Mas na perspectiva da Psicologia da Saúde, o psicólogo também passa a se 
preocupar com aspectos emocionais/sofrimento psíquico em decorrência do adoecimento 
corporal ou que estão implicados em sua etiologia. 
 
(CEBRASPE – 2022 – Pref. Pires do Rio) Considerando o recente aumento de casos de 
autolesão na adolescência, julgue o item seguinte: 
O aumento de casos de autolesões entre adolescentes pode caracterizar um problema 
de saúde pública. 
 
COMENTÁRIOS: A autolesão não suicida (ALNS) se constitui como comportamento 
complexo, multifatorial, sendo um importante problema de saúde pública, em especial na 
adolescência. A qualidade do cuidado profissional pode ser decisiva para o vínculo com o 
adolescente e sua adesão ao acompanhamento em serviços de saúde mental. 
 
Gabarito: Certo. 
 
1.1 – Processo saúde-doença (doenças crônicas e agudas) 
Segundo Straub (2014), os processos de saúde e doença são multifatoriais e, 
portanto, necessitam ser compreendidos a partir dos seus contextos múltiplos. O processo 
saúde-doença representa o conjunto de relações e variáveis que produzem e condicionam 
o estado de saúde e doença de uma população, que variam em diversos momentos 
históricos e do desenvolvimento científico da humanidade. 
As doenças crônicas podem se desenvolver a partir de estilos de vida. São 
considerados fatores de risco: a alimentação inadequada, a falta de atividade física e o 
tabagismo. O sedentarismo tem sido considerado como o fator de risco mais prevalente na 
população, independentemente do sexo. Associada a pouca atividade física, a alimentação 
inadequada vem contribuindo para aumentar o número de obesos. De acordo com 
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estimativas globais da OMS, mais de um bilhão de adultos apresentam excesso de peso, 
sendo 300 milhões considerados obesos. Assim, a promoção de modos de vida saudáveis 
é uma ação importante. Segundo Relatório Mundial de Saúde (2003), dos seis principais 
fatores de risco para o desenvolvimento das doenças e agravos não transmissíveis, cinco 
estão intimamente ligados à alimentação e à atividade física - hipertensão arterial, 
hipercolesterolemia, baixo consumo de frutas e vegetais, excesso de peso corporal e 
atividade física insuficiente. No Brasil, houve aumento do sedentarismo e modificações dos 
hábitos alimentares. Atualmente, verifica-se que inúmeros são os desafios encontrados para 
que a população brasileira alcance um nível ótimo de nutrição e de atividade física (Câmara 
& Col., 2012). Ainda, de acordo com a OMS, as doenças crônicas não transmissíveis (DCNT) 
já são responsáveis por 58,5% de todas as mortes ocorridas no mundo e por 45,9% da carga 
global de doença. 
De acordo com Leles (2019), quando se fala em doença crônica, geralmente ela é 
remetida a uma experiência de vida permanente e progressiva, causada por doenças que 
acarretam múltiplas perdas, limitações e adaptações. Essa característica permanente 
pode ocasionar uma série de respostas, tanto funcionais/adaptativas quanto 
disfuncionais/patológicas. Isso acontece devido à alteração da funcionalidade, imagem 
corporal, atividades sociais, status psicológico, além da modificação do padrão de vida 
habitual. Mesmo diante dos dados da OMS sobre doenças crônicas, o sistema de saúde 
ainda persiste focado na doença aguda, trabalhando de modo interventivo, e não 
preventivo. Indiretamente, isso contribui para que pacientes leigos realizem o autocuidado 
para prevenção de doenças. Assim, muitas vezes, a equipe de saúde acaba atuando na 
estabilização e tratamento imediato do quadro, não dando a devida importância para o 
processo de preparação para alta, orientações gerais, psicoeducação e autocuidado, que 
são fatores diretamente ligados à conscientização e autor-responsabilização em saúde. 
Assim, além das essenciais intervenções ao quadro agudo - na urgência - é necessário 
garantir que haverá informações eficientes, acesso ao cuidado continuado, consultas e 
tratamento preventivo/eletivo ao usuário, contemplando um modelo integral de cuidado 
contínuo, dentro de uma perspectiva de uma rede integrada de serviços. Para que isso 
ocorra, deve haver uma substituição de paradigma e concepção do atual modelo, ainda 
focado na doença, pelo “Modelo de Cuidados Crônicos”, que tem a abordagem no 
indivíduo, considerando a integralidade, bem como a participação da rede sociofamiliar 
durante todo o processo. A rede sociofamiliar tem o papel de extensão do paciente e 
funciona como a principal estratégia protetiva para o doente crônico. Quando os entes 
próximos se tornam participantes do tratamento, o paciente pode contar com apoio e 
auxílio fora do contexto hospitalar, no retorno à sua rotina diária, com maiores chances de 
manter adesão em médio e longo prazo. 
 
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Os cuidados aos doentes crônicos ocorrem dentro de três esferas que se inter-
relacionam: 
 
 
 
 
Seja por meio de uma unidade básica de saúde, um hospital, ou equipes de home 
care, a filosofia desse modelo deve se basear em uma abordagem pró-ativa, capaz de 
prevenir, prever e antecipar possíveis complicações e agravamento da doença. Para isso, é 
necessário o envolvimento direto dos pacientes, suas famílias e comunidade, além da 
integração estruturada entre cuidados primários e secundários. 
É importante ressaltar que nem sempre o paciente se ajustará com facilidade às 
prescrições necessárias. Portanto, nessa perspectiva de enfrentamento de adversidades, 
adequação ao presente e estratégias de adaptação futura, que a psicologia iniciará seu 
trabalho junto ao paciente e seus familiares. O empoderamento pode ser uma estratégia 
eficiente, pois é um processo educativo destinado a ajudar os pacientes a desenvolverem 
autoconhecimento, autonomia e competências necessárias para assumir efetivamente a 
responsabilidade com as decisões acerca de sua saúde e sua vida. Doentes crônicos que 
contam com informações adequadas têm melhor capacidade de reflexão e avaliação de 
suas necessidades e sintomas atípicos, interagindo de forma mais eficaz com os profissionais 
de saúde, na busca por melhores resultados. 
 
A adesão adequada ao tratamento, está ligada a três fatores primordiais: 
o Relação entre paciente e profissional de saúde, que deve ser pautada em 
comunicação acessível, respeito e empatia;o Conscientização e autor-responsabilização do paciente quanto à sua saúde e 
tratamento indicado; 
o Apoio familiar/social. 
SISTEMA DE SAÚDE 
ORGANIZAÇÃO 
FORNECEDORA 
COMUNIDADE 
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Esses fatores perpassam pela atuação do psicólogo, que é o agente que promove a 
reflexão do paciente e da sua família no que diz respeito à doença, a fim de desenvolver 
uma postura ativa e empoderada em relação à saúde e à vida. O paciente que possui 
bom processo de assimilação sobre a cronicidade da doença, vínculo com os profissionais 
que o acompanham, além de rede de apoio social extra-hospitalar, tende a apresentar 
melhores resultados, menores incidências de descompensação e busca por tratamento em 
tempo hábil. Nesse sentido, o psicólogo será o profissional a trabalhar em conjunto com a 
equipe, na identificação de comportamentos de risco, atendimento direto ao paciente e 
família, realização de grupos preventivos e interativos, ofertando a assistência necessária 
para que o usuário se mantenha aderente, após o retorno às atividades de vida. 
As recorrentes remissões, reinternações e pioras clínicas são uma realidade nas 
doenças crônicas. A cura da doença crônica não é uma realidade (não se fala em “cura” 
de doença crônica, e sim em remissão dos sintomas). Em um momento mais avançado da 
doença, quando as descompensações levam à condição de degradação da funcionalidade 
e aumento da gravidade, o trabalho terapêutico estará voltado à conscientização de 
paciente e família sobre a progressão da doença, auxílio adaptativo no enfrentamento dos 
novos desafios de vida e, por vezes, em vias finais, na preparação para a morte. 
 
