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Mariana Jaques – Medicina 3 Fase (2026.1) – NCS 2.1 1 Tutoria 2.1 Via Gustatória e Olfatória Bioeletrogênese A bioeletrogênese é a capacidade que células vivas, principalmente as células excitáveis (neurônios, fibras musculares e algumas células glandulares), têm de gerar, manter e modificar diferenças de potencial elétrico através da membrana plasmática Processo pelo qual a célula produz energia na forma de potencial de membrana A bioeletrogênese só existe porque a membrana plasmática separa: o meio intracelular o meio extracelular Esses meios possuem composição iônica diferente Intracelular: muito K+, proteínas negativas, fosfatos, pouco Na+ e pouco Cl⁻ Extracelular: muito Na+, muito Cl⁻, muito Ca²⁺ e pouco K+ Essa separação desigual de cargas cria uma diferença de potencial elétrico A célula é compartimentalizada pela membrana plasmática formada por fosfolipídeos Isso faz com que no interior seja apolar (hidrofóbico) e o exterior (hidrofílico) -> isso permite que moléculas com carga não atravesse livremente a estrutura (por isso precisa de proteína, que são canais) Membrana plasmática como capacitor A membrana plasmática funciona como um capacitor biológico porque ela consegue separar cargas elétricas e armazenar energia potencial elétrica, pronta para ser usada rapidamente quando a célula for estimulada Na física, um capacitor é formado por duas placas condutoras separadas por um material isolante (dielétrico). As cargas ficam acumuladas nas placas: uma face positiva e outra negativa. Enquanto o isolante impede que as cargas se misturem. A energia fica armazenada como diferença de potencial e pode ser liberada rapidamente. Na célula, a analogia é quase idêntica. As placas condutoras seriam o líquido intracelular e o líquido extracelular. Porque os dois têm muitos íons livres e conduzem eletricidade O isolante é a bicamada lipídica da membrana plasmática. Como ela é formada por lipídios, ela é muito pouco permeável a íons. Ou seja, impede que as cargas se neutralizem imediatamente. Isso é o que permite o armazenamento As cargas não ficam espalhadas pela célula toda. Elas se acumulam na superfície interna e externa da membrana o face interna: mais negativa o face externa: mais positiva O restante do citoplasma continua eletricamente quase neutro. Então a diferença de potencial está nas duas faces da membrana, igual às placas de um capacitor Mariana Jaques – Medicina 3 Fase (2026.1) – NCS 2.1 2 Quando um canal iônico abre, o capacitor biológico descarrega. Por exemplo: abre canal de Na+ -> Na+ entra muito rápido -> a diferença de cargas muda -> surge a despolarização. Isso é como usar a energia acumulada do capacitor. A resposta é extremamente rápida porque a energia já estava armazenada na membrana O potencial de ação depende totalmente dessa propriedade. A membrana armazena energia em repouso. Quando canais voltagem dependentes abrem essa energia potencial vira corrente iônica e o sinal se propaga. Sem essa capacidade de capacitor o neurônio seria lento demais Função da Bioeletrogênese o Transporte transmembrana de diferentes substâncias o Base para o potencial de ação o Contração muscular o Secreção hormonal o Bioeletrogênese está envolvido em alguns exames, como: Eletrocardiograma Os gradientes de concentração ❖ Na+ e Cl- é mais concentrada no meio extracelular (fora da célula) ❖ K+ é mais concentrada no meio intracelular (dentro da célula) ❖ Quem cria isso é o transporte ativo -> Na+/K+/ATPase Consome 1 ATP, para expulsar da célula 3 Na+ e importar 2K+ Regras do movimento iônico ❖ Do meio da maior para o de menor concentração (Passivo, isso é o transporte passivo, sem gasto de ATP) -> Até conseguir o equilíbrio químico (quando chega no equilíbrio a carga é 0) ❖ Para longe da mesma carga e para perto de cargas opostas (opostos se atraem) ❖ O transporte de um íon depende da permeabilidade da membrana (Para um íon atravessar a membrana, precisa que um canal dele esteja aberto) Diferença de potencial eletroquímico A diferença de potencial eletroquímico é a força resultante de duas tendências simultâneas que atuam sobre um íon: 1. gradiente químico: força da concentração 2. gradiente elétrico: força da diferença de cargas A soma dessas duas forças determina se o íon entra, sai ou fica em equilíbrio Equilíbrio químico puro Imagine dois compartimentos separados por uma membrana permeável aos dois solutos. Exemplo: o muito Na+ do lado A o pouco Na+ do lado B Mariana Jaques – Medicina 3 Fase (2026.1) – NCS 2.1 3 o muito Cl⁻ do lado B o pouco Cl⁻ do lado A Se a membrana deixa ambos passarem, os dois íons se difundem até igualar as concentrações. Isso é o equilíbrio químico. Nesse caso as concentrações se igualam, não sobra separação de cargas e a ddp = 0 mV. Porque não houve acúmulo preferencial de um íon Membrana permeável apenas ao potássio Imagine que a membrana só tenha canais para K+ O K+ está mais concentrado dentro da célula. Pelo gradiente químico, ele quer sair. Então K+ atravessa a membrana. Mas o ânion que estava junto dele não atravessa. Resultado dentro perde cargas positivas e fora ganha cargas positivas Começa a surgir diferença de potencial elétrico Formação do desbalanço de carga À medida que mais K+ sai da célula, levando cargas positivas para o meio extracelular: o o exterior fica relativamente mais positivo o o interior fica relativamente mais negativo Isso acontece porque as proteínas aniônicas intracelulares não conseguem sair, então ficam sobrando cargas negativas dentro da célula. Com isso, surge uma força elétrica que se opõe à saída de mais K+. Porque o interior está negativo, o K+ é positivo e cargas opostas se atraem Então o meio intracelular negativo começa a atrair o K+ de volta para dentro. Ao mesmo tempo ainda existe gradiente químico, porque há mais K+ dentro do que fora, esse gradiente químico continua favorecendo a saída do K+ Chega um momento em que: a força química que empurra o K+ para fora = a força elétrica que puxa o K+ para dentro Nesse ponto, estabelece-se o equilíbrio eletroquímico do potássio Ou seja, o K+ ainda pode até atravessar a membrana nos dois sentidos, mas não existe fluxo líquido Diferença de potencial (ddp) A diferença entre os dois lados da membrana é medida em milivolts (mV) Mariana Jaques – Medicina 3 Fase (2026.1) – NCS 2.1 4 Porque as células são pequenas e a separação de carga é pequena. Então mede algo como: o +60 mV para Na+ o -90 mV para K+ o dependendo do íon. o Esse valor é o potencial de equilíbrio do íon Quem determina se a membrana é permeável ao íon são os canais iônicos. Eles são proteínas que permitem passagem seletiva de Na+, K+, Cl⁻, Ca²⁺ Sem canal praticamente não há fluxo do íon, porque a bicamada lipídica é isolante Na célula real, em repouso a membrana é muito mais permeável ao K+. Então o potencial de repouso fica próximo do potencial de equilíbrio do K+. Por isso ele é negativo Equação de Nernst A equação de Nernst calcula o potencial de equilíbrio de um único íon. Ou seja, a voltagem necessária para equilibrar exatamente o gradiente químico daquele íon Leva em consideração a constante universal dos gases, temperatura, valência do íon e constante de fareden,Mariana Jaques – Medicina 3 Fase (2026.1) – NCS 2.1 32 Histologia da Língua Língua é um órgão muscular que se projeta para dentro da cavidade oral a partir da sua superfície inferior Macroscopicamente: Superfície dorsal da língua é dividida em dois terços anterior e um terço posterior por uma depressão em formato de V (Denominada sulco terminal da língua) A superfície dorsal da língua é coberta por papilas: Papilas linguais são numerosas irregularidade e elevações da mucosa, papilas linguais e seus botões gustativos associados constituem a mucosa especializada da cavidade oral ❖ Papilas filiformes: Menores e mais numerosas, são projeções cônicas e alongadas do tecido conjuntivo, são recobertas por epitélio estratificado pavimentoso altamente queratinizado -> Desprovido de botões gustativos, essas papilas desempenham apenas um papel mecânico ❖ Papilas fungiformes: São projeções em formato de cogumelos na superfície dorsal da língua, elas tendem a ser mais numerosas e nas proximidades da ponta da língua, os botões gustativos são encontrados no epitélio estratificado pavimentoso da superfície dorsal dessas papilas ❖ Papilas circunvaladas: Grandes em formato de cúpula, encontradas na mucosa anterior ao sulco terminal da língua ❖ Papilas folhadas: Cristas baixas paralelas, intercaladas por fendas mucosas profundas, estão alinhadas em ângulos retos ao eixo longo da língua -> ocorrem na margem lateral da língua Mariana Jaques – Medicina 3 Fase (2026.1) – NCS 2.1 33 Botões gustativos são encontrados nas papilas fungiformes, folhadas e circunvaladas Os botões gustativos são vistos como corpúsculos ovais de coloração pálida, que se estendem pela espessura do epitélio -> Uma pequena abertura na superfície epitelial no ápice do botão gustativo é denominada poro gustativo São encontrados três tipos principais de células nos botões gustativos: ❖ Células neuroepiteliais (sensitivas): Mais numerosas, em sua base formam uma sinapse com os prolongamentos de neurônios sensitivos aferentes dos nervos facial (Nervo craniano VII), glossofaríngeo (Nervo craniano IX) ou vago (Nervo craniano X), o tempo de renovação das células neuroepiteliais é de cerca de 10 a 14 dias ❖ Células de sustentação: Menos numerosas, não fazem sinapse com outras células nervosas ❖ Células basais: Pequenas células localizadas na porção basal do botão gustativo, são células troncos Além daqueles associados às papilas, botões gustativos são encontrados no arco palatoglosso, no palato mole, na superfície posterior da epiglote e na parede posterior da faringe Paladar é uma sensação química, na qual diversas substâncias químicas desencadeiam estímulos das células neuroepiteliais dos botões gustativos Paladar é caracterizada por ser uma sensação química e que os saborizantes que estão nos alimentos/bebidas interage com os receptores gustativos localizados no ápice da célula neuroepitelial Existem três tipos de células neuroepiteliais que reagem a cinco estímulos básicos: 1. Tipo I: Reage ao salgado 2. Tipo II: Reage ao doce, amargo e umami 3. Tipo III: Detecta o azedo Todas os botões gustativos apresentam os mesmos três tipos de células neuroepiteliais, entretanto suas proporções variam em diferentes regiões da língua Ação molecular dos saborizantes pode envolver a abertura e a passagem através de canais iônicos (salgado e azedo), o fechamento dos canais iônicos (azedo) ou ação sobre um receptor gustativo específico acoplado à proteína G (amargo, doce e umami) Mariana Jaques – Medicina 3 Fase (2026.1) – NCS 2.1 34 A estimulação dos receptores de sabor amargo, doce e umami ativa receptores gustativos acoplados à proteína G que pertencem às famílias dos receptores quimiossensitivos T1R e T2R (Metabotrópicos) Sabor amargo, doce e umami em células neuroepiteliais do tipo II são detectadas por uma variedade de proteínas receptores ❖ Sabor Amargo: Receptores quimossensoriais T2R, cada receptor representa uma única proteína transmembrana acoplada à sua proteína G, após a ativação do receptor pelo saborizante (amargo) a proteína G estimula a enzima fosfolipase C, levando à produção intracelular aumentada de inositol 1,4,5- trifosfato (IP3), molécula de segundo mensageiro, a IP3 ativa canais de Na+ específicos, causando influxo de Na+ gerando despolarização da célula neuroepitelial, despolarização provoca abertura dos canais de Ca+ regulados por voltagem, o aumento dos níveis intracelulares de Ca+ resulta na liberação de moléculas neurotransmissoras que geram impulsos nervosos ao longo da fibra nervosa aferente gustativa ❖ Sabor doce: Também são acoplados à proteína G, o receptor aqui é o T1R2 e o T1R3, saborizantes doces ligados a esses receptores ativam a mesma cascata de reações do sistema de segundo mensageiro dos receptores do amargo ❖ Sabor Umami: Sabor ligado a determinados aminoácidos (L-Glutamato, aspartato...), tem receptores semelhantes ao doce, T1R3 é idêntica à do receptor do sabor doce e o segundo é o T1R1 que é exclusiva do sabor umami, processo é idêntico ao restante íons sódio e os prótons hidrogênio, responsáveis pelos sabores salgado e azedo, respectivamente, atuam diretamente sobre canais iônicos (Ionotrópicos) Semelhantes aos mecanismos de sinalizações encontrados nas sinapses e nas junções musculares: ❖ Sabor azedo: Em células neuroepiteliais do tipo III, é gerado por prótons H+ que são formados pela hidrólise dos componentes ácidos, o H+ bloqueia canais de K+, além disso, H+ entra na célula através dos canais de Na+ sensíveis à amilorida e por meio de canais de especificação, a entrada de H+ na célula receptora ativa canais de Ca2+ sensíveis a voltagem, o influxo de Ca2+ desencadeia a liberação de neurotransmissores, gerando potencial de ação na fibra nervosa sensitiva ❖ Sabor salgado: estimulado pelo NaCl, deriva principalmente dos íons Na+. O Na+ entra na célula gustativa por canais sensíveis à amilorida, provocando despolarização da membrana. A despolarização ativa canais de Ca²+ sensíveis à voltagem, e o influxo de Ca²+ desencadeia a liberação de neurotransmissores, estimulando as fibras nervosas gustatórias Algumas áreas da língua são mais responsivas a determinados sabores do que outras Mariana Jaques – Medicina 3 Fase (2026.1) – NCS 2.1 35 ❖ Botões gustativos na ponta da língua: detectam estímulos doces ❖ Localização posterolateral à ponta da língua: salgados ❖ Localização mais posterolateral: sabor azedo ❖ Botões gustativos nas papilas circunvaladas detectam estímulos amargos e umami O complexo suprimento nervoso da língua é fornecido pelos nervos cranianos e pelo sistema nervoso autônomo Sensibilidade geral (tato, dor, temperatura) 2/3 anteriores ❖ nervo lingual ❖ ramo do V3 (trigêmeo – Par craniano V) 1/3 posterior: glossofaríngeo (IX) região mais posterior / epiglote: vago (X) pelo nervo laríngeo superior interno Paladar ❖ 2/3 anteriores ❖ corda do tímpano (VII - Facial) ❖ acompanha o nervo lingual 1/3 posterior: IX (Glossofaríngeo) Epiglote: X (vago) Motora ❖ hipoglosso (XII) → todos os músculos da língua ❖ Exceção: palatoglosso = vago (X) Via Gustativa As fibras