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Aula 09 - Prof. Priscila Batista e Prof. Thayse Duarte SESAPI (Psicólogo) Conhecimentos Específicos - 2025 (Pós-Edital) Autor: Thayse Duarte Varela Dantas Cesar, Priscila Batista 04 de Janeiro de 2026 Sumário Introdução ............................................................................................................................................ 3 Psicologia da Saúde ................................................................................................................... 4 1 – Considerações Iniciais ......................................................................................................... 4 1.1 – Processo saúde-doença (doenças crônicas e agudas) .......................... 5 2- Impacto Diagnóstico .......................................................................................................... 11 3 – Processo de Adoecimento .............................................................................................. 13 4 – Enfrentamento da Doença e Adesão ao Tratamento .......................................... 15 5 – Teorias e Manejo do Estresse ......................................................................................... 17 5.1– Teorias do Estresse ............................................................................................ 17 5.1.1 – Teoria da luta ou fuga - Cannon .................................................................. 18 5.1.2 – Síndrome de Adaptação Geral (SGA) - Selye ............................................ 19 5.1.3 – Modelo Transacional - Lazarus .................................................................... 21 5.1.3 – Modelo da diátese ao estresse .................................................................... 22 5.1.4 – Teoria do Buscar Apoio ................................................................................. 23 5.1.5 – Psiconeuroimunologia .................................................................................. 23 5.2. – Manejo do Estresse ......................................................................................... 24 5.2.1 – Prática de Exercícios Físicos ........................................................................ 24 5.2.3. – Terapias do Relaxamento ........................................................................... 24 6 – Teorias e Manejo da Dor .................................................................................................. 26 6.1. – Como mensurar a dor? ................................................................................... 27 6.2. – Teoria da Comporta ........................................................................................ 28 6.3. – Manejo da Dor .................................................................................................. 29 7 – Enfrentamento ou Coping .............................................................................................. 32 7.1 – Funções principais do enfrentamento ou coping ...................................... 32 7.2 – Tipos de Enfrentamento Coping ................................................................... 33 7.2.1 – Confronto ......................................................................................................... 33 7.2.2 – Afastamento ................................................................................................... 33 7.2.3 – Autocontrole .................................................................................................. 34 7.2.4 – Suporte Social ................................................................................................ 34 7.2.5 – Aceitação de Responsabilidade ................................................................. 34 7.2.6 – Fuga e Esquiva ............................................................................................... 34 7.2.7 – Resolução de Problemas ............................................................................. 35 7.2.8 – Reavaliação Positiva ..................................................................................... 35 MAIS QUESTÕES COMENTADAS ........................................................................................................ 36 LISTA DE QUESTÕES .......................................................................................................................... 46 GABARITO .......................................................................................................................................... 51 RESUMO ............................................................................................................................................. 52 Thayse Duarte Varela Dantas Cesar, Priscila Batista Aula 09 - Prof. Priscila Batista e Prof. Thayse Duarte SESAPI (Psicólogo) Conhecimentos Específicos - 2025 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br Thayse Duarte Varela Dantas Cesar, Priscila Batista Aula 09 - Prof. Priscila Batista e Prof. Thayse Duarte SESAPI (Psicólogo) Conhecimentos Específicos - 2025 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br INTRODUÇÃO Olá, psi! Na aula de hoje, vamos estudar alguns temas referentes à Psicologia da Saúde. Qualquer dúvida, não hesitem em me acionar em um dos meus canais de comunicação (e-mail ou Instagram). Bons estudos! Vamos lá? Prof. Thayse Duarte Thayse Duarte Varela Dantas Cesar, Priscila Batista Aula 09 - Prof. Priscila Batista e Prof. Thayse Duarte SESAPI (Psicólogo) Conhecimentos Específicos - 2025 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br PSICOLOGIA DA SAÚDE 1 – Considerações Iniciais Segundo Almeida & Malagris (2011), a Psicologia da Saúde é uma área relativamente nova, desenvolvida principalmente nos meados dos anos 70. Suas pesquisas e aplicações possuem como objetivo compreender e atuar sobre a inter-relação entre comportamento e saúde e comportamento e doenças. Também são objetos de estudo os funcionamentos psicológicos habitualmente saudáveis decorrentes situações que, mesmo implicando ajuste emocional, não acarretam, necessariamente, alterações no estado de saúde, como por exemplo, a gravidez e o envelhecimento. O interesse da Psicologia da Saúde está na maneira como o sujeito vivencia o seu estado de saúde ou de doença, na sua relação consigo mesmo, com os outros e com o mundo. Busca fazer com que as pessoas incluam no seu projeto de vida um conjunto de atitudes/comportamentos ativos que as levem a promover saúde e a prevenir doenças, além de aprender e aperfeiçoar técnicas de enfrentamento no processo de adoecimento, bem como suas eventuais consequências (Barros, 1999). Nesse sentido, a Psicologia da Saúde busca compreender o papel das variáveis psicológicas sobre a manutenção da saúde, o desenvolvimento de doenças e os comportamentos associados. Além de desenvolver pesquisas sobre cada um desses aspectos, os psicólogos da saúde realizam intervenções com o objetivo de prevenir doenças e auxiliar no manejo ou no enfrentamento das mesmas (Miyazaki, Domingos & Caballo, 2001). O conceito de saúde é definido pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como “um estado de completo bem-estar físico, mental e social, e não consiste apenas na ausência de doença ou de enfermidade”. Apesar das críticas rebatidas nesta definição (utópica e irreal, pois não existe um estado de bem-estar completo), ainda assim, pode- se dizer que ela traz um avanço na forma de pensar o processo saúde-doença. Historicamente, no que se refere ao entendimento sobre os processos de saúde e de adoecimento, apenas eram consideradas questões fisiológicas, dentro da perspectiva biomédica. O conceito definido pela OMS amplia a forma de pensar essas questões, uma vez que abarca outros determinantes no processo saúde-doença, como os de ordem histórica, social, política, econômica, cultural, orgânica, emocional e etc. Assim, a Psicologia se incluie um procedimento (como na visualização guiada). A visualização envolve o uso de todos os sentidos, diferente da imaginação, que se refere apenas a algo percebido pela mente. A visualização é uma forma de autohipnose, uma vez que implica concentração e atenção. Além disso, é associada a técnicas de relaxamento e ensaios mentais (exemplo: visualizar uma cirurgia ou um tratamento desconfortável, para ajudar a livrar o paciente de fantasias irrealistas); Thayse Duarte Varela Dantas Cesar, Priscila Batista Aula 09 - Prof. Priscila Batista e Prof. Thayse Duarte SESAPI (Psicólogo) Conhecimentos Específicos - 2025 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br o Dessesibilização sistemática: nesta técnica o paciente é treinado a relaxar, é colocado em contato com uma hierarquia de situações geradoras de ansiedade e é solicitado a relaxar enquanto imagina cada uma delas, assim o paciente atinge um estado de relaxamento, quando é exposto ao estímulo que provoca a resposta de ansiedade. (CEBRASPE – 2022 – DPE/RO) Com relação a técnicas psicológicas e outras alternativas utilizadas na psicologia da saúde, assinale a opção correta. a) A meditação tem sido eficaz na redução de sintomas de fadiga decorrentes da quimioterapia, mesmo entre pacientes oncológicos com alto nível de ansiedade. b) Técnicas de relaxamento autógeno são inadequadas para pacientes recém-operados e com movimentos musculares limitados. c) Apesar de favorecer o relaxamento em diferentes situações clínicas, a hipnose é ineficaz no manejo da dor. d) O objetivo da visualização guiada é evitar que o paciente olhe para equipamentos temidos utilizados durante procedimentos como coleta de sangue ou ressonância magnética. e) A dessensibilização sistemática só pode ser conduzida por psicólogos, devido aos procedimentos nela utilizados. COMENTÁRIOS: Vamos analisar cada item. A alternativa A está correta. A meditação apresenta efeitos positivos na redução de sintomas físicos e emocionais, como o estresse psicológico, depressão, ansiedade, fadiga, medo de recorrência e ruminação, representando estratégia eficiente para enfrentamento da doença e melhoria da qualidade de vida. A alternativa B está incorreta. Não há contraindicações dessa técnica para esses pacientes. A alternativa C está incorreta. Pelo contrário, a hipnose tem seus efeitos mais bem estudados e explicados para o manejo da dor. A alternativa D está incorreta. A visualização guiada tem como objetivo o controle da ansiedade e obtenção de sensação de relaxamento. Thayse Duarte Varela Dantas Cesar, Priscila Batista Aula 09 - Prof. Priscila Batista e Prof. Thayse Duarte SESAPI (Psicólogo) Conhecimentos Específicos - 2025 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br A alternativa D está incorreta. A dessensibilização sistemática pode ser utilizada por profissionais de saúde mental treinados. Gabarito: A (CESPE – 2016 – TCE/PA) Acerca da psicologia da saúde, julgue o próximo item. Para alguns pacientes diagnosticados com câncer ou em tratamento contra o câncer, o enfrentamento da doença por meio da aplicação de técnicas como visualização guiada e dessensibilização sistemática pode ser positivo. COMENTÁRIOS: Segundo Straub (2014), entre as intervenções mais usadas (no tratamento abrangente do câncer), estão a hipnose, o relaxamento muscular progressivo com visualização guiada, a dessensibilização sistemática, o biofeedback e a distração cognitiva. Gabarito: Certo. 7 – Enfrentamento ou Coping Respostas ao estresse podem ser comportamentais (ações) e cognitivas (pensamentos e emoções). Também chamada de coping, termo traduzido muitas vezes “enfrentamento”. Semelhantemente, esse processo têm a finalidade de reduzir as respostas aversivas, sem considerar possíveis consequências (Savoia, 2000). 7.1 – Funções principais do enfrentamento ou coping O coping ou enfrentamento tem duas funções principais: 1) Coping ou enfrentamento centrado no problema – visa modificar a relação entre pessoa e ambiente (ou entre pessoa e problema, ou entre pessoa e pessoa), atuando diretamente na questão causadora do estresse. Um exemplo desse enfrentamento é ilustrado quando você pensa em um plano para resolver algum problema. 2) Coping ou enfrentamento centrado na emoção – objetiva adequar a resposta emocional à questão que desafia nossos recursos. Thayse Duarte Varela Dantas Cesar, Priscila Batista Aula 09 - Prof. Priscila Batista e Prof. Thayse Duarte SESAPI (Psicólogo) Conhecimentos Específicos - 2025 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br natal Realce natal Realce natal Realce natal Realce Esse coping pode ser exemplificado quando você buscar formas de se acalmar frente a uma situação difícil. Perceba que cada tipo de coping possui seu conceito e exemplos de uso que podem ser considerados positivos ou negativos. Ou seja, não são bons ou ruins por si, mas dependem de cada uso individualmente, ou das situações em que estão sendo investidos e suas consequências para que sejam avaliados em sua eficácia. 7.2 – Tipos de Enfrentamento Coping O principal modulador entre o uso de um e outro tipo de coping refere-se à possibilidade real de que você faça alguma coisa que modifique o evento estressor, ou a necessidade de aceitar a situação, bem como adaptar-se à mesma. Portanto, ambos os tipos de coping (emocional e centrado no problema) são úteis, assim como todas as suas estratégias são utilizadas por todos de algumas formas. Contudo, muitos fatores podem mediar o uso de um ou outro tipo de coping. Ou seja, os seus padrões de utilização nas diversas situações podem ser um objetivo de análise e manejo para psicólogo e paciente, com a finalidade de tornar a interação entre as pessoas e suas demandas mais adaptativas. Vejamos os tipos de coping: 7.2.1 – Confronto Enfrentar a questão que provoca estresse ativamente, sem considerar possíveis consequências. Exemplos: • Falar dos seus sentimentos a pessoas envolvidas em alguma questão (de formas tais como: mostrando descontentamento a pessoas que causaram um problema, ou descontando raiva em alguém); • Arriscar-se em algum desafio. 7.2.2 – Afastamento Distanciar-se do problema (inclui o distanciamento físico, comportamental, emocional e de pensamentos). Exemplos: • Não se deixar impressionar, não pensar muito sobre situação; • Dormir para não pensar; Thayse Duarte Varela Dantas Cesar, Priscila Batista Aula 09 - Prof. Priscila Batista e Prof. Thayse Duarte SESAPI (Psicólogo) Conhecimentos Específicos - 2025 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br natal Realce natal Realce natal Realce • Fingir que não está vendo; • Deixar as “coisas acontecerem”; • Distrair-se do problema com outras coisas. 