O foco da intervenção terapêutica será variável, de acordo com o estágio da doença, 
a demanda do usuário e as respostas de enfrentamento apresentadas. O importante é 
sempre buscar viabilizar a dignidade e a condição de autonomia, seja na vida ou no 
processo ativo da morte (Leles, 2019). 
As doenças agudas geralmente têm como características o surgimento abrupto, a 
duração limitada, o diagnóstico e o prognóstico acurados e a possibilidade de cura. 
Caracterizam-se normalmente pelo surgimento rápido, maior intensidade dos sintomas, 
podendo, por exemplo, haver dor aguda, mas que a tendência é a remissão dos sintomas 
em curto tempo. A duração da doença, quando não fatal, é de até três meses. A variável de 
tempo é importante na diferenciação entre a doença aguda e a crônica. A doença aguda, 
não fatal, é de natureza autolimitante com resíduos mínimos, o impacto sobre a vida do 
enfermo, e de sua família, ocorre e passa, retornando todos à rotina de vida. 
Segundo Abranches (1988), a experiência de lidar com um portador de doença 
crônica é diferente daquela dos que cuidam de portadores de doenças agudas. No primeiro 
caso, a ênfase é sobre o indivíduo afetado como pessoa e sobre a unidade familiar mais 
do que sobre o sintoma ou a doença específica. Ao tratar desses pacientes, nos deparamos 
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com áreas que estão atém do atendimento tradicional; essas outras áreas de atenção dizem 
respeito ao funcionamento social e psicológico do paciente e de sua família. É uma 
abordagem, como denomina PERESTRELLO (1987) sobre “a pessoa Global” que parece 
correr em sentido contrário aos progressos da alta tecnologia e da superespecialização. 
 
 
 
DOENÇA CRÔNICA à FOCO NO INDIVÍDUO E NA UNIDADE FAMILIAR 
 
 
 
DOENÇA AGUDA à FOCO NO SINTOMA OU DOENÇA ESPECÍFICA 
Vamos de questão? 
 
 
(CEBRASPE – 2022 – Pref. Pires do Rio) Considerando o recente aumento de casos de 
autolesão na adolescência, julgue o item seguinte: 
Caso clínico 4A2-I 
 
Maria, de 65 anos de idade, é diabética e foi diagnosticada com depressão há 40 anos. 
Faz uso de medicação para ambas as doenças desde o diagnóstico inicial. Relata 
períodos muito difíceis de tristeza, baixa autoestima e ideação suicida. Diz: “Eu me sinto 
OK. Nunca fui feliz. Sempre estive OK. Nunca soube o que é felicidade. Minha vida 
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sempre foi muito difícil. Precisei trabalhar desde cedo. Perdi meu pai e minha mãe 
quando muito pequena. Fui morar na rua. Experimentei tudo quanto foi coisa. Chegava 
a perder as forças. Tinha tontura; tremores; ficava lerda. Meu corpo não respondia 
direito. Mas era muito louco... Eu ficava eufórica e meio descoordenada também. 
Chegava a passar dias desaparecida. Tinha uma raiva dentro de mim. Sempre me 
perguntei o porquê de ser comigo, de ser logo com minha mãe e meu pai. Vi os dois 
serem mortos na minha frente. Nunca vou esquecer. Lembro de tudo, como se fosse 
hoje. Tudo por causa de droga. Meu pai sempre bateu em mim e na minha mãe. Eu tinha 
muita raiva. Ainda tenho. Só de pensar nisso meu coração dispara e eu sou tomada por 
um manto de fogo. Minhas pernas até adormecem. Meu rosto fica quente. Saí do buraco 
quando conheci meu companheiro. Só aí vi que poderia ser cuidada por alguém. Mas 
foi duro. Demorei a acreditar. Mas meu companheiro me ajudou a enxergar minhas 
dificuldades e doença. Fiquei OK por anos. Mas parece uma coisa... nada pode dar certo 
pra mim. Há 10 dias fiquei sabendo que tenho um câncer no estômago. Quis me 
entregar. Mas meu companheiro e meus filhos disseram que farão de tudo por mim e 
que preciso ser forte. Mas tenho a impressão que a tristeza voltou com tudo de novo.” 
(sic). 
 
Levando em consideração o caso clínico 4A2-I, o processo saúde-doença, as 
contribuições da psicologia da saúde e da psicopatologia e o papel do psicólogo, julgue 
o item que se segue. 
 
Em se tratando do processo saúde-doença, fatores biológicos, econômicos, sociais e 
culturais devem ser levados em consideração no contexto de adoecimento de Maria. 
 
COMENTÁRIOS: O processo saúde-doença é uma expressão usada para fazer referência a 
todas as variáveis que envolvem a saúde e a doença de um indivíduo ou população e 
considera que ambas estão interligadas e são consequência dos mesmos fatores. De acordo 
com esse conceito, a determinação do estado de saúde de uma pessoa é um processo 
complexo que envolve diversos fatores. Diferentemente da teoria da unicausalidade, muito 
aceita no início do século XX, que considera como fator único de surgimento de doenças 
um agente etiológico – vírus, bactérias, protozoários -, o conceito de saúde-doença estuda 
os fatores biológicos, econômicos, sociais e culturais e, com eles, pretende obter 
possíveis motivações para o surgimento de alguma enfermidade. 
O conceito de multicausalidade não exclui a presença de agentes etiológicos numa pessoa 
como fator de aparecimento de doenças. Ele vai além e leva em consideração o psicológico 
do paciente, seus conflitos familiares, seus recursos financeiros, nível de instrução, entre 
outros. Esses fatores, inclusive, não são estáveis; podem variar com o passar dos anos, de 
uma região para outra, de uma etnia para outra 
Gabarito: Certo. 
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(CESPE – 2020 – HUB – Residência Multirpfissional) A respeito dos aspectos 
multifatoriais e interdisciplinares que envolvem o adoecimento e o processo de 
tratamento do câncer, julgue o item que se segue. 
Os cuidados paliativos ocorrem somente no momento da terminalidade, por isso não 
envolvem o processo deevolução de doenças crônico-degenerativas. 
COMENTÁRIOS: Cuidados paliativos são os cuidados destinados a toda pessoa afetada 
por uma doença que ameace a vida, seja aguda ou crônica. Os cuidados paliativos são 
tomados a partir do diagnóstico de uma enfermidade, visando a melhoria da qualidade 
de vida do paciente e seus familiares. Inclusive, o Ministério da Saúde possui uma normativa 
para a oferta de cuidados paliativos como parte dos cuidados continuados integrados no 
âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS). O objetivo é garantir que essa prática seja 
ofertada aos pacientes desde o diagnóstico da doença até a fase terminal, permitindo 
mais qualidade de vida aos pacientes. 
Gabarito: Errado. 
2- Impacto Diagnóstico 
O diagnóstico de uma doença grave, quer potencialmente fatal ou crônica, é 
extremamente difícil para o enfermo e seus familiares. Quando se trata de portador de 
doença crônica na infância, Lewis (1996) aponta que as diferentes idades do início de 
apresentação da enfermidade levam a diferentes reações. Por exemplo, aquela que nasceu 
sem um membro enfrenta uma série de tarefas adaptativas e evolutivas diferentes daquelas 
que perderam um membro em um acidente. 
Após a comunicação do diagnóstico ao paciente e à família, um dos 
objetivos do psicólogo é identificar as variáveis psicossociais e 
contextos ambientais em que a intervenção psicológica possa auxiliar 
no processo de enfrentamento da doença, incluindo situações 
possivelmente estressantes às quais pacientes e familiares são 
submetidos após o diagnóstico. 
De acordo com Abranches (1988), a angústia em relação ao diagnóstico pode 
desencadear reações psíquicas específicas. Num primeiro momento, o paciente e sua 
família podem demonstrar um choque que gera medo, depressão, choro e desespero. Uma 
série de conflitos emocionais é desencadeada gerando mecanismos defensivos múltiplos, 
sendo os mais frequentes: 
o Regressão à conduta infantil frente à enfermidade, manifestam-se as necessidades 
de serem prontamente atendidos, apreciados, em serem o centro de atenções; 
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o Negação à não reconhecimento da enfermidade, manifesta-se por uma atitude 
negativa, pouco ou nenhuma colaboração, negação de receber ajuda médica e 
postergação ir a uma consulta; 
o Intelectualização à investigação de todos os aspectos da enfermidade. 
Após o impacto do diagnóstico, o paciente e a família, ao concretizarem a ideia da 
gravidade da doença, podem passar por estágios emocionais, que são definidos por Kubler-
Ross (1996): 
NEGAÇÃO 
REVOLTA 
BARGANHA 
DEPRESSÃO 
ACEITAÇÃO 
 