nervosas aferentes fazem sinapses com a base das células gustativas -> Essas células sãoquimiorreceptoras sensíveis a substâncias químicas com as quais elas entram em contato, dando origem a potenciais elétricos que causam a liberação de neurotransmissores que desencadeiam potenciais de ação que seguem pelas fibras nervosas aferentes dos nervos facial, glossofaríngeo e vago Impulsos originados nos receptores situados nos dois terços anteriores da língua, após um trajeto periférico pelos nervos lingual e corda do tímpano, chegam ao SNC pelo nervo Intermédio (VII par, lembre-se, facial) Impulsos do terço posterior da língua e os da epiglote e do esôfago proximal penetram no sistema nervoso central, respectivamente, pelos nervos glossofaringeo (IX) e vago (X) ❖ Glossofaringeo -> Terço posterior da língua ❖ Vago -> Região da epiglote e do esôfago proximal Mariana Jaques – Medicina 3 Fase (2026.1) – NCS 2.1 36 Os 2/3 anteriores da língua, com predominância das papilas fungiformes, têm sua gustação conduzida pelo nervo facial (VII). As fibras gustativas periféricas inicialmente acompanham o nervo lingual, unem-se à corda do tímpano, ramo do nervo facial, seguem até o gânglio geniculado, onde está o corpo celular do primeiro neurônio, e depois entram no tronco encefálico pelo nervo intermédio, terminando no núcleo do trato solitário (porção rostral) Nos 2/3 anteriores da língua O gosto vai por nervo lingual -> corda do tímpano -> facial (VII) O nervo lingual está na língua, então a informação do gosto entra primeiro nele, porque ele está fisicamente na região, mas ele não é o nervo do paladar, ele é meio que uma rua por onde a informação, porque o nervo da corda do tímpano não está diretamente ligado a língua O facial manda um ramo chamado corda do tímpano. Esse ramo se junta ao nervo lingual. Então o gosto faz assim papila vai para o nervo lingual vai para a corda do tímpano e chega no facial. A partir daqui a informação está oficialmente no VII par craniano Agora o impulso chega no gânglio geniculado (ele fica dentro da porção petrosa do osso temporal) Esse é o corpo celular do 1º neurônio Do gânglio geniculado, a fibra entra no tronco encefálico pelo nervo intermédio, que é a raiz sensitiva do facial. Ele entra no bulbo. Quando entra no bulbo, a fibra vai para núcleo do trato solitário, acontece a primeira sinapse dentro do SNC. Esse é o 2º neurônio Depois sobe até o VPM, que é o núcleo ventral posteromedial do tálamo. Esse é o 3º neurônio Do VPM vai para a ínsula anterior e no opérculo frontal Originam axônios que, como radiações talâmicas, chegam à área gustativa do córtex cerebral, situada na parte anterior da ínsula e parte inferior do giro pós- central. Após a sinapse no núcleo ventral posteromedial do tálamo (VPM), os neurônios de terceira ordem enviam seus axônios pelas radiações talâmicas ao córtex gustatório primário, localizado principalmente na área 43 de Brodmann Anatomicamente, essa área corresponde à região insulopercular, situada na profundidade da fissura Mariana Jaques – Medicina 3 Fase (2026.1) – NCS 2.1 37 lateral, envolvendo a ínsula anterior e o opérculo frontal/parietal Nessa região ocorre a percepção consciente da qualidade e intensidade do sabor, permitindo a identificação de estímulos como doce, salgado, amargo, azedo e umami. Além disso, essa área integra informações somatossensitivas orais, contribuindo para a percepção global do alimento A partir do córtex gustatório primário, a informação pode seguir para áreas associativas, especialmente o córtex orbitofrontal, o hipotálamo e a amígdala, relacionando o sabor aos aspectos hedônicos, emocionais e autonômicos da alimentação 1/3 posterior da língua ❖ Nervo: glossofaríngeo (IX) ❖ Leva principalmente a gustação das papilas: circunvaladas e região posterior lingual Epiglote, laringe e esôfago proximal ❖ Nervo: vago (X) Primeiro neurônio (neurônio I) Os corpos celulares ficam nos gânglios sensitivos: ❖ gânglio geniculado → VII (facial) ❖ gânglio inferior/petroso → IX (glossofaríngeo) ❖ gânglio inferior/nodoso → X (vago) Esse é o 1º neurônio da via gustativa Resumo Após a geração do potencial de ação nos botões gustativos, os impulsos seguem pelas fibras aferentes dos nervos facial (VII), glossofaríngeo (IX) e vago (X), de acordo com o território 2/3 anteriores da língua: nervo lingual → corda do tímpano → nervo intermédio (VII) 1/3 posterior: glossofaríngeo (IX) epiglote, laringe e esôfago proximal: vago (X) Os neurônios de 1ª ordem localizam-se no gânglio geniculado (VII), no gânglio inferior do IX e no gânglio inferior do X. Seus prolongamentos centrais entram no bulbo, percorrem o trato solitário e fazem sinapse com os neurônios de 2ª ordem no núcleo do trato solitário (porção gustativa) As fibras ascendentes projetam-se para o núcleo ventral posteromedial (VPM) do tálamo, onde estão os neurônios de 3ª ordem -> Do VPM, os axônios seguem pelas radiações talâmicas até o córtex gustatório primário (área 43 de Brodmann), localizado na ínsula anterior e no opérculo frontal, podendo também envolver a porção inferior do giro pós-central, onde ocorre a percepção consciente do sabor Mariana Jaques – Medicina 3 Fase (2026.1) – NCS 2.1 38 Histologia do Trato olfatório e Via olfatória Região olfatória da Cavidade Nasal Essa região é revestida por mucosa olfatória especializada Epitélio olfatório é pseudoestratificado, carece de células caliciformes Formado pelos seguintes tipos de células: ❖ Células receptoras olfatórias são neurônios olfatórios bipolares, que se estendem pela espessura do epitélio e entram no sistema nervoso central ❖ Células de sustentação são colunares e semelhantes às células neurogliais e fornecem suporte mecânico e metabólico, sintetizam e secretam proteínas de ligação de odores ❖ Células basais são células-tronco ❖ Células em escova são o mesmo tipo celular que ocorre no epitélio respiratório Transdução de Sinal na via olfatória Começa quando uma substância volátil entra na cavidade nasal durante a inspiração. Ela chega ao epitélio olfatório, localizado no teto da cavidade nasal. Ali existe uma camada de muco produzido pelas glândulas de Bowman. As moléculas odorantes precisam: ❖ dissolver-se no muco e ligam-se as proteínas de ligação olfatórias que as liberam para os receptores olfatórios localizados nos cílios do neurônio olfatório bipolar Nos cílios existem os receptores olfatórios, que são GPCRs metabotrópicos Cada neurônio expressa apenas um tipo de receptor olfatório, o que é crucial para discriminar odores. Mariana Jaques – Medicina 3 Fase (2026.1) – NCS 2.1 39 Quando o odorante se liga ao receptor ocorre mudança conformacional do GPCR Isso ativa a proteína G específica Golf A subunidade α-olf, troca GDP → GTP Depois ela se separa do complexo βγ e ativa adenilato ciclase tipo III (ACIII) Formação do segundo mensageiro A Adenil ciclase converte ATP → cAMP O cAMP é o principal segundo mensageiro da via olfatória O cAMP se liga aos canais catiônicos dependentes de nucleotídeo cíclico (CNG). Esses canais ficam nos cílios. Quando abrem entra Na⁺ e entra bastante Ca²⁺ Isso gera a despolarização inicial (potencialreceptor) Amplificação pelo cloro O Ca²⁺ que entrou abre canais de Cl⁻ dependentes de Ca²⁺. Como o neurônio olfatório mantém alta concentração intracelular de Cl⁻, o cloro SAI da célula saída de carga negativa = mais despolarização Isso amplifica muito o potencial receptor, podendo representar grande parte da corrente despolarizante A despolarização começa nos cílios, percorre botão dendrítico, dendrito, soma e chega ao cone axonal/segmento inicial. Se atingir limiar abrem-se canais de Na⁺ voltagem dependentes e surgem potenciais de ação Os potenciais de ação percorrem o axônio amielínico do neurônio olfatório atravessam a lâmina cribriforme e seguem nos filetes do nervo olfatório e chegam ao bulbo O potencial de ação alcança o terminal pré-sináptico nos glomérulos do bulbo olfatório Quando o potencial de ação chega ao terminal: abre canal de Ca²⁺ voltagem dependente -> entra Ca²⁺ no botão terminal -> vesículas sinápticas fundem-se à membrana e ocorre a liberação de GLUTAMATO principal neurotransmissor do neurônio receptor olfatório primeiro neurônio da via olfatória é a célula receptora olfatória bipolar localizada no epitélio olfatório, trato olfatório é formado pelos axônios das células mitrais do bulbo, correspondendo à continuação da via após o segundo neurônio Mariana Jaques – Medicina 3 Fase (2026.1) – NCS 2.1 40 Via olfatória após liberação de Glutamato principal diferença é ela possui apenas 2 neurônios até o córtex primário e o estímulo chega ao córtex sem relevo talâmico inicial Neurônio I é a célula olfatória O 1º neurônio da via é a própria célula receptora olfatória, um neurônio bipolar. Ela está localizada na mucosa olfatória (pituitária amarela) Nos cílios ocorre a transdução do odorante em potencial elétrico. Quando a célula gera potencial de ação, ele percorre o axônio basal Os axônios amielínicos de milhares de neurônios I agrupam-se em filetes ou filamentos olfatórios O conjunto desses filetes forma nervo olfatório (I par craniano) Esses feixes atravessam os forames da lâmina cribriforme do etmoide e chegam ao bulbo olfatório No bulbo olfatório, os axônios dos neurônios I terminam nos glomérulos olfatórios, neles, ocorre sinapse com os dendritos das células mitrais Essas células correspondem ao 2º neurônio da via Os dendritos das mitrais são muito ramificados e, junto com os terminais do neurônio I, formam os glomérulos O neurotransmissor liberado pelo neurônio I é glutamato Os axônios das células mitrais são mielínicos e saem posteriormente do bulbo, formando trato olfatório Esse trato segue na face inferior do lobo frontal Posteriormente, o trato divide-se em: ❖ estria olfatória lateral -> Segue para o uncus e o lobo piriforme ❖ estria olfatória medial Mariana Jaques – Medicina 3 Fase (2026.1) – NCS 2.1 41 A estria lateral é a mais importante para a percepção consciente do cheiro. Ela leva a informação ao uncus e córtex piriforme que correspondem ao córtex olfatório primário A projeção primária localiza-se no uncus (parte medial do lobo temporal) especialmente no córtex piriforme É aqui que ocorre a percepção cortical inicial do odor Área 27 de Brodmann Projeção secundária para tálamo e córtex orbitofrontal Embora a via chegue primeiro ao córtex sem passar pelo tálamo, depois ela projeta-se para tálamo e deste para córtex orbitofrontal Essa área participa de discriminação fina, identificação consciente complexa, integração com paladar, julgamento hedônico do odor Medicina L aboratorial Receptores da Olfação e Gustação e Transdução de sinais Tanto olfação quanto gustação são sentidos químicos, porque detectam moléculas químicas. Portanto, seus receptores são quimiorreceptores Olfação: detecta moléculas voláteis no ar Gustação: detecta moléculas dissolvidas na saliva Os dois sistemas trabalham juntos na percepção do sabor dos alimentos Receptores da Gustação Os receptores ficam nos botões gustativos. Mariana Jaques – Medicina 3 Fase (2026.1) – NCS 2.1 42 Receptores Ionotrópicos: São receptores em que o próprio receptor é um canal iônico ou atua diretamente sobre canais. Quando o estímulo químico se liga, ocorre fluxo imediato de íons, levando à despolarização -> resposta rápida, direta e curta Na gustação, isso acontece principalmente em salgado e azedo Salgado -> canal iônico -> O principal estímulo é o Na+ O sódio entra na célula gustativa por canais apicais (especialmente tipo ENaC). Essa entrada reduz a negatividade intracelular e gera potencial receptor Na+ do alimento entra no canal leva a despolarização leva a abertura de canais de Ca²⁺ e consequentemente liberação de neurotransmissor Azedo -> canal iônico: O estímulo é o H+ dos ácidos. O H+ pode entrar diretamente por canais específicos, bloquear canais de K+ e reduzir a saída de K+ a célula fica mais positiva -> despolarização Receptores Metabotrópicos: São receptores acoplados à proteína G (GPCRs). Eles não abrem canais diretamente. Primeiro ativam uma cascata de segundos mensageiros, e só depois ocorre despolarização, resposta mais lenta, amplificada e altamente específica Na gustação, isso ocorre em doce, amargo e umami mapa da língua clássico é um mito. Todos os 5 gostos podem ser percebidos em praticamente toda a língua, porque os receptores estão distribuídos nos botões gustativos de várias papilas. O que existe é maior sensibilidade relativa em algumas regiões Os botões gustativos ficam em 3 papilas: Fungiformes: ponta e dorso anterior (2/3 anteriores) Foliadas: bordas laterais Circunvaladas (valadas): V do dorso posterior, perto do sulco terminal Papila sem gustação: filiforme (mecânica, sem botões gustativos) Salgado Papila mais relacionada são as foliadas e fungiformes também participam Região da língua: maior sensibilidade nas bordas laterais anteriores, mas pode ser percebido em toda a língua Receptor envolvido: ionotrópico (canal iônico) principalmente canal sensível a sódio (ENaC) Tipo celular: Tipo I Mariana Jaques – Medicina 3 Fase (2026.1) – NCS 2.1 43 Transdução: Na+ do alimento entra pelo canal apical leva a despolarização e com isso a abertura de canais de Ca²⁺e a liberação de neurotransmissor estimulando a fibra aferente Azedo Papila mais relacionada é a foliadas, circunvaladas também detectam muito bem Região da língua é bordas laterais, principalmente médias/posteriores, não exclusivo Receptor envolvido -> ionotrópico -> O gosto azedo é detectado por células tipo III PKD2L1-positivas, nas quais o canal OTOP1 atua como principal receptor de prótons, permitindo influxo de H+, despolarização, abertura de canais de Ca²⁺ e liberação de serotonina. Tipo celular é o tipo III (pré-sináptica) Transdução H+ do ácido: entra por Otop1 -> reduz saída de K+ -> gera despolarização -> abre Ca²⁺ dependente de voltagem -> libera serotonina Doce Papila é fungiformes Região da língua: ponta da língua = maior sensibilidade relativa, porém toda a língua percebe doce Receptor envolvido é metabotrópico (GPCR): Receptor: T1R2 + T1R3 Tipo celular II açúcar liga-se em T1R2/T1R3, com isso ativa a gustducina, gerandoIP3 (segundo mensageiro) que leva a liberação de Ca²⁺ do REL intracelular, o aumento de cálcio abre TRPM5 que permite entrada de cátions (principalmente Na+) levando a despolarização e a liberação de ATP Umami Papila mais relacionada é a fungiformes, circunvaladas também participam Região da língua é a ponta e dorso difuso, sem área exclusiva Receptor é metabotrópico: T1R1 + T1R3 Tipo celular II glutamato liga aos receptores T1R1/T1R3 -> gustducina -> IP3 → Ca2+ abre canais de Na+ despolarização -> libera ATP Amargo Papila mais relacionada é circunvalada (foliadas laterais posteriores) Região da língua: região posterior, maior sensibilidade no fundo da língua (proteção contra toxinas) Metabotrópico: família T2R Tipo celular II molécula amarga -> T2R -> gustducina -> Ca2+ abre canais de Na+ despolarização libera ATP Mecanismo protetor é detectar substâncias potencialmente tóxicas antes da deglutição Dentro do botão gustativo existem células diferentes, mais importantes: o Tipo II: doce, amargo, umami (GPCR / metabotrópicas) Mariana Jaques – Medicina 3 Fase (2026.1) – NCS 2.1 44 o Tipo III: azedo (sinapses clássicas com vesículas) o Tipo I: suporte e possível participação no salgado Vias da Gustação Aferências pelos nervos cranianos: o VII (facial): 2/3 anteriores da língua o IX (glossofaríngeo): 1/3 posterior o X (vago): epiglote e faringe Todos chegam ao núcleo do trato solitário (NTS) Depois tálamo e córtex gustatório (ínsula/opérculo) Receptores da Olfação Os receptores estão no epitélio olfatório, localizado na parte superior da cavidade nasal: teto da cavidade nasal, concha nasal superior e porção superior do septo nasal Células do epitélio olfatório 3 células principais: Neurônio receptor olfatório o É o receptor propriamente dito o Características: neurônio bipolar, dendrito apical, vesícula olfatória, cílios olfatórios, axônio formando o nervo olfatório (I par) o Diferente da gustação, aqui o receptor já é o neurônio primário Células de sustentação: suporte metabólico, barreira e detoxificação de odorantes Células basais: células-tronco, renovam os neurônios receptores (poucos neurônios do SNC se renovam, mas os olfatórios se regeneram) Os odorantes não ligam no corpo celular. Eles se ligam nos cílios olfatórios mergulhados no muco O muco é produzido pelas glândulas de Bowman, que ajudam a dissolver o odorante, concentrar moléculas e proteger o epitélio O receptor olfatório é metabotrópico (GPCR) Cada neurônio expressa apenas um tipo de receptor olfatório. Mas um odor ativa vários receptores ao mesmo tempo, gerando um código combinatório Transdução de Sinal transdução olfatória começa quando uma molécula odorífera volátil entra na cavidade nasal e se dissolve no muco que recobre o epitélio olfatório. Esse muco, produzido pelas glândulas de Bowman, permite que a molécula alcance os cílios dos neurônios receptores olfatórios. Na membrana desses cílios existem receptores metabotrópicos acoplados à proteína G (GPCRs). Quando o odorante se liga ao receptor, ocorre ativação da proteína G específica da olfação, chamada Golf. subunidade alfa da Golf ativa a adenilato ciclase III, enzima responsável por converter ATP em AMPc (adenosina monofosfato cíclico), que funciona como segundo mensageiro intracelular O aumento do AMPc abre canais catiônicos dependentes de nucleotídeos cíclicos (CNG) presentes na membrana ciliar. Com esses canais abertos, ocorre entrada de Na+ e Ca²⁺ para dentro do neurônio olfatório Mariana Jaques – Medicina 3 Fase (2026.1) – NCS 2.1 45 Essa entrada de cargas positivas torna o interior da célula menos negativo, gerando a despolarização da membrana (potencial receptor) Se essa despolarização atingir o limiar necessário, o neurônio gera um potencial de ação, que percorre o axônio do neurônio receptor, atravessa a lâmina cribriforme do osso etmóide e segue pelo nervo olfatório (I par craniano) até o bulbo olfatório Ca²⁺ que entra também abre canais de Cl⁻ ativados por cálcio. Como nesses neurônios a concentração intracelular de Cl⁻ é relativamente alta, o cloreto sai da célula, promovendo ainda mais despolarização e amplificando o sinal olfatório Os axônios desses neurônios formam I par craniano — nervo olfatório. Eles atravessam a lâmina cribriforme do etmóide e chegam ao bulbo olfatório No bulbo, fazem sinapse nos glomérulos olfatórios com células mitrais e células em tufo A olfação é o único sentido que não passa primeiro pelo tálamo antes do córtex primário Testes Gustatórios e Olfatórios Testes Gustativos Os testes gustativos avaliam a integridade da gustação, ou seja, a capacidade de perceber os 5 gostos básicos doce, salgado, azedo, amargo e umami eles ajudam a identificar o Hipogeusia: diminuição do paladar o Ageusia: ausência o Disgeusia: paladar distorcido o lesões dos pares VII (facial), IX (glossofaríngeo) e X (vago) o alterações pós-infecção, pós-COVID, medicamentos e lesões neurológicas Os testes clássicos usam soluções com diferentes substâncias o doce: sacarose (açúcar) o salgado: NaCl o azedo: ácido cítrico o amargo: quinino ou cafeína o umami: glutamato monossódico Aplicação com cotonete, conta-gotas, pipeta, papel- filtro impregnado, eletrogustômetro (mais especializado) Preparação O paciente deve fechar os olhos, colocar a língua para fora, evitar falar, enxaguar a boca entre os testes testar uma metade da língua por vez. Isso ajuda a localizar lesão neural Mariana Jaques – Medicina 3 Fase (2026.1) – NCS 2.1 46 Aplica-se uma gota da solução em regiões específicas da língua: o 2/3 anteriores o 1/3 posterior o bordas laterais e ponta O paciente deve responder “doce”, “salgado”, “azedo” ou “amargo”. Também pode ser pedido identificar a intensidade (Ex.: fraco, moderado, forte) 2/3 anteriores: Testa ponta, dorso anterior e papilas fungiformes. Avalia VII par — facial (corda do tímpano). Mais sensível para doce e salgado 1/3 posterior: Testa região posterior e papilas circunvaladas. Avalia IX par glossofaríngeo, importante para amargo e azedo Epiglote / faringe: Pouco usado no exame simples, mas quando avaliado testa X par que é o vago Lesão do VII o Se o paciente perde paladar nos 2/3 anteriores: suspeita de lesão da corda do tímpano o Exemplo: paralisia facial proximal, cirurgia de ouvido, lesão do facial Lesão do IX o Se perde na região posterior pensar em glossofaríngeo o Pode associar alteração do reflexo nauseoso, disfagia, dor faríngea Eletrogustometria Mais específico. Aplica-se um estímulo elétrico controlado em pontos da língua e mede-se o limiar gustativo É útil para quantificar déficit, comparar lados, seguir recuperação Testes Olfatórios Os testes olfatórios avaliam a função do I par craniano (nervo olfatório), investigam: o Anosmia: perda do olfato o Hiposmia: diminuição o Parosmia: distorção o Fantosmia: percepção sem odor real importantes em trauma craniano, pós-infecção viral, Parkinson, Alzheimer, tumores de base frontal, lesão da lâmina cribriforme O ideal é usar odores familiares e não irritantes. Exemplos clássicos café, baunilha, canela, sabonete, hortelã, cravo, perfume suave não usar substâncias irritantes como amônia, álcool forte ou vinagre concentrado. Porqueelas estimulam o V par (trigêmeo) e não o I par O paciente deve fechar os olhos, respirar normalmente e manter a boca fechada. Testa-se uma narina por vez. A outra narina deve ser ocluída o Tampar uma narina o Aproximar o odor da narina livre o Pedir para o paciente inspirar suavemente o Perguntar você sente algum cheiro? qual cheiro é esse? o Repetir do outro lado teste avalia duas coisas: o Detecção: O paciente consegue perceber que há um odor o Identificação: O paciente consegue reconhecer qual é o odor detecta mas não identifica: pode ser problema cortical não detecta: problema periférico/nervo Mariana Jaques – Medicina 3 Fase (2026.1) – NCS 2.1 47 Lesão periférica Se o paciente não sente em uma narina, suspeitar de lesão do nervo olfatório, mucosa olfatória ou obstrução nasal Exemplos: pólipo, rinite, sinusite, fratura de etmóide, trauma da lâmina cribriforme Lesão central Se detecta odor mas não reconhece pensar em lesão de córtex orbitofrontal / temporal medial. Pode ocorrer em tumores frontais, epilepsia temporal, demência, Alzheimer/Parkinson iniciais Além do exame simples, existem testes formais: o UPSIT (University of Pennsylvania Smell Identification Test) Avaliam limiar, discriminação, identificação TBL Áreas funcionais do Encéfalo, primárias, secundárias e terciárias Imagine o cérebro como uma empresa extremamente organizada. Cada setor tem uma função: ❖ RH = recebe informações das pessoas ❖ administração = organiza processos ❖ diretoria = toma decisões finais ❖ setor social = integra relações externas No cérebro acontece algo semelhante. Cada região do córtex é um setor especializado. A diferença é que no cérebro, esses setores precisam se comunicar o tempo todo. Se essa comunicação falha por AVC, tumor, trauma, estresse intenso, neurodegeneração, a função integrada se perde Estruturas que compõem o SNC -> Encéfalo e Medula espinal Cérebro: Constituem no telencéfalo (hemisférios cerebrais e estruturas profundas) e no diencéfalo (tálamo, hipotálamo, subtálamo) Hemisférios Cerebrais O cérebro é dividido em duas grandes metades: ❖ hemisfério direito ❖ hemisfério esquerdo Eles fazem parte do telencéfalo e são as maiores estruturas do SNC. À primeira vista parecem iguais, mas cada um possui sulcos, giros, lobos e áreas funcionais específicas Os dois hemisférios são separados pela fissura longitudinal do cérebro A comunicação ocorre principalmente pelo corpo caloso -> ligar os dois hemisférios e permitir troca de informações Cada hemisfério possui: 1) Córtex cerebral Mariana Jaques – Medicina 3 Fase (2026.1) – NCS 2.1 48 É a camada externa de substância cinzenta rica em corpos neuronais. 2) Substância branca Fica profunda ao córtex. Formada por axônios mielinizados 3) Estruturas profundas Dentro de cada hemisfério existem núcleos da base, ventrículo lateral, cápsula interna, hipocampo, amígdala Cada hemisfério tem 3 faces principais: face superolateral: na vista lateral do cérebro, enxergamos frontal, parietal, temporal e occipital face medial: É a face interna, voltada para a fissura longitudinal. Mostra corpo caloso, giro do cíngulo, precúneo, lobo límbico face inferior (basal): Repousa sobre a base do crânio. Relaciona-se com: órbitas, fossas cranianas, cerebelo Cada hemisfério é dividido em lobos lobo frontal: movimento, planejamento, linguagem motora, personalidade lobo parietal: sensibilidade, propriocepção e integração espacial lobo temporal: audição, memória, compreensão da linguagem lobo occipital: visão lobo insular: gustação, visceral, dor visceral Dentro dos hemisférios ficam áreas primárias, secundárias e terciárias Histologia do córtex cerebral: camadas e célula córtex cerebral é a camada mais externa dos hemisférios cerebrais, formada por substância cinzenta. Ele é composto por corpos neuronais, dendritos, axônios amielínicos, glia, sinapses Microscopicamente, o neocórtex possui 6 camadas organizadas paralelamente à superfície. (NCBI) I → VI (de fora para dentro) https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK575742/?utm_source=chatgpt.com Mariana Jaques – Medicina 3 Fase (2026.1) – NCS 2.1 49 pia-máter → camada I → II → III → IV → V → VI → substância branca As 6 camadas do córtex I — Camada molecular (plexiforme) ❖ É a mais superficial ❖ Tem: poucas células, muitas fibras nervosas, dendritos apicais dos neurônios piramidais e células horizontais de Cajal ❖ Função: integração sináptica superficial ❖ É uma camada mais de conexões do que de corpos celulares II — camada granular externa ❖ Tem: células estreladas (granulares) e pequenos neurônios piramidais ❖ recebe e distribui informações corticais locais ❖ Participa muito de conexões intracorticais curtas III — camada piramidal externa ❖ Predominam neurônios piramidais pequenos e médios ❖ comunicação entre áreas do córtex ❖ É importante para fibras de associação, fibras comissurais, corpo caloso ❖ conecta um setor do córtex ao outro IV — Camada granular interna ❖ É rica em células estreladas e pequenos piramidais ❖ receber aferências do tálamo ❖ Então é a grande camada de entrada sensitiva V — Camada piramidal interna ❖ ficam os maiores neurônios do córtex ❖ Principal célula células piramidais gigantes de Betz no córtex motor ❖ Então é a grande camada de saída motora VI — camada multiforme (fusiforme) ❖ É a mais profunda ❖ Tem células fusiformes, piramidais modificadas, interneurônios ❖ Função projeção corticotalâmica. Ou seja: feedback do córtex para o tálamo. É a resposta do córtex para quem enviou a informação Tipos principais de células neuronais no córtex Mariana Jaques – Medicina 3 Fase (2026.1) – NCS 2.1 50 Neurônios piramidais (neurônios de output) ❖ Formato: corpo celular em forma de pirâmide ❖ Localização predominante: camadas III e V ❖ Função principal: neurônios de saída (eferentes corticais) ❖ Axônio: deixa o córtex para: o outras áreas corticais (conexões associativas ou comissurais) o núcleos subcorticais (tálamo, gânglios da base, tronco encefálico) o medula espinhal (ex.: trato corticoespinal) São responsáveis por enviar comandos e informações processadas para outras regiões. Por isso camadas III e V são mais espessas em áreas motoras Neurônios granulares (interneurônios) ❖ Formato: pequeno corpo celular, dendritos curtos em forma de estrela ❖ Localização predominante: camadas II e IV ❖ Função principal: interneurônios (não saem do córtex, apenas modulam informação dentro dele) ❖ Axônio: curto, permanece dentro do córtex São responsáveis por processar e integrar informações dentro da mesma área cortical, como recepção de estímulos sensoriais (camada IV) e refinamento da atividade local Os neurônios piramidais enviam informações para fora do córtex (saída eferente), enquanto os neurônios granulares permanecem dentro do córtex, modulando e integrando informações locais (interneurônios) Mapa citoarquitetônico de Brodmann ❖ Korbinian Brodmann: anatomista alemão que estudou o cérebro ❖ Ele dividiu o córtex cerebral em mais de 50 áreas morfologicamente distintas, conhecidas como áreasde Brodmann. ❖ Critério de divisão: apenas a arquitetura celular do córtex, ou seja: o tamanho e forma dos neurônios o distribuição das células nas camadas (lâminas) do córtex o densidade e organização dos dendritos e axônios Brodmann não usou função para dividir o