Logo Passei Direto
Buscar

Guia de Crimes Patrimoniais

Ferramentas de estudo

Questões resolvidas

Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.
details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Questões resolvidas

Prévia do material em texto

Página 1Guia de Estudo — Crimes Patrimoniais
Guia de Estudo — Crimes Patrimoniais
Resumo organizado a partir das anotações do caderno, com explicação simples, macetes e
questões de treino.
Como usar este material
Leia primeiro os macetes, depois os exemplos. Na prova, procure as palavras-chave do enunciado:
“quebrou”, “recebeu e não devolveu”, “enganou”, “achou e ficou”, “descontou INSS e não repassou”.
Macete geral: dano = quebrou; apropriação indébita = recebeu certo e ficou errado;
estelionato = enganou para ganhar; art. 169 = achou ou recebeu por erro e ficou; 168-A
= descontou INSS e não repassou.
1. Crime de dano — art. 163 do Código Penal
Dano é destruir, inutilizar ou deteriorar coisa alheia, móvel ou imóvel.
• Destruir: acabar com a coisa. Exemplo: quebrar totalmente uma janela.
• Inutilizar: deixar a coisa sem uso. Exemplo: cortar o fio de um aparelho para ele parar de funcionar.
• Deteriorar: estragar ou diminuir o valor. Exemplo: riscar um carro ou pichar parede.
• Coisa alheia: coisa que pertence a outra pessoa.
Pena do dano simples: detenção de 1 a 6 meses, ou multa. É crime de menor potencial ofensivo e, em
regra, cabe transação penal.
Como identificar: se a questão disser que alguém quebrou, riscou, destruiu, danificou,
estragou, pichou ou deteriorou coisa de outra pessoa, pense em dano.
Elementos do crime de dano
• Sujeito ativo: qualquer pessoa que pratica o dano.
• Sujeito passivo: o proprietário ou possuidor da coisa danificada.
• Elemento subjetivo: dolo, ou seja, vontade livre e consciente de causar dano.
• Dano culposo: em regra, não existe como crime no Código Penal comum. Pode gerar indenização
civil.
• Consumação: ocorre quando a coisa é destruída, inutilizada ou deteriorada, ainda que parcialmente.
• Tentativa: é possível. Exemplo: joga pedra para quebrar janela, mas erra.
Dano qualificado — art. 163, parágrafo único
É a forma mais grave. Pena: detenção de 6 meses a 3 anos e multa, além da pena correspondente à
violência, quando houver.
• Com violência à pessoa ou grave ameaça.
• Com emprego de substância inflamável ou explosiva, se o fato não constituir crime mais grave.
• Contra patrimônio da União, Estado, Distrito Federal, Município, autarquia, fundação pública,
empresa pública, sociedade de economia mista ou concessionária de serviço público.
• Por motivo egoístico ou com prejuízo considerável para a vítima.
Ação penal: dano simples, em regra, é de ação penal privada, mediante queixa-crime. No dano
qualificado mais grave, especialmente com violência, ameaça, explosivo/inflamável ou patrimônio
público, a ação tende a ser pública.
Página 2Guia de Estudo — Crimes Patrimoniais
2. Introdução ou abandono de animais em propriedade alheia
— art. 164 do CP
Ocorre quando alguém introduz ou deixa animais em propriedade alheia, sem consentimento de quem
tem direito, e disso resulta prejuízo.
Exemplo: João coloca o gado dele no terreno de Maria sem autorização, e os animais comem a
plantação dela.
• Pena: detenção de 15 dias a 6 meses, ou multa.
• Sujeito ativo: qualquer pessoa, exceto o próprio proprietário do imóvel.
• Sujeito passivo: proprietário ou possuidor legítimo do imóvel.
• Elemento subjetivo: dolo. Não há forma culposa.
• Consumação: entrada ou permanência dos animais no imóvel alheio, desde que haja prejuízo.
• Tentativa: é possível.
Macete: animais no terreno dos outros + sem autorização + prejuízo = art. 164.
3. Alteração de local especialmente protegido — art. 166 do CP
O art. 166 tratava de alterar, sem licença da autoridade competente, o aspecto de local especialmente