Esses estágios são experienciados DE MANEIRA DIFERENTE PARA CADA PESSOA 
e também são fluidos, ou seja, não necessariamente ocorrem numa ordem determinada. 
 
A negação é uma defesa temporária (e necessária) para a evolução da relação 
com a doença e elaboração desta. Mais tarde, depois de idas e vindas pelos estágios, 
poderá vir a encarar a morte sem perder as esperanças e, aos poucos, se desprenderá de 
sua negação e se utilizará de mecanismos de defesa menos radicais, desde que passe a falar 
e “ouvir” sua doença e mortalidade. A negação pode ser substituída por sentimentos de 
raiva, revolta, ressentimento e inveja (estágio da revolta). Surge então a pergunta: Por que 
Eu? Este é um momento em que o paciente necessita ser acolhido, compreendido, 
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respeitado, aceito, “cuidado”, para saber que é um ser humano. O próximo estágio, o da 
barganha, é uma tentativa de adiamento, um “prêmio”, por bom comportamento, em busca 
de receber em troca a cura. O estágio seguinte refere-se à depressão, que pode ser reativa 
ou preparatória. A depressão reativa é a aflição inicial que o paciente, em fase terminal, é 
obrigado a se submeter para se preparar, para quando tiver que deixar este mundo, ou no 
caso de doenças crônicas, ter de enfrentar a morte do seu Ser anterior. Por fim, o paciente 
entrará ou não, no último estágio, o da aceitação, lamentando a perda iminente de pessoas 
e lugares queridos e contemplará seu fim próximo com certa tranquilidade de expectativa. 
Pode estar cansado e bastante fraco, sentindo necessidade de dormir com mais frequência 
e em intervalos curtos, como um repouso antes da longa viagem. Muitas vezes também se 
isola (Abranches, 1998). 
 
 
(CESPE – 2018 – HUB – Residência Multiprofissional) De acordo com Kubler Ross (1989), 
o paciente e a família, ao tomarem conhecimento da gravidade da doença, podem 
passar por cinco estágios emocionais: negação, revolta, barganha, depressão e 
aceitação. Com referência a esses estágios, julgue o item a seguir. 
A negação é uma defesa temporária, nem sempre total, pois pode ocorrer de um 
paciente falar sobre sua doença, mas não se relacionar com ela, como se o doente fosse 
outra pessoa. 
COMENTÁRIOS: Exato! Conforme vimos, a negação é uma defesa temporária. Funciona 
como um escudo diante de notícias inesperadas e chocantes. 
Gabarito: Certo. 
3 – Processo de Adoecimento 
Uma compreensão ampliada em que o sofrimento e o processo de adoecimento 
devem ser avaliados em sua totalidade, considerando o contexto micro e macro em que 
o indivíduo está inserido e no qual se constitui biopsicossocialmente é fundamental. Os 
processos de adoecimento, principalmente os que ameaçam a vida de alguma forma, não 
se resumem apenas ao adoecimento físico, mas também a um luto simbólico de algo que 
não está mais presente, podendo gerar sentimentos ambivalentes (medo, estresse, 
ansiedade, tristeza e culpa). A forma como cada pessoa vivencia um diagnóstico é subjetiva 
tanto para ela, quanto para o grupo ao qual pertence. Além disso, envolve históricos de 
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outros adoecimentos, fases do desenvolvimento, idade e a forma de lidar com perdas 
(Targino, 2020). 
A Psicologia atua na linha de frente desse processo de elaboração e ressignificação 
do adoecimento, fazendo uma ponte entre indivíduo, familiares e equipe. Quando uma 
pessoa está enfrentando uma doença, tudo o que ela tem como crença, ideais e o que 
pensa sobre o mundo e sobre si mesma vêm à tona. Mudanças no corpo, rotina, família, 
trabalho e finanças começam a surgir, o que pode levar à crença de que ela perdeu 
totalmente o controle, algo que comumente não se está preparado para enfrentar. Cada 
um irá interpretar o processo de adoecimento de forma diferente, portanto, o tratamento 
vai se estender a todos os envolvidos de forma singular, desde o paciente, redes de apoio, 
seus familiares, cuidadores e profissionais (Targino, 2020). 
 
 
 
(CESPE – 2013 – DEPEN) No que diz respeito ao processo de adoecimento e ao 
enfrentamento da doença, julgue os itens a seguir. 
 