córtex, apenas a morfologia dos neurônios Apesar de Brodmann ter baseado suas divisões apenas na arquitetura celular, hoje sabemos que algumas áreas têm funções específicas, e podemos relacionar algumas delas: Área de Brodmann Função principal 4 Córtex motor primário Controla movimentos voluntários (giro pré- central) 3, 1, 2 Córtex somatossensorial primário Recebe informações táteis, proprioceptivas (giro pós-central) 17 Córtex visual primário Recebe informações da retina 41, 42 Córtex auditivo primário Processamento inicial do som 43 Córtex gustativo Percepção consciente do sabor Mariana Jaques – Medicina 3 Fase (2026.1) – NCS 2.1 51 Área de Brodmann Função principal 22 Área de Wernicke Compreensão da linguagem (hemisfério dominante) 44 Área de Broca Produção da linguagem Áreas funcionais do córtex cerebral Áreas primárias ❖ captam informações diretamente do ambiente ou do corpo (entrada sensorial) ou geram comandos motores básicos (saída) ❖ Exemplos de áreas primárias: o Córtex motor primário: controla movimentos voluntários (giro pré- central) o Córtex somatossensorial primário (S1): recebe informações de tato, pressão e propriocepção (giro pós- central) o Córtex visual primário (V1): recebe sinais diretos da retina o Córtex auditivo primário (A1): recebe sinais diretos do ouvido ❖ recepção ou emissão simples, direta e organizada somatotopicamente (ex.: homúnculo motor e sensitivo) Áreas secundárias (associativas) ❖ recebem informações das áreas primárias e organizam, integram e interpretam os dados o Córtex somatossensorial secundário (S2): interpreta tato e forma objetos a partir do toque o Área visual secundária (V2, V3): interpreta formas, cores e movimentos o Área auditiva secundária (A2): interpretação de sons complexos (fala, música) ❖ processamento mais complexo, integra estímulos de forma detalhada, mas ainda dentro de um sentido específico Áreas terciárias (multimodais) ❖ integram informações de vários sentidos e áreas associativas, participam de planejamento, memória, atenção e tomada de decisão o Córtex pré-frontal: planejamento e execução de ações o Associação parietal-temporal- occipital: integra visão, tato e audição Mariana Jaques – Medicina 3 Fase (2026.1) – NCS 2.1 52 o Córtex límbico: memória e emoções ❖ altamente conectadas, integração multimodal; não têm entrada ou saída direta do corpo, apenas processam e integram informações complexas Áreas Sensitiva Primária (Projeção) Área Somatossensorial Primária (S1) ❖ Fica no giro pós-central, no lobo parietal. Logo atrás do córtex motor primário (giro pré-central) ❖ Área 1,2 e 3 de Brodmann ❖ Representa toda a superfície corporal de forma somatotópica, formando o chamado homúnculo sensitivo ❖ Recebe informações sensoriais vindas de receptores periféricos: Tato fino e grosso, pressão, dor e temperatura, propriocepção (posição do corpo no espaço) ❖ Serve como porta de entrada de dados sensoriais para o cérebro ❖ reconhece sensações, mas ainda não interpreta o objeto ou a forma Organização somatotópica ❖ Cada região do corpo tem uma área específica na S1 ❖ Áreas com maior precisão sensorial (mãos, lábios, língua) têm maior representação cortical ❖ Estrutura visualizada no homúnculo sensitivo, onde as partes mais finas e sensíveis do corpo aparecem desproporcionalmente grandes lesões ❖ Hipergnausia: sensibilidade aumentada, dor ao toque leve ❖ Analgesia ou anestesia: perda da percepção tátil ou da dor ❖ Astereognosia: incapacidade de reconhecer a forma e os contornos dos objetos pelo toque (sinônimo: agnosia tátil) ❖ Lesões unilaterais afetam o lado oposto do corpo (decussação das vias sensoriais) S1 envia informações para a área somatossensorial secundária (S2), que interpreta forma e textura de objetos -> Depois, as informações podem subir para áreas terciárias multimodais, integrando tato com visão e planejamento motor Área visual primária (V1) Fica nos lóbulos occipitais, especificamente no polo posterior do cérebro, dentro do córtex calcarino (sulco calcarino), área 17 de Brodmann. É também chamada de córtex estriado devido à aparência de estrias visíveis ao microscópio Mariana Jaques – Medicina 3 Fase (2026.1) – NCS 2.1 53 ❖ Recebe informações visuais diretamente da retina através do nervo óptico, quiasma óptico e trato óptico, que fazem sinapse no tálamo (núcleo geniculado lateral) antes de chegar a V1 ❖ Processamento inicial da visão: o Detecta linhas, contornos, cores e movimento básico. Codifica a posição espacial dos estímulos visuais (mapa retinotópico) ❖ Serve como a porta de entrada da visão para o cérebro Organização retinotópica Cada ponto da retina corresponde a um ponto específico em V1. Fovea central ocupa uma área desproporcionalmente grande em V1. Mapas retinotópicos permitem que o cérebro saiba exatamente onde o estímulo visual ocorreu Lesão em V1 pode causar: ❖ Cegueira cortical: perda de visão consciente no campo visual correspondente, mesmo que os olhos estejam intactos ❖ Hemianopsia: perda de metade do campo visual do lado oposto da lesão ❖ Lesões periféricas não afetam a percepção central se V1 estiver intacta Área Auditiva Primária (A1) Situada no lobo temporal, especificamente no giro temporal superior. Localizada dentro da cisura de Heschl (ou giro temporal transverso), área 41 e 42 de Brodmann Recebe informações de ambos os ouvidos, mas cada hemisfério processa mais intensamente o ouvido contralateral ❖ Recebe sinais auditivos do nervo vestibulococlear (VIII par craniano), que passam pelo tronco encefálico e fazem sinapse no núcleo coclear e depois no colículo inferior do mesencéfalo antes de atingir o corpo geniculado medial do tálamo (Ventral MGN) ❖ Processamento inicial do som: o Frequência (tom) o Intensidade (volume) o Localização do som A1 realiza a percepção consciente do som, mas não interpreta linguagem ou música complexa isso ocorre nas áreas secundárias Mapa tonotópico: diferentes regiões da A1 correspondem a diferentes frequências sonoras ❖ Frequências altas: região mais medial ❖ Frequências baixas: região mais lateral Mariana Jaques – Medicina 3 Fase (2026.1) – NCS 2.1 54 Lesão unilateral: pouco efeito sobre audição geral, pois ambos os hemisférios recebem sinais de ambos os ouvidos Lesão bilateral: perda significativa da percepção consciente do som, mas reflexos auditivos podem permanecer Áreas auditivas secundárias (A2): Interpretam linguagem, música, e padrões complexos de som Áreas terciárias multimodais: Integram informações auditivas com visão, memória e planejamento de ação (por exemplo, compreender música ou fala em contexto) Áreas Motora Primária (Projeção) Área motora primária (M1) Situada no lóbulos frontal, especificamente no giropré-central Localizada anterior ao sulco central (que separa os lobos frontal e parietal) Corresponde à área 4 de Brodmann ❖ Controla movimentos voluntários precisos de músculos específicos do corpo. Cada região do corpo tem uma área correspondente no córtex motor (representação somatotópica) ❖ Forma o homúnculo motor, onde áreas que exigem movimentos finos (como mãos e face) ocupam mais espaço Tipo de Neurônio ❖ Neurônios piramidais (principalmente na camada V do córtex) ❖ Seus axônios descem pelo trato corticoespinal até a medula espinhal, fazendo sinapses com interneurônios ou neurônios motores α nos cornos anteriores Lesão unilateral: fraqueza ou paralisia contralateral dos músculos voluntários Lesão extensa: perda de movimentos finos e coordenação motora do lado oposto do corpo Áreas Sensitiva Secundária (Associação Unimodal) Área Somestésicas secundária (S2) Situada nos lóbulos parietais, na face lateral do giro pós-central, próxima à insula. Corresponde a área 5 e parte da área 7 de Brodmann Recebe informações principalmente da área somatossensorial primária (S1) ❖ Integra e organiza informações sensoriais recebidas de S1 ❖ Reconhecer formas e texturas de objetos pelo tato (estereognosia) ❖ Processar sensações complexas, como pressão combinada, vibração e propriocepção ❖ Associação unimodal: recebe informações de um único tipo de sentido (aqui, o tato) e faz processamento mais sofisticado (DIFERENTE DO TERCIÁRIO QUE É MULTIMODAL) Lesão: agnosia tátil ou astereognosia: incapacidade de reconhecer objetos apenas pelo tato, mesmo que a sensibilidade básica esteja preservada Mariana Jaques – Medicina 3 Fase (2026.1) – NCS 2.1 55 Recebe sinais de S1 (primária) e envia informações para áreas terciárias multimodais, onde ocorre integração com visão, audição, planejamento motor e memória Área Visual Secundária Fica no lobo occipital, ao redor da área visual primária (V1). Corresponde principalmente às áreas 18 e 19, no lobo occipital, e ainda as áreas 20, 21 e 37 de Brodmann, no lobo temporal. circunda o córtex visual primário A área visual secundária recebe informações da V1 e faz interpretação da imagem Ela analisa formas, cores, profundidade, movimento e padrões visuais. Diferente da V1 (que vê linhas e luz), aqui o cérebro começa a entender A informação se divide em dois grandes caminhos: Via ventral (o que) ❖ Vai para o lobo temporal ❖ Função de reconhecimento de objeto, identificação de rostos e percepção de cores Via dorsal (onde) ❖ Vai para o lobo parietal ❖ Função de localização espacial, movimento e relação com o espaço Dependendo da área afetada: ❖ Lesão da via ventral: agnosia visual (vê, mas não reconhece o objeto) ❖ Lesão da via dorsal: dificuldade de localização espacial e erro ao alcançar objetos Recebe da área visual primária (V1) e envia para áreas terciárias multimodais. Onde ocorre integração com memória, linguagem e tomada de decisão Área Auditiva Secundária (A2) A A2 é uma área de associação unimodal auditiva, significa que ela recebe a informação sonora que já chegou na A1 e faz a interpretação mais complexa do som. Se a A1 percebe “estou ouvindo um som” a A2 entende “esse som é uma voz”, “é uma música”, “é um latido” Fica no lobo temporal, ao redor da área auditiva primária. Principalmente giro temporal superior, posterior às áreas de Heschl Corresponde à área 22 de Brodmann, que circunda a área auditiva primária No hemisfério dominante, continua em direção à área de Wernicke A A2 interpreta aspectos complexos do som reconhecimento de padrões sonoros, identificação de palavras, reconhecimento de vozes, interpretação de música, associação do som com memória Lesão da A2 pode causar: agnosia auditiva: A pessoa ouve normalmente, mas não consegue reconhecer o significado do som. Mariana Jaques – Medicina 3 Fase (2026.1) – NCS 2.1 56 Exemplo: ouve um cachorro latindo, sabe que existe som, não identifica que é um cachorro Se a lesão for no hemisfério dominante dificuldade de compreensão da linguagem falada Áreas de associação terciária (Associação supramodal) as áreas de associação terciária são as áreas mais complexas do córtex responsáveis por integrar diferentes modalidades sensoriais + emoção + memória + comportamento Por isso recebem o nome de associação supramodal (ou heteromodal), porque não trabalham com um único sentido áreas primárias: Recebem ou executam informação pura áreas secundárias (unimodais): Interpretam dentro da mesma modalidade. áreas terciárias (supramodais): cérebro faz a integração global, junta visão, audição, tato, memória, emoção, motivação, contexto social, atenção, tomada de decisão. Por isso são o topo da hierarquia funcional do córtex Principais áreas terciárias Área temporoparietal Fica na junção lobo temporal + parietal + occipital Recebe: visual, auditivo, somatossensorial, linguagem, memória espacial Funções o Reconhecimento do ambiente: Ajuda a entender onde os objetos estão, relação corpo-espaço, contexto ambiental, percepção global da cena o Atenção e consciência espacial: atenção dirigida ao espaço. Lesões aqui podem causar negligência espacial unilateral (pessoa ignora metade do mundo) -> síndrome de negligência contralateral Área pré-frontal Fica na porção mais anterior do lobo frontal Funções: planejamento complexo, julgamento, tomada de decisão, comportamento social, controle inibitório, personalidade, memória operacional, adaptação ao contexto. É essencial para funções executivas Área temporal de associação Principalmente regiões temporais anteriores e mediais. Função é dar significado ao que foi percebido. Ela ajuda a reconhecer faces, reconhecer objetos, identificar vozes, associar memória semântica, compreender situações Córtex límbico Aqui ocorre a união entre percepção externa + estado interno + emoção O cérebro não responde só ao estímulo. Ele responde considerando fome, medo, motivação, prazer, memória emocional, contexto interno Mesmo estímulo externo, resposta diferente por integração límbica Mariana Jaques – Medicina 3 Fase (2026.1) – NCS 2.1 57 Áreas relacionadas com a linguagem Broca e Wernicke são as duas grandes áreas clássicas da linguagem, conectadas pelo fascículo arqueado Área de Wernicke: compreensão da linguagem Fica no hemisfério dominante (geralmente esquerdo), na porção posterior do giro temporal superior, área 22 de Brodmann É responsável por compreensão da linguagem falada, compreensão da linguagem escrita, interpretação semântica, escolha correta das palavras e associação entre som e significado Responde “o que essa palavra significa?” Lesão: afasia de Wernicke o O paciente fala fluentemente, mantém ritmo e prosódia, mas o conteúdo fica sem sentido o Exemplo: sim, a porta azul correu no céu o fala fluente + sem compreensão + sem sentido o o paciente geralmente não percebe o erro Área de Broca: programação motora da fala Fica no lobo frontal dominante, no giro frontal inferior Broca transforma a ideia linguística em programa motor da fala. Ela organiza sequência dos fonemas, articulação, sintaxe, estrutura gramatical, planejamento motor da linguagem Wernicke escolhe o que dizer Broca organiza como dizer Depois envia para córtex motor da face, língua, laringe emúsculos respiratórios Lesão: afasia de Broca Aqui o paciente entende relativamente bem, sabe o que quer dizer, mas não consegue expressar diferente da Wernicke: aqui o paciente percebe o déficit e se frustra (Exemplo que Fran deu do paciente que queria que colocasse a meia nele, mas ele não conseguia dizer -> ele ficou irritado, gera frustração) As duas áreas se conectam por fibras de substância branca fascículo arqueado Fluxo: Wernicke