Prévia do material em texto
1 P E R ÍC IA C O N TÁ B IL - G R U P O P R O M IN A S 2 P E R ÍC IA C O N TÁ B IL - G R U P O P R O M IN A S 3 P E R ÍC IA C O N TÁ B IL - G R U P O P R O M IN A S Núcleo de Educação a Distância GRUPO PROMINAS DE EDUCAÇÃO Diagramação: Rhanya Vitória M. R. Cupertino Revisão Ortográfica: Clarice Virgilio Gomes / Bianca Yureidini Santos PRESIDENTE: Valdir Valério, Diretor Executivo: Dr. Willian Ferreira. O Grupo Educacional Prominas é uma referência no cenário educacional e com ações voltadas para a formação de profissionais capazes de se destacar no mercado de trabalho. O Grupo Prominas investe em tecnologia, inovação e conhecimento. Tudo isso é responsável por fomentar a expansão e consolidar a responsabilidade de promover a aprendizagem. 4 P E R ÍC IA C O N TÁ B IL - G R U P O P R O M IN A S Prezado(a) Pós-Graduando(a), Seja muito bem-vindo(a) ao nosso Grupo Educacional! Inicialmente, gostaríamos de agradecê-lo(a) pela confiança em nós depositada. Temos a convicção absoluta que você não irá se decepcionar pela sua escolha, pois nos comprometemos a superar as suas expectativas. A educação deve ser sempre o pilar para consolidação de uma nação soberana, democrática, crítica, reflexiva, acolhedora e integra- dora. Além disso, a educação é a maneira mais nobre de promover a ascensão social e econômica da população de um país. Durante o seu curso de graduação você teve a oportunida- de de conhecer e estudar uma grande diversidade de conteúdos. Foi um momento de consolidação e amadurecimento de suas escolhas pessoais e profissionais. Agora, na Pós-Graduação, as expectativas e objetivos são outros. É o momento de você complementar a sua formação acadêmi- ca, se atualizar, incorporar novas competências e técnicas, desenvolver um novo perfil profissional, objetivando o aprimoramento para sua atu- ação no concorrido mercado do trabalho. E, certamente, será um passo importante para quem deseja ingressar como docente no ensino supe- rior e se qualificar ainda mais para o magistério nos demais níveis de ensino. E o propósito do nosso Grupo Educacional é ajudá-lo(a) nessa jornada! Conte conosco, pois nós acreditamos em seu potencial. Vamos juntos nessa maravilhosa viagem que é a construção de novos conhecimentos. Um abraço, Grupo Prominas - Educação e Tecnologia 5 P E R ÍC IA C O N TÁ B IL - G R U P O P R O M IN A S 6 P E R ÍC IA C O N TÁ B IL - G R U P O P R O M IN A S Olá, acadêmico(a) do ensino a distância do Grupo Prominas! É um prazer tê-lo em nossa instituição! Saiba que sua escolha é sinal de prestígio e consideração. Quero lhe parabenizar pela dispo- sição ao aprendizado e autodesenvolvimento. No ensino a distância é você quem administra o tempo de estudo. Por isso, ele exige perseve- rança, disciplina e organização. Este material, bem como as outras ferramentas do curso (como as aulas em vídeo, atividades, fóruns, etc.), foi projetado visando a sua preparação nessa jornada rumo ao sucesso profissional. Todo conteúdo foi elaborado para auxiliá-lo nessa tarefa, proporcionado um estudo de qualidade e com foco nas exigências do mercado de trabalho. Estude bastante e um grande abraço! Professora: Caroline Barbosa 7 P E R ÍC IA C O N TÁ B IL - G R U P O P R O M IN A S O texto abaixo das tags são informações de apoio para você ao longo dos seus estudos. Cada conteúdo é preprarado focando em téc- nicas de aprendizagem que contribuem no seu processo de busca pela conhecimento. Cada uma dessas tags, é focada especificadamente em partes importantes dos materiais aqui apresentados. Lembre-se que, cada in- formação obtida atráves do seu curso, será o ponto de partida rumo ao seu sucesso profisisional. 8 P E R ÍC IA C O N TÁ B IL - G R U P O P R O M IN A S Esta unidade analisará os principais aspectos relacionados a perícia contábil, desde seu histórico até como se dá sua aplicação, finalizando com o estudo acerca do laudo pericial, as perícias contá- beis são de suma importância na investigação de diversas questões, a exemplo das questões patrimoniais, sendo ela um meio probante, o que faz dela também um meio de solução de conflitos, o perito deve ser alguém preparado profissionalmente para o cargo, sendo ele esco- lhido por um juiz em caso de demandas judiciais, ou pelas partes em caso de demandas extrajudiciais, caberá a esse perito de forma zelo- sa averiguar o objeto periciado, para ao final, prestar suas conclusões em um laudo pericial, o estudo dessa matéria focará sempre no perito contábil, sendo ela de suma importância, principalmente ao profissio- nal de contabilidade que deseja se tornar perito. Contabilidade. Perícia. Laudo Pericial. 9 P E R ÍC IA C O N TÁ B IL - G R U P O P R O M IN A S CAPÍTULO 01 INTRODUÇÃO A PERÍCIA CONTÁBIL Apresentação do Módulo ______________________________________ 11 12 34 17 Aspectos Básicos da Governança Corporativa ___________________ Plano de Trabalho Operacionalização da Perícia Contábil, Perícia Judicial e Extrajudicial _________________________________________ Conceitos e Objetivos da Perícia; Investigações Técnicas acerca de um Fato Patrimonial ____________________________________________ CAPÍTULO 02 PERÍCIA CONTÁBIL APLICADA Fundamentos Teóricos e Éticos da Perícia Contábil _____________ 29 26Recapitulando ________________________________________________ Aplicações da Perícia Contábil __________________________________ 41 23Aspectos Históricos, Fundamentos; Legais, Sociais e Conceituais Recapitulando _________________________________________________ 44 CAPÍTULO 03 O DIREITO E A PERÍCIA CONTÁBIL Quesitos, Normas Brasileiras da Perícia e do Perito ____________ 47 Modelo Pericial – Cartas, Mandatos, Petições e Laudo Pericial ___ 54 10 P E R ÍC IA C O N TÁ B IL - G R U P O P R O M IN A S Recapitulando __________________________________________________ 62 Fechando a Unidade ____________________________________________ 65 Referências _____________________________________________________ 68 11 P E R ÍC IA C O N TÁ B IL - G R U P O P R O M IN A S O presente módulo tem como objetivo mostrar ao estudante uma introdução ao estudo da perícia contábil, e demonstrar ao estudan- te a importância desse meio probatório na solução das mais diversas lides envolvendo questões ligadas a Contabilidade. Iniciaremos o estudo trazendo os conceitos e objetivos da pe- rícia contábil, primeiramente, questões relacionadas a governança cor- porativa e logo em seguida dando início ao estudo das perícias pro- priamente dito, esse estudo é de suma importância na introdução do estudante a essa disciplina. Logo mais, veremos que o estudo das perícias está regrado à uma ampla normatização, assim como toda profissão e todo ato pro- fissional, sendo as perícias importantes instrumentos dentro do campo judicial, do campo semijudicial, do extrajudicial e da arbitragem. A perícia contábil, tanto a judicial, como a extrajudicial, é de competência exclusiva do contador registrado em Conselho Regional de Contabilidade. Entende-se como perícia judicial, aquela exercida sob a tutela da justiça. A perícia extrajudicial é aquela exercida no âmbito arbitral, estatal ou voluntária. O perito sofre limitações legais devido a normatização jurídica que disciplina as perícias, além das limitações citadas acima, os peri- to-contadores podem sofrer apenamentos, ou seja, penalidades, caso queiram deixar as partes e o juiz dependentes de seu trabalho, levar vantagem financeira, por prestarem serviços para qual não estejam ha- bilitados, por saberem a verdade e não a declararem nos autos, fazer afirmação falsa e induzir o juiz ao erro. Outra questão importante trazida a esse estudo trata-se dos quesitos que devem ser formulados para o perito, esses devem ser os mais objetivos possíveis, esses quesitos poderão serto-contabil/?gclid=Cj0KCQjw6NmHBhD2ARIsAI3hrM38rH- 03zInzbGN9KIPqVrD-vqdkglqFmGFOjfV8XvYGVGCNo2oH- DgEaAs38EALw_wcB e https://paulalgn.jusbrasil.com.br/ artigos/152495882/quesitos-para-pericia-contabil 44 P E R ÍC IA C O N TÁ B IL - G R U P O P R O M IN A S TREINOS INÉDITOS QUESTÃO 1 A perícia contábil do tipo voluntária é aquela: A) Exercida sob o controle da legislação societária e supervisão judicial; B) Exercida sob o controle da legislação de arbitragem e supervisão judicial; C) Executada sob o controle de órgão do Estado e supervisão judicial; D) Exercida sob a tutela da justiça e supervisão governamental; E) Contratada espontaneamente pelo interessado ou de comum acordo entre as partes. QUESTÃO 2 João, contador em situação regular no Conselho Regional de Con- tabilidade de sua jurisdição, emitiu, após ter sido intimado pelo Poder Judiciário, laudo e parecer técnico-contábil para subsidiar a solução de um litígio: Nesse caso, João realizou atividade de: A) Auditoria independente; B) Auditoria interna; C) Auditoria operacional; D) Consultoria financeira; E) Perícia contábil. QUESTÃO 3 O laudo pericial contábil e o parecer pericial contábil têm por limite: A) Os objetivos da perícia deferida ou contratada; B) A identificação do processo e das partes; C) A síntese do objeto da perícia; D) A metodologia adotada para os trabalhos periciais e esclarecimentos; E) O lapso temporal da perícia a ser realizada. QUESTÃO 4 A perícia contábil arbitral é de competência exclusiva para: A) Contador registrado no Conselho Regional de Contabilidade; B) Bacharel em Ciências Contábeis; C) Contabilista registrado no Conselho Regional de Contabilidade; D) Técnico de contabilidade registrado no Conselho Regional de Con- tabilidade; E) Economista registrado no Conselho de Economia. 45 P E R ÍC IA C O N TÁ B IL - G R U P O P R O M IN A S QUESTÃO 5 De acordo com a definição dada pelas normas técnicas vigentes, o zelo profissional do perito contábil: A) Recomenda que o perito não deve restringir seus trabalhos ao con- teúdo técnico-científico; B) Não significa que o perito deva avocar para si a responsabilidade pessoal por todas as informações prestadas no laudo pericial contábil; C) Não compreende necessariamente o cumprimento dos prazos nos termos contratados em perícia extrajudicial; D) É o cuidado que ele deve dispensar na execução de suas tarefas, em relação à sua conduta, documentos, prazos e tratamento dispensado às autoridades, a fim de que seja respeitado; E) Importa não modificar seu posicionamento após críticas ou argumen- tos contrários. QUESTÃO DISSERTATIVA – DISSERTANDO A UNIDADE Discorra acerca da Perícia Arbitral. NA MÍDIA PIZZOLATO: NOVO LAUDO PERICIAL REFORÇA SUA INOCÊNCIA A Ação Penal 470, que foi amplamente popularizada com o apelido de “Mensalão”, concluiu que 74 milhões de reais, pertencentes ao Ban- co do Brasil, foram desviados com autorização de Henrique Pizzolato. Contrariamente, o laudo contábil do perito judicial Fernando César Gua- rany, que veio a público no final de 2020, afirma que os recursos não pertenciam ao Banco do Brasil, que Henrique Pizzolato não tinha pode- res para autorizar seu uso e que há provas documentais de que mais de 90% foram utilizados para ações de marketing. Esses três pontos eram vitais para sustentar todo o caso do Mensalão: o castelo ruiria se o dinheiro não tivesse sido desviado, se não fosse dinhei- ro público e se um petista, Pizzolato, não tivesse comandado o desvio. Fonte: Carta Maior Data: 27/02/2021. Leia a notícia na íntegra: Acesso em: 20/07/2021. NA PRÁTICA O perito contábil, quando está na função de assistente técnico, pode oferecer colaboração deveras importante aos advogados, debatendo com os mesmos as possibilidades técnicas quanto ao desenvolvimento da prova técnica contábil, culminando por sugerir quesitos ou proposi- 46 P E R ÍC IA C O N TÁ B IL - G R U P O P R O M IN A S ções que possam solucionar os fatos controvertidos objetos da lide. Corroborando com o trabalho realizado pelo perito assistente, este pro- fissional deve possuir as mesmas qualificações, sendo que o mesmo pode vir a atender a parte que o contratou. Ou seja, realiza as mesmas funções de modo legal, seguindo aos procedimentos designados, mas estando a serviço daquele a quem ele foi contratado. PARA SABER MAIS Acesse os links: https://www.nucleodoconhecimento.com.br/contabili- dade/pericia-contabil#32-O-TRABALHO-REALIZADO-PELO-PERITO- -OFICIAL Acesso em: 20/07/2021. 47 P E R ÍC IA C O N TÁ B IL - G R U P O P R O M IN A S QUESITOS, NORMAS BRASILEIRAS DA PERÍCIA E DO PERITO A demanda judicial é caracterizada por um conflito de interes- ses, nele, uma das partes postula o reconhecimento de algum direito, enquanto a outra parte resiste a aplicação deste, não encontrando ele- mentos suficientes para a formação de sua convicção valorativa sobre questões técnicas ou fáticas discutidas, pode o condutor judicial, a pe- dido de qualquer uma das partes ou por sponte própria, instaurar a fase de produção de provas, delas se destaca a prova pericial técnica. Solicitada a perícia, o juiz será responsável por fixar os pontos controvertidos da demanda, escolhendo o perito responsável e questio- nando a esse quais os pontos que deverão ser esclarecidos na deman- da, as partes também poderão realizar quesitos ao perito. O DIREITO E A PERÍCIA CONTÁBIL P E R ÍC IA C O N TÁ B IL - G R U P O P R O M IN A S 47 48 P E R ÍC IA C O N TÁ B IL - G R U P O P R O M IN A S Art. 465. O juiz nomeará perito especializado no objeto da perícia e fixará de imediato o prazo para a entrega do laudo. Os quesitos elaborados em um processo são as perguntas ou questionamentos realizados a respeito de um determinado assunto que seja objeto de perícia, podendo eles serem feitos pelo juiz e/ou pelas partes envolvidas e que devem ser respondidos pelo perito-contador de forma técnica e/ou científica. Na busca do esclarecimento de questões, as partes ou o juiz, devem elaborar os quesitos como meio de auxílio, o perito deverá res- ponder a esses quesitos levando em consideração a sua pertinência. A elaboração desses quesitos é de suma importância e encontra disposi- tivos legais em sua disciplina. Um dos maiores problemas relacionados a elaboração dos quesitos é a tentativa de se evitar a elaboração de quesitos genéri- cos, além daqueles que aumentam desnecessariamente o escopo dos exames periciais, a perícia deverá ser o mais objetiva possível, é premente que as autoridades requisitantes especifiquem as con- dutas a serem identificadas nos documentos e materiais a serem periciados de forma mais objetiva possível. Para saber mais sobre esse assunto, acesse: https://www. in.gov.br/en/web/dou/-/norma-brasileira-de-contabilidade-nbc-tp- -n-1-r1-de-19-de-marco-de-2020-250058048 Esses quesitos deverão ser elaborados obedecendo uma se- quência lógica, isso deve ser feito para que não haja fuga da matéria em questão, auxiliando na melhor obtenção dos resultados da perícia, para isso deve haver trabalho em conjunto entre aquele que elabora as questões, a exemplo do advogado e do assistente técnico para elabo- ração das questões. Vejamos logo abaixo um exemplo na formulação de quesitos para perícia contábil: 49 P E R ÍC IA C O N TÁ B IL - G R U P O P R O M IN A S Figura 10: Quesitos Fonte: SlidePlayer, 2021. É sabido que a perícia é um instrumento utilizado na busca da solução de conflitos entre as partes, sendo ela um modo de elucidar questões que estejam gerando dúvidas e incertezas, por esse motivo os quesitos não devem ser defeituosos ou imperfeitos, pois se forem, poderão prejudicar o entendimento do juiz. Ornelas (2003, p.84-85) discorre que: Surgem, assim, duas categorias de quesitos: os pertinentes eos impertinen- tes. Os primeiros têm por objetivo esclarecer as questões técnicas contábeis. Os impertinentes abordam, geralmente, aspectos não relacionados com que se debate nos autos do processo, ou então, são perguntas que buscam do perito a opinião fora de sua competência legal. Na primeira categoria, en- quadram-se aqueles pertinentes ao objeto da perícia; na segunda, aqueles indeferidos pelo magistrado. O quesito impertinente é a pergunta dirigida ao contador e que foge do âm- bito do exercício de sua profissão, ou seja, não se refere à matéria contábil (patrimonial aziendal) (SÁ, 1997, p.81). São impertinentes à função contábil os quesitos que buscam a interpretação de textos legais, ou ligados à matéria de mérito, ou pertencentes à outra pro- fissão: medicina, engenharia, dentre outras. (HOOG, 2007, p.142). Os quesitos além de serem classificados como pertinentes e impertinentes a perícia, também poderão ser classificados como suple- 50 P E R ÍC IA C O N TÁ B IL - G R U P O P R O M IN A S mentares, insuficientes e de esclarecimento, eles deverão ser feitos ao perito e caso haja, ao perito assistente, sendo esse segundo uma esco- lha das partes. Vejamos o que diz por exemplo o artigo 469 do Novo CPC: Art. 469. As partes poderão apresentar quesitos suplementares durante a diligência, que poderão ser respondidos pelo perito previamente ou na audi- ência de instrução e julgamento. É por esse motivo que a escolha do perito deverá ser feita le- vando em consideração a confiança transmitida pelo profissional, bem como sua capacidade técnica acerca dos conhecimentos necessários para solução do assunto, o perito deve saber quando o quesito formula- do apresenta algum defeito ou imperfeição. Os quesitos serão submetidos ao conhecimento desse perito nomeado pelo juiz, respondendo-os na elaboração do laudo pericial, ele deverá responder da forma mais clara e objetiva, não restringindo os fatos, se ainda assim restarem dúvidas, as partes poderão formular quesitos complementares para que o perito os responda. Art. 469. As partes poderão apresentar quesitos suplementares durante a diligência, que poderão ser respondidos pelo perito previamente ou na audi- ência de instrução e julgamento. Parágrafo único. O escrivão dará à parte contrária ciência da juntada dos quesitos aos autos. O laudo pericial é de suma importância dentro da perícia, nele de- verão conter os quesitos elaborados de forma organizada, contendo suas respectivas respostas, além de todo o resultado do trabalho realizado. Art. 473. O laudo pericial deverá conter: a exposição do objeto da perícia; a análise técnica ou científica realizada pelo perito; a indicação do método utilizado, esclarecendo-o e demonstrando ser predo- minantemente aceito pelos especialistas da área do conhecimento da qual se originou; resposta conclusiva a todos os quesitos apresentados pelo juiz, pelas partes e pelo órgão do Ministério Público. §1º No laudo, o perito deve apresentar sua fundamentação em linguagem simples e com coerência lógica, indicando como alcançou suas conclusões. §2º É vedado ao perito ultrapassar os limites de sua designação, bem como emitir opiniões pessoais que excedam o exame técnico ou científico do ob- jeto da perícia. §3º Para o desempenho de sua função, o perito e os assistentes técnicos po- dem valer-se de todos os meios necessários, ouvindo testemunhas, obtendo 51 P E R ÍC IA C O N TÁ B IL - G R U P O P R O M IN A S informações, solicitando documentos que estejam em poder da parte, de ter- ceiros ou em repartições públicas, bem como instruir o laudo com planilhas, mapas, plantas, desenhos, fotografias ou outros elementos necessários ao esclarecimento do objeto da perícia. Cabe ao perito tornar compreensível os fatos que estejam con- trovertidos nos autos, mesmo que os quesitos elaborados não sejam sufi- cientes, desta forma, agirá com celeridade, assim, não aguardando que as partes através de seus advogados, venham a fazer quesitos complementa- res, o perito tem por obrigação realizar o laudo mais esclarecedor possível. Os quesitos complementares são perguntas adicionais feitas pelas partes, ou seja, podem ser formulados pelo advogado ao perito judicial durante a diligência como consta no Art. 469 do Novo Código de Processo Civil. Geralmente são elaborados por quem tenha conhe- cimento técnico, ou seja, o advogado é auxiliado pelo perito assistente. Como esses quesitos são adicionais ou suplementares o perito-conta- dor poderá peticionar complemento de honorários, pois estes quesitos refletem um aumento no volume do trabalho. No que diz respeito a perícia contábil judicial, os questiona- mentos feitos poderão ser utilizados em três momentos processuais diferentes, na fase preliminar, nas diligências e na audiência, devendo obedecer aos requisitos de cada fase, como já foi dito, esses quesitos têm como objetivo elucidar questões obscuras existentes no proces- so, de modo objetivo, fundamentado, utilizando uma linguagem de fácil compreensão para todos. De acordo com as normas e técnicas estabelecidas ao peri- to-contador por intermédio da NBC TP 01, as respostas dos quesitos serão respondidas por ocasião do laudo pericial contábil, nesse laudo devem ser registradas as informações pertinentes de forma circunstan- ciada, clara, objetiva, sequencial e lógica (CFC, 2015a). O Código de Processo Civil de 2015, em seu inciso II, do artigo 470, deverão ser verificados os prazos a serem cumpridos, vejamos: Quesitos são as perguntas, formuladas pelas partes ou pelo juiz, dirigidas ao perito e aos assistentes técnicos, por meio das quais se chega (ou se preten- de chegar) aos conhecimentos dos fatos, cuja prova depende de habilitação técnica ou científica (MILHOMENS, 1982, p. 570 apud MORAIS, 2005, p. 134). As respostas dos quesitos não devem ser extensas, mas sim, ob- jetivas e diretas. Em razão do detalhamento dos procedimentos utilizados para encontrá-la, não será respondido apenas o que foi perguntado. Lem- brando que o perito judicial apenas responde os quesitos, não os formula. Revestido da finalidade de esclarecer, aclarar, corrigir omissões 52 P E R ÍC IA C O N TÁ B IL - G R U P O P R O M IN A S ou falhas constantes nos trabalhos periciais, os quesitos poderão ser apre- sentados de forma ilimitada, desde que seja respeitado o prazo judicial- mente proposto para a manifestação das partes, cabendo ao juízo identifi- car a conveniência e pertinência dos mesmos, permitindo, por conseguinte, a condução do processo sem danos à ampla defesa e ao contraditório. Normas da Perícia Contábil Toda atividade profissional está sujeita a algum tipo de norma- tização, o mesmo ocorre com o profissional da contabilidade e conse- quentemente com a perícia contábil, ela está disposta em vários regra- mentos legais, estando sujeita as normas e regramentos específicos. A perícia é um instrumento muito antigo na sociedade, mas no que tange a legislação nacional acerca do tema, a primeira disposição legal acerca da atividade pericial, está regrada no Código de Processo Civil de 1939, esse código estabelecia regras acerca da perícia. No que diz respeito a perícia contábil, somente mais tarde em 1946, com a criação do Conselho Federal de Contabilidade - CFC, atra- vés do Decreto-Lei nº 9.295/46, que se imprimiram as primeiras atribui- ções de cunho legal do contador, ou seja, foi aí que surgiu a parametri- zação da perícia contábil, que acabou conferindo caráter privativo aos contadores diplomados e aos não equiparados legalmente na época em que se pode dizer institucionalizada a Perícia Contábil no Brasil. Com o Decreto-Lei nº 8.579, de 8/01/1946, significativas alterações foram introduzidas nas normas periciais. Também, a Legislação Falimentar – De- creto-lei nº 7.661/46, com alterações da Lei nº 4.983/66, em seu artigo 63, inciso VI; art. 93 parágrafo único; art. 169, inciso VI; arts. 211 e 212, incisos I e II – estabeleceuregras de perícia contábil, que são claras ao definirem esta atribuição ao contador” (MAGALHÃES, 2004). A perícia contábil está em crescente evolução, com a edição do antigo Código de Processos Civil (CPC), através da lei nº 5.869/73, as perícias judiciárias foram agasalhadas com tratamento mais cristalino (HOOG, 2001). Temos, também, a legislação trabalhista, o Direito Co- mercial (CC/2002), incluídos no contexto da atividade pericial, da mes- ma forma que a jurisprudência de natureza processual civil. No que diz respeito às normas de natureza técnica-contábil, chama-se a atenção para a Resolução do CFC nº. 1.243/09, que apro- vou a NBC TP 01 – Perícia Contábil, a qual definiu procedimentos da perícia contábil. A Norma Brasileira De Contabilidade, NBC TP Nº 1 (R1), de 19 de 53 P E R ÍC IA C O N TÁ B IL - G R U P O P R O M IN A S março de 2020, especifica os procedimentos periciais que deverão funda- mentar as conclusões que serão levadas ao laudo pericial ou ao parecer, abrangendo um rol taxativo contido no item 53 da norma o qual nos diz: 53.O laudo deve conter, no mínimo, os seguintes itens: (a)identificação do processo ou do procedimento, das partes, dos procurado- res e dos assistentes técnicos; (b)síntese do objeto da perícia; (c)resumo dos autos; (d)análise técnica e/ou científica realizada pelo perito; (e)método científico adotado para os trabalhos periciais, demonstrando as fontes doutrinárias deste e suas etapas; (f)relato das diligências realizadas; (g)transcrição dos quesitos e suas respectivas respostas conclusivas para o laudo pericial contábil; (h)conclusão; (i)termo de encerramento, constando a relação de anexos e apêndices; (j)assinatura do perito: deve constar sua categoria profissional de contador, seu número de registro em Conselho Regional de Contabilidade e, se houver, o número de inscrição no Cadastro Nacional de Peritos Contábeis (CNPC), e sua função: se laudo, perito nomeado e se parecer, assistente técnico da parte. É permitida a utilização da certificação digital, em consonância com a legislação vigente e as normas estabelecidas pela Infraestrutura de Chaves Públicas Brasileiras - ICP-Brasil; (k)para elaboração de parecer, aplicam-se o disposto nas alíneas acima, no que couber. Assinatura em conjunto O rol dos procedimentos elencados nessa norma, são conside- rados como as técnicas do trabalho pericial, de modo sucinto, são eles que definem e indicam como deve se dar a fundamentação do laudo, após os procedimentos de diligências e coleta dos elementos. O Código de Processo Civil (CPC 2015) em seu artigo 420, especifica que a prova pericial se consistirá somente no exame, na vis- toria ou na avaliação, enquanto o Conselho Federal de Contabilidade em suas resoluções acerca do assunto foi inovador ao elaborar a norma pericial com procedimentos condizentes à realidade econômica, social e tecnológica atualmente requerida. Art. 420. A prova pericial consiste em exame, vistoria ou avaliação. Parágrafo único. O juiz indeferirá a perícia quando: - A prova do fato não depender do conhecimento especial de técnico; - For desnecessária em vista de outras provas produzidas; - A verificação for impraticável. De acordo com o Art. 472 do Novo Código de Processo Civil, 54 P E R ÍC IA C O N TÁ B IL - G R U P O P R O M IN A S o juiz não está necessariamente vinculado ao laudo pericial contábil, mas caso a sentença seja contrária ao trabalho técnico evidenciado no laudo pericial, o juiz deverá mostrar de forma convincente o que o levou a outro convencimento. O conselho federal de contabilidade auxilia o perito através de duas normas, a norma técnica e a norma profissional, na norma técnica temos o detalhamento sobre os papeis de trabalho exercidos pelo pe- rito, como o desenvolvimento de seu trabalho e assuntos relativos ao laudo pericial. Já no que diz respeito a norma profissional, temos um deta- lhamento sobre a própria atuação do profissional perito, como as suas responsabilidades, a sua atuação, os impedimentos a esse profissional, os honorários e as condições de trabalho desse profissional. A norma no que se refere aos procedimentos, é objetiva ao recomendar quais os cuidados mínimos que o perito deverá ter com re- lação ao objeto periciado, tendo em vista que imperfeição ou imperícia resultaria no comprometimento do trabalho pericial. O Laudo Pericial Contábil deverá ser escrito de forma direta, devendo atender às necessidades dos julgadores e dos interessados e ao objeto da discussão, sempre com conteúdo claro e limitado ao as- sunto da demanda, de forma que possibilite os julgadores a proferirem justa decisão. O Laudo Pericial Contábil não deve conter documentos, coisas, e/ou informações que conduzam a duvidosa interpretação, para que não induza os julgadores e interessados a erro. MODELO PERICIAL – CARTAS, MANDATOS, PETIÇÕES E LAUDO PERICIAL De acordo com o Código de Processo Civil de 2015, os meios de prova admitidos em direito são: o depoimento pessoal, a confissão, a exibição de um documento ou coisa, a prova documental, a prova testemunhal, a inspeção judicial e a prova pericial. Os meios de prova são os meios utilizados pelas partes em um processo para que haja o convencimento do julgador, elas devem remontar a formação do fato que levou ao litígio, ou seja, a sucessão de acontecimentos que, demonstrados cronologicamente servirão de base para a decisão daquele que está julgando. As partes têm a iniciativa de provar, ou seja, elas