7.2.3 – Autocontrole Adotar postura de assumir o autocontrole acreditando que isso baste para que a situação passe. Exemplos: • Conter impulsos; • Guardar sentimentos; • Tentar não permitir que os sentimentos interfiram. 7.2.4 – Suporte Social Busca de auxílio em outras pessoas. Exemplos: • Fazer terapia ou buscar outros cuidados profissionais; • Dividir sentimentos ou problemas com outras pessoas; • Procurar pessoas que possam fazer coisas concretas para resolver problemas (exemplo, intervenção de superiores no trabalho). 7.2.5 – Aceitação de Responsabilidade Assumir existência dos problemas e responsabilizar-se. Exemplos: • Pedir desculpas ou fazer algo para reparar os danos. • Criticar-se, repreender-se. • Comprometer-se (consigo ou com o outro) a respeito da mudança. • Procurar novas soluções. 7.2.6 – Fuga e Esquiva Evitação do estressor. Exemplos: • Desejar ou fantasiar que a situação acabasse repentinamente; Thayse Duarte Varela Dantas Cesar, Priscila Batista Aula 09 - Prof. Priscila Batista e Prof. Thayse Duarte SESAPI (Psicólogo) Conhecimentos Específicos - 2025 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br natal Realce natal Realce natal Realcenatal Realce • Consumos ou escapes problemáticos (tais como os vícios); • Desejar que algo não tivesse acontecido. 7.2.7 – Resolução de Problemas Tentativa de manejos de situações. Exemplos: • Fazer um plano de ação e segui-lo; • Concentrar-se no que deve ser feito. 7.2.8 – Reavaliação Positiva Procurar aproveitar, aprender ou ver aspectos positivos nas situações. Exemplos: • Encontrar novas crenças; • Inspirar-se a criar coisas novas; • Acreditar que a experiência está acrescentando repertório ou melhorando o indivíduo como pessoa; • Ressignificar experiências; • Encontrar sentido ou importância para coisas ou pessoas de sua vida. (CESPE – 2016 – TCE/PA) Adulto, Luís sofreu um grave acidente automobilístico e teve de amputar o braço esquerdo. Um mês após a amputação e a alta médica, ele foi levado ao hospital por ter sofrido um colapso: isolado da família, havia passado dias bebendo, sem se alimentar adequadamente, e com comportamento violento. Na semana anterior ao colapso, Luís havia se queixado de forte dor no membro amputado, tendo-a descrito como paralisante, aguda e ardente. Como Luís sentia fortes dores no braço desde a infância, em decorrência de outro acidente, e como estava constantemente embriagado desde a amputação, sua família não deu importância a sua queixa, tendo acreditado que ela poderia ser uma memória do acidente ocorrido na infância. Considerando as teorias do manejo e enfrentamento da dor e do estresse, julgue o item a seguir, acerca da situação hipotética apresentada. Thayse Duarte Varela Dantas Cesar, Priscila Batista Aula 09 - Prof. Priscila Batista e Prof. Thayse Duarte SESAPI (Psicólogo) Conhecimentos Específicos - 2025 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br natal Realce natal Realce O abuso de álcool por Luís constitui estratégia de enfrentamento do estresse pouco eficaz e mal adaptativa a longo prazo. COMENTÁRIOS: Enfrentamento ou coping são formas cognitivas, comportamentais e emocionais de administrar situações estressantes. Na estratégia de enfrentamento centrada na emoção, a pessoa tenta controlar a resposta emocional a um estressor. O álcool ou outras substâncias “abafam” o estresse, mas não acabam com ele. Esses comportamentos são mal-adaptativos, pois não confrontam diretamente o estressor e ainda é provável que agravem a situação (Straub, 2014). Gabarito: Certo. MAIS QUESTÕES COMENTADAS 1. (CESPE – 2016 – TRT 8ª Região) A respeito das teorias e dos manejos do estresse, assinale a opção correta. a) A reatividade não se associa à vulnerabilidade nem à predisposição do indivíduo a doenças, embora seja uma reação fisiológica ao estresse, própria de cada indivíduo. b) Segundo o modelo transacional, o estresse pode ser compreendido ao se avaliar, separadamente, os eventos ambientais e as respostas do indivíduo. c) As transações entre os indivíduos e os ambientes por eles ocupados são motivadas pela avaliação reativa dos estressores potenciais. d) De acordo com o modelo da diátese do estresse, os fatores de predisposição e os fatores de precipitação do ambiente atuam conjunta e dinamicamente na suscetibilidade do indivíduo ao estresse e, consequentemente, a doenças. e) A avaliação primária do estresse compreende tanto a reação do indivíduo a um evento considerado ameaçador ao seu bem-estar como o processo de determinação dos recursos disponíveis e das estratégias eficazes para enfrentá-lo. COMENTÁRIOS: Vamos analisar cada item. A alternativa A está incorreta. A reatividade é uma reação fisiológica ao estresse, que varia com o indivíduo e afeta a vulnerabilidade a doenças. Ela é uma combinação de fatores genéticos e ambientais. A alternativa B está incorreta. No modelo transacional, avaliam-se conjuntamente os fatores ambientais e as respostas do indivíduo, que é entendido como um ser biopsicossocial. Thayse Duarte Varela Dantas Cesar, Priscila Batista Aula 09 - Prof. Priscila Batista e Prof. Thayse Duarte SESAPI (Psicólogo) Conhecimentos Específicos - 2025 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br natal Realce natal Realce natal Realce A alternativa C está incorreta. A assertiva está falando do modelo transacional. A avaliação feita é COGNITIVA, não reativa, como diz o item. A alternativa D está correta. O modelo de diátese do estresse propõe que dois fatores que interagem determinam a suscetibilidade do indivíduo ao estresse e à doença: fatores predisponentes à pessoa (genéticos, por exemplo) e fatores precipitantes do ambiente (exemplo: experiências traumáticas). A alternativa E está incorreta. A avaliação primária é a determinação inicial que alguém faz do significado de um evento - se o evento é irrelevante, benigno (positivo), ou ameaçador. A assertiva trouxe o conceito de avaliação secundária. Gabarito: D 2. (CESPE – 2020 – TJ/PA) Assinale a opção correta, a respeito da inserção e do trabalho do psicólogo no contexto saúde-doença. a) A demanda pela intervenção psicológica no processo saúde-doença é igualmente reconhecida tanto pelos profissionais e serviços que seguem o modelo biomédico quanto pelos que seguem o modelo biopsicossocial. b) Atualmente, a incidência de doenças agudas é menor do que há três décadas, o que aumenta a longevidade e reduz a demanda pelo trabalho do psicólogo da saúde. c) A psicoeducação é inadequada para pacientes em situação de reabilitação, mas é útil na prevenção de doenças. d) Não cabe ao psicólogo sensibilizar pais para que estes imunizem os filhos contra doenças infectocontagiosas, pois tal prática está fora da área de conhecimento desse profissional. e) Variáveis comportamentais são relevantes na prevenção da morte precoce e do desenvolvimento de doenças crônicas e agudas. COMENTÁRIOS: Vamos analisar cada item. A alternativa A está incorreta. Vimos que a visão do modelo biomédico é focada exclusivamente em fatores biológicos (tanto na compreensão quanto no tratamento). Já o modelo biopsicossocial abrange, além dos fatores biológicos, os fatores psicológicos e sociais. A alternativa B está incorreta. Se a longevidade aumenta, a demanda também aumenta. A alternativa C está incorreta. A psicoeducação é utilizada em todas as ações de saúde, da promoção à reabilitação. Thayse Duarte Varela Dantas Cesar, Priscila Batista Aula 09 - Prof. Priscila Batista e Prof. Thayse Duarte SESAPI (Psicólogo) Conhecimentos Específicos - 2025 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br natal Realce natal Realce natal Realce natal Realce A alternativa D está incorreta. Cabe ao psicólogo, sim (também). Essas ações de sensibilização e reflexão são ações de cunho educativo e devem ser feitas em conjunto com a equipe de saúde. A alternativa E está correta. Variáveis comportamentais (que incluem um estilo de vida saudável) são muito importantes na prevenção de doenças. Gabarito: E 3. (CESPE – 2016 – TRT 8ª Região) Assinale a opção correta relativamente à dor. a) Os fatores culturais são irrelevantes para a compreensão da experiência dolorosa. b) Na avaliação da experiência dolorosa, a queixa álgica sobrepõe-se às qualidades afetivas referentes à sintomatologia dolorosa. c) Os aspectos do inter-relacionamento familiar do indivíduo precisam ser desconsiderados na avaliação da experiência dolorosa e na escolha das possíveis adequações terapêuticas. d) A compreensão da duração, da intensidade e do padrão de instalação da dor constitui procedimento suficiente para a avaliação da experiência dolorosa. e) Deve-se ter cautela e critério para selecionar o método e os instrumentos de avaliação do fenômeno álgico, haja vista sua natureza complexa e subjetiva. COMENTÁRIOS: Vamos analisar cada item. A alternativa A está incorreta. A experiência da dor é um fenômeno multidimensional, complexo e subjetivo. Envolve fatores sociais, históricos e culturais que são relevantes para sua compreensão. A alternativa B está incorreta. A dimensão afetiva faz parte da queixaálgica (dor) e deve ser avaliada tanto quanto a dimensão sensorial. A alternativa C está incorreta. Como fenômeno complexo, os aspectos inter-relacionais familiares devem sim ser considerados na experiência dolorosa. A alternativa D está incorreta. Esses aspectos também são importantes, mas não são suficientes. Os aspectos qualitativos também devem ser avaliados. A alternativa E está correta A escolha do instrumento de avaliação da dor deve considerar o contexto social e histórico, as limitações, a subjetividade, a idade, o gênero... não existe um instrumento padrão de avaliação de nenhum aspecto. Ele deve ser escolhido de acordo com a realidade de cada paciente. Gabarito: E Thayse Duarte Varela Dantas Cesar, Priscila Batista Aula 09 - Prof. Priscila Batista e Prof. Thayse Duarte SESAPI (Psicólogo) Conhecimentos Específicos - 2025 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 4. (CESPE – 2015 – TER-RS) Acerca da psicologia da saúde e da atuação do psicólogo nesse campo, assinale a opção correta. a) Dadas as especificidades de cada profissional, é responsabilidade do psicólogo a prevenção primária e a secundária, ficando a prevenção terciária a cargo do profissional médico. b) O termo psicologia clínica da saúde é utilizado com o fim de ratificar o dualismo mental versus orgânico. c) Na relação de apoio, deve-se considerar, prioritariamente, o ponto de partida da queixa — ou seja, quem é o cliente —, a alteração da relação psicólogo e paciente, e o tempo de intervenção. d) A promoção de saúde engloba ações que almejam contribuir para a diminuição da incidência de doenças, de sua prevalência e das complicações delas advindas. e) Ao psicólogo hospitalar é imputada a obrigatoriedade ética de deliberar sobre a necessidade da intervenção, haja vista a fragilidade do paciente e os limites institucionais. COMENTÁRIOS: Vamos analisar cada item. A alternativa A está incorreta. Todos os profissionais da saúde podem (e devem) atuar conjuntamente em todos os níveis de atenção. A visão multi ou transdisciplinar é necessária para uma intervenção de qualidade. A alternativa B está incorreta. O dualismo não é rompido por esse termo. A visão mais integralizada da saúde começou a ser reconhecida com o termo “biopsicossocial”. A alternativa C está correta. A escuta deve ser atendida prioritariamente pela fala do paciente. A queixa é o ponto de partida, uma vez que ela pode vir a se tornar uma demanda. Ao ouvir a queixa inicial, planeja-se a intervenção adequada. A alternativa D está incorreta. A assertiva está falando da reabilitação, reparem que está falando da diminuição de incidência de doenças (já instaladas), bem como de sua prevalência e complicações. A alternativa E está incorreta. Não existe essa deliberação ética imputada ao psicólogo. A responsabilidade é compartilhada com a equipe e o paciente. Gabarito: C 5. COPESE-UFT – 2012 – MPE-TO) Leia as afirmações abaixo e assinale a INCORRETA: Thayse Duarte Varela Dantas Cesar, Priscila Batista Aula 09 - Prof. Priscila Batista e Prof. Thayse Duarte SESAPI (Psicólogo) Conhecimentos Específicos - 2025 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br a) Paralelamente ao avanço e sofisticação da biomedicina percebe-se sua impossibilidade de oferecer respostas conclusivas ou satisfatórias para os componentes psicológicos que acompanham qualquer doença. b) O modelo biomédico estimula os médicos a aderirem a um comportamento extremamente cartesiano na separação entre o observador e o objeto observado. c) Medicalização pode ser entendida como a crescente e elevada dependência dos indivíduos e da sociedade para com a oferta de serviços e bens de ordem médico- assistencial e seu consumo cada vez mais intensivo. d) O manejo da gravidez e do parto como se fosse uma "doença" e, por isto mesmo, requerendo atenção permanente do aparato médico, é um bom exemplo de algo fisiológico que é "medicalizado". e) O modelo biopsicossocial possui um vasto e aprofundado poder explicativo sobre o processo saúde-doença, centrado no diagnóstico das doenças e na sua cura. COMENTÁRIOS: A questão pede a incorreta. Vamos analisar os itens: A alternativa A está correta. No campo da Psicologia, nada é conclusivo ou categórico, principalmente quando falamos de diagnóstico. A alternativa B está correta. O modelo biomédico é reducionista e acaba tendo uma postura não humanizada. A alternativa C está correta. Segundo o CFP, entende-se por medicalização o processo que transforma, artificialmente, questões não médicas em problemas médicos. Problemas de diferentes ordens são apresentados como “doenças”, “transtornos”, “distúrbios” que escamoteiam as grandes questões políticas, sociais, culturais, afetivas que afligem a vida das pessoas. A alternativa D está correta. Exato, a lógica da medicalização faz com que questões naturais (como a gravidez) sejam entendidas como doença. A alternativa E está correta. Ainda que mais amplo e evoluído que o modelo biomédico, o modelo biopsicossocial ainda apresenta limitações diante da complexidade que envolve o ser humano. Ele é centrado na pessoa em todos os seus aspectos de vida e não na sua doença em específico. Gabarito: E 6. (FCC – 2018 – TRT 14ª Região) Nos estudos sobre estresse, a Síndrome Geral de Adaptação (Hans Selye) caracteriza-se por fases de: a) somatização, fadiga e depressão. Thayse Duarte Varela Dantas Cesar, Priscila Batista Aula 09 - Prof. Priscila Batista e Prof. Thayse Duarte SESAPI (Psicólogo) Conhecimentos Específicos - 2025 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br natal Realce b) alarme, resistência e exaustão. c) sensações, distúrbios e doença. d) diminuição