entende -> fascículo arqueado transmite -> Broca programa fala Lesão do fascículo arqueado Gera afasia de condução O paciente entende, fala relativamente bem, mas não consegue repetir frases Ouvir: córtex auditivo Compreender: Wernicke planejar resposta: pré-frontal programar fala: Broca executar: córtex motor da facequando substitui os valores considerado a temperatura de 37 graus, percebe-se que os únicos fatores que influenciam são as concentrações intra e extracelular do íon Exemplo: desidratação, volemia aumentada, afeta o equilíbrio eletroquímico e pode afetar o potencial de repouso da membrana Exemplo do K+ Se K+ fora = 4 mM e K+ dentro = 140 mM, fica próximo de -90 mV Isso significa: se a membrana estivesse permeável somente ao K+, o potencial tenderia a -90 mV Equação de Goldman A célula real não é permeável a apenas 1 íon. Ela é permeável principalmente a K+, Na+, Cl⁻ Então usamos a equação de Goldman-Hodgkin-Katz (GHK) O íon que for mais permeável (que tem mais canal aberto para ele) é aquele que direciona mais o potencial de repouso da membrana Ela considera permeabilidade relativa da membrana a vários íons. Ou seja, não importa só concentração, importa o quanto a membrana deixa passar o potencial de repouso é -70 mV, porque em repouso a membrana é muito mais permeável ao K+ do que ao Na+. Então o valor final fica perto de EK = -90, mas não exatamente igual, porque entra um pouco de Na+ Despolarização Despolarização significa diminuição da diferença de potencial entre a face interna e a externa da membrana plasmática Exemplo: interior da célula é negativo, entra um cátion (Na⁺). Resulta no interior fica menos negativo Logo a diferença entre dentro e fora diminui, isso é despolarização. Para existir corrente iônica, são necessários: 1. canais iônicos abertos 2. íons disponíveis 3. forças que impulsionem o movimento Sem canal aberto não há corrente, mesmo que exista diferença de potencial. Na pilha comum a DDP só diminui com o tempo e nunca aumenta espontaneamente Porque elétrons não vão contra o gradiente (isso violaria a termodinâmica) Na célula existe algo a mais, além da força elétrica, existe a força de difusão As duas forças que controlam o movimento dos íons o Força elétrica (FE): atrai cargas opostas e repele cargas iguais Mariana Jaques – Medicina 3 Fase (2026.1) – NCS 2.1 5 o Força de difusão (FD): leva partículas de maior -> menor concentração essas forças podem competir Exemplo com um ânion (Cl⁻): ❖ meio externo tem mais Cl⁻: difusão quer levar para dentro ❖ interior é negativo: força elétrica repele Então temos duas forças opostas Se a força de difusão for maior que a força elétrica. Então o ânion entra na célula mesmo sendo repelido Resultado: mais carga negativa dentro -> aumenta a diferença de potencial Isso é hiperpolarização (a DDP aumenta) -> Deixa mais negativo do que o potencial de repouso Situação de equilíbrio o Pode acontecer: força elétrica = força de difusão o Resultado: não há movimento de íons o Mesmo que exista diferença de potencial e existam íons disponíveis -> Isso é: equilíbrio eletroquímico Mesmo que exista força para o movimento: Se não há canais abertos. Então o íon não atravessa, logo, não há corrente elétrica A célula está em repouso quando não há fluxo líquido de íons e a DDP permanece constante Isso pode ocorrer porque forças estão em equilíbrio ou canais estão fechados Esse estado é chamado de potencial de repouso da membrana diminuir a DDP → despolarização aumentar a DDP → hiperpolarização Uma diferença de potencial elétrico (DDP) de aproximadamente −70 mV é estabelecida entre as faces da membrana. Essa DDP é produzida pela maior concentração de cargas negativas dentro da célula (apesar da presença do potássio ali) e pela maior concentração de cargas positivas fora da célula (muitas delas não entram na célula, pois os seus canais de membrana estão fechados). O que acontece se um canal de sódio se abrir? Entra sódio na célula. Com essa entrada, a DDP da célula diminui, uma vez que diminuem as diferenças de cargas elétricas entre os meios intra e extracelular Potencial de repouso da célula Toda célula, mesmo sem estar fazendo nada, mantém uma diferença de potencial elétrico entre o interior e o exterior Valores típicos: o neurônios: ~ −70 mV o músculo: ~ −90 mV o epitélio: ~ −50 mV Isso significa que o interior da célula é negativo em relação ao exterior Essa diferença existe porque a célula não está em equilíbrio iônico com o meio externo. Ou seja, íons estão distribuídos de forma desigual ❖ Na⁺: mais fora (Extracelular) ❖ K⁺: mais dentro (Intracelular) Se estivesse em equilíbrio não existiria diferença de potencial e não existiria atividade elétrica Mariana Jaques – Medicina 3 Fase (2026.1) – NCS 2.1 6 As bombas ATPase, principalmente a Na⁺/K⁺-ATPase, cria essa desigualdade. Ela usa ATP, joga 3 Na⁺ para fora e traz K⁺ para dentro Isso cria muito K⁺ dentro e muito Na⁺ fora O interior da célula é negativo. Isso tem duas causas principais: ❖ Ânions impermeáveis. Dentro da célula existem proteínas negativas e fosfatos o Eles não conseguem sair e deixam o interior mais negativo ❖ Saída de potássio (principal fator). A célula tem muito K⁺ dentro. Pela difusão K⁺ tende a sair o Quando ele sai leva carga positiva embora, com isso o interior fica mais negativo o Não sai todo o potássio porque surge uma força contrária. Quando K⁺ sai o interior fica negativo e isso puxa o K⁺ de volta o Então temos: difusão -> empurra K⁺ para fora e força elétrica -> puxa K⁺ para dentro (Pense: A força de difusão aponta da região de maior concentração para a de menor, dentro da célula tem muito potássio, fora da célula tem pouco potássio, logo, a força de difusão empurra o K+ para fora, já a força elétrica, temos que lembrar que os opostos se atraem e os iguais se repelem, se fora é + e dentro é –, e o K+ é um cátion -> carga positiva, ele vai ser atraído para dentro da célula que é negativa, ou seja, a força elétrica puxa o K+ para dentro da célula) o Quando essas forças se igualam o K⁺ para de sair. Isso define o equilíbrio O potencial fica em torno de −70 mV porque a membrana é muito mais permeável ao K⁺ do que ao Na⁺ e existem muitos canais de K⁺ abertos. Então o comportamento elétrico da célula é dominado pelo potássio Mas não chega a −90 mV (equilíbrio do K⁺) porque entra um pouco de Na⁺ e há outros íons envolvidos Resultado: cerca de −70 mV O potencial de repouso é determinado principalmente pela permeabilidade ao potássio A célula funciona como capacitor porque há cargas negativas dentro, cargas positivas fora e separadas por uma membrana isolante. Isso é exatamente armazenamento de carga elétrica ❖ as cargas ficam acumuladas na superfície da membrana, não no meio da solução O interior da célula é eletricamente neutro no geral A célula está em repouso quando: forças estão equilibradas não há fluxo líquido de íons a DDP permanece constante bomba cria gradientes -> K⁺ tenta sair -> saída gera negatividade interna -> negatividade puxa K⁺ de volta -> equilíbrio se estabelece -> potencial se estabiliza (~ −70 mV) O potencial de repouso da membrana resulta da distribuição desigual de íons, sendo determinado principalmente pela elevada permeabilidade da membrana ao potássio Bomba Na⁺/K⁺-ATPase Ela é uma proteína da membrana que funciona como um sistema ativo de transporte. Usa energia de ATP para tirar 3 Na⁺ da célula e colocar 2 K⁺ para dentro Ela mantém os gradientes iônicos da célula: ❖ Na⁺ fica alto fora (Extracelular) ❖ K⁺ fica alto dentro (Intracelular)Mariana Jaques – Medicina 3 Fase (2026.1) – NCS 2.1 7 Sem isso não existiria potencial elétrico estável Ela não serve para gerar impulso elétrico diretamente. Ela serve para: o Repor perdas naturais: Na⁺ entra aos poucos por vazamentos e K⁺ sai aos poucos o Restaurar após atividade celular: quando neurônios ou músculos usam íons Quando canais abrem: A membrana em repouso tem canais fechados. Mas eles podem abrir por voltagem, hormônios, neurotransmissores, estímulos mecânicos ou temperatura Se abre canal de Na⁺ ou Ca²⁺ -> Esses íons entram por força de difusão (alta concentração fora p/ entra dentro) Duas possibilidades para o potencial de membrana: 1: entrada lenta de Na⁺: entra Na⁺ devagar e K⁺ sai ao mesmo tempo, o resultado é que as cargas se compensam e o potencial quase não muda -> equilíbrio dinâmico 2: entrada rápida de Na⁺ (mais comum): muito Na⁺ entra rápido e K⁺ não consegue compensar na mesma velocidade. Resultado é que no interior fica menos negativo e com isso a DDP cai -> isso é despolarização Se o influxo de Na+ for muito forte o interior pode ficar positivo e ocorre potencial de ação O Na⁺ não entra indefinidamente porque entram em equilíbrio duas forças: o Força de difusão: empurra Na⁺ para dentro o Força elétrica: quando interior fica positivo, empurra Na⁺ para fora Mesmo com grandes mudanças elétricas a quantidade de íons que realmente atravessa a membrana é muito pequena, isso permite que neurônios disparem milhares de vezes por segundo e músculos contraiam repetidamente Após atividade elétrica Na⁺ entrou demais e K⁺ saiu demais. A bomba entra em ação para restaurar os níveis originais de Na⁺ e K⁺. Mas isso é lento comparado ao potencial de ação. Potencial de Ação Neural A anatomia do Neurônio: O potencial de ação neural é uma mudança rápida, transitória e propagada do potencial de membrana do neurônio, usada para transmitir informação ao longo do axônio. Ele ocorre principalmente no cone axonal / segmento inicial do axônio, porque essa região tem alta densidade de canais de Na+ dependentes de voltagem Potencial de repouso Antes do disparo, o neurônio está em -70 mV Isso significa interior negativo e exterior positivo Esse valor depende de maior permeabilidade ao K+, canais de vazamento, bomba Na+/K+ ATPase Estímulo e limiar O neurônio recebe estímulos excitatórios no dendrito e soma. Esses estímulos geram potenciais graduados. Quando a soma deles atinge o limiar ≈ -55 mV, os canais de Na+ dependentes de voltagem do cone axonal abrem. Aqui vale a lei do tudo ou nada o atingiu limiar = dispara o não atingiu = não dispara Mariana Jaques – Medicina 3 Fase (2026.1) – NCS 2.1 8 Despolarização Essa é a fase ascendente. Abertura rápida dos canais de Na+ dependentes de voltagem. O Na+ entra porque está mais concentrado fora e interior está negativo Resultado é que o interior fica menos negativo e depois positivo. O potencial sobe -70 -> -55 -> 0 -> +30 mV Essa é a despolarização Repolarização Agora a membrana precisa voltar ao negativo. Acontecem 2 eventos: o Inativação do Na+: Os canais de Na+ entram em estado inativado. Então para a entrada de Na+ o Abertura do K+: Abrem os canais de K+ dependentes de voltagem. O K+ sai da célula. Como carga positiva sai o interior volta a ficar negativo. Isso é a repolarização Hiperpolarização Os canais de K+ fecham lentamente. Então o K+ continua saindo além do necessário. A membrana vai para -80 a -90 mV, ficando mais negativa que o repouso. Essa fase é a hiperpolarização pós-potencial Retorno ao repouso Depois: canais de K+ fecham, bomba Na+/K+ restaura gradientes. A membrana volta a -70 mV Período refratário Absoluto: Durante despolarização e início da repolarização, não dispara outro PA, porque canais de Na+ estão inativados Relativo: Durante hiperpolarização. Pode disparar, mas precisa de estímulo mais forte Tipos de Canais Iônicos Mariana Jaques – Medicina 3 Fase (2026.1) – NCS 2.1 9 ❖ De vazamento (Para o estabelecimento do potencial de repoiso): São canais sempre abertos, principalmente de K+ e Na+, fundamentais para manter o potencial de repouso ❖ Dependentes de voltagens (Se abrem quando as membranas atingem uma diferença de potencial específica): São os principais responsáveis pelo potencial de ação ❖ Dependentes de ligantes (precisa de uma molécula para se ligar): Muito importantes nas sinapses químicas ❖ Dependentes de estímulo mecânico (O toque por exemplo). Relacionados a sensações como tato, pressão e audição Potencial de Repouso Canais de vazamento estão abertos (De potássio e sódio) -> No balanço sai mais potássio do que entra sódio, por isso o potencial de repouso é -70mV) Isso ocorre porque a membrana é mais permeável ao K+ do que ao Na+. A bomba de sódio e potássio (Na+/K+ ATPase) também contribui, expulsando 3 Na+ e trazendo 2 K+, ajudando a manter esse gradiente Tem dois canais que estão fechados no repouso -> Canais de sódio dependentes de voltagens e os canais de potássio dependentes de voltagens → Isso impede a geração espontânea de potenciais de ação Os de sódio tem dois portões (ativação e inativação), → Portão de ativação abre rapidamente com o estímulo; o de inativação fecha depois, impedindo entrada contínua de Na+ Potencial Graduado Ligante ligou no canal -> abre o canal -> se for canal de sódio -> o sódio entra na célula -> eleva potencial de membrana (fica menos negativo), se o que entrou de sódio na célula for suficiente para fazer com que a diferença de potencial atinja o potencial limiar -> Potencial de ação acontece → esse potencial é local e proporcional ao estímulo, podendo somar (somação temporal e espacial) Potencial Graduado -> Entre o repouso e o limiar, o potencial de ação só vai acontecer se o potencial de membrana atingir o limiar O limiar é a voltagem (-55mV), que abre os canais de sódio dependentes de voltagens, ao abrir esses canais, tem-se muitas passagens de sódio, entra muito sódio (ele entra até chegar próximo do seu equilíbrio eletroquímico -> -60mV) -> isso gera um feedback positivo, abrindo ainda mais canais de sódio Despolarização -> A inversão do potencial de membrana, fica positivo, causada pela entrada de sódio pelos canais dependentes de voltagens → Pode chegar a cerca de +30 mV Os canais de sódio inativam (é diferente de fechar) e abre canais de potássio dependentes de voltagens, quando sai potássio, ele retira cargas positivas da célula, voltando a ficar negativo -> Repolarização → a saída de K+ é o principal mecanismo de retorno ao estado negativo O potencial de equilíbrio eletroquímico do potássio é de -90mV, por um período a célula fica com um Mariana Jaques – Medicina 3 Fase (2026.1) – NCS 2.1 10 interior mais negativo do que seu repouso -> chama- se de hiperpolarização → Isso ocorre porque os canais de K+ demoram para