A atuação do psicólogo hospitalar em casos de pacientes com doenças terminais é 
fundamental, podendo ele ajudar esses pacientes na experimentação de sentimentos e 
angústias que podem ocorrer nessas situações em que a morte é o tema central. 
COMENTÁRIOS: A morte pode ser mesmo um tema comum e recorrente quando se fala 
em pacientes terminais. Apesar de a morte ser uma consequência da evolução natural do 
processo da vida, nossa cultura ocidental ainda compreende a morte como algo terrível. 
Assim, ela é temida e lamentada e, frequentemente, adiada, valendo-se de métodos 
artificiais para a manutenção das chamadas “funções vitais”, quando, na realidade, o 
indivíduo já deixou de viver (Figueiredo, 2006). Assim, compreender a morte e os 
sentimentosque a norteiam é fundamental para compreender as angústias daqueles que 
estão diante dessa situação, bem como a de seus familiares. A experimentação e a 
ressignificação dos sentimentos e angústias são de extrema importância tanto na 
preparação para a morte quanto no processo de adoecimento. 
Gabarito: Certo. 
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4 – Enfrentamento da Doença e Adesão ao Tratamento 
O conceito de adesão ao tratamento (AT) começou a ser desenvolvido por Haynes 
(1979) e foi corroborado pela OMS “o grau em que o comportamento do doente (tomar 
a medicação, e cumprir outras prescrições médicas como dieta e mudança de estilo de 
vida) coincide com a prescrição clínica”. No entanto, Hipócrates já havia feito alusão a não 
adesão ao tratamento, alertando que os pacientes muitas vezes mentiam quanto à tomada 
dos medicamentos (Haynes,1979). A partir do século XX, surgiram novas terapêuticas para 
muitas patologias, o que revelou problemas na AT, sensibilizando os serviços de saúde para 
essa temática. 
Muitos fatores são apontados para a não adesão, tais como efeitos adversos do 
tratamento, instruções insuficientes sobre o mesmo, má relação entre profissional e 
paciente, memória fraca, discordância com a necessidade de tratamento ou falta de 
recursos materiais e insumos. Uma das maiores dificuldades de profissionais da saúde é 
fazer com que pacientes apresentem comportamentos de adesão em relação aos 
tratamentos prescritos. Nesse sentido, a AT tem um papel fundamental no resultado do 
tratamento. Klein e Gonçalves (2005) afirmam que a AT não se limita a tomar a medicação 
adequada, mas também apresentar outros comportamentos relacionados à saúde, que 
incluem desde o comparecer às consultas e aos procedimentos de imunização até seguir 
recomendações dadas por diversos profissionais da equipe, como enfermeiros, 
nutricionistas, fisioterapeutas, psicólogos e outros. Entre as recomendações mais comuns 
estão normas de higiene, dieta saudável, atividade física, autogestão de doenças crônicas, 
abandono ou redução do tabagismo e alcoolismo, utilização de métodos de contracepção 
e de prevenção de doenças sexualmente transmissíveis. 
Os comportamentos relacionados a não adesão ocorrem em pacientes de todas as 
idades, classes sociais, grupos étnicos, assintomáticos e sintomáticos, leve ou gravemente 
doentes e podem comprometer todos os tipos de tratamento, desde os preventivos até os 
terapêuticos. A não adesão pode ser intencional, quando o paciente tem o 
conhecimento necessário à realização da conduta, e não intencional, quando o mesmo 
não compreende ou não apresenta condições de cumprir as prescrições. 
A OMS propõe o estudo da AT como um fenômeno multidimensional, determinado 
por vários conjuntos de fatores sistematizados e agrupados em cinco dimensões: 
1 - aspectos sociais e econômicos; 
2 - aspectos do sistema e dos profissionais de saúde; 
3 - características da doença; 
4- particularidades de cada tratamento dos tratamentos; e 
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5- fatores específicos do paciente. 
Afirma, ainda, que a compreensão de cada um desses fatores é essencial na busca 
da solução dos problemas relacionados a essa condição. Defende o compromisso com uma 
abordagem multidisciplinar para fazer progressos nesta área e uma ação coordenada dos 
pesquisadores, profissionais de saúde e gestores de planejamento de políticas públicas. 
Bugalho e Carneiro (2004) defendem que a abordagem tradicional centrada apenas no 
comportamento dos doentes está ultrapassada e que o comportamento dos profissionais 
de saúde deve ser alvo de estudo, procurando identificar quais os fatores que podem 
melhorar ou piorar a AT dos pacientes. Assim, a formação dos profissionais constitui um 
passo fundamental para solução deste problema (Romaniszen, 2013). 
Em relação à quinta dimensão (fatores específicos do paciente), podemos elencar: as 
crenças do paciente, aspectos afetivos e sociais, comunicação profissional e paciente. Os 
problemas de adesão ao tratamento em saúde caracterizam-se pela complexidade de 
fatores implicados neste aspecto. Vázquez, Rodríguez e Alvarez (2003) descrevem diretrizes 
gerais para a adesão ao tratamento: relação cordial, estimular o paciente a conhecer e 
incorporar como seu o compromisso do cuidado, informar sobre a doença e corrigir erros e 
expectativas e adaptá-las às demandas e interesses do paciente; estabelecer metas 
terapêuticas; e, se necessário, negociar trocas de medicação. 
A psicologia da saúde engloba as diversas possibilidades de entender e ter um 
enfrentamento no processo de saúde e doença, fazendo com que seja vista não somente a 
doença, mas a percepção do indivíduo sobre o processo de adoecimento. Os familiares, 
cuidadores e profissionais da área da saúde precisam estar envolvidos para juntos construir 
meios que ofereçam uma melhor qualidade de vida diante do processo saúde-doença. 
Sendo assim, ressalta-se a importância de tratar não apenas o físico, mas o 
emocional dos pacientes e dos que se encontram ao seu redor, já que os aspectos 
psicológicos têm forte impacto na adesão ao tratamento, enfrentamento e cura da 
doença. É importante ressaltar ainda a necessidade dos conceitos e modelos referentes ao 
processo saúde-doença que são utilizados na base da atuação do profissional da saúde e 
seu modo de intervenção frente ao paciente, em especial o psicólogo. A visão por meio do 
modelo biopsicossocial possibilita compreender este processo de adoecimento a partir da 
subjetividade do paciente, apresentando possibilidades de intervenção levando em 
consideração o sujeito como ser holístico (Almeida & Cols, 2018). 
 
 
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(CESPE – 2015 – DEPEN) No que se refere ao processo de adoecimento e à adesão ao 
tratamento, julgue o item a seguir. 
 
A participação ou envolvimento familiar, em geral, implica em uma maior adesão ao 
tratamento de pacientes portadores de doenças crônicas, como, por exemplo, o câncer. 
 
COMENTÁRIOS: Conforme vimos, as diversas variáveis do paciente afetam sua adesão ao 
tratamento. Segundo Straub (2014), ter o apoio da família, estar de bom humor e ter 
expectativas positivas são fatores importantes na adesão ao tratamento do paciente. 
 
Gabarito: Certo. 
 