da libido, desgaste físico e eustress. e) distress, eustress e estresse. COMENTÁRIOS: Selye descreveu a SGA “como o conjunto de todas as reações gerais do organismo que acompanham a exposição prolongada ao estressor”, contribuindo para o estudo das fases ou estágios, ensinando que a primeira fase, conceituada de Reação de Alarme, deriva-se da liberação de variadas substâncias, como hormônios e corticoides, a partir de uma situação estressora, de modo a alterar significativamente a função fisiológica do organismo. O segundo estágio (Fase da Resiliência) acontece a partir do prolongamento do organismo para uma maior adaptação, exigindo dele maior consumo de energia e, aos poucos, é assimilado pelo organismo. A última fase, a Fase da Exaustão, ocorre quando a ação do estressor permanece por um longo período, esgotando a energia de adaptação do organismo. Relembrem a figura: Gabarito: B 7. (FGV - Prefeitura de Salvador/BA - 2019) João e Maria, ambos de 20 anos, costumam dormir sob um viaduto onde se reúnem outros usuários de crack. João vive nas ruas desde criança e Maria iniciou o uso de drogas com amigos da escola particular que frequentava. Sua família desconhece seu paradeiro atual. Thayse Duarte Varela Dantas Cesar, Priscila Batista Aula 09 - Prof. Priscila Batista e Prof. Thayse Duarte SESAPI (Psicólogo) Conhecimentos Específicos - 2025 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br Após abordar o jovem casal e identificar a questão do uso de crack, a equipe deverá a) promover a imediata reintegração familiar de Maria e orientar sua internação involuntária para desintoxicação em uma comunidade terapêutica. b) mobilizar o Conselho Tutelar e/ou o Juizado da Infância e Juventude para um atendimento conjunto dos jovens, menores de 21 anos. c) diagnosticar as condições de saúde e agravos de cada um dos jovens para as intervenções especializadas, de acordo com suas necessidades individuais. d) planejar ações do serviço em conjunto e em articulação com a área de saúde, de acordo com a rede instalada no território, como os consultórios de rua. e) oferecer a João a alternativa de aderir à Justiça Terapêutica e aceitar a redução de danos no lugar da pena convencional por uso de entorpecentes. COMENTÁRIOS: O idealneste é caso seria planejar ações do serviço em conjunto e em articulação com a área de saúde, de acordo com a rede instalada no território, como os consultórios de rua. Promover ações interdisciplinares, facilitar e levar o atendimento até eles (consultórios de rua) é o que deve ser feito. As alternativas "a", "b" e "e" vão por um viés que desrespeita a autonomia dos indivíduos e sabemos que o objetivo não é esse. A alternativa "c" não está completamente errada, mas o termo "diagnosticar" torna a alternativa "d" a melhor escolha. A FGV é uma banca que tem esse perfil, confunde bastante, então fiquem atentos. Gabarito: letra D. 8. (CONTEMAX - Prefeitura de Conceição – 2019) Segundo Lustosa (2000), uma aplicação interessante do conceito de interdisciplinaridade na saúde diz respeito à interconsulta. A interconsulta consiste na presença de um profissional de saúde em uma unidade ou serviço médico geral atendendo à solicitação de um profissional da área de saúde em relação ao atendimento de um paciente. Isto garante um atendimento global do paciente, tendo a psicologia um importante papel a cumprir neste contexto. Isto posto, o psicólogo pode intervir nesse momento: a) Somente quando solicitado. b) A fim de colaborar na abordagem psicossocial do paciente, sempre que for necessário. c) Na interface com a enfermagem. d) Auxiliar especificamente na tarefa de ensino e pesquisa. Thayse Duarte Varela Dantas Cesar, Priscila Batista Aula 09 - Prof. Priscila Batista e Prof. Thayse Duarte SESAPI (Psicólogo) Conhecimentos Específicos - 2025 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br e) Deter-se apenas a diagnóstico. COMENTÁRIOS: Apesar de trazer o conceito de interconsulta (conteúdo que será visto na aula 01), esta questão não precisa necessariamente desse conhecimento. Para respondê-la, você precisaria entender que a lógica multiprofissional e interdisciplinar pressupõe participação do psicólogo em uma equipe e não somente em interface com a enfermagem (c) e que sua atuação será, de fato, colaborar para uma perspective psicossocial do paciente nas situações necessárias. Irá ultrapassar, portanto, ensino e pesquisa (d) e o diagnóstico (e). Gabarito: letra B. 9. (VUNESP - IPREMM– 2019) O trabalho em equipe multiprofissional nos serviços de saúde: a) Diminui a responsabilidade de cada profissional da equipe de saúde em relação aos pacientes por ela atendidos. b) Permite que várias ações necessárias aos atendimentos da equipe sejam compartimentalizadas para sua maior eficácia. c) Aceita que cada profissional, dentro de sua especialidade, realize os atendimentos que acredita serem pertinentes para cada paciente. d) Possibilita o compartilhamento de responsabilidades na tomada de decisões quanto aos atendimentos realizados junto aos pacientes. e) Solicita que cada um dos membros da equipe se envolva com todas as ações necessárias ao acompanhamento de seus pacientes. COMENTÁRIOS: A alternativa A está incorreta. Os profissionais precisam assumir suas devidas responsabilidades, no que diz respeito aos casos e demandas atendidas. A alternativa B está incorreta. A lógica da atuação multiprofissional é a interdisciplinaridade e, por isso, não se coaduna com fragmentações na prática para atender uma suposta eficácia. A alternativa C está incorreta. A atuação profissional não acontece de modo individualizado. Essa é uma ideia de multidisciplinaridade. A alternativa D está correta. A alternativa apresenta a lógica de atendimento multiprofissional dos serviços em saúde: a interdisciplinaridade. A alternativa E está incorreta. A ideia defendida se aproxima do conceito de atuação transdisciplinar. Não é a atual proposta de trabalho das equipes de saúde. Thayse Duarte Varela Dantas Cesar, Priscila Batista Aula 09 - Prof. Priscila Batista e Prof. Thayse Duarte SESAPI (Psicólogo) Conhecimentos Específicos - 2025 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br Gabarito: letra D. 10. (FUNDEP – 2023 – FUTEL/MG) A equipe multiprofissional de uma instituição pública propôs a realização de um projeto junto aos jovens da comunidade, com foco nos cuidados necessários para maior autonomia e desenvolvimento psicossocial, considerando que nessa fase de vida ocorre com frequência o uso de drogas e substâncias psicoativas. Nesse sentido, analise a seguir as etapas necessárias para a elaboração do programa de treinamento. I. Levantamento das necessidades de treinamento, considerando o conhecimento e prática da equipe formada por psicólogo, assistente social e monitores junto à comunidade. II. Planejamento e desenho do treinamento, considerando o número de adolescentes, o histórico de vida, a infraestrutura, o conteúdo a ser trabalhado e as condições necessárias para a realização do processo. III. Implementação do processo com foco nos objetivos propostos para maior autonomia e desenvolvimento psicossocial, enfatizando os fatores de risco como o uso de substâncias psicoativas, construindo conjuntamente ações de enfrentamento. IV. Avaliação do processo, considerando o objetivo proposto de apoiar os jovens em seu protagonismo social, orientando sobre os riscos nessa fase do desenvolvimento, para que tenham maior autonomia e inserção social. Estão corretas as etapas a) I e III, apenas. b) II e IV, apenas. c) I e IV, apenas. d) I, II, III e IV. COMENTÁRIOS: A Atenção Primária deve desempenhar o importante papel de porta de entrada do usuário de crack no SUS, realizando o acolhimento dessa demanda. Esse nível de assistência conta com o trabalho de equipes multiprofissionais que, por sua vez, têm condições de realizar o reconhecimento dos usuários de drogas e de acompanhar as demandas relacionadas às suas necessidades e às de seus familiares. Reafirma-se, assim, a capacidade para abranger um grande número de usuários em suas ações, realizar um Thayse Duarte Varela Dantas Cesar, Priscila Batista Aula 09 - Prof. Priscila Batista e Prof. Thayse Duarte SESAPI (Psicólogo) Conhecimentos Específicos - 2025 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br cuidado longitudinal e inserir a família, a rede social de apoio e a comunidade no cuidado (Ramalho, 2011). I. Certo. Para intervenções em equipe é de suma importância a realização de levantamento das necessidades de treinamento, para isso deve ter conhecimento do assunto, bem como manejo da equipe de profissionais diante do contexto de trabalho e levando em consideração o território. II. Certo. De fato, deve acontecer a elaboração prévia do treinamento, pensando no público, finalidade, temática, dinâmica que será aplicada na condução do processo de trabalho, bem como a contextualização das necessidades. III. Certo. Outros apesto relevante diz respeito a intervenção direcionada a objetivos que potencializem o protagonismo social e conheça as fragilidades diante das substâncias psicoativas para o sujeito psicossocial e suas implicações em saúde de forma integrada, além de pensar articuladamente ferramentas de intervenção IV. Certo. Corretamente deve acontecer a avaliação do processo, como avaliar e as necessidades, conhecendo os jovens e suas realidades, cuja perspectiva de intervenção deve possibilitar a reinserção social e integração com a comunidade. Gabarito: D Fim de aula! Aguardo a sua presença em nosso próximo encontro! Um abraço, Prof. Thayse Duarte. Thayse Duarte Varela Dantas Cesar, Priscila Batista Aula 09 - Prof. Priscila Batista e Prof. Thayse Duarte SESAPI (Psicólogo) Conhecimentos Específicos - 2025 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br LISTA DE QUESTÕES 1. (CESPE – 2016 – TRT 8ª Região) A respeito das teorias e dos manejos do estresse, assinale a opção correta. a) A reatividade não se associa à vulnerabilidade nem à predisposição do indivíduo a doenças, embora seja uma reação fisiológica ao estresse, própria de cada indivíduo. b) Segundo o modelo transacional, o estressepode ser compreendido ao se avaliar, separadamente, os eventos ambientais e as respostas do indivíduo. c) As transações entre os indivíduos e os ambientes por eles ocupados são motivadas pela avaliação reativa dos estressores potenciais. d) De acordo com o modelo da diátese do estresse, os fatores de predisposição e os fatores de precipitação do ambiente atuam conjunta e dinamicamente na suscetibilidade do indivíduo ao estresse e, consequentemente, a doenças. e) A avaliação primária do estresse compreende tanto a reação do indivíduo a um evento considerado ameaçador ao seu bem-estar como o processo de determinação dos recursos disponíveis e das estratégias eficazes para enfrentá-lo. 2. (CESPE – 2020 – TJ/PA) Assinale a opção correta, a respeito da inserção e do trabalho do psicólogo no contexto saúde-doença. a) A demanda pela intervenção psicológica no processo saúde-doença é igualmente reconhecida tanto pelos profissionais e serviços que seguem o modelo biomédico quanto pelos que seguem o modelo biopsicossocial. b) Atualmente, a incidência de doenças agudas é menor do que há três décadas, o que aumenta a longevidade e reduz a demanda pelo trabalho do psicólogo da saúde. c) A psicoeducação é inadequada para pacientes em situação de reabilitação, mas é útil na prevenção de doenças. d) Não cabe ao psicólogo sensibilizar pais para que estes imunizem os filhos contra doenças infectocontagiosas, pois tal prática está fora da área de conhecimento desse profissional. e) Variáveis comportamentais são relevantes na prevenção da morte precoce e do desenvolvimento de doenças crônicas e agudas. Thayse Duarte Varela Dantas Cesar, Priscila Batista Aula 09 - Prof. Priscila Batista e Prof. Thayse Duarte SESAPI (Psicólogo) Conhecimentos Específicos - 2025 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 3. (CESPE – 2016 – TRT 8ª Região) Assinale a opção correta relativamente à dor. a) Os fatores culturais são irrelevantes para a compreensão da experiência dolorosa. b) Na avaliação da experiência dolorosa, a queixa álgica sobrepõe-se às qualidades afetivas referentes à sintomatologia dolorosa. c) Os aspectos do inter-relacionamento familiar do indivíduo precisam ser desconsiderados na avaliação da experiência dolorosa e na escolha das possíveis adequações terapêuticas. d) A compreensão da duração, da intensidade e do padrão de instalação da dor constitui procedimento suficiente para a avaliação da experiência dolorosa. e) Deve-se ter cautela e critério para selecionar o método e os instrumentos de avaliação do fenômeno álgico, haja vista sua natureza complexa e subjetiva. 4. (CESPE – 2015 – TER-RS) Acerca da psicologia da saúde e da atuação do psicólogo nesse campo, assinale a opção correta. a) Dadas as especificidades de cada profissional, é responsabilidade do psicólogo a prevenção primária e a secundária, ficando a prevenção terciária a cargo do profissional médico. b) O termo psicologia clínica da saúde é utilizado com o fim de ratificar o dualismo mental versus orgânico. c) Na relação de apoio, deve-se considerar, prioritariamente, o ponto de partida da queixa — ou seja, quem é o cliente —, a alteração da relação psicólogo e paciente, e o tempo de intervenção. d) A promoção de saúde engloba ações que almejam contribuir para a diminuição da incidência de doenças, de sua prevalência e das complicações delas advindas. e) Ao psicólogo hospitalar é imputada a obrigatoriedade ética de deliberar sobre a necessidade da intervenção, haja vista a fragilidade do paciente e os limites institucionais. 5. COPESE-UFT – 2012 – MPE-TO) Leia as afirmações abaixo e assinale a INCORRETA: a) Paralelamente ao avanço e sofisticação da biomedicina percebe-se sua impossibilidade de oferecer respostas conclusivas ou satisfatórias para os componentes psicológicos que acompanham qualquer doença. b) O modelo biomédico estimula os médicos a aderirem a um comportamento extremamente cartesiano na separação entre o observador e o objeto observado. Thayse Duarte Varela Dantas Cesar, Priscila Batista Aula 09 - Prof. Priscila Batista e Prof. Thayse Duarte SESAPI (Psicólogo) Conhecimentos Específicos - 2025 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br c) Medicalização pode ser entendida como a crescente e elevada dependência dos indivíduos e da sociedade para com a oferta de serviços e bens de ordem médico- assistencial e seu consumo cada vez mais intensivo. d) O manejo da gravidez e do parto como se fosse uma "doença" e, por isto mesmo, requerendo atenção permanente do aparato médico, é um bom exemplo de algo fisiológico que é "medicalizado". e) O modelo biopsicossocial possui um vasto e aprofundado poder explicativo sobre o processo saúde-doença, centrado no diagnóstico das doenças e na sua cura. 6. (FCC – 2018 – TRT 14ª Região) Nos estudos sobre estresse, a Síndrome Geral de Adaptação (Hans Selye) caracteriza-se por fases de: a) somatização, fadiga e depressão. b) alarme, resistência e exaustão. c) sensações, distúrbios e doença. d) diminuição da libido, desgaste físico e eustress. e) distress, eustress e estresse. 