fechar Nessa fase de hiperpolizaração os canais de sódio dependentes de voltagens voltam a ser fechados (a diferença de fechado e inativo é que fechado pode abrir, inativado não, isso é importante, mesmo que a membrana esteja hiperpolarizada, os canais de sódio podem ser abertos -> pode iniciar um novo potencial de ação) → isso explica por que o neurônio pode voltar a disparar após esse período Definição de potencial de ação:Alteração transitória da voltagem da membrana (potencial de membrana) gerada pela atividade de um canal dependente de voltagem -Característica fundamental: fenômeno de “tudo ou nada” Propagação do Potencial de Ação Do corpo celular através do axônio até o terminal axonal → Ocorre de forma unidirecional devido aos períodos refratários. Em axônios mielinizados, ocorre condução saltatória (mais rápida) Sinapses químicas: Entre uma célula e outra, temos um espaço (não consegue passar o sinal elétrico direto) A célula que emite o potencial de ação (pré-sináptica) a que recebe (pós-sináptica) e o espaço (fenda sináptica) e o conjunto é a sinapse Quando a despolarização chega na fenda sináptica, abre canais de cálcio, é mais concentrado fora da célula, ele tende a entrar na célula, o papel do cálcio nesse contexto é atuar nos pacotes que acumulam neurotransmissores a vesícula que contém é a vesícula sináptica → O Ca2+ é essencial para a liberação dos neurotransmissores Neurotransmissor é um ligante capaz de ativar canais dependentes de ligantes na célula pós sináptica, quando o potencial de ação chega no terminal axonal -> abre-se canais de cálcio -> cálcio entra por meio da difusão -> ele sinaliza e libera o neurotransmissor Mariana Jaques – Medicina 3 Fase (2026.1) – NCS 2.1 11 na fenda sináptica, como ele é um ligante (o neurotransmissor) -> liga-se o canal (se for o sódio, o canal dependente de ligante), sódio entra e estimula o potencial graduado na célula, se for o suficiente, estimula potencial de ação na célula pós sináptica O neurotransmissor tem 3 destinos depois de fazer o efeito: ❖ Recatado pelo pré-sináptico ❖ Difunde-se ❖ Degradado por enzimas específicas Diferencia sinapses excitatórias e inibitórias com relação ao potencial de membrana ❖ Se eu quero excitar, eu tenho que despolarizar essa membrana, logo, sinapses excitatórias tem-se a abertura de canais de sódio dependentes de ligantes, já o cloreto, ele hiperpolariza (ele é negativo), fica mais longe do limiar, com isso, potencial de ação fica mais difícil de acontecer ❖ Na+ → excita (despolariza) ❖ Cl- → inibe (hiperpolariza) Gustação, Olfação e as estruturas/funções da Língua e do Nariz A gustação e a olfação são sentidos químicos especiais, pois dependem da detecção de moléculas químicas por quimiorreceptores especializados. o Gustação = percepção dos sabores dissolvidos na saliva o Olfação = percepção de moléculas voláteis dissolvidas no muco nasal Ambos trabalham de forma integrada na formação do sabor dos alimentos. Por isso, quando o olfato está alterado, a percepção do paladar também diminui Gustação A gustação é a capacidade de reconhecer os sabores dos alimentos a partir de substâncias químicas dissolvidas na saliva que entram em contato com os botões gustativos Língua língua é um órgão muscular altamente especializado, que se projeta para dentro da cavidade oral. Sua principal característica é a grande mobilidade, essencial para funções como fala, mastigação, deglutição e manipulação do alimento revestido por mucosa, cuja superfície dorsal possui papilas linguais A superfície dorsal da língua é coberta por papilas Isso significa que a parte superior da língua não é lisa. Ela apresenta elevações e irregularidades -> Essas estruturas são chamadas de papilas linguais Estão localizadas na porção anterior ao sulco terminal da língua. O sulco terminal é uma linha em forma de V que divide a língua em: ❖ parte anterior (2/3 anteriores) ❖ parte posterior (1/3 posterior) As papilas estão principalmente na parte anterior da superfície dorsal As papilas linguais e seus botões gustativos associados constituem a mucosa especializada da cavidade oral Significa: A mucosa da língua não é apenas de revestimento. Ela é especializada, pois participa da gustação. Nem todas as papilas têm função gustativa Classificação das Papilas quatro tipos: 1. Filiformes Mariana Jaques – Medicina 3 Fase (2026.1) – NCS 2.1 12 2. Fungiformes 3. Circunvaladas 4. Folhadas Papilas circunvaladas o grandes, em “V” na parte posterior o muito ricas em botões gustativos o importantes para amargo e azedo o Localização: Imediatamente antes do sulco terminal Cada papila é rodeada por uma: vala (invaginação). Essa vala é revestida por epitélio e contém muitos botões gustativos Papilas Folhadas o localizadas nas laterais posteriores o possuem muitos botões gustativos o Localização: margem lateral da língua possuem botões gustativos nas paredes laterais Papilas Filiformes o função mecânica o Esse epitélio é desprovido de botões gustativos o Portanto não participam da gustação e função exclusivamente mecânica Papilas Fungiformes o Formato de cogumelo e mais largas na parte superior o predominam na ponta e bordas anteriores o possuem botões gustativos o importantes para doce e salgado Mariana Jaques – Medicina 3 Fase (2026.1) – NCS 2.1 13 O paladar é classificado como uma sensação química porque depende da interação entre substâncias químicas presentes nos alimentos (saborizantes) e receptores específicos localizados nas células gustativas Para que o gosto seja percebido, é necessário que essas substâncias sejam dissolvidas na saliva e entrem em contato com as células dos botões gustativos A percepção do gosto ocorre nos botões gustativos, que são estruturas presentes nas papilas linguais Esses botões são formados por células neuroepiteliais especializadas, que possuem uma região apical voltada para o meio externo. Nessa região existe o poro gustativo, por onde as substâncias dissolvidas entram em contato com as células O processo ocorre em etapas organizadas: O alimento é mastigado -> As moléculas químicas se dissolvem na saliva -> Essas moléculas alcançam o poro gustativo -> Interagem com receptores nas células gustativas -> A célula gera um sinal elétrico - > Esse sinal é transmitido ao sistema nervoso Organização dos músculos da língua músculos da língua são divididos em dois grandes grupos, com base na sua origem e inserção: Músculos extrínsecos ❖ Possuem origem fora da língua ❖ Inserem-se na língua ❖ São responsáveis por movimentos amplos, como projetar a língua para fora, retrair, elevar ou abaixar ❖ Eles movem a língua como um todo Músculos intrínsecos ❖ Estão totalmente dentro da língua ❖ Não possuem inserção em estruturas externas ❖ Função: modificar a forma da língua, por exemplo alongar, encurtar, afinar, achatar Mariana Jaques – Medicina 3 Fase (2026.1) – NCS 2.1 14 músculo da língua é do tipo estriado esquelético, mas com uma organização única. As fibras musculares são organizadas em três planos diferentes, que se cruzam entre si: ❖ Longitudinal (ao longo do comprimento da língua) ❖ Transversal (de um lado ao outro) ❖ Vertical (de cima para baixo) Esses três planos estão organizados em ângulos retos entre si (perpendiculares) Esse arranjo tridimensional permite: movimentos extremamente precisos, grande flexibilidade e capacidade de mudar rapidamente de forma e posição Por isso a língua consegue realizar funções complexas como articulaçãoda fala, manipulação do alimento, formação do bolo alimentar e participação na deglutição Essa forma de organização muscular não é encontrada em outros músculos do corpo, é exclusiva da língua Presença de tecido adiposo: Entre os feixes de fibras musculares, existem quantidades variáveis de tecido adiposo (gordura). Esse tecido: preenche espaços entre os músculos e contribui para a estrutura e volume da língua Tipos de células gustativas Existem três tipos principais de células neuroepiteliais nos botões gustativos, cada uma com funções específicas ❖ células tipo I estão relacionadas principalmente à detecção do sabor salgado Seu funcionamento envolve mecanismos mais simples, associados à movimentação direta de íons ❖ células tipo II são responsáveis pela detecção dos sabores doce, amargo e umami. Elas utilizam receptores específicos acoplados à proteína G, o que caracteriza um mecanismo indireto e mais complexo de ativação ❖ células tipo III detectam o sabor azedo, geralmente associado à presença de íons hidrogênio provenientes de substâncias ácidas Mecanismos de transdução do estímulo gustativo Nos sabores salgado e azedo, ocorre principalmente a entrada direta de íons na célula gustativa por meio de canais iônicos. No caso do salgado, há entrada de Mariana Jaques – Medicina 3 Fase (2026.1) – NCS 2.1 15 sódio (Na⁺), e no azedo, entrada de hidrogênio (H⁺), o que altera o potencial elétrico da célula Nos sabores doce, amargo e umami, o mecanismo é indireto. As substâncias ligam-se a receptores específicos acoplados à proteína G na membrana da célula. Essa ligação desencadeia uma cascata de eventos intracelulares que resultam na geração do sinal elétrico No caso do sabor azedo, além da entrada de íons, pode ocorrer também o fechamento de canais iônicos, contribuindo para a despolarização celular. Salgado O sabor salgado é percebido principalmente na ponta da língua, bordas anteriores e papilas fungiformes O mecanismo ocorre em células sensíveis ao sódio, geralmente associadas às células tipo I / células ENaC+ O principal canal é ENaC. É um canal iônico seletivo para sódio (Na⁺) sensível à amilorida O Na⁺ do alimento entra diretamente na célula pelo ENaC, seguindo o gradiente químico. Como entra carga positiva ocorre despolarização imediata. A despolarização abre CALHM1/3 que é um canal de grande poro responsável pela saída de ATP O ATP ativa receptores purinérgicos na fibra aferente. Nervo: Predomina VII (facial — corda do tímpano) Azedo O sabor azedo é mais intenso nas papilas circunvaladas, foliadas e região posterior Célula envolvida é a células tipo III. Essas células fazem sinapse vesicular O principal canal é OTOP1. É um canal seletivo para prótons (H⁺) Substâncias ácidas liberam H⁺. Os prótons entram pelo OTOP1. Como H⁺ é positivo reduz a negatividade intracelular. Então ocorre despolarização. Além disso, H⁺ pode reduzir a saída de K⁺, reforçando a despolarização Essa mudança abre canais de Ca²⁺ dependentes de voltagem. O Ca²⁺ entra e promove fusão de vesículas com liberação de serotonina (5-HT) Nervo: Predomina IX (glossofaríngeo) Mariana Jaques – Medicina 3 Fase (2026.1) – NCS 2.1 16 Doce Mais percebido na ponta e papilas fungiformes Célula tipo II Receptor: T1R2 + T1R3. É um receptor metabotrópico acoplado à proteína G A glicose ou sacarose liga-se ao receptor. Isso ativa a gustducina que é a proteína G da gustação. A gustducina ativa PLCβ2 (fosfolipase C beta 2). Essa enzima quebra o PIP2 e forma IP3 (inositol trifosfato). O IP3 vai ao REL e promove liberação de Ca²⁺. O Ca²⁺ ativa TRPM5, que é um canal catiônico sensível ao cálcio. Isso causa despolarização. A despolarização abre CALHM1/3 e há liberação de ATP Nervo: VII -> Facial Umani Mais presente em papilas fungiformes e circunvaladas Célula tipo II Receptor T1R1 + T1R3. Reconhece glutamato e aminoácidos O mecanismo é igual ao doce: T1R1/T1R3 → gustducina → PLCβ2 → IP3 → liberação de Ca²⁺ do REL → TRPM5 → despolarização → CALHM1/3 → ATP Nervo: VII, IX (Facial e glossofaringeo) Amargo Predomina na região posterior e circunvaladas Célula tipo II Receptor: T2R. Família grande de receptores para moléculas potencialmente tóxicas É o mesmo mecanismo metabotrópico T2R → gustducina → PLCβ2 → IP3 → Ca²⁺ do REL → TRPM5 → despolarização → ATP Nervo predomina IX Mariana Jaques – Medicina 3 Fase (2026.1) – NCS 2.1 17 salgado: ENaC -> Na⁺ -> ATP azedo: OTOP1 -> H⁺ -> Ca²⁺ -> serotonina doce: T1R2/T1R3 -> ATP umami: T1R1/T1R3 -> ATP amargo: T2R -> ATP Distribuição dos sabores na língua Tradicionalmente, acreditava-se que existia um mapa da língua: o Ponta: doce o região anterior lateral: salgado o região posterior lateral: azedo o região posterior (papilas circunvaladas) : amargo e umami No entanto, esse modelo é uma simplificação excessiva. Estudos mais recentes mostram que todas as regiões da língua conseguem perceber todos os sabores, porém, algumas áreas são mais sensíveis a determinados estímulos Na base da língua encontra-se a tonsila lingual, que não está relacionada diretamente ao paladar, mas sim ao sistema imune. Ela consiste em acúmulos de tecido linfoide e presença de nódulos linfáticos com centros germinativos. Localiza-se posteriormente ao sulco terminal da língua ❖ apresenta criptas (invaginações do epitélio) Mariana Jaques – Medicina 3 Fase (2026.1) – NCS 2.1 18 ❖ possui grande quantidade de linfócitos infiltrando o epitélio ❖ contém glândulas salivares mucosas associadas função principal é defesa imunológica local A língua possui um suprimento nervoso bastante complexo, envolvendo diferentes funções A sensibilidade geral (toque, dor, temperatura) é conduzida por: ❖ nervo trigêmeo (V), nos dois terços anteriores ❖ nervo glossofaríngeo (IX), no terço posterior ❖ nervo vago (X), em regiões mais posteriores A sensibilidade gustativa é conduzida por: ❖ nervo facial (VII), por meio da corda do tímpano, nos dois terços anteriores ❖ nervo glossofaríngeo (IX), no terço posterior ❖ nervo vago (X), na região mais posterior A inervação motora da língua é feita pelo: ❖ nervo hipoglosso (XII), responsável pelos movimentos da língua A inervação autonômica (simpática e parassimpática) regula vasos sanguíneos e controla glândulas salivares Olfação A olfação é um sentido químico especial responsável pela detecção de moléculas voláteis presentes no ar, chamadas odorantes. Essas moléculas precisam entrar na cavidade nasal, dissolver-se no muco e ligar-se aos receptores olfatórios A partir disso, o sistema converte o estímulo químico em sinal elétrico neuronal que será enviado ao SNC Estruturas do nariz relacionadas à olfação A parte mais importante é a mucosa olfatória, localizada no teto da cavidade nasal, concha nasal superior e parte superior do septo. Ela é formada por: o Neurônios olfatórios: São neurônios bipolares verdadeiros o Possuem: dendrito apical, botão olfatório, cílios