possuem o encargo de produzir as provas necessárias para o julgamento, o juiz ao apreciá-las deverá decidir segundo o princípio da persuasão racional, isto é, segundo aquilo que foi alegado e comprovado nos altos, mas 55 P E R ÍC IA C O N TÁ B IL - G R U P O P R O M IN A S quando essas provas não são suficientes para o esclarecimento dos fa- tos, o juiz deverá de ofício pedir a produção de outras provas, a exemplo da perícia, que terá seu resultado exposto em um laudo pericial. Figura 11: Meios de Prova Fonte: TJDFT, 2021. No que diz respeito a prova pericial e ao laudo, esses podem ser considerados como documentos escritos pelo perito, devendo estar de for- ma clara e objetiva, contendo em seu escopo o objeto periciado e, conten- do também as evidenciadas, as diligências, estudos, observações realiza- das, critérios adotados e resultados que deverão ser fundamentados. O laudo pericial é uma prova de execução da perícia, no entan- to, o laudo em si não garante a eficácia da perícia, ou seja, para que ele possa satisfazer as necessidades da prova pericial, deverá estar apoia- do em pesquisas e investigação dos fatos, já que esses são atributos essenciais da perícia. Adotando o direcionamento trazido pelo Código de Processo Civil pátrio, podemos dizer que o laudo deve seguir em uma sequência lógica por meio da qual possa expressar passo a passo e com clareza, 56 P E R ÍC IA C O N TÁ B IL - G R U P O P R O M IN A S toda a caminhada do perito e, encerrando-a com a conclusão deste so- bre os fatos encontrados. De acordo com Hoog (2005) o Laudo Pericial Contábil deve ser composto por: (i) cabeçalho que identifica o processo; (ii) evidenciar o objetivo do laudo; (iii) os métodos de investigação; (iv) as técnicas científicas utilizadas; (v) as diligências referentes aos procedimentos adotados; (vi) e juntamente com a coleta de dados, deve responder aos quesitos formulados pelas partes; (vii) encerramento; (viii) a bibliografia; (ix) e relação de anexos. O Professor Antônio Lopes de Sá conceitua que o ciclo da perí- cia judicial se compõe de fase preliminar, operacional e final: (SÁ, 2005, p.64-65) Fase Preliminar: (i) A perícia é requerida ao juiz, pela parte interessada na mesma; (ii) O juiz defere a perícia e escolhe o Perito; (iii) As partes formu- lam quesitos e indicam seus assistentes; (iv) Os Peritos são cientificados da indicação; (v) Os Peritos propõem honorários e requerem depósitos;(vi) O juiz estabelece prazo, local e hora para o início. Fase Operacional: (i) Início da perícia e diligências; (ii) Curso do trabalho; (iii) Elaboração do laudo. Fase Final: (i) Assinatura do laudo; (ii) Entrega do laudo; (iii) Levantamento dos honorários; (iv) Esclarecimentos (se requeridos). Em todas as fases, existem prazos e formalidades a serem cumpridas. Observa-se que tanto Alberto (2002), como o Conselho Federal de Contabilidade (1999) convergem nos seguintes pontos: (i) afirmam que é uma peça escrita; (ii) que deve ser clara e objetiva; (iii) devendo apresentar os estudos, as diligências e observações que o perito realizou; (iv) principalmente as suas conclusões devidamente fundamentadas. A orientação e condução do laudo é de realização do perito, ele poderá adotar um padrão próprio, desde que respeitada a estrutura prevista na norma, devendo nele constar de forma clara, objetiva, se- quencial e lógica o objetivo da perícia, o objeto estudado, bem como tudo o que foi realizado na busca do perito pela verdade real dos fatos. Caso o laudo não tenha sido elaborado por um profissio- nal habilitado, nesse caso específico, o contador, será vedado ao perito assistente assinar o laudo em conjunto, devendo ele comu- nicar ao conselho de classe, citando o fato ocorrido em sua peti- ção de apresentação do laudo. 57 P E R ÍC IA C O N TÁ B IL - G R U P O P R O M IN A S No que tange a estruturação do Laudo pericial contábil, temos que o perito contador deverá respeitar sua estrutura, tendo esse laudo o dever conter itens regrados na normatização, acerca dos laudos pe- riciais contábeis, vejamos o que demonstra a figura abaixo acerca do laudo pericial contábil: Figura 12: Laudo Pericial Fonte: SlidePlayer, 2021. O laudo pericial deverá ser o mais objetivo, claro, preciso, conciso e completo possível, o laudo deverá conter aspectos analíticos e sempre que for necessário oferecer o máximo de detalhes sobre a prova pericial em questão. Entretanto, faz-se necessário que esses detalhes estejam preferencialmente, em anexo, sendo referenciados no corpo do laudo. Os procedimentos de perícia contábil visam fundamentar as conclusões que serão levadas ao laudo pericial contábil ou pare- cer pericial contábil, e abrangem, total ou parcialmente, segundo a natureza e a complexidade da matéria, exame, vistoria, indagação, 58 P E R ÍC IA C O N TÁ B IL - G R U P O P R O M IN A S investigação, arbitramento, mensuração, avaliação e certificação. Essas técnicas de incorporação de detalhes ao corpo do laudo, proporciona ao juiz e aqueles que forem ler o laudo, a boa leitura e o entendimento. O laudo pericial deverá focar em três partes principais e distintas, e todas elas deverão estar comprometidas com o entendi- mento da totalidade da prova, são elas a introdução, as respostas aos quesitos e as conclusões. No tocante às respostas a quesitos e conclusão do laudo, o Conselho Federal de Contabilidade, através da NBC TP 01 – Perícia Contábil orienta: Quesitos e respostas: 87. O perito deve observar as perguntas efetuadas pelas partes, no momento próprio dos esclarecimentos, pois tal ato se limita às respostas a quesitos integrantes do laudo pericial, ou do parecer pericial contábil às explicações sobre o conteúdo da lide ou sobre a conclusão. Quesitos novos 88. O perito-contador deve observar se os quesitos formulados nesta fase processual são pedidos de esclarecimentos sobre o seu laudo pericial con- tábil, ou, se tratam de quesitos novos. Mesmo atinente ao objeto da discus- são, as respostas a esses novos quesitos ficam sujeitas ao deferimento do julgador da causa. 73. Conclusão: é a quantificação, quando possível, do valor da demanda, po- dendo reportar-se a demonstrativos apresentados no corpo do laudo pericial contábil e do parecer pericial contábil ou em documentos. É na conclusão que o perito colocará outras informações que não foram objeto de quesita- ção, porém, as encontrou na busca dos elementos de prova inerentes ao objeto da perícia e que, de alguma forma, servirão de apoio para a opinião ou julgamento. No que diz respeito a introdução do laudo pericial, deverá conter uma síntese da peça inicial que gerou o processo, seguida de sua contes- tação, essa apresentação visa inserir os leitos na problemática e o levará a entender mais rapidamente qual o objeto da ação, isso o poupará de diver- sas e exaustivas buscas nos autos, como já foi dito em inúmeras situações, o perito é auxiliar do Juiz e deve buscar a todo momento o seu auxílio. O laudo é um trabalho profissional de pesquisa, por esse moti- vo deverá conter elementos próprios da pesquisa, como a metodologia que foi utilizada, se foram ou não realizadas diligências, quais provas fo- ram examinadas, as pesquisas e investigações concretizadas, as cons- tatações que o perito obteve, entre outras informações, tudo devendo ser colocado no laudo da forma mais sucinta possível. O laudo deve conter de forma organizada e cronológica os quesitos que foram realizados, seguidos de suas respectivas respostas, 59 P E R ÍC IA C O N TÁ B IL - G R U P O P R O M IN A S essas respostas devem ser mais esclarecedoras possíveis, evitando que o leitor possa com elas admitir mais de uma interpretação. No caso da resposta contida no laudo exigir demonstrações ana- líticas e detalhadas, na profundidade e extensão que sejam necessárias ao seu entendimento, o laudo deverá conter em anexo essas demons- trações, com a fácil identificação ao leitor, de mesmo modo, se existirem quesitos impertinentes ao contexto, o juiz deverá ser comunicado e o perito deverá solicitar que o juiz o permita não responder ao quesito. O perito deve se conter a responder aquilo que lhe foi pergun- tado, não devendo ir além, ou seja, ele deverá se ater ao objeto peri- ciado, se o quesito realizado não for esclarecedor, o perito deverá de maneira célere e objetiva responder aquilo que for pertinente a questão, pois sua obrigação é esclarecer ao leitor aquilo o que foi pesquisado, trazendo sempre credibilidade ao laudo pericial. Assim, o perito não deverá se alongar demais nas respostas aos quesitos, sem utilização de rodeios e floreados, a objetividade, bem como a clareza devem ser adotados como princípios na elaboração do laudo. Ainda, é inoportuno a criação de teses desnecessárias para ape- nas demonstrar o conhecimento do perito, tendo em vista que se trata de um trabalho profissional de cunho probatório. Da mesma forma, o perito deverá se atentar a qualidade de suas respostas, é desaconselhável ao mesmo que no afã de evitar o comprometimento com suas respostas, apresente-as de modo suscin- to, dando inclusive pareceres lacônicos ao responder apenas com SIM ou NÃO, e, principalmente, é grosseria por parte do profissional perito, além de demonstrar falta de credibilidade a prova pericial. Também não poderá o laudo pericial conter emendas, rasuras, utilização de entrelinhas, pois conforme já foi dito, trata-se de um meio probante, que servirá ao juiz para o convencimento de um fato, o tipo de linguagem adotada pelo perito-contador deverá ser acessível aos interlocu- tores, possibilitando aos julgadores e às partes da demanda conhecimento e interpretação dos resultados obtidos nos trabalhos periciais contábeis. Se o laudo pericial for elaborado por leigo ou profissio- nal não-habilitado, pode o perito-contador assistente apresentar um parecer, na forma de laudo pericial contábil, sobre a matéria a ser periciada, em conformidade com esta norma, podendo efetuar comentários e críticas sobre as respostas e conclusões do Laudo 60 P E R ÍC IA C O N TÁ B IL - G R U P O P R O M IN A S Pericial apresentado. O laudo deverá ser escrito de forma direta, devendo atender às necessidades dos julgadores e dos interessados e ao objeto da discus- são, sempre com conteúdo claro e limitado ao assunto da demanda, de forma que possibilite os julgadores a proferiremjusta decisão, vejamos abaixo um modelo de laudo pericial contábil: MODELO SUGESTIVO DE UM LAUDO PERICIAL CONTÁBIL EXMO (A). SENHOR (A) DOUTOR (A) JUIZ (A) DE DIREITO DA _____ VARA CÍVEL DA COMARCA DE RECIFE CAPITAL DO ESTADO DE PER- NAMBUCO. (espaço 10 linhas) PROCESSO Nº: NATUREZA DA AÇÃO: REQUERENTE: REQUERIDO: LAUDO PERICIAL CONTÁBIL Nome do Perito(a) Bacharel em Ciências Contábeis e já qualificado nos au- tos à vista da conclusão do trabalho para qual foi nomeado(a) às fls.xxx, vem apresentar a Vossa Excelência o Laudo Pericial, bem como os procedimen- tos utilizados para obtenção das perícias. 1 – INTRODUÇÃO 1.1 – Do objetivo dos trabalhos periciais 1.2 – Do contrato, ou, dos Livros de Registros Contábeis, ou (descrever o embasamento formal motivo da discordância – Ex. se tratar de SFH falar das condições contratuais...). 1.3 – Descrever o contido na exordial (Pedidos do Autor), na contestação (da Ré) e na manifestação do Autor sobre a contestação do(a) Ré. 2 - RESPOSTAS AOS QUESITOS 2.1 – Quesitos do Juiz; 2.2 – Quesitos do Autor(a); 2.3 – Quesitos do(a) Ré(u). 3 – PERITO ASSISTENTE Esclarece este perito, igualmente, que os traba- lhos foram acompanhados pelo perito assistente, Dr. Bona Laboranta Espe- ranto, indicado às folhas xxx, do processo em epígrafe, que, por concordar plenamente com os procedimentos e os resultados da presente perícia, assi- na o presente o laudo pericial em conjunto como este perito. 4 – CONCLUSÃO À exceção dos quesitos xx e yy da autora, que não corroboram para a eluci- dação da lide, todos os demais foram respondidos deforma conclusiva. Por- tanto, esperamos que este laudo pericial seja suficientemente esclarecedor para a formação de convicção desse Meritíssimo Juízo. Por último, coloca- mo-nos à Vossa disposição para outros esclarecimentos adicionais julgados pertinentes. Goiânia (GO), ___ de __________de ______ Nome do perito e CRC Perito Judicia 61 P E R ÍC IA C O N TÁ B IL - G R U P O P R O M IN A S Conforme verificado, o profissional perito habilitado, relata suas observações e ao final apresenta as suas conclusões de modo funda- mentado no laudo pericial, quanto ao parecer técnico, esse se dará com a opinião, conselho ou esclarecimento do técnico profissional legalmen- te habilitado sobre o assunto de sua especialidade. Figura 15: Parecer Técnico Fonte: Slide Player, 2021. O perito do juízo e o perito assistente têm funções distintas nos autos, embora devam trabalhar para o esclarecimento da verdade. A distinção de funções consiste em que o perito do juízo trabalha somente para a causa, não se importando a qual das partes assiste a razão e sempre se reportando ao Juiz. Já o perito assistente reporta-se fora dos autos à parte que o contratou e dentro dos autos ao Juiz, contestando ou concordando com a posição do perito do juízo. 