protegido por lei. Nas anotações, aparece que o dispositivo deve ser analisado com cuidado porque a
matéria foi absorvida em grande parte pela Lei de Crimes Ambientais, Lei nº 9.605/1998.
Para prova: se falar em área tombada, local protegido ou alteração ambiental/cultural
sem licença, verifique se a banca quer Código Penal ou Lei de Crimes Ambientais.
4. Apropriação indébita — art. 168 do CP
Apropriação indébita ocorre quando a pessoa recebe a coisa de forma lícita, mas depois passa a agir
como dona e não devolve.
Art. 168: apropriar-se de coisa alheia móvel, de que tem a posse ou a detenção. Pena: reclusão de 1 a 4
anos, e multa.
Exemplo: Maria empresta o notebook para João. João recebeu corretamente, mas depois vende o
notebook e não devolve.
Macete: recebeu certo, ficou errado.
Diferença entre furto e apropriação indébita
Furto Apropriação indébita
A pessoa pega a coisa sem autorização
desde o início.
A pessoa recebe a coisa com autorização,
mas depois não devolve.
Exemplo: pegar celular escondido da bolsa. Exemplo: receber celular emprestado e
vender.
Aumento de pena na apropriação indébita
A pena aumenta de 1/3 quando o agente recebeu a coisa:
• em depósito necessário;
• na qualidade de tutor, curador, síndico, liquidatário, inventariante, testamenteiro ou depositário
judicial;
Página 3Guia de Estudo — Crimes Patrimoniais
• em razão de ofício, emprego ou profissão.
Funcionário público: se a apropriação ocorre por funcionário público em razão do cargo, pode ser
peculato — art. 312 do CP — e não apropriação indébita comum.
Militar: se envolver militar em contexto funcional, pode ser aplicado o Código Penal Militar.
Coisa fungível e infungível
• Coisa fungível: pode ser substituída por outra da mesma espécie, qualidade e quantidade. Exemplo:
dinheiro, arroz, gasolina.
• Coisa infungível: é individualizada. Exemplo: um carro específico, uma joia de família, um quadro
específico.
5. Apropriação indébita previdenciária — art. 168-A do CP
Ocorre quando a empresa desconta contribuição previdenciária do trabalhador, mas não repassa à
Previdência Social/INSS no prazo legal.
Exemplo: a empresa desconta INSS do salário do funcionário, mas fica com o valor.
• Pena: reclusão de 2 a 5 anos, e multa.
• É crime omissivo próprio: o núcleo é deixar de repassar/recolher.
• Basta o dolo de não repassar; não exige finalidade especial de enriquecimento.
• Em regra, não admite tentativa, por ser crime omissivo próprio.
• Sujeito passivo: União/INSS; competência, em regra, da Justiça Federal.
Macete: descontou INSS e não repassou = art. 168-A.
Condutas equiparadas do art. 168-A
• Deixar de recolher, no prazo legal, contribuição ou outra importância destinada à Previdência Social
que tenha sido descontada de pagamento feito a segurados, terceiros ou arrecadada do público.
• Deixar de recolher contribuições devidas à Previdência Social que tenham integrado despesas
contábeis ou custos relativos à venda de produtos ou prestação de serviços.
• Deixar de pagar benefício devido a segurado, quando os valores já tiverem sido reembolsados à
empresa pela Previdência Social.
Extinção da punibilidade: pode ocorrer quando o agente declara, confessa, presta informações corretas
e paga as contribuições antes do início da ação fiscal. O pagamento integral é ponto essencial para
prova.
Parcelamento: em crimes tributários/previdenciários, o parcelamento antes do recebimento da
denúncia pode suspender a punibilidade; pagamento integral pode extingui-la, conforme regras legais
aplicáveis.
Devedor contumaz: é o devedor repetitivo, habitual, que deixa de pagar reiteradamente.
6. Apropriação de coisa havida por erro, caso fortuito ou força
da natureza — art. 169 do CP
Ocorre quando a coisa chega até a pessoa por erro, caso fortuito ou força da natureza, e ela se apropria,