olfatórios, axônio basal o Esses neurônios são os receptores primários da olfação o Células de sustentação o Dão suporte metabólico, proteçãoe detoxificação de odorantes o Células basais: São células-tronco que regeneram neurônios olfatórios o Glândulas de Bowman: Produzem o muco olfatório. Esse muco dissolve odorantes, remove moléculas antigas, contém proteínas ligadoras de odorantes Mariana Jaques – Medicina 3 Fase (2026.1) – NCS 2.1 19 As cavidades nasais podem ser divididas em três regiões principais: Vestíbulo nasal ❖ Localizado imediatamente dentro das narinas ❖ É um espaço dilatado, quase como uma pequena entrada da cavidade nasal ❖ Revestimento: pele, diferente das demais regiões da cavidade nasal Região respiratória ❖ Constitui a maior parte da cavidade, correspondendo aos dois terços inferiores ❖ Revestimento: mucosa respiratória ❖ Funções principais: Aquecimento do ar inspirado, umidificação do ar e filtragem de partículas Região olfatória ❖ Localizada no ápice da cavidade, ou seja, o terço superior ❖ Revestimento: mucosa olfatória especializada ❖ Função principal: Contém receptores sensoriais do olfato e detecta moléculas presentes no ar que inspiramos Região olfatória da cavidade nasal região olfatória é a área da cavidade nasal responsável pelo sentido do olfato (cheiro). Ela está localizada: ❖ Na cúpula de cada cavidade nasal (parte mais alta) ❖ Em grau variável nas paredes lateral e medial próximas à cúpula Essa região é revestida por mucosa olfatória especializada, que é diferente da mucosa respiratória ❖ A mucosa olfatória tem uma cor castanho- amarelada, causada por pigmentos do epitélio olfatório e pelas glândulas olfatórias ❖ Área de superfície em humanos é cerca de 10 cm² ❖ Animais com olfato mais apurado a área é muito maior, por exemplo, em alguns cães, mais de 150 cm² A lâmina própria é a camada de tecido conjuntivo logo abaixo do epitélio. Características: ❖ Contígua ao periósteo do osso subjacente (ou seja, firmemente ligada ao osso) ❖ Contém: o Vasos sanguíneos e linfáticos → nutrição e defesa imunológica o Nervos olfatórios: ▪ Não mielinizados → conectam diretamente com o sistema nervoso central ▪ Mielinizados → conduzem sinais mais rapidamente o Glândulas olfatórias → produzem secreções que ajudam a dissolver moléculas odoríferas, facilitando sua detecção O epitélio olfatório é pseudoestratificado, como o epitélio respiratório, mas os tipos celulares são diferentes, características: ❖ Não possui células caliciformes, portanto não produz muco como na região respiratória ❖ Contém quatro tipos celulares principais: Células receptoras olfatórias Mariana Jaques – Medicina 3 Fase (2026.1) – NCS 2.1 20 ❖ São neurônios bipolares ❖ Estendem-se por toda a espessura do epitélio ❖ O axônio dessas células passa para o sistema nervoso central, transmitindo o cheiro Células de sustentação ❖ São colunares, semelhantes às células gliais do cérebro ❖ Fornecem suporte mecânico e metabólico às células receptoras ❖ Produzem proteínas de ligação de odores, que ajudam a dissolver as moléculas odoríferas para que possam ser detectadas Células basais ❖ São células-tronco ❖ Diferenciam-se em novas células receptoras olfatórias ou células sustentaculares Células em escova ❖ Também presentes no epitélio respiratório ❖ Possuem microvilosidades que podem atuar como quimiossensores secundários Células receptoras olfatórias células receptoras olfatórias são os neurônios responsáveis por detectar odores na cavidade nasal. Elas têm algumas características especiais: Neurônios bipolares ❖ Possuem dois prolongamentos principais: o Um apical (voltado para a superfície epitelial) o Um basal (que se conecta ao sistema nervoso central) Parte de cima (apical) pega os cheiros: ❖ Tem um prolongamento chamado vesícula olfatória, que se projeta acima da superfície da mucosa ❖ Da vesícula saem 10 a 23 cílios finos e longos, que ficam espalhados paralelos à mucosa ❖ Esses cílios são como antenas que detectam moléculas de cheiro no muco ❖ Os cílios não se movem, mas alguns estudos sugerem que podem ter movimento limitado Parte de baixo (basal) que envia a informação para o cérebro: 1. Tem um axônio não mielinizado 2. Esses axônios se juntam em feixes e atravessam uma estrutura óssea chamada lâmina cribriforme, passam pelas camadas que protegem o cérebro (dura-máter, aracnoide e pia-máter) e chegam ao bulbo olfatório 3. É a partir daí que o nervo olfatório (nervo craniano I) leva a informação do cheiro para o cérebro Fragilidade e regeneração ❖ Os axônios olfatórios são muito frágeis e podem se romper em traumatismos cranioencefálicos, causando anosmia (perda de olfato) ❖ Tempo de vida das células receptoras: cerca de 1 mês -> se forem danificadas, as células são rapidamente substituídas ❖ Esse é um caso raro no sistema nervoso, pois a maioria dos neurônios não é substituída após o nascimento. Além das células olfatórias, alguns neurônios do sistema nervoso entérico também podem ser substituídos na vida pós-natal Mariana Jaques – Medicina 3 Fase (2026.1) – NCS 2.1 21 Mecanismo da transdução olfatória percepção de um odor começa nos cílios das células receptoras olfatórias. É lá que todo o processo químico e elétrico acontece. Primeiro contato moléculas do odor no muco ❖ Quando inalamos algo, moléculas do cheiro entram no nariz e ficam dissolvidas no muco olfatório, que cobre a mucosa olfatória ❖ Essas moléculas não vão diretamente nos receptores; elas precisam ser transportadas por proteínas especiais chamadas proteínas de ligação de odorantes (OBPs) As OBPs são produzidas pelas células de sustentação do epitélio olfatório ❖ Elas funcionam como carreadores, capturando moléculas de cheiro e levando até os receptores olfatórios (ROs) na membrana dos cílios ❖ Essas proteínas são pequenas, solúveis em água, e conseguem conduzir os odorantes através do muco sem que eles se percam ou se espalhem Detecção pelos receptores olfatórios Existem mais de 350 tipos diferentes de receptores olfatórios nos humanos ❖ Cada receptor é específico, ele reconhece certos tipos de moléculas de cheiro, mas não só uma, um mesmo receptor pode reagir a vários odores diferentes com intensidades variadas ❖ Esses receptores fazem parte da família dos receptores acoplados à proteína G, chamados de Golf Quando o odorante se liga ao receptor Golf, ele ativa uma enzima chamada adenilil ciclase ❖ Essa ativação inicia a cascata do cAMP (monofosfato de adenosina cíclico), que é um mensageiro químico dentro da célula ❖ O cAMP abre canais específicos de Na+ (sódio) e Ca2+ (cálcio) nos cílios ❖ A entrada desses íons provoca despolarização da membrana da célula. ❖ despolarização gera potenciais de ação, que são os sinais elétricos enviados ao cérebro pelo nervo olfatório Nenhum receptor trabalha sozinho. Um único odor pode estimular vários receptores diferentes, e cada receptor responde de forma diferente dependendo do odor. ❖ Isso cria um código elétrico complexo, que o cérebro interpreta. O cérebro decodifica o cheiro analisando toda a população de células receptoras, não apenas uma célula isolada Moléculas do cheiro entram no nariz → dissolvem-se no muco -> Proteínas OBPs capturam e levam essas moléculas até os receptores nos cílios -> Receptores Golf (proteína G) são ativados → adenilil ciclase → aumento de cAMP -> cAMPabre canais de Na+ e Ca2+ → despolarização → potencial de ação -> Impulsos elétricos chegam ao cérebro → sentimos o cheiro Mariana Jaques – Medicina 3 Fase (2026.1) – NCS 2.1 22 Vias neurológicas sensitivas relacionadas a Gustação e Olfação Vias neurológicas relacionadas a Gustação A via gustativa é responsável por conduzir a informação química captada nos botões gustativos até áreas corticais conscientes e áreas subcorticais relacionadas a apetite, saciedade, emoção e reflexos autonômicos Receptores: começa nos botões gustativos, localizados em: o papilas fungiformes: 2/3 anteriores o papilas foliadas o papilas circunvaladas: 1/3 posterior o palato mole, epiglote, faringe superior As moléculas dos alimentos se dissolvem na saliva, ativam as células gustativas e geram neurotransmissores (ATP ou serotonina), que excitam a fibra aferente primária Estrutura receptora é o poro gustativo o A extremidade externa das células gustativas se abre em um pequeno poro (minúsculo buraco) o Do ápice das células gustativas saem microvilosidades, também chamadas de cílios gustativos, que se projetam para a cavidade da boca o Função das microvilosidades é detectar as moléculas de sabor presentes nos alimentos e servem como a superfície sensorial da célula gustativa Ao redor das células gustativas existe uma rede de fibras nervosas: São terminações nervosas gustativas que recebem sinais das células receptoras. Algumas fibras se involvem nas dobras das membranas das células gustativas o Dentro das células gustativas existem vesículas perto da membrana, que contêm neurotransmissores o Quando uma célula gustativa detecta um sabor, essas vesículas liberam neurotransmissores o neurotransmissor ativa as fibras nervosas, que enviam a informação ao cérebro Alimento entra na boca -> Moléculas de sabor alcançam o poro gustativo -> Microvilosidades das células gustativas captam essas moléculas -> Células gustativas liberam neurotransmissores -> Neurotransmissores ativam as fibras nervosas gustativas -> As fibras transmitem o sinal ao cérebro, onde ele é percebido como sabor Primeiro neurônio (neurônio primário) O 1º neurônio é pseudounipolar e tem o corpo celular nos gânglios sensitivos dos nervos cranianos Nervo facial (VII): Leva gustação dos 2/3 anteriores da língua Trajeto: botão gustativo → nervo lingual → corda do tímpano → nervo facial → gânglio geniculado Nervo glossofaríngeo (IX): Leva gustação do 1/3 posterior da língua, principalmente papilas circunvaladas o Corpo celular no gânglio petroso (inferior do IX) Mariana Jaques – Medicina 3 Fase (2026.1) – NCS 2.1 23 Nervo vago (X): Leva gustação da epiglote, faringe e palato inferior o Corpo celular no gânglio nodoso (inferior do X) Entrada no tronco encefálico As fibras centrais desses 3 nervos entram no bulbo e passam a compor trato solitário. Elas terminam na porção rostral do núcleo do trato solitário (NTS), também chamado núcleo gustativo. Esse é o 2º neurônio da via Segundo neurônio -> núcleo do trato solitário O núcleo do trato solitário rostral recebe toda a gustação. Aqui ocorre convergência dos sabores, início da discriminação qualitativa e integração com respostas viscerais. Do núcleo do trato solitário partem projeções ascendentes e colaterais A principal via consciente sobe para o tálamo, por fibras solitário-talâmicas / lemnisco tegmental central Terceiro neurônio está no núcleo ventral posteromedial (VPM) do tálamo As fibras fazem sinapse no núcleo ventral posteromedial (VPM) do tálamo, especificamente a porção parvocelular do VPM. O VPM é o grande retransmissor das sensibilidades especiais da face e gustação Do VPM saem fibras de 3ª ordem para o córtex gustativo primário, localizado em ínsula anterior e opérculo frontal, especialmente na região opercular do giro frontal inferior. É aqui que ocorre percepção consciente do sabor, ou seja, reconhecer doce, amargo, salgado, azedo e umami Mariana Jaques – Medicina 3 Fase (2026.1) – NCS 2.1 24 1º neurônio: gânglio geniculado (Se for o VII facial dos 2/3 anteriores da língua) / petroso (se for o IX o glossofaríngeo, dos 1/3 posteriores da língua) / nodoso (se for o vago, o X, se for da epiglote, laringe) 2º neurônio: núcleo do trato solitário rostral (bulbo) 3º neurônio: VPM -> Núcleo ventral posteromedial do tálamo Área cortical: ínsula + opérculo frontal Vias paralelas: Além da via consciente, o NTS envia fibras para: o Hipotálamo lateral: Relaciona-se com fome, saciedade, comportamento alimentar e respostas neuroendócrinas. Por isso o sabor modula apetite o Amígdala: Relaciona-se com memória emocional, aversão alimentar, preferência alimentar, prazer/desprazer. Por isso certos sabores evocam conforto ou repulsa o Núcleos salivatórios: Explica reflexos como salivação, secreção gástrica, náusea, vômito Vias neurológicas relacionadas a olfação Células olfatórias são os receptores de cheiro O receptor é o 1º neurônio: células olfatórias são os neurônios bipolares que detectam odores ❖ derivam do sistema nervoso central, ou seja, são neurônios de verdade, não apenas células epiteliais Estrutura das células olfatórias: Extremidade apical (topo da célula): Forma uma protuberância que se projeta para o muco da cavidade nasal. ❖ Nessa protuberância saem cílios olfatórios, que são pelos muito finos: Esses cílios ficam Mariana Jaques – Medicina 3 Fase (2026.1) – NCS 2.1 25 imersos no muco, formando um emaranhado denso, e são os responsáveis por reagir aos odores no ar Extremidade basal (base da célula): envia axônios que irão formar o nervo olfatório, conectando-se ao bulbo olfatório do cérebro os cílios olfatórios captam os odores do ar e transformam essa informação em sinais elétricos nos neurônios Estimulação das Células Olfatórias odorante entrando no muco -> Ligação ao receptor - > Ativação da proteína G -> Formação do AMPc -> Abertura do canal de sódio -> despolarização libera neurotransmissores e envia o sinal elétrico ao cérebro Transmissão de Sinais Olfatórios para o Bulbo Olfatório Os axônios dos neurônios receptores (primeira ordem) atravessam a lâmina cribriforme do etmóide e formam o nervo olfatório (I par craniano) e chegam ao bulbo olfatório, dentro do bulbo olfatório cada axônio termina nos glomérulos No bulbo, os axônios do 1º neurônio terminam nos glomérulos olfatórios Os glomérulos são unidades sinápticas altamente organizadas. Ali, os neurônios receptores fazem sinapse principalmente com células mitrais e células tufo As células mitrais são consideradas o principal 2º neurônio da via olfatória Mariana Jaques – Medicina 3 Fase (2026.1) – NCS 2.1 26 Os axônios das células mitrais formam o trato olfatório Ele corre posteriormente na base do lobo frontal pelo sulco olfatório Posteriormente o trato divide-se em: o Área olfatória medial – sistema olfatório primitivo o Faz conexões com bulbo contralateral, comissura anterior e modulaçãobilateral o Área olfatória lateral – sistema olfatório menos antigo e recente o Leva a informação para o córtex olfatório primário Sistema