5 – Teorias e Manejo do Estresse 
O estresse é uma reação natural do organismo que ocorre quando vivenciamos 
situações de perigo ou ameaça. Esse mecanismo nos coloca em estado de alerta ou 
alarme, provocando alterações físicas e emocionais. Ele tem sido responsável pela maioria 
dos males que acometem a vida dos indivíduos e assume um papel importante na área da 
saúde e de como esses indivíduos lidam, direta ou indiretamente, com experiências e 
eventos considerados estressores, que determinam a vulnerabilidade do organismo à 
ocorrência de doenças físicas e psicológicas (Silva, 2017). 
O estresse pode ser originado tanto de fontes estressoras internas quanto externas. 
As primeiras são desencadeadas pelo próprio indivíduo de acordo com sua personalidade, 
estilo de vida e características pessoais que dificultam sua relação com o outro e sua 
expressividade. As segundas – externas - variam de acordo com as reações do sujeito frente 
às circunstâncias do ambiente, como emprego, acidentes, entre outros. A partir dessas 
situações estressantes, os reflexos são observados tanto no indivíduo quantoem suas 
relações sociais e na vida como um todo. 
5.1– Teorias do Estresse 
O estresse, compreendido como o estado de tensão do organismo, surge mediante 
alterações das atividades normais do indivíduo, afetando a sua vida psíquica e o seu 
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comportamento social. O aprofundamento nas diferentes teorias do estresse indica que, 
antes de serem concorrentes, são complementares e baseiam-se umas nas outras. 
5.1.1 – Teoria da luta ou fuga - Cannon 
A primeira teoria do estresse, apresentada pelo fisiologista Walter Cannon em 1914, 
não abarcava o sentido atual e foi chamada "teoria da luta ou fuga" (fight-or-flight). 
Segundo essa teoria, em situações de emergência o organismo se prepara para lutar ou 
fugir, dependendo do caso. Lipp (2006) complementa que é possível diferenciar as reações 
corporais de acordo com a situação estressora, ou seja, a fuga gera um aumento de 
adrenalina, a luta gera um aumento de noradrenalina e testosterona e a depressão (perda 
de controle, submissão) gera um aumento de cortisol e uma diminuição de testosterona. O 
organismo prepara-se para lutar ou fugir, gerando um estado de prontidão caracterizado 
por taquicardia, alteração da pressão arterial, sudorese, boca seca, mãos e pés frios, 
mudanças de apetite, diarreia passageira, entre outros. Esse tipo de reação foi observado 
em animais e em humanos. Estudos empíricos puderam acompanhar outro tipo de reação 
chamada "busca de apoio" (tend-and-befriend), observado pela primeira vez em mulheres. 
Essa outra reação ao estresse caracteriza-se pela busca de apoio, de proteção e de amizade 
em grupos. 
Quando grandes porções do sistema nervoso simpático são estimuladas e 
descarregam ao mesmo tempo, ou seja, quando ocorre uma descarga em massa, há um 
aumento da capacidade do corpo para desempenhar uma atividade muscular intensa. Isso 
pode ocorrer de várias maneiras, dentre as quais destacam-se reações fisiológicas: 
 1. midríase (dilatação das pupilas); 2. vasoconstrição periférica; 3. 
vasodilatação muscular, necessidade de atividade motora rápida; 4. 
diminuição da circulação sanguínea para órgãos como os do trato 
gastrointestinal e os rins, uma vez que esses não são importantes para uma 
atividade motora rápida; 5. taquicardia (aumento da frequência cardíaca) e 
broncodilatação; 6. taquipnéia (aumento da frequência respiratória); 7. 
aumento da biodisponibilidade de glicose no sangue, 
concomitantemente ao aumento da glicólise no fígado e no músculo; 8. 
atividade mental aumentada; 9. aumento da velocidade de coagulação; 
10. diminuição da resposta excitatória sexual; 11. aumento da pressão 
arterial; 12. aumento da intensidade do metabolismo celular por todo o 
corpo. 
Tais alterações no organismo ocorrem pelo fato de que, em uma situação de perigo, 
o indivíduo deve estar preparado para a luta ou para a fuga. Desse modo, o organismo se 
mobiliza e concentra o gasto energético em processos que o auxiliarão a ter uma resposta 
motora eficiente. 
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5.1.2 – Síndrome de Adaptação Geral (SGA) - Selye 
 
O médico austríaco Selye, um dos pioneiros nos estudos sobre o estresse, 
denominou Síndrome de Adaptação Geral / Síndrome Geral de Adaptação (SGA) para 
nomear os sintomas comuns de diferentes doenças que estavam relacionados à condição 
geral de enfermidade. Sob estresse, o corpo entra em um estágio de alarme durante a qual 
a resistência ao estresse é temporariamente suprimida. A partir daí, ele se recupera, 
passando a uma fase de maior resistência ao estresse. Essa resistência do corpo dura um 
tempo determinado. Frente ao estresse prolongado, o estágio de exaustão pode ser 
atingido. Ao longo dessa etapa final, o indivíduo se tornam mais vulneráveis a uma 
variedade de problemas de saúde. Lipp (2006) também descreveu as fases do estresse, as 
quais se iniciam com a fase de alerta, que acontece ao se deparar com uma situação 
estressora. Na segunda fase, a de resistência, o organismo tenta reestabelecer o equilíbrio 
interno utilizando toda a energia adaptativa, seguindo com a fase de pré-exaustão que é 
caracterizada pelo início do processo de adoecimento, pois há um enfraquecimento do 
sistema imunológico e as defesas do organismo começam a ceder, dando início à quarta 
fase do estresse: a exaustão. Esta última é considerada a mais patológica, pois há uma 
quebra total da resistência, ocasionando exaustão psicológica em forma de depressão, 
exaustão física e doenças como úlceras, aumento da pressão arterial, problemas cardíacos, 
dermatológicos, sexuais, câncer e ainda pode levar o indivíduo à morte. 
 
Selye descreveu a SGA “como o conjunto de todas as reações gerais do organismo 
que acompanham a exposição prolongada ao estressor”, contribuindo para o estudo das 
fases ou estágios, ensinando que a primeira fase, conceituada de Reação de Alarme, deriva-
se da liberação de variadas substâncias, como hormônios e corticoides, a partir de uma 
situação estressora, de modo a alterar significativamente a função fisiológica do organismo. 
O segundo estágio (Fase da Resiliência) acontece a partir do prolongamento do organismo 
para uma maior adaptação, exigindo dele maior consumo de energia e, aos poucos, é 
assimilado pelo organismo. A última fase, a Fase da Exaustão, ocorre quando a ação do 
estressor permanece por um longo período, esgotando a energia de adaptação do 
organismo. Nesse momento, o indivíduo pode ter seu organismo afetado tanto no plano 
psicológico quanto no plano físico, desencadeando, de indivíduo para indivíduo, sintomas 
e doenças de acordo com os recursos psicológicos utilizados para lidar com a situação 
estressora. Depois de toda tensão, deve seguir um estado de relaxamento, pois apenas com 
descanso suficiente o organismo é capaz de manter o equilíbrio entre relaxamento e 
excitação necessário para a manutenção da saúde. Assim, se o organismo continuar sendo 
exposto a mais estressores, não poderá retornar ao estágio de relaxamento inicial o que, 
em longo prazo, pode gerar problemas de saúde. Na fase de reação de alarme, a glândula 
hipófise secreta maior quantidade do hormônio adrenocorticotrófico, que age sobre as 
glândulas suprarrenais. Estas passam a secretar mais hormônios glicocorticoides, como o 
cortisol. Este, por sua vez, inibe a síntese proteica e aumenta a quebra de proteínas nos 
músculos, ossos e tecidos linfáticos. Todo esse processo provoca um aumento do nível de 
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aminoácidos no sangue que servem ao fígado para a produção de glucose, aumentando 
assim o nível de açúcar no sangue – a excessiva produção de açúcar poder levar a um 
choque corporal. Outra consequência da inibição da síntese de proteínas é a inibição do 
sistema imunológico. Assim, pode-se apresentar cansaço injustificado, problemas com a 
memória, sensação de desgaste e irritabilidade. Todas as respostas corporais entram em 
estado de prontidão geral, ou seja, todo organismo é mobilizado sem envolvimento 
específico ou exclusivo de algum órgão em particular. É um estado de alerta geral, tal como 
se fosse um susto. A fase de adaptação ou resistência é caracterizada pela secreção de 
somatotrofina e de corticoides. Gera, com o tempo, um aumento das reações infecciosas. 
Acontecequando a tensão se repete: nesta fase, o corpo começa a se acostumar aos 
estímulos causadores do estresse e entra num estado de resistência, ou de adaptação, para 
suportar o estresse por um tempo, podendo canalizar para um órgão específico ou para um 
determinado sistema, seja o sistema cardiológico, a pele, o sistema muscular ou o aparelho 
digestivo. Na fase de exaustão ou esgotamento, uma vez que a fonte de estresse não cesse, 
as glândulas suprarrenais se deformam. Doenças de adaptação podem aparecer e a maioria 
dos sintomas somáticos e psicossomáticos fica mais aparente nessa fase. Assim, observa-se 
queda acentuada da capacidade adaptativa, pois os mecanismos de adaptação começam 
a falhar, aumentando o déficit das reservas de energia. Essa fase é grave, podendo levar à 
morte do organismo. Vejam as figuras 1 e 2, que representam a SGA: 
 
 
 
Figura: SGA. Fonte: Filgueiras, 1991. 
 