7. (FGV - Prefeitura de Salvador/BA - 2019) João e Maria, ambos de 20 anos, costumam dormir sob um viaduto onde se reúnem outros usuários de crack. João vive nas ruas desde criança e Maria iniciou o uso de drogas com amigos da escola particular que frequentava. Sua família desconhece seu paradeiro atual. Após abordar o jovem casal e identificar a questão do uso de crack, a equipe deverá a) promover a imediata reintegração familiar de Maria e orientar sua internação involuntária para desintoxicação em uma comunidade terapêutica. b) mobilizar o Conselho Tutelar e/ou o Juizado da Infância e Juventude para um atendimento conjunto dos jovens, menores de 21 anos. c) diagnosticar as condições de saúde e agravos de cada um dos jovens para as intervenções especializadas, de acordo com suas necessidades individuais. d) planejar ações do serviço em conjunto e em articulação com a área de saúde, de acordo com a rede instalada no território, como os consultórios de rua. e) oferecer a João a alternativa de aderir à Justiça Terapêutica e aceitar a redução de danos no lugar da pena convencional por uso de entorpecentes. Thayse Duarte Varela Dantas Cesar, Priscila Batista Aula 09 - Prof. Priscila Batista e Prof. Thayse Duarte SESAPI (Psicólogo) Conhecimentos Específicos - 2025 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 8. (CONTEMAX - Prefeitura de Conceição – 2019) Segundo Lustosa (2000), uma aplicação interessante do conceito de interdisciplinaridade na saúde diz respeito à interconsulta. A interconsulta consiste na presença de um profissional de saúde em uma unidade ou serviço médico geral atendendo à solicitação de um profissional da área de saúde em relação ao atendimento de um paciente. Isto garante um atendimento global do paciente, tendo a psicologia um importante papel a cumprir neste contexto. Isto posto, o psicólogo pode intervir nesse momento: a) Somente quando solicitado. b) A fim de colaborar na abordagem psicossocial do paciente, sempre que for necessário. c) Na interface com a enfermagem. d) Auxiliar especificamente na tarefa de ensino e pesquisa. e) Deter-se apenas a diagnóstico. 9. (VUNESP - IPREMM– 2019) O trabalho em equipe multiprofissional nos serviços de saúde: a) Diminui a responsabilidade de cada profissional da equipe de saúde em relação aos pacientes por ela atendidos. b) Permite que várias ações necessárias aos atendimentos da equipe sejam compartimentalizadas para sua maior eficácia. c) Aceita que cada profissional, dentro de sua especialidade, realize os atendimentos que acredita serem pertinentes para cada paciente. d) Possibilita o compartilhamento de responsabilidades na tomada de decisões quanto aos atendimentos realizados junto aos pacientes. e) Solicita que cada um dos membros da equipe se envolva com todas as ações necessáriasao acompanhamento de seus pacientes. 10. (FUNDEP – 2023 – FUTEL/MG) A equipe multiprofissional de uma instituição pública propôs a realização de um projeto junto aos jovens da comunidade, com foco nos cuidados necessários para maior autonomia e desenvolvimento psicossocial, considerando que nessa fase de vida ocorre com frequência o uso de drogas e substâncias psicoativas. Nesse sentido, analise a seguir as etapas necessárias para a elaboração do programa de treinamento. Thayse Duarte Varela Dantas Cesar, Priscila Batista Aula 09 - Prof. Priscila Batista e Prof. Thayse Duarte SESAPI (Psicólogo) Conhecimentos Específicos - 2025 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br I. Levantamento das necessidades de treinamento, considerando o conhecimento e prática da equipe formada por psicólogo, assistente social e monitores junto à comunidade. II. Planejamento e desenho do treinamento, considerando o número de adolescentes, o histórico de vida, a infraestrutura, o conteúdo a ser trabalhado e as condições necessárias para a realização do processo. III. Implementação do processo com foco nos objetivos propostos para maior autonomia e desenvolvimento psicossocial, enfatizando os fatores de risco como o uso de substâncias psicoativas, construindo conjuntamente ações de enfrentamento. IV. Avaliação do processo, considerando o objetivo proposto de apoiar os jovens em seu protagonismo social, orientando sobre os riscos nessa fase do desenvolvimento, para que tenham maior autonomia e inserção social. Estão corretas as etapas a) I e III, apenas. b) II e IV, apenas. c) I e IV, apenas. d) I, II, III e IV. Thayse Duarte Varela Dantas Cesar, Priscila Batista Aula 09 - Prof. Priscila Batista e Prof. Thayse Duarte SESAPI (Psicólogo) Conhecimentos Específicos - 2025 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br GABARITO 1. D 2. E 3. E 4. C 5. E 6. B 7. D 8. B 9. D 10. D Thayse Duarte Varela Dantas Cesar, Priscila Batista Aula 09 - Prof. Priscila Batista e Prof. Thayse Duarte SESAPI (Psicólogo) Conhecimentos Específicos - 2025 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br RESUMO Os cuidados aos doentes crônicos ocorrem dentro de três esferas que se inter-relacionam: Focos: Doença crônica x Doença Aguda DOENÇA CRÔNICA à FOCO NO INDIVÍDUO E NA UNIDADE FAMILIAR DOENÇA AGUDA à FOCO NO SINTOMA OU DOENÇA ESPECÍFICA Sobre o impacto diagnóstico: Após a comunicação do diagnóstico ao paciente e à família, um dos objetivos do psicólogo é identificar as variáveis psicossociais e contextos ambientais em que a intervenção psicológica possa auxiliar no processo de enfrentamento da doença, incluindo situações possivelmente estressantes às quais pacientes e familiares são submetidos após o diagnóstico. SISTEMA DE SAÚDE ORGANIZAÇÃO FORNECEDORA COMUNIDADE Thayse Duarte Varela Dantas Cesar, Priscila Batista Aula 09 - Prof. Priscila Batista e Prof. Thayse Duarte SESAPI (Psicólogo) Conhecimentos Específicos - 2025 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br Estágios emocionais (diante de diagnóstico e/ou luto) segundo Kubler-Ross (1996): 1. NEGAÇÃO 2. REVOLTA 3. BARGANHA 4. DEPRESSÃO 5. ACEITAÇÃO Adesão ao tratamento: A OMS propõe o estudo da adesão ao tratamento como um fenômeno multidimensional, determinado por vários conjuntos de fatores sistematizados e agrupados em cinco dimensões: 1 - aspectos sociais e econômicos; 2 - aspectos do sistema e dos profissionais de saúde; 3 - características da doença; 4- particularidades de cada tratamento dos tratamentos; e 5- fatores específicos do paciente. Thayse Duarte Varela Dantas Cesar, Priscila Batista Aula 09 - Prof. Priscila Batista e Prof. Thayse Duarte SESAPI (Psicólogo) Conhecimentos Específicos - 2025 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br Síndrome Geral de Adaptação (Selye): Thayse Duarte Varela Dantas Cesar, Priscila Batista Aula 09 - Prof. Priscila Batista e Prof. Thayse Duarte SESAPI (Psicólogo) Conhecimentos Específicos - 2025 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br Tipos de estresse: Distresse = estresse ruim Eustresse = estresse bom DICA: Como recurso mnemônico, para lembrar qual o estresse bom ou ruim, lembre-se da palavra DIStância (que tem o mesmo prefixo “dis”) para lembrar do DISTRESS. Afinal, desse tipo de estresse, todos queremos distância, não é mesmo? J Teoria da Comporta da dor: A teoria da comporta sugere que existe uma comporta de dor na medula espinhal, a qual pode ser fechada por estimulação do sistema de fibras de dor rápida. A atividade do sistema de dor lenta tende a abrir a comporta. Esta também pode ser fechada pela via descendente do cérebro. Thayse Duarte Varela Dantas Cesar, Priscila Batista Aula 09 - Prof. Priscila Batista e Prof. Thayse Duarte SESAPI (Psicólogo) Conhecimentos Específicos - 2025 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br Principais erros cognitivos de pacientes crônicos: Catastrofização à superestimação da perturbação e desconfortos causados por uma experiência negativa; Generalização à crença de que a dor nunca terminará e que ela arruinará a vida completamente. Essas atribuições globais e estáveis de um evento negativo podem levar à depressão ou prejuízo na saúde; Vitimização à experiência de um senso de injustiça que consome; Autoculpa à culpabilização de si por não conseguir conduzir as responsabilidades normais para com a família e o trabalho; Ênfase na dor à não conseguir para de pensar na dor, reviver episódios dolorosos e repassar pensamentos negativos na mente de forma indefinida. Principais funções do enfrentamento: 1) Coping ou enfrentamento centrado no problema – visa modificar a relação entre pessoa e ambiente (ou entre pessoa e problema, ou entre pessoa e pessoa), atuando diretamente na questão causadora do estresse. Um exemplo desse enfrentamento é ilustrado quando você pensa em um plano para resolver algum problema. 2) Coping ou enfrentamento centrado na emoção – objetiva adequar a resposta emocional à questão que desafia nossos recursos. Esse coping pode ser exemplificado quando você buscar formas de se acalmar frente a uma situação difícil. Tipos de enfrentamento / Coping: o Confronto; o Afastamento; o Autocontrole; Thayse Duarte Varela Dantas Cesar, Priscila Batista Aula 09 - Prof. Priscila Batista e Prof. Thayse Duarte SESAPI (Psicólogo) Conhecimentos Específicos - 2025 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br o Suporte social; o Aceitação de responsabilidades; o Fuga e esquiva; o Resolução de problemas; o Reavaliação positiva. Thayse Duarte Varela Dantas Cesar, Priscila Batista Aula 09 - Prof. Priscila Batista e Prof. Thayse Duarte SESAPI (Psicólogo) Conhecimentos Específicos - 2025 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.brno âmbito da saúde, trazendo novos desafios para a atuação nesse campo. O desafio da Psicologia da Saúde no Brasil ocorre também a partir da Reforma Sanitária. As conquistas desse movimento culminaram na Constituição de 1988, quando o artigo 196 impõe que a saúde é “direito de todos e dever do Estado”. A partir disto, em 1990, é instituído o Sistema Único de Saúde (SUS), que exige novas teorias e práticas em Thayse Duarte Varela Dantas Cesar, Priscila Batista Aula 09 - Prof. Priscila Batista e Prof. Thayse Duarte SESAPI (Psicólogo) Conhecimentos Específicos - 2025 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br natal Realce natal Realce saúde. Para nós, psicólogos, isso significa ir além de uma clínica tradicional. Significa ampliar a visão da realidade desenvolvendo capacidades de identificar e intervir nos múltiplos determinantes do processo saúde-doença. Isso implica na necessidade de produzir teorias que deem conta desta complexidade, assim como práticas que envolvam o trabalho interdisciplinar. O trabalho do psicólogo, além de abarcar o tratamento, deve também se voltar para a promoção da saúde e prevenção de doenças e/ou agravos. O objeto de estudo e intervenção da Psicologia historicamente é mais voltado para as questões de saúde mental. Mas na perspectiva da Psicologia da Saúde, o psicólogo também passa a se preocupar com aspectos emocionais/sofrimento psíquico em decorrência do adoecimento corporal ou que estão implicados em sua etiologia. (CEBRASPE – 2022 – Pref. Pires do Rio) Considerando o recente aumento de casos de autolesão na adolescência, julgue o item seguinte: O aumento de casos de autolesões entre adolescentes pode caracterizar um problema de saúde pública. COMENTÁRIOS: A autolesão não suicida (ALNS) se constitui como comportamento complexo, multifatorial, sendo um importante problema de saúde pública, em especial na adolescência. A qualidade do cuidado profissional pode ser decisiva para o vínculo com o adolescente e sua adesão ao acompanhamento em serviços de saúde mental. Gabarito: Certo. 1.1 – Processo saúde-doença (doenças crônicas e agudas) Segundo Straub (2014), os processos de saúde e doença são multifatoriais e, portanto, necessitam ser compreendidos a partir dos seus contextos múltiplos. O processo saúde-doença representa o conjunto de relações e variáveis que produzem e condicionam o estado de saúde e doença de uma população, que variam em diversos momentos históricos e do desenvolvimento científico da humanidade. As doenças crônicas podem se desenvolver a partir de estilos de vida. São considerados fatores de risco: a alimentação inadequada, a falta de atividade física e o tabagismo. O sedentarismo tem sido considerado como o fator de risco mais prevalente na população, independentemente do sexo. Associada a pouca atividade física, a alimentação inadequada vem contribuindo para aumentar o número de obesos. De acordo com Thayse Duarte Varela Dantas Cesar, Priscila Batista Aula 09 - Prof. Priscila Batista e Prof. Thayse Duarte SESAPI (Psicólogo) Conhecimentos Específicos - 2025 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br natal Realce estimativas globais da OMS, mais de um bilhão de adultos apresentam excesso de peso, sendo 300 milhões considerados obesos. Assim, a promoção de modos de vida saudáveis é uma ação importante. Segundo Relatório Mundial de Saúde (2003), dos seis principais fatores de risco para o desenvolvimento das doenças e agravos não transmissíveis, cinco estão intimamente ligados à alimentação e à atividade física - hipertensão arterial, hipercolesterolemia, baixo consumo de frutas e vegetais, excesso de peso corporal e atividade física insuficiente. No Brasil, houve aumento do sedentarismo e modificações dos hábitos alimentares. Atualmente, verifica-se que inúmeros são os desafios encontrados para que a população brasileira alcance um nível ótimo de nutrição e de atividade física (Câmara & Col., 2012). Ainda, de acordo com a OMS, as doenças crônicas não transmissíveis (DCNT) já são responsáveis por 58,5% de todas as mortes ocorridas no mundo e por 45,9% da carga global de doença. De acordo com Leles (2019), quando se fala em doença crônica, geralmente ela é remetida a uma experiência de vida permanente e progressiva, causada por doenças que acarretam múltiplas perdas, limitações e adaptações. Essa característica permanente pode ocasionar uma série de respostas, tanto funcionais/adaptativas quanto disfuncionais/patológicas. Isso acontece devido à alteração da funcionalidade, imagem corporal, atividades sociais, status