62 P E R ÍC IA C O N TÁ B IL - G R U P O P R O M IN A S TREINOS INÉDITOS QUESTÃO 1 De acordo com a NBC PP 01 – Perito Contábil, o perito deve ela- borar a proposta de honorários estimando, quando possível, o número de horas para a realização do trabalho, por etapa e por qualificação dos profissionais, considerando alguns dos seguin- tes trabalhos especificados, EXCETO: A) Retirada e entrega do processo ou procedimento arbitral; B) Pesquisa documental e exame de livros contábeis, fiscais e societários; C) Elaboração de planilhas de cálculo, quadros, gráficos, simulações e análises de resultados; D) Elaboração de termos de diligências para arrecadação de provas e comunicações exclusivas aos advogados; E) Nenhuma das anteriores. QUESTÃO 2 A auditoria contábil tem a mesma finalidade da: A) Averiguar a exatidão dos registros contábeis e das demonstrações contábeis no que se refere aos eventos que alteram o patrimônio e a representação desse patrimônio; B) Perícia contábil; C) Lei; D) Todas as alternativas; E) Nenhuma das Anteriores. QUESTÃO 3 No Laudo Pericial encontra-se discriminado pelo perito contábil o seguinte quesito e resposta: “Queira o senhor perito informar se o autor goza de boa saúde física e mental para suportar o resultado do processo? Resposta: Quesito estranho à matéria contábil”. Considerando o disposto, pode-se afirmar que o tipo de quesito apresentado pode ser identificado como: A) Pertinente; B) Suplementar; C) Esclarecimento; D) Impertinente; E) Nenhuma. QUESTÃO 4 Em uma ação cível de apuração de haveres, o perito contábil apre- sentou em seu Laudo Pericial a metodologia de trabalho da seguin- 63 P E R ÍC IA C O N TÁ B IL - G R U P O P R O M IN A S te forma: “Desenvolveu-se o trabalho mediante a análise dos livros diário e razão e demais documentos solicitados conforme Termo Inicial de Diligência Pericial”. Tal metodologia apresentada refere- -se à utilização pelo perito do procedimento de: A) Exame; B) Indagação; C) Mensuração; D) Avaliação; E) Nenhuma. QUESTÃO 5 Um investidor solicitou esclarecimentos à Diretoria da empresa XY sobre o valor de uma estimativa de perda de um ativo submetido ao processo de avaliação por Redução ao Valor Recuperável de Ativos. Alega o investidor que realizou o teste com base nas demonstra- ções financeiras padronizadas divulgadas para usuário externo e encontrou valor diferente. A Diretoria solicitou esclarecimentos ao contador que informou tratar-se da reversão de valor estimativo de perda reconhecida no exercício anterior conforme determina a NBC TG 01 (R4). Não se sentindo confortável com os esclarecimentos do Contador, a Diretoria contratou um Perito Contábil para examinar os cálculos e o reconhecimento do valor da reversão, considerando que (a) o valor do ativo antes do reconhecimento da estimava de perda no exercício anterior era R$ 2.850 mil; (b) depois de reconhe- cido o valor da estimativa de perda o valor do ativo foi alterado para R$ 2.100 mil. O valor do ativo divulgado nas últimas demonstrações financeiras padronizadas para usuário externo, um ano depois, exa- minadas pelo investidor e pelo perito contábil, é de R$ 2.650 mil. Com base no enunciado, assinale a opção que apresentar o que deve constar do parecer do perito contábil como valor da reversão. A) O valor da reversão validado pelo Perito Contábil é R$ 200 mil; B) O valor da reversão validado pelo Perito Contábil deve ser R$ 550 mil; C) O Perito Contábil deve recomendar que o valor reconhecido como perda é definitivo não cabendo reversão; D) O valor da reversão validado pelo perito contábil deve ser R$ 750 mil; E) Nenhuma. QUESTÃO DISSERTATIVA – DISSERTANDO A UNIDADE Comente acerca do laudo pericial. NA MÍDIA RECEITA E POLÍCIA FEDERAL INVESTIGAM FRAUDE NO AUXÍLIO 64 P E R ÍC IA C O N TÁ B IL - G R U P O P R O M IN A S EMERGENCIAL NO ES Receita Federal e a Polícia Federal deflagraram nesta manhã (26/5) a Operação Mendacium, no Espírito Santo, com o objetivo de combater fraudes no recebimento do Auxílio Emergencial, mediante crimes de fal- sidade ideológica e lavagem de dinheiro. A deflagração ocorreu no município de Guarapari/ES, com o cumprimento de uma Mandado de Prisão Preventiva, um Mandado de Busca e Apreen- são, além da determinação judicial de bloqueio de bens do investigado. A operação contou com participação de cinco Policiais Federais, um Auditor-Fiscal e um Analista-tributário da Receita Federal Fonte: Jornal Contábil Data: 27 maio. 2021. Leia a notícia na íntegra: https://www.jornalcontabil.com.br/receita-e-po- licia-federal-investigam-fraude-no-auxilio-emergencial-no-es/ Acesso em: 20/07/2021. NA PRÁTICA A atividade pericial não é uma das mais fáceis, ela requer conhecimento atualizado e experiência por parte do perito-contador. É fundamental para o exercício de tal atividade segurança, capacidade técnica e acima de tudo muita ética profissional, é necessário também um bom relacionamento com os demais colegas de profissão e os outros profissionais que atuam no Poder Judiciário. Para o perito-contador os quesitos podem influenciar no volumede trabalho, na proposta dos honorários, na quantidade de ho- ras para execução do trabalho, nas diligências, além de poder verificar se o profissional poderá sofrer suspeição, impedimento ou penalidades, mas se o perito-contador não usar sua perspicácia e experiência os mesmos quesitos periciais que elucidam questões e norteiam os peritos podem des- viar a direção do trabalho do mesmo, para que isso não aconteça ao perito contador na sua atividade este deverá utilizar-se de legalidade, moralidade e zelo profissional, evitando assim erros, falhas e penalidades. Logo foi possível verificar a importância dos quesitos no trabalho do perito contador perante a justiça e a sociedade, pois este auxilia a fazer a justiça e diminui os conflitos entre as partes envolvidas do processo pericial. PARA SABER MAIS Acesse os links: https://www.in.gov.br/en/web/dou/-/norma-brasileira- -de-contabilidade-nbc-tp-n-1-r1-de-19-de-marco-de-2020-250058048 Acesso em: 20/07/2021 65 P E R ÍC IA C O N TÁ B IL - G R U P O P R O M IN A S GABARITOS CAPÍTULO 01 TREINOS INÉDITOS QUESTÃO DISSERTATIVA – DISSERTANDO A UNIDADE A definição de governança corporativa segundo o IBGC (Instituto Brasi- leiro de Governança Corporativa) é “o sistema pelo qual as empresas e demais organizações são dirigidas, monitoradas e incentivadas, envol- vendo os relacionamentos entre sócios, conselho de administração, di- retoria, órgãos de fiscalização e controle e demais partes interessadas”. Em outras palavras, governança corporativa é um conjunto de práti- cas que uma empresa adota para fortalecer a organização e alinhar os interesses do negócio, dos sócios, dos diretores, acionistas e outros stakeholders, e conciliar esses interesses com os órgãos de fiscaliza- ção e regulamentação. Podemos dizer que a governança mostra a direção que uma empresa deve seguir para alcançar os resultados esperados. 66 P E R ÍC IA C O N TÁ B IL - G R U P O P R O M IN A S CAPÍTULO 02 TREINOS INÉDITOS QUESTÃO DISSERTATIVA – DISSERTANDO A UNIDADE Na perícia arbitral, os objetos de análise são definidos por meio da lei de arbitragem. Isso significa que as partes podem, em comum acordo, definir que uma questão seja arbitrada e, cabe ao árbitro em questão, determinar a necessidade de uma perícia. Deve haver concordância entre as partes na escolha de um perito independente. 67 P E R ÍC IA C O N TÁ B IL - G R U P O P R O M IN A S CAPÍTULO 03 TREINOS INÉDITOS QUESTÃO DISSERTATIVA – DISSERTANDO A UNIDADE Laudo pericial contábil pode ser definido como uma peça escrita por um perito contador ou uma equipe de peritos, com a finalidade de expressar informações em relação a eventos de uma perícia contábil, auxiliando o magistrado e podendo ser muito relevante para a sentença. Este laudo serve para dar apoio técnico científico ao juiz do caso, onde se apresentam conclusões do exame perícia, ajudando a chegar à justa resolução do evento. Por conta disso, o laudo precisa ser feito com ob- jetividade, rigor científico, concisão, argumentação e clareza. 68 P E R ÍC IA C O N TÁ B IL - G R U P O P R O M IN A S ALBERTO, Valder Luiz Palombo. Perícia Contábil. São Paulo: Atlas, 1996. ALBERTO. Perícia Contábil. 1. ed. São Paulo: Atlas, 1998. ALBERTO. Prática de Perícia Contábil. 3. ed. São Paulo: IOB, 2005. ALBERTO, Valder Luiz Palombo. Perícia Contábil. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2010. ALBERTO. Perícia Contábil. São Paulo: Atlas, 1994. ZANNA, Remo Dalla. Prática de Perícia Contábil. 3. ed. São Paulo: IOB, 2011. BRASIL. NORMA BRASILEIRA DE CONTABILIDADE, NBC TP Nº 1 (R1). Disponível em: https://www.in.gov.br/web/dou/-/norma-brasileira- -de-contabilidade-nbc-tp-n-1-r1-de-19-de-marco-de-2020-250058048 Acesso em: 02 dez. 2021. BRASIL. TJDFT, 2021. Disponível em: https://www.tjdft.jus.br/institucio- nal/imprensa/campanhas-e-produtos/direito-facil/edicao-semanal/pro- ducao-de-provas Acesso em: 02 dez. 2021. CONSELHO FEDERAL DE CONTABILIDADE. Normas Brasileiras de Contabilidade. Resolução número 1.244/09. Disponível em: https://cfc. org.br/ Acesso em: 02 dez. 2021. DIEHL, Astor Antonio; TATIM, Denise Carvalho. Pesquisa em ciências sociais aplicadas: métodos e técnicas. São Paulo: Prentice Hall, 2004. ELITE Detetives, Quais As Principais Técnicas De Uma Investigação Empresarial? 2021. Disponível em: https://www.elitedetetives.com.br/blog/investiga- cao-empresarial/quais-as-principais-tecnicas-de-uma-investigacao-em- presarial Acesso em: 02 dez. 2021. GIL, Antonio Carlos. Como Elaborar Projetos de Pesquisa. 4. ed. São Paulo: Atlas, 2002. NBC TP 01 - Perito Contador - Resolução CFC nº. 1.244/09. NBC TP 01- Perícia Contábil - Resolução CFC nº. 1.243/09. MARAFON. Lucas Dal Piva, WEBBER. Fabiano Lima. Perícia Contá- bil: Um Estudo De Laudos Periciais Contábeis Na Comarca De Lagoa Vermelha, 2015. Disponível em: http://www.crcrs.org.br/convencao/ar- 69 P E R ÍC IA C O N TÁ B IL - G R U P O P R O M IN A S quivos/trabalhos/cientificos/pericia_contabil_laudos_lagoa_vermelha _778.pdf Acesso em: 02 dez. 2021. NÚCLEO DO CONHECIMENTO, Perícia Contábil, Prática Pericial: Es- tudo De Caso, 2018. Disponível em: https://www.nucleodoconhecimento.com.br/contabilidade/pericia-conta- bil Acesso em: 02 dez. 2021. SLIDEPLAYER, Imagens 2021. Disponível em: https://slideplayer.com. br/slide/1642772/ Acesso em: 02 dez. 2021. 70 P E R ÍC IA C O N TÁ B IL - G R U P O P R O M IN A Sutilizados em mo- mentos diferentes, eles têm como objetivo elucidar as questões obscu- ras existentes na demanda. Na formulação dos quesitos, os advogados e assistentes técni- cos devem ter cautela para que não haja um exagero na quantidade de perguntas e nem elaborarem perguntas dúbias, pois poderão ter como reflexo a fuga do assunto e aumento do andamento do processo. Por fim, o perito deverá responder aos quesitos e colocar suas considerações finais no laudo pericial, os quais serão transcritos e res- pondidos, devendo o perito-contador primeiro responder os do juiz, de- pois do requerente e por último do requerido, sempre seguindo os dis- positivos legais acerca do assunto. 12 P E R ÍC IA C O N TÁ B IL - G R U P O P R O M IN A S ASPECTOS BÁSICOS DA GOVERNANÇA CORPORATIVA No atual cenário em que vivemos, os níveis de concorrência e competitividade enntre as empresas estão cada vez maiores, esse ce- nário gera instabilidade econômica, o que fez com que as organizações observassem sua rentabilidade e maior clareza nos modelos de gestão aplicados. É aí que falamos sobre o termo Governança Corporativa, a gestão de uma empresa não é um processo fácil e a governança corpo- rativa tem se apresentado como uma resposta eficaz aos desafios que vivemos. As diretrizes, valores e pretensões devem ser claras dentro do estatuto social para entendermos a imagem que a empresa deseja passar para o mercado. INTRODUÇÃO À PERÍCIA CONTÁBIL P E R ÍC IA C O N TÁ B IL - G R U P O P R O M IN A S 12 13 P E R ÍC IA C O N TÁ B IL - G R U P O P R O M IN A S Essas transformações decorrentes do avanço das transações financeiras e das globalizações acabaram por exigir das empresas uma readequação das estruturas de controle a partir do fluxo acelerado do crescimento das atividades corporativas. Segundo o IBGC – Instituto Brasileiro de Governança Corpora- tiva, podemos denominar como governança corporativa o sistema pelo qual empresas são monitoradas, incentivadas e dirigidas envolvendo os relacionamentos entre proprietários, conselho de administração, direto- ria e órgãos de controle. Esse sistema visa garantir o retorno almejado pelos proprietá- rios, e, a harmonização dos take holders de uma empresa ou sua orga- nização, o estudo da governança nasce na tentativa de se entender o porque de tantos empreendimentos não darem certo logo nos primeiros anos, o que podemos chamar de “mortalidade dos empreendimentos”. Já segundo a IFAC, a governança compreende a estrutura (ad- ministrativa, política, econômica, social, ambiental, legal, entre outras) que deve ser posta em prática visando garantir que os resultados pre- tendidos pelas partes possam ser exitosamente alcançados. Figura 1: Governança Fonte: TCU, 2021. Os conceitos ligados a governança corporativa guardam rela- ções com a estrutura e a gestão empresarial, sendo para isso, necessá- rio que os empreendedores compreendam esse sistema, essa prática ganha cada vez mais destaque no mercado, e, é um dos pontos avalia- dos por possíveis investidores antes de realizar aportes em um negócio. A governança corporativa ganha cada vez mais espaço no mercado pelos benefícios que traz para os negócios, apesar de muitos 14 P E R ÍC IA C O N TÁ B IL - G R U P O P R O M IN A S encararem como mais obrigações e custos, a verdade é que ela pode otimizar os processos e trazer vantagens. É importante adotar as práticas em qualquer porte de empresa, o que muda é o tamanho da estrutura criada e os processos utilizados para implementar a estratégia. Isso porque ela contribui com a geração de valor, melhorias na gestão e a longevidade do negócio. Além disso, a prática pode ser adotada em organizações não empresariais, como as cooperativas e as do terceiro setor. Isso porque os benefícios da governança traz contribuições importantes para todos os tipos de sociedade que exigem administração. A prática da governança corporativa garante que os investido- res possam retomar o poder sobre a empresa, reduzindo a discriciona- riedade dos gestores, a cadeia de comando flui do proprietário para o executor, através da ação dos executivos e sob a mediação do conselho de administração. No que diz respeito aos gestores, esses tem sua liberdade de ação corporativa reduzida, mas ainda assim é permitido compartilhar as decisões e obter apoio e orientação do conselho de administração, que também facilita a interlocução com os acionistas. A própria expressão “corporativa” já pressupõe um modelo em- presarial através do qual a organização é uma entidade legal, separada legalmente de seus proprietários, sendo a propriedade representada por ações. (FITCH, 1997 apud FONTES FILHO; PICOLIN, 2005, p.02). Desse modo, Governança Corporativa pode ser definida como os me- canismos ou princípios que regem o processo decisório dentro de uma organização e um conjunto de regras que visam minimizar os proble- mas de agência. (MARQUES, 2007, p. 13). Para FONTES FILHO, 2003 (p.5), os modelos de Governança Corporativa se situam em dois eixos: o modelo anglo-saxão, que busca o fortalecimento do proprietário no controle e no estabelecimento de es- tratégias, com o propósito de maximizar o valor econômico da empresa; e o modelo nipo-germânico, onde a perspectiva proprietário shareholder é ampliada para