 
 
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Figura SGA. Fonte: Filgueiras, 1991. 
 
 
A fase de pré-exaustão se encontra na parte LARANJA da curva, entre as cores 
amarela e vermelha. 
 
5.1.3 – Modelo Transacional - Lazarus 
 
O Modelo Transacional de Lazarus, também chamado de modelo cognitivo ou 
modelo relacional, sublinha a importância de processos mentais de juízo para o estresse: 
segundo ele, as reações de estresse resultam da relação entre exigência e meios 
disponíveis. Essa relação é, no entanto, mediada por processos cognitivos (juízos de valor e 
outros). Assim, não apenas fatores externos podem agir como estressores, mas também 
fatores internos, como valores e objetivos. O modelo prevê dois processos de 
avaliação/julgamento do indivíduo mediante uma situação estressora: 
 
Avaliação primária: determinação inicial sobre o significado de um evento como 
irrelevante, positivo ou ameaçador. Se os acontecimentos são considerados irrelevantes ou 
positivos, não ocorre nenhuma reação de estresse; reações de adaptação são típicas de 
situações julgadas negativas, nocivas ou ameaçadoras; 
 
Avaliação secundária: determinação que alguém faz sobre seus próprios recursos e 
capacidades, verificando se são suficientes para cumprir com as demandas de um evento 
avaliado como potencialmente ameaçador ou desafiador. Após a decisão sobre a 
necessidade de adaptação, ocorre um julgamento dos meios disponíveis (recursos para essa 
adaptação) para a solução do problema. Se a relação entre exigências e meios for 
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equilibrada, então a situação é tomada por um desafio – o que corresponde ao conceito de 
eustresse (estresse positivo); se os estressores forem tomados por um dano ou perda, o 
indivíduo experimenta emoções de tristeza e de diminuição da autoestima ou de raiva; se 
os estressores forem considerados uma ameaça à emoção ocorre medo – ambos os casos 
correspondem ao “distresse”. 
 
Nem sempre o estresse é ruim, sendo um recurso importante para se enfrentar as 
diferentes situações da vida cotidiana, ou seja, esse pensamento vai ao encontro do modelo 
transacional e aos processos de julgamento, pois “existem situações estressantes que 
podem ser muito agradáveis, como por exemplo, se apaixonar, planejar uma festa, o 
nascimento de um filho, uma viagem, torcer pelo seu time de futebol, entendidas como 
“eustresse”. Importante salientar que o eustresse pode se transformar em distresse, caso 
aquela euforia se torna disfuncional a ponto de causar prejuízos na vida. 
 
Distresse = estresse ruim 
Eustresse = estresse bom 
 
Como recurso mnemônico, para lembrar qual o estresse bom ou ruim, 
lembre-se da palavra DIStância (que tem o mesmo prefixo “dis”) para 
lembrar do DISTRESS. Afinal, desse tipo de estresse, todos queremos 
distância, não é mesmo? J 
Por fim, o modelo transacional enfatiza a natureza contínua do processo de avaliação 
à medida que a nova informação se torna disponível. Com a reavaliação cognitiva (processo 
pelo qual os eventos potencialmente estressantes são sempre reavaliados), atualizamos 
constantemente nossa percepção de sucesso ou fracasso diante de um desafio o ameaça. 
5.1.3 – Modelo da diátese ao estresse 
Este modelo propõe que dois fatores que interagem determinam a suscetibilidade 
do indivíduo ao estresse e à doença: fatores predisponentes à pessoa (genéticos, por 
exemplo) e fatores precipitantes do ambiente (exemplo: experiências traumáticas). Na 
maior parte dos casos, não se acredita que os fatores ambientais (estresse) sejam específicos 
para a determinada condição de saúde, enquanto os fatores genéticos (diátese) são. Por 
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exemplo, alguns indivíduos são mais vulneráveis a doenças porque seus sistemas biológicos 
apresentam maior reatividade (reação fisiológica ao estresse, que varia com o indivíduo e 
afeta a vulnerabilidade a doenças), ou seja, reagem com mais intensidade a determinados 
gatilhos ambientais. 
5.1.4 – Teoria do Buscar Apoio 
Propõe que mulheres têm mais probabilidade do que os homens de responder aos 
mesmos estressores com comportamentos de buscar apoio (estratégia comportamental ao 
estresse que se concentra em proteger os filhos (zelar) e procurar outros indivíduos para a 
defesa mútua (agrupar) que: 
• Acalmam, estimulam e cuidam dos filos para protegê-los (zelar); 
• Estabelecem e mantém redes sociais para protegê-los do perigo. 
 
5.1.5 – Psiconeuroimunologia 
 
A psiconeuroimunologia enfatiza a interação entre processos psicológicos, neurais e 
imunológicos no estresse e na doença. É um campo de pesquisa multidisciplinar que trata 
das interações entre o comportamento e o sistema nervoso, o sistema endócrino e o sistema 
imunológico. Baseia-se em duas hipóteses: 
 
Hipótese do efeito indireto: retardos na cura induzidos por estresse podem ocorrer 
porque os processos imunológicos são alterados indiretamente, encorajando 
comportamentos mal-adaptativos que perturbam o funcionamento imunológico. Exemplo: 
considerando que o sono profundo está associado à secreção de hormônio do crescimento 
(o qual facilita a cura de ferimentos, pois ativa os macrófagos para matar bactérias no local 
da ferida). A falta de sono ou o sono fragmentado resulta na redução da secreção desse 
hormônio, causando retardo na cura; 
 
Hipótese do efeito direto: a imunossupressão é parte da resposta natural do corpo 
ao estresse. Assim, o estresse pode afetar o sistema imunológico de forma direta, por meio 
da ativação de mecanismos neuroendócrinos que liberam o cortisol, epinefrina e outros 
hormônios e neurotransmissores capazes de reduzir as defesas do corpo contra infecções e 
doenças. 
 
 
 
 
 
 
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5.2. – Manejo do Estresse 
 
O manejo do estresse descreve uma variedade de métodos psicológicos projetados 
para reduzir o impacto das experiências potencialmente estressantes (Steptoe, 1997). 
Existem muitas técnicas disponíveis para ajudar pessoasa manejarem o estresse de forma 
mais eficaz. É importante que elas sejam indicadas por um profissional, considerando a 
realidade, as limitações e a individualidade de cada paciente. Vou descrever algumas 
segundo Straub (2014): 
 
5.2.1 – Prática de Exercícios Físicos 
 
A prática regular e orientada de exercícios físicos tem efeito profundo sobre a 
fisiologia, aumentando o fluxo sanguíneo para o cérebro e estimulando o sistema nervoso 
autônomo, o que desencadeia a liberação de vários hormônios. Todos esses efeitos 
fisiológicos tendem a proteger o indivíduo contra doenças, especialmente problemas 
de saúde relacionados ao estresse. Também tem efeitos positivos contra a depressão e 
a ansiedade. 
 