psicológico, além da modificação do padrão de vida habitual. Mesmo diante dos dados da OMS sobre doenças crônicas, o sistema de saúde ainda persiste focado na doença aguda, trabalhando de modo interventivo, e não preventivo. Indiretamente, isso contribui para que pacientes leigos realizem o autocuidado para prevenção de doenças. Assim, muitas vezes, a equipe de saúde acaba atuando na estabilização e tratamento imediato do quadro, não dando a devida importância para o processo de preparação para alta, orientações gerais, psicoeducação e autocuidado, que são fatores diretamente ligados à conscientização e autor-responsabilização em saúde. Assim, além das essenciais intervenções ao quadro agudo - na urgência - é necessário garantir que haverá informações eficientes, acesso ao cuidado continuado, consultas e tratamento preventivo/eletivo ao usuário, contemplando um modelo integral de cuidado contínuo, dentro de uma perspectiva de uma rede integrada de serviços. Para que isso ocorra, deve haver uma substituição de paradigma e concepção do atual modelo, ainda focado na doença, pelo “Modelo de Cuidados Crônicos”, que tem a abordagem no indivíduo, considerando a integralidade, bem como a participação da rede sociofamiliar durante todo o processo. A rede sociofamiliar tem o papel de extensão do paciente e funciona como a principal estratégia protetiva para o doente crônico. Quando os entes próximos se tornam participantes do tratamento, o paciente pode contar com apoio e auxílio fora do contexto hospitalar, no retorno à sua rotina diária, com maiores chances de manter adesão em médio e longo prazo. Thayse Duarte Varela Dantas Cesar, Priscila Batista Aula 09 - Prof. Priscila Batista e Prof. Thayse Duarte SESAPI (Psicólogo) Conhecimentos Específicos - 2025 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br natal Realce natal Realce Os cuidados aos doentes crônicos ocorrem dentro de três esferas que se inter- relacionam: Seja por meio de uma unidade básica de saúde, um hospital, ou equipes de home care, a filosofia desse modelo deve se basear em uma abordagem pró-ativa, capaz de prevenir, prever e antecipar possíveis complicações e agravamento da doença. Para isso, é necessário o envolvimento direto dos pacientes, suas famílias e comunidade, além da integração estruturada entre cuidados primários e secundários. É importante ressaltar que nem sempre o paciente se ajustará com facilidade às prescrições necessárias. Portanto, nessa perspectiva de enfrentamento de adversidades, adequação ao presente e estratégias de adaptação futura, que a psicologia iniciará seu trabalho junto ao paciente e seus familiares. O empoderamento pode ser uma estratégia eficiente, pois é um processo educativo destinado a ajudar os pacientes a desenvolverem autoconhecimento, autonomia e competências necessárias para assumir efetivamente a responsabilidade com as decisões acerca de sua saúde e sua vida. Doentes crônicos que contam com informações adequadas têm melhor capacidade de reflexão e avaliação de suas necessidades e sintomas atípicos, interagindo de forma mais eficaz com os profissionais de saúde, na busca por melhores resultados. A adesão adequada ao tratamento, está ligada a três fatores primordiais: o Relação entre paciente e profissional de saúde, que deve ser pautada em comunicação acessível, respeito e empatia;o Conscientização e autor-responsabilização do paciente quanto à sua saúde e tratamento indicado; o Apoio familiar/social. SISTEMA DE SAÚDE ORGANIZAÇÃO FORNECEDORA COMUNIDADE Thayse Duarte Varela Dantas Cesar, Priscila Batista Aula 09 - Prof. Priscila Batista e Prof. Thayse Duarte SESAPI (Psicólogo) Conhecimentos Específicos - 2025 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br natal Realce natal Realce Esses fatores perpassam pela atuação do psicólogo, que é o agente que promove a reflexão do paciente e da sua família no que diz respeito à doença, a fim de desenvolver uma postura ativa e empoderada em relação à saúde e à vida. O paciente que possui bom processo de assimilação sobre a cronicidade da doença, vínculo com os profissionais que o acompanham, além de rede de apoio social extra-hospitalar, tende a apresentar melhores resultados, menores incidências de descompensação e busca por tratamento em tempo hábil. Nesse sentido, o psicólogo será o profissional a trabalhar em conjunto com a equipe, na identificação de comportamentos de risco, atendimento direto ao paciente e família, realização de grupos preventivos e interativos, ofertando a assistência necessária para que o usuário se mantenha aderente, após o retorno às atividades de vida. As recorrentes remissões, reinternações e pioras clínicas são uma realidade nas doenças crônicas. A cura da doença crônica não é uma realidade (não se fala em “cura” de doença crônica, e sim em remissão dos sintomas). Em um momento mais avançado da doença, quando as descompensações levam à condição de degradação da funcionalidade e aumento da gravidade, o trabalho terapêutico estará voltado à conscientização de paciente e família sobre a progressão da doença, auxílio adaptativo no enfrentamento dos novos desafios de vida e, por vezes, em vias finais, na preparação para a morte. O foco da intervenção terapêutica será variável, de acordo com o estágio da doença, a demanda do usuário e as respostas de enfrentamento apresentadas. O importante é sempre buscar viabilizar a dignidade e a condição de autonomia, seja na vida ou no processo ativo da morte (Leles, 2019). As doenças agudas geralmente têm como características o surgimento abrupto, a duração limitada, o diagnóstico e o prognóstico acurados e a possibilidade de cura. Caracterizam-se normalmente pelo surgimento rápido, maior intensidade dos sintomas, podendo, por exemplo, haver dor aguda, mas que a tendência é a remissão dos sintomas em curto tempo. A duração da doença, quando não fatal, é de até três meses. A variável de tempo é importante na diferenciação entre a doença aguda e a crônica. A doença aguda, não fatal, é de natureza autolimitante com resíduos mínimos, o impacto sobre a vida do enfermo, e de sua família, ocorre e passa, retornando todos à rotina de vida. Segundo Abranches (1988), a experiência de lidar com um portador de doença crônica é diferente daquela dos que cuidam de portadores de doenças agudas. No primeiro caso, a ênfase é sobre o indivíduo afetado como pessoa e sobre a unidade familiar mais do que sobre o sintoma ou a doença específica. Ao tratar desses pacientes, nos deparamos Thayse Duarte Varela Dantas Cesar, Priscila Batista Aula 09 - Prof. Priscila Batista e Prof. Thayse Duarte SESAPI (Psicólogo) Conhecimentos Específicos - 2025 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br natal Realce com áreas que estão atém do atendimento tradicional; essas outras áreas de atenção dizem respeito ao funcionamento social e psicológico do paciente e de sua família. É uma abordagem, como denomina PERESTRELLO (1987) sobre “a pessoa Global” que parece correr em sentido contrário aos progressos da alta tecnologia e da superespecialização. DOENÇA CRÔNICA à FOCO NO INDIVÍDUO E NA UNIDADE FAMILIAR DOENÇA AGUDA à FOCO NO SINTOMA OU DOENÇA ESPECÍFICA Vamos de questão? (CEBRASPE – 2022 – Pref. Pires do Rio) Considerando o recente aumento de casos de autolesão na adolescência, julgue o item seguinte: Caso clínico 4A2-I Maria, de 65 anos de idade, é diabética e foi diagnosticada com depressão há 40 anos. Faz uso de medicação para ambas as doenças desde o diagnóstico inicial. Relata períodos muito difíceis de tristeza, baixa autoestima e ideação suicida. Diz: “Eu me sinto OK. Nunca fui feliz. Sempre estive OK. Nunca soube o que é felicidade. Minha vida Thayse Duarte Varela Dantas Cesar, Priscila Batista Aula 09 - Prof. Priscila Batista e Prof. Thayse Duarte SESAPI (Psicólogo) Conhecimentos Específicos - 2025 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br sempre foi muito difícil. Precisei trabalhar desde cedo. Perdi meu pai e minha mãe quando muito pequena. Fui morar na rua. Experimentei tudo quanto foi coisa. Chegava a perder as forças. Tinha tontura; tremores; ficava lerda. Meu corpo não respondia direito. Mas era muito louco... Eu ficava eufórica e meio descoordenada também. Chegava a passar dias desaparecida. Tinha uma raiva dentro de mim. Sempre me perguntei o porquê de ser comigo, de ser logo com minha mãe e meu pai. Vi os dois serem mortos na minha frente. Nunca vou esquecer. Lembro de tudo, como se fosse hoje. Tudo por causa de droga. Meu pai sempre bateu em mim e na minha mãe. Eu tinha muita raiva. Ainda tenho. Só de pensar nisso meu coração dispara e eu sou tomada por um manto de fogo. Minhas pernas até adormecem. Meu rosto fica quente. Saí do buraco quando conheci meu companheiro. Só aí vi que poderia ser cuidada por alguém. Mas foi duro. Demorei a acreditar. Mas meu companheiro me ajudou a enxergar minhas dificuldades e doença. Fiquei OK por anos. Mas parece uma coisa... nada pode dar certo pra mim. Há 10 dias fiquei sabendo que tenho um câncer no estômago. Quis me entregar. Mas meu companheiro e meus filhos disseram que farão de tudo por mim e que preciso ser forte. Mas tenho a impressão que a tristeza voltou com tudo de novo.” (sic). Levando em consideração o caso clínico 4A2-I, o processo saúde-doença, as contribuições da psicologia da saúde e da psicopatologia e o papel do psicólogo, julgue o item que se segue. Em se tratando do processo saúde-doença, fatores biológicos, econômicos, sociais e culturais devem ser levados em consideração no contexto de adoecimento de Maria. COMENTÁRIOS: O processo saúde-doença é uma expressão usada para fazer referência a todas as variáveis que envolvem a saúde e a doença de um indivíduo ou população e considera que ambas estão interligadas e são consequência dos mesmos fatores. De acordo com esse conceito, a determinação do estado de saúde de uma pessoa é um processo complexo que envolve diversos fatores. Diferentemente da teoria da unicausalidade, muito aceita no início do século XX, que considera como fator único de surgimento de doenças um agente etiológico – vírus, bactérias, protozoários -, o conceito de saúde-doença estuda os fatores biológicos, econômicos, sociais e culturais e, com eles, pretende obter possíveis motivações para o surgimento de alguma enfermidade. O conceito de multicausalidade não exclui a presença de agentes etiológicos numa pessoa como fator de aparecimento de doenças. Ele vai além e leva em consideração o psicológico do paciente, seus conflitos familiares, seus recursos financeiros, nível de instrução, entre outros. Esses fatores, inclusive, não são estáveis; podem variar com o passar dos anos, de uma região para outra, de uma etnia para outra Gabarito: Certo. Thayse Duarte Varela Dantas Cesar, Priscila Batista Aula 09 - Prof. Priscila Batista e Prof. Thayse Duarte SESAPI (Psicólogo) Conhecimentos Específicos - 2025 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br (CESPE – 2020 – HUB – Residência Multirpfissional) A respeito dos aspectos multifatoriais e interdisciplinares que envolvem o adoecimento e o processo de tratamento do câncer, julgue o item que se segue. Os cuidados paliativos ocorrem somente no momento da terminalidade, por isso não envolvem o processo deevolução de doenças crônico-degenerativas. COMENTÁRIOS: Cuidados paliativos são os cuidados destinados a toda pessoa afetada por uma doença que ameace a vida, seja aguda ou crônica. Os cuidados paliativos são tomados a partir do diagnóstico de uma enfermidade, visando a melhoria da qualidade de vida do paciente e seus familiares. Inclusive, o Ministério da Saúde possui uma normativa para a oferta de cuidados paliativos como parte dos cuidados continuados integrados no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS). O objetivo é garantir que essa prática seja ofertada aos pacientes desde o diagnóstico da doença até a fase terminal, permitindo mais qualidade de vida aos pacientes. Gabarito: Errado. 2- Impacto Diagnóstico O diagnóstico de uma doença grave, quer potencialmente fatal ou crônica, é extremamente difícil para o enfermo e seus familiares. Quando se trata de portador de doença crônica na infância, Lewis (1996) aponta que as diferentes idades do início de apresentação da enfermidade levam a diferentes reações. Por exemplo, aquela que nasceu sem um membro enfrenta uma série de tarefas adaptativas e evolutivas diferentes daquelas que perderam um membro em um acidente. Após a comunicação do diagnóstico ao paciente e à família, um dos objetivos do psicólogo é identificar as variáveis psicossociais e contextos ambientais em que a intervenção psicológica possa auxiliar no processo de enfrentamento da doença, incluindo situações possivelmente estressantes às quais pacientes e familiares são submetidos após o diagnóstico. De acordo com Abranches (1988), a angústia em relação ao diagnóstico pode desencadear reações psíquicas específicas. Num primeiro momento, o paciente e sua família podem demonstrar um choque que gera medo, depressão, choro e desespero. Uma série de conflitos emocionais é desencadeada gerando mecanismos defensivos múltiplos, sendo os mais frequentes: o Regressão à conduta infantil frente à enfermidade, manifestam-se as necessidades de serem prontamente atendidos, apreciados, em serem o centro de atenções; Thayse Duarte Varela Dantas Cesar, Priscila Batista Aula 09 - Prof. Priscila Batista e Prof. Thayse Duarte SESAPI (Psicólogo) Conhecimentos Específicos - 2025 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br o Negação à não reconhecimento da enfermidade, manifesta-se por uma atitude negativa, pouco ou nenhuma colaboração, negação de receber ajuda médica e postergação ir a uma consulta; o Intelectualização à investigação de todos os aspectos da enfermidade. Após o impacto do diagnóstico, o paciente e a família, ao concretizarem a ideia da gravidade da doença, podem passar por estágios emocionais, que são definidos por Kubler- Ross (1996): NEGAÇÃO REVOLTA BARGANHA DEPRESSÃO ACEITAÇÃO Esses estágios são experienciados DE MANEIRA DIFERENTE PARA CADA PESSOA e também são fluidos, ou seja, não necessariamente ocorrem numa ordem determinada. A negação é uma defesa temporária (e necessária) para a evolução da relação com a doença e elaboração desta. Mais tarde, depois de idas e vindas pelos estágios, poderá vir a encarar a morte sem perder as esperanças e, aos poucos, se desprenderá de sua negação e se utilizará de mecanismos de defesa menos radicais, desde que passe a falar e “ouvir” sua doença e mortalidade. A negação pode ser substituída por sentimentos de raiva, revolta, ressentimento e inveja (estágio da revolta). Surge então a pergunta: Por que Eu? Este é um momento em que o paciente necessita ser acolhido, compreendido, Thayse Duarte Varela Dantas Cesar, Priscila Batista Aula 09 - Prof. Priscila Batista e Prof. Thayse Duarte SESAPI (Psicólogo) Conhecimentos Específicos - 2025 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br respeitado, aceito, “cuidado”, para saber que é um ser humano. O próximo estágio, o da barganha, é uma tentativa de adiamento, um “prêmio”, por bom comportamento, em busca de receber em troca a cura. O estágio seguinte refere-se à depressão, que pode ser reativa ou preparatória. A depressão reativa é a aflição inicial que o paciente, em fase terminal, é obrigado a se submeter para se preparar, para quando tiver que deixar este mundo, ou no caso de doenças crônicas, ter de enfrentar a morte do seu Ser anterior. Por fim, o paciente entrará ou não, no último estágio, o da aceitação, lamentando a perda iminente de pessoas e lugares queridos e contemplará seu fim próximo com certa tranquilidade de expectativa. Pode estar cansado e bastante fraco, sentindo necessidade de dormir com mais frequência e em intervalos curtos, como um repouso antes da longa viagem. Muitas vezes também se isola (Abranches, 1998). (CESPE – 2018 – HUB – Residência Multiprofissional) De acordo com Kubler Ross (1989), o paciente e a família, ao tomarem conhecimento da gravidade da doença, podem passar por cinco estágios emocionais: negação, revolta, barganha, depressão e aceitação. Com referência a esses estágios, julgue o item a seguir. A negação é uma defesa temporária, nem sempre total, pois pode ocorrer de um paciente falar sobre sua doença, mas não se relacionar com ela, como se o doente fosse outra pessoa. COMENTÁRIOS: Exato! Conforme vimos, a negação é uma defesa temporária. Funciona como um escudo diante de notícias inesperadas e chocantes. Gabarito: Certo. 