sabendo que não é dona.
• Pena: detenção de 1 mês a 1 ano, ou multa.
• Erro: banco deposita dinheiro na conta errada, e a pessoa gasta sabendo que não era dela.
Página 4Guia de Estudo — Crimes Patrimoniais
• Caso fortuito: encomenda entregue por engano, e a pessoa fica com ela.
• Força da natureza: enchente leva objeto ao terreno de alguém, e essa pessoa fica com o bem.
Macete: caiu na sua mão por engano ou pela natureza e você ficou = art. 169.
Apropriação de coisa achada
Quem acha coisa perdida deve restituir ao dono ou entregar à autoridade competente, em regra no
prazo de 15 dias. Senão faz isso e fica com a coisa, comete apropriação de coisa achada.
Exemplo: achar um celular no banheiro e ficar com ele em vez de devolver.
Atenção: coisa perdida não é coisa abandonada. Se a coisa ainda tem dono, quem acha
tem dever de devolver.
Apropriação de tesouro
Ocorre quando alguém acha tesouro em prédio alheio e se apropria, total ou parcialmente, da parte que
pertence ao dono do prédio. Exemplo: encontrar moedas antigas enterradas no terreno de outra pessoa
e ficar com tudo.
7. Art. 170 do CP — privilégio nos crimes patrimoniais
O art. 170 não cria crime novo. Ele permite aplicar o privilégio do art. 155, § 2º, do CP aos crimes
previstos no mesmo capítulo, quando couber.
Requisitos do privilégio:
• réu primário;
• bons antecedentes;
• coisa ou prejuízo de pequeno valor;
• crime sem violência ou grave ameaça.
Consequências possíveis: substituir reclusão por detenção, diminuir a pena de 1/3 a 2/3 ou aplicar
somente multa.
Importante: privilégio não apaga o crime; apenas deixa a pena mais leve.
8. Estelionato — art. 171 do CP
Estelionato é o golpe: obter vantagem ilícita, para si ou para outra pessoa, causando prejuízo à vítima,
mediante fraude.
Elementos principais:
• fraude, artifício, ardil ou outro meio fraudulento;
• vítima induzida ou mantida em erro;
• vantagem ilícita para o agente ou terceiro;
• prejuízo alheio.
Exemplo: anunciar celular pela internet, receber Pix e nunca entregar o produto.
Macete: estelionato = enganou para ganhar.
Estelionato privilegiado — art. 171, § 1º
Se o criminoso é primário e o prejuízo é de pequeno valor, o juiz pode aplicar o privilégio do art. 155, §
2º: substituir a pena, reduzir de 1/3 a 2/3 ou aplicar somente multa.
Página 5Guia de Estudo — Crimes Patrimoniais
Figuras equiparadas ao estelionato — art. 171, § 2º
• Disposição de coisa alheia como própria: vender, permutar, dar em pagamento, locação ou garantia
coisa que não é sua, como se fosse própria.
• Alienação ou oneração fraudulenta de coisa própria: vender coisa própria ocultando que ela está
penhorada, prometida ou litigiosa.
• Defraudação de penhor: mexer, vender, destruir ou desviar coisa dada em garantia, fraudando o
credor.
• Fraude na entrega de coisa: defraudar substância, qualidade ou quantidade da coisa a ser entregue.
• Fraude para recebimento de indenização ou seguro: destruir, ocultar, lesionar ou agravar dano para
receber seguro.
• Fraude no pagamento por cheque: emitir cheque sem fundos ou frustrar pagamento, desde que haja
fraude.
• Cessão de conta laranja: permitir, ceder, emprestar ou vender conta para movimentação fraudulenta,
conforme alteração da Lei nº 15.397/2026.
Estelionato eletrônico
Ocorre quando a fraude é praticada por meio eletrônico/digital, como WhatsApp, Pix, e-mail fraudulento,
site falso, link falso, telefone, redes sociais ou aplicativo. A Lei nº 15.397/2026 atualizou a disciplina do
estelionato digital e da conta laranja.
Exemplo: criminoso envia link falso de banco pelo WhatsApp, a vítima informa dados e perde dinheiro.
Aumento relevante: se o crime envolve servidor mantido fora do território nacional, há causa de
aumento conforme a disciplina legal atual.
Ação penal no estelionato — atualização de 2026