5.2.3. – Terapias do Relaxamento 
 
 As terapias de treinamento em relaxamento são intervenções psicológicas 
relativamente simples. Entre elas estão (Straub, 2014): 
 
Treinamento muscular progressivo (Jacobson): treinamento para relaxamento que reduz 
a tensão muscular por meio de uma série exercícios de contração e relaxamento dos 
músculos do corpo; 
 
Resposta de relaxamento: estado meditativo de relaxamento em que o metabolismo 
diminui e a pressão arterial é reduzida; 
 
Treinamento autógeno: forma de auto-hipnose para promover o relaxamento que envolve 
uma série de exercícios que induzem sentimentos de peso e calor nos membros do corpo; 
 
Biofeedback: sistema que proporciona informações auditivas ou visíveis com relação a 
estados fisiológicos involuntários. Fornece informações com a finalidade de permitir aos 
indivíduos, desenvolver a capacidade de autorregulação. Envolve o retorno imediato da 
informação através de aparelhos sensórios eletrônicos, sobre processos fisiológicos; 
 
Hipnose: interação social em que são sugeridos pensamentos, sentimentos, percepções ou 
comportamentos; 
 
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Terapias cognitivas: apoiam-se na visão de que a forma de pensar a respeito do ambiente, 
em vez do próprio ambiente, altera o nível de estresse. Assim, visam quebrar o ciclo de 
padrões de pensamento irracional que distorcem a percepção das pessoas de eventos 
cotidianos e impede que elas adotem comportamentos de enfrentamento apropriados. 
Dentre essas terapias, há a terapia relacional-emotiva, que se baseia em confrontar ou 
desafiar os pensamentos e atitudes irracionais. 
 
Treinamento de inoculação do estresse (TIE): é um tipo de terapia cognitiva que ajuda a 
confrontar eventos estressantes com várias estratégias de enfrentamento que podem ser 
usadas antes que o evento se torne insuperável. Dessa forma, os indivíduos conseguem se 
“inocular” contra os efeitos potencialmente prejudiciais do estresse. O TIE é um processo 
de três estágios, no qual o terapeuta utiliza uma dose enfraquecida de um estressor na 
tentativa de construir uma imunidade contra o estressor total. 
 
o Estágio 1 – Reconceitualização: os objetivos gerais dessa fase são identificar e 
definir o problema que a pessoa apresenta. Também pretende-se ajudá-la a 
entender sua natureza e seus efeitos nas emoções e comportamentos, além de definir 
os objetivos da terapia. A importância concedida à compreensão do problema e 
como é possível abordá-lo faz com que essa fase também receba o nome de fase 
educativa. 
 
o Estágio 2 – Aquisição de e treinamento de habilidades: Durante essa segunda 
fase, o paciente – com a ajuda do terapeuta – revisa, aprende e treina estratégias 
de confronto. Essas estratégias vão lhe permitir abordar as situações geradoras de 
estresse que foram detectadas na fase de reconceitualização. Durante essa fase, são 
realizadas tarefas como treinar o paciente para buscar, utilizar e manter o apoio social 
de forma efetiva. Também são utilizados modelos de confronto reais ou por meio de 
vídeo, comentando, discutindo e dando feedback sobre a execução das estratégias 
que são treinadas. 
 
o Estágio 3 – Manutenção: Na terceira fase, os objetivos são vários: colocar em prática 
as estratégias aprendidas em situações reais, comprovar a utilidade das habilidades 
adquiridas e corrigir os problemas que vão surgindo durante o processo de 
exposição. Essa fase está completamente relacionada à anterior. Normalmente, para 
adquirir habilidades é necessário treiná-las, primeiro nas sessões e, posteriormente, 
em situações reais. 
 
 
 
 
 
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==593391==
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(CESPE – 2014 – TC/DF) No que se refere ao estresse e às suas consequências, julgue 
os próximos itens. 
 
De acordo com a teoria do estresse proposta por Selye, o manejo do estresse pode ser 
feito pela remoção de estressores desnecessários à vida e por meio de evitação ou fuga 
das condições adversas que o causam. 
 
COMENTÁRIOS: Pra começar, nem sempre temos esse “poder” de evitar ou fugir das 
condições adversas que causam o estresse. Selye afirma que podemos lidar com situações 
estressantes de diferentes formas, como a partir da remoção dos estressores desnecessários 
à vida; evitando-se que eventos neutros se tornem estressores; desenvolvendo habilidades 
de enfrentamento a condições adversas; por meio de relaxamento e distração. 
 
Gabarito: Errado. 
 
(CESPE – 2016 – TCE/PA) Adulto, Luís sofreu um grave acidente automobilístico e teve 
de amputar o braço esquerdo. Um mês após a amputação e a alta médica, ele foi levado 
ao hospital por ter sofrido um colapso: isolado da família, havia passado dias bebendo, 
sem se alimentar adequadamente, e com comportamento violento. Na semana anterior 
ao colapso, Luís havia se queixado de forte dor no membro amputado, tendo-a descrito 
como paralisante, aguda e ardente. Como Luís sentia fortes dores no braço desde a 
infância, em decorrência de outro acidente, e como estava constantemente embriagado 
desde a amputação, sua família não deu importância a sua queixa, tendo acreditado que 
ela poderia ser uma memória do acidente ocorrido na infância. 
 
Considerando as teorias do manejo e enfrentamento da dor e do estresse, julgue o item 
a seguir, acerca da situação hipotética apresentada. 
 
É possível que Luís esteja vivenciando a terceira etapa da síndrome geral de adaptação. 
Essa etapa é denominada reação de alarme e ocorre quando as reservas de energia do 
corpo já estão exauridas. 
 
COMENTÁRIOS: A reação de alarme/alerta é a primeira da SGA, a última (terceira) é 
chamada de EXAUSTÃO. 
 
Gabarito: Errado. 
 