3 – Processo de Adoecimento Uma compreensão ampliada em que o sofrimento e o processo de adoecimento devem ser avaliados em sua totalidade, considerando o contexto micro e macro em que o indivíduo está inserido e no qual se constitui biopsicossocialmente é fundamental. Os processos de adoecimento, principalmente os que ameaçam a vida de alguma forma, não se resumem apenas ao adoecimento físico, mas também a um luto simbólico de algo que não está mais presente, podendo gerar sentimentos ambivalentes (medo, estresse, ansiedade, tristeza e culpa). A forma como cada pessoa vivencia um diagnóstico é subjetiva tanto para ela, quanto para o grupo ao qual pertence. Além disso, envolve históricos de Thayse Duarte Varela Dantas Cesar, Priscila Batista Aula 09 - Prof. Priscila Batista e Prof. Thayse Duarte SESAPI (Psicólogo) Conhecimentos Específicos - 2025 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br outros adoecimentos, fases do desenvolvimento, idade e a forma de lidar com perdas (Targino, 2020). A Psicologia atua na linha de frente desse processo de elaboração e ressignificação do adoecimento, fazendo uma ponte entre indivíduo, familiares e equipe. Quando uma pessoa está enfrentando uma doença, tudo o que ela tem como crença, ideais e o que pensa sobre o mundo e sobre si mesma vêm à tona. Mudanças no corpo, rotina, família, trabalho e finanças começam a surgir, o que pode levar à crença de que ela perdeu totalmente o controle, algo que comumente não se está preparado para enfrentar. Cada um irá interpretar o processo de adoecimento de forma diferente, portanto, o tratamento vai se estender a todos os envolvidos de forma singular, desde o paciente, redes de apoio, seus familiares, cuidadores e profissionais (Targino, 2020). (CESPE – 2013 – DEPEN) No que diz respeito ao processo de adoecimento e ao enfrentamento da doença, julgue os itens a seguir. A atuação do psicólogo hospitalar em casos de pacientes com doenças terminais é fundamental, podendo ele ajudar esses pacientes na experimentação de sentimentos e angústias que podem ocorrer nessas situações em que a morte é o tema central. COMENTÁRIOS: A morte pode ser mesmo um tema comum e recorrente quando se fala em pacientes terminais. Apesar de a morte ser uma consequência da evolução natural do processo da vida, nossa cultura ocidental ainda compreende a morte como algo terrível. Assim, ela é temida e lamentada e, frequentemente, adiada, valendo-se de métodos artificiais para a manutenção das chamadas “funções vitais”, quando, na realidade, o indivíduo já deixou de viver (Figueiredo, 2006). Assim, compreender a morte e os sentimentosque a norteiam é fundamental para compreender as angústias daqueles que estão diante dessa situação, bem como a de seus familiares. A experimentação e a ressignificação dos sentimentos e angústias são de extrema importância tanto na preparação para a morte quanto no processo de adoecimento. Gabarito: Certo. Thayse Duarte Varela Dantas Cesar, Priscila Batista Aula 09 - Prof. Priscila Batista e Prof. Thayse Duarte SESAPI (Psicólogo) Conhecimentos Específicos - 2025 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 4 – Enfrentamento da Doença e Adesão ao Tratamento O conceito de adesão ao tratamento (AT) começou a ser desenvolvido por Haynes (1979) e foi corroborado pela OMS “o grau em que o comportamento do doente (tomar a medicação, e cumprir outras prescrições médicas como dieta e mudança de estilo de vida) coincide com a prescrição clínica”. No entanto, Hipócrates já havia feito alusão a não adesão ao tratamento, alertando que os pacientes muitas vezes mentiam quanto à tomada dos medicamentos (Haynes,1979). A partir do século XX, surgiram novas terapêuticas para muitas patologias, o que revelou problemas na AT, sensibilizando os serviços de saúde para essa temática. Muitos fatores são apontados para a não adesão, tais como efeitos adversos do tratamento, instruções insuficientes sobre o mesmo, má relação entre profissional e paciente, memória fraca, discordância com a necessidade de tratamento ou falta de recursos materiais e insumos. Uma das maiores dificuldades de profissionais da saúde é fazer com que pacientes apresentem comportamentos de adesão em relação aos tratamentos prescritos. Nesse sentido, a AT tem um papel fundamental no resultado do tratamento. Klein e Gonçalves (2005) afirmam que a AT não se limita a tomar a medicação adequada, mas também apresentar outros comportamentos relacionados à saúde, que incluem desde o comparecer às consultas e aos procedimentos de imunização até seguir recomendações dadas por diversos profissionais da equipe, como enfermeiros, nutricionistas, fisioterapeutas, psicólogos e outros. Entre as recomendações mais comuns estão normas de higiene, dieta saudável, atividade física, autogestão de doenças crônicas, abandono ou redução do tabagismo e alcoolismo, utilização de métodos de contracepção e de prevenção de doenças sexualmente transmissíveis. Os comportamentos relacionados a não adesão ocorrem em pacientes de todas as idades, classes sociais, grupos étnicos, assintomáticos e sintomáticos, leve ou gravemente doentes e podem comprometer todos os tipos de tratamento, desde os preventivos até os terapêuticos. A não adesão pode ser intencional, quando o paciente tem o conhecimento necessário à realização da conduta, e não intencional, quando o mesmo não compreende ou não apresenta condições de cumprir as prescrições. A OMS propõe o estudo da AT como um fenômeno multidimensional, determinado por vários conjuntos de fatores sistematizados e agrupados em cinco dimensões: 1 - aspectos sociais e econômicos; 2 - aspectos do sistema e dos profissionais de saúde; 3 - características da doença; 4- particularidades de cada tratamento dos tratamentos; e Thayse Duarte Varela Dantas Cesar, Priscila Batista Aula 09 - Prof. Priscila Batista e Prof. Thayse Duarte SESAPI (Psicólogo) Conhecimentos Específicos - 2025 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br natal Realce natal Realce natal Realce 5- fatores específicos do paciente. Afirma, ainda, que a compreensão de cada um desses fatores é essencial na busca da solução dos problemas relacionados a essa condição. Defende o compromisso com uma abordagem multidisciplinar para fazer progressos nesta área e uma ação coordenada dos pesquisadores, profissionais de saúde e gestores de planejamento de políticas públicas. Bugalho e Carneiro (2004) defendem que a abordagem tradicional centrada apenas no comportamento dos doentes está ultrapassada e que o comportamento dos profissionais de saúde deve ser alvo de estudo, procurando identificar quais os fatores que podem melhorar ou piorar a AT dos pacientes. Assim, a formação dos profissionais constitui um passo fundamental para solução deste problema (Romaniszen, 2013). Em relação à quinta dimensão (fatores específicos do paciente), podemos elencar: as crenças do paciente, aspectos afetivos e sociais, comunicação profissional e paciente. Os problemas de adesão ao tratamento em saúde caracterizam-se pela complexidade de fatores implicados neste aspecto. Vázquez, Rodríguez e Alvarez (2003) descrevem diretrizes gerais para a adesão ao tratamento: relação cordial, estimular o paciente a conhecer e incorporar como seu o compromisso do cuidado, informar sobre a doença e corrigir erros e expectativas e adaptá-las às demandas e interesses do paciente; estabelecer metas terapêuticas; e, se necessário, negociar trocas de medicação. A psicologia da saúde engloba as diversas possibilidades de entender e ter um enfrentamento no processo de saúde e doença, fazendo com que seja vista não somente a doença, mas a percepção do indivíduo sobre o processo de adoecimento. Os familiares, cuidadores e profissionais da área da saúde precisam estar envolvidos para juntos construir meios que ofereçam uma melhor qualidade de vida diante do processo saúde-doença. Sendo assim, ressalta-se a importância de tratar não apenas o físico, mas o emocional dos pacientes e dos que se encontram ao seu redor, já que os aspectos psicológicos têm forte impacto na adesão ao tratamento, enfrentamento e cura da doença. É importante ressaltar ainda a necessidade dos conceitos e modelos referentes ao processo saúde-doença que são utilizados na base da atuação do profissional da saúde e seu modo de intervenção frente ao paciente, em especial o psicólogo. A visão por meio do modelo biopsicossocial possibilita compreender este processo de adoecimento a partir da subjetividade do paciente, apresentando possibilidades de intervenção levando em consideração o sujeito como ser holístico (Almeida & Cols, 2018). Thayse Duarte Varela Dantas Cesar, Priscila Batista Aula 09 - Prof. Priscila Batista e Prof. Thayse Duarte SESAPI (Psicólogo) Conhecimentos Específicos - 2025 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br natal Realce natal Realce natal Realce natal Realce (CESPE – 2015 – DEPEN) No que se refere ao processo de adoecimento e à adesão ao tratamento, julgue o item a seguir. A participação ou envolvimento familiar, em geral, implica em uma maior adesão ao tratamento de pacientes portadores de doenças crônicas, como, por exemplo, o câncer. COMENTÁRIOS: Conforme vimos, as diversas variáveis do paciente afetam sua adesão ao tratamento. Segundo Straub (2014), ter o apoio da família, estar de bom humor e ter expectativas positivas são fatores importantes na adesão ao tratamento do paciente. Gabarito: Certo. 5 – Teorias e Manejo do Estresse O estresse é uma reação natural do organismo que ocorre quando vivenciamos situações de perigo ou ameaça. Esse mecanismo nos coloca em estado de alerta ou alarme, provocando alterações físicas e emocionais. Ele tem sido responsável pela maioria dos males que acometem a vida dos indivíduos e assume um papel importante na área da saúde e de como esses indivíduos lidam, direta ou indiretamente, com experiências e eventos considerados estressores, que determinam a vulnerabilidade do organismo à ocorrência de doenças físicas e psicológicas (Silva, 2017). O estresse pode ser originado tanto de fontes estressoras internas quanto externas. As primeiras são desencadeadas pelo próprio indivíduo de acordo com sua personalidade, estilo de vida e características pessoais que dificultam sua relação com o outro e sua expressividade. As segundas – externas - variam de acordo com as reações do sujeito frente às circunstâncias do ambiente, como emprego, acidentes, entre outros. A partir dessas situações estressantes, os reflexos são observados tanto no indivíduo quantoem suas relações sociais e na vida como um todo. 5.1– Teorias do Estresse O estresse, compreendido como o estado de tensão do organismo, surge mediante alterações das atividades normais do indivíduo, afetando a sua vida psíquica e o seu Thayse Duarte Varela Dantas Cesar, Priscila Batista Aula 09 - Prof. Priscila Batista e Prof. Thayse Duarte SESAPI (Psicólogo) Conhecimentos Específicos - 2025 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br comportamento social. O aprofundamento nas diferentes teorias do estresse indica que, antes de serem concorrentes, são complementares e baseiam-se umas nas outras. 