olfatório primitivo é a Área olfatória medial ❖ Localizada nas porções mediobasais do cérebro, logo anterior ao hipotálamo ❖ Núcleos importantes: núcleos septais, que alimentam o hipotálamo e outras áreas primitivas do sistema límbico ❖ Função: controle de comportamentos básicos, como: Lamber os lábios, salivação, reflexos alimentares simples Sistema olfatório menos antigo: Área olfatória lateral ❖ Composta por: Córtex pré-piriforme, córtex piriforme e porção cortical da amígdala A olfação chega diretamente ao córtex primário sem tálamo prévio. O córtex olfatório primário inclui: o Córtex piriforme o Principal área de identificação do padrão do odor o Córtex entorrinal o Relaciona-se com memória olfatória o Amígdala cortical / periamigdaloide o Relaciona-se com valor emocional do cheiro 1º neurônio: neurônio receptor olfatório bipolar (epitélio olfatório) -> atravessa a lâmina cribriforme e faz sinapse no bulbo olfatório 2º neurônio: célula mitral (bulbo olfatório) -> forma o trato olfatório -> estria olfatória lateral -> córtex olfatório primário (piriforme) epitélio olfatório -> bulbo olfatório -> trato olfatório -> córtex piriforme Integração sensorial entre a Gustação e a Olfação A integração entre gustação e olfação é o processo pelo qual o cérebro combina sinais químicos vindos da língua e do epitélio olfatório para construir a percepção unificada de flavor (sabor global do alimento). Sozinha, a gustação detecta apenas doce, salgado, azedo, amargo e umami. Mas isso não identifica o alimento com precisão (maçã e pera podem ser igualmente doces e levemente ácidas, a Mariana Jaques – Medicina 3 Fase (2026.1) – NCS 2.1 27 diferença real vem do componente olfatório, principalmente o olfato retronasal) A gustação informa a qualidade básica Quando o alimento toca a língua, as moléculas dissolvidas na saliva ativam os botões gustativos gustação fornece ao cérebro informações como: o valor energético: doce o aminoácidos: umami o eletrólitos: salgado o acidez: azedo o toxinas: amargo A olfação informa a identidade do alimento Durante a mastigação, moléculas voláteis do alimento são liberadas. Essas moléculas sobem da cavidade oral para a nasal pela nasofaringe olfação retronasal não é o cheiro vindo do ambiente, é o aroma que sai do alimento de dentro da boca para o nariz O cérebro junta as duas informações O cérebro recebe simultaneamente via gustativa (doce / azedo / salgado / umami / amargo) e via olfatória retronasal (padrão aromático do alimento) Esses sinais chegam em paralelo e começam a convergir. Tradicionalmente, essa integração foi atribuída ao córtex orbitofrontal (OFC) que associa sabor, valor hedônico, recompensa, prazer e decisão alimentar Integração precoce na ínsula essa integração pode começar antes mesmo do córtex orbitofrontal, especialmente na ínsula anterior / córtex gustatório A ínsula recebe sinais gustativos, mas também pode responder a odores retronasais congruentes com o gosto. Ou seja, o cérebro pode literalmente sentir gosto pelo cheiro. Esse achado explica por que cheiro de morango pode aumentar a sensação de doce mesmo sem açúcar extra Formação do flavor O resultado é o flavor, que é a experiência consciente integrada do alimento. Ele combina gustação, olfação retronasal, textura, temperatura, trigeminal (ardor, mentol, gás), memória e emoção. Por isso comer envolve quase todos os sentidos Gosto é o que a língua detecta: Gosto (paladar) é a sensação gerada pelos botões gustativos. A língua detecta só 5 gostos básicos doce, salgado, azedo, amargo e umami Sabor é a experiência da boca. No uso mais comum em português, sabor é a experiência que você sente ao comer. Ela junta gosto, cheiro do alimento, textura, temperatura, ardor (pimenta), cremosidade. Ou seja, sabor no dia a dia geralmente corresponde ao que a ciência chama de flavor Flavor é a integração sensorial completa: É a percepção global do alimento, formada por gosto + olfato retronasal + tato oral + temperatura + trigeminal Mariana Jaques – Medicina 3 Fase (2026.1) – NCS 2.1 28 Alterações na Olfação e Gustação, como infecções virais , envelhecimento , uso de medicamentos e distúrbios neurológicos As alterações podem ocorrer como: Olfação o Anosmia: perda total da olfação o Hiposmia: redução da sensibilidade olfatória o Parosmia: cheiro distorcido o Fantosmia: cheiro sem estímulo o Hiperosmia: Aumento exagerado da sensibilidade olfatória Gustação o Ageusia: perda total da gustação o Hipogeusia: redução da sensibilidade gustativa o Hipergeusia: Sensibilidade gustativa aumentada o Disgeusia: gosto alterado (ex.: metálico), distorção da gustação o Fantogeusia: Percepção de gosto na ausência de estímulo gustativo Mnemônica: G = Gustação e N de nariz = olfação Gustação = palavras com G Pensa em: G de gosto / G de gustação Exemplo: aGeusia: perda do paladar, tudo com G Olfação = palavras com -osmia Pensa em: oSmiA → NARIZ ou osmia = cheiro ex: anosmia: perda do olfato, tudo relacionado ao nariz/cheiro muitas pessoas acham que perderam o paladar, mas na verdade perderam o olfato retronasal, reduzindo o flavor Alterações na Olfação Infecções virais É a causa mais comum Fase inicial: perda condutiva No resfriado, gripe, rinite viral ou COVID, ocorre edema de mucosa, congestão nasal, aumento de secreção e obstrução da fenda olfatória Com isso as moléculas odoríferas não conseguem alcançar o epitélio olfatório. Ou seja, o problema não é o neurônio primeiro, mas sim o bloqueio físico do acesso do odor ao receptor -> É uma hiposmia condutiva Pós-viral: dano neurossensorial Quando o vírus lesiona o neuroepitélio, a perda fica mais profunda. Os vírus podem causar: o lesão das células sustentaculares o inflamação do epitélio olfatório o perda dos cílios olfatórios o apoptose de neurônios receptores o danos às células basais regenerativas o inflamação do bulbo olfatório Isso quebra a transdução, pois se perde cílio ou neurônio, não existe geração do potencial receptor Parosmia pós-viral Na regeneração, os neurônios olfatórios podem crescer de forma errada. O normal é: receptor específico -> glomérulo específico Se a reconexão fica incorreta o padrão glomerular muda, gerando o cheiro distorcido que é a parosmia Mecanismo de ação do COVID na olfação COVID não ataca primeiro o neurônio olfatório ela ataca as células sustentaculares (de suporte) do epitélio olfatório O alvo principal são células sustentaculares No epitélio olfatório, além do neurônio receptor, existem as células sustentaculares. Elas funcionam como células de suporte e fazem sustentação estrutural, controle do muco, detoxificação, equilíbrio Mariana Jaques – Medicina 3 Fase (2026.1) – NCS 2.1 29 iônico, nutrição dos cílios olfatórios e manutenção dos neurônios receptores A SARS-CoV-2 entra nelas porque elas expressam muito ACE2 + TMPRSS2 mais do que os próprios neurônios olfatórios Lesão das células sustentaculares Quando essas células são infectadas, ocorre morte celular, edema local, inflamação intensa, alteração do muco, perda do suporte metabólico e perda da integridade doneuroepitélio os neurônios olfatórios ficam funcionalmente desligados, mesmo sem morrer imediatamente Retração/perda dos cílios olfatórios Os cílios do neurônio olfatório são onde ficam os receptores GPCR. Sem o suporte das sustentaculares, ocorre retração ou dano dos cílios. E sem cílio não acontece a transdução. Então não há despolarização do neurônio receptor = anosmia/hiposmia súbita Em muitos casos melhora em dias ou semanas porque as células sustentaculares regeneram rápido Quando elas voltam o muco normaliza, os cílios reaparecem, a transdução volta. Por isso a anosmia da COVID muitas vezes é rápida e reversível Em alguns pacientes permanece inflamação residual do epitélio olfatório, com infiltração de linfócitos T, interferon gama alteração gênica persistente, redução de neurônios maduros Mesmo sem vírus ativo, a inflamação continua atrapalhando o epitélio -> resulta em hiposmia prolongada / anosmia persistente Parosmia pós-COVID Na regeneração, os novos neurônios podem reconectar errado aos glomérulos do bulbo olfatório Se o mapa fica desorganizado o cheiro chega distorcido e isso gera parosmia Envelhecimento: presbiosmia mecanismo é degeneração progressiva periférica mais central Periferia Com a idade ocorre redução do epitélio olfatório, menos muco, diminuição dos cílios, menor fluxo sanguíneo, apoptose neuronal e menor capacidade das células basais de regenerar neurônios Ou seja, o 1º neurônio olfatório é renovado pior Como ele normalmente se renova ao longo da vida, o envelhecimento reduz esse turnover Central Também há degeneração do bulbo olfatório, menor inibição lateral, menor plasticidade cortical, pior processamento no córtex piriforme e orbitofrontal Então o idoso perde sensibilidade mais a discriminação fina Medicamentos Toxicidade periférica Alguns remédios podem lesar cílios olfatórios, alterar o muco, irritar o epitélio, reduzir renovação celular Exemplo: zinco intranasal: toxicidade direta do epitélio olfatório Neurotransmissão central Outros alteram excitação mitral, modulação GABAérgica, circuitos límbicos e atenção ao estímulo olfatório Por isso antidepressivos, anticonvulsivantes e quimioterápicos podem gerar hiposmia ou distorções Mariana Jaques – Medicina 3 Fase (2026.1) – NCS 2.1 30 Distúrbios neurológicos Parkinson O olfato cai muito cedo porque há degeneração precoce de bulbo olfatório, trato olfatório, córtex piriforme e áreas límbicas Depósito de alfa-sinucleína nessas regiões reduz o processamento olfatório, isso pode acontecer anos antes do tremor Alzheimer O problema começa nas áreas de córtex entorrinal, hipocampo, amígdala, orbitofrontal Como essas áreas ajudam a reconhecer e dar significado ao cheiro, o paciente até pode detectar o odor, mas não consegue identificar. Isso é alteração cortical interpretativa Epilepsia do lobo temporal Ocorre hiperatividade do uncus/amígdala. Resulta em fantosmia, cheiro sem estímulo real, porque o córtex olfatório dispara sozinho problema de acesso rinite, sinusite, resfriado problema do receptor vírus, toxinas, envelhecimento problema do bulbo/córtex Parkinson, Alzheimer, epilepsia Alterações da gustação Infecções virais Dano direto no botão gustativo Os vírus podem causar inflamação da mucosa oral, edema das papilas, lesão dos microvilos do poro gustativo, apoptose das células receptoras e alteração do turnover das células basais as células gustativas se renovam rápido (em torno de 10–14 dias). Se o vírus ou a inflamação lesam as células basais, a renovação falha. Resulta em menos células tipo II e III funcionais, ↓ transdução de doce, amargo, umami e azedo Citocinas inflamatórias Em infecção viral aumenta IL-6, TNF-alfa e interferons. Essas citocinas alteram canais iônicos, mudam receptores GPCR, prejudicam vias de segundo mensageiro (IP3, PLCβ2) e reduzem excitabilidade das fibras aferentes. Ou seja, mesmo com célula viva a transdução fica ineficiente Perda indireta por olfato retronasal paciente fala que perdeu o gosto, mas muitas vezes a gustação básica está preservada. O problema real é a perda do olfato retronasal, sem aroma, perde-se o flavor. Então parece disgeusia, mas é alteração secundária à olfação Envelhecimento O principal não é perder botões apenas, e sim mudança funcional das membranas das células gustativas O envelhecimento altera canais de Na⁺, canais de K⁺, receptores GPCR, mobilização de Ca²⁺, liberação de ATP/serotonina, composição da saliva. Isso aumenta o limiar gustativo, ou seja, precisa de mais estímulo para sentir o mesmo gosto Além disso menos saliva, menos dissolução do alimento e menos contato com o poro gustativo Por isso idosos perdem mais doce e salgado Medicamentos Alteração da saliva Muitos remédios causam xerostomia (é a redução do fluxo salivar) Sem saliva, o alimento não dissolve direito. Se não dissolve não entra no poro gustativo. Logo não ativa microvilos receptores. Isso reduz a transdução. Alteração molecular da célula gustativa Mariana Jaques – Medicina 3 Fase (2026.1) – NCS 2.1 31 Alguns fármacos quelam zinco (a molécula do fármaco se liga ao Zn²⁺ e sequestra esse íon), alteram influxo de Ca²⁺, mudam segundos mensageiros, alteram prostaglandinas, interferem em GPCRs Isso atrapalha a cascata de transdução, resultando em disgeusia metálica ou hipogeusia Excreção do fármaco na saliva Alguns remédios são literalmente secretados na saliva. A pessoa sente gosto amargo, metálico ou químico constante. Isso é comum com antibióticos, metronidazol, captopril Distúrbios neurológicos a gustação periférica pode estar normal. O problema está na via neural Lesão de nervos cranianos Lesão de VII (corda do tímpano), IX, X, gera perda do gosto da região correspondente paralisia de Bell -> lesão do VII Facial -> hipogeusia nos 2/3 anteriores Tronco encefálico Lesões no núcleo do trato solitário, alteram a primeira sinapse central da gustação. Pode ocorrer em AVC bulbar, esclerose múltipla, tumores Tálamo e córtex Lesões no VPM (Núcleo ventral posteromedial), ínsula, opérculo frontal, causam dificuldade de reconhecer ou interpretar o gosto, mesmo com receptor normal Doenças neurodegenerativas Em Parkinson e Alzheimer ocorre menor processamento cortical, perda de integração com olfação, alteração orbitofrontal Importância dos órgãos sensoriais (Gustação e Olfação) para o bem-estar biopsicossocial A gustação e a olfação são sentidos químicos essenciais para a qualidade de vida, pois influenciam aspectos biológicos, psicológicos e sociais Biológico o ajudam na escolha segura dos alimentos o identificam alimentos nutritivos, comida estragada, substâncias tóxicas o participam da fase cefálica da digestão: salivação e secreção gástrica o contribuem para nutrição, homeostase e sobrevivência Psicológico o estão ligados ao prazer alimentar o odores ativam memórias e emoções o conexão com sistema límbico o melhoram humor, conforto e sensação de bem-estar o perda desses sentidos pode causar tristeza, perda de apetite e ansiedade Social o fortalecem vínculos afetivos e culturais o refeições promovem convivência familiar, interação social, identidade cultural o o cheiro participa do vínculo mãe-bebê, reconhecimento interpessoal e atração social Morfofuncional Via Gustatória e Via Olfatória Histologia do Gustatório e Via Gustatória