6 – Teorias e Manejo da Dor 
A dor envolve uma experiência total de reação a um evento prejudicial, incluindo 
o mecanismo físico pelo qual o corpo reage, a resposta emocional subjetiva (sofrimento) 
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e ações observáveis (comportamento de dor). Sabe-se que a experiência da dor é um 
fenômeno multidimensional, que envolve diversos fatores (idade, gênero, fatores 
socioculturais, psicossociais e de aprendizagem social). A luta para compreender a dor – 
o que a causa e como controlá-la – é um tópico central na psicologia da saúde. Aqui 
falaremos da dor clínica, que é aquela que requer alguma forma de tratamento médico. 
Apesar do desconforto e estresse que pode causar, a dor é de extrema importância à nossa 
sobrevivência, pois a dor é um sinal vital que pode revelar muita coisa sobre o corpo. A dor 
dispara um alarme de que há algo errado e nos alerta para tentar prevenir possíveis danos 
físicos. 
De modo geral, a dor é dividida em duas categorias amplas: dor aguda e dor 
crônica. A dor aguda é aquela pungente, curta e normalmente relacionada a lesões. A dorcrônica pode ser contínua ou intermitente, moderada ou grave. É uma dor cega e ardente 
que é duradoura. A dor crônica reduz a qualidade de vida geral da pessoa e aumenta sua 
vulnerabilidade à infecção e, assim, a uma variedade de doenças. Também pode causar 
outros problemas físicos, como quando a dor de cabeça gera problemas estomacais. Tem 
um custo psicológico devastador, desencadeando baixa autoestima, insônia, raiva, 
sensação de abandono e outros prejuízos (Straub, 2014). Outro desafio enfrentado por 
aqueles que têm dor crônica é a hiperalgesia, condição em que a pessoa que sofre de dor 
crônica torna-se mais sensível a ela com o passar do tempo. 
6.1. – Como mensurar a dor? 
De natureza multidimensional e subjetiva, a dor não é facilmente mensurada. 
Todavia, existem maneiras de avaliá-la: medidas psicofisiológicas, medidas 
comportamentais e medidas de autoavaliação. 
Medidas psicofisiológicas: mensuração das mudanças fisiológicas específicas que 
acompanham a dor. Por exemplo, a eletromiografia avalia a quantidade de tensão 
musculação apresentada em pacientes que sofrem dores de cabeça ou dores de coluna. 
Medidas comportamentais: profissionais de saúde podem ser treinados para avaliar 
a dor com base nos comportamentos do paciente durante procedimentos de rotina. Pode-
se utilizar inventários que avaliam comportamentos-alvo, como verbalização de queixas, 
expressões faciais, posturas anormais e mobilidade. 
Medidas de autoavaliação: baseiam-se em relatos verbais ou escritos que o paciente 
faz da sua dor. As medidas de autoavaliação assumem três formatos: 
o Entrevistas estruturadas (perguntas sobre quando a dor começou, como progrediu, 
o que a faz aumentar, etc); 
o Escalas de avaliação da dor (pacientes atribuem um valor numérico ao grau da dor); 
o Inventários de dor (categorização da dor em dimensões sensoriais ou afetivas). 
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6.2. – Teoria da Comporta 
Várias teorias foram propostas para explicar a percepção da dor. A teoria da 
comporta (de Ronaldo Melzack e Peter Wall) superou limitações de teorias anteriores e, 
apesar das críticas, permanece sendo a teoria dominante. A ideia dessa teoria é que a 
experiência da dor não é o resultado de um canal sensorial direto que começa com a 
estimulação de um receptor na pele e termina com a percepção da dor pelo cérebro. A 
teoria propõe que a existência de uma estrutura neural na porção posterior da medula 
espinhal que funciona como uma comporta, abrindo para aumentar o fluxo de transmissão 
das fibras nervosas ou fechando para diminuir o fluxo. Com a comporta aberta, os sinais que 
chegam à medula espinhal estimulam neurônios sensoriais chamados de células 
transmissoras, que, por sua vez, transmitem os sinais adiante para atingir o cérebro e 
desencadear a dor. Com a comporta fechada, os sinais são impedidos de chegar ao cérebro 
e a dor não é sentida. E como a comporta se fecha? Melzack & Wall sugeriram que o 
mecanismo se encontra na substância gelatinosa da medula espinhal. Tanto as fibras da dor 
pequenas quanto as grandes têm sinapses na substância gelatinosa. Dependendo de quais 
fibras são ativadas, a substância gelatinosa (o guardião), abrirá ou fechará as comportas. 
Veja a figura ilustrativa do mecanismo da teoria da comporta: 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura: Teoria da Comporta da Dor. Fonte: Klein, 2016 
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A teoria da comporta sugere que existe uma comporta de dor na 
medula espinhal, a qual pode ser fechada por estimulação do sistema de 
fibras de dor rápida. A atividade do sistema de dor lenta tende a abrir a 
comporta. Esta também pode ser fechada pela via descendente do 
cérebro. 
 
6.3. – Manejo da Dor 
Para cuidar da dor, existem tratamentos biomédicos e não-biomédicos. Os 
tratamentos médicos incluem farmacológicos, cirúrgicos, estimulação elétrica e terapias 
físicas. Os não-médicos incluem tratamentos psicológicos (e também terapia cognitivo-
comportamental). 
Tratamentos farmacológicos: realizados com drogas analgésicas, que são divididas 
em duas classes gerais: as drogas opióides (de ação central, como a morfina); e as não 
opióides (ação periférica, que produzem efeitos de alívio da dor e de anti-inflamatórios no 
local lesionado). 
Cirurgia, estimulação elétrica e terapias físicas: a cirurgia, como geralmente 
envolve risco substancial à saúde, é usada para controlar a dor apenas em último recurso. A 
estimulação elétrica e as terapias físicas (ex. fisioterapia) são recursos bem menos invasivos 
e de risco muito reduzido em relação à cirurgia. 
Terapia Cognitivo-Comportamental: baseia-se em procedimentos operantes para 
extinguir comportamentos de dor indesejáveis, enquanto reforçam respostas mais 
adaptativas à dor crônica. Vamos às técnicas da TCC mais utilizadas para manejo da dor: 
o Educação e estabelecimento de objetivos: os terapeutas iniciam dando aos pacientes 
uma psicoeducação sobre diferenças entre dor aguda e crônica, mecanismos da 
teoria da comporta e efeitos da depressão, ansiedade e de outros fatores sobre a 
dor. Os pacientes são encorajados a registrar suas próprias experiências de dor, 
mantendo um diário que registre a frequência, a duração e a intensidade da dor. 
Além de registrar o uso de medicamentos e os níveis de humor e atividade a cada 
hora. O diário permite que o paciente e o terapeuta revisem padrões de dor e 
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Aula 09 - Prof. Priscila Batista e Prof. Thayse Duarte
SESAPI (Psicólogo) Conhecimentos Específicos - 2025 (Pós-Edital)
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natal
Realce
apresentar novas visões de alguns dos fatores que afetam a experiência da dor. Essas 
visões são valiosas para promover maior senso e controle da dor. Essa fase é útil para 
estabelecer os objetivos específicos da intervenção. Os objetivos devem ser 
formulados de maneira a reduzir a tendência comum em conviver com a dor. Por 
exemplo, em vez de “gostaria de retomar minhas atividades normais sem sentir dor”, 
um objetivo realista seria “gostaria de me alongar três vezes por semana”; 
 
o Intervenções cognitivas: a principal delas é a reestruturação cognitiva, que desafia 
processos de pensamentos mal adaptativos e corrige crenças irracionais do paciente, 
que contribuem para a ansiedade e amplificam a dor. Seguem alguns padrões de 
erros cognitivos comuns a pacientes crônicos: 
 
o Catastrofização - superestimação da perturbação e desconfortos causados 
por uma experiência negativa; 
o Generalização - crença de que a dor nunca terminará e que ela arruinará a 
vida completamente. Essas atribuições globais e estáveis de um evento 
negativo podem levar à depressão ou prejuízo na saúde; 
o Vitimização - experiência de um senso de injustiça que consome; 
o Autoculpa - culpabilização de si por não conseguir conduzir as 
responsabilidades normais para com a família e o trabalho; 
o Ênfase na dor - não conseguir para de pensar na dor, reviver episódios 
dolorosos e repassar pensamentos negativos na mente de forma indefinida. 
o Distração cognitiva: consiste na mudança do foco de atenção para outras situações 
que podem ser agradáveis e muitas vezes encontram-se disponíveis no próprio 
ambiente. A influência da atenção na amplificação da dor é um processo bastante 
estudado. Diversos autores concordam que a atenção dirigida para dor aumenta a 
intensidade da experiência dolorosa e que distrair a atenção da dor diminui a 
intensidade da experiência dolorosa; 
 
o Visualização: projetada para promover mudanças nas percepções, ela possui dois 
componentes: um processo mental (como na imaginação)

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