5.1.1 – Teoria da luta ou fuga - Cannon A primeira teoria do estresse, apresentada pelo fisiologista Walter Cannon em 1914, não abarcava o sentido atual e foi chamada "teoria da luta ou fuga" (fight-or-flight). Segundo essa teoria, em situações de emergência o organismo se prepara para lutar ou fugir, dependendo do caso. Lipp (2006) complementa que é possível diferenciar as reações corporais de acordo com a situação estressora, ou seja, a fuga gera um aumento de adrenalina, a luta gera um aumento de noradrenalina e testosterona e a depressão (perda de controle, submissão) gera um aumento de cortisol e uma diminuição de testosterona. O organismo prepara-se para lutar ou fugir, gerando um estado de prontidão caracterizado por taquicardia, alteração da pressão arterial, sudorese, boca seca, mãos e pés frios, mudanças de apetite, diarreia passageira, entre outros. Esse tipo de reação foi observado em animais e em humanos. Estudos empíricos puderam acompanhar outro tipo de reação chamada "busca de apoio" (tend-and-befriend), observado pela primeira vez em mulheres. Essa outra reação ao estresse caracteriza-se pela busca de apoio, de proteção e de amizade em grupos. Quando grandes porções do sistema nervoso simpático são estimuladas e descarregam ao mesmo tempo, ou seja, quando ocorre uma descarga em massa, há um aumento da capacidade do corpo para desempenhar uma atividade muscular intensa. Isso pode ocorrer de várias maneiras, dentre as quais destacam-se reações fisiológicas: 1. midríase (dilatação das pupilas); 2. vasoconstrição periférica; 3. vasodilatação muscular, necessidade de atividade motora rápida; 4. diminuição da circulação sanguínea para órgãos como os do trato gastrointestinal e os rins, uma vez que esses não são importantes para uma atividade motora rápida; 5. taquicardia (aumento da frequência cardíaca) e broncodilatação; 6. taquipnéia (aumento da frequência respiratória); 7. aumento da biodisponibilidade de glicose no sangue, concomitantemente ao aumento da glicólise no fígado e no músculo; 8. atividade mental aumentada; 9. aumento da velocidade de coagulação; 10. diminuição da resposta excitatória sexual; 11. aumento da pressão arterial; 12. aumento da intensidade do metabolismo celular por todo o corpo. Tais alterações no organismo ocorrem pelo fato de que, em uma situação de perigo, o indivíduo deve estar preparado para a luta ou para a fuga. Desse modo, o organismo se mobiliza e concentra o gasto energético em processos que o auxiliarão a ter uma resposta motora eficiente. Thayse Duarte Varela Dantas Cesar, Priscila Batista Aula 09 - Prof. Priscila Batista e Prof. Thayse Duarte SESAPI (Psicólogo) Conhecimentos Específicos - 2025 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br natal Realce natal Realce natal Realce natal Realce natal Realce 5.1.2 – Síndrome de Adaptação Geral (SGA) - Selye O médico austríaco Selye, um dos pioneiros nos estudos sobre o estresse, denominou Síndrome de Adaptação Geral / Síndrome Geral de Adaptação (SGA) para nomear os sintomas comuns de diferentes doenças que estavam relacionados à condição geral de enfermidade. Sob estresse, o corpo entra em um estágio de alarme durante a qual a resistência ao estresse é temporariamente suprimida. A partir daí, ele se recupera, passando a uma fase de maior resistência ao estresse. Essa resistência do corpo dura um tempo determinado. Frente ao estresse prolongado, o estágio de exaustão pode ser atingido. Ao longo dessa etapa final, o indivíduo se tornam mais vulneráveis a uma variedade de problemas de saúde. Lipp (2006) também descreveu as fases do estresse, as quais se iniciam com a fase de alerta, que acontece ao se deparar com uma situação estressora. Na segunda fase, a de resistência, o organismo tenta reestabelecer o equilíbrio interno utilizando toda a energia adaptativa, seguindo com a fase de pré-exaustão que é caracterizada pelo início do processo de adoecimento, pois há um enfraquecimento do sistema imunológico e as defesas do organismo começam a ceder, dando início à quarta fase do estresse: a exaustão. Esta última é considerada a mais patológica, pois há uma quebra total da resistência, ocasionando exaustão psicológica em forma de depressão, exaustão física e doenças como úlceras, aumento da pressão arterial, problemas cardíacos, dermatológicos, sexuais, câncer e ainda pode levar o indivíduo à morte. Selye descreveu a SGA “como o conjunto de todas as reações gerais do organismo que acompanham a exposição prolongada ao estressor”, contribuindo para o estudo das fases ou estágios, ensinando que a primeira fase, conceituada de Reação de Alarme, deriva- se da liberação de variadas substâncias, como hormônios e corticoides, a partir de uma situação estressora, de modo a alterar significativamente a função fisiológica do organismo. O segundo estágio (Fase da Resiliência) acontece a partir do prolongamento do organismo para uma maior adaptação, exigindo dele maior consumo de energia e, aos poucos, é assimilado pelo organismo. A última fase, a Fase da Exaustão, ocorre quando a ação do estressor permanece por um longo período, esgotando a energia de adaptação do organismo. Nesse momento, o indivíduo pode ter seu organismo afetado tanto no plano psicológico quanto no plano físico, desencadeando, de indivíduo para indivíduo, sintomas e doenças de acordo com os recursos psicológicos utilizados para lidar com a situação estressora. Depois de toda tensão, deve seguir um estado de relaxamento, pois apenas com descanso suficiente o organismo é capaz de manter o equilíbrio entre relaxamento e excitação necessário para a manutenção da saúde. Assim, se o organismo continuar sendo exposto a mais estressores, não poderá retornar ao estágio de relaxamento inicial o que, em longo prazo, pode gerar problemas de saúde. Na fase de reação de alarme, a glândula hipófise secreta maior quantidade do hormônio adrenocorticotrófico, que age sobre as glândulas suprarrenais. Estas passam a secretar mais hormônios glicocorticoides, como o cortisol. Este, por sua vez, inibe a síntese proteica e aumenta a quebra de proteínas nos músculos, ossos e tecidos linfáticos. Todo esse processo provoca um aumento do nível de Thayse Duarte Varela Dantas Cesar, Priscila Batista Aula 09 - Prof. Priscila Batista e Prof. Thayse Duarte SESAPI (Psicólogo) Conhecimentos Específicos - 2025 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br natal Realce natal Realce natal Realce natal Realce natal Realce natal Sublinhado natal Realce natal Realce natal Lápis natal Lápis aminoácidos no sangue que servem ao fígado para a produção de glucose, aumentando assim o nível de açúcar no sangue – a excessiva produção de açúcar poder levar a um choque corporal. Outra consequência da inibição da síntese de proteínas é a inibição do sistema imunológico. Assim, pode-se apresentar cansaço injustificado, problemas com a memória, sensação de desgaste e irritabilidade. Todas as respostas corporais entram em estado de prontidão geral, ou seja, todo organismo é mobilizado sem envolvimento específico ou exclusivo de algum órgão em particular. É um estado de alerta geral, tal como se fosse um susto. A fase de adaptação ou resistência é caracterizada pela secreção de somatotrofina e de corticoides. Gera, com o tempo, um aumento das reações infecciosas. Acontecequando a tensão se repete: nesta fase, o corpo começa a se acostumar aos estímulos causadores do estresse e entra num estado de resistência, ou de adaptação, para suportar o estresse por um tempo, podendo canalizar para um órgão específico ou para um determinado sistema, seja o sistema cardiológico, a pele, o sistema muscular ou o aparelho digestivo. Na fase de exaustão ou esgotamento, uma vez que a fonte de estresse não cesse, as glândulas suprarrenais se deformam. Doenças de adaptação podem aparecer e a maioria dos sintomas somáticos e psicossomáticos fica mais aparente nessa fase. Assim, observa-se queda acentuada da capacidade adaptativa, pois os mecanismos de adaptação começam a falhar, aumentando o déficit das reservas de energia. Essa fase é grave, podendo levar à morte do organismo. Vejam as figuras 1 e 2, que representam a SGA: Figura: SGA. Fonte: Filgueiras, 1991. Thayse Duarte Varela Dantas Cesar, Priscila Batista Aula 09 - Prof. Priscila Batista e Prof. Thayse Duarte SESAPI (Psicólogo) Conhecimentos Específicos - 2025 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br Figura SGA. Fonte: Filgueiras, 1991. A fase de pré-exaustão se encontra na parte LARANJA da curva, entre as cores amarela e vermelha. 5.1.3 – Modelo Transacional - Lazarus O Modelo Transacional de Lazarus, também chamado de modelo cognitivo ou modelo relacional, sublinha a importância de processos mentais de juízo para o estresse: segundo ele, as reações de estresse resultam da relação entre exigência e meios disponíveis. Essa relação é, no entanto, mediada por processos cognitivos (juízos de valor e outros). Assim, não apenas fatores externos podem agir como estressores, mas também fatores internos, como valores e objetivos. O modelo prevê dois processos de avaliação/julgamento do indivíduo mediante uma situação estressora: Avaliação primária: determinação inicial sobre o significado de um evento como irrelevante, positivo ou ameaçador. Se os acontecimentos são considerados irrelevantes ou positivos, não ocorre nenhuma reação de estresse; reações de adaptação são típicas de situações julgadas negativas, nocivas ou ameaçadoras; Avaliação secundária: determinação que alguém faz sobre seus próprios recursos e capacidades, verificando se são suficientes para cumprir com as demandas de um evento avaliado como potencialmente ameaçador ou desafiador. Após a decisão sobre a necessidade de adaptação, ocorre um julgamento dos meios disponíveis (recursos para essa adaptação) para a solução do problema. Se a relação entre exigências e meios for Thayse Duarte Varela Dantas Cesar, Priscila Batista Aula 09 - Prof. Priscila Batista e Prof. Thayse Duarte SESAPI (Psicólogo) Conhecimentos Específicos - 2025 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br natal Realce natal Realce natal Realce natal Realce natal Realce natal Realce natal Sublinhado natal Realce natal Sublinhado natal Realce equilibrada, então a situação é tomada por um desafio – o que corresponde ao conceito de eustresse (estresse positivo); se os estressores forem tomados por um dano ou perda, o indivíduo experimenta emoções de tristeza e de diminuição da autoestima ou de raiva; se os estressores forem considerados uma ameaça à emoção ocorre medo – ambos os casos correspondem ao “distresse”. Nem sempre o estresse é ruim, sendo um recurso importante para se enfrentar as diferentes situações da vida cotidiana, ou seja, esse pensamento vai ao encontro do modelo transacional e aos processos de julgamento, pois “existem situações estressantes que podem ser muito agradáveis, como por exemplo, se apaixonar, planejar uma festa, o nascimento de um filho, uma viagem, torcer pelo seu time de futebol, entendidas como “eustresse”. Importante salientar que o eustresse pode se transformar em distresse, caso aquela euforia se torna disfuncional a ponto de causar prejuízos na vida. Distresse = estresse ruim Eustresse = estresse bom Como recurso mnemônico, para lembrar qual o estresse bom ou ruim, lembre-se da palavra DIStância (que tem o mesmo prefixo “dis”) para lembrar do DISTRESS. Afinal, desse tipo de estresse, todos queremos distância, não é mesmo? J Por fim, o modelo transacional enfatiza a natureza contínua do processo de avaliação à medida que a nova informação se torna disponível. Com a reavaliação cognitiva (processo pelo qual os eventos potencialmente estressantes são sempre reavaliados), atualizamos constantemente nossa percepção de sucesso ou fracasso diante de um desafio o ameaça. 5.1.3 – Modelo da diátese ao estresse Este modelo propõe que dois fatores que interagem determinam a suscetibilidade do indivíduo ao estresse e à doença: fatores predisponentes à pessoa (genéticos, por exemplo) e fatores precipitantes do ambiente (exemplo: experiências traumáticas). Na maior parte dos casos, não se acredita que os fatores ambientais (estresse) sejam específicos para a determinada condição de saúde, enquanto os fatores genéticos (diátese) são. Por Thayse Duarte Varela Dantas Cesar, Priscila Batista Aula 09 - Prof. Priscila Batista e Prof. Thayse Duarte SESAPI (Psicólogo) Conhecimentos Específicos - 2025 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br natal Realce natal Sublinhado natal Realce natal Realce natal Realce natal Realce natal Realce natal Realce natal Sublinhado natal Realce natal Realce natal Realce natal Sublinhado natal Realce exemplo, alguns indivíduos são mais vulneráveis a doenças porque seus sistemas biológicos apresentam maior reatividade (reação fisiológica ao estresse, que varia com o indivíduo e afeta a vulnerabilidade a doenças), ou seja, reagem com mais intensidade a determinados gatilhos ambientais. 5.1.4 – Teoria do Buscar Apoio Propõe que mulheres têm mais probabilidade do que os homens de responder aos mesmos estressores com comportamentos de buscar apoio (estratégia comportamental ao estresse que se concentra em proteger os filhos (zelar) e procurar outros indivíduos para a defesa mútua (agrupar) que: • Acalmam, estimulam e cuidam dos filos para protegê-los (zelar); • Estabelecem e mantém redes sociais para protegê-los do perigo. 5.1.5 – Psiconeuroimunologia A psiconeuroimunologia enfatiza a interação entre processos psicológicos, neurais e imunológicos no estresse e na doença. É um campo de pesquisa multidisciplinar que trata das interações entre o comportamento e o sistema nervoso, o sistema endócrino e o sistema imunológico. Baseia-se em duas hipóteses: Hipótese do efeito indireto: retardos na cura induzidos por estresse podem ocorrer porque os processos imunológicos são alterados indiretamente, encorajando comportamentos mal-adaptativos que perturbam o funcionamento imunológico. Exemplo: considerando que o sono profundo está associado à secreção de hormônio do crescimento (o qual facilita a cura de ferimentos, pois ativa os macrófagos para matar bactérias no local da ferida). A falta de sono ou o sono fragmentado resulta na redução da secreção desse hormônio, causando retardo na cura; Hipótese do efeito direto: a imunossupressão é parte da resposta natural do corpo ao estresse. Assim, o estresse pode afetar o sistema imunológico de forma direta, por meio da ativação de mecanismos neuroendócrinos que liberam o cortisol, epinefrina e outros hormônios e neurotransmissores capazes de reduzir as defesas do corpo contra infecções e doenças. Thayse Duarte Varela Dantas Cesar, Priscila Batista Aula 09 - Prof. Priscila Batista e Prof. Thayse Duarte SESAPI (Psicólogo) Conhecimentos Específicos - 2025 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br natal Realce natal Realce natal Realce natal Realce 5.2. – Manejo do Estresse O manejo do estresse descreve uma variedade de métodos psicológicos projetados para reduzir o impacto das experiências potencialmente estressantes (Steptoe, 1997). Existem muitas técnicas disponíveis para ajudar pessoasa manejarem o estresse de forma mais eficaz. É importante que elas sejam indicadas por um profissional, considerando a realidade, as limitações e a individualidade de cada paciente. Vou descrever algumas segundo Straub (2014): 5.2.1 – Prática de Exercícios Físicos A prática regular e orientada de exercícios físicos tem efeito profundo sobre a fisiologia, aumentando o fluxo sanguíneo para o cérebro e estimulando o sistema nervoso autônomo, o que desencadeia a liberação de vários hormônios. Todos esses efeitos fisiológicos tendem a proteger o indivíduo contra doenças, especialmente problemas de saúde relacionados ao estresse. Também tem efeitos positivos contra a depressão e a ansiedade. 