Com a Lei nº 15.397/2026, foi revogado o § 5º do art. 171 do CP. Assim, a regra volta a ser ação penal
pública incondicionada, conforme a regra geral do art. 100 do CP. Isso significa que o Ministério Público
pode agir sem depender de representação da vítima. Para fatos anteriores, pode haver discussão de
direito intertemporal, porque a mudança pode ser mais gravosa ao réu.
9. Diferenças que mais caem na prova
Situação no enunciado Crime provável
Quebrou, riscou, destruiu, deteriorou coisa de
outra pessoa
Dano — art. 163
Colocou/deixou animais em terreno alheio e
causou prejuízo
Art. 164
Recebeu por confiança/autorização e depois
não devolveu
Apropriação indébita — art. 168
Descontou INSS e não repassou Apropriação indébita previdenciária — art.
168-A
Recebeu dinheiro/coisa por erro e ficou Art. 169
Achou objeto perdido e não devolveu Coisa achada — art. 169, parágrafo único
Enganou a vítima para obter vantagem Estelionato — art. 171
Página 6Guia de Estudo — Crimes Patrimoniais
Golpe por Pix, link, WhatsApp, telefone ou
e-mail
Estelionato eletrônico
Emprestou conta para movimentar dinheiro de
golpe
Cessão de conta laranja
10. Questões de treino
1. João recebeu o notebook de Maria emprestado e vendeu. Qual crime?
Resposta: Apropriação indébita, porque recebeu a coisa licitamente e depois passou a agir como dono.
2. Pedro quebrou o vidro do carro de Ana por raiva. Qual crime?
Resposta: Dano, porque deteriorou coisa alheia.
3. A empresa descontou INSS do funcionário e não repassou ao INSS. Qual crime?
Resposta: Apropriação indébita previdenciária, art. 168-A do CP.
4. O banco depositou dinheiro errado na conta de Carlos, e ele gastou sabendo que não era dele. Qual
crime?
Resposta: Apropriação de coisa havida por erro, art. 169 do CP.
5. Ana achou uma carteira na rua e ficou com o dinheiro. Qual crime?
Resposta: Apropriação de coisa achada.
6. João colocou gado no terreno de Maria, sem autorização, e o gado destruiu a plantação. Qual crime?
Resposta: Introdução ou abandono de animais em propriedade alheia, art. 164 do CP.
7. Maria anunciou um celular, recebeu Pix e nunca enviou o aparelho. Qual crime?
Resposta: Estelionato, porque enganou a vítima para obter vantagem ilícita.
8. Uma pessoa manda link falso de banco pelo WhatsApp e a vítima perde dinheiro. Qual crime?
Resposta: Estelionato eletrônico.
9. Paulo emite cheque sabendo que não tem fundos e engana o vendedor. Qual crime?
Resposta: Fraude no pagamento por cheque, modalidade equiparada ao estelionato, se houver fraude.
10. Lucas empresta sua conta bancária para receber valores de golpe. Qual ponto lembrar?
Resposta: Cessão de conta laranja, figura ligada ao art. 171 após a Lei nº 15.397/2026.
11. Revisão final de 1 minuto
• Dano: destruir, inutilizar ou deteriorar coisa alheia.
• Dano qualificado: violência/ameaça, inflamável/explosivo, patrimônio público, motivo egoístico ou
prejuízo considerável.
• Art. 164: animais em propriedade alheia, sem autorização e com prejuízo.
• Art. 168: recebeu licitamente e depois se apropriou.
• Art. 168-A: descontou contribuição previdenciária e não repassou.
• Art. 169: recebeu por erro, caso fortuito, força da natureza ou achou e ficou.
• Art. 170: privilégio de pena para primário, bons antecedentes e pequeno valor.
• Art. 171: fraude/golpe para obter vantagem ilícita com prejuízo alheio.
Página 7Guia de Estudo — Crimes Patrimoniais
• Estelionato eletrônico: golpe por meio digital/eletrônico.
• Conta laranja: ceder/emprestar conta para movimentação fraudulenta.
Fontes consultadas para atualização legislativa
Código Penal compilado e Lei nº 15.397/2026, disponíveis no Portal da Legislação do Planalto. Material elaborado para
estudo e revisão, sem substituir a leitura da lei seca e das orientações do professor.

Mais conteúdos dessa disciplina