referir-se às partes interessadas stakeholder e cujo propósito é o equilíbrio do poder nessa relação multi-principal-agente. No âmbito do Brasil, a Governança Corporativa das empresas se apro- xima do modelo nipo-germânico, pois de modo semelhante ao do Japão e Alemanha, os bancos tem papel importante no financiamento do de- senvolvimento das empresas. Apesar da importância e dos benefícios que a governança corporativa proporciona, é comum que as empresas enfrentem alguns desafios para adotar a estratégia. Um dos principais trata da própria cultura organizacional, que precisa ser reavaliada para aderir à transfor- 15 P E R ÍC IA C O N TÁ B IL - G R U P O P R O M IN A S mação digital e às medidas de compliance. Como em um jogo de xadrez, todos devem saber claramente o seu papel na empresa, os processos de Governança Corporativa con- tribuem para a organização dos empreendimentos, justamente por isso o IBGC nos pontua os 4 princípios básicos de Governança Corporativa que devem ser observados em todas as práticas adotadas pela empre- sa e têm como finalidade aumentar a confiança interna e externa da empresa, esses princípios são a transparência, a equidade, a prestação de contas e a responsabilidade corporativa. Figura 2: Pilares da Governança Corporativa Fonte: SlideShare, 2021. O primeiro princípio básico, chamado de transparência consis- te na intenção de disponibilizar para as partes interessadas as informa- ções que venham a ser de seu interesse, não se atendo apenas aquelas impostas por disposições de leis ou regulamentos. Esse princípio não deve restringir-se ao desempenho econô- mico-financeiro, por ser considerado um dos pilares da Governança Corporativa, ele deve contemplar também os demais fatores (inclusive intangíveis) que norteiam a ação gerencial que conduzem à preserva- ção e à otimização do valor da organização. Já o segundo princípio básico é a equidade, ela caracteriza-se pelo tratamento justo e isonômico de todos os sócios e demais partes 16 P E R ÍC IA C O N TÁ B IL - G R U P O P R O M IN A S interessadas (stakeholders), levando em consideração os direitos, os deveres, as necessidades, os interesses e as expectativas. Seguimos com o terceiro princípio básico, a prestação de contas, ou accountability, ela propõe que os agentes de governança prestem conta de sua atuação de modo claro, conciso, compreensível e tempestivo. As- sim, assumindo integralmente as consequências de seus atos e omissões, atuando com diligência e responsabilidade no âmbito dos seus papéis. Por último temos a Responsabilidade Corporativa,por esse princípio básico entendemos que os agentes de governança devem ze- lar a curto, médio e longo prazo a viabilidade econômico-financeira das organizações, bem como a redução das externalidades negativas, as- sim como o aumento das positivas em seus negócios e suas operações. Tudo isso levando em consideração, o seu modelo de negó- cios, os diversos capitais, a exemplo do financeiro, do manufaturado, intelectual, humano, social, ambiental e reputacional. Assim, eles precisam reduzir as repercussões negativas rela- cionadas à companhia e trabalhar para ampliar as positivas. Fazendo isso, é possível reduzir os riscos e prejuízos do mercado, considerando as diversas peculiaridades do segmento de atuação. Analisando os conceitos sob o horizonte temporal, não foi iden- tificada evolução/involução estruturada ou incremental nesses concei- tos. A mais recente definição, proferida pelo International Organization for Standardization – ISO e pelo International Electrotechnical Commis- sion – IEC, por meio da norma internacional ISO/IEC 38500, 2008, In- ternational Standard for Corporate Governance of IT, é a mais concisa de todas, não expressando, de modo abrangente, os objetivos da Go- vernança em ambiente corporativo. Para BARRETT, 2001 (p.2), a Governança Corporativa provê o framework estratégico necessário para obtenção de resultados e desem- penho esperados para as organizações. O autor enfatiza, ainda, que não há dúvidas de -que a boa governança é inexoravelmente ligada ao bom desempenho e atendimento de metas, contudo, não há um modelo único a ser seguido. Organizações têm diferentes necessidades, em momentos distintos, mas há questões intrínsecas onde é possível adotar boas prá- ticas que auxiliam no estabelecimento de frameworks específicos para o momento. Tal framework contempla estruturas e processos para a toma- da de decisões, bem como os controles e comportamentos que suportam uma eficaz responsabilização pelo desempenho nos lucros e resultados As boas práticas de Governança Corporativa proposta por BARRETT, 2001 estabelecem um tripé de direção/processo/controle, presente em boa parte dos conceitos analisados, com exceção dos dois últimos aspectos: o gerenciamento de desempenho e de riscos – pro- 17 P E R ÍC IA C O N TÁ B IL - G R U P O P R O M IN A S vavelmente por estarem subentendidos no item “sistema de controle”. Conseguir compreender todos os impactos e práticas de gover- nança corporativa e compliance não é uma tarefa fácil. Por isso, existem diversos tipos de cursos que abordam o tema para auxiliar gestores e pro- fissionais que desejam atuar na área. Contudo, é necessário saber como avaliar as opções para escolher o melhor, conforme as suas necessidades. CONCEITOS E OBJETIVOS DA PERÍCIA: INVESTIGAÇÕES TÉCNI- CAS ACERCA DE UM FATO PATRIMONIAL A perícia nada mais é que o conjunto de habilidades utilizadas na busca de um determinado resultado, ela é aplicada sempre que exis- tir controvérsias acerca de um determinado assunto, sendo o perito uma pessoa com saber e perspicácia que produzirá prova através do exame de documentos, investigação, diligências e depoimentos, produzindo laudo perícial. Para o direito, a perícia é o meio de prova em que pessoas qualificadas tecnicamente chamadas de peritos, são nomeadas pelo juiz ou oficialmente, para atuar na análise de fatos juríidicos relevantes a causa examinada, trata-se de um exame que exige conhecimentos técnicos e científicos a fim de comprovar (provar) a veracidade de certo fato ou circunstância. Alberto (2010, p. 38) destaca que: A perícia judicial é aquela realizada dentro dos procedimentos processuais do poder judiciário, por determinação, requerimento ou necessidade de seus agentes ativos, e se processa segundo regras legais específicas. Esta espé- cie de perícia subdivide-se, segundo suas finalidades precípuas no processo judicial, em meio de prova ou de arbitramento. A perícia pode ser constituida em vistoria, visto que é a dili- gência que objetiva a verificação e a constatação de situação, coisa ou fato, de forma circunstancial, a indagação é a busca de informações mediante entrevista com conhecedores do objeto ou de fato relacionado à perícia, quanto a investigação, ela é a pesquisa que busca trazer ao laudo pericial contábil ou parecer pericial contábil o que está oculto por quaisquer circunstâncias, o arbitramento é a determinação de valores ou a solução de controvérsia por critério técnico-científico, a mensura- ção é o ato de qualificação e quantificação física de coisas, bens, direi- tos e obrigações, a avaliação é o ato de estabelecer o valor de coisas, bens, direitos, obrigações, despesas e receitas, por fim, a certificação é o ato de atestar a informação trazida ao laudo pericial contábil pelo 18 P E R ÍC IA C O N TÁ B IL - G R U P O P R O M IN A S perito-contador, conferindo-lhe caráter de autenticidade pela fé pública atribuída a este profissional. Perícia é considerada como o meio de demonstração téc- nica, por uma ou mais pessoas conhecedoras da matéria, da exis- tência, autenticidade e veracidade de um fato ou ato. Através de um olhar jurídico, é a produção de certeza jurídica ou o meio de con- vencimento do juiz da existência de um fato, por meio de aplicação de conhecimentos técnicos específicos sobre a matéria analisada. A perícia contábil constitui o conjunto de procedimentos téc- nico-científicos destinados a levar à instância elementos de prova ne- cessários a subsidiar a justa solução do litígio ou constatação de um fato, mediante laudo pericial contábil ou parecer pericial contábil, em conformidade com as normas jurídicas e profissionais, e a legislação específica no que for pertinente. (NBC TP 01, 2009). Já os procedimentos de perícia visam fundamentar as conclu- sões que são levadas ao laudo pericial contábil ou parecer pericial con- tábil, abrangendo segundo a natureza e a complexidade da matéria, o exame, vistoria, indagação, investigação, arbitramento, mensuração, avaliação e certificação. A perícia contábil é o conjunto de procedimentos técnicos e científicos que são destinados a levar a instância decisória elementos de prova necessários a subsidiar a justa solução do litigio, que será feita mediante um laudo, chamado de Laudo Pericial Contábil ou de Parecer Técnico Contábil, em conformidade com as normas jurídicas e profissio- nais, bem como a legislação específica no que for pertinente. Na área da Contabilidade o Contador registrado no CRC (Con- selho Regional de Contabilidade) poderá ser um perito contábil, que atua com a indicação do juiz, que nessa questão do processo é leigo no assunto, por isso precisa do profissional da área para apresentar o laudo e provas para contribuir no julgamento e na decisão da sentença. O Conselho Federal de Contabilidade, por sua vez, define perícia contábil pela Resolução CFC nº. 858/99, da seguinte forma. (NBC TP 01): “A perícia contábil constitui o conjunto de procedimentos técnicos e científi- cos destinado a levar à instância decisória elementos de prova necessários a subsidiar a justa solução do litígio, mediante laudo pericial contábil e/ou 19 P E R ÍC IA C O N TÁ B IL - G R U P O P R O M IN A S parecer pericial contábil, em conformidade com as normas jurídicas e profis- sionais, e a legislação específica no que for pertinente.” A perícia contábil é um meio de apresentar a realidade de um fato ou situação, auxiliando o magistrado na tomada de decisão. No entanto, sabe-se que, para realizar a perícia é preciso se utilizar de téc- nicas condizentes que permitem chegar a uma opinião clara e concisa, em conformidade com a lei e as técnicas contábeis apropriadas e um profissional habilitado. (SÁ, 2011, p. 3). No mesmo sentido, Alberto (2010, p. 36) descreve que “a perí- cia contábil tem por objetivo geral a constatação, prova, ou demonstra- ção contábil da verdade real sobre o seu objeto, e transferindo-o, atra- vésde sua materialização – o laudo – para o ordenamento da instância decisória, judicialmente ou extrajudicialmente”. Desse modo, podemos entender que o objeto da perícia são os fatos relacionados a causa da perícia, e o seu objetivo é a constatação das provas, bem como a veracidade das informações. Prova Pericial No entendimento de Ornelas (2000) a prova pericial, é um meio assegurado constitucionalmente a toda pessoa física e jurídica por meio do qual, possam se defender ou requerer algum direito. A perícia contá- bil neste contexto é considerada uma prova técnica da área contábil, já que exige conhecimentos técnicos de um contador. A produção de prova pericial pode ser realizada através de um laudo pericial, um parecer técnico e um termo de audiência, no caso do laudo e do parecer, esses consubstanciam em um trabalho pericial no que tange aos aspectos da exposição e da documen- tação, tendo o propósito de expressar a opinião do perito, como também do seu assistente técnico. Conforme podemos verificar no quadro colocado abaixo, o ob- jetivo da produção da prova pericial é: 20 P E R ÍC IA C O N TÁ B IL - G R U P O P R O M IN A S Figura 3: Prova Pericial Fonte: SlidePlayer, 2021. A prova pericial se baseia em documentos escriturais e fatos verídicos a fim de, apresentar a realidade do fato conflitante mediante análise e aplicação de procedimentos técnicos cabíveis ao perito conta- dor. Cabe destacar, que o perito contador, não deve trabalhar com base em suposições, e sim com fatos comprovados, fato que permite maior confiabilidade na opinião emitida pelo perito contador Para Zanna (2011, p. 83) a prova constituí: Algo material ou imaterial por meio da qual o indivíduo se convence a respei- to de uma verdade ou de sua ausência. A prova válida é a maneira pela qual cada um de nós atinge a certeza do que seja verdadeiro ou não verdadeiro, aceitável ou inaceitável em certo momento, segundo certas circunstâncias (metodologia) e em determinado local. Assim, a prova pericial se baseia em documentos escriturais e fatos verídicos a fim de, apresentar a realidade do fato conflitante me- diante análise e aplicação de procedimentos técnicos cabíveis ao perito contador. Cabe destacar, que o perito contador, não deve trabalhar com base em suposições, e sim com fatos comprovados, fato que permite maior confiabilidade na opinião emitida pelo perito contador. Investigações Técnicas acerca de um Fato Patrimonial Os fatos patrimoniais são as ocorrências que tem por efeito a 21 P E R ÍC IA C O N TÁ B IL - G R U P O P R O M IN A S alteração da composição do Patrimônio, seja em seu aspecto qualitativo ou no que tange ao aspecto quantitativo, eles são eventos que ocorrem na empresa, e são passíveis de determinar um valor monetário. Esses fatos podem ou não alterar o valor do Patrimônio Líquido de uma determinada empresa. Classificam-se em três grupos: Fatos permutativos (qualitativos ou compensativos), Fatos modificativos (ou quantitativos) e Fatos mistos (ou compostos). Os Permutativos são os fatos que acarretam uma troca entre elementos do ativo, do passivo, ou de ambos, porém sem provocar alte- ração no Patrimônio Líquido, alterando apenas a composição qualitativa dos elementos pertencentes ao Patrimônio. Os fatos Modificativos ou Quantitativos são os fatos que alte- ram a composição do Patrimônio e modificam para mais (modificativos aumentativos) ou para menos (modificativos diminutivos) a situação lí- quida da empresa, os Modificativos aumentativos envolvem uma conta patrimonial e uma conta de receita, aumentando o Patrimônio Líquido e os Modificativos diminutivos envolvem uma conta patrimonial e uma conta de despesa, diminuindo o Patrimônio Líquido. Já os Mistos ou Compostos são os que envolvem simultanea- mente um fato permutativo (qualitativo) e um fato modificativo (quantita- tivo), alterando o Patrimônio Líquido (PL), ou seja, a troca de elemento patrimonial com lucro ou prejuízo. As investigações acerca de fatos patrimoniais são um conjunto de atividades realizadas na busca de procedimentos interdisciplinares, que são voltados para produção de conhecimento e para tomada de decisão a frente de uma necessidade ou organização. Figura 4: Investigação Fonte: Elite Detetives, 2021. 22 P E R ÍC IA C O N TÁ B IL - G R U P O P R O M IN A S Essa investigação deve buscar informações sobre um determinado fato, denúncia ou suspeita, sendo realizada através da coleta, análise e organização de dados e informações, tendo por objetivo esclarecer assuntos de interesse da organização, verificar e confirmar suspeitas de fraudes e ilicitudes, obter evidências e provas do cometimento de irregularidades, identificar e determinar responsabilidades, apurar des- cumprimento de normas e procedimentos internos, verificar a auten- ticidade e veracidade de informações prestadas, bem como propiciar informações a organização para uma tomada de determinada decisão. Essa investigação técnica deve ser pautada em princípios, es- ses são considerados como regras básicas para determinação de con- dutas obrigatórias que impeçam a adoção de procedimentos investiga- tórios incompatíveis com esses princípios. O primeiro princípio é o da legalidade, onde os procedimen- tos e meios utilizados deverão respeitar as normas em vigor, seguido a ele temos o princípio da moralidade, que diz que as investigações de- vem ser realizadas seguindo um senso comum de honestidade, retidão, equilíbrio, justiça, respeito a dignidade, boa fé e ética. Através do princípio da impessoalidade temos que a investiga- ção deverá ser regida pela ótica da imparcialidade, agindo de maneira impessoal e tratando a todos com o mesmo respeito nas investigações. É importante trazer ao estudo o princípio da segurança da infor- mação, por ele, deve-se adotar as medidas administrativas, tecnológicas e físicas necessárias à preservação da confidencialidade, integridade e disponibilidade das informações obtidas no processo investigatório. Essas informações deverão ser restritas aos interessados e as pessoas autorizadas pela empresa, e aquelas que tenhama necessida- de de conhecer o determinado conteúdo colhido independentemente de que cargo ou função elas ocupem. Seguimos com o princípio da eficiência, esse é caracterizado pelos cuidados adotados para se atingir a eficácia na investigação, desde o planejamento, a escolha dos meios utilizados e cuidados com a prote- ção aos direitos fundamentais das pessoas envolvidas no processo. O processo de investigação deve ser realizado com cautela, observando as implicações legais decorrentes das ações que serão to- madas, esse processo deve ser realizado com conhecimento e orienta- ção do departamento jurídico da organização, evitando a utilização de métodos clandestinos na obtenção de informações. 23 P E R ÍC IA C O N TÁ B IL - G R U P O P R O M IN A S ASPECTOS HISTÓRICOS, FUNDAMENTOS LEGAIS, SOCIAIS E CONCEITUAIS Há relatos da existência de perícias desde os mais remotos tempos da humanidade, tendo em vista os fatos de quando o homem passou a viver em sociedade, dando início ao chamado processo das ci- vilizações, que servia para situar as sociedades pela experiência ou pelo maior poderio físico, o homem que comandava a sociedade primitiva era considerado como seu governante, e ao mesmo tempo ele era gestor, juiz, executor, perito, já que examinava, julgava, fazia e executava as leis. É fato que a concepção de perícia naquela época difere muito do que corresponde a perícia hoje em dia, mas o que tínhamos ali, era considerado como um embrião da perícia, correspondente ao exame de uma determinada situação, coisa ou fato. Existem vários outros registros milenares da perícia, a exemplo na Índia antiga, lá temos registros que trazem o surgimento da figura do árbitro, eleito pela partes, que na verdade, era considerado como um perito e como juiz ao mesmo tempo, pois ele era oresponsável pela verificação direta dos fatos, o exame do estado das coisas e lugares, e a decisão “judicial” a ser homologada pelo que detinha o poder real. Existem diversos dados históricos de perícia registrados e do- cumentados na civilização do Egito antigo, e, de mesmo modo, também o temos na Grécia antiga, através do início da sistematização dos co- nhecimentos jurídicos, observando-se, à época, a utilização de especia- listas em determinados campos para proceder à verificação e ao exame de determinadas matérias. Mas é no Direito romano onde encontram-se os maiores es- clarecimentos e definições objetivas que estabelecem tanto a perícia, quanto a figura do perito, embora não os tenha dissociado das atribui- ções do árbitro. A perícia já era regrada pelo estabelecido no Código de Pro- cesso Civil de 1939, sendo em 1946 com o advento do Decreto-lei nº 9.295/46 (que criou o Conselho Federal de Contabilidade e definiu as atribuições do contador), que se pôde dizer institucionalizada a Perícia Contábil no Brasil. Com o Decreto-lei nº 8.579, de 8/1/46, significativas alterações foram introduzidas nas normas periciais. A Legislação Falimentar – De- creto-lei nº 7.661/45, com as alterações da Lei nº 4.983/66, em seus arts. 63, inciso VI; 93, parágrafo único; 169, inciso VI; 211 e 212, incisos I e II – estabeleceu regras de Perícia Contábil, que definiam esta atribui- ção ao contador. Hoje, aplicam-se as regras da Lei de Regularização de 24 P E R ÍC IA C O N TÁ B IL - G R U P O P R O M IN A S Empresas e Falência – Lei Federal nº 11.101/2005. No entanto, foi apenas com o segundo Código de Processo Civil a Lei nº 5.869/1973, junto com todas as modificações e comple- mentações que lhe foram dadas, que as perícias judiciais foram aperfei- çoadas com uma legislação mais ampla, clara e aplicável. O Novo Código de Processo Civil (CPC – Lei nº 13.105/2015) que entrou em vigor em 17/3/2016, formando um conjunto com as atu- alizações do Código de Processo Penal (CPP – alteração da Lei nº 11.960/2008), da Lei Processual Trabalhista (LTP – Lei nº 5.584/70) e da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT – Decreto-lei nº 5.452/43), combinadas às jurisprudências de natureza processual. No que diz respeito às normas de natureza técnica-contábil, chama-se a atenção para as atualizações das Normas emanadas do Conselho Federal de Contabilidade, pelos seus conteúdos elucidativos e esclarecedores. É neste conjunto de normas que estão inseridas as que disciplinam a Perícia Contábil. A perícia, enxergando de uma forma mais ampla, pode ser compreendida como um trabalho de natureza específica, trabalho esse que exige rigor na sua execução. Dessa maneira, podemos dizer que existem perícias em qualquer das áreas científicas ou até em determi- nadas situações empíricas. Por outro lado, a natureza do processo é que a classificará, podendo ser de origem arbitral, judicial, extrajudicial, administrativa ou operacional. Quanto à natureza dos fatos que a ensejam, podem ser classi- ficadas como cível ou criminal, e, nas áreas de conhecimento segundo a regulamentação das profissões, como contábil, médica, trabalhista, etc. Entretanto, o objetivo deste estudo é a Perícia Contábil, razão por que não entraremos no mérito de outras áreas científicas. A NORMA BRASILEIRA DE CONTABILIDADE (NBC-13), apro- vada p Resolução CFC, conceituava Perícia Contábil como: “conjunto de procedimentos técnicos e científicos destinados a levar a instân- cia decisória elementos de prova necessários a subsidiar à justa solução do litígio, mediante laudo pericial contábil ou parecer pericial contábil, em con- formidade com as normas jurídicas e profissionais, e a legislação específica no que for pertinente.” A Perícia Contábil Judicial pode ser solicitada para efeito de prova ou opinião que exija conhecimento dessa área profissional, com o objetivo de auxiliar o juiz de direito no julgamento de uma lide. “Quando a prova do fato depender de conhecimento técnico ou científico, o juiz será assistido por perito […]” (CPC/73, art. 145; CPC/2015, art. 156). Segundo o Conselho Federal de Contabilidade (CFC): 25 P E R ÍC IA C O N TÁ B IL - G R U P O P R O M IN A S “A perícia contábil constitui o conjunto de procedimentos técnico-científicos destinados a levar à instância decisória elementos de prova necessários a subsidiar a justa solução do litígio ou constatação de fato, mediante laudo pe- ricial contábil e/ou parecer técnico-contábil, em conformidade com as normas jurídicas e profissionais e com a legislação específica no que for pertinente” (Norma Brasileira de Contabilidade NBC TP 01, editada em 27/2/2015, item 2). “A perícia judicial é exercida sob a tutela do Poder Judiciário. A perícia extra- judicial é exercida no âmbito arbitral, estatal ou voluntária. A perícia arbitral é exercida sob o controle da lei de arbitragem. Perícias oficial e estatal são executadas sob o controle de órgãos de Estado. Perícia voluntária é con- tratada, espontaneamente, pelo interessado ou de comum acordo entre as partes” [grifamos] (Norma Brasileira de Contabilidade NBC TP 01, editada em 27/2/2015, item 5). “Perito oficial é o investido na função por lei e pertencente a órgão especial do Estado destinado, exclusivamente, a produzir perícias e que exerce a ati- vidade por profissão” (Norma Brasileira de Contabilidade NBC PP 01, editada em 27/2/2015, item 3). “Perito do juízo é nomeado pelo juiz, árbitro, autoridade pública ou privada para exercício da perícia contábil” (Norma Brasileira de Contabilidade NBC PP 01, editada em 27/2/2015, item 4). “Perito-assistente é o contratado e indicado pela parte em perícias contábeis” (Norma Brasileira de Contabilidade NBC PP 01, editada em 27/2/2015, item 5). O perito faz a perícia, lavra e assina o laudo. O assistente téc- nico, entretanto, emite o parecer. O que a lei não esclarece é se o dito parecer se baseia na matéria sob exame ou somente no conteúdo do laudo. No Capítulo 3, subitem 3.1, “Atos preparatórios”, abordaremos com mais informações esta problemática. Na perícia, há limitação da matéria sob exame, portanto, não é lí- cito ao perito exorbitar da matéria submetida a seu exame. Suas investiga- ções devem cingir-se aos quesitos formulados e dizer sobre eles, somente eles, nos limites prefixados. Respeitadas essas limitações, o perito tem plena liberdade e o dever de exercitar sua ação investigatória, pautado em conhecimentos e experiências próprias, mas fundamentando-se em nor- mas legais, processuais e disciplinares, e aplicando métodos pertinentes ao objeto periciado, não se afastando de um comportamento ético. 26 P E R ÍC IA C O N TÁ B IL - G R U P O P R O M IN A S TREINOS INÉDITOS QUESTÃO 1 Assinale a única alternativa incorreta sobre os conceitos de Perícia Contábil: A) A perícia é um instrumento probatório no processo; B) A perícia contábil pode ser utilizada na solução de controvérsias; C) A certificação é o ato de atestar a informação trazida ao laudo pericial contábil pelo perito-contador; D) Não transfere a responsabilidade pelos trabalhos ao perito; E) O arbitramento é a determinação de valores ou a solução de contro- vérsia por critério técnico-científico. QUESTÃO 2 Assinale a alternativa correta: A) A perícia contábil deve ser feita por profissional contador; B) A perícia contábil deve ser feita por engenheiro; C) A perícia contábil deve ser feita por Juiz; D) A perícia contábil deve ser feita por advogado; E) A perícia contábil deve ser feita pelo médico. QUESTÃO 3 Assinale a alternativa incorreta: A) A perícia é feita apenas por técnico assistente; B) A perícia é feita pelo profissional responsável; C) O perito deve agir sempre com integridade e objetividade; D) A perícia deve ser solicitada quando houver obscuridade no processo; E) O perito que, por dolo ou culpa, prestar informações inverídicas res- ponderá pelos prejuízos que causar à parte. QUESTÃO 4 Assinale a alternativaincorreta: A) O perito que, por dolo ou culpa, prestar informações inverídicas ficará inabilitado para atuar em outras perícias; B) O juiz deverá comunicar o fato ao respectivo órgão de classe para adoção das medidas que entender cabíveis; C) O perito estava livre de suspeição, pois as partes deixaram de com- provar que seu cônjuge trabalhava na instituição financeira, antes da entrega do laudo pericial; D) O perito que, por dolo ou culpa, prestar informações inverídicas res- ponderá pelos prejuízos que causar à parte; E) O perito que, por dolo ou culpa, prestar informações inverídicas res- 27 P E R ÍC IA C O N TÁ B IL - G R U P O P R O M IN A S ponderá perante o Conselho de Classe. QUESTÃO 5 Assinale a alternativa correta: A) Podemos denominar como governança corporativa o sistema pelo qual empresas são monitoradas, incentivadas e dirigidas envolvendo os relacionamentos entre proprietários, conselho de administração, direto- ria e órgãos de controle; B) Podemos denominar como governança corporativa as multinacionais; C) Podemos denominar como governança corporativa o uso de marcas registradas como propriedade industrial; D) Podemos denominar como governança corporativa o sistema adota- do pelas empresas para pagamento de peritos; E) Podemos denominar como governança corporativa o sistema pelo qual o governo federal investe nas empresas. QUESTÃO DISSERTATIVA – DISSERTANDO A UNIDADE Fale acerca da Governança corporativa NA MÍDIA O QUE É PERÍCIA CONTÁBIL? ENTENDA E APRENDA COMO EXE- CUTAR Se a sua empresa já esteve envolvida em alguma demanda judicial ou mesmo se você já participou de algum processo de fusão empresarial, é possível que em algum momento já tenha se perguntado como executar uma perícia contábil. Trata-se de um procedimento bastante rígido, por meio do qual pro- fissionais especializados e devidamente autorizados para tal fazem a análise e a conferências de documentos fiscais e tributários, de forma a certificar se eles são verdadeiros ou não. Conhecer mais detalhes sobre o que é perícia contábil é uma questão importante para empresários, gestores e profissionais de contabilidade. Nesse artigo, abordaremos mais detalhes sobre essa importante questão. Fonte: Jornal Contábil Data: 20 jul. 2019. Leia a notícia na íntegra: https://www.jornalcontabil.com.br/o-que- -e-pericia-contabil-entenda-e-aprenda-como-executar/ Acesso em: 20/07/2021. NA PRÁTICA A governança é considerada como uma medida de grande eficácia pois está relacionada aos processos, costumes, políticas, leis e instituições 28 P E R ÍC IA C O N TÁ B IL - G R U P O P R O M IN A S que são usados para fazer a administração de uma empresa. O tema possui uma visão por vários autores e instituições, mas todos conver- gem para o mesmo conceito. Para o IBGC, Governança Corporativa é o sistema pelo qual as empre- sas e demais organizações são dirigidas, monitoradas e incentivadas, envolvendo os relacionamentos entre sócios, conselho de administração, diretoria, órgãos de fiscalização e controle e demais partes interessadas. A Governança Corporativa é um tema multifacetado, principalmente pela natureza e pela extensão da responsabilidade de indivíduos espe- cíficos na organização. Um dos impactos de um sistema de Governança Corporativa, por exemplo, é na eficiência econômica, com ênfase no bem-estar dos acionistas. PARA SABER MAIS Acesse os links: https://www.techedgegroup.com/pt/blog/governan%- C3%A7a-corporativa Acesso em: 20/07/2021 e https://www.ibgc.org.br/ conhecimento/governanca-corporativa. Acesso em: 20/07/2021. 29 P E R ÍC IA C O N TÁ B IL - G R U P O P R O M IN A S FUNDAMENTOS TEÓRICOS E ÉTICOS DA PERÍCIA CONTÁBIL Conforme já restou demonstrado no capítulo 1, a perícia con- tábil constitui um conjunto de procedimentos técnicos e científicos des- tinados a levar à instância decisória elementos de provas necessários a subsidiar a justa solução do litígio, mediante laudo pericial contábil e/ ou parecer pericial contábil, em conformidade com as normas jurídicas e profissionais, e a legislação específica, no que for pertinente. Segundo FONSECA (2000 p.37-38): A perícia contábil é uma área de especialização da contabilidade que vem despontando como amplo e promissor campo de atuação do contador. [...] É um importante ramo da contabilidade, e, para sua realização, faz-se neces- sário profissional especializado, que esclarece questão sobre o patrimônio PERÍCIA CONTÁBIL APLICADA P E R ÍC IA C O N TÁ B IL - G R U P O P R O M IN A S 29 30 P E R ÍC IA C O N TÁ B IL - G R U P O P R O M IN A S das pessoas físicas e jurídicas. A perícia pode ser requerida para diversos fins, mas, como ela será uma prova, precisará sempre se basear em elementos verdadeiros e competentes para que tenha validade e eficácia. A perícia contábil pode ser utilizada como prática comum no mun- do da contabilidade, tanto a pública como a privada, ela é de suma impor- tância a todos os processos que ela envolve, pois ela é instrumento na busca pela verdade dos fatos, tendo sua importância como meio de prova. O trabalho pericial é de suma importância na busca pela ver- dade dos fatos, o profissional responsável pela perícia deverá provar o que lhe é pedido através de minuciosa experiência, de uma maneira geral, qualquer pessoa pode solicitar uma perícia, mas é mais comum sua solicitação por parte de juízes na busca pela verdade. A perícia se utiliza da metodologia analítica e o de maior abran- gência, pois ela visa a confiabilidade da opinião, como prova que deverá ser elaborada para o interesse de terceiros, esse método não se con- funde com a metodologia utilizada na auditoria. Perícia reúne experiência e conhecimento. Segundo D’Auria (1962, p. 151), é aquela em que uma pessoa conhecedora e experiente em matérias específicas examina registros e documentos que deram origem a fatos, reportando sua autenticidade e opinando sobre suas causas, essência e efeitos da lide. Sua aplicação faz-se por incumbên- cia direta ou indireta dos interessados ao especialista, para que, este, examine e opine com relação a um caso predeterminado. Isto é função pericial ou peritagem. A perícia origina-se do interesse de pessoas liti- gantes, do interesse da justiça e, também, do interesse público. No que diz efetivamente aos fundamentos da perícia, esses, são divididos em compromisso com a justiça, método, fundamentação por meio de análise técnica ou análise científica, tecnologia, objetivi- dade, concisão, sustentáculo da apreciação, exatidão a clareza de um laudo e, por fim, a precisão com limites. O perito tem a obrigação de revelar sempre a verdade dos fa- tos, tudo disposto no laudo pericial, é assim que o juiz poderá determi- nar os direitos, deveres e cada uma das partes. Assim, o laudo deverá ter a precisão fundamental de um trabalho pericial, sem extrapolar o que 31 P E R ÍC IA C O N TÁ B IL - G R U P O P R O M IN A S foi pedido e sem emitir opinião pessoal. O trabalho do perito contábil na perícia, se dá pela pesqui- sa. Utilizando-se dos métodos necessários, ele poderá encontrar os fatos e oferecer sua opinião, mas a perícia não é considerada como prova absoluta, além do que, um juiz por exemplo, que venha a so- licitar a perícia, não está necessariamente preso a opinião do perito para formação de seu convencimento, aquela prova é somente mais um meio probante para auxiliar na busca pela verdade dos fatos. https://www.jornalcontabil.com.br/o-que-e-pericia-conta- bil-entenda-e-aprenda-como-executar/ O profissional tem a seu favor os procedimentos baseados na teoria contábil, que, por sua vez, são baseados em análise técnica e/ ou análise científica. Ele emitirá o laudo pericial com exposição clara e objetiva, com utilização das palavras adequadas e observando o cum- primento dos critérios científicos. Funções Contábeis Continuando os estudos acerca da perícia contábil, veremos nesse capítuloconhecimentos doutrinários nos quais são detalhadas as funções fundamentais e complementares da contabilidade, no caso dessas últimas, discutindo em nível de detalhes suas atividades admi- nistrativas, revisora e pericial. Segundo Ornelas (2000, p.40), a função da perícia contábil só poderá ser exercida por um bacharel das Ciências Contábeis, pois tra- ta-se de uma atribuição privativa de competência daqueles que tenham equiparação legal. Ornelas informa que: O comando legal vigente que organizou a profissão contábil veio a luz em 32 P E R ÍC IA C O N TÁ B IL - G R U P O P R O M IN A S maio de 1946, por meio do decreto-lei nº 9.295. Esse diploma legal, entre outras providências, definiu as atribuições dos profissionais da contabilidade, em especial a competência legal quanto ao desenvolvimento de perícias. (ORNELAS, 2000, p. 40) A contabilidade tem um conjunto de funções, essas podem ser fundamentais ou complementares, o estudo dessas funções é de suma importância, pois é com base nelas que encontraremos o campo de estudos aqui investigado, veremos cada uma das funções com subfun- ções e seus aspectos. As primeiras funções a serem investigadas são as funções fun- damentais, a Contabilidade tem em uma análise crítica a função descri- tiva, porém, são tantos os aspectos, a complexidade de cada conjunto patrimonial e as transformações dos componentes agregados na rique- za que se torna necessário seu desdobramento para classificar essa função geral em três subfunções fundamentais. Figura 5: Fundamentos da perícia contábil Fonte: Slide Player, 2021. A subfunção escritural é básica, e a mais comum, revela-se pela anotação fiel e continuada dos fatos ocorridos na gestão adminis- trativa do patrimônio. O processo escritural inicia-se com a observação, seguindo-se o exame da matéria a registrar, a coordenação dos ele- 33 P E R ÍC IA C O N TÁ B IL - G R U P O P R O M IN A S mentos quanto à homogeneidade das espécies e a anotação metódica com observância das técnicas contábeis. A perícia é feita de modo contínuo, com objetivo de as- segurar uma exatidão e uma verdadeira representação dos fatos contábeis que são objeto da perícia, ela faz-se oportunamente, ou seja, quando haja necessidade de testemunhar e provar a existên- cia dos elementos patrimoniais e de situações do direito e/ou eco- nômico-jurídicas que precisam ser verificadas. A subfunção expositiva tem efeito na reprodução sintetizada (ba- lanço) e analítica (evidenciação) da matéria registrada. Dessa maneira, assume caráter mais profundo, porque é realizada como afirmação cate- górica das situações patrimoniais, em conjunto com suas partes. A interpretação técnica do conteúdo do balanço ou das de- monstrações, subfunção interpretativa, traduz-se em análise dos ele- mentos expostos. É fundamental como testemunho autorizado da signi- ficação de situações presentes e previsão de situações futuras. As funções periciais se estendem as chamadas funções com- plementares, são consideradas como funções peculiares da Contabi- lidade, nela as transações ou negócios contratados devem merecer adequado registro, como nos casos de obrigações a cumprir, títulos de crédito a vencer, riscos ou compromissos recíprocos, orçamentos, auto- rizações de despesa, entrega futura de bens ou valores e outras opera- ções de realização prevista. Essas funções são conhecidas como os fatos patrimoniais a se- rem registrados de acordo com os preceitos da contabilidade, revelando- -se, então, em função previsora ou preditiva, que prefixa direitos e obri- gações atinentes a um, ou mais componentes da riqueza individualizada. Se estabelecermos um paralelo entre a função revisora e a pericial, verificamos, desde logo, que a função revisora é emanante per- tencente a Contabilidade, porque dela depende a sua eficácia, o valor da elaboração técnica, ao passo que a função pericial é esporádica. A revisão, além de ser uma função intrínseca ao exercício pro- fissional da Contabilidade, também se demonstra na certificação do que existe em matéria patrimonial, qual a situação presente e quais os fatos que a produziram. Tudo realizado mediante confrontação dos elemen- tos comprobatórios e com as anotações feitas. Essa função é formal e 34 P E R ÍC IA C O N TÁ B IL - G R U P O P R O M IN A S eminentemente técnica. A Perícia Contábil é uma incumbência confiada ao contador a fim de se informar, de modo específico, mediante exame da matéria prelimitada, e opinar tecnicamente, se solicitado por pessoa interessada que, geralmente, é uma das partes litigantes. Perícia contábil é a verificação de fatos ligados ao patrimônio individualizado visando oferecer opinião, mediante questão proposta. Para tal opinião re- alizam-se exames, vistorias, indagações, investigações, arbitramentos, em suma todo e qualquer procedimento necessário à opinião (SÁ, 2011, p. 10). Existe, ainda, uma função intermediária, através dessa função o profissional contador é incumbido do exame de questões administra- tivas, cujo andamento depende da certificação de matérias, fatos, e de orientações técnicas para decisões de negócios. Dessa forma, verificamos o concurso de outra função além da revisora e da pericial. Esta outra função é a auditoria, em cuja aplicação não nos ateremos neste livro, pois seu objetivo precípuo é um enfoque geral da revisão e do estudo particularizado da perícia, em matéria de Contabilidade. Uma das funções da perícia diz respeito a cooperação na ges- tão da administração empresarial, isto é, no conjunto de atos que ten- dem à consecução dos objetivos previstos para cada organização. É assim que se traduz a elaboração do planejamento contábil, da sistematização de controles, do desenho de impressos necessários à atividade administrativa, das normas para orientação da vigilância sobre os elementos patrimoniais, dos cálculos das operações, do inventário dos bens e seus métodos de avaliação, da elaboração de orçamentos, da redação ou compilação de atos contratuais das operações, enfim, do que signifique colaboração justificada com os meios da Contabilidade e aptidões de seus profissionais. PLANO DE TRABALHO: OPERACIONALIZAÇÃO DA PERÍCIA CON- TÁBIL, PERÍCIA JUDICIAL E EXTRAJUDICIAL A perícia contábil se apresenta conforme sua caracterização de instauração e classificação, uma vez que ela possui espécies que são distintas, e dependem do ambiente em que é instada a atuar, sendo esse que definirá sua caracterização. O ambiente de atuação da perícia será determinante as ca- racterísticas e as determinantes que serão aplicadas, esse ambiente de atuação pode ser o judicial ou o extrajudicial, há quem classifique 35 P E R ÍC IA C O N TÁ B IL - G R U P O P R O M IN A S também o ambiente de atuação em arbitral e semijudicial. O planejamento realizado na perícia contábil inicia-se com a indicação de um profissional perito, este deverá ter acesso aos documentos para conhecimento do problema, dessa maneira, po- derá elaborar o cronograma e propor os seus honorários, assim que o trabalho estiver finalizado, o profissional devolve através de laudo ou parecer aquilo que restou como resultado da perícia. No que diz respeito a esfera judicial, a perícia ocorre no âmbito judiciário e é solicitada por um juiz, a extrajudicial tem como caracterís- tica a realização fora do âmbito judicial, não é solicitada por um juiz. Na Esfera Arbitral, a perícia é requerida por um árbitro e na Esfera Semiju- dicial, que ocorre dentro do aparato institucional, mas fora do Judiciário. Alberto explica que a perícia judicial se efetiva: [...] por determinação, requerimento ou necessidade de seus agentes ativos, e se processa segundo regras legais específicas. Esta espécie de perícia subdivide-se segundo suas finalidades precípuas no processo judicial em meio de prova ou arbitramento. Ou seja, a perícia judicial será prova quando no processo de conhecimento ou de liquidaçãopor artigos tiver por escopo trazer a verdade real, demonstrável cientifica ou tecnicamente para subsidiar a formação da convicção do julgador e será arbitramento, quando determi- nada no processo de liquidação de sentença, tiver por objetivo quantificar mediante critério técnico a obrigação de ar em que aquela se constituir. (AL- BERTO, 2010, p.38) A perícia judicial ocorre em casos de litígios e é solicitada pelo juiz para que haja conferência de dados, verificação das provas que são apresentadas pelas partes ou para a coleta de provas que o juiz julgar necessárias, essa perícia deve ser feita por um profissional expert na área, para que assim seja feita a conferência, verificação ou coleta, que poderá auxiliar o juiz na formação de sua decisão. No que diz respeito a perícia contábil judicial, essa visa servir como prova, dando conhecimentos ao juiz acerca de uma matéria obje- to de litígio que mereça seu julgamento, objetivando fatos relativos ao patrimônio aziendal ou de pessoas. O trabalho do profissional de contabilidade é composto por re- latórios, que, dependendo do objetivo definido, diferem muito em conte- 36 P E R ÍC IA C O N TÁ B IL - G R U P O P R O M IN A S údo como na sua apresentação, por isso é importante saber a diferença substancial entre um relatório de auditoria, uma certificação contábil e uma perícia. Ao se falar em perícia, observa-se que os indícios de sua existência apareceram no início da civilização, tendo em vista que, quando ocorriam situações conflitosas entre as pessoas, era realizado um levantamento da situação, para que com isso, fosse tomada a me- lhor e mais correta decisão. Entretanto, nesta época, tais levantamentos eram realizados pelos legisladores, que também atuavam como execu- tores das leis (ALBERTO, 2012, p. 04). A perícia judicial é realizada dentro dos procedimentos proces- suais do poder judiciário, por determinação, requerimento ou necessi- dade de seus agentes ativos (autor), se processa segundo regras legais específicas. Figura 6: Perícia Forense Fonte: Diário do Nordeste, 2021. As perícias contábeis se enquadram no Direito, tendo em vista que são consequências do relacionamento e da interação de pessoas na busca de se alcançar uma verdade, isso aplicado a todos os ramos legais, a perícia surge da necessidade de descrever e definir interesses de partes litigantes quando o judiciário assim o requerer. A perícia vem como solução advinda da necessidade de so- lucionar litígios, possuindo regras específicas, ela é utilizada quando houver controvérsias em questões judiciais, a partir do pedido do juiz origina-se a perícia judicial, onde a partir dessa necessidade, o perito irá auxiliar o poder judiciário através das provas produzidas e apresen- tadas no laudo pericial oficial, e com seus conhecimentos técnicos e pertinentes a matéria. Devido a importância que o laudo pericial tem, justo por se tra- tar de ter força probante, caberá ao perito, observar com o máximo zelo o objeto da perícia de forma clara e objetiva, tendo em vista que o erro 37 P E R ÍC IA C O N TÁ B IL - G R U P O P R O M IN A S pode implicar responsabilidade civil e criminal para ele. O perito em Contabilidade Judicial deve fazer de seu trabalho algo otimizado, tornando seu resultado eficaz e eficiente, já que com ele, poderá ajudar a resolver o problema dos expedientes do Poder Judicial. Algumas observações sobre as qualidades que devem ter o perito em Contabilidade Judicial em seu trabalho, na visão de Barbery, 2010, p.81, a) Deve demonstrar treinamento, atualização e melhoria permanente; a pro- ficiência entendida como os atributos de treinamento necessários; atitude e excelente capacidade técnica; experiência, entendida como prática e habili- dade suficientes; em suma, a concorrência e o desenvolvimento profissional deve ser expresso em conjunto constantemente desenvolvendo o nível de adequação técnica. Independência, imparcialidade e integridade nos proces- sos periciais. b) O especialista em contabilidade deve demonstrar não apenas se 8 ele é independente e objetivo, mas que suas ações e situações evidenciem pelo senso lógico e comum. Diligência e dedicação contínua no desenvolvimento do processo pericial. c) O objetivo de realizar o trabalho como perito em contabilidade judicial é prestar um serviço profissional, existindo três tipos de condições profissio- nais ou imperativos éticos que são eles: competência, serviço à administra- ção da justiça e a solidariedade. d) Para o perito contábil judicial devem influenciar três fatores gerais para tomar decisões éticas ou antiéticas, que são: os valores individuais, o com- portamento e o Código de Ética. Os principais problemas éticos os quais enfrenta o perito contábil judicial no desenvolvimento de suas perícias são: suborno, falta de dedicação e compromisso, encobrimento, egoísmo e in- competência. e) Como requisitos éticos mínimos para realizar o trabalho de perito contábil judicial são: Aptidão de Serviço, Qualidade de Serviço, Compromisso, Cui- dado e Esmero Profissional, Independência, Objetividade e Imparcialidade, Probidade Moral, Reserva ou Confidencialidade, Tecnicidade, Vocação para Verdade, Transparência e Respeito ao juramento como peritos contábeis ju- diciais, todos eles entrelaçados com a mesma missão de buscar a excelência em nosso trabalho como peritos contábeis judiciais. A ética é de extrema importância, o profissional em contabilida- de tem a função de auxiliar o juiz, leigo no assunto a ter esclarecimento dos fatos que são objetos da perícia, o Código de Ética Profissional e Disciplinar do Conselho Nacional dos Peritos Judiciais da República Federativa do Brasil (2010, p. 2) nos apresenta: Art. 8º, de seus Princípios Fundamentais, "o Perito Judicial deve ter plena consciência de que é o auxiliar da Justiça, pessoa civil, nomeado pelo Juiz ou pelo Tribunal, devidamente compromissado, desenvolvendo, assim, um tra- balho de extrema responsabilidade e relevância perante o Poder Judiciário, 38 P E R ÍC IA C O N TÁ B IL - G R U P O P R O M IN A S especialmente porque irá opinar e assisti-los na realização de prova pericial, consistente em exame, vistoria e avaliação", Art. 9º, "o Perito Judicial quando indicado pelas partes para atuar como As- sistente Técnico, assistindo-os, para realizar a prova pericial, deve seguir as mesmas normas e condutas previstas neste Código, como se nomeado o fosse, já que seu trabalho também é de extrema relevância ao Poder Ju- diciário" Diante disso, a perícia de modo geral faz-se necessária quan- do as provas presentes nos autos se tornam insuficientes para o escla- recimento e elucidação dos fatos, além de ser imprescindível quando o que se discute precisa de opinião especializada. Além da perícia judicial, vamos discorrer acerca da perícia semiju- dicial, trata-se da perícia realizada dentro do aparato institucional do esta- do, mas fora do poder judiciário, seu principal objetivo é ser meio de prova nos ordenamentos institucionais usuários. Subdivide-se, segundo o apara- to estatal atuante, em: Policial, Parlamentar e Administrativo-tributária. Figura 7: Perícia Semijudicial Fonte: SlidePlayer, 2021. Podemos classificá-las assim porque conforme demonstra a fi- gura acima, as autoridades policiais, os parlamentares ou as autoridades administrativas têm algum poder jurisdicional, a exemplo do poder legis- lativo ao realizar uma CPI- Comissão Parlamentar de Inquérito, por ter ali força judicial, o legislador poderá solicitar a perícia como se fosse juiz. Temos também a perícia extrajudicial, essa é realizada fora do Estado, por necessidade e escolha de entes físicos e jurídicos particu- lares, ela poderá ser dividida entre demonstrativa, quando busca de- monstrar a veracidade ou não de um fato ou coisa que seja previamente 39 P E R ÍC IA C O N TÁ B IL - G R U P O P R O M IN A S especificada na perícia. Poderá ser tambémdiscriminativa, quando ela busca colocar em justos termos os interesses de cada indivíduo envolvido e compro- batórias, que visam a comprovação de manifestações patológicas da matéria que for objeto da perícia extrajudicial. Podemos verificar que existem três tipos de perícia, elas são: extrajudicial, arbitral, estatal ou voluntária. A Perícia Contábil Extrajudi- cial Arbitral é requerida por um árbitro em um processo que segue as leis de arbitragem na resolução de conflitos. A Perícia Contábil Extrajudicial Estatal poderá ser realizada sob controle do Estado, um exemplo de sua aplicação ocorre em situ- ações como uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) ou nas que sejam conduzidas pelo Ministério Público da União. A Perícia Contábil Extrajudicial Voluntária ocorre quando uma empresa ou pessoa física pode solicitar a um perito independente, ou a uma organização que ofereça tal serviço. O objetivo pode ser desde a busca por provas para um processo administrativo ou judicial, até para a verificação dos documentos, analisando riscos tributários ou visando à mais transparência das contas que ajude na tomada de decisão. Uma perícia extrajudicial pode ser de suma importância, ela poderá dar uma assistência técnica na busca pela resolução de diversas situações. Ao contrário de uma perícia judicial, a extraju- dicial é aplicada em situações em que as partes envolvidas não ne- cessitam da presença do Estado através do Poder Judiciário para resolução de suas lides. Essas perícias são comuns de serem feitas em casos de autu- ações fiscais, sendo realizadas a pedido de um advogado especialista no direito tributário, esse pedido ocorre porque diversas vezes a receita federal aplica uma multa superior ao que deveria cobrar, justamente por não considerar possíveis créditos tributários ou pela interpretação equi- vocada dos livros contábeis. No processo administrativo destinado à determinação e exigência de crédito tributário, a prova pericial obedece à Lei 8.748/93 (que alterou alguns dispositivos do Decreto 70.235/72), vejamos o que ela nos traz: Art. 9º - (...) autos de infração (...) instruídos com todos os termos, depoimen- 40 P E R ÍC IA C O N TÁ B IL - G R U P O P R O M IN A S tos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do lícito; Art. 16, Inciso IV – as diligências ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, exposto os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso da perícia, o nome, endereço e a qualificação profissional do seu perito. § 1º – Considerar-se-á não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no Inciso IV do art. I6. Art. 18, § 1º – Deferido o pedido da perícia, ou determinada de ofício, sua realização, a autoridade designará o servidor para, como perito da União, a ela proceder e intimará o perito do sujeito passivo a realizar o exame reque- rido, cabendo a ambos apresentar os respectivos laudos em prazo que será fixado segundo o grau de complexidade dos trabalhos a serem executados. (BRASIL, 1993) Por último vamos falar acerca da perícia arbitral, essa moda- lidade arbitral está dentro da perícia extrajudicial, vejamos o conceito trazido pela figura colacionada abaixo: Figura 8: Perícia Arbitral Fonte: SlidePlayer, 2021. Pela Lei 9.307/96, as partes têm direito a escolha de um árbitro, esse será o responsável pela solução de possíveis litígios e controvérsias entre as partes, sem a intervenção do poder estatal, ou seja, as partes con- cordam sobre a elaboração de uma perícia e, também sobre quem a fará. A Arbitragem, que foi instituída pela Lei nº. 9.307/96, é uma das formas mais rápidas, eficientes e considerada como uma das mais baratas na solução de litígios que possam envolver bens disponíveis, no que se referem as decisões, essas serão definitivas, assim que escolhi- do modelo de resolução de conflitos pela arbitragem, as partes estarão impedidas de recorrer à Justiça. 41 P E R ÍC IA C O N TÁ B IL - G R U P O P R O M IN A S Figura 9: Arbitragem Fonte: Instituto de Direito Contemporâneo, 2021. A arbitragem poderá ser escolhida para a resolução de qual- quer controvérsia, conflito ou desentendimento que venha a dizer res- peito aos direitos que as partes possam livremente dispor, tudo aquilo o que possa ser estabelecido em um contrato, bem como toda e qualquer questão sobre a qual as partes não possam dispor livremente. Qualquer pessoa poderá ser eleita como árbitra, todavia, reco- menda-se que as pessoas que desejem cumprir as funções de árbitro aprimorem seus conhecimentos sobre o tema e as funções que o árbitro deva cumprir; os instrumentos legais que regulam os procedimentos des- tas funções; as técnicas de negociação e relacionamento humano; os sis- temas de informações e tomadas de decisões e outros temas pertinentes. APLICAÇÕES DA PERÍCIA CONTÁBIL Conforme já verificamos, a perícia é de suma importância para solução de litígios, sejam eles ocorridos na esfera judicial ou na es- fera extrajudicial, no caso da perícia contábil, essa poderá esclarecer questões que careçam de informações técnico-profissional na busca de solução de conflitos. 42 P E R ÍC IA C O N TÁ B IL - G R U P O P R O M IN A S Tendo em vista a complexidade e responsabilidade no exer- cício da atividade pericial, é benéfico a observância das normas e da legislação brasileira a fim de se realizar um trabalho de qualidade e zelo indiscutíveis, necessários para auxiliar o judiciário na resolução dos problemas que incidem sobre o patrimônio dos entes jurídicos com independência e objetividade. A atividade pericial é a verificação dos fatos ligados ao patrimô- nio, conforme já verificamos, ela visa oferecer opinião mediante a ques- tão que foi proposta, para que seja oferecida essa opinião, são necessá- rios, exames, pesquisas, avaliações, dentre outros, por isso a aplicação da perícia contábil é tão importante, tanto dentro da esfera jurídica quanto fora dela, sendo ela uma auxiliadora em diversos processos. A perícia contábil poderá ser aplicada em diversas ações, a exemplo da ação de alimentos, nela o perito poderá evidenciar a capa- cidade econômica do responsável pela manutenção dos alimentos, au- xiliando o juiz quanto a apuração do capital necessário para uma efetiva manutenção sem que isso onere excessivamente o mantenedor. Outro caso de aplicação da perícia contábil é a recuperação Judicial, por uma criteriosa verificação da situação financeira e patrimo- nial com intuito de apurar a real situação da entidade, como por exem- plo: o fluxo de caixa projetado, a liquidez dos ativos, volume de vendas, margens de lucro, custo e despesas, dentre outras análises. A Perícia Contábil também é muito utilizada na verificação e na revisão de cálculos das ações trabalhistas, muitas vezes aquilo que foi mostrado pelo empregador ou pelo empregado durante o litígio não está em conformidade com o que dispõe a legislação, para isso, o perito contador vem através do exame pericial comprovar se aqueles cálculos estão corretos ou não. Outra importante questão a ser tratada pela perícia contábil é a avaliação de patrimônios empresariais, sua importância consta por exemplo nas situações de falência de uma empresa, o perito contador deverá através de sua perícia verificar qual o tamanho do patrimônio líquido da empresa e como esse está dividido. Podemos concluir que a perícia tem finalidades diversas, entre as principais estão as de matéria prévia para o estudo de viabilidade processual, de prova pericial no âmbito do judiciário, administrativo e fiscal, devendo ser exercida por profissional legalmente habilitado. O fim é o meio de obter prova competente, para que, se decida em base consistente e de plena materialidade. 43 P E R ÍC IA C O N TÁ B IL - G R U P O P R O M IN A S Acesse os links: https://ongabc.org.br/peri-