5.2.3. – Terapias do Relaxamento As terapias de treinamento em relaxamento são intervenções psicológicas relativamente simples. Entre elas estão (Straub, 2014): Treinamento muscular progressivo (Jacobson): treinamento para relaxamento que reduz a tensão muscular por meio de uma série exercícios de contração e relaxamento dos músculos do corpo; Resposta de relaxamento: estado meditativo de relaxamento em que o metabolismo diminui e a pressão arterial é reduzida; Treinamento autógeno: forma de auto-hipnose para promover o relaxamento que envolve uma série de exercícios que induzem sentimentos de peso e calor nos membros do corpo; Biofeedback: sistema que proporciona informações auditivas ou visíveis com relação a estados fisiológicos involuntários. Fornece informações com a finalidade de permitir aos indivíduos, desenvolver a capacidade de autorregulação. Envolve o retorno imediato da informação através de aparelhos sensórios eletrônicos, sobre processos fisiológicos; Hipnose: interação social em que são sugeridos pensamentos, sentimentos, percepções ou comportamentos; Thayse Duarte Varela Dantas Cesar, Priscila Batista Aula 09 - Prof. Priscila Batista e Prof. Thayse Duarte SESAPI (Psicólogo) Conhecimentos Específicos - 2025 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br Terapias cognitivas: apoiam-se na visão de que a forma de pensar a respeito do ambiente, em vez do próprio ambiente, altera o nível de estresse. Assim, visam quebrar o ciclo de padrões de pensamento irracional que distorcem a percepção das pessoas de eventos cotidianos e impede que elas adotem comportamentos de enfrentamento apropriados. Dentre essas terapias, há a terapia relacional-emotiva, que se baseia em confrontar ou desafiar os pensamentos e atitudes irracionais. Treinamento de inoculação do estresse (TIE): é um tipo de terapia cognitiva que ajuda a confrontar eventos estressantes com várias estratégias de enfrentamento que podem ser usadas antes que o evento se torne insuperável. Dessa forma, os indivíduos conseguem se “inocular” contra os efeitos potencialmente prejudiciais do estresse. O TIE é um processo de três estágios, no qual o terapeuta utiliza uma dose enfraquecida de um estressor na tentativa de construir uma imunidade contra o estressor total. o Estágio 1 – Reconceitualização: os objetivos gerais dessa fase são identificar e definir o problema que a pessoa apresenta. Também pretende-se ajudá-la a entender sua natureza e seus efeitos nas emoções e comportamentos, além de definir os objetivos da terapia. A importância concedida à compreensão do problema e como é possível abordá-lo faz com que essa fase também receba o nome de fase educativa. o Estágio 2 – Aquisição de e treinamento de habilidades: Durante essa segunda fase, o paciente – com a ajuda do terapeuta – revisa, aprende e treina estratégias de confronto. Essas estratégias vão lhe permitir abordar as situações geradoras de estresse que foram detectadas na fase de reconceitualização. Durante essa fase, são realizadas tarefas como treinar o paciente para buscar, utilizar e manter o apoio social de forma efetiva. Também são utilizados modelos de confronto reais ou por meio de vídeo, comentando, discutindo e dando feedback sobre a execução das estratégias que são treinadas. o Estágio 3 – Manutenção: Na terceira fase, os objetivos são vários: colocar em prática as estratégias aprendidas em situações reais, comprovar a utilidade das habilidades adquiridas e corrigir os problemas que vão surgindo durante o processo de exposição. Essa fase está completamente relacionada à anterior. Normalmente, para adquirir habilidades é necessário treiná-las, primeiro nas sessões e, posteriormente, em situações reais. Thayse Duarte Varela Dantas Cesar, Priscila Batista Aula 09 - Prof. Priscila Batista e Prof. Thayse Duarte SESAPI (Psicólogo) Conhecimentos Específicos - 2025 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br ==593391== natal Realce (CESPE – 2014 – TC/DF) No que se refere ao estresse e às suas consequências, julgue os próximos itens. De acordo com a teoria do estresse proposta por Selye, o manejo do estresse pode ser feito pela remoção de estressores desnecessários à vida e por meio de evitação ou fuga das condições adversas que o causam. COMENTÁRIOS: Pra começar, nem sempre temos esse “poder” de evitar ou fugir das condições adversas que causam o estresse. Selye afirma que podemos lidar com situações estressantes de diferentes formas, como a partir da remoção dos estressores desnecessários à vida; evitando-se que eventos neutros se tornem estressores; desenvolvendo habilidades de enfrentamento a condições adversas; por meio de relaxamento e distração. Gabarito: Errado. (CESPE – 2016 – TCE/PA) Adulto, Luís sofreu um grave acidente automobilístico e teve de amputar o braço esquerdo. Um mês após a amputação e a alta médica, ele foi levado ao hospital por ter sofrido um colapso: isolado da família, havia passado dias bebendo, sem se alimentar adequadamente, e com comportamento violento. Na semana anterior ao colapso, Luís havia se queixado de forte dor no membro amputado, tendo-a descrito como paralisante, aguda e ardente. Como Luís sentia fortes dores no braço desde a infância, em decorrência de outro acidente, e como estava constantemente embriagado desde a amputação, sua família não deu importância a sua queixa, tendo acreditado que ela poderia ser uma memória do acidente ocorrido na infância. Considerando as teorias do manejo e enfrentamento da dor e do estresse, julgue o item a seguir, acerca da situação hipotética apresentada. É possível que Luís esteja vivenciando a terceira etapa da síndrome geral de adaptação. Essa etapa é denominada reação de alarme e ocorre quando as reservas de energia do corpo já estão exauridas. COMENTÁRIOS: A reação de alarme/alerta é a primeira da SGA, a última (terceira) é chamada de EXAUSTÃO. Gabarito: Errado. 6 – Teorias e Manejo da Dor A dor envolve uma experiência total de reação a um evento prejudicial, incluindo o mecanismo físico pelo qual o corpo reage, a resposta emocional subjetiva (sofrimento) Thayse Duarte Varela Dantas Cesar, Priscila Batista Aula 09 - Prof. Priscila Batista e Prof. Thayse Duarte SESAPI (Psicólogo) Conhecimentos Específicos - 2025 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br natal Realce e ações observáveis (comportamento de dor). Sabe-se que a experiência da dor é um fenômeno multidimensional, que envolve diversos fatores (idade, gênero, fatores socioculturais, psicossociais e de aprendizagem social). A luta para compreender a dor – o que a causa e como controlá-la – é um tópico central na psicologia da saúde. Aqui falaremos da dor clínica, que é aquela que requer alguma forma de tratamento médico. Apesar do desconforto e estresse que pode causar, a dor é de extrema importância à nossa sobrevivência, pois a dor é um sinal vital que pode revelar muita coisa sobre o corpo. A dor dispara um alarme de que há algo errado e nos alerta para tentar prevenir possíveis danos físicos. De modo geral, a dor é dividida em duas categorias amplas: dor aguda e dor crônica. A dor aguda é aquela pungente, curta e normalmente relacionada a lesões. A dorcrônica pode ser contínua ou intermitente, moderada ou grave. É uma dor cega e ardente que é duradoura. A dor crônica reduz a qualidade de vida geral da pessoa e aumenta sua vulnerabilidade à infecção e, assim, a uma variedade de doenças. Também pode causar outros problemas físicos, como quando a dor de cabeça gera problemas estomacais. Tem um custo psicológico devastador, desencadeando baixa autoestima, insônia, raiva, sensação de abandono e outros prejuízos (Straub, 2014). Outro desafio enfrentado por aqueles que têm dor crônica é a hiperalgesia, condição em que a pessoa que sofre de dor crônica torna-se mais sensível a ela com o passar do tempo. 6.1. – Como mensurar a dor? De natureza multidimensional e subjetiva, a dor não é facilmente mensurada. Todavia, existem maneiras de avaliá-la: medidas psicofisiológicas, medidas comportamentais e medidas de autoavaliação. Medidas psicofisiológicas: mensuração das mudanças fisiológicas específicas que acompanham a dor. Por exemplo, a eletromiografia avalia a quantidade de tensão musculação apresentada em pacientes que sofrem dores de cabeça ou dores de coluna. Medidas comportamentais: profissionais de saúde podem ser treinados para avaliar a dor com base nos comportamentos do paciente durante procedimentos de rotina. Pode- se utilizar inventários que avaliam comportamentos-alvo, como verbalização de queixas, expressões faciais, posturas anormais e mobilidade. Medidas de autoavaliação: baseiam-se em relatos verbais ou escritos que o paciente faz da sua dor. As medidas de autoavaliação assumem três formatos: o Entrevistas estruturadas (perguntas sobre quando a dor começou, como progrediu, o que a faz aumentar, etc); o Escalas de avaliação da dor (pacientes atribuem um valor numérico ao grau da dor); o Inventários de dor (categorização da dor em dimensões sensoriais ou afetivas). Thayse Duarte Varela Dantas Cesar, Priscila Batista Aula 09 - Prof. Priscila Batista e Prof. Thayse Duarte SESAPI (Psicólogo) Conhecimentos Específicos - 2025 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br natal Realce 6.2. – Teoria da Comporta Várias teorias foram propostas para explicar a percepção da dor. A teoria da comporta (de Ronaldo Melzack e Peter Wall) superou limitações de teorias anteriores e, apesar das críticas, permanece sendo a teoria dominante. A ideia dessa teoria é que a experiência da dor não é o resultado de um canal sensorial direto que começa com a estimulação de um receptor na pele e termina com a percepção da dor pelo cérebro. A teoria propõe que a existência de uma estrutura neural na porção posterior da medula espinhal que funciona como uma comporta, abrindo para aumentar o fluxo de transmissão das fibras nervosas ou fechando para diminuir o fluxo. Com a comporta aberta, os sinais que chegam à medula espinhal estimulam neurônios sensoriais chamados de células transmissoras, que, por sua vez, transmitem os sinais adiante para atingir o cérebro e desencadear a dor. Com a comporta fechada, os sinais são impedidos de chegar ao cérebro e a dor não é sentida. E como a comporta se fecha? Melzack & Wall sugeriram que o mecanismo se encontra na substância gelatinosa da medula espinhal. Tanto as fibras da dor pequenas quanto as grandes têm sinapses na substância gelatinosa. Dependendo de quais fibras são ativadas, a substância gelatinosa (o guardião), abrirá ou fechará as comportas. Veja a figura ilustrativa do mecanismo da teoria da comporta: Figura: Teoria da Comporta da Dor. Fonte: Klein, 2016 Thayse Duarte Varela Dantas Cesar, Priscila Batista Aula 09 - Prof. Priscila Batista e Prof. Thayse Duarte SESAPI (Psicólogo) Conhecimentos Específicos - 2025 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br A teoria da comporta sugere que existe uma comporta de dor na medula espinhal, a qual pode ser fechada por estimulação do sistema de fibras de dor rápida. A atividade do sistema de dor lenta tende a abrir a comporta. Esta também pode ser fechada pela via descendente do cérebro. 6.3. – Manejo da Dor Para cuidar da dor, existem tratamentos biomédicos e não-biomédicos. Os tratamentos médicos incluem farmacológicos, cirúrgicos, estimulação elétrica e terapias físicas. Os não-médicos incluem tratamentos psicológicos (e também terapia cognitivo- comportamental). Tratamentos farmacológicos: realizados com drogas analgésicas, que são divididas em duas classes gerais: as drogas opióides (de ação central, como a morfina); e as não opióides (ação periférica, que produzem efeitos de alívio da dor e de anti-inflamatórios no local lesionado). Cirurgia, estimulação elétrica e terapias físicas: a cirurgia, como geralmente envolve risco substancial à saúde, é usada para controlar a dor apenas em último recurso. A estimulação elétrica e as terapias físicas (ex. fisioterapia) são recursos bem menos invasivos e de risco muito reduzido em relação à cirurgia. Terapia Cognitivo-Comportamental: baseia-se em procedimentos operantes para extinguir comportamentos de dor indesejáveis, enquanto reforçam respostas mais adaptativas à dor crônica. Vamos às técnicas da TCC mais utilizadas para manejo da dor: o Educação e estabelecimento de objetivos: os terapeutas iniciam dando aos pacientes uma psicoeducação sobre diferenças entre dor aguda e crônica, mecanismos da teoria da comporta e efeitos da depressão, ansiedade e de outros fatores sobre a dor. Os pacientes são encorajados a registrar suas próprias experiências de dor, mantendo um diário que registre a frequência, a duração e a intensidade da dor. Além de registrar o uso de medicamentos e os níveis de humor e atividade a cada hora. O diário permite que o paciente e o terapeuta revisem padrões de dor e Thayse Duarte Varela Dantas Cesar, Priscila Batista Aula 09 - Prof. Priscila Batista e Prof. Thayse Duarte SESAPI (Psicólogo) Conhecimentos Específicos - 2025 (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br natal Realce apresentar novas visões de alguns dos fatores que afetam a experiência da dor. Essas visões são valiosas para promover maior senso e controle da dor. Essa fase é útil para estabelecer os objetivos específicos da intervenção. Os objetivos devem ser formulados de maneira a reduzir a tendência comum em conviver com a dor. Por exemplo, em vez de “gostaria de retomar minhas atividades normais sem sentir dor”, um objetivo realista seria “gostaria de me alongar três vezes por semana”; o Intervenções cognitivas: a principal delas é a reestruturação cognitiva, que desafia processos de pensamentos mal adaptativos e corrige crenças irracionais do paciente, que contribuem para a ansiedade e amplificam a dor. Seguem alguns padrões de erros cognitivos comuns a pacientes crônicos: o Catastrofização - superestimação da perturbação e desconfortos causados por uma experiência negativa; o Generalização - crença de que a dor nunca terminará e que ela arruinará a vida completamente. Essas atribuições globais e estáveis de um evento negativo podem levar à depressão ou prejuízo na saúde; o Vitimização - experiência de um senso de injustiça que consome; o Autoculpa - culpabilização de si por não conseguir conduzir as responsabilidades normais para com a família e o trabalho; o Ênfase na dor - não conseguir para de pensar na dor, reviver episódios dolorosos e repassar pensamentos negativos na mente de forma indefinida. o Distração cognitiva: consiste na mudança do foco de atenção para outras situações que podem ser agradáveis e muitas vezes encontram-se disponíveis no próprio ambiente. A influência da atenção na amplificação da dor é um processo bastante estudado. Diversos autores concordam que a atenção dirigida para dor aumenta a intensidade da experiência dolorosa e que distrair a atenção da dor diminui a intensidade da experiência dolorosa; o Visualização: projetada para promover mudanças nas percepções, ela possui dois